28.5.09

In Bust faz ultimas sessões da temporada “Catolé e Caraminguás”


As sessões são lotadas e o público acostumou-se a chegar cedo para garantir espaço. Nem as chuvas que caíram exatamente no horário do espetáculo “Catolés e Craminguás”, do In Bust, apresentado de quinta a sábado, às 19h, no Casarão do Boneco, impediu o público de comparecer em peso.

Esta semana quem ainda não viu, poderá assisti-lo nesta sexta e sábado, quando acontecem as duas últimas apresentações do espetáculo, premiado pelo Edital Cláudio Barradas, de fomento às artes cênicas da Secult e com apoio do Sesc-PA.

Os portões do Casarão do Boneco abrem às 18h, para quem quiser chegar antes da apresentação e aproveitar para conferir a exposição dos bonecos que fazem parte do repertório de espetáculos do grupo que neste mês de junho vai completar 13 anos de estrada, com 13 espetáculos montados.

Para o espetáculo “Catolé e Caraminguás”, o In Bust inovou buscando mais a participação dos atores nas cenas com os bonecos. Convidou atores que não são integrantes fixos do grupo, como Michel Amorim (Zulu), Charles Wesley (Koshiro) e Mariléia Aguiar (Manoela) e colocou em cena, pela primeira vez, a produtora do grupo Cristina Costa (Raimunda). O elenco tem ainda Aníbal Pacha (Saul), que para variar mata a platéia de rir, junto com os outros atores.

O espetáculo é uma comédia para todas as idades e mostra a aventura da família Peperone, que atua com o teatro de bonecos, mas que encena há muito tempo a mesma peça. Na história, a família recebe um novo roteiro e o público começa a ver os ensaios desta para o texto “Tem Gato no Telhado”, uma adaptação do grupo do original “Os Ciúmes do Pedestre, ou O Terrível Capitão do Mato”, de Martins Pena.

Os bonecos são confeccionados por Aníbal Pacha, a partir da caricatura dos atores, com a técnica do látex . A pintura de panada é de Maurício Franco e a trilha sonora, de Fabrício Cavalcante. A direção é de Paulo Ricardo Nascimento e de Adriana Cruz.

Serviço
“Catolé e Caraminguás”, do Grupo In Bust Teatro com Bonecos. Últimas apresentações nesta sexta e sábado, às 19h, no Casarão do Boneco. Patrocínio Governo do Estado – Prêmio Cláudio Barradas. Apoio: Sesc-PA. Endereço: Av. 16 de Novembro, 815 (próximo a praça Amazonas). Entrada: um brinquedo. Informações: 3241.8981, 8134.7719 e 9941.8071.

“De Bar em Bar” é sarau regado à poesia, peixe-frito e cerveja

Nesta quinta-feira rola mais uma edição do projeto independente “De Bar em Bar – Sarau de Poetas”, com Luis Carlos França, Josette Lassance e Harley Dolzane. Este mês, a programação vai acontecer no bar do Gaby, a partir das 20h. Para quem não sabe, o espaço fica na Cidade Velha, na Trav. Ângelo Custódio, esquina da Joaquim Nabuco. O projeto acontece em bares que são abertos, na rua, como uma forma de estar mais próximo do público. “O projeto De Bar em Bar, visa popularizar a nossa poesia”, diz o poeta Luís Carlos França.

Do Sagrado Coração de Poeta à Boca de Ferro – Luís Carlos França é autor de temáticas contemporâneas. Versa sobre pessoas, coisas e a cidade. Já lançou os livros “Sangrado coração de poeta”, “Olhar do Dragão”, “Poemas de Miriti” e “Boca de ferro”, que ainda está inédito. Em “O olhar do dragão”, diz : “... No dia que prestares atenção ao meu coração de escorpião, irás encontrar teu retrato P e n d u r a d o" e "... Nossos corpos se pedem/se imploram/vejo a luz no teu olhar/te crucifico/sem dores/sem chagas/te prego a mim/mão a mão/boca a boca. Recebo teu bem me quer/teu ramo de cravo/tua orquídea negra. Teu ser me dá asas/sobrevôo o pico mais alto da paixão/e reverencio os deuses do prazer"...

O poeta está com um novo projeto, o “Boca de Ferro”, em fase de captação, e já aprovado pela Lei Tó Teixeira. “É um projeto típico paraense, onde busco a raiz de nossa cultura, através da boca de ferro, um ícone e um símbolo da comunicação popular. No livro, busco a simplicidade da poesia transmitida pelas bocas de ferros, nossos carros de sonoros, a fim de levar poesia às ruas de Belém”, explica.

Lassance - Josette Lassance é autora de “Vida de Bruxa”, “Os gatos nus passeiam sobre os telhados sujos” (contos), “Galeria dos Maus”, “O prédio” (contos) e “No Último Desejo a Carne é Fria” (em parceria com Olga Savary, Carlos Correia e Israel Gutemberg). Tem participação em livros, revistas e jornais publicados no Acre, Tocantins e em Porto Alegre. Ela pode ser visitada nos sites www.culturapara.art.br; www.veropoema.com.br; www.editoraprotexto.com.br; www.galeriadosmaus.bogspot.com.

Em 2009, Josette já tem escrito o livro de contos “Os cinco Felizes”. Em uma sexta-feira de maio, escreveu: A garça na praça / coça as costas / no musgo do lago / sentada na pedra /com uma só perna /miragem/ cal / una / de flor branca / espírito da manhã / cinzenta / no céu o aro da estátua / tinge o espaço / o lixo no chafariz / colore o chão / de plásticos / depois a rua/ a masmorra / do caos de carros /parados dentro / do jardim/silêncio/mágico /fronteira/front / o homem conserta / sombrinhas. // nenhum mistério / no mundo revelado. / apenas a manhã / etrato da praça / nesta sexta - feira de maio.

Dolzane - O poeta Harley Dolzane, formado em Direito e Letras, já foi colaborador do Portal Cultura de Comunicação para o qual semanalmente escrevia críticas de cinema: http://www.portalcultura.com.br/ . Dolzane também já participou de Antologias Poéticas como: "Panorama Literário Brasileiro – 2006" - Editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores; "27° Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos" – Editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores; "Poemas Dispersos (coleção Literatura Clandestina)" – Editora Câmara Brasileira de Jovens Escritores e "Antologia de Escritores Brasileiro - 2° Ed. 2006", organizada pelo poeta Ricardo de Benedictis.

Harley diz: "acredito que tenho necessidade de escrever / esse bafo lascivo sobre a carne-palavra/guerra que é paz/frio por fora/o calor do poema/o tempo em decifrar é o de agora/poema e suas ambigüidades/meu desespero/minha salvação/prazer".
Para conhecê-lo melhor, chegue no Gaby nesta quinta-feira ou visite as revistas eletrônicas: PD-Literatura – Projeto Diário de Literatura, ano VIII, n. II, abr, 2006. Disponível em: http://www.pd-literatura.com.br/ e Blocos On-line - Portal de Literatura e Cultura, disponível em http://www.blocosonline.com.br/. Ou ainda, o blog do poeta: "Dilacer Art e" (http://harleydolzane.blogspot.com/ ).

Peixe Frito - Fica aqui a dica para participar de uma noite poética no coração da Cidade Velha. E mais uma informação importante: lá no Gaby, tem aquele cardápio delicioso de boteco sendo que, justamente às quintas, além de muita cerveja é oferecido um delicioso peixe frito, feito pelo jornalista, ator e excelente mestre cuca José Carlos Gondim. É dele, a especialidade da casa em noites de quinta-feira.

26.5.09

Alberto Bitar expõe Efêmera Paisagem

Nostalgia, saudade, memória. O fotógrafo paraense Alberto Bitar revisita a infância na série ‘Efêmera Paisagem’, que entra em cartaz no dia 2 de junho no Espaço Cultural Banco da Amazônia, em Belém (PA) e permanece aberta a visitação publica até o dia 3 de julho.

Neste trabalho, o artista refaz em imagens as viagens que fazia com a família em direção à Mosqueiro, uma ilha banhada pelas baías do Guajará e do Marajó, a 70 km de Belém. Pela janela do carro, cenários se dissolvem na velocidade e vultos desaparecem com igual rapidez à margem da estrada. Bitar volta ao passado e relembra com afeto a companhia dos pais.

Fotografar da janela de veículos em movimento é algo que atrai Bitar desde o início de sua carreira. “Me chamam atenção as distorções causadas pelo movimento, as formas que resultam da soma das baixas velocidades na captura com as velocidades elevadas do veículo. Somente a pouco tempo percebi que essas imagens me transportam àquelas viagens da infância”, conta.

Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais, ‘Efêmera Paisagem’ tem curadoria de Marisa Mokarzel e é composta por 19 fotografias e um vídeo. Em 2008, um díptico da série recebeu Prêmio Aquisição do Salão Arte Pará. Já o vídeo, ainda inédito em Belém, foi selecionado pelo programa Rumos Artes Visuais 2008/2009, promovido pelo Itaú Cultural, e participa de exposições em São Paulo, Rio Branco, Salvador e no Rio de Janeiro ainda neste ano.

Serviço
Exposição ‘Efêmera Paisagem’, do fotográfico Alberto Bitar, de 2 de junho a 3 de julho no Espaço Cultural do Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800 – (91) 40083334. A entrada é franca.


Mostra Júlio Cezar abre com objetivo de popularizar a ciência no Estado do Pará


Com o objetivo de popularizar a ciência no Estado do Pará, acontece nesta quarta-feira, 27, às 17h, a abertura da Mostra Júlio Cezar de Ciência e Tecnologia, realização do Governo do Estado através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia – Sedect - da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará – Fapespa - e da Empresa de Processamento de Dados do Pará, Prodepa.

O evento, aberto ao público, ganha espaço no Teatro Waldemar Henrique, e inicia com o lançamento da campanha de divulgação da Semana Nacional de C&T que acontecerá em outubro; em seguida haverá uma palestra do professor Luis Carlos Bassalo Crispino, que vai falar sobre "Júlio Cézar Ribeiro de Souza - inovação, ciência e tecnologia no Pará" e, fechando evento mais duas apresentações: do espetáculo “Júlio irá Voar”, do Grupo Palha, e da atração musical de voz e piano com Rafael Noleto e Eliana Cutrim.

A apresentação de Rafael Nolleto e Eliana Cutrim contará com um repertório especial, onde a dupla faz um apanhado geral dos trabalhos que vêm desenvolvendo nos shows “Trovas Brasileiras” e “O Cantor e a Pianista” e, ainda, por se tratar de um evento onde está inserida uma mostra de ciência e cultura que leva o nome de uma grande personalidade da ciência no Pará, Júlio Cezar, Rafael Nolleto também avisa que a dupla vai privilegiar obras de compositores paraenses como, por exemplo, Jayme Ovalle, Waldemar Henrique e Altino Pimenta, entre outros.

“Tais compositores, assim como Júlio Cezar, foram responsáveis pela (re) invenção e fortalecimento da canção no Brasil. É uma grande satisfação para o nosso duo retomar nossas atividades nos palcos com esta participação num evento de tal grandeza. Ainda em 2009, pretendemos fazer alguns recitais com o novo repertório que estamos ensaiando”, explica Rafael Nolleto.

O evento de abertura da mostra marca o início de uma vasta programação, como forma preparatória para Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que acontecerá em outubro. A programação chegará também às escolas e espaços culturais de outros municípios, como Abaetetuba, Castanhal, Marabá, Salvaterra e Santarém, com objetivo de descentralizar as ações da capital, possibilitando que alunos e professores de outros municípios tenham uma maior participação nas atividades relacionadas à ciência, tecnologia e Inovação.

PROGRAMAÇÃO

Abertura - 27 de maio
Local - Teatro Experimental Waldemar Henrique
(Av. Presidente Vargas, 645 - Praça da República)

17h - Lançamento da Campanha de Divulgação - Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009

17h30 – Palestra - "Júlio Cézar Ribeiro de Souza, inovação, ciência e tecnologia no Pará" - Palestrante: Prof. Luís Carlos Bassalo Crispino

18h - Espetáculo Teatral - "Júlio irá voar" - Grupo Palha

19h - Apresentação musical - "Um Tributo a Waldemar Henrique" - Voz e Piano: Rafael Noleto e Eliana Cutrim

25.5.09

Júlio irá Voar nesta quarta-feira

O espetáculo “Júlio Irá Voar”, do Grupo Palha deAdicionar imagem Teatro será uma das atrações da programação cultural de abertura da I Mostra Júlio Cezar de Ciência e Tecnologia no Pará, que acontece nesta quarta-feira, 27, às 17h, no Teatro Waldemar Henrique. O nome do evento homenageia o descobridor dos princípios da aerodinâmica. Júlio Cezar foi também jornalista, inventor e escritor paraense.

A peça “Júlio Irá Voar” é de Carlos Correia Santos, baseada na vida Julio Cezar Ribeiro de Souza. A obra foi vencedora do Primeiro Lugar no Prêmio Funarte de Dramaturgia Categoria Adulto Região Norte, 2004, e ganhou montagem do Grupo Palha, com direção e encenação de Paulo Santana. A consultoria geral do espetáculo é de Luis Carlos Bassalo Crispino, pesquisador e escritor que estará presente na abertura do evento e irá falar sobre "Júlio Cézar Ribeiro de Souza, inovação, ciência e tecnologia no Pará".

Júlio Cézar Ribeiro de Souza nasceu no município de Acará, em 13 de junho de 1843. Além de inventor, foi considerado "príncipe" dos poetas paraenses, destacando-se ainda como professor competente, autor de uma gramática premiada e destacado funcionário público, tendo sido diretor da Biblioteca Pública e secretário de Estado.

A programação contará, ainda, com a palestra do prof. Luís Bassalo Crispino, que falará sobre “Júlio Cezar Ribeiro de Souza: Inovação, Ciência e Tecnologia no Pará”; além da apresentação musical de voz e piano com Rafael Noleto e Eliana Cutrim.

Além das escolas públicas, a programação também chegará a espaços culturais dos municípios de Abaetetuba, Castanhal, Marabá, Salvaterra e Santarém, se estendendo até o mês de outubro, com objetivo de descentralizar as ações da capital, possibilitando que alunos e professores de outros municípios tenham uma maior participação nas atividades relacionadas à ciência, tecnologia e Inovação.

O evento de abertura da mostra marca o início de uma vasta programação que será realizada nas escolas públicas do Estado como forma preparatória para Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que acontecerá em outubro e cuja campanha de divulgação será lançada também neste evento pelo Secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio de Abreu Monteiro.

A mostra é uma realização da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa) e Empresa de Processamento de Dados do Pará (Prodepa), e tem como objetivo divulgar temas relacionados à ciência e à tecnologia para alunos e professores das escolas do ensino fundamental e médio da rede pública.

Programação

Abertura
27 de maio
17 h. Teatro Experimental Waldemar Henrique
(avenida Presidente Vargas, 645 - Praça da República)

Mural de Poesias
autoria de Júlio Cézar

Lançamento da Campanha de Divulgação
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009

Palestra
"Júlio Cézar Ribeiro de Souza, inovação, ciência e tecnologia no Pará"
Palestrante: Prof. Luís Carlos Bassalo Crispino

Espetáculo teatral
"Júlio irá voar" - Grupo Palha

Apresentação musical
"Um Tributo a Waldemar Henrique" - Voz e Piano: Rafael Noleto e Eliana Cutrim


24.5.09

In Bust leva “Os 12 Trabalhos de Hércules” para o bairro do Telégrafo

Neste final de semana aconteceu a segunda apresentação do projeto Sábado Comunidade, desenvolvido pelo grupo In Bust Teatro com Bonecos, com patrocínio do Banco da Amazônia.

Como sempre, o ponto de encontro da equipe antes de partir para as áreas de apresentação, é o Casarão do Boneco, por volta das 8h. De lá eles partem com o objetivo de levar muito humor, arte e alegria para mais uma das comunidades que ficam em áreas de risco da cidade. As fotos são de André Mardock.

Desta vez, o bairro foi o do Telégrafo, onde encontramos, Dona Leonilde Soares da Silva. Aos 64 anos, ela é uma das pessoas mais atuantes da Associação dos Moradores das Passagens Santa Rita e Joana D’Arc. Ela a coordena desde 1985, lidando com uma situação de violência no bairro e de uma antiga luta pela regularização fundiária da área em prol das famílias que se estabeleceram ali, há mais de 40 anos.

Nesta segunda-feira, às 11h, ela e outros representantes da comunidade se reunirão com um dos diretores da comissão de regularização de terras da CONDEM - Companhia de Desenvolvimento e Administração da área Metropolitana de Belém. A pauta é esclarecer como ficarão os moradores em relação às negociações já feitas com a CODEM, depois que começarem as obras do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, na área.
Dona Léo conta que só na região que compreende as duas passagens, assistidas pela associação, há mais de 1.000 famílias nesta situação, sem falar dos problemas que enfrentam como o alto índice de violência, prostituição infantil e uso de drogas entre os jovens.

Mas, em meio a estes transtornos, neste último sábado, a comunidade viveu momentos de descontração ao receber o projeto Sábado Comunidade do In Bust. O grupo levou para o auditório Padre Leite, do Centrão da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o espetáculo “Os 12 Trabalhos de Hércules”. Dona Leonice diz que gostou muito da apresentação, vista por cerca de 50 crianças, entre 2 e 6 anos de idade.

“Já havia conhecido o grupo quando eles se apresentaram aqui com um bonequeiro de Brasília. Foi uma apresentação grande, mas para minha surpresa, desta vez me procuraram novamente e trouxeram um espetáculo só deles e completo. Foi lindo demais e precisamos ter mais disso aqui no bairro, vivemos sem nenhuma assistência social para nossas crianças. Não fosse o nosso trabalho nem sei o que seria”, diz.

O primeiro encontro com o In Bust a que Dona Léo se refere, aconteceu em 2004. O bonequeiro de Brasília era Josimar Wanzeler, mamulengueiro de origem nordestina, radicado na capital federal há muitos anos e amigo do In Bust, que estava de passagem por Belém. “Tínhamos um saldo positivo do projeto Bonecos na Estrada e quando fomos procurados pelo Josias, que queria fazer uma apresentação do trabalho dele, em comunidades da periferia da cidade, acabamos descobrindo a Dona Léo e levando uma programação para aquela área. Fizemos isso no meio da rua mesmo e tivemos um público incrível. Quase toda a comunidade que reside na área destas duas passagens, foi lá nos assistir”, lembra Paulo Ricardo do In Bust. “E por isso, procuramos a Dona Léo novamente este ano a fim de levar o Sábado Comunidade para lá. Hoje, a associação trabalha com cerca de 120 crianças de 2 a 6 anos, que estudam por conta de um dos projetos educacionais da associação, que é o ensino do Jardim 1, Jardim 2 e alfabetização”, explica Cristina Costa, produtora do In Bust e responsável por fazer o levantamento e as reuniões que precedem cada ação do Sábado Comunidade.

Educação para combater a violência no bairro - O trabalho educacional da associação é desenvolvido por quatro professores que somente a partir de 2007, começaram a receber uma remuneração de R$ 300, 00, subsidiada pela Seduc. Até antes disso, o que era feito era totalmente voluntário.

A população que vive nesta área mais periférica do bairro do Telégrafo, tem na associação um dos seus maiores meios de sobrevivência. Através de parcerias que vão buscando, recebem verduras, biscoitos, arroz e outros tipo s de alimentos, pois a associação faz parte das entidades que participam do programa Fome Zero do Governo Federal. “As coisas são bem difíceis. Temos muito pouco ou quase nada de ajuda. E agora nós estamos muito preocupados com a entrada do PAC aqui, pois haverá remanejamentos de famílias, mas não sabemos para onde serão levadas, uma vez que por aqui por perto, não há mais pra onde ir, está tudo devidamente ocupado. Além do mais, já havíamos negociado muitas coisas com a CODEM. Nossa pergunta é: o que teremos direito uma vez que já havíamos resolvido várias coisas que podem não valer mais nada com este novo programa aqui na nossa área”, desabafa Dona Léo, após a apresentação do espetáculo.

Exemplo de Cidadania - Dona Léo, como é carinhosamente chamada pelos moradores das passagens Santa Rita e Joana D’Arc, costuma atender em outros bairros também, orientando pessoas que a procuram a fim de fundar novas associações que possam trabalhar ajudando a comunidade a conquistar seus direitos. “Divido o que sei com os outros. Quando alguém precisa de uma consulta médica, ou tirar uma carteira de identidade, a gente já sabe pra onde mandar, como proceder para que esta pessoa, que não saberia o que fazer, possa mais rapidamente resolver o seu problema”, explica.

Dona Léo é um exemplo de pessoa que sempre lutou pela cidadania, não só a sua, mas de todos que estão a sua volta. “Espero que nesta segunda-feira, a gente tenha respostas positivas da Comissão de Legalização de Terras da CODEM. E espero também que outros momentos como este do In Bust aqui, possam se repetir, nos tirando um pouco o peso da dura realidade. Não desistiremos de lutar por nossos direitos nunca, mas precisamos que as autoridades olhem um pouco por nós também”, finaliza.

O projeto Sábado Comunidade terá sua próxima ação no início de junho, em uma comunidade situada na região das ilhas que ficam no entorno de Belém.

20.5.09

Vieira e a guitarrada - a biografia de um mestre

A biografia abaixo foi montada a partir de documentos e conversas que o músico Givaldo Pastana, que mora na Vila dos Cabanos, teve com o amigo e grande músico Joaquim Vieira, o Mestre Vieira, da guitarrada paraense.

Aproveito para divulgar o blog feito em sua homenagem. Lá, vocês encontrarão muitas fotos, vídeos, a agenda e os contatos para shows do Mestre Vieira. Boa Leitura! E vejam depois o blog de Mestre Vieira em http://mundialprog-ponteado-mestre.blogspot.com

Barcarena, 1934 - O Sr. Joaquim de Lima Vieira nasceu em 29 de Outubro de 1934. Natural da invasão do Itapoã, em Barcarena, Município do Pará que fica a aprox. 40 km da Capital, Belém. Filho do Sr. Zacarias Pinto Vieira, de origem Portuguesa e mecânico, e da Sra. Sofia Rosa de lima Vieira (lavradora). O pai do Mestre, segundo ele, não era amante de música, por este motivo aprendeu a tocar seu primeiro instrumento (banjo) aos cinco anos, assistindo escondido às aulas que seu irmão tinha. Aos cinco anos de idade começou a tocar com seu irmão em festanças das redondezas... ainda escondido do pai!

Aos dez anos montou com seus irmãos e primos um conjunto Regional. Como seu pai não aprovava "este negócio de grupo Regional" (tocava música brasileira com instrumentos regionais, incluindo o Banjo), o Mestre resolveu perguntar-lhe que tipo de música gostava e qual instrumento lhe era agradável ouvir. Seu Zacarias falou que na sua terra natal (Portugal), os músicos tocavam vários estilos que lhe agradavam, incluindo o Fado, e que gostava muito do som do "Bandolim".

O Mestre guardou estas palavras e numa ida à Belém com um de seus irmãos, deparou- se, em uma loja de instrumentos, com o famoso Bandolim. Como não podia comprar o instrumento, convenceu seu irmão, um excelente marceneiro, a fazer uma réplica do instrumento. Assim, com 14 anos aprendeu a tocar o Bandolim e foi convidado a participar de um concurso na Rádio Clube do Pará, vencendo com nota máxima com o choro, de sua autoria, intitulado "Te agasalho". Foi eleito, em meio a feras da época, o melhor solista do Pará, e só tinha 14 anos!

Na mesma época que ganhou o título de melhor solista do Pará, Vieira foi convidado a registrar seu choro (Te agasalho), em um moderno disco de 78 rotações. Gravou-se apenas uma cópia daquele choro maravilhoso... e por ironia do destino o mesmo caiu e quebrou... ele chorou por oito dias...

Profissões - A carreira do menino prodígio do interior seguiu e o grupo Regional continuou a tocar, junto com os grupos "Martelo de Ouro", "Los Crioulos" e a "Banda do Teixeira". Por um longo período, ele cultivou outro sonho: O de ser técnico em operação de rádio. Trabalhou por uns tempos para um amigo chamado Peixoto, fazendo alegorias para a escola de samba Boêmios da Campina. Surge neste período, o rádio à pilha... e Vieira, tempos depois, ganha um de presente de uma senhora vinda do Rio de Janeiro. Logo depois, seu Peixoto lhe dá material e equipamento e ele começa a montar e consertar rádios.

Amplificando tudo - Passados uns anos, o seu Joaquim volta a tocar, formando o grupo "Vieira e seu conjunto". Aprendeu a tocar guitarra, com influência do choro e outros estilos, como o "foxtrot"... só tinha um problema... não possuía um amplificador e também não usufruía de energia elétrica. Com sua genialidade, o Mestre montou um amplificador a pilha, que alimentava em baterias de automóvel!

O menino Joaquim torna-se o criador da lambada e grava o clássico e pioneiro disco de sua carreira: Lambada das quebradas - 1978, gravado em dois canais. São vendidas 80 mil cópias, e seguiu-se com "lambada das quebradas volume 2", outro sucesso, destaque para as músicas "Melô do bode" e "Lambada do rei". Foram vendidas 230 mil cópias deste disco... sucesso total... Mas o Mestre não ficou milionário.

A música de Mestre Vieira ultrapassou os solos brasileiros e chegou à Suíça, França e Inglaterra. Os ingleses negociaram com a Continental, sua gravadora na época, a regravação do LP "Lambada das quebradas volume 2" em Inglês, e seu som contagiante conquistou a Europa.

Em 1980, foi coroado pelos gringos, Rei da Guitarra e da lambada. Em 2002, foi premiado pelos escoceses e ingleses como o melhor guitarrista do mundo.
A partir de 2004, Mestre Vieira viajou o Brasil e alguns países do mundo, como a Alemanha (onde tocou em plena Copa do Mundo), junto a outros dois amigos (Aldo Sena e Curica), que formavam o famoso grupo Mestres da Guitarrada. Paralelo a este trabalho, manteve seu grupo original (Vieira e banda), que tem como baterista e tecladista dois de seus filhos.

Show - O show deste grupo é dividido em 2 partes: Banda show (1ª parte) e Mestre Vieira (2ª parte, na qual o Mestre detona sua Ibanez tocando seus antigos e novos sucessos, em performances dignas de um monstro sagrado da guitarra... ele toca com pente, extintor, dentadura, pata de caranguejo... totalmente instrumental! Além de ser um dos maiores guitarristas do mundo, o Sr. Joaquim Vieira é também o artista de renome mais humilde e hospitaleiro que tenho notícia. É totalmente desprovido de ganância, amor por bens materiais e estrelismo. Vive em Barcarena, e não pretende sair de lá. Não é raro vê-lo nas ruas de Barcarena em sua bicicleta. Fala com todos, é amado por todos... infelizmente, só agora os brasileiros estão lhe dando o verdadeiro reconhecimento... coisa que os estrangeiros e o povo de sua terra sempre lhe deram... mas tudo bem, o importante é que ele está sendo reconhecido.

Homenagem - Em outubro de 2008, Vieira foi homenageado com a Medalha de Honra ao Mérito Cultural. Atualmente o grupo mestres da guitarrada é formado por mestre Vieira e convidados, Curica e Aldo Sena seguiram carreira solo.

Uma viagem inesquecível pela trajetória de Iracema Oliveira

Nada como ir ao teatro e se emocionar, voltar pra casa com uma sensação de preenchimento, após viver pedaços de histórias que não vivemos, mas que temos a oportunidade de conhecer através desta grande arte que é a de encenar. Acredito que boa parte das pessoas que estiveram neste último domingo, no Instituto de Artes do Pará, sentiu-se assim após a apresentação de “Iracema Voa”, da atriz e pesquisadora Ester Sá. Ali, retalhos da trajetória artística da atriz Iracema Oliveira e seu trabalho com grupos de Pássaro, trazem de volta momentos que fazem parte, também, da história da rádio, do teatro e do cinema paraense.

O público lotou a varanda do IAP, quando já na chegada Ester recebe a todos. O espetáculo começa, sem que o público perceba sua participação como personagens daquela história, afinal, Iracema está ali, recebendo a todos, junto com Ester e vivendo mais um momento de sua carreira.

Depois, seguimos em direção à ante-sala do espetáculo, onde a cena segue sem cortes, e quando temos mais uma maneira de revisitar a trajetória de Iracema, através de um Foto-Varal. O público entra ali, fica rodando no espaço, olhando cada fotografia, sem entender muito bem, ainda, o que vai acontecer, até que as cortinas da platéia se abrem e cada um toma seu lugar.

A atriz Ester Sá conduz o público a uma viagem no tempo e, aos poucos, vai contando e representando os vários momentos da vida de Iracema, que foi radio atriz, locutora e cantora, sendo considerada na década de 70, a “Rainha do Rádio Paraense”, apelido recebido dos colegas de trabalho. Em pouco mais de uma hora de duração “Iracema Voa” e Ester Sá também. O público, por sua vez, embarca na viagem. Ester canta, conta as histórias de Iracema e fala direto com o público.
Em determinado momento envolve a platéia numa espécie de leitura dramatizada. Na verdade, me explica Ester, "aquela leitura dramatizada é um texto de Pássaro, e aquela maneira de receber o texto com somente as suas falas é uma procedimento comum nos ensaios dos Pássaros".

A sonoplastia é impecável, trilha sonora de época, trechos de alguns programas de rádio, mas o que domina a cena mesmo é a representação de Iracema por Ester Sá, que consegue reproduzir o jeito de falar e os pensamentos da outra atriz.

Com cenografia simples e significante, Ester vai retalhando pontos importantes dessa carreira artística, como a época em que Iracema foi secretária de Paulo Ronaldo, um dos grandes nomes do radiojornalismo policial, um sucesso absoluto nas rádios Guajará, Marajoara e Liberal.

Mas a vida artística de Iracema já começa, ainda na infância, quando já acompanhava o pai, o compositor Francisco Oliveira, conhecido como Velho Chico, em grupos juninos como os de cordões de pássaros. Estão ali, também, várias outras passagens, como aquela em que, aos 15 anos, decidiu fazer um teste na Rádio Clube para ser radioatriz e a de sua atuação na rádio Marajoara, que deu-lhe não só espaço mas reconhecimento.

Naquele domingo havia motivos de sobra para emocionar-se. A platéia não era comum. Além da protagonista da vida real, estavam ali: a amiga e colega de trabalho de Iracema, Tacimar Cantuária, que fazia com ela um quadro hilário na rádio chamado “Mariquinha e Maricota”, duas amigas fofoqueiras, e ainda vários integrantes de grupos juninos de Pássaros, como o Tucano do qual Iracema é guardiã. O espetáculo "Iracema Voa" é resultado da bolsa de pesquisa e experimentação artística do IAP - 2008.

PÁSSARO TUCANO - Para quem quiser conhecer mais sobre o universo de Iracema, uma dica. Em junho, o grupo Pássaro Tucano será apresentado na sede do clube Imperial, no Jurunas, um dos poucos espaços que abrigavam as apresentações de Pássaros Juninos na década de 40 e 50. Até hoje, a sede está em atividade, mas há décadas que não recebe um só grupo de Pássaros. A programação será no dia 11 de junho, às 18h30.

18.5.09

Novo CD de Delcley Machado aguarda lançamento

O CD está pronto, mas ainda não foi lançado no mercado. Delcley aguarda fechar algumas parcerias para fazer sim, um super lançamento em Belém. Duas das novas músicas, porém, poderão ser ouvidas no site Guiart (www.guiart.com.br), que em breve entrará no ar. Aviso aqui quando der pra acessar.

Aos que ficaram curisos, adianto aqui. Em "Temporal", Delcley Machado reúne composições de Kzan Gama, Walter Freitas, Jacinto Kawage, Mauro Prado e Moacir Rato. Gravado nos estúdios "Ná Music", de janeiro a março de 2009, traz cinco músicas autorais, “Temporal”, “Izaura”, “Vento e Vela”, “Das Ruas” (parceria com Jorge Andrade), e “A Voz Guardada” (parceria com Marcos Campelo). As outras cinco são “Dama de Paus”, de Kzan Gama (já gravada anteriormente em Paris, na década de 80), “Pixaim”, de Walter Freitas (releitura da versão gravada em 1987, no álbum “Tuyabae Cuaã), “Piano Blues”, de Jacinto Kahwage, “Colhendo na horta dos Hortas”, de Mauro Prado e “Ilha das Onças”, de Moacir “Rato”.

Além de gravar grandes compositores paraenses, Delcley ainda contou com a participação de grandes músicos no estúdio. “É muito bom se sentir confortável. A música também pode oferecer conforto e foi o que eu senti ao fazer esse trabalho na companhia desses grandes e brilhantes músicos, como “Adelbert Carneiro (Baixo), Edvaldo Cavalcante (Bateria), Marcio Jardim (Percução), Edgar Matos (piano), Jacinto Kahwage (piano), Toninho Abenatar (Sax tenor, soprano e faluta), Príamo Brandão (Baixo acústico), Fabrício Figueira (flugeohorn e trompete) e Mauro Prado (Violão Nylon)”, diz o músico.

Apesar da natureza instrumental, o CD Temporal traz duas músicas com participação de intérpretes. Afinal a voz também é um belo instrumento, senão o que dizer do uso que faz dela, Walter Freitas em seu trabalho autoral... Mário Moraes canta em “A voz guardada”. Segundo Delcley, sua voz lírica-popular, alcançando os dois extremos dessa combinação, foi determinante para que ele o convidasse para gravá-la. Para “Das Ruas”, o músico diz que demorou a escolher o interprete. A dúvida teve fim no reencontro com Olivar Barreto, que estava de volta a Belém, recém chegado de Paris.

Trajetória - Delcley Machado é um artista inquieto, que faz parte de uma nova geração de talentos da música paraense, com trajetória iniciada na década de 80. Naquela época, embora os movimentos da música estivessem inflamados em Belém, poucos músicos conseguiram a proeza de gravar um disco, por isso, em vinte anos de carreira, este é apenas o seu segundo trabalho autoral gravado.

O músico já se integrou a diversos trabalhos, passando pelo rock e pela MPB, mas faz questão de dizer que é no jazz que ele se ancora. E nestes anos de trajetória, “nesse universo infinito que é a música”, acredita que abriu muitos caminhos e aprendeu atalhos. Relata que sempre quis o melhor em sua carreira e por isso soube aproveitar a oportunidade de trabalhar com vários artistas diferentes e aprender com eles. “Quando se é apaixonado por alguma coisa, enquanto acordado, você pensa o dia inteiro naquilo e quando dorme sonha com a mesma coisa. Este CD é a resposta dessa evolução e de todos esses caminhos percorridos”.

Como músico, diz que gravar e lançar um novo CD, é como ter um filho, ganhar um presente divino como a imortalidade. “Não quero fazer só um lançamento, mas poder mostrar o meu trabalho de uma forma contínua. Este ano deve ser de renovação, de novas composições para um terceiro CD e quem sabe a gravação de um DVD”, encerra a entrevista.

14.5.09

É hoje a estréia de “Catolé e Caraminguás” do In Bust

Foram meses de ensaio e agora o público finalmente vai poder conferir o espetáculo “Catolé e Caraminguás”, montado com o prêmio “Cláudio Barradas” do Edital de Fomento às Artes Cênicas da Secult-Pa e com apoio do Sesc-PA.
Ontem aconteceu o último ensaio, no anfiteatro “Arena dos Tajás”, do Casarão do Boneco, onde o espetáculo ficará em cartaz até dia 30 de maio, de quinta a sábado, às 19h. Havia uma platéia de jornalistas e alguns alunos de artes cênicas. Mas estão todos convidados, a partir de hoje. O ingresso é um brinquedo. O Casarão do Boneco fica na Av. 16 de Novembro, 815, antes de chegar na Praça Amazonas.

De acordo com Adriana Cruz, do In Bust e diretora deste espetáculo ao lado de Paulo Ricardo Nascimento, o processo desta montagem foi um desafio, o que para ela já é uma premissa de todo novo trabalho. “Tem que ser algo que dê aquela angústia sobre o que poderá acontecer . Divido a direção com o Paulo Ricardo o que tem sido muito rico, assim como outros processos do grupo, é um exercício de “estar na cena” do lado de fora. Ser um espectador que vive a história minuciosamente”, diz.

O espetáculo mostra a história da família Peperone que vive de apresentar espetáculo de teatro de bonecos. Usam sempre os mesmos e há muito tempo que mostram um mesmo roteiro. A novidade chega pelas mãos de Saul (Aníbal Pacha), um dos filhos de Raimunda (Cristina Costa) e Zulu (Michel Amorim), que dirigem a companhia. O novo roteiro chama-se “Tem Gato no Telhado “ (adaptação do texto “Os Ciúmes do Pedestre, ou O Terrível Capitão do Mato”, de Martins Pena). Em cena ainda Koshiro (Charles Wesley), filho mais espevitado da família e Manoela (Mariléia Aguiar), irmã de Zulu.


Com um novo espetáculo em mãos, esta família começa a ensaiá-lo. Ao longo dos ensaios, vários desentendimentos e muito humor para a platéia delirar. Misturando a atuação de atores com a manipulação de atores, este novo espetáculo representa mais um passo em direção ao já amadurecido processo do In Bust.

Os bonecos foram construídos a partir das caricaturas dos atores. “Tínhamos um principio de fazer os bonecos com a cara dos atores. Fotografei todos eles, tentei fazer uma caricatura, mas depois dei uma relaxada, pois esta referência não precisava ficar tão forte. Eles ficaram com alguns traços de cada um”, diz Aníbal que assina a construção de cenário e figurino.

“Como a gente tem base na Commedia Dell’Arte estes bonecos tem que ser universais, tem que ter um padrão, pois eles utilizavam sempre os mesmos bonecos para vários espetáculos”, conta Pacha.

Os bonecos foram feitos com a técnica do látex. “Já conhecia a técnica, mas tinha desistido disso há muitos anos, pois aqui no nosso clima isso não dura muito. Coincidentemente veio o pessoal da Colômbia (Gente Serpiente) nesta fase do meu estudo e a Angélica (bonequeira colombiana) que passou uma tarde no Casarão comigo fazendo a manutenção dos bonecos deles que iriam entrar em cena naquela noite aqui, era finalzinho de FSM. Mas a Angélica, que usa a mesma técnica, me disse ‘non, non, coloca meia de mulher e passa cola, vira o falso látex’.. e aí atentei para a possibilidade de trabalhar novamente com esponja e deu certo”, explica o bonequeiro.

Roda Palavra reúne escritores premiados pelo IAP

O Instituto de Artes do Pará (IAP) realiza, a partir desta quinta-feira, 14, o projeto Roda Palavra, que vai reunir todos os meses autores premiados e editados pelo instituto através dos prêmios IAP de Literatura e Edições Culturais. O projeto integra as comemorações pelos dez anos do instituto.

Desde 2002, ano do 1º Prêmio IAP de Literatura, foram contemplados 28 livros, nos gêneros conto, romance, poesia, teatro, literatura infantil, dramaturgia, ensaios, auto popular e história em quadrinhos. Os premiados no ano de 2008 serão lançados ainda neste semestre, juntamente com o edital 2009.

A programação do Roda Palavra começa nesta quinta-feira, dia 14, às 18h, com participação dos escritores Paulo Vieira, autor de “Infância Vegetal” (poesia), e Edílson Pantoja, autor de “Albergue Noturno” (romance). Serão debatidos temas como as fronteiras entre os gêneros literários, o mercado editorial e a importância da crítica literária, com mediação do escritor Vicente Cecim, da Gerência de Artes Literárias e Expressão de Identidade do IAP. A programação é aberta ao público.

Vicente Cecim destaca a importância de um prêmio que se compromete com a edição da obra. “Além de revelar novos autores, o prêmio tem o papel de impulsionar o trabalho desse autor, na medida em que oferece uma quantidade expressiva de exemplares publicados que pode ser vendida e distribuída livremente”, explica.

Criado em 2002, o Prêmio IAP de Literatura foi o primeiro no Estado a garantir a publicação das obras dos autores contemplados, ampliando as possibilidades de projeção nacional e internacional. Cada autor recebe uma tiragem de mil exemplares, além de participar de uma noite de autógrafos realizada pelo instituto.

Desde a sua primeira edição, o prêmio já contemplou nomes como Ailson Braga, Dand Moreira, Adriano Barroso, Walter Freitas, Carlos Correia Santos, Edílson Pantoja, Nilson Oliveira e Guaracy Brito Junior, entre outros.

Serviço
Projeto Roda Palavra, com participação dos escritores Paulo Vieira, autor de “Infância Vegetal” (poesia), e Edílson Pantoja, autor de “Albergue Noturno” (romance). Nesta quinta-feira, dia 14, às 18h, no Auditório do IAP (Nazaré, ao lado da Basílica), com mediação do escritor Vicente Cecim. A programação é aberta ao público.

Informações: IAP

12.5.09

In Bust estréia “Catolé e Caraminguás” no Casarão do Boneco

Inspirado na Commedia Dell’Arte, o grupo In Bust Teatro com Bonecos estréia “Catolé e Caraminguás”, que reúne em cena uma trupe teatral, formada pela família Peperone, que atua em teatro de bonecos. O novo espetáculo é resultado do prêmio Cláudio Barradas do Edital Estadual de Fomento às Artes Cênicas de 2008. A primeira apresentação acontecerá no dia 14 de maio, às 19h, no Casarão do Boneco, onde foi desenvolvido o processo de criação e construção do espetáculo. No mesmo espaço, no Anfiteatro Tajá, “Catolé e Caraminguás” ficará em cartaz até dia 30, sempre de quinta a sábado, às 19h.

É a primeira vez que o In Bust estréia um espetáculo novo de seu repertório no Casarão do Boneco, espaço cultural que vem se tornando referência para a pesquisa em linguagem teatral de bonecos em nossa região e para o país.

Experimentações - Neste trabalho, o In Bust investe em experimentações que deram certo e prometem surpreender o público, até mesmo aquele que acompanha a trajetória do grupo, há 12 anos. No início do espetáculo por exemplo, vê-se o final de uma apresentação que está sendo encenada por esta família. Terminada a cena, eles já estão cansados de fazer sempre a mesma montagem, mas acabam tendo uma grata surpresa com a chegada do roteiro intitulado “Tem Gato no Telhado”, na verdade uma adaptação do grupo sobre a obra “Os Ciúmes do Pedestre, ou O Terrível Capitão do Mato”, de Martins Pena. A partir daí, tudo muda para os familiares e para o público, pois começam os ensaios de uma nova peça.

Para montar “Catolé e Caraminguás”, inicialmente o grupo pretendia ensaiar o texto adaptado de Martins Pena, com os atores manipuladores que fariam suas interferências em cena no decorrer da trama dos bonecos, o que já é marca registrada do In Bust. Mas a montagem ganhou outras dimensões. Com o desenvolvimento de jogos teatrais, o grupo trabalhou desta vez de forma inversa, partindo da construção de personagens de atores para a concepção do espetáculo com os bonecos. “No percurso, como é de praxe nossa, a gente acabou saindo do texto e somando o que já é nossa linguagem à dinâmica dos atores manipuladores, que são também personagens daquela construção”, diz Paulo Ricardo Nascimento, do In Bust.

O processo envolveu formação de novos atores-manipuladores, caso da atriz-manipuladora Cristina Costa, pela primeira vez em cena. “Foi uma dificuldade a mais pra gente, porque a gente não tinha noção do jogo com estes atores. Eu, a Adriana e o Aníbal, em cena, jogamos o tempo todo. Já fazemos isso há 12 anos. Tem espetáculo que a gente nem ensaia mais, que se ensaiar estraga... (risos)..”, comenta Paulo.

Elenco - Além de Cristina Costa, o elenco é formado por Michel Amorim e Charles Wesley, ambos já com alguma experiência em teatro de bonecos; Mariléia Aguiar, atriz que fez parte da primeira formação do In Bust, nos idos de 1996, mas com pouca experiência em manipulação de bonecos; e por fim, por Aníbal Pacha, integrante fundador e bonequeiro do In Bust.

Os outros dois membros fundadores, Paulo Ricardo Nascimento e Adriana Cruz não estão em cena. Eles dirigem e assumem outros setores da montagem, assim como Aníbal Pacha, que atua e assina a confecção de bonecos, e de Cristina Costa, que também é produtora o grupo. E esta é outra marca do In Bust. Todos se envolvem em várias funções, obtendo um resultado de reconhecida performance profissional.

A experiência com novas pessoas, no processo de “Catolés e Caraminguás”, traz resultados positivos para o trabalho do grupo. “É inspirador e instigante pra gente porque colocamos outras pessoas dentro do grupo, tentando desenvolver uma linguagem que é nossa, ou que a gente acha que é, porque o grupo é formado pelos indivíduos. Então, se entram outros indivíduos, como é que essa linguagem vai se comportar? O que, de cada indivíduo, vai entrar pra contribuir pra essa linguagem, seja para negar ou reforçar isso? É muito bacana, muito instigante. É renovador pra mim, pra Adriana, pro Aníbal”, reflete Paulo.

Ainda na ficha técnica, a pintura da panada é de Maurício Franco e a trilha sonora e produção musical, do músico Fabrício Cavalcante. Agora resta que o público venha comungar desta nova e instigadora experiência. Todos convidados, a entrada é um brinquedo.

Ficha Técnica
Direção
Adriana Cruz e Paulo Ricardo Nascimento
Atores-manipuladores
Aníbal Pacha – (Saul), Charles Wesley (Koshiro), Cristina Costa (Raimunda),
Mariléa Aguiar (Manoela) e Michel Amorim (Zulu).
Dramaturgia
Adriana Cruz
Criação e confecção de bonecos
Aníbal Pacha
Criação de figurinos, cenário e material gráfico
Aníbal Pacha
Confecção de figurino
Baba’s Atelier
Pintura de Panadas
Maurício Franco
Produção
In Bust Teatro com Bonecos
Preparação corporal
Adriana Cruz
Trilha Sonora e Produção Musical
Fabrício Cavalcante
Assessoria de Imprensa
Luciana Medeiros


Serviço
“Catolé e Caraminguás”, do Grupo In Bust Teatro com Bonecos. Estréia dia 14, às 19h. Fica em cartaz até dia 30 de maio, sempre de quinta à sábado, às 19h, no anfiteatro do Casarão do Boneco. Patrocínio Governo do Estado – Prêmio Cláudio Barradas. Apoio: Sesc-PA. Endereço: Av. 16 de Novembro, 815. Entrada: um brinquedo. Informações: 8134.7719 e 9941.8071.

Cartas para ninguém: as várias versões de uma mesma história de amor.

"Cartas para Ninguém', texto do premiado autor paraense Saulo Sisnando, volta aos palcos paraenses, totalmente repaginado, com novo elenco e muito mais comédia. A peça utiliza uma simples e quase proibida história de amor, como metáfora para recontar o cotidiano da cidade de Belém.

No espetáculo, quatro personagens narram, cada um ao seu modo, a saga cômica de Margot (uma garota mimada, que estudava no Colégio Nazaré, e tinha o sonho de ser tornar uma atriz da Globo), que no início da década de 90 apaixonou-se perdidamente por João Ricardo (um estudante do Paes de Carvalho, revolucionário, que odeia americanos).

A trama, regada a milhares de encontros e desencontros, acompanha a vida desta uma heroína romântica moderna, que por 20 anos escreveu cartas de amor para João Ricardo, mas nunca pode entregar, posto que, no auge da paixão, ele partiu para sempre de Belém, para fazer uma pós-graduação.

Dez anos depois, um marido e três filhos, João Ricardo volta para Belém e muda-se para a casa da esquina e a heroína, feliz no casamento, mas acomodada, tem a chance de entregar todas as cartas de amor, que escreveu por vinte anos.

Com este simples argumento, Saulo Sisnando situou em Belém os principais personagens, que fazem o caldo do melodrama: a heroína, o galã, os amigos malucos, a vilã e o bobo. O afinado elenco sustenta, por uma hora e meia, um espetáculo muito engraçado, acessível e inteligente sobre as maravilhas e tragédias de ser paraense. É uma obra sobre o Pará, de vez que, no texto, Margot escreve cartas de amor, enquanto está sentada no último banco do Pedreira-Nazaré, passeia na Mesbla (afinal, em Belém não tinha shopping), toma sorvete na Santa Marta, vai ao Cine Palácio.

De maneira alguma, se querer vender ou estereotipar a cultura paraense, o que se busca é contar uma história paraense, sem recorrer aos eventuais temas regionais. Cartas para Ninguém é um texto indiscutivelmente paraense, mas ao mesmo tempo, extremamente urbano. Um espetáculo universal, por tratar sobre o amor, que diverte, faz pensar, e nos pergunta: “afinal por quanto tempo você esperaria pelo grande amor de sua vida?”

Serviço
Cartas para ninguém: as várias versões de uma mesma história de amor. Todos os sábados e domingos de maio, às 21h (sábado) e 20h (domingo). Local: Espaço Cuíra – Riachuelo esquina com Três de Maio. Ingresso: 20 reais e 10 reais (meia). Informações: (91) 8177-3344.


8.5.09

MASP traz exposição do Ano da França no Brasil

A exposição reúne mais de cem obras produzidas sob influência do realismo francês. Com isso, o MASP sedia a primeira exposição de arte do calendário de comemorações do Ano da França no Brasil. Foi aberta no dia 7 de maio. Ao lado um quadro do artista André Masson. Mais abaixo você vê um legítimo Jean Dubuffet.

A mostra Arte na França 1860-1960: O Realismo traz mais de cem obras-primas vindas da Coleção Berardo (Lisboa), de museus franceses, como Musée d’Orsay, Musée Gustave Moreau, Musée de l’Orangerie e Musée Picasso, além de 50 obras do próprio acervo do MASP.

A exposição faz um passeio por um século de arte produzida na França e levanta as questões das diversas e contraditórias manifestações do Realismo. A mostra fica em cartaz até 28 de junho e depois segue para o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), em Porto Alegre, onde fica de 13 de julho a 30 de agosto de 2009.

A exposição cobre o período desde que a arte feita na França se afirmou e dominou o panorama cultural até o momento em que a arte feita nos EUA ascendeu ao primeiro posto. E traz obras de artistas franceses e estrangeiros que produziram França ou que por lá passaram, como Picasso, Dali e Miró. Estão incluídos trabalhos dos diversos movimentos e escolas, abordadas sob a perspectiva do Realismo - seus pontos de partida, suas versões e propostas.

Nestes cem anos é possível perceber traços sucessivos de percepção do real: o tema desta exposição é a história desta interpretação, desta desfiguração e reconfiguração. No conjunto estarão inseridas obras de Courbet, Miró, Dalí, Monet, Picasso, Manet, Van Gogh, Degas, Renoir e Cézanne, entre outros, além de brasileiros como Cândido Portinari, Pedro Alexandrino, Almeida Junior e Guignard.

A curadoria é do francês Eric Corne, curador independente que já trabalhou para importantes museus do mundo, como o Instituto Valenciano de Arte Moderna e Museu Berardo, entre outros. Serão abordadas estilos compreendidos nos cem anos cobertos pela exposição e que se encerram com as manifestações da nova figuração narrativa no começo da segunda metade do século XX - passando pelo impressionismo, naturalismo, expressionismo, cubismo, surrealismo, dadaísmo e neo-realismo.

Serviço
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1.578 - Cerqueira César - São Paulo – SP. Horário: terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta até 20h. A bilheteria fecha uma hora antes. Ingresso: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (estudante), gratuito às terças-feiras e diariamente para menores de 10 anos e maiores de 60 anos. Informações: 11 3251 5644. www.masp.art.br

6.5.09

Definitivamente, ele está de volta!

O artista José Simões que havia se afastado do universo das plásticas acaba de inaugurar a segunda exposição individual, desde que fechou, no ano passado, o Café Imaginário, bar que marcou por quase uma década a vida dos boêmios e bons ouvintes de jazz e blues da cidade de Belém. E, talvez em uma alusão a este passado tão próximo, ainda vivo em suas veias, Simões batizou sua exposição como “Natureza Imaginária”, aberta hoje pela manhã.

A mostra está no espaço cultural Ministro Orlando Teixeira da Costa, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. A curadoria foi feita pelo desembargador Mário Leite Soares. Em um país onde são poucos os que consideram o artista também um trabalhador, a iniciativa pode ser considerada inusitada se eu não soubesse da existência deste espaço há muitos anos.

As obras poderão ser vistas até o dia 15 de julho,. Há tempo de sobra pra chegar até lá e conferir. São 20 ao todo, sendo 12 pinturas sobre tela e 8 sobre papel. Nas telas, vê-se natureza morta, mas sempre com muitas cores, uma das marcas de Simões.

Abaixo, seguem trechos da reportagem publicada hoje no Caderno Você do Diário do Pará, divulgando a abertura da exposição. Em breve prometo mostrar aqui, fotos das obras em exposição. Esta abaixo, que ilustra a postagem de hoje, não está na exposição, aguardem.

Em cartaz, a natureza imaginária de José Simões

José Simões dedicou tempo exclusivo para a produção dessas telas. “Foram quatro meses me dedicando a esses trabalhos. Comecei as pinturas nas telas exatamente no dia 1º de janeiro e agora pretendo dar continuidade”, conta. Para o artista, essa exposição tem como objetivo estreitar a relação do produtor com o público, descartando a arte fácil e evitando, desta forma, a reprodutibilidade das obras e contribuindo com a legitimação da arte. “Os quadros são peças únicas que nos causam alguma sensação, independente de poder ser ou não descrita por palavras. É um encantamento”, diz.

Apesar de se dedicar apenas à produção das obras, José Simões lamenta a pouca valorização da arte no mercado paraense. “Nós já tivemos a cultura de adquirir obras de arte. Temos tantas construções bonitas que poderiam ser ornamentadas com quadros originais de artistas paraenses. Para que a produção local cresça, é necessário que o trabalho desses artistas seja valorizado”, comenta.

Essa é a segunda exposição realizada em 2009 pelo espaço cultural Ministro Orlando Teixeira da Costa, que dá oportunidade para os artistas regionais e leva a arte para o público que frequenta o Tribunal e Varas do Trabalho de Belém, bem como aos magistrados e servidores da Casa. “É um espaço interessante e uma iniciativa positiva. Eles poderiam ser indiferentes para as artes, mas tem pessoas, como o desembargador Mário Leite, que têm essa sensibilidade”, diz o artista.

Serviço
“Natureza Imaginária”, exposições de José Simões, no espaço cultural Ministro Orlando Teixeira da Costa, do edifício sede do TRT 8 (travessa Dom Pedro I, 746). Até dia 15 de julho. Informações: 4008-7049.

4.5.09

Teatro brasileiro perde Boal


O dramaturgo brasileiro Augusto Boal, embaixador da UNESCO para o teatro, morreu este domingo no Rio de Janeiro aos 78 anos, devido a uma insuficiência respiratória.

Fundador do denominado "Teatro do Oprimido", método que pretende mostrar que cada um pode ser "actor" da sua própria vida, Augusto Boal padecia de leucemia e estava internado há alguns dias devido a problemas respiratórios.

De ascendência portuguesa, Augusto Boal nasceu no Rio de Janeiro em Março de 1931, integrou o Teatro de Arena de São Paulo e durante a ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985 esteve exilado em vários países.

Portugal foi um desses países, onde, na segunda metade da década de 1970, o dramaturgo viveu dois anos e trabalhou com A Barraca, onde assinou a peça "A Barraca Conta Tiradentes" e adaptou "Lisístrata" de Aristófanes.

Enquanto viveu exilado em Lisboa, o músico Chico Buarque dedicou-lhe uma carta em forma de música, intitulada "Meu Caro Amigo", gravada no álbum "Meus Caros Amigos" (1976).
Augusto Boal, que entendia o teatro como instrumento de emancipação política e de intervenção social transversal a várias áreas, foi o autor este ano da mensagem internacional do Dia Mundial do Teatro.

Indicado para o Prémio Nobel da Paz em 2008, por causa do seu trabalho com o Teatro do Oprimido, Augusto Boal foi eleito em Março desde ano embaixador da UNESCO para o teatro.
Boal chegou a se formar em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, em 1950, mas viajou em seguida para os EUA, onde estudou artes cênicas na Universidade de Columbia. De volta ao Brasil, sua primeira peça como diretor do Arena foi Ratos e Homens, de John Steinbeck, que lhe rendeu o prêmio de revelação da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

Dirigiu ainda, entre outras peças, Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, e Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho. Foi o diretor do espetáculo Opinião, com Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão, que passou para a história como um ato de resistência ao golpe militar de 1964.

Com Informações dos sites: http://www.estadao.com.br/noticias e http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura

1.5.09

Manifesto - Protesto

Quebrado o Jirau da Literatura do Pará

Salomão Larêdo,
Walcyr Monteiro e
João de Castro

- UEAma

Com profunda indignação, a União dos Escritores da Amazônia – UEAma-, protesta publicamente contra mais um golpe desfavorável à Literatura Paraense e à cultura amazônica, com a não realização do II Jirau da Literatura Paraense , previsto para acontecer nos dias 28, 29 e 30 de Maio, no hall Ismael Nery, do Centur e inviabilizado em razão do Governo do Estado proceder o corte injustificável, inexplicável e incoerente no orçamento da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves – Centur, que se responsabilizou pela sua execução.

Os escritores paraenses lamentam que o poder público desrespeite e despreze a Literatura do Pará, quando sua função e obrigação é estimular e incentivar a produção literária local -, que luta contra um monte de adversidades e dificuldades de toda ordem, sobretudo de produção das obras, também de espaço ao livro e de acesso à leitura -, garantindo escolas e bibliotecas a todos, sobretudo ao povo pobre que vive distante dos livros e sem acesso aos bens culturais , direito que deveria ser bancado pelo Estado, viabilizando as iniciativas populares da sociedade que gera a cultura e vive sem equipamentos culturais procurando desfazer o enorme preconceito e abandono endógeno e exógeno que, em razão disso, não tem conseguido ultrapassar as fronteiras do Estado, apesar da qualidade de sua produção não apenas literária, mas em todas as frentes artísticas.

O Jirau, idéia dos escritores da UEAma, objetiva valorizar o escritor local e sua produção, sobretudo do autor que, morando no interior, tem menos chance de mostrar o que produz , numa mobilização cultural democrática e desvinculada de qualquer cor político partidária, visando a interconexão entre escritor e público para criar sociedade desenvolvida para o progresso sócio educacional e cultural de nossa gente parauara.

Em respeito aos colegas escritores da capital e do interior que se preparavam para mostrar sua produção literária e ao público que estava em expectativa em participar do importante evento, fazemos este comunicado como forma de protesto civilizada e responsavelmente contra a falta de políticas publicas de apoio e incentivo à cultura local, contando com o apoio e a solidariedade dos colegas produtores culturais das demais vertentes da arte e da sociedade paraense, para mostrar nossa indignação diante do descaso e do desprezo com a cultura aqui produzida, que, ao que parece, virou mesmo, palavrão.

Belém, 01 de maio de 2009 – Dia do Trabalhador da Cultura.
Pela UEAma – União dos Escritores da Amazônia: