29.12.10

Entrevista: A hora e a vez do cinema na trajetória de Ester Sá

O ano chega ao fim, mas 2010 deixa saldo positivo para o ano novo, como a produção de “Quem vai levar Mariazinha para passear”,  roteiro premiado pelo edital do Curta Criança, do MinC. A produção começa em janeiro, com previsão de filmagens para fevereiro, em Belém. 

No filme, os anjos 001 e 002 desceram à terra curiosos por conhecer os homens, mas por causa da chuva ficam presos dentro de um teatro e resolvem fazer uma boneca Mariazinha, uma bonequinha de papel que conforme uma superstição popular, tem o poder de controlar a chuva.

Enquanto a chuva não passa, os dois iniciam uma brincadeira de contar histórias. Logo a boneca Mariazinha vira a personagem mitológica Psiquê, e dá início a trama do mito grego. Os personagens recortados ganham vida própria e conduzem o espectador para dentro do seu universo fantástico.

O roteiro é de Ester Sá, artista que vem, nos últimos anos, nos presenteando com vários projetos na área de teatro, mas que traz na bagagem uma trajetória surpreendente. Na década de 90, por exemplo, a conheci soltando a voz nos bares. Um pouco mais adiante, lá estava ela, nos palcos, atuando no teatro de formas animadas.

Depois, fazendo uma especialização em Imagem e Sociedade, na UFPA, investigando a comicidade na obra de Charles Chaplin. Mais tarde, surge com o projeto do Festival Territórios de Teatro, que no ano que vem chegará a sua IV edição.

Mas como já disseram a vida é uma caixinha de surpresas. E eu que achava que a Ester já tinha nascido na arte, me surpreendi mais ainda em saber sobre os primórdios de sua trajetória. A atriz e pesquisadora que fez Iracema Voa, inspirada na vida e obra da folclorista e radialista Iracema Oliveira, formou-se em contabilidade, depois de ter passado, na verdade, em administração.

Pode ser de pasmar, mas pensando bem, as pessoas inquietas são assim. À princípio parecem não saber o que fazer e vão buscando caminhos até se acharem. E foi exatamente o que aconteceu com a Ester, que se considera hoje uma mulher de teatro, sem nenhuma dúvida quanto a isso. Não é à toa que ela sustenta-se só de arte há mais de 10 anos.

Cena de Por a Caos
Só que agora, embora mantendo os pés, as mãos e a cabeça no universo cênico, Ester entra na vibe da sétima arte e mergulha no cinema de animação. 

Adaptado do espetáculo homônimo, “Quem Vai Levar Mariazinha para Passear”, o primeiro trabalho da Desabusados Cia, que também é responsável pela montagem de Por A caos, o filme vai misturar as linguagens e também terá em cena os mesmos atores da peça, a própria Ester Sá, e o amigo e parceiro de palco, Maurício Franco.

Os primeiros experimentos para a animação dos personagens, porém, já começaram, sob os cuidados de Andrei Miralha, um dos caras premiados da animação paraense. Ester já editou até um teaser desta experimentação e postou em sua página do Facebook.

O Holofote Virtual fez uma entrevista com Ester para falar de sua trajetória.  Apaixonada pelo que faz, brincante de Cordão de Pássaro, desde que trabalhou com Iracenma, ela faz , no bate papo descontraído que segue aqui, uma  breve retorspectiva de sua carreira. 

Holofote Virtual: Quando falastes da tua formação em contabilidade fiquei surpresa...

Ester Sá: Pois é, tive dificuldades em escolher o curso na faculdade, não encontrava na época um curso que eu realmente me identificasse, pensei em fazer publicidade, mas acabei me inscrevendo para administração, fui aprovada, e depois lá dentro troquei para contabilidade.

Na época achava que era isso, mas depois percebi que não seriam estas as minhas profissões. Eu era muito nova, passei no vestibular com 15 anos e pouco conhecia de arte, imagina se eu teria já as respostas pra vida...

Holofote Virtual: Sendo assim, como rolou esta guinada certeira para a arte e mais?

Ester Sá: Na faculdade mesmo conheci um amigo, o Moacir (que até hoje é um irmão pra mim) que me apresentou arte e o círculo cultural, daí eu desembestei. Primeiro fui cantora, e atuei na noite de Belém por alguns anos até que tive vontade de fazer um show com um roteiro mais teatral (na verdade eu já estava com vontade de fazer teatro e ainda não sabia) então pra dirigir o show eu procurei a pessoa de teatro que conhecia, a Dedé Bandeira. Eu a considero a minha madrinha, pois ela conseguiu interpretar meu desejo antes de mim e me aconselhou que eu fosse cursar escola de teatro isso foi em 1995.

Holofote Virtual: E o show, ficou bom?

Holofote Virtual: Mana, o show acabou nem rolando, mas daí eu fui me inscrever na Escola de Teatro, que na época era uma escola experimental, ficava ali na Magalhães Barata. Acho que em 1997 eu ainda dei uma saída e passei um ano longe, mas em 1998 eu voltei pra ficar. Daí pra cá, o teatro é o centro da minha vida. Logo depois, em 1999, eu sai do emprego de bancária que eu tinha, e desde então tenho me dedicado ao teatro e a arte.

Holofote Virtual: O Quem vai levar Mariazinha... foi o primeiro espetáculo montado pela Desabusados Cia., vamos falar disso um pouco...

Ester Sá: O Mariazinha surgiu em 2006, quando fundamos a Desabusados Cia, que é o meu grupo de teatro. Este espetáculo, e este ano de 2006, com certeza é um marco na minha vida. Foi a partir de 2006 que resolvi tomar as rédeas da minha carreira, e também iniciei a parceria com o meu amigo-irmão Maurício Franco, que bons frutos tem nos rendido.

Nosso primeiro trabalho juntos foi a dramaturgia do espetáculo e daí surgiu essa parceira de arte e de vida. Eu e Maurício temos algo que costuma funcionar nas parcerias, agente se completa, ele faz coisas que eu não sei fazer, e vice-versa, e nos ajudamos mutuamente. Costumamos dizer que somos a liga da justiça, cada um com os seus superpoderes... rsrsrs

Holofote Virtual: Chegastes, antes, a participar do grupo In Bust teatro com Bonecos...

Ester Sá: Sobre a In Bust, eu saí no final de 2005, foi uma boa experiência, principalmente aprendi sobre formas de sustentabilidade de um grupo de teatro. Amo e considero um mestre o artista e grande amigo Aníbal Pacha, com quem sempre me aconselho e posso contar com sua amizade e parceria em outros trabalhos, como por exemplo em Iracema Voa, que ele esteve como consultor do trabalho e foi determinante no pensamento da visualidade do espetáculo.

Holofote Virtual: Música, teatro, cinema. Lembrando o Melodia (Luiz), qualquer paixão não satisfaz. Fala um pouco destas tuas múltiplas escolhas...

Ester Sá: Eu penso arte sem amarras, uma linguagem não deve te aprisionar e sim te libertar. Eu sou sem dúvida uma mulher de teatro, mas também amo o cinema, amo a música, e se existe possibilidade de realizar projetos que sejam coerentes com a minha essência que me façam passear por outras linguagens, porque eu não faria?

Minha aproximação com o cinema vem à priori, como espectadora. Depois, ao cursar uma especialização em cinema, pude estudar teoria, e me apaixonar pela linguagem. Por fim, aqui temos um motivo muito especial, que é a parceria de arte e de vida com o meu marido André Mardock que é um grande artista e que enxerga o mundo e a arte pelo audiovisual. 

Ele será o diretor do Mariazinha - o filme e este trabalho será como um filho, não só nosso, mas de toda a equipe, pois estamos trabalhando com uma turma de primeiríssima. Já a música, embora eu ande distante da profissão de cantora, sinto falta de cantar sim, e penso em fazer um show qualquer dia desses, deixa só eu arrumar um tempinho... rsrsrs

Holofote Virtual: Ah, mas tem uma orquestra na tua vida, não é...

Ester Sá: Faço a direção da Ópera Infanto Juvenil “O Viajante das Lendas Amazônicas”, trabalho que me permitiu experiências como me apresentar em grandes teatros do Brasil, como o Palácio das Artes em BH, O Teatro Nacional em Brasília e o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Embora Ópera não seja a minha linguagem, dirigir um trabalho como esse tem sido uma experiência que tem me trazido grande aprendizado, principalmente no sentido de administrar uma grande e competente equipe de artistas, em prol de um resultado comum.

Holofote Virtual: São muitos trabalhos, muitas portas se abrindo...

Ester Sá: Pois é, no teatro hoje tenho trabalhado em três frentes, uma é a Desabusados Cia, que é o meu grupo, onde produzimos o espetáculo Mariazinha, e também o Por A Caos, e por onde produziremos o filme, dentre outros projetos que estão engatilhados.

A outra frente são os meus espetáculos solo, sendo o primeiro deles o Iracema Voa, que nasceu de uma pesquisa sobre a vida e a obra da artista Iracema Oliveira. Estou projetando um novo espetáculo solo para iniciar o processo e estrear no segundo semestre de 2011, se Deus Quiser... e se o projeto for aprovado...
Em ambos os casos penso sempre em manter os espetáculos em repertório, e trabalhar em cima deles, viabilizando circulação, temporadas.

Sei que é difícil mantê-los em cena continuamente, mas vamos sempre, eternamente pensando em formas de viabilizar nossa arte. O teatro com sua efemeridade característica nos desafia dia-a-dia e descobrir novas formas de continuarmos vivos e em ação, e eu não pretendo desistir!

Holofote Virtual: E ainda tem o Festival Territórios de Teatro que chegou dando uma bela sacudida na cena e nos espaços de atuação da cidade, diga-se...

Ester Sá: A coordenação do festival Territórios de Teatro faço em parceria com o Nando Lima (outro maravilhoso parceiro que tenho a honra de ter). Em 2011 o festival vai para sua 4ª edição, e tem se configurado como uma fala política de resistência dos artistas de teatro da cidade. É um evento importante, pois mostra a nossa produção teatral à cidade.

Holofote Virtual: O cinema é teu mais novo desafio...

Ester Sá: O curta criança é um desses desafios, pois estou na produção executiva do projeto, e estou com uma equipe maravilhosa a coordenar. O filme tem ação direta e animação, e juntos devem formar um filme com unidade. 

Temos o carinho pelo espetáculo e pela essência dele, o que queremos que seja mantida no filme, embora saibamos que apesar do filme nascer do espetáculo, ao mesmo tempo, é outra coisa, uma outra linguagem. será um aprendizado pra todos. aprender a se desprender de certas características do teatro. Achar paralelos para representar, em outra linguagem, a essência do espetáculo teatral.

Holofote Virtual: A produção do curta vai iniciar em janeiro, reuniões, pre-produção pra filmar em fevereiro, certo? Como estão os testes de animação?

Ester Sá: Decidimos pela animação virtual, que será coordenada pelo Andrei Miralha. Já tem um pequeno trechinho que postamos no facebook. Agora em janeiro será dada a largada oficial. Se Deus Quiser lançaremos o filme no natal de 2011.

28.12.10

Museu Casa das Onze Janelas abre a última exposição de 2010

A exposição é resultado da oficina ministrada pelo professor Valério Silveira, e faz parte da programação educativa da mostra “Luiz Braga - o percurso do olhar – Mostra da Coleção Luiz Braga pertencente ao museu.



A idéia da oficina surgiu depois de algumas visitas feitas pelo professor Valério à exposição de Luiz Braga, com a participação de seus alunos, e em conversas com a educadora do museu, Bianca Shiguefuzi.

Assim, tendo como referência a obra de Luiz Braga, durante o mês de novembro, sempre às sextas-feiras, um grupo de 14 participantes se reunia para confecção de câmeras fotográficas artesanais a partir da estrutura de caixas de fósforo e demais materiais próprios para a referida técnica. A partir daí, foram realizados passeios fotográficos que resultaram no material a ser visto na exposição agora aberta ao público.

“A ação alcançou seu objetivo de integrar o museu a comunidade, através de atividades educativas em torno de suas exposições, e mais especificamente neste caso, à difusão de seu acervo, na qual os integrantes da oficina puderam conhecer mais sobre a obra deste importante fotógrafo paraense e de um modo geral sobre a fotografia produzida em nosso Estado”, diz Nina Matos diretora do Museu Casa das Onze Janelas.

De acordo com a direção, o Museu Casa das Onze Janelas, compreende que é de fundamental importância a realização de ações como esta, que promovem a valoração, a pesquisa, a preservação e a comunicação do seu acervo, oferecendo ao público atividades de difusão de conhecimento através de exposições, publicações, oficinas, palestras e demais ações educativas.

Tendo como objetivo a valorização, o fomento e a difusão das artes visuais paraense e o fortalecimento das ações desenvolvidas pela instituição, o museu afirma seu perfil de arena de reflexão, fomento e difusão cultural com ações que trabalharam os processos de democratização da arte, inclusão social e cidadania. 

Serviço
Exposição O Olhar em Construção. No Laboratório das Artes - Museu Casa das Onze Janelas, de
29 de dezembro de 2010 a 21 de fevereiro de 2011. De terça a sexta 10h às 18h, sab. e dom 10h ás 16h, feriados 09h ás 13h, com obras de Camille Nascimento, Deborah Cabral, Mara Tavares e Julieth Corrêa, junto com fotografias de Valério Silveira.



27.12.10

Final de dezembro - sangue e swing carioca na noite de Belém

Foto: Carol de Hollanda

É o que deve rolar, tendo a voz da cantora Ilessi em cena. A cantora, que já tem nome conhecido e respeitado no cenário artístico do Rio de Janeiro, onde atua há mais de dez anos, chega à capital paraense, acompanhada pelos músicos Floriano (violão) e Bruno Mendes (percussão).

O show acontece nesta quarta-feira, 29, a partir das 22h, no Espaço Fuxico (Trav. Rui Barbosa, entre Conselheiro e Mundurucus). No repertório, canções próprias e de compositores da música brasileira.

A artista, que vem ganhando elogios e experiência, chama a atenção, sobretudo, pelo timbre que lhe identifica de antemão. Em 2009, através da gravadora CPC - UMES, lançou o cd Brigador, no qual canta parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro e tem direção artística de Marcus Vinícius e arranjos de Luís Barcelos.

Em Brigador, Ilessi acende seu nome entre as novas intérpretes do Brasil, assumindo um legado de gente que acredita primeiramente e sempre em talento. Quem quiser ir ouvindo um pouquinho, pode conferir através o myspace da cantora.

Serviço
Espaço Cultural Fuxico apresenta Ilessi. Nesta quarta-feira, 29 de dezembro, a partir das 22h -TV. Rui Barbosa, 1861 (entre Conselheiro e Mundurucus) - Couvert: R$ 10,00.

Cine CCBEU anuncia programação para o mês de janeiro de 2011

Logo no dia 06, o cineclube vai exibir um dos maiores clássicos do diretor espanhol Luis Buñuel, "Viridiana". No dia 20, o filme será "A Guerra dos Botões", de Yves Robert, com comentários de Markuns Vinicius, da Associação Paraense dos Jovens Críticos de Cinema - APJCC. 
As sessões do Cine CCBEU (Padre Eutíquio, 1309) são quinzenais, sempres às quintas-feiras, às 18h30, com entrada franca. A realização é da APJCC e CCBE, com apoio do Cineclube Amazonas Douro e Rede Norte de Cineclubes.

Mais informações: Comunidade nno Orkut: , no perfil da APJCC. Outros canais de comunicação, pelo e-mail: cineccbeu@gmail.com e Twitter da APJCC. Contato: 88131891.


24.12.10

Feliz Natal!


Queridos leitores, amigos e colaboradores, ficaremos sem atuailizações até a semana que vem. Pois, antes que o ano novo chegue, teremos novidades e entrevistas por aqui! 

Desejo uma bela noite, junto aos seus. Curtam a família, os amigos, as festas e retornem com esperanças e motivações à vida renovadas.

22.12.10

“Grafias” mostra a produção recente da gravura no Pará

Eliane Arruda
Por Dominik Giusti

Aberta a exposição “Grafias”, com obras de Alexandre Sequeira, Ronaldo Moraes Rêgo, Elaine Arruda, Marcone Moreira, Egon Pacheco, Jocatos, Diô Viana e Antônio Botelho, no Espaço Cultural Banco da Amazônia

Com curadoria de Armando Sobral, a coletiva mostra um apanhado da recente produção desta linguagem plástica no Pará e seus desdobramentos estéticos, com diferentes conceitos, matrizes e processos de impressão, e suportes distintos, apresentando o caráter experimental dos procedimentos e pesquisas com a gravura. 

Com objetivo de traçar um breve mapeamento da prática, os artistas foram selecionados a partir de três cidades: Belém, Marabá e Santarém.

Seja porque os artistas nasceram, residem ou trabalham nessas localidades, Armando Sobral destaca que a unidade entre os trabalhos está na profunda relação com as origens. De acordo com o curador, esta é apenas uma pequena mostra do que vem sendo produzido e a exposição não pretende ser totalizadora. 

Alexandre Sequeira
“É um processo de pesquisa. A mostra é um recorte em que se procurou abranger modos e processos peculiares, na dimensão experimental”, explica. 

De Belém figuram Alexandre Sequeira, Ronaldo Moraes Rêgo, Elaine Arruda e Jocatos; de Santarém, Egon Pacheco e Diô Viana; e de Marabá, estão Marcone Moreira e Antônio Botelho. Mesmo com a identidade que é possível designar sendo uma “visualidade amazônica”, cada artista apresenta técnicas e procedimentos de criação diferenciados.

Alexandre busca na relação com o outro os elementos para a criação, em uma clara concepção de alteridade. Na vila de pescadores conhecida como Nazaré de Mocajuba, em Curuçá, ele começou a desenvolver as serigrafias da série “Impressões de um lugar”, em que utiliza mantas, toalhas de mesa e redes como suporte para estampar os próprios donos. 

A aproximação com o território também é marca de Jocatos, que utiliza utensílios populares, como caixas de feira e latas de manteiga – encontradas muitas vezes no bairro do Guamá, onde reside –, deslocando-os de suas funções usuais. Em suas pesquisas, os objetos tornam-se matrizes para impressão e também suporte para possíveis estampas. 

Diô Viana
A natureza, seja em cores vivas de Diô Viana ou nos traços delicados e precisos de Ronaldo Moraes Rêgo, aparece com a força do domínio técnico. 

Diô explora os matizes vibrantes aliado aos grafismos, tanto em xilogravuras quanto em gravuras em metal. Mesmo com residência no México há muito tempo, preserva imagens e paisagens de sua terra-natal. 

Ronaldo, com a experiência de mais de vinte anos de docência na Universidade Federal do Pará, mostra como o conhecimento denso da linguagem pode ser sinônimo de criação. Além disso, é hoje um dos representantes da escola de Valdir Sarubbi, já que foi com o mestre que Ronaldo começou a estudar gravura. 

Antônio Botelho traz para o trabalho artístico conceitos antropológicos, ao utilizar tábuas de cozinha das donas-de-casa de Marabá como matrizes para a impressão das gravuras. "Isso revela o caráter experimental com a utilização de objetos, em pesquisas amplas e diversificadas, ao contrário das práticas tradicionais”, diz o curador. 

Egon Pacheco
Em busca da denúncia social e da dimensão política, Egon Pacheco utiliza toras de madeira apreendidas pelo Ibama como matrizes. “Ele utiliza também objetos encontrados na rua para decalcar as estampas, convertendo-os em matrizes”, completa o curador.

Com a proposição de novas escalas, Elaine Arruda, da geração surgida a partir das oficinas na Fundação Curro Velho, busca outras dimensões para a gravura em metal. 

“Ela vem desenvolvendo uma matéria gráfica intensa, com escalas difíceis de enfrentar”, comenta Armando. O artista marabaense Marcone Moreira, conhecido e muito premiado pela produção de instalações e objetos, utiliza gravura em um processo íntimo com a produção de formas tridimensionais. 


Serviço

Exposição coletiva “Grafias”, com obras de Alexandre Sequeira, Ronaldo Moraes Rêgo, Elaine Arruda, Marcone Moreira, Egon Pacheco, Jocatos, Diô Viana e Antônio Botelho. Curadoria de Armando Sobral. No Espaço Cultural Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800, Campina). Visitação de 23/12/2010 a 02/02/2011, de segunda a sexta, das 9h às 17h. Entrada franca. Informações: 4008-3670.

21.12.10

2ª edição da Mostra Arte Solidária na Feira de Moda, Arte e Cultura "Bora Lá"


Fotos © Maria Christina


A Mostra Arte Solidária está de volta e participa da Feira Moda, Arte e Cultura "Bora Lá"!, aberta até dia 23 de dezembro, no Armazém Santo Antônio. 

A feira é inspirada em feiras de sucesso, como Feira Hype (RJ), Mercado Mundo Mix (SP) e Feira de San Telmo (Argentina), voltada para quem gosta de moda, estilo e eventos culturais, mas acha poucas opções em Belém.  


O evento, realizado pela agência de publicidade Tango Comunicação, traz designers e estilistas, que produzem roupas, acessórios, objetos de decoração e outros itens, sempre com um toque de criatividade.

E conta com diversas atrações culturais, como performances artísticas, mostras de pintura e fotografia, DJs, artistas da música paraense, coral natalino infantil do Projeto Riacho Doce do Futuro, entre outras, misturando compras a entretenimento de alto conteúdo. O som permanente do evento será da Rádio Orla rio, sob o comando do DJ Akio, tocando Lounge Chill Out, Bossa Nova e Jazz com batidas eletrônicas.

Solidariedade - A Mostra Arte Solidária, que participa do evento, foi organizada com doações de obras de artistas visuais paraenses com o objetivo de angariar recursos para o tratamento de saúde de uma adolescente, filha de profissionais da área artística do estado. Ela tem 16 anos, bailarina da Escola de Teatro e Dança da UFPA, e tem uma doença rara que médicos ainda estão tentando diagnosticar.

A primeira versão aconteceu dia 27 de novembro e muitas obras foram arrematadas pelo público que compareceu, solidário. E até o dia 23 de dezembro, uma segunda oportunidade de encontrar trabalhos de altíssima qualidade a valores acessíveis, acontece nos altos do Armazém Santo Antonio.

São pinturas, instalações, serigrafias, fotografias, aquarelas, calcogravuras e xilogravuras, podem ser encontradas na Mostra, com assinatura de vários artistas, como Alberto Bitar, Armando Sobral, Carla Evanovitch e Murilo Rodrigues, Danielle Fonseca, Daniele Valente e  Elieni Tenório,.

Traz, ainda, obras de Francelino Mesquita, Geraldo Teixeira, Guy Veloso, Haroldo Baleixe, Jaqueline Souza, Lise Lobato, Marcia Macedo, Marco Antonio Serrrão, Marcone Moreira, Margalho, Maria Christina, Marinaldo Santos, Michel Pinho, Melissa Barbery, Neuton Chagas, Orlando Maneschy, Ronaldo Moraes Rego, Rassar e Valéria Coelho.

Serviço
Feira Bora lá e Mostra de Arte Solidária. Visitação das 17h às 23h, de segunda a sexta. No Armazém Santo Antonio - Trav. Quintino, entre Braz de Aguiar e Nazaré.

Fonte: Tango Comunicação


20.12.10

IAP lança livros e bolsas de pesquisa dos escritores premiados em 2010

O Instituto de Artes do Pará (IAP) encerra nesta terça-feira, dia 21, as atividades desenvolvidas pela Gerência de Artes Literárias em 2010. A partir das 18 horas, o instituto abre suas portas para receber todos os interessados em literatura, para o lançamento dos livros e projetos premiados este ano. O programa será dividido em dois momentos, conforme também se deram os Prêmios IAP de Artes Literárias 2010.

A noite começa no Auditório do instituto, onde serão apresentadas as conclusões das Bolsas do IAP de Pesquisa, Experimentação e Criação em Artes Literárias 2010, pelos escritores contemplados: Nilson Oliveira, vencedor com o projeto “Eutanásio”, baseado em experimentações sobre a obra de Dalcídio Jurandir, resultando em livro com o mesmo título; e Pedro Vianna, vencedor da segunda bolsa com o projeto “Identidade Solar”, igualmente convertido em livro. O público poderá participar de um bate-papo com os autores sobre o processo de criação.

O escritor Vicente Franz Cecim, gerente de Artes Literárias do IAP, ressalta que em 2010, pela primeira vez, o Prêmio IAP de Artes Literárias foi dividido em Prêmio IAP de Edições Culturais, voltado aos gêneros Auto Popular, Ensaio e Cordel - este último incluso pela primeira vez na premiação, reforçando a valorização da cultura e tradições populares -, e Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação em Artes Literárias, cujo objetivo é estimular a investigação e a concepção de novos caminhos temáticos e formais para a literatura produzida no Pará, buscando, ao mesmo tempo, interrogar suas raízes mais genuínas (pesquisa) e ampliar seus horizontes teóricos e práticos (pesquisa e experimentação).

“Ao longo desses anos, através da realização do Prêmio IAP, conhecemos mais de perto as necessidades dos autores e percebemos que precisávamos estimular a pesquisa em literatura, permitindo que os autores estudem e façam experimentações em termos de linguagem e nas temáticas e, nesse processo, inserir a literatura paraense na contemporaneidade”, diz ele.

Para Jaime Bibas, presidente do IAP, a criação da Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação em Artes Literárias é fruto do êxito das experiências conquistadas com as bolsas ofertadas às demais categorias artísticas. “Em 2010 o IAP estendeu aos autores paraenses a possibilidade de pesquisar e experimentar a linguagem artística em si, da mesma forma como os contemplados das bolsas das outras categorias já vinham fazendo com sucesso. E este é um diferencial nosso em relação às outras bolsas de estímulo à literatura do país”.

Logo em seguida, na Varanda do instituto, acontecem as sessões de autógrafos dos quatro livros vencedores do Prêmio IAP de Edições Culturais 2010: na categoria Auto Popular, Raimundo Harles Oliveira Carneiro autografa “O Filho do Sereno”; e no gênero Ensaio, Karina Jucá autografa “Andara: Vicente Franz Cecim e a Narrativa Ontológica”. Os outros dois contemplados foram Antônio Juraci Siqueira, com “O Menino Que Ouvia Estrelas e se Sonhava Canoeiro” e Jaziane Almeida Malcher, com “Tempos Melhores Virão” (cordel).

Criado em 2002, o Prêmio IAP de Literatura foi o primeiro no Estado a garantir a publicação das obras contempladas, ampliando assim as possibilidades de projeção nacional e internacional dos escritores. Já foram publicados, ao todo, 28 livros, nos gêneros Conto, Romance, Poesia, Teatro, Literatura Infantil, Dramaturgia, Ensaios, Auto Popular e História em Quadrinhos. 

Fonte: Assessoria de Imprensa IAP

17.12.10

Show Catangalo arrecada brinquedos para crianças do Marajó

A semana que vem já começa recheada de atrações. Na segunda-feira, 20, entre várias outras programações, no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur, às 20h, acontece a II edição da “Noite do Cantagalo”.

Trata-se de uma ação solidária que reúne educadores culturais, músicos, poetas, artistas plásticos, mestres de cultura popular, grupos de carimbó e parafolclóricos para arrecadar brinquedos, roupas, agasalhos e alimentos não-perecíveis para o Natal das crianças do bairro da Pedreirinha, da comunidade do entorno do lago do Utinga e das crianças de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó. 

Fruto da iniciativa do Instituto Arraial do Pavulagem, em parceria com a Fundação Curro Velho, o projeto Caixa de Boi Bumbá - Tecnologias e Saberes do Marajó vem sendo desenvolvido há três anos, por meio de oficinas ofertadas à comunidade. Assim surgiu o Cordão do Galo que é um brinquedo lúdico inspirado na história tradicional e contemporânea da cidade de Cachoeira do Arari. O objetivo é a inclusão sócio-cultural das crianças e adolescentes daquela cidade.

Das oficinas, resultaram a construção de 96 instrumentos de percussão com adornos no estilo marajoara, canto popular, ritmos e danças regionais, adereços alegóricos, pesquisa e a realização de cortejos de cultura popular, reunindo bois, pássaros, artistas, mestres de cultura, alunos de rede pública entre outros.

“Neste momento, o nosso empenho está concentrado nos preparativos do Natal das crianças que fazem parte do Cordão do Galo, muitas delas estão ligadas ao programa de erradicação do trabalho infantil – PETI, à banda de música João Viana, à Escola de Música Padre Giovanni Gallo, ao grupo de sócios mirins do Museu do Marajó e a grupos folclóricos locais”, explica Ronaldo Silva, do Instituto Arraial do Pavulagem.

São parceiros do Instituto Arraial do Pavulagem neste projeto: Museu do Marajó; Secretaria de Estado de Cultura (Secult); Fundação Curro Velho; Secretaria de Estado de Educação; Prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari, Igreja Nossa Senhora da Conceição, Banda João Viana, Casa da Boa Esperança e Novo Encanto. 

A “II Noite do Cantagalo” terá como convidados a Banda Arraial do Pavulagem, Banda João Viana (Marajó), Grupo Quaderna, Luê Soares, Lucio Mouzinho, Marcos Campelo, Grupo Filhos do Luar, Mestre Madureira, Mestre Piticaia, Boi Orube, Nego Nelson, Grupo de Carimbó Sancari, Grupo de Percussão do projeto Vale Música, Batalhão da Estrela, Boi Malhadinho, Mestre Cardoso e Mestre Faustino (de Ourém), Juraci Siqueira, Marcílio Costa, Mestre Apolo e Grupo Florescendo, Ivan Cardoso e Mário Mouzinho.

Serviço
Show Solidário “II Noite do Cantagalo”. No Teatro Margarida Schivasappa - Centur. Dia 20 de dezembro (segunda-feira), às 20h. Ingresso: brinquedos, 2 kg alimentos não-perecíveis, roupas, agasalhos (adulto e infantil). Informações: (91) 9605-9057 | 8229-4570 | 8120-6634. 

Fonte: Fundação Curro Velho e Instituto Arraial do Pavulagem


16.12.10

Ney Conceição Quarteto para deleite de todos neste final de semana

O músico faz dois shows de "Swingado",  em Belém, nesta sexta e neste sábado, sempre com entrada franca

O contrabaixista paraense Ney Conceição, considerado pela crítica especializada um dos cinco melhores do mundo, esta na área. 

Chegou por aqui no início da semana e rumou para o município de Parauapebas, onde ministrou uma oficina de três dias para músicos da cidade, a ser encerrada nesta quinta, 16, com um show de Ney e seu grupo, formado por Hamleto Stamato (piano e teclados), Cristiano Galvão (bateria) e Esdras de Souza (Sax tenor, Soprano e Flauta).

Para quem está em Belém, haverá duas oportunidades de ver Ney, que segue desde janeiro deste ano, divulgando seu terceiro CD solo 'Swingado', gravado e mixado no ano passado no Studio BR Plus, no Rio de Janeiro, onde Ney mora há 17 anos.

Nesta sexta-feira, 17, o show será no Centro Cultural Sesc Boulevard, a partir das 19h, e no sábado, 18, no Sesc Doca de Souza Franco, a partir das 22h.

O CD traz 10 músicas inéditas de sua autoria, que vem sendo comercializado durante os shows do artista. Mas quem quiser, pode em breve baixar as músicas  do site contrabaixista www.neyconceicao.com, que no momento ainda está em fase de construção. 

Há 20 na estrada da música, Ney vem acompanhando vários artistas nacionais, como João Bosco, Danilo Caymmi, Leny Andrade, Dominguinhos, Fátima Guedes, Sebastião Tapajós, Naná Vasconcelos, Roberto Menescal, Sivuca e Elba Ramalho, entre outros grandes nomes da música brasileira.

Serviço
O Quarteto: Ney Conceição – Contrabaixo; Hamleto Stamato - Piano e teclados; Christiano Glavão – Bateria e Esdras de Souza - Sax Tenor/Soprano e Baritono. Dia 17 (sexta feira), no Centro Cultural Sesc Boulevard, 19h, e dia 18 (sábado), 22h, no Sesc da Doca. Mais informações: (91) 3031-0305 ou 8167-8128 e 9226-7420. Tudo entrada franca.

Portal da Cultura Paraense, canal de entrada para o universo artístico do Estado

O site será lançado nesta quinta-feira, na Casa da Linguagem, com participação de vários artistas. O acesso é aberto ao público.


Onde encontrar informações sobre artistas, grupos, entidades, associações, coletivos e mestres da cultura do Pará? Há muita informação, prontas para serem acessadas sim, mas daqueles que possuem, por exemplo, uma página na internet, poderosa ferramenta de divulgação e interação cultural. 

Muitos deles estão em mídias o Flickr, portal mundial de fotografia; o Vimeo, refinado canal para publicações de vídeos artísticos; no Tumblr e no Twitter, ferramentas de rápida expansão de notícias, sem falar no Orkut e no Facebook.

Mesmo assim, para localizá-los é preciso varrer a net para encontrar o site correto. Foi pensando nisso, entre tantas outras coisas, reconhecendo que a internet é hoje um dos mais importantes suportes da área artístico-cultural, que surge o Portal da Cultura Paraense (www.culturaparaense.com), a ser lançado, nesta quinta, 16, e nesta sexta, 17, com programações que acontecem na Casa da Linguagem, e na sede da Fundação Curro Velho, respectivamente, dentro de suas comemorações de 20 anos da fundação.

Dividido por categoria artística, o portal visa um melhor ordenamento das modalidades artísticas como: música, dança, teatro, circo, fotografia, artes plásticas, folclore, etc. Os artistas podem se cadastrar, gratuitamente, fazendo um cadastro com suas principais informações, inclusive o link de suas páginas na internet, já já possuir.

E assim como Belém é o Portal da Amazônia, o Portal da Cultura Paraense será também o canal de entrada para essa enorme rede de páginas artísticas individuais que embora  sejam muito boas, ainda precisam ser difundidas mais amplamente. Assim, esses artistas poderão ser localizados no universo virtual, a partir de um só endereço. Ao mesmo tempo, construído coletivamente, o portal estará promovendo o mapeamento espontâneo da cultura paraense. 

O Portal da Cultura Paraense quer ser referência enquanto banco de dados, traduzindo a diversidade artística e cultural do estado do Pará, atendendo também a uma carência de um portal com identificações e contatos dos artistas da região, valorizando-os e estimulando sua produção artística. É claro que para alcançar estes objetivos o portal precisa contar com o cadastramento destes artistas e mestres da cultura.

Por isso, além de divulgação, haverá forte articulação com a rede de infocentros implantados pelo NavegaPará,  locais de acesso para artistas e grupos situados em lugares mais distantes e interessados em se cadastrar. Da mesma forma, os infocentros também serão umas das ferramentas de divulgação do portal a fim de aumentar e diversificar seu acervo assim como de acesso ao público, em geral, que poderá fazer suas consultas.

Realizado através do Edital de Ações Colaborativas com o NavegaPará, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará – Fapespa, o projeto foi elaborado pela Associação de Planejamento Estratégico do Curro Velho – ASPE.

Serviço

O lançamento do Portal da Cultura Paraense faz parte da programação de comemoração dos 20 anos da Fundação Curro Velho. O evento acontece nesta quinta-feira, 16, a partir das 19h, na Casa da Linguagem (Av. Nazaré, 31- Nazaré) e, no dia 17, sexta-feira, na Fundação Curro Velho (Rua Nelson Ribeiro, 287- Telégrafo). Mais informações: 91655345 / 32549740 (Mariléia Modesto, Produção Executiva do Projeto).



15.12.10

Edir Gaya comenta o show Invento de Sônia Nascimento

O texto a seguir foi publicado originalmente no Caderno Magazine, de O Liberal, edição desta quarta-feira, 15 de dezembro. As fotos desta postagem são da fotógrafa Ana Flor.

Invento transforma brisa em tempestade

Por Edir Gaya*

A “brisa leve e deliciosa” que Sônia Nascimento começou a soprar com “Invento”, durante as três semanas de temporada no “Reator”, se transformará inevitavelmente em tempestade nesta quarta-feira, 15, quando a cantora que retorna ao palco após um afastamento de 13 anos apresenta o espetáculo de despedida da temporada deste ano, no Teatro Margarida Schiwasappa.

Escrevi a matéria de lançamento da Sônia como cantora na década de 90, com o “Jardim Elétrico”, ao qual se seguiu depois “Florbella Spanka”, sempre ao lado de Renato Torres e Rubens Stanislaw. A garota, muito compenetrada e aparentemente retraída, se revelou, então, um furacão. Sacudiu a cena musical da cidade com um repertório que não fazia concessões ao óbvio e que mergulhou fundo nas raízes do pop-rock para se transformar na trilha sonora dos que faziam o circuito dos bares descolados nos agitados anos 90 em Belém.

O talento cênico e o timbre singular de Sônia, aliados ao repertório ousado e à competência de músicos como Renato e Rubens, explicam o sucesso daquele período.

"Poucas cantoras de Belém, na década de 90, aliaram tão bem a genuína MPB com uma pegada pop. Não foi à toa que se tornou uma das principais cantoras da cidade à época, marcando presença nos principais bares. Até hoje uma galera ao mesmo tempo exigente e 'descolada' lembra com saudade dos shows da Sônia e suas bandas. É a oportunidade de matar a saudade e aguardar novas ousadias", diz o jornalista Edson Coelho, a respeito do retorno de Sônia Nascimento.

Sônia estava devendo ao seu público um show no formato de “Invento”, espetáculo no qual o rock e o pop são a moldura sobre a qual a canção brilha em primeiro plano. Esse mergulho no gênero que caracteriza a singularidade da música brasileira é o grande mérito do espetáculo.

Muita gente de peso já anunciou a morte da canção, mas Sônia mergulha na busca da consistência da palavra cantada, abordando desde o velho tema do que era para ter sido e que não foi, até as ilusões perdidas quanto ao futuro da canção:

“Era pra eu mudar o mundo inteiro ao meu redor/Era pra gritar o que ninguém ainda escutou/Era pra ser bom ou pra ficar muito melhor/Era pra voltar o tempo que ainda não passou/Vou, hei de partir/Aprisionado nas canções/Se sou o escravo dessas ilusões”, anuncia a moça, em “Prisão”, do Moska; e arremata, em “Pérolas aos poucos”, de José Miguel Wisnik: Eu jogo pérolas aos poucos ao mar/Eu quero ver as ondas se quebrar/Eu jogo pérolas pro céu/Pra quem pra você pra ninguém/Que vão cair na lama de onde vêm”. E tudo isso com uma pegada rítmica firme, mas muito suave.

Vi o show na terça (07.12) com a Valéria e as crianças (Gabriel, Leon e Manuela). Ficamos todos encantados e surpresos com as possibilidades cênicas e sonoras do Reator. Nando Lima e o pessoal responsável pelo espaço são realmente geniais.

Quanto a mim, o retorno da Sônia premiou com a inclusão de uma canção recente que fiz em parceria com o Renato Torres, “Algum mar”, harmonia complicada à qual o arranjo apurado do Renato, a execução firme do baixo de Rubens, a delicadeza do bandolin de Diego Xavier e a interpretação de Sônia deram o tom de simplicidade que marca o que é de fato belo. Com “Invento”, Sônia realiza o desejo que Renato Torres manifesta por nós que amamos a canção brasileira, na letra de “Algum Mar”: “ousar ouvir na minha voz/algo mais do que palavras vãs/Algum mar fundo o bastante/Pra se mergulhar”.

*Edir Gaya é jornalista e músico compositor.


Serviço

Show Invento. Nesta quarta-feira, dia 15 de dezembro, a partir das 20h. No Teatro Margarida Schivasappa dentro do projeto Uma Quarta de Música. Ingressos R$ 10 e R$ 5,00. 

Patrocínio do Governo do Estado, Edital Prêmio Secult de Música, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves. Apoio cultural da Intimidia, Sol Informática, La Maison Du Pain, Apce Música, Na Music, Produtores Criativos e Reator. Mais informações: 91 8134.7719.

14.12.10

Festa para comemorar um ano de realizações cinematográficas

A Caiana Filmes está comemorando um ano de cursos voltados ao cinema e à formação cinematográfica. A festa vai ser neste sábado, a partir das 21h, na sede da produtora. O ingresso custa R$ 30,00.

O convite que vem sendo feito através de listas de e-mail se redes sociais promete comes e bebes até o amanhecer. Mas a programação é muito mais do que isso. Será exibido o filme Luzes da Cidade, de Charles Chaplin com trilha sonora ao vivo, executada pelo pianista Paulo José Campos de Melo.

Paulo, que já recebeu a Rosa de Ouro, na Mostra de cinema de Göttingen, e duas vezes a medalha Metrópolis, em Münster (Alemanha) e Innsbrück (Áustria), pelo mesmo trabalho, vem se apresentando em vários espaços de Belém, sempre criando trilhas sonoras improvisadas para diversos clássicos do cinema. Após a sessão, a pista de dança estará aberta. Haverá também a escolha da melhor fantasia tema de cinema da festa. E o vencedor ganha um ano de curso grátis (um por mês) 2º lugar um curso grátis e 50% o ano todo.

“É com sentimento de vitória que fechamos um ano de atividade de formação em cinema. Uma iniciativa única e sem precedentes no Estado do Pará. Foram realizados durante o ano 32 cursos focados na arte e iniciação ao cinema. Tornando a Caiana no principal ponto de referencia do norte do país na formação e iniciação cinematográfica”, afirma João Inácio, um dos dirigentes da Caiana.

Para o ano que vem, vários cursos já estão programados, como um cursos de férias, em janeiro, e um curso de roteiro e formatação de projetos, em março. Veja aqui.

Serviço
Dia 18 de Dezembro /Início: 21h. Ingresso: R$ 30,00. Para saber mais, entre em contato: Rua Diogo Móia, 986 • Umarizal - Tel: (91)33434252/33434254. 

Espetáculos natalinos na Quarta Cultural da UFPA

Texto: Lorena Claudino – Assessoria de Imprensa da DAC/PROEX

Música, teatro e dança fazem parte da programação cultural da UFPA que celebra uma das épocas mais festivas do ano, o Natal. Espetáculos de Natal da UFPA é o tema da última Quarta Cultural do ano que confraterniza a comunidade acadêmica e a sociedade em geral.

Durante o mês de dezembro a cidade fica com um ar diferente, iluminada e colorida. Comemorado em todo o mundo, o Natal cria uma atmosfera que contagia as pessoas. Para entrar no clima, diversos símbolos e tradições desta festa religiosa estarão representados através de trabalhos de arte e cultura desenvolvidos pela universidade.

Canções natalinas com letras que retratam o nascimento de Jesus, fraternidade e até Papai Noel estarão no repertório dos corais e grupos musicais. Durante todo o ano, a Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida preparou a voz de diversos cantores no Coral do Projeto Riacho Doce do Futuro, Madrigal Flor de Lótus e Iniciação Musical Uirapuru, que prometem encantar o público.

Desafiador foi o trabalho dos experientes professores Vanildo Monteiro e Jefferson Luz, em dois meses eles prepararam 34 cantores que encerram a programação. Resultado da oficina de Canto Coral realizada pela Diretoria de Cultura da Proex em parceria com a Sociedade Amigos da Música.

O Guará Balé Teatro traz para o movimento dos corpos, os elementos natalinos, enquanto a Dance Music dos alunos da Escola de Aplicação pretendem colocar todo o público para dançar numa grande discoteca inspirada no musical Hair, discotecas dos anos 70 e das Raves atuais.

Resgatando o principal motivo da festa, o nascimento de Jesus, terão encenações do Auto de Natal da paróquia de Santa Cruz e da Cantata e Presépio Vivo com alunos da Escola de Aplicação.

Programação

Manhã - 10h
Auto de Natal da Paróquia da Santa Cruz
Coral Riacho Doce do Futuro – Regência de Serguei Firsanov
Cantata e Presépio Vivo com alunos da Escola de Aplicação

Tarde – 17h
Coral da UFPA/SAM – Regência de Vanildo Monteiro
Madrigal Flor de Lótus – Regência de Dion Santos
Iniciação Musical Uirapuru – Regência de Albery Albuquerque
Guará Balé Teatro
Dance Music com alunos da Escola de Aplicação

Serviço
Espetáculos de Natal é a Quarta Cultural do mês de dezembro realizada pela Diretoria de Apóio da Cultura da Proex (DAC), em parceria com a Diretoria de Saúde e Qualidade de Vida da PROGEP (SQV), com apoio da Escola de Aplicação, da SAM, EMUFPA e ETDUFPA. A Programação acontece no Centro de Convenções Benedito Nunes, no dia 15 (quarta-feira).

Inovacine encerra atividades com filmes de Sérgio Péo

O Inovacine desliga os projetores de sua primeira jornada no próximo dia 15 de dezembro com exibição simbólica dos curtas do paraense Sérgio Péo. Texto da APJCC.

Neste 1º ano e pouco o projeto exibiu e debateu 98 filmes, dos quais 27 foram nacionais e 47 regionais. A exibição deste material continua indispensável para a cidade.

A perspectiva de discussão democrática a partir da construção de uma comunidade de olhar crítico é mais uma vez o viés do debate que será conduzido pelo coordenador do projeto Francisco Weyl, nesta quarta-feira, 15, no Iphan.

Mais de 100 novos cineclubistas nascidos dos 10 municípios visitados neste ano compõem o coro de uma nova cultura cinematográfica no Estado. Mateus Moura agradece, pois, segundo ele, aprendeu muito mais que ensinou. Miguel Haoni assina embaixo, e afirma que “o processo de aprendizagem não pode parar”. Ambos fazem parte da Associação de Jovens Críticos de Cinema – APJCC, parceira do Inovacine.

É com muita alegria e satisfação que mais uma vez o INOVACINE saúda a emergência desta nova cultura cinematográfica no Estado, seja de espectadores, críticos, cineastas ou claquetistas. A convocação para prestigiar os filmes deste paraense é feita a todos que se interessam. A entrada, assim como a conversa, como sempre, são francas. Todos são bem-vindos ao brinde final. Vida longa à cultura.

Filmes – Sérgio Péo

“Rocinha Brasil 77” (18 minutos – 16/35mm): Investigação sobre hábitos e qualidade de vida da maior favela da América Latina. A câmera passeia, enquanto em off, ouve-se reflexões de moradores sobre questões do dia-a-dia da comunidade.

“Ñanderu, Panorâmica Tupinambá” (10 min/35mm): Resgate poético da memória de nossos antepassados Tupinambá. Considerados extintos ainda no século XVI. O filme conta com o depoimento de Verá Miri, Cacique/Pajé da tribo Guarani Mimbiá.

“Marajó, O Movimento das Águas” (20 min/35mm): Filme iniciado em 1991, interrompido, por problemas técnicos e finalizado em 2010. A câmera percorre as margens do Amazonas, focando a diversidade da flora virgem. Caminha entre trilhas de gravetos culminando com a marcha folclórica dos ritmos marajoaras. O filme é uma homenagem a professora Lindalva Caetano, pesquisadora do Folclore Marajoara.

Serviço
Sessão de filmes de Sérgio Péo, na programação de encerramento do projeto Inovacine, da Fapespa. Nesta quarta-feira, 15, a partir das 18h30, no auditório do IPHAN - Tv. Rui Barbosa, esquina da Av. Governador José Malcher. Entrada franca. Informações: (91) 8717-5666.

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FONTE: Ascom/Fapespa

13.12.10

Antologia de Contos Pan-Americanos traz texto do escritor Edyr Augusto

Já está nas livrarias "Antologia Pan-Americana - 48 contos contemporâneos do nosso continente", organizado por Stéphane Chao e lançado pela Editora Record

Foram necessários quatro anos de trabalho para que o agente literário francês radicado no Brasil, Stéphane Chao, lançasse, este mês, Antologia Pan-Americana, reunindo 48 autores de 30 países das Américas.

A obra traz textos de nomes célebres, como Mario Benedetti do Uruguai (ainda vivo quando Chao iniciou o projeto) e Richard Ford (o primeiro escritor norte-americano a receber em um mesmo ano o Pulitzer e o PEN/Faulkner, em 1995, por “Dia da Independência”), e ainda Margaret Atwood, do Canadá, além dos brasileiros, Raimundo Carrero, Ronaldo Correia de Brito, Alberto Mussa, Luiz Ruffato, Marçal Aquino e Edyr Augusto, representando a Região Norte do país. 

O convite ao autor paraense surgiu a partir da coletânea “Todas as Guerras” (Ed. Bertrand), que reuniu dez escritores brasileiros exercitando em seus textos a fantasia e o assombro, resultando em um conto, cada um, sobre uma das dez guerras escolhidas pelo organizador deste primeiro volume, Nelson de Oliveira.

Já em “Antonlogia de Contos Pan-Americanos”, o escritor, diretor e dramaturgo Edyr Augusto aparece com o conto “Sujou”, que faz parte de seu livro “Um Sol Para Cada Um” (Ed. Boitempo). O livro de Stephane Chao sintetiza a produção literária do continente, num mapa de talentos que dialogam com diversas tendências — a norte-americana, a centro-americana, a brasileira, a caribenha, a sul-americana — e as delimita lingüística, política e culturalmente. 

Romper as fronteiras e transgredir os rótulos — América Latina versus América do Norte — é o objetivo de Antologia pan-americana. Uma abertura inusitada para o que se escreve hoje no continente. Uma janela para o que há de melhor no gênero do conto.

Fonte: Holofote Virtual, com informações do Portal de Livros.com.br

“A Travessa da Espera” volta à cena no Teatro Cuíra

Texto de Leandro Oliveira, da assessoria de imprensa do GTU

Quanto tempo demora uma peça? Uma hora? Duas? Seis? Isso não é nada perto dos dias, meses, anos ou mesmo uma vida inteira de esperas para ver um espetáculo pronto! 

As angústias e alegrias da espera, iniciando pelas angústias que aguardam o esperar de um espetáculo, é o mote principal para que o Grupo de Teatro Universitário da UFPA (GTU) convide o público a sentar e aguardar três campas em “A Travessa da Espera”, que depois de uma longa espera volta a ser apresentado na próxima quinta (16), às 21h, no Espaço Cuíra, onde fica até o domingo (19).

Esperar é um fardo que todos enfrentamos, diariamente. Esperar na fila é a travessia eterna por onde passam dramas e sentimentos humanos. Esperar chegadas, partidas, voltas e chegadas podem fazer do nosso cotidiano mais feliz, pois nunca sabemos o que nos aguarda ao final de cada travessia.

Na travessa da espera caminha o casal que não sabe aonde quer chegar. Executa-se a tortura da espera por um atendimento médico. Transitam as fantasias de quem encontra o par perfeito numa sala de espera do dentista. 

Por essa travessa passam despercebidos os amores que duram uma vida inteira sem trocar uma palavra; atravessam sonhos que todos temos e pelos quais ansiamos que um dia se realizem. Espera que causa angustia e tortura a conta-gotas. Espera de uma pizza que irritantemente talvez chegue fria. Esperas que proporcionarão muitas risadas e diversão garantida a quem conseguir aguardar sessenta minutos.

Partindo de um processo colaborativo, que contou com a experiência de cada um dos atores na construção da peça (afinal, espera é inerente a todo ser humano), o que se vê em cena é o retrato artístico - e muito bem humorado - de toda a sociedade que espera, desde que se aguarda nove meses para nascer. A travessia do esperar pode ser menos dolorosa, e até bem prazerosa, se entendermos que ela pode nos render momentos únicos na vida.

A peça conta as desventuras do esperar com muita música, que dá o tom necessário a cada nuance desta travessia e especialmente através do vídeo, que é protagonista e interage com os atores, conduzindo o público a atmosferas diferentes e incríveis a cada situação de espera. 

A direção de Olinda Charone é um convite gostoso a se deliciar com uma peça leve e divertida, junto com um elenco formado por Ana Marceliano, Bárbara Gibson, Delianne Lima, Haroldo França, Ives Oliveira, Caled Garcês, Leandro Oliveira e Patrícia Zulu, que esperam ansiosos esse reencontro. A música fica por conta de Diego Vattos, Ramón Rivera e Rubens Santa Brígida, que guardam uma surpresa a ser conferida na temporada.

"A Travessa da Espera" é um convite para sentar e rever a sua idéia de espera. É só aguardar.

Serviço
Espetáculo "A Travessa da Espera", no Espaço Cuíra (Trav. Riachuelo, esquina com 1º de março), de 16 a 19 de dezembro (quinta a domingo), sempre às 21h. Ingressos: R$20,00 (com direito a meia entrada para estudantes). Maiores informações: (91) 8861-4476 (Olinda Charone).


12.12.10

Ribalta lança primeiros DVDs sobre memória do teatro e da dança no Pará

O lançamento das duas edições será nesta segunda-feira, 13, a partir das 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas

Simulando programas de entrevistas na TV, as duas gravações foram feitas este ano, em janeiro, com o ator e diretor Cláudio Barradas e, no início do mês de julho, com Eni Corrêa, fundadora e diretora do Grupo Coreográfico da UFPA.

Com objetivo documentar a memória da dança e do teatro paraense, o projeto Ribalta teve na sua primeira edição, a entrevista com Cláudio Barradas, grande representante do teatro no Pará, ator, professor e responsável por criar e dirigir diversos grupos, trazendo contribuições teóricas, estéticas e práticas na forma do fazer teatro.

Com a intermediação do jornalista Sérgio Palmquist, Barradas foi entrevistado pela professora e diretora Maria Silvia Nunes; o poeta, escritor e Doutor em Sociologia da Cultura, João de Jesus Paes Loureiro; Zélia Amador, profª da Universidade Federal do Pará e Doutora em Ciências Sociais; por Wlad Lima, atriz, diretora, cenógrafa, pesquisadora, Doutora em Artes Cênicas e professora de teatro da ETDUFPA; e o jornalista e ator Cleodon Gondin.

Na segunda etapa, a entrevistada foi a professora Eni Corrêa, um dos nomes de destaque da dança paraense e foi entrevistada por outros nomes ilustres da área, como Beth Gomes, Roberta Rezende, Sonia Massoud e Waldete Brito.

Ribalta ainda vai realizar outros registros. Ao final, além dos DVDs com os programas, serão disponibilizados também audiovisuais extras como depoimentos de outras personalidades da dança, fotos e recortes históricos de jornais, entre outros, material que se constituirá em importante fonte de pesquisa para estudantes e professores tanto do campo artístico, quanto comunicacional.

Serviço
O Teatro Cláudio Barradas fica na Jerônimo Pimentel, próximo a D. Romulado de Seixas.

11.12.10

Novidades do show Invento no Projeto Uma Quarta de Música

Com muitas novidades, o show no Margarida Schivasappa promete. Os ingressos estarão à venda a partir desta segunda-feira, 13, na loja Ná Figueredo. E no dia do show, uma hora antes, na bilheteria do teatro.

Depois do aquecimento na temporada que encerrou na terça-feira, 07, no Espaço Reator, o show Invento segue para o Teatro Margarida Schivasappa do Centur, onde será apresentado no dia 15 de dezembro, a partir das 20h, dentro do projeto Uma Quarta de Música.

Quem esteve na platéia, durante a temporada do Reator, não teve dúvida de que a cantora, depois de 13 anos longe dos palcos, voltou com vontade de ficar, seguir carreira solo. 

O tempo ausente, porém, não deixou que ela perdesse a força que esbanjava quando a acompanhávamos, nos anos 90, em shows no extinto bar Go Fish, com a banda Jardim Elétrico/Florbella Spanka. A cantora mostrou que continua mais afinada e performática do que nunca. Sônia tem magnetismo no palco, onde se mostra total, com belos timbres, que contagiam a platéia. 

Uma força vital que não está apenas na hora de cantar. Ela também é uma grande produtora. Inscreveu e aprovou o projeto do show Invento no edital da Secult de Música 2009, resultando no que estamos presenciando agora.

Além disso, preocupa-se com todos os outros detalhes de produção, escolheu um repertório refinado e está bem acompanhada pelos músicos Renato Torres (violões) e Rubens Stanislaw (baixo), velhos companheiros e por Diego Xavier (bandolim e percussão), o mais novo dessa turma, que inclui ainda por trás do pano, Léo Bitar, na produção musical e Nando Lima, na cenografia, além dos retoques visuais do make up de Antonio Maurity.

Ao entrar em cena, Invento vai num fôlego só, durante as primeiras músicas, “Clarear (Renato Villaça), Balada de Agosto (Zeca Baleiro e Fagner), Canção Prisão (Paulinho Moska), Água (Kassin) e Pérolas aos Poucos (José Miguel Wisnik e Paulo Neves).

A partir daí, Sônia interage. Descontraída conversa com seu público, brinca e deixa tudo leve no ar. Mas a impressão que dá é que ela e sua voz não cabem no espaço em que se projetam, querem mais e mais, sempre.

Quando retorna ao microfone, arrasa em Canto (Renato Villaça). Depois enuncia seu talento em “Algum Mar”, de Renato Torres e Edyr Gaya, uma canção de contratempo difícil, bela de ouvir. 

O repertório traz ainda “Quieto um Pouco” (Maurício Pereira), “Cartão Postal” (Rita Lee/Paulo Coelho), lembrando os velhos tempos do Florbella Spanka, Confissão (Nei Lisboa), Délica (Dulce Quental) e Zensider (Edvaldo Santana).

Novas invenções - Mas quem foi ver Invento no Reator e acha que já ouviu tudo é bom esquecer e ir tranqüilo assisti-lo novamente no Margarida Schivasappa, pois haverá inúmeras surpresas, como as já apresentadas na última terça, com “Arrastão", de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, simplesmente divina na voz de Sônia, em uma clara homenagem a Iemanjá, e "Fruto Proibido", de Rita Lee, lembrando mais uma vez os anos 90.

Outra novidade, já anunciada pelo músico Renato Torres, em sua página  no Facebook, será  a execução de “O Sonho”, de Egberto Gismonti, que ganhou belos arranjos na tarde deste sábado, 11. E tem mais, o show no Margarida Schivasappa terá participação do tecladista Rodrigo Ferreira.

PARCEIROS - O show Invento tem patrocínio do Governo do Estado, através do Edital Prêmio Secult de Música, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e apoio cultural da Intimidia, Sol Informática, La Maison Du Pain, Apce Música, Na Music, Produtores Criativos e Reator. 

Serviço
Show Invento. Nesta quarta-feira, 15, no projeto Uma Quarta de Música, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Ingresso R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia) – à venda a partir desta segunda, 13, na loja Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, com Trav. Benjamin Constant). 

Mais informações: 91 8134.7719. O Holofote também está sorteando um par de ingressos por dia, até quarta-feira, ao twiteiros de plantão. Fique atento, sempre a partir das 15h. 


Cineclube Império abre as portas neste domingo exbindo uma raridade

"Saravah", uma verdadeira pérola, será o segundo filme a ser exibido nesta manhã de domingo, na sede da Escola de Samba  Imperio Pedreirense. Dirigido pelo francês Pierre Barouh, o filme foi rodado no final dos anos 60, registrando, em película, aquele momento fértil da música brasileira, com Baden, Pixinguinha, João da Biana, Bethânia e Paulinho da Viola, entre outros.

O primeiro filme da sessão de abertura  será  “Carnaval 2009 - Embaixada de Samba do Império Pedreirense" , de Pedro Olaia. A idéia do novo cineclube foi pensada num encontro entre os agitadores culturais Help Luna e Arthur Leandro, e tem como mote exibir filmes que tratem do carnaval e do samba. 

Logo depis, entra na tela, "Saravah", obra que surge quando desembarca no Brasil, mais exatamente no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1969, o diretor de cinema francês Pierre Barouh. Disposto a registrar em película momentos de uma música brasileira que, embora conhecesse pouco, o fascinava intensamente. O olhar do estrangeiro, de coração aberto para a música brasileira, capturou imagens que durante 36 anos permaneceram desconhecidas no país.

Assisti o DVD, que a Biscoito Fino lançou nos anos 2000. É de arrepiar ver os ancestrais Pixinguinha e João da Baiana, então octagenários, além de Maria Bethânia (veja o vídeo), aos 21 anos, uma coisa, vocês precisam ver, e Paulinho da Viola, que juntos mandando vários sambas, na mesa de um bar.

Ela da geração Tropicália, já tinha todo o potencial que conhecemos até hoje, é impressionante. Já Paulinho, que estará entre nós neste natal, fazendo questão de dizer que é compositor de sambas enredos e que aí se diferenciava um tanto da outra turma embora com ela dialogasse.

Mas a costura maior vem com Baden Powell, de fato o grande ídolo de Barouh, fazendo o elo de ligação entre gerações tão distantes e fundamentais da arte brasileira. É de doer de tão linda a abertura num desfile de carnaval no sambódromo do Rio de Janeiro, ao som misturado do batuque da escola de samba, Mangueira, e da música Saravah, o nosso Samba da Benção! A música também encerra tudo, com Baden (vídeo) e Pierre, demais!

Utilizando-se de uma estética do cinema verdade francês, Barouh está interessado nas intervenções culturais e religiosas da presença da África no Brasil, e também entrevista João da Baiana que, acompanhado por Baden ao violão, sapateia e toca prato e faca, enquanto entoa "Okekerê", de sua autoria, e "Yaô", de Pixinguinha.

Cineclube - As parcerias com outros cineclubes e com a ParáCine vão proporcionar o acesso ao acervo de filmes dessas organizações, filmes que atendem a linha editorial do cineclube. Para Help Luna, fazer cineclube dentro da escola de samba valoriza a cultura popular do carnaval e incentiva o público a se envolver nas atividades da escola.

Não vai perder esta sessão de abertura do Cineclube Império Pedreirense, realizada pela Associação Recreativa e Cultural Terceria Idade Pedreirense - ARCTIP, e da Ala das Baianas da ACSBE Embaixada de Samba do Império Pedreirense, com apoio da Federação Paraense de Cineclubes -ParáCine -, da UFPA, do Cineclube Nangetu, juntamente com a rede [aparelho]-:, Cineclube Amazonas d'Ouro, Cineclube ti Bamburucema, Projeto Resistência Marajoara e Idade Mídia.

Serviço
Neste domingo, 12, às 9h, com exibição de “Carnaval 2009 - Embaixada de Samba do Império Pedreirense" , de Pedro Olaia e rede [aparelho]-: (11 min, Belém/PA/BR 2009); e Saravah, de Pierre Barouh (90 min, França/Brasil, 1969). Ao meio dia tem Festival do Tacacá.