28.2.11

Pará perde o grande filósofo Benedito Nunes

Benedito Nunes. Foto: Elza Lima                                                      
Texto de Augusto Pacheco, da assessoria de imprensa da Secult.

Na manhã de domingo, 27 de fevereiro, o estado do Pará lamentou a perda de um dos seus maiores pensadores com o falecimento do filósofo Benedito Nunes. 

O corpo foi velado na Igreja de Santo Alexandre, que faz parte do complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha.

Nesta segunda, 28, foi realizada uma missa de corpo presente, ainda na igreja, com participação de familiares, amigos e a execução de "Sonata ao Luar", de Beethoven. Após a missa, foi realizada a cerimônia do adeus, reservada aos familiares, seguindo para o processo de cremação do corpo (respeitando o desejo do escritor), em um cemitério particular no distrito de Marituba. Aos 81 anos, Benedito Nunes se preparou, nos últimos meses, para uma batalha entre o corpo e uma sequência de problemas físicos.

Desde o dia 15 de fevereiro internado no Hospital Beneficente Portuguesa, o quadro avançava para as consequências de uma deficiência renal (já em estado prolongado), com uma parte dos rins paralisada e a outra parte funcionado com a capacidade de apenas 30%; além de complicações pulmonares e coronárias. 

Ao lado de Maria Sylvia Nunes, no seminário Amazônias, em outubro de 2010
Neste domingo, pela manhã, o escritor sofreu uma parada cardíaca, decorrente das complicações e do sangramento de uma úlcera, que os médicos não conseguiram estancar. 

Assim que soube da notícia, o governador Simão Jatene se manifestou sobre a morte de Benedito Nunes. "Em nome de todos os paraenses, agradeço a inestimável contribuição do mestre Benedito José Nunes à cultura do país.

A sua dedicação como escritor, crítico de arte, filósofo e professor é irretocável. Mais ainda, sua grandeza como paraense se revelou quando recebeu convites irrecusáveis para trabalhar em outros centros, no Brasil e no exterior, mas escolheu o Pará como destino e lugar para viver e construir a sua vasta e admirável trajetória intelectual. O Pará, reconhecido, saberá honrar a sua memória".

Segundo o Secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, o Pará perde um sábio, um exponencial de nossa cultura. Ensaísta, crítico de arte e professor de filosofia, Benedito Nunes fazia questão de permanecer fiel às suas origens, e na sua terra, mesmo depois de tantos convites para lecionar em outras universidades no Brasil e no mundo, onde ministrava cursos, palestras e conferências. Incansável, nos últimos anos ministrava seminários no Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, em Ananindeua.

Imagem da exposição em sua homenagem, na Unama (2010)
“Uma perda considerável. Estamos tristes, órfãos da luminosidade que ele irradiava, mas que vai continuar por meio de sua extensa obra, que irá servir como exemplo, como modelo, não só na área específica da cultura, como em outras áreas do pensamento”, explica Paulo Chaves.

De perfil enciclopedista, porém, muito simples, Benedito Nunes era também conhecido pela sua generosidade e capacidade de ser um bom ouvinte, pois gostava de ouvir os outros, suas opiniões, os pontos de vista defendidos pelos seus alunos.

“O legado de sua obra é inestimável; um lugar que irá permanecer vazio, já que hoje, nas universidades, estamos cada vez mais especialistas. Era o professor que estimulava seus discípulos na construção de seus próprios caminhos e não como discípulos cães de guarda que seguem os ritos da sociedade de consumo”, assinala o professor de Filosofia Ernani Chaves.

Legado - Benedito José Viana da Costa Nunes nasceu em 21 de novembro de 1929, sendo um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará. Com a vida voltada para o estudo a Filosofia e Literatura, o professor e ensaísta Benedito Nunes é, reconhecidamente pelas instâncias de legitimidade acadêmica, um dos maiores especialistas na obra de pensadores como Nietzsche, Kant e Heidegger, num entrelaçamento de idéias em que a poesia e a filosofia podem se complementar sem a perda de suas especificidades, na busca de novas dimensões para a obra de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros.

Foto histórica à época do Norte Teatro Escola do Pará
 Casado com a professora de Teatro Maria Sylvia Nunes, de quem era inseparável, Benedito Nunes recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 1987 e no ano passado e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, também em 2010, entre muitos outros de importância no cenário nacional e internacional.





Obras

  • Passagem para o poético - Filosofia e Poesia em Heidegger, 1968
  • O Dorso do Tigre (Coleção Debates - ensaios literários e filosóficos), 1969
  • João Cabral de Melo Neto (Coleção Poetas Modernos do Brasil), 1974
  • Oswald Canibal (Coleção Elos), 1979
  • O tempo na narrativa, 1988
  • O drama da linguagem - Uma leitura de Clarice Lispector, 1989
  • Introdução à Filosofia da Arte, 1989
  • A Filosofia Contemporânea, 1991
  • No tempo do niilismo e outros ensaios, 1993
  • Crivo de papel (ensaios literários e filosóficos), 1998
  • Hermenêutica e poesia - O pensamento poético, 1999
  • Dois Ensaios e Duas Lembranças, 2000
  • O Nietzsche de Heidegger, 2000
  • Heidegger e Ser e Tempo, 2002
  • Crônica de Duas Cidades - Belém e Manaus, 2006 - em co-autoria com Milton Hatoum.
Fonte: Agência Pará de Notícias, com fotografia de Elza Lima e da exposição em sua homenagem , realizada no ano passado, na Galeria Graça Landeira (Unama), durante o Fórum de Letras e Seminário Cultura e Pensamento (acervo Holofote Virtual).

Entrevista: Carta para Alice, uma cidade sob o olhar da fotógrafa Maria Christina

Feito de inúmeras imagens fotográficas feitas em cidades do interior do Pará, o vídeo “Carta para Alice ou o nome da cidade”, da fotógrafa e jornalista Maria Christina pode ser visto na Galeria Theodoro Braga, integrando a exposição Anima,  que homangeia a mulher e reúne trabalhos de outras artistas, como Berna Reale, Drika Chagas e Luciana Magno. 

O projeto foi contemplado pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE – no Edital Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais de 2010 e traz fotos de Maria Christina, com edição e montagem de Afonso Gallindo, sons ambientes captados nas próprias cidades visitadas com argumento sonoro criado por Renato Torres.

Para realizá-lo, Maria Christina seguiu vários percursos e congelou imagens de cores diversas, rios, bicicletas, redes, saias floridas... “Há uma alegria contagiante e trêmula, repleta de esperança no som dos animais, no riso das crianças, em tantas imagens construídas por seus habitantes”, escreve Orlando Maneschy no encarte de apresentação.

Para Maneschy, “Carta para Alice ou o nome da cidade está além da experiência visual, é fruto de uma experiência de estar no mundo, de olhar o mundo e se permitir ter o frescor de olhar como da primeira vez. Maria Christina se dedica a olhar para o diminuto, o particular, as coisas pequeninas, quase banais, mas se estas parecem ordinárias aos olhos daqueles que não as detém, podem irradiar algo de mais tênue e singelo, do poder de criar vínculos, tecer laços”.

A idéia da fotógrafa foi inventar uma cidade virtual, planejada a partir de suas fotografias e de seu olhar sobre estes lugares, de onde ela pinçou imagens que reunidas e montadas no vídeo fez surgir “Alice...”.

“Fui a Afuá (na contracosta do Marajó, fronteira com o Amapá), Santana do Araguaia (fronteira com o Tocantins), a Viseu (fronteira com o Maranhão) e Faro (fronteira com o Amazonas). Quatro cidades em território de fronteira, sempre fazendo limites e todas banhadas por rios, embora o rio Araguaia (lindo!) fique a uns bons quilômetros de Santana”, disse ao Holofote Virtual.

Há alguns anos Maria Christina vem desenvolvendo pesquisa com a lente macro revisitando e criando novas imagens como ela explica em “As Cidades Invisíveis”, texto em que fala desses pequenos objetos escolhidos para a (re)leitura do mundo ao seu redor, contextualizados com a figura humana. “Por vezes, eles compõem universo à parte deste que o ritmo da vida nos impede de particularizar, de saborear...”.

Maria Christina já trabalhou e colaborou para vários jornais locais e nacionais. Fotógrafa profissionalmente desde os anos 80, desde aí, também, vem trabalhando com a mídia contemporânea como no trabalho “O Olhar de Cada Um – Cromo-clip sobre o Círio de N. Sra. de Nazaré mostrado na VIII Semana Nacional de Fotografia do INFOTO/FUNARTE, em Campinas, SP.

Fez também Cuia, um vídeo experimental (1’15”) apresentado no I Festival Internacional de Cinema da Amazônia, em 1998, em Belém, no III Festival de Cinema e Vídeo de Curitiba; no IX Festival de Cinema do Ceará, no 22º Guarnicê de Cinema e Vídeo, em 1999, em São Luiz (MA) e no Festvídeo Belém no ano 2000, também em Belém.

É com ela e sobre este seu novo trabalho, o bate papo que segue agora.

Holofote Virtual: uanto tempo você ficou em cada cidade para conseguir o material necessário para o vídeo?
Maria Christina: Fiquei em média uma semana em cada uma, andando, olhando ao redor, falando com as pessoas, deixando o tempo passar, vendo o céu, o rio, conversando enfim, sem pressa, deixando que a ideia fosse se formando aos poucos.

Holofote Virtual: E como foi esta relação com estes lugares, com as pessoas...

Maria Christina: Minha relação com os lugares é praticamente o mesmo que eu tenho sempre, quando vou pela primeira vez a uma cidade. Deixo-me levar por ela, nunca a violento, procurando com avidez o que ela pode me mostrar, ou me dar. Fico simplesmente, como se ali fosse minha casa e eu tivesse todo o tempo do mundo. Acordo e caminho, paro e converso, pergunto coisas e ouço o que me dizem. Às vezes tenho sim uma ideia de ir por aqui ou por ali, mas no meio do caminho tudo pode mudar por uma informação nova, um sinal que eu encontro. A cidade se mostra pra mim e eu me deixo levar por ela.

Holofote Virtual: Por que Alice? 

Maria Christina: Alice é um nome cheio de simbologia que nos acompanha desde a infância! Todo mundo já assistiu o filme ou a animação, ou leu o livro, ou ouviu falar em 'Alice no país das Maravilhas', e alguns poucos conhecem 'Alice através do espelho'; mas é um nome de sonoridade requintada e que me agrada sobremaneira. Minha neta mais velha, inclusive, chama-se Alice. Minha filha, Clara, deu esse nome a ela porque sabia que me agradaria (bacana isso, não é? senti-me homenageada!). Portanto, quando eu pensei em criar um lugar, para o qual eu pudesse fugir em alguns momentos, e que tivesse uma força particular no nome, não poderia ser outro senão Alice.

Holofote Virtual: Fala mais sobre o projeto, como ele se costura? 

Maria Christina: De uma forma geral os projetos vão se formando dentro de mim durante um tempo bastante variável. Alguns nascem prontos e eu fico ansiosa para produzi-los e coloco logo a mão na massa... outros levam anos e anos maturando, até que chega o momento e a oportunidade. A ideia de inventar um lugar já existia, mas o formato, as cidades a serem visitadas, como eu gostaria de construir, foi se configurando pouco a pouco, e levou uns 5-6 anos para eu saber exatamente o que eu queria. Ano passado quando a Funarte e o MINC lançaram o edital Bolsa de Estímulo à Criação Artística em Artes Visuais, o projeto estava pronto!

Holofote Virtual: Já o tinhas apresentado antes?

Maria Christina: O convite da Galeria Theodoro Braga para participar da exposição ANIMA foi providencial, exatamente porque Alice ainda não tinha sido vista. Um pequeno trecho, ao qual chamei de Primeira visita, foi mostrado durante o Fórum de Pesquisa em Arte da UFPA, em dezembro de 2010, mas naquela altura o trabalho estava sendo editado ainda.

Holofote Virtual: O vídeo está em uma exposição que homenageia as mulheres. O que o vídeo diz sobre o feminino?

Maria Christina: Como eu te falei no início Alice tem caprichos, como toda mulher, e portanto o trabalho dialoga diretamente com o conceito e a ideia da mostra. E uma característica singular de Alice é justamente que não se pode sair da cidade pelo mesmo lugar por onde se entrou. Incrível, mas é verdade. Ela se renova e oferece outras opções: cercada de água, tem apenas uma porção de terra que a liga ao continente. E mesmo assim, no mapa, ela está no meio do Estado... enfim, é um mistério...

Holofote Virtual: E quanto a carta...

Maria Christina: Carta...  aqui, se refere à cartografia. Eu convido a todos a visitar uma cidade, e o vídeo começa justamente mostrando um mapa e o encontro das linhas que indicam a latitude e a longitude de Alice. Pedi a uma amiga que fizesse o cálculo para eu saber onde a cidade se situaria: minha amiga traçou duas linhas ligando Afuá a Santana do Araguaia, e Faro a Vizeu. No encontro dessas duas linhas, está Alice.

Serviço
A exposição “Anima” está aberta na Galeria Theodoro Braga (subsolo do Centur) até o dia 11 de março. A visitação ocorre de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h. A entrada é franca. Contato: 91 3202-4313.

25.2.11

Red Bag segue em cartaz no Estúdio Reator

O impacto visual é imediato para quem está na platéia de Red Bag, que estreou na semana passada em Belém. Trabalhando formas animadas, projeção de imagens e luz, o espetáculo é direcionado ao público adulto e pode ser visto nesta sexta, 25, e neste sábado, 26, no Estúdio Reator, a partir das 21h30.

Misturando linguagens cênicas, Red Bag traz o som, a iluminação, a cenografia e as imagens que são projetadas, como protagonistas das cenas dos bonecos que são manipulados pelo ator Jeferson Cecim. 

A trilha sonora também é perturbadora. Provoca desde a sensação melancólica com “Rotina”, de Roberto Carlos, até a vontade de voar quando encerra ao som de Rolling Stones. Criado em colaboração de Nando Lima, Leo Bitar, e Patrícia Gondim, Red Bag, o hibrido aborda a sexualidade humana com bom humor e sagacidade, através de uma perspectiva que soma linhas expressionistas, tendências pop, e recursos low-tec. O mote é o sexo, mas não necessariamente o erotismo ou a pornografia. Tudo é construído de maneira leve e atraente aos olhos e ouvidos. 


 De ares performáticos, Red Bag traz também o ator Jeferson Cecim de volta à cena teatral da cidade, depois de ter passado dois anos em São Paulo, onde apresentou “Do Barro ao Boneco”, resultado da Bolsa de Pesquisa do IAP em 2007. Também trabalhou por lá, como aderecista da Cia. Faroeste Caboclo, dirigida pelo paraense Paulo Faria. E ainda na paulicéia, produziu a exposição “No meio do Caminho havia um boneco”, criando bonecos de personagens da literatura nacional para um espaço da prefeitura de São Paulo. 

Jeferson iniciou sua trajetória no teatro em 1995 e foi bonequeiro e aderecistas em variados grupos de Belém, passando pelo grupo In Bust teatro com bonecos. Em seguida fundou o Usina de Animação – Bonecos da Amazônia, onde criou e dirigiu os espetáculos do grupo de 1998 a 2005, juntamente com o artista José Arnaud (Rádio Margarida), também fundador do grupo. A partir de 2006, vem atuando em carreira solo, sempre em parcerias com artistas de diversas linguagens. 

Hoje, no laboratório do Estúdio Reator, ele divide suas experimentações em Belém, ao lado de Leo Bittar (trilha e som), de Patrícia (luz) e de Nando (cenografia e projeção de vídeo). Em cena, além de manipular os bonecos, Jeferson Cecim se mostra um exímio performer.





Ficha técnica

Direção - Grupal
Sonoplastia - Leo Bitar
Iluminação - Patrícia Gondim
Video e cenografia - Nando Lima
Recepção - Andréa Rocha
Agradecimentos - Telma Lima

Serviço
"Red Bag" fica em cartaz às sextas e sábados, sempre às 21h30, nos dias 25 e 26 de fevereiro, No Reator - Trav. 14 de Abril, 1053 entre José Malcher e Magalhães Barata Ingresso: 20 reais. Informações: http://www.reator.art.br/ 8129-5349/ 8112-8497. Apoio Cultural: Coletivo Produtores Criativos, Blog Holofote Virtual e Intimídia.

Palco recebe as muitas faces de Eneida de Moraes

Vencedor do Edital Cláudio Barradas, “Eu Me Confesso Eneida” tem dramaturgia de Carlos Correia e direção de Edson Chagas e Leandro Haick.

Ela foi poeta, ativista política, pesquisadora do carnaval brasileiro e definiu o que hoje se convenciona chamar de crônica memorialística. Eneida de Moraes. 

Um dos nomes paraenses mais festejados em nível nacional. As múltiplas inquietações que transformaram essa mulher única em muitas chegam à ribalta no espetáculo “Eu Me Confesso Eneida”, que ficará em cartaz até domingo, no Teatro Waldemar Henrique. 

Nesta sexta e sábado às 20h. E no último dia desta primeira temporada às 19h. Vencedora do edital Cláudio Barradas de Fomento ao Teatro, promovido pelo Governo do Estado do Pará, através da Secult, a montagem tem dramaturgia assinada por Carlos Correia Santos e direção de Edson Chagas e Leandro Haick. Em cena, as atrizes Marta Ferreira, Elisângela Vasconcelos e Rosa Marina vivem, simultaneamente, as várias faces e facetas de Eneida. Um embate angustiante e provocativo que vai revelando para a platéia detalhes da densa biografia da famosa nortista.

A peça é uma realização do grupo EcoArte e conta com apoio do Gepem e Teatro Waldemar Henrique. O figurino, cenografia, iluminação e maquiagem foram concebidos por Chagas Franco. A pesquisa de sonoplastia foi desenvolvida por Nelson Borges, Edson Chagas e Leandro Haick. A operação de sonoplastia é de Marcos Blanco. A operação de luz de Venildo Cohen. E as fotos de divulgação têm o selo de Naldo Silva e Pedro Ferreira.

Biografia - Contista, cronista, memorialista, Eneida Vilas Boas Costa de Moraes nasceu num palacete situado à rua Benjamim Constant e ali se criou. Filha de Guilherme Costa e Júlia Vilas Boas Costa. Família de posses. 

O pai era comandante de navio e, assim, desbravava os rios do Estado. Rios que, de um jeito ou de outro, acabariam tomando conta das veias de Eneida, correndo por elas mais do que seu próprio sangue. O amor de Eneida pelo Pará foi tanto que mais verdes do que essas terras só mesmo os olhos da autora, eternos apaixonados por Belém. E justamente este verde estaria no título do primeiro livro. Em 1930, ela publica “Terra Verde”, um livro de poemas com temática amazônica.

Ainda muito jovem, foi morar no Rio de Janeiro, na época, a capital federal. Filiou-se ao Partido Comunista e se posicionou abertamente contra a ditadura Vargas. Por esta razão, foi presa várias vezes. No cárcere, dividiu cela com Graciliano Ramos e Olga Benário. 

Apaixonada pela cultura do povo, dedicou-se a um profundo estudo sobre o folclore brasileiro. Foliona de grande marca, criou na capital carioca o célebre Baile do Pierrô. Eneida despediu-se das árvores de suas verdes terras num mês de abril. Morreu em 27 de abril de 1971. Atendendo a um pedido seu, como boa comunista, foi sepultada no lado esquerdo do Cemitério de Santa Isabel.

Serviço
Eu Me Confesso Eneida”, de Carlos Correia Santos. Direção Edson Chagas e Leandro Haick. Realização EcoArte. Patrocínio Secult. Até o dia 27 de fevereiro. Teatro Waldemar Henrique. Sexta e sábado às 20h e domingo às 19h. Ingressos: R$10,00.

(Texto de divulgação enviado por Carlos Correia Santos)

Casa do Professor leva a Poeta da Praia para Ajuruteua

O Centro Cultural - Cineclube Casa do Professor vai exibir o primeiro longa-metragem do paraense Márcio Barradas, “A poeta da praia”. 

Autor de uma filmografia - de estilo próprio - que se destaca pela mixagem (e necessariamente pela superação) dos dois grandes gêneros do cinema (ficção e documentário), conceitos/gêneros na maioria das vezes justapostos nos seus filmes, Barradas quer dialogar com o público após a sessão, dia 26 de fevereiro de 2011, na praia de Ajuruteua, em Bragança (há 236 Km de Belém).

Considerado o realizador da ilha – pelo fato de atuar de forma solitária na bucólica ilha de Mosqueiro (há 80 km de Belém), o realizador, apesar de uma vasta e qualificada obra. Entre outros, já filmou “A janela”, “Fluido humano”, “Coração roxo”, “Icoaraci”, “O filho de ogum”, “O mastro de são caralho” e o ainda inédito “Comparsas”, inspirado em conto de Charles Bukowski. Alguns destes filmes podem ser vistos no youtube, outros, apenas nos circuitos cineclubistas.

O realizador da Ilha - Um realizador de cinema independente é como uma ilha, entretanto, mais que terra ele é pedra, mas não cercada de água e sim por montanhas, por todos os lados.

E se o mundo é uma ilha, margeada, por tsunamis, o realizador independente, à margem, também constrói terremotos submarinos. Isolado, mas não solitário, o realizador independente é capaz de sobreviver a todas estas intempéries produzidas pelo subcinema comercial.

Porque assim ele (d)escreve a sua a gramatologia fílmica, por entre experimentalismos e narrativas, forjados à vigília e lapidados em pedras que depois se tornam esculturas. O realizador independente, ilhado, rebela-se contra todas as formas que disfarçadas tentam apagar da memória o átimo da ãnima, ali mesmo onde ela se manifesta e nos faz ser o que somos.

As ilhas de tão distantes, paradisíacas, são pinturas de sonhos, imagens. Assim é Mosqueiro.
E é desta ilha que temos notícia sobre da produção de pelo menos dois filmes independentes do realizador Márcio Barradas: “O Mastro” (documentário média-metragem), “A poeta da praia” (ficção – longa), e agora mais recentemente “Comparsas” (inédito, todos produzidos na Ilha de Mosqueiro.

Para quem está cansado do lugar comum e para estes que insistem em tomar como referência o "cinemão" americano e europeu – numa eterna luta contra a força do cinema amazônida – as comunidades periféricas insubordinadas rebelam-se e provam que nós temos cinema. Se estamos ou não sós nesta ilha, o tempo dirá, afinal de contas, a história é inexorável.

Sinopse: Filósofa moradora de rua vive refugiada numa ilha, fugindo do contato humano. Passa seus dias perambulando pelas praias escrevendo seus pensamentos na areia. Não demora muito para ser notada pela população local, que não entende as atitudes da estranha mulher e passa a hostilizá-la. Sua vida, então, fica mais exposta às mazelas de uma sociedade contraditória e violenta.

Serviço
projeção do filme A POETA DA PRAIA. De Márcio Barradas. Dia 26 de fevereiro, 19hs. Centro Cultural Cineclube Casado Professor. Praia de Ajuruteua. 19h.  

 (texto de Francisco Weyl, da Paracine e articulador do Cineclube Casa do Professor)

24.2.11

Casa da atriz homenageia Eneida de Moares e Miguel Santa Brígida

A Casa da Atriz – coletivo de artistas e técnicos em artes cênicas – apresenta a sétima edição do Curta a Cena.

O projeto, uma das frentes de trabalho, do coletivo, traz apresentações em seus diversos ambientes, num exercício de experimentação cênica envolvendo dramaturgia, encenação, cenografia, iluminação, e, sobretudo o reconhecimento, encontro e partilha de experiências, saberes e poéticas entre artistas de dentro e de fora da Casa.

São quatro mulheres, atrizes, e um ator que homenageia uma grande mulher. A nostalgia dos antigos carnavais e as histórias que misturam o que cada uma dessas pessoas é e as canções que nos enchem de saudade e de alegria.

Nesta edição homenageamos Miguel Santa Brígida, homem de teatro – criador da Companhia Atores Contemporâneos e Companhia Brasileira de Cortejos, com espetáculos apresentados e reconhecidos no Brasil e no exterior – e de carnaval, que mostrou com olhos de ciência e de paixão essa anima brasileira em forma de cortejo.

As honras também serão para Eneida de Moraes (1904 – 1971), jornalista, escritora e mulher de carnaval cuja obra História do Carnaval Carioca se tornou referência para quem quer se aprofundar nesse assunto; foi tema dos enredos das Escolas de Samba Salgueiro, Paraíso do Tuiuti e Quem São Eles. Foi criadora do Baile do Pierrot, cujo personagem faz a costura cênica do nosso desfile.

Noite dos Mascarados - O lirismo do Teatro do Movimento em revisitar, ao som de Chico Buarque, a abertura do espetáculo Cidade das Mulheres Chico das Mangueiras, dirigido por Miguel Santa Brígida em 2003.

Na minha ilha - Viver sozinha. Ser sozinha. Encarar o mundo, ou defender-se dele? Compartilhar, ou simplesmente dividir? Existe quem se baste?!

Lá vai Maria - A escrita de uma história tem de ser de punho próprio. Cada escolha, alegria, tristeza, acontecimento é uma nova linha na pauta da vida.

Da pá virada - Parodiando Fernando Sabino, fazer da vida passo de dança. Rir da própria desgraça, se desgraça for. Enquanto a partida não acaba a gente continua jogando.

Tico-Tico - Às vezes a estrada que conduz aos nossos desejos faz uma longa volta como que testando se aquilo é o que queremos, ou simples capricho. Perseverança. Quem disse que os sonhos não se realizam?

Pra tudo se acabar na quarta-feira - A vida, como o carnaval, tem sempre o lado festa e o lado ressaca. O brilho e a sombra, a música e o silêncio. O eu e a multidão. Venham dançar! Não me levem a mal, hoje é carnaval!!!

Serviço
Casa da Atriz – Rua Oliveira Belo, 95, Umarizal, entre Generalíssimo e D. Romualdo de Seixas.
24 e 25 de fevereiro, às 20h. Ingresso livre: entre, assista e decida quanto quer pagar! Mias informações:  91 8199 1322 / 8266 4397 / 8733 2067.

23.2.11

Bandurra - eh! estreia no Instituto de Artes do Pará

A Parteira, o Tocador e a Rainha!. Um instrumento musical em vias de ser esquecido é o mote para o mais novo espetáculo cênico do compositor e dramaturgo Walter Freitas. 

A peça Bandurra-Eh!, elaborada a partir de uma pesquisa realizada nas comunidades quilombolas de Juaba, Matias, Carapajó e Maú, no município de Cametá, reúne as linguagens do teatro, da dança e da música para contar a história de três personagens que saem de suas vilas, uma noite, para cumprir um destino, realizar um sonho...

É assim que se encontram Maria Manadora, a Parteira, João Moquebito, o Tocador de Bandurra, e Georgia Cupertina, a Rainha. Vizinhos de anos, moradores de vilas próximas, eles vêm seus caminhos se cruzarem e descobrem que podem avançar de forma mais rápida e segura se unirem esforços.

Logo descobrem, porém, que Manadora, a Parteira, teve um sonho pavoroso com Moquebito, o Tocador, e, para evitar que o sonho se realizasse, decidiu abrir a “caixa sonora” em que estavam recolhidas as Pragas. 

Em sua inocência, a Parteira imaginou que as Pragas, libertas, sairiam das vilas e se espalhariam pelo mundo, livrando assim o Tocador da ameaça. Instaura-se, então, a linguagem da fábula, que vai permear todo o espetáculo e gerar o conflito fundamental, abrindo espaço para que os três velhos testem seu poder de resistência individual e sua capacidade de trabalho conjunto.

Todo escrito em versos, uma característica já assumida na dramaturgia de Walter Freitas, o texto leva os três personagens, a partir deste mote inicial, a situações inusitadas: ao mesmo tempo que buscam realizar seus objetivos – Manadora precisa fazer um parto, Moquebito quer reencontrar os amigos tocadores e Cupertina pretende retornar em grande estilo ao Reino do Marierrê, para rever o grande amor de sua vida –, precisam escapar às investidas e ataques das Pragas libertas. Para completar, cada um deles guarda a sete chaves um segredo que não quer, não pode ou não consegue revelar.

Fábula sobre a solidariedade humana - que brota (ou não) diante do poder e da disposição do Homem para explorar seu semelhante -, Bandurra-Eh! reserva uma sucessão de surpresas, tanto no enredo, uma ficção que reúne uma vasta compilação de elementos culturais da região do Baixo Tocantins, no Pará, quanto na cuidadosa concepção cênica que o diretor criou para levá-la ao palco.

Elenco:
Marina Mota
como João Moquebito, o Tocador de Bandurra
Juliana Abramides
como Maria Manadora, a Parteira
Walter Freitas
como Georgia Cupertina, a Rainha do Marierrê

Ficha Técnica:
Concepção e Dramaturgia – Walter Freitas
Pesquisa – Marina Mota, Juliana Abramides e Walter Freitas
Figurino e Cenários – Maurício Franco
Design de Luz – Thiago Ferradaes
Assistente de Iluminação – Manu Rabelo
Confecção de Figurinos – Claudia Silveira
Coreografia – Marina Mota e Walter Freitas
Cenotécnica – Waldiney Machado, Manu Rabelo e Thiago Ferradaes
Consultoria Cênica – Wellingta Macêdo
Consultoria Dramatúrgica e Revisão – Ana Luiza Couto
Construção de Tambores – Waldiney Machado
Construção de Bandurra – Comunidade do Maú
Partituras – Mindiyara Uakti
Direção Musical – Walter Freitas
Apoio à Produção – Andréa Rocha, Marina Mota, Juliana Abramides e Nhãnhã Çayré
Administração – Walter Freitas
Fotografia – Ana Flor, Juliana Abramides, Marina Mota e Nhãnhã Çayré
Design Gráfico – Nhãnhã Çayré
Direção – Walter Freitas

Serviço
Bandurra-Eh!, espetáculo cênico de Walter Freitas, com Marina Mota e Juliana Abramides. Pré-estreia: 23 de fevereiro de 2011, às 20 h, no Instituto de Artes do Pará - IAP. Temporada aberta ao público com entrada franca: de 24 de fevereiro a 4 de março, todos os dias. O espetáculo do dia 24 integra a programação de lançamento dos novos editais do IAP.

22.2.11

Quando a saudade e o tempo não têm fim

Alberto Bitar abre nova exposição, na Fotoativa, propondo uma reflexão sobre a dispersão do tempo

Por Camila Gaia, da assessoria de imprensa

Quanta carga de lembranças pode haver dentro de um apartamento vazio e em quartos de hotéis? Que sentimentos podem estar impregnados nesses ambientes? Ausência e presença, memória e esquecimento, pessoalidade e impessoalidade são os conceitos abordados em “Sobre o vazio”, novo trabalho do fotógrafo Alberto Bitar, que abre sua temporada de exposição hoje (22), na Associação Fotoativa, e segue até o dia 15 de março.

Utilizando como base a fotografia estática, “Sobre o Vazio” é composto por audiovisuais que trazem à tona uma reflexão sobre o tempo, a dispersão da memória e o grau de pessoalidade inerente aos dois ambientes, aparentemente diferentes, mas que trazem consigo histórias de personagens que viveram nestes ou lugares ou simplesmente passaram por ali. 

“Sobre o Vazio sugere pensar sobre a transitoriedade das coisas e sobre a ideia de que lugares e objetos podem trazer a subjetividade de quem os escolheu e/ou os possuiu, mesmo que por um curto espaço de tempo, de como o tempo de coexistência pode, ou não, influenciar nessa percepção e de como esse tempo pode colaborar para a fixação da memória.”, conta Alberto.

A exposição, contemplada pelo XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), é composta por audiovisuais montados a partir de imagens e áudios capturados no antigo apartamento onde o fotógrafo viveu durante 25 anos, com a família, e em quartos de hotéis localizados na capital paraense.

“O apartamento, que parece impessoal à medida que tem suas imagens captadas com o espaço totalmente desocupado, faz contraponto com o ambiente de quartos de diferentes hotéis recentemente desocupados por seus hóspedes. Independente do tempo de permanência, esses lugares podem guardar, nas memórias dessas pessoas, lembranças e saudades de momentos importantes nas suas histórias”, explica o fotógrafo.

Trajetória - Desde 1991, quando iniciou seus primeiros estudos fotográficos, o movimento apreendido na fotografia fixa, os rastros ou a captura do fluxo do tempo decorrente da utilização das baixas velocidades do obturador da câmera, têm servido de suporte para compor séries que resultaram em exposições como “Hecate” (1997), “Passageiro” (2004/2005) e “Efêmera Paisagem” (2009).

“A partir do interesse pelo movimento apreendido na imagem fixa passei a desenvolver trabalhos com o auxilio do suporte do vídeo, mas utilizando como base imagens fixas. São trabalhos que nos fazem pensar nos primórdios do cinema, mas não deixam de ter em sua essência aspectos da linguagem fotográfica”, explica o fotógrafo.

No ano passado, com o vídeo “Sobre distâncias e incômodos e alguma tristeza",  Alberto foi selecionado no Prêmio Porto Seguro de Fotografia, em 2009. Este trabalho foi também exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes, no Festival de Fotografia de Porto Alegre, além de fazer parte da mostra competitiva do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo - Curta Kinoforum.

Serviço
Sobre o Vazio, de Alberto Bitar. Abertura: Hoje (22), às 19h, na Associação Fotoativa (Trav. Da Praça Visconde de Rio Branco, n° 19. Praça das Mercês. Visitação: de 23 de fevereiro a 15 de março, de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados das 9h às 13h. 

21.2.11

Pavulagem deu início à maratona de oficinas e ensaios

Quando a noite chega, os sons de alfaias, barricas, caixas de marabaixo, onças, reco-recos invadem a Praça dos Estivadores no bairro da Campina, em Belém. 

São os instrumentos da oficina de percussão do Instituo Arraial do Pavulagem, que ganham vida nas mãos dos participantes. Os sons vêm tanto das mãos que aprendem a tocar pela primeira vez, como daquelas já calejadas pela experiência de participar ano após dos cortejos do Instituto.

Tem sido assim desde o dia 17 de fevereiro, quando começaram as oficinas preparatórias do Cordão do Peixe-Boi 2011, o primeiro cortejo do ano do Instituto Arraial do Pavulagem. E elas seguem de domingo a domingo até 3 março, mesmo com as chuvas que caem com toda a força sobre Belém. Haverá uma pequena folga para os participantes das oficinas e as atividades retornam no dia 15 de março para o início dos ensaios de dez dias do Cordão do Peixe-Boi.

No início os sons ecoam desajeitados, soltos, confusos. Fora do ritmo. Aos poucos, a sonoridade vai se encaixando, quase vira música. Mas ainda não é música, é apenas treino. “Um exercício para amolecer as juntas”, brinca um dos instrutores da oficina, Rogério Pinheiro, de 28 anos, seis só de Arraial do Pavulagem.
Quem erra os exercícios para alcançar o ritmo para, faz cara feia, se concentra e retorna. 

As expressões e atitudes mudam conforme a personalidade e o gosto do freguês. O comportamento só não se modifica na vontade de continuar. Todos persistem. Na sede do Instituto, localizada no bairro da campina em Belém, ali em frente à Praça dos Estivadores, o percussionista Rafael Barros ministra a oficina de percussão, com o auxílio dos tocadores do Batalhão da Estrela - a comunidade crescente de pessoas que guarnece os cortejos-, e dos instrutores do Batalhão. 

No prédio ao lado, numa sala cedida pela Unafisco, quem não quer tocar, se exercita, alonga, inspira e expira em movimentos de todos os tipos na oficina de dança. E na Praça, quem prefere ver o mundo de cima, arrisca os primeiros passos em cima de pernas-de-pau. Ou se já for veterano nessa arte de andar sobre pernas tão finas, de madeira ou metal, descansa um pouquinho depois de treinar. “Já andei, cansei,
parei. Aprendi já no primeiro dia”, lembra a estudante de 18 anos Ádrea Larisse Miranda, pernalta nos cortejos do Arraial.

Fonte: Texto de Yorrana Oliveira

Educador marajoara ministra palestra no Dia do Marajó

Morador de Breves, o pedagogo especialista em Psicologia da Educação Vanderlei Castro é o convidado do Dia do Marajó. O encontro será às 18h30 desta terça-feira (22) no Sesc Boulevard

Para falar sobre questões sociais e identidade local do município marajoara de Breves, o Instituto Peabiru convidou o pedagogo Vanderlei Castro, morador natural da região. O educador irá ministrar a palestra da 7a. edição do Dia do Marajó, que será realizado nesta terça-feira, dia 22 de fevereiro, às 18h30, no auditório do Sesc Boulevard (em frente à Estação das Docas), com entrada franca.

Durante a palestra, Vanderlei Castro irá traçar uma trajetória dos ciclos econômicos do município de Breves, desde os tempos áureos da Borracha e do Arroz de Várzea, entre as décadas de 40 e 60, até as casas de farinha de mandioca artesanais, ainda muito utilizadas na região.

“Aqui tudo é artesanal. Não temos casa de farinha industrial. E nossa região é de várzea, não dá para adentrar máquinas e tratores para fazer fazendas de pasto, como no sul do Estado”, explica. “Será preciso encontrar novos caminhos para a economia local, com a valorização de seus aspectos únicos”, complementa o diretor do Peabiru João Meirelles.

Para ele é necessário que os produtos do Marajó incorporem o conceito de territorialidade e sejam reconhecidos por sua origem singular. Meirelles lembra, por exemplo, que a maior parte do açaí consumido no Brasil vem do arquipélago do Marajó e que isso não representa um ganho proporcional para as populações que o colhem.

Desde 2002, o professor Vanderlei Castro, especialista em Psicologia da Educação pela PUC-MG, desenvolve pesquisas sobre o desemprego pós ciclos econômicos na região. Segundo ele, não há muitas opções de trabalho e entretenimento cultural no município, levando jovens a prostituição e ao consumo de drogas. “Quase não temos atividades de cinema, teatro e esportes”, comenta, referindo-se ao extinto Cine Marlen e aos dois únicos grupos de dança e teatro, o Nheengaibas e o Luzarte.

Contudo, para o educador, com o projeto de interiorização da Ufpa - que chegou no Marajó em 1986-, foi possível perceber uma visão político-cultural ascendente nos jovens. Segundo ele, a sede local da Universidade teve todas as vagas preenchidas no último processo seletivo para cursos como Serviço Social, Letras, Pedagogia, Matemática e Ciências Naturais. “Temos também o IFPA (Instituto Federal do Pará), e mais uma universidade tecnológica que está com a inauguração prevista para outubro ou novembro deste ano”, comemora.

Sobre a identidade de Breves como ilha marajoara, Vanderlei comenta que hoje em dia já há uma associação maior, mas que nem sempre foi assim. “Nós paraenses não reconhecíamos o lado de Breves como Marajó. Lembro que nos anos 80 cheguei no cais de Belém e vi duas placas: 'navio para Marajó' e 'navio para Breves'. Agora já temos uma identidade maior como marajoara, porém ainda com alguns contrastes”, conclui.

O Dia do Marajó é promovido mensalmente pelo Programa Viva Marajó, coordenado pelo Instituto Peabiru e pelo Fundo Vale para o Desenvolvimento Sustentável. O programa tem como objetivo contribuir na implementação e consolidação de áreas protegidas do Arquipélago do Marajó, para a melhoria da qualidade de vida, a conservação da biodiversidade e da cultura e promoção da sustentabilidade.

Serviço
7o. Dia do Marajó. Terça-feira (22), às 18h30. Local: Sesc Boulevard (em frente a Estação das Docas). Aberto ao público, com entrada franca. Informações: 3222 6000.

Fonte: Texto de Michelli Byanka Almeida

Felipe Cordeiro está no Rec Beat que acontece em março no Recife

O festival Rec-Beat anunciou (20), ontem, os primeiros no­mes que irão compor seu cartaz do Carnaval 2011 (o evento acontece entre os dias 5 a 8 de março no Cais da Alfândega). 


As apostas deste ano são desta­ques do Norte e Nordeste do País, como o grupo baiano Baia­na System, o parense Felipe Cordeiro, o DJ sergipano Pa­trick Tor4 e os pernambucanos Mombojó.

O desafio das atra­ções da 9ª edição do festival é manter a alta média de pú­blico, com frequência de cer­ca de 20 mil pessoas por noite. O grupo Baiana System apresenta pela primeira vez no Reci­fe seu resgate da tradição de gui­tarras baianas misturadas à batidas do dub e do dancehall.

Já Felipe Cor­deiro vem do Pará com uma so­noridade com referências que vão da lambada ao pop-re­trô, flertando com o carimbó e tec­nobrega. A mistura, denomi­nada por ele de kitsch-pop-cult, já recebeu prêmios em festi­vais de música no Norte do País.

As duas últimas atrações confirmadas, o DJ sergipano-paraense Patrick Tor4 e os pernambucanos do Mombojó, apresentam respectivamente um set com hits do Pará e o elogiado trabalho “Amigo do Tempo”. 

Um andarilho da fotografia no Café Fotográfico desta segunda no Fotoativa

Rafael e Seu Juquinha. Foto: Alexandre Sequeira
Pautada por uma poética no trabalho de campo, a dissertação de mestrado do fotógrafo e professor Alexandre Sequeira, intitulada “Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim: fotografias e relações de trocas simbólicas”, será tema do Café Fotográfico desta segunda-feira, 21, no Fotativa, a partir das 19h30.

A pesquisa de Alexandre foi realizada em um pequeno vilarejo do interior de Minas Gerais e como em seus trabalhos anteriores, sai com sua câmera pendurada nos ombros e estabelecendo laços afetivos tendo a fotografia como canal de aproximação e troca dentro da comunidade.

Neste trabalho, ele se relaciona com um senhor de 84 anos, Seu Juquinha, e seu neto Rafael, de 13. De acordo com Alexandre, o senhor trata de sua relação com o pequeno vilarejo, tendo como referência, o passado, “enfatizando a importância da fotografia como documento de algo que aconteceu; como algo que adere o fiel registro do referente”.

Já seu neto está ligado a imagens fantasiosas, comuns ao universo infantil e relata sua relação com a vila tendo os olhos voltados para o futuro, “considerando sempre a fotografia em sua incompletude, como algo incapaz de dar conta do elemento retratado, do fato ocorrido e, por esse motivo, sempre aberta a infinitas novas interpretações a cada nova apreciação”.

“Entre Lapinha da Serra e o Mata Capim” é o mais recente trabalho de Alexandre Sequeria, realizado com pesquisa de campo, algo que ele já realizou também aqui no interior do Pará, num vilarejo chamado Nazaré do Mocajuba. 

Com esta pesquisa, chamada "Impressões de um Lugar" Alexandre vem participando de congresso, colóquios e mostra de fotografia no Brasil e no exterior. Em dezembro passado, por exemplo, ele participou do TEDxAmazônia, onde contou a história que viveu em Nazaré do Mocajuba. Veja aqui.

Em maio de 2010, o fotógrafo foi entrevistado pelo Holofote Virtual, enquanto estava em Londres realizando uma exposição e falou sobre suas pesquisas. 

Natural de Belém, no Pará, o artista realiza na região amazônica, há cerca de uma década, trabalhos nos moldes da estética relacional – termo cunhado nos anos 90 pelo crítico de arte francês Nicolas Bourriaud, para explicar um campo das artes contemporâneas, no qual o artista se dirige a um outro, não necessariamente um artista, e envolve essa pessoa no processo de desenvolvimento de um trabalho artístico.

Serviço
Café Fotográfico com Alexandre Sequeira. Nesta segunda-feira, 21, a partir das 19h30, no Fotoativa – Praça das Mercês, n. 19. Mais informações: 91 3225.2704.

São Caetano de Odivelas comemora aniversário da banda Rodrigues dos Santos

Considerada o patrimônio artístico cultural mais antigo de São Caetano de Odivelas, a banda "Rodrigues dos Santos" completará no próximo dia 24 de fevereiro, 130 anos de história. A comemoração será neste próximo final de semana.

No dia do aniversário, 24.02,  a comemoração inicia com a tradicional alvorada e as  homenagens às pessoas que fazem parte da história da banda e encerra com missa de Ação de Graças, na Igreja Matriz, a partir da 20h. 

Na sexta-feira, 25, também será realizada uma plenária de cultura, com representantes do Governo Estadual, a partir das 17h, na sede da banda.  À noite, a partir das 19h, será realizada uma sessão de cinema, com participação do pianista e professor Paulo José de Campos de Melo, fazendo a trilha sonora dos filmes, ao vivo. No sábado, 26, a Banda Rodrigues Alves faz uma apresentação especial no Salão Paroquial e depois oferece um coquetel aos convidados.

A programação vai até domingo, 27, quando acontece um grande arrastão carnavalesco pelas ruas de São Caetano de Odivelas, com muito frevo, marchinhas de carnaval e muita música de boi animando os foliões.

A Banda Rodrigues dos Santos ao longo dos seus 130 anos se firma como um dos maiores ícones culturais de São Caetano de Odivelas, além de importante instrumento na inclusão social de jovens e crianças odivelenses, através de sua escola de música que abriga mais 200 alunos nos cursos de musicalização, prática instrumental e aulas de violão.

História - Composta por 50 integrantes sob a regência de Márcio Cardoso, que também é o atual presidente da instituição, a Rodrigues dos Santos foi fundada no dia 24 de fevereiro de 1881.

Referência dentro do Projeto de Interiorização da Fundação Carlos Gomes, a banda vem participando de inúmeros documentários e reportagens para a imprensa local e nacional. Mais informações com o regente Márcio Cardoso, pelo cel. (91) 8886-3240.

19.2.11

Banda Lapidação Poética se prepara para lançar o 1º CD

Fruto da participação vitoriosa da banda no CAA Fest em 2009, quando os integrantes levaram pra casa o primeiro prêmio do festival, o primeiro CD da banda está sendo gravado pela Ná Music. Ele ainda está em estúdio, mas neste sábado, 19h, a banda faz participação especial na quinta edição do festival que acontece a partir das 19h, no Teatro Gasômetro.

Na semana passada, ensaiando para esta participação e às voltas com as gravações no estúdio, Andrérick conversou com o Holofote Virtual e contou tudo sobre o novo momento da banda.

A Lapidação Poética, na verdade já é veterana no CCAA Fest. No primeiro ano do evento, em 2006, o grupo chegou a final com a música “Palavras Perdidas”, de Paulo de Paula. No terceiro ano (2008), porém, não passou da fase das audições. Mas o grande dia só viria em 2009, com a música “Que saudade”, de Andrérick.

“Agora estamos no final da gravação do nosso 1° CD profissional, o Rio de Sonhos, que fluirá com 10 músicas aportadas em ambientes distintos, ritmos diversos e poesias diferenciadas”, diz Andrérick em entrevista para o Holofote Virtual.

“Este será um CD essencialmente musical, acoplado com a característica principal da Banda Lapidação Poética, de interagir as vertentes da arte, misturando música + recitação de poesia + entonações teatrais + diversidade rítmica”, complementa.

O CD traz músicas que já fazem parte da história da Lapidação Poética, “como a música Rio de Sonhos, tema do CD, com sua maresia ideológica flutuante de reflexões; a Paródia do Bandoleiro, com seu ritmo latino e repleto de descontração; a Índia Morena, com sua marca regional sem ser regionalista; a Noite Doces Artes com seu swing ritmado de Black Music e Funkiado, a O Que Será de Nossas Vidas Amanhã?, com seu teor crítico ingerido ao ritmo de Rock and Roll”, enumera o músico e produtor da banda.

Andrérick adianta também que a música Que Saudade, o blues vencedora do CCAA Fest ganhou outra roupagem e também está no CD, com a guitarra de Frederico Azevedo e o baixo de Fábio Quaresma, além dos bakings vocals de Ágnes Roberta e Leka Liares que, explica Andrérick, são os novos integrantes da banda, desde o início do ano passado.

“Esta música no CD terá também a participação especial do antigo integrante Paulo de Paula, no baixo, em nome dos velhos tempos”, diz. O CD também vai trazer quatro músicas mais recentes da banda.

Uma delas chama-se “O Curandeiro”, que mistura maracatú com baião, com Letra de Fábio Jholl (percussionista), poema introdutório de Andrérick e melodia base de Paulo de Paula. Há ainda “Pó de Pètala”, um reggae xoteado, “com todo seu lirismo e culto a forma poética”, rebate o músico.

Mano Velho (e o conto da onça) é de Marcelo Parente (percussionista). “É uma releitura de uma anedota de domínio público, adaptada e interpretada por ele e seu parceiro Fabio Jholl chamada O Conto da Onça, o qual era apresentado em nossas apresentações como performances dentro das músicas e fez nascer à necessidade de compor a música que lhe serviria de abrigo definitivo, assim ela nasceu”.

A quarta e última música, que completa o CD é “A Ostra e a Pérola (e o soneto dos Bichos)”, balada romântica, de poética apurada, segundo Andrérick, música datada desde a origem do Lapidação Poética, em 2003.

“A música foi preservada desde então até a ocasião desta gravação. No Geral, o CD Rio de Sonhos virá com a ideologia do Lapidação Poética de Lapidar nossa arte através da realidade e da evolução musical de cada um de nós. Sempre com o olhar de caleidoscópio, tentando enxergar as várias vertentes que a poesia reflete as nossas visões”, finaliza.

História - A trajetória da banda Lapidação Poética começa em 2003, quando Andrérick P. de Leão fazia pesquisa de campo na Universidade da Amazônia em busca de poetas em lapidação. Para achá-los, provocou um sarau musical com músicos lapidadores free lancers, com intuito de estímulo poético aos seus iguais, do qual se destaca Joel Lacerda, baixista criador da Banda Cocóta de Ortega.

No ano seguinte, acontece a apresentação do Projeto “Lapidação Poética: a poesia das Letras e Artes Visuais”, como Trabalho de Conclusão do Curso de Letras de Andrérick, trazendo música e exposição de artes visuais e literárias, na Galeria Graça Landeira. Na época o público foi o acadêmico, da Unama.

A formação experimental, como um grupo acústico, que levaria os ideais de valorização aos artistas em efervescência poética para além dos limites da universidade, virai em 2005. Nesta época o grupo era chamado de Projeto Lapidação Poética e tinha em sua formação: Fábio Jholl, artesão que tornou-se percussionista e poeta compositor, José Yarl, Baterista de rock pauleira que enxergou no Lapidação Poética a oportunidade de novos horizontes rítmicos, que tocava percussão, Marcel Lima, violonista solo e Andrérick na voz e violão.

Nos dois anos seguintes, nasce o Movimento Cultural Lapidação Poética, formado pela Banda Lapidação Poética e pela Galeria Lapidarte, uma exposição itinerante de obras de artes visuais e literárias de artistas em fase de lapidação.

A Banda era formada por: Andrérick (Letras, voz, violão e baixo), Paulo de Paula (Letras, voz, baixo e violão), Joaquim Lima (Baixo, Guitarra, gaita e escaleta), Fábio Jholl e PH Lima (Percussão) e José Yarl (Bateria). 

Andrérick lembra que aquele “foi um tempo de muitas apresentações em diversas universidades da cidade de Belém, Festival de música (1°CCAA Fest), Bares e entrevistas em televisão, como no Programa Cultura Pai Dégua”.

Em 2008, Joaquim Lima sai da banda, entrando o guitarrista Clyverson Luis, que trouxe uma nova cara aos arranjos de guitarra e backing vocal da Banda. Em meados deste mesmo ano também sai PH Lima e entra Marcelo Parente, iniciando a parceria sem igual com Fábio Jholl na Percussão.

“Este foi um ano de iniciação ao teatro em que passamos a interpretar textos poéticos com maior teatralidade, utilizando figurinos específicos a cada personagem e saindo dos Bares para os teatros de Belém”, diz Andrérick.

Dirigido por ele, o Lapidação Poética começou a realizar seus próprios espetáculos artísticos musicais, onde se destaca o LAPIDAL: os lapidadores da lapidação (música, poesia, teatro e dança), sempre levando consigo a oportunidade para outros artistas mostrarem seus trabalhos.

Mas as maiores realizações estavam por vir, sobretudo na área do teatro, com a criação do Espetáculo Influência Amazônica, apresentado nos Teatros Waldemar Henrique, Cláudio Barradas e Maria Sylvia Nunes, valorizando a Banda Lapidação Poética, formada por artistas da região amazônica.

Em 2009, também entra na banda Leka Liares e Antônio Silva, cenógrafa e cenotécnico, que aprimoraram a noção de teatro da Banda. E foi aí que eles também foram premiados em 1°lugar no CCAA Fest.

No ano passado, mais mudanças na banda, com a saída de Paulo de Paula e entrada de Lurralle Amaral, no baixo. Nesse mesmo tempo, Leka Liares deixa a cenografia e o figurino para abraçar o backing vocal da banda, junto a Ágnes Roberta, co- produtora do Projeto Influência Amazônica.

Também saiu da banda, Lurralle e entrou Fábio Quaresma, no baixo. Em outubro, se oficializou a saída de Clyverson Luis, “que no CCAA Fest 2009 ganhou o título de guitarrista revelação”.
Para este ano, abrem-se novos horizontes. O Espetáculo Influência Amazônica, que foi aprovado pela Lei SEMEAR, será executado nos teatros Waldemar Henrique, Cláudio Barradas, Gasômetro e Margarida Schiwazappa a partir de maio deste ano.

“Além do lançamento do primeiro CD da banda, que deve ter sua tiragem a partir do segundo semestre, quando poderemos alçar novos vôos, como clipes e inscrição em festivais do circuito nacional e internacional”, afirma Andrérick.

(com informações de Andrérick, da Banda Lapidação Poética)

Na quinta edição CCAA Fest chega ao Teatro Gasômetro

O amadurecimento profissional das bandas independentes e a riqueza e a criatividade do rock paraense são apenas dois dos ótimos motivos para realizar a quinta edição do CCAA Fest, com data marcada para 19 de fevereiro, no Teatro Gasômetro, do Parque da Residência.

Na ordem de apresentação, este ano, entraram no páreo, as bandas Carbono XIV, Clepsidra, Cocota de Ortega, Mademoiselle, Myttus, Navalha, Oscaravelho, The Baldelaires, The Lay, Arsenal Vil, Born to Be, Rosa Norte, SK8, Tranze e Trilha Colateral.

“Tivemos várias etapas até chegar a este momento: inscrição, audição e a curadoria de onde saíram as 10 primeiras colocadas. Depois, a novidade deste ano, foi a parceria com MTV, que nos permitiu selecionar, através do voto do público, as outras cinco concorrentes”, explica Gláfira Lobo, a vocalista da banda Álibi de Orfeu, e produtora executiva do CCAA Fest.

O festival acumula investimentos em responsabilidade social e na profissionalização dos músicos. “Esta tendência de qualidade e respeito ao artista, orientando-o sobre os vários aspectos da produção e da postura no palco, já faz parte da trajetória do evento. E eu trago um pouco da minha própria experiência. Já estou acostumada, mas a maioria das bandas que participam é iniciante”, diz Gláfira.

Por isso, uma semana antes da grande noite, a produção do festival e os integrantes das bandas concorrentes fizeram uma visita técnica no Teatro Gasômetro, a fim de fazer um reconhecimento prévio do espaço.

Foi uma oportunidade também para discutir com Gláfira, a questão visual de cada banda e receber informações sobre o posicionamento das câmeras que irão gravar todas as apresentações, resultando, como em todos os anos, num DVD. É uma forma de garantir uma boa performance para as lentes e para o público.

Lapidação - A banda Lapidação Poética é um dos bons exemplos dos resultados do festival. O grupo já participou três vezes do CCAA Fest. Em 2006, foram para a final com a música ‘Palavras Perdidas’, de Paulo de Paula. Mas em 2008, com ‘O conto do criador’, não chegou nem na final. Já em 2009, com a música ‘Que saudade’, garantiu o prêmio da gravação do primeiro CD da Banda, pelo selo Na Music.

“A participação no CCAA Fest foi deveras interessante, sobretudo pela experiência e maturidade profissional que vem sendo estimulada pelo Festival”, diz Andrérick da Lapidação Poética e autor da música premiada.

Hoje, a banda está no estúdio, gravando o 1° CD profissional, “Rio de Sonhos”, que será lançado este ano, trazendo 10 músicas, entre elas, “Que Saudade”, a canção que venceu o CCAA Fest 2009, um blues sobre a dor da separação. “Este ano vamos participar do CCAA Fest como convidados, isto pra gente é uma honra, além de ser uma bela vitrine para apresentarmos com maior amplitude a identidade artística da Banda Lapidação Poética”, finaliza Andrérick.

The Baldelaires, umas das concorrentes
Premiação – Apesar de haver, claro, premiação para os 1º, 2º e 3º lugar, o festival não deixa nenhuma banda sair de mãos abanando. Todas as 75 que fizeram a audição no Ápice, vão receber o DVD com a gravação de sua apresentação ao júri. Para todas as finalistas, o evento oferece cinco DVDs com a gravação do show da final e 15 bolsas de estudo de um ano no CCAA Belém (uma para cada banda).

A grande vencedora grava um CD, ao vivo, no estúdio Ná Music, com 100 cópias já garantidas pelo selo Ná Music. A segunda colocada grava um videoclipe da música, patrocinado pelo Studio Pub. A terceira colocação leva R$ 1.000,00, prêmio oferecido pela Escola G2 MUHSICA. E ainda há a banda revelação, que ganha gravação de uma música no Estúdio APCE.

Serviço
CCAA Fest, neste sábado, 19, no Teatro Gasômetro, Parque da Residência. O evento terá participação especial da Lapidação Poética, vencedora da edição anterior. Ingressos: R$ 10 + um pacote de leite em pó. Estudantes pagam meia. Realização do CCAA, com apoio do APCE Estúdio, Loja Ná Figueredo, Visão, Escola G2 MUHSICA e Studio Pub. Mais informações: 91 4141-5317 / www.ccaabelem.com.br ou 91 8812-0436/81435582.

P.P. Condurú abre escritório galeria para visitação neste final de semana

Da série Como Entra e Sai "s/ título"
Para quem gosta de arte, há várias  exposições imperdíveis na cidade, mas vai aqui uma dica no  mínimo interessante: visitar o escritório galeria do artista pl[astigo  P.P. Condurú, situado em um casarão antigo na Cidade Velha.

Neste final de semana, ele estará aberto para mostrar suas obras mais recentes e de “títulos insólitos”, como disse Haroldo Baleixe, citando: “Como Entra Sai” (telas) e “Coisa Assim. Nós na Nuca, Pirulitos N’água” (desenhos). “PP dá um show de irreverência estética”, conclui o também artista e professor da UFPA em seu blog.

No ano passado, parte desses trabalhos integrou uma exposição individual do artista na ELF Galeria de Arte, que continua expondo PP em seu espaço virtual. Antes, em 2008, o artista realizou uma grande exposição “À Luz do Sol” , comemorando seus 30 anos de carreira.

O projeto durou mais de um ano para ser realizado e também resultou em um livro e em um DVD contendo a maior parte de seus trabalhos espalhados, em galerias e acervos particulares, pelo Brasil, além de vários vídeos com depoimentos de pessoas que conhecem sua trajetória.

P.P. também acaba de ser convidado para compor a Da Vinci Gallery, galeria virtual Portuguesa que reúne obras de artistas de vários países. Com texto de apresentação de Célia Bassalo, no link de P.P. também estão informações sobre sua trajetória.

Da série Como Entra e Sai "Sorte"
 Identificado com a arte digital, desde o final dos anos 90, quando adota a computação visual, vem se utilizando dessas ferramentas para expressar artisticamente suas inquietudes. De forma autodidata aprendeu a trabalhar com diversos softwares e lançou-se também no universo audiovisual.

Em 2004, convidado pela amiga e jornalista Úrsula Vidal, criou o vídeo “Aparências Nada Mais”, onde pinta o vídeo e participa dele. Faz parte do resultado da Bolsa de Pesquisa do IAP recebida pela jornalista e pode ser visto no blog de P.P. Conduru, que há dois anos vem mostrando as novidades do artista.

Para ver logo as obras, acesse a Da Vinci Galery. Mas para vê-las face to face, vá até o escritório galeria. O endereço e a rota de chegada, aqui.


18.2.11

Ô abre alas para a temporada dos Palhaços Trovadores

Palhaça Pipita (Cleice Maciel)
Foto: Kassya Fernandes
A alegria dos Palhaços Trovadores está de volta nesta quadra carnavalesca com a estréia da temporada do espetáculo “Ó, Abre Alas!”, nesta sexta-feira, 18 de fevereiro, às 20h, no Anfiteatro da Praça da República, onde também estará em cartaz no dia 25 de fevereiro (sexta-feira) e 02 de março (quarta-feira). No dia 27 de fevereiro o grupo se apresenta na Estação das Docas, às 17h30, dentro da programação carnavalesca daquele espaço.

Festejando a Quadra Carnavalesca, o espetáculo dos Palhaços Trovadores traz de volta os antigos carnavais, com suas marchinhas, seus foliões fantasiados, alegres e coloridos, seus blocos de sujos improvisados, tipos extravagantes e mascarados.

O espetáculo se estrutura na forma de um bloco de sujos, que volta do passado para fazer a alegria do público com velhos sucessos como “Mamãe eu quero”, “Quem não chora não mama”, “Aurora”, “Bola Preta”, “Cachaça”, “Bandeira Branca”, “Máscara Negra”, dentre muitos outros, que afloram na memória dos que viveram os velhos carnavais e trazem ao conhecimento dos jovens o ritmo gostoso das marchinhas, com suas letras ingênuas e engraçadas.

As cenas são criadas a partir da temática de cada marchinha e estabelecem quase sempre uma ligação direta com o público. A interação com o público resulta em muita improvisação e imprevistos que provocam riso e emoção. Os figurinos são improvisados, sobrepondo peças de roupas, como faziam e fazem os brincantes de rua. Alguns personagens característicos dos blocos de sujos aparecem como a noiva, a freirinha sexy, a colegial, o bêbado, o homem vestido de mulher.

Os palhaços se lançam num desafio, de serem outros eles também: esquecem a maquiagem que os caracteriza e criam para si um outro visual, um outro palhaço, vivendo a máxima carnavalesca da transformação, de se tornar outro enquanto durar a folia.

O espetáculo termina em um grande e animado cordão, com o público entrando no bloco, se misturando aos palhaços e também caindo na folia momesca, ou melhor: clownesca. “Ó, abre alas!” é certeza de muita alegria e divertimento para crianças, jovens, adultos e idosos. Neste e em outros carnavais.

Ficha técnica

Elenco:
Alessandra Nogueira (Neguinha)
Cleice Maciel (Pipita)
Joyce Baruel (Baru)
Patrícia Pinheiro (Tininha)
Romana Melo (Estrelita)
Sônia Alão (Pirulita)
Adriano furtado (Geninho)
Jorge Torres (Ricárdio)
Marcelo David (Feijão)
Marcelo Villela (Tchelo)
Marton Maués (Tilinho)

Convidados: Andréia Flores, Roberta Flores, Rose Marques, Rejane Lima, Karina Lima, Ronald Lima, Patrícia Zulu, Armando Mendonça, Thiago Araújo e Patrícia Sardinha.
Participação especial: Marcos Puff (Saxofone)
Roteiro e Direção Geral: Marton Maués