26.12.11

É isso. Viver não é só Trelêlê!

(Foto de Taiana Lauin)
Mas para a cantora Aíla Magalhães bem que tem sido. Em outro sentido, claro, diverso ao que no popular significa algo sem importância ou... maluco. “Trelêlê”, que também, para os paraenses, é aquela sensação ótima que o jambú provoca nos lábios ao saboreamos nossas iguarias à base de tucupi, ou não, foi o nome escolhido pela cantora para intitular seu primeiro CD, a ser lançado em 2012. Importante e longe de ser uma maluquice, o projeto tem sido sinônimo de trabalho e prazer para a cantora, que vem acompanhando cada fase do projeto. “É um processo longo, lindo e cheio de aprendizado, quis acompanhar tudo de perto e pra mim foi maravilhoso”, diz ela que, nesta entrevista concedida ao Holofote Virtual, conta mais detalhes sobre seu momento profissional.

Ela é uma grata surpresa no cenário musical paraense. Em direção a projeção nacional de seu trabalho, Aíla Magalhães encontrou, este ano de 2011, espaço, reconhecimento e não brincou em serviço. Aos 23 anos, ganhou respeito e admiração de profissionais daqui e de outros estados. “Acho que o disco vai ter repercussão... Belém e o Pará são realmente o próximo point musical do Brasil”.

A opinião é de Felipe Abreu, que conheceu Aíla pela internet e topou fazer a direção vocal do CD. É professor de canto popular e já fez a direção/preparação vocal em cerca de 40 CDs e DVDs no Brasil e na Itália. O depoimento completo está disponibilizado no youtube, em registro feito durante as gravações do CD, cujo making of também foi disparado para o público internauta.

Somando a isso, a divulgação de algumas faixas pelas rádios ou internet (ouça algumas músicas no Preview do CD lançado em aplicativo exclusivo para Facebook) vem ampliando um público de fãs que Aíla talvez ainda não saiba que tenha, mas que aos poucos vai encontrando pelos shows que tem feito em Belém, Macapá, Recife e em outro estados para onde ela já tem levado uma pequena mostra do que será o show de lançamento do Trelêlê.

“Estive em Macapá, no Festival Quebramar, onde fiquei bastante surpresa e feliz com a recepção do público, e conheci várias pessoas que já acompanham o trabalho e estão na espera no disco”, diz a cantora. Além de Belém, Aíla promete difundir o CD em outras cidades e estados do país. O projeto de circulação de um show que acaba de ser aprovado pela Lei Semear, vai levá-la a Santarém, Macapá e a pelo menos seis estados, incluindo Salvador, Recife e São Paulo. Leia a seguir a entrevista completa.

(Foto de Renato Reis)
Holofote Virtual: Como tem sido a produção deste CD. Muito trabalho? 

Aíla Magalhães: Desde o início do ano, estive imersa neste projeto de produção do CD. 

Acompanhando de perto todas as fases de pré, produção e pós: elaboração do projeto, captação, seleção de repertório, idealização dos arranjos, gravação, preparação vocal, mixagem, masterização, e tantas outras etapas... Quis acompanhar tudo de perto. É como se fosse o primeiro filho mesmo, sinto que amadureci uns 20 anos em 1 (risos)... 

E enfim ele está pronto, e do jeito que eu sempre quis. Está na fábrica agora em dezembro, chega em janeiro e lanço até março (2012). Esses meses que seguem, a partir de agora, é de ansiedade, na espera de colocar ele na rua e seguir levando o trabalho mundo a fora. 

Holofote Virtual: Como foi trabalhar com o Felpe Abreu? 

Aíla Magalhães: Ah... Trabalhar com o Felipe foi um grande presente! Felipe é professor de canto popular e já fez a direção/preparação vocal em cerca de 40 CDs/DVDs no Brasil e, na Itália. Trabalhou com artistas que eu admiro demais, como Adriana Calcanhotto, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes, Mariana Aydar, entre outros. Além de ter sido professor de canto das duas primeiras edições do programa "Fama", da Rede Globo. 

Eu estava atrás de alguém que pudesse me preparar e dirigir vocalmente neste primeiro trabalho, pesquisei bastante e o achei pela internet. Durante o processo de preparação do disco, precisei ir ao Rio de Janeiro ter aulas com Felipe, e em seguida ele veio me acompanhar em Belém durante as gravações de voz no estúdio. Foram dias de intenso trabalho, e muito proveitosos.

Felipe, além de ser um excelente profissional, é uma grande pessoa. Me sinto muito feliz em tê-lo neste trabalho, foi muito importante pro resultado de todo o processo. Holofote Virtual: Ele disse que o Pará é a bola da vez no cenário da música brasileira. O que você pensa sobre isso? Aíla Magalhães: Estamos em um excelente momento de difusão da música produzida no Pará, e não só da música, do cinema, das artes visuais, da gastronomia... 

Enfim, nos encontramos em um movimento consistente, mesmo que isso seja natural e inconsciente. São vários artistas somando trabalhos e caminhando para um mesmo lado, claro, que com suas individualidades e distinções. Porém, o ponto de partida é o mesmo, o diálogo com a nossa própria cultura, que acaba resultando em reinvenções na música produzida por aqui. 

(Foto de Renato Reis)
Holofote Virtual: Esta pegada de misturar sons tradicionais ao que é mais contemporâneo, como o Felipe Abreu comentou, é a estética sonora que deves seguir em teus próximos trabalhos? 

Aíla Magalhães: A estética do "Trelêlê" foi construída durante esses meus três anos de carreira, e tem influências diretas de tudo que vivi e conheci nesse período. Esse trabalho reflete a vontade de fazer uma música pop com sotaques da Amazônia, que pudesse soar contemporânea e universal ao mesmo tempo. Reúne composições de vários artistas da região norte, que, de certa forma, fizeram parte dessa minha trajetória até aqui, como Dona Onete, Eliakin, Felipe, Alípio Martins, entre outros. 

Falar sobre a estética dos próximos trabalhos é um pouco mais complicado pra mim, pois só consigo pensar no "Trelêlê" hoje, (risos). Acredito que cada novo trabalho seja reflexo de uma nova fase, porém tenho certeza apenas de uma coisa, continuarei fazendo aquilo que me move e que faz sentido pra mim. 

Em relação à tradição da nossa cultura, percebo que ainda tem muita coisa a se redescobrir, tudo isso me instiga muito e me faz querer experimentar cada vez mais nessa direção sim. 

(Foto de Lilian Guimarães)
Holofote Virtual: Já tem data definida e local para o lançamento do CD? 

Aíla Magalhães: Sem local e data exata ainda, mas gostaria muito de fazer em um espaço aberto, ao ar livre. 

Holofote Virtual: Além do teu talento, do trabalho do Felipe (Abreu), reunistes neste trabalho mais dois expoentes desta nova geração de artistas que o Pará vem produzindo, Roberta Carvalho e Felipe Cordeiro. Como flui o diálogo entre vocês? 

Aíla Magalhães: Bem, conheci o Felipe em 2008, através de um amigo em comum, e a empatia foi à primeira vista, desde então passamos a trabalhar juntos. Felipe sempre foi um grande parceiro e um dos principais incentivadores da minha carreira. Durante esses anos de convívio, passamos por muitos momentos importantes juntos, de descobertas, a prêmios em festivais de música, troca de idéias, experiências e amadurecimento profissional. Nosso encontro foi fundamental pro resultado do Trelêlê, o qual Felipe assina a produção musical. 

Já Roberta, conheci um pouco depois, em 2009. Esse encontro foi de extrema importância pro desenrolar deste primeiro trabalho também, pois Roberta compreendia exatamente meus quereres e modo de trabalhar. Iniciamos a parceria, efetivamente, no meu primeiro show solo, em 2010, onde Roberta fez a produção juntamente comigo, e assinou as projeções visuais do cenário multimídia. 

A partir de então, começamos a construir uma relação direta de pensamento no que seria esse trabalho, em termos conceituais mesmo... e procuramos sempre relacionar artes visuais com a música em todos os shows. Desde um projeto gráfico, um vídeo ou ao vídeo-cenário que está sempre se modificando e se desenvolvendo ao longo desse primeiro momento. Nossa afinidade resultou também, em um selo cultural, intitulado "11:11 Arte, Cultura e Projetos", que inclusive é responsável pela produção executiva do Cd "Trelêlê", e que já tem muitos Projetos pro ano de 2012 também. 

(Foto de Renato Reis)
Holofote Virtual: Ei, você foi militante estudantil. Onde essa veia é encontrada no momento atual? 

Aíla Magalhães: Desde que me entendo por gente, já era representante de turma na escola, e isso acabou se prolongando até a Universidade, onde fui Presidente do Centro Acadêmico do meu curso. Sempre lutei por melhorias no ensino, organizando eventos para fomentar ações interessantes no Curso, e defendendo os direitos dos estudantes... Lembro que uma vez, fui até Brasília lutar por direitos estudantis, e consegui respostas positivas até (risos). 

Na verdade, sempre fui muito engajada em tudo que me envolvia, e, com certeza, isso refletiu bastante no meu trabalho como artista hoje. Lembro que no inicio da carreira, me perguntavam se eu tinha algum familiar influente, ou algum "Q.I" no meio musical, e eu respondia que não. Pois diziam que se não fosse dessa forma, as coisas seriam bem mais difíceis... No entanto, segui minha inquietude e minha "teimosia" de querer fazer arte, e hoje estou aqui, estimulando os outros a fazerem arte junto comigo, rs. 

Holofote Virtual: Em que momento vocês estão com os preparativos para o lançamento do CD ano que vem? 

Aíla Magalhães: Bem, agora estamos em processo de finalização do design gráfico do disco, e daqui há alguns dias o CD vai pra prensagem. Mas já iniciei uma mini turnê de pré-lançamento do CD esse semestre. Fiz Show em outubro no Conexão Vivo Belém, depois em novembro, no Festival "Até o Tucupi" (Manaus), em seguida fizemos em São Carlos (SP), no Festival Contato, que teve uma repercussão muito bacana. Mais recentemente estive em Macapá, no Festival Quebramar. 

(Foto de Lílian Guimarães)
Holofote Virtual: E o que mais vem aí em 2012? 

Aíla Magalhães: 2012 será um ano de difusão do trabalho aos quatro cantos do país... Portanto, será um ano dedicado à turnê nacional do CD "Trelêlê". E também dedicado às produções culturais que a "11:11" realizará em Belém, festivais e programações muito legais, aguardem!

(Trelêlê - Lei Semear - Conexão Vivo)

22.12.11

Natal com música e exposição em Belém e Icoaraci

A OSTP em frente ao MAS (Foto: Eunice Pinto/gencia Pará)
Na contagem regressiva para o Natal, segue na cidade várias programações, entre elas, a do projeto Natal com Arte em Toda Parte, que hoje traz mais uma apresentação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, entre outras atrações até amanhã.

O Museu de Arte Sacra preparou uma homenagem especial ao período que marca o nascimento de Jesus. Até o dia 16 de janeiro, os visitantes do museu vão conhecer a exposição “Natividade em Belém”, que exibe uma grande variedade de peças que retratam a infância de Cristo. Fica aberta de terça à sexta-feira, de 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, de 10h às 14h. Entrada franca.

As obras, de maioria portuguesa, fazem parte do acervo do colecionador José Fragoso Reis, que disponibilizou as peças para aproximar ainda mais o público de uma das datas mais celebradas do ano, com imagens sobre Cristo datadas dos séculos XIX e XX. A exposição conta também com oratórios e presépio que rememoram o evento simbólico-religioso. 

Depois de se mostrar em frente ao Museu de Arte Sacra, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz volta a se apresentar, nesta quinta-feira, 22, a partir das 19h, mas desta vez em frente à Igreja de São João e Nossa Senhora das Graças, na Praça da Matriz, em Icoaraci. No repertório, músicas de natal populares e clássicas, e a participação da soprano Patrícia Oliveira. O encerramento do espetáculo será marcado pela apresentação de efeitos especiais e fogos de artifício. 

Na sexta-feira, dia 23, na Estação das Docas, o coral Cordeirinho de Deus se apresenta no Projeto Por do Som - Especial de Natal, na Orla do Armazém 3, a partir das 18h. Aberto ao público, espetáculo “O Verdadeiro Natal Jesus” terá a participação de 30 vozes, com crianças que vivem no abrigo da Creche Casa Lar Cordeirinhos de Deus. 

A creche ampara crianças de até sete anos de idade, proporcionando regime de creche, abrigo e assistência às crianças portadoras de câncer, oriundas do interior do Estado. No programa, músicas que passam mensagens do nascimento e morte de Jesus. Ao final do espetáculo, o público é convidado a cantar o clássico ‘Noite Feliz’. 

O projeto Natal com Arte em Toda Parte é uma realização do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Cultura, com apoio da OS Pará 2000 em parceria com a Academia Paraense de Música.

21.12.11

Felipe Cordeiro e Sambiose nos parabéns da Black

Lá se vão dois anos depois da 1ª Black Soul Samba, em 2009. O que nasceu com expectativa de acontecer em apenas três edições, cresceu e hoje tem programa de rádio, espaço semanal na noite e em 2012 dará fruto a dois novos projetos, o “Festival Black Soul Samba” e a “Black Social”.  Para comemorar, a noite de aniversário, nesta sexta, 23, vai ser bem animada. Contará com dois shows e a participação do DJ Allex Roots.

O 2º aniversário da Black também terá cenário especial com a presença de feira mix onde estarão à venda artefatos artesanais, discos, vinis, livros, lanche vegetariano, e artigos da Madame Bijou. No palco haverá ainda a projeção de um vídeo especial de aniversário, produzido pela equipe da “Traumas Vídeos”, uma das parceiras da BSS.  Tudo colorido com o movimento de malabares, e pinturas especiais na decoração.

Em nova fase, o coletivo se despede de 2011 com bolo, feira mix, discotecagens, exposição fotográfica, malabares, samba rock e as melhores expectativas para o ano novo. Quem freqüenta as festas do coletivo Black Soul Samba, sabe que os eventos musicais não se limitam ao entretenimento. Com cinco DJs em duas pistas, os sets são aulas da história da música negra brasileira (e mundial), indo do samba ao baião, do carimbó a soul music, da tropicália ao rap. 

Além disso, a BSS também se tornou referência para importantes grupos e artistas locais, apresentando inclusive atrações de fora do Pará, como a paulista Andréa Dias, o cearense Rapadura Xique Chico, e o trabalho do paraense radicado em São Paulo Saulo Duarte e a Unidade; além de ser grande impulsionadora de tributos, dentre os quais à Clara Nunes (com Gigi Furtado), Tim Maia (com Roguesi), Chico Science (com Cocota de Ortega) e Luiz Melodia (com Rande Frank). 

Aos poucos, o coletivo se tornou referência para a cultura de Belém ao priorizar o melhor da produção paraense, levando ao palco grupos musicais autorais, som de qualidade e novidades da música negra. Não à toa, o Coletivo já apresentou grupos de cultura regional como o Mundé Qultural, e importantes expoentes da música local como Coletivo Rádio Cipó, Metaleiras da Amazônia e Bruno B.O. Uma marca concreta do cuidado da Black em mostrar a mais fina roupagem da música, cativando o público e mantendo o foco na história musical. 

História - O nome “Black Soul Samba” foi trazido de Manaus pelo DJ Homero da Cuíca, que realizou a primeira BSS na capital do Amazonas, antes das festas de Belém. De acordo com Uirá Seidl, um dos produtores e DJ da BSS, era a peça que faltava para dar vida ao coletivo. 

“O nome nos deu inclusive o insight para a festa sair um pouco daquele padrão comumente associado as festas de black music, onde focam quase exclusivamente no hip hop e o funk. Tivemos então a convicção que deveríamos ampliar o escopo da sonoridade do evento, e estender o termo ‘black music’ para o que de fato é : ‘música negra’. Samba, reggae, afrobeat, muitos estilos, inclusive o blues, são frutos diretos da cultura negra.  Os reflexos dessa cultura na música brasileira são indizíveis, e é indissociavelmente ligada a África. Até o tropicalismo não existiria, se não fosse a cultura africana”, acredita o DJ e produtor. 

Após concretizar seu espaço nas noites de sexta-feira, a Black Soul Samba, ampliou sua capacidade de divulgação da música negra, e hoje apresenta um programa semanal, com duas horas de duração, na Rádio Unama FM. O pacote de extensão segue para 2012 realizandodois importantes projetos: o primeiro “Festival Black Soul Samba”, e a “Black Social”, ambos aprovados nas Leis de Incentivo à Cultura, Semear e Tó Teixeira, respectivamente, e que já se encontram em fase de captação. Toda essa movimentação revela a importância de valorização da música negra, mostrando que há uma enorme parcela cultural com necessidade de entender e se apropriar dessa musicalidade.

Atrações - Ele foi considerado pela crítica especializada da revista “Bravo!” como “um dos principais renovadores da música pop brasileira”. Felipe Cordeiro, e seu álbum “Kitsch Pop Cult”, está cotado pra ser um dos mais interessantes desta década. 

Cantor, compositor e instrumentista, a sonoridade do músico é permeada por ritmos amazônicos que vão da lambada ao carimbó, da guitarrada ao atualíssimo tecnomelody. Sons embalados com a ironia do brega e do pop retrô revisitados, numa confluência feliz e anárquica de referências a que o artista batiza de “pró- Kitsch”, levando pra pista até mesmo quem não sabe dançar. 

Já com a banda Sambiose, como o nome diz, o samba é princípio mor deste grupo que tem Argentino Neto no teclado, Francídio Abbate no contrabaixo, Caio Romano na guitarra, Léo Barata na percussão, Fernando Leite na bateria, e Breno Sales no vocal. Juntos eles misturam jazz, rock, funk, soul, rocksteady, hardcore e bossa-nova ao samba que traz influência de Cartola, Trio Mocotó, Nina Simone e Paulinho da Viola. 

E tem o tradicional DJ regueiro Alex Roots, que também leva suas vibrações positivas neste 2º ano da Black. Ou seja, são todas as vertentes e cores da black music numa noite de celebração e despedida de 2011. Depois deste 23 de dezembro, as festas retornam apenas em fevereiro de 2012, assim quem quiser conferir o melhor da música negra não pode deixar de comparecer para cantar parabéns, dançar e celebrar o Ano 2 da Black Soul Samba. 

Serviço
 Os dois anos da Black Soul Samba. Com Felipe Cordeiro, Sambiose e DJ Alex Roots. Nesta sexta, 23, a partir das 21h, no Bar Palafita - Rua Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas, na Cidade Velha. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 para os 50 primeiros convidados. Mais Informações: (91) 8413 0861 / blacksoulsamba@yahoo.com.br.

(Com informações da Assessoria de Imprensa: Dani Franco - 91 8190 8270 )

19.12.11

Lu Guedes encerra turnê do EletrOrquestra

O show será em Belém, no Anfiteatro da Estação das Docas, a partir das 20h desta quinta-feira, 22. O ingresso será trocado por brinquedos novos ou usados que serão entregues, neste Natal, às crianças da comunidade da Ilha do Combu, uma das fontes de inspiração para este trabalho de Lu. A cantora, em boa fase, se prepara para em 2012, ampliar a carreira do EletrOquestra e iniciar novos trabalhos. Leia mais no texto de Caco Ishak.

“Depois do álbum pronto, o caminho é árduo. Difundi-lo, ainda hoje, é complicado. Fazer com que chegue às pessoas e que elas absorvam o trabalho em meio a milhares de informações e novidades a cada instante.

Não me considero uma artista que alcançará uma massa de gente [se rolar, ótimo], mas fico muito feliz quando alguém valoriza minhas músicas, compartilha em seu blog, como a Monique Malcher, que escutou o disco curtindo uma chuvinha. Ou mesmo no carro, indo pra casa. Outro dia, fiquei sabendo que, através da música ‘Onde moro’, uma moça se emocionou e foi tomar banho de igarapé no fim de semana. O processo de criação e produção foi lento, o alcance às pessoas também, mas a intensidade desse alcance é que interessa”. 

Quem conta, canta e encanta é a compositora paraense Lu Guedes, que vem a público convidar meninos e meninas, jovens e idosos, enamorados e cotovelos doídos, a compartilhar da sinergia certamente proporcionada pelo show de encerramento da turnê 2011 de lançamento de seu álbum, EletrOrquestra, no palco do Anfiteatro da Estação das Docas, dia 22 de dezembro, às 20h. 

Patrocinado pela Petrobras, através da Lei Rouanet, e com participação especialíssima do músico paulista Curumin na bateria da faixa de maior destaque, “Onde Moro”, o álbum [lento e denso, que conta ainda com duas letras assinadas pelo poeta João de Jesus Paes Loureiro] foi mixado pelo americano Victor Rice, que já trabalhou com nomes tarimbados como The Slackers, Scofflaws e New York Ska-Jazz Ensemble, além de ter co-produzido os discos tributo Dub Side Of The Moon [Pink Floyd], Radiodread [Radiohead] e Easy Star's Lonely Dub Band [Beatles], do grupo Easy Star All-Stars. 

Três grandes trabalhos de Rice, aliás, em 2011: “Toque Dela” e “Pitanga”, do casal Marcelo Camelo e Mallu Magalhães [respectivamente], fazem trio com “EletrOrquestra” no portfólio do produtor. Foram três meses de mixagem. Ele lá [São Paulo], ela aqui, produzindo tudo com ajuda de Adelbert Carneiro e arranjo de cordas do maestro Luiz Pardal. 

Depois, manda para Nova Iorque, ser masterizado por James Cruz, e, enfim, pronto. O resultado? Como bem descreveu o jornalista Ismael Machado: “Dubs praieiros, canções serenas, orvalhadas [...] batuques e cirandas namoram grooves e loops”. Para ficar nas palavras da própria artista, “um encontro com imagens cantadas nossas, hábitos nossos, que dialogam com sonoridades daqui e do mundo”. Especialidade de Lu, diga-se, que já havia desenvolvido pesquisa em terreiros de Mina Nagô, em Belém, na composição de seu primeiro disco, “Estrela D’água”. 

2012 vem aí - Depois de EletrOrquestra, Lu Guedes promete uma nova parceria com Rice. Como de praxe na carreira da artista, porém, o trabalho será feito sem pressa alguma, com todo carinho: “O processo do EletrOrquestra foi lento, já pensava no formato quando estava finalizando o meu primeiro álbum, Estrela d' água. Como agora, finalizando o EletrOrquestra, já penso no próximo. Leva tempo até chegar no estúdio, com possibilidades efetivas de se realizar algo”, conta Lu. Sem pressa, mas a caminho. As pesquisas serão iniciadas no início de 2012, pelo interior do estado. 

Lu quer passar um mês em cada município percorrido, observando, assimilando a cultura local, municiando-se para novas composições. Atenção, baionenses: a primeira cidade visitada será Baião, no oeste do Pará. O percurso todo será registrado fotograficamente pela própria Lu, outra paixão paralela à música, para servir de elementos para o projeto gráfico do novo disco e uma exposição. E as boas novas não param por aí. 

Após se apresentar no Rio e em São Paulo, circulação patrocinada pela Petrobras, Lu Guedes se prepara para uma nova incursão nacional, mais abrangente. Bruno Lancellotti [Radiola Records | SP] será o responsável pela produção da turnê, que deverá percorrer os palcos do Sesc, também em 2012.

A falta de pressa de Lu, por sinal, parece não se dever a outro motivo senão a profusão de boas idéias e, consequentemente, bons projetos em que está envolvida. Já nas primeiras conversas, Lu se prepara com o garoto prodígio das guitarradas Pio Lobato e Adamor do Bandolim para a pré-produção de um programa especial, cuja proposta seria uma mistura de linguagens, unindo sonoridades para transformá-las em um novo som. O encontro resultará ainda em um curta documental, dirigido por outro importante nome da novíssima música paraense, Felipe Cordeiro.

Pois bem. O fruto dessa busca translucidamente transloucada poderá ser sorvido em goles homeopáticos no dia 22 de dezembro, uma quinta-feira de lua nova, a partir das 20h, no Anfiteatro da Estação das Docas. O ingresso vale um brinquedo novo ou usado, que será doado para uma criança da Ilha do Combú. Ou seja: quanto mais ingressos trocados, mais crianças felizes nesse Natal. Aqui, a eletricidade é à lenha. Vale mais o calor humano. 

18.12.11

"Extremos" revela à Europa um Brasil diverso

Obra de Luiz Braga, que integra a mostra
A exposição “Extremos”, inaugurada em outubro em Bruxelas, tem revelado um Brasil de múltiplas caras, cores e formas: que é indígena, mostrando um Yanomami em êxtase ritualístico em foto até então inédita de Claudia Andujar, e ao mesmo tempo industrial, como se revela na imagem aérea de Cássio Vasconcelos com dezenas de automóveis perfilados em uma montadora. A mostra faz parte da 23ª Bienal Europalia, um dos mais famosos eventos de arte e cultura da Europa e do mundo. 

Dentro da maior exposição de arte brasileira realizada fora do país nas últimas décadas, a fotografia contemporânea brasileira, curada por Guy Veloso e Rosely Nakagawa, tem espaço privilegiado: três galerias no Centro de Belas Artes, o BOZAR, na capital belga, museu onde se concentram as principais exposições do Europalia. 

São retratos, instantâneos e fotopinturas que exploram esse Brasil desconhecido por parte dos europeus; fugindo do estereótipo do país de belezas tropicais e festas exuberantes, mas que é como seu povo, singular, simples, cheio de contrastes, contraditório, apaixonante.

Tudo isso em uma seleção laboriosamente estudada de imagens de Abdenor Gondim, Anderson Schneider, André Cypriano, Andre Vieira, Carlos Moreira, Cássio Vasconcellos, Claudia Andujar, Cristiano Mascaro, Gustavo Lacerda, José Bassit, Mestre Julio Santos, Luiz Braga, Maureen Bisilliat, Paula Sampaio, Pedro Lobo, Ricardo Labastier, Thomaz Farkas, Tiago Santana e Walter Firmo. 

Serviço
A mostra “Extremos” fica em exibição até 15 de janeiro de 2012 no Museu BOZAR em Bruxelas e é dedicada a Thomaz Farkas, falecido no inicio de 2011. Twitter: @europalia | Sites: www.europalia.be e www.bozar.be

17.12.11

“As Toadas de Papel do Boi Rulieu” estreia no IAP

Rulieu é o boi mais querido da fazenda
Capaz de emocionar diferentes gerações, o teatro de formas animadas se une à magia da brincadeira do boi bumbá e à essência natalina para se transformar em um auto especial que será apresentado ao público neste sábado, 17,  às 21h, no IAP. Entrada franca.

A matéria prima é o papel. É dele que nasce a criação de objetos e personagens expressivos para a cena do teatro de animação. O espetáculo “Todas de Papel do Boi Rulieu” é resultado do projeto de pesquisa “Olhos de Papel de Seda”, coordenado por Aline Chavez, a partir da Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística – 2011 do Instituto de Artes do Pará. 

Ao ver tudo já em cena, o público talvez não dimensione, mas o esforço de vários meses de processo e a exigência técnica dessa equipe, que foi incansável, estarão impressos em tudo que passar em frente aos seus olhos e pelas mãos dos atores manipuladores que, personificando Griôs, velhos sábios da cultura popular, darão vida aos bonecos.

Aline divide a direção com David Matos (que também assina cenografia com ela e está na encenação) e com Ruthiel Felipe (também direção musical e partitura corporal), e teve como consultores, nada menos que Aníbal Pacha, do In Bust Teatro com Bonecos, e de Ronaldo Silva, fundador do Boi Pavulagem, cada um, mestre em seu ofício, sem falar da equipe de atelier, fundamental para o resultado que será mostrado agora.

David Matos está em cena com o elenco estreante
No elenco estão não atores, jovens mais ligados ao universo musical, que estreiam hoje no teatro de formas animadas. A ficha técnica é enorme e ainda há uma extensa lista de agradecimentos e apoios.  

Aline, que já trabalha por mais de 10 anos com teatro, descobriu que sua atuação é por trás e não em frente às cortinas.

“A lembrança de aproximação mais específica foi numa oficina de Edgar Castro, no Teatro da Paz em 97. Depois disso fui descobrindo outros caminhos, um deles o Curso de Formação de Atores da ETDUFPa, no qual me formei em 2001”, explica. 

Ela conta que apesar ter entrado no curso com a ideia de se tornar atriz, logo no início da carreira, seus caminhos já apontavam para um outro lado. “Já no espetáculo final do curso ‘As Noivas de Nelson’, fiz uma assistência de cenografia para Anibal Pacha e foi a partir deste momento que compreendi que a minha função no teatro seria de alguém que fizesse parte da magia que existe por trás dos bastidores, ou seja, na criação de tudo”, afirma. 

Para Aline, o encontro com Aníbal Pacha foi determinante para ela, que teve oportunidade de exercitar a criação de bonecos e cenários para o Catalendas, junto com Pacha. “Foi o marco na minha decisão em trilhar este caminho do teatro de formas animadas, especificamente no ofício de bonequeiro”, finaliza. 

Na entrevista que segue, Aline Chavez fala mais sobre o processo de criação e pesquisa com a bolsa do IAP e sobre o espetáculo que estreia logo mais, às 21h. 

Aline, no atelier
Holofote Virtual: O que você antecipa sobre o espetáculo que é fruto de uma pesquisa? 

Aline Chavez: O resultado de uma pesquisa, por todas as fases que se passa, por todas as descobertas que podem ser feitas, dificilmente deixa a sensação de algo acabado. 

Principalmente quando se requer de um pesquisador uma atitude administrativa paralelamente a todo o processo artístico. Uma pesquisa, uma experimentação não tem um resultado exato, previsível, uma verdade absoluta. Uma prestação de contas tem que ter. 

E o procedimento específico para se chegar a isso é muito, muito trabalhoso, mais até que a experimentação artística. Enfim, neste sentido foi muito complicado para nós, principalmente por ser a nossa primeira incursão no Concurso de Bolsas. 

Holofote Virtual: Que caminhos foram percorridos para se chegar a esta montagem? 

Aline Chavez: Tivemos vários princípios, como montar o Auto Popular, de Bruno de Menezes, pontuado de “estações” como numa encenação tradicional da Paixão de Cristo. Mas no final, optamos por manter os personagens principais da comédia do boi dentro de uma trajetória de auto de natal. 

Holofote Virtual: A pesquisa do papel para a construção dos bonecos foi fundamental. O que você usou?

Boneco indígena
Aline Chavez: No processo de construção dos bonecos, o papel foi experimentado na sua diversidade de tipos e texturas como o papeis artesanal (curauá), papel crepon, papel de seda, papeis de enfeites de aniversário, papeis de caixas de sapato, papeis de out-door, jornal – apontando para um desdobramento de pesquisa com o reaproveitamento.

Nesse trabalho o papel é cor, é volume, é sombra; tanto que não há utilização de qualquer tipo de tinta ou pigmentação posterior, que não seja o do próprio papel. A concepção dos tipos que deram traços aos personagens, foram encontrados no Guamá, em São Caetano de Odivelas, pessoas entrevistadas que foram servindo de fonte de inspiração para a criação dos bonecos. 

Holofote Virtual: O que resulta do contato que vocês tiveram com as crianças que brincam nos bois Malhadinho e Faceiro?

Aline Chavez: Com as crianças a principal fonte veio do olhar sobre o cortejo do Boi Faceiro em São Caetano. Uma cena especial é a de quando o boi descansa. Ele é colocado no chão e as crianças sobem no boi, abraçam e fazem carinho nele até que os “pernas” voltam e o cortejo segue em frente. Isso se tornou o momento da ressurreição do boi dentro da dramaturgia do espetáculo. 

O professor e escritor José Ildone Favacho Soeiro diz uma coisa maravilhosa: “Ao falar suas falas regionais, dançar suas danças típicas, alimentar-se, vestir-se, gesticular, plantar e colher, cantar idosas ladainhas, contar espantosas estórias, aplicar seus remédios, reviver as lendas – e mais, muito mais – o Homem, atado à terra-berço e aos seus conterrâneos, está se alimentando de seu próprio sangue (o Folclore) e mantendo uma substância que a moderna parafernália não vai destruir facilmente.”

Nosso propósito é fazer parte disso, possibilitando novos espaços, novas formas de visibilidade para este patrimônio. A poética disso está na abordagem que só o teatro de formas animadas pode proporcionar, com toda a sua magia, trazendo de melhor o que ainda temos na nossa memória. Uma memória de muitos sorrisos e muitos abraços sinceros, infantis, colhidos durante este processo.

A tribo ajuda nas buscas de Rulieu
Holofote Virtual: Como foi trabalhar com este elenco que está estreando no teatro de formas animadas? 

Aline Chavez: Nessa experimentação com um elenco de não atores, julgamos ter encontrado no processo um dos desdobramentos mais significativos: a dificuldade de brincar, um brincar espontâneo, genuíno. Uma das probabilidades desta dificuldade pode estar ligada a diminuição dos antigos espaços de brincar, seja dentro das escolas, apartamentos, praças públicas – que poderia justificar a aproximação cada vez maior entre tecnologia e lazer. 

Mas isso é um desdobramento para mais adiante. Por hora, cada um trouxe o que melhor tem de si dentro da proximidade com a linguagem artística, ou seja: uma contribuição bem mais voltada para a área musical – três integrantes do elenco pertencem ao Grupo Casa de Folha. 

O elenco, dentro desta pesquisa conduzida de forma participativa, nos instigou a pesquisar e incluir as antigas cantigas de roda e parlendas infantis. É uma geração que não traz mais esta memória, é a geração audiovisual dos games, do You Tube, Twiter, e Facebook. 

Esperamos que até o derradeiro momento todos possamos compreender que o representar neste processo é igual a brincar livremente como se estivéssemos num cortejo junino.

Catirina diz a Chico que deseja a língua de Rulieu
Holofote Virtual: Foram meses de trabalho e aproximação entre todos que fizeram este espetáculo. O que fica de amoroso e de prático dessa vivência? 

Aline Chavez: As parcerias encontradas nas pessoas como o Rondi Palha (Faceiro), Sandreane Arrais, Prof. Gláucio, Ronaldo Silva, Anibal Pacha, Carol Abreu, Ruthiel Felipe, André Butter pódem ser citadas até mais que parcerias, foram verdadeiros encontros e em alguns casos reencontros. É a prova de um trabalho em comunhão, em torno de um compromisso com a arte. Não arte pra si mesmo, mas arte que transcende, que pode apontar caminhos para outros. 

Holofote Virtual: A trilha sonora é um dos pontos altos do espetáculo. O que vocês estão trazendo? 

Aline Chavez: Temos cantigas como “Boi da Cara Preta”, musicamos parlendas encontradas no processo de pesquisa e algumas trovas que foram sendo compostas dentro das necessidades impostas pela dramaturgia, ou seja, de autoria de David Matos. 

Vaqueiros, personagens da narrativa do boi bumbá
Holofote Virtual: O futuro de Rulieu... 

Aline Chavez: O principal compromisso é com o IAP. A agenda para o ano que vem ainda tem algumas apresentações para o Instituto, mas é certo que o projeto vai procurar meios e recursos para uma circulação tanto estadual quanto interestadual. O que se quer é dialogar com outros espaços e grupos o que se construiu nesta experiência.

16.12.11

Noite dedicada ao bom e velho rock and roll

A banda de rock experimental "Projeto Secreto Macacos" e a banda estreante "A válvula" prometem shows repletos de peso e atitude. Os show acontecem neste sábado, 17, a partir das 21h, no Espaço Cultural Fuxico.

Nos tempos em que bons solos de guitarra, distorção e atitude parecem estar fora de moda e o trabalhoso e quase fetichista apego ao modo analógico de se fazer música é praticamente uma frente de resistência às mordomias e novidades digitais, o Válvula estampa em seu nome uma referência direta à distorção à moda antiga, gerada nos amplificadores mais clássicos que compõem todo o imaginário e a história do Rock. 

O quinteto, formado por Lucas Pinto, Luis Sick, Lucas Van Halen, Pablo Cavalcante e Lentos Bacelar, é experiente e conta com integrantes que passaram por bandas importantes como Kisen, Aerolito, Bizzozzeros, Step2, IZA e até a Delinquentes, referência nacional do rock feito na Amazônia há mais de 25 anos.

Sobre o som, grupo aponta como influência Van Halen, Black Stone Cherry, Velvet Revolver, Hellacopters, entre outras. “Um hard rock ‘moderno’ – e quando uso essa palavra é em oposição ao ‘farofa’ do hard rock. Mas, na verdade, é só Rock’n Roll mesmo”, define Lucas Pinto, guitarrista. 

Atualmente o Válvula grava seu primeiro trabalho com o produtor Ivan Jangoux, e a meta é lançar no início de 2012. Além disto, videoclipes e planos de circulação no eixo norte/nordeste já estão na agenda da banda. 

Projeto Secreto Macacos - Liderada por Jacob Franco (guitarrista e vocalista), a banda mistura influências tanto no rock and roll, que vão do hard rock setentista, passando pelo rock progressivo e pelo Heavy Industrial, de bandas como King Crimson e Ministry, além de influências eruditas, como os compositores de vanguarda John Zorn e John Cage. 

A noite será completada pela dupla de dj´s: 2 MaDogs, Uirá Seidl e Kauê Almeida, também integrantes da Black Soul Samba. Neste projeto, a dupla quer mostrar que "os blacks também rockam", diz Uirá Seidl.

"A idéia é resgatar diversos grupos do rock and roll dos anos 60 até os dias atuais, além de grupos consagrados, queremos mostrar ao público de diversas bandas de outros países não tão claramente associados ao rock and roll, tem muita banda na Suécia, Argentina, Irlanda, que não chega ao grande público, e com a mesma qualidade que as bandas inglesas e norte americanas. Grupos como Taste, Aeroblus e Asoka, precisam ser conhecidas pela galera do rock and roll, por exemplo", finaliza o Dj.

Serviço
Os ingressos custam R$ 10, até 23 h, após, é R$ 15. A Válvula + Projeto Secreto Macacos e DJ´S 2 MaDogs - Espaço Cultural Fuxico (Rui Barbosa, 1861, entre Conselheiro e Mundurucus).

Móveis Coloniais de Aracaju faz show em Belém

A big band de Brasília traz mais uma vez a Belém seu ska-pop-balkan-rock dentro do projeto Rotas Musicais, patrocinado pela Petrobrás. O show será no Hotel Gold Mar, logo mais, com abertura de Maquine e The Baudelaires. A co-produção é da Se Rasgum

Quem já esteve em um show dos Móveis Coloniais de Acaju sabe que é um dos shows mais divertidos e interessantes dessa nova turma da música brasileira. A banda, que traz em sua formação metais, um vocalista carismáticos e arranjos que passeiam por diversas culturas e se encontra nas letras divertidas e irônicas promove uma grande festa com o público. 

E essa festa passa por Belém no projeto Rotas Musicais, da Petrobras, que traz o Móveis Coloniais de Acaju para o Hotel Gold Mar no dia 16 de dezembro, em uma parceria com a Se Rasgum Produções. A festa ainda terá shows de abertura das bandas locais The Baudelaires e Maquine. 

O projeto Rotas Musicais levou o show dos Móveis Coloniais de Acaju a 12 capitas brasileiras e presenteia mais uma vez os fãs com o show novo do recém lançado DVD. "Ao Vivo No Auditório Ibirapuera" traz músicas de seus dois álbuns, que incluem as explosivas “Seria o rolex”, “Perca peso”, “Copacabana”, “O tempo” e a baladaça “Adeus”. 

Os shows de abertura ficam com as bandas locais The Baudelaires e Maquine, uma das grandes revelações das Seletivas e do 6º Festival Se Rasgum.

O quarteto The Baudelaires desenvolve um trabalho em cima do estilo “powerpop”, com letras em inglês, vocais dobrados e guitarras ácidas com influências de grupos como Teenage Fanclub, Fountains of Wayne, Big Star e Badfinger. Já o Maquine traz uma sonoridade totalmente voltada para a música brasileira, utilizando elementos da música regional e pitadas de sons nordestinos. 

Serviço
Rotas Musicas: Móveis Coloniais de Acaju (DF). Abertura: Maquine e The Baudelaires. A partir das 22h, no Hotel Gold Mar (Hotel Goldmar, Rua Professor Nélson Ribeiro, 13). Ingressos: R$ 25,00 na hora e R$ 20,00 promocional (antecipado ou com a doação de 1kg de alimento não perecível na hora do evento), na Loja Ná Figueredo (Travessa Gentil Bittencourt, 449). Produção: Móveis Coloniais de Acaju Co-produção: Se Rasgum Apoio: SESC - Mesa Brasil Patrocínio: Petrobras Realização: Ministério da Cultura / Governo Federal.

Projeto Charmoso vai de Black mais uma vez

Projeto Charmoso
Eles se uniram pela paixão pela música e garantem um show “feito para amar”. Nana Reis e o DJ Pro efX mostram beleza e eletricidade no “Projeto Charmoso”, que volta à Black Soul Samba desta sexta, 16, antecedendo as comemorações de dois anos do coletivo Black. 

Salsa, sambas, cantigas. Tambores conectados à sintetizadores. Tudo formatado por uma das mais belas vozes da nova geração de cantoras paraenses. Assim é o Projeto Charmoso, que juntou modernidade e delicadeza dentro das roupagens da música contemporânea. 

Concebido pelo produtor Pro Efx para a voz de Nana Reis, o projeto Charmoso é uma mistura de música eletrônica, música popular e batuques. Com repertório que agrada tantos os amantes do samba, quanto os seguidores da e-music , o show promete uma noite cheia de charme ao som dos metais e percussão que compõe o projeto.

“Desta vez vamos levar a banda completa e apresentar todas as músicas do disco, incluindo as que ficaram de fora”, adianta Nana. O primeiro disco do Projeto Charmoso, com título homônimo, terá 10 faixas. No show a cantora garante que serão “pelo menos 20”, dentre elas as já conhecidas “O charmoso” e “A flor”, além de “Menina Mulher” que entrou esta semana no circuito radiofônico. 

Para compor a empreitada, foram escalados os músicos Xaréu Jr. no trompete, Rafael Jr. no trombone, Alexandre Pinheiro sax, Douglas Dias e J.P. na percussão, e Henrique Calico na guitarra, garantindo o suingue e astral da festa. 

Pro efeX e Nana - Paraense com voz de mulher e jeito brejeiro de menina. Nana Reis é a grande cantora do projeto Charmoso, que dá jus ao nome, colocando um sabor doce e apimentado na música brasileira. 

Já Pro efX, se tornou um dos principais DJs produtores do país, ao imprimir sua marca em botões e samplers, com um tempero que, segundo ele, “leva aos mais inesperados caminhos estereofônicos”. Ambos são a base e alma do Projeto Charmoso, que nesta sexta conta ainda com seu time de DJs residentes: Uirá Seidl, Kauê Almeida, Eddie Pereira, Fernando Wanzeler e Homero da Cuíca, que em cada set prestarão homenagem especial ao rei do baião, Luiz Gonzaga, que completaria nova idade em 13 de dezembro, o Dia do Forró!

Serviço Projeto Charmoso na Black Soul Samba desta sexta-feira, 16 de dezembro. A partir das 21h. Ingressos promocionais à R$ 5,00 para os cinqüenta primeiros convidados, depois R$ 10,00 a noite toda. No Palafita da Cidade Velha, ao lado do Píer das 11 Janelas. (Texto de Dani Frabci – da assessoria de imprensa da Black Soul Samba - (91) 8190 8270 / 8889 3639)

Celebração no show "Antônimo e O Nome da Coisa"

De volta a Belém, esta semana, depois de dois anos de ausência initerrupta, o músico Antonio Novaes mostra ao público paraense a fusão de dois projetos que foram criados em São Paulo e na Europa. “Antônimo e O Nome da Coisa”, mais do que isso, será para ele uma celebração, pois vai reunir antigos e novos parceiros no mesmo palco. As cantoras Ana Clara, Gláfira Lôbo, Aíla Magalhães e Juliana Sinimbú e os músicos Patrick Florêncio (baixo) e Artur Kunz (bateria) estão confirmados. Além deles, o show ainda conta com participações especiais das guitarras de Renato Torres e Tom Salazar Cano. O show começa às 20h, no Teatro Cuíra.

O convencional nunca foi o forte de Antonio Novaes. Ainda bem. Depois de fundar a célebre banda A Euterpia  no apagar das luzes dos anos 90, surpreendendo a cena musical independente da época, ele se dedicou ao violão erudito e tocou na Orquestra de Violões do Conservatório Souza Lima, na capital paulista, onde também criou o projeto “Antônimo”, utilizando o teclado em estilo “retrô”. 

Depois, ele foi para os Estados Unidos e estudou jazz. Mas não se radicou por lá. Na Itália, onde mora atualmente, ele trabalha com teatro e musicoterapia, e desenvolve o projeto “O Nome da Coisa”, junto à cantora, também paraense, Ana Clara, e em parceria com instrumentistas italianos.

Sempre envolvido com a música, uma filosofia de vida para ele, Novaes quando esteve em São Paulo trabalhou no projeto “Musicando”, no Centro Cultural Banco do Brasil e em fevereiro, de volta à Milão, ele irá realizar um laboratório de educação musical, em um Centro Cultural da Província de Santo Stefano Ticino. O trabalho terá um viés Psicoeducativo, com a participação da psicóloga chilena Lilliete Meniconi, que também vive em Milão. 

Projeto Antônimo, em SP
“Para mim, a música é um caminho para ser um ser humano melhor. É profissão paixão, chega a ser até religião”, diz ele que abaixo fala mais de suas experiências fora do país, do show que será apresentado esta noite e dos projetos para o futuro.  

Holofote Virtual: O que representou pra você, sair de Belém para trabalhar e estudar música?

Antonio Novaes: Foi uma experiência muito enriquecedora, acho que sempre que a gente sai de uma zona de conforto tem-se a oportunidade de autoconhecimento. Sair do nosso país, na minha opinião, pode fazer a gente entendê-lo melhor. Mas acho que isso é uma questão de escolha e de oportunidade, qualquer lugar pode ser um grande lugar pra gente crescer, ser feliz”. 

Holofote Virtual: A sonoridade amazônica te influência? 

Antonio Novaes:  Sim, claro que me influencia, mas não sou um típico compositor da Amazônia, sou totalmente contaminado por todo o tipo de influência que me cerca, e não coloco aqui essa palavra "contaminado" como pejorativa, talvez só como uma forma de acentuar a não pureza quanto a essas referências na minha produção. No entanto, adoro, sou grande apreciador de muito do que se faz aqui, Mestre das Guitarradas, Metaleiros da Amazônia, Carimbó, Retumbão, Marabaixo e por aí vai... 

Holofote Virtual: São Paulo é um mercado aberto às experimentações? 

Antonio Novaes: Tendo já andado em algumas cidades fora do Brasil, e certamente isso não é uma novidade pra ninguém, São Paulo vai muito além de algumas cidades européias, apesar de algumas dessas cidades estrangeiras possuírem uma infraestrutura, digamos que, um pouco superior, em termos de agitação cultural, São Paulo não deixa nada a desejar. Lá eu comecei a trabalhar com teatro de narração e fiz também trilha pra uma peça chamada "Silêncio" com direção de Fabiana Monsalú. 

Novaes e Ana Clara com os músicos parceiros de Milão
Holofote Virtual: Como foram as experiências profissionais nos EUA e agora em Milão? 

Antonio Novaes: Nos EUA, em São Francisco onde fiquei um tempo, tive a honra de estudar um pouco de Jazz com Dee Spencer, uma pianista, arranjadora, cantora, professora e um ser humano de uma generosidade incrível. Também estudei um pouco de composição com Hafez Modirzadeh, um grande mestre, que busca uma música sem limites criativos, mas com clareza de comunicação, parece maluquice né? Mas é isso mesmo, foi uma experiência incrível. 

Na Itália, em Milão, estudo Teatro e Educação, além de fazer também trilha para uma série de monólogos de um ator de Roma que vive a Milão Giulio Valentine. Nesse projeto uso músicas minhas, algumas delas já com partes traduzidas para o italiano. Então, todo esse percurso certamente tem me proporcionado um crescimento pessoal que de alguma forma reflete na minha parte musical. E acho que de novo, trago uma reafirmação, sem falsa modéstia. Como digo numa canção do projeto Antônimo, somos "pequenininhos", apesar de sermos esse mundo de coisas. 

Holofote Virtual: Como funciona a fusão de “Antônimo” e “Nome da Coisa”, dois projetos criados em lugares e momentos diferentes? 

Antonio Novaes: A ideia desse show é trazer esse momento mais recente com a Ana Clara, junto com o Antônimo que comecei a desenvolver em São Paulo, um ano atrás com Bruno Duarte (Bateria) e Guima Mendonça e Fabio Martinez (Contrabaixo). Revezando entre esses dois baixistas, este projeto contou ainda com Isabela Lages, Sammilz e Marisa Brito nos vocais. O Projeto Antônimo, ainda assim, estava em fase de construção. Posso considerar aquele um momento de reinvenção e redescoberta musical. 

Já "O Nome da Coisa" é resultado do encontro com Ana Clara Matos na Itália, onde estou morando e ela também passou um ano por lá. Nesse encontro começamos a compor e junto com dois músicos italianaos, Andrea Pistorio (contrabaixo) e Carlo Attolini (Bateria), entramos em Studio. 

A Euterpia: saudades daquele abajour... no Brechó do Brega.
Holofote Virtual: A experiência com o grupo A Euterpia serve de embrião para todo este momento de agora? 

Antonio Novaes: Certamente! Eu me tornei músico na Euterpia. Ali que eu percebi uma das coisas que mais dava sentido pra minha vida, a música. A moçada da Euterpia na busca de seus objetivos, todos grandes músicos, pessoas formidáveis. O Tom faz uma participação neste show que será uma celebração de parcerias, em "Marylin", com A. Clara Matos e Raquel Leão.

Holofote Virtual: Você fica em Belém por quanto tempo e o que há de novo para 2012? 

Antonio Novaes: Fico em Belém até depois do natal, depois ainda passo umas duas semanas em São Paulo e retorno a Milão, passo ainda esse ano por lá, daí vamos vendo o que acontece. Quero tocar com o Antônimo e com o Nome da Coisa. Estamos fechando umas coisas pela Europa com esses trabalhos. Além é claro das trilhas pra Teatro e de projetos na área educativa. É muito bom voltar pra cá, são quase dois anos sem vir. Adoro esse lugar, minha cidade, aqui tenho família, grandes amigos, isso é insubstituível, mas a gente faz escolhas, mas sempre que puder, estarei por aqui!

14.12.11

Teatro de formas animadas e brincadeiras de boi

Ensaio ontem à tarde
Os princípios do ofício de bonequeiro e a experimentação do teatro de formas animadas são os principais focos do projeto “Olhos de Papel de Seda”, que escolheu como tema as “brincadeiras” do Boi Malhadinho, do Guamá, e do Boi de Máscara, de São Caetano de Odivelas – manifestações folclóricas da cultura popular - e as colocou no espetáculo "Toadas de Papel do Boi Rulieu". A estreia é neste sábado, 17, a partir das 21h, encerrando o ciclo de apresentações do Circuito das Artes, no Instituto de Artes do Pará (IAP). Entrada franca.

Contemplado com a Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação do IAP, a pesquisa teve como matéria prima o olhar das crianças sobre as manifestações populares e consultoria de Ronaldo Silva, do Boi Pavulagem, e Aníbal Pacha, da In Bust Teatro com Bonecos.

“Agrupamos atividades de com desenhos e brincadeiras, onde as crianças pudessem expressar o que sentiam e viam diante de uma manifestação popular. A partir disso identifiquei os tipos de papel a serem usados na construção dos bonecos e vários elementos que estão somando para dar início a construção de um espetáculo”, explica Aline Chaves que coordena o projeto e dirige o espetáculo. 

Aline Chaves conta com a colaboração de David Matos, que assina a dramaturgia do espetáculo e divide com ela a direção. “O mais importante não é representar é brincar, ter compromisso com a brincadeira”, diz David, que está trabalhando junto ao elenco com jogos e brincadeiras. 

Aline Chaves e David escolheram como inspiração, a estética e as imagens do Boi Malhadinho, um boi tradicional, que trabalha basicamente com crianças do bairro do Guamá e o Boi de Máscara Faceiro em sua versão Junior, de São Caetano de Odivelas. 

“Mas como pesquisa e estrutura de dramática estamos fazendo um Bruno de Menezes. É um auto popular misturado a um auto de natal. É a comédia do boi que a gente quer montar, por isso temos Catirina, vaqueiros e índios entre outras personagens originais da brincadeira do boi”, explica David.

Griôs manipulam os bonecos.
“O interesse em somar a experiência de teatro de animação com esta manifestação parte do meu entendimento de a arte na vida de uma criança é tão importante quanto qualquer outra necessidade para viver; como alimentar-se, vestir-se, calçar-se”, reforça Aline. 

Para ela, não somente para crianças, mas para qualquer outro ser humano. “A arte é indispensável no cotidiano e todos, pois esta última pode exprimir seus próprios sentimentos através de um desenho, de uma escultura, do teatro como forma de comunicação”, conclui. 

Programação - Aberto desde o dia 7 de dezembro, o Circuito das Artes traz o resultado das experimentações realizadas pelos artistas contemplados pela Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística de 2011. 

Além de Olhos de Papel de Seda, a programação do dia 17 traz ainda as apresentações dos espetáculo “A paixão segundo o Gruta “, de Adriano Barroso e “Dançar o Invisível”, de Marina Mota. 

Nesta quarta-feira, 14, o público confere a palestra A Amazônia na produção cinematográfica de Líbero Luxardo, às 19h, no auditório da instituição e o espetáculo Tremolé – o novo ritmo quente, vibrante e dançante do Pará, às 20h30, no anfiteatro. 

Catirina e Chico
Ficha Técnica – Olhos de Papel 

Elenco: André Butter, David Matos, Hanna Zíngara, Mylena Santana,Tatyane Alvez; Consultoria Artística: Anibal Pacha, Ronaldo Silva. Partitura Corporal e Direção Musical: Rutiel Felipe. Dramaturgia: David Matos. Cenografia: Aline Chavez, David Matos. Atelier de Criação e Construção de Bonecos: Aline Chavez. Assistentes de Atelier: Jessica Luz, Sônia Barros, Thomaz Cruz.
 
Estagiários de Atelier: Michele Neves, Rafael Chaves, Tamara Rodrigues, Trajano Neto, Victoria Passos. Desenhos: Aghata Neto, Carol Barros, Enzo Macêdo, Jhenyfer Neves, Mateus Gabriel, Victoria Passos. Iluminação: David Matos, Milton Aires. Assessoria de Comunicação: Luciana Medeiros. Projeto Gráfico: Carol Abreu. Fotografia: David Matos. Produção: Aline Chavez, André Butter, Carol Abreu, David Matos, Rutiel Felipe. Direção: Aline Chavez, David Matos, Rutiel Felipe. Coordenação: Aline Chavez.  

Agradecimentos: Boi Faceiro, Boi Malhadinho, Boi Orube, Boi Mascotinho, Rondi Palha, Jocatos, Eudes Aquino, Caetano Gecerino, João Cirilo Neto, Renato Torres, Fernanda Torres, André Mardock, Andréia Rezende Francisco Aires, Carmen Ribas, Alexandre Sequeira, Andrei Miralha, Jobinelson Junior, Leandro Ferreira, Carol Dias, Leny Monteiro, Sandy Diniz, Ruth Helena, Kate Titan, Andreia Barros, Bruce Macêdo, Carla Beltrão, Biriba Matos Rezende Chavez, Prof. Glaucio, Prof. Sheila, Sandreane Arrais, Ana Rosa, Waldiney Machado, Argentino Neto, Jassar Protázio, Raimundo Junior, Ionaldo, Jorge Ramos, Felipe Pamplona, Ednaldo Britto, Fabio Cavalcante, Sandra Lima, Dora, Evaldo, Faísca, Mestre Rubens, Pessoa, Nonato, Éder Oliveira, José Maria, Grupo Mão Molenga, Marcondes Lima, Caio Fábio, Fernanda Salles, Maurício Franco, Edielson Goiano, Evanildo Mercês, Sônia Massoud, Ruth Natalina, Marina Mota, Cristina Costa, Denise Souza. 

Parcerias: Studio Pilates, Grupo Casa de Folha, Colégio Moderno. Apoio: Ballare, Colégio Dom Mário, Fundação Tancredo Neves, Sindifisco Nacional, Casarão do Boneco, Toca do Papel, Boi Faceiro.

12.12.11

Um experimento cênico de presente para o público

Inspirados no conto A árvore de Natal na casa de Cristo, de Dostoiévski, o ator Milton Aires e o músico Leonardo Venturieri convidam o público, nesta terça-feira, 13, a partir das 19h, com entrada franca, para a provocação cênica "Por que hoje não é dia de Reis?", na Livraria Saraiva (Shopping Boulevard - Doca de Souza Franco). Além da escolha textual sensível e comovente, a performance tem como objetivo transpor atores e público da formalidade teatral para um estado de jogo e de risco, com foco no acaso e na certeza do imperdível. 

O conto de Fedor Mikhailovitch Dostoievski, escritor russo (1821 - 1881), um dos maiores nomes da literatura universal e considerado um dos fundadores do Realismo, é ambientado em uma noite fria de inverno. Um menino pobre descobre o significado de cada símbolo natalino e quem são os verdadeiros anjos de Cristo. Aos poucos, trágicos acontecimentos são revelados, levando o garoto, de apenas seis anos, a ter um encontro decisivo com a noite de natal.

“Em cima do texto do Dostoiévski, eu proponho algumas provocações cênicas pro Léo e ele me faz provocações musicais a partir da pesquisa que ele vem fazendo atualmente, e juntos vamos exercitar uma visualidade desse encontro. Temos alguns indutivos, ensaiamos algumas coisas, mas muito surgirá das descobertas que faremos no momento da apresentação”, explica o ator. 

Com intervenção visual de Maurício Franco, o experimento cênico de Milton Aires e Leonardo Venturieri traz provocações e improvisos, que esboçam algo que ainda poderá se tornar um espetáculo no futuro. "É uma ideia que deve ter desdobramento pra o próximo ano. Na verdade são apostas que estamos fazendo. E eu acredito que a melhor maneira de perceber, de ter um termômetro é lançar para o olhar do público mesmo que inacabado, esboçado”, diz Milton. 

A ousadia do experimento e do improviso só existe, porém, porque a parceria entre os dois já vem de outros trabalhos, como em alguns dos espetáculos de rua feito pela Companhia Entreatos e em dança com a Cia de investigação Cênica, sem falar que desde o início do ano mais uma experiência vem se desenhando e os aproximando, principalmente em relação às pesquisas de cada um. 

Milton em cena de Makunaíma
Estou me referindo à "Makunaíma: Em a Árvore do Mundo e a grande enchente”, atualmente uma curta cena, repleta de situações cotidianas e metáforas ambientadas no universo de histórias do herói Makunaíma, sobre a origem do mundo. 

Embora o projeto ainda esteja em fase de pesquisa e criação, já teve muita coisa experimentada e, mais, apresentada e reconhecida fora do Pará, como no festival de Cenas Curtas de BH e na Mostra de Inverno de Experimento Teatral do Espaço Luz do Faroeste, em São Paulo. É mais um espetáculo prometido para 2012. 

Em São Paulo desde o início deste ano, Milton Aires passará o mês de dezembro no Pará, onde retoma os contatos com seus pares e aproveita para viajar pelo Marajó, que também serve como fonte de inspiração para Makunaíma. A ideia é que no próximo ano, todos estes embriões surgidos ao longo de 2011 entre Belém e a capital paulista se concretizem em novos trabalhos, densos e fincados na pesquisa, como também aconteceu logo no início de 2011 com o trabalho "À Sombra de Dom Quixote", que resultou no coletivo Miasombra

“Acho que estar em Sampa, nesse momento da minha vida, está sendo estratégico. É um grande desafio profissional, um "puta" aprendizado artístico, que vejo como uma missão. Não sou daquele lugar, tenho uma paixão enorme pelo teatro que fazemos aqui, acredito na potência e na resistência do nosso fazer teatral”, ressalta. 

Para ele, isso se torna um grande diferencial para um ator que sai desta escola e vai para São Paulo, um lugar onde se tem oportunidade de mostrar como os artistas paraenses pensam o teatro. “Para mim, além de aprendizado também, é uma função política nos mostrar artisticamente”, complementa. 

O ator, em pesquisa no Marajó (Ponta de Pedras)
Miolo - Em São Paulo, Milton vem atuando no novo projeto da Cia do Miolo chamado Linha Vermelha, e onde encontrou outros artistas que possuem esse mesmo espírito de criação que ele vem cultivando.

Em processo de montagem que já dura sete meses, ao longo deste tempo, os atores da companhia vêm fazendo um trabalho de treinamento físico e práticas artísticas e teóricas que fazem parte do projeto Linha Vermelha. 

“Estamos estudando técnicas e mantendo uma rotina de ensaios e pesquisa de rua. Depois de nossas ‘férias’ vamos dar continuidade à montagem do espetáculo que estreia em meados de março e ficaremos em cartaz até final de maio, com apresentações em várias praças e espaços na capital paulista”, conclui. 

O Linha Vermelha dá continuidade a um trabalho que a Cia do Miolo vem sendo desenvolvendo desde 2003, o Poética da Cidade, que investiga o teatro no espaço urbano, tendo em vista os modos de relações e acontecimentos que se dão na cidade. Depois de aprofundar este olhar poético, é hora de transformá-lo em dramaturgia, em cena, em teatro.

“É uma pesquisa poética da cidade que agora, pela primeira vez, ganha uma montagem itinerante no trajeto já investigado”, finaliza Milton Aires que reconhece o desafio dramatúrgico do projeto de transformar as histórias investigadas num espetáculo teatral.

11.12.11

Antonio Novaes volta a Belém com novo projeto

(Fotos: Rod Ferreira)
Depois de fundar uma das bandas mais interessantes surgidas por aqui no final dos anos 90, A Euterpia, e integrar o quarteto instrumental Até Jazz, o músico esteve em São Paulo, Estados Unidos e Milão aperfeiçoando seu talento musical. De volta a Belém, ele mostrará ao público, na próxima sexta-feira, 16, o resultado da junção de dois novos projetos “Antônimo e O Nome da Coisa”. 

Depois de um período na capital paulista, onde entre outros trabalhos, participou da Orquestra de Violões do Conservatório Souza Lima, dedicando-se ao violão erudito, Novaes decidiu ir para os Estados Unidos, estudar a linguagem do jazz, na San Francisco State University, na Califórnia, aproximando-se do piano. 

Antes acostumado a compor ao violão, de volta da experiência americana, com novas referências, Antonio Novaes montou em São Paulo o projeto “Antônimo”, no qual passou a utilizar o teclado em estilo “retrô”. O voo seguinte na carreira do artista foi para Milão, na Itália, onde, com a cantora Ana Clara, também paraense, começou a desenvolver o projeto “O Nome da Coisa” com mais dois instrumentistas italianos. 

O show “Antônimo e o Nome da Coisa”, então, traz a Belém pela primeira vez exatamente uma reunião destes dois projetos recentes da carreira do compositor, reunindo características em comum como o clima jazzístico na sonoridade e a mistura de referências internacionais às raízes amazônicas, sempre fortemente presentes no trabalho de Antonio Novaes.

Marcados pela ideia de promover o diálogo entre diferentes músicos, variando a formação da banda, e o destaque de vozes femininas, nos dois trabalhos, Antonio Novaes canta como solista ou em arranjos vocais, porém sempre ao lado de cantoras. 

Em Belém, as vozes femininas serão de Ana Clara, Gláfira Lôbo, Aíla e Juliana Sinimbú e, além de Antonio Novaes (voz e teclado), a banda contará ainda com Patrick Florencio (baixo) e Artur Kunz (bateria). Os músicos Renato Torres e Tom Salazar Cano também farão participações.

Serviço 
Show “Antônimo e O Nome da Coisa”, dia 16 (sexta), às 20h, no Teatro Cuíra, com Antonio Novaes, Ana Clara, Gláfira Lobo, Aíla, Juliana Sinimbú, Patrick Florencio (baixo) e Artur Kunz (bateria) e participações de Renato Torres e Tom Salazar Cano. Ingressos: R$15,00. Apoio: M.M. Produções e Doceria Abelhuda.