28.6.13

Festa e religiosidade na homenagem a São Pedro

O sábado em São Caetano de Odivelas vai começar e terminar com festa. A comunidade navega o rio e as ruas para homenagear São Pedro, padroeiro dos pescadores. Tradição que se repete desde 1925, a romaria fluvial sairá às 8 horas da manhã da vila de Cachoeira, a dez quilômetros da cidade, rumo ao porto principal de São Caetano, num percurso que dura cerca de duas horas. 

A romaria já se tornou um marco nas festividades populares do município, agregando romeiros da sede e das ilhas, vilas e localidades rurais, e até de municípios vizinhos. É um dia de festa, o único em que o pescador e o tirador de caranguejo vão ao mar, nesse caso ao rio, em traje de festa, e não de trabalho. 

Dezenas de barcos de todos os tipos e tamanhos são enfeitados para fazer o cortejo com a imagem do santo. A festa, que inicia religiosa pela manhã, transforma-se em uma grande celebração que vai até o fim da noite, com participação até.. dos Bois de Máscaras.

Mas neste dia eles, os símbolos da cultura odivelense não são atração principal. Tudo começa na alvorada quando todos se preparam para a santa navegação. A preparação já é festiva. A partir das 6 horas, as bandas centenárias do município, Rodrigues dos Santos e Milícia Odivelense, percorrem as ruas da cidade tocando, anunciando que é dia de festejar e levam a imagem do padroeiro e seus fiés até o barco. Todos ao rio.

O Mojuim, que banha São Caetano de Odivelas, se transforma num palco para um espetáculo de cor, alegria e muita fé. Toda a comunidade se mobiliza espontaneamente para render a homenagem ao seu protetor. A procissão que já ocorre há quase 90 anos, criada pelos pescadores, e se tornou o momento de agradecer a fartura e a proteção que tiveram durante o ano, e de fazer a renovação dos votos de fé para as próximas jornadas. 

Para passar da parte religiosa para a celebração, os músicos das bandas de música recepcionam a chegada do cortejo fluvial. Em terra, o acompanham do porto até a igreja, onde é rezada uma missa. Depois disso, o tradicional forró dos pescadores é realizado, já à noite, na quadra da Colônia de Pescadores. 

Um momento de confraternização da comunidade, um certo ar de despedida mas que ainda tem folia. É o último fim de semana da quadra junina. Por isso mesmo, a partir do final da tarde os bois de máscaras tomam as ruas da cidade, levando cor e alegria num arrastão espontâneo que só as manifestações populares conseguem fazer. 
Serviço
Procissão Fluvial de são Pedro e Forró dos Pescadores Local: São Caetano de Odivelas – a 120 Km de Belém, indo pela BR-316 (até Santa Izabel) e PA-140. Data: 29/06, sábado – Procissão: 8h, Forró: 21h (na quadra da colônia de pescadores).

(com informações da assessoria de imprensa)

In Bust lança a circulação "Sirênios de Bubuia"...

Para quem estava com saudade do Casarão do Boneco, aí vai a dica. O In Bust Teatro com Bonecos abra as portas de sua sede neste domingo, 30 de junho, para o lançar mais um de seus projetos de circulação, que desta vez será fluvial. O lançamento de projeto “Sirênios de bubuia no Rio Amazonas” contará com a apresentação do espetáculo, que percorrerá a partir do dia 8 a 29 de julho vários municípios paraenses e chegará até o Amapá. O Casarão do Boneco fica na Av. 16 de Novembro, 815, próximo ao Polo Joalheiro - Complexo São José Liberto. Entrada franca, a partir das 19h. 

Eles vão navegar o rio Amazonas, olha só que maravilha. Um mês inteiro de bubuia. Quem não sabe, esta palavra, tão bem usada por quem mora por estas bandas, significa ficar de boa, folga total, mas no caso do in Bust, não será bem isso.... 

Há muito trabalho pela frente... a 1ª etapa do projeto “Sirênios de bubuia no Rio Amazonas” vai iniciar pela região oeste do Estado do Pará, no distrito de Alter do Chão, prosseguindo para os municípios de Santarém, Alenquer, Monte Alegre, Prainha e Almeirim. A caravana se estende pelo Rio Amazonas, até o estado do Amapá, percorrendo ainda Macapá e a comunidade quilombola de Maruanum. 

Em Santarém e Macapá, acontecerá ainda a oficina Teatro com Bonecos, com 12h, buscando compartilhar com artistas e educadores, a experiência de 16 anos do grupo nesta linguagem. Com este projeto, Sirênios retorna ao Rio Amazonas, de onde saiu a ideia para sua criação, e querendo provocar, pela fruição e pela diversão, reflexões a cerca da relação com as águas, fauna e flora amazônicas. 

Antes de partir, porém, o grupo fez questão de realizar o lançamento do projeto, abrindo as portas para seu público em Belém. No espetáculo Sirênios, que é o nome científico do nosso Peixe-boi amazônico, o In Bust fala da relação do homem com os rios da região.  

Peixe-boi pede socorro - Montado em 2006, com prêmio do Edital da Funarte e patrocínio da Petrobrás, Sirênios chama atenção para o perigo de extinção que esta espécie está correndo. 

Mas também traz uma história de amor e lendas sobre sua origem. Em uma delas, um casal de índios jovens é transformado no primeiro casal da espécie. Neste momento do espetáculo o público é fisgado pela emoção ao testemunhar a transformação da indiazinha. 

Em outra, um navegador português que está há dias no mar começa a ter alucinações e avista uma espécie de longe, em alto mar, acreditando ser uma sereia, mas na verdade é o ameaçado peixe-boi. A terceira história pega o público desavisado, que também se emociona, quando vê o peixe chegando à mesa dos ribeirinhos depois de uma exaustiva caçada. 

Sirênios faz parte do repertório do grupo, que trabalha há 16 anos com a investigação acerca da linguagem do teatro com bonecos e na experimentação com materiais alternativos. No caso de Sirênios, os bonecos, confeccionados com a técnica das cestarias e dos paneiros da região, são manipulados por varas e ajudam a engrandecer todo o cenários mítico do espetáculo.

O peixe-boi boneco, materializado com cuias e paneiros amarrados, é a metáfora da utilização do rio para a sobrevivência e a necessidade da sobrevivência do próprio rio. 

Encantarias, mistérios e a preocupação com a preservação da espécie Trichechus Inunguis, o mais dócil e único herbívoro dos mamíferos aquáticos, marcam o espetáculo “Sirênios”, que se inspira nas lendas do peixe-boi.

Patrocínio e parcerias - Para a empreitada que será esta circulação, o In Bust Teatro com Bonecos, conta com o patrocínio Prêmio Funarte Myriam Muniz de Teatro/Minc/Governo Federal. 

O In Bust agradece ainda  parceria do Estela Bogus, Hotel BeloAlter, ATAS – Associação de Teatro Amador de Santarém, Grupo Eureca;Frota Palace Hotel, Instituto Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Macapá, Adelma Miranda, Izanildo Lima, Yara Caripuna, Secretaria Municipal de Cultura de Alenquer, Secretaria Municipal de Cultura de Prainha. 

E o apoio da Fundação de Telecomunicações do Pará, Ong Saúde e Alegria, Casa da Cultura Historiador João Santos; Secretaria Municipal de Cultura de Monte Alegre, Secretaria Municipal de Promoção Social de Almerim, Fortaleza de São José de Macapá, Associação do Quilombo de Santa Luzia do Maruanum.

Programação
  • Alter do Chão 
09/Julho, 19h Apresentação em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde
  • Santarém 
10 e 11/julho, 20h - Apresentação na Casa de Cultura 
11, 12 e 13/jul, das 8h30 às 12h30
Oficina na Sede da Ong Saúde e Alegria – Av. Mendonça Furtado, 3979, Bairro Liberdade. 
Oficineiro: Paulo Ricardo Nascimento /Assistência: Anibal Pacha 
  • Alenquer 
14/Julho, dom, 19h 
  •  Monte Alegre 
17/Julho, qua, 19h
Apresentação na Praça do Mirante 
  • Prainha 
19/Julho, sex, 19h 
Apresentação em frente à Igreja Nossa Senhora das Graças
  • Almerim 
21/Julho, domingo, 21h 
Apresentação na Praça do Centenário
  • Macapá
26 e 27/Julho, sex e sab, 20h
Apresentação na Fortaleza de São José de Macapá 
25, 26 e 27/Julho, das 8h30 às 12h30 
Oficina na Fortaleza de São José de Macapá (Rua Cândido Mendes, s/n )
Oficineiro: Adriana Cruz/Assistência: Paulo Ricardo Nascimento
  • Maruanum 28/julho, dom, 18h 
Apresentação na Sede da Associação do Quilombo de Santa Luzia do Maruanum. 

FICHA TÉCNICA 

Elenco: Adriana Cruz, Anibal Pacha e Milton Aires. 
Direção: Paulo Ricardo Nascimento
Produção: de Cristina Costa 
Roteiro e criação dos textos: coletivos, do grupo. 
Confecção de bonecos e cenografia: Aníbal Pacha, baseado nos bonecos originais de Aline Chaves
Máscaras: Bruce Macedo 
Figurino: Mariléia Aguiar 
Sonoplastia: Paulo Ricardo Nascimento, com consultoria de Nazaco Gomes, e contribuições de Fábio Cavalcante e André Mardock. 
Operação de som:  Dandara Nobre
Assistência de direção: Íris Nascimento 
Assistência de produção: Cincinato Marques Jr., Andrea Rocha e Thiago Ferradaes 
Registro Fotográfico: Rodrigo José 
Assessoria de imprensa: Luciana Medeiros

27.6.13

Iva Rothe faz show de transição em sua carreira

Depois da apresentação da semana passada a cantora volta ao Sesc Boulevard, com um show que marca o fim do ciclo ‘Aparecida’ e o início de ‘Dançará’, projetos cujas essências estarão estarão mais uma vez juntas no palco, nesta quinta-feira, 27, às 19h, no Sesc Boulevard, com entrada franca.

Iva Rothe ficou um bom tempo trabalhando o projeto ‘Aparecida’. Primeiro veio pesquisa, CD, shows, turnês nacionais, e agora o ciclo começa a se fechar. Mas não para acabar, e sim para renascer em outro projeto, ‘Dançará’, nova investida musical da cantora que quer entender todo esse gingado e musicalidade únicos do povo amazônico.

“É um período de passagem. O ‘Aparecida’ aparece com músicas no início, no meio e no fim, ou seja, ele costura o show, é a base em meio a um arsenal de novas propostas que vamos percorrer com o novo projeto. Para mim é um período legal de compartilhar uma experimentação no palco, com músicas que não necessariamente entrarão no novo projeto, mas que fazem parte exatamente deste momento de pesquisa”, detalha a artista.

“Momento de mostrar pra todo mundo qual a nossa idéia. Acaba sendo um momento de liberdade”, pontua. Este tal rito de passagem vem em um momento importante. A pesquisa sonora do novo trabalho será registrado no documentário “Em busca do Dançará”, com direção de Ana Cláudia Bastos, que acaba de ser aprovado para captação pela Lei Semear, e que será o ponto de partida oficial do novo projeto. 

“Esse documentário será feito com a pesquisa do novo disco. Terminou essa minha mania de colocar o DVD no final dos projetos e eles não saírem porque emendo em outro CD. 

Foi assim com ‘Aluguel de flores’, com ‘Mantras’, com ‘Aparecida’, mas agora será diferente, a gente começa pelo documentário, que foi proposto pela própria Ana Cláudia Bastos. 

Será o registro dessa pesquisa, uma forma de compartilhar conhecimento, informação e das pessoas participarem desde o início do processo, entendendo o que leva à construção de uma pesquisa musical”. 

Por isso, no palco o clima é de celebração com alguns convidados especiais. Na semana passada ela recebeu Ronaldo Silva e a cantora Adriana Cavalcante. Adriana fechou o show com Iva, na interpretação de ‘Sereia’, mas nesta quinta será a vez de Maria Rosa Lima, com quem Iva gravou a mesma faixa do CD ‘Aparecida’. 

Também no show de hoje, o bailarino Diego Pompeu, da Companhia Experimental de Dança Waldete Brito, fará uma participação especial na música inédita ‘Três beijos’, que integrou o badalado espetáculo ‘Festa na Cidade’, da companhia de dança, inspirado nas festas de aparelhagem. 

Além deles, Iva receberá no palco o guitarrista Guru, criador da Banda Nova, cuja primeira formação contou com Iva nos teclados e backing vocals. A cantora será acompanhada por Heraldo Santos (percussão), Edvaldo Cavalcante (bateria), Príamo Brandão (contrabaixo), Igor Capela (guitarra) e Johab Quadros (trompete). 

Se em ‘Aparecida’ Iva mergulhava a fundo no universo feminino, no novo projeto o movimento é a tônica. “Dançará: lugar e tempo de festa. Termo paraense usado pelos antigos, que mostra que no Pará, festa tem dança e música”, define. 

A música dançante feita no Pará recebeu influências do Caribe em algum momento da sua história e é isso que Iva busca saber, primeiro na pesquisa musical que fará no documentário. Essas informações renderão músicas, que renderão shows, que renderão turnês, e por aí vai, num ciclo que se reinicia. 

Serviço
Show de Iva Rothe no Sesc Boulevard. Nesta quinta-feira, 27, às 19h, com entrada franca. Informações: 91 8177-2176. 

(com informações da assessoria de imprensa)

25.6.13

Vem aí o Festival Movimento HotSpot Belém

Tecnologia, inovação, arte, música e criação. Tudo isso no Festival Movimento HotSpot, que chega a capital paraense nos dias 5 e 6 de julho, com vasta programação na Estação das Docas (Boulevard das Feiras, Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes e Anfiteatro São Pedro Nolasco), tudo com entrada franca.

Intenso e diversificado, o evento traz a exposição de ideias e projetos selecionados em 2012, pelo Movimento HotSpot, criado pelo idealizador do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges. Desenhado a partir do conhecimento e legado da primeira incubadora de moda do País, o Hot Spot conseguiu inserir, entre 2000 e 2005, novos designers no mercado.

Nos últimos quatro anos, o projeto foi reformulado e ganhou um novo formato tornando-se um prêmio, além de mais amplo, com objetivo revelar novos talentos em arquitetura, design, beleza, cenografia, design gráfico, filme e vídeo, fotografia, ilustração, moda, música e ideia, categoria na qual se procura uma proposta inovadora para receber um capital semente para inserção no mercado.

“Quando desenhamos o projeto do Movimento HotSpot, uma das nossas metas era tanto buscar como expor a diversidade cultural e criativa brasileira vencendo as dimensões culturais do nosso País. Nossa riqueza e pluralidade é um desafio para o brasileiro “se conhecer” e queremos tanto mostrar, como aproximar os diversos “brasis” que temos no Brasil. Daí a proposta de viajarmos por diversas capitais passando por todas as nossas regiões”, comenta Paulo Borges.

A programação em Belém conta com rodas de conversas, entre elas uma sobre patrocínio e financiamentos de projetos, além de intervenções artísticas, exibição de filme seguido de bate papo e oficinas, que terão a participação de artistas locais e de curadores do Hospot.

Em estado revelador, a música do Pará se projeta como celeiro de novos e inovadores projetos, que trazem em suas raízes uma diversidade impressionante. Estampada pela mídia nacional com ritmos, cores e a alegria contagiante, esta cena não poderia ficar de fora do Festival Movimento Hotspot.

Três grupos concorrem a uma vaga na terceira etapa do projeto, o Tanque de Ideias, de onde sairão os vencedores do festival. São ele, o Grupo Quaderna, de Alan Carvalho e Cincinato Marques Jr., a Strobo, de Leo Chermont e Arthur Kunz e Projeto Charmoso. Além deles há artistas convidados, como Luê Soares e a Gang do Eletro, desta vez com Keila Gentil, que sentiu-se mal no último sábado, 22,  e não pôde estar com o grupo no palco do Conexão Belém.

Por onde já passou - Até o momento, mais de 20 mil pessoas participaram do evento nas regiões Centro Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste, nas cidades de Brasília, Porto Alegre, Vitória, Salvador, Recife e Natal. A circulação tem contado com a presença de curadores do festival, como Speto, Rony Rodrigues, Marcelo Rosenbaum, Ronaldo Fraga, João Falcão, Rogério Hideki, Lala Deheinzelin, Ilse Guimarães e Caio Tulio Costa.

Entre os artistas convidados da área da música que já estiveram presentes no festival estão Dado Villa-Lobos, Wanna be Jalva, Bidê ou Balde, Silva, Manuela Rodrigues, Neila Kadhi, Baiana System e Khrystal. Na área das artes, o festival já recebeu o VJ Suave, o grafiteiro Cusco, o grupo teatral Serpentes que Fumam, os artistas urbanos Julio Costa e Zaca Oliveira. Região Norte - Ciência e tecnologia + cultura.

As ideias e projetos criativos foram escolhidos por um grupo de 25 curadores, que reuniu nomes como João Falcão, Marcelo Rosenbaum, Ronaldo Fraga, Ronaldo Lemos, o grafiteiro Speto e Bob Wolfenson, apenas para citar alguns.

Norte - Entre os 303 brasileiros que foram selecionados a partir de 1642 inscrições para participar da etapa Festival do Movimento HotSpot, 23 são do Norte dos Estados do Pará, Rondônia e Amazonas, que foram selecionados nas categorias de música (03), design gráfico (01), fotografia 04, arquitetura 01, cenografia 01, ilustração 03, moda 02, desing 02 e ideia 06. 

A lista de todos os selecionados está no site www.movimentohotspot.com. A programação completa será divulgada a partir desta quarta-feira, 26 de junho, na página da Três - Cultura Produção Comunicação.

Serviço
Festival Movimento HotSpost, com apresentação do Ministério da Cultura através da Riachuelo e da Vale. Parceiros: Sebrae, Elle, Super Interessante, Endeavor, Fora do Eixo. Realização: Luminosidadde e In-Mod com. A produção local é da Três – Cultura Produção Comunicação, com apoio cultural da Pará 2000 – Estação das Docas - e da Rede Cultura de Comunicação – Funtelpa. Dias 5 e 6 de julho, em Belém, na Estação das Docas. Entrada franca.

24.6.13

Cineclube Alexandrino Moreira exibe ótimos filmes


Na sessão desta segunda, 24 de junho, dia de São João, o cineclube do IAP exibirá "Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista", de Roger Elarrat, e "Eu receberia as Piores Notícias dos Seus Lábios", de Beto Brant. Boa pedida antes de sair por aí pulando fogueiras. Às 19h, entrada franca. 

Estrelado por Camila Pitanga, Gustavo Machado, Zé Carlos Machado, Gero Camilo e Antonio Pitanga, "Eu receberia as piores noticias de seus lindos lábios" também tem co-direção de Renato Ciasca. No roteiro, Cauby (Gustavo Machado), 40 anos, trabalha como fotógrafo de uma revista semanal. Trocou São Paulo pelo interior do Pará, é cético em relação ao amor e devotado à beleza. 

Em um lindo cenário amazônico ele encontra Lavínia (Camila Pitanga), mulher do pastor Ernani (Zé Carlos Machado), homem que acredita ser possível consertar as contradições humanas. É formado um triangulo amoroso imprevisível.

O longa de Beto Brant, paulista, diretor também de "Os Matadores", "Ação entre Amigos", "O Invasor", "Crime Delicado", "Cão Sem Dono" e o Amor segundo B. Schianberg", foi rodado aqui no aprá, mais precisamente em Santarém, com belas cenas em Alter do Chão. 

Traz na trilha sonora "Amor Brejeiro", música de Dona Onete e paraenses na figuração e elenco, entre eles Adriano Barroso. 

Onírico - Já o filme do paraense Roger Elarrat narra a saga de João Batista, um homem frio, lacônico, que não consegue nem dormir nem comer direito, e principalmente demonstrar seus sentimentos pela fotógrafa Juliana, a única pessoa que se interessou por alguém tão estranho e misterioso. Acreditando que perdera a alma em uma brincadeira de moleque na infância, pensa que está morrendo. Juliana, a amada, sai com ele em uma jornada de resgate por sua propria vida. 

“Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista” tem roteiro do próprio Roger, em parceria com Adriano Barroso, produção executiva de Camila Kzan, coordenação de produção de Teo Mesquita, direção de fotografia de Emerson Bueno, direção de arte de Boris Kenz, trilha sonora de Leonardo Venturieri, arte gráfica de Otoniel Oliveira, som direto de Márcio Câmara.No elenco, Leoci Medeiros, Geisa Barra, Nani Tavares, Tiago Assis e André Luiz Miranda.

Serviço
Exibição dos filmes 'Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista', de Roger Elarrat e 'Eu receberia as Piores Notícias dos Seus Lábios', de Beto Brant e Renato Ciasca. Nesta segunda-feira (24), a partir das 19h, no Cineclube Alexandrino Moreira, do Instituto de Artes do Pará (IAP). A entrada é franca.

20.6.13

Festa no Café com Arte traz novas bandas

Apostando em uma divertida mistura de shows que aliam bandas do mundo autoral e covers, uma festa no Café com Arte, traz de uma só vez as bandas Rockzilla!, Reddices e ainda a Cais Virado, que apesar de ter sido surgido em 2012, traz na formação grandes músicos que já passaram por diversas outras bandas paraenses. O blog não resistiu à novidade e conversou com três integrantes da banda. Bruno Rabelo, Keila Monteiro e Raniery deram o recado sobre este novo projeto musical.

Bruno Rabelo, o guitarrista é um ex-membro da banda Cravo Carbono, que bebeu na fonte certa e se tornou referência da retomada da guitarrada como um gênero musical relevante na Belém dos anos 2000. Na bateria, temos Raniery, mais um aficionado pela multiplicidade de referências, que vai do metal matemático ao eletrônico obscuro. 

No contrabaixo, simplesmente um virtuose, Príiamo Brandão e como vocalista e letrista, Keila Monteiro, que transitou no rock experimental, no punk, em versos sinuosos e na pesquisa acadêmica. O nome Cais Virado remete à relação conturbada entre Belém e os rios que a circundam. E esse cais também sugere a ideia da água, dos rios, da fluidez, a qual tem surgido na composição das canções. 

O quarteto disponibilizou recentemente duas músicas para download gratuito em sua página na rede social Soundcloud: Sobrenome e Mal Moderno. “Sobrenome” é um zouk abrasileirado indicado para dança agarrada, onde Keila versa sobre a liberdade da figura feminina e a quebra de protocolos. “Mal Moderno” é uma canção-batuque de acordes densos e versos sofridos sobre um mal do século, revisto em tempos de novo milênio. Ambas começaram a ser executadas em rádio e mostram a mistura de musica africana e guitarrada que tem caracterizado a produção mais recente de Bruno Rabelo. 

Ao iniciar sua temporada de shows, a banda Cais Virado também se mistura à confluência de ritmos e estilos que é a atual música de Belém do Pará (Amazônia-Brasil). Abarcando afluentes de guitarrada, poesia, rock e África. Mas antes de passar a palavra aos integrantes do cais Virado, uma palhinha da festa de hoje. 

A banda Rockzilla é a primeira a tocar, mostrando uma seleção de clássicos do pop e rock para iniciar a festa com agitação e energia. Em seguida, sobe ao palco o grupo Cais Virado, que apresentará seu trabalho autoral misturando guitarrada, influências africanas, batuques e letras poéticas. Fechando a festa, a banda Reddices fará sua estreia com um show que traz canções autorais e e músicas consagradas do hard rock e metal oitentista. 

Agora, sim, o bate papo com o pessoal da Cais Virado, que além do show no Café com Arte Serão dois shows agora em junho: esse do Café com Arte, também vai se apresentar dia 28 no Espaço Benedito Nunes da Livraria Saraiva (Boulevard shopping), às 19h.

Holofote Virtual: Pelo que lemos acima sobre a Cais Virado, imagino que tem coisa muito boa chegando aí. Como a banda chegou a esta formação, já tocaram juntos antes? 

Bruno Rabelo: Antes do Cais Virado, eu e o Raniery ( baterista) estávamos tocando no Maquine. Com o fim do grupo (que durou de 2010 a 2012), nós decidimos montar um novo projeto do zero, só com canções novas. Surgiu a ideia de uma voz feminina. E a primeira pessoa que nos veio a cabeça foi a Keila, que além de ter uma ótima voz, é uma letrista excepcional e estava sem banda. 

O Coisa de Ninguém, seu antigo grupo, era conhecido por um trabalho autoral com forte verve poética. Sempre tive isso em mente: um grupo que tivesse força tanto no instrumental quanto na letra. E pra completar o time chegou o Príamo Brandão. Ficamos muito contentes com a presença dele. Não é todo dia que temos a honra de podermos tocar com um virtuose do instrumento. 

Uma característica interessante também da banda é que, curiosamente, eu, Príamo e Keila somos formados em educação artística, sendo que a Keila também se graduou em letras e tem mestrado em Artes. Já o Rani é engenheiro e faz tanto letra como música. Bateristas letristas e compositores no Brasil são poucos. E isso é muito legal. E ele sempre está pesquisando novos samplers, ideias de arranjos e programações pra banda. Apesar de nos conhecermos a muito tempo, essa formação do Cais é inédita. 

Holofote Virtual: Que influências vocêsestão carrregando na banda?

Bruno Rabelo: Citar influências sempre acho complicado, mas posso dizer que também temos interesse por muita música feita fora do raio de ação da música pop rock inglesa. É muito prazeroso achar novos artistas do mundo pela internet. Eu escuto músicas de diversas partes do mundo, coisas obscuras mesmo. 

Os outros também. Mas particularmente sou aficionado por um tipo de fraseado de guitarra que existe em certas áreas da áfrica (Zimbábue e Congo principalmente), que também encontramos de forma similar aqui com a guitarrada e que de certa forma existe em algumas regiões do caribe como Guadalupe, Martinica e Haiti. Guitarras arpejadas. Mas que fique claro que são fragmentos sonoros. 

A gente tem citado a áfrica, mas esse continente é como o Brasil: uma pluralidade musical imensurável. Assim como a America central. Quanto mais você corre atrás ,mas tu descobre novos estilos. E muita coisa nova , que muitas vezes não tem qualquer ligação com a música “tradicional”. O difícil é ter tempo pra escutá-las. Agora o Raniery, por exemplo, pesquisa e escuta muita música eletrônica quebrada e cromática, e que não aparece nas mídias tradicionais. Gostamos de pesquisar. Já as letras deixo com a Keila. 

Holofote Virtual: Zouk, batuque, guitarrada. A sonoridade afro-paraense- caribenha é presente. O que mais agregam e pesquisam musicalmente, além do viés poético, que chega forte com a participação da Keila? 

Raniery: Acho que o caribenho está presente, mas o Bruno agrega também coisas africanas, o que é muito bacana. Elas tem coisas que soam novas pra gente, na ritmica por exemplo, o que estimula a gente a buscar novos caminhos nos nossos instrumentos. 

No meu caso também pego carona em muitas coisas de musica eletrônica, coisas tipo broken beats, nu jazz e deep house por exemplo, com a ideia de ser dançante mas ter uma certa "estranheza". E eu também trago coisas do rock e metal, especialmente na atitude de palco e energia. O Príamo por sua vez é mestre, já que tocou com muita gente, muitos estilos, etc. ele tá se encaixando super bem no espirito das composições, turbinando muito a parte rítmica. E a Keila, traz elementos do rock e punk, ao mesmo tempo em escreve coisas lindas e ao mesmo tempo intrigantes. Melhor ela complementar (risos) 

Keila Monteiro: Escrevo letras que podem ser consideradas poéticas e não poemas, o que é diferente. O poema se sustenta sozinho na página, já a letra da canção necessita se acoplar à melodia formando um corpo só e ainda, deve ser analisada de modo indissociável desta melodia. Inclusive, a maioria das letras que escrevo já vem junto à melodia. 

Eu ao mesmo tempo que pesquisei sobre o rock PA, iniciei minha carreira numa banda de rock autoral. Isso em 2000; adquiri conhecimento de palco, da cena local, e intensifiquei meus estudos sobre Etnomusicologia ( no meu mestrado), o que me possibilitou juntar a paixão pelo rock ao desejo de agregar outros ritmos sem preconceito.

Holofote Virtual: Bruno você vem do Cravo Carbono, um projeto que a gente não esquece... 

Bruno Rabelo: Toquei com os caras durante 10 anos, mas já os conhecia, desde 1992. Pra teres uma ideia, eu e Pio íamos à pé na rádio Rauland em 96 pesquisar discos de guitarrada, antes mesmo do Cravo existir e da invenção do MP3!.

Eu costumo dizer que gosto quando eventualmente dizem que o que faço parece Cravo, pois mostra a força musical que tinha esse grupo, uma identidade. E a influência do Cravo Carbono no atual momento da música paraense é inegável também. A classe média descobriu a guitarrada pelo Cravo. 

No Cravo eu sempre botava umas dissonâncias e encadeamentos harmônicos estranhos pra diferenciar das guitarras do Pio (risos). Eu me preocupava menos com o formatação popular. Fazia música em 5/8. No Cais, o formato canção popular é usual. O que não significa dizer “comum”. 

Holofote Virtual: Quais as expectativas para os próximo shows, e como anda a agenda de vocês? 

Bruno Rabelo: O Cais Virado tem letras reflexivas e música com texturas, que em muitos momentos é dançante. E ao vivo crescem em força sonora. Então esperamos que as pessoas gostem. Preparamos o repertório durante um ano (desde junho de 2012). Estamos seguros pra tocar ao vivo. Fizemos alguns programas ao vivo na rádio e Tv Cultura agora nesse primeiro semestre de 2013. E temos duas canções inclusive rolando na Cultura FM. 

Holofote Virtual: Planos para um futuro... próximo. 

Bruno Rabelo - Estamos organizando a banda. Iremos gravar um EP virtual com cinco canções. Vamos preparar alguns projetos pros editais futuros da Semear e Tó Teixeira. Queremos tocar e muito! Raniery - A banda ainda está começando suas atividades mas já tem um conjunto de interessante de canções novas. Assim, o plano é gravar ao menos um EP no 2o semestre.

19.6.13

Encontro discute Arte, Ativismo e Crítica Social

Os temas tecem o 1º Encontro Matéria Arte, evento organizado pela Faculdade de Artes Visuais da UFPA, com apoio da Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA) e Ministério da Cultura. Na próxima terça-feira, 25, das 14h às 18h na UFPA.

O primeiro ciclo do encontro conta com três palestras de professores-pesquisadores de arte contemporânea da Universidade Federal do Pará e uma mesa-redonda com artistas que trabalham com a temática desta edição. Nas palestras serão apresentadas pesquisas, reflexões, provocações e produção crítica sobre a arte contemporânea brasileira, mas também haverá um livre debate com o público presente que queira perguntar, provocar e somar. 

O objetivo é difundir o conhecimento, o pensamento crítico-reflexivo de pesquisas paraenses e incentivar a investigação em arte. Marcam presença os professores Luizan Pinheiro (UFPA), que vai falar de “Intervenção Urbana: fundamentação e guerrilha”; Arthur Leandro (UFPA), que abordará “Arte, política e poéticas de resistência na Amazônia, a crítica à permissão da absorção do sistema” e ainda Sissa Aneleh, que vai falar sobre “Quando a arte não cala”. 

A mesa-redonda discutirá: “A produção artística como crítica social e política”, com mediação de Sissa Aneleh e os convidados: Bruna Suelen, Armando Queiroz e Lucas Gouvêa. O evento tem entrada franca, é destinado a estudantes de graduação, pós-graduação, artistas, pesquisadores (as), professores (as), profissionais da área artística e interessados em geral. 

Serviço
1º Encontro Matéria da Arte. Dia 25 de junho de 2013 (terça-feira). Na Faculdade de Artes Visuais da UFPA. Campus Guamá. Av. Augusto Corrêa, s/n. 3º entrada, próximo ao campus profissional. Das 14H às 18h. Informações: materiadaarte2013@gmail.com; sissadeassis@yahoo.com.br / Saiba mais: http://sissadeassis.wix.com/materiadaarte.

Show traz a resistência dos ritmos paraenses

Grupo Tamba-Tajá levanta a bandeira dos gêneros “genuinamente paraenses” e comemora 25 anos de atividades com show no Teatro Waldemar Henrique, com participação de Alfredo e Nanna Reis, além de Alcyr Guimarães e Edson Abreu. Nesta sexta-feira, 21 de junho, às 19h.

Um dos mais conhecidos e reconhecidos grupos de expressões culturais do Pará, o Tamba-Tajá quer mostrar que sabe mais do que entreter turistas. O grupo quer mostrar a pegada rústica do carimbó e de outros ritmos como lundu, síria e angola. O evento, intitulado “Tamba-Tajá: 25 anos carimbolando pela cultura paraense” é a continuação do projeto “Carimbó e outros ritmos”, idealizado pelo compositor Alfredo Reis. 

Ao mesmo tempo o espetáculo ganha um sentido de manifesto, uma vez que a popularização e a “modernização” dos ritmos nativos acaba por deixar em segundo plano os adeptos do carimbó “de pau e corda”. Para Wilton Farias Júnior, coordenador musical do grupo, a existência do mesmo é uma resistência a favor da cultura popular.

“Fazer cultura de raiz em nosso estado é um desafio. Como os ritmos genuinamente paraenses são pouco difundidos, e com a invasão de outros ritmos, de outras culturas, bastante massificadas, e extremamente apelativas, geralmente não encontramos oportunidade para nos apresentarmos”, explica. 

Wilton acredita que os ritmos modernos chamam muito mais atenção dos jovens e da maioria do público pela visibilidade e estratégias de promoção. Porém, ele garante que quando for dada a mesma ênfase ao carimbo e aos ritmos tradicionais, o gênero popular será valorizado. 

“Se você for à Bahia, você encontra muita gente em roda de capoeira, tocando axé. No Ceará, quiosques oferecem apresentação de humoristas, apresentação de forró (do bom!), enfim, os outros estados promovem seus costumes e os valorizam. Já a gente, parece que tem até vergonha. Eu lamento”, desabafa. 

Mas nem sempre foi assim, entre os anos 80 e 90, artistas de renome da música pop paraense reconheciam a iniciativa do Tamba-Tajá e os convidavam com freqüência para produções e participações. Eraldo Ramos, vocalista da banda Fruta Quente, um dos maiores sucessos populares da música do estado em todos os tempos, costumava cantar as músicas e chamar o grupo para tocar. 

O mesmo aconteceu com artistas como Alcir Guimarães e Mosaico de Ravena, com quem o grupo gravou “Belém- Pará-Brasil”, que é considerada por Wilton uma “espécie de hino não-oficial de Belém”. O grupo também participou de programa “Viola, minha viola” apresentado por Inezita Barroso, pela TV Cultura de São Paulo. 

O pesquisador e jornalista Elielton Nicolau Amador diz que a defesa apaixonada do Tamba-Tajá pode soar como um nativismo meio xenófobo, mas, segundo ele, a manifestação de resistência se justifica diante da obscurescência provocada pela superexposição midiática de gêneros ditos modernos.

“O grupo Tamba-Tajá tem exatamente os valores que faltam a muitos grupos de música pop baseada em gêneros paraenses da atualidade, que é a experiência e a pegada forte de quem bate no curimbó há muito tempo. Se você pegar um tocador de curimbó novo você não vai ver/ouvir uma performance tão forte e notável quanto a performance de Sinval Lourinho, que é músico do grupo. 

O curimbó não é um instrumento fácil de tocar. As diferentes dinâmicas dos diferentes ritmos exige ao mesmo tempo força e sensibilidade de quem toca. Não são qualidades vistas com freqüência em um mesmo instrumentista”, afirma Elielton, que também é um dos idealizadores do projeto ao lado de Alfredo Reis. 

O repertório do Tamba-Tajá neste show comemorativo vai contar com a essência das tradições folclóricas da Amazônia, ou seja, o público vai dançar muito siriá, lundu, carimbó e xote. Além dos temas tradicionais, o público também se encantará com as composições consagradas e as mais contemporâneas, além de outras inéditas, do grupo. Entre os convidados estão os músicos Alfredo Reis, Edson Abreu, Nanna Reis e Alcyr Guimarães. 

“Vamos fazer uma viagem no tempo, resgatando a alegria das primeiras apresentações do Tamba-Tajá. A dinâmica musical e coreográfica, a importância do trabalho do Maestro Adelermo Matos que foi sofrendo adaptações durante todos esses anos. Receber convidados que em, algum momento, fizeram parte ou participações de destaque no grupo. Reunir antigos e novos componentes e fazer uma grande festa de confraternização com todos os que gostam e acreditam que nossa cultura musical tem que ser preservada”, revela Wilton Farias Júnior.

Ainda de acordo com Wilton Júnior, o espetáculo foi pensado para ser flexível. “Dependendo do momento, estamos preparados para que o público possa interagir e, dependendo dessa interação, dinamizar a apresentação”, revela. O show também vai ter intervenções fotográficas. A ideia é que se tenha um painel para mostrar um pouco da trajetória do Tamba-Tajá. 

“O grupo tem se esmerado em buscar uma forma de contar essa trajetória de 25 anos num espetáculo de uma hora e meia, tentando fugir da forma tradicional de um show folclórico. Pretendemos fazer com que o público fique atento e empolgado com a apresentação, e que deseje ver mais! Nosso desejo é apresentar um espetáculo que agrade aos presentes e que possa mostrar que nossa arte tem um valor que ainda precisamos reconhecer, resgatar, proteger, divulgar, se orgulhar”, enfatiza Júnior.

Tamba-Tajá - Fundado em 13 de maio de 1988 por 28 integrantes pertencentes ao antigo grupo denominado Grupo Folclórico do Pará – coordenado pelo maestro e professor Adelermo Matos – o grupo é composto, atualmente, por 22 integrantes, sendo dez da batucada (parte musical) e 12 dançarinos. O Tamba-Tajá tornou-se uma associação civil, sem fundos lucrativos, constituída por uma diretoria e um conselho deliberativo e fiscal, formado por seus próprios integrantes (dançarinos e instrumentistas).

A diretoria é composta por presidente (Norma Damasceno), vice-presidente (Rita Amorim), secretário (Sinval Ribeiro Lourinho), diretora artística (Conceição Barros), diretor de marketing (Levindo Carneiro), diretor de patrimônio (Robson Campos), coordenador musical (Wilton Farias Júnior) e relações públicas (Levindo Carneiro). 

Serviço
Show: Tamba-tajá: 25 anos carimbolando pela cultura paraense! Dia 21 de junho – sexta-feira, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique. Ingresso: R$ 10. Informações: (91) 8154-0309 / 9905-5276 / 8711-9806.

(Texto enviado pela assessoria de imprensa do projeto)

Livro aborda a Amazônia na II Guerra Mundial

A jornalista Ana Diniz, que cresceu entre heróis e vilões da II Guerra Mundial, aborda o assunto no livro "Eia, avante, brasileiros!", com lançamento marcado para este sábado, 22, às 10h, no Museu Histórico do Estado do Pará. 

O blog aqui já tinha divulgado o livro, lançado na Feira Pan Amazônica, em maio deste ano, mas volta reforça aqui o lançamento que a eiditora Paka Tatu, que o publica, promove neste sábado no MHEP.

Entre as histórias de batalhas, apareciam timidamente na obra rostos sem nome, ou nomes sem rosto, das pessoas que faziam a sua parte porque o Brasil se lembrara deles, afinal.  Fascinada pelo tema acabou por escrever o livro ‘Eia, avante, brasileiros!". 

“Seduziu-me o enorme e sofrido esforço dessas pessoas. Irritou-me a completa ausência desse esforço em todas as páginas memoriais da guerra”. É o sexto da carreira da escritora e jornalista. Uma ficção construída sobre a realidade da participação da Amazônia na II Guerra Mundial, que resgata memórias quase esquecidas pelos paraenses, como o campo de pouso de dirigíveis de Igarapé Açu, o campo de concentração de Tomé Açu. 

A guerra é longe, mas mexe com a vida de todos os habitantes da vila de Munduguba, onde o vigário é alemão e um italiano um dos mais fortes comerciantes. “Propus-me, então, o desafio de contar alguma coisa que, não sendo História, pudesse ser uma história que deixasse pegadas para sua irmã maior. Essas pistas estão por todo o livro, em personagens e personalidades, em lugares e atos, na competência e na ignorância, no riso e na dor. 

O livro resultou num mosaico construído a partir de pessoas e fatos reais, um romance bem pouco convencional. Espero ter dado conta do desafio – e que o leitor goste de ler o que conto”, deseja Ana. 

Serviço
O MHEP fica na Praça D. Pedro II, na Cidade Velha.O lançamento será às 10h deste sábado, 22 de junho, com entrada franca.

18.6.13

Natura Lança ‘Balaio Sonoro’ No Theatro Da Paz

Compositor paraense com trabalho voltado para o fomento e a valorização da música de raiz praticada na Amazônia brasileira, ao estudo da rítmica e do imaginário popular da região Norte, Ronaldo Silva mostra nesta terça-feira, 18, no Theatro da Paz, o show de lançamento do álbum “Balaio Sonoro”. O patrocínio é do programa Natura Musical

Para o lançamento, Ronaldo subirá ao palco acompanhado de artistas convidados como Jane Duboc, Nilson Chaves, Pedrinho Cavalléro, Gaby Amarantos, Luê e Junior Soares, entre outros. 

O projeto conta com Walter Figueiredo na direção artística, Eudes Fraga na produção musical e Ronaldo Silva e Allan Carvalho na produção executiva. Reconhecido pelo trabalho no Instituto Arraial do Pavulagem, que há 25 anos, desenvolve tecnologias de educação sociocultural e ambiental através de brinquedos inspirados nos folguedos populares e matrizes tradicionais da cultura popular, Silva está em seu terceiro trabalho solo. 

Após os discos “Via Norte” e “Faróis”, o músico faz um apanhado consistente de sua obra, reunindo algumas das mais importantes músicas que já compôs e outras pouco experimentadas. Neste Balaio Sonoro estão a animada “Merengue Latino” (recentemente gravada por Amarantos), “Tambor de Couro”, “Iná” e “Faróis”, além “Lua Jardineira”, “Canoa da princesa” e “Íris do vejo raro”, músicas muito conhecidas pelos seguidores dos arrastões do Pavulagem. 

O álbum é uma coletânea de 14 músicas que fazem parte da história de Silva que reuniu as músicas para homenagear parceiros em letra e melodia, como Renato Torres, Adilson Alcântara e Almirzinho Gabriel. 

O Natura Musical - A fértil cena paraense motivou a criação de um edital de seleção de projetos exclusivamente para a região, iniciado no ano passado e que terá nova edição esse ano. 

“Encontramos no trabalho de Ronaldo Silva uma leitura do legado musical paraense e a valorização da música de raiz, que é um dos pilares do Natura Musical. Selecionamos a gravação deste disco com o objetivo de ampliar o alcance da sua obra para todo o nosso público”, comenta Karen Cavalcanti, gerente de Marketing Institucional da Natura.

O Natura Musical atua por meio de diferentes frentes, como os Editais Públicos, que visam selecionar projetos de diferentes formatos e estágios da produção cultural por meio das Leis Rouanet e do Audiovisual em todo o Brasil, e da Lei do ICMS em Minas Gerais, Bahia e no Pará; a Seleção Direta, que contempla propostas adequadas ao conceito do programa e de grande relevância e inovação, sem a obrigatoriedade das leis de incentivo; além da realização de Festivais. 

Lançado em 2005, o Programa beneficiou projetos de diferentes estágios e processos da música brasileira patrocinando mais de 200 projetos em todas as edições de edital público e seleção direta. Ao todo, 18 estados das cinco regiões do Brasil foram contemplados e quase 800 mil pessoas beneficiadas. Saiba mais no portal www.naturamusical.com.br ou nas redes sociais do programa no Facebook, Twitter e Youtube. 

Serviço
Lançamento do Cd “Balaio Sonoro”, De Ronaldo Silva. Nesta terça-feira, 18, às 20h, no Theatro da Paz (Rua da Paz, s/n – Praça da República). Venda de ingressos na bilheteria do Teatro – R$ 20,00.

17.6.13

Turnê Cine Privê inicia na beira da baía do Guajará

O show do disco solo de Domenico Lancellotti será realizado em Belém, dia 23, no anfiteatro São Pedro Nolasco, na Estação das Docas, de cara para a baía do Guajará. A apresentação integra a programação do Conexão Belém, realizado em parceria com o Festival Ver o Peso do Jazz, e que abre na sexta, 21, no Theatro da Paz, com outras atrações. 

Quase uma década depois da primeira imersão autoral, o músico traz no álbum Cine Privê (2011) o experimentalismo e a mistura de ritmos, com o samba soando mais uma vez eletrônico enquanto o rock chega mais suingado. O disco marca sua estreia como carreira solo, um novo momento na carreira do artista que apesar disso, ainda traz diversas parcerias.

“É muito mais difícil fazer as coisas sozinho, sempre fui do coletivo, e de certa forma continuo sendo, sem a ajuda dos meus colaboradores de sempre não sou ninguém. Mas tenho conhecido outras parcerias, tenho feito música em outros estilos, fora da banda temos uma liberdade maior. Não gosto de fazer sempre a mesma coisa, meu projeto solo é um lugar onde posso desenvolver algumas ideias”, disse em entrevista ao Holofote Virtual, nesta segunda-feira, 17. 

Um trabalho que muda constantemente. É assim que ele gosta de se definir na música esteticamente. “Meu trabalho muda o tempo todo é isso que me dá alegria, o entusiasmo vem daí”, explica.

E cita como exemplos, o Duo de improvisação que faz com Pedro Sá, o Taksi, outro duo, com João Brasil, além do Trio Elétrico, um trio instrumental realizado com Davi Moraes e Alberto Continentino, e a Meia Banda, que ele tem como pessoal do Rabotinik.

“Todos esses trabalhos andam juntos e são fundamentais, um alimenta o outro”, esclarece. “Tenho feito muita música com o Tono (banda que gosto muito aqui do Rio), Acabei de fazer um disco em Londres em parceria com Sean O Hagan, fiz muita coisa para o novo projeto inspirado nos trios de bossa nova dos anos 60 e 70, junto com Davi Moraes e Alberto Continentino. Além dos parceiros de sempre, Kassin, Moreno, meu irmão”, continua. 

Cine Privê é o primeiro disco solo de Lancellotti, que já surpreendeu quando lançou Sincerely Hot (2003), o primeiro disco de estúdio feito em parceria com Kassin e Moreno Veloso, através do projeto +2, e recebido como um som novo, trazendo o samba ou a música popular brasileira a roupagem moderna das interferências eletrônicas. 

Misturas, influências, experimentalismo

Quem esteve em Algodoal, no Festival Cultura de Verão de 2004 - aliás, o melhor e mais desafiador de toda a sua história -, viu ao vivo e à cores Domênico + 2. Na época, os três nos trouxeram novos ares mas também travaram o primeiro contato com o turbilhão musical paraense.

“Ficamos muito impressionados com a cena musical da cidade e como havia espaço para todos os estilos. Incluindo uma banda experimental carioca!”, disse Lancellotti. Ele conta que a primeira vez que esteve em Belém sofreu um impacto muito grande com a cultura da cidade.

“Isso me influenciou muito, fiz algumas músicas inspiradas nisso, ‘Zona Portuária’ do Cine Prive pra mim é principalmente o mercado Ver o peso. Nesse disco novo fiz um filme para todas as faixas, tem uma também que é o mercado Ver o Peso”, comenta, acrescentando que naquela ocasião teve oportunidade de conhecer Mestre Vieira, Curica e Aldo Sena, os mestres da guitarrada, Dona Onete, Pio Lobato, Manuel Cordeiro, Gaby, além de tocar com vários deles algumas vezes na Orquestra Imperial. “A cena musical de Belém, hoje em dia é a que mais me interessa”, conclui.

Filho do compositor Ivor Lancellotti, Domenico cresceu influenciado pelo ritmo do samba. Tem colaborado com vários artistas como o Quarteto em Si, Daniel Jobim, Caetano Veloso, Fernanda Abreu, Adriana Calcanhoto. Nos anos noventa formou uma banda de rock experimental chamada ‘Mulheres Que Dizem Sim’, quando conheceu Moreno Veloso e Alexandre Kassin. 

No momento atua em vários projetos junto a Orquestra Imperial, ao projeto Os Ritimistas em parceria com Stephane San Juan e Dany Roland, além de tocar bateria nas apresentações ao vivo do Adriana Calcanhotto, e sente-se feliz. 

“Sou filho compositor, amigo desde a epigênese da infância de músicos, moro num pais tropical e a música é agregadora, é o ambiente perfeito para desenvolver a mente e a sensibilidade”, decreta. 

A turnê de Cine Privê inicia em Belém. No dia 07 de agosto, chega em São Paulo, na Galeria Nara Roesler, tendo como cenário uma instalação da artista plástica Lucia Koch. A turnê passará ainda, em agosto e setembro, pelo Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Goiânia. “Mas ainda estamos vendo a possibilidade de outras cidades como Porto Alegre e Fortaleza", informa o músico.

No show, Domenico é acompanhado por uma superbanda formada por Pedro Sá (guitarra), Alberto Continentino (baixo), Stephane San Juan (bateria) e Claudio Andrade (teclados). No repertório, músicas do novo disco, como “Cine Privê”, “Hugo Carvana”, “Pedra e Areia”, além das canções de seu primeiro CD “Sincerely Hot” (2003), como “Aeroporto 77” e “Alegria, vai lá”.

A turnê do Cine Privê tem patrocínio da Vivo, Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro e realização da Benguela Produções Artísticas, com produção: Rinoceronte Produções. Em Belém, o evento é uma parceria do Festival Ver-o-Peso do Jazz e o Conexão Belém, com patrocínio da Vivo, através da Lei Semear, com gestão e produção partilhada da Ampli Criativa, Cria! Cultura e MM Produções.

15.6.13

Documentário traz história de um herói marajoara

Guto e Damasceno (Fotos de Mauro Fernandes, Still)
Haverá duas chances para ver de perto Damasceno Gregório dos Santos, afroindígena, criador do búfalo-bumbá e mestre da cultura popular marajoara reconhecido pela Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural (SIDC/MinC). Além dos 30  minutos de relato e imagens que traçam sua trajetória, ele também estará presente com seu grupo na Mostra Terruá. Leia a seguir, também, uma entrevista com Guto Nunes, o diretor do filme.

Ele foi pescador e agricultor. Ficou cego quando atuava como operário na construção civil. Na cultura popular, Mestre Damasceno brilhou e se realizou. Foi onde ele encontrou um caminho que o levou a compor, até agora, mais de 400 músicas de carimbó, e a dedicar sua vida inteira juntos aos grupos juninos da região do Marajó.

“Comecei a cantar minhas músicas quando participei de festivais com compositores mais famosos da minha cidade. Foi aí que selecionei alguns garotos para montar um grupo folclórico e foi também onde comecei a cantar minhas canções. Ganhamos muitos festivais de música na regional e acabamos nos empolgando com esse trabalho. Hoje tenho inúmeros prêmios conquistados por meio da música”, disse Damasceno no finalzinho do mês de abril deste ano, em Belém, durante uma das ações da programação da Feira Pan Amazônica do Livro.

Damasceno e seu implacável sorriso
Quem presenciou, não teve como não se emocionar com sua delicadeza, talento e encanto. Foi uma noite inesquecível, a mesma em que Guto Nunes apresentou o teaser do documentário “Mestre Damasceno – O Resplendor da Resistência Marajoára”, contemplado pela Lei Semear de 2011, que será lançado no próximmo dia 22 de junho, no Sesc Boulevard. 

Haverá, antes, outra oportunidade de vê-lo em cena, cantando com seu conjunto, pois Mestre Damasceno será uma das atrações desta próxima terça-feira, 18 de junho, na Mostra Terruá Pará, que está sendo realizada no Teatro Magarida Schivasappa, sempre a partir das 20h. Os ingressos são distribuídos sempre no dia das apresentações de todas as terças-feiras, até o mês de julho. 

No dia 22, no Sesc Boulevard, às 19h, será o momento de ver Mestre Damasceno no telão. Entrada franca. “Faremos o lançamento oficial, ocasião que estarão presentes representantes da Lei de Incentivo a Cultura do Estado, patrocinadores, apoiadores, colaboradores e principalmente o público em geral, a comunidade de Salvaterra e seus representantes da sociedade civil, bem como algumas autoridades municipais. Estamos articulando uma grande noite para este dia”, diz Guto Nunes, o diretor do documentário que também sairá em DVD. 

Guto Nunes é apaixonado por cinema não é de hoje e o projeto de documentário que agora vem à tona, já rola há anos, muito antes de ter sido contemplado com a carta da Semear. É mais um exemplo de sonho realizado com persistência e certeza do que se quer fazer. 

O colorido do universo junino
Em parceria com Ná Figueredo, LabZone, Pousada dos Guarás, Fundação Curro Velho, Refrigerantes FLY e Hiléia, o documentário relata não apenas a obra criada por Mestre Damasceno, mas também sua vida, incluindo sua infância em Vila de Mangueiras, na comunidade Quilombola do Salvar, Marajó, contando ainda sobre sua adolescência em Salvaterra, e principalmente o seu empenho em manter a cultura do “búfalo-bumbá” e a tradição marajoara vivas, apesar de todas as dificuldades. 

Graduado em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem (UNAMA), com especialização em Semiótica e Cultura Visual (ICA/UFPA), Guto é Mestre em Comunicação, Linguagens e Culturas (UNAMA), Programador Visual, Pesquisador e Articulador em Arte Educação, Técnico em Cinema e Vídeo e Produtor Cultural. Sempre atuante e envolvido nas questões do audiovisual, em 2009, ganhou o Prêmio da Secretaria da Diversidade e Identidade Cultural à Mestre Damasceno, da Ilha do Marajó e hoje é Facilitador da Linguagem Audiovisual, na Secretaria de Mídias Comunitárias – SECOM. 

Este filme é sua primeira direção. Talvez este seja um dos momentos mais importantes para ele, pois dirigir um filme e principalmente um documentário a respeito de alguém que continua escrevendo a sua história, e que vai estar na plateia vendo sua vida passar na tela, não é nada menos que um desafio, daqueles que trazem experiência de vida e elevam a alma, não só a própria, mas de todos que estiveram juntos na empreitada. 

O Holofote Virtual levou um papo muito legal com Guto. De maneira clara e com muita generosidade, nesta entrevista, o diretor nos conta mais detalhes do trabalho desenvolvido ao lado de uma equipe tão apaixonada quanto ele. Desde já, os parabéns aqui do blog para ele, Mestre Damasceno e aos demais envolvidos nesta iniciativa relevante para a memória do patrimônio cultural imaterial paraense.

Búfalo Bumbá, na mira de Marcelo, Parolin e Guto
Holofote Virtual: Emocionado em lançar o documentário? 

Guto Nunes: Não sei se emocionado seria a palavra que melhor definiria o que estou sentindo. 

Estou verdadeiramente iluminado pelo astral e energias positivas de mestre Damasceno, o que me deixa muito firmado na verdade em que acredito, de respeito aos mais idosos, em respeito ao patrimônio imaterial, suas memórias, saberes e fazeres tradicionais, além das constantes lutas, batalhas e negociações estabelecidas nos palcos das culturas populares. Lançar este documentário, nesse momento da minha caminhada, foi um grande desafio. 

Venho há 10 anos colaborando com muitos outros projetos, uma vez que sou arte-educador que tem como ferramenta de trabalho o vídeo, mas este foi, por enquanto, meu trabalho mais significativo por causa da pessoa envolvida, mestre Damasceno, e da função que exerci, diretor. Vejo que este trabalho é fruto do amadurecimento natural, que faz parte do processo de formação pessoal e profissional. Era um projeto antigo, mas que aconteceu no momento certo. 

Filmagens na praia, sob o sol de Salvaterra
Holofote Virtual: A primeira direção é uma experiência... 

Guto Nunes: É minha primeira direção profissional. Certa vez em uma atividade no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, um rapaz comentou que estava procurando um curso de direção cinematográfica. 

Na ocasião, lembro de ter respondido, em síntese, que achava que esse curso poderia até existir, tendo em vista que as pessoas oferecem de tudo hoje, mas que segundo o meu entendimento, “direção cinematográfica” e/ou “videográfica”, ou “direção” em qualquer outra área, só o tempo, o amadurecimento e a experiência são capazes de nos oferecer esse “diploma”, só eles são capazes de nos fazer assinar uma cartela dessas.

Repensando isso atualmente, vi que estava na verdade projetando minha própria história, que naquele momento trilhava em busca de uma futura realização a qual assinasse como diretor, e assim o foi, no momento em que me senti mais maduro para isso. 

Holofote Virtual: Como foi filmar no Marajó?

Guto Nunes: Filmar no Marajó foi revigorante, principalmente para toda a equipe, Marcelo Rodrigues (Dir. de Fotografia), Filipe Parolim (1º Ass. e Editor de Imagem), Léo Chermont (Som Direto e Mix de Áudio) Dani Franco (Ass. de Direção e Assessoria de Imprensa), Mauro Fernandes (Still), além de Arlindo Melo (Produtor Local). 

Lembro que ao chegarmos, recebi um forte abraço de todos da equipe e um caloroso “muito obrigado”. É claro que teve seus “perrengues” como toda produção. Eu, por exemplo, era diretor, produtor, motorista, etc, mas a experiência foi muito boa. O Marajó é um local muito rico em cultura, muito bonito, muito cheio de estórias. 

Pra mim, que cresci indo para aquele lugar, foi uma verdadeira realização, principalmente porque meu comprometimento com a cultura de mestre Damasceno é bem antiga, e não foi fácil chegar onde chegamos. Ele sempre acreditou muito em mim e eu sempre acreditei muito na cultura daquele lugar. 

Filmar no Marajó tem disso, e muito....
Holofote Virtual: E o contato direto com Mestre Damasceno?

Guto Nunes: Mestre Damasceno é verdadeiramente o encanto em pessoa, não tem como não se envolver, como não se apaixonar, e toda a equipe sentiu isso na pele. Essa facilidade de entrar “no encanto” do mestre acabou fazendo com que o trabalho se tornasse extremamente prazeroso, porque é muito bom você ajudar aquela pessoa a relembrar toda a sua história de vida, sentir novamente paixões e decepções do passado.

Durante a gravação, por exemplo, mestre Damasceno retornou à comunidade quilombola de seus familiares, a qual ele não tinha contato há 17 anos, devido à dificuldade de locomoção e falta de disponibilidade de pessoas para levá-lo até lá. É um local relativamente distante, duas horas e meia rio adentro naquele Marajó imenso. Foi uma vivência que jamais esquecerei. 
Além disso, as filmagens aconteceram paralelamente à minha pesquisa de mestrado, que tinha como objeto de pesquisa também o mestre Damasceno, intitulada “No Palco da Cultura Marajoara – Identidades e Saberes em Mestre Damasceno”. Nesta pesquisa procurei explorar a fundo suas matrizes africanas e indígenas, as quais formaram suas identidades. Essa dissertação já foi defendida e avaliada com a nota máxima. Foram dois trabalhos distintos com o mesmo objeto, um profissional, outro acadêmico, que me possibilitaram entrar profundamente em um universo que eu não conhecia tanto quanto imaginava. Foram grandes aprendizados. 

Noites de carimbó... ninguém dorme nesta equipe?
Holofote Virtual: Com um universo tão rico qual o recorte feito pelo filme? 

Guto Nunes: O filme traz um fragmento, traz um olhar de uma pessoa que cresceu envolto a um universo de representações simbólicas e curiosidades em torno de um senhor negro com práticas quilombolas e indígenas. Conta uma história de muita luta e superação diária, rica em saberes e fazeres. 

Damasceno é cego desde um acidente ocorrido quando ainda era jovem, e mesmo assim ele se destacou como figura típica da região, tendo em vista que pesca com as próprias mãos, coloca búfalo-bumbá nas ruas, joga dominó como ninguém, entre muitas outras coisas. 

O filme traz, como costumo definir, a “traje(his)tória” deste mestre, seus primeiros aprendizados, sua jornada, seu acidente e sua reviravolta para o resplendor. Traz a luta contínua e encenada nas ruas e praças de Salvaterra. Traz suas arte-manhãs diárias. 

Rodou câmera, vai som, claquete, ação!
Holofote Virtual: Quanto tempo você levou de filmagem e como foi o processo? 

Guto Nunes: Inicialmente, trabalhávamos com a possibilidade de filmar 15 dias, sendo que, ao sentirmos o ritmo de trabalho e rendimento do assunto abordado, a equipe estava previamente avisada que se necessário fosse, ficaríamos, no máximo, mais cinco dias, mas caso contrário, se percebêssemos que estávamos rendendo, poderíamos voltar com até cinco dias de antecedência. Para nossa surpresa ficamos doze dias filmando de manhã, de tarde e algumas noites. Foi bem puxado, cansativo, mas foi também muito bom e rendeu bem mais do que eu esperava. 

Durante o processo de filmagem, entramos em uma realidade muito peculiar, bem diferente da nossa, a exemplo de usar como meio de transporte para filmagem uma carroça puxada por búfalo, viajar em canoas de um local para outro, conhecer a realidade da comunidade quilombola da família do mestre, que parecem viver em outro tempo, sem esse nosso imediatismo atual. Foi muito aprendizado, sei que já falei isso outras vezes, mas realmente foi fantástico.

14.6.13

IAP discute curadoria e arte contemporânea

Ananda  Carvalho virá a Belém
Para discutir a criação de espaços para a produção artística contemporânea, a oficina “Ações Curatoriais na Arte Contemporânea”, ministrada por Ananda Carvalho, será realizada entre os dias 24 e 28 de junho, das 17 às 21 h, gratuitamente, no Instituto de Artes do Pará (IAP), com expedição de certificados ao final do evento. 

A oficina vai analisar a curadoria sob uma perspectiva de rede, na medida em que são espaços comunicacionais em relação aos processos de criação dos artistas. Nos cinco dias da oficina os debates estabelecerão um panorama das ações curatoriais contemporâneas. Ananda enumerou as seguintes questões: 

Conceito de curadoria; Histórico das exposições; Bienal de São Paulo; Ações curatoriais realizadas em instituições (museus e centros culturais); Ações curatoriais realizadas em galerias; Ações curatoriais realizadas em espaços alternativos; "não" curadorias; Ações curatoriais no espaço on line.

"O objetivo é pensar estas perspectivas através de uma reflexão crítica, usando exemplos históricos, e da produção recente a partir de texto curatorial, ‘statement’ curatorial, espaço expositivo e arquivos”, disse. A oficina pretende estimular a análise crítica dos formatos expositivos por artistas, curadores, críticos de arte, produtores e interessados em artes visuais em geral. Os encontros são marcados por apresentação, análise e mostra de trabalhos pela orientadora, seguido de debates pelos participantes. 

Ananda Carvalho é curadora, crítica de arte e professora universitária, com Doutorado e Mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-­-SP. Em sua pesquisa de doutorado, enfoca os processos de criação e os procedimentos comunicacionais de redes curatoriais, e escreve e pesquisa sobre arte contemporânea, desde 2007, com publicações em exposições e catálogos de jovens artistas e no Canal Contemporâneo, na Revista Dasartes, entre outros. 

Desde 2012, Ananda integra o Núcleo de Críticos do Paço das Artes e participou do júri de pré-seleção da Temporada de Projetos. No mesmo ano, organizou, em conjunto com Ana Maria Maia, publicação “Sobre Artistas como Intelectuais Públicos: respostas a Simon Sheikh” para a finalização do Ciclo de Portfólios 2012 da Casa Tomada. 

Em 2011, participou da residência Ateliê Aberto #5 na Casa Tomada. Foi curadora da exposição“ e se houvesse ainda sempre somente palavras” na dconcept, 2011; assistente de curadoria da exposição “Galeria Expandida”, Luciana Brito Galeria, 2010; curadora da exposição“ [das imagens às coisas]”, Escola São Paulo, 2009. E ainda, professora nos cursos de Produção Audiovisual e Rádio e TV na FMU/FIAM/FAAM(2010-­-2012)e no curso de Produção Multimídia no Instituto Europeo di Design (2012).

Serviço
Ações Curatoriais na Arte Contemporânea. Oficina no Instituto de Artes do Pará, com Ananda Carvalho de 24 e 28 de junho, das 17 às 21h (com exceção do dia 26, que será das 15 às 19h). Mais informações no IAP ou: iap.artesvisuais@gmail.com