31.7.13

Mostra Terruá encerrou mesmo em grande estilo

A confraternização no final das apresentações
O site do evento previa isso dias antes da terça, que teve no cardápio musical a banda Molho Negro, Olivar Barreto, Aíla e João Golsalves e os Populares de Igarapé-Miri, além da Banda ARK e de Felipe Cordeiro, as últimas atrações da noite que, eclética, foi aquecida pelo calor humano e ritmos contagiantes do Pará. 

De 14 de maio a 30 de julho, em 12 terças-feiras seguidas, sempre com seis shows em cada, somando as 72 atrações selecionadas entre as mais de 300 inscritas. A comissão artística que vinha acompanhando todos os shows, além do diretor do espetáculo, o produtor Carlos Eduardo Miranda, que esteve presente, ontem, no Teatro Margarida Schivasappa, devem divulgar o resultado ainda neste final de semana. 

Apenas 12 irão integrar o show oficial do Terruá Pará, que será apresentado em São Paulo, sem data definida ainda para acontecer. A tarefa da comissão será árdua. O próprio Miranda disse a Raul Bentes e Beto Fares, da rede Cultura de Comunicação, que está mais uma vez impressionado com a diversidade da música do Pará e que não será nada fácil definir o novo show do Terruá.

Aila, Arthur Espíndola, Luê, Calibre e mais...
“São 12 atrações, mas teremos também músicos convidados que irão compor o grande show. Queremos algo equilibrado, que garanta um ótimo espetáculo ao público e qualidade também aos artistas.

Vamos divulgar logo isso”, informou o produtor aos radialistas que comentaram a mostra nos intervalos dos shows, durante a transmissão pela TV, rádio e Portal Cultura. 

Miranda vem acompanhando a cena musical paraense há um tempo. Em meados dos anos 2000, ele esteve por aqui, à convite de Ney Messias, então presidente da Funtelpa, e participou do festival cultura de verão, realizado em Algodoal, onde grande parte das atrações selecionadas para esta primeira Mostra Terruá subiram no palco, montado na praia em frente à vila dos pescadores. Algodoal, desconfio, é uma espécie de terra natal do Terruá Pará. 

De lá pra cá, a cena, que já era madura, se destacou, de maneira diferenciada, e o Terruá somou ao impulso inevitável provocado pela mídia brasileira, que descobriu, “de repente”, a música paraense. No início sofreu críticas e gerou polêmica, mas foi em clima de confraternização que a mostra encerrou, ontem, no Teatro Margarida Schivasappa. 

Felipe Cordeiro na noite de aplausos 

Felipe Cordeiros encerrando a mostra
Os shows da última noite foram aplaudidos de pé. A abertura ficou por conta do rock do Molho Negro,seguido do charme, talento, presença de palco e excelente repertório de Olivar Barreto, para continuar com Aíla, que fechou sua apresentação performaticamente, cantando Todo Mundo Nasce Artista.

A programação contou ainda com a misturada de lambada, guitarrada e latinidades dos Populares de Igarapé-Miri. Tudo já ia ás mil maravilhas até que no final virou catarse. E se a banda ARK ‘causou’, surpreendendo com seu tecnomelody com sotaque de rock anos 1980, Felipe Cordeiro deixou o público estarrecido.

Postura de star, agora com menos bigode, é verdade, mas com performance cada vez maior e segura no palco, em apenas 20 minutos, ele levantou a plateia que já havia se inflamado com os shows que vieram antes. A apresentação de Felipe Cordeiro na mostra Terruá, o reafirmou como artista admirado do público paraense. Digo reafirmou, pois a multidão que, em abril de 2012, super lotou a Praça do Carmo, no centro histórico de Belém, para o lançamento de seu primeiro CD, já havia dado este recado. 

Os Cordeiros e banda arrebentaram!
Prova disso na Mostra terruá foi ele ser acompanhado em uníssono pelos fãs, quando cantou dois sucessos do ‘Kitsch Pop Cult’, ‘Legal Ilegal’ e ‘Lambada com Farinha’ e depois ao causar frisson mostrando algumas músicas inéditas do novo CD, gravado em Belém, Rio de Janeiro e em São Paulo, pelo programa Natura Musical, com apoio da Lei Semear. Com produção de Cassim e Carlos Miranda e participação de Arnaldo Antunes, o novo trabalho traz claramente as influêcias do ex-Titãs. 

A diversidade presente no resultado musical do show de Felipe também esteve exposta em sua banda. O cantor tem a seu lado um dos melhores produtores e compositores, fomentador da música paraense, o guitarrista Manoel Cordeiro, apresentado pelo filho como marajoara, nascido em Ponta de Pedras no Marajó, mas com cidadania amapaense, bragantina e belenense.

Felipe tem também Betão Aguiar, no baixo, que é filho do cantor e pesquisador Paulinho Boca de Cantor, do grupo Novos Baianos; tem o baterista Márcio Teixeira (bateria), ex-parceiro da banda de seu pai nos anos 1990; o tecladista Otto Ramos, produtor musical e articulador cultural do Amapá e Márcio Jardim (percussão), um dos criadores do Trio Manari, ao lado de Nazaco e Kleber Benigno. Enfim, foi uma grande noite!

Mostra deu certo, mas pode ficar melhor  

Pedrinho Callado fazendo pose!
O Terruá iniciou apenas com músicos convidados, em 2006. Ganhou elogios de quem foi abraçado pelo projeto e fez apresentações em São Paulo, mas gerou, por isso, polêmicas. Em 2012 foi realizado em Belém pela primeira vez, reunindo seu elenco em cinco dias de shows no Theatro da Paz, que ficou tão lotado quanto a I Mostra no Margarida Schivasappa, este ano. 

Na época, mais uma vez, o Terruá sofreu críticas que devem até ter contribuído para o lançamento de um edital em 2013, um passo importante do projeto em direção à democratização de seu processo de seleção. O público local foi conquistado e os artistas envolvidos, conquistados. Mas em um estado de dimensões como o Pará, muitos artistas que moram em municípios mais distantes ficaram de fora ou quiçá souberam do processo de seleção. 

Para ser mais democrático seria interessante realizar audições e inscrições em pelo menos uma cidade de cada região do Pará. Quem sabe uma espécie de seletiva no interior no Estado para a II Mostra Terruá Pará seja um bom caminho? Fica a sugestão. E um desejo: de que o Terruá funcione como ferramenta de mapeamento da produção musical, com objetivo de criar políticas de governo contínuas, incentivando projetos que joguem seus holofotes sobre as outras linguagens artísticas, fomentando, assim, a cadeia produtiva da cultura.

29.7.13

Uma semana para o Dia Mundial da Fotografia

Foto: Miguel Chikaoka (rpcfb)
A programação inclui fotovaral, curso e oficinas de fotografia, lançamento de livro, exposição de vídeo e café fotográfico. De 14 a 19 de agosto, no Instituto de Arte do Pará, em uma parceria com a Associação FotoAtiva. As inscrições são gratuitas e estão abertas. 

Há uma oferta diversificada para um público que pode ser profissional, amador e também atrair outros interessadosO curso de “Fotografia de Busca”, por exemplo, ministrada pelo fotógrafo mineiro Pedro David, vai apresentar conceitos e trabalhos de fotografia contemporânea, através de projeção multimídia e discussão em grupo. 

Vai discutir sobre as formas de elaboração das ideias que levam a cada trabalho, como: desenvolvimento dos temas, viabilização e elaboração de projetos, execução, finalização e montagem. A oficina será ministrada entre os dias 14 e 16 de agosto, das 14h às 19h. Inscrições abertas até 09 de agosto. 

No dia 14 também será montado o fotovaral “Imagens em trânsito”, com fotografias resultantes do trabalho de oficinas da jornada Pinholeday 2013 em Belém". Considerada a cidade com maior participação em todo o mundo no dia do pinhole, Belém possui grandes expoentes nesta técnica de fotografia artesanal, como Moisés Araújo e Renata Aguiar que ministram oficina de iniciação à fotografia pinhole através de práticas baseadas no uso e construção de minicâmeras.  No dia 18, domingo, e as inscrições estão sendo feitas na Associação Fotoativa. 

Entre os dias 17 e 18, o fotógrafo Miguel Chikaoka monta a instalação “Tenda Mágica”, com uma super câmera obscura para visitação no anfiteatro do IAP. Haverá ainda uma oficina sobre a câmera obscura com Evna Moura e Débora Flor durante a manhã do sábado, 17, no ateliê do Instituto. Para esta, as inscrições são na Associação FotoAtiva. 

História - Foi em 19 de agosto de 1839, que Daguerre apresentou sua câmera obscura na Academia de Ciências de Paris, batizada como daguerreótipo. Por conta deste episódio a data passou a ser reconhecida como o Dia Mundial da Fotografia.

Desta forma, as comemorações do IAP e FotoAtiva chegam ao seu ponto alto nesse dia quando haverá o lançamento do livro “Rota Raiz” de Pedro David, incluindo um café fotográfico com o artista e exibição do vídeo “Imagens em Trânsito”, contando um pouco da jornada do pinhole 2013 em Belém. 

A obra tem 128 páginas, 70 fotografias em cor, e alguns desenhos de reproduções de objetos misteriosos, é o registro de uma coleção. São imagens que o artista criou para guardar cenas pitorescas, porém transitórias, do sertão mineiro. Seu livro corresponde a uma tentativa do autor de materializar as imagens latentes, criadas durante a infância pelos casos de seus pais, viajantes também pelos ermos do norte de Minas. A edição de Rota Raiz é do professor e curador de fotografia Rui Cezar dos Santos.

As inscrições para as oficinas são gratuitas, mas devem ser feitas até 9/8. Vá ao site do IAP e baixe ou solicite a ficha de inscrição. E-mail: iap.artesvisuais@gmail.com. O pré-requisito é: interesse na produção de fotografia como arte.

PROGRAMAÇÃO 

Curso “Fotografia de Busca” com Pedro David 
Vagas: 20 
Período: 14 a 16/8 
Horário: 9h às 12h e 14h às 17h 
Local: Teatrinho do IAP 

Fotovaral “Imagens em Trânsito” 
Período: 14 a 19/8 
Local: Varanda 
Horário de visitação: 9h às 16h 

Instalação: “Tenda Mágica” (super câmera obscura) 
Período: 17 e 18/8 
Local: Anfiteatro Horário de visitação: 9h às 16h 

Oficina de Câmera Obscura 
Ministrantes: Evna Moura e Débora Flor. 
Dia: 17/8
Horário: 9h às 12h 
Local: Ateliê 
Inscrições: Associação FotoAtiva - 3225 2754 

Oficina de Mini Pinhole 
Ministrantes: Moisés Araújo e Renata Aguiar.
Dia: 18/8 
Horário: 9h às 12h 
Local: Ateliê 
Inscrições: Associação FotoAtiva – 3225 2754 

Exibição de Vídeo “Imagens Em Trânsito” 
 Dia: 19/8 
Hora: 19h 
Local: Teatrinho 

Café Fotográfico “Fotografia De Busca” 
Diálogo com o convidado sobre a linguagem fotográfica e sobre a sua obra 
Convidado: Pedro Davi 
Dia: 19/8 
Hora: 19h15 
Local: Teatrinho 

Sessão de Autógrafos - Livro “Rota Raiz” 
Com Pedro David 
Dia: 19/8 
Hora: 17h 
Local: Varanda

(Com informações da assessoria de imprensa do IAP)

25.7.13

In Bust e Sirênios chegam de bubuia em Macapá

In Bust, no rio Amazonas - Fotos: José Rodrigo
Sim, navegar é preciso. O In Bust Teatro com Bonecos sempre soube disso e agora mais do que nunca. Foi pelo rio Amazonas, depois de passar em outras cidades, que eles chegaram em Macapá, nesta última terça-feira, 23, à noite, depois de navegar por 12 horas. 

O grupo vai realizar por lá uma oficina, de 25 a 27 de julho, na Fortaleza de São José, em Macapá (Rua Cândido Mendes, s/n), onde também apresentará o espetáculo Sirênios, na sexta, 26, e no sábado, 27. A comunidade de Maruanum (AP), também ganha uma apresentação, no domingo, 28, na sede da Associação do Quilombo de Santa Luzia, a partir das 18h.

Pegar o barco e sair por aí. Este é o objetivo de “Sirênios de Bubuia no Rio Amazonas”, projeto que foi lançado em Belém, dia 30 de junho, no Casarão do Boneco. Naquele domingo, a seleção brasileira de futebol estava jogando para garantir sua posição na final na Copa das Confederações. A pergunta que não queria calar, era: "vamos ter público?". Teve!

O lançamento, no anfiteatro dos Tajás
E sob fogos de artifício e gritos de gol, que vinham dos prédios em torno do anfiteatro dos Tajás, uma plateia de aproximadamente 20 pessoas viu a apresentação do espetáculo Sirênios, que partiria de mala e cuia, no dia 8 de julho, para o oeste paraense.

As apresentações e uma oficina iniciaram em Santarém e Alter do Chão. De Santarém, a turma de nove bravos integrantes - Adriana Cruz, Paulo Nascimento, Aníbal Pacha, Cristina Costa, Cincinato Marques, Íris Nascimento, Dandara Nobre, Milton Aires e José Rodrigo -, seguiu para Alenquer, depois Monte Alegre, Prainha e Almerim até chegar em Macapá.

Contemplado com o Prêmio Funarte Myriam Muniz de Teatro/Minc/Governo Federal, o projeto “Sirênios de Bubuia no Rio Amazonas”, concluirá então, neste final de semana, sua primeira etapa. Na próxima segunda-feira, já estarão em Belém novamente, para o planejamento da segunda fase, que deve, em outubro, circular por cidades do arquipélago do Marajó, em mais uma experiência fluvial.

Projetos itinerantes

Alter do Chão
Para quem já percorreu tanto chão, pegar um barco ao invés de uma van, é mais que necessário, afinal  de contas a gente vive aqui neste mundão de águas. E na verdade não foi a primeira vez.

É fato. Os maiores projetos do In Bust são os de circulação.

O grupo realizou pelo menos cinco edições do projeto “Bonecos na Estrada”, e levou seus espetáculos a municípios próximos ou mais distantes e às comunidades quilombolas espalhadas por diversas regiões do estado. Já esteve, só com este projeto, a mais de 50 municípios, mostrando-se para um público de mais de 20 mil pessoas.

O In Bust já visitou diversos espaços e comunidades, no centro ou periferia de Belém, e chegou à região das ilhas que ficam no entorno da capital, com o “Sábado Comunidade”. E também já participou do Sesc Amazônia das Artes, chegando a outros estados da região Amazônica e uma cidade no nordeste, e do Palco Giratório, também do Sesc Nacional, indo para outras regiões do país. Mas já havia algum tempo, que não se saia assim, levando a sua arte de manipular e interagir com bonecos, linguagem que pesquisa há mais de 16 anos em que está... na estrada!

Adriana, em cena - Alenquer
Olhar é alimento - Tais viagens, mais do que simplesmente seguir o roteiro de um projeto, são alimento poderoso para o processo criativo do grupo. Para ele é costume e lema beber na fonte do imaginário popular, chegar mais próximo da cultura e do cotidiano na vida de quem vive na ribeira ou no coração da Amazônia. 

“A circulação não é pra gente mostrar simplesmente um trabalho, mas pra gente alimentar e recriar nossos espetáculos, a partir do lugar em que chegamos”, diz Adriana Cruz. Para ela, o espetáculo funciona como um diálogo com o público. Ela fiz que em cada lugar este diálogo acontece de uma forma diferente.

“Algumas coisas que acontecem ali, podem se alterar na hora o espetáculo. São coisas que nos apropriamos e agregamos ao espetáculo, que aliás, volta da circulação bem diferente do que foi. Nunca é o mesmo. Estamos com os canais de percepção sempre ativos para ouvir histórias, pesquisar e registrar, tomar café com as pessoas.. ouvimos sempre boas historias. Isso tudo, de alguma forma, vai nos servi ali ou mais na frente”, continua Adriana.

Prainha
“O olhar é tudo pra gente”, dispara mais um dos integrantes do grupo, Aníbal Pacha, ator manipulador, bonequeiro e cenógrafo do grupo que também mergulha na arte do figurino.

“O meu olhar, particularmente, vai pras coisas do local, a sua artesania, a arte popular, os objetos de utilidade que posso encontrar no mar, no rio, enfim, tudo que possa trazer pra gente elementos pra nossa estética da nossa criação”, explica Pacha.

Além do processo próprio do grupo, desta vez, Aníbal Pacha também estará atento a algo mais extenso. “Sirênios vai, provavelmente, se desdobrar no meu trabalho de mestrado. Elegi este espetáculo, seus objetos e bonecos, como elementos para eu discutir o In Bust”, diz o bonequeiro, que explica, ainda: "este espetáculo possui um diferencial. Nasceu em formato gigante para depois ter tudo seu reduzido, mas carregado nestas matérias de pesquisa", diz.

Ele utiliza a artesania que o grupo descobre exatamente quando circula. "São basicamente as cestarias desta região que constroem a estética de Sirênios. E claro, vou coletar outras coisas pra alimentar o nosso fazer enquanto objetos dentro da cena, seja o boneco, o adereço, o cenário e tudo que se formata dentro desses nossos repertórios”, reflete.

O 1º embarque foi em barco de linha...
Aprendendo com a produção 

Além do fator processo de criação,não podemos esquecer que isso só acontece porque há um planejamento, uma produção que permite que se circule.

E junto a isso, há o custo (amazônico), as grandes distâncias, e dificuldades de comunicação, relacionados à produção cultural na Amazônia. E com toda a experiência que carrega, In Bust reconhece que nesta relação entre capital e interior, no quesito produção, cada projeto traz novos e diversos riscos e apontam outros caminhos.

“Antes de viajar, mapeamos o nosso roteiro. Em algumas viagens registrei coisas que achei importante para próximas produções, e muita coisa aprendemos, mas desta vez as coisas funcionaram diferentes. Na região oeste do Pará, tudo pareceu mais difícil, como a questão do transporte”, diz Paulo Nascimento.

“Queremos fazer um diário de bordo registrando mais e mais detalhes desta viagem, para disponibilizar a todos e quem sabe ajudar outros projetos que queriam ser feitos nesta região", continua. Dá certo. Uma das experiências que foram aproveitadas de outras viagens do grupo foi a decisão de fretar um barco próprio do projeto, ao invés de ficar dependendo dos dias e horários dos barcos de linha que os levariam aos municípios que fazem parte do itinerário de “Sirênios de Bubuia...”.

... até chegar ao barco Sirênios.
“Isso com certeza foi algo que nos facilitou muitas coisas. Quando batemos martelo no trajeto mais complicado, resolvemos fretar um barco que ficasse a nossa disposição do que ficar dependendo do barco de linha, por ter que esperar horários etc. Na primeira vez que fomos de Santarém para Manaus, tivemos contratempos assim” , conclui Paulo Nascimento.

O roteiro ficou assim. O grupo chegou em Santarém de avião e pegou de lá um barco para Alter do Chão, retornou a Santarém, seguiu para Monte Alegra, Alenquer, Prainha e Almerim, para agora seguir para outro estado, o Amapá. Para a produtora do grupo, Cristina Costa, o aprendizado da vez foi compreender que entre a ansiedade da produção e a realidade dos lugares para onde se queria levar o projeto, há uma enorme diferença "que precisa ser assimilada e não combatida", ressalta.

"Cada lugar tem seu ritmo e é preciso aprender a lidar com isso. Queremos fechar as coisas, deixar tudo bem amarrado, há urgência, mas a vida lá é outra, o ritmo é outro e a forma que as coisas se desenrolam lá é outra. É importante ter este entendimento na produção”, diz Cris.

Levando nove pessoas na equipe, entre atores manipuladores e técnicos, um aparato de luz, som, além do cenário e outras ferramentas que fazem parte do projeto, a ideia do In Bust é estar preparado para se apresentar em qualquer lugar, sem necessitar de tanta infraestrutura da cidade.

Alter, em Santarém
“Embarcamos para realizar uma circulação independente de estruturas. Só precisamos de energia e talvez de algumas cadeirinhas, mas enquanto nos planejamento, sempre criamos um modelo que nos proporcione aproveitar bem os espaços disponíveis em cada cidade.

A escadaria de uma igreja, o anfiteatro da praça, a sede social, comunitária, enfim, é tentar ver na cidade, de que forma a gente ressignifica os espaços que já existem ali”, conclui Cristina.

Ficha Técnica

Elenco: Adriana Cruz, Anibal Pacha e Milton Aires.
Direção: Paulo Ricardo Nascimento
Produção: de Cristina Costa
Roteiro e criação dos textos: coletivos, do grupo
Confecção de bonecos e cenografia: Aníbal Pacha, baseado nos bonecos originais de Aline Chaves
Máscaras: Bruce Macedo
Figurino: Mariléia Aguiar
Sonoplastia: Paulo Ricardo Nascimento, com consultoria de Nazaco Gomes, e contribuições de Fábio Cavalcante e André Mardock
Operação de som: Dandara Nobre
Assistência de direção: Íris Nascimento
Assistência de produção: Cincinato Marques Jr., Andrea Rocha e Thiago Ferradaes 
Registro Fotográfico: Rodrigo José
Assessoria de imprensa: Luciana Medeiros ;)

AGENDA - Amapá

Oficina

Macapá
Dias 25, 26 e 27 de julho, das 8h30 às 12h30
Local: Fortaleza de São José de Macapá (Rua Cândido Mendes, s/n ).
Oficineiro: Adriana Cruz/Assistência: Paulo Ricardo Nascimento

Apresentações de Sirênios

Macapá
Sexta, 26 e sába, 27, às 20h
Local: Fortaleza de São José de Macapá

Maruanum 
Dom, 28 de julho, às 18h
Local: Sede da Associação do Quilombo de Santa Luzia do Maruanum.

Informações: 91 8110.5245.

23.7.13

As “Paisagens Engolidas” de Véronique Isabelle

Paisagens Engolidas
Intitulado “Mergulhar nas águas e trilhar o Porto do Sal, ensaios sobre um percurso etnográfico”, o trabalho de Mestrado em antropologia, de Véronique Isabelle, resultou em uma exposição “Paisagens Engolidas”, que será aberta, só nesta terça, 23, das 11h às 18h, logo depois da artista enfrentar, às 10h, a defesa da tese, também na Casa Rosada, na Cidade Velha. Antes, a canadense conversou com o Holofote Virtual. 

Véronique nasceu em Québec (Canadá), nos anos 1980, mas desde 2008 vive e trabalha em Belém. Chegou aqui à convite do artista plástico Armando Sobral, para participar da exposição “Realidades Transitórias”, na Casa das Onze Janelas, junto com quatro outros artistas quebequenses.

Ficou. E rápido, não só se adaptou, como se inseriu e interage agora em diversos contextos artísticos. Véro, como é chamada pelos amigos, achou seu caminho e estabeleceu um contato real com uma cultura tão diferente da sua. 

O resultado é este. Cinco anos depois, cá está ela defendendo seu trabalho de Mestrado, realizado na Universidade Federal do Pará, sob a orientação do Prof. Dr. Flávio Leonel da Silveira. "A experiência do lugar e o encontro com as pessoas da cidade foram tão marcantes, que decidi morar na cidade, por um tempo indeterminado, a fim de desenvolver novas linhas de pesquisa, no meu trabalho artístico”, diz. 

Encantados
Membro do Coletivo do Atelier do Porto, onde atua artisticamente, além de Mestre em Antropologia Social, Véronique também é Bacharel em Artes Visuais, formada pela Université Laval (Québec) e École Supérieure des Beaux-Arts de Marseille (France). 

Individualmente, expôs as pinturas “Larguer les Amarres” (2005) e “Le quai et l’écho (2008), na Galerie 67, em Québec (Canadá). 

E além exposição coletivas na França, no Brasil e no Canadá, também participou também em belém, das exposições “Paná Paná” (2010), na Galeria Théodoro Braga, “Entre nós” e “Gravura contemporânea no Para”, no CCBEU, e do XXX Salão Arte Pará, como artista convidada. 

Em São Paulo, ano passado, organizou e participou do projeto “Coletiva/Coletivos” reunindo três exposições coletivas e ciclos de conferências. 

A seguir, Véronique, que vai defender o trabalho de mestrado e abrir exposição na bela Casa Rosada, um casarão restaurado pela Alubar, em parceria com a Universidade Federal do Pará, através do Fórum landi, contou mais sobre sua pesquisa.

Véronique em ação, no Atelier do Porto
Holofote Virtual: O que você mostra nesta exposição?

Véronique Isabelle: A exposição reúne trabalhos produzidos no decorrer dos dois anos de pesquisa que realizei no Porto do Sal, onde a arte se apresenta como meio de inserção e imersão em suas paisagens portuárias. 

As obras se apresentam como um conjunto de encontros gravados, inscritos, desenhados, pintados que possuem um caráter documental próprio, testemunham um tempo compartilhado, se configuram como experiência artística singular. Meu olhar estrangeiro proporciona outra perspectiva para abordar essas paisagens. 

Holofote Virtual: O teu olhar estrangeiro te ajuda a ver estas paisagens sob outras perspectivas?

Véronique Isabelle: O olhar estrangeiro examina a realidade com menos preconceitos por ser menos ligado a laços que poderiam prejudicar sua percepção, sua compreensão e sua apreciação das informações que recebe e percebe. Por isso o olhar estrangeiro convida, às vezes, a “re-olhar” o que parece tão familiar ou mesmo despercebido. 

Porto do Sal (Foto: Elaine Arruda)
Pouco a pouco, ao me aproximar das pessoas do Porto do Sal e das suas paisagens, percebi o quanto o lugar é marginalizado por grande parte da população. Na margem da margem. 

Então, realizei um percurso sinuoso que levou meu olhar na busca do que não é visível à primeira vista; meu olhar se prolongou no desenho, na fotografia, nas narrativas, no olhar do Outro e esse olhar se volta sobre ele mesmo, retorna a si dadivoso. 

Meu olhar sobre a estética do Porto do Sal se transformou também ao longo deste percurso e agora, através dessa exposição deixo também emergir imagens ancoradas na poética que é própria ao imaginário relacionado ao Porto do Sal. 

Holofote Virtual: Qual foi e como você fez este percurso? 

Véronique Isabelle: As minhas derivas nas paisagens do Porto do Sal, inscreveram-se num percurso que descrevi com imagens e reflexões a partir das quais retratei o lugar não como ele é, mas como ele se deu a ver para mim. 

Convido aqui o público a mergulhar num conjunto de imagens recolhidas, produzidas e reunidas ao longo da minha experiência singular do campo de pesquisa, de imersão nas paisagens portuárias peculiares de Belém. 

Rock e Luis sentados na ponte (extrato nogueira s/papel, 2012)
Holofote Virtual: Como foi que a tese se tornou exposição?

Véronique Isabelle: Esse mestrado me permitiu criar as condições para que eu pudesse me aproximar desse universo, o Porto do Sal, e a partir daí tentar questioná-lo sob diversas perspectivas. 

A antropologia me permite aprofundar minha compreensão dos lugares e minhas relações com as pessoas e as paisagens e a arte se torna para mim um meio para me engajar nessas novas paisagens, assim como uma ferramenta de pesquisa e um agente relacional. 

Holofote Virtual: Depois deste Mestrado o que você ainda pretende investigar? 

Véronique Isabelle: Sinto a necessidade de desenvolver uma prática que implique cada vez mais uma investigação em contato direto com o mundo, que me possibilite experimentá-lo através do meu trabalho. 

Foi no Brasil que afirmei o desenvolvimento de uma prática artística baseada em experiências de imersão. Sendo assim, este desejo de realizar um trabalho em contato direto com a realidade vivida pelas pessoas, me levou naturalmente a propor reflexões que me aproximaram, pouco a pouco, do campo antropológico. Pretendo continuar a atuar nesta interdisciplinaridade e realizar projetos que me permitam criar novas formas artísticas a partir dessa relação. 

O Atelier do Porto
Holofote Virtual: Você disse que houve uma aproximação marcante com a cidade e as pessoas. Eu te vejo sempre no circuito artístico. Fala um pouco desta relação. 

Véronique Isabelle: Existem pessoas queridas com quem eu trabalho, que me inspiram nas suas produções tanto pessoais quanto sociais. 

Existem alguns a quem chamo “artistas cidadãos”, preocupados em atuar na vida social em diferentes perspectivas a partir da arte, que servem para mim de referência. 

Nomeio aqui por exemplo Armando Sobral, Armando Queiroz, Elaine Arruda, Paula Sampaio e Miguel Chikaoka. Trabalho também no Atelier do Porto e esse projeto de atelier, para mim, é uma maneira de ser e de atuar no mundo. O Atelier do Porto me proporciona essa perspectiva por exemplo de agir diretamente numa determinada realidade. 

Na Ponte Brilhante, aquarela s/papel, 2011
Holofote Virtual: Como você vê a cena atual da cidade? 

Véronique Isabelle: Tem ideias e produções lindas que circulam por ai que estão dialogando diretamente com a realidade rica e peculiar dessa região, acho que o lugar em si, nas suas questões sociais, ambientais e culturais provocam e instigam uma outra maneira de pensar e fazer a arte. 

Além disso, é importante também acompanhar e participar do movimento atual de reivindicação por melhores condições para escoar essa produção artística diversificada. 

Holofote Virtual: Mas a sua exposição é só hoje, mesmo? 

Véronique Isabelle: A exposição, por enquanto, esta marcada somente para o dia 23 de julho. Um dia apenas! Logo depois vou viajar para Québec, no Canadá, rever minha família, meus amigos queridos e pegar um friozinho gostoso!

22.7.13

Pintor italiano faz a primeira exposição em Belém

A Elf Galeria realiza no próximo dia 25 de julho, uma exposição do artista plástico italiano Giorgio Drioli. Pintor e cenógrafo formado na Academia de Belas Artes de Bolonha, Drioli se especializou em pintar cenários que dão vida a óperas e espetáculos em grandes teatros. 

Drioli sai do pano de fundo para ser atração principal em uma mostra que apresenta trabalhos em aquarela, retomando o diálogo entre a arquitetura barroca de Bolonha, na Itália, cidade onde vive, e as igrejas de Belém, do século XVIII. 

Em Belém, por intermédio do Fórum Landi, Drioli realizou com o italiano Pietro Lenzini a pintura em quadratura da Sala Bolonha na Casa Rosada, na Cidade Velha. Atualmente, os dois artistas desenvolvem o cenário da ópera “O Trovador”, de Giuseppe Verdi, que integra o XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, que inicia em agosto.

Na série de aquarelas apresentadas na exposição, destaca-se a perspectiva cênica de interiores e exteriores de edifícios históricos, em que o enquadramento da imagem proporciona ângulos incomuns, ressaltando detalhes da arquitetura. 

Do patrimônio histórico de Belém, Drioli retratou as igrejas do Carmo, Santana, São João, a Capela Pombo e a Catedral Metropolitana. O tratamento em perspectiva segue a tradição de Ferdinando Bibiena, importante arquiteto bolonhês, do século XVIII. 

O ambiente é retratado com uma área de visão diagonal, de forma que a representação espacial assume uma forma mais dinâmica e incomum. Fora a geometria do desenho, as obrassão feitas com muita liberdade, assim, distanciando-se do virtuosismo pictórico do exercício acadêmico. 

Nascido em Roma, em 1969, Giorgio Drioli é pintor e cenógrafo, formado na Academia de Belas Artes de Bolonha, frequentou cursos de Cenografia Cinematográfica e Televisiva em Skelleftea, na Suécia, e na Escola de Arte de Utrecht, na Holanda. 

Tem experiência em atividade teatral no âmbito da lírica e da prosa. Trabalhou no Teatro Municipal de Bolonha e, entre as várias atividades, destaca sua participação no Festival de Música de Londrina, no Paraná, com o Teatro Potlach, em 2000. 

Serviço
A mostra "Perspectivas", de Giorgio Drioli, permanecerá aberta de 25 de julho a 7 de agosto de 2013, com visitação de terça a sexta-feira, das 10 às 19h, e aos sábados, das 10 às 17h na Elf Galeria, que fica na passagem Bolonha número 60. A entrada é gratuita.

Algumas coisas para se divertir nesta semana

A cidade traz programação de cinema, artes visuais, música e teatro que acentuam o clima de férias, mesmo para quem fica na cidade trabalhando, durante a semana. Há coisas pontuais e algumas novidades, que ganham ênfase de segunda a quarta-feira. 

Em sua sétima edição, por exemplo, o Festival Cultura de Verão, realizado pela Funtelpa – Rede Cultura de Comunicação - inicia na segunda, trazendo para o circuito, projetos artísticos experimentais que são apresentados para o público, no Reator - Trav. 14 de Abril, 1053, próx. a Gov. José Malcher. 

Das 17h às 19h, na Laje, o DJ Leo Bitar manda um set list especial para acompanhar o por do sol. No Café Reator, também a partir das 17h, são exibidas produções que estão fora de circulação, de diversos seguimentos, em linguagens de documentário, curta metragem, videodança, videoarte, shows de música.

Nesta segunda há pérolas, iniciando com os vídeos  “Marechave” e “Secreto Coração”, ambos com Alberto Silva Neto e Valéria Andrade, e direção de Kil Abreu (ano 1993) e segue com o inusitado curta “A Balada” (2003), gravando em três ou quatro dias em Belém, tendo no elenco Daniel Gomes, Andreia Rezende, Betty Dopazo, Cláudio Barros, Astrea Lucena e Joseanne Dias, com direção Maurity Serrão.

Também serão exibidos a “Árvore - I e II”, de Paula Sampaio; "NAU", um show musical com Andreia Rezende e Augusto Monteiro, gravado no Cine-Teatro Libero Luxardo, em 1993, com direção e textos de Kil Abreu, cenografia de Nando Lima; iIluminação de David Matos e produção de Luis Carlos Navegantes; e “GoFish – Desfile”, com looks de Maurity Serrão, cabelos e Makup de Uirandê Holanda, realizado em 1996. A noite do Reator vai encerrando, a partir das 20h, na sala de espetáculos, com a apresentação de “Morgue, Insano and Cool”, performance de Nando Lima.

Antropologia
Artes visuais 
Teatro
Música 

Na terça-feira, 23, será aberta a exposição "Paisagens engolidas", que integra a defesa de Mestrado em antropologia da artista canadense Véronique Isabelle. 

Intitulado “Mergulhar nas águas e trilhar o Porto do Sal, o trabalho reúne ensaios sobre um percurso etnográfico”, realizado na Universidade Federal do Pará, sob a orientação do Prof. Dr. Flávio Leonel da Silveira. 

A defesa também é na terça-feira (23/07), na Casa Rosada (R. Siqueira Mendes, 61 - Cidade Velha), às 10h da manhã, onde em seguida será aberta ao público, s exposição, que terá visitação até às 18h, mas somente neste dia. 

A mostra reúne obras produzidas no decorrer dos dois anos de pesquisa da artista no Porto do Sal, onde a arte se apresenta como meio de inserção e imersão em suas paisagens portuárias, representadas em um conjunto de encontros gravados, inscritos, desenhados e pintados, que possuem um caráter documental próprio, testemunham um tempo compartilhado e se configuram como experiência artística singular. 

Segue também, na terça-feira, 23, a Mostra Terruá Pará, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur (Av. Gentil BIttencourt, entre Quintino e Rui Barbosa), com a apresentação dos grupos Som de Pau oco, Cronistas de Rua, Loopicínico, Strobo, Trio Manari e Madame Saatan. Na semana que vem a mostra encerrará com shows da banda Molho Negro, Olivar Barreto, Aila, João Gonçalves e Os populares, de Igarapé Miri, Banda ARK e Felipe Cordeiro. 

Banda Índigo Blues
Ápice - É na quarta-feira. Tem Black Soul Samba, dia 24, com show da banda Índigo Blues, no Palafita (R. Siqueira mendes, Cidade Velha). A entrada é franca das 18h ás 20h e depois cobram o valor de R$ 15,00 (R$ 8,00 pra estudante). O show, com muito rock e blues, começa às 23h.  

No SESC Boulevard (Av. Castilho França, em frente á Estação das Docas), neste mesmo dia, às 19h, tem show da banda Desvairado Jazz, com Cássio Lobato (bateria), Mário Jorge (baixo) e Bob Freitas (guitarra) e participação de Rodrigo Nunes, ao piano. 

Voltando ao Festival Cultura de Verão, no Teatro Cuíra (1º de Março, bem na esquina da Riachuelo), há algumas edições um dos points mais concorridos do festival, vem sendo realizada a programação teatral. Nesta quarta, 24, em cartaz “Ritos”, da atriz Michelle Campos, a partir das 19h. 

Antes, ainda no hall de entrada do Cuíra, Jeferson Cecim faz seu teatro lambe lambe, e nos contempla com uma prévia de Mater Dolores – Desvãos da memória, espetáculo de teatro de caixa premiado com o edital de Teatro de Rua, Funarte 2012, com estreia prevista para setembro. Também às quartas tem programação de cinema no cine Líbero Luxardo, às 19h. 

Pinduca
Os shows, que antes eram apresentados na Praça do Carmo ou no Píer da Casa das Onze Janelas, desta vez, ganharam espaço no anfiteatro São Pedro Nolasco, da Estação das Docas, também às quartas. Em cena Grupo de carimbó Alegria do Cafezal, Boi Malhadinho e Pinduca, encerrando a programação do mês. 


Agora, ocupado com os shows do Festival Cultura de Verão, o anfiteatro da Estação vem sendo atualmente, o espaço de referência para estas iniciativas. À exemplo, foram realizados ali, entre outros, os shows de Tulipa Ruiz, Siba e Márcia de Castro, pelo programa Natura Musical. 

Diversos outros artistas se apresentaram em três dias de programação do Conexão Belém, no mês de junho, mais recentemente rolou a programação musical do Festival Movimento HotSpot Belém, com Luê, Gang do Eletro, Strobo, Allan Carvalho e DJ Jaloo. 

Para saber mais sobre agenda e notícias da cena cultural em Belém do Pará, acesse também o Guiart, o Gotazkaen Estúdio, a agenda do Cultura Pará e o próprio Holofote Virtual, no Facebook, e ainda o Pará Música, o Portal Cultura e o blog do SESC Boulevard

19.7.13

Cine Estação exibe Francis Ford Coppola

Apontado pela crítica especializada como um dos mais interessantes de Coppola, Tetro entra em cartaz nesta sexta-feira, 19, no Cine Estação das Docas, às 20h30. Há sessões também sábado, 20, às 18h, no domingo, 21, as 10h e 20h30 e ainda na próxima quarta-feira, 24, às 20h30. O preço é menor que o praticado nas salas comerciais, sai por R$ 8,00..

Ele já esteve no Brasil outras vezes, conheceu o Rio de Janeiro e Curitiba, mas em 2010, a visita de Francis Ford Coppola a São Paulo foi pontual. O cineasta americano participou de um evento na Faap, que exibiu "Tetro", seu novo filme que estava para estrear nos cinemas brasileiros.

Mais uma vez, como é recorrente em sua obra, Coppola aborda as relações familiares, mais exatamente de pais e filhos. O filme começa com um jovem marinheiro que chega a Buenos Aires em busca do irmão mais velho, que é escritor.Ambos são filhos de um maestro que mantém uma relação difícil com os filhos. O garoto encontra um manuscrito do irmão. Descobre segredos de família. Embora não seja autobiográfico, o filme inspira-se na relação de Coppola com o irmão mais velho. 

"Eu o admirava profundamente. Achava que ele era o gênio da família, mas, por uma série de coincidências, eu virei o artista e me tornei famoso, o que achava que ia ocorrer com ele", disse Coppola em entrevista à imprensa paulista.  

Ao lado de nomes como Martin Scorsese, William Friedkin, Arthur Penn, Robert Altman, Mike Nichols e Steven Spielberg, Coppola foi um dos renovadores do cinema americano na década de 70. 

O diferencial do grupo foi ter conseguido provar para os estúdios que o papel do diretor era fundamental para a qualidade do cinema, mudando para sempre o esquema vigente em Hollywood em que os produtores tinham plenos poderes. Leia mais sobre esse assunto, aqui

Serviço
Tetro. Direção: Francis Ford Coppola. Gênero: Drama (EUA-Itália-França-Argentina/ 2009, 127 min.). Censura: 14 anos. Em exibição no Cine Estação das Docas – Teatro Maria Sylvia Nunes. Na Av. Castilho França, na orla da cidade, próximo ao Ver-o-Peso, em Belém do Pará.

17.7.13

Loopcinico traz show do novo CD pra Belém

O grupo que vem do Maranhão, mas com vários pés fincados no Pará, faz em Belém dois pocket shows, nos dias 20 e 22, e lança o CD homônimo, gravado aqui, na próxima terça-feira, 23, dentro da Mostra Terruá Pará. O repertório, que equilibra percussão e programações eletrônicas, com letras e vocais inspirados na batida de ritmos como o Boi de Zabumba, Carimbó e Tambor de Mina e de Crioula, também se entrelaça com a musicalidade paraense das guitarradas, dos metais do carimbó e dos merengues, cúmbias e lambadas. 

Criado pelo percussionista Luiz Claudio, em São Paulo, na década de 90, o grupo ganhou nome sugerido pelo cantor e compositor Zeca Baleiro com quem o músico tocava na época. No palco do Terruá, o Loopcínico vai contar com o próprio Luiz Claudio, nas percussões, vocais e direção musical, Lobo Siribeira nos vocais, letras e percussão, Beto Ehongue nas programações eletrônicas e arranjos, além de Thiago Albuquerque nos arranjos e sintetizadores. 

Adotando um processo pouco comum, eles quebram a ideia de que o ritmo tem de ficar por trás da letra, na cozinha. “Hoje priorizamos o ritmo por ser a forma de música mais ancestral que existe e o que melhor define, traduz e representa a música produzida na Amazônia e no Nordeste do Brasil”, diz Luiz Cláudio. “E, em função destas batidas, criamos as linhas de baixo e guitarra programados, além dos efeitos e samplers de voz, a cargo de Beto Ehongue. Não usamos bateria. Os solos são dos tambores, e não de guitarras ou teclados, como usualmente é feito. Mas demos destaque especial às letras curtas e possantes e a voz de Lobo Siribeira”, destaca. 

O CD, gravado em Belém, no Estudio Na Music, com produção de Thiago Albuquerque e Luiz Felix Robbato, traz também Beto Ehongue nas programações e harmonizações e Lobo Siribeira nas composições e voz principal. E não é só isso. A gravação teve ainda participações especiais de Anna Claudia nos vocais, Nazaco e Kleber Benigno do Trio Manari, na percussão. 

Mix de sons do pará e do Maranhão
O resultado sonoro é uma grande mistura. Traz as batidas e poesia dos estados do Pará e Maranhão em um diálogo que se revela em várias das músicas do CD, destacando-se mais claramente em “Curimbóbatá”, que celebra a união entre o tambor de mina e o carimbó. A faixa foi gravada com curimbós e tambores de mina, com a participação de Nazaco do Trio Manari. 

“Nasci em Belém e nas minhas veias correm o açaí e a juçara, os rios do Pará e o mar do Maranhão, o que me inspirou a criar esta Pororoca de sons que é o Loopcinico, o encontro dos ritmos maranhenses com a musicalidade das guitarradas, o batuque do Carimbó, que segundo contam alguns pesquisadores paraenses, surgiu em Marapanin, conhecido então como Carimbó Praiero, e pela influência de famílias maranhenses que para lá mudaram levando na bagagem ritmos e instrumentos, que se entrelaçaram com os rituais indígenas e deram origem ao Carimbó”, continua Luiz Cláudio. 

Loopcinico, o nome do grupo, faz clara alusão ao compositor Lupicínio Rodrigues e Loop, a um termo de linguagem eletrônica. “O cínico ficou por conta do cinismo fantástico e de bom gosto das letras do Lupcínio e de todo programador eletrônico, que faz de suas produções uma colcha de retalhos de samplers, de deus e todo mundo”, explica. 

Depois de Belém, o Loopcinico tem alguns shows programados para São Paulo. “A Tratore, que distribui nossos CDs está articulando alguns shows de lançamento e possivelmente vamos fazer a rede SESC também. Estamos articulando uma viagem para Nova York para lançar o CD LOOPCINICO na primeira semana de setembro. Nosso CD está no programa Mês da Amazônia, projeto da rádio digital Rdio em parceria com a Tratore e Ná Music”, finaliza Luiz Cláudio. 

Serviço
Os shows em Belém acontecerão neste sábado, 20, às 20h, na reabertura da Pizzaria do Hotel Portas da Amazônia - Praça Frei Caetano Brandão - Cidade Velha; na segunda-feira, 22, faz pocket show às 19h, na Livraria Saraiva – Boulevard Shopping – Av. Visconde de Souza Franco, 776 Loja 233 Reduto; e na terça-feira, 23, na Mostra Terruá Pará, a partir das 20h, no Teatro Margarida Schivasappa – Av. Gentil Bittencourt, 650 Nazaré. Tudo entrada franca.

16.7.13

Artistas levam manifestação para ruas de Belém

Fotos: Ronaldo Rosa

Depois do ato no palco do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, onde acontecia, no dia 09 de julho, mais uma apresentação da Mostra Terruá Pará, artistas se reuniram durante a semana e se mobilizaram também via redes sociais, para sair hoje às ruas. 

A manifestação iniciou por volta das 8h, no bairro da Campina, mais exatamente na Rua Riachuelo esquina da 1º de Março, em frente ao Teatro Cuíra, em Belém do Pará. Antes, os cerca de 150 artistas de várias áreas se reuniram na sala de espetáculo, onde foi lida a carta que pede a saída do secretário de cultura Paulo Chaves. 

"Viva a cultura paraense, o teatro, os pássaros, a ópera". Com estes e outros gritos de ordem a manifestação seguiu pela rua Presidente Vargas passando pela frente dos teatros Waldemar Henrique e da Theatro da Paz, em direção à Secretaria de Estado de Cultura, na Av. Magalhães Barata, chegando lá por volta das 11h e encontrando os portões fechados e com policiamento.

“Não é nada demais que estamos pedindo, a não ser uma política pública decente para a cultura desse Estado”, disse Alberto Silva Neto. “Gestores municipais da cultura, nós vamos até vocês também”, informou o ator.

A manifestação ganhou força quando o ator Adriano Barroso deu início à leitura da carta que pede a demissão do secretário e em seguida foram dados exemplos de descaso com a cultura e o patrimônio público, como as ruínas do São Cristóvão, Teatro símbolo do Cordão de Pássaros, manifestação cultural ímpar do Estado. 

O prédio, que fica em frente à antiga Casa do Governador (hoje, a secretaria de cultura), foi o local escolhido para encerrar o ato e anunciar a próxima ação, na quinta-feira, 18 de julho, em frente ao Theatro da Paz. Os artistas, porém, reforçam que não se trata de acabar com o Festival de Ópera, que vem contemplando em sua equipe músicos, bailarinos, cantores e técnicos paraenses.

O que o movimento entende é que seus gastos poderiam também estar sendo investidos em políticas de editais e bolsas de pesquisa, como as do IAP que vem atendendo um número pequeno de projetos, por falta de outros recursos. “Também não estamos contra o Terruá. Só queremos a democratização da cultura”, focam os manifestantes. "Nossa luta não é excludente, é agregadora", enfatizam.

Não é a primeira vez que acontece uma manifestação dessa natureza, no Pará.

“Já existem, há décadas, inúmeros movimentos de artistas e produtores culturais paraenses defendendo políticas públicas para a cultura. Não somos os primeiros a fazê-lo. Nem seremos os últimos. É uma luta contínua. Mas, de algum modo, nosso grito ecoou: Chega!”, disse o ator, diretor e professor de teatro Alberto Silva Neto ao Holofote Virtual. 

Há críticas também quanto a atual política de leis de incentivo “que coloca o dinheiro público nas mãos dos departamentos de marketing das empresas, deixando os artistas à míngua, com o pires na mão e vazio”, frisa o documento do manifesto, referindo-se na esfera estadual à Lei SEMEAR. 

A lei nº 6.572/03 (Lei Semear) dispõe sobre o incentivo fiscal no estado, oportunizando empresas a patrocinar projetos e descontar 80% deste valor aportado do ICMS devido. E tem duas formas de patrocínio: o incentivo direto ao proponente (o que nós entendemos como Lei Semear) e também o patrocínio em favor do FAPAC (Fundo Especial de Promoção das Atividades Culturais), que já existe em lei, mas falta funcionar. 

Conferências e apoio - A manifestação vem ganhando mais adeptos não só de artistas que moram em Belém ou em cidades do interior, mas de artistas paraenses que moram em outros Estados, como o ator e diretor Cacá Carvalho, que enviou uma carta ao movimento, postada no Facebook. 

Em um dos trechos ele diz: “... a população cresce, multiplica-se e nossas casas de trabalho e apresentações não. Nossas necessidades de conhecimento a cada ano interessam menos e menos aos gestores da Cultura. Como se a Cultura não fosse uma parte do Corpo do Estado. A Cultura repito, plural. Não uma ou outra somente”, disse. Há informações de que outros nomes paraenses em destaque na cultura nacional também vão se posicionar quanto ao movimento.

Além da manifestação, os artistas se preparam para participar ativamente da tão esperada Conferência Estadual de Cultura, que será realizada pela Fundação de Cultura Tancredo Neves, de acordo com matéria publicada na semana passada no jornal Liberal. O evento que vai acontecer no Centur nos dias 11 e 12 de setembro, a fim de eleger os delegados para a Conferência Nacional de Cultura.

Na reportagem também se diz que a Fumbel deve promover nos dias 23 e 24 deste mês as pré-conferências distritais e, nos dias 1° e 2 de agosto as pré conferências setoriais, momentos de debates que servirão para preparar o encontro maior, a Conferência Municipal de Cultura, que ocorrerá até o dia 14 de agosto, também no Centur. 

O Brasil está efervescente. É simples. Os ecos das primeiras manifestações em São Paulo estão em todo o país e se especificaram em várias demandas e setores. 

Não é só aqui que os artistas se manifestam. No Rio de Janeiro também há mobilização, assim como em São Paulo e em outras capitais. A insatisfação é nacional. A manifestação em Belém pôde ser vista ao vivo , com transmissão feita pelos manifestantes pelo Facebook. Todos acordados.

15.7.13

Parceria traz curso de História da Arte para o IAP

Serão apenas três dias, intensos, porém. De 8 a 10 de agosto, o Instituto de Artes do Pará em parceria com o Itaú Cultural, traz o curso “História da Arte – da Moderna à Contemporânea”, de forma gratuita, como parte do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais 2011/2013, que está percorrendo nove cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país, promovendo cursos com especialistas da área.

Levando em consideração os principais eventos e movimentos artísticos do modernismo até a contemporaneidade, o curso está estruturado para acontecer em três dias, como desdobramento do programa Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural. 

São três diferentes ministrantes para abranger em cada um dos módulos períodos que vão da década de 1980 até a atualidade, com Milton Machado; da década de 1950 a 1970, com Felipe Scovino e da década de 1920 a 1940, com Paulo Miyada. A iniciativa tem como objetivo aprimorar os conhecimentos dos profissionais de todas os segmentos artísticos e amplia a parceria que o IAP vem concretizando com Instituto Itaú Cultural. 

 Saiba quem são os ministrantes Felipe Scovino é professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi curador das exposições Décio Vieira: investigações geométricas (Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, 2010), O lugar da linha (Paço das Artes, São Paulo e MAC, Niterói, 2010), Lygia Clark: uma retrospectiva (Itaú Cultural, São Paulo, 2012) ao lado de Paulo Sergio Duarte, entre outros. 

É um dos curadores do Rumos Artes Visuais 2011-13. É organizador dos livros: Arquivo Contemporâneo (7Letras, 2009), Cildo Meireles (Azougue Editorial, 2009) e Carlos Zilio (Museu de Arte Contemporânea de Niterói, 2010). Também é curador, ao lado de Pieter Tjabbes, da retrospectiva de Abraham Palatnik para o CCBB de Brasília. 

Milton Machado é artista plástico, escritor e pesquisador. Arquiteto formado pela FAU-UFRJ (1970), Mestre em Planejamento Urbano pelo IPPUR-UFRJ (1985) e PhD em Artes Visuais pelo Goldsmiths College University of London (2000). É Professor Associado do Departamento de História e Teoria da Arte e do PPGAV-Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, Escola de Belas Artes EBA/UFRJ.

Desde 1970, realizou inúmeras exposições individuais e participou de coletivas, no Brasil e no exterior. Tem textos publicados em meios impressos e digitais. É pesquisador do CNPq. Paulo Miyada é arquiteto e urbanista pela FAU-USP, onde cursa seu mestrado com orientação do Prof. Dr. 

Agnaldo Farias, na área de História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo. Atualmente coordena o Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake. Trabalhou como assistente de curadoria da 29º Bienal Internacional de São Paulo e, como curador, nas exposições coletivas "Em Direto" (Nov 2011) e "É Preciso Confrontar as Imagens Vagas com os Gestos Claros" (Set 2012), ambas na Oficina Cultural Oswald de Andrade em SP.

Além de exposições que incluem a seção brasileira de "Beuys e bem além – Ensinar como Arte" (com Agnaldo Farias, no Instituto Tomie Ohtake, 2011), "Exposição" de Theo Craveiro (Galeria Mendes Wood, 2012) entre outras, Agnaldo também colaborou com o livro "Logo depois da vírgula - Livro de Geo-Grafia", de Mattia Denisse (Portugal, 2011) e publicou ensaio crítico na revista Elástica n.2 (2012). 

Ministra cursos livres no Instituto Tomie Ohtake desde 2011 e apresentou uma série de aulas de história da arte no Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga, em 2012. Serviço Curso História da Arte – da Moderna à Contemporânea. No IAP – Instituto de Artes do Pará – Praça Justo Chermont,235, Nazaré. De 8 a 10 de agosto, das 9h às 17h (intervalo: das 12h às 14h) - 70 vagas. Inscrições no IAP. Mais informações (91) 4006-2911.

14.7.13

Carimbó paraense perde mais um de seus mestres

Domingos da Silva, conhecido como Mestre Pelé, faleceu na noite deste sábado, 13, em Belém, deixando seis filhos e um legado de mais de 200 músicas inéditas. O corpo está sendo velado neste domingo na casa da família em Marapanim (R. 7 de setembro, n. 441 – Centro), sua terra natal, de onde sairá um cortejo, ás 9h, desta segunda-feira, 15, em direção à igreja de São Raimundo. Na ocasião será rezada uma missa em sua homenagem. 

Ele tinha acabado de completar 54 anos no dia 28 de junho. O apelido de Pelé vem da infância quando, além de já acompanhar as tocadas de Mestre Lucindo, ícone do carimbó de Marapanim, também curtia uma boa partida de futebol. Foi só depois que passou a se envolver diretamente com o carimbó, que Pelé ganhou também o nome de Mestre. 

Doente desde o início do ano passado, quando passou mal durante uma apresentação no festival de carimbó de Marapanim, Mestre Pelé este ano nem chegou a se apresentar com o Flor da Cidade, grupo que comandava há mais de 15 anos. 

Nesta última semana ficou quatro dias internado no Pronto Socorro de Belém e chegou a ter alta, voltando para seu município, mas depois voltou a passar mal e retornou a Belém, ontem à tarde, mas sem resistir aos problemas pulmonares que já vinha tendo, faleceu ás 22h30. 

Em 2012, os jornais publicaram que Domingos da Silva não recebia aposentaria e dependia do Sistema Único de Saúde (SUS), que muitas vezes não funcionou como devia e ele ficava sem realizar os exames e o tratamento. A situação agravou e Mestre Pelé precisou afastar-se das atividades do grupo de carimbó por sentir-se fraco e sem disposição para fazer o que mais gostava que era cantar. 

“Meu pai está deixando pelo menos 250 músicas inéditas e sem registro. É carimbo, mas também tem brega e forró. Tenho tudo arquivado e vamos precisar de ajuda pra poder concluir este trabalho. 

Queremos organizar este legado para não deixar se perder sua história. Ele gravou quatro discos, o último foi Carimbó Gostoso, lançado em 2012”, disse agora pouco por telefone, Raimundo Rodrigo dos Santos Silva, um dos filhos de Mestre Pelé. 

Homenagem - Neste domingo, a roda de carimbó Coisas de Negro, de Icoaraci, reduto de resistência desta tradição fará uma homenagem ao mestre. “Sempre lembramos do mestre por suas composições pela poética que retrata da natureza a questões sociais”, diz Luizinho Lins do Coisas de Negro. De acordo com o músico, Mestre Pelé tinha um estilo no cantar diferente de muitos cantadores de carimbó e suas letras traziam um compasso também diferente.

“Quando estive em Marapanim, o conheci pessoalmente. Ele me mostrou o banjo e tocou pra mim e ele aprendeu de tanto ver o povo tocar. Ele tinha um sotaque suave na batida, que ainda não tinha ouvido nos outros. O povo do carimbó de Marapanim reconhecia nele um dos grandes compositores e cantores como os mestres Lucindo e Cantídio. No palco ele tinha estilo também”, conta Luizinho. 

No Coisas de Negro, cantando e tocando banjo
Mestre Pelé era pescador. Como todo mestre da cultura popular, sem contar com atenção específicas de políticas que subsidiem a sabedoria ancestral desses tocadores, ele nunca pôde se dedicar somente ao carimbó. Mas desde que adoeceu, nem pescar mais ele podia. 

“E às vezes ainda cantava e tocava por teimosia”, conta o filho Rodrigo. 

Marapanim, no nordeste do estado, é um dos principais berços do carimbó. Não à toa a cidade, considerada a Terra do Carimbó, está de luto. A cultura popular paraense também está. E neste momento em que se luta por direitos e por uma política cultural digna para o Estado, os mestres das culturas tradicionais não serão esquecidos.