29.8.13

Trupe Periféricos circula o nordeste brasileiro

Depois de percorrer, entre o primeiro e o segundo semestre deste ano, os municípios paraenses de Castanhal, Almerim, Prainha, Marapanim, Colares, Monte Alegre e Belém, o grupo de teatro de rua Perifeéricos deu início a sua circulação pela região nordeste do país, com o projeto “Perifeérico: Sombras e Magia pelas estradas do Sertão”, contemplado com o Prêmio do Ministério da Cultura (Minc) Funarte Myrian Muniz de Circulação 2012. 

No início da semana, o grupo pegou a estrada até São Luiz, onde se apresentou na última quarta-feira, 28 de agosto, com o espetáculo “Teatro das Sombras”, que nesta sexta-feira, 30, estreia também em  Fortaleza, para depois seguir para Natal (03/09), João Pessoa (06/09), Recife (09/09), Olinda (11/09), Maceió (14/09) e Salvador (18/09). Mas além destas, a ideia é que outras aparições da trupe aconteça de repente, pelo meio do caminho.

"De caráter mambembe, a ideia é que ocorram apresentações em outras pequenas cidades encontradas pelo caminho, ainda que estas estejam fora da programação do circuito”, diz Rafael Couto, um dos diretores do espetáculo, ao lado de Maurício Franco.

Espetáculo para todas as idades, a segunda peça da tetralogia central que conta como a trupe foi montada, narra a história de Satyr, um fauno errante que vai atrás de outros seres como ele — entidades míticas presas no mundo dos mortais — para formar uma trupe de Teatro, nunca antes vista. Para alcançar seu objetivo, porém, o fauno precisa realizar algumas tarefas, como contar com a ajuda de um perigoso Oráculo, aprisionar o vento, enganar um espírito trapaceiro e conquistar uma rainha. 

Um conto de fadas urbano a peça apresentada sempre em espaços abertos faz uma grande homenagem às raízes do Teatro, criado a partir do imaginário popular, celebrações religiosas e magia. “Teatro das Sombras” faz, na verdade, uma grande homenagem às raízes do teatro, criado a partir do imaginário popular, celebrações religiosas e magia. 

O nome brinca com o termo teatro de sombras, sugerindo que o público atravesse o véu onde as sombras são projetadas e vejam as sombras encenando em carne e osso. Através do corpo, do jogo, de máscaras e bonecos, essas entidades descortinam um universo mágico, uma tragédia fantástica, comédia sombria, releitura urbana das mitologias, com o mistério e encanto das florestas e a densidade da realidade das cidades. 

“Teatro das Sombras” homenageia e valoriza os mitos, com personagens que vão da Grécia antiga às lendas amazônicas, assim como o fazer teatral mambembe, além de permitir o contato e interação de diversificados públicos com o fabuloso e realista universo da peça. 

(Foto: Renato Chalú)
Commedia Dell’Art e Cultura Popular 

Realizando uma série de peças com as mesmas personagens, o Periféericos retoma a ações da Commedia Dell’Arte, dividida entre uma tetralogia central e diversas montagens e performances menores, todas dentro do mesmo universo criado. O imaginário acerca das entidades, contos e lendas ainda é muito presente na cultura amazônica e nordestina. Estas manifestações mais tradicionais, porém, tendem a perder força com o acelerado processo de urbanização e globalização.

O trabalho do grupo cria a interface entre essas duas culturas, contemporânea e tradicional, trazendo ao palco toda a dicotomia e a forte relação entre elas, reavivando o universo do imaginário popular sem deixar de discutir o cenário atual. 

“Viajar pelo nordeste foi uma escolha acertada, uma vez que a região é rica em contos e lendas, onde o imaginário popular é muito valorizado e difundido, sendo o ‘Teatro das Sombras’ uma peça ideal para ser apresentada nesse cenário”, comenta Rafael. 

Materiais descartados (retalhos e sucata) são usados para confecção de cenário e figurino, uma iniciativa que pretende incentivar o uso consciente e criativo de insumos do cotidiano e estimulam a reciclagem dentro do fazer artístico, instigando formas alternativas e econômicas de produção teatral na rua.

Em frente ao Solar da Beira (Foto: Reanto Chalú)
O surgimento da Trupe

Em 2009, a Trupo criou uma série de trabalhos que traziam as personagens Satyr, DerMond, Odorin e Fluer, quatro entidades fantásticas vagando pelo mundo mortal como uma trupe de teatro itinerante. 

A partir daí, o grupo teve como foco o teatro de rua, com temáticas que integram a cultura urbana e contemporânea ao imaginário popular dos contos, entidades e lendas, pesquisando e experimentando o fazer teatral na rua, técnicas de clown, bufão, commedia dell’arte, máscara, mímica e pantomima. 

Fazendo o registro das vivências do grupo em meio virtual, além de trazer fragmentos da cultura das localidades visitadas, a trupe cria um espaço para discussão de como o imaginário ainda convive, se relaciona e influencia essas culturas.

PROGRAMAÇÃO 

FORTALEZA 
Dia 30 de agosto, às 20h
Espaço cultural Dragão do Mar

NATAL
Dia 03 de setembro, às 18h
Praça Cívica ( Pedro Velho)

JOÃO PESSOA
Dia 07 de setembro, às 19h30
Praça da Paz nos Bancários

RECIFE 
Dia 09 de setembro, às 17h
Praça do Carmo - Centro

Dia 11 de setembro, às 17
OLINDA - Calçada do Mercado Afonso Barbosa

MACEIÓ
Dia 14 de setembro, às 18h
Praça Orla da Laguna, em Marechal - Posto 7

SALVADOR
Dia 19 de setembro, às 18h
Praça da Sé Pelourinho

Ficha Técnica
Direção: Maurício Franco e Rafael Couto
Direção de Arte: Maurício Franco e Romário Alves
Música: Maécio Monteiro
Iluminação: Romário Alves
Drmaturgia: Elise Vasconcelos, Ícaro Gaya, Mateus Moura e Rafael Couto
Elenco: Elise Vasconcelos Ícaro Gaya Katherine Valente Maécio Monteiro Mateus Moura Rafael Couto Ila Nanan
Apoio: Bernard Freire e Romário Alves
Produção da Circulação: Perifeéricos e Produtores Criativos - Cristina Costa, Andrea Rocha, Ila Nanan
Informações - “Teatro das Sombras”:   Classificação: Livre. Locação: Qualquer espaço a céu aberto. Som: Exclusivamente acústico. Iluminação: Iluminação local, com acréscimo de dois spots artesanais de ribalta para reforço, caso seja necessário. Tempo De Duração: 80 minutos.

Pilar del Rio já está na capital paraense

Pilar del Río, ontem, na estreia de O Trovador
Em Belém, para lançar dois livros de José Saramago, a jornalista e viúva do escritor, falecido em 2010, esteve na estreia de “O Trovador”, que integra a programação do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Na sexta, 30, o lançamento de “Democracia e Universidade”  e “Da Estátua à Pedra e Discursos de Estocolmo” inicia às 18h, no Centro de Eventos Benedito Nunes, da UFPA.

Pilar del Río, que chegou no país, em meados agosto, assistiu a ópera, nesta quarta-feira, 28, em um dos camarotes da casa centenária, acompanhada pelo professor Flávio Nassar, que coordena o Fórum Landi, da Universidade Federal do Pará.

A obra de Giuseppe Verdi, baseada no libreto do autor espanhol Antonio García Gutierrez, emocionou a jornalista. “Achei interessante o teatro, a encenação e gostei muito dos cenários que fazem alusão à obra do arquiteto Antonio Landi”, disse, durante o intervalo da ópera. As referência são frutos da parceria da universidade com a Secult, para homenagear o tricentenário do arquiteto italiano.

Pela primeira vez na capital paraense, a jornalista, de naturalidade espanhola, é quem vai abrir a programação na UFPA, com a palestra “Saramago por Saramago”.  Em seguida, a atriz paulista Vera Barbosa, também musicista e encenadora, fará a leitura de trechos de livros do escritor. A apresentação contará com a participação do músico Áureo De Freitas, da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia.

As obras de José Saramago, Prêmio Nobel de LIteratura em 1998, são inéditas no Brasil e foram editadas pela Editora da UFPA, em parceria com a Fundação José Saramago, presidida por Pilar. Em cada uma,  há particularidades. Na edição de 'A Estátua e a Pedra', o texto passa a chamar-se 'Da Estátua à Pedra', como explica Pilar, que assina o prefácio da obra.

“Ao revisar a tradução espanhola, [José] adicionou à gráfica imagem de "A Estátua e a Pedra", um elemento que a tornaria mais compreensível, ainda, o sentido de suas palavras e de sua trajetória literária:Da Estátua à Pedra. No entanto essa anotação, feita de punho e letra, se perdeu nos labirintos da comunicação virtual, e o livro, tanto na Espanha como, depois, em Portugal, saiu obedecendo ao modelo italiano. Foi necessário fazer uma busca nos arquivos para a edição brasileira... para encontrar, por fim, o título definitivo que o autor lhe dera.” 

Em "Democracia e Universidade", com apresentação do reitor da UFPA, Carlos Maneschy, traz dois textos: “Conferência Democracia e Universidade”, transcrito de uma palestra proferida pelo escritor português, na Universidade Complutense de Madri, em 2005. E “Verdade e Ilusão Democrática”, resultado de conferência lida por ele em Santiago do Chile, em abril de 2003, no ciclo "Las Conferencias de la Moneda". 

Fundação José Saramago  - Com sede na Casa dos Bicos, na Baixa de Lisboa, em Portugal, onde fica a biblioteca e o acervo pessoal do escritor, a Fundação José Saramago, aberta ao público, tornou-se um centro cultural, com realização de exposições a lançamento de livros, tudo administrado pela jornalista. 

Serviço
Lançamento de obras inéditas de José Saramago. Nesta sexta-feira, 30, a partir das 18h, no Centro de Eventos Benedito Nunes - Universidade Federal do Pará, Setor Básico. Rua Augusto Corrêa, 01. Entrada livre até o limite de lotação do auditório.

28.8.13

Mix brasileiro na sexta da Black Soul Samba

Kizomba Groove e Mc Gaspar
Na pista tem “Kizomba Groove e Mc Gaspar Du Norte” e o Duo “BemBom”, além dos anfitriões, os DJ's do Coletivo Black Soul Samba. A festa ontecerá no bar Palafita, começa às 20h30, com ingressos a 15 reais e entrada para estudantes a 8 reais. 

Para começar, os DJ's do Coletivo Black Soul Samba levarão ao público muito soul, funk e rythm blues dos anos 50, 60 e 70, além de música brasileira de representatividade histórica. O coletivo é formado pelos DJ's Uirá Seidl, Kauê Almeida, Homero da Cuíca, Fernando Wanzeller e Eddie Pereira. 

Outra atração da festa será a dupla “Kizomba Groove”. A apresentação terá uma seleção de discos de reggae e dub feita pelo DJ e produtor Allan Selekta para esquentar o público e em seguida entram Mc Nego Rod e o convidado Mc Gaspar Du Norte. 

Foi em Castanhal que surgiu o “Kizomba Groove”, que segundo Allan tem esse nome para remeter a ideia de festa, celebração e contemporaneidade em relação ao som. Depois de algum tempo tocando nos interiores e em Belém no estilo Sound System (DJ e Mc), Allan Selekta e Nego Rod também participaram da formação da Banda Cristal Reggae. 

“Nesse show e em futuros o Gaspar vai dando um apoio e cantando alguns sons dele, a ideia começou com a convivência no Centro Cultural Shangrillah, em Castanhal. É um espaço que divulgava e ensinava cultura para quem tivesse interesse ou não tivesse acesso”, conta Allan do “Kizomba Groove”. 

Allan diz que o duo tem em comum com a Black Soul Samba a vontade de propagar a música de origem africana com toda a importância dela e a força da sua mensagem. Já o duo “BemBom”, outra atração dessa sexta, com um repertório cheio de influências da black music, disco music e todas as suas vertentes, leva além de clássicos muitas novidades para quem ama esses estilos. 

Mari Jares e Geraldo Nogueira 
Dupla  - Os DJ's Mari Jares e Geraldo Nogueira começaram o projeto em 2007 com a simples ideia de fazer um podcast com um pouco do que cada um mais gosta de ouvir, afim de que amigos e conhecidos ouvissem despretensiosamente. 

A “BemBom” passou de pistas eletrônicas das festas paraenses para a festa mais badalada da cidade de São Paulo, a Freak Chic, no Club D-Edge. Desde então eles tocam nas principais festas do circuito alternativo de Belém. 

“Nunca tocamos em uma Black. Acho que por isso mesmo a gente esteja meio apreensivo, com aquelas borboletas no estômago, sabe? Já frequentamos várias edições, mas como DJs no line up, é tudo novo pra gente. O público da festa é incrível, os sets são sempre ótimos, os shows então, são diversão garantida”, diz Mari Jares. 

Serviço
A Black Soul Samba dessa sexta (30) vem cheia de groove e música brasileira convidando para essa edição o grupo “Kizomba Groove e Mc Gaspar Du Norte” e o Duo “BemBom”, além dos DJ's do Coletivo Black Soul Samba. A festa acontecerá no bar Palafita, começa às 20h30, com ingressos a 15 reais e entrada para estudantes a 8 reais.

27.8.13

Homenagem a Gonzaguinha no Sesc Boulevard

Um tributo à música sempre viva do artista brilhante que foi Gonzaguinha. Autor de uma obra genial, que será revisitada pela cantora Rosa Corrêa nessa quinta-feira (29) no Centro Cultural Sesc Boulevard. O show “Vá tratar de viver” acontece às 19h e tem entrada franca. 

Filho do Rei do Baião, Luiz Gonzaga e da cantora Odaléa Guedes dos Santos; Gonzaguinha nasceu no Rio de Janeiro. Ainda criança perdeu a mãe, vítima de tuberculose. Com a impossibilidade do pai de cuidar da criança em virtude de suas turnês, foi criado por seus padrinhos, e foi justamente, com o seu pai de criação que o jovem Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior aprendeu a tocar violão. 

Quando rapaz chegou a ser denominado, no início de sua carreira, de “cantor rancor” dada a postura assumia em suas manifestações públicas reflexo de sua oposição ferrenha à ditadura militar. Nesse período foi um grande ativista musical. Gonzaguinha deixou uma obra maravilhosa. Suas canções permeiam a vida de inúmeros brasileiros. 

Com a abertura política, as músicas consideradas de protesto, deram lugar a composições com teor mais universais e maduros. Foi justamente esta maturidade que lhe rendeu inúmeros sucessos e o tornaram popular. A banda do show de Rosa Corrêa será composta por Quiure (guitarra), Príamo Brandão (baixo), Edgar Matos (teclado), Edvaldo Cavalcante (bateria) e João Paulo (percussão).

Serviço
Rosa Corrêa canta Gonzaguinha no Sesc Boulevard. Dia 29 de agosto, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Informações: (91) 3224-5305/5654.

23.8.13

Comunidade quilombola recebe Festival Itinerante

Iniciado em 09 de agosto em Guajará Mirim, município rondoniense e com escala final dia 25 de agosto, em Pimenteiras d’0este, também em Rondônia, o Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia Itinerante visitou esta semana a primeira das duas comunidades de descendentes quilombolas alcançadas pelo festival nesta edição pelo Vale do Guaporé.

Por Isamel Machado
De Rondônia

Com 16 anos, Conceição sonha ser médica. Com 58 anos, Armando cultiva uma barba branca tão ‘preta’, como diria a música dos Secos e Molhados e apenas espera vender bem a produção de farinha. Aos dois anos, Jonatas só balbucia as primeiras palavras repousado no colo da mãe Líbia da Silva, 28 anos. 

São três gerações criadas na comunidade de remanescentes quilombolas de Santo Antonio, às margens do rio Guaporé, distante 700 km de Porto Velho, em Rondônia. Se tem sonhos ou expectativas diferentes de vida, na noite de domingo, 18 de agosto, compartilharam o mesmo riso e os mesmos aplausos durante as apresentações do Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia Itinerante.

Santo Antonio é um pequeno agrupamento de sete famílias e menos de 50 pessoas. A origem, mais de 200 anos atrás, remonta ao período da escravidão brasileira. “Meu bisavô foi escravo”, diz Armando Evangelista Carvalho. O mais velho morador atual da comunidade lembra o período de criança em que energia elétrica era artigo nunca sequer imaginado. E ainda se espanta com a chegada do Festcine. “Eu vejo isso como fantástico”, diz. 

A comunidade tem apenas 13 casas. A maioria de madeira e telhado de palha. Sobrevive da produção de farinha, vendida em algumas localidades e municípios próximos, por 200 reais a saca. Instalada em uma reserva biológica acaba por enfrentar algumas contradições. 

Não pode, por exemplo, ter criações de animais, como porcos e gado. Mesmo com o título de comunidade quilombola, não há o definitivo registro de terras fornecido pelo Incra. Uma luta complicada e desigual.

“Temos problemas em relação à Saúde e a energia”, diz Andrade Calazâ, 29 anos, o líder da comunidade. Santo Antonio recebe apenas 400 litros de óleo diesel para abastecer o motor que gera a luz elétrica. Insuficiente e que precisa ser regrado para durar o mês inteiro. A escola vai até o fundamental, mas há também o curso modular para jovens e adultos. 

As irmãs Conceição, 16 anos e Aline, 19, cursam o sétimo ano. Querem mais. Conceição, cursar medicina. Aline, direito. Sabem que é um desafio para quem mora em Santo Antonio, onde celular é algo que não existe e a comunicação é feita apenas com um telefone público que atende a todos. Mas a televisão é presente. É isso que faz com que adolescentes como Marciano, 19 anos, use brincos nas duas orelhas e corte o cabelo estilo moicano disseminado pelo jogador de futebol Neymar. Às 19 horas, todas essas histórias e contradições postaram-se à frente da grande tela montada no terreiro maior da comunidade. 

Um ‘fumacê’ espantou os mosquitos, dando uma pequena trégua a todos. Bado cantou ‘Raça’, uma composição cujo tema coincidia com o momento e o local. 

O escritor português José Luís Peixoto foi surpreendido com uma homenagem feita por um morador, o senhor ‘Cidão’, que recitou uma poesia inspirada na presença do poeta na comunidade. A apresentação mais inusitada do dia, no entanto, foi a do palhaço Martinez. 

O terreno acidentado dificultou o equilíbrio no momento mais difícil, o do malabarismo com facas em cima de um largo pedaço de cano. E a timidez das crianças fez com que apenas um adolescente aceitasse participar de uma parte do espetáculo. A noite foi encerrada com a exibição de filmes. 

O Festival de Artes Integradas - Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia e Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil.

22.8.13

On The Road aquece a noite no Café com Arte

Ilustração de Fábio Vermelho
A festa que faz alusão àquela turma descolada que fez e aconteceu no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, será realizada hoje, com programação toda especial, concebida pela jornalista Bianca Levy. Acredito que vá deixar marcas na história do entretenimento que faz diferença em Belém do Pará, pois reunirá alguns dos mais talentosos artistas da cidade, que trazem em sua trajetória a produção independente de suas artes. Não podia ser diferente, já que Bianca também carrega em suas veias a sina e a determinação da autenticidade. Jovem, formada recentemente, ela se lança a seus desejos e pega firme no trabalho.

O clima Beatnik no Café com Arte começa às 22h, mas o Holofote Virtual, que já fez algumas parcerias com a jornalista, conversou com ela, o que nos rendeu uma entrevista cheia de graça, antecipando os detalhes dessa vibe, mais adiante.

“Sempre chega o dia em que a estrada te chama, e quando isso acontece não dá pra pensar duas vezes. Seja a estrada do místico, do louco, do arco-íris, dos peixes, qualquer estrada, o importante é ir”. É assim que Bianca iniciou o release de divulgação da festa, que vai ajudá-la a pegar a estrada e o céu neste mês de setembro, “rumo às esquinas de poesias concretas de SP”, cita Levy.

Jeferson Cecim veste seus bonecos admiráveis
Os Beats da noite ficam por conta da banda Zeromou, do músico Marcel Barretto, além dos DJs Fábio Vermelho (Rockabilly/garage), Monique Malcher (Classic Rock), Gaby Magalhães (Eletrônico/Indie), Azul (MPP) Jack Nilson (Brazillian Nuggets) e Ranny Baby (Rock and Roll/ R&B). 

Juntam-se à trip, os Vagabundos Iluminados Jeferson Cecim, e sua boneca Baby, trazendo uma performance picante; A fotógrafa viajeira Desiree Giusti, com uma exposição de fotos feitas em Cuba; e o ilustrador Fábio Vermelho mostrando os seus “Weird Works”.

Para quem quiser fazer as malas- ou mesmo guardar um souvenir da viagem, a bagagem pode ser escolhida no bazar, que conta com livros, filmes, CDs, LP’s, roupas e objetos retrôs a um preço camarada. On the Road começa a partir das 21h, com ingresso antecipado a 10 contos. Na portaria custa R$10 até as 23h; em seguida R$ 15.

O Café com Arte fica na R. Rui Barbosa, quase esquina da Braz de Aguiar, em Belém do Pará. Agora vamos saber mais sobre o que está por trás da iniciativa de Bianca, que nos dá mais detalhes sobre cada uma das atrações da noite.

Bianca, em busca de sonhos concretos
Holofote Virtual: Você está em ritmo de despedida...

Bianca Levy: Tô indo pra São Paulo em busca de novas oportunidades, histórias, experiências (força motriz de qualquer jornalista). Profissionalmente vou continuar trabalhando com jornalismo, e participar de seleções de mestrado na área de Artes e Comunicação. Mas também vou pra Sampa pra me apaixonar... (risos). Conhecer e viver coisas novas, respirar outra cidade e com esse distanciamento compreender melhor Belém.

Holofote Virtual: Humm, então a ideia da festa é angariar fundos?

Bianca Levy: Pois é, a festa vai ser meu passaporte de viagem (risos). O que eu angariar nela, somado com um dinheirinho que eu to juntando, vai garantir o meu sustento na fase inicial da viagem, principalmente no período de seleções de mestrado, que vão me exigir uma dedicação maior aos estudos. Como não sou de família rica e nem tenho bala na agulha – jornalista é liso, como tu bem sabes, vi na produção de uma festa a alternativa para levantar uma grana e de quebra reunir colegas, amigos e artistas tão queridos.

Holofote Virtual: Você que fez a curadoria da programação? Quais teus critérios de escolha?

Bianca Levy: Sim. De cara a ideia foi juntar artistas com trabalhos instigantes que eu acompanho e admiro, seja na música, fotografia, atuação, ilustração, etc, e que pudessem transmitir esse clima de ‘freneticidade’ e novidade que toda viagem tem. Daí eu fui agregando elementos aparentemente díspares, mas que vendo como todo, eles acabam formando uma colagem beatnick (risos). Aí entra o trabalho da Desiree Giusti, com fotografias lindas feitas em Cuba; as ilustrações loucas do Fábio Vermelho; a performance erótica do Jeferson Cecim - que eu sou fã; as músicas lindas do Marcel Barrettoe (querido) e da Zeromou, banda que está começando agora, cheia de gás. 

Cuba, pelas lentes da fotógrafa Desiree Giusti
Holofote Virtual: Dentre os chamados pra compor a nigth, que destaque você daria a cada uma das atrações.

Bianca Levy: Nossa, essa é difícil! (Risos). Todos são maravilhosos e merecem destaque dentro do próprio contexto. Alguns artistas são novos, tão caindo na estrada agora, outros já trilharam um caminho. Acho que vale à pena conferir as exposições da Desiree e do Fábio, jovens artistas com trabalhos maravilhosos. 

Assim como é proibido perder a performance do Cecim, que é mestre na arte de manipulação de bonecos. E relacionado a música, abrir os ouvidos pra novos sons, novos trabalhos, como o do Marcel, que ta produzindo o primeiro disco, e da Zeromou, que despontou este ano. 

Holofote Vitual: Te conheci no ‘saudoso’ Caderno Por Ai, hoje acoplado a um outro Caderno, no Diário do Pará ... O jornalismo cultural é o teu caminho? Por quê? 

Marcelo Barreto, guitarrista e compositor
Bianca Levy: Caminho e carma (risos!). Não tem como desatrelar o jornalismo da arte e da cultura. Já passei por outras editorias também (cidades e polícia), e pude contribuir de outras formas, mas com tanta desigualdade e com o turbilhão de coisas que acontecem no nosso estado e no país, é um crime fazer um jornalismo puramente informativo. 

É função de todo jornalista aprofundar, compartilhar saberes, culturas e arte com a população para que ela possa ter cada vez mais criticidade, autonomia de si, do espaço em que vive e a partir da formação cultural poder questionar outras estruturas, como economia, política, etc. 

É isso que o jornalismo cultural faz e é nisso que eu acredito. No mais, eu não quero deixar de fazer nariz de cera, nem de contar boas histórias! (risos). 

Holofote Virtual: Foi bacana ter você no projeto dos 50 Anos de Guitarrada, gravação do DVD do Mestre Vieira. Que outros trabalhos fizestes por aqui e o que vais levar dessas experiências? 

Bianca Levy: Nossa, foi muito bom mesmo! Toda aquela loucura dos bastidores, a emoção da equipe quando o mestre subiu no palco e começou a tocar... tu chorando igual criança de felicidade... foi lindo, uma experiência e tanto! Queria ter participado mais de trabalhos assim, e essa também é uma meta na minha viagem. 

Bibi Levy, em alfa...
Fazendo a retrospectiva vejo que fiz coisas muito legais e tive sorte de começar a atuar ainda na faculdade. Aprendi dançar, cantar, assobiar e chupar cana de uma só vez (mais risos). 

Foram mais de três anos de jornal impresso; uma temporada na Rádio Unama, que foi uma delícia; alguns estágios em assessorias de comunicação e freelas em web jornalismo (que me foram muito úteis pra entender novos formatos). 

Apesar das dificuldades do caminho (que sempre tem), todas as experiências foram maravilhosas e já me são úteis, não só pela prática, mas pelo entendimento que eu adquiri em relação a minha profissão. 

Holofote Virtual: Falando nisso, depois da experiência na assessoria do DVD, onde quem estava à frente da comunicação, era a jornalista Jecyone Pinheiro, soube que ela te chamou pra um outro trampo, legal isso de quando uma porta abre a outra, né?. 

Bianca Levy: Sim, estamos na batalha fechando um projeto pra outubro (segredo, risos). O mais legal de trabalhar com uma galera mais experiente (pelo menos comigo foi assim), que ao contrário do que muitos podem pensar, eles te tratam com igualdade, estão abertos a ouvir as tuas ideias, a dialogar. Não há aquela prepotência de inicio de carreira, de querer ser melhor e pisar no pescoço dos outros, nem aquela necessidade de provar pra todo mundo que é bom... porque eles simplesmente são.

Holofote Virtual: É importante aprender com quem já está na estrada mais tempo...

Bianca Levy: Estas pessoas mais experientes, já levaram umas boas porradas da vida e não enchem mais os olhos com futilidades. Isso sem falar da experiência de causa, das dicas valiosas, do incentivo... É muito bom. Lembro do meu tempo de Diário, que o Queiroz (o Matusalém da redação) compartilhava o Carlton Red comigo e se encostava na minha mesa pra ver o que eu tava escrevendo. Ele dava dicas, conselhos, contava histórias sobre o começo do jornal, era um barato. Um dia ele leu um lead meu e falou “parabéns, totalmente literário!”. Aí eu pensei: “tô no caminho certo” (risos). 

Zeromou
Holofote Virtual: Notícia em primeira mão: O DVD do Mestre Vieira está pronto. E ficou lindo!! Vamos lançar em outubro. Vou me aproveitar e fazer o convite publicamente (risso). Já que você está indo pra São Paulo, topas fazer a divulgação disso por lá? (risos) 

Bianca Levy: Mas é lógico! (risos). Ai de ti se não me chamasses! Hahaha. Valeu pelo convite, Lu! Vamos logo esquematizar essa produção, que está na hora de São Paulo conhecer o rei da guitarrada!


Holofote Virtual: Legal, então começa logo a pensar no texto... Lembras de tudo? (mais risos)

Bianca Levy: Lembro como se fosse hoje. As movimentações nos bastidores, Michele e Carol correndo feito loucas, ingressos esgotados, a galera querendo entrar na marra, a emoção do início do show, a comemoração no Bar do Parque quando tudo acabou, a sensação de trabalho bem feito...pode deixar, que assunto é que não vai faltar nesse texto, nem nos que virão! (risos).

Holofote Virtual: Ah tá... muito bom. Agora, a pergunta que não quer calar (risos). Quando voltas? 

Bianca Levy: Haha, eis o grande mistério! Pode ser que eu volte em dois meses, pode ser que eu volte em dois anos, pode ser que eu nem volte. Eu comprei só o bilhete de ida (risos). Tudo depende do desenrolar da viagem. Essa incerteza boa é que dá vontade de ir pra frente. No mais, se a saudade apertar, nada que uma promoção da Gol não resolva, né? (risos).

20.8.13

Estação programa três dias de muito carimbó

Foto:  Everaldo Nascimento/Ag. Pará
Patrimônio cultural brasileiro e uma das maiores manifestações da cultura popular paraense, o ritmo estará inserido como a grande atração da programação da Estação das Docas em homenagem ao Dia do Folclore. Serão três dias de festa, de 22 a 24 de agosto, na Orla do Armazém 3, com acesso gratuito.

Comemorado há quase 50 anos, no dia 22 de agosto, com brincadeira músicas e danças características das cidades brasileiras, desta vez, terá o carimbó como destaque. E para começar, na quinta-feira, 22, o pôr-do-sol será ao som do grupo "Som de Pau Oco",  que indo muito além do batuque, cria uma atmosfera de poesia, alegria e amor à natureza em suas composições. 

Trazendo em seu nome a reverência ao tambor de madeira curimbó, que em Tupi Guarani, quer dizer pau oco, pau escavado, o Som de Pau Oco traz em sua composição também o clarinete, o saxofone, o milheiro, além do banjo, do tambor de onça, do reco-reco, e das maracas e matracas. Vale conferir!

Para o cantor do grupo, Ricardo Aquino, a expectativa é que a apresentação seja muito animada. “Vamos estrear na Estação em uma data muito especial. O local vai ser ótimo para que outras pessoas conheçam nosso trabalho - sabemos que é um espaço onde só bons grupos se apresentam, então vamos animar o público com o carimbó paraense”, revela. 

Som de Pau Oco é formado por músicos profissionais da Fundação Carlos Gomes. O grupo está junto desde 2009 e vai apresentar repertório baseado em seus quatro anos de carreira. Os Mestres Verequete, Cupijó e Lucindo são as grandes inspirações dos artistas. 

Já no segundo dia de comemorações, o Projeto Pôr-do-Som será especial, ganhando a participação do "Balé Folclórico da Amazônia" e do grupo de carimbó "Os Canarinhos". A sexta-feira, 23 de agosto, promete. 

No sábado, 24, a programação encerra com o grupo "Raiz de Cafezal" e "Charme Caboclo". As duas atrações já são conhecidas dos frequentadores da Estação das Docas e sempre levam grande público aos seus espetáculos. 

A iniciativa de comemorar o Dia do Folclore, de acordo com a gerente de Marketing da Organização Social Pará 2000, Isa Arnour, é uma maneira de preservar a cultura paraense. “O carimbó sempre agita as atividades culturais da Estação. A programação é uma grande homenagem a esse ritmo, à data e ao paraense. Vamos oferecer cultura de qualidade e gratuitamente ao público”, conta. 

A programação do Dia do Folclore começa às 18h, durante todos os dias. As apresentações gratuitas são uma realização do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, através da Organização Social Pará 2000.

Programação

Dia 22/08/ (quinta-feira)
18h – Grupo de Carimbó Som de Pau Oco.
19h – Trilhas da Amazônia.

Dia 23/08 (sexta-feira)
18h – Pôr-do-Som Especial com Balé Folclórico da Amazônia – Bfam.
19h – Grupo de Carimbó Os Canarinhos.

Dia 24/08 (sábado)
18h – Raiz de Cafezal.
19h – Charme Caboclo.

(com informações da Assessoria de Imprensa da OS Pará 2000)

Antônio Moura lança livro em edição bilíngue

A edição brasileira de “Rio Silêncio”, chega bilíngue e com apresentação de Benedito Nunes para o qual poesia e filosofia dialogam estreitamente nesta obra, mas em surdina, falando por imagens extremadas, isto é, imagens que são limiares de uma tópica do pensamento”. O lançamento da edição em Belém, será nesta quinta, 22 de agosto, às 19h, na varanda do Instituto de Artes do Pará.

Um poeta paraense em terras estrangeiras, dialogando com a filosofia através de poemas. Se pudermos resumir o que diz “Rio Silêncio”, novo livro de Antônio Moura, esta talvez seja a definição que explique um pouco destes escritos.

Publicado inicialmente pela editora inglesa “Arc Publications”, o livro chega agora com selo do IAP em Belém. De acordo com o poeta, por ser de poemas, o livro não fala de um assunto específico, “cada poema trata de um tema, ainda que, determinados temas reapareçam, sejam recorrentes na obra”, explica.

Antônio Moura explica ainda que a ideia da edição bilíngue de “Rio Silêncio” começou quando o livro foi traduzido para o inglês, por Stefan Tobler, para concorrer ao Prêmio John Dryden, um prêmio que existe na Inglaterra especialmente para autores estrangeiros traduzidos para o inglês.  

“A tradução para o inglês ganhou o prêmio e daí a editora interessou-se em publicar o livro. Como sou o primeiro poeta brasileiro a ser publicado vivo na Reino Unido, a editora resolveu convidar-me para uma turnê de leituras por sete cidades da Reino Unido: Londres, Manchester, Hebden Bridge, Wakefield, Shefield, Oxford e Norwich”, conta o escritor.

Ser publicado na Inglaterra é um fato inédito para um poeta brasileiro ainda em vida. A apresentação da edição inglesa “Silence River” ficou por conta de David Treece, considerado o grande estudioso da cultura e da literatura brasileira na Inglaterra, especialista em João Cabral de Mello Neto e Guimarães Rosa, por exemplo.

As apresentações da turnê foram – em sua maioria – em universidades, bibliotecas e livrarias, garantindo um público quase sempre bem preparado e com grande compreensão do que estava sendo visto. 

Antônio acredita que assim, o trabalho ganha uma dimensão e uma credibilidade internacional, além de possibilitar ao artista uma ampliação de seu público e de seu repertório vivencial, pois “afinal de contas, é dialogar com outra língua e outra cultura, o que, naturalmente, irá alimentar suas criações posteriores”, ressalta.

Moura tem sido nacional e internacionalmente publicado em diversas antologias. Atualmente trabalha na tradução do poeta franco-belga Guy Goffette e na novela literária a Voz da noite.

No ano de 2012 foi publicado pela editora inglesa Arc Publications – Londres – Inglaterra, com lançamento e turnê de leituras pelo Reino Unido, a convite da editora. Le também está sendo traduzido para o alemão, por Niki Graça; para o catalão, por Joan Navarro; e para o espanhol, por Victor Sosa.

Antônio Moura nasceu em Belém do Pará, viveu em cidades como São Paulo e Lisboa e atualmente em Belém. Poeta, tradutor e roteirista, têm sete livros publicados: quatro de poesia e três de tradução:

“Dez” (Super Cores – Belém, 1996); “Hong Kong & outros poemas” (Ateliê Editorial – São Paulo, 1999); “Rio Silêncio” (Lumme Editor – São Paulo), “A sombra da Ausência” (Lumme Editor São Paulo); “Quase-sonhos” (tradução de Presque-songes, de Jean-Joseph Rabearivelo – Lumme Editor – São Paulo, 2004); “Traduzido da noite” (tradução de Traduit de La nuit, de Jean-Joseph Rabearivelo – Lumme Editor, São Paulo 2007); e “Contra o segredo profissional” (tradução de Contra el secreto professional) de César Vallejo – Lumme Editor – São Paulo 2006).

Serviço
Lançamento da edição bilíngue de “Silence River” do poeta Antônio Moura Nesta quinta, 22 de agosto de 2013, às 19h, na Varanda do IAP – Na Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada franca.

18.8.13

Projeto Curimbó foca intérpretes da Região Norte

Contemplado com o Prêmio Funarte Petrobrás de Dança Klauss Vianna 2012, o “Conexão Dança Curimbó” abre no dia 20 de agosto, convocatória para artistas da Região Norte interessados em participar de workshops de dança contemporânea, a serem realizados em novembro de 2013 e janeiro de 2014, em Belém do Pará, com participações de coreógrafas internacionais. 

O Curimbó, instrumento musical percussivo característico da cultura amazônica e que dá toda a rítmica do Carimbó, gênero musical típico paraense, será o ponto de partida para a criação e desenvolvimento de duas montagens coreográficas inéditas que terão como ministrantes as artistas Maya Carroll (Israel) e Nina Dipla (Grega). 

A ideia surgiu dois anos antes, quando Danilo Bracchi, diretor da Cia de Investigações Cênicas, ganhou uma Bolsa Residência em Artes Cênicas da Funarte, em 2010, e viajou para a Europa, convidando também, o ator e bailarino Icaro Gaya, que faz parte do elenco da companhia.

“Eu não queria ir sozinho, sempre penso em compartilhar as coisas, por isso convidei o Ícaro.Viajamos para Europa e, em Berlin, fizemos treino profissional com Maya Carroll. Em Paris fizemos criação coreográfica e treino profissional com Nina Dipla. Logo nos identificamos com o trabalho delas. E lá mesmo fizemos o convite para cada uma montar um trabalho com o mesmo tema ‘Curimbó’, que elas aceitaram na hora", explica Danilo Bracchi. 

Os workshops fazem parte de um programa de imersão do projeto, no qual as ministrantes convidadas mobilizarão suas técnicas e repertórios pessoais em um processo de troca envolvendo os artistas selecionados e o contexto local. Os workshops terão duração de cinco dias cada, sendo realizados no período da tarde, com carga horária total de 15 horas/aula, no Museu Histórico do Estado do Pará - MHEP. 

Ícaro e Danilo, na Europa, em 2010
“No mês de novembro, contaremos com a presença de Maya Carroll, coreógrafa e bailarina israelense, que vive e trabalha em Berlim e atualmente integra o coletivo The Instrument e em janeiro teremos Nina Dipla, coreógrafa que nasceu na cidade de Tessalônica, Grécia e vive atualmente em Paris”, diz Bracchi, que dirige o projeto. 

O trabalho de Maya apresenta narrativas que evoluem a partir/através do movimento, do detalhamento de imagens e da musicalidade. Maya tem grande interesse na interação entre realidade e fantasia, e na reflexão acerca da radicalidade da condição humana frente à solidão, aos impactos ambientais e às relações interpessoais. 

Nos últimos quatro anos, seu interesse por composição coreográfica instantânea/improvisação vem se desenvolvendo tanto na prática quanto na teoria, tornando-se parte significativa de seu processo de criação e integrando-se a suas coreografias e performances. Outras inspirações para seu trabalho com movimento são o espaço, o som, a ressonância, a imaginação e a poesia. 

Já Nina, na adolescência fez ginástica olímpica e depois iniciou sua trajetória na dança com o Balé clássico. Desde muito jovem estudou na Folkwang Hochschule - Essen, Alemanha - escola dirigida por Pina Bausch, onde se graduou em 1993. Mais tarde, torna-se membro da Folkwang Tanz Studio (STF) e trabalha com Pina na montagem de "Le Sacre du Printemps". 

Nina também trabalhou como assistente coreográfica do Tanztheater Wuppertal. Leciona na CND em Paris e Lyon, no CNSMDC de Lyon, na Menagerie de Verre em Paris, no Studio Kelemenis, na empresa Philippe Saire (Genebra) e com Christiane Blaise no Centro Coreográfico de Tours. Desde 1999, colabora com diversos coreógrafos, compositores e diretores. A coreógrafa oferece oficinas e viaja com suas peças para vários países da Europa, América do Sul e América do Norte. 

Para participar das audições 

Tãobonitodetãofeio, montagem da Cia com convidados
Os interessados em participar de dois workshops de dança contemporânea, a serem realizados nos meses de Novembro de 2013 e Janeiro de 2014 na cidade de Belém, Pará, devem se inscrever através do site da companhia: http://www.ciacenica.com, por onde será realizada a seleção, com análise do formulário e demais materiais enviados e que são exigidos pelo edital, que também está no site. 

Ao todo são 35 vagas, direcionadas a maiores de 18 anos, que desenvolvam trabalhos nas diferentes linguagens artísticas - teatro, dança, performance, circo, música - na região Norte do país (com residência comprovada de no mínimo 02 anos). Mas apenas um será escolhido para as montagens. 

“Gostaríamos de ter todos os 35 e sabemos que cada um terá uma maneira muito importante de interpretar os workshops que serão oferecidos. No final de tudo, teremos um material muito rico e o bom disso tudo é que cadastraremos 35 intérpretes, no nosso arquivo, e como a companhia não tem elenco fechado, sempre haverá possibilidades de participação em nossas montagens, como já aconteceu antes”, diz Danilo. 

Ele cita como exemplo, os dois intérpretes do grupo Palhaços Trovadores que já foram integrado a outras montagens. “Alessandra Nogueira fez o espetáculo Taobonitodetaofeio, em 2008, e Antonio do Rosário, este ano fez o Ciao! Buonanotte, Finito... 

Antonio do Rosário, em Ciao... Buonanotte, Finito!
"Para essa nova montagem teremos Michele Miranda, da Companhia Madalenas, e Andrea Torres, que dançou muito tempo na Companhia Tribus. 

Também estão no elenco e equipe da Companhia de Investigação Cênica, além de mim e de Icaro Gaya, Milton Aires e Marluce Oliveira. Acredito nestas conexões , trocas de experiências fazem o diferencial da CiaCênica”, finaliza. 

As audições iniciam em novembro deste ano e os participantes devem vir por conta própria. A produção do projeto, por meio de parcerias, oferecerá um pacote de hospedagem incluindo café da manhã, durante o período de realização do workshop, mediante o pagamento de R$ 150. 

Já para o intérprete selecionado, caso não resida em Belém, o projeto oferecerá hospedagem gratuita, além de cachê e uma bolsa de Pilates na Clinica Diogo Bonifácio, para treinamento durante o período de realização das montagens e apresentações, que será oferecida a qualquer um dos selecionados. 

Mais detalhes sobre a inscrição, acesse: http://www.ciacenica.com

16.8.13

Tadashi realiza workshop no T. Cláudio Barradas

Em parceria com a produção do longa metragem “Órfãos do Eldorado”, filme homônimo de Milton Hatoum, o Movimento Chega! oferece à classe artística um workshop com o diretor e coreógrafo, mestre em Butoh Tadashi Endo. Logo mais, no teatro Cláudio Barradas, na Escola de teatro e Dança da UFPA.

“O dançarino não deve dançar, mas ser dançado”. Esta é a filosofia de Tadashi Endo, que está em Belém fazendo a preparação dos atores do filme “Órfãos do Eldorado”. 

Hoje residente na cidade de Göttingem na Alemanha, onde mantém o centro de Butoh MAMMU, fundado em 1992, Tadashi Endo é considerado o herdeiro direto de Kazuo Ohnu, um dos criadores do Butoh, com quem se encontrou pela 1ª vez em 1989.

Tadashi Endo encontrou seu caminho na dança no que ele chama de “Butoh-MA”. MA no Zen-Budismo significa “vazio” e “espaço entre as coisas”. Butoh-MA é o caminho para tornar visível o invisível. O mínimo de movimentos faz com que a expressão dos sentimentos e situações cresçam em intensidade. 

A relação do mestre com o Brasil se estreita nos intercâmbios com o Grupo Lume de Campinas – SP e, após 2010, quando foi convidado para dirigir um espetáculo inspirado na pintura de Manabu Mabe, também japonês, imigrante da cidade de São Paulo. 

Através de trabalhos práticos, individuais e em grupos, com exercícios criados pelo próprio Endo, e outros com grandes influências do teatro clássico japonês, Noh e Kabuki, os workshops de Tadashi trazem vivencias de alguns elementos od butoh: as diversas dinâmicas de tempo e ritmo, a variação espacial dos movimentos, os pés como único órgão de visão e percepção, a transformação de imagens em movimento, as diferentes qualidades de energia, o corpo-metamorfose, etc. 

Serviço
Tadashi Endo - Workshop. Nesta sexta-feira, 16 de agosto, no Teatro Claudio Barradas – Trav. Jerônimo Pimentel, 546 – esquina com R. Dom Romualdo de Seixas. A partir das 18h30, mas as vagas são limitadas. Cheguem cedo pra pegar a senha. Mais Informações: 91 84175387.

Ações e novos caminhos para a cultura paraense

Debates, shows e outras ações serão realizados no Teatro Cláudio Barradas, em busca de novos caminhos para a cultura paraense. O evento acontece após vários acontecimentos em torno da cultura em Belém do Pará. Entrada franca. 

O “Chega-te a Nós” será realizado no Teatro Cláudio Barradas, de 16 a 18 de agosto, com iniciativa do Movimento Chega, que questiona e exige políticas públicas voltadas à cultura no Estado do Pará. A decisão de realizar a programação deste final de semana foi tomada após uma série de ações realizadas em pouco mais de um mês em Belém do Pará. 

Esta semana, por exemplo, artistas e produtores culturais participaram das Conferências Municipal e Estadual de Cultura que, aliás, geraram inúmeras polêmicas, com direito à denúncias contra a Fumbel. As duas conferências foram realizadas no Centur, em meio a uma série de outras ações que vem sendo feitas pelos artistas de Belém, em prol de novos horizontes para uma política cultural de estado, e que agora começam a desenhar um perfil mais sólido e com metas de trazer benefícios a todos. Passadas as batalhas, porém, fica claro que a guerra ainda não está ganha.

"Mater Dolores", de Jeferson Cecim na programação
Chega-te - Fazendo referência tanto ao nome do movimento, quanto ao título que se dá a um elixir popular vendido pelas erveiras do Ver-o-Peso, o Chega-te a Nós (no Ver-o-Peso é Chega-te à Mim) será realizado no Teatro Cláudio Barradas, que se torna, a partir desta sexta-feira, mais um dos palcos de atuação para esta cena. 

Hoje, das 16h às 18h, haverá um debate sobre Política de Estado para a Cultura, cenário atual e desafios a sua implementação. Será também realizada uma aula sobre o tema com a professora doutora em Ciência Política Marise Morbach. Depois da aula introdutória, será dado continuidade ao debate para tirar os primeiros encaminhamentos quanto as propostas do Movimento. 

Das 18h30 às 20h30, será realizado um workshop gratuito com o coreógrafo, diretor e mestre de Butoh, Tadashi Endo, oferecendo 50 vagas. O objetivo é também chamar atenção para um setor que o movimento também exige atenção, o da formação. 

No sábado, 17, o Movimento convida todos os artistas a levarem sua arte para a programação. O dia será colaborativo, mas é preciso fazer inscrições pelo Facebook ou no próprio teatro. Às 17h haverá a performance “Mater dolores - Desvãos da memória” , com Jeferson Cecim.   À noite, das 19h às 21h, será a vez de mais um debate, com o tema “As novas faces da indústria cultural", com o professor doutor em Filosofia, Ernani Chaves. Em seguida, continuação do debate para construção de proposições que comporão a carta oficial do movimento. 

No domingo, a partir das 14h será produzida a carta com as propostas do Movimento CHEGA! Que será entregue à sociedade e aos governos Municipal e Estadual. A partir das 16h, mais uma rodada livre de apresentações artísticas será realizada, encerrando com um show de Renato Torres e Gláfira Lobo. 

É preciso fazer inscrições para as apresentações, também pelo facebook, mas para este domingo, já estão garantidos, das 16h às 18h, uma oficina de Desenho, com Nelson Carvalho; ás 17h, um bate papo sobre ancestralidade, a força motriz do tambor e roda de raiz, com o Coletivo Casa Preta; às 18h, apresentação do espetáculo Fio de Pão, In Bust e, a partir das 19h30, Performance Pedro Olaia, show de Herlon Chagas Neto – Voz, violão e percussão e apresentação de Gláfira Lobo e Renato Torres com o show Canções e Circo. Mais informações: 91 8517-5995/8417-5387.

Reunião em praça pública, ao lado do Da Paz
Uma breve retrospectiva - Há mais de um mês, artistas paraenses iniciaram um movimento demonstrando sua insatisfação com as ações do governo voltadas à cultura. 

No dia 09 de julho, artistas subiram no palco do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, onde acontecia mais uma das apresentações da Mostra Terruá Pará e leram para o público que lotava a casa, uma carta onde se posicionaram contra forma com que o governo do estado vem desenvolvendo a política na área da cultura. 

Para o movimento, não há uma forma democrática de se tratar a cultura e nem há iniciativas que contemplem a diversidade cultural do estado. Criticaram o próprio Terruá Pará e o Festival de Ópera, como carros chefes das ações de governo para a cultura. Na semana seguinte iniciaram uma série de reuniões para em seguida saírem ás ruas. No dia 16 de julho saíram da frente do Teatro Cuíra, no bairro da Campina, em direção á Secult, na Av. Magalhães Barata. A caminhada terminou em protesto em frente à sede da Secretaria de Estado de Cultura. 

O protesto na abertura do Festival de Ópera
Houve reação do governo. Por meio de uma entrevista concedida à imprensa, o secretário Especial de Promoção Social, Alex Fiúza de Melo disse que toda política cultural do estado deve obedecer critérios meritocráticos para a distribuição de recursos. Ele afirmou ainda que é muito difícil que haja consenso com relação aos investimentos culturais, já que existem razões subjetivas para avaliar a qualidade das iniciativas artísticas no Pará.

No dia 08 de agosto, após mais algumas reuniões realizadas em praça pública para retirar propostas de encaminhamento ao movimento, os artistas realizaram novo protesto, desta vez, na abertura do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, que estreava “Elixir de Amor”. A noite foi agitada com uma grande manifestação artística na Praça da República, em frente ao Theatro da Paz, reunindo artistas de várias áreas, inclusive da cultura popular.  A data foi eleita pelos artistas como o Dia do Chega. 

Dentro do teatro, lotado, algumas pessoas tentavam entender o que acontecia do lado de fora. A manifestação, porém, não chegou a atrapalhar a apresentação dos artistas que trabalhavam na ópera. De acordo com o movimento, não era esta a intenção, embora o festival seja utilizado pelos manifestantes como um exemplo do mal uso dos recursos públicos de investimentos à cultura.

Paulo Chaves na coletiva do Festival de  Ópera (01/08)
O secretário de cultura Paulo Chaves defende o festival de ópera como uma ação coerente e que traz, como benéfico, a formação para cantores, músicos e técnicos que trocam experiência com profissionais que são convidados para trabalhar no evento trazendo a experiência de ouros estados. 

Este ano, alegou o secretário na coletiva concedida à imprensa no dia 1º de agosto, dos mais de 300 profissionais envolvidos, apenas 50 são trazidos, por sua excelência profissional, para atuar no festival. 

Enquanto isso, o Movimento Chega, em sua página de discussão no Facebook, alega que não se quer o fim do festival, mas sim um investimento mais democrático dos recursos da cultura, que possa trazer benefícios a artistas e produtores culturais que trabalham de forma independente e que, na maioria das vezes, só tem os editais do governo federal, nos quais a concorrência se dá com artista de todo o país, para desenvolver seus projetos. 

Indo além do Festival de Ópera e do Terruá Pará, a iniciativa do movimento, neste final de semana, ganha importância maior, pois pretende ampliar mais a discussão e esclarecer melhor onde se pretende chegar. Os artistas à frente do Chega, profissionais com um currículo de atuação consistente e coerente ao longo de décadas, começam uma mobilização mais de base, com objetivo de levar informações às categorias artísticas de diversas vertentes e tirar dali outros encaminhamentos. 

Thales Leite lança catálogo inédito no IAP

“Área 91” traz uma série de imagens das aparelhagens de tecnobrega, foi contemplado XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2012 e realizado com apoio do Instituto de Artes do Pará. O lançamento é nesta sexta, 16, ao meio-dia, na varanda do IAP. No texto de abertura do seu projeto, o fotógrafo carioca Thales Leite deixa claro seu arrebatamento pelo universo do tecnobrega, uma relação que começou em 2009 e três anos depois se transformou em uma série de fotografias realizadas nas festas de aparelhagem de Belém e que agora chega como catálogo

O catálogo está sendo lançado na cidade dentro da Semana de Fotografia do IAP – iniciada dia 14 e que segue até 19 de agosto. Segundo Thales Leite, “o recorte da série apresentada está em identificar elementos da estética dos filmes de ficção científica que ajudam a despertar nos frequentadores das festas de aparelhagem o fascínio pelo fantástico, pelo inacreditável”, explica o fotógrafo no sítio do projeto. 

O nome "Área 91" faz referência ao código de comunicação de Belém e também à base militar americana "Área 51", na qual, segundo ufólogos, o governo estadunidense esconde e estuda objetos voadores não identificados; essas alegações geraram pautas para a imaginação de vários autores e roteiristas de ficção científica. 

O projeto foi realizado com o apoio do Instituto de Artes do Pará e contemplado com o primeiro lugar na categoria livre criação no XII Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2012. Sobre o fotógrafo Thales Leite vive e trabalha no Rio de Janeiro. Graduado em Cinema pela Universidade Federal Fluminense, iniciou em fotografia em 1995 como aprendiz de J. R. Ripper. 

A partir de 2007 começa a expor em coletivas, trabalhos como “Quem guarda quem?” , apresentado na coletiva Urban Space no Oi Futuro e em 2009, com a série “O Presente em Contornos Difusos”, fez sua primeira exposição individual durante o FotoRio. Sua série “Véus”, com curadoria de Marcelo Campos, foi apresentada em três individuais, no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro Cultural São Paulo e no Paraty em Foco 2012. 

Também nesse ano recebeu apoio cultural do Instituto de Artes do Pará para pesquisa e captação do projeto “Área 91”, laureado com o primeiro lugar na categoria livre criação no XII Premio Funarte Marc Ferrez de 2012. No início de 2013 apresenta um desdobramento da série “Véus”, como projeto de arte pública na fachada do Oi Futuro Flamengo com curadoria de Alberto Saraiva. Seus trabalhos já foram publicados no Brasil e no exterior e estão presente na coleção de diversos colecionadores particulares. Thales Leite é representado pela H.A.P. Galeria (RJ) e pela Galeria Eduardo Fernandes (SP). 

Semana de Fotografia - Iniciada nesta quarta, dia 14, a Semana de Fotografia é uma parceria do IAP com a Associação FotoAtiva. A programação está sendo realizada no prédio do IAP e inclui fotovaral, curso e oficinas de fotografia, lançamento de livro, exposição de vídeo e café fotográfico. 

A semana é em comemoração ao Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto.  O fotovaral “Imagens em trânsito” reúne fotografias resultantes do trabalho de oficinas da jornada Pinholeday 2013, em Belém. 

Considerada a cidade com maior participação em todo o mundo no dia do pinhole, Belém possui grandes expoentes nesta técnica de fotografia artesanal, como Moisés Araújo e Renata Aguiar que ministram oficina de iniciação à fotografia pinhole através de práticas baseadas no uso e construção de minicâmeras, nos dias 18 e 19. 

Entre os dias 17 e 18, o fotógrafo Miguel Chikaoka monta a instalação “Tenda Mágica”, com uma super câmera obscura para visitação no anfiteatro do IAP.  Haverá ainda uma oficina sobre a câmera obscura com Evna Moura e Débora Flor durante a manhã do sábado, 17, no ateliê do Instituto. 

Serviço
Lançamento do catálogo fotográfico de Thales Leite “Área 91” Nesta sexta, 16 de agosto de 2013, das 12h às 14h, na varanda do IAP, aberto ao público - O IAP fica próximo ao CAN, ao lado da Basílica de Nazaré - Belém-Pa.

15.8.13

Cine itinerante ganha rios e estradas de Rondônia

O Festival de Artes Integradas - Festcineamazônia Itinerante vai até dia 25 de agosto, passando por cidades de Rondônia, no Brasil, e da Bolívia, encerrando em Pimenteiras. O repórter Ismael Machado, convidado do evento, há uma semana acompanha a itinerância, que segue por rios e estradas, com patrocínio BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia, além de Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil. Abaixo, mais um texto da série que o jornalista está enviado ao Holofote Virtual



Surpresa recebe Festcineamazônia 

Por Isamel Machado 

Thiago dos Santos Flores abandonou por alguns momentos o barco Dourado, onde mora com a família. Aos nove anos o que o menino queria era entender o funcionamento da filmadora ali ao lado. Cercando o cineasta Ricardo de Almeida e o auxiliar Christyan Ritse, Thiago absorvia-se ao ver as imagens captadas. Menos de cem metros adiante, a imensa tela branca anunciava o que viria a seguir. 

O distrito de Surpresa, uma pequena comunidade ribeirinha de Rondônia, receberia a primeira noite da etapa de rio do Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia. Era o dia 12 de agosto e a itinerância começara há apenas três dias. A equipe chegou ao distrito no final da manhã. Enquanto o major Lindoval Leal e a sargento Ana Gonzalez, do Corpo de Bombeiros de Porto Velho, iam a uma escola local dar uma palestra com instruções básicas de primeiros socorros, outro grupo fazia a divulgação do evento noturno. Leal e Ana Gonzalez acompanham o Festcineamazonia. 

No início da noite, todos começam a sentir os efeitos da presença intensa de mosquitos, os conhecidos carapanãs. Seria impraticável qualquer ação, não fosse a chegada de uma equipe local de borrifação, já que os mosquitos sequer se intimidam com os repelentes que lambuzam os corpos. Em maioria o público é formado por crianças. Muitas vêm da comunidade Sagarana, uma aldeia dos índios Uruari. Com 62 famílias, a comunidade fica distante apenas 15 km de Surpresa. 

Oh quanto riso, música e cinema

Na programação da noite, o cardápio é o mesmo dos dias anteriores. O cantor Bado faz a abertura, seguido pelo poeta português José Luís Peixoto. Para homenagear a grande quantidade de crianças, Bado cantou uma música infantil, chamada ‘Passarada’, que não estava originalmente no repertório programado por ele para a noite. 

O maior sucesso da noite, no entanto, é o palhaço argentino Martinez que, ao final, foi cercado por uma dezena de crianças e adolescentes que querem uma fotografia ou simplesmente um abraço de Martinez. A família do índio Maxin subiu na garupa da moto e se apertou para acompanhar a programação. A mãe Regina olhava sorridente para os filhos Michele, de seis anos e Walison, de três anos. Os dois queriam ver a atração circense. 

A expectativa na noite era a exibição do curta de ficção ‘O homem que matou Deus’. Produção francesa do diretor Noé e filmada no distrito de Surpresa e na aldeia dos Sagarana, o filme inseriu atores índios e moradores da comunidade como figurantes. 

A assistência de direção também foi local. “Foi uma boa experiência, mas ainda precisamos de mais apoio para filmar, mas sei que é uma porta que se abre”, disse Celso Suruéu, 21 anos, o assistente de direção. “O homem que matou Deus” foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Além de ‘O homem que matou Deus’, ainda houve a exibição de curtas como a animação nordestina ‘Vida Maria’ e o paraense ‘Matinta’.