30.12.13

Bienal Naïfs do Brasil com inscrições abertas

Ampla e de expressiva repercussão, a décima segunda edição da Bienal Naïfs do Brasil será realizada no período de 07 de agosto a 30 de novembro de 2014. As inscrições abrem em 18 de fevereiro e vão até abril. Podem se inscrever artistas brasileiros ou estrangeiros radicados há mais de três anos no país. 

O evento, criado em 1992, pelo Sesc, teve sua primeira edição realizada na Unidade de Piracicaba, privilegiando a participação dos artistas plásticos produtores de obras enquadradas na categoria de arte ingênua, espontânea, instintiva,popular, naïf ou naïve, que em sua maioria as concebem de maneira autodidata.

A mostra é uma das principais referências do gênero artístico e promove a integração entre artistas, pesquisadores, colecionadores e galeristas – além de educadores e estudantes, com a finalidade de ampliar conhecimentos e garantir o debate acerca da produção visual no país.A programação costuma promover ateliês abertos, oficinas, cursos, palestras, visitas orientadas e apresentações.

A denominação 'Arte Naïf' surgiu no fim do século XIX, com o pintor francês Henri Rousseau no Salão dos Independentes, em Paris. Por fugir aos padrões da alta arte, na época, ele chegou a ser acusado pela crítica de ignorar regras elementares de desenho, composição e perspectiva e de empregar as cores de modo arbitrário. 

No Pará - Há muitos artistas paraenses que praticam a Arte Naif em suas obras, entre eles Elieni Tenório, Jair Júnior , Amando Queiroz e Alexandre Sequeira. Mas uma artista chamou atenção de todos em meados dos anos 2000. Maria José Batista, que vem de uma trajetória simples, puramente autodidata  e com mais de 40 anos, o talento descoberto em uma oficina de arte na Fundação Curro Velho. 

Obra de Maria José - mostra Espelhos da Vida  (IAP - 2007)
Hoje, ela desponta como uma das grandes revelações da mais autêntica arte naïf, numa pintura desvinculada da tradição erudita e convencional, e de característica espontânea e popular.

Maria José vem acumulando participação em dezenas de exposições coletivas e individuais, inclusive, em 2006, na Bienal de Arte Naif em Piracicaba – SP, como artista convidada e com obras adquiridas por colecionadores nacionais e estrangeiros. 

Naquele ano ela mostrou os trabalhos: “O Bebê quer Brincar” (Acrílico sobre Tela)Belém – PA, “Boa Noite Companheiro” (Acrílico sobre Tela) e “Meu Diário” (Livro e Acrílico sobre Tela). Os demais artistas citados nesta matéria também foram selecionados e participaram do evento.

Serviço
Inscrições abertas até 13 de abril. Para saber mais, acesse o regulamento da Bienal, disponível no portal do Sesc Piracicaba. Para baixar a versão para impressão da ficha de inscrição e regulamento clique aqui.

28.12.13

Prêmio de fotografia propõe tema livre em 2014

Fotografia de Marcelo Lélis, na mostra convidada em 2014
Criatividade, além da experimentação. É a aposta do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia chega a 5ª edição. Diferente dos outros anos, o tema para 2014 é livre, com premiações de R$ 10.000. Artistas de todo o país podem participar. Edital e ficha de inscrição (até 18 de fevereiro), no site, acesse aqui.

Os selecionados e premiados participarão da Mostra V Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, na Casa das Onze Janelas, que ocorrerá no período de 22 de abril a 22 de junho. Não será proposto para esta edição nenhum tema específico. O que norteará o resultado final da Mostra será a livre experimentação do artista no campo da fotografia.

“O território da imagem fotográfica significa para o projeto um campo de convergências poéticas, experimentações materiais e investigações filosóficas”, explica Mariano Klautau Filho, curador do projeto.

O Diário Contemporâneo iniciou em 2010 e vem promovendo desde então diversas mostras com os trabalhos selecionados, premiados e também convidados. Todos os anos são realizadas, também, , palestras, encontros, cursos e oficinas e publica também um livro catálogo reunindo imagens das  obras, entrevistas, ensaios críticos e artigos de pesquisadores de todo o país.

“Em quatro anos de existência, e tendo o fotográfico como norteador, o projeto também selecionou e exibiu pintura, desenho, vídeo, trabalhos instalativos e sonoros, objetos e narrativas literárias. Além das exposições, a participação de curadores, artistas e professores nas comissões de seleção e nas palestras promoveu o diálogo entre pesquisadores do Pará e de outros estados contribuindo para uma observação mais ampla sobre a produção emergente no Brasil”, continua o curador.

Para cada edição, ao longo desses anos, o projeto propôs questões aos artistas, evitando sempre a tradição ilustrativa da fotografia; explorando o tema como exercício conceitual, mote no qual o artista pudesse experimentar sua liberdade poética, ou ainda propor seu trabalho como uma tradução possível para as questões propostas nos editais.

Obra de Renan Teles, selecionada da 4ª edição
“Tivemos então Brasil Brasis em 2010, Crônicas Urbanas em 2011, Memórias da Imagem em 2012 e Cultura Natureza em 2013. Para este ano de 2014, e com a intenção de comemorar um novo ciclo com a quinta edição, decidimos propor um não-tema, uma espécie de não-lugar que caracteriza o território da fotografia, um lugar de constante passagem e repouso para a experiência do fotográfico. Portanto fica claro que não propomos nenhuma questão específica a ser desenvolvida pelo artista, mas reiteramos a livre experimentação que a fotografia, desde suas origens, exerce no campo da arte”, finaliza.

A programação incentiva ainda, a educação e a pesquisa, através de atividades educativas com as escolas. A prêmio é promovido pelo jornal Diário do Pará e conta com o patrocínio da Vale e com as parcerias da Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA e o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).

O projeto nacional incentiva a cultura, a arte e a linguagem fotográfica em toda a sua diversidade. Aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no País, o Prêmio é promovido pelo jornal Diário do Pará e conta com o patrocínio da Vale e com as parcerias da Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA e o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).

18.12.13

A força do samba de raiz amazônica, agora on line

Arthur Espíndola entrevistando Toninho Nascimento
Fruto de uma pesquisa sobre o samba autoral produzido na região amazônica,  o "Amazônia Samba" é um programa feito para a internet. Nesta quarta-feira, 18, além dos dois primeiros episódios, também será lançado o website do projeto. No IAP, às 19h, com entrada franca.

Apresentado pelo cantor e compositor Arthur Espíndola, expressão da nova geração de sambistas paraenses, o programa tem início com recursos da Bolsa de Pesquisa, Criação, Experimentação e Divulgação em Artes 2013 do IAP - Instituto de Artes do Pará.

Em formato de mini documentários, com duração de 30 minutos, cada episódio conta um pouco da trajetória de um personagem da história do samba amazônico, com entrevistas, curiosidades, informações e apresentações musicais. A primeira temporada tem oito episódios, e cada um será postado mensalmente no site da série. 

E aqui, a fala e o violão de Edmundo Souto
Eu, Luciana Medeiros, tomei conhecimento do projeto em uma quinta-feira do mês de novembro, que poderia ter sido um dia qualquer não fosse um fato inusitado, ao menos para mim. 

Ao chegar no Espaço Cultural Boiúna (mais conhecido como Bar do Mário, ali na Pariquis, entre Padre Eutíquio e Apinagés), um lugar já emblemático da boemia e reduto da música paraense, em Belém (famoso também por seus pasteizinhos recheados com jambú), encontro Arthur Espíndola, acompanhado à mesa por dois senhores distintos que conversavam à parte. Falamos de amenidades até que Arthur me conta do projeto "Amazônia Samba", momento em que ele também me apresenta os 'amigos'. 

Para minha surpresa, espanto e alegria, um deles era Edmundo Souto, autor de músicas conhecidas do cancioneiro brasileiro, entre elas, "Cantiga por Luciana", defendida por Evinha no Festival da Canção de 1969. Minha emoção foi imediata e indisfarçável. Não bastava a canção ser linda? Nem eu ter nascido no mesmo ano de seu lançamento? Ter sido batizada pelo nome que tenho, por causa dela? 

Não. Além de tudo, ganhei o ano ao saber que seu compositor é paraense e estava ali tendo o privilégio de conhecê-lo. Ao chegar em casa, relatei tudo no Facebook, como não compartilhar? A postagem rendeu comentários incríveis e várias curtições, que emocionaram até mesmo o Edmundo Souto, vejam aqui.

Equipe atenta ao trabalho, locação floresta
Edmundo Souto está no primeiro episódio da web-série. No segundo está Toninho Nascimento. Ambos são paraenses e estão radicados no Rio de Janeiro há muitos anos. Edmundo é também um dos autores, junto com Danillo Caymmi e Paulinho Tapajós, da indefectível 'Andança', imortalizada por Beth Carvalho. Toninho é autor, em parceria com Romildo, dos dois maiores sucessos de Clara Nunes: Conto de areia e Deusa dos orixás. 

O projeto tem como principal objetivo dar continuidade à pesquisa e difusão do samba autoral produzido na região amazônica, a integração dos ritmos e instrumentos regionais ao samba, e o constante diálogo entre tradição e contemporaneidade no cenário musical.  

Os dois primeiros episódios têm participação dos intérpretes paraenses Pedrão Frade, Gigi Furtado, Yashmin Friaça e Larissa Leite. A conceituação musical do projeto surgiu a partir das pesquisas e experimentações musicais do multi-instrumentista, cantor, compositor e produtor musical de Arthur Espíndola. 

A ideia é ter oito episódios na primeira temporada
Em seu trabalho musical ele começou a inserir os instrumentos típicos da música regional como curimbó, banjo de carimbó, barrica, chocalho, caixa de marabaixo, entre outros, ao instrumental tradicional do samba. E, consequentemente, começou a misturar rítmica e os sotaques da música regional amazônica ao samba.

“Comecei a incorporar o lundu ao samba canção, o samba de cacete ao partido alto, o carimbó, retumbão e o marabaixo ao samba tradicional e etc. E fui percebendo como isso enriquecia o som, e como o público se identificava e reagia bem à isso tudo”, declara Arthur. 

Dessa forma ele concebeu o que gosta de chamar de Samba Amazônico e, paralelamente, passou a pesquisar à fundo as raízes do samba que é produzido na Amazônia. Foi quando se apaixonou pela obra de compositores daqui, que foram gravados por intérpretes de renome nacional como Maria Betânia, Alcione, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Clara Nunes, Elizeth Cardoso, Roberto Ribeiro e muitos outros.

"Foi surgindo uma vontade de mostrar pra todo mundo, que os compositores de alguns dos maiores clássicos do samba eram daqui. Figuras com clássicos compostos como Toninho Nascimento, Edmundo Souto e Chico da Silva”, conta Arthur.

E daí, num 'estalo', veio a ideia do projeto, que acaba colocando sua experimentação musical em contato direto com a pesquisa que ele vinha desenvolvendo sobre a história do samba na Amazônia. 

Para levar adiante a ideia, Arthur começou a pensar numa equipe, que tem entre outras pessoas, a produtora cultural Narjara Oliveira e o diretor Pedro Vianna. “O Arthur tinha uma boa ideia. Nós trabalhamos essa ideia junto com ele, definimos o formato, e sistematizamos o trabalho. A partir daí foi ver o sonho virando realidade”, diz Pedro Vianna.  Eis que surge a web-série Amazônia Samba.

"Estou muito feliz. Esse é um trabalho de um ano. É um sonho que vejo se concretizar. Infelizmente os protagonistas não estarão de forma física no lançamento, mas o programa será apresentado integralmente com as entrevistas deles. 

A ideia é abordar nos próximos episódios toda a história do samba na Amazônia. As escolas de samba, a época de ouro do samba no Pará, até a galera que vem fazendo samba atualmente na Amazônia", finaliza em bom tom, Arthur Espíndola. 

Muito bom. Sucesso ao projeto, uma bela iniciativa!

Serviço
Lançamento da web-série Amazônia Samba. No auditório do Instituto de Artes do Pará - Praça Justo Chermont, 236. Ao lado da Basílica de Nazaré. Nesta quarta-feira, 18, às 19h. Entrada franca. Saiba mais no website do projeto: www.amazoniasamba.com

16.12.13

Rádio Margarida lança clipes com o Super ECA

Informar, além dos adultos, as próprias crianças sobre os seus direitos listados no Estatuto da Criança e do Adolescente - o ECA. Tudo de maneira lúdica, divertida. Este é o objetivo do DVD Super Eca e seus Clipes Animados, iniciativa da Rádio Margarida. As músicas trazem participações de cantores como Edilson Moreno, Adriana Cavalcante, Gang do Eletro, Renato Torres e Buscapé Blues, entre outros. O lançamento contará com música ao vivo, nesta terça-feira, 17, em duas sessões: às 16h, com plateia de crianças e adolescentes de escolas, creches e instituições que atuam com menores e adolescentes e, 17h, para o público em geral.  Tudo no Cine Olympia, com entrada franca.

O Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, conhecido como Rádio Margarida, está colocando à disposição dos educadores mais uma ferramenta em defesa da Criança e do Adolescente: o DVD Super ECA, que tem como objetivo difundir uma cultura de enfrentamento à violência contra a criança e o adolescente, de maneira lúdica e divertida, para maior absorção das informações contidas no Estatuto da Criança e do Adolescente. 

As canções inseridas nos clipes trazem ótimas participações de compositores, músicos e cantores paraenses.  Ao todo são oito curtas musicais animados, sendo sete músicas de autoria de Buscapé Blues e uma de Renato Torres. Gravadas no Midas Amazon Stúdio, as faixas trazem participações de cantores como Markinho e Banda (Supe ECA), Iolane Nobre e Renato Torres (Gira Mundo), Marcelo Kalunga (Capitão Gotão), Reanto Torres (Um Sorriso), Gang do Eletro (Energia Pura), Ivan Cardoso e Coro Juvenil Florescendo (Bullyng sai pra lá), Adriana Cavalcante e Edilson Moreno (Perigo!) e Coro Juvenil Florescendo (Mundo Colorido).

Cada clipe musical educativo tem até 5 minutos divididos entre a interação com o Super ECA, a personificação do Estatuto da Criança e do Adolescente, o super herói que costura todo o DVD, abordando aspectos complementares do assunto tratado nas músicas. 

À exemplo, no clipe musical sobre saúde e higiene bucal, o personagem demonstra como deve ser feita a escovação correta dos dentes.

Para chegar a este formato, antes da realização dos clipes, foi feito um trabalho de pesquisa para escolha dos temas, percebendo quais dos assuntos ligados ao ECA eram os mais necessários e se encaixavam neste tipo de difusão. 

Em seguida veio a fase de produção propriamente dita com a coleta de informações sobre os temas tratados, a criação de letra e da música dos clipes, depois foram elaborados os arranjos (Luiz Pardal) e finalmente a gravação e mixagem das músicas para que personagens ganhassem seus desenhos animados.


O projeto clipe infantil educativo é realizado de maneira interligada ao projeto Radionovelas Educativas III em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Desde a sua primeira edição no ano de 2007 vem abordando a linha programática de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente. 

Estender suas ações e serviços para atender a um público de crianças até nove anos de idade se torna um desafio para a Rádio Margarida, pois dentro deste público específico, está a faixa de idade da primeira infância, que vai de zero a seis anos, sendo a mais desprovida de materiais educativos que tratem de temas e conteúdos de prevenção a violência contra crianças. 

Neste sentido, o projeto elegeu oito temas para tratar nos clipes animados: acidentes domésticos; racismo; bullying; saúde e higiene bucal; esporte inclusivo; Estatuto da Criança e do Adolescente; amizade e vacinação.

Ao todo são três mil e quinhentos DVDs, cuja distribuição é gratuita e direcionada às organizações atuantes no campo de direitos humanos de crianças e adolescentes da Região Metropolitana de Belém e de outras regiões do estado do Pará. O patrocínio é da Petrobras - Programa Petrobras Desenvolvimento e Cidadania, Governo Federal , com apoio do UNICEF.

Sobre a Rádio Margarida - O Centro Artístico Cultural Belém Amazônia – CACBA, popularmente conhecido como Rádio Margarida é uma Organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, de utilidade pública municipal, estadual e federal, com inscrição no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. Desde sua fundação (1992) vem desenvolvendo programas, projetos e tecnologia sociais, prioritariamente voltadas à defesa da infância e da juventude em situação de violação de direitos, dentro do contexto amazônico e nacional (ver histórico).

Em sua trajetória institucional, a ONG Rádio Margarida tem aceitado desafios relacionados aos Direitos Humanos, principalmente quanto aos Direitos da Infância e da Juventude, no que diz respeito ao enfrentamento, à ameaça e à violação dos direitos, atuando no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos (SGD), por meio da formulação e aperfeiçoamento de tecnologias de informação e comunicação que vêm contribuindo à formação de profissionais, produção, veiculação e difusão dos direitos na esfera local, regional e nacional.

Nos últimos anos, a Organização vem desenvolvendo e aperfeiçoando ações sistemáticas de fortalecimento do SGDCD, com algumas tecnologias sociais certificadas, tais como: Radionovelas e Vídeos Educativos, acompanhados de Guias Pedagógicos de orientação e materiais didáticos utilizados por Redes de Proteção à Infância e Adolescência, Agentes e Educadores Sociais, Ministério da Educação / Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e Ministério da Justiça / Secretaria dos Direitos Humanos.

No ano de 2007, realizou-se o Projeto Vídeos Educativos – trilogia em defesa de crianças e adolescentes produziu-se a tecnologia denominada de vídeo-aula para o Ministério da Educação, sobre violências: doméstica (com situações de violência psicológica, física, abandono, negligência), violência sexual (abuso e exploração) e trabalho infantil; materiais replicados e distribuídos por todo país nos programas: Mais Educação e Escola Aberta.

Meninas do coro Florescer
No ano de 2008, por indicação da PETROBRAS, obteve-se o Prêmio Top Social 2008 da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, pela realização do Projeto Radionovelas Educativas: em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Belém do Pará.

No início do ano de 2011 recebeu-se o Prêmio Anu – prêmio concedido pela CUFA – Central Única das Favelas, pelo Projeto Novas Práticas Educativas, realizado em conjunto com a Secretaria de Educação do Pará. Houve, também, a execução do Projeto Estação Direitos: em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente no Pará, com o Comitê Estadual deenfrentamento à Violência Sexual contra crianças e adolescentes do estado do Pará e Secretaria dos Direitos Humanos – SDH / PR.

“Neste momento também desenvolvemos o projeto Vento Norte, cujo objetivo geral é a criação de instrumentos educativos de proteção e defesa da criança e adolescentes para enfrentamento das ameaças ou violações de direitos facilitadas pelas tecnologias de informação e comunicação para aperfeiçoamento da qualificação dos atores do Sistema de Garantia de Direitos (SGD)”, explica Maria Eugênia Melo, coordenadora do projeto, que tem convênio com a Secretaria dos Direitos Humanos – SDH / PR e CONANDA.

Edilson Moreno
Outro projeto da Rádio Margarida, o Radionovelas Educativas 2012/2013 também tem por objetivo difundir uma cultura de enfrentamento à violência contra a criança e adolescente em apoio a ações estratégicas de organizações atuantes no campo de direitos humanos de crianças e adolescentes da Região Metropolitana de Belém.

“E também visamos a divulgação e efetivação do ECA, por meio de produção de conteúdos e materiais educativos em vídeo, áudio e texto divulgados no portal web/www.radiomargarida.org.br e veiculados em programa semanal de radio difusão”, finaliza Eugênia.

Ficha Técnica

Coordenadora geral do Projeto- MªEugenia Melo
Coordenação executiva- Joana Lima
Coordenação de finanças – Carmen Chaves
Coordenação da criação de desenhos e da edição dos vídeos. = José Arnaud
Composição e supervisão das letras das musicais.  – Osmar Pancera
Arranjos musicais e coordenação da gravação em estúdio- Luiz Pardal
Edição de vídeo- Deco Barros
Criação de desenhos- Gizandro Augusto
Criação de composições musicais- Buscapé Blues
Técnicos de gravação: Márcio Góes/Luiz Pardal
Edição: Jacinto Kahwage/Luiz Pardal/Márcio Góes
Mixagem e Masterização: Jacinto Kahwage/Luiz Pardal
Estúdio de gravação- Midas Amazon Stúdio

Músicas

Super Eca (3:10)
Autor: Buscapé Blues
Interprete: Markinho e banda
Arranjo: Luiz Pardal
Bateria: Edvaldo Cavalcante
Guitarra: Davi Amorim
Piano/teclado/órgão: Luiz Pardal
Baixo: Luiz Pardal

Gira Mundo (2:20)
Autores: Iolane Nobre  e Renato Torres
Interprete: Renato Torres
Voz: Ana Flor
Violões/Guitarra: Renato Torres:
Arranjo: Renato Torres

Capitão Gotão (2:47)
Autores: Buscapé Blues e Mario Costa
Interprete: Marcelo Kalunga
Arranjo: Buscapé Blues
Guitarra/baixo: Jenner Vaz
Bateria: Mauro Vaz
Piano/teclado/órgão: Nei Talismã
Violão: Aurizomar Menezes

Um sorriso (2:10)
Autor: Buscapé Blues
Interprete: Renato Torre
Arranjo: Renato Torres
Voz: Renato Torres
Guitarra: Renato Torres
Contra baixo: Mauricio Panzera
Violoncelos: Arthur Alves
Percussão: Heraldo Santos

Energia pura (2:25)
Autores: Buscapé Blues /Osmar Pancera
Interprete: Gang do Eletro
Arranjo: Luiz Pardal
Guitarra: Davi Amorim
Bateria: Edvaldo Cavalcante
Piano/teclado/órgão: Luiz Pardal
Baixo: Luiz Pardal

Bullyng sai pra lá (2:20)
Autor: Buscapé Blues
Interprtes: Ivan Cardoso e Coro Juvenil Florescendo
Arranjo: Luís Pardal
Guitarra: Davi Amorim 
Bateria: Edvaldo Cavalcante
Piano/teclado/órgão: Luiz Pardal
Percussão: Bruno Mendes

Perigo! (3:15)
Autor: Buscapé Blues
Interpretes: Adriana Cavalcante/Edilson Morenno
Arranjo: Luíz Pardal
Guitarra: Davi Amorim
Bateria: Edvaldo Cavalcante
Piano/teclado/órgão: Luiz Pardal
Baixo: Luiz Pardal

Mundo Colorido (2:48)
Autor: Buscapé Blues
Interpretes: Coro Juvenil Florescendo
Arranjo: Luís Pardal
Guitarra: Davi Amorim
Bateria: Edvaldo Cavalcante
Piano/teclado/órgão: Luiz Pardal
Baixo: Luiz Pardal
Percussão: Bruno Mendes

Coro Juvenil "Florescendo" - Amanda Teixeira, Ana Clara Lima, Ana Júlia Cohen, Letícia Raiol, Maria Rosa Lima e Ranielly Monteiro. Preparação e Regência: Marianne Lima.

Serviço
O lançamento é no dia 17 de dezembro, às 19h, no Cine Olympia. Antes, às 16h, haverá uma pré-estreia para crianças de Escolas, Creches e Instituições que trabalham co menores e adolescentes.

15.12.13

Misticismo e romance na tela do Líbero e do IAP

Rudá dirigindo Luiz lemos e Milton Aires
"Tambatajá de Marrí", filme do diretor Rudá Miranda, que estreou no último dia 7, no Cine Olympia, volta a ser exibido neste domingo, às 17h, no Líbero Luxardo, e ainda terá mais uma sessão no IAP, na segunda-feira, 16, às 19h. Hoje, porém, a exibição ganha status de maior celebração, pois coincide com a data de aniversário do diretor.

Estou curiosa para ver... O filme traz uma história ousada e foi rodado em dezembro do ano passado na ilha de Colares, situada na região do nordeste do Estado do Pará, município famoso por sua beleza, mas principalmente por ter sido um local visitado por seres extra terrestres no final dos anos 1970, de acordo com registros da Operação Prato, realizada pela aeronáutica brasileira, na época. O tema já foi  abordado no cinema, no documentário "Chupa Chupa, a história que veio do céu", um projeto Doc TV.

No entanto, o filme de Rudá, que tem cenas ainda em Belém no Rio de Janeiro, feitas em janeiro deste ano, não foca este aspecto, embora a atmosfera mística do lugar esteja em seu contexto, mas sob outras perspectivas. Também não faz uma ligação direta à lenda do Tambatajá, imortalizada na canção de Waldemar Henrique, como o nome Tambatajá de Marrí  pode sugerir.

Tereza Miranda com Élida, que a interpreta  no filme
“Eu sempre quis usar o universo de Colares como o pano de fundo ou mesmo como tema central de um filme, inclusive eu planejo fazer outros trabalhos relacionados a ilha. Já a lenda do Tambatajá só tem a ver por se tratar também de uma história de amor”, diz o diretor.

O roteiro, do próprio Rudá, traz doses de misticismos que nos levarão ao romance que surgirá entre um carioca, que chega a Amazônia em busca de renovação e, após fazer um tratamento espiritual, acaba encontrando um pescador da região, por quem se apaixona. A ideia  do filme foi baseada em fatos reais.

“Quando eu era criança, na ilha de Colares, existia um amigo da minha mãe que se intitulava assim ‘Tambatajá de Marri’, nome que ele mesmo havia dado para si. O filme baseia-se numa história real, vivida por ele. Eu acho que o ‘de Marrí’ foi uma invenção dele para que o seu apelido adquirisse uma conotação "chic' ou "chique", pois eu já pesquisei essa palavra ‘marrí’ e nunca encontrei nada. Acho que a intenção era de criar um lugar hipotético, que remetesse à França, elevando o status do apelido”, reflete Rudá.

No elenco principal estão os atores Luiz de Lemos e Milton Aires, que fazem os personagens centrais da trama, e ainda Élida Braz, André Lobato e Renato Torres. Não se trata de um curta, o filme tem mais de 40 minutos, inspirados em histórias da própria ilha. A direção de fotografia é de Erik Boccio e a produção executiva, de Tereza Miranda.

Cenas feitas nas belas praias de Colares
“Há também atores encontrados em Colares (inexperientes) e outros escolhidos através de audições com estudantes de teatro da UFPA. No elenco temos uns 15 atores com participação significativa, com falas, e tivemos também muitos figurantes, a maioria encontrados ali mesmo na ilha de Colares”, explica.

Rudá Miranda é paraense, filho da produtora cultural Tereza Miranda, conhecida como Tereza de Colares a quem o filme é dedicado,  e irmão de duas outras artistas, a cantora Andrea Pinheiro e a atriz clown e professora de teatro Patrícia Pinheiro, do Grupo Os Palhaços Trovadores. Ele teria nascido em Colares, em 1977, não tivesse ocorrido o pânico causado pelas tais aparições dos discos voadores na ilha, levando muitos moradores irem embora, de lá.

“Nasci na época do Chupa Chupa - ou discos voadores - que assombravam a ilha. Minha mãe, receosa, me veio "ter" em Belém, mas logo depois voltou para a ilha. Eu cresci aqui no Pará”, diz Ricardo Miranda (nome original) que, aos 16 anos foi morar no Rio de Janeiro e com 21 partiu para os Estados unidos para trabalhar como acrobata num circo americano. “Nesse Circo, o Ringling Brothers, eu trabalhei numa turnê de quase três anos e viajei o país inteiro”, conta.

Encerrada a circulação circense, Ricardo Miranda (seu nome de batismo) resolveu ficar nos EUA para estudar cinema, um sonho que tinha desde a infância. “Trabalho com cinema desde 2007, mas de forma esporádica. Tenho experiência em várias funções, como assistência de produção e edição; Já dirigi um longa filmado em Los Angeles, que estou editando agora e outros vários curtas, inclusive dois filmados em película. Fiz videoclipes e comerciais, mas o que me interessa realmente é o sonho de fazer um cinema autoral”, continua.

Gravações dentro da floresta
Nunca uma produção de cinema é simples e filmar na Amazônia prescinde de uma boa logística, no entanto, até mesmo pela relação de Rudá com a ilha, acabou ajudando para que tudo ocorresse com mais tranquilidade, bem diferente do que ele vem experimentando em trabalhos feitos nos Estados Unidos.

“Foi um lugar fácil para filmar. Em Los Angeles e qualquer local dos USA uma produção precisa de inúmeras autorizações. A indústria do cinema nos USA, principalmente na Califórnia nos impõe uma série de limitações que só serão superadas com dinheiro. 

Lá, precisamos de dinheiro pra tudo. É também um processo burocrático. Aqui nos filamos na maior tranquilidade. Utilizamo-nos de luz natural para 95% das cenas, cenários naturais e figurantes da própria Colares. Foi tudo muito divertido; muito diferente do processo convencional de um "set" de filmagem. Filmar na Amazônia, nestas condições, nos proporcionou certa espontaneidade criativa que acabou por contribuir para a estética e filosofia de produção do filme”, revela.

A ilha de Colares por si só já nos traz o fator inusitado. Rudá diz que muitas coisas “interessantes” aconteceram durante as filmagens e destaca dois momentos. “Aconteceram muitas coisas maravilhosas, como a cena que simulamos uma partida de futebol onde o personagem Ossanha tenta provar que mesmo sendo homossexual "também" tem a sua masculinidade. 

Milton Aires
Filmamos de um modo altamente espontâneo e criativo... na realidade filmamos uma verdadeira partida de futebol, pra valer, com os atores no meio, até eu joguei ... (risos). Outra cena curiosa foi uma cena que interpretamos uns rituais performáticos que ocorriam no sítio da minha mãe em Colares. Iluminamos a cena com luzes de fogueira (já que não existe luz elétrica no meio da floresta). A cena foi um verdadeiro ritual por si só...”

Depois de toda esta jornada, tudo levou pouco mais de um ano entre a produção e a estreia do filme, a única coisa que Rudá quer é mostrar o resultado para um público amplo “Pretendo exibi-lo o máximo possível. Depois que um filme fica pronto a gente quer mostrá-lo e é essa a intenção. O tamanho do filme, a sua duração (44min), porém, é muito peculiar, isso dificulta qualquer intenção de comercializá-lo”, diz.

Luiz  de Lemos
E enquanto o Tambatajá de Marrí circula Rudá tenta viabilizar outras possibilidades de trabalho com audiovisual por aqui.

“Conheci pessoas aqui que estão muito a fim de fazer cinema e isso é ótimo. Tenho outros projetos para a Amazônia e para Colares, mas eles ainda são incipientes e esperam que ocorram logo. E se eles rolarem com certeza irei trabalhar com algumas pessoas que estiveram no set de filmagem de Tambatajá de Marrí”, antecipa o diretor.

O filme teve um baixíssimo orçamento de pouco mais de 20 mil reais e contou com uma equipe que já trabalhos importantes no circuito audiovisual paraense, além de outros profissionais convidados por Rudá.  A produção teve apoio da Sol Informática, da Fundação Tancredo Neves, RSCA Funds to Research. “E também de outros investidores como Robério Oliveira, Gabriel Chaves, Ricardão (o seu Hippie) e Conan Transportes Fluviais”, finaliza Rudá.

Ficha Técnica

  • Rudá Miranda, Diretor, roteirista, produtor e editor
  • Tereza Miranda, produtora executiva
  • Erik Boccio, Cinematógrafo
  • Cezar Moraes. Primeiro assistente de câmera
  • Lucas Escócio - Assistente de direção
  • Micahel Pateras - segundo assistente de câmera
  • Eliana Pires - segunda assistente de direção
  • Marluce Jares - Figurino
  • Michelini Penaforte - Maquiagem
  • Aldo Cardoso - Eletricista
  • Letícia Cardoso - Coordenadora de produção (e atriz)
  •  Beto Pêgo - Fotógrafo das cenas no rio de Janeiro
  • Jaqueline Gaia - Assistente de Produção
  • Betinho de Colares - Assistente de Produção
  • Leo Chermont - Som Direto
  • Shaun Burdick - Desenho de Som


Serviço

Tambatajá de Marrí, um filme de Rudá Miranda. Exibição neste domingo, às 17h, no Cine Líbero Luxardo – Centur (Av. Gentil Bittencourt, entre Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva), e na segunda, às 19h, no IAP – Instituto de Arte do Pará (Pça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada franca.

11.12.13

Um sonho de valsa e mais 30 crianças no Da Paz

Elas são alunas dos cinco polos dos programa Pro Paz nos Bairros se apresentam no palco do Theatro da Paz, integrando o espetáculo “Um Sonho de Valsa” , do Centro de Dança Ana Unger. A apresentação será às 16h, desta sexta-feira, 13, e os ingressos gratuitos já foram distribuídos para as famílias das crianças envolvidas. 

Em tempos de revolução tecnológica, a menina Anne de 8 anos, não consegue encontrar o equilíbrio entre o apelo irresistível do mundo virtual e os sonhos românticos de uma menina de sua idade. 

Sua avó Adê, tenta proporcionar à menina momentos preciosos para seu aprimoramento pessoal, como a formação em arte através da dança, apreciar a natureza e as brincadeiras infantis, mas a menina está sempre perdendo horas, absorvida nas mídias sociais. 

Até que cai dentro de seu Tablet e fica aprisionada em um aplicativo. A trama passa pela jornada de autodescobrimento da infância e adolescência, as paixões por borboletas, cupcakes e brigadeiros, pelas tradicionais bonecas Princesas, e as atuais Monster High, o medo do escuro e das sombras do jardim da sua casa. As amigas imaginárias “Paulinhas” estão sempre presentes na hora das brincadeiras, e seus primos, Rob, Ron e Beto, salvam Anne dos apuros da tecnologia.

O espetáculo é o resultado do trabalho desenvolvido nas escola de dança e celebra os 15 anos de atividades artísticas do centro. Além das crianças dos polos do Pro Paz, haverá ainda a participação especial do bailarino Dennis Vieira, que fará sua última apresentação no Brasil antes de embarcar para a Alemanha. Para a bailarina Ana Unger, a participação dos alunos dos polos é uma forma de oportunizar a arte nas comunidades, e para isso a parceria com o Pro Paz nos Bairros foi imprescindível para essa realização. 

“Foram dois meses de ensaios com eles, sendo que antes houve uma seleção prévia em cada um dos polos, com visitas e audições. O resultado está neste espetáculo, que sem dúvida já está sendo importante na vida deles”, acredita a diretora da Companhia.

Em apresentação única, as crianças e adolescentes dos polos UFPA, UFRA, Sacramenta, IESP – Marituba e Mangueirão estarão integrando o elenco de “Um Sonho de Valsa” em conjunto com o Centro de Dança Ana Unger. 

Serviço
Apresentação dos alunos do Pro Paz nos Bairros no espetáculo “Um Sonho de Valsa” do Centro de Dança Ana Unger. Nsta sexta-feira, 13, às 16h., no Theatro da Paz – Avenida da Paz, Bairro da Campina, Belém.

“Em meio Urbano” com ritmos de Jazz e da Rua

A perspectiva do meio urbano e suas relações. O que enxergamos no dia a dia das ruas como violência, manipulação da mídia, educação, transporte público, brincadeiras de rua ou as relações pessoais mediadas pela tecnologia. Pontos como esses foram abordados pelos alunos das oficinas de dança para a criação do espetáculo “Em meio Urbano” que estreia hoje, dia 11, no teatro da Fundação Curro Velho. A mostra segue nos dias 12 de Dezembro, às 18h30 e nos dias 13 e 14 de Dezembro, às 19h30.

O “Em Meio Urbano” retrata a vivência dos jovens participantes na cidade onde vivem. As coreografias misturam Street Dance e Jazz Norte-Americano divididas em dois grupos coreográficos. 

A construção do roteiro dos dois grupos foi feita a partir da reflexão sobre o cotidiano urbanístico as diversas relações pessoais. A linguagem artística utilizada vai misturar cenários improvisados, objetos de performance, figurinos próprios da cidade e coreografia contemporânea traduzida por meio de gestos bastante conhecidos.

Um dos grupos vai apresentar a Dança de rua com mistura de estilos Pop, Rip-Rop Dance e Weking, um Dance Club criado por volta da década de 1980 nos Estados Unidos. A diversidade é a marca do grupo que vai apresentar o formato Street Dance. 

A segunda turma vai trabalhar os movimentos do Jazz e a inclusão do corpo social familiar inserido na rua. A mistura de ritmos e estilos trazidos pela experiência dos alunos com as oficinas de dança da Fundação dá o tom ao espetáculo.
Transformação Social

A Dança de Rua é um estilo nascido em meio urbano carregado de informações e referências como a criminalidade, batalhas de gangues, e conquista de território, mas sem nenhuma apologia. A função social da Dança de Rua se torna importante por estar muito mais próxima dos jovens e por isso os conquista mais rápido. “A filosofia da Dança de Rua na verdade é o contrário do ruim. Ela é de compartilhamento, de transformação e resgate”, conta Angélica Monteiro, diretora coreográfica do grupo de Street Dance.

A coreografia, quase toda montada pelos próprios alunos, foi baseada na dinâmica de interação proposta nas aulas. Angélica conta ainda que sente orgulho do resultado que a dança tem causado nos alunos. “Eles se doam demais. Não tem tempo ruim. Até quando estão mal, eles convertem essa energia pra dança e isso sai”. Além de incentivar a reflexão social, o objetivo da dança é aproximar mais o grupo de si mesmo. Reconhecer o corpo e trabalhar a percepção dentro da coreografia.

Fazer dança de rua ou outro estilo acaba trazendo mais oportunidades para os jovens e os tirando do ócio e da acomodação ao oferecer algo que eles gostam de fazer. 

Leandro Augusto, 16 anos, conta que tinha preconceito com o break dance antes de se envolver com as oficinas. “Aprendi a respeitar o outro e entender a opinião de cada um. Fiquei mais maduro”, conta. Camila Brito teve o primeiro contato com a dança na Fundação. “Se seu dia não foi tão legal ou se está mais feliz, na oficina você aprende a transmitir isso por meio da dança, e eu acho muito legal”.

Improvisação e Responsabilidade. O Jazz traz a improvisação e o swing para os palcos de dança contemporânea. A sua principal característica é a variedade rítmica. O grupo que vai apresentar esse estilo no espetáculo “Em meio Urbano” se utiliza das técnicas do Jazz Dance americano, Street Jazz, Athnnical Jazz, Lirycal Jazz e Modern Jazz misturando tudo e trazendo uma coreografia mais contemporânea. Rodrigo Repila, diretor artístico, conta que para o roteiro coreográfico foram trazidos elementos da infância. “Tudo o que acontece na nossa vida vem de berço, então procurei pegar cantigas de roda, jogos de tabuleiro e transformar em cena coreográfica”, explica.

Cordas, elástico, malas, telas de pintura, spray de tinta, latões, adesivos e carcaças de carro. Esses serão alguns dos materiais utilizados para compor cada cena. 

“O cenário se renova, mas o mais importante dessa montagem é o aprendizado desses meninos e a responsabilidade que eles ganharam”, afirma Rodrigo, que criou o processo de montagem. 

“A amizade e companheirismo ao ajudar o outro foi fundamental”, acrescenta. Aluna de ballet clássico, Camila Mendes entende que o Jazz mesmo não sendo tão urbano tem muita influência do cotidiano. “Nem sempre a urbanidade é só a violência, a poluição. Na verdade tem uma coisa bonita. No alvoroço do dia a dia pode ter uma coreografia. É legal aprender a identificar isso”.

Serviço
Espetáculo “Em Meio Urbano” – Auto de Natal dos Jovens da Fundação Curro Velho. Dias 11 e 12 de Dezembro às 18h30. E Dias 13 e 14 de Dezembro às 19h30. No Teatro da Fundação Curro Velho. No final da Djalma Dutra. Bairro do Telégrafo. Informações: 3184-9112 ou 8895-1334.

Pará participa de Festival Multicultural no Ceará

De 12 a 14 de dezembro o Estoril, em Fortaleza, recebe o Noites Brasileiras, um festival artístico-cultural das expressões e manifestações dos diferentes lugares do nosso país. A ideia é a cada edição, contemplar  três estados do Brasil, mostrando espetáculos de Teatro, Dança, Música e Feira Gastronômica, além de propor o Territórios Criativos onde acontecerão debates e palestras. Este ano, as atrações paraenses que participam do festival são a Gang do Eletro, a Companhia de Investigação Cênica e Pinduca.

O Noites Brasileiras visa ampliar o acesso aos bens culturais, fomentando a cadeia produtiva local. E os motivos são muitos, especialmente o estimulo ao compartilhamento a partir do intercâmbio artístico que promove a circulação das produções entre os estados brasileiros. 

Fortalecendo as redes de cooperação as ações artísticas e formativas que produzem impactos duradouros, gerando novos estímulos à produção cultural. A realização é da WM Cultural em parceria com a CENAPOP através do incentivo da ACAL, do Grupo Aço Cearense, com apoio cultural Secretária de Cultura e Governo do Estado do Ceará.

Voltando a multiplicidade cultural, nesta edição de estreia, o Noites Brasileiras apresenta diferentes tipos de expressões e linguagens culturais e suas interseções. Espetáculos de dança, com a Cia Vatá (CE), Cia de Investigação Cênica (PA) e o bailarino pernambucano Ângelo Madureira encherão de cores e ritmos a caixa cênica que será instalada na frente do prédio do Estoril. 

Para quem gosta de teatro de rua, os grupos Formosura(CE) e Cafuringa(PE), farão a alegria de quem passar pela Praia de Iracema e ainda tem música dos mais diferentes estilos, com Dona Zefa (CE), David Duarte(CE), Luxo da Aldeia (CE), Pinduca (PA), mais conhecido como o Rei do carimbó, Gang do Eletro (PA), Karina Buhr (PE) e tantos outros, além de grafite ao vivo e exposição.

De acordo com William Mendonça, diretor da WM Cultural e idealizador do projeto, “Todas as ações deste projeto propõem um conhecimento histórico e cultural de cada lugar. Os artistas vivenciarão novas plateias, os espectadores descobrirão e reconhecerão a gastronomia de cada estado e suas raízes. Oportunizaremos o dialogo entre produtores e gestores com diferentes realidades, mas com produtos de linguagens semelhantes”, diz.

"Para nós é uma honra, mas também um desafio propor algo dessa grandiosidade, pois sabemos da nossa responsabilidade enquanto produtores e formadores de opinião, mas especialmente entendemos nossa posição enquanto artistas que enxergam a arte como uma ferramenta de desenvolvimento humano e um canal de ligação entre os povos. É por isso que convidamos todos a embarcarem conosco nesse passeio plural, acessível e democrático chamado Noites Brasileiras", completa.

O Festival - A proposta fomenta a circulação de artistas entre os estados brasileiros, valoriza as diversas “culturas” e estimula a difusão da produção cultural, dando às diferentes classes sociais acesso aos equipamentos existentes na cidade de Fortaleza.

O Estoril - A história do Estoril, se confunde com a da Praia de Iracema, isso por que durante anos o prédio foi local de encontro da boemia fortalezense. Erguido sobre taipa (processo de construção bastante comum na região) em 1920; foi substituído por uma réplica em alvenaria em 1990, após desabamento devido uma forte chuva. O prédio coberto por telha marselha, com material de acabamento e adorno vindo da Europa, possui dois pavimentos e uma torre e foi Tombado como Patrimônio Histórico em 19 de setembro de 1986.

Na Segunda Guerra Mundial (anos 40), a família Porto arrendou a residência para norte-americanos que instalaram, no local, um cassino para a diversão de oficiais. Com o fim da Guerra, a “Vila Morena”, como era chamada, foi arrendada por portugueses. O local passou a funcionar como bar e restaurante e foi rebatizado de Estoril (nome de uma cidade portuguesa). O local era conhecido espaço de debates políticos, fato que o tornou alvo de especial atenção para o governo durante o período da Ditadura Militar.

WM Cultural - Realizadora do Noites Brasileiras - Festival Multicultural do Brasil, a empresa desenvolve serviços integrados nas diferentes etapas de elaboração e realização de projetos culturais e tem como principal filosofia de trabalho o planejamento e a organização, princípios fundamentais para o bom andamento e resultado dos projetos. 

Criada em 2009, atua em duas frentes de projetos: Gestão e Co-Produção, em diversas categorias artísticas(teatro, literatura, música, dança, patrimônio material e imaterial e festivais), priorizando a excelência artística e relevância cultural.

Economia - Estima-se que a estrutura sugerida para esta edição deverá gerar aproximadamente 60 empregos diretos, envolvidos na produção. Além disso, um evento deste porte movimenta uma cadeia de produtos e serviços incluindo alimentação, hospedagem, sonorização, montagens, instalações, serviços de divulgação, entre outros.
Programação

Noite do Ceará - 12 de dezembro

18h: Abertura dos Stands de Gastronomia e Institucionais e Abertura Oficial com Show Musical Instrumental: “Camerata Unifor”.

18h30:  Boi Estrela
Bebendo da água da tradição Nordestina, o Grupo Formosura de Teatro trás a cena a tradicional história da ingênua Catirina e do Boi Estrela. E apresenta Mateus e seus questionamentos. 

20h20: Homenagem “Ceará Vive Pernambuco e Pará” Show Musical: “Dona Zefa”.
Detentores de uma sonoridade eclética, a Banda Dona Zefa se propõe a unir estilos, assim, mistura o popular ao erudito. O resultado é uma multiplicidade de estilos que levam o público a dançar e se divertir, indo do genuíno forró pé de serra, ciranda, maxixe, carimbó, frevos a música clássica, sem abrir mão do bolero, choros e sambas.

21h30 - Vatá, Etnografia de Mim
Com um corpo que questiona sua própria história de passado, onde presente é gerúndio e o futuro inquietação, a bailarina Valéria Pinheiro em seus 25 anos de pesquisa sobre o corpo, apresenta sua etnografia.

22h - David Duarte
Apontado pela crítica e nos circuitos alternativos como um dos mais legítimos sucessores do “Pessoal do Ceará”, movimento musical que na década de 70, o cantor, compositor, instrumentista e produtor musical David Duarte apresenta seu show Minha vida, Minha História, onde revisita os grandes sucessos de sua carreira.

23h - Nigroover
Grupo musical atuante na atual cena cearense começou suas atividades em 2008 fazendo releituras interessantes de sucessos da música de raiz negra. Transitando entre samba-rock, funk, Soul, Afrobeat e seus desdobramentos, sem se prender a modismos ou conveniências comerciais. Hoje executa forte trabalho autoral.

00h - Luxo da Aldeia
O Luxo da Aldeia, que tem seu nome foi inspirado na música Terral do cantor e compositor Ednardo, anima os pré-carnavais de Fortaleza, desde 2007, sempre homenageando a cultura musical do Ceará, executando canções carnavalescas de compositores e músicos cearenses de nascimento ou de coração.

Noite do Pará - 13 de dezembro

18h: Abertura dos Stands de Gastronomia e Institucionais.

20h: Espetáculo de Teatro e Dança: “Ciao! Buona Notte, Finito...” - Cia. de Investigação Cênica.
Cia. de Investigação Cênica, promove o encontro entre o palhaço e a bailarina. O espetáculo promove a fusão entre dança contemporânea e as técnicas circenses, ao trazer a metáfora das transformações.

21h30: Show Musical: “Pinduca”.
Conhecido como o "Rei do Carimbó", o cantor e compositor Pinduca é um dos maiores representantes da cultura popular no Brasil. Esse filho do Pará leva sua música e seu estado por onde passa.

23h: Show Musical: “Gang do Eletro”.
A banda que nasceu em 2008, é hoje trilha sonora de novela e causa movimentos involuntários de pernas, braços, ombros, pescoço e quadril, de quem a ouve. Isso mesmo! A Gang do Eletro te faz tremer e dançar ao som do Pará.

Noite de Pernambuco - 14 de dezembro

15h: “Territórios Criativos”: Encontro de Gestores, Produtores e Artistas Brasileiros.

18h: Abertura dos Stands de Gastronomia e Institucionais.

18h30: Espetáculo de Teatro: “Cafuringa” – Grupo Cafuringa.
O espetáculo narra à história do ventríloquo, embolador, vendedor de pomadas e garrafadas: Cafuringa. Um recorte no tempo, de seus momentos brincantes até a sua expulsão do Pátio do Carmo.

19h30: Espetáculo de Dança: “Delírio” - Ângelo Madureira.
O solo de Ângelo Madureira, questiona sobre a dança, sobre o frevo. E o que sobraria da dança se tirasse a música do frevo? Foi a partir dessa indagação que nasceu essa obra forte e lúdica que busca representar a dança popular em cena.

21h30: Show Musical: “Silvério Pessoa”.
O músico dá tratamento contemporâneo a referências do cancioneiro popular da Zona da Mata, Agreste e Sertão do estado de Pernambuco, com o cuidado de não descaracterizá-las. Rock, hip-hop, punk e intervenções eletrônicas são algumas sonoridades absorvidas pelas tradições e refletidas num trabalho que sai do interior de Pernambuco e conquista ouvintes do mundo todo.

23h: Show Musical: “Karina Buhr”.
A cantora, compositora e ilustradora, que em 2012 foi indicada ao VMB nas categorias "melhor disco","melhor música|" e "melhor artista feminino", desembarca em Fortaleza para fechar com chave de ouro a programação do Noites Brasileiras.

10.12.13

Robertinho Silva lança livro e ministra workshop

Três dias para desfrutar da presença músico percussiva de Robertinho Silva em Belém do Pará. A partir do dia 11, ele ministra um workshop de bateria e percussão (inscrições abertas). NO dia 13, lança o livro  “Se a Minha Bateria Falasse...”.  Tudo no Instituto de Artes do Pará, o IAP.

Carioca e autodidata, o percussionista Robertinho Silva descobriu a potencialidade da bateria ainda menino. Teve influência dos principais bateristas do samba e da bossa nova e dos bateristas de jazz Norte Americanos. 

Robertinho, 50 anos de carreira, é considerado um dos artistas mais significativos das últimas décadas. Nos três dias de workshop, Robertinho Silva fará um apanhado sobre sua carreira e a história dos instrumentos, além, é claro, de tocar várias músicas, interagindo diretamente com o público.

O livro em questão, escrito por Miguel Sá (jornalista, filho do violonista e compositor Luiz Carlos Sá), aborda a trajetória de Robertinho Silva, 72 anos, carioca de Realengo e histórico integrante do Som Imaginário.  "Se a Minha Bateria Falasse..." é uma biografia em que ele, naturalmente, torna-se "porta-voz" do seu instrumento, servida de fotos muito interessantes do acervo pessoal. O livro foi lançado em outubro deste ano no Rio de janeiro e agora chega a Belém, que terá como privilégio a presença de seu principal personagem.

Com Naná Vasconcelos e Milton Nascimento
Abaixo um trecho: 

"Durante dois anos, os Flamingos circularam pela Zona Oeste, fazendo os melhores bailes da região. Nessa época, os elogios eram muitos: Beto era quem tocava "moderno". Ninguém na Zona Oeste tocava como ele, que fazia um clima diferente para os dançarinos que viravam a noite dançando os sambas, rumbas e outros gêneros tradicionais nessas festas.

No entanto, Robertinho desenvolveu , nessa época, uma virtude: não se deixar "abater pelos elogios". Na Zona Oeste, já tinha tocado em lugares como a Moreninhas de Bangu e a Sedofeita, em Bento Ribeiro, onde os bateristas Hidrofredo Correia e Edson Machado começaram a tocar samba com a condução no prato da bateria.

Mesmo com fama grande na Zona Oeste, ele já tinha consciência de que havia novos caminhos a procurar. Em vez de ficar satisfeito com o "reinado" local, ele decidiu que era hora de procurar novos horizontes Praça Tiradentes . Se, "em terra de cego quem tem olho é rei", ele sabia que, em outros lugares, poderia conhecer os grandes ídolos da época e tocar com eles. Durante o serviço militar, antes de sair do Flamingos, já estava frequentando o ponto dos músicos na Praça Tiradentes.

A Praça Tiradentes era o ponto de encontro dos melhores músicos de baile da cidade do Rio de Janeiro. e era o local para ficar conhecido no Centro. Bateristas, saxofonistas, pianistas, todos iam lá esperando ser arregimentados para alguns dos bailes mais disputados da cidade. Entre eles, desde 1961, já estava RobertinhoSilva, que começava a fisgar alguns trabalhos nos cabarés da Praça Mauá, cobrindo folga de outros músicos a convite de Deuzete Menezes, pianista que tocava, eventualmente, com a banda Flamingos.

Fosse por briga ou por alguma desavença de uma profissional da noite com um namorado músico, não foram poucas as vezes em que o baterista viu copos estourando na parede ao seu lado enquanto tocava. Em compensação, os olheiros do Rio de Janeiro começaram a reconhecer "aquele garoto que toca pra caramba" e a levá-lo para tocar em todos os clubes do Centro do Rio de Janeiro. 

Lá, a seta do progresso começava na região portuária, passava por locais tradicionais, como a gafieira Elite, na Praça da República (também havia uma no Méier) e a Estudantina, na Praça Tiradentes. O caminho seguia até o fim da Rio Branco, no prédio São Borja, onde estavam os dois principais "dancings" da região."

Nos "links",  um pouco mais de Robertinho Silva...

1) "Choro Azedo", do guitarrista virtuose Diego Figueiredo - Robertinho, ao lado do baixista Eduardo Machado, batuca na caixa de fósforos;

2) "Os Deuses e os Mortos", de Milton Nascimento - belíssimo tema para filme de Ruy Guerra, lançado em 1970 -, com o Som Imaginário;

3) "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento e Fernando Brant;

4) "Festa de Terreiro", de Robertinho Silva;

5) "Falange dos Tambores", feita em parceria com Nelson Angelo;

6) "Mar Azul", de Luiz Alves (outro integrante do Som Imaginário);

7) "Saudação ao Tambor" de RobertinhoSilva; 

8) Demonstração do Toque da Frigideira para videoaula. 

No nono e no décimo "links", duas graçolas do seu "personagem" Bob Silva:

9)  "Neném", inspirado em música de Carlos Imperial;

10) "Doutor", inspirado em música de Billy Blanco.

Serviço
Workshop de bateria e percussão de Robertinho Silva. De 11 a 13 de dezembro de 2013, das 10h às 12h, no IAP. Inscrições abertas (presenciais) na Gerência de Artes Cênicas e Musicais do IAP. Lançamento do livro “Se a Minha Bateria Falasse...” - Na sexta-feira, 13, às 19h, na Varanda do IAP. Praça Justo Chermont, 236, ao lado da Basílica.

(Colaborou: Paulo Nunes - professor,  escritor)