28.2.14

Neste "Sábado Tem", "O pequeno grande aviador"

O musical tem encantado as plateias. Livremente inspirado na obra de Antoine de Saint Exupéry, "O Pequeno Grande Aviador e o Planeta do Invisível" está de volta em cartaz, neste sábado, 1º de março,  às 19h, dentro da programação do Pirão Coletivo - Projeto Sábado Tem. Domingo que Vem". 

A montagem do Dirigível Coletivo de Teatro traz cenas construídas de um modo particular, através da interação das mídias: teatro, música, vídeo e dança, reforçando a obra para quem não a esquece.

Na história francesa, um pequeno príncipe nos convida a olhar com atenção o planeta que habitamos, cheio de presentes oferecidos pela natureza. Presentes aparentes ou escondidos, renováveis ou limitados, mas que revelam segredos quando os observamos com o olhar de uma criança. 

As frases que ele ouviu ou disse ficaram no inconsciente coletivo da humanidade. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, “O verdadeiro amor nunca se desgasta, quanto mais se dá, mais se tem” e “Só conheço uma liberdade e esta é a liberdade do pensamento”, são algumas delas. 

Já a peça discute temas universais como infância e memória para contar de maneira leve e divertida a história do aviador que cai no deserto e encontra uma criança que convida o público a conhecer seu planeta, sua rosa, seus vulcões e a embarcar em sua viagem interplanetária capaz de mudar sua forma de ver, pensar e agir sobre vários aspectos no mundo. Uma experiência teatral que atravessa a investigação pessoal dos integrantes e o mundo fantástico de O Pequeno Príncipe.

“O Pequeno Aviador”, do Dirigível Coletivo tem sotaque próprio, é paraense. Ainda que guarde muitas semelhanças com o do livro inspirador, ainda assim há significativas diferenças. A história original foi hibridizada à vida dos próprios encenadores, trazendo um tom poético à montagem, que também tem uma trilha musical original executada ao vivo.

No início do espetáculo, eles vestem figurinos idênticos. Ao longo da apresentação, as vestimentas são modificadas para revelar os personagens que povoam o universo do "Pequeno Príncipe”.

“Este Pequeno Príncipe consegue uma empatia enorme do público, principalmente dos adultos, as crianças se divertem.

Mas vejo principalmente os adultos assistindo ao espetáculo com um sorriso no rosto do inicio ao fim, acredito que isto acontece porque o espetáculo leva o adulto à visitar a infância de novo, re-encontrar seus pequenos príncipes”, explica a diretora do espetáculo, Ana Carolina Marceliano. 

Ficha Técnica
Direção: Ana Marceliano
​Dramaturgia: Ives Oliveira
​Elenco: Antônia Costeseque, Armando de Mendonça, Krishna Rohini, Leonardo Bahia, Maycon Douglas, Rodolpho Sanchez, Luciano Lira e Raissa Araújo.
Direção Musical: Armando de Mendonça
Direção de Vídeo: Enoque Paulino e Krishna Rohini
Cenário e figurino: Ivanilde Silva e Rejane Lima
Iluminação: Enoque Paulino

Pirão Coletivo - Formado por diferentes grupos artísticos de linguagens cênicas - Cia. de Investigação Cênica, Cia. de Teatro Madalenas, Desabusados Cia. de Teatro, Dirigível Coletivo de Teatro, In Bust Teatro com Bonecos, Grupo Projeto Vertigem, Produtores Criativos, o Pirão Coletivo conta com parceria do blog Holofote Virtual, e traz a diversidade como ingrediente essencial para um alimento forte e substancial, que nutrirá a cidade com fruição estética e diversão criativa.

Este soma o terceiro final de semana do projeto "Sábado Tem. Domingo que vem", que tem como objetivo colocar a produção cênica dos grupos da cidade ao alcance do público. Todo sábado à noite, a programação é no casarão do Boneco, às 19h. Aos domingo, na Praça da Trindade. É de graça, mas ganhamos todos nós!


Serviço
Pirão Coletivo – Projeto Sábado Tem. Domingo que vem. Em cartaz “O Pequeno Grande Aviador”. Neste sábado, 1º de março, às 19h, no Casarão do Boneco – Rua 16 de novembro, 815, próximo a Praça Amazonas (lado esquerdo). A entrada é franca, o público paga quanto quiser, se quiser e gostar, após a apresentação. Mais informações: 3088.5858.

26.2.14

Nós de Aruanda, em 2ª edição na Theodoro Braga

Obra "Zé Pilintra", de Bia Cabral
Em 2013, a exposição que reuniu a produção artística dos Terreiros, foi uma das mais visitadas na galeria situada no Centur - Fundação Tancredo Neves (CENTUR). Visando a inserção e legitimação desses artistas no circuito artístico de Belém e de todo o Estado do Pará, a segunda edição abre no dia 7 de março, às 19h, trazendo 50 artistas e uma programação com performance, sempre a partir das 18h e Rodas de conversa nos dias 14, 21 e 28 de março, às 15h. Entrada franca.

A mostra traz um leque diverso e atuante da arte e cultura afro. Além da exposição e rodas de conversa, o evento conta com  a participação de Bruno B.O. (Hiphop), Carlos Cruz (performance de rua), Nazaré Cruz (tranças e moda afro), com o Coletivo Corpo Sincrético (O corpo trai), Zezinho do Mocambo (Corporeidade), Alan Fonseca e Sttefane Trindade (A cabaça de Anansy) e Ekedy Janete. 

Haverá exibições da Rede de Cineclubes de Terreiro/PARACINE nos dias 11, 18 e 25 de março, a partir de 16h e no encerramento, dia 28, marcam presença o coletivo AFAIA, Grupo Bambarê (Griot) e Duda Souza (Um (en) canto de Oxum), a partir das 18h. 

“Nós de Aruanda” rende homenagens à Mãe Doca, que é a Nochê Navakoly, iniciada nas tradições afro-brasileiras pelo africano ManoelTeuSanto, seu Vodun era Nanã e Toi Jotin e os artistas reunidos na exposição, são oriundos de vinte terreiros, incluindo coletivos como o AFAIA, Grupo Bambaré e o Coletivo Corpo Sincrético. 

Baseado no respeito à coletividade e na valorização da diversidade, esta iniciativa representa o esforço em tirar do anonimato e do silenciamento, a luta de mulheres negras e afro-religiosas, como a história de Mãe Doca, a homenageada da exposição.

Para saber mais sobre esta atitude que exige organização e preserverança (palavra que significa o ato de preservar e também dá nome a uma aldeia em São Tomé e Príncípe - África) em prol da diversidade afirmativa do protagonismo afro-amazônico, o blog conversou com o professor e pesquisador Arthur Leandro (Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará), também titular no colegiado setorial de culturas afro-brasileiras, o representando no Conselho Nacional de Política Cultural. Para mais informações sobre a programação, acesse aqui.

Holofote Virtual: Arthur, vocês estão no segundo ano desta ação. O que vem motivando a realização da exposição "Nós de Aruanda"?

Arthur Leandro: No Pará nós temos 5 conselheiros nacionais de culturas afro-brasileiras atuando junto ao MinC. Eu, Mametu Nangetu, Mametu Muagilê, Baba Omioryan (Emanuel Souza do Grupo Bambarê) e Ekedy Janete, de Castanhal. 

Os cinco estão na exposição. Posso te dizer que nacionalmente a gente tenta ocupar os espaços da institucionalidade da cultura. O Pará é referência nessa luta de visibilidade de artistas negros, e em especial os artistas de terreiro, e essa luta se reflete aqui também. 

Holofote Virtual: Da mesma forma que se quer trazer à visibilidade, a produção artísticas dos Terreiros, com este movimento, também se pretende romper barreiras que possam vir de dentro destes próprios, em relação aos locais de exposição?

Arthur Leandro: Nas artes visuais (diferente do teatro, da dança e da música), enfrentamos o campo mais restrito das ditas linguagens artísticas, e o que percebemos é que esse universo parece um campo fechado de uso restrito das camadas mais abastadas da sociedade – um mundo restrito às elites. 

Essa percepção estimulou o GEP Roda de Axé a iniciar o mapeamento da produção artística nas comunidades de terreiros, e nessa pesquisa - que consideramos em estágio embrionário - encontramos vários artistas que estão nesse processo de inserção e legitimação no circuito das artes visuais (muitos formados em faculdades de artes visuais).

Cena do documentário "Os velhos Baionaras" 
Direção de Stéfano Paixão
Holofote Virtual: Como se tem travado este diálogo?

Arthur Leandro: A proposta que o grupo apresentou aos artistas foi de reunir todos eles/nós em um esforço coletivo de realização de uma exposição em homenagem à Mãe Doca - ícone da resistência pelo direito à consciência de Povos Tradicionais de Terreiros de Matriz Africana no Pará - em que pudéssemos apresentar a diversidade dessa produção "periférica" como um discurso afirmativo do protagonismo afro-amazônico na produção de poéticas visuais.

A grande maioria não se sente (ou não se sentia) artista, e se somos um país multicultural, isso acontece porque essa multiculturalidade não chegou nos espaços de legitimação de arte... e boa parte de nós ainda não compreende o choque cultural entre os dois universos - de um lado nós, os de Aruanda, que fazemos arte no dia-a-dia sem a preocupação com o mercado de arte; e de outro o circuito de artes visuais a valorizar conquistas individuais e "destacar" os "grandes artistas" com interesse em valorização de mercado, esses (preconceituosamente) chamam a nossa produção de arte étnica...

Baba Luis Tayandô
De todo jeito, quando disputamos esses espaços de legitimação das artes visuais nós balançamos a estrutura que sustenta esse circuito até então unicamente voltado ao mercado - e veja bem que a nossa exposição obteve excelente pontuação de todos os avaliadores do edital de pauta da galeria, e nós ficamos em 1º lugar entre os projetos aprovados, ou seja: o próprio mercado percebeu a potência da produção dos artistas de terreiros.

Holofote Virtual: A produção artística dos terreiros é tradição, no entanto talvez não venha sendo compreendida/reconhecida como tal nem lá, nem cá. Trazer isso à tona, fora dos terreiros, além de reconhecimento, também é uma forma de sustentabilidade aos próprios terreiros? 

Arthur Leandro: A SEPPIR - Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial lançou, em 2013, o Plano Nacional de Sustentabilidade de Povos Tradicionais de Matrizes Africanas, e este plano em seu primeiro objetivo, diz: “Promover a valorização da ancestralidade africana e divulgar informações sobre os povos e comunidades tradicionais de matriz africana”, em iniciativas como “Realizar Campanha Nacional de informação e valorização da ancestralidade africana no Brasil”. 

O projeto coloca, como questão, a visibilidade das comunidades através da divulgação respeitosa das tradições com o protagonismo dos povos tradicionais de terreiros de matriz africana. E isso para nós é sustentabilidade (ver o PDF)

Peça exposta em 2013
Holofote Virtual: Tudo vai estar á venda? Como foi feita a curadoria para o que estará exposto?

Arthur Leandro: Tem uma lei que impede comercialização em galeria de instituição pública, mas os contatos para futuras negociações estarão disponíveis. 

Holofote Virtual: O que foi apresentado, em 2013?

Arthur Leandro: O que apresentamos nesta coletiva foram práticas artísticas do cotidiano das culturas da diáspora africana na Amazônia, ou algumas práticas poéticas que recriam algumas dessas diversas Áfricas amazônicas.

O conjunto das obras aponta para a pluralidade de entendimentos sobre o que é a arte, e que em comum trazem um forte viés emotivo baseado na coletividade, no cotidiano dos terreiros, nas lutas políticas por direitos de cidadania, na política afirmativa, nas práticas ritualísticas, na memória afetiva e na memória de vida como elementos essenciais para a construção de mundo que resulta na poética desses artistas. 

Assim como para a compreensão teórica para a construção dos paradigmas estéticos afro-amazônicos – ou os apontamentos para uma futura estética que tem a potência da estética diversificada e construída pela experiência plural negra e brasileira nesta região, e que indica vínculos a elementos socioculturais africanos e amazônidas.

Munanga (Zaire), professor de Antropologia 
da Universidade de  São Paulo, presente em 2013
Holofote Virtual: Quais foram os pontos positivos?

Arthur Leandro: Tivemos uma visitação de mais de 350 pessoas em 15 dias de exposição, e se considerarmos que a galeria não abre nos finais de semana, podemos dizer que a exposição durou 10 dias e que a média foi de 35 pessoas ao dia, o que para nós se configura como um sucesso. E se aqui em Belém tivemos grande repercussão expressa no público visitante da galeria, nas páginas de jornais, programas de rádio e de TV, e mesmo entre o meio artístico local. 

Os ecos dessa exposição também extrapolaram os limites do estado do Pará e ganharam as páginas de jornais e blogs especializados em nível nacional, assim como povoaram rodas de conversas e debates acadêmicos sobre a produção artística de afirmação dos valores civilizatórios afro-brasileiros. Na nossa percepção, essa ação foi uma experiência inovadora que conquistou o interesse da sociedade em seus mais variados setores. 

Mametu Nangetu, na abertura da exposição em 2013
Foto: Isabela do Lago
Holofote Virtual:  Vocês vão homenagear a Mãe Doca. Qual a importância dela para o “Nós de Aruanda”?

Arthur Leandro: A homenagem é uma celebração à memória da luta dessa mulher, sacerdotisa e liderança de Tambor de Mina, imigrante maranhense vinda da cidade de Codó, e que apenas três anos após a abolição da escravatura enfrentou o racismo luso-brasileiro e inaugurou seu Terreiro na capital paraense.

A luta pela liberdade religiosa no estado do Pará tem nome, e o nome dessa luta por liberdade é “Mãe Doca”. O Decreto Legislativo nº 05/2009 (proposição da Deputada Bernadete Tem Caten/ PT) instituiu na Assembleia Legislativa do Estado do Pará a Comenda "Mãe Doca" em homenagem aos Cultos Afro-Brasileiros.

O dia 18 de março foi dedicado aos umbandistas e aos afro-religiosos através da Lei Municipal nº 8272, de 14 de outubro de 2003 (autoria do vereador Ildo Terra/PT) e da Lei Estadual nº 6.639, de 14 de abril de 2004 (autoria da deputada Araceli Lemos/ PT e hoje no PSoL) e registra a luta de de dona Rosa Viveiros, Também conhecida como Nochê Navanakoly e como “Mãe Doca”.

Bruno B.O. que faz parte da edição em 2014
Holofote Virtual: Falamos da repercussão do ano passado. E com tudo o que foi, quais as expectativas de vocês para esta segunda edição?

Arthur Leandro: Este ano a gente quer consolidar a proposta e firmar esses artistas no cenário das artes visuais paraenses para pensar em alçar outros voos, pensamos em uma versão reduzida (talvez com painéis com imagens de cada trabalho e artista) para circular em escolas. E já temos convite para ir a outros Estados. Aguardamos somente a manifestação de patrocinadores para atravessarmos as fronteiras do município de Belém.

25.2.14

Drama, aventura e comédia chegando em Belém

É pra depois do carnaval, mas é bom ir se agendando, pois já tem ingressos à venda. Entre março e abril, três ótimos espetáculos chegam a Belém, com produção local da Três – Cultura Produção Comunicação. O ingresso para dois deles custa R$ 20,00 (a meia, R$ 10,00), para qualquer lugar, no Theatro da Paz. E para o terceiro, que vai contemplar o público infantil, a entrada é gratuita, no Teatro Estação Gasômetro. 

Os três espetáculos chegam a Belém com patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura. O primeiro a chegar, já na próxima semana, será “Um Porto para Elizabeth Bishop”, que fica em cartaz nos dias 7 e 8 de março, sexta e sábado, às 21h, e no dia 9, domingo, às 18h, no Theatro da Paz. 

A direção é de José Possi Neto, com a atriz Regina Braga no elenco. A produção nacional é da  Ágora Produções Teatrais e Artísticas. Os ingressos já começaram a ser vendidos na bilheteria do Theatro da Paz, que funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 9h ao meio dia.

A peça retrata os anos que a poeta, prêmio Pulitzer de Poesia de 1956, viveu no Brasil, nas décadas de 50 e 60, no Rio, em Petrópolis e em Ouro Preto. “O que aparece na peça são os anos de sua convivência com Lota Macedo Soares, o grande amor de sua vida e sua relação afetiva mais duradoura. Foi por causa de Lota, que ela ficou no Brasil, e foi nesses anos que ela produziu uma parte importante de sua obra”, explica Marta Góes, autora do espetáculo.

O encontro entre esta poeta e o Brasil exuberante e inquieto dos anos 50 e 60 rendeu poemas, um livro-reportagem (Brazil, publicado pela Life) e cartas (reunidas em Uma arte, sua correspondência completa). Elizabeth Bishop viveu no Brasil de 1951 a 1966, mas voltou por muitos anos, ainda, à casa de Ouro Preto. Ela teve seu nome incluído nos mais importantes balanços da produção literária dos últimos 100 anos.

Contar sua história neste espetáculo traz à tona personagens da história recente do Brasil, como Carlos Lacerda, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto e, sobretudo, Lota Macedo Soares, a razão pela qual Elizabeth, que pretendia apenas fazer uma escala no Rio, durante uma viagem em torno do continente,e acabou permanecendo no Brasil por tanto tempo.

Para o público infantil – Em seguida, Belém vai receber Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua, com direção de Miriam Virna. O espetáculo ganha cinco apresentações em Belém, todas gratuitas, nos 15, às 16h e 18h, e 16, às 10h, 16h e 18h.

O espetáculo foi premiado no Zilka Salaberry de 2011, principal prêmio dedicado ao teatro para infância e adolescência no Brasil. 

Miriam Virna, diretora e autora do espetáculo, venceu o prêmio de Melhor Atriz e a montagem também foi indicada às categorias de cenário, dramaturgia e figurino. Desde 2007, vem encantando plateias e agora será apresentado em Manaus e Belém.

Inspirada na obra L'Opera de la Lune do francês Jacques Prévert, a montagem conta a história de Miguel Moreno, um menino melancólico que nunca conheceu seus pais e que, à noite, é levado pela Lua para viagens fantásticas e poéticas. A narrativa é conduzida pela Senhorita Anaïs, uma atrapalhada professora de astronomia-filosófica que está à procura do verdadeiro amor.

Em abril é comédia “Arte” já é um sucesso de público e crítica no Rio de Janeiro e em São Paulo. O texto é da premiada autora francesa Yasmina Reza, considerada um dos maiores nomes da dramaturgia contemporânea mundial e com dezenas de montagens em mais de 30 países.

No elenco os impagáveis atores comediantes Claudio Gabriel (Sérgio), Marcelo Flores (Marcos) e Vladimir Brichta (Ivan), que iterpretam três amigos de longa data, mas que vai sendo revelada e questionada à medida que se desenvolve uma mera discussão sobre um quadro aparentemente branco comprado na véspera por Sérgio. Um simples quadro monocromático acaba por colorir de sentimentos, emoções e pensamentos a divertida e contundente relação desses três caras.

Eles são levados à reflexão de suas vidas e expõem o avesso de suas relações, numa devoração crítica crescente que chega ao extremo. Com estilo simples e bastante original, Yasmina Reza revela-se uma grande artesã do não dito, do subentendido e do silêncio musical entre as palavras, buscando exprimir o todo através do nada, o trágico através do cômico, o grave através da suavidade.

Arte ficará em cartaz nos dias 13 (21h) e 14 de abril (19h), no Theatro da Paz. O valor, também será R$ 20,00 para qualquer lugar, no Theatro da Paz. Mais informações sobre os espetáculos: 91 8134.7719 e 91 3088.5858. Ou na página da Três - Cultura Produção Comunicação, no Facebook.

Olha aí Abaetetuba, Mestre Solano está chegando!

Fotos: Brunno Régis

Aos 60 anos de carreira, Solano faz seu primeiro show na cidade natal ao lado de convidados especiais: Aíla e Nilson Chaves.Única apresentação, 7 de março, na Arena Sporte Show, a partir de 21h. Entrada franca. Mas este é só o primeiro destino da turnê do novo disco ‘O Som da Amazônia’ (17º álbum), lançado ano passado. O show passa ainda por São Paulo (SP), em abril, e Fortaleza (CE), em maio. Patrocinado pelo projeto Natura Musical, o disco, sob direção artística de Aíla, marca a parceria com a 11:11 Arte, Cultura e Projetos. 

Mestre Solano esperou quase a vida inteira por esse momento. Com 60 anos de carreira, o músico alcançou sucesso no Brasil e fez balançar públicos de terras estrangeiras com o suingue da sua guitarrada: percorreu a Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Panamá e Buenos Aires. 

Mas Solano nunca se apresentou na cidade onde que nasceu. “Será o primeiro show em Abaeté. Graças a Deus ele vai acontecer! Mal vejo a hora de rever amigos e músicos que eu nem sei mais onde moram’, diz o artista às vésperas de estrear nos palcos da sua terra natal, Abaetetuba.

O repertório faz um apanhado dos sucessos mais marcantes da carreira de Solano, como ‘Ela é Americana’, música que consagrou o guitarrista e foi regravada por nomes como Alípio Martins, Aviões do Forró, Cavaleiros do Forró, e mais recentemente por Arnaldo Antunes – prova de que um bom hit é capaz de agradar aos mais diversos ouvintes, nos mais diversos tempos.

Ao mesmo momento em que resgata antigas composições, o disco também aponta para o futuro, ao revelar sete canções inéditas do músico em sua melhor forma. “Apostei num estilo diferente, uns arranjos inovadores. Você tem que evoluir. Pegue um disco meu gravado em 1974 e este. Tudo diferente, execução e arranjos. Gosto muito de músicas do passado e guitarrada, mas gosto de estar evoluindo, mudando, crescendo”, orgulha-se.

O álbum é o trabalho de melhor qualidade técnica da carreira do músico e busca valorizar a nova produção do Mestre. “Analisando a trajetória do Solano, vimos que faltava um disco de altíssima qualidade, instrumental, que abordasse a estética da guitarrada paraense. Resolvemos que esse novo CD traria músicas novas, para mostrar que o talento de Solano vai muito além do hit ‘Ela é Americana’. Trabalhar com o Solano e poder difundir ainda mais a história da música feita no Pará é muito recompensador”, celebra Aíla.

Entre amigos - No show mais aguardado de sua carreira, Solano aparece em boa companhia. Além da banda base que o acompanha há mais de 40 anos, o Mestre traz ainda Nilson Chaves, um dos maiores expoentes da música popular paraense, abre a noite. A jovem Aíla, destaque da nova geração de cantoras do Pará que desponta no cenário nacional, também integra o time.

O disco exalta o estilo único de tocar guitarra desenvolvido por Solano, sempre com temas musicais muito pops e grande virtuosismo nos solos. O violonista e compositor Sebastião Tapajós, dono de umas das mais importantes produções musicais da cultura paraense, é convidado especial do disco. Para o amigo, ele compôs ‘Rei Solano’, uma homenagem ao guitarreiro.

O produtor Manoel Cordeiro, com uma longa e frutífera carreira dentro da música pop do Pará, também faz participação no álbum com ‘As belezas do Marajó’, canção que festeja a amizade entre os dois músicos. ‘O Som da Amazônia’ passeia pelas ondas sonoras do bolero, brega e guitarrada paraense, que se misturam à paisagem musical do Caribe.  O suingue latino o arrebatou desde criança, quando ele ouvia no radinho de pilha as rádios caribenhas, com muito calipso, zouk, salsa, e cúmbia.

Carreira - Os ritmos quentes construíram a sonoridade de Solano, que aos nove anos já se arriscava no banjo. O primogênito de uma família de nove Josés enveredou pela música por teimosia. O pai, Raimundo, era carpinteiro. Mas quando livre da oficina, gostava de arranhar o instrumento, momentos que encantavam o pequeno José Félix Solano.

Foi assim que ele começou a aguardar ansioso as despedidas diárias do pai, que rumando para o serviço, deixava o garoto a sós com o instrumento. “Ele não queria que eu tocasse. Eu insisti e minha mãe me apoiou. Ele não quis em ensinar, mas eu aprendi sozinho. Isso eu trouxe no meu sangue. Todos da família do meu pai eram músicos. A família Solano, da minha mãe, não toca  nada”, revela o Mestre.

Autodidata, fez sua estreia aos 13, tocando banjo no grupo Jazz Tupi, na cidadezinha de Beja, distrito de Abaetetuba. A noite inesquecível jamais lhe abandonou a memória: 12 de maio de 1954. Depois ingressou no Jazz Abaeté, a contragosto do pai, para quem “música não dava futuro”. Solano aprendeu a tocar bateria. Em seguida veio a banda Carlos Gomes, onde tocava bumbo.


Aos 21 anos, por vontade da mãe Oscarina, tomou um barco com destino a Belém. Fez o concurso para sargento do Corpo de Bombeiros. Passou. Para desespero do pai, decidiu conciliar a rotina no quartel com a vida nos palcos. Coisa de equilibrista. Encerrava os shows antes das 5h da manhã e dali a pouco estava sentado à mesa do café, banhado e fardado, pronto para o toque da alvorada, às 6h.

Em 1974, veio o primeiro registro fonográfico, um compacto duplo. Nos anos 80, montou seu primeiro grupo, batizado Top5 e depois Solano e Seu Conjunto. Em 1984, lançou o primeiro LP. 

Foram cinco discos em seis anos de contrato. Alçada à condição de hit, “Americana”, escrita em parceria com Frank Carlos, não deixava o topo das mais pedidas em diversas rádios de Fortaleza. Povo, Cidade, Dragão do Mar, Iracema – Solano conhecia ali a força da música que seria um sucesso atemporal e também passaporte para os palcos de todo o nordeste. Ele conta que “Americana” fez sucesso até fora do Brasil, em coletâneas de música latina.

Nos anos 90, Solano integrou o casting da gravadora Atração, passando também pela RGE e Inter CD. Em cada uma, lançou dois discos. Em 1994, a Continental/Warner, lançou a coletânea ‘Ritmos do Brasil Vol.4’.  Na contracapa, o grupo Mestre Solano e Seu Conjunto figurava ao lado de nomes como Alípio Martins, Fruta Quente, Warilou e Beto Barbosa.

A partir de 2001, vieram os discos independentes. Em 2012, a participação no projeto Terruá Pará, do Governo do Estado, projetou seu nome no eixo sul-sudeste, e consequentemente, todo o Brasil. Já se vão 16 álbuns lançados – todos eles híbridos, com pitadas de samba, bolero, brega e lambada. Solano já dividiu o palco com gente do calibre de Dominguinhos, Lobão, Roberta Miranda, Peninha e Ritchie.

Após seis décadas de carreira, formada por altos e baixos, Solano continua teimoso na sua paixão pela música e avisa: ainda há muito ela frente. “Eu vou demorar para partir. Eu falei com o grande lá de cima, e ele me disse que eu vou durar bastante porque estou fazendo muito sucesso e ainda tem muita guitarra para tocar”, garante o músico.

Serviço
Show ‘Som da Amazônia’, de Mestre Solano. Convidados especiais: Nilson Chaves e Aíla. Dia 7 de março, às 21h, na Arena Sporte Show, na Rua Magno de Araújo, 2015, bairro São Lourenço. Entrada franca.


(Com informações da assessoria de imprensa)

21.2.14

Há contações de histórias neste domingo de praça

Leonel Ferreira
Em mais uma ação do Pirão Coletivo, neste domingo, 23, a partir das 11h, haverá contações de histórias, na praça na Praça Barão do Rio Branco (Rua Gama Abreu, proximo à Igreja da Trindade). “A Princesa está chegando”, com interpretação de Leonel Ferreira (Cia Madalenas de Teatro) e “A Fantástica Fábrica de Histórias”, com Milton Aires (Cia. de Investigação Cênica) integram a programação do projeto "Sábado Tem. Domingo que vem", com acesso gratuito ou pague o quanto quiser na rodada de chapéu.

Chega de reclamar da vida, da falta de espaços de apresentação ou políticas públicas culturais para Belém e o resto do Estado. Não só isso. 

O Pirão Coletivo é uma iniciativa que vem consolidar um movimento artístico que acontece na capital paraense, há décadas, promovendo as trocas de artistas entre grupos de teatro e artistas que transitam neste universo. Atores (indivíduos atuantes) que estão dispostos a compartilhar o suor de seu trabalho com o público.

O projeto “Sábado tem. Domingo que vem” deu seu start na semana passada, com a apresentação do espetáculo “O Conto que eu vim contar”, do In Bust, no Casarão do Boneco, uma das sedes oficias do Pirão Coletivo, volta à cena neste domingo, com duas contações de histórias. Desta vez, as interações serão realizadas na Praça da igreja da Trindade, endereço próximo à Casa Dirigível, que também é referência dentro do Coletivo.

Da obra da coreana Yoo Young So, “A Princesa está chegando” conta a história de um pequeno povoado que se prepara para receber a visita da princesa do reino.  Para tanto se faz necessário organizar o local que receberá a estimada figura real. A maior cama, o maior tapete, o maior  espelho e um belo quarto deverão ser providenciados com ajuda das crianças da aldeia. Contudo, um acontecimento inesperado surpreenderá a todos.

Livro-Jogo - Já “A Fantástica Fábrica de Histórias” é um jogo de contação de histórias, que propõe mediação de histórias que estariam adormecidas ou presas dentro das crianças, mas que com a brincadeira e o jogo proposto as crianças e adultos vão liberando e com isso o personagem Dingo (funcionário da fantástica fábrica), que vai fazendo uma condução até que as histórias possam se concluir. De acordo com Milton Aires, as histórias contadas servem para alimentar o repertório de histórias da Fantástica Fábrica, mas tudo tem caráter lúdico no enredo da atividade, pois o personagem não é desse tempo de hoje, o que será percebido por suas vestimentas, que o remetem a um passado bem antigo, porém atemporal.

“Nas atividades busco estimular nas pessoas o exercício da criação de imaginário e a inter-relação. É uma ótima brincadeira para adultos e crianças”, explica Milton Aires que se inspirou na técnica do Livro-Jogo, onde a partir de cartas que enunciam a uma história todos são convidados a continuar. Mas não só isso.

“Depois veio a inspiração nas aventuras vividas pelos irmãos Grimm, que transformavam acontecimentos do cotidiano em contos e fábulas. O contato com o público foi transformando a atividade, o que acabou por deixar ela sempre atual, dinâmica e imprevisível”, conclui.  

O projeto “Sábado tem. Domingo que vem” está em seu início e promete novos momentos cênicos na cena da cidade, não só a capital, mas como no interior do Estado, bastando para isso as palavrinhas chaves: parceria, apoio e quem sabe aí (a importante), patrocínio!

Mistura pra todos - Os espaços de realização do projeto "Sábado Tem. Domingo Também" foram escolhidos por mérito de representatividade na cidade. 

O Casarão do Boneco já realiza ações abertas ao público desde 2009, quando deu início ao projeto "Sábado Sim, Sábado Não, tem Teatro no Casarão". Já a Casa Dirigível, aberta ano passado, deu início à várias programações também livres ao público e situa-se em local privilegiado, próximo à Praça da República, onde nos finais de semana a movimentação intensifica-se.

O início de tudo, no sábado passado, foi no Casarão e apesar da chuva, o público compareceu. "Aquele lugar possui atmosfera especial, é encantado e a chuva caiu para abrir os caminhos e limpar o espaço para os quase 30 espectadores, que mesmo depois da chuva, compareceram e aplaudiram e se emocionaram com a apresentação... Em particular, gosto muito de estar em cena com o In Bust, é um jogo sincero, verdadeiro e prazeroso. Tudo isso somado ao conforto da produção do Pirão. É como se a relação teatro, trabalho e prazer não tivesse fronteira, é isto que transborda para o público", diz Milton Aires, da Cia de Investigação Cênica.
 
E assim Belém se especializa em espaços alternativos ou por tendência ou falta de alternativa. "Resistência e vanguarda são duas palavras que as vezes soam desgastadas, mas no caso acho que elas são uma prática  e não teoria ou utopia nesse projeto, assim como em muitos outros exemplos que na cidade vem sendo pulverizada nesses ultimas décadas", comenta Milton.

"Fazendo uma conta rápida são cerca de dez espaços alternativos em funcionamento na cidade e em diferentes seguimentos da arte, com programação frequente, de qualidade e para os mais diferentes públicos. Vejo que isso é um tendência sim: os espaços serem mais alternativos e os trabalhos terem mais liberdade criativa", continua o ator. 

"Assim como um dia a televisão e a impressa escrita perderam o monopólio sobre a informação para a internet que se tornou o espaço principal de democratização da comunicação, acho que o alternativo como escolha de identidade e estratégia política para viver de arte  é o caminho para sermos potentes e influentes no cultivo para o acesso de um arte mais esclarecedora à sociedade", finaliza Aires, que estará em cena neste domingo, 23.

Números de circo, com projeto Vertigem!
1ª Etapa - A programação do "Sábado Tem. Domingo Também" seguirá até junho. Em março já estão previstas para as noites (19h) dos sábados, no Casarão do Boneco, as apresentações de "O Pequeno Grande Aviador, com Dirigível Coletivo de Teatro (01/03), Pinóquio, o mais novo trabalho do In Bust Teatro com Bonecos (15/03) e "La Fábula", da  Espetáculo La Fábula, com Cia. de Teatro Madalenas (29/03). E nas manhãs (11h) dos domingos, na Praça Barãp do Rio Branco (Trindade), números de Circo, com Grupo Projeto Vertigem & Contação da História No Baú da memória, com Michele Campos – Cia. Madalenas (09/03) e o espetáculo "Sucata & Diamante", com Dirigível Coletivo de Teatro (23/03). 

Serviço
Pirão Coletivo - Domingo Tem! (23 de fevereiro) – Contação de História - 11h, na Praça Barão do Rio Branco (Rua Gama Abreu, próx a Igreja da Trindade). “A Princesa está chegando” e “A Fantástica Fábrica de Histórias”. Acesso gratuito. Mais informações na fan Page do projeto:  www.facebook.com/piraocoletivo (curta) e no blogwww.holofotevirtual.blogspot.com ou pelo telefone 3088.5858. 

19.2.14

Qualé a Música? na volta do projeto ¼ The Bosch.

A receita é simples: um grupo de atores desvairados forma a Companhia Cênica de Cínicos, e quando se junta com alguns amigos mais malucos ainda, surgem ideias de esquetes cômicas inusitadas, que ninguém teria coragem de colocar em espetáculo nenhum. A não ser em  ¼ The Bosch. Hoje (20), a partir das 20h, na Casa dos Palhaços Trovadores. 

Assim como nas versões anteriores, ¼ The Bosch: Qualé a Música? apresentará cenas do cotidiano com dublagens, musicais, teatro e dança. Mas nada de organização padronizada, e sim uma padronização da bagunça. Por isso, a censura é de 18 anos.

O projeto tem produção de Adriano Furtado, Breno Monteiro, Lauro Sousa e Marckson de Moraes, que se revezam na técnica e na cena. Além dos artistas da CCC, ¼ The Bosch: Qualé a Música? contará com a presença de amigos da Cia. e outros artistas que se inscreveram para participar do projeto com suas cenas. O objetivo é proporcionar boas gargalhadas, a quem entender a piada.

"Já é a terceira vez que fazemos 1/4 The Bosch, mas o tema desta é a música. Vamos montar uma rádio que será apresentada ao vivo, e as músicas serão cenas de teatro e dança, claro com muita sacanagem. E claro, luxo e glamour", debocha Adriano (risos meus).  

O espetáculo não entra em temporada. Só acontece esta noite. A grande sacada é a pouca organização padronizada. De acordo com Adriano é “um encontro de artistas desvairados que não buscam nada e não têm intenção de coisa nenhuma. Apenas o deboche impera”. 

O show "1/4 de bosch" não conta com cenário, mas com uma iluminação simples e o uso de recursos visuais, como o data-show. Em uma hora, a ideia é proporcionar muitas risadas a partir de situações do dia a dia, cenas de novelas, política e até mesmo histórias eróticas. Escrito por toda a equipe, há um roteiro mantido em segredo pois o fator surpresa é o que garante os bons momentos e o bom resultado no final.

Serviço
¼ The Bosch: Qualé a Música?. Nesta quarta-feira, 19 de fevereiro, às 20h, na Casa dos Palhaços (Trav. Piedade 533, esquina com Tiradentes). Ingresso promocional: R$ 5,00 (cinco Reais). Informações: 81118658 (Adriano) e 88035508 (Marckson).

Hardcore do Ratos de Porão aterriza em Belém

O show será uma prévia do novo disco, que tem como referência antigos trabalhos da banda, como “Anarkophobia” e “Crucificados pelo Sistema”. "Século Sinistro" traz Moysés, do Krisiun, nos solos de guitarra de "Neocanibalismo", além do porco Atum, no backing vocal da faixa "Sangue & Bunda". Nesta sexta-feira (21), no Espaço Botequim.

O grupo paulistano faz show em comemoração aos 30 anos de carreira. “Crucificados pelo Sistema”, disco de estreia do Ratos de Porão, é a trilha sonora do Apocalipse que se esperava em 1984. 

O trabalho toca em temas como a violência da ditadura militar, a paranóia da guerra fria e a crise econômica brasileira. Como se sabe, o mundo não acabou. Tampouco o grupo de hardcore paulistano, que consegui ficar unido e na ativa por todo esse tempo, além de se tornar referência nacional e internacional do estilo. Convenhamos, mais difícil que sobreviver ao armagedom.

No ano que se comemora o aniversário de trinta anos de lançamento do “Crucificados pelo Sistema”, o Ratos de Porão se prepara para relançar o álbum em vinil, quatro meses depois de relançarem o bolachão de “Brasil”, disco de 1989, com três faixas bônus em inglês. Este ano ainda guarda a estreia de um disco de inéditas, "Século Sinistro", décimo sexto na carreira, sucessor de "Homem Inimigo do Homem", lançado em 2006.

Referência do punk - Com 33 anos de carreira, os Ratos de Porão são os pioneiros do punk brasileiro e provavelmente a banda de hardcore mais conhecida do país, graças ao seu desbocado vocalista, o apresentador de tevê João Gordo. 

O grupo ainda conta com Jão, Guitarrista fundador do grupo (antes mesmo da entrada de João Gordo), Boka, baterista de Santos que entrou na banda em 1991, e o baixista Juninho, caçula do grupo, com “apenas” dez anos de Ratos de Porão.

Nos últimos anos a banda vem experimentando um período de resgate da sua história, como o lançamento do documentário “Guidable: A Verdadeira História do Ratos de Porão”,de Fernando Rick e Marcelo Appezzato, de 2008, e coletâneas como “No Money No English”, de 2012, contendo sobras de estúdios e gravações ao vivo reunidas desde a década de 1990.

Fora do país, entretanto, a banda é idolatrada há tempos. Prova disso foi que recentemente participou de uma maratona de  shows internacionais pela Europa, realizada entre junho e julho de 2013. Foram ao todo 12 shows, por países como Espanha, Portugal, Itália, Eslovênia, República Tcheca, Alemanha e Eslováquia.
Quem abre o show são outros veteranos: os paraenses do Baixo Calão. Celebrando 18 anos de carreira, o grupo de grindcore apresenta o show de lançamento do LP “Grindiagnosticore”.

Serviço
O show do Ratos de Porão (SP). Nesta sexta-feira (21), às 20 horas, no Botequim (Av. Gentil Bittencourt, nº. 1445, bairro Nazaré). Abertura: Baixo Calão (PA). Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). Locais de venda: Distro Rock (Rua dos 48, N 42 , loja 12) ou no site https://ticketbrasil.com.br/show/ratosdeporao-pa/. Telefone: (91) 3083-0152.

(com informações enviadas pela assessoria de imprensa local)

18.2.14

Moacir Rato mostra sua batida autoral no Sesc

O show “Caboclo Brejeiro”, que já foi mostrado no inicio deste mês, volta em cartaz no Centro Cultural Sesc Boulevard. O baterista mostra seu repertório autoral acompanhado pelos músicos  Príamo Brandão (baixo), Cristóvão Silva (teclado), Elias Coutinho (sax) e Quiure (violão, guitarra) e Príamo Brandão (baixo). Nesta quarta-feira, 19, a partir das 19h, com entrada franca.

A sonoridade na música desse baterista tem a ver com suas origens e andanças pelo mundo. Moacir Leônidas nasceu na Ilha das Onças, em 1950, e iniciou sua carreira em meados dos anos 1960, tocando no famoso Palácio dos Bares, em Belém do Pará.

No final dos anos 1980, em turnê pela Europa acompanhou o Madrigal da UFPA, sob a regência do renomado Maestro João Bosco Casto.

Lá se vão mais de três décadas de uma trajetória que teve direito a trabalhos com artistas nacionais, como Pery Ribeiro, Lecy Brandão, Vando, Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada e outros. Com participações em festivais e ostras de música instrumental, como o Baiacool Jazz, Moacir Leônidas se destaca no cenário como um dos principais bateristas da Amazônia.

Dedicando-se ao trabalho instrumental autoral, Rato, como ele é conhecido no meio artístico, mostra em “Caboclo Brejeiro”, músicas como “Ilha das Onças”, “Pulo do Rato”, “Verônica”, “Salseando com Juju”, “Jambeirão”, “Sururu na Ratoeira”, “Caboclo Brejeiro”, “Serpente” e “Esquecida”, entre outras.

Antes se iniciar como baterista, nos anos 1960, o artista transitou por área, digamos, nada a fins. Trabalhou como ajudante de sapateiro e descarregando navios de transporte de borracha que vinham do Amazonas e outros que transportavam malva na empresa Jonasa, e ainda no estaleiro da marinha de guerra, limpando ferrugem dos cascos dos navios. 

A virada profissional veio em seguida, quando formou seu primeiro conjunto, “Os Terríveis”.

Além do Palácio dos Bares, Rato também era prata da casa na Boate Condor, no Tênis Clube de Belém, onde se apresentou diversas o saudoso Walter Bandeira, acompanhado também por Bob Freitas (guitarra) e Maca Manesky (contrabaixo). Em 1972 com Walter, Bob e ainda com o Pianista Leslie (Sam), inaugurou a boate do Pará Clube de Belém, 1979.

Daí em diante, integrou o Projeto Pixiguinha, acompanhando Sivuca e Ángela Maria. Nos anos 1980, à convite do Pianista Guilherme Coutinho, fez guigs na Assembleia Paraense, antes de se mandar pro Rio de Janeiro, onde participou do Projeto Seis e Meia, acompanhando Leni de Andrade e João de Aquino, tendo como violoncelista, o grande Jaques Morenlembau. 

Quando retornou a Belém, o Maestro João Bosco Castro o convidou para uma turnê com o madrigal da UFPA, por várias cidades da Europa, França, Suíça e Alemanha. Tendo uma carreira musical intensa, mais recentemente participou do show Vida de Artista, acompanhando Olivar Barreto, e vem também sendo baterista da cantora Rosa Correa, em espaços da cidade como na temporada do Espaço Boiúna.

Serviço
Show de Moacir “Rato” e grupo no Sesc Boulevard. Nesta quarta-feira, 19, no Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas. Mais informações: (91) 3224-5305/5654 (Centro Cultural SESC Boulevard).

17.2.14

Iuri Freiberger traz oficina de produção musical

Trazendo como foco "Produções de baixo custo x Produções de alto custo", a oficina acontece em dois dias, hoje, 17, e amanhã, 18h, das 18h às 22h, no Estúdio APCE (Rua Doutor Malcher, 465, Cidade Velha).  

O produtor musical está em Belém para ministrar uma oficina direcionada a músicos e produtores que trabalhem em estúdios profissionais ou caseiros. Com mais de 70 discos no currículo, seja atuando como produtor ou técnico, Iuri Freiberger explica que a ideia é verificar as lacunas da produção musical paraense. Por isso ele optou pelo formato perguntas e respostas para a oficina, ao invés de propor um conteúdo fechado.

“O foco é trazer para dentro de um estúdio profissional a visão 'do it yourself', das soluções caseiras, com as quais temos muita habilidade e que acabam transformando o mercado nacional”, diz ele. “A proposta é ver o que está sendo feito por quem trabalha em casa e transferir ideias e tecnologias para dar novas dimensões a esses trabalhos, quiçá padrões internacionais de produção musical”, completa.

Iuri já produziu várias bandas nacionais, como Frank Jorge, Walverdes, Cabaret, Plebe Rude e Autoramas. Sua trajetória musical começou em 1992, como baterista, em Porto Alegre. A partir do ano 2000, começou a atuar como produtor musical e trabalhou no estúdio Toca do Bandido, do lendário produtor Tom Capone, no Rio de Janeiro. Foi técnico de som direto, editor, restaurador de áudio, mixador e produtor musical, além de compor trilhas para publicidade.

Realizou projetos como Observa e Toca Ao Vivo em Estúdio, do Governo do Estado de Pernambuco, que tem como objetivo registrar ao vivo, gravado em estúdio, a performance de artistas locais para distribuição e preservação da memória artística. A primeira temporada reuniu Lula Cortes, Mundo Livre, Bongar, Sonoris Fabrica e Zé Manoel. Nesse mesmo período, Freiberger concebeu e executou a construção de três estúdios em Recife, com estrutura dos grandes estúdios do centro do pais, inspirado na Toca do Bandido.

Além do trabalho em estúdio, Freiberger faz direção técnica e curadoria de festivais de música, consultoria para bandas novas e, mais recentemente, consultoria para formação de estruturas e capacitação em projetos dos governos de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Goiânia e Pará. Atualmente, trabalha na Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, onde desenvolve o programa de economia criativa do Estado, o RS Criativo, para fortalecer ações nos setores criativos, entre elas a promoção da música em outros Estados e países.

Serviço
Oficina "Produções de baixo custo x Produções de alto custo", com o produtor Iuri Freiberger (RS). Dias 17 e 18, das 18h às 22h, no Estúdio Apce (Rua Doutor Malcher, 465, Cidade Velha). Inscrições gratuitas. Envie um email para oficinas@amplicriativa.com.br com o título "Oficina Iuri Freiberger", informando nome, área de atuação e breve texto sobre o motivo pelo qual deseja participar da oficina. O ministrante irá analisar os perfis e selecionar os participantes. Informações: 3229-1291. Produção: Amplicriativa. Patrocínio: Vivo, através da Lei Semear, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e Governo do Estado do Pará.

(informações da assessoria de imprensa)

14.2.14

Carimbó Chamegado de Dona Onete no Mormaço

Foto divulgação
Depois de se apresentar em várias cidades brasileiras e também no exterior, Dona Onete começa o ano de 2014 com um show especial dedicado aos fãs paraenses. Domingo, dia 16, às 19h, a cantora e compositora leva ao palco do Mormaço seu repertório recheado de carimbós chamegados que tem conquistado o público por onde ela passa.

Natural de Cachoeira do Arari, onde foi professora de História, secretária de Cultura e fundadora de grupos de dança e música regionais, Dona Onete foi “descoberta” pelo Coletivo Rádio Cipó e fez sucesso entre o público mais jovem com suas letras cheias de sensualidade. 

Aos 72 anos, lançou o primeiro CD solo, “Feitiço caboclo”, totalmente autoral. Interpretou uma cantora de carimbó no filme “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” e se apresentou em grandes eventos, como os festivais Rec-Beat (PE) e Terruá Pará.

O ano de 2013 foi especial para a cantora e compositora Ionete Gama. Em março, ela foi atração em Lisboa, dentro da programação do Ano do Brasil em Portugal. Em maio, foi a vez de encantar o público mineiro, no projeto Conexão BH, em Belo Horizonte. Em junho, ela fez uma participação especial no show de Aíla Magalhães, em Araraquara (SP). As duas, aliás, dividiram a cena no videoclipe de “Proposta indecente”, canção de Dona Onete gravada pela jovem artista.

No mês seguinte, Dona Onete participou do documentário “Visceral Brasil”, da TV Brasil, e voltou a Minas Gerais, para o Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina. Ainda em julho, a capital federal recebeu a diva do carimbó chamegado no show de lançamento do disco “Cheia de graça”, da cantora amapaense Emília Monteiro, que também gravou duas músicas da compositora.

O segundo semestre começou com o lançamento da biografia "Menina Onete - Travessias & Travessuras", do antropólogo e pesquisador musical Antônio Maria de Souza Santos e da pedagoga Josivana de Castro Rodrigues. A agenda de shows se estendeu e chegou ao Circo Voador (RJ), ao Festival Mimo (Ouro Preto/ MG) e ainda ao Festival Internacional Folklore Buenos Aires, na Argentina. E, finalmente, no último dia 15 de dezembro, foi a vez da capital paulista receber Dona Onete, para uma apresentação gratuita no Centro Cultural São Paulo.

Foto: Naiana Gaby
Diva - O show deste domingo terá participação especial de Mestre Laurentino, “o roqueiro mais antigo do Brasil”, da cantora Natália Matos e ainda do percussionista Douglas Dias. A abertura será com Juca Culatra e o encerramento, com o grupo de carimbó Sancari.  

Dona Onete será acompanhada por Pio Lobato (guitarra), Vovô (bateria), Argentino Neto (teclado e sopros), Breno (contrabaixo) e Gorayeb (percussão). No repertório, sucessos como “Moreno Morenado” e “Jamburana”, canções que compõem seu disco de estreia, “Feitiço caboclo”, lançado no ano passado e que teve ótima recepção entre a crítica musical.

Serviço
Baile da Dona Onete, a diva do carimbó chamegado. Dia 16, domingo, às 19h, no Mormaço. Ingressos a R$ 10. Informações: 3229-1291. Produção: Amplicriativa. Patrocínio: Vivo, através da Lei Semear, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e Governo do Estado do Pará.

(com informações da assessoria de imprensa)

13.2.14

Pirão Coletivo estreia projeto cênico em Belém

O "Sábado Tem. Domingo que vem" estreia neste final de semana com objetivo trazer à tona a produção teatral que se espalha pela cidade. Produzida e mantida por grupos independentes de Belém, o projeto é do Pirão Coletivo, grupo surgido recentemente, formado por sete companhias das artes cênicas. A programação é intensa e já está fechada para os dois primeiros meses (fevereiro e março), mas seguirá pelo menos até o mês de junho (a confirmar os espetáculos).

Tendo como palcos, o Casarão dos Bonecos (sábado tem) e a Praça da Trindade (domingo que vem), a programação segue de forma gratuita ou colaborativa (pague o quanto quiser). 

Neste sábado, 15, será apresentado “O Conto que eu Vim Contar”, do grupo In Bust teatro com Bonecos. No próximo domingo, 23, tem Contação de História: A Princesa está chegando, com Leonel Ferreira – Cia Madalenas & A Fantástica Fábrica de Histórias, com Milton Aires – Cia. de Investigação Cênica.

O Conto que eu vim contar – O Espetáculo traz moradores do Marajó contando o conto, com bonecos de manipulação por vara, confeccionados com patchouli, de acordo com a encenação, ora na fazenda, ora no fundo do rio. 

A história traz o Seu Bastião, um homem muito brabo, que vive com sua filha linda, Hosana, que sonha ser chamada de mãe. Desde que a mãe de Hosana se foi, o Bastião nunca mais sorriu. Ele tem medo de perder a filha, por isso não deixa a menina sair de jeito nenhum! Mas esse lugar é banhado por um rio cheio de segredos, guardado pela Mãe D’água, onde vivem muitas criaturas, inclusive... O Boto. O texto, da Adriana Cruz, é inspirado no texto Um Conto de Natal, que David Matos criou para o programa Catalendas, da TV Cultura do Pará.

O Conto que eu vim contar, do In Bust Teatro com Bonecos
O Pirão Coletivo – A iniciativa reúne grupos que desenvolvem poéticas diferenciadas entre si, são atores, artistas circenses, bailarinos, músicos e profissionais do audiovisual, e será a mistura destas diferenças que renovará e fortalecerá as produções de cada grupo e fará novas proposições para as artes cênicas da cidade de Belém.

Os grupos artísticos envolvidos são a Cia. de Investigação Cênica, Cia. de Teatro Madalenas, Desabusados Cia. de Teatro, Dirigível Coletivo de Teatro, In Bust Teatro com Bonecos, Grupo Projeto Vertigem, Produtores Criativos. O Pirão Coletivo conta ainda com a parceria do blog Holofote Virtual e traz a diversidade como ingrediente essencial para um alimento forte e substancial, que nutrirá a cidade com fruição estética e diversão criativa. 

O “Sábado Tem. Domingo Que Vem” surge em torno de dois outros projetos: o Sábado sim, sábado não, tem teatro no Casarão – realizado pelo grupo In Bust no Casarão do Boneco (sede do grupo) entre 2007 e 2010 – e o Teatro na Trindade – realizado pelo Dirígivel Coletivo de Teatro na Pça. Barão do Rio Branco, no largo da Igreja da trindade, nas manhãs de domingo de 2013.

Por isso, dentro desta nova direção, haverá apresentações de artes cênicas na noite do sábado de uma semana e na manhã do domingo da próxima, iniciando pelo Casarão do Boneco, neste sábado 15, e encerrando o semestre no dia 15 junho, no largo da Trindade. Não haverá bilheteria, a arrecadação será “pague quanto quiser (ou puder)” e a tradicional rodada de chapéu. O Projeto é também um olhar atento e de cuidado para com a cidade e a valorização da atividade artística. 

PROGRAMAÇÃO

Sábados que têm – Casarão dos Bonecos
  • 15/02 – Espetáculo O Conto que eu vim contar, com In Bust Teatro com Bonecos
  • 01/03 – Espetáculo O Pequeno Grande Aviador, com Dirigível Coletivo de Teatro
  • 15/03 – Espetáculo Pinóquio, com In Bust Teatro com Bonecos
  • 29/03 - Espetáculo La Fábula, com Cia. de Teatro Madalenas
Domingos que vêm – Praça Barão do Rio Branco
  • 23/02 – Contação de História A Princesa está chegando, com Leonel Ferreira – Cia Madalenas & Contação de História A Fantástica Fábrica de Histórias, com Milton Aires – Cia. Cênica;
  • 09/03 – Números de Circo, com Grupo Projeto Vertigem & Contação da História No Baú da memória, com Michele Campos – Cia. Madalenas;
  • 23/03 – Espetáculo Sucata & Diamante, com Dirigível Coletivo de Teatro;
  • 06/04 – Espetáculo Curupira: 10 Milhões de nóis, com In Bust Teatro com Bonecos
Serviço
Casarão dos Bonecos: Av 16 de Novembro, 815 próx a Pça. Amazonas. Praça Barão do Rio Branco: Rua Gama Abreu, próx a Igreja da Trindade. + sobre a mistura: www.facebook.com/piraocoletivo. Realização: Pirão Coletivo - Cia. de Investigação Cênica, Cia. de Teatro Madalenas, Desabusados Cia. de Teatro, Dirigível Coletivo de Teatro, In Bust Teatro com Bonecos, Grupo Projeto Vertigem, Produtores Criativos. Parceria: blog Holofote Virtual.

Dand M. se mostra novo em “Nada do que pareço”

O show ganha o palco experimental do Teatro Waldemar Henrique, dialogando harmonicamente com o artista que, além de estar muito bem acompanhado no instrumental, vai receber convidados, com os quais as afinidades estão pra lá de à flor da pele. Nesta quinta-feira, 13, às 20h. Ingresso custa R$ 10,00.

Vencedor do Prêmio de Poesia "Belém do Grão Pará", só mesmo o Dand Moreira pra criar um nome tão sugestivo quanto  o deste show, o primeiro produzido para reverberar o novo momento na carreira do artista. Além de poeta e cantor, Dand também é performer, porque para ele, não basta abrir o verbo, é preciso interpretar de corpo e alma. 

O time que acompanha Dand Moreira não é de brincadeira. A banda é formada por Quiure Soares (guitarra e direção musical), Príamo Brandão (baixo), Vinicius Leite (violão e guitarra), além dos convidados Moacir Rato (bateria). No repertório, composições autorais de Dand, em parceria com Felipe Cordeiro, Arthur Nogueira e Vinícus Leite, além de músicas do rock e da música brasileira de força vibrante.

As participações são de Iara Mê, Olivar Barreto e Rosa Correa. Vozes e personalidades que se unem ao traço independente de Dand Moreira. Iara Mê é dona de uma voz ímpar que arrebata fãs por onde passa. Impossível não ser envolvido com suas apresentações recheadas de carisma e personalidade.  Tão eclética, quanto o anfitrião, ela mistura ritmos como MPB, Samba, Rock, Pop, Soul, Blues e Black Music. Um repertório que Dand também compartilha, com nuances de Cássia Eller, Jorge Benjor e Cazuza, entre outros.

O cantor Olivar Barreto, amigo e parceiro de Dand M. , já se apresentou com Iara Mê. Por aí vamos entendendo o quanto este show será eclético. O cantor pode ser encontrado tanto em apresentações de voz e violão, como em shows produzidos para teatros, mas sempre reunindo como característica, a diversidade seja em um ou mais artistas que interpreta.

Dand M. no lançamento de "Antmor  ou amorte de maio"
Apaixonado por música brasileira desde a infância, já fez shows em homenagem a Noel Rosa, Cartola e Paulo André Barata. Estudou canto popular na Pró-Arte, no Rio de Janeiro, onde morou entre 1988 e 1993. 

No início dos anos 2000, residiu em Paris, tendo participado de show comemorativo ao Ano do Brasil na França, em 2005. Lançou seu primeiro CD, Olivar Barreto, em 2002, tendo várias participações em discos de outros artistas paraenses, como Maria Lídia, Felipe Cordeiro, Delcley Machado e Almino Henrique.

Já a cantora Rosa Corrêa traz os timbres semitonados, que lhe imprimem uma interpretação particular, dramatizada e intensa, como é sua voz, forte, imponente e vibrante. Ao cantar, a artista transmite emoção, sinceridade e toda a paixão que tem pela música que faz.

Para quem curte música visceral, presença de palco e um instrumental que leva ao deleite, o show é uma boa dica para encarar a lua desta quinta-feira, 13, em Belém do Pará. Além de tudo, como se não bastasse, este show será realizado em um espaço que já está no inconsciente coletivo de Belém, como lugar de música independente, de gente criativa e artistas apaixonados. Não perde!

Arthur Espíndola leva samba amazônico pra Black

Arthur Espíndola (Fotos: Homero Flávio)
A noite promete apresentação inesquecível do cantor, que vem pesquisando os grandes sambistas da Amazônia. E o público ainda poderá curtir os sets deliciosos dos DJ’s do Coletivo Black Soul Samba, com Eddie Pereira, Fernando Wanzeller, Homero da Cuíca, Kauê Almeida e Uirá Seidl, com sequências de samba, música negra e outras brasilidades. Nessa sexta (7), às 20h, o evento no bar Los Piratas.

Um músico cheio de curiosidade, com ouvido aguçado e grande instinto musical. O som brasileiro de Arthur Espíndola nos leva a viajar com naturalidade por várias vertentes do samba, seu gênero favorito, que na sua pegada ganha ingredientes únicos, com banjo, curimbó, barrica, caixa de marabaixo e rabeca bragantina, o que nos conduz às áreas sonoras mais peculiares da região norte, sem deixar de lado o pandeiro, cavaquinho, surdo, violão, baixo e bateria. O resultado? Vá ouvir nesta sexta-feira, 14.

No repertório, sucessos do cantor, como “Fora de Moda”, que ganha participação de Gaby Amarantos na gravação do CD “Tá Falado”, o primeiro da carreira de Arthur, com lançamento próximo. A apresentação terá as participações especiais de Bruno B.O, Nanna Reis e outras surpresas. 

“Também vou levar clássicos do samba paraense e grandes clássicos de cantoras como Beth Carvalho e Clara Nunes. De quebra uns carimbos que vão conversar com o samba”, conta o artista. 

A força do samba - O gênero musical que conhecemos atualmente tem origem afro-baiana com misturas cariocas. Nasceu da influência dos ritmos africanos, adaptados para a realidade dos escravos brasileiros, mas com o tempo o samba sofreu transformações de caráter social, econômico e musical. 

A dança de roda de origem Angolana, trazida pelos escravos, principalmente para a região da Bahia, deu início ao que ficaria conhecido como a música do Brasil. Também conhecido por umbigada ou batuque, a brincadeira trazia um dançarino no centro de uma roda, que dançava ao som de palmas, coro e objetos de percussão e dava uma ''umbigada'' em outro companheiro da roda, convidando ele para entrar no meio do círculo. 

Durante a década de 20, veio a repressão. E quem fosse pego dançando ou cantando samba corria um grande risco de ser preso. Batucar era transgressor demais para as pequenas cabeças de uma sociedade marcada pela falsa moral. Isso porque o batuque era ligado à cultura negra, combatida na época pela igreja católica. 

Só mais tarde é que ele passou a ser encarado como um símbolo nacional, principalmente no início dos anos 40, durante o governo de Getúlio Vargas, o ritmo era liberado. Entre as décadas de 20 e 30, o samba ganharia muitas variações como o samba-enredo, o samba-choro e o samba-canção. É desse período também o surgimento dos sambas criados para os grandes blocos de Carnaval. 

Serviço
Arthur Espíndola + além dos DJ's do Coletivo Black Soul Samba. Nessa sexta (14), às 20h. No Los Piratas - Rua São Boaventura, 268 - Cidade Velha – Belém do Pará. Os ingressos custam 20 reais, com meia entrada para estudantes.