31.10.14

Mostra Cinema e Direitos Humanos busca espaço

Brava Gente Brasileira
Estão abertas até o dia 15 de novembro as inscrições para que instituições e centros culturais participem do “Projeto Democratizando”, que traz um recorte da programação da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul

A ordem é inventar novas e inusitadas salas de exibição em território nacional, ocupando espaços alternativos que vão desde a sala-de-aula mais convencional até o demarcado chão de terra batida dos aldeamentos indígenas, passando ainda pelas embaixadas brasileiras no exterior. 

Eis o desafio do Projeto Democratizando, que deseja levar alguns dos filmes da 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul para novos 1.000 pontos de exibição, indo além das 26 capitais e do Distrito Federal que exibem a Mostra. Os interessados em integrar o fluxo alternativo do evento, promovendo o debate crítico a temas ligados aos Direitos Humanos, têm até o dia 15 de novembro próximo para se inscrever por meio do site http://www.mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br.

Que bom te ver viva
Cineclubes, pontos de cultura, institutos federais de educação profissional, científica e tecnológica, universidades, museus, bibliotecas, sindicatos, associações de bairros, entre outros, poderão exibir, entre os meses de janeiro e março de 2015, alguns dos filmes que integram a 9a Mostra. 

Para participar, é preciso garantir o espaço físico para exibição dos títulos, além de tela ou projetor e aparelho de DVD, viabilizando assim as sessões com entrada franca. O kit Democratizando é totalmente gratuito e será entregue em caixa personalizada, contendo camisa, bolsa, bloco de notas, caneta, catálogo do evento e o encarte com 3 DVDs.

Em formato digital, os filmes enviados terão como opção a utilização de closed caption e audiodescrição, além de legendas para cinco idiomas: árabe, espanhol, inglês, francês e mandarim.“A Vizinhança do Tigre”, de Affonso Uchoa; “Cabra Marcado pra Morrer”, de Eduardo Coutinho, “Pelas Janelas”, de Carol Perdigão, Guilherme Farkas, Sofia Maldonado e Will Domingos; “Que Bom te Ver Viva”, de Lúcia Murat; “Rio Cigano”, de Júlia Zakia; e “Sophia”, de Kennel Rógis são os filmes que compõem o kit.

Hoje eu quero voltar sozinho
Golpe Militar foi o tema - Em 2014, o foco recai sobre o tema Memória e Verdade, abordando os 50 anos do golpe militar de 1964 completados este ano.

A 9a Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul, realizada com entrada franca entre 3 de novembro e 20 de dezembro de 2014 nas 26 capitais e no Distrito Federal, se desdobra no Democratizando, entre janeiro e março de 2015, em 1.000 pontos espalhados pelo país. 

A proposta é lançar olhares e propor reflexões instigantes sobre temas ligados aos direitos humanos, ao exibir 41 filmes sobre a ditadura militar no País, o enfrentamento da homofobia e a cultura LGBT, as questões culturais e territoriais da população indígena, os direitos das pessoas com deficiência, entre outros.

Dividida entre “Mostra Competitiva”, “Mostra Memória e Verdade”, “Mostra Homenagem Lúcia Murat” e “Sessão Inventar com a Diferença”, a nona edição do evento traz entre os títulos não só produções brasileiras, como obras afinadas com um recorte mais político do que se entende por Hemisfério Sul, para além da simples divisão feita pela Linha do Equador. A 9a Mostra é inclusiva, exibindo filmes com sistema closed caption e realizando sessões especiais com audiodescrição para garantir o acesso de pessoas com deficiência visual.

A realização é da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a Universidade Federal Fluminense (UFF), além do patrocínio da Petrobras e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Serviço
Projeto Democratizando. Inscrições: abertas até 15 de novembro, por meio do site: http://www.mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br. Período de exibição dos filmes do Democratizando: de janeiro a março de 2015. Mais informações: (21) 2629-9763 (Universidade Federal Fluminense - IACS/KUMÃ).

29.10.14

Jackye Carvalho expõe looks de moda sustentável

Ao todo são cinco looks conceituais e artísticos produzidos através do reaproveitamento de materiais que seriam normalmente descartados em casa. A exposição “ECO-LÓGICA MODA PARÁ - Ícones da moda paraense sob o olhar da arte e sustentabilidade”, de Jackye Carvalho, será aberta neste sábado, dia 1 de novembro, às 19h, no Pátio Shopping Belém.

As peças trazem a ressignificação de elementos típicos da região Amazônica, através de técnicas mistas e manuais, além de tingimentos naturais, resultando em peças únicas, concebidas com a utilização de pele de peixe, saca de papel reutilizadas de aveia, rolhas, rótulos, teclados de computador, toalha de mesa plástica, tururi.

Jackye Carvalho, hoje consultora de moda e estilo, inicia sua trajetória em 2006, quando ela participa da criação de um projeto inovador e de vanguarda da moda no Pará, o Caixa de Criadores, que estimulou um circuito fundamental para o crescimento do pensamento de Moda na Amazônia, fomentando um novo mercado na região e revelando novos profissionais na cena, como designers, estilistas, produtores, modelos, fotógrafos, entre outros.

Jackye Carvalho (Foto:Teresa Maciel)
“Hoje tenho me dedicado a pesquisa de conceitos entre arte, moda e sustentabilidade. E, paralelamente a isso, venho também ministrando oficinas de arte e moda em instituições públicas e privadas, entre a capital e o interior do estado do Pará, onde discuto essa relação da sustentabilidade na moda”, diz Jackye.

Foi nestas oficinas que ela iniciou sua pesquisa, em que experimenta também materiais como papel, plásticos, folhas, juta, pet, entre outros. As primeiras oficinas aconteceram, em 2010, na Fundação Curro Velho. 

Depois vieram convites para ministra-las em várias cidades do interior do estado do Pará, através de projetos como  Giro Cultural, Festival Viva Breves e mais recentemente, no SESC Boulevard que recebeu, pela primeira vez, uma oficina de moda.

Voltado à sustentabilidade, o trabalho de Jackye tem a moda como suporte de expressão artística. “Minhas primeiras fontes são a moda e a arte. E a ideia do sustentável só veio agregar valor e completar o meu trabalho. Já trabalhei em diversas áreas da moda,como o  estilismo, em eventos, produção, stylist, produção de moda para artistas e agora com estas oficinas”, conclui a consultora.

Serviço
Exposição ECO-LÓGICA MODA PARÁ - Ícones da moda paraense sob o olhar da arte e sustentabilidade, de Jackye Carvalho. De 1 de 10 de novembro de 2014, no Shopping Pátio Belém.  Abertura da exposição, 1º  de novembro, sábado, às 19h. Horário visitação das 10h às 22h. Patrocínio: Shopping Pátio Belém por meio da lei municipal Tó Teixeira.  Apoio: Monte Renove, blog holofote virtual, 11:11 arte, cultura e projetos e Dom Vino.

28.10.14

Mestre Vieira, o criador da guitarrada. Músico faz 80 anos com festa e novidades na carreira

Mestre Vieira faz 80!
Ícone de várias gerações de músicos paraenses, Mestre Vieira, história viva da nossa música, completa 80 anos, nesta quarta-feira, dia 29 de outubro. Em meio aos preparativos para a comemoração de seu aniversário, Mestre Vieira é um menino de 8, entusiasmado com a festa e as merecidas homenagens. 

Além de talentoso, ele é um querido, amado e respeitado por seu jeito simples de ser e por sua genialidade na guitarra. Por isso não deveria ser diferente. A data que marca os 80 anos de Mestre Vieira, será comemorada em grande estilo.

Começa pela manhã com o especial Mestre Vieira 80 anos. O programa será transmitido, ao vivo, direto do Estúdio Edgar Proença, de 10h às 10h50, pela Rádio Cultura do Pará. E encerrar com um grande show, em Barcarena, com participação de vários músicos e artistas, em um palco montado na orla da cidade.

A apresentação musical de Mestre Vieira na rádio terá participação dos músicos Pio Lobato (Guitarra), Breno Oliveira  (baixo), Vovô (bateria), Daniel Serrão (teclado e sax) e JP (Percussão). DVDs dos 50 Anos de Guitarrada serão sorteados.

Com Pio Lobato (DVD 50 Anos)
Há expectativa de participação do guitarrista Chimbinha, que ligou pro Mestre na semana passada dizendo que viria para as comemorações de seu aniversário! 

Em seguida ele retorna a Barcarena, onde participará de uma carreata pelas ruas da cidade, indo até a orla da cidade, onde estará montado o palco para o show.

Tanta festa assim não são para menos. Criador da guitarrada, estilo musical que é fonte de inspiração para músicos de várias gerações e considerado um patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará, foi tocando em festas em Barcarena, que ele ficou conhecido pela população do município, situado na região nordeste do Estado, e depois ganhou o mundo, sem nunca ter deixado a cidade. 

Show no Conexão Vivo, em Salvados (2011)
Novidades - Mestre Vieira está selecionado para participar do Porto Musical, um evento internacional de música que acontecerá em fevereiro do que vem, em Recife.  O próximo CD também já está a caminho. Intitulado “Guitarreiro do Mundo”, novo trabalho será lançado no primeiro semestre de 2015.

Enquanto isso, o músico segue divulgando o DVD comemorativo aos 50 anos de guitarrada, gravado ao vivo em duas noites de shows no Theatro da Paz, em 2012.  Vários artistas fizeram participações: Luis Pardal, Lia Sophia, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro, Manoel Cordeiro, Sebastião Tapajós, Fernando Catatau, Luiz Pardal, Paulo Moura e Trio Manari. 

E em novembro, ele cumpre agenda em Curitiba, pelo projeto Caixa Cultural, como convidado de Dona Onete, outra figura ímpar da nossa música. As apresentações são nos dias 14, 15 e 16. 

Capas de LPs (Documentário Coisa Maravilha)
Trajetória - Joaquim de Lima Vieira nasceu em outubro de 1934, em Barcarena. Filho dos agricultores Zacarias Pinto Vieira e de Sofia Rosa de Lima, ele cresceu maravilhado com a natureza, à beira do rio, onde deu os primeiros acordes, já aos cinco anos de idade.

Para tocar de verdade, porém, ele precisou da autorização do pai, um português que não tolerava samba ou qualquer tipo de batuque, mas que se encantava com o Fado, música de sua terra. Foi então que o menino Joaquim resolveu tocar bandolim e já aos 15 anos ganhou um concurso de choro na Rádio Clube do Pará, com uma composição autoral intitulada “Te Agasalho”, e nunca mais parou de tocar ou de se dedicar à música.

Hábito do Mestre (Documentário Coisa Maravilha)
A guitarrada tem sido referência. O ritmo, contagiante, dita tendências desde o final os 1970. Em 1978, Mestre Vieira foi reconhecido como criador da lambada.

Gravou o clássico e pioneiro disco de sua carreira: Lambada das Quebradas,  gravado em dois canais. São vendidas 80 mil cópias.

O sucesso seguiu com “Lambada das Quebradas volume 2″ – outro sucesso, com destaque para as músicas “Melô do Bode” e “Lambada do Rei”. Foram vendidas 230 mil cópias do disco. Sucesso total obtido com shows em turnê pelo nordeste, em cidades do Ceara e Recife.

Entre 1992 e 2000, depois de passar por algum tempo longe da mídia, Mestre Vieira volta à cena com “Os Mestres da Guitarrada”, ao lado de Mestre Curica e Aldo Sena, projeto da Funtelpa em parceria com o guitarrista Pio Lobato.

A fase de grande repercussão privilegiou, acertadamente, as composições instrumentais, reforçando o status de guitarreiro do artista e afirmando-lhe o título de criador da guitarrada que, àquela altura, já ecoava pelo país, enquanto uma nova geração de guitarristas também passava a beber nesta fonte.

Cena do Documentário "Coisa Maravilha"
História de baleia dá origem ao primeiro sucesso - 04 de agosto de 1974. Um fato inusitado acontecido nesta data na pequena cidade de Barcarena, situada no nordeste do Pará, marcaria para sempre a cultura do município e daria início a uma carreira ímpar na história da música brasileira.

Foi a história da morte de uma baleia que se perdeu de sua rota no mar e foi parar em águas doces, passando dias se debatendo nas águas do rio Murucupi, assustando pescadores e moradores ribeirinhos, que deu origem a letra e música que marcaria definitivamente a carreira de Mestre Vieira.

A “Lambada da Baleia” foi o grande sucesso do primeiro LP do grupo “Vieira Seu Conjunto”, feita ainda em 1974, logo depois dos dias que agitaram o município por causa da baleia perdida. Com seus ossos até hoje mantidos na secretaria de cultura de Barcarena, o mamífero aquático se tornou lenda, eternizada na letra que Mestre Vieira compôs retratando aquela situação. Sucesso absoluto em Barcarena, nas festas promovidas por Vieira e Seu Conjunto, a música foi gravada no primeiro LP de Vieira e Seu Conjunto, o “Lambada das Quebradas”, lançado em 1979. 

Com Gaby Amarantos (DVD 50 Anos)
Turnê pelo nordeste - O LP vendeu milhares de cópias e levou o grupo a gravar o segundo disco, em 1980, trazendo mais um grande sucesso, chamado “Melô do Bode”. 

Estourado no nordeste, com suas músicas tocadas em todas as rádios do Ceará, primeiramente, o grupo não tinha ideia de quanto eram admirados pelo público nordestino. Foi um espanto geral quando Vieira e seus músicos chegaram a Fortaleza, onde foram idolatrados por um grande público que lotava as casas onde aconteciam as apresentações. 

Foram quase duzentos shows realizados. No entanto, após as apresentações já em Recife, Joaquim Vieira resolveu voltar ao Pará, desistindo de seguir em frente com os shows. Passando por várias gravadoras, além da extinta Continental, o grupo produziu 14 LPs. 

Década oculta - Depois disso, Vieira passou oculto por uma década inteira sem tocar para um grande público. A lambada, porém estava em alta na mídia, provocando polêmica na imprensa sobre quem teria sido o verdadeiro criador do ritmo.

Gravação do Programa Visceral Brasil (TV Brasil)
Quase todas as reportagens veiculadas na época, e que fizeram parte da pesquisa para o documentário “Coisa Maravilha”,  consta o nome de Mestre Vieira como o criador do ritmo. Ainda assim, naquela época, ele ficou recolhido em Barcarena.

Durante dez anos, pouco se ouviu falar nele, pelo menos na capital, mas seus discos foram parar na Europa, levados inicialmente por um padre italiano que tomava conta da comunidade religiosa da cidade e que foi seu instrutor em técnica de eletrônica.

Graças a este aprendizado, aliás, é que ele construiu, a partir de uma rádio de pilha e bateria de carro, o amplificador que daria voz a sua guitarra, tocada inicialmente com cordas de violão. E Vieira acabou ganhando repercussão no Velho Mundo, mas o fato não melhorou sua vida financeira, o músico continuou buscando a sobrevivência com a música, mas esquecido no interior do estado.

Com Trio Manari, Tapajós e Paulo Moura (DVD 50 Anos)
Novos rumos - No início dos anos 2000, porém, o jogo vira e acena positivamente para Vieira, que passou a ser chamado e reconhecido como Mestre da Guitarrada. 

Hermano Vianna, que nos anos 90 conheceu seu trabalho através de um LP de Vieira encontrado num sebo em Manaus, veio a Belém para entrevistar Mestre Vieirapara o projeto de mapeamento das sonoridades da música brasileira, o Música do Brasil.

Junto a isso, surge o guitarrista Pio Lobato, na época estudante de música que preparava seu TCC sobre as guitarradas paraenses. O encontro entre os dois fez surgir o projeto Mestres da Guitarrada, que em parceria com a Funtelpa – Fundação de Telecomunicações do Pará -  fortalece o repertório instrumental de Mestre Vieira.

Até mais ou menos 2006, com a formação original que reunia, além de Vieira, o guitarrista Aldo Sena, o mais puro discípulo de Mestre Vieira, e Mestre Curica, que tocava banjo ao lado dos dois guitarristas, foram realizados inúmeros shows. Pode-se dizer que foi a partir daí que toda esta nova cena da música paraense ganhou contornos concretos e viáveis para estar como está hoje reconhecida.

Depois da primeira formação, o projeto Mestres da Guitarrada continuou, com Mestre Vieira, com Pio Lobato na guitarra base, o baterista Vovô, o percussionista Octávio Gorayeb e o baixista Breno Oliveira.

Com os filhos e neto, bastidores da gravação do DVD (2012)
Os 50 anos de guitarrada - O projeto surgiu em 2008. Na casa de Mestre Vieira, após uma longa conversa com ele, e conhecer mais sobre sua história, não restou dúvida de que era necessário realizar o projeto, que foi intitulado “Mestre Vieira – 50 Anos de Guitarrada”.

Já estão lançados o DVD e o site – www.mestrevieira.com.br . Seguimos em curso até o lançamento do documentário “Coisa Maravilha”, que narra, através de encontros musicais e imersões na floresta, a trajetória de Mestre Vieira. O trabalho envolveu muita gente apaixonada pelo trabalho de Mestre Vieira, é em seu total, uma obra coletiva e de grande força.

Depois de algumas congeladas no processo, o documentário deve ser finalizado para lançamento em 2015. A ideia principal do projeto foi trazer à tona sua trajetória, valorizando toda a sua carreira e sua história de vida. Desenvolvido com o patrocínio do Programa Conexão Vivo, via Lei Semear do Governo do Estado, mais do que um projeto, a iniciativa, que teve também apoio de muitos amigos, colocou para sempre Mestre Vieira em nossas vidas. 

Os Dinâmicos, com Nunes, autor das fotos nas capas de vários
LPs (Documentário Coisa Maravilha)
Os Dinâmicos - Durante as pesquisas para a realização do documentário, encontramos os músicos que gravaram os primeiros discos, que ficou conhecido como Vieira e seu Conjunto. Dejacir Magno, Lauro Honório, Luis Poça e Hidalgino Cabral sempre estiveram em Barcarena, trabalhando em outras áreas, sem nunca terem perdido a paixão pela música e nem as lembranças do passado vivido em Vieira e seu Conjunto.

Eles estavam sem tocar juntos há 37 anos. O encontro, testemunhado pela equipe do documentário e que em breve será vista pelo público, gerou grande emoção. Ao reuni-los para a entrevista, munidos de seus instrumentos, eles tocaram juntos e como num passe de mágica. Percebemos que eles poderiam fazer mais que isso. É quando surge o primeiro desdobramento dentro do projeto, ao montarmos o show, que estreou no Festival Se Rasgum (2011), e que faz parte também do documentário. 

Joaquim de Lima Vieira, na praia do Caripi - Barcarena
Além de reunir os músicos da velha guarda, o show também resgatou o lado letrista de Mestre Vieira. Surge então o grupo Mestre Vieira e Os Dinâmicos, nome que o grupo tinha antes mesmo de se tornar o Vieira e Seu Conjunto.

O projeto mexeu em suas vidas, lhes dando o reconhecimento que Mestre Vieira já havia conquistado, além de resgatar a cidade e um pouco de sua história cultural marcada pela sua produção musical, como berço da guitarrada e da lambada. 

Trilha sonora de cinema - A genialidade da guitarrada de Mestre Vieira está na trilha sonora do filme "Serra Pelada", que esteve nos cinemas ano passado e foi exibido em janeiro de 2014, em seriado, na TV Globo. "Duas Línguas" e "Lambada do Rei", um grande sucesso, entraram para a trilha.

Para saber mais, acesse:

http://vimeo.com/user11034914
https://www.facebook.com/mestrevieirapa

Fotos desta postagem:
Renato Chalu (DVD 50 Anos)
Renato Reis (Documentário Coisa Maravilha)
Holofote Virtual


27.10.14

Pianista italiana faz concerto no Art Doce Hall

Gloria Campaner, um dos maiores talentos da nova geração de pianistas  da Itália, se apresenta em Belém nesta quinta,  30, às 20h. No repertório, peças de Beethoven, Schumann e Liszt. Na Sala Augusto Meira Filho-Arte Doce Hall (Av. Magalhães Barata, 1022). Entrada é franca!

A pianista chega a Belém , pela primeira vez, à convite da Fundação Amazônica de Música. A artista dedica toda sua vida a arte de tocar piano, instrumento que ela começo a estudar desde os quatro anos de idade. Quando completou cinco, fez o seu primeiro recital, debutando aos doze anos na Orquestra Venetian Symphonia. Em seus primeiros anos de estudos obteve primeiro prêmio em mais de vinte concursos nacionais e internacionais para jovens músicos. 

Sua carreira desenvolveu-se rapidamente como solista e camerista, levando-a a apresentar-se na Itália e exterior (Japão, Israel, Turquia, Casaquistão, Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Suíça, Grécia, França, Rússia e América do Sul). Gloria Campaner foi Medalha de Prata do Concurso Internacional de Piano Paderewski de Los Angeles em 2010, onde também conquistou os prêmios de Melhor Interpretação “Paderewski” e “Chopin”, outorgados pela Fundação Frédéric Chopin de Paris. 

Mantem-se ativa como camerista, especialmente na formação piano e violino, tendo trabalhado com prestigiados músicos como Ana Chumachenco, J. Rissin, I. Gitlis, S. Accardo , membros do Trio Tchaikovsky e ultimamente com o Quarteto de Cremona.

Alguns dos concertos de Gloria Campaner tem sido transmitidos com freqüência para redes internacionais de rádio e televisão, tais como RAI, Radio Ljubljana, SKY Classica, RTSI e CNN. Gravou para o selo italiano Audionova, para Meister Musica Bern e Farsight Records. Para a Radio Svizzera de Lugano gravou obras de Schumann e Rachmaninoff, a serem brevemente lançadas em CD pela EMI Classics. 

Premiações - Obteve o 1º lugar e o Prêmio Especial Prokofiev no “Grande Prêmio Ibla 2009”, após o que realizou sua primeira tournée nos Estados Unidos e seu debut no Carnegie Hall em Nova Iorque em 2010. Foi laureada ainda no Concurso Internacional Cantù (Como, 2009), Concurso Europeu de Piano (Le Havre-France, 2009), Concurso Internacional T.I.M. (Verona, 2008), Concurso Internacional Rospigliosi – Prêmio Schumann (Pistoia-Itália, 2008), Concurso Internacional Casablanca – Prêmio Franz Liszt (2011). Em Janeiro de 2014 recebeu o importante prêmio “Borletti Buitoni Trust Fellowship”  em Londres, sendo que a presidente do Juri foi a famosa pianista Mitsuko Uchida.

Artistas paraenses doam obras a um leilão especial

Fotografia de Walda Marques
Cerca de 400 animais serão beneficiados no primeiro leilão que o Abrigo Aufamily realiza hoje (27) no Teatro Estação Gasômetro, das 18h às 21h. Alexandre Sequeira, Berna Reale, Cintia Ramos, Dina Oliveira, George Marques, Geraldo Teixeira, Jorge Eiró, Luiz Braga, Marinaldo Santos, Maurício Franco, Nando Lima, Nina Matos, Paulo Souza, PP Conduru, Simões, Walda Marques compraram a causa. Toda a renda revertida a suas atividades e cuidados com os animais, alguns deles, sobreviventes do massacre de Santa Cruz do Arari, que resultou no assassinato de mais de 300 animais em 2013.  

Criado há 8 anos, o trabalho desenvolvido no abrigo resgata animais das mais diversas situações de abandono, maus tratos e sofrimento, recuperando-os e colocando-os para adoção. A instituição sobrevive de doações de voluntários, da renda obtida nos eventos realizados (bazar, bingo, rifa) e através da vendas dos produtos Aufamily (calendários, camisas, canecas. Chaveiros, etc).  É uma tarefa árdua mas que, embora seja um serviço de utilidade pública, essencial para a saúde das pessoas de Belém, não há apoio do poder público.

Os custos fixos do AuFamily são altos e para mantê-lo é necessário ter mais ajuda. Para manter a estrutura dos animais que foram resgatados do massacre de Santa Cruz do Arari, foram contratados mais três funcionários, que recebem salário mínimo. 

Obra de Nando Lima
“Além disso, temos mais quatro colaboradores para cuidar do restante do abrigo, incluindo a responsável, que tem um salário mais alto. 

Também contamos com o trabalho de um veterinário, que temos que pagar à vista a cada visita, fora os gastos com ração e material de limpeza”, diz Andréia Rezende, colaboradora da institução. 

O abrigo também já realizou duas feiras de adoção do abrigo, nas quais 60 animais foram adotados. O número de adoções e todo o esforço do abrigo, porém, ainda é pequeno diante da situação.

“Diariamente são abandonados animais no muro do abrigo, nos solicitam resgates e ajuda para algum animal em risco, ou até aqueles que surgem de repente na frente do carro de uma das voluntárias em uma avenida movimentada e perigosa”, explica a atriz e produtora Andréia Rezende, uma das voluntárias envolvidas na divulgação da instituição e na busca por parceiros e apoiadores.

Da Série Vintage, de Luiz Braga
Ideia foi muito bem aceita - Engajada na causa, a ideia do leilão com obras de arte partiu dela. "Estamos numa situação muito difícil, a pior de todas, pensei em algo que pudesse nos dar a possibilidade de arrecadar uma quantia considerável. 

Os gastos são muito altos. E por ser amiga da maioria dos artistas que doaram as obras, pensei também na chance que todos temos em obter obras de quem admiramos por um preço mais em conta obtidos de uma forma linda. Ajudando os peludos!", diz Andreia.

O contato inicial aconteceu pelo facebook mesmo, depois houve um contato direto com alguns deles. "Alguns viram minha divulgação na internet e ofereceram seus trabalhos. E também falaram com outros artistas e me avisaram. Rolou um compartilhamento e indicação do bem", comenta.

Com obras nos maiores acervos do mundo, além de vários prêmios no currículo, sendo um dos artistas selecionados para representar o Brasil na 53ª Bienal de Veneza, o fotógrafo Luiz Braga diz que gostou da ideia. 

“Simpatizei com a iniciativa da Andréia, que eu conheci fotografando a peça Angelim, anos atrás. Tive cães inesquecíveis na infância. Hoje não tenho mais. Ficou o afeto’, conta o fotógrafo, que doou ao leilãp do AuFamily, uma série de 4 posters vintage da "A Margem do Olhar" de 1987. “São quatro imagens impressas em duotone sobre papel couchê, todas assinadas’, conclui. 

De Alexandre Sequeira
Alexandre Sequeira, que também doou obra, diz que convive com diferentes espécies de animais desde os primeiros anos de sua vida e que tem absoluta convicção do quanto esse convívio contribuiu para sua formação ética e espiritual. 

"Eles nos ensinam todos os dias o verdadeiro sentido de amor, independente de diferenças. Sei que se hoje sou o que sou, em grande parte devo isso a esses amigos que tive ao longo de minha vida. E nada mais justo que retribuir todo esse amor, contribuindo para o bem estar deles nesse momento”, diz Alexandre Sequeira.

O artista e professor doou para o leilão uma prova de autor (PA) da obra ‘São João e os sapatos’, de 2007, que faz parte da série Meu mundo Teu, e que já foi exposta em várias instituições culturais do Brasil e exterior.

23.10.14

Cacá Carvalho vai apresentar o Festcine Amazônia

O evento, que é realizado há 12 anos em Porto Velho, Rondônia, terá como Mestre de Cerimônias, o ator paraense Cacá Carvalho. A programação deste ano acontece de 4 a 8 de novembro, com vasta programação.

Como em todos os anos não falta: Cinema nos Bairros, Cinema nos Terreiros, A Escola vai ao Cinema, Mostra de Filmes Convidados e Mostra Competitiva, na qual, aliás, há apenas um filme paraense concorrendo, o documentário “Ópera Cabocla”, do ator e diretor Adriano Barroso.

E mais um ator vai brilhar no festival. Osmar Prado, 67, que recentemente fez par romântico com Dira Paes, na minissérie Amores Roubados, será o homenageado do evento. 

No dia 8, noite de enceramento, ele estará presente, para receber as homenagens e acompanhar a projeção de “Amores Passageiros”, filme em que ele interpreta um necrófilo. O curta recebeu o prêmio de melhor filme estrangeiro no LA Shorts Fest, em 2012, concorrendo com outras 61 produções de 23 países. Leia estas e outras notícias sobre o festival no site oficial: http://www.cineamazonia.com/

Histórias para adultos ganham espaço no Sesc

Intitulada “Contação de Histórias para Adultos”, a programação teve, na última terça-feira, 21, o ator Milton Aires, que nos contou várias histórias em seu "Makunaíma - Cosmogomias Ameríndias”.

O ator trouxe de volta um trabalho que iniciou em 2010/2011, com uma pesquisa que resultou na curta cena “Makunaíma: Em a Árvore do Mundo e a grande enchente”, apresentada em São Paulo, na Sede Luz do Faroeste, e depois no 12º Festival de Cenas Curtas, do Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte.

Para a contação de história no Sesc, Milton fez adaptações. Agregou à narrativa, a voz, para contar histórias que envolvem Macunaíma, um mito brasileiro, imortalizado pela obra de Mário de Andrade que o chamou de Herói sem Caráter. A ideia, porém, é dar continuidade à montagem do espetáculo, que explora basicamente ruídos e movimentos corporais.

A contação de histórias funcionou como um despertar de retorno para Milton que, em Makunaíma: Em a Árvore do Mundo e a grande enchente, se desdobra em cinco personagens na cena. Baseando-se nas histórias sobre a origem do mundo contadas a partir dos mitos indígenas, o espetáculo mostra as aventuras de Macunaíma e seus irmãos em busca de comida numa época de escassez na Amazônia.

As histórias do espetáculo fazem parte do trabalho do estudioso alemão, Theodor Koch-Grünberg, publicadas em Berlim no início do século passado. Theodor viajou várias vezes pelo Brasil, a primeira delas em 1896, como membro da expedição liderada por Hermann Meyer, que buscava alcançar a foz do Rio Xingu. 

Sua contribuição é fundamental para o estudo dos povos indígenas da Amazônia, seus mitos e suas lendas. Suas observações e relatos de viagem constituem uma importante fonte para a antropologia, a etnologia e a história indígena.

Os mitos transcritos por Koch-Grunberg também foram utilizados por Mário de Andrade no seu Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), que transcreveu, às vezes literalmente, as narrativas registradas pelo etnólogo ao narrar muitos dos episódios vividos por Macunaíma e por outros personagens desse romance marco do modernismo brasileiro.

Na torcida para ver o espetáculo para o qual tive o prazer de contribuir, no processo de pesquisa, iniciada em abril de 2011, logo depois que Milton retornou de São Paulo, onde estava fazendo o curso “O Visível e o Invisível no Trabalho do Ator-Dançarino”, ministrado pelos professores Carlos Simioni (LUME) e Tadashi Endo (Mamu Butoh Centre), realizado no Teatro de Tábuas (Campinas-SP).

O que já rolou - As contações de história para adultos já acontecem há quase dois anos. Em 2014, entre outras histórias, a programação já contou, em junho, com "A Pratinha é Ouro", com as atrizes Sandra Perlim e Márcia Lima e, em setembro, com o texto "Maria Dagmar", história contada por Adriana Cruz e Gil Ganesh. 

Baseada no texto homônimo de Bruno de Menezes, "Maria Dagmar" é mulher, paraense, pobre, bela, igual a muitas outras da cidade de Belém, porém, nascida da palavra do nosso escritor em 1950. A narradora, Adriana Cruz, apresenta a narrativa como quem lê um livro, utilizando música e narração de poesia para criar uma atmosfera poética.

Atentos - "Esse projeto já acontece há uns dois anos e hoje podemos dizer que há um público crescente e fiel participando, assim como há grandes talentos em nossa região como o Milton, que precisam de espaço e apoio para difundir seu trabalho", diz José Maria Vilhena, gerente do Sesc Boulevard. 

A ação faz parte do projeto de literatura do Sesc Boulevard, que também oferece contação de histórias infantis todos os sábados de manhã. As contações de histórias para adultos rolam uma vez por mês. A próxima ainda não está divulgada. Mas fica ligado que a programação é sempre em uma terça-feira, às 18h, no Cine Teatro do Sesc Boulevard.

22.10.14

Se Rasgum realiza mais uma edição da Ins’anos 90

A nostalgia vestida de camisa de flanela, calça de morto e tênis rainha, está de volta. A Ins’anos 90 revive a década que, mais uma vez, está na moda, com os sneakers, gargantilhas yin yang, elementos da cultura pop no cinema e na música. Dia 24 de outubro, aproveitando as comemorações do Círio 2014, a Se Rasgum ataca de novo com a festa Ins’anos 90, no Chevallier trazendo os DJs Marquinho (Fliperama – CE), Fernando Souza, Felipe Proença e Damasound.

A produtora retoma sua festa preferida com atrações bem especiais, como o DJ Marquinhos, que comanda a festa indie Fliperama (Fortaleza) e foi o criador da festa Farra na Casa Alheia. A festa também traz o residente Fernando Souza, homem que comandou as picapes da lendária Insãnu, uma marca viva na memória de Belém dos anos 90. O DJ Felipe Proença engrossa o caldo do line up de DJs, com toda a sua bagagem 90's, assim como Damasound.

Além disso, a Se Rasgum pretende retomar de vez a festa, sempre com novidades, buscando atingir como público-alvo não apenas quem já passou dos 30, como uma moçada mais nova que está atenta a uma das décadas mais influentes para a música e indústria pop.

O que vai rolar na discotecagem - Mundo Livre S/A, Weezer, Pixies, Raimundos, Radiohead, Blur, Litttle Quail and The Mad Birds, Stone Roses, Pato Fu, Happy Mondays, Maria Bacana, Beck, New Order, Mamonas Assassinas, Fugazi, Smashing Pumkins, Planet Hemp, Alice in Chains, Counting Crows, Supergrass, Rage Against the Machine, Nirvana, Sonic Youth, Travis, Frente, Garbage, Green Day, Oasis, President of United States, The Wallflowers, Lemonheads, Flaming Lips, 

Mais - Os Virgulóides, Guided By Voices, Teenage Fanclub, Blind Melon, Soundgarden, Pearl Jam, Beastie Boys, Low Dream, Comunidade Nin-Jitsu, Akundum, Chico Science, Skank, Silverchair, R,E,M, Gabriel O Pensador, De Falla, Galaxie 500, Acabou La Tequila, Dinosaur Jr, Sebadoh, Harvey Danger, Superdrag, Pavement, Wilco, Morrissey, Semisonic, Suede, Pulp, The Verve, Third Eye Blind, Goo Goo Dolls, The Offspring, No Doubt, The Cardigans, Maria do Relento, Second Come, Screaming Trees, James, Cake, EMF, New Radicals, Soul Asylum, Live, Stone Temple Pilots, Bush, Hootie and The Blowfish, Matchbox 20, Sublime, Smash Mouth, Faith No More, Cranberries e muito muito mais!

De táxi para a Ins’anos 90 - A Se Rasgum incentiva o público a ir de táxi para a festa por meio de uma parceria com a 99 Taxis, que dará 100 cupons de desconto de 15 reais para quem for à Ins’anos no dia 24 de outubro. Baixe o aplicativo 99Taxis de graça no seu smartphone e ganhe o desconto. Para isso, você só precisa seguir os passos: http://www.99taxis.com/cupom-de-desconto/

Serviço
Ins'anos 90, no Chevallier (Travessa 28 de Setembro, 1160 - Reduto). A partir das 22h. Ingressos: R$ 20 antecipado / R$ 25 na hora.  DJs: Marquinhos (Fliperama - Fortaleza, CE), Felipe Proença, Fernando Souza e Damasound.

16.10.14

Performances do “Égua” são neste final de semana

A programação começa pela manhã,  nesta sexta-feira, 17, quando o grupo realizará a sua xepa – coleta de alimentos – na feira da Ceasa. Durante a ação, artistas farão performances. No final da tarde, a partir das 18h, na Casa Reduto 560 - Trav. Rui Barbosa, 560, será aberta uma exposição, seguida de uma roda de conversa sobre o histórico do projeto e resultados das edições anteriores. Até domingo, as ações também se estendem à Praça da República.

O corpo que se pinta para a guerra e para a festa se traveste dependendo da necessidade e da vontade. Quando o artista Arthur Leandro esboçou o embrião desta ideia, o fez pensando no trabalho realizado pelo coletivo Urucum, conhecido grupo de performance que atuou na cidade de Macapá entre os anos 90 e 2000. Estas palavras atravessaram o rio, ecoaram pelo tempo, e hoje também sintetizam o propósito que une diversos artistas no encontro “Égua - Sarau do corpo poelytico”, aqui em Belém.

Em sua terceira edição, a “Égua” se propõe a ocupar espaços diversos – passando por uma casa, pela feira da Ceasa, até culminar na Praça da República – e tem como foco principal o debate a cerca das resistências poéticas que fervilham no cenário amazônico. “Este ano, escolhemos falar principalmente dos trabalhos e propostas de performance que celebram, que trazem para o debate, os processos de resistência afro-amazônica, trans-amazônica, numa perspectiva de transexualidade mesmo, e também das Icamiabas, mulheres guerreiras que lutam pela afirmação feminina”, conta Wellington Romário, artista e um dos organizadores do evento.

“Vamos montar uma instalação com os resíduos dos trabalhos apresentados nas ‘Éguas’ anteriores, desde pedaços de vídeos a roupas e acessórios usados em performances que foram realizadas. Será uma maneira, inclusive, da gente apreender melhor o que significa este percurso que estamos fazendo e o que ainda pode vir desta ideia”, explica o artista Pedro Olaia, também da organização do encontro. Durante a noite, a partir das 18h, a casa estará aberta ao público, quando haverá a exposição do material preparado pelo grupo, com vendas de bebidas e comidinhas.

No sábado, 18, a programação inicia no fim da tarde, ainda na casa Reduto 560, com um bate-papo entre artistas diversos e coletivos como do grupo feminista Vacas Profanas e do grupo de artistas de terreiro Nós de Aruanda. “A ideia é unir pessoas e coletivos que tenham uma perspectiva de libertação do corpo e o fazem de forma poética e combativa”, diz Wellington. 

No domingo, a partir das 19h, começa uma festa itinerante pela praça  da República, com a utilização de uma bike som. Presença confirmada dos DJs Sid Manequim e Noite Suja e pocket show da Leona Vingativa. “Nossos corpos fazem guerra e fazem festa porque é assim que respondemos às opressões, que nos jogamos no mundo”, completa Wellington.

Mas que égua é essa? - Com um nome pouco convencional, a “Égua- sarau do corpo poelytico” brinda a fêmea animal, a interjeição popular, o pejorativo e o divertido que há na expressão. A proposta surgiu em uma viagem do artista e professor Arthur Leandro ao Rio de Janeiro, em 2012. 

“Na capital carioca encontrei uma turma do grupo goiano EmpreZa, que me disse que estava vindo para Belém para participar de um salão, mas que gostariam de ter uma oportunidade para mostrar outros trabalhos. 

O artista norte-americano Raphi Soifer, também estava chegando na cidade. Aí logo pensei em um encontro de troca”, conta Arthur. A primeira edição ocorreu no Gempac – Associação de prostitutas do Estado.

No ano seguinte, o grupo fez uma imersiva de três dias no Sítio Brilho Verde, em Colares, onde realizaram diversas performances e exibiram em vídeo trabalhos de artistas da Bahia, de Brasília e do México. “Abrimos uma chamada na segunda edição e muitos artistas nos enviaram trabalhos, isso já apontou um amadurecimento da ideia. Agora, chegou a vez de fazermos uma ‘Égua’ nômade por Belém”, disse Pedro.

Mais informações, no perfil: http://migre.me/mjhxr

PROGRAMAÇÃO:
  • Sexta-feira, 17- Abertura da Exposição das Éguas, às 18h. Instalação, karaokê e venda de comidinhas e bebidas. Onde: Casa Reduto 560 - Trav. Rui Barbosa, 560.
  • Sábado, 18 – Roda de Conversa, às 17h. Participação das Éguas + Nós de Aruanda + Vacas Profanas. Onde: Casa Reduto 56.
  • Domingo, 19 – Festa Pyrigóticas, às 19h. Com os DJs Sid Manequim, Noite Suja e pocket show da Leona Vingativa. Onde: Praça da República.

15.10.14

"Canções em Romaria" encerra circuito de shows

Lucinnha Bastos, Andréa Pinheiro e Marianne Lima encerram a programação “Nazaré em Todo Canto”, nesta quarta-feira, 16, às 20h. Participações especiais de Camila Honda e Fafá de Belém. A entrada é franca - ingressos disponíveis na bilheteria do teatro, a partir das 9h, no dia do espetáculo.

Após lotar o Teatro Maria Sylvia Nunes, em 8 de outubro passado, o show “Canções em Romaria” está sendo levado agora ao Theatro da Paz. Em sua 8ª edição, o espetáculo criado 11 anos atrás, oferece mais uma oportunidade ao público em um show onde a emoção e a fé dão os tons de andamento.

Reunindo três importantes cantoras da música popular, a apresentação vem se firmando como mais que um simples espetáculo, e sim como uma sinergia viva, onde público e músicos fazem orações em forma de melodias. Para a cantora Lucinnha Bastos, fazer parte do espetáculo é uma renovação de fé. Emocionada durante todo o show do dia 8 de outubro, Lucinnha reafirmou o quanto a energia do Círio se faz presente. 

“É sempre diferente estar nesse espetáculo, pois é sempre uma renovação. A gente sente no palco a energia do público e isso mexe e emociona profundamente.”, destacou a cantora. Uma das idealizadoras do espetáculo, Marianne Lima também afirma o quanto o show é diverso e que sua expansão ultrapassa o contexto religioso. “É uma devoção a Mãe de Jesus, presente em nossos corações”, diz.

De acordo com Luiz Pardal, a edição deste ano terá várias surpresas, dentre elas a presença da cantora Fafá de Belém. 

“Fafá é devota de Nossa Senhora de Nazaré e está bem feliz em poder participar”, afirma o diretor musical. Além de Fafá de Belém, a cantora Camila Honda também sobe ao palco do Da Paz para esta apresentação. “É uma emoção, sim e também uma honra fazer parte do espetáculo”, afirmou.

No repertório estão composições de grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, Altair Veloso, Nilson Chaves, Vital Lima, Renato Teixeira, Almirzinho Gabriel, Cartola, Fátima Guedes, Marcos Viana, Francis Hime e Edu Lobo, além de cantigas de domínio público e peças do repertório erudito. Na banda, os músicos: Edvaldo Cavalcante (bateria), Jacinto Kawhage (Piano), Príamo Brandão (Baixo), Flávio Saraiva (violão), Argentino Neto (clarinete e sax), Daniel Lima (violino), Waldiney Machado (percussão) e Luiz Pardal (teclado, violino e bandolim).

A ideia central de "Canções em Romaria” é fazer um percurso de canções devotadas à Nossa Senhora, com a poesia e a beleza melódica das criações de diversos compositores. “O projeto surgiu a partir da ideia de reunir em mesmo show ritmos e estilos diversos que se encontram no tema de louvor à Mãe de Jesus”, diz a cantora Marianne Lima. E também, “para celebrar com arte a maior festa dos paraenses”, ressalta Luiz Pardal.

Serviço
Show Canções em Romaria - Com Lucinha Bastos, Andréa Pinheiro e Marianne Lima. Participação Especial: Fafá de Belém e Camila Honda Dia 16 de outubro de 2014, 20h – Theatro da Paz (Praça da República). Os ingressos serão distribuídos gratuitamente a partir das 9h do dia 16, na bilheteria do Theatro. Patrocínio: Secretaria de Estado de Cultura - Secult.

14.10.14

Atriz paraense encena a poeta Florbela Espanca

Depois de estrear nos palcos da Europa e fazer uma temporada brilhante em São Paulo o espetáculo “Florbela Espanca – A Hora que Passa” chega a Belém como um presente em tempo de Círio. Em apresentação única hoje, no Teatro Estação Gasômetro, às 20h, o solo teatral da atriz paraense Lorenna Mesquita. Traz a tona uma das maiores poetisas portuguesas, retratando sua vida e obra, contada sob a perspectiva de sua última hora de vida.

Questionadora, no espetáculo a poeta discorre sobre si mesma e levanta o papel da mulher na década de 1920, com reflexões que caem como atuais. 

“Estou muito emocionada por trazer Florbela Espanca a Belém, minha terra querida, onde a cultura portuguesa é tão presente. Já faz quase dez anos que não me apresento nos palcos paraenses e voltar com esse espetáculo que mudou a minha vida profissional e pessoal tem um sabor especial”, revela a atriz.

Dirigido por Fabio Brandi Torres, o espetáculo é fruto de diversos estudos e vivências de Lorenna, que foi até a cidade natal de Florbela reviver um pouco da vida da autora que tanto admira. “Quando conheci as poesias de Florbela Espanca, o que mais me chamou atenção foi a sua intensidade. Ela parecia viver exatamente o que escrevia. Um misto de amor e de dor", continua. 

"Eu me perguntava: Quem foi essa mulher que ousou naquela época, na década de 1920, expressar os mais íntimos sentimentos? Por que ela se matou? Por que nunca estava satisfeita? Intrigada, decidi ir atrás da sua história. Fui a Portugal e conheci as três principais cidades em que ela viveu: Vila Viçosa, Évora e Matosinhos. Visitei suas casas, o cemitério, as homenagens nesses lugares - bustos em praças, biblioteca, túmulo em destaque no cemitério -, além de Lisboa e Porto. Filmei cada passo no meu vídeo-diário de bordo. E lá percebi que Florbela ainda não possui o reconhecimento que merece”, explica Lorenna.

A peça estreou em 2014, em Portugal, no dia Mundial da Poesia, em 21 de março, e percorreu 16 cidades em 40 dias de temporada internacional. Depois foi a vez de São Paulo receber o espetáculo, que agora chega a Belém. 

“Só poderia escolher a minha cidade para iniciar a circulação nacional desse projeto. Sei que na plateia também estarão a minha família e muitos amigos e a melhor coisa é poder compartilhar esse momento com as pessoas que eu amo, ainda mais na semana do Círio”, comemora. 

Estreia em livro - Além do espetáculo, Lorenna Mesquita também assina um livro a quatro com Fábio Brandi. “É o texto do espetáculo com fotos. As pessoas estão amando a peça e muitas chegaram a nos pedir o texto. Apresentamos para esta editora, especializada em dramaturgia, e ela quis fazer na hora o livro”, comemora.

A autora, que trouxe alguns poucos exemplares na bagagem, deixando assim o pacote da obra completa. “O texto do espetáculo é feito com todas as palavras da Florbela. Nós fizemos uma costura, que chamo de ‘colcha de retalhos’, com poemas, cartaz, contos e diário da poeta”, descreve. “Meu primeiro monólogo, agora meu primeiro livro!”, diz, exultante.

Serviço
“Florbela Espanca – A Hora Que Passa”, monólogo com Lorenna Mesquita. Apresentação única hoje, 20h, no Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residência – Av. José Malcher com 3 de Maio).Informações: (91) 4009-8721.

Fonte: Diário On Line: http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-180884-TURNE+NACIONAL+ESTREIA+HOJE+EM+BELEM.html

Maria Preta faz dois anos com lançamento de DVD

O segundo ano da produtora será comemorado em grande estilo, logo mais, às 19h30, no Cine Líbero Luxardo do Centur, com uma sessão de cinema que marca também o lançamento de sua primeira produção, em DVD, ”A Ilha”, de Mateus Moura. Entrada franca.

O filme rodado entre novembro de 2012 e fevereiro de 2013, na ilha do Cotijuba, na Baía do Guajará, na Baía do Marajó e na Ecovila Iandê, na Comunidade de São João Batista em Santa Bárbara foi feito de forma independente, numa parceria entre as produtoras Maria Preta, Insular Produções e Coletivo Quadro a Quadro, com apoio do Miritismo.

O filme conta a história de Nazareno, um homem que nasceu e trabalha no continente e, que, hoje, sobrevive na Ilha. A travessia faz parte de sua rotina. Sob ele, todos os dias, flui o Grande Rio, inundado de historias mal-contadas. 

A esposa de Nazareno, Carline, é dona de casa, e a monotonia faz parte de sua rotina doméstica insulada, assim como um certo receio diante do desconhecido. Ambos sonham com a chegada de um filho, que distraia o tédio e gere um novo prazer pela vida. O sonho vira pesadelo quando o seu destino se cruza com a obrigação de Silene, nativa da ilha.

A produtora - A Maria Preta é uma entidade com fins criativos que atua no ramo da ficção cinematográfica. Tem em seu currículo um longa e está em fase de montagem de seu segundo filme. Já participou de festivais regionais e nacionais e agora entrará em seu processo de distribuição internacional.

Toda a sua atuação tem se construído de forma alternativa e independente, desde a produção, o aprendizado e a distribuição. Através de parceiras com pequenas produtoras, cineclubes, festivais e outras entidades com os mesmos fins culturais.

Na ocasião, além da exibição de “A Ilha” e do doc-crônica “Cotijuba – a ilha do diabo?”, produção da Insular Produções, haverá um bate-papo com a equipe da produtora e a exibição do primeiro teaser do seu novo trabalho: “Orla”. Além da merenda festiva.

Programação

  • 19h30 Exibição de “Cotijuba – a ilha do diabo?” (23 min)
  • 20h Exibição de “A Ilha” (60 min)
  • 21h Bate-papo
  • 21h30 Merenda e venda dos DVDs

Serviço
Lançamento do DVD  “A Ilha”. Nesta terça-feira, 14, a partir das 19h30, no cine Líbero Luxardo do Centur. Entrada franca. O DVD tem vários preços: Edição popular (R$ 5,00), edição de luxo (R$ 10,00) e a edição para colecionador (R$ 15,00), além do sorteio de DVD’S para os espectadores que estiverem presentes. 

13.10.14

Feira Literária do Pará foca no mercado local

Divulgar seus trabalhos e estreitar o contato com os leitores. Foi com este objetivo que um grupo formado por dez escritores paraenses, em parceria com a Livraria da Fox, criou a Feira Literária do Pará, que será realizada no próximo dia 18, na loja da Rua Dr. Moraes. Em sua primeira edição, o escritor Jaques Flores foi escolhido como patrono do evento.

A ideia é resgatar livros importantes, já esgotados, assim como fomentar a publicação de novos autores e ampliar o mercado literário para os escritores paraenses. 

O lançamento de duas premiações vão contribuir para isso, o Prêmio Fox de Literatura, que visa publicar o primeiro livro de novos autores, já em 2015, focando o gênero Romance. Os interessados já devem entrar em contato com a organização para o envio da obra. Entre no site de feira e tenha mais informações: http://flipara.com.br/

E o segundo, o Prêmio Nobre de Literatura, que já está concedido ao escritor Alfredo Oliveira. O autor terá relançado na edição da Feira de 2015, o livro Belém, Belém, publicado inicialmente em 1983 e atualmente esgotado. As novas publicações serão viabilizados em parceria com a Editora Empíreo, de SP.

Será um dia inteiro dedicado à literatura paraense. Das 9h às 22h, a Flipa 2014 recebe Aline de Mello Brandão, Amaury Dantas, Andrei Simões, Antonio Juraci Siqueira, Bella Pinto de Souza, Edgar Augusto, Edyr Augusto Proença, Ronaldo Franco, Salomão Laredo e Walcyr Monteiro, que estarão autografando suas obras e firmando sua parceria com a Livraria FOX, espaço que eles já frequentam e onde seus livros também estão à venda.

A programação inicia às 09h, com sessão de autógrafos e abertura da exposição sobre Jaques Flores. Em seguida, às 10h, será lançado o livro Abaúna e Outros Poemas, de Aline Brandão. A abertura oficial será feira pela parte da tarde (16h), seguida de palestra sobre Jaques Flores (16h30), Garapa Literária (17h) e a partir das 19h, entrega do Prêmio Nobre e o anúncio dos Prêmio Fox 2015 e dos autores participantes da Flipa 2015, e mais sessão de autógrafos e o encerramento, às 22h.

Sobre o patrono da feira* – O autor homenageado foi jornalista, funcionário burocrático da polícia civil e principalmente poeta de excepcional senso de humor no domínio da poesia. Jaques Flores (como gostava de ser conhecido o cidadão Luiz Teixeira Gomes, nascido em 1898) em Belém viveu a vida toda que terminou a 12 de dezembro de 1962.

Precocemente órfão de pai, aos 15 anos de idade, saiu dos bancos escolares do Primário direto a uma oficina gráfica – e o convívio com livros que imprimia despertou nele o escritor e jornalista. O tipógrafo fez nascer o poeta, que participou da renovação provocada pelo movimento modernista de 1922, atuando intensamente na “Associação dos Novos”.

A militância no jornalismo notabilizou-o como cronista irreverente, cheio de verve, tornando-o um dos raros poetas críticos do Pará. O modernismo conduziu-o à utilização intensiva do linguajar caboclo, permeando de regionalismos toda a sua obra, tanto em poesia como em prosa. Como jornalista, fez centenas de crônicas, exercendo extraordinário senso crítico, para o jornal Folha do Norte, onde trabalhava. Foi autor também de conferências e trabalhos avulsos, publicados ao longo da vida.

Muitos de seus trabalhos permanecem espalhados pelas páginas de jornais e revistas, para os quais colaborou também sob outro pseudônimo que usava, “Zé Paraense”, desandando ferinas críticas sobre tudo e todos, particularmente contra os escândalos públicos.

Ocupou cadeira na APL a partir de 1946. Embora casado e com seis filhos, nunca deixou de ser boêmio, a ingênua boemia de então. Dessa época, contam-se deliciosas histórias de Jaques Flores e seu grupo, entre os quais compareciam o poeta De Campos Ribeiro, a cronista Eneida (depois cronista do jornal Diário de Notícias, no Rio de Janeiro, criadora do célebre “Baile do Pierrô”*).

Livros: Berimbau e Gaita. Poesia humorística. Belém, 1925; Cuia Pitinga. Poesia, 1936; Vespasiano Ramos. Ensaio, 1942; Panela de Barro, 1947; e Obras Escolhidas de Jaques Flores. Belém, CEJUP, 1993.

* As informações sobre Jaques Flores são do blog Acervo da Graphia - http://acervodagraphia.wordpress.com/category/jaques-flores/)

"Ópera Profano" faz nova temporada em Belém

Um travesti rouba a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré e a esconde dentro do Cine Ópera, um cinema dedicado a exibição de filmes adultos, frequentado por transgêneros, garotos de programa e homens da classe média. 

É esta a temperatura de “Ópera Profano”, espetáculo com dramaturgia de Carlos Correia Santos, que fica em cartaz de 14 a 18 de outubro (terça a sábado), sempre às 20h, no Porão Cultural da Unipop. 

A montagem da Companhia Teatral Nós Outros, que estreou em 2010, é um drama com atmosfera underground, adaptada do texto do autor, vencedor do Prêmio Literário Cidade de Manaus de 2005. É dele que surge no palco, um musical, reunindo atores, cantores, bailarinos, coreógrafos, músicos e cenotécnicos, além de um repertório com cerca de 17 canções autorais, compostas para o projeto. Nesta nova temporada, há novidades em cena.

Na trama, a travesti Tota provoca um tumulto na capela de onde sai a procissão da trasladação. Em meio à confusão, ele furta a imagem da Santa e a leva para o Cine Ópera, um tradicional cinema de filmes pornográficos que fica localizado, a poucos passos da Basílica de Nazaré.

Tudo isso tem uma razão afetiva: Tota quer realizar o sonho de sua colega travesti Baby que, dentro do cinema, está lutando contra as complicações decorrentes do HIV. Baby sonha em se aproximar de Nossa Senhora e rezar por um bom descanso.

Paralelamente, acontece o encontro de Lucas, um garoto de programa; Ângelo, jovem que frequenta o local sem que a família suspeite, e a decadente travesti Mira que, na juventude teve um filho que não vê e nem tem notícia há muitos anos.

Em outra situação, também dentro do cinema, três misteriosas figuras femininas transitam por entre os personagens, sem serem vistas, e tentam entender por qual razão todas aquelas vidas são completamente ignoradas pela sociedade.

“A montagem desse texto foi um desafio que abracei de forma intensa. A dramaturgia propõe um mergulho muito inusitado, delicado e humanista num universo que a sociedade insiste em deixar à margem. Num tempo em que se tem discutido cada vez mais a homofobia, vamos falar também um pouco do direito que o universo LGBT possui de ter sua fé, seus cultos religiosos. Por que Maria não pode estar onde travestis e garotos de programa estão?”, diz Hudson Andrade, diretor do espetáculo.

A peça surge de um processo de oito meses de estudos sobre o universo LGBT, realizados através de eventos, como o Terças Profanas. Ao mesmo tempo em que os atores eram instrumentalizados, o público também participava, tendo a cesso a informação e opinando sobre os temas. O projeto, ao longo de três semanas, abordou: violência homofóbica, direitos homoafetivos e a convivência com o vírus HIV. Participaram desses encontros artistas e estudiosos, como Helder Bentes, Kauan Amora, Rafael Ventimiglia, Hugo Mineirinho, Eduardo da Amazônia, Iracy Vaz, Bruna Lorrane e Milton Ribeiro.

Para o autor, a nova encenação captura de forma apurada a essência de sua obra. “Estou muito feliz com a visão do Hudson para o meu texto.

A direção dele, além de respeitar o texto, manteve a essência dark que ele tem. Conseguimos produzir o que eu sempre quis, que é um espetáculo com tons de ópera rock” diz Correia, que também estará em cena, cantando e tocando, através de seu selo Versivox.

A versão atual da Nós Outros para “Ópera Profano” traz no elenco Nilton Cézar (Baby), Luiz Girard (Mira), Jadylson de Araújo (Tota), Danilo Monteiro (Ângelo), Heythor Costa (Lucas), Marlene Silva (A Misteriosa), Lady Guimarães (Conselheira 01) e Karina Lima (Conselheira 02).

Na trilha, ao vivo, junto a Correia Correia Santos (melodias, violão, voz, direção musical), estão o guitarrista Angelo Silva (arranjos e execução de guitarra) e baixista Pedro Soares (arranjos e execução de baixo). A direção de luz é de Sônia Lopes e os figurinos, de Hudosn Andrade, com assessoria de Aníbal Pacha. O diretor assina ainda a cenografia.

Serviço
Ópera Profano, montagem da Companhia Teatral Nós Outros. Dias 14, 15, 16, 17 e 18 de outubro, às 20h, no Porão Cultural da Unipop (Senador Lemos, 557, entre Dom Pedro I e Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: R$ 20,00 com meia para estudantes. Apoio: Unipop, Atores em Cena, Casa da Cultura Digital Pará, Versivox e Parla Página. Ingressos: R$ 20,00 ou $R 10,00 para estudantes (meia). Produção não recomendada para menores de 18 anos (contém cenas de nudez e violência emocional).

(postagem com informações da Parla Página - assessoria de comunicação - com edição do Holofote Virtual)

9.10.14

Festival de Cinema de Parauapebas abre inscrições

A sexta edição do CurtaCarajás – Festival de Cinema de Parauapebas – Pará, está com as inscrições abertas para as suas mostras competitivas, até 24 de outubro de 2014. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis em seu sítio: www.curtacarajas.com

Este ano há novidades. Além da principal mostra competitiva nacional de curta-metragem, o festival incluiu mostra competitiva de documentários amazônicos para realizadores da região da Amazônia Legal. Ambas as mostras oferecem premiação em dinheiro (R$ 20 mil reais distribuídos por categoria). Outra boa nova é o lançamento do edital Prêmio CurtaCarajás de Estímulo à Produção Audiovisual Paraense para realização de WebDocumentário, no valor de R$ 10 mil reais.

A programação se estende de 28 de novembro a 06 de dezembro, na praça de eventos em Parauapebas, incluindo mostra paralela para filmes convidados, oficinas, fórum de discussão e shows. O Fórum do Audiovisual Paraense discute o importante momento da cena audiovisual no estado, com a participação de entidades do setor nas esferas nacional e estadual e com realizadores e produtores paraenses.

Parauapebas, cidade localizada no sudeste paraense, conhecida nacionalmente pelas suas riquezas minerais do grande vale de Carajás e sua floresta nacional, vem desde 2009 realizando o festival que este ano chega a sua sexta edição contínua, se tornando uma importante janela de difusão da cinematografia brasileira na região norte e pólo de fomento à produção audiovisual na região e no estado.

O CurtaCarajás possibilita de forma gratuita o acesso do público a um panorama da recente produção cinematográfica brasileira, de realizadores independentes a grandes produções nacionais, além de oferecer formação através de cursos, oficinas e workshops.

Serviço
CurtaCarajás 2014 – 6º Festival de Cinema de Parauapebas – Pará. De 28 de novembro a 06 de dezembro. Realização: Labirinto Cinema Clube – ACCET. Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de Parauapebas. Coordenação Geral: Ivan Oliveira. Mais informações: festival@curtacarajas.com
Site: www.curtacarajas.com e  www.facebook.com/curtacarajasfestcinema

2.10.14

Miasombra estreia com novidades no Pauta Mínima

A arte milenar de contar histórias com sombras é o foco do grupo Miasombra que surgiu com a pesquisa desta linguagem para a montagem do espetáculo “À Sombra de Dom Quixote”, em cartaz, a partir desta quinta-feira, 2, até domingo, 5, com sessões sempre às 20h, no Teatro Cuíra  - Edital Pauta Mínima.  Em sua terceira temporada, o espetáculo se mostra, mais uma vez, revisitado, sempre experimentando luz e sombra e trazendo novos resultados. 

A experimentação em busca de resultados que contemplem as novas apresentações é o desafio do grupo. A cada nova dimensão física de espaço, um novo espetáculo. O Mia Sombra formatou "À Sombra de Dom Quixote", no Estúdio Reator (2010/2011), e o reinventou na temporada no Sesc Boulevard (maio de 2014).

“Outro dia conversávamos sobre uma companhia de teatro que se apresenta com o mesmo espetáculo, há mais de dez anos e de como eles o resignificam, sempre que o mesmo é encenado. Desejo isso para o nosso espetáculo. A renovação sempre”, continua Milton Aires, que integra tanto o universo da encenação, como o da produção, dentro do projeto.

“O  Cuíra é o maior espaço que vamos ‘enfrentar’. E o processo de experimentação que norteia o projeto, está ligado às potencialidades e dificuldades que os espaços nos impõe a cada montagem. Desta vez, as necessidades de resoluções técnicas vão estabelecer um confronto direto com a nossa relação com o espetáculo no sentido de termos que abrir mão de alguns elementos estéticos”, considera David Matos, o diretor, que assina também a dramaturgia do espetáculo.

Em cena, a história de Dom Quixote, ganha um novo viés. A ideia do projeto era buscar a essência desse cavaleiro que existe em cada um de nós e não recontar a história do personagem. 

“No espetáculo, nossos cavaleiros enviam cartas ao Sr. Quixote para que ele não desista de seu sonho, de sua Ducineia. E é como se estas cartas fossem enviadas a nós mesmos, aos nossos Quixotes internos, para que não desistamos de nossos sonhos e desejos”, observa Milton Aires.

 “A sombra é um personagem que nos leva ao encontro com um quixote que estaria situado em uma pós obra do Cervantes, à sombra, a margem ou em algum lugar não muito claro”, diz ele. 

“O teatro de sombras, nesse espetáculo, nos ajuda a chegar próximo dessa imagem de um sonho inacabado. Nesse sentido outros elementos somam-se a sombra, como a presença dos atores e bonecos, tão importantes para a encenação, como a Luz e a escuridão”, complementa o ator que realizou, em 2009, um sonho, ao concretizar o espetáculo, ao aprovar seu projeto no Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz. Ali um desafio se impôs não só a frente de seu núcleo iniciático, mas a todos que foram se envolvendo e formam hoje o coletivo.

À sombra do Oriente - O teatro de sombras é uma das mais antigas manifestações teatrais do Oriente, presente em países como Índia, Indonésia, Tailândia, Sri Lanka e China. Por isso é que durante muito tempo, tanto na Europa quanto aqui no Brasil, nós conhecíamos o Teatro de Sombras como Sombras Chinesas. 

O interesse por essa arte vem crescendo de modo significativo no país, nos últimos anos, o que é possível confirmar quando nota-se a existência de grupos dedicados a ela em São Paulo, nos trabalhos da Companhia Quase Cinema, o Grupo Sombras e Lendas e a Companhia Fios de Sombra; em Curitiba, com o Grupo Karagowzk; em Porto Alegre, com a Companhia Lumbra Teatro de Animação. Há ainda grupos que montam vez ou outra um espetáculo com sombras. 

Não é o caso do Miasombra, cujo interesse é o teatro de sombras só que com um querer a mais. “Nós já experimentamos e continuamos a experimentar este espetáculo, mas agora acho que chegou a hora de assumir. Queremos fazer cinema, com o teatro de sombras”, disse David Matos, durante um dos ensaios do grupo para esta nova temporada.

De fato. A reprodução da realidade já não é o que estimula os artistas, que se interessam pela recriação do real, utilizando diversos processos criativos, como a sombra de silhuetas recortadas em diversos tipos de materiais; a sombra obtida com objetos tridimensionais; e as sombras corporais. E isso tudo junto, bem pode ser cinema.

“O trabalho que faço nas oficinas de roteiro que ministro têm influenciado cada vez mais no espetáculo, porque nossa pretensão sempre foi dar ao espetáculo uma característica de narrativa cinematográfica. Estamos cada vez pensando nessa transformação da dramaturgia teatral para a estrutura dramática do cinema”, explica David Matos, diretor, que assina também a dramaturgia grupo.

O Miasombra mistura todos estes processos, fruto de um dramaturgismo, que Milton Aires explica caber perfeitamente na figura do direto David Matos. “O dramaturgista é uma especie de "demiurgo" que acompanha, orienta e evidência peculiaridades da carpintaria da criação de um processo teatral, conduz de forma colaborativa o processo. David, além de ser o nosso olhar de fora da cena, o diretor do espetáculo, também exerce esse papel em nossa rotina de trabalho. Ele significa, provoca questões e cria junto conosco as resoluções estéticas e dramatúrgicas que o espetáculo deve ter e como essa criação vai chegar até o público”, diz Milton.
    
Através da coletividade e compartilhamento de informações, o grupo ainda tem mais planos para o seu Dom Quixote, que continuará sua jornada. Para David Matos, tudo é possível, pois a maior dificuldade que inviabilizaria qualquer projeto seria a falta de generosidade, e quanto a isso não há dificuldade para o grupo.

“Porque é isso que somos, é o que fazemos entre nós, é o que doamos para o projeto: generosidade. Seja ela de tempo, conhecimento, limitações, tudo. Nos reencontros ou quando estamos longe é isso que nos une. Simples assim”, finaliza David.

Serviço
À Sombra de Dom Quixote”, de 2 a 5 de outubro, no Teatro Cuíra - Rua 1 de Março, bem na esquina da Riachuelo. O ingresso custa R$ 10,00 com meia entrada a R$ 5,00, para estudantes. Mais informações: 91 8134.7719.