28.8.15

Rabeca e violino em um duelo de música e poesia

Em novembro vamos ver por aqui “O Duelo da Rabeca com o Violino”, manifesto poético de amor à arte instrumental das cordas. O espetáculo ganha apresentação em Belém, no Teatro Gasômetro - Parque da Residência, onde também será realizada uma aula espetáculo.

O projeto armorial une o erudito e o popular e faz homenagem a Ariano Suassuna. Viaja com dois mestres de raça negra que, inspirados pela música, seguiram caminhos distintos, um imerso na cultura popular e outro imerso na cultura erudita.

Os dois são pernambucanos. Maciel Salu, na Rabeca, é filho primogênito do saudoso Mestre Salustiano. Já o Maestro Israel França tem carreira internacional. Mestres em seus instrumentos, eles irão demonstrar a pluralidade dos ritmos pernambucanos como coco, ciranda, xote, baião e as variedades sonoras do frevo considerado Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade, juntamente com clássicos de Vivaldi, Beethoven e Bach. 

O projeto  inicia sua tournê nacional, na próxima semana, a partir de 1º de setembro, passando pelas cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e chegando a Belém no dia 20 de novembro, para depois seguir para Curitiba, Salvador e retornar a Recife. 

Em cada cidade realiza duas atividades gratuitas para o público: Além dos espetáculos, gratuitos, também são realizados em paralelo encontros de vivência para alunos de música de projetos sociais e público em geral. 

Vivência de Vida – a aula espetáculo é também aberta a todos os públicos, mas com foco em alunos de música de projetos sociais, escolas públicas e todos que queiram assistir a um duelo onde quem ganha é a música. 

O projeto é uma realização da Margot Produções e Eventos Ltda empresa cultural de Recife (PE) com foco em espetáculos teatrais, com patrocínio dos Correios e produção da Três – Cultura Produção Comunicação e apoio do Holofote Virtual, em Belém do Pará.

Serviço
Para mais informações, as escolas e instituições interessadas em ter seus alunos participando do projeto, devem entrar em contato com a produção local pelo e-mail tr3sprodutora@gmail.com ou pelo telefone 91 3088.5858 / 91 98134.7719.

Oportunidades de apreender e navegar a Amazônia

Vão três dicas pra quem tá cansado do asfalto. A oficina Fotografia de Viagem, com o fotógrafo e educador Rafael Araújo, de 1 a 8 de dezembro, chegando à região do Tapajós; o XIX IFNOPAP, de 14 a 20, e o Nortear, de 12 a 15, ambos se misturam um tanto em novembro, seguindo para a região do Marajó. Anotem aí. As inscrições estão abertas!

O IFNOPAP é uma das mais importantes ações acadêmicas, educacionais, culturais e ambientais do estado. Embarcados em um navio, pesquisadores, artistas, jornalistas, cineastas e estudantes, entre outros estudiosos de diversas linguagens navegam através dos rios por municípios da região, ofertando minicursos, palestras e oficinas de diversas áreas científicas, compartilhando conhecimentos e apreendendo com a população das cidades onde a embarcação atraca. 

Este ano, o programa CAMPUS FLUTUANTE/IFNOPAP realizará o XIX ENCONTRO no período de 14 a 20 de novembro de 2015, com o tema “De volta ao Marajó, com vistas à Biodiversidade, Cultura e Sustentabilidade”, chegando aos municípios de Portel, Melgaço, Breves e Bagre. 

As primeiras edições foram realizadas em ambientes da UFPA, em Belém, mas a necessidade de deslocamento aos locais de origem das narrativas, para coleta das histórias, acabou provocando o surgimento do primeiro seminário embarcado do campus flutuante. Até agora, já recolheu mais de 5.300 narrativas, coletadas de 116 municípios do Pará. Atualmente o projeto abrange diversas áreas de conhecimento e passou a atender as comunidades das cidades por onde passa.

Desde sua criação, o IFNOPAP já reuniu centenas de pesquisadores e já visitou mais de 30 municípios paraenses. Como resultado dos seminários e trabalhos de extensão realizados, as viagens do campus flutuante da UFPA já renderam 23 livros publicados, 30 dissertações, 08 Teses de Doutorado, inúmeras Monografias de Especialização e TCCs, além de 10 documentários, 04 curtas e 06 CDs.

Inscrições - Os interessados em participar este ano, devem ficar atentos ao período de inscrição. Para a submissão de propostas de oficinas, minicursos e programação sócio-culturais, o período de inscrição vai de 20 de outubro.  O edital com todas as informações para submissão de propostas e a ficha de inscrição individual estarão disponíveis a partir do dia 30 de março, no blog do projeto: ifnopap.blogspot.com.br

Norteando pelas beiras

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O Projeto NORTEAR vai de 12 a 15 de novembro, iniciando pelo seminário "A Imagem Compartilhada" realizado no barco de viagem que levará os viajantes até o local de experimentação, na Reserva de Caxiuanã.  Será ministrada por Jorge Bodanzky, Alexandre Sequeira, Adriana Komives e Luiz Adriano Daminello. O objetivo é orientar as propostas que os 
participantes realizarão durante a Residência.

Trata-se de um encontro artístico, uma experiência em realização audiovisual e fotográfica, durante viagem de barco pelos rios da Amazônia, parceria com o XIX Encontro Internacional do IFNOPAP / IX Campus Flutuante da UFPA (veja box ao lado).

Uma expedição reveladora, registrando em imagens e sons novos pontos de vista sobre a região, a floresta, o rio, os povos e sua cultura. Em 2015, serão 9 dias, percorrendo de barco a região ribeirinha da Ilha do Marajó.

A experiência acontece sob orientação de renomados artistas, como a cineasta Adriana Komives da escola de cinema Ateliers Varan (França), o fotógrafo e artista plástico Alexandre Sequeira (Pará) com trabalhos expostos internacionalmente e Jorge Bodanzky (São Paulo), um dos cineastas mais atuantes na região amazônica. A coordenação do projeto é do cineasta e diretor de fotografia Luiz Adriano Daminello, professor e coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará.

Mais informações e inscrição: http://luadridam.wix.com/expedicaonortear2015

Oficina pra vivenciar o Tapajós

Entre os dias 1 e 8 de dezembro, pela Fotoativa, será realizada a nova edição da oficina Fotografia de Viagem com o fotógrafo e educador Rafael Araújo, que desta vez propõe uma imersão de quatro dias, nas águas dos Rios Tapajós e Arapiuns, na região Oeste do Estado do Pará.

Com uma proposta de 40 horas/aula, a atividade está dividida em dois encontros prévios, na cidade de Belém, para estrutura e planejamento da viagem, e quatro dias de imersão, em barco próprio, com toda alimentação incluída – café, almoço e janta, além de água, sucos e refrigerantes durante os dias de viagem. O pacote não inclui o deslocamento até a cidade de Santarém.

Rafael Araujo é natural de Belém-PA. Formado em administração de empresas e comunicação social, com pós-graduacão em Práxis e Discurso Fotográfico na UEL-Universidade Estadual de Londrina-PR, depois de um tempo dedicado à propaganda, largou a vida entre quatro paredes para cair de cabeça no mundo das imagens. 

“Nascido e criado” nos rios, furos e igarapés da região, Rafael desenvolve seu trabalho autoral documentando o cotidiano e tradições da cultura amazônica e os impactos sofridos por elas em virtude dos efeitos do “desenvolvimento” humano. 

Possui publicações em revistas locais e nacionais e já realizou trabalho para diversas ONGs e agências de publicidade de dentro e fora do Estado do Pará (Getty Images, Guará Imagens, Futura Press, Revista Nova Escola, Revista Exame, Revista Época, Revista Horizonte Geográfico, Itaú Cultural, Imazon, Instituto Peabiru, The Nature Conservancy, Fundo Vale, TEDxVer-o-Peso, Editora Globo).

Inscrição: https://docs.google.com/forms/d/1-DJkLAeu1auVJT3Uf2vAQioPBM8fYGMUAKdSj64hReY/viewform

Mais informações: http://www.fotoativa.org.br/wp-content/uploads/2015/08/VivenciaTapajos_com-RafaelAraujo_2015.pdf

Companhia de dança curitibana aterrisa em Belém

A precariedade das relações humanas, o desamparo e a solidão na modernidade degradada são motes para “Quando se calam os Anjos”, da Curitiba Companhia de Dança, que se apresenta sábado, 29, às 16h e no domingo, 30, às 20h,  no V Encontro Contemporâneo de Dança.

Depois de lotar salas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e recentemente do Mova-se Festival de Dança, em Manaus, chega a Belém o espetáculo inédito com direção coreográfica de Airton Rodrigues, bailarino e coreógrafo do Ballet Teatro Guaíra.

“Quando se calam os anjos” transporta para o palco o universo pós-moderno virtual do século XXI, onde as relações entre as pessoas, construídas sem grandes obstáculos através de um simples “clique” no computador, se tornam cada vez mais vulneráveis e facilmente descartadas, revelando a idéia de ”ser líquido”, que o sociólogo Zygmunt Bauman utiliza para caracterizar a fragilidade dos laços humanos, uma vez que nada é sólido e para durar.

“Ao mesmo tempo em que a tecnologia e a internet aproximam pessoas e propiciam a troca de informações e ideias num espaço de tempo nunca antes imaginado, levam ao descompromisso e à banalização dos sentimentos; estamos conectados em rede, mas sós. E esse paradoxo surgiu com muita intensidade durante o processo de criação”, revela o coreógrafo.

Nicole Vanoni,  diretora artística da companhia  que também compõe o elenco junto com outros 15 bailarinos, aponta “a indignação com a indiferença frente à violência impregnada na sociedade e o sentimento de impotência que nos tira a responsabilidade por este estado das coisas” como ignição para a concepção do espetáculo.

“E essa angústia e incapacidade de lidar e resolver questões nada sutis da vida contemporânea são traduzidas na fisicalidade vigorosa dessa jovem companhia com uma dramaturgia que se constrói com pinceladas de ironia, sensualidade e inquietude”, sinaliza.

Além de “Quando se calam os anjos”, a companhia tem em seu repertório  outra obra coreográfica: A Lenda das Cataratas, com concepção de Rafael  Zago, que circulou pela região Sul do país em 2014. Atualmente a companhia conta com 16 artistas de vários estados do Brasil, com currículo e formação consolidada com os melhores profissionais da dança do país.

Mesmo com esta breve carreira, a companhia já participou de festivais no Brasil e no exterior e investe na formação integral do seu elenco privilegiando uma rotina de trabalho corporal intensa, dentro das técnicas mais contemporâneas e apropriadas para a proposta da Curitiba Cia. de Dança.

Ficha Técnica

  • Direção Geral e Artística: Nicole Vanoni
  • Concepção Coreográfica: Airton Rodrigues
  • Elenco/Curitiba Cia de Dança: Ana Claudia Moreira, Antonio Adilson Junior, Beatriz Caravetto, Betina D'Agnoluzzo, Clarissa Cappellari, Erika Bartaline, Leonardo Lino, Luana Teodoro, Natanael Nogueira, Nathalia Tedeschi, Nicole Vanoni, Raul Arcangelo, Ricardo Alves Pereira, Rodrigo Leopoldo, Tatiana Araujo e William Sprung
  • Assistente de Direção: Claudio Fontan
  • Ensaiador: Antonio Adilson Junior
  • Trilha Sonora: Raul Arcangelo
  • Figurino: Paulinho Maia
  • Projeto de Luz: Osvaldo Gazzoti
  • Produção/Edição Audiovisual: Raul Arcangelo e Rafael Dorta
  • Preparação Corporal: Viviane Cecconello e Leandro Lara Santos
  • Direção de Produção: Radar Cultural Gestão e Projetos - Solange Borelli

Serviço
Espetáculo “Quando se calam os anjos”. Nos dias 29 (sábado), às 16h, e domingo (30), às 20h. No  Teatro Claudio Barradas – Rua Jerônimo Pimentel, 546. Classificação Indicativa: Livre. Incentivo do Ministério da Cultura (por meio da Lei Rouanet).

27.8.15

Vertigem leva seu “Trunfo” às praças de Belém

Fotos: Débora Flor
Em cena, munidas de equipamentos de circo e manipulando cartas do Tarô, estão Marina Trindade, Katherine Valente e Inaê Nascimento, atrizes que estudaram a encenação de onze atos, que compõem o jogo do espetáculo intitulado "Trunfo". Cada um deles está relacionado a uma das cartas representativa do tarô, que foram artisticamente elaboradas para as cenas. “É um Jogo, além do jogo de cena, do teatro em si.”, diz Paulo Ricardo Nascimento, diretor do espetáculo.

Depois da pré estreia, na semana passada, no Casarão do Boneco, “Trunfo”, Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013, ganha as ruas, com apresentações nesta quinta, 27, e na sexta, 28,  às 17h, na Praça D. Pedro I, e dias 3 e 4 de setembro, às 20h, na Praça da República.

O espetáculo envolve o espectador desde o primeiro momento. O público é convidado a escolher as cartas que vão reger a encenação. As atrizes ainda as embaralham antes de ordená-las para a leitura. As interpretações vão guiando Marina, Inaê e Katherine.  Em cada apresentação, uma nova combinação de cinco cartas é sugerida. Dificilmente uma sequencia se repetirá.

“Trunfo é um desafio para as atrizes, que se deparam sempre com sequências ainda não experimentadas, e também para os operadores técnicos de som e luz, que precisam fazer uma espécie de nova edição de movimentos junto com as meninas no palco”, explica Paulo Ricardo, que também aposta: “os que gostam de Tarô vão querer ver sempre”.

“A montagem de Trunfo iniciou vários meses atrás, passando por um processo de criação e oficinas que trabalharam o corpo do improviso, leituras e tempestades de ideias para chegar às cenas que são guiadas a partir das cartas que o público tira no início do espetáculo”, explica a atriz Marina Trindade.

Elaborado de forma colaborativa, "Trunfo" é fruto de uma profusão de cabeças criativas do teatro realizado em Belém.  “O trabalho com o Vertigem é muito colaborativo, assim como todo o processo de construção criativa, desde os cafés-tarôs que realizamos reunindo várias pessoas convidadas, até o processo de produção e coordenação ao lado da Marina. A ficha técnica é enorme porque aqui existe o exercício constante de se ouvir e trocar”, diz Tainah Fagundes, da produção executiva.

O encontro com o Tarô

Ainda que de carreiras recentes, Marina, Inaê e Katherine acumulam experiências diversas que as colocam em lugar ora de conforto, ora de desconforto dentro do jogo de cenas. Elas formam o grupo Vertigem, que vêm a alguns anos investigando o universo cênico do circo, quando se depararam, em 2013, com o universo do tarô, uma sugestão trazida ao grupo por uma delas.

“Foi a Inaê que trouxe a proposta do Tarô para o espetáculo. Em principio ela queria trazer apenas as imagens das cartas para o tecido aéreo, mas pensamos que poderia ser algo mais”, conta Marina Trindade, que diz nunca ter tido um interesse maior pelo tarô antes do espetáculo.

Já Inaê, que estudou oceanografia para depois mergulhar no teatro e circo, diz que o tarô está em sua vida desde pequena, porque havia cartas em casa. “Eu estava sempre curiosa e meu pai acabou me dando um tarô mitológico, que eu não tinha noção do que ele representava e eu usava pra contar as histórias da mitologia grega que eu reconhecia nele pra minha irmã casula”, diz ela, que depois aprofundou seu interesse e não deixou mais de consultar as cartas.

“O tarô pra mim é um super conselheiro, sempre que eu preciso clarear um sentimento ou pensamento tiro uma carta ou faço um jogo. Enfim, uso o tarô como uma ferramenta de meditação e autoconhecimento”, revela.   

A curiosidade também foi o caminho da atriz Katherine para seu encontro com o Tarô. “Sou uma curiosa! Já tinha tido um contato com cartas de tarô no grupo que eu fazia parte. Por lá tive a oportunidade de fazer alguns jogos... Sempre ‘pescando pelas beirinhas’, uma coisa aqui, outra lá, mas nada tão profundo”, conta.

Circo - lugar de passagem

Embora as atrizes do projeto Vertigem venham cada uma de uma experiência diferente nas artes, é o universo do circo que as une. “Acho que assim como no teatro, o circo em Belém, tem vários momentos e hoje, pós oficinas, principalmente no Curro Velho e na Cia Atlética, estamos em um momento de grande troca, de produção, tem grupo saindo pronto do Curro Velho, amigos indo se apresentar fora do país, em circos... Na verdade os caminhos do circo são diversos, ainda mais hoje com a contemporaneidade, tem gente que trabalha em eventos, espetáculos pra crianças, na rua, com malabares, passando o chapéu”, diz.

Marina acredita que o circo em Belém hoje é um lugar da diversidade, mas ainda falta apoio e políticas públicas que fortaleçam o que o edital da Funarte vem construindo em todo o país, com estes prêmio de montagem e circulação.

“A gente ainda não se reconhece enquanto iguais, não temos uma associação, uma organização e isso gera dificuldades, deixa a desejar, mas tudo é um processo, o circo é um lugar de passagem, as pessoas estão sempre transitando. Não é como em São Paulo e Rio de Janeiro, onde você já encontra circos fixados na cidade”, desabafa.

Para Inaê, fazer circo em Belém é um risco... “Acho que ser artista é muito arriscado. É financeiramente instável, as políticas públicas que existem não são coerentes, principalmente pra Amazônia, as pessoas não botam fé, exige uma perseverança, uma vontade muito grande pra fazer arte. Ser artista circense então soa quase surreal. Boto muita fé nas pessoas que vivem de e para fazer arte, seja qual for. É muito corajoso, é muita resistência”, dispara.

Já Katherine, diz que o circo é também como fazer teatro! “Você trabalha muito, sofre muito, mas o pagamento vem quando você vê que o seu trabalho tocou especialmente alguém”, ressalta.

O jogo da cena e a cena do jogo

Focadas no novo espetáculo do Vertigem, Marina, Inaê e Khaterine, dizem que a experiência em “Trunfo” tem sido de crescimento e aprendizado. O desafio é encarado com afinco e generosas contribuições que cada uma traz ao grupo de suas origens diversas.

“Tenho uma experiência maior talvez com manipulação de objetos, mas a gente busca ousar a apresentar sempre algo novo. Eu trouxe um novo malabares pra cena, o Bugeng, que poucas pessoas usam hoje em Belém. Também trabalho com a lira, um equipamento aéreo, que comecei a treinar para este espetáculo. Tudo isso vem nos permitindo aperfeiçoamento. Eu tento contribuir com um olhar mais artístico, com a minha experiência com dança e ginástica rítmica também, mas tudo é treinamento”, diz Marina.

Em cena, as meninas precisam dar o texto, fazer acrobacias e encenar ao mesmo tempo. “Isso pra mim é bastante difícil, principalmente porque não tenho base de teatro. Fazer acrobacia é brincadeira, exige preparo físico, treinamento técnico, condicionamento, segurança, mas é "molecagem", mas fazer isso dando texto e encenando exige uma bagagem técnica e uma concentração que me falta. Às vezes fico perdidinha, exausta, dá vontade de dizer "Falô! vou voltar a ser só público", brinca Inaê.

Para ela, o maior trunfo do "Trunfo" é a plateia. “Pessoalmente, é o terceiro espetáculo que eu faço, e a cada processo de criação é um aprendizado. Acho que a grande sacada do Trunfo é o público tirar a nossa sorte. Toda apresentação será um Trunfo diferente e único. As pessoas vão ter que assistir todos os dias! Hehehe”, comenta.

Katherine acredita que o espetáculo maior é o encontro que Trunfo proporciona entre pessoas e das pessoas com a metáfora das cartas. “Eu acho que o maior trunfo do Trunfo é agregar! Agregar diversas técnicas, agregar plateia e atuantes em jogo, agregar a magia material e física com a magia simbólica”, diz.

Ficha técnica: 
Elenco: Marina Trindade, Inaê Nascimento e Katherine Valente / Direção: Paulo R. Nascimento / Criação de Cenas: Inaê Nascimento, Marina Trindade, Paulo Ricardo Nascimento, Tati Benone, Katherine Valente/ Trilha Sonora: Armando de Mendonça/ Operação de Sonoplastia: Armando de Mendonça e Paulo Ricardo Nascimento/ Cenografia: Starllone Souza/ Confecção das cartas: Victoria Rapsodia/ Figurino: AnibalPacha, Nanan Falcão/ Iluminação: Malu Rabelo/ Assistência Técnica de Luz: Lucas Alberto/ Logística: Rafael Café, Juan Cabral e Paulo Ricardo Nascimento/ Consultorias Artísticas: AnibalPacha; Michele Campos de Miranda; Tati Benone; Marcelo Siqueira David (Feijão).

Realização: Projeto Vertigem
Coordenação de Projeto: Marina Trindade
Produção e Comunicação: Três Cultura Produção Comunicação
Produção Executiva: Tainah Fagundes
Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiros
Fotografia: Débora Flor
Arte Gráfica: Lucas Gouvea

Agradecimentos: AnibalPacha; Dandara Nobre; Iolane Nobre; Kátia Fagundes; Luana Weyl; Mariléia Aguiar; Tainah Fagundes; Tati Benone; Victória Sampaio; Luana Peixoto; Mayara La-Roque; Maria Esperança; Débora Flor; Michele Campos; Virginia Abasto.
Patrocínio: Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013
Apoio: Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo
Mais Informações: www.facebook.com/projetovertigem /projetovertigem@gmail.com

Serviço
“Trunfo". Dias 27 e 28, na Praça D. Pedro II (Ver-o-peso), às 17h. Nos dias 3 e 4 de setembro, as apresentações serão às 20h, na Praça da República, próx. ao Theatro da Paz.   Produção e Comunicação: Três Cultura Produção Comunicação.  Apoio: Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo.

26.8.15

Lia Sophia comemora os dez anos do primeiro CD

Nas duas noites, o repertório do disco será cantado com convidados que marcaram aquela época, mas Lia também passeará pela carreira, cantando novos e antigos sucessos que marcaram sua trajetória. Dias 29 e 30 de agosto, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa.

Parece que foi ontem que vimos e ouvimos Lia Sophia tocando de banquinho e violão no Carpe Dien, barzinho que existia ali na Praça Amazonas, em Belém do Pará. Na época ela surgia como cantora independente, eram os anos 1990. No repertório mesclava canções pop à músicas autorais. Algo de novo surgia e quem curtia a cena musical mais ousada da cidade, vibrava. Foi um esboço ao que viria, em 2005, com o primeiro disco, "Livre", que este ano completa uma década de lançamento. 

"Livre" foi tocado nas rádios, com destaque para a música “Boca“, de Débora Vasconcelos, que acabou entrando de última hora no disco, e “Eu só Quero você”, primeira composição de Lia Sophia. Outro sucesso foi a versão de Lia Sophia para a música “Velhos Sonhos”, composição de Mapyu e Nilson Chaves, que Lia já havia gravado no CD do Mapyu e regravou no “Livre”.

O disco faz um passeio por gêneros musicais como samba, balada, música com elementos mais eletrônicos. 

“Ali estão minhas primeiras composições, minhas primeiras parcerias, as primeiras músicas tocadas nas rádios. Ele representa um grande aprendizado. Ele é total liberdade, o que eu queria na época. Só mais tarde fui escolhendo caminhos musicais e definindo uma sonoridade para cada disco”, relembra.

O show comemorativo traz também sucessos de outros trabalhos e que marcam a trajetória da artista, como as canções que faziam parte do repertório de Lia Sophia nos bares em que tocava na época.  O espetáculo reserva ainda participações especiais, que têm total relação com história desse disco e a própria história da compositora. 

Alcyr Meireles, que produziu o disco, os irmãos músicos Beto e Baboo Meireles, Renato Torres, Débora Vasconcelos e Yanna Cardoso, que segue os passos da cantora. “O show será de muita emoção pra mim e para as pessoas que acompanharam esse meu início de carreira. Vamos reviver músicas, histórias e celebrar juntos esses dez anos de sucesso”, avisa a artista.

Depois do lançamento, foram surgindo convites para outros shows, para tocar em palcos nobres, para gravar no cd de outros artistas, enfim, fui vendo que não tinha mais como voltar atrás. E comecei a sonhar mais alto. E é o que continuo fazendo até hoje”, conclui.

Reconhecida nacional e internacionalmente  - recentemente, Lia ganhou o prêmio da Global Music Awards como artista Emergente e foi indicada na revista Bilboard americana como a ganhadora da medalha de ouro - como uma das grandes cantoras brasileiras dessa geração, Lia Sophia já está em seu quarto disco e comemora sucessos como ter emplacado músicas em trilhas sonoras de novelas e minisséries globais. A artista acaba de chegar de Nova York, onde representou o país no Brasil SummerFest.

“Nesse momento do lançamento do CD Livre, eu ainda estava me acostumando com a ideia de ser uma cantora profissional. Cantar, pra mim, até então era apenas uma maneira de me sustentar, pagar as contas. 

Serviço
O show em comemoração aos 10 anos do disco “Livre” será nos dias 29 e 30 de agosto, às 20 horas, no teatro Margarida Schivasappa, do Centur. Ingressos a R$ 30 com meia entrada a R$ 15. Informações: (91) 98118-7074 ou 98721-5706.

Banda Dona Zaíra aterrissa no Tábuas de Maré

Eles possuem uma forte influência nordestina e à primeira vista você diria que fazem uma releitura do forró na era digital. Mas a paulista Dona Zaíra vai além disso. A banda é a atração desta quinta-feira, 27, no Tábuas de Maré. vai rolar a mistura de rock, música eletrônica, coco, jazz, hip-hop, cumbia, maracatu, MPB. 

Cabeça nas antenas e pés nas raízes. Beat eletrônico com sanfona, cavaco com som de guitarra, dois-pra-lá-dois-pra-cá-lá sem triângulo! Essa universalidade musical talvez explique os trajes ‘intergalácticos’, que chamaram a atenção da apresentadora e dos jurados no programa SuperStar, da Rede Globo.

A banda Dona Zaíra inaugura a sua nova fase com o lançamento do terceiro CD da banda e do show #AntenasERaízes. Música eletrônica, iê-iê-iê, carimbó, cúmbia, rock´n´roll, jazz, mpb, tropicalismo, hip hop, catira, maracatu, coco-de-roda. 

A sonoridade de #AntenasERaízes é um convite a vivenciar o forró fora dos salões de dança, com uma perspectiva diferente e livre de preconceitos. É com essa proposta de outro mundo que eles vem pela primeira vez em Belém para um show no Tábuas de Maré Sunset Bar.

Pensado como um obra de arte, o design do disco concatena as ideias sonoras e poéticas com as visuais, trazendo ilustrações que fazem referência a todo universo de pesquisa da banda, da música raiz à cultural pop. A arte do CD foi totalmente desenhada por um artista grafiteiro e traz ainda um encarte que vira pôster.

"Queremos mostrar que o forró é para todos. Você não precisa saber dançar para curtir o nosso som. A nossa proposta é provocar as pessoas para que elas dancem de acordo com a reação do corpo, independentemente de ser com outra pessoa ou sozinho", explica Diego (triângulo e coro) sobre a proposta do novo CD.

É certo que os apreciadores da dança não ficarão parados, pois o ritmo está ali, é só mexer! Mas a concepção de forró como música universal, para ser ouvida e degustada, sem dúvida dá o tom ao som do grupo.  Pra quem gosta de música regional, um convite a ouvir agradáveis surpresas, experiências sonoras e timbres novos. Para quem nunca ouviu forró ou música regional, está lançado o desafio: experimente.

E para garantir a vibe da mistura de sons, os Djs Azul, do coletivo de Djs Los Picoteros, e Deny Amaro, tocam a partir das 20h, com os sets que misturam reggae, pop e brega e outros ritmos latinos que prometem não deixar ninguém parado.

Serviço 
Show da Banda Dona Zaíra no Tábuas de Maré Sunset Bar. Casa aberta a partir das 20h – com apresentação dos Djs Azul (Los Picoteros) e Deny Amaro. Dona Zaíra entra à meia-noite.

24.8.15

17 anos de itinerância e intercâmbio cultural

"Mercedes", no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Ao
fundo, com  a bengala, o diretor paraense, Cláudio Barradas.
À esquerda da foto (Diogo Vasconcelos),  Sérgio Bacelar.
Fôlego, método e   paixão. Foi assim que o Festival do Teatro Brasileiro surgiu, há 17 anos, em Brasília. Em agosto de 2015, iniciou circulação com a cena paraibana, pelo Pará. Chegou, hoje (24), no CearáVai seguir pra Alagoas e Espírito Santo. O idealizado, Sérgio Bacelar, bateu um papo com o blog.

Ele conta que o Festival do Teatro Brasileiro começou pequeno e nem tinha este nome. Hoje o projeto se expande levando a produção teatral de um estado ao outro, possibilitando troca, intercâmbio, gerando inúmeras conexões e, sobretudo, cada vez mais estimulando a criação teatral no país, ao adentrar em escolas e no universo da arte educação. 

No Pará, mais de 14 mil pessoas participaram, se emocionaram, trocaram impressões sobre a cultura paraense e a cultura paraibana. Foram dias (04 a 15 de agosto) de intenso aprendizado, encontros, reencontros. 

A circulação exige foco, afinal é preciso recomeçar, montar nova equipe, reconhecer novos espaços, novos parceiros, interagir com a imprensa, com a mídia a fim de garantir público, em cada cidade que chega. Ao todo é como se fossem seis pequenos festivais, já que em cada estado, a programação chega a dois municípios. 

Aplausos: final da segunda apresentação de "Como Nasce um 
Cabra da Peste", no Teatro Margarida Schivasappa. 
Foto: Diana Figueroa

Quem um sonho não dança, já dizia Cazuza. E também não cansa. No dia 15 de agosto, no sábado de enceramento do festival em Belém, Sérgio Bacelar ainda tinha fôlego para estar com artistas e produtores culturais, na Casa das Artes, onde ministrou uma oficina de formatação de projetos. Compartilhou sua experiência de 20 anos de atuação na idealização e captação de projetos.

Sérgio falou sobre a questão da competitividade dos projetos e da atenção nas interpretações dos editais. “Eu sempre fui muito sintonizado com as políticas públicas pra cultura. E isso fez com que tornasse os meus projetos mais competitivos para participar desses editais, por outro lado eu também já compus comissões de seleção de editais de empresas públicas e privadas, então eu também conheço este outro lado”, disse.

A gerente de Patrocínio da Petrobrás,  pela BR Distribuidora de Cultura, que patrocina a itinerância do festival, Alena Alóe, estava presente. “Achamos que era fundamental a presença da gerente de patrocínio da Petrobras Distribuidora, para este contato direto com os grupos de teatro do Pará. Eles têm um edital muito rico, de R$ 15 milhões, só para projetos de circulação de espetáculos, mas o Pará tem participado pouco. Por isso, não exitamos em convidá-la, foi uma chance de trazer as pessoas daqui para mais perto dessa grande oportunidade”, chamou atenção.

Nascido no interior do Maranhão, Sérgio Bacelar se mudou ainda criança com a família para o Distrito Federal, onde cursou direito, mas que logo largou, antes mesmo de terminar o curso. Assim, Sérgio Bacelar mudou o rumo da conversa. Até dar início a este festival no formato que tem, porém, muitos foram os caminhos percorridos. 

Sérgio Bacelar / Foto: Divulgação
Holofote Virtual: Como foi esta desistência do Direito e como você chegou às atividades culturais?

Sérgio Bacelar: Percebi que não era ali que eu queria estar. Fui pra iniciativa privada, abri um bar, que chamava Caderno 2, porque tinha um forte argumento cultural. Lá eu comecei a produzir, tínhamos um pequeno palco e recebíamos os artistas da cidade, nos diferentes segmentos das artes e eu fui então me aproximando da produção de shows, de espetáculos. A formação em Direito acabou sendo útil. Isso me facilita muito desenvolver os projetos, e acompanhar e a entender as Leis de Incentivo.

Holofote Virtual: O festival não nasceu itinerante. Como você chegou a este formato? 

Esparrela, no Teatro Waldemr Henrique. Duas noites com a 
plateia lotada./ Foto: Diogo Vasconcelos.
Sérgio Bacelar: Eu vinha produzindo no Distrito Federal, o teatro baiano, ali nos meados dos anos 1990 e no final dos anos 90, quando a Lei Federal de Incentivo começou a ter uma projeção maior, e os centros culturais  começaram a editalizar os seus recursos, suas pautas, então eu apresentei esse primeiro projeto, que se chamou, Mostra de Teatro da Bahia. Um projeto pequeno, com três espetáculos, naquele ano era só uma apreciação dos espetáculos. 

Deu tudo muito certo, a gente fez a segunda edição, isso dentro da Caixa Cultural, mas a Caixa fechou pra reforma, o teatro fechou pra reforma. Foi também quando notei que esse projeto tava dando certo, satisfazendo o público, a mídia, o patrocinador.  Naquele ano, o chamei de Festival do Teatro Brasileiro, mas para que eu pudesse trazer outras cenas pro Distrito Federal. 

A terceira edição do projeto, sendo a primeira com o nome de Festival do Teatro Brasileiro, aconteceu em 2002, quando trouxemos a cena de Pernambuco, depois a cena Mineira. O projeto havia atingido então um grau de maturidade, incorporando em suas ações, oficinas e apresentações de rua.

A parte itinerante do projeto, o perfil nômade, cigano do projeto, começa em 2007, quando a gente faz a Cena Mineira no Rio de Janeiro. Observamos que aqueles mesmos resultados que tínhamos no Distrito Federal, conseguíamos obter também no Rio de Janeiro. E ali ficou claro que ele tinha esse perfil cigano. A partir daí seguimos pro Nordeste. Foi assim que essa ideia nasceu. 

Residência Artística, com o Garalhufas/ Foto: Diana Figueroa
Holofote Virtual: Estar em Brasília ajudou a pensar nesta possibilidade de circulação artística?

Sérgio Bacelar: Tem uma produtora em Belo Horizonte que me  diz ‘nossa, Sergio, você tinha que estar no Distrito Federal, no centro do país, pra pensar um projeto desse, que levasse espetáculos de um estado pro outro’. Bem, eu acho que é isso mesmo. Estar em Brasília contribuiu pra que eu pensasse nessa possibilidade de levar espetáculos para diferentes estados.

Holofote Virtual: Quatro estados, oito cidades. Como é que vocês organizam tudo isso, praticamente ao mesmo tempo?

Sérgio Bacelar: Para fazer isso, ao longo desses anos, precisamos desenvolver metodologias,  que são então aplicadas e transferidas para as equipes locais. Então apesar da dificuldade, o trabalho se torna possível. Afinal são quase oito pequenos festivais (em cada estado, duas cidades o recebem), que fazemos na sequência. Além disso, chegar numa nova praça, novo estado, nos estimula muito, pra entender o que esta sendo acontecendo em cada cidade, o que vem sendo produzido na cena desse estado e quando este Estado poderá, se tiver interesse, compor a programação do festival.

Holofote Virtual: Depois do Pará e do Ceará, ainda há Alagoas e Espírito Santo. Quantos espetáculos, ao todo, circulam com o festival, nesta edição da cena paraibana?

"Como Nasce um Cabra da Peste" / Foto: Diogo Vasconcelos
Sérgio Bacelar: Estamos apresentando, ao todo, 12 espetáculos, de 11 diferentes companhias. Mas nem todos circulam em todas as cidades. O Pará, por exemplo, recebeu cinco dessas companhias. Nessa programação do Pará, a gente destaca a produção de várias gerações do teatro paraibano. 

Então tem a turma mais jovem, que é o Ser Tão Teatro, com o espetáculo Flor de Macambira; tem o Luis Carlos Vasconcelos, de outra geração, um pouco mais velha, com o Silêncio Total, e temos ainda o Fernando Teixeira, com o Esparrela, mostrando também essa geração mais velha, assim como a turma do Cabra da Peste, da gang de Palhaços da Paraíba. Talvez este conjunto seja o maior destaque dentro da programação no Pará, que mostrou o que várias gerações do teatro paraibano estão produzindo.

Holofote Virtual: Qual o legado que deixa o Festival do Teatro Brasileiro, por onde ele passa?

Sérgio Bacelar: O festival deixa legado material e imaterial. Nossa proposta é fortalecer e criar elos profissionais, pessoais. Ao longo de 17 edições são muitos os frutos gerados, espetáculos montados, intercâmbios, pessoas que mudaram de residência, pessoas que se encontraram. Enfim, isso deixa muitos frutos sim.

23.8.15

Encontro de Dança abre programação no Barradas

Promover um encontro entre artistas, pesquisadores e professores de dança, a fim de difundir, dialogar e refletir sobre as tendências criativas contemporâneas da dança local e nacional. Um dos principais eventos da dança paraense, o V Encontro de Dança Contemporânea abre no dia 27 de agosto, no Teatro Cláudio Barradas, ampliando a visibilidade das companhias independentes de dança de Belém. A idealização e realização é da Cia.Experimental de Dança Waldete Brito, com coordenação e produção de Alessandra Ewerton, Caroline Castelo, Roberta Castro e Waldete Brito.

A ideia é cada vez mais reservar espaço para apresentação de espetáculos de dança, e não apenas mostrar coreografias de curta duração. 

Os aspectos da dramaturgia geral da dança, como, por exemplo, a ideia conceitual implicada na obra, os arranjos coreográficos, as múltiplas técnicas utilizadas, a organização do espaço e a singularidade estético-criativa eleita por cada artista-pesquisador para dar vida à sua obra, podem funcionar como novos estímulos geradores de outros fluxos investigativos para outras danças. Por esta razão, o formato deste evento prioriza a apresentação de espetáculos de dança, sejam inéditos ou não. 

No dia 29, às 16h, a Curitiba Cia.De Dança, fará uma apresentação para alunos do Projeto Bailarino Cidadão, Projeto de Dança Melb ,APAE e alunos bolsistas do Espaço Experimental de Dança. Neste dia, serão reservados 150 ingressos para este público alvo, e os demais ingressos serão vendidos  na bilheteria do Teatro Claudio Barradas, com o preço de R$20,00, e meia para estudantes. 

A cada ano, a coordenação do evento tem conseguido manter a participação de, pelo menos, dois grupos de dança nacionalmente conhecidos. Para 2015, a Curitiba Cia. de Dança e a Dual cena (SP), vão apresentar, respectivamente, os espetáculos: Quando se Calam os Anjos e Terra Trêmula.  Além desses espetáculos, ainda temos a chance de assistir as companhias de dança de Belém: Cia.Moderno de Dança, Ribalta Cia. de Dança, Cia Atletica de Dança, dentre outras. Além dos espetáculos, serão oferecidos cursos de dança contemporânea, Técnicas corporais para atores e bailarinos  e o curso de Dança e música.

A professora e produtora Solange Borelli, diretora da Radar Produção e produtora das companhias convidadas, ministrará uma palestra sobre Produção Cultural da Dança. Este ano encontramos novos parceiros que apostam no desenvolvimento da arte e cultural, são eles, Osmar Churrascaria, Plenu Recusros Humanos e Cia.Athletica que apoiam o evento.  

Serviço
V Encontro Contemporâneo de Dança. Período: 27 a 30 de agosto. No Teatro Universitário Claudio Barradas. Inscrição: R$15,00 – Informações: Espaço Experimental de Dança -3246 4698. E-mail: ecodanca2015@gmail.com.

21.8.15

Mostra ParÁFRICA exalta a beleza negra paraense

A exposição abre neste domingo, 23, às 15h, no Casulo Cultural, reunindo o trabalho de duas fotógrafas negras. Através de um olhar particular elas revelam a diversidade da cultura paraense, assim como eveidencia a beleza negra dentro dos seus contextos diários. 

O Pará é hoje o estado com o maior número de pessoas que se autodeclaram pretas ou pardas no Brasil, cerca de 70% dos 7,5 milhões de habitantes do Pará, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Secretaria de Políticas de Promoção e Igualdade Racial.

Foi este o desafio que inspirou Ana Carla Oliveira e Aíssa Mattos, mulheres negras que conhecem o universo cultural paraense ligado à Àfrica, que fez surgir o Consciência Negra ParÁFRICA, projeto que tem como objetivo fotografar centenas de paraenses negros, motivar debates e provocar olhares para esta população. 

“Fotografamos essas pessoas em seus contextos diários, em lugares que falam de suas histórias. Historicamente a população negra do Brasil convive com o abono do Estado. 

O que causa a invisibilidade de um povo que possui fundamental importância para a formação da sociedade. Na escola, pouco se aprofunda nos debates sobre a questão negra no país, a não ser quando se fala do período de escravidão, tão somente”, revela Aíssa.

Em fotos digitais em preto e branco, as diferentes formas dos negros e negras paraenses são apresentadas com naturalidade, seja no modo como usam o cabelo, suas vestimentas e até mesmo a tonalidade da pele. De forma poética, a escolha por fotos preto e branco fazem uma analogia à resistência do povo negro. “Com grande durabilidade, elas conseguem resistir à ação do tempo sem abandonar a sua beleza e essência”, comenta Aíssa.

O projeto nasceu em novembro do ano passado, mas já deu muitas voltas. 

As imagens produzidas são material para mais de 30 exposições que já ocorreram em espaços como escolas, associações de bairro, universidades, quilombos, não somente na capital, Belém, mas nas cidades de Marabá, Baião, Ourém, Capitão Poço, Marituba, Castanhal e também em Salvador, na Bahia. 

Aíssa conta que os resultados se podem ver na mudança de comportamento, sobretudo entre as crianças e jovens, que se sentiram mais confiantes e orgulhos de sua cor. “Os professores nos contam que as crianças passam a se achar mais bonitas, já vão de cabelos soltos para a escola. Isso porque elas passam a se identificar com outras pessoas como elas”, afirma.

Serviço
Exposição ParÁFRICA, abertura no domingo, dia 23, as 15h, o Casulo Cultural - rua Frutuoso Guimarães, nº 562, Campina. Entrada franca. O Casulo Cultural, que recebe a mostra, é uma casa de artista aberta para encontros, vivências e relações entre pessoas e ideias, para a criação e difusão de saberes artísticos e culturais.

Vai baixar Mestre Verequete na Black Soul Samba

Um dos maiores ícones da cultura paraense: Mestre Verequete é o grande homenageado da Black Soul Samba desta sexta, 21 de agosto. A festa realizada na véspera de comemoração do Dia do Folclore leva ao palco do Tábuas de Maré o grupo Curimbó de Bolso, com repertório repleto de canções do ícone popular, a partir das 21h.

Com dois CDs lançados, a Companhia de Música Curimbó de Bolso vem se firmando com um expressivo expoente da chamada música regional produzida no Pará. Flertando com o rock, MPB e com a música erudita, o Curimbó de Bolso firmou sua sonoridade como uma nova forma de produzir carimbó.

Mesmo na urbanidade, o grupo mantém o cuidado na reverência aos mestres primordiais do carimbó. Nisso, Verequete recebe as devidas homenagens por sua contribuição à cultura do Pará. 

Batizado como Augusto Gomes Rodrigues, o Mestre Verequete, nasceu na localidade de “Careca”, próximo à Vila de Quatipuru, em Bragança (PA), em 1926. Gravou 12 discos e se tornou uma das maiores expressões artísticas do carimbó. Seu apelido "Verequete", foi recebido enquanto trabalhava na Base Aérea. 

Em entrevistas Mestre Verequete dizia que o apelido foi dado após ele narrar um acontecimento que viu num terreiro, quando o pai de santo cantou "Chama Verequete" e que ele narrou aos colegas de trabalho. Depois de contar, os colegas passaram a chamá-lo de "Verequete", depois o Mestre compôs um dos carimbós mais populares de sua carreira e também da música parasense: “Chama Verequete”.

Tema de diversas publicações acadêmicas, Mestre Verequete também foi imortalizado em filme com o mesmo nome, dirigido por Rogério Parreira e Luiz Arnaldo Campos. Morto em 2009, o Mestre continua sendo fonte de inspiração e aprendizado para quem mergulha no universo do carimbó.

O vocalista e fundador do Curimbó de Bolso, Félix Faccom, diz que o grupo faz música contemporânea "Escutei muita música erudita, MPB, rock – de Pink Floyd a Alceu Valença e Mozart. Todas essas influências dialogam com o que fazemos. É um jeito urbano de fazer carimbó”, diz.

Nascido no Espaço Cultural Coisas de Negro, o grupo lançou seu primeiro trabalho em 2005 e desde então vem se apresentando em diversos espaços musicais. Para o show desta sexta na Black Soul Samba, o grupo vai levar um repertório fincado na obra de Mestre Verequete.

Segundo Félix, a Cia. de Música Curimbó de Bolso bebe na fonte, reverencia os mestres. Recria com leveza e simplicidade um carimbó contemporâneo, resistente. Sua sonoridade se confunde com cidade, sons da mata, rios e rezas caboclas. Nas palavras do poeta Antonio Juraci “Curimbó de Bolso, cabe em qualquer coração, cabe nas conchas dos lhos, cabe na palma da mão”.

Serviço
Show com Curimbó de Bolso em homenagem ao Mestre Verequete. Black Soul Samba - Sexta, 22 de agosto. Tábuas de Maré - Rua São Boaventura, 156, Cidade Velha, próximo a Avenida Tamandaré
Ingressos: R$20,00. Informações gerais: (91) 98362 1793.

Prêmio Proex leva Barrela para bairros de Belém

Fotos: Paulo Evander
“Os Varisteiros” vão mostrar o espetáculo “Barrela” em três bairros da cidade de Belém, através do Prêmio Proex de Arte e Cultural 2014. De 22 a 30 de agosto, o projeto levando uma apresentação, bate papo e  uma oficina de iluminação artesanal passará pela Terra Firme, Guamá e Telégrafo. Tudo gratuito.

O projeto intitulado “Barrela: uma encenação como ferramenta de diálogo social sobre violência e realidade carcerária”, visa a expansão do diálogo com comunidades periféricas localizadas em zonas de risco na cidade de Belém. Na perspectiva da troca que o teatro estabelece, quando propõe um atravessamento sensível com o tema da violência urbana. 

A circulação nesses 3 bairros busca refletir através de sua encenação a realidade do sistema carcerário, bem como as dificuldades da inclusão social e reabilitação de ex-detentos, a partir de um diálogo direto com os moradores desses locais. A oficina realizada terá como base a confecção de luminárias com materiais alternativos, visando o estímulo do participante a ter uma renda financeira, partindo do trabalho artesanal.

A obra “Barrela” do dramaturgo paulista Plínio Marcos, narra as relações conflituosas de cinco presos, que estão o tempo todo buscando maneiras de se assegurar perante os outros, por brigas, olhares, imposições e até mesmo pela demência. 

O espetáculo discute a relação de opressão dentro dos presídios, mas estabelecendo uma visão maior para o social, a partir da sua disposição espacial e seus símbolos que entram em confronto com quem assiste           

Esta montagem provoca um discurso a partir das imagens simbólicas de oprimido e opressor. Os presos estabelecem uma ordem dentro da cela, o sistema carcerário  estabelece uma ordem dentro da prisão, a justiça estabelece uma ordem no sistema, o governo instaura a sua justiça e a sociedade compactua. Mostrando assim, um sistema frágil em todas as suas relevâncias.

"Levar teatro para dentro das periferias me causa muita ansiedade e novas análises. Barrela não  é  apenas construído pelos atores, mas também  por quem assiste e alimenta esse processo no bate-papo que realizamos ao final do espetáculo. Contamos com a presença de todos para compartilhar com a gente e com moradores as experiências que iremos vivenciar", declara o ator Bruno Rangel.

Autor e grupo - Considerado um autor maldito, o escritor e dramaturgo paulista, Plínio Marcos, foi um dos primeiros a retratar a vida dos submundos de São Paulo. Poucos escreveram sobre homossexualidade, marginalidade, prostituição e violência com tanta autenticidade. 

Era, segundo ele mesmo afirmava, "figurinha difícil". Seus personagens fogem de estereótipos, pois são retratados a partir de sua humanidade em ambientes hostis. Além de dramaturgo e escritor, foi diretor, ator e jornalista. 

O Grupo de Teatro Os Varisteiros nasceu da união dos egressos do Curso Técnico de Formação em Ator (2011) da Escolade Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará - UFPA, com o intuito de permitir a inserção dos recém-formados atores no celeiro de produção teatral da cidade de Belém.

Fundado em 2012, fora dos parâmetros da academia, o grupo surgiu possibilitando a estes artistas à atividade criadora de pesquisa e experimentação cênica, as próprias montagens, a descoberta de uma poética de trabalho, a vivência em grupo de teatro e, sobretudo, viabilizando a realização de espetáculos ao grande público paraense.

Em seu portfólio estão os seguintes espetáculos: “No Trono”, uma livre adaptação da obra “Palácio dos Urubus” de Ricardo Meirelles; "Barrela", do dramaturgo Plínio Marcos; “Nó de 4 Pernas” e “Sonho de Uma Noite de Inverno”, ambos do dramaturgo paraense, Nazareno Tourinho.

Ficha técnica
Dramaturgia: Plínio Marcos
Direção: Maycon Douglas
Elenco: Bruno Rangel, Gabriel Antunes, Leonardo Moraes, Marcelo Andrade, Marcus Silva e Raoni Moreira
Produção: Laíra Mineiro
Captação de Recursos: Natasha Vasconcelos
Iluminação: Paula Silva 
Fotografia e Vídeo: Pedro Tobias
Arte Gráfica: Raissa Araújo 
Assessoria de Imprensa e Social Media: Laíra Mineiro

Programação

TERRA FIRME
Espetáculo - 22 e 23 de agosto, às 18h 
Oficina - 24 e 26 de agosto, as 17h 
Endereço: Casarão da Flora Amazônica - Avenida Perimetral, S/N, esquina com a rua Tachi Branco (ao lado do colégio NPI)

GUAMÁ
Oficina: 27 e 28 de agosto, às 14h
Espetáculo: 27 e 28 de agosto, as 17h30
Endereço: Cras Guama - Passagem Sururina, 268, entre Ezeriel e 25 de Junho

TELÉGRAFO: 
Oficina: 29 e 30 de agosto, as 14h
Espetáculo: 29 e 30 de agosto, as 18h
Endereço: Rua Professor Nelson Ribeiro, 66, entre Coronel Luis Bentes e Passagem Republicana

20.8.15

Trunfo traz o jogo de Tarô pro centro do picadeiro

Contemplado pela Funarte, o espetáculo Trunfo, do Projeto Vertigem, tem pré-estreia nesta sexta-feira, 21, e no sábado, 22, sempre às 20h, no Casarão do Boneco. Em cena, três atrizes colocam as cartas de tarô, mas quem dita a regra do jogo é o público. A programação contribui também para campanha Salve Salve Casarão do Boneco e conta com a exposição "Tarô do Boneco", de Maurício Franco. O ingresso custa quanto você puder pagar!

O blog esteve ontem no ensaio do "Trunfo", descrito por Marina Trindade, Katherine Valente e Inaê Nascimento, como uma experiência para se deixar levar e arriscar-se na plenitude do vazio particular a cada pessoa, sem coincidências ou acaso.

O terceiro espetáculo do Projeto Vertigem conduz o público de cena a cena, de quadro a quadro, pelo picadeiro com um velho companheiro de viajem, o Tarô. O jogo começa quando as atrizes entram em cena e oferecem a três pessoas, na plateia, cinco cartas de tarô. Tem que tirar uma. Três entram em jogo e  as atrizes iniciam um texto de significados, que ganham formas nas técnicas circenses. O momento é mágico. 

Criados em experimentações que relacionaram as técnicas circenses aos 22 Arcanos Maiores do Tarô, os Trunfos serão embaralhados e até o final do espetáculo, cinco serão escolhidos pela plateia. A sorte ditará a ordem da encenação, dependendo das cinco cartas tiradas a cada sessão e das combinações que farão ao serem escolhidas pelo público. Isso faz com que cada apresentação seja diferente da outra. 

Em síntese o que acontece é que Marina, Inaê e Katherine manipulam cartas do Tarô. Ajudadas, pelo público, constroem em cada apresentação, diferentes caminhos do espetáculo, sempre levado a partir as cartas colocadas em jogo.

Assim, através das técnicas de acrobacias aéreas, de solo e manipulação de objetos, mescladas ao teatro, dança, música e artes visuais, a grande jornada do “Louco”será ambivalente e feita de multiplicidades. O jogo levará o público a um outro lugar, outro tempo,outro ser. 

“Trunfo" foi contemplado com o Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013. As sessões deste final de semana são de pré-estreia, no anfiteatro do Casarão Boneco, depois a circulação pela cidade o leva para a Praça D. Pedro I (Ver-o-peso), partir das 17h, nos dias 27 e 28 de agosto, e ainda nos dias 3 e 4 de setembro, às 20h, à Praça da República próx. ao Theatro da Paz.  A realização do Projeto Vertigem conta com produção da Três Cultura Produção Comunicação, e apoios do Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo.

Quem faz - As atrizes em cena possuem formação em artes cênicas, mas têm as suas diferenças.  Inaê Nascimento, por exemplo, antes de se embaralhar com o teatro, formou-se em Oceanografia com mestrado em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos pela UFPA. 

Depois de alguns contatos com teatro e dança, na infância, em 2009, ingressou nas oficinas de Técnicas Circenses da Companhia Athlética (Belém), ministradas pelo professor Charles Monteiro, participando como acrobata aérea utilizando tecido circense em apresentações em eventos ao longo de 2010 e 2011, com o Circo Etéreo.

Já Katherine Valente escolheu ser atriz. Cursa o técnico em ator e trabalha no aperfeiçoamento de técnicas como maquiadora, palhaça e circense. Em 2012, iniciou sua carreira no GTU (Grupo de Teatro Universitário). Participou do grupo “Perifeéricos”, de teatro de rua, e realiza outras atividades como performances e oficinas.

E também ingressou no curso de Cinema e Audiovisual pela UFPA, assumindo a direção de elenco, maquiagem e a atuação em alguns curtas metragens resultantes das disciplinas. 
oficinas. 

Marina Trindade Cruz é integrante e co-autora do Projeto Vertigem. Graduada em Licenciatura plena em Dança pela UFPA, participou de vários seminários de pesquisa em artes cênicas. Logo, coordenou e compôs o elenco do espetáculo “Te vira! Tu não és de Circo?”, trabalho também contemplado pelo Prêmio FUNARTE/Petrobrás Carequinha de Estimulo ao Circo-2011-, que teve direção de Paulo Ricardo Nascimento (In Bust Teatro com Bonecos), que agora dirige “Trunfo”, e por Danilo Bracchi (Cia de Investigação Cênica), além deCharles Monteiro (Circo Etéreo). Foi a partir daí que se estruturou o grupo Projeto Vertigem, em 2013. 

Marina a partir daí desenvolveu pesquisa práxis para a criação do espetáculo “mARESia” que foi contemplado com a Bolsa de Criação e Experimentação do Instituto de Artes do Pará (2013) e foi objeto de pesquisa para o seu trabalho de conclusão de curso. Agora ela segue com o Projeto Vertigem, com o qual ainda pretende realiza outros projetos. 

Sobre o projeto Vertigem - Em busca de sua poética na transversalidade de linguagens artísticas, o Vertigem se utiliza de técnicas circenses e pesquisas norteadas pela criação colaborativa e experimentações.

“Estreamos em novembro de 2012 com o espetáculo "Te vira! Tu não és de circo?", contemplado com o Prêmio Funarte/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo 2011. Em 2012 e 2013, colaboramos com a organização do 1º e 2º Seminário de Pesquisa em Artes Circenses. No ano de 2013 iniciamos o processo de criação/experimentação do espetáculo “mARESia”, contemplado com bolsa do Instituto de Artes do Pará”, diz marina Trindade. 

“O Projeto Vertigem integra a mistura do Pirão Coletivo, são grupos de artes cênicas de Belém que buscam compartilhar e fomentar suas produções artísticas em colaboração. 2015, ano de novos encontros, e outras pessoas vão mergulhando nessa vertigem conosco, “Trunfo” é a viagem da vez”, finaliza a atriz.

Programação – Além da experiência com o “Trunfo”, durante estas duas noites, o público terá mais uma vez, a chance de contribuir com a Campanha Salve Salve Casarão do Boneco, pagando quanto puder no ingresso para assistir ao espetáculo.

A campanha que foi veiculada ao site CATARSE, acabou no ultimo dia 12, sem conseguir arrecadar os R$ 60.000 necessários à reforma do Casarão, mas o In Bust Teatro com Bonecos e todos os grupos que ocupam o Casarão, não desistiram, e a cada ação no espaço, continuarão aceitando doações e contribuições do púbico. Na ocasião, o público anda poderá conferir a exposição “Tarô do Boneco em poucas lâminas”, de Maurício Franco.

FICHA TÉCNICA

Elenco: Marina Trindade, Inaê Nascimento e Katherine Valente
Direção: Paulo R. Nascimento
Criação de Cenas:Inaê Nascimento, Marina Trindade, Paulo Ricardo Nascimento, Tati Benone, Katherine Valente.
Trilha Sonora: Armando de Mendonça
Operação de Sonoplastia: Armando de Mendonça e Paulo Ricardo Nascimento
Cenografia: Starllone Souza
Confecção das cartas: Victoria Rapsodia
Figurino:AnibalPacha, Nanan Falcão
Iluminação: Malu Rabelo
Assistência Técnica de Luz: Lucas Alberto
Logística: Rafael Café, Juan Cabral e Paulo Ricardo Nascimento
Consultorias Artísticas:AnibalPacha; Michele Campos de Miranda; Tati Benone; Marcelo Siqueira David (Feijão)

Realização: Projeto Vertigem
Coordenação de Projeto: Marina Trindade
Produção e Comunicação: Três Cultura Produção Comunicação
Produção Executiva: Tainah Fagundes
Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiros
Fotografia: Débora Flor
Arte Gráfica: Lucas Gouvea

Agradecimentos: AnibalPacha; Dandara Nobre; Iolane Nobre; Kátia Fagundes; Luana Weyl; Mariléia Aguiar; Tainah Fagundes; Tati Benone; Victória Sampaio; Luana Peixoto; Mayara La-Roque; Maria Esperança; Débora Flor; Michele Campos; Virginia Abasto.
Patrocínio: Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013
Apoio: Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo
Mais Informações: www.facebook.com/projetovertigem /projetovertigem@gmail.com

Serviço
O Casarão do Boneco fica na rua 16 de novembro, 815, próx. à Praça Amazonas. Mais informações: 32418981.

Jornal Diário do Pará estreia novo projeto cultural

Responsável por projetos como o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia e o Festival de Música Paraense, o jornal Diário do Pará estreia, nesta quinta-feira, 20, novo projeto, na praça central do Parque Shopping, em Belém, às 20h. É o "Café com Você", que traz a turma do caderno de cultura à púbico e convida gente interessante para ótimos bate papos. 

A estreia será realizada na semana em que o DIÁRIO completa mais um aniversário e aproveita para apresentar o novo diretor de redação do jornal, Klester Cavalcanti, que estará ao lado de Marinalva Dantas, de quem ele assina a biografia que já repercutiu em programas nacionais como “Fantástico” e emissoras internacionais, como a BBC, de Londres. 

Marinalva tem uma história de vida dedicada a libertar trabalhadores escravos Brasil adentro, fazendo, a sua forma, a construção de um país mais justo. Ao final do evento haverá sessão de autógrafos do livro.

A ideia é que tudo funcione como se fosse uma grande coletiva de imprensa. O “Café com Você” será todo transmitido pela internet e permitirá aos leitores conhecer a equipe que realiza o caderno Você, entender como funciona uma entrevista e participar com perguntas presenciais ou enviadas via web em tempo real. O projeto terá diversas edições ao longo do ano, sempre reunindo em Belém nomes da literatura, música, gastronomia e artes de um modo geral.

"A ideia é aproximar os leitores da equipe do caderno de cultura. Eu vou conduzir o bate-papo no palco, mas teremos a Aline Monteiro, a Nathalia Petta e a Lais Azevedo interagindo com o público na plateia e pela internet. É uma forma de dar rosto a quem eles só conhecem como nome no jornal impresso e a ideia é que o público interaja como se fosse uma grande coletiva de imprensa. Todas as perguntas serão incluídas na cobertura que daremos do evento", explica Esperança Bessa.

O jornalista e sua obra - Klester Cavalcanti foi três vezes vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura – uma delas com seu livro anterior, ‘Dias de Inferno na Síria’, também publicado pela Saraiva. Seu novo livro, ‘A dama da liberdade’, conta a história de Marinalva Dantas, a mulher que libertou 2.354 trabalhadores escravos no Brasil em pleno século 21.

Aos 61 anos, Marinalva Dantas é mãe, avó, já foi casada e enfrenta dramas e problemas como qualquer pessoa. A missão que abraçou, por outro lado, é extraordinária.

Auditora fiscal do Trabalho, ela passou quase 10 anos à frente do grupo do Governo Federal que combate à escravidão no Brasil. Mergulhada nessa causa, Marinalva libertou mais de 2.300 homens, mulheres e crianças nos rincões do país.

A ‘Dama da Liberdade’, publicado pela Benvirá, selo de não ficção e ficção da Saraiva, é resultado de 5 anos de pesquisa do autor Klester Cavalcanti. O jornalista tem acompanhado o trabalho de Marinalva desde o início e não apenas fez um perfil da poderosa mulher, como traz ao debate a questão ainda persistente do trabalho escravo nos dias de hoje. 

Klester viajou por sete Estados, entrevistando quase setenta pessoas, entre elas familiares de Marinalva, policiais, aliciadores de escravos, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e ex-escravos. Sua pesquisa inclui quase 120 horas de entrevistas, a leitura de 2 mil páginas de documentos e a análise de cerca de 200 fotos e 30 horas de vídeos.