31.3.16

Dirceu Maués realiza a oficina "Horizonte Reverso"

Vencedor em 2015 do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia com a instalação “Horizonte Reverso”, o paraense Dirceu Maués ministrará a oficina que leva o mesmo nome de sua obra. A ação formativa ocorrerá no período de 09 a 11 de abril, das 10 às 12h, na varanda do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. A ficha de inscrição está disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até o dia 06 de abril.

Tendo como base da pesquisa a construção de câmeras artesanais e utilização de aparelhos precários, a instalação “Horizonte Reverso" revela um mundo de ponta cabeça. Nela a mágica e imaterial imagem se projeta no interior das várias câmeras escuras num mosaico em constante mudança.

A oficina é em colaboração com o trabalho de intervenção do artista. Os integrantes terão acesso ao processo de criação do fotógrafo, discutindo a relação com os dispositivos tecnológicos e participando da construção das câmeras escuras. A obra que integra a Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia será exibida na varanda do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas durante as exposições da 7ª edição.

Dirceu Maués vive atualmente em Brasília. Graduado em Artes Plásticas pela UNB (2012), o fotógrafo tem Mestrando do Programa de pós-graduação em Arte – UNB. Atuou nos principais jornais impressos em Belém, de 1997 a 2008 e em 2003 iniciou trabalho autoral nas áreas da fotografia, cinema e vídeo, tendo como base, pesquisas com a construção de câmeras artesanais e utilização de aparelhos precários. 

Em 2009 foi artista residente pelo programa Rumos Itaú Cultural em KünstlerhausBethanien/Berlim. No mesmo ano, recebeu a bolsa Funarte de estimulo à criação artística e participou do projeto Encontros com a Fotografia – FNAC. 

Participou como artista convidado da 16a Bienal de Cerveira – Portugal, 2011 e do 17º Festival Internacional de Arte contemporânea SESC_Videobrasil, 2011, onde recebeu prêmio de Residência em WBK - VrijeAcademy - Haia, Holanda. 

Seus trabalhos fazem parte dos acervos: Coleção Pirelli-Masp de Fotografia, Coleção FNAC, Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC - Videobrasil, MAC - PR (Museu de Arte Contemporânea - PR), MARP (Museu de Arte de Ribeirão Preto), MEP (Museu do Estado do Pará), Coleção Joaquim Paiva e Coleção Rubens Fernandes Jr.

Serviço
Inscrições pelo site www.diariocontemporaneo.com.br até 06 de abril. O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará, com patrocínio da Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/ Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA). Informações: Rua Aristides Lobo, 1055 (entre Tv. Benjamin Constant e Tv. Rui Barbosa) – Reduto. Contatos: (91) 3355-0002, 98367-2468, premiodiario@gmail.com e contato@diariocontemporaneo.com.br.

Tragédia da Cabanagem retratada em "Palhaço!"

Fotos: Manoel Pantoja
No ano em que Belém completa 400 anos, a dança, a arte surrealista e o clown são a inspiração da Encenação coreográfica “Palhaço!” que traz para cena, um dos fatos históricos mais impressionantes no processo de adesão do Pará à independência do Brasil: a tragédia do Brigue Palhaço. A Attuô Cia de Intérpretes Contemporâneos, em parceria com o Grupo Lacor, através do Programa de Arte e Lazer na UFPA, promovem o espetáculo que estreia na próxima quinta-feira, 7 de abril, no Teatro Margarida Schivasappa.

A encenação conta a história de cidadãos, índios, tapuios, caboclos, milicianos, que eufóricos com o grito de liberdade proposto por D. Pedro I, se insurgiram contra a Junta de Governo da Província. Essa, formada em sua maioria por portugueses que até bem pouco tempo, eram completamente avessos à ideia de independência. 

Os revolucionários foram sumariamente presos sem direito à defesa, alguns fuzilados em praça pública e outros conduzidos ao porão do navio Brigue Palhaço (antes chamado de São José dos Diligentes). Na manhã de 22 de outubro de 1823 pereceram 256 homens, sufocados e asfixiados no calabouço flutuante.

O Diretor Kleber DüMerval que também integra o elenco, utilizou o clown como referência para a construção da linguagem do espetáculo, que se apoia na multinarrativa com dança contemporânea, texto, canções originais e que abordam questões políticas atemporais. 

“O importante, também, é abordar com poética artística essa narrativa, e que se tenha conhecimento do ocorrido em 1823; um evento como esse não pode cair no esquecimento”, afirma DüMerval. A caracterização se destaca pela maquiagem simples, que se somam aos  intérpretes com figurinos sujos e sem cor que, de certa forma, conseguem nos dizer que palhaços para serem eles mesmos não precisam ser coloridos. 

Outro argumento é que os fatos históricos e o conceito de liberdade de expressão foram utilizados na composição da trilha sonora de Lenno Ávila, compositor e integrante do elenco. “Um dos pontos altos da trilha é o embate simbólico da Monarquia e a Cabanagem interpretados pelas  figuras femininas das bailarinas Leidiana Ribeiro e Priscilla Barreto em uma performance inundada de poesia e elementos metafóricos”, acrescenta Lenno.

Os textos contaram com a preparação cênica de Paulo Lima - Diretor do Grupo Lacor, que através da pesquisa e desenvolvimento do trabalho corporal, desenvolveu atividades sistemáticas para a construção dos personagens em atividades no Laboratório de Pesquisa Corporal da UFPA localizado no ICED.

“Sempre buscamos algo que seja novo para os intérpretes da companhia. Mergulhamos na arte do clown depois de participarmos de oficinas de dança contemporânea e linguagem do corpo promovidas pelo Programa Arte e Lazer na UFPA” – acrescenta Paulo.

O elenco é formado por 10 (dez) artistas, entre eles bailarinos, dançarinos, cantores, atores e músicos. O espetáculo se desdobra para dar valores humanos e como estes podem se perder e se modificar diante de situações limite. A busca pela liberdade é o fio condutor da  narrativa, ainda que o preço seja a própria vida.

Ficha técnica
Direção: Kleber DüMerval
Elenco: Ary Caldas, Charles Wanzeler, Diego Jaques, Junior Coelho, Kleber DüMerval, Lenno Ávila, Leidiana Ribeiro, Paulo Lima, Priscilla Barreto e violinista Valéria  Dias.
Figurino: Leidiana Ribeiro e Kleber DüMerval
Iluminação: Tarik Coelho
Canções originais: Lenno  Ávila
Realização: Attuô Cia de Intérpretes Contemporâneos e  Grupo LACOR

Serviço
Palhaço! Dia 7 de abril, próxima quinta-feira, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (associados Vivo Valoriza), R$ 20 (meia-entrada),

Palhaço Black promete risadas em "Quer Bolacha?"

A apresentação integra o projeto "Tem Gente na Casa", que propõe a ocupação do espaço da sede do grupo Palhaços Trovadores. São apresentações de espetáculos e contação de histórias, além de espetáculos do grupo. O projeto também conta com artistas e grupos convidados. Nesta sexta, 01, e sábado, 2 de abril, às 20h, a ocupação conta com o Palhaço Black. A sede dos palhaços Trovadores, Casa dos Palhaços, fica na Trav. Piedade, 533, esquina com a Tiradentes – Reduto.

Primeiro espetáculo-solo de Antônio do Rosário, ator-palhaço, integrante do grupo Palhaços Trovadores (PA), e circense formado pela Escola Nacional de Circo e Escola Livre de Palhaços – ESLIPA, ambas do RJ. 

Em cena, o palhaço Black, descontraído e brincalhão, compartilha seu quarto com os amigos, o público, que serão convidados a entrar no universo cômico de Black.

O palhaço, que tem os ares de um punk, um roqueiro, mas também é bobalhão e romântico, transitará entre brincadeiras, risos e palhaçadas por suas lembranças e saudades, revelando algumas histórias de três figuras
familiares do ator-palhaço: D. Maria (mãe), Seu Raimundo (pai) e Seu Luís (tio). O espetáculo é uma homenagem a esses familiares, que foram o mote e os pilares para processo de criação.

Em “Quer bolacha?”, Antônio do Rosário apresenta misturas entre teatro, palhaçaria e técnicas circenses, no intuito de aliar conhecimentos e vivências adquiridos em sua trajetória no grupo Palhaços Trovadores, como também na Escola Nacional de Circo e na Escola Livre de Palhaços. 

Ficha Técnica
Elenco: Antônio do Rosário – Palhaço Black
Direção e operação de audio: Suani Corrêa
Assistente de Direção: Adriana Cruz
Figurinos: Aníbal Pacha
Concepção de iluminação: Luciana Porto
Desenho de iluminação - Casa dos Palhaços: Adriano Furtado
Operação de iluminação - Casa dos Palhaços: Marcelo David
Vídeo: Marcello Villela
Ano de criação: 2015. Duração: 45min.

Serviço
Projeto Tem Gente na Casa. Dias 01 e 02 de abril, às 20h, na Casa dos Palhaços (Tv. Piedade, 533, esquina com a Tiradentes – Reduto). Ingressos: R$ 10,00 (preço único/promocional).

Workshop para aprender respirar e a viver melhor

Reflexão em busca de autoconhecimento e da qualidade de vida. A. Ramyata ministra nos dias 9 e 10 de abril, o workshop “O que você que ser quando renascer? – Clareando o que é obscuro dentro de mim e como equilibrar o humano e o divino dentro de nós”. No dia 7 tem palestra aberta ao público, às 19h, na Pilates Clínica, com entrada franca.

Há 25 anos trabalhando com a Técnica do Renascimento, a partir da Terapia da Respiração Consciente, que consiste em inspirar de expirar de forma relaxada, aprendendo a controlar o ritmo de encher de ar os pulmõe, A. Ramyata explica que a técnica utiliza conscientemente o processo respiratório para promover a diluição de bloqueios e tensões que contraímos no corpo desde o nascimento.

“Desde que nascemos, e às vezes dentro do útero, não somos incentivados a sermos totais, a nos expressarmos espontaneamente, muito pelo contrário, desde pequenos ‘aprendemos’ que se nos comportarmos de “certa maneira”, se não expressarmos o que somos e sentimos seremos aceitos, pelos pais, professores e/ou grupo social. O que acontece é que tudo isto que não expressamos vai sendo contraído no corpo”, explica.

A experiência é renovadora, garante A. Ramyata. Ela esclarece dizendo que muitas correntes terapêuticas de abordagem corporal têm centrado suas pesquisas no ciclo respiratório, definindo sua importância como chave primordial na busca de maior equilíbrio e bem estar na vida. “O Renascimento é uma destas técnicas. É a técnica que experimentei e transformou minha vida, por isso resolvi me especializar nela. Para mim o Renascimento é uma técnica simples, poderosa e que funciona no sentido de propiciar uma transformação concreta na vida das pessoas que a experimentam”, revela.

A técnica - Na década de 1970, um norte americano, Leonard Orr desenvolveu uma técnica chamada Rebirthing (Renascimento), também conhecida no Brasil como Terapia da Respiração que ajuda a liberar estes bloqueios, tensões e contrações. 

Foi constatado que cada ser humano respira de forma diferente, segundo padrões de condicionamentos desenvolvidos a partir do nascimento e da infância. Esses padrões indicam com acuidade os bloqueios emocionais e as limitações no nível de comportamento e expressão criativa que nos afetam. Esta técnica foi introduzida no Brasil, na década de 19880, pela terapeuta e psicóloga alemã Samvara Bodewig.

A. Ramyata - A.Ramyata tem formação em psicologia e especialização em Renascimento – Terapia da Respiração Consciente com Samvara Bodewig. Em 2008 fez Certificação em Terapeuta Renascedora Internacional com Bob Mandel. 

Coordena há 20 anos a Formação de Terapeutas Renascedores no Brasil através do Osho Centro de Renascimento. É também uma das líderes do Projeto Internacional de Auto Estima no Brasil. Frequentou a Oneness University, Chennai-Índia, onde tornou-se “deeksha giver” e inclui na sua prática a transferência de energia da Benção da Unidade – Deeksha.

Serviço
Workshop “O que você que ser quando renascer? – Clareando o que é obscuro dentro de mim e como equilibrar o humano e o divino dentro de nós”, com a terapeuta A. Ramyata. Palestra aberta ao público no dia 7, às 19h, com entrada franca. Workshop nos dias 9 e 10 de abril, das 8h às 18h, na Pilates Clínica (travessa Quintino Bocaiúva, 1601, casa 4). Informações: (91) 98149-0293 / 98118-9835.

30.3.16

Oi Futuro divulga os selecionados e 4 são do Pará

A Oi e o Oi Futuro acabam de anunciar o resultado da seleção do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados. Foram beneficiados 73 projetos de 11 estados brasileiros, nas áreas de música, audiovisual, artes cênicas, intermídia, dança, tecnologia e novas mídias, artes visuais, cultura popular e literatura.

O Programa destina recursos para o financiamento total ou parcial de projetos aprovados em leis estaduais de incentivo à cultura. A lista inclui projetos da linha de seleção nacional e iniciativas voltadas para a programação dos centros culturais Oi Futuro, no Rio de Janeiro. Nesta edição, foram selecionados projetos culturais da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.

“Em 2016, a Oi reafirma seu compromisso com a cultura brasileira e reforça sua vocação para promover a democratização do acesso à cultura, apoiando projetos em todas as regiões do país, viabilizando experiências artísticas inovadoras e fomentando a formação de plateias”, diz José Augusto da Gama Figueira, presidente do Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. 

A cada ano, o Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados valoriza novas propostas, antenadas com o DNA de inovação e convergência de linguagens do Oi Futuro. Este ano, a banca curatorial buscou atrair iniciativas que potencializem conexões e impulsionem pessoas, valorizando elementos como interatividade e produção colaborativa de conteúdos. Propostas inovadoras, mescladas a projetos já consagrados pelo público, compõem a seleção de projetos do edital 2015/2016.

Outra ênfase da seleção é em festivais de música, caracterizados pela mobilização de público e reforçando o posicionamento do Oi Futuro na formação de plateias e no apoio a projetos que promovem a difusão da produção cultural realizada em todo o território nacional. Entre os exemplos estão Fest Bossa & Jazz (RN), Festival Satélite061 24hNoar (DF), Festival Se Rasgum (PA) e outros.

Saiba mais sobre os selecionados no Pará

Arrastão do Pavulagem 2016 - Projeto que valoriza a cultura brasileira, feito no Pará, há 29 anos, com a oferta de oficinas, compartilhamento de saberes com mestres de conhecimentos populares. Este ano, pretende criar um aplicativo para interagir com o público.

Amazônia Mapping 3ª Edição – Projeto que desenvolve possibilidades da linguagem artística e tecnológica do Vídeo Mapping no Pará, que se propõe a habitar a Amazônia de maneira criativa, transformando seus elementos visuais em suportes para trabalho.

FIDA - O Festival Internacional de Dança da Amazônia é um importante festival de dança do Norte e Nordeste do Brasil. Segue há mais de 20 anos como peça fundamental para tornar o Pará como polo referencial da dança.

11º Festival Se Rasgum – Festival que mantém seu formato diversificado musicalmente, que tem revelado novos artistas paraenses para o Brasil e atraindo para seus palcos shows da nova música brasileira, artistas consagrados e novos nomes internacionais. 

Mais informações: http://www.oifuturo.org.br/

27.3.16

Artista paraense Elisa Arruda mostra "Essa é você"

“Um jogo perigoso”. É assim que a paraense Elisa Arruda, citando o texto de Fauzi Arap conhecido na voz de Maria Bethânia, define a série formada por desenhos em nanquim. A exposição, que conta com curadoria do artista Alexandre Sequeira,  e será inaugurada nesta terça-feira, 29, às 18h30 no Espaço Cultural do Banco da Amazônia, em Belém. 

No total, a série "Essa é você" é composta por cerca de 70 desenhos, dos quais 60 são em preto e branco. "É um jogo onde eu me exponho bastante e, por isso mesmo, o público feminino se identifica, porque são questões das mulheres em geral", diz a artista de 28 anos. 

Assim como no texto de Arap, o jogo de Elisa "busca chegar ao limite possível de aproximação" entre a arte e a vida. Amores, paixões, desilusões, dúvidas, canções e poemas são o princípio de tudo. A série é como um olhar minucioso, de fora de si, onde ela “se livra das palavras” para, sem medo e com o peito aberto, seguir em frente. Um total de 50 trabalhos da série ficam em exposição no Espaço Cultural do Banco da Amazônia, de 29 de março a 06 de maio de 2016, com entrada franca.

"Eu comecei a desenhar como designer", conta Elisa, que fez mestrado no Cosmob, em Pesaro, Itália. O desenho livre surgiu há cerca de 4 anos, primeiro com grafite, depois com nanquim. "No início, a minha preocupação era aprimorar o traço. Quando eu comecei a desenhar a série “Essa é você”, me desliguei um pouco da técnica, no sentido de não tentar reproduzir a realidade, mas principalmente traduzir o que estava sentindo, como eu me via, a aura da mulher", explica. 

Mãe de dois filhos, Elisa conta que a busca pelo autoconhecimento foi determinante para o seu desenvolvimento como artista. "Eu procuro falar de mim e das coisas que me inquietam. Os desenhos são uma forma de enxergar as minhas questões sob muitos pontos de vista", revela, enfatizando que, mais importante que o resultado final, é a mensagem por trás de cada trabalho.

Fotos: Ana Alexandrino
No começo, as mulheres apareciam sem qualquer preenchimento. Depois, Elisa experimentou pintá-las de preto. "Percebi que o preto sugere alguma coisa que está cheia, carregada. Nos meus desenhos, as mulheres sem preenchimento são mais ingênuas. As mulheres negras são mais maduras. São mulheres prontas", define. 

Recentemente, ela também fez experimentos com dourado e tintas metalizadas. "O metálico entra para potencializar a interpretação. As pessoas criam significados. Muita gente já chegou para mim falando sobre entidades, seres místicos, por causa de ornamentos como o vermelho nas bochechas. É como se fossem mulheres em potência", avalia.

Mas onde está a potência de eternizar as desilusões? Elisa explica que cada mulher é o retrato de um período específico. “Os cortes no corpo são como marcas de batalha. Ao mesmo tempo que demonstram a fragilidade pelo ato sofrido, simbolizam a superação do confronto. São retratos de vitória, que remontam não à fragilidade do sujeito, mas à superação”, garante. 

É como no poema de Sophia de Mello Breyner, em que o eu lírico feminino faz "da insegurança a sua força e do risco de morrer o seu alimento". "São sentimentos íntimos, mas eu não me importo de explorá-los, porque gosto de me ver e de permitir que os outros se vejam. De alguma forma, aprendemos com isso. São lições de coragem”, conclui a artista.

"Como todo o pensamento que alimenta e abastece uma experiência artística, o de Elisa é avesso a roteiros, alternando caminhos definidos hora pela razão, hora pelo coração. Na série “Essa é você”, Elisa faz com que a paixão não seja passiva, mas sim ativa – como algo que nos move. Como lembra Paulo Leminski, entre a vida e a obra, há uma mediação - o artista. 

É por seu enunciado que o público espera ser afetado. Assim, cumprindo o papel de todo o artista, Elisa articula questões comuns à humanidade e, considerando que nem sempre a vida nos oportuniza vivê-las de fato, nos possibilita, através de sua obra, sermos confrontados com situações que também são nossas", escreve o curador Alexandre Sequeira, ao apresentar presenta a artista.

Sobre Elisa Arruda - Possui graduação em Design. Em 2010, realizou mestrado em Design no Cosmob, Itália. Iniciou a vida docente no curso de Design de Produto, lecionando as disciplinas Cores & formas, Criatividade e Design de Móveis. 

Em 2013, foi finalista no concurso Movimento Hotspot, na categoria Ideia, apresentando o projeto Tetraking. Em 2014, ingressou no mestrado em Design e Arquitetura da Faculdade de Arquitetura de Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), tendo como foco o estudo da pós-modernidade e seus reflexos no design contemporâneo. 

Em 2015, participou do projeto Sesc Confluências, com sua produção em desenho. Montou sua primeira exposição individual em 2015, na galeria Jazz nos Fundos, São Paulo. Recebeu em 2015 a premiação do Salão de Arte Primeiros Passos do CCBEU . Atualmente é membro integrante do Coletivo Aparelho, onde atua como artista visual e projetista gráfica.

Serviço
Exposição Essa é você, de Elisa Arruda. Curadoria de Alexandre Sequeira. Abertura: 29 de março de 2016, às 18h30. Período de visitação: 29 de março a 06 de maio. de 10h às 17h. Espaço Cultural do Banco da Amazônia (Av. Presidente Vargas, nº 800, térreo). Entrada gratuita. Projeto contemplado pelo Edital de Pautas em Artes Visuais do Banco da Amazônia.

Liège faz show de lançamento de seu primeiro EP

Fotos: Tereza & Aryanne Fotografia
A apresentação será nesta terça-feira, 29 de março, com participação Lia Sophia, Félix Robatto e da pequena Babí, do Espoleta Blues. Também compositora, a paraense já havia lançado o trabalho em formato digital em janeiro deste ano. Intitulado “Filho de Gal”, o EP mistura pop rock com MPB além de ritmos regionais, sob direção musical do músico Dan Bordallo (Banda Blues & Cia, Jungle Band e Marcel Barreto). A apresentação será no Teatro Margarida Schivasappa e o repertório trará, além das quatro faixas do EP, músicas que fazem parte de seu repertório ao longo de seus dez anos de carreira.

Gravado em Belém, no estúdio Na Music, mixado no estúdio Casarão Floresta Sonora e masterizado no estúdio O Grito, em SP, o EP foi lançado pela Editora Na Music em parceria com FUNTELPA e apoio do Blog Som do Norte. 

“Filho de Gal” traz quatro faixas de autoria da artista: Gira Sois, que tem participação especial do guitarrista Léo Chermont (Banda STROBO) e do baterista Alexandre Cunha; a bem humorada Cabelo; a romântica Chega-Te a Mim, e a música que dá nome ao álbum, com arranjos de João Lemos e Augusto Oliveira (Molho Negro).

O EP pode ser acessado no Youtube (http://bit.ly/1MGVL2r) e demais plataformas de streaming de música. Aos 27 anos, o trabalho apresenta uma artista madura, que vem se destacando como uma grande promessa da nova safra da música paraense. O álbum traz quatro faixas de autoria da artista, que tem letras inteligentes, misturando crítica e bom humor. 

“Meu primeiro single foi Toute la Vie, lançado em 2013, uma composição em francês, romântica, bem MPB. Nesses dois anos eu amadureci e o resultado está neste EP: uma música mais moderna, com influências mais eletrônicas, um trabalho conjunto do Dan, que produziu o álbum”, explica.

E assim, com um trabalho firme e maduro, a cantora sobre ao palco, nesta terça-feira, acompanhada por seu diretor musical, Dan Bordallo, nos teclados; Fil Alencar, na guitarrada; Yago Mathias, no baixo e, Júnior Feitosa, na bateria.

Sobre Liège - Liège iniciou a careira como muitos outros artistas da música começam, sltando a voz em barzinhos, quando apresentava um repertório composto por músicas de grandes ídolos como Marisa Monte e Milton Nascimento. 

Em 2013, veio o primeiro single “Toute La Vie”, música que ganhou clipe e apresentou a veia autoral da artista. O single tocou bastante nas rádios de Belém e ganhou um clipe em que Liège atua com a filha Lis.

Em 2014, uma nova parada na carreira. Desta vez, para amadurecer. A artista rompeu com a linha doce que vinha seguindo e mergulhou de cabeça no que queria dizer ao público. Em 2015, Liège deu início a uma nova fase de sua carreira. 

A apresentação da Liège performática, de composições fortes e arranjos modernos foi destaque no 10º Se Rasgum, quando a artista foi um dos quatro vencedores das Seletivas do Festival. Após o evento, ela mergulhou de cabeça na produção de seu primeiro álbum, “Filho de Gal”, lançado digitalmente no início deste ano. 

Serviço
Show de lançamento do EP “Filho de Gal”, de Liège, nesta terça-feira, 29 de março, às 20 horas no teatro Margarida Schivasappa. Ingressos: loja Ná Figueredo (Gentil), bilheteria do teatro e no sympla.com.br. Inteira: R$ 20 e meia R$ 10. Informações: (91) 98026-1595. Apoio: Seiva / Fundação Cultural do Pará.

(com informações da assessoria de imprensa)

22.3.16

Fotoativa recebe lançamento de livro sobre reggae

A música em fotografias, vídeos e ritmos foram reunidos em "O Reggae no Caribe Brasileiro", livro do artista e pesquisador Ramusyo Brasil, que será lançado amanhã, 23, às 19h, na Associação Fotoativa. A programação integra o conjunto de ações que marcam o retorno de atividades no Casarão, localizado na praça das Mercês, bairro da Campina.

“O Reggae no Caribe Brasileiro" é resultado da tese de doutorado de Ramusyo, maranhense, que teve seu estudo premiado como a melhor da área de ciências sociais pela ANPOCS - Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Ciências, em 2012. “Creio que o diferencial da abordagem está na perspectiva multimidiática que o trabalho tomou, utilizando-se de fotografias, vídeos, músicas e texto para construir um discurso sobre o reggae, desde sua gênese até a transformação da cidade de São Luís na capital nacional do reggae. A pesquisa voltou-se para as dimensões políticas do fenômeno reggae”, afirma o autor. 

O estudo aponta que o reggae no Brasil, mais especificamente no Maranhão ganhou novo significado de acordo com os trânsitos e as recepções que se deram ao longo do tempo. “Características como dançar o reggae juntos e a invenção dos melôs de reggae, que são aportuguesamentos das letras dos reggae cantados em inglês muito presentes no reggae maranhense dão a dimensão das possibilidades de identificação do reggae com a população local. Na linguagem corpóreo-musical se percebe o elã que conecta sociocultural, étnica e sensualmente os regueiros aqui e em Jamaica”, conta Ramusyo. 

Músico contrabaixista, Ramusyou sempre foi atraído pelo modo como o contrabaixo inverte, às vezes, completamente a dinâmica ou o entendimento do andamento e do groove da música. “Talvez por isso tenha decidido passar tantos anos da minha vida dedicado ao estudo do reggae no Maranhão, pois os graves sempre me tocaram a alma. Na África o grave é a mãe, que acolhe e conduz”, completa. Após a roda de conversas sobre o “O Reggae no Caribe Brasileiro" haverá sorteio de exemplares do livro e discotecagem de reggae para embalar a noite.

Casarão reúne diversidade na programação

O retorno das atividades da Fotoativa no Casarão da praça das Mercês, reúne uma diversidade de ações em desenvolvimento constante, por fotógrafos, artistas, escritores, músicos, pesquisadores e interessados no compartilhamento de ideias e iniciativas.

O espaço se mantém vivo e atuante com programações que já reuniram centenas de pessoas, seja em dias inteiros dedicados à realização de oficinas e apresentações, como também em eventos pontuais, de lançamento de publicações, debates e experimentações, que também possam contribuir para a continuidade das atividades no Casarão.

Ramusyo Brasil é videasta, músico e fotógrafo. Desde 2005 trabalha em projetos fotográficos e audiovisuais junto ao Coletivo NUPPI Olho de Peixe, de onde surgiram livros, exposições, eventos e filmes. Trabalha com produções audiovisuais nas funções de diretor, roteirista, produtor, diretor de fotografia e sound designer. 

Atualmente se dedica ao Cine Ebó, místicas audiovisuais construídas ritualmente na potência dos afetos. Realizou, nesta perspectiva, o longa Maranhão 669 - Jogos de Phoder (2014) e os curtas Massa Estanque (2015) e Meus 20 Melhores Amigos (2012) no campo do ensaio audiovisual, além dos documentários O reggae no Caribe brasileiro (2011) e Reggae, Funk e Tecnobrega: ressonâncias culturais do Caribe e do Atlântico Negro no Brasil (2013).
  
Serviço
Fotoativa Portas Abertas para o Lançamento do Livro "O Reggae no Caribe Brasileiro" com Ramusyo Brasil (MA), na quarta-feira, dia 23 de março, às 19h, no Casarão Fotoativa - Praça das Mercês, 19 - Bairro da Campina. Mais informações no site www.fotoativa.org.br ou nas redes sociais.

Cultura Viva e mais histórias no Casarão do Boneco

A programação de portas abertas ao público começou no último dia 12 e segue até junho com espetáculos, roda de conversa, música, cinema e oficinas. O projeto conta com colaboradores e artistas interessados em trocar ideias e arte. Para esta semana, o público tem um encontro no “Conversa Com”, nesta terça-feira, 22, a partir das 19h, e na Amostra Aí, que chega repleta de contação de histórias, no próximo sábado, 26, a partir das 18h. Ingresso: quanto você puder pagar.

O Conversa Com de hoje gira em torno do“Cultura Viva e Pontos de Cultura”, política cultural criada em 2014, para garantir a ampliação do acesso da população aos meios de produção, circulação e fruição cultural a partir do Ministério da Cultura. Entre as iniciativas do Cultura Viva estão os Pontos de Cultura. O papo vai contar com Laurene Ataíde, Guardiã do Pássaro Colibri, que se tornou Ponto de Cultura, e Delson Cruz, da Representação Regional do MINC, além de artistas que integram o coletivo do Salve Casarão do Boneco e do público que é esperado por todos.

Os Cordões e Pássaros Juninos são tradicionais manifestações culturais do Estado. O Pássaro Colibri foi fundado em 1971, por Teonila Ataíde, mãe de Laurene que hoje leva a tradição adiante, evidenciando ainda a força dos laços familiares na transmissão desta cultura junina.

O Cultura Viva resultou de um intenso processo de escuta e participação social, que envolveu os Pontos de Cultura, parlamentares, gestores estaduais e municipais, universidades e órgãos de controle. Como tudo está hoje, quais os pontos críticos? É uma pergunta que artistas dos coletivos que atuam no Casarão do Bonecos e seus convidados vão tentar entender, nesta terça-feira, 22, a partir das 19h.

“Amostra Aí” traz histórias com gente e bonecos

O público infantil será contemplado nesta programação com muitas histórias, na estreia da “Amostra Aí”. Neste sábado, 26 de março, a partir das 18h, tem contação de histórias que irão ficar no imaginário de cada criança na plateia. Tudo inicia com “O Conto de Verdade” e “O Gato de Rubi”, que integram o projeto de pesquisa “Sorteio de Contos”, do ator Lucas Alberto Cunha.

“O sorteio de contos é um agrupamento de todos os contos que foram repassados para mim por pessoas que conheci e pude trocar histórias. São contos voltados normalmente para a ratificação de pensamentos a favor das minorias e a democratização de ideias como liberdade, esperança e identidades regionais”, diz Lucas Alberto.

“O conto da verdade” é um conto árabe contado apenas para mulheres, mas que Ubirá o contador de histórias diz que conseguiu escutar um dia e roubou o conto para ele. Para enganar então os mais antigos Ubirá, vestido de "alguém que não é homem nem mulher", conta duas histórias:  “O gato de Rubi” e “O Conto da verdade”.

Em seguida, o público vai conferir “A breve história do Sr. Bongo”, com Heyder Moura, que vai nos contar a história de um homem que vive solitariamente em uma casa árvore. O tempo passa e cotidianamente ele repete as mesmas ações. Caminhar, olhar, parar. Essas ações aparentemente triviais revelam ao final o pequeno desfecho da história do Senhor Bongo.

A contação é fruto de um trabalho artístico de teatro de animação em miniatura, que surgiu primeiramente para o formato Lambe-Lambe, e se trata de um desdobramento das investigações poéticas a partir do imaginário da morte. Em uma curta cena de animação, Heyder Moura apresenta-se ludicamente, utilizando bonecos e objetos em dimensões miniaturizadas.

In Bust e “O Conto que eu vim contar”

A programação vai encerrar com a apresentação do Grupo In Bust Teatro com Bonecos, que mostrará ao público o espetáculo “o Conto que eu vim contar”, cuja história se passa em uma fazenda, no Marajó, no Pará. Seu Bastião, um homem muito brabo, é o dono desse lugar. Ele tem uma filha linda, Hosana, que sonha ser chamada de mãe.

Desde que a mãe de Hosana se foi, o Bastião nunca mais sorriu. Ele tem medo de perder a filha, por isso não deixa a menina sair de jeito nenhum! Mas esse lugar é banhado por um rio cheio de segredos, guardado pela Mãe D’água, onde vivem muitas criaturas, inclusive... O Boto.

O texto, da Adriana Cruz, é inspirado no texto Um Conto de Natal, que David Matos criou para o programa Catalendas, da TV Cultura do Pará. O Espetáculo traz moradores do Marajó contando o conto, com bonecos de manipulação por vara, confeccionados com patchouli, de acordo com a encenação, ora na fazenda, ora no fundo do rio.

Serviço
Programação Casarão do Boneco – “Conversa com”, no dia 22, às 19h, e “Amostra Aí”, no dia 26, a partir das 18h. Av. 16 de Novembro, 815, próx. À Praça Amazonas. O ingresso custa quanto você puder pagar. Mais informações: 91 3241.8981.

16.3.16

Qual o corpo que lhe veste? está de volta ao Cuíra

Olinda Charone (Foto: Alexandre Baena)
Nesse corpo heterogêneo que se verifica no Brasil em termos de religiões, o lugar comum é a procura de Deus. E o papel do Teatro é responder a isso. O espetáculo estreou no ano passado e retornou ao Cuíra, e ficará em cartaz todas as quartas de março e abril, sempre às 20h. Corra pra pegar seu ingresso, são apenas 16 lugares na plateia.

Chega a ser incrível que em um mundo que se diz tão moderno e os computadores de alguma maneira regulam a vida de grande parte dos humanos, a principal discussão e motivo de guerras sangrentas ainda seja religião, ou mais ainda, o verdadeiro Deus. Mesmo que muitos ainda ganhem fortunas desgraçadamente pela venda de armas, que animam esses confrontos, a discussão é sobre Deus ou Alá, Buda ou Jesus, deuses indianos e até a sua não existência.

E se isso tudo é assunto no mundo, é assunto para o Teatro. Ao longo dos tempos, o Teatro Litúrgico refletiu, em cada cultura, as ânsias e as crenças dos povos, como tambor que repercute os costumes, a fé e a época. Um Teatro Litúrgico Contemporâneo, seguindo a linha de refletir os tempos em que vivemos, quer discutir, debater, mostrar, enunciar um raciocínio que faça, no mínimo, pensar. E foi nesse caminho que o projeto de pesquisa da artista Olinda Charone se desenvolveu.

A idéia partiu de uma Bolsa de Experimentação, recebida por Olinda Charone, tendo como tema o Teatro Litúrgico Contemporâneo. Ao mesmo tempo, Edyr Augusto pesquisava um texto a partir do julgamento de Jesus Cristo, por Pôncio Pilatos. Quando ambos se encontraram e vieram as outras pessoas, a discussão evoluiu até o texto final, com um título perturbador, utilizando uma frase que Jesus teria dito a Judas, após avisar-lhe que este lhe trairia. E “finalmente, me livrarei desse corpo que me veste”. Qual o corpo que lhe veste? Essa é a pergunta. 

Serviço
Toda quarta-feira de março e abril. 20 horas, no Cuíra - R. Dr. Malcher 287 - Cidade Velha, entre Capitão Pedro Albuquerque e Joaquim Távora. Ingressos: R$ 30,00 inteira / R$ 15,00 meia. Corra, se antem, pois há apenas 16 lugares. Informações: 91 98204-5030 (whats app).

15.3.16

NAEA realiza debate sobre reforma do Ver O Peso

Uma série de discussões sobre o polêmico projeto de reforma da feira do Ver-o-Peso tem mobilizado a sociedade no decorrer dos últimos dois meses. Nesta quinta, 17, será a vez de pesquisadores e da comunidade acadêmica entrarem no debate, que será realizado no auditório do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, vinculado à Universidade Federal do Pará (Naea/UFPA). A ideia é envolver pesquisadores do Núcleo, de forma aberta aos públicos de dentro e fora da universidade.

A programação inclui a apresentação do projeto pela empresa responsável e uma discussão com especialistas de diversas áreas, que dialogarão com os técnicos do projeto, feirantes, alunos e interessados em questões sobre a cidade. 

Pelo Naea, que é um espaço de pesquisas e discussões interdisciplinares sobre temas regionais, incluindo os que tratam das especificidades dos espaços urbanos na Amazônia, participam do encontro os seguintes professores: Edna Castro, Francisco de Assis Costa, Saint-Clair Trindade, Simaia Mercês e Silvio Figueiredo.

A empresa contratada para a elaboração do projeto, DPJ Arquitetura e Engenharia, confirmou a participação do diretor José Freire. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) até o momento não enviou o nome do representante. E, pela Associação de Feirantes do Ver-o-Peso, está assegurada a presença de Manoel Rendeiro. Como resultado, os encaminhamentos dos debates devem compor um documento a ser encaminhado à consulta pública aberta pelo Iphan e pelo Ministério Público Federal (MPF-PA). 

A entrada no encontro será aberta aos interessados e os organizadores do evento recomendam a apreciação dos documentos básicos do projeto, disponíveis no site do Iphan, para favorecer e aumentar a qualidade das discussões. 

Reforma - Anunciada pela prefeitura de Belém no dia 12 de janeiro, a reforma da feira do Ver-o-Peso tem mobilizado vários setores da sociedade que contestam, entre outros pontos, a ausência de amplas discussões públicas acerca de um projeto que mobiliza, direta ou indiretamente, interesses de toda a cidade.  

Para dar maior transparência ao projeto, o Iphan e o MPF disponibilizaram os documentos básicos no website do instituto, e garantiram a realização de uma audiência pública para meados de abril. Para enviar propostas, críticas e sugestões basta escrever ao email iphan-pa@iphan.gov.br até o dia 31 deste mês.

PROGRAMAÇÃO

Debate sobre a reforma do Ver-o-Peso | Data: 17.03.2016 (quinta-feira) | Local: Auditório do Naea/UFPA (Campus Profissional)

  • 9h - DPJ (30 min)/Iphan (20 min)/Associação Feirantes (20 min)
  • 10h10m - Grupo 1/ Saint Clair Trindade (20 min) Simaia Mercês (20 min) Edna Castro 
  • (20 min)
  • 11h10m - Grupo 2/ Francisco de Assis Costa (20 min) Silvio Figueiredo (20min)   
  • 11h50m - Debates e encaminhamentos com a plenária
  • 13h - Encerramento
  • 15h - Encaminhamentos organizadores e equipe para a construção de documento

(Fonte: Portal do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos)

Telão do Casarão exibe Quanto Vale ou é por quilo

Dando continuidade à programação lançada no último sábado, 12, o Casarão do Boneco apresenta, nesta quarta, 16, o seu “Telão”, mais uma ação de compartilhamento com o público e artistas da cidade. Será exibido “Quanto Vale ou É Por Quilo?”, uma adaptação livre do diretor Sérgio Bianchi para o conto “Pai contra Mãe”, de Machado de Assis. No elenco, entre outros grandes atores, estão Caco Ciocler, Hérson Carpi, Myriam Pires, Lázaro Ramos, Zezé Motta, Caio Blat, Antônio Abujamra, Leona Cavalli entre outros. A partir das 19h, com ingresso valendo quanto você puder pagar.

De tema extremamente atual, a obra desenha um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas, no fundo, semelhantes na manutenção de uma perversa dinâmica sócio-econômica, embalada pela corrupção impune, pela violência e pelas enormes diferenças sociais. É uma boa oportunidade para fazer uma reflexão sobre o Brasil de hoje. 

O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. 

Nos dias atuais uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

Dessa forma o filme desenha um painel de duas épocas aparentemente distintas, mas no fundo, semelhantes na manutenção de uma perversa dinâmica sócio-econômica, embalada pela corrupção impune, pela violência e pela apartação social.

É um trabalho perturbador, “um soco no estômago” que se inicia com a narrativa de Milton Gonçalves sobre os métodos "correcionais" aplicados aos escravos, como se fosse natural torturar um ser humano; como se aquilo fosse justificável. A narração de Milton evoca a narração de Paulo José no premiado curta “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado. Há uma frieza e neutralidade em sua voz que chega a ser assustadora.

“O que vale é ter liberdade para consumir, essa é a verdadeira funcionalidade da democracia”. A frase proferida pelo ator Lázaro Ramos – em “Quanto vale ou é por quilo?” traz uma entre as muitas questões apresentadas pelo cineasta, que são fundamentais para aqueles que desejam refletir mais seriamente sobre desigualdade, direitos e capitalismo na atualidade.

Bianchi parece nos dizer que é impossível ficar diante ou atento a essa realidade de disparidades sem o choque ou o constrangimento, e que talvez essas sensações sejam de alguma forma produtivas para tirar algumas pessoas de um mundo mágico, recheado de slogans em prol da solidariedade e da responsabilidade social.

Vencedor do prêmio Paratycine nas categorias de melhor filme, júri popular, melhor diretor e melhor edição, “Quanto vale ou é por quilo”, longe de reproduzir a realidade ou ilustrá-la tal qual ocorreu, com algum tipo de pureza estética, a imagem é em si uma construção cultural, uma produção veiculada a interesses e toda uma contextualização demarcada no tempo e no espaço.

Sobre o diretor - Sérgio Luís Bianchi, cuja trajetória passa por estudos de cinema em Curitiba e posteriormente em São Paulo, onde se formou na Escola de Comunicações e Artes da USP, em 1972, tendo sido aluno de grandes nomes do cinema nacional como Paulo Emílio Sales Gomes e Jean Claude-Bernadete.

Em 1979, Bianchi estreou seu primeiro filme longa-metragem comercial: “Maldita Coincidência”. Ganhou vários prêmios nacionais e internacionais de melhor diretor, melhor filme e melhor roteiro em festivais de cinema na Itália, México, Argentina, RJ, PR, SP, Brasília, Gramados e outros. Romance (1988), Causa secreta (1994) e Cronicamente Inviável (1999) foram seus trabalhos mais premiados. Foi ganhador do prêmio de melhor direção no Festival de Gramado e do Grande Prêmio do Festival de Cinema da Cidade do México em 1985 com o filme: Mato eles?

Mais programação nas próximas semanas

Lucas Alberto vai contar história dia 26
Até junho, na verdade, o Casarão do Boneco estará realizando encontros compartilhados, numa provocação à criatividade e à exposição de ideias. Além de divertir, promove também reflexão e traz diversidade à cena cultural da cidade. 

A programação deste mês teve início no último sábado, 12, com o "Abre as Portas", que teve o Projeto Batuque, voltado ao estudo da percussão e ritmos da cultura brasileira. Esta semana temos o “Telão”, com  exibição de “Quanto vale ou é por quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi. 

Na semana que vem, dia 22 de março tem a primeira roda do “Conversa Com”, cuja temática será “Cultura Viva e Pontos de Cultura”, e que contará com a presença de Laurene Ataíde, Guardiã do Pássaro Colibir, além de Delson Cruz, chefe da Representação Regional do MINC. A partir das 19h.

Fechando o mês de março, na “Amostra aí”, dia 26, um sábado, às 18h, haverá contações de histórias: “O conto da verdade” (Sorteio de Contos) e “A breve história do Sr. Bongo” (Heyder Moura), além da apresentação do espetáculo “o Conto que eu vim contar”, do In Bust Teatro com Bonecos.  Em abril, iniciam as Oficinas e Workshops, com momentos de formação artística e prática, com cargas horárias variadas. E tudo vale quanto você puder pagar!

Serviço
Exibição de “Quanto Vale ou É Por Quilo”, filme de Sérgio Bianchi. Exibição nesta quarta-feira, 16, às 19h, no “Telão” – Programação do Casarão do Boneco – Av. 16 de Novembro, 815, próximo à Praça Amazonas. Ingresso: Pague quanto puder.

45 Anos inaugura projeção digital do Cine Estação

Funcionando no Armazém 3 da Estação das Docas, o Cine Estação inaugura, hoje (15), o seu projetor digital, com uma sessão às 19h, para a imprensa e convidados. No telão, os convidados verão o longa “45 Anos”. A produção que concorreu ao Oscar 2016 na categoria melhor atriz, com a indicação de Charlotte Rampling, traz na direção Andrew Haigh. O filme entra em cartaz em sessão regular, a partir de amanhã (16), às 18 e 20h30. O ingresso custa R$ 12,00, com meia entrada para estudantes. 

A inauguração do projetor também traz como novidade a abertura de espaços para a exibição de filmes publicitários, lançando no mercado a disponibilidade de espaços para vídeos comerciais e institucionais, de 30 e 15 segundos. As cotas de patrocínio terão três opções, que variam de um mês a 12 meses de duração, com pacotes diferenciados de contrapartida aos anunciantes.

No pacote oferecido ao patrocinador master haverá dois eventos culturais: um “Bate-papo com a plateia”, sobre o filme em cartaz, e uma atração musical no Armazém 3, vinculado ao título em exibição, denominado “O Filme tem que Continuar”. A proposta do evento segue a linha  das experiências com os filmes “Los Hermanos” e “Cássia Eller”, realizadas no ano passado.

A iniciativa dos anúncios publicitários, bate papos, atrações musicais é super válida, e bem que poderia abrir também para a exibição de filmes em curta metragem e documentários privilegiando produções paraenses, uma vez que o Cine Estação tem um perfil marcado pelo cinema de arte e pela formação de plateia. Quem sabe? Excelentes parcerias podem surgir no futuro, fica aqui uma ideia como sugestão.

Funcionando desde 2003, o Cine Estação entra na era digital após a aquisição do equipamento, financiado pelo Banco Nacional de  Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por leasing. O processo foi iniciado em 2013 e concluído no início deste ano. 

O contrato, intermediado por uma empresa de São Paulo, credenciada pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), permitiu à Organização Social Pará 2000, que gerencia a Estação das Docas, instalar no cinema um projetor de fabricação belga, com os mesmos padrões dos equipamentos utilizados pelas redes de cinemas comerciais do país.

Com o novo equipamento, o repertório de títulos será ampliado, pois o contrato de uso do equipamento permite acesso a todas as distribuidoras de grande porte e às alternativas, que oferecem filmes fora de catálogos comerciais. Apesar deste leque maior de opções, a sala não dispensará títulos mais comerciais, visando oferecer alternativas de lazer para o público cada mais diversificado que frequenta a Estação das Docas.

Além de 426 lugares, o cinema oferece  estacionamento, segurança e serviço gastronômico, e como novo equipamento, a programação será ampliada. Cerca de 160 sessões serão exibidas até dezembro deste ano, programadas para durante a semana, nos horários de 18 e 20h30, e para os domingos, com sessões as 10h, 16h, 18h e 20h30.

Comemoração – O filme “45 anos” rendeu ao casal protagonista, Charlotte Rampling e Tom Courtenay, o Urso de Prata de melhor atriz e ator no Festival de Berlim. Ambos já atuaram juntos em “Trem Noturno para Lisboa” (2013).  

“45 Anos” retrata a história de Kate Mercer, que está planejando a festa de comemoração dos 45 anos de matrimônio. Porém, cinco dias antes do evento, o marido, Geoff, recebe uma notícia inesperada: o corpo de seu primeiro amor foi encontrado congelado nos Alpes Suíços. Ele fica abalado emocionalmente, e Kate fica sem saber se terá o que comemorar. Apesar de tudo, a festa está marcada e cabe a ela finalizar os preparativos.

O corpo de Katya (a namorada de Geoff anterior a Kate) incomoda o marido de um modo inesperado, levando-o a voltar a fumar e a afastar-se de tudo o que se relaciona com a vida presente.
Carreira - Charlotte Rampling, que tem sua carreira consolidada há mais de quatros décadas no cinema internacional, desempenha seu papel com olhares, silêncios e poucas palavras. 

A atriz tem em seu currículo filmes premiados, como “O Porteiro da Noite” (1974), da diretora Liliana Cavani, “O Veredicto” (1982), dirigido por Sidney Lumet, e “Coração Satânico” (1987), de Alan Parker. Charlotte Rampling também brilhou em parceria com o diretor François Ozon em “Sob a Areia” (2000), “Swimming Pool – À Beira da Piscina” (2003) e “Jovem e Bela” (2013), títulos exibidos em Belém no Cine Estação das Docas.

Segundo o crítico de cinema William Silveira, a intimidade que a direção constroi em tela é possível unicamente pelo comprometimento de Charlotte Rampling e Tom Courtenay, com grandes interpretações aliadas à montagem de ritmo comedido e à direção de arte irretocável. “45 Anos” lembra que o passar dos anos mantém um acúmulo acomodado de lembranças e inseguranças à espreita, prontas para despertar.

Datas e horários das sessões

15/03 (terça-feira): sessão especial as 19 h, para imprensa e convidados
16/03 (quarta), as 18 h e 20h30
17/03 (quinta), as 18 h e 20h30
20/03 (domingo), as 10 h, 16 h, 18 h e 20h30
21/03 (segunda-feira), as 18 h e 20h30
28/03 (segunda-feira), as 18 h e 20h30 
29/03 (terça-feira), as 18 h e 20h30

Ingressos: R$ 12,00 (com meia-entrada para estudantes). Realização: Governo do Estado/Secult e OS Pará 2000. Na Estação das Docas - Av. Castilho França.

12.3.16

Do Tapajós à Guajará - homenagem e reencontros

Neste sábado, dia 12 de março, músicos e compositores do Oeste do Pará vão navegar e homenagear Belém em seus 400 anos. A tradição artística e musical do município, situado às margens do Tapajós, estará presente no repertório que vai de Wilson Fonseca e Raquel Peluso, obras e Paulo André e Ruy Barata, Nilson Chaves, Waldemar Henrique e Chico Senna, além das músicas autorais dos compositores João Otaviano, Eduardo Dias, Maria Lídia, Sebastião Tapajós, Cristina Caetano, Nato Aguiar, Antônio Von e Everaldinho Martins, que se reúnem nesta homenagem. Haverá surpresas também, numa confluência de águas e canções. Cheio de emoção, o espetáculo inicia logo mais, às 21h, no Theatro da Paz.
  
Não será a primeira vez que o palco centenário deste teatro recebe artistas santarenos de uma só vez. Em 1972 e em 1987, por exemplo, foram realizadas duas edições da Semana de Santarém no Theatro da Paz. O compositor João Otaviano, 62 anos, músico autodidata, esteve presente nas duas ocasiões interpretando composições de Wilson Fonseca, Marcília de Sousa, Beto Paixão e Otacílio Amaral, compositores também de Santarém. Neste sábado, João Otaviano estará de volta a Belém, para cantar ao lado de seus conterrâneos.

Eduardo Dias, que mora em Santarém atualmente, é filho de Óbidos, e é também bastante conhecido do público de Belém. Aos 52 anos, poeta, compositor e produtor, já com sete discos gravados pelo selo Brilho Produções, começou a carreira aqui na capital, nos Festivais de Músicas Universitária, nos anos 80.

Já se apresentou no Theatro da Paz diversas vezes, como em 1985, fazendo a abertura do show de Maurício Tapajós, organizado pela União Nacional dos Estudantes e no show Norteando. Tem músicas gravadas por artistas como Vital Lima, Coro Cênico da Unama, Vox Brasilis, e Fafá de Belém.

Já Cristina Caetano, atua no meio musical como intérprete há mais de uma década. Participou de festivais de música na região, entre eles o 1º Festival de Música Paraense, em 2004, e recebeu premiações, entre elas melhor intérprete. Em 2007 foi premia da em Belém como cantora revelação no consagrado baile dos artistas no ano de 2014.

O primeiro CD veio em 2010, com interpretações de composições de Sebastião Tapajós e parceiros. O violonista, aliás, também estará no espetáculo “Do tapajós à Guajará” e será uma oportunidade única de vê-los juntos aqui em Belém. E vai ter música inédita. Cristina Caetano prepara o seu segundo CD para 2016 em mais uma parceria com o compositor.

Sebastião Tapajós nasceu em Alenquer, mas se mudou para Santarém ainda muito pequeno, tanto que imprimiu no próprio nome, o grande rio que banha a cidade. Em 1964 foi estudar na Europa e se formou pelo Conservatório Nacional de Música de Lisboa. Mas enveredou pela Espanha, onde estudou guitarra com Emilio Pujol, realizando diversos concertos nesses dois países. Foi instalada a partir dali antes de mais nada a sua careira internacional.

Tapajós, porém, nunca deixou o Brasil, muito menos o Pará e a sua querida Santarém, refúgio de sempre bem quisto para ele, que costura inúmeras parcerias com os artistas de lá e de Belém. Além de sua obra como instrumentista, é autor de várias canções, em parceria com Paulinho Tapajós, Billy Blanco e Antônio Carlos Maranhão.

Também estará conosco Nato Aguiar, musicista, compositor e cantor de música popular com 04 discos lançados. Atualmente é professor auxiliar efetivo no curso de música da Universidade do Estado do Pará – UEPA, mas já realizou vários shows ao lado de Nilson Chaves, Sebastião Tapajós e David Assayag, e costuma se apresentar em casas noturnas em Santarém, Manaus e Porto Trombetas.

De Santarém também vem Everaldinho Martins, cantor que iniciou carreira nos shows de calouros nos programas de rádio locais. É integrante e fundador do Grupo Canto de Várzea, onde realizou vários shows na Casa de Cultura e no Hilton Hotel. Tem participação

Fechando esta constelação de músicos, cujas raízes vêm do Oeste do estado, está Antônio Von, natural de Belterra, remanescente dos festivais de música do baixo amazonas, desde 1970, onde foi sempre premiado. Profissionalmente canta e compõe desde 1963, participou das Bandas Musicais: Milionários do Ritmo, Romântico do Ritmo, Os Lordes, Canto Verde, entre outras.

Participou da semana santarena no Teatro da Paz, nos anos 80. Tem dois discos gravados, um compacto duplo e um CD autoral, com músicas de sua autoria. É considerado um dos maiores seresteiros de Santarém, ao lado de Machadinho.

Maria Lídia volta ao Theatro da Paz ao lado de amigos

O espetáculo nos traz de volta uma filha adotiva de Belém. Maria Lídia, compositora, intérprete e produtora cultural, que morou muitos anos em Belém, vindo para cá para terminar o colegial e por aqui ficou para forma-se em veterinária pela antiga FICAP, e acabou enveredando pela carreira musical, que a fisgou de jeito, passando a tocar e cantar profissionalmente no início da década de oitenta. Em 2008, cantou no show de aniversário do Theatro da Paz, que agora a recebe mais uma vez.

“Será uma comunhão de cidades irmãs, onde a arte se encontra acima de qualquer questão política e/ou geográfica”, define Maria Lídia, que há alguns anos retornou à Santarém para ficar mais próxima de sua família, entre outros motivos.

“Violência, banalidade da vida, falta de mais empenho em política pública na área cultural por parte das autoridades - principalmente as municipais - e esse trânsito confuso e louco, que faz a gente passar grande parte da vida dentro de um carro”, desabafa.

Em Santarém a cantora segue trabalhando na área cultural. “Sempre tem alguma coisa nova para se fazer, como projetos e shows, arranjos, jingles, designers gráficos, Etc. Mas volto sempre a Belém, porque meus amigos músicos sempre me acionam para eventos musicais na capital”.

Estar entre Belém e Santarém, cidades situadas a beira de um rio, acabou influenciando o trabalho de Maria Lídia. “Um dos meus maiores sucessos, a música chamada Mãe Maria, fala disso e me sinto privilegiada, pois na frente da minha cidade passam dois rios”, diz a cantora que incluiu a canção em seu repertório para o show desta noite.

“Cantarei Mãe Maria (que fiz pra Santarém), e também Minha Madrasta (que fiz para Belém), além de Foi Assim, do ‘mocorongo’ Ruy Barata e do meu amigo Paulo André Barata. Também cantaremos, em Conjunto, algumas músicas de compositores santarenos e do oeste do Estado”, avisa.

Em 2014, ela lançou em Belém o DVD “Projeto Personalidade – Maria Lídia” e atualmente encontra-se empenhada no lançamento do seu novo disco, chamado “Sétimo Sentido”. “Já tem música gravada e tudo. Também tenho criado projetos para Alter do chão, que eu adoro, e estou focada num projeto intitulado Lixo Legal, que trata de meio ambiente e coleta seletiva de lixo urbano”, finaliza ela no papo que rolou esta semana com o Holofote Virtual.

Serviço
Do Tapajós a Guajará. Dia 12 de março, às 21h, no Theatro da Paz. Ingressos: Plateia - R$ 40,00 / Varanda, frisa e camarote de 1ª - R$ 30,00 / Camarote de 2ª, galeria e paraíso - R$ 20,00.  Venda na bilheteria do Theatro da Paz, de terça a sexta 9h às 18h, sábado das 9h às 12h. Realização MM Produções. Patrocínio: Billcar Rent a Car, American Autosserviço, Unimed Oeste do Pará, Laboratório Celso Matos, CR Supermercados, Farmácias Primavera, Distribuidora Durães, Unimed Belém.

10.3.16

Casarão do Boneco volta com cena aberta à cidade

Encontro de  caráter compartilhado, o Abre as Portas é uma provocação à criatividade e à exposição de ideias, além de divertir e trazer reflexão à cena cultural da cidade. Na programação do mês também tem a “Amostra Aí”,  o “Conversa Com”,  o “Telão”, e ainda oficinas e workshops. Presta atenção, começa neste sábado, 12 de março.

A primeira etapa do "Abre as Portas"será de março a junho, começando neste sábado, 12, das 17h às 22h, com o Projeto Batuque, desenvolvido no Casarão do Boneco com o impulso e vontade do artista Lucas Alberto. Voltado ao estudo da percussão e ritmos da cultura brasileira, a programação contará com um show de cordéis, e microfone aos interessados em participar mais ativamente.

Na semana que vem, o primeiro Telão, no dia 16 (quarta-feira), às 19h, vai exibir “Quanto vale ou é por quilo?”, do diretor Sérgio Bianchi. O filme traça um paralelo entre a vida no período da escravidão e a sociedade brasileira nos dias de hoje. O elenco é formado por grandes atores, como Caco Ciocler, Hérson Capri, Myriam Pires, Lázaro Ramos, Zezé Motta, Caio Blat, Antônio Abujamra, Leona Cavalli, entre outros. 

No dia 22 de março tem a primeira roda do “Conversa Com”, cuja temática será “Cultura Viva e Pontos de Cultura”, e que contará com a presença de Laurene Ataíde, Guardiã do Pássaro Colibir, além de Delson Cruz, chefe da Representação Regional do MINC. A partir das 19h.

Fechando o mês de março, na “Amostra aí”, dia 26, um sábado, às 18h, haverá contações de histórias: “O conto da verdade” (Sorteio de Contos) e “A breve história do Sr. Bongo” (Heyder Moura), além da apresentação do espetáculo “o Conto que eu vim contar”, do In Bust Teatro com Bonecos.

Não tem preço: o ingresso vale quanto você puder pagar

As programações são todas na base do Pague o Quanto Puder. O que é arrecadado serve para manutenção das atividades e cotidiano da casa, dentro dessa perspectiva de manter esse espaço autossustentável e independente com a produção dessas diferentes artes. Por isso o Casarão do Boneco está aberto também a diversas outras formas de contribuição, desde materiais de limpeza, a apoios de serviços de pedreiros, engenheiros e outros contatos que possam somar para que o espaço continue servindo com um dos melhores, em Belém, para o entretenimento, educação e formação por meio da arte.

“As ações realizadas em 2015, foram de suma importância para a circulação de público, motivação dos artistas e ocupantes da casa, divulgação e hoje permite termos um portfólio contundente (além da
história longa dentro da cidade de Belém nesses 14 anos) para buscar financiadores para reformas que esse espaço precisa para se manter aberto”, diz Marina Trindade, artista que integra o coletivo atuante no Casarão do Boneco.

Programação

  • Sábado, 12 – Abre as Portas - Show de Codéis –  17h às 22h
  • Quarta, 16 – Telão “Quanto Vale ou é por quilo”- 19h
  • Terça, 22 – Conversa com - Cultura Viva e Pontos de Cultura – 19h
  • Sábado, 26 – Amostra aí -  Contação de Histórias - 18h + Espetáculo " O Conto que eu vim contar" - 19h
Serviço
Programação do Casarão do Boneco – de março a junho de 2016. Início neste sábado, 12 de março, das 17h às 22h, com show de cordéis. Endereço: Av. 16 de novembro, 815, próximo à Praça Amazonas. Ingresso: Pague quanto puder. Mais informações: 91 3241.8981.

6.3.16

Financiamento coletivo para a produção cultural

"Chão de Águas" espetáculo quer voltar à cena
(Foto: Rogério Folha)
Depois de estrear em setembro do ano passado, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur, o espetáculo “Chão de Águas” pretende voltar em cartaz, mas para isso as cantoras e intérpretes Cacau Novais, Cristina Kahwage, Tarsila França e a convidada Karimme Silva, contam com o público. Precisam de um mínimo de R$ 5.000 para garantir a apresentação, desta vez, no Teatro Experimental Waldemar Henrique. 

Elas buscam este patrocínio por meio de uma campanha de financiamento coletivo, lançada pelo site Eu Patrocino, que opera pelo crowdfunding, cujo sistema, com o conhecimento de cada vez mais pessoas, tem realizado projetos incríveis no Brasil. Todo mundo pode colaborar e com muito pouco.

Aquela máxima de que a união faz a força, está valendo. Cacau Novais, Cristina Kahwage, Tarsila França e Karimme Silva entraram nesta maré e contam com a força de suas águas para trazer algo muito simples, chamado colaboração, para a realização de “Chão de Águas.

“Fizemos apenas uma apresentação em 2015 e o resultado foi tão bom e o retorno do público tão empolgante que percebemos que temos que voltar ao palco”, diz Cacau Novais, num papo rápido com o Holofote Virtual. “Antes da estreia, tentamos obter patrocínio, mas não conseguimos e tivemos que contar com a bilheteria, o que torna as possibilidades bem limitadas”, diz a cantora. 

“Estamos tentando trabalhar nessa campanha de arrecadação, mas ainda precisamos partir para uma maior sensibilização das pessoas e embora falte um pouco mais de 50 dias para ela terminar no site, ainda acreditamos que podemos conseguir”, conclui a artista.

A estreia do espetáculo no ano passado (Foto: Rogério Folha)
O financiamento coletivo tem se tornando, aos poucos, uma ferramenta mais e mais utilizada no país. O site mais famoso é o Cartase, que já está funcionando há quase seis anos, conseguindo financiar projetos independentes e de artistas nacionais, e o Kickante, que já lançou mais de 19 mil campanhas, captando mais de R$ 22 milhões em colaborações. Há outros espalhados por aí. Em Belém temos o Eu Patrocino, onde estão outros projetos paraenses, além do Chão de Águas.

Para quem ainda não conhece, o financiamento coletivo é muito simples. E também é seguro. Caso a campanha alcance o valor total, o espetáculo se realiza e quem colaborou ganha agradecimento, ingressos, brindes surpresas ou até mesmo citação de marca, caso seja uma empresa ou empreendimento criativo, no material de divulgação. Depende de quanto você puder doar. E se tudo falhar, quem doou recebe o dinheiro de volta, sem problema algum. 

O mais importante, porém, é a certeza de que se está colaborando e investido no fomento cultural e criando condições para que artistas paraenses coloquem no palco a sua arte e um público maior tenha acesso à arte.

A força feminina das águas
Crowdfudding - Uma alternativa à falta de políticas públicas que abracem a cultura de forma transparente e assertiva em Belém, o financiamento coletivo ainda é pouco conhecido por aqui e por conta disso a iniciativa não é fácil de ser levada até o fim, mas alguns artistas já conseguiram. O Arraial do Pavulagem recorreu ao Eu Patrocino e alcançou a meta de 20 mil reais. O grupo, tradicional e importante para a nossa cultura, convocou seus milhares de fãs, que atenderam o chamado e financiaram o tradicional arrastão junino, em 2015. 

O Pavulagem conseguiu, mas não é assim com todos. A maior barreira que vejo para o maior êxito desta iniciativa em Belém, onde várias campanhas já foram lançadas, sem sucesso de chegar a meta, é a pouca difusão do que se chama Crowdfudding. Por mais que os coordenadores do Eu Patrocinio, site local, já tenham promovido debates públicos, reuniões com artistas, o grande público ainda se encontra alheio, seja porque está desinformado, desinteressado ou mesmo desconfiado com este formato. 

Caso esteja com dúvidas, não custa buscar informação e quem sabe aderir e aumentar as possibilidades desta nova forma de se fazer cultura neste país. Muitos projetos não obtêm patrocínio de empresas, mesmo com carta de Leis de Incentivo, porque não são de natureza comercial, mas sim, de essência artística realizada com muita dedicação e verdade.

“Chão de Águas” pode voltar com sua colaboração

Entusiasmo no palco e plateia (Foto: Diogo Vianna)
Belém é quase uma ilha. Nesta cidade chove quase todo dia e quem nunca disse ou ouviu alguém dizer antes que aqui a gente respira água? Igarapés, rios, mar. Tempestades amazônicas. No espetáculo “Chão de Águas”, as cantoras e intérpretes Cacau Novais, Cristina Kahwage, Tarsila França e a convidada Karimme Silva nos convidam para um banho de histórias banhadas, cantadas e contadas com a força e delicadeza da interpretação feminina. 

Unindo música, teatro e poesia, “Chão de Águas” propõe um encontro de mulheres, de suas histórias e sentimentos. No palco, muita expressão de corpo e voz, além de elementos cênicos para enriquecer a interpretação das canções.

Além das cantoras, o show conta com uma equipe de profissionais como André Gaby, na direção musical e no piano, com o violonista Tom Salazar Cano e o percussionista JP Cavalcante. O figurino é assinado por Maurício Franco e a iluminação, por Malu Rabelo. 

O time de artistas de primeira linha, conta com um ambiente sugestivo, molhado, que remete o público a um cenário típico desta cidade, capital paraense, de coração amazônico. Assim pressentimos a chuva que molha a terra sob o sol escaldante da tarde, a água que evapora no ar e penetra nos poros de cada habitante desta cidade que se banha em vida, em cheiros e ritmos.

Os músicos tom Salzar e JP Cavalcante  (Foto: Diogo Vianna)
“A primeira apresentação de "Chão de Águas", no Teatro Margarida Schwazappa foi uma grata surpresa principalmente pelo desafio da empreitada: unir música, poesia, teatro num único espetáculo. Chão de Águas inundou a noite de beleza e sensibilidade”, disse o jornalista e escritor Walter Pinto, na primeira apresentação do espetáculo, em 2015.

Tendo a água, como fio condutor, o espetáculo flui numa corrente que leva e lava tudo ao redor. O público mergulha nas letras, nos poemas, na coreografia encharcadas de água e harmonia musical, tudo trabalhado numa perspectiva estética de grande efeito visual. A iluminação pontual valoriza a ação, incidindo sobre as intérpretes mergulhadas em penumbra.

“Chão de Águas é espetáculo belo de se viver. Um suave, profundo e poético mergulho, quase afogamentos meus. Águas, palavras, movimento. O sagrado no ser feminino. Vozes entrelaçadas no desaguar de seus próprios rios. Mulheres e seus líquidos afetos”, ressalta Sonia Situba, pedagoga e contadora de histórias, que também teve oportunidade de assistir o show.

Saiba como patrocinar