23.3.17

Um sábado de “Amostra aí” no Casarão do Boneco

O universo da contação de histórias e o mundo mágico do circo vão nortear a programação da Amostra Aí, neste sábado, 25, voltada ao público infantil. Os portões do Casarão do Boneco abrem às 18h, com a Feira-do-Casarão em pleno funcionamento, com direito a exposição de bonecos, comidinhas veganas, saudáveis, sucos, coisas legais de olhar, crianças espalhada por todo lugar, um brechó com roupas exclusivas da Nanan Falcão. É assim, em sábado de “Amostra Aí”. A entrada é pague quanto puder.

Entrada que se paga, quanto quiser, na saída. Explicando melhor, após cada atração, rola o chapéu ou, como em algumas ocasiões, as pessoas recebem um saquinho de papel para que, após a apresentação, contribuam.

O Casarão do Boneco é um espaço multicultural que tem como objetivo manter uma programação democrática e contínua na cidade de Belém. O espaço inicialmente era sede da In Bust, mas hoje se tornou um lugar de ocupação artística constante. 

Além da Amostra Aí, outras ações são realizadas garantindo minimamente a sustentabilidade do casarão, um lugar aberto aos artistas, à pesquisa de linguagens e à comunidade em geral. “Optamos pela filosofia do pague o quanto puder assim diversos públicos podem ter acesso a arte que o casarão oferece”, diz Paulo Ricardo Nascimento, da Cia In Bust Teatro com Bonecos.

Outra maneira de somar com os artistas é consumindo em sua feira. Tem comidinhas veganas da Alimentação Gentil - doces e salgadas, além de sucos de frutas. Roupas e acessórios do bazar do Atelier de Nanan, além de livros, DVDs e CD’s de artistas, disponíveis na lojinha.

É pra gente grande e pequena ver

Agora falando sobre o “Amostra ai”. Este  é o tradicional evento infantil do Casarão do Boneco e que nesta edição traz a história: “Fernando pessoa - Poemas para crianças”, com Vandiléia Foro, às 19h. Partindo do amigo invisível com quem muitas crianças compartilham suas brincadeiras, medos e alegrias, a atriz-educadora fala da infância, adolescência e a fase adulta do poeta Fernando Pessoa.

Em seguida, às 20h, tem cena curta da Cia. Sorteio de contos, “O Massacre do Eldorado do Carajás”. O conto traz a linguagem do sorteio de contos. Repleta de músicas, dança e versos a encenação é uma pesquisa prática do sapateado e da música do Coco Raízes do Arco Verde.

Para fechar a programação, às 21h, haverá apresentação de vários números circenses, adiantando a comemoração ao Dia do Circo, realizado no dia 27 de março, em homenagem ao palhaço brasileiro Abelardo Pinto, conhecido popularmente como Piolin, que nasceu nessa data em 1897.

Ficha Técnica: Paulo Ricardo Nascimento, Thiago Ferradaes. Produção: Nanan Falcão, Fatima Sobrinho, Andreia Rocha, Marina Trindade, Mauricio Francco. Fotografia: Uirandê Gomes. Arte grafica: Lucas Alberto. Apoio: Cultura Rede de Comunicação e Holofote Virtual.

Serviço
Amostra Aí. Neste sábado, 25 de março, no Casarão do Boneco. Os portões abrem às 18h. Quanto é: Pague o quanto puder. Onde fica: Av. 16 de Novembro, 815 – lado esquerdo – próximo à Praça Amazonas – São José Liberto. Mais informações: (91) 3241-8981.

21.3.17

A representação da mulher no cinema em debate

O tema será discutido junto a professora e crítica de cinema Luzia Miranda Álvares, no próximo dia 28 de março, às 18h30,  no mini auditório da Casa das Artes - Pça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. A programação é do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) e tem entrada franca. Para ir o aquecendo os sensores, a seguir um texto assinado por ela, sobre o assunto.


De Branca de Neve às Vadias:
"Imagens da Mulher no Cinema”

Por Luzia Miranda Álvares

Secularmente temos convivido com uma diversidade de representações sociais criados pela sociedade ocidental que tende a decidir entre normas e comportamentos que se inscrevem como parte das práticas dos humanos. As mulheres cruzam essas representações entre tempos e ambientes, contextos e histórias sempre direcionadas pelos costumes e pelas leis que as submetem a viver de acordo com os papeis sociais a elas exigidos por esses modelos.

Nessa lógica em que um sistema patriarcal se junta a outro sistema, o capitalista,criando-se representações, as regras sociais se tornam os meios que definem comportamentos de homens e mulheres e se não são exercidos, se tornam processos de discriminação, preconceito e violência. As mulheres são as principais vítimas desses processos.

O cinema, como arte visual, com sua linguagem nítida entre processos de forma e conteúdo, aproveita-se dessas versões e desloca para as imagens construídas a cultura circulante de cada época. Do cinema de animação, ao de ficção e ao documentário emergem imagens femininas variadas. Quais as que se juntam ao reforço à cultura patriarcal contemporânea e quais as que rompem esses ditames agressivos contra este gênero é o que se pretende articular na interlocução temática “De Branca de Neve às Vadias: Imagens da Mulher no Cinema”.

Cada pessoa tem sua própria versão sobre o modo como o cinema esboça seus argumentos e constrói suas personagens. Assim, onde vão estar os níveis de reforço ao processo discriminatório num determinado filme que assistimos? Esse é o debate. Essa é a causa de mantermos a arte em franca discussão do processo político de consciência crítica sobre as imagens.

Bruno Benitez e a latinidade da música amazônica

Bruno Benitez (Foto: Bruno Pellerin)
O músico nos apresenta “Miscigenado”, show que abre, nesta quarta-feira, 22, no Teatro Margarida Schivasappa (20h), o Festival Latinidade, reunindo os vários ritmos que formam o sangue latino e sonoro da música paraense. O ingresso custa R$ 10, 00, adquiridos pela plataforma sympla, ou até 19h30, na bilheteria do teatro.

Salsa, tango e merengue, lambada, guitarrada e carimbó. A apresentação conta ainda com os músicos Bruno Mendes (bateria e percussão), Beto Taynara (contrabaixo) e Jó Ribeiro (trombone e piano) e as participações de Ronaldo Silva e Félix Robatto. 

Bruno Benitez é o anfitrião desta primeira noite do festival que será itinerante e passará por oito espaços de Belém, incluindo os distritos de Icoaraci e Mosqueiro, com realização da M.M. Produções. O propósito é divertir e ao mesmo tempo contar a história desses ritmos, a partir da experiência e estilos dos músicos convidados, missão que inicia com o músico, multi-instrumentista e cantor que, além das influências latinas que recaem sobre “Miscigenado”, já possui uma latinidade espontânea herdada do pai. 

Filho de Daniel Benitez, compositor, cantor e multi-instrumentista uruguaio que se radicou no país, mais especificamente em Belém. Gravou com Beto Barbosa, Alípio Martins, Beto Douglas entre outros, e participou da banda Warilou. 

Bruno cresceu nesse clima latino paraense que facilmente o fez mergulhar neste universo profissionalmente. "O primeiro contato mais forte com essa música foi ao assistir a banda Warilou ao vivo. Aliás, o show deles era muito mais ousado nas fusões rítmicas do que os discos. Ali, a minha visão musical se ampliou bastante”, diz Bruno, que começou então a acompanhar o pai nos estúdios, na década de 90. 

“Ele, como bom uruguaio, gravava suas percussões recheadas de latinidade nos bregas, lambadas e merengues gravados aqui, e fazia isso desde os anos 1980, contribuindo para formatar o som daquela época, marcado pela influência latina. Daí em diante tudo ocorreu rápido”, comenta.

Antes de seguir pela carreira solo, em 2002, Bruno formou o grupo Mundo Mambo, projeto que segue na ativa,  dedicando-se a tocar tanto a salsa de raiz, assim como a música latino-paraense. Em 2014, o músico lançou o CD "Coração Tambor" e agora se prepara para lançar o terceiro álbum. Em entrevista ao blog, ele falou de sua trajetória e de como irá conduzir essa primeira imersão do Festival Latinidade, confira.

Holofote Virtual: O Festival Latinidade inicia com um show teu, o Miscigenado, que dá nome ao teu terceiro CD. O repertório será focado nas musicas inéditas do disco?

Bruno Benitez: Vou apresentar ao público metade do repertório do novo disco, que esta sendo produzido. Serão 5 músicas inéditas, explorando ritmos como Tango, Merengue, Cúmbia, Toada, entre outros. Posso dizer que metade do show é voltado pro CD Miscigenado, e a outra metade aos clássicos latinos e músicas paraenses.

Holofote Virtual: Como vai funcionar esta parte mais didática, o que estás trazendo de informações para o público?

Bruno Benitez: Gosto de comentar nos shows sobre as origens desta identidade musical latino-amazônica, que vem desde a era do Rádio de ondas curtas, dos marinheiros que aportavam em Belém (com vinis na bagagem), vindos do Caribe, guianas e outros países. Sem falar nos artistas latinos que passaram por Belém. Sabia que Bienvenido Granda cantou no Palácio dos Bares? É uma história de muitos capítulos.

Holofote Virtual: Vais receber dois convidados. Cada um deles tem luz própria e trabalhos distintos, que se unem quando o universo é amazônico. Gostaria que você falasse um pouco do trabalho dos dois artistas e onde é que a latinidade deles encontra musicalmente a tua. 

Bruno Benitez: Primeiramente são dois amigaços, daqueles que quando encontro rolam horas de papo bacana. Félix Robatto construiu desde o La Pupuña, e agora em carreira solo, uma sonoridade rica, recheada desse hibridismo cultural que faz todo mundo dançar e querer sempre mais. Ronaldo Silva é pura poesia, até num bate papo informal isso emana dele, junto com sua musicalidade plural, traduzida numa obra que permeia inúmeros universos musicais. 

Tenho a sorte de ser amigo e parceiro musical desses dois.Ambos estão participando da produção do CD "Miscigenado", que terá 02 faixas produzidas por Félix Robatto, além da música "Raio da Lua", parceria minha com Ronaldo Silva, que também canta comigo no CD.

Holofote Virtual: Em que momento está o trabalho e quando pretendes lançar Quem toca, quem participa...

Bruno Benitez: Estamos com 80% do CD pronto. Está sendo um processo de criação coletiva enriquecedor para mim. Junto comigo assinam a produção musical Félix Robatto, Lenilson Albuquerque e Daví Benitez. Quanto aos músicos, a base é a galera do Mundo Mambo, com alguns convidados, como o argentino Martín Mirol (Bandoneon), Príamo Brandão (Baixo acústico) e o Trio Manari.

Holofote Virtual: Atualmente além do teu trabalho solo, estás envolvido em outros projetos?

Bruno Benitez: Sim, o Mundo Mambo ainda é meu Xodó (risos), afinal são 15 anos de banda. Tenho também um evento mensal chamado "Malagueta na Cuia", uma festa dedicada aos ritmos latinos e paraenses, com discotecagem latina e oficinas de dança durante os shows.

Holofote Virtual: Paralelo à música... como é a vida de Bruno Benitez.

Bruno Benitez: Sou educador. Ensino geografia na Escola Bosque, unidade pedagógica da Faveira, em Cotijuba, e sou muito grato em poder contribuir na educação ribeirinha. 

A música envolve toda a família, desde minha filha Luna, que faz musicalização no Conservatório Carlos Gomes, a esposa Elaine, ajudando na produção dos shows, e o caçula Ian, bagunçando o quanto pode (risos).

Links para ouvir Bruno Benitez

https://www.youtube.com/watch?v=frqf7ZI2RY0
https://www.youtube.com/watch?v=xTumrgwq5yc
https://www.youtube.com/watch v=GBFHii68btM&list=PLEImsqViY5ciexktQSBSNSo23NekUYS32&index=6

Serviço
Festival Latinidade. Nesta quarta-feira, 22, a partir das 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Os ingressos custam R$ 10,00 pela plataforma sympla. (https://www.sympla.com.br/festival-latinidade-apresenta-show-miscigenado---bruno-benitez-e-convidados__126755) e até 19h30, na bilheteria do teatro. O projeto tem incentivos do Seiva, Fundação Cultural do Pará, Governo do Estado e da Prefeitura de Belém, pela Lei Tó Teixeira. Mais informações: 91 3355.8668.

20.3.17

Dois dias para a fotografia paraense em Tiradentes

Guy Veloso
A trajetória dos dois fotógrafos paraenses e suas histórias pessoais com a fotografia são contadas por eles mesmos nos volumes 5 e 6 da Coleção IPSIS de Fotografia Brasileira. Organizados pelo jornalista e curador Eder Chiodetto, e trazendo uma gama volumosa e importante de fotos que norteiam as carreiras de Elza Lima e Guy Veloso, os livros álbuns serão lançados nesta sexta, 24, e sábado, 25, no 7º Festival da Fotografia de Tiradentes, em Minas Gerais.

Guy Veloso tem 25 anos de carreira, mas a fotografia está na vida dele há mais tempo, desde a adolescência, quando aos 14 anos deu uma fugida de casa para ver uma exposição de Luiz Braga, na Galeria Angelus, do Theatro da Paz. 

O fotógrafo paraense Luiz Braga e o francês Cartier-Bresson eram referências em suas saídas para fotografar, enquanto também fazia graduação em Direito, curso que mais tarde foi abandonado. “... eu fotografava principalmente a cidade e o Círio de Nazaré; do Círio, tenho fotos desde 1989”, diz Guy.

Elza Lima, mais de 30 anos de carreira, começou a registrar as filhas em crescimento. Queria garantir imagens de uma época que normalmente se apagam de nossas memórias com o passar do tempo. Até que foi fazer um curso na Fotoativa. “Miguel Chikaoka estava iniciando sua escola e eu participei de suas primeiras turmas. Em seguida, convidada por Miguel, fiz parte do projeto de documentação da cidade velha, projeto que impulsionou minha carreira”, conta Elza.

É o primeiro livro 'solo' de ambos. Tanto Elza Lima quanto Guy Veloso, fotógrafos reconhecidos no cenário da fotografia contemporânea brasileira, têm publicado em diversos outros livros, mas ainda não tinham uma obra dedicada inteiramente a eles. 

“Todas as publicações, nestes 25 anos de fotografia, foram livros coletivos. É a primeira vez que uma editora e um curador importantes pegam o meu trabalho e copilam em uma só obra”, diz Guy.

“Acho muito gratificante ter meus primeiros 20 anos de fotografia publicado por uma da mais importante gráfica do Brasil, com a escolha de um dos mais atuantes curadores de fotografia do país. E para coroar tudo isso, fazer parte de um dos grandes eventos fotográficos da Terra Brasilis, onde conviverei dias de troca, de pensar a fotografia, suas implicações, contemporaneidade e capacidade em criar novos e críticos mundos”, complementa a fotógrafa, que já conta com mais de trinta anos de profissão.

O projeto dos dois volumes levou meses para ser desenvolvido. Desde a busca de material no vasto acervo dos fotógrafos, todo um cuidado com o tratamento e impressão, os textos que introduzem o universo fotográfico de cada um, uma viagem pela religiosidade de um Brasil profundo ao imaginário nas profundezas da Amazônia. Elza e Guy pesquisam a fundo a brasilidade em diversas suas manifestações. A publicação dos volumes 5 e 6 dedicados a suas trajetórias é justa e já se fazia há algum tempo necessária diante da extensão da obra de cada um.

Elza Lima
“Mandei mais de 200 imagens fotografadas entre 1985 ao início do ano 2000, cobrindo assim os 20 anos de uma carreira que completa, em 2017, 33 anos”, diz Elza. 

De gerações diferentes, mas contemporâneos no fazer fotográfico, Guy e Elza desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos. Ela evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas. Ele nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

“O Eder pediu que eu buscasse no meu acervo cerca de 400 fotos do tema religião. Levei quatro meses para organizar. Em nossa primeira conversa acordamos que a linha curatorial não seria só a religião, mas um recorte dela, no caso, o Transe”, diz Guy.

Após o lançamento, Elza Lima volta a se dedicar aos dois projetos que tem em andamento. "Do Olho do Peixe a Roda da Saia", que fará uma ligação entre as pescadoras do Porto do Milagre, em Santarém no Pará, e as Avieiras, pescadoras de Santarém em Portugal. O segundo tem o título de "Poema é Coisa de Ver". "É um vídeo instalação onde reinterpretarei um poema de Alphonsus de Guimarães”, revela.

Guy Veloso
Guy Veloso segue seu trabalho de registro e pesquisa do projeto Os Penitentes. 

“Tenho obsessão pelo tema, digo obsessão porque venho nesse processo já tem 16 anos. 

Os Penitentes são aqueles grupos laicos familiares, a maioria deles secretos, que eu fotografo durante a Quaresma e a Semana Santa”, diz o fotógrafo. É o mesmo projeto que, em 2010, foi selecionado para a Bienal de Arte São Paulo. “Além disso, eu fotografo os cultos afro descendentes, com ênfase no transe, por isso foi muito fácil fazer esse livro com o Eder, seguindo esta linha artística”, conclui Guy.

O Festival de Fotografia de Tiradentes - Foto em Pauta inicia nesta quarta-feira, 22, e segue até domingo, dia 26. O festival conta com atividades ministradas por grandes nomes da fotografia no Brasil e no mundo, além de exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólio, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local. 

Confira a programação: http://fotoempauta.com.br/

Show de Dand M. e Trio Manari na Casa do Fauno

Esta semana, na Casa do Fauno, a música ao vivo conta com a irreverência poética de Dand M., que na quinta-feira, 23, apresenta o show “Dose dupla de poesia e música” e, na sexta, 24,  entra em cena o virtuosismo percussivo do Trio Manari. Além da música, o espaço oferece bistrô e bar, livraria e brechó. Na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada: R$ 15,00. Informações e reservas de mesa: 91 9807.0609.

Dand M. é escritor, compositor, cantor e produtor. Acompanhado do  grupo Rivo Trio, ele promete, como sempre, escandalizar. A programação desta quinta, 23, inicia às 21h, com o relançamento de seu último livro publicado, "Antmor". O poeta também vai recitar poemas inéditos e, em seguida, às 22h, o show inicia.  Dand M. é escritor, compositor, cantor e produtor. 

A música e a poesia são o fio condutor e antenado de Dand M. no efervescente panorama do mundo, ligação esta que resulta em canções que reverberam nas vozes de intérpretes como Arthur Nogueira, Felipe Cordeiro, Olivar Barreto, Vital Lima e Arthur Espíndola – que incluiu em seu recente DVD a música “Canal do Galo”, uma parceria de Dand M. com Paulo Lobo, seu cúmplice musical. Dand também tem canções feitas Vinicius Leite, Pedrinho Callado, Marcos Campelo, Paulo Moura, Renato Torres, entre outros.

Da repercussão nacional, este ano, a canção “Voz da Vida” (Dand M./Arthur Nogueira) foi gravada por Cida Moreira, um dos grandes nomes da MPB, em CD lançado este ano. A mesma música foi incluída no repertório de Ana Carolina, em show com estreia no Rio de Janeiro e depois em turnê pelo Brasil.

Na sexta tem Trio Manari

Pesquisa, experimentalismo e virtuosismo. O Trio Manari é hoje referência na música brasileira, no campo da pesquisa e da execução percussiva com características amazônicas. O trabalho do grupo o levou  a turnês pelo Brasil e pela Europa com os cantores Marco André e Fafá de Belém, respectivamente, além de diversas apresentações solos.

Nazaco Gomes, Kleber Benigno e Márcio Jardim são músicos reconhecidos no meio artístico paraense, que se uniram no ano de 2000 com o intuito de pesquisar os ritmos amazônicos para compor arranjos percussivos, dando uma linguagem universal a seus trabalhos. 

Serviço
Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa.  Mais informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. Entrada: R$ 15,00.

17.3.17

É semana de francofonia na petit Paris N'américa

Maiwenn (esq.) e colaboradores da semana de Francofonia 
Franceses aqui, se apaixonam pela cidade. Paraenses que voam à Paris desejam ficar por lá. Um quê de namoro que não é de hoje. Da Belle Époque ficaram os indícios desta conexão. A Casa Paris n'América que resiste ao tempo no centro histórico. Três andares de puro Art Noveau. O tempo passou e hoje, além da arquitetura, há mais interligando as culturas paraense e francesa. 

É o que a Semana Internacional de Francofonia quer enfatizar não só durante estes dez dias, na capital paraense, mas ao logo de todo o ano, quando muitos outros eventos francófonos serão realizados integrando o calendário cultural da cidade.

Aberta nesta quinta, com uma mostra de filmes francófonos, a semana reúne uma série de ações e diversas áreas da cultura, como música, gastronomia, teatro, lançamento de livro e muitos encontros que pretendem movimentar a cena francesa em Belém do Pará. Trazendo como o tema a "Política?" a mostra de cinema ganha sessões no Sesc Boulevard e no Cine Olympia, que exibiu esta noite, o filme “38 testemunhas” - 38 Témoins (França 2012), de Lucas Belvaux (Drama em cores/104’). Este será reprisado dia 21, às 18h30, no mesmo cinema.

programação da Semana de Francofonia foi esmiuçada e apresentada nesta quinta-feira, 16, à imprensa em uma coletiva que reuniu na sede Aliança Francesa de Belém, a diretora Maiwenn Le Nedellec, e alguns dos parceiros e colaboradores da programação, como Ana Maria Nascimento e Marcos Antonio Brasil, do Bike Tour;  Paulo Anijar, do restaurante Santa Chicória; a cantora Alba Maria, Cláudia Pinheiro, diretora do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, Bruno Pellerin, autor do livro Bar do Parque, e Abdel Abdelb, professor da instituição.

Garçons do Bar do parque entram na programação

Bruno Pellerin, com seu Bar du Parque - livro bilíngue
Bruno Pellerin, que lança o livro de fotografias “Bar do Parque” disse ao Holofote Virtual que vai realizar uma foto histórica no lançamento, sábado, 18, às 18h na Casa do Fauno. Ele convidou garçons de três gerações do Bar do Parque para um registro histórico. O clic será sem dúvida um momento marcante, com direito a depoimento dos ex-funcionários.

“Eu quero ressaltar a importância e a história do bar do Parque. Por isso vou reunir estes garçons para contarem sua história e também chamar atenção da população e do poder público quanto ao patrimônio arquitetônico e também cultural da cidade”, diz o fotógrafo francês, que mora em Belém desde 2003. 

Também, na Casa do Fauno, haverá show com a cantora Alba Maria, que será acompanhada por Floriano Santos (violão), Kleber Benigno Paturi (percussão) e Adelbert Carneiro (baixo), a partir das 22h. Além de lançar o livro, Pellerin também vai expor fotos. A entrada para o lançamento é franca. A partir das 22h, com música ao vivo, paga-se o valor da casa R$ 15,00.

Aula de patrimônio sob duas rodas

Marco Antonio do Bike Tour, com Maiwenn, diretora da AF
No domingo, 19, achei super interessante. Haverá um passeio ciclístico voltado ao patrimônio arquitetônico que traz em si, resquícios da arquitetura francesa. O 1o módulo do Projeto Bike Tour Roteiros, voltado ao contexto da Bélle Époque, traz informações históricos, e também te leva à galerias de arte sitadas em pleno centro histórico da cidade. É uma oportunidade de conhecer mais sobre a cultura paraenses, de uma fora saudável. 

Haverá infra-estrutura para o passeio com Bike Sons, Foods Bikes ( lanches gratuitos), mecânico, monitores bilíngues e PMs em Bikes garantindo a segurança nos cerca de 6 quilômetros a serem percorridos. “Será didático e pedagógico. Vamos unir aqui esporte, cultura, prazer e conhecimento. Num primeiro momento passaremos por quatro galerias de arte e depois num contexto mais histórico e paisagístico, passaremos por duas praças”, explicou Maiwenn Le Nedellec, diretora da Aliança Francesa.

“É a segunda vez que firmamos esta parceria com a Aliança Francesa. A primeira experiência teve bons resultados. O passeio é monitorado e vamos falando do contexto histórico por onde passamos”, diz Marco Antonio, que coordena com Ana, o bike tour.

Isa Arnour, presidente da ABRAJET-PA, com Bruno
Quem estiver interessado, ainda dá tempo de se inscrever, na Aliança Francesa de 15h as 19h, nesta sexta-feira, 17, e no sábado, 18, pela manhã até 12h. O investimento é 30 reais para alunos da Aliança Francesa e 40 reais profissionais. Ah, sim, já ia esquecendo. Caso você não tenha bike – eles pensaram em tudo – haverá aluguel, no ponto de saída do passeio. É só chegar junto e cedo, para garantir a sua.

Na semana que vem, já na terça-feira, 21, rola a parte gastronômica. É o mesmo dia em que realiza um evento chamado “Sabor da França”, em quase 2 mil restaurantes espalhados pelo mundo. Há 178 participando no país, e em Belém, dois, o Santa Chicória e o Le Bistrô. A ideia é trazer a cozinha original.

“A gastronomia francesa para mim é a mãe da gastronomia mundial, embora tenha me formado na cozinha italiana, sou apaixonado por esta cultura francesa. Por isso, os pratos do almoço que vamos servir e os da degustação serão originais, seguindo a tradição do país”, disse Paulo Anijar.

Atenção que para participar do jantar você precisa comprar seu passaporte para experimentar com 8 pratos e dois tipos de vinhos. Vendas até sábado – R$ 89,00 para o almoço e R$ 198,00 para o jantar que traz uma variedade maior de pratos para degustar e três tipos de vinhos.

Além disso, nesta parte mais deliciosa da programação, haverá ainda um Ateliê de vinho, queijos e pão francês. Também tem que se inscrever, custa R$ 150,00 – alunos pagam R$ 120,00 -, dando direito a 3 vinhos, 3 queijos e sorteio de uma garrafa de vinho.

8 músicas inéditas num show franco paraense

Alba Maria canta na capela para a Tv Cultura do Pará
Sobre a música já sabemos que haverá uma apresentação inédita, no enceramento da semana, dia 26 de novembro, no Theatro da Paz.  Para construí-lo será realizado um verdadeiro laboratório musical, de uma semana, na sala de ensaio do Teatro Margarida Schivasappa, reunindo músicos franceses e paraenses.

A cantora Alba Maria participa do laboratório com os franceses Steve Shehan (multi- instrumentista, percussionista franco-americano), Christian Belhomme (pianista de jazz  francês) e Steeve Brudey (ator, cantor franco-guadalupeano). Os paraenses Adelbert Carneiro (baixista), Edvaldo Cavalcanti (bateria) e Kleber Benigno (Percussão – Trio Manari) também imergirão com os franceses.  

O desafio do laboratório será criar oito músicas a serem apresentadas dentro do programa do show do domingo, 28. Será um show de música franco paraense. “Vamos fazer música francesa e paraense. Ou música paraense em francês. Esse projeto de encontro entre músicos franceses e paraenses demorou a nascer, mas será realizado da melhor maneira”, disse Alba Maria, cantora paraense, que morou e cantou profissionalmente em Paris, logo no inicio dos anos 2000.

“Conheci o Steve aqui mesmo em Belém, na ilha do Combu, durante uma entrevista e gostei muito de sua musicalidade. Fiquei impressionada quando ele começou a tirar som de uma folha de açaí, já seca”, comentou a cantora que também ressaltou a importância do músico. “Ele é uma grande estrela internacional da música. Tem mais de 20 álbuns gravados no mundo e tocou com outros grandes artistas, como Paul Simon e Bob Dylan”, finalizou.

A apresentação será composta desta parte de criação musical franco-paraense inédita, o melhor das músicas francesas, com Steve Shehan Trio (França) e ainda um repertório de grandes nomes da música paraense, com Alba Maria. Haverá também participação de Carla Cabral (cavaco) e Salomão Habib (violão). O ingresso custa R$ 20,00 e R$ 10,00, a meia.

Mais cultura francesa para Belém este ano

Livro traz textos de Elias Ribeiro e Ronaldo Franco 
Depois desses dez dias, várias outras programações e conexões serão feitas com a cultura francesa, por aqui. Maiwenn, que assumiu a direção da instituição em Belém, em 2016, disse que em sua gestão haverá novidades para a capital paraense. 

“Vamos atuar em duas frentes. Daremos continuidade do que sempre foi feito pelas Alianças no mundo, que é conectar a cultura francesa com a cena local e desenvolver projetos de colaboração artística com músicos, autores, atores, chefs, poetas paraenses com franceses ou francófonos”.

Entre os eventos apoiados pela Aliança está a Feira Pan Amazônica do Livro. “Em maio traremos jornalistas da Guiana Francesa, assim como um poeta especialista em literatura africana”, revelou a diretora. 

Maiwenn garantiu que eventos como Festa da Música no Mundo, Festa da Gastronomia e os eventos na área de artes visuais continuam no calendário oficial da Aliança Francesa de Belém e serão realizados este ano. “Além disso, eu vou fazer propostas inéditas para a cidade de Belém, e muito ligadas à cena artística da Guiana Francesa, que são nossos vizinho”, afirmou. A Semana de Francofonia, é só o começo.

14.3.17

“A Intrusa” tem lançamento na Casa da Linguagem

Professora de literatura na UFPA, com textos publicados em revistas e sites, Izabela Leal o livro "A Intrusa”, nesta sexta-feira, 17, às 18h, na Casa da Linguagem. Na programação, além dos autógrafos, haverá um bate-papo com o Nilson Oliveira, editor da Revista Polichinello, e leitura de poemas com Rodrigo Oliveira, Dayse Rabelo e Galvanda Galvão. Entrada franca.

“A Intrusa” mereceu a premiação de Melhor Novo Autor Fluminense, na 1ª edição do Prêmio Rio de Literatura, em 2016. A apresentação do livro é assinada por Ana Alencar, crítica literária, tradutora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A foto da capa é do Caio Meira, poeta e fotógrafo.

“Esse é meu primeiro livro publicado sim. Acho que os prêmios são importantes porque dão visibilidade à obra, sem contar que para o autor é muito bom saber que foi lido por pessoas altamente qualificadas”, diz Izabela, nascida no Rio de Janeiro em 1969. 

Obra fragmentária, é composta por vários textos que se articulam entre si, oscilando entre a prosa e a poesia, pegando emprestado o clima de suspense do romance policial e um tom performático do teatro. “isto não é um diário. /não vou escrever minhas memórias /nem testemunhar a época em que vivemos juntas. /não se trata de confissão”.

O ponto de partida do livro é determinado por situações aparentemente cotidianas, mas pontuadas por um estranhamento em que se percebe a tensão existente no ato de conviver com o outro, sobretudo o outro que nos habita e que comparece no ato de escrever. “hoje morreu chantal akerman deu no noticiário./nada a ver com a universal reportagem fatos e fotos /manchete caras. vi hotel monterey com uma amiga”.

Livro revela um novo estilo na carreira da autora

Poeta, ensaísta e professora de literatura portuguesa (UFPA), pesquisa sobretudo questões ligadas à poesia contemporânea e à tradução. Tem poemas publicados em revistas literárias como Inimigo rumor, Zunái, Coyote, modo de usar & co., Poesia sempre, Polichinello, e nas antologias Caos portátil. Poesia contemporánea del Brasil (México, 2007), Otra línea de fuego. Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas (Espanha, 2009) e Todo começo é involuntário: a poesia brasileira no início do século XXI (Brasil, 2010), entre outras.

“Eu sempre escrevi poesia, tenho vários poemas publicados em livros e revistas, mas esse livro de fato rompeu um pouco com a ideia mais rígida de um estilo. Não foi algo tão pensado, pelo contrário, eu me dei conta de que o livro tem a sua própria autonomia. Ele vai se escrevendo sozinho (risos), esse livro não se parece com nenhum dos que eu em algum momento planejei escrever”, comenta.

Atuante integra o núcleo editorial da revista literária Polichinello, onde discute temas e organiza com os demais editores, o material que será publicado. “É um trabalho em parceria, sempre difícil em função das limitações orçamentárias. É uma pena não termos possibilidades de apoio em editais ou outros recursos que ajudariam a manter uma periodicidade maior da revista”, diz a escritora.

A paixão pela literatura também a levou a trabalhar com a linguagem do audiovisual. Atualmente tem produzido videoartes que estabelecem um diálogo entre o cinema e a literatura. 

“O trabalho que tenho desenvolvido com videoarte é uma parceria com uma amiga, Galvanda Galvão. Fizemos uma pequena produtora, a Sibila filmes, e já produzimos quatro vídeos, todos eles voltados ao diálogo entre a literatura e a imagem. É interessante que esse trabalho permite dar ênfase à literatura local, aproveitando a possibilidade do vídeo para chamar a atenção para poetas menos conhecidos fora de Belém, como é o caso de Paulo Plínio Abreu”, revela. 

No momento Izabela diz que não há vídeos disponíveis na internet pois são trabalhos recentes que estão participando de mostras e festivais, mas já dá a dica para quem quiser assistir a alguns deles, em Belém. "Temos dois vídeos selecionados para a Mostra Sesc de Cinema, que deve ocorrer em breve. No dia 24 de março também haverá uma exibição na Casa das Artes”, avisa.

Serviço
Lançamento “A Intrusa”, de Izabela Leal. Autógrafos, bate papo e leitura de poemas. Nesta sexta-feira, 17, às 18h, na Casa da Linguagem - Avenida Nazaré, 31.

Músicos da nova geração realizam show solidário

Feira EquatorialDois na JanelaRaoni Figueiredo realizam, nesta quinta-feira, 16, um show solidário, no Espaço Cultural Apoena. A renda será revertida ao tratamento de saúde de Dayana Pamela, uma amiga, que precisa realizar uma cirurgia. O ingresso custa R$ 10,00.

Além do show haverá um brechó, também, com renda voltada ajudar com os custos dos tratamentos de Dayana.  O intitulado “SolisDay” é mostrar os trabalhos autorais das bandas e do cantor. Três apresentações, com o melhor do repertório de cada um. 

“A música tem o poder de emocionar e transformar. Isso é o que nos une para fazer esse show que se destina a ajudar a nossa amiga Dayana. Com a música todo mundo ganha, se emociona, se transforma e alimenta a alma. A cena da cidade, também, ganha com essas apresentações", afirma o cantor Raoni Figueiredo. Os músicos representam a nova geração da cena musical de Belém e prometem uma onda de boa música autoral. 

Em processo de produção e gravação de EPs, as duas bandas e Raoni  vão tocar ao vivo, canções ainda inéditas mas que em breve serão compartilhadas com o público na grande mídia. A produção deles pode ser conferida nas plataformas musicais e mídias sociais, como Soundcloud. Youtube e Facebook. 

O show e o brechó são duas das ações que estão sendo realizadas por amigos e familiares, para ajudar a jovem de 25 anos. A Day, como é carinhosamente conhecida, precisa fazer uma cirurgia para retirada de nódulos nas mamas e uma mamoplastia redutora, avaliada em R$ 12 mil. 

Além disso, Day sofre de uma doença crônica, desde 2011, cujos sintomas lhe trouxeram limitações e complicações renais e a tornaram depende de uma medição, cujo custo mensal é de R$ 1 mil, em virtude de o tratamento no SUS ter sido suspenso pelo Governo Federal. 

Serviço
SolisDay”. Nesta quinta-feira, 16, a partir das 20h, no Espaço Cultural Apoena. Ingressos: R$ 10,00. Informações: 98203-8913//98355-5024. As contribuições em dinheiro estão sendo feitas com depósito no Banco Itaú - Agência 7494 - c/c 10731-6.  

Registro fotográfico em Belém chega a Tiradentes

Durante dois meses o fotógrafo mineiro Cyro Almeida percorreu os bairros de São Brás, Guamá, Condor, Jurunas e Cidade Velha, em Belém, marcados pela incidência de assaltos e homicídios. Intitulado “Pequena Rota do Insuspeitável”, o projeto foi contemplado com o XV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), na categoria Documentação Fotográfica do Brasil, resultando em um fotolivro em formato tablóide de 32 páginas, que será lançado no Foto em Pauta, dia 25 de março, dentro da programação do Festival de Fotografia de Tiradentes (MG).

Da janela da van, no enquadramento da velocidade do transporte não regulamentado de Belém, o fotógrafo mineiro Cyro Almeida – que vem constantemente à cidade desde 2009 – passou a observar os bairros da periferia da cidade, rota desse tipo de veículo onde geralmente o transporte público oficial não circula.

Além de notar referências comuns de paisagem, arquitetura e modo de organização social, ele também passou a estabelecer contato com os moradores, dos feirantes e ambulantes às pessoas que ficam na frente de suas casas para bater papo com os vizinhos. Em sua jornada por estes bairros, a cada nova esquina que se preparava para fotografar, alguém tratava de alertá-lo do perigo iminente.

Tal situação, apesar de não ser o mote principal do projeto, acabou se transformando em um metadiscurso do que ele produziu, viabilizado o livro em formato de tabloide – o mesmo dos jornais populares que estampam a violência cotidiana nas ruas da cidade.

“Percebo algo que me encanta e me interessa muito. As fotografias não tratam da violência urbana, mas desafiam a pensar como a representação estereotipada, a distinção social e fantasia do medo, quando repetidas exaustivamente contra essas regiões periféricas, reforçam estigmas e a própria violência que criticam”, diz Cyro sobre a escolha dos espaços percorridos no trabalho.

A publicação contém as fotografias realizadas durante o período de dois meses de imersão na capital paraense. Nas últimas semanas na capital paraense, Cyro Almeida revisitou os mercados públicos e as feiras para distribuir o tabloide às pessoas que havia mantido contato e fotografado. “A ideia é que esse material possa circular de forma massiva. Escolhi não fazer uma exposição nesse momento, pois é um tipo de veiculação mais restrita das imagens.”, explica.

Serviço
Lançamento do livro “Pequena Rota do Insuspeitável”, de Cyro Almeida. Foto em Pauta - 7º Festival de Fotografia de Tiradentes. Dia 25/03, às 18h - Centro Cultural Yves Alves (R. Direita, 168 - Centro, Tiradentes - MG). Participação e distribuição do livro gratuitas.

(Com informações da assessoria de imprensa - Sorella Conteúdo - Dominik Giusti)

O “Bar do Parque” pelas lentes de Bruno Pellerin

Ele mora no 12º andar de um prédio situado na Presidente Vargas. O fotógrafo francês que escolheu Belém para viver, tem uma vista privilegiada da Praça da República e seu entorno. Mangueiras centenárias, trânsito intenso, um vai e vem de pessoas, prédios históricos, e uma de suas paixões, o Bar do Parque, que ele transformou em livro e lança no próximo sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h.

Apaixonado por Belém, e morando aqui desde 2003, Bruno Pellerin ainda tem dificuldades com o português, o que não se torna necessariamente uma barreira uma vez que ele, em compensação, se comunica muito bem através da música que segue e da fotografia que produz.

É fácil encontrá-lo no circuito artístico, geralmente onde a linguagem é  a música. Conhece os músicos de referência da cidade e descobre novos trabalhos pelos quais também vai se apaixonando. Muitas das amizades que fez em Belém, resultaram em fotografias de artistas e que estão em grande parte neste livro.

Além de trabalhos jornalísticos, Bruno cria poéticas visuais. E o Bar do Parque foi para ele um achado que traduz muito de sua sensibilidade e paixão por Belém. O quiosque centenário situado na Praça da República, ao lado do Theatro da Paz, nosso monumento à Bélle Époque, foi construído no período em que o charme da sociedade paraense era se sentir francesa. Com o passar do tempo se tornou uma verdadeira instituição da boemia e mais tarde, já numa certa decadência foi perdendo seus assíduos visitantes, artistas e intelectuais, que se misturavam a outros personagens noturnos dos mais inusitados.

Quem muito frequentava, e se ainda estivesse vivo teria sido certamente fotografado por Bruno, era o poeta Ruy Barata. Muita gente fala até que aquela estátua dele deveria mesmo era estar no bar do parque e não no Parque da residência. Concordo. 

Assim como ele, diversos artistas fizeram do Bar do Parque seu local de criação. Quantas músicas e poemas foram produzidos ali. Bruno Pellerin me conta que foi isso que o despertou. "Os artistas não podem abandonar o Bar do Parque", comenta. 

"Percebi que era um lugar importante para eles criarem músicas, ideias, mas que aos poucos foram deixando de frequentar"  diz ele que passou então aos registrar músicos, jornalistas, poetas que sentavam ali, de dia, tarde ou noite, durante anos e o resultado vamos ver no livro, "um sonho a ser realizado', diz o fotógrafo, que custeou o projeto sozinho e ganhou agora apoio para seu lançamento.

De Paris para o mundo e finalmente Belém

Bruno com Nego Nelson, no Bar do Parque
De Paris, na França, o fotógrafo saiu pelo mundo a fotografar pessoas e registrar paisagens em seu caminho. As impressões de lugares por onde trabalha, vagueia ou passeia, ficam nele, que percorreu a África, Índia, Turquia, Irã, União Soviética. 

Foi assim que ele desembarcou por aqui e se apaixonou, pela cidade e por uma mulher. Ficou. De 2005 a 2008, dividiu-se entre Belém e Paris, até se fixar na capital paraense, onde abriu um estúdio em que utiliza o gênero delicado do Retrato como forma de referenciar, entre outras coisas, a produção artística do Pará.

Bruno Pellerin tem formação técnica como fotógrafo, em escola na França. Desenvolve essa atividade há mais de 30 anos. Especializou-se em fotografia de moda e de artistas.  É ganhador do prêmio 'News' de reportagem fotográfico em 1982 em Paris, entre os principais trabalhos realizados, nessa fase, destacam-se a cobertura da Semana de Moda de Paris e a cobertura fotográfica de diversos desfiles das coleções de grandes estilistas de renome internacional como Givenchy, Ted Lapidus, Chanel, Dior, Paco Rabanne, Jean-Paul Gaultier, Guerlain entre outros.

Já publicou trabalhos em dois dos principais editoriais de moda da Europa: as revistas Paris Match e Gala. Em contato constante com uma agência de Paris, realizou uma série de reportagens sobre a fauna paraense em diferentes ilhas da Amazônia, sobre o artesanato e músicas da região e também sobre o Círio de Nazaré.

Boemia de quiosque suspensa por tempo indeterminado

É oportuno este lançamento de Bruno Pellerin para questionarmos a enorme demora para se concluir as obras que deveriam estar sendo realizadas no Bar do Parque, fechado para isso desde julho de 2016. 

Seriam apenas três meses para o serviço, mas se você passar por lá não vai nem mais vê-lo. Está fechado entre tapumes e sem nenhum serviço sendo executado. Na primeira etapa, em dois meses, se mexeria na reforma do subsolo, onde ficam banheiros e cozinha, e na plataforma onde ficam os clientes. Na etapa seguinte, o quiosque receberia as obras, que fazem pate do restauro do Complexo da Praça da República, que aliás está também com vários tapumes ao redor de seus coretos e lagos. O estado é de abandono. O Bar do Parque faz falta. Muita falta.

Serviço
Lançamento do livro “Bar do Parque”, de Bruno Pellerin. Neste sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h. Além de autógrafos, a noite contará com música ao vivo, e exposição de fotos do fotógrafo francês que escolheu viver em Belém do Pará. A programação integra a Semana de Francofonia, e é uma parceria com a Aliança Francesa de Belém. Tv. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Mais informações: 91 98705.0609.

12.3.17

Arte e gastronomia francesa no circuito da cidade

Nos próximos dias, parte da programação cultural da cidade estará inspirada na França. É que de 16 e 28 de março, a Semana da Francofonia vai oferecer ao público, através de uma vasta programação, um contato mais próximo com o universo da língua e da cultura francesa, reunindo arte e gastronomia, música e lazer, realizados em diversos espaços da cidade. Os eventos contam com a presença de artistas franceses e locais, a fim de promover troca de experiências artísticas e culturais entre o Brasil e a França. 

A semana inicia com a abertura da mostra de filmes francófonos, no dia 16. Trazendo o tema “Política?”, terá exibições nos cinemas Olympia e SESC Boulevard. A curadoria dos filmes contou com Rurik Sallé, especialista em cinema, editor e diretor de publicação de Distorsion (livro e revista sobre cinema, música e literatura), ator e compositor, e apoio da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, CinéFrance e o Institut Français.

Seguindo a programação, no dia 18 de março, haverá o lançamento do livro de fotografias do fotógrafo francês Bruno Pellerin sobre o Bar do Parque de Belém, o quiosque mais francês do Norte do Brasil. Organizado com e na Casa do Fauno, o evento contará também com uma exposição de fotografia do próprio artista. 

Já no domingo do dia 19 de março, a ação da “Bike Tour Roteiros” levará os participantes através de um passeio cultural de bicicleta a conhecer galerias de artes e praças que em Belém trazem influência francesa A programação continua no dia 21 de março, no restaurante Santa Chicória, com o evento Gôut de France/Good France, promovido no mundo inteiro e envolvendo os maiores Chefs na realização de menus franceses originais. Serão propostos almoço e jantar pelo Chef Paulo Anijar, com um menu exclusivo e totalmente francês.

Pela primeira vez em Belém

No dia 26 de março, 19h, acontecerá um dos espetáculos mais esperados da programação – o grande Show da Francofonia – que celebra, com uma criação musical inédita, o melhor da música francesa em grande estilo no Theatro da Paz.

O repertório traz Serge Gainsbourg, Edith Piaf, Claude Nougaro, George Bizet, Jeanne Moreau, France Gall, assim como os grandes Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que serão reinterpretados em francês à luz do talento do trio de jazz e música do mundo, Steve Shehan Trio, que conta com Steve Shehan (multi- instrumentista, percussionista franco-americano), Christian Belhomme (pianista de jazz  francês) e Steeve Brudey (ator, cantor franco-guadalupeano).

A apresentação conta com participação de músicos paraenses como a cantora Alba Maria, o baixista Adelbert Carneiro, baterista Edvaldo Cavalcanti e convidados como Kleber Benigno, Carla Cabral, Salomão Habib e outros.

O encerramento da programação inédita na cidade acontecerá no dia 28 de março, com o atelier de vinhos e queijos franceses ministrado pela sommelière Ana Luna Lopes (Le Bistrot, Belém) e com a participação do Chef Boulanger Paulo Chaves (Líder, Belém) na sede da Aliança Francesa de Belém.

PROGRAMAÇÃO

CINEMA
MOSTRA DE FILMES FRANCÓFONOS
Com o tema "Política?". Filmes de alta qualidade legendados em português.
De 16 a 28/03 - Cine Olympia e Sesc Boulevard - Entrada franca.

FOTOGRAFIA
LANÇAMENTO DO LIVRO DO FOTÓGRAFO BRUNO PELLERIN “O BAR DO PARQUE
Exposição e venda de fotos do artista; venda dos livros e coquetel francês.
18/03 – 18h – Casa do Fauno (Rua Aristides Lobo 1061, Reduto) – Entrada franca.

ESPORTE
ROTEIRO BIKE TOUR “PRAÇAS E GALERIAS DE ARTE”
Roteiro de bike (6km) com visitas guiadas e mini aulas rápidas de francês básico.
19/03- Saída 8h da Aliança Francesa de Belém– Inscrições na AF Belém. R$30 (membro AF Belém) e R$40 (externo).

GASTRONOMIA
ALMOÇO E JANTAR GOÛT DE FRANCE
Celebração do melhor da gastronomia francesa.
21/03 – 12h E 20h – Santa Chicória – Inscrições na AF Belém e Restaurante Santa Chicória.
Almoço R$ 89,00 - Jantar R$ 198,00.

ARTE E CULTURA
PALCO ABERTO
Apresentações culturais e artísticas do Mês da Francofonia de alunos e professores da AF Belém.
24/03 – 17h30 - Salão Cultural da AF Belém – Entrada Franca.

MÚSICA
SHOW DA FRANCOFONIA – CONCERTO FRANCO-PARAENSE
Criação musical franco-paraense inédita: o melhor das músicas francesas. Com Steve Shehan Trio (França), Alba Maria e grandes nomes da música paraense.
26/03 – 19h – Teatro da Paz – Ingressos na AF Belém e no Teatro da Paz. R$ 20, 00 - inteira e R$ 10,00 - meia.

GASTRONOMIA
ATELIER DE VINHOS, QUEIJOS E PÃES COM ANA LUNA LOPES E PAULO CHAVES
Atelier de técnicas de degustação e harmonização com a sommelière Ana Luna Lopes e presença especial do Chef Boulanger Paulo Chaves.
28/03- 19h – Salão Cultural AF Belém – Inscrições na AF Belém. R$ 120,00 (membro AF Belém) e R$ 150,00 (externo).

"Máquinas Para Filosofar" sobre arte e fotografia

O “Máquinas para Filosofar”, projeto do Centro Cultural Sesc Boulevard - CCSBrecebe Afonso Medeiros e Maria Christina, para falar sobre fotografia e signos, a partir de suas trajetórias e experiências com a imagem.  Nesta próxima terça-feira, 14, às 19h, com entrada franca.

O bate papo "Fotografia - Histórias e Signos que atravessam o tempo" propõe possibilidades de mil desdobramentos, no âmbito da imagem.

“A ideia é essa mesma: deixar em aberto uma conversa sobre fotografia e imagem, suas histórias (no mais amplo sentido) e seus sentidos”, diz Afonso. “O título já nos convida a uma viagem às memórias, nossas ou não, mas que estão gravadas dentro de nós de alguma forma”, comenta Maria Christina.

Jornalista, fotógrafa e produtora cultural, com premiações em editais, Maria Christina realizando diversos projetos no âmbito das Artes Visuais, com ênfase na Fotografia.  Foi também avaliadora do Prêmio de Artes Visuais do Banco da Amazônia e Bolsa Marc Ferrez da Funarte/MinC.

Afonso Medeiros é Arteamador, Artehistoriador, Arteeducador, como se apresenta, e professor associado do Instituto de Ciências da Arte da UFPA. Vem publicando capítulos de livros e artigos, sobre artes visuais, semiótica, cultura japonesa (artes visuais, teatro, literatura), teorias da arte (filosofia, crítica e história) e arte/educação.

No livro “A Arte Em Seu Labirinto”, Afonso Medeiros aborda os principais aspectos da arte contemporânea no Estado do Pará, rompendo as fronteiras acadêmicas a fim de ampliar as discussões sobre arte. Propus aos dois um papo rápido sobre a dinâmica desta sexta-feira. A ideia é que cada um fale um pouco sobre suas experiências. 

Conversa ampliada com interação do público 

“Queremos preservar o lugar de fala de cada um, ou seja, de uma artista da fotografia e de um teórico da arte. Portanto, as experiências permearão as falas. Não há um roteiro rígido. A ideia é que seja uma conversa mesmo, com algumas provocações iniciais e o diálogo com o público dando o tom. Creio que será esse diálogo o fio condutor da conversa”, diz Afonso.

“Cada um traz seu repertório de lembranças, de afetos herdados ou construídos. Portanto o bate papo será sobre imagens a partir de (nossas, e outras) lembranças, sem esquecer que atravessaremos a arte, tanto na "feitura" concreta da imagem quanto na leitura teórica do signo”, complementa Maria Christina, que chama atenção da importância do público também interagir. “Gostaríamos que público interagisse plenamente, que trouxesse suas imagens pra compartilhar conosco”.

Além das experiências, os dois também percorrerão pelas afinidades que os unem em suas carreiras e os trazem afinal a este bate papo. Contem tudo, quais as delícias, tentei antecipar. “Afinidades tecidas há mais de 40 anos, com muitas delícias... Mas isso é também parte da conversa”, instiga Afonso. “São muitas afinidades nascidas de uma amizade construída e confirmada ao longo das nossas vidas. Mas como Afonso disse, faz parte do bate papo”, não deixou por menos, Cristina.

O que pude adiantar é que a fotógrafa este ano pretende escrever muitas cartas em 2017. “Retomei isso fim do ano e preciso ampliar essa correspondência, que é vital pra mim”, diz.  Já tive o prazer em já ter recebido uma carta de Maria Crhistina, que chegou causando uma sensação há muito não experimentada. “Estou em pré produção de alguns projetos que, por enquanto, são segredos”, conclui. 

Já Afonso quer focar em três coisas neste anos de 2017. “Desenvolver e concluir o pós-doutorado; terminar a escrita de um livro sobre arte e batalhar sua publicação; escrever e apresentar o memorial para professor titular da FAV”.

Acervo de câmeras do CCSB é referência

Exposição permanente de câmeras do CCSB
"Máquinas para filosofar", que intitula o bate papo, é o nome da exposição de câmeras permanente ao acervo do Centro Cultural Sesc Boulevard, desde sua inauguração, em 2010.  

O acervo, constituídos por mais de 100 câmeras artesanais, confeccionadas em madeira e ferro, ampliadores, réplicas da famosa "Mamute" e um Daguerreótipo. A coleção, além de ser considerada por colecionadores e pesquisadores como uma das mais representativas da América Latina, também inspira a programação na área de fotografia.

10.3.17

Coleção Ipsis traz obras de Elza Lima e Guy Veloso

A coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, iniciativa criada em 2013 para prestigiar a fotografia nacional, inicia o ano lançando dois nomes do notável cenário da fotografia paraense: Elza Lima e Guy Veloso. O lançamento nos dias 24 e 25, respectivamente, durante a realização do  7º Festival de Fotografia de Tiradentes, em Minas Gerais, tem direito a um bate papo com os fotógrafos e com Eder Chiodetto, responsável pela organização, pesquisa, organização e textos das publicações.

Criada em 2013 com o propósito de homenagear a produção nacional de Fotografia em livros de imbatível qualidade e preço acessível, a coleção Ipsis de Fotografia Brasileira apresenta a produção de fotógrafos referenciais que pesquisam a brasilidade em suas diversas manifestações. Araquém Alcântara, Nelson Kon, Cristiano Mascaro e Thomaz Farkas compõem os 4 primeiros volumes.

E agora os volumes 5 e 6, com Elza Lima e Guy Veloso. Ela, com um trabalho intenso permeado de inovações, ambos desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos, que evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas. E Guy, com seu trabalho, que nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

Premiados e reconhecidos dentro do cenário nacional da fotografia, nem Ela e nem Guy possuíam uma publicação inteiramente dedicada a suas obras. A fotografia entrou na vida de Elza antes mesmo que tivesse consciência dela quando, ainda criança, descobriu fascinada dentro de um armário uma foto que o bisavô havia trazido da Europa. 

Elza Lima  -Salinas, Pará, 1989
Ao retratar o interior da região amazônica ela relembra o rico imaginário vivenciado na infância ampliado com a leitura de clássicos, de obras sobre a Amazônia e de mitologia: “Acredito que um bom fotógrafo está sempre respaldado no imaginário. Meu trabalho é muito voltado para o sonho.”

Uma cultura imaterial existente, riquíssima, que emociona e transcende,assim Guy Veloso define as manifestações religiosas que fotografa há 30 anos, com especial destaque aos penitentes que cometem auto-flagelo, um dos destaques da 29a Bienal de Arte de São Paulo.

Trabalho dedicado, vivenciado, fruto de uma pesquisa aplicada, que abriu um diálogo tão intenso entre autor e objeto fotografado que findou numa rara e extraordinária situação:“virei meu próprio tema”, diz o fotógrafo.

© Guy Veloso - Tambor de Mina, Belém, Pará, 2011
Cuidadosamente selecionados por Eder Chiodetto, renomado curador da área de Fotografia e organizador da Coleção Ipsis, Elza e Guy são representantes de peso da fotografia contemporânea documental com trabalhos expressivos que abordam de forma distinta, singular, aspectos de nossa cultura. 

Eder define o trabalho de Elza como uma "poética fluída e especial, que cria a possibilidade de fabular por meio das composições labirínticas que intercalam diversos planos, fato que confere grande originalidade à obra da artista". 

Sobre a produção de Guy, o curador destaca a intensidade da imersão alcançada pelo fotógrafo com o tema de seu trabalho que ultrapassa a própria fotografia e remete ao transe, criando uma transcendência entre o autor e sua área de pesquisa. A ideia do "transe", aliás,  foi a chave que o curador propôs ao autor para selecionar obras de seu imenso acervo.

Através das escolhas de Eder Chiodetto, a Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira contribui para o enriquecimento da área lançando o primeiro livro dos autores que ainda não possuíam publicações dedicadas exclusivamente às suas obras.

Serviço
Lançamento da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, volumes 5 e 6 no 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, informações na fanpage do evento.

Cinebiografia de Elis Regina chega ao Cine Estação

A vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. O filme “Elis” será exibido a partir deste domingo, às 10h, 16h e 19h, no Cine Estação das Docas.

Por Augusto Pacheco

Protagonizado por uma inspirada Andréia Horta, o filme do estreante Hugo Prata traz algumas das mais relevantes passagens da carreira e vida pessoal da gaúcha, como a chegada ao Rio de Janeiro no dia do golpe de 1964; o primeiro contato com o boa praça Luiz Carlos Miéle e o charmoso Ronaldo Bôscoli (seu primeiro marido); o rápido sucesso e amadurecimento musical; o terror imposto pelos militares; a parceria amorosa e artística com o pianista César Camargo Mariano (que rendeu espetáculos históricos como “Falso Brilhante”, “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”); a maternidade e o fim da vida.

“Ela foi tragada pela própria labareda, com a voz das deusas do Olimpo, do fundo das águas, dos ventos... traduz muitas energias fora do corpo humano”.

É assim que Andréia Horta descreve a icônica cantora. Zé Carlos Machado, que vive Romeu (o pai  de Elis), ressalta que a música era a maneira que a cantora encontrava para se expressar politicamente: “Ela somatizava todos os conflitos, os paradoxos, as alegrias, as esperanças desse país através da sua voz, através da sua alma”. “Ela era um diamante”, completa o diretor Hugo Prata.

Em janeiro de 1982, a morte precoce de Elis Regina causou enorme comoção nacional. Mais que uma das maiores cantoras da música popular brasileira no auge da maturidade artística, Elis encarnava as esperanças de um país cansado de quase duas décadas de regime militar, sonhando com a volta do irmão do Henfil. 

Trinta e quatro anos depois, “Elis”, a cinebiografia da Pimentinha apresenta sua incrível trajetória às novas gerações e, claro, para que os milhões de fãs voltem no tempo e se deliciem descobrindo um pouco mais da sua história.

Trilha traz obras menos conhecidas

Na trilha sonora, espaço para grandes sucessos e fonogramas menos conhecidos, além de músicas de outros artistas como Nara Leão e Cartola. 

“Fascinação” é uma valsa de Maurice de Féraudy e Dante Marchetti. Mais de uma versão em português foi feita. Entretanto, a que ficou mais famosa, marcante na voz de Elis Regina, foi a de Armando Louzada. “O Bêbado e a Equilibrista", composta por Aldir Blanc e João Bosco, foi uma das mais famosas interpretações de Elis, principalmente por ser uma canção com papel importante na época que prenuncia o fim da ditadura militar. 

"Madalena", de Ivan Lins, se tornou um clássico da MPB, graças a interpretação vibrante e alegre da cantora. Entre os clássicos: “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), “Velha Roupa Colorida” (Belchior), Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime) e Cabaré (João Bosco e Aldir Blanc).

O elenco conta com nomes fortes da dramaturgia nacional como Lucio Mauro Filho, Caco Ciocler, Zé Carlos Machado e Julio Andrade, que vivem respectivamente Miéle, Cesar Mariano, Romeu (o pai de Elis) e o dzi croquette Lennie Dale.

Na 44ª edição do tradicional Festival de Gramado, Andréia Horta levou o prêmio de Melhor Atriz e o longa conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular.

Elis, de Hugo Prata. 113 minutos. 14 anos.

Datas e horários:
12 (domingo): às 10h, 16h e 19h
19 (domingo): às 10h, 16h e 19h
26 (domingo): às 10h, 16h e 19h

Ingressos: R$ 12,00. Meia-entrada: R$ 6,00. Estudantes mediante apresentação de carteira expedida pela entidade estudantil. Gratuidade: pessoas acima de 60 anos. A bilheteria funcionará aos domingos de 9h às 19h. Realização: Organização Social Pará 2000, que administra a Estação das Docas.