8.1.10

Evento debate pirataria e troca de experiências na área da videoarte

Com objetivo de investigar a economia informal e pirata como situação para inserção, visibilidade, acesso e circulação de trabalhos de vídeo voltados para o campo das artes plásticas, o coletivo Filé de Peixe realiza neste sábado, 09, e domingo, 10, o Piratão Vide Convergências, na cidade de Belém do Pará.

Há anos se dedicando a projetos de ocupação de espaços artísticos não convencionais, o coletivo trabalha com o projeto Piratão.

Em seis meses, já realizou o evento em três estados e regiões do país: na cidade do Rio de Janeiro(RJ), no Viradão Carioca e na inauguração do Museu da Maré; em Porto Alegre(RS), na Desvenda - Feira de Arte Contemporânea; e na cidade do Recife(PE), no SPA das Artes 2009.

Com a vinda do Piratão a Belém, o Norte se torna a quarta região do país integrada ao processo dedeslocamento e itinerância do projeto.

De acordo com Alex Topini, integrante do Filé de Peixe, o coletivo tem como interesse conhecer de perto as organizações audiovisuais de Belém, além de seus agentes culturais, artistas locais envolvidos na produção e difusão de vídeos e filmes.

Com isso busca a troca de experiências e de estratégias empregadas para se produzir e difundir bens audiovisuais, buscando uma aproximação capaz de gerar intercâmbio e inserção da produção videoartística nas atividades cineclubistas paraenses e a incorporação da produção de vídeo local ao projeto Piratão.

“Então, queremos convidar a todas a doarem seus vídeos para o projeto. Para isso, basta gravá-los em um dvd e levá-los até a nós”, explica Topini que estará em Belém participando do evento.

No encontro haverá diversos debates além da exibição de vídeos da mostra_convergências. No dia 10, domingo, a programação reinicia às 10h. Mais informações: Coletivo Etetuba - etetuba@uol.com.br

Programação

Local: ICA (Praça da República, s/n)
Data: 9 de janeiro - Auditório Altino Pimenta - E o público com isso?
Hora: 16h

Debates:

- “Senha: Compartilhe! – troca de experiências e poéticas subversivas amazônicas”
Palestrante: Arthur Leandro – artista visual e professor da UFPA – integra os coletivos Eutetuba e Rede Aparelho

- Corpo como lugar da experiência Palestrante: Camila Mello – Videoartista, integra o coletivo Mergulho

- O arquivo na Arte hoje
Luiz Cláudio da Costa – professor e pesquisador da UFRJ , coordena o proejto arquivar

-Pirataria Aplicada: processos de difusão e acessibilidadeno campo da videoarte
Mediador: Alex Topini, representante do Coletivo Filé de Peixe

IAP abre exposição sobre patrimônio histórico

Texto: Assessoria de imprensa do IAP

O Instituto de Artes do Pará (IAP) abre no próximo dia 12 de janeiro a exposição “Belém, Trajetória e Patrimônios”, em comemoração aos 394 anos da capital paraense.

A exposição reúne quatro maquetes de prédios históricos da cidade, representando dois períodos fundamentais: o colonial e o período da borracha, época de consolidação do traçado urbano de Belém, ainda presente nos bairros do centro.

As maquetes conduzem o público em uma linha cronológica que vai da sua fundação em 1616, representada pela maquete do Forte; passa pelo período Pombalino, com a arquitetura Barroca de características neoclássicas de Antonio Landi, o MHEP e a Igreja de Santana; e, por fim, a arquitetura do ferro, identificada por uma maquete do chalé da Imprensa Oficial, que foi desmontado na Universidade Federal do Pará (UFPA) e corre o risco de perda irremediável.

Painéis didáticos acompanham os protótipos sobre a história da cidade, dos prédios e suas características formais. Também será exibido um vídeo sobre o universo da cultura popular do miriti e o trabalho de confecção das maquetes.

“O público conhecerá um pouco da nossa história através do nosso patrimônio arquitetônico, que aqui assimila os valores imateriais da cultura popular dos brinquedos de miriti, cuja técnica foi empregada para produzir as maquetes”, explica o gerente de Artes Visuais do IAP, Armando Sobral, coordenador do projeto “Maquetes em Miriti: A Arte Popular como Instrumento de Educação Patrimonial", do qual resultou a exposição.

Selecionado pelo programa Monumenta, do Ministério da Cultura, e aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2008, o projeto realizou em escolas públicas de Belém a Semana Memória Viva, ciclo de exposições das maquetes de prédios históricos.

Concorrendo com propostas de todo o Brasil, o projeto do IAP ficou em quarto lugar nacional.

Durante a Semana Memória Viva nas Escolas, os estudantes receberam um guia de educação patrimonial, com informações sobre a história da cidade, a localização dos sítios e o papel da sociedade na preservação do patrimônio histórico de Belém.

Cerca de quatro mil alunos participaram deste projeto, que culminou com o seminário "Belém Contemporânea", no qual foi discutida a importância da preservação dos sítios históricos da cidade.

A exposição “Belém, Trajetória e Patrimônios” poderá ser visitada até dia 22 de janeiro, na Varanda do IAP, de 8h às 14h, com entrada franca.

Serviço
Exposição “Belém, Trajetória e Patrimônios”, com maquetes de prédios históricos da cidade. Abertura dia 12 de janeiro, com visitação gratuita até dia 22, na Varanda do IAP (Praça Justo Chermont, 236, ao lado da Basílica de Nazaré). Informações: 4006-2911/ 2945.

7.1.10

Tô sabendo que...

- O Museu da Imagem e do Som do Pará inaugura cineclube no próximo dia 14, às 19h, com sessões no mini-auditório de Museu de Arte Sacra – Rua Padre Champgnat, s/n. Boa a iniciativa. Vamos torcer para que o precioso acervo do MIS-PA entre na programação com toda força.

- Que os alunos do mestrado em arte do ICA estão programando uma intervensão na casa dos Irmãos Nobre, a famosa Gaiola Dourada que fica na Campos Salles.

Na pauta das possibilidades está a realização de uma micareta, com marchinhas de carnaval partir de releituras das músicas dos famosos irmãos cantores, além de intervenções e performances cênicas. Tudo deve acontecer em fevereiro.

- A cantora Maria Lídia, avisa que depois do Festival de Marchinhas no Teatro Schivasappa (no qual classificou duas músicas), volta se apresentar nas quintas-feira do Club MPB Bar - Rua Municipalidade com Soares Carneiro, a partir das 22h.

- Também fiquei sabendo que a Caiana Filmes acaba de restaurar uma casa tombada na Diogo Moia (antiga casa do Catalendas) onde serão realizados mensalmente cursos e oficinas de cinema.
Logo em janeiro teremos já está pautado o Curso de Cinema como Recurso Pedagógico para Educadores. A inauguração foi dia 6, no novo enderço da produtora : Rua Diogo Moia, 986.

- E que a primeira prévia do Grito Rock acontece neste sábado, 08, no Caverna Club, com participação das bandas Paris Rock, Aeroplano, Síncope e Paralelo XI. Ingresso custa R$ 7,00.

- Por fim, que a cantora Alba Maria inicia, em grande estilo, sua nova temporada no bar Quintal, acompanhada pelo talento do músico Floriano Peixoto.

Interpretando grandes compositores da música mundial, a temporada segue todas as quintas de janeiro e fevereiro - Bar Quintal, na Av. Almirante Wandenkolk, 330 - entre Avenida Senador Lemos e Avenida Jerônimo Pimentel. Sempre a partir das 22h30.

Uma semana de debates e eventos cênicos em Belém

Uma grande mobilização dos artistas e gestores culturais de artes cênicas está sendo organizada para a próxima semana, a partir do dia de aniversário da cidade de Belém (de 12 a 18 de janeiro). É importante que todos participem.

Com objetivo de promover o debate entre artistas, produtores, conselheiros, gestores, investidores e demais protagonistas de teatro e dança, a assembléia acontece no dia 15, a fim de valorizar a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões, além de fortalecer e facilitar a formação e o funcionamento de fóruns e redes desses artistas e agentes investidores de ativistas e iniciativas culturais.

Organização - A Comissão Organizadora desta Assembléia está, hoje, formada por integrantes da In Bust Teatro com Bonecos, da Associação de Teatro e Dança da Amazônia, da Cia Fênix de Teatro, da Rede Teatro da Floresta, do Movimento Briga Teatro, da Cia de Dança Waldete Brito, da Escola de Teatro e Dança da UFPA e do representante regional do Ministério da Cultura, Delson Cruz, que está viabilizando a estrutura da Assembléia.

As discussões a serem encaminhadas nesta assembléia resultarão em propostas a serem levadas à II Conferência Nacional de Cultura, em contribuição à formulação e avaliação do Plano Nacional de Cultura que orientará as políticas públicas para a cultura no próximo decênio. Os interessados podem acessar o portal do Ministério da Cultura ou os vários blogs de artistas e jornalistas na internet.

De acordo com informações da organização, para encaminhar as propostas, a Assembléia elegerá os delegados setoriais dos segmentos para a Pré-conferência Setorial Nacional, em Brasília.

A pré-conferência é que vai instalar os Colégios Eleitorais Setoriais responsáveis pela eleição dos membros dos Colegiados Setoriais instalados no âmbito do Conselho Nacional de Política Cultural .

E, consequentemente, eleger os membros dos Colegiados Setoriais para o exercício do mandato referente ao biênio 2010/2011.

Apesar de tudo parecer tão distante, vale resslatar que foi a partir de ações como esta que foram conquistadas as políticas públicas de cultura que criaram os prêmios Myriam Muniz e Klaus Viana.

“Aqui no Estado a Assembléia está se constituindo como um evento de iniciativa da Sociedade Civil. Em Belém, a assembléia terá a participação do Marcelo Bones, diretor do Centro de Artes Cênicas da FUNARTE e, no primeiro momento da Assembléia, quando os assuntos tratados serão o Sistema Nacional de Cultura (SNC), O Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Fundo Nacional de Cultura (FNC), os segmentos de teatro e dança permanecerão juntos na plenária”, explica Paulo Ricardo Nascimento da In Bust.

“No segundo momento, quando se tratará especificamente das discussões e levantamentos de propostas de cada um dos setores, então haverá uma separação entre as categorias. Teatro e Dança trabalharão separadamente”, diz Paulo.

Este é um movimento nacional dos diversos setores da cultura, que entendendo a importância da compreensão do SNC para que o PNC funcione e possa democratizar os recursos do FNC, se mobiliza por categorias e com os diversos agentes de cada segmento.

"Em todo o país foram realizados Seminários sobre o SNC e Conferências de Cultura aconteceram em boa parte dos municípios brasileiros, atingindo 100% em alguns Estados”, continua o representante da In Bust.

“Mas, também é importante a escolha de Delegados que realmente possam ser participativos no encontro nacional e tenham consciência de se tratar de um esforço para o reconhecimento regional e para uma reparação por perdas sofridas nessa história de eixo sudeste de regalias ministeriais”, finaliza.

Cada Estado escolherá três delegados da Sociedade Civil e um da esfera governamental. Porém, para isso, aqui será preciso a presença de, no mínimo, 100 pessoas de teatro e 100 pessoas de dança.

Em Belém, a Assembléia Setorial de Teatro e Dança fará parte de uma programação de ações relacionadas a atividade teatral neste primeiro mês de 2010:

PROGRAMAÇÃO

Dia 12, na Escola de Teatro e Dança da UFPA, as 19h - Encontro Presencial da Rede Teatro da Floresta;

Dia 14, com local e hora ainda a definir (possivelmente no Banco da Amazônia – Centro – as 15h) – Vídeo-conferência Regional com Marcelo Bones, Diretor do Centro de Artes Cênicas da FUNARTE, ao vivo em Belém, com transmissão e participação de agentes de artes cênicas de todos os Estados da Amazônia;

Dia 15, às 9h, na Escola de Teatro e Dança da UFPA - Assembléia Setorial de Teatro e Dança do Estado do Pará.

Dia 16 e 17, em vários lugares da cidade e em vários horários – Movimento Ocupação Territorial de Apresentações Teatrais.

Dia 18, no teatro da Estação Gazômetro, às 19h – Fórum Livre de Teatro de Belém.

Obs: As fotos que ilustram a matéria são do cortejo cênico que abriu a programação do Sesc Círio, em outubro do ano passado, em Belém, no entorno do Instituto de Artes do Pará, reunindo vários artistas, além do grupo In Bust .

Cultura e responsabilidade social em ato organizado pela Rádio Margarida e LBB

No próximo domingo, a partir das 10h, na Praça Brasil, mais uma programação pelo aniversário de nossa Belém do Pará.

O Laboratório Beneficente e a Rádio Margarida unems-e para demonstrar que empresa e sociedade civil organizada podem prestar serviços de utilidade publica e de responsabilidade social, em benefício das pessoas.

A parceria resulta num evento sócio-cultural, com apresentações da cantora Simone Almeida (na foto abaixo) e banda, coral infantil “Canarinhos de S. Miguel”.

Haverá ainda teatro de bonecos, coral e grupo de dança de idosos do Centro de Convivência do IPAMB, bateria mirim, mestre-sala e porta-bandeira das “Crias do Curro Velho” (foto acima), brincadeiras e jogos didáticos, com o tema “Saúde na cidade”.

O Laboratório Beneficente de Belém-LBB, fundado no ano de 1961, entidade particular com sede na capital paraense, é hoje referência em diagnósticos na área biomédica, devido à qualidade do atendimento em geral aos seus usuários.

Além dos serviços laboratoriais, o LBB patrocina o projeto “Saúde na Cidade: Caminhe, Olhe, Cuide”, projeto dedicado aos praticantes de caminhada em nossa cidade, oferecendo gratuitamente medição de peso, pressão arterial, altura e índice da massa corpórea.

O Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, conhecido como Rádio Margarida, desde sua criação (julho/1991) é uma entidade da sociedade civil, Organização Não Governamental, sem fins lucrativos.

Trabalha com utilidade pública municipal, estadual e federal, tendo como missão irradiar arte, cultura e educação popular para melhoria da qualidade de vida na Amazônia.

Nesses 18 anos de existência a ONG obteve premiações nacionais e internacionais (UNICEF/1996; ITAÚ-UNICEF/1997; BNDES/2000; UNESCO/2002; Rádio Liberal/2006; PETROBRAS e ADVB-TOP SOCIAL /2008), pela realização de importantes iniciativas e pela influência exercida nas instituições e políticas públicas de educação, saúde, meio ambiente, cultura, assistência social, direitos humanos, cidadania etc.

Serviço
Neste domingo, dia 10 de Janeiro de 2010, das 09h às 12h, na Praça Brasil. Outras informações com o jornalista José Carlos Gondim - (91)-9608-6281 e 8238-2380. E-mail: demedeirosgondim2@gmail.com.

Ato cultural homenageia revoluções históricas no Pará

Fundação Curro Velho divulga novo site.
Abaixo, uma das notícias da sala de imprensa


Os movimentos de resistência popular à opressão portuguesa, no Pará, durante o período colonial serão homenageados hoje (07 de janeiro) durante programação cultural na Praça das Mercês, Forte do Castelo e Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP).

Neste dia, 07 de janeiro, os colonizadores aprisionaram e mataram o líder dos Tupinambá, o índio Guaimiaba, que resistia a escravização pelos portugueses, em 1616.

Este mesmo dia marca a tomada de Belém pelo movimento Cabano, em 1835, quase 300 anos depois. O evento contará com a apresentação de poetas, músicos, boi bumbá e da Banda da Polícia Militar. No MHEP uma exposição com documentos raros pertencentes ao acervo do Arquivo Público do Estado do Pará, será aberta ao público.

O historiador e diretor do Arquivo Publico do Pará, João Lucio Mazzini da Costa, explica que estes marcos não podem ficar esquecidos no imaginário popular do povo paraense. 'Os dois movimentos são a síntese da resistência indígena, negra e mestiça contra a opressão portuguesa e branca', comenta. Para enriquecer a programação comemorativa o arquivo Público disponibilizou documentos relativos ao movimento da Cabanagem, moedas cabanas e a Ata de Adesão do Pará a Independência do Brasil que ficarão em exposição no MHEP durante todo o mês de janeiro.

Resistência Tupinambá – No inicio da colonização portuguesa nesta região, Francisco Caldeira Castelo Branco, o fundador de Belém, começou a escravizar e subjugar os índios Tupinambá, primeiros habitantes da região. No dia 07 de janeiro de 1619, os índios se revoltaram e atacaram o Forte do Presépio. Para acabar com a revolta, Castelo Branco mandou matar o cacique Guaimiaba, líder dos índios revoltosos, fortificando assim a presença do colonizador português no Pará.

Já em 1835, eclode o movimento cabano quando negros mestiços e índios se revoltaram diante da situação de miséria a que estavam submetidos. Nesse mesmo dia 07 de janeiro, os líderes cabanos Eduardo Angelim, os irmãos lavradores Francisco Pedro e Antônio Vinagre, o fazendeiro Clemente Malcher, o jornalista Vicente Ferreira Lavor e o padre Batista Campos tomaram a cidade de Belém.

João Lucio comenta que a tomada da capital iniciou pela invasão do 'Trem de Guerra', onde os portugueses armazenavam pólvora e outros armamentos. 'Estes armamentos serviram para substituir os utilizados pelos revoltosos que possuíam apenas paus pedras e arcos e flechas utilizados pelos indígenas'. Em seguida, os revoltosos tomaram o Forte do Castelo e o palácio onde hoje funciona o Museu Histórico do Estado do Pará.

A programação tem início às 17 horas na Praça das Mercês de onde sairá um cortejo para o Forte do Castelo e MHEP, mesmo trajeto dos revoltosos cabanos. A exposição com documentos relativos à Cabanagem, Moedas cabanas e a ata de Adesão do Pará a Independência do Brasil ficará aberta aos público até o final do mês.
O ato é uma realização da Secretaria de Estado de Cultura através do MHEP, Arquivo Publico do Pará e Fundação Curro Velho.

Fonte: http://www.currovelho.pa.gov.br/noticias_det.asp?id=19#

6.1.10

Entrevista: Carlos Correia Santos comemora 2009 e conta as novidades deste ano novo

Para Carlos Correia Santos, a virada para 2010 foi de agradecimentos, pois o ano que passou, para ele, foi de muitas conquistas. “Vou usar todas as letras que puderem me cercar para agradecer. E, claro, vou dançar, rir, celebrar”, disse no finalzinho de 2009 ao Holofote Virtual.

No ano passado, Carlos C. Santos teve seu primeiro romance editado, depois de vencer o Prêmio Dalcídio Jurandir. O espetáculo Júlio Cezar, montado a partir de outra obra sua, chegou à capital federal. Um outro foi vencedor do prêmio IAP de literatura – dramartugia -, e teve o prefacio escrito por um mestre, Cláudio Barradas.

Ao longo do ano foram inúmeras as parcerias feitas. Em Quatro Versus Cadáver, com Saulo Sisnando, por exemplo, e fechando 2009, com o ano, com “Solo de Marajó”, com Alberto Silva Neto e Cláudio Barros.

Para 2010 já há novidades. A obra de Carlos C. Santos está sendo estudada e debatida por mestres da UFMG. E ele já escreve uma nova peça sobre Ismael Nery além de acompanha outras duas em processo de montagem, a partir de textos que venceram o edital Claudio Barradas, da Secult. Sem esquecer que “Perfídia Quase Perfeita”, premiado em 2007, seu primeiro texto cômico, estréia em março, em Curitiba.

Fora isso outra grande notícia é que o livro “Não Conte com o Número Um no Reino de Numesmópolis”, vencedor do III Concurso Literatura Para Todos terá uma tiragem de 300 mil exemplares e será distribuído para neoleitores de todo o Brasil e da África.

Trabalhando atualmente como Secretário do Sistema Estadual de Bibliotecas do Pará, Carlos assina uma coluna na Rádio Liberal CBN e é comentarista de arte no Jornal do Meio Dia, da TV Cultura.

Carlos segue uma rotina de trabalho, mas também cuida da saúde e trata de se divertir. “Nos finais de semana vou ao cinema, teatro, danço”. Faz tudo isso sem deixar de acompanhar os processos de montagem de espetáculos que surgem a partir de seus textos e à noite dedica-se a escrever.

Nesta entrevista, entre outras coisas, Carlos fala de suas premiações, de seu caso ainda em suspense com o cinema, da cena da literatura no Brasil, no Pará e no mundo, além de anunciar suas novas perspectivas para 2010.

Holofote Virtual: O ano de 2009 foi bom para o profissional Carlos Correia Santos?

Carlos C. Santos: O ano de 2009 foi crucial. Como um refrão perfeito para uma letra de canção arduamente construída. Foi um ano que me escreveu emoções singulares. Meu primeiro romance editado. E editado de uma maneira especialíssima.

O livro foi o primeiro a vencer o Prêmio Dalcídio Jurandir, na categoria romance, justo no ano em que se celebrava o centenário de Dalcídio. Um ano em que vi minha peça sobre Júlio Cezar chegar a Brasília. A capital federal. Além disso, vejam que poética metáfora.

A peça fala sobre um gênio da aviação e foi ser apresentada numa cidade que tem forma de avião. Observações de poeta louco talvez (risos). Um ano de rompimentos com antigos parceiros (coisa que faz parte do enredo de qualquer vida). Mas também um ano em que firmei novos e formidáveis enlaces.

Teve o prefácio do mestre Cláudio Barradas para o meu livro Batista, que ganhou o premio IAP na categoria dramaturgia. Teve a parceria com Saulo Sisnando, no delicioso Quatro Versus Cadáver (que ganhou prêmio da Funarte e vai para outros Estados) e teve a realização de um sonho: trabalhar com o colossal Cláudio Barros.

Foi lindo o processo de construção de Solo de Marajó, brilhantemente dirigido por Alberto Silva Neto. A peça também tem promessas de caminhos belos pela frente.

Holofote Virtual: Na vida pessoal houve um investimento visual, estético. Qual foi este processo?

Carlos C. Santos: (Risos) Tenho um querido amigo, o talentoso designer Wendell Pimenta, que resume isso assim: Carlos Correia decidiu unir Esparta a Atenas (Risos). E talvez seja por aí. Cheguei a pesar 110kg.

Percebi que até queria e quero que minha escrita seja reconhecida por ter peso. Mas este peso não precisa ser de lipídios meus. Emagreci 46kg sem cirurgias. Até aproveito o espaço para deixar claro: não, eu não fiz redução de estomago. Fiz dieta rigorosa e virei adepto de Santa Carmem Academia. Hoje também me benzo diante de halteres (risos).

Bem, falando sério: por que poetas não podem ser sarados? Pergunto isso porque vejo as pessoas se escandalizarem quando me descobrem um malhador. É comum ouvir falarem: mas não combina. Um cara que trabalha a intelectualidade não precisa trabalhar a massa muscular. Ora, meu povo, o corpo é também um poema. Precisa de versos para a boa saúde. É só essa a escrita que agora também desenho: saúde.

Holofote Virtual: Escritor, jornalista, dramaturgo, roteirista, advogado, poeta... Como assim (risos)?

Carlos C. Santos: Eu sou um curioso, um insatisfeito, um inquieto. Eu quero do mundo tudo o que o mundo queira me dar. E quando o mundo se recusa a me dar algo, aí é que eu pelejo para abraçar o que parece impossível. Na verdade, amo exercitar tudo o que parta da escrita. O jornalismo me atrai porque é uma feição do lidar com o textual. Dentro da arte literária, todos os gêneros me interessam.

Assim como a um pintor todas as cores e ângulos interessam. Assim como para um ator todas as cenas e palcos são relevantes. O que sempre esteve e sempre vai estar latente em mim é urgência de ditar palavras, frases, escritas.

Que virem texto jornalístico, que virem dramaturgia, poema, conto... Que virem cena... Que virem respostas para uma ótima entrevista... Que virem um bilhete grudado na geladeira confessando amor a alguém sem raro...

Holofote Virtual: Como é esta relação, onde todas estas vertentes artísticas se cruzam?

Carlos C. Santos: Como disse acima, minha relação com todas estas vertentes é a de investigação, de esguelha, de curiosidade.

Sabe criança que fica cutucando algo que ela espera conhecer melhor e dali saem deliciosas trelas? É isso. Só que arte é trela muito, muito séria.

Na foto "Ismael em três traços", que vai estrear em manaus

Porque a razão maior de eu tentar ser esse bolinador das formas muitas de escrever é o compromisso que tenho com o afeto. Gosto sempre de falar isso.

Minha meta maior sempre é afetar. Quero afetar o outro com o que escrevo. Tenho essa utopia. Quero causar prazer, agonia, dengo, dor, riso, fúria. Tenho horror a não reação. Tudo estará errado para mim quando eu escrever coisas que nada provoquem. Nem que seja ódio imenso.

Prefiro que me digam: odiei aquele teu texto, que nada sintam ou percebam. É como sentencia Karine Jansen, a meta do artista é comover. Mover-se com. Um escritor quer se mover com quem o leia. Para o bem ou para o mal.

Holofote Virtual: Podes não fazer música, mas falas de música em teus trabalhos, assim como de artes plásticas (Nu Nery...Theodoro...). És plural, mas seria esta uma maneira de também alcançar as artes que não dominas profissionalmente?

Carlos C. Santos: Mas eu faço música também (risos). Estudei violino por muitos anos. Violino e violão. E sou parceiro de Nilson Chaves, Lucinha Bastos, Firmo Cardoso e Renato Gusmão. Canções minhas com Nilson já foram gravadas por artistas de vários lugares, como Macapá. Recentemente, o Arthur Espíndola incluiu em seu repertório uma dessas canções, chamada “Teu Nome Sou Eu”.

Devo mesmo ser um doido que tenta ter mil braços!!! (Risos) E tem algo curioso que precisa ser dito: Julio Irá Voar é originalmente um musical. Assim o texto ganhou o Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2004. Como texto de musical. Não foi montado como tal, mas é.

Agora considerando a pergunta... Preciso concordar... Quando escrevo dramaturgias sobre artistas plásticos... no fundo... é, de fato, uma tentativa de buscar saber como é criar a partir das cores...

Holofote Virtual: Tens inúmeros prêmios. Já deu pra contabilizar, como lidar com isso? Quais entre tantas tu eleges como mais relevantes e estimulantes ao teu trabalho? Ou qual aquela que realmente pôde ter mudado a tua vida?

Carlos C. Santos: Eu festejo muito essas premiações e faço total questão de divulgá-las o mais amplamente possível porque, sinceramente, sinto que são modos de premiar também a minha terra, o meu berço. Quase sempre nessas vitórias nacionais sou o único autor nortista destacado. Não é, portanto, um prêmio só do Carlos. É um prêmio para o Norte. Esse Norte ainda tão desrespeitado lá fora, tão ignorado, tão desconhecido. Queria, com plena e pura sinceridade, que as pessoas vissem assim.

Não é um fulano se gabando porque ganhou isso ou aquilo. É um paraense mostrando aos seus que o Brasil reconhece que aqui tem arte de valor. Coisa um pouquinho mais importante – creio eu – que ser escolhido para um reallity show ou ser um jogador perna de pau que merece as honras de um programa televisivo dominical.

Com todo respeito aos produtos da sociedade do orgasmo em que vivemos... Além disso, considero as premiações vindas de bancas compostas por notórios pensadores o preenchimento de uma lacuna. O da crítica.

Quando um texto meu passa por um crivo nacional, concorrendo com centenas de obras das mais diversas origens, esse texto esta recebendo uma crítica favorável. Não há mais crítica artística nesse país, muito menos aqui em nossa região. Outro ponto é a publicação e a distribuição das obras.

Não temos comumente, a nossa disposição, editoras que apostem em novos talentos. Temos menos ainda uma estrutura de distribuição de nossas obras. É digno, portanto, de fogos muitos ser escolhido entre dezenas para ser editado e ter seus escritos levados ás mais diversas praças.

Confesso que nunca contei os prêmios que já ganhei. Mas três eu destaco de bate pronto. O primeiro lugar no premio Funarte de Dramaturgia em 2004, para Julio Irá Voar. Sobretudo pela chance de divulgar em nível nacional o legado de Julio Cezar Ribeiro de Souza.

Destaco também o Seleção Brasil em Cena, do CCBB Rio, em 2007. Quase mil autores de todo o país participaram. Somente doze foram selecionados. Oito do Rio, três de São Paulo e eu era o único “estrangeiro”. Um dos também selecionados foi o Fábio Porchat, que eclodiu graças a esse premio. Fui selecionado com meu primeiro texto teatral cômico, “Perfídia Quase Perfeita”. A obra ganhou leitura dramática dirigida por Stella Miranda.

Perfídia agora está sendo montada por Claudio Marinho e estréia, em março, em Curitiba. Por fim, destaco o recentíssimo prêmio no III Concurso Literatura Para Todos, promovido pelo MEC. O mais importante prêmio da minha carreira até aqui. Venci na categoria dramaturgia com a peça infantil “Não Conte com o Número Um no Reino de Numesmópolis”.

Fizeram parte da banca julgadora Affonso Romano de Sant´Anna, Moacyr Scliar e Alice Ruiz. O livro terá 300 mil exemplares de tiragem (isso é tiragem de best-seller) e será distribuído para neoleitores de todo o Brasil e da África.

Holofote Virtual: Dá para perceber que isso às vezes causa algumas reações menos nobres nos “outros”? Como reages a esse tipo de coisa?

Carlos C. Santos: (Risos) Impossível não citar Nelson Rodrigues. Ele já dizia: para o brasileiro, o sucesso de alguém ao seu lado é uma ofensa pessoal. E olha que eu estou longe de me achar um cara que faça sucesso. Eu luto e tenho conquistas. Que, como já disse, são minhas e de todos os meus...

O olhar de mal querer que se lança sobre nós faz parte do pacote. Vivemos num tempo em que o êxito é algo cada vez mais difícil. São muitos a querer, são muitos os qualificados, são pouquíssimas as portas pelas quais passar. É até de se entender a dor que talvez cause ver o outro ter o que queríamos ter e não temos.

Eu lastimo. Lastimo que tenha quem se dedique a desconsiderar o êxito do outro. Mas é como diz Cazuza: vamos pedir piedade... Senhor, piedade... Piedade para as almas enfadadas por trabalhos infelizes, por rotinas afetivas lamentáveis... que, sem portas de luz pelas quais passar, conectam-se ao provedor da miséria e mandam por ai emails para cretinice... A sorte é que, em tempos de banda larga, eu sei que é tão tolinho ter mente estreita... Enfim... Senhor, piedade...

Holofote Virtual: Você fez várias parcerias este ano. Com é tua relação com o outro?

Carlos C. Santos: O outro para mim é sempre, sempre alvo da minha paixão e cobiça. Amo. Ave, Mario de Sá Carneiro. Sim... “Eu não sou eu nem sou o outro... Sou qualquer coisa de intermédio...” Sempre tive consciência de que sou um escritor hoje porque ontem houve outros mestres. Que sou um artista do agora porque agora tenho mestres aos quais quero dar as mãos. Que só serei um escritor que ficará no depois se outros e mais outros e mais outros leitores me derem os braços. Um parceiro sou eu redefinido.

Holofote Virtual: Fazendo uma retrospectiva, vamos lembrar aqui dos momentos de bastidores?

Carlos C. Santos: Os bastidores do teatro são preciosos. Eu adoro acompanhar as montagens porque sempre nos trazem coisas belas. Lembro de Luis Carlos Bassalo Crispino (grande pesquisador de Julio Cezar Ribeiro de Souza) assistindo os ensaios de Julio Irá Voar. Sua emoção emocionou-me. Lembro de Stella Miranda no CCBB, no Rio, vindo me parabenizar pelo texto de Perfídia.

Para além do teatro, lembro-me de quando fui conhecer José Louzeiro. Eu tremia de nervosismo. Entreguei a ele um exemplar de Nu Nery e ele me disse: fui amigo de Adalgisa Nery. Outro momento marcante de bastidores aconteceu na recente premiação do Concurso do MEC, que aconteceu na Confintea, evento da Unesco.

Eu estava sentado ao lado da viúva de Paulo Freire (foto acima). Fui escolhido para subir ao púlpito e discursar. Quando voltei, ela me disse: “rapaz, parabéns. Eu quis falar e não me deixaram. Por causa do protocolo. Tiveste uma linda chance. Parabéns”. Tenho vivido coisas lindas. Tudo por conta do escrever. Isso é belo.

Holofote Virtual: A parceria com o ator e jornalista, atualmente também professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA, Alberto Silva Neto, este ano, trouxe ainda Cláudio Barros num solo marajoara de Dalcídio Jurandir. Conta como foi este entrelaçamento... O espetáculo volta em cartaz em 2010?

Carlos C. Santos: Sim, o espetáculo deve voltar. A experiência de trabalhar com Alberto e Cláudio é, sem sombra de dúvida, uma guinada no meu envolvimento com o teatro. Um novo capítulo. Foi simplesmente uma experiência mágica. Doce. Tranqüila. Seis meses em que só nos cercamos pelo afeto e respeito mútuo.

Não tivemos uma única rusga. Entramos no processo despidos de toda e qualquer hierarquia. E nosso material de trabalho... uau... uma obra sem par... Os escritos de um mestre...

Confesso que no inicio tive medo. Adaptar Dalcidio Jurandir para o palco é uma tarefa abusadíssima. Mas o resultado parece ter sido dos melhores. O público tem manifestado as melhores impressões sobre a peça.

Holofote Virtual: Cinema. Você tem um roteiro premiado sobre Waldemar Henrique. Já li e acho que tem um curta lindo ali pra ser parido. O Era Uma vez Carol, rodado em 2004/2005, nunca foi montado. O que houve? Tens noticias? Há novos roteiros em vista?

Carlos C. Santos: Cinema é ainda meu amor não consumado. Namoramos, noivamos, até copulamos, mas o gozo ainda não veio. E eu me sinto frustrado nesse sentido. Comecei a exercitar dramaturgia escrevendo roteiros de curta

Os textos teatrais não foram os primeiros exercícios. Mas o palco, ladino, impôs-se primeiro. Não tenho notícias sobre o Era Uma Vez Carol. Não sei que destino foi ou será dado ao material filmado. O roteiro sobre o Waldemar permanece na gaveta.

Tive um conto adaptado para curta por estudantes de cinema de São Paulo. Chama-se “Toda Saudade é Vil e Vã”. Mas quero estar num set, viver isso. Vou contar um segredinho. Tenho pensado muito, mas muito mesmo em fazer faculdade de cinema. Mas uma das minhas doidas inquietações (Risos). Recentemente, um jovem estudante de audiovisual me pediu um dos meus roteiros de curta para filmar... Vamos ver...

Holofote Virtual: De maneira geral, como foi o ano para a Literatura?

Carlos C. Santos: Para a literatura atrelada aos grandes conglomerados comerciais, a coisa em 2009 não foi ruim, não. Basta ver o burburinho que algumas premiações nacionais, como o Jabuti, causaram. Vencedor de vários desses mega prêmios, Cristóvão Tezza é o novo queridinho da cena literária brasileira.

Mundo afora, entrementes, o livro começa a viver uma possibilidade instigante de mudança de suporte. Fala-se muito que, após algumas tentativas de formatação do chamado e-book, finalmente os livros eletrônicos vão começar a se espraiar pelo mercado.

Há coisa de poucos dias, um famoso best-seller americano anunciou que não vai mais trabalhar com editoras tradicionais, e sim com empresas formatadoras de livros eletrônicos. Isso está causando um reboliço. Será o anúncio do fim das editoras convencionais? Quem sabe?...

Em nível local, lamentavelmente, ainda vivemos distantíssimos de todos os frissons. Temos aqui uma Feira do Livro que se importa mais em folhear mega números (de público, de celebridades externas) que na valorização e repercussão para os artistas que fazem letras aqui. Além disso, o autor paraense ainda peleja por editar seus livros em gráficas, bancando ele próprio a edição.

Um suplício, meu povo, um suplício. No entanto, nomes ótimos não param de surgir e figuras já tarimbadas não cessam de se firmar e produzir por essas bandas. Que o digam Daniel da Rocha Leite, Dand M, Renato Torres, Eleazar Venâncio Carrias, Josette Lassance...

Holofote Virtual: Na tua opinião qual o atual cenário da cultura na região norte?

Carlos C. Santos: O cenário cultural nortista atual mantém-se como tem sido há muito. Um cenário de pelejas. Assim é fazer arte pelejar. Mas temos muito a aprender com nossos vizinhos.

Precisamos descobrir caminhos que nos levem a ter a autonomia produtiva de uma Manaus, por exemplo. Uma coisa é certa: espaço há. Para quem não perde tempo com os enredos da vida alheia e se concentra em fazer boas cenas em torno de suas próprias idéias.

Holofote Virtual: Tens, claro, tuas fontes de inspiração, sacações e idéias. De onde elas vêm e como tudo isso que se transforma em livro, poema, textos para teatro e cinema?

Carlos C. Santos: Um escritor que queira ter bons materiais em seus íntimos baús de criação tem o dever de ser um observador. Gosto de observar o ser humano. Suas belezas, mazelas, esquisitices. Gosto de prestar atenção nas minhas mazelas, belezas, esquisitices.

Do lugar mais inesperado pode surgir motivação para escrever. Não acredito no conceito de inspiração. Acho que ele remete a imagem do ser especial tocado pela musa. Faz pensar que o artista é uma criatura em torno da qual se alastra um facho que não atinge os demais. Não penso assim. Penso em observação que gera motivação.

É preciso treinar essa percepção. Assim como o ator está sempre de prontidão, mesmo quando está nas coxias, o escritor precisa estar sempre com seu radar ligado. Fora isso, para os trabalhos de dramaturgia histórico-investigativa, exercito a pesquisa constante.

Leio tudo que tange ao acervo memorialístico da minha terra. Eu quero escrever sobre a minha aldeia. Mostrar ao mundo o que ela tem de universal. Então, eu fuço, vou atrás, pergunto, quero saber, amo descobrir.

Holofote Virtual: A trivialidade te cabe (risos)?

Carlos C. Santos: Eu sou totalmente trivial. Gente, não existe isso de intelectual que passa o dia lendo e ouvindo música erudita. Curto isso. Muito. Mas curto isso também. Não somente isso. Eu sou um cara do meu tempo.

O escritor tem que ser uma figura do seu tempo para falar sobre esse tempo ou mesmo ter noção situacional para bem se transportar para tempos outros. Como criatura do meu tempo eu tenho que me permitir pelo menos conhecer as tecnologias e apelos todos que minha época oferece.

Eu assisto Roda Viva e novela das oito. Eu vejo filmes de arte em canais a cabo, mas também me permito passar os olhos em reallity shows. Sou desse tempo.

Sou de um lugar em que se executa Beethoven para Nossa Senhora no Círio, mas que também vive o fenômeno popular do Tecnobrega. Se eu quiser escrever um romance que se passa no subúrbio de Belém, eu tenho que ser verossímil e saber como dar contornos aceitáveis a um personagem que goste de Tecnobrega.

Isso não significa que eu seja um consumidor desse ou daquele produto da industria cultural. Somos barqueiros navegando um mar de loucuras midiáticas. Temos que visualizá-las muito bem, para não encalharmos onde não queremos. Cabe a cada um de nós pescar em todo esse mar aquilo que nos faça bem a alma.

Holofote Virtual: Podemos falar de política cultural no Estado do Pará de que forma?

Carlos C. Santos: Existem tentativas que apontam para coisas que podem ser boas. Existem lacunas sobre as quais tentativas algumas existem. Vou citar Caetano... Eu quero crer que o melhor “virá... impávido que nem Mohamed Ali... Virá que eu vi...”

Holofote Virtual: Ainda estás trabalhando na imprensa?

Carlos C. Santos: Minhas relações com os veículos midiáticos, no momento, são duas: sou comentarista da rádio O Liberal CBN (tenho uma coluna chamada Cultura em Cena, transmitida às terças, quintas e sábados) e sou comentarista da artes no Jornal do Meio Dia, da TV Cultura.


Holofote Virtual: Quais as boas novas de 2010?

Carlos C. Santos: Eu e os demais vencedores do III Concurso Literatura para Todos (escritores de São Paulo, Minas, Rio e Brasília) criamos o grupo Autores Atormentados pelo Tucupi (Risos).

Eu lhes apresentei nosso fumegante tacacá e eles, literalmente, piraram (na foto ao lado, o grupo). O tremoço do jambú rendeu elucubrações imensas. Criamos um blog no qual postamos nossas loucuras todas. O endereço é http://bogolatras.blogspot.com/

Outra boa novidade é que minha obra está sendo estudada e debatida por um grupo de mestres e doutores da Universidade Federal de Minas Gerais. Eles têm produzido artigos, organizado minha bio-bibliografia. O trabalho é realizado, na UFMG, pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade (NEIA), ao qual está vinculado o projeto do site Literafro, que abre espaço para a produção de autores brasileiros afro-descendentes.

Holofote Virtual: O que tens aí pronto pra sair do forno?

Carlos C. Santos: Graças a Nossa Senhora de Nazaré, tenho muita, muita coisa. Uma nova peça do projeto de pesquisa em torno da obra de Ismael Nery. Espetáculo, aliás, que foi selecionado para o Festival Breves Cenas de Manaus. Duas peças que começaram a ser montadas, textos que venceram o último edital Claudio Barradas, da Secult. Uma delas se chama “Somos Todos Mulheres Tristes”. Tenho um novo romance já pronto... Ixi, eu tomo açaí desde que nasci. Então, a sustança para escrever é muita (Risos).

5.1.10

Fotoativa abre 2010 com vasta programação

Presidente da associação Michel Pinho em entrevista faz uma análise do ano de 2009

O projeto Ver-te Belém Histórica da Fotoativa começa no dia 10 e se estende com várias atividades até o dia 31.

No dia 12 de janeiro, aniversário da cidade, comemorando seus 394 anos de fundação, haverá palestras itinerantes e uma jornada fotográfica que será conduzida pelo Centro Histórico de Belém.

O percurso escolhido valoriza o período anterior à Belle Époque, enfocando o primeiro bairro de Belém, que permaneceu isolado por muito tempo em virtude do pântano do Piri, imensa área alagada que protegia os primeiros moradores dos ataques dos índios da parte continental.

De acordo com o professor de história e atual presidente da Fotoativa, Michel Pinho, um dos focos desta ação é fazer as pessoas caminhem pela sua cidade, aprendendo mais sobre sua história. “Tem vários objetivos, penso que falar do enorme patrimônio material é um deles. Assim, desenvolvemos uma educação cidadã”, diz o professor de História e atual presidente da Fotoativa, Michel Pinho.

O novo ano começa bem para a Fotoativa que também teve muito o que comemorar nesta virada para 2010. No apagar das luzes de dezembro de 2009, ao ver uma mensagem de Michel Pinho no Twitter, informando que acabara de sair de uma reunião super positiva da Fotoativa, entrei em contato com ele para a entrevista que segue abaixo.

Logo depois segue na íntegra as informações sobre a programação que inicia na semana que vem, enviada pela Ana Clara, da assessoria de comunicação da Fotoativa.

Holofote Virtual: O que a Fotoativa tem para comemorar com o fechamento de 2009?

Michel Pinho: A Fotoativa comemora 25 anos em 2009 e conseguimos renovar o contrato de ocupação do casarão por 20 anos perante a prefeitura de Belém.

O IPHAN já empenhou a verba para o restauro integral do imóvel e o Governo do Estado do Pará entrará com a outra parcela, tenho a certeza que iremos assinar o documento agora em 2010.

A cidade de Belém vai ganhar um dos mais modernos centros difusores de fotografia do país. Além disso, os eventos tradicionais com Pinhole Day, Oficinas, Largo Cultural ganharam mais um braço importante: o Café Fotográfico, com Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Walda Marques, Paula Sampaio entre outros apresentaram seus trabalhos para platéias lotadas.

Holofote Virtual: O que virá em 2010?

Michel Pinho: Tenho certeza que em 2010 vamos concretizar uma dos nossos maiores sonhos: iniciar as obras de restauro da sede. Tivemos nosso projeto aprovado na lei Semear e batalhamos pela Rouanet, isso possibilitará a ampliação do Pinhole Day (dia mundial da fotografia artesanal), a construção de um colóquio de fotografia mais forte, diversificar nossa grade de oficinas e oferecer mais benefícios para os sócios da Fotoativa.

Holofote Virtual: O ano que finda foi positivo para a fotografia paraense, sempre em destaque diga-se de passagem, na cena local e nacional?

Michel Pinho: O Movimento fotográfico paraense tem uma força impressionante. Alberto Bitar com destaque com fotografias e vídeos selecionado no Rumos do Itaú Cultural, Dirceu Maués e Naylana Thiele com bolsas de residência fora do Brasil, Luiz Braga na Bienal de Veneza, Fátima Silva selecionada em uma publicação nacional sobre Negros no Brasil.

Na cena local, a Fotoativa se firma com parcerias importante: sediamos mais uma vez, o resultado de uma bolsa de pesquisa do IAP, do fotógrafo Octavio Cardoso.

A fotografia paraense passa a ser difundida dentro das universidades locais: somente no mês de dezembro foram dois convites que a Associação recebeu para falar do tema, as palestras foram feitas para um curso de pós graduação em patrimônio histórico e no outro sobre turismo.

Holofote Virtual: Como está a atual formação da diretoria, quais foram as principais conquistas?

Michel Pinho: Como é possível perceber, a quantidade de frentes que a Fotoativa atua, demanda o trabalho de muitas pessoas. Fátima Silva tem um papel importantíssimo nessa nova fase da associação, sua experiência de produtora fez com que a Associação vencesse quase tudo o que pleiteou em leis de incentivo e editais de fomento em arte educação.

Ana Catarina, ex-presidente, trouxe no ultimo mandato a necessidade de um plano estratégico e de definir missão e rumos; Miguel Chikaoka é o atual coordenador do núcleo de formação e experimentação, responsável pelo estratégica missão de multiplicar os instrutores.

Irene Almeida, vice-presidente, comandou em conjunto com Ionaldo Rodrigues e Evandro Neves o Café Fototráfico, além da Ana Clara nossa coordenadora do núcleo de comunicação, responsável direta pela excelente visibilidade na mídia que tivemos em 2009.

Holofote Virtual: No setor políticas públicas para a fotografia, como você analisa as atuais ações governamentais?

Michel Pinho: As ações específicas para a área de fotografia ainda é tímida, mas temos avanços: contamos com a maior importante bolsa de pesquisa do estado (IAP) selecionando fotógrafos, a Secult criou um edital para publicações de autores paraenses e agora em dezembro formou-se uma rede de produtores de fotografia que teve audiência com o ministro da cultura. Avançamos mas precisamos ir mais além.

Holofote Virtual: E o Michel Pinho, o que achou deste ano e o que está guardando ou aguardando para 2010?

Michel Pinho: 2009 foi um ano de trabalho e de grandes alegrias. Muito trabalho na Fotoativa, feito com esmero e dedicação: fotovarais, palestras, oficinas...

Como fotógrafo, participei da Mostra Fotoativa Cartografia Paraense, realizada nas unidades do SESC em São Paulo. Nos meus planos de 2010 estão a continuidade do projeto da borracharia e expor minhas fotografias em Preto e Branco que ainda são inéditas. Desejo que 2010 seja um ano de muita luz, para todos.

Mês de janeiro na Fotoativa

A abertura da programação do projeto Ver-te Belém Histórica acontecerá no dia 10, às 9h, com fotovarais itinerantes, que serão realizados simultaneamente nas praças da República e Batista Campos e no Mercado Ver-o-Peso, exibindo imagens sobre o patrimônio histórico de Belém.

No dia do aniversário da cidade, às 8h sairão da sede da Fotoativa a jornada fotográfica e as duas palestras – uma com a arquiteta e urbanista Elna Trindade e outra com Michel Pinho, cada uma cumprindo um percurso diferente.

Os outros eventos programados são a oficina Mini-Pinhole (dias 16 e 17, às 9h); o Café Fotográfico com o artista multimídia paraibano Ricardo Peixoto (dia 25, às 19h); e a performance Fotógrafo Lambe-Lambe, do grupo Usina Contemporânea de Teatro (dia 30, às 9h).

Para finalizar as comemorações pelo aniversário da cidade, no dia 30 haverá um grande fotovaral na Praça das Mercês, exibindo os resultados da jornada, a partir das 9h. Na ocasião, será encenada novamente a performance Fotógrafo Lambe-Lambe e haverá, ainda, apresentações dos músicos convidados Marcos Puff e MG Calibre.

Todos os eventos do projeto são gratuitos. O Ver-te-Belém Histórica faz parte das ações do Largo Cultural das Mercês, projeto selecionado pelo Edital de Artes Visuais 2009 da FUNARTE, com a parceria da Fundação Athos Bulcão.

Paralelamente à programação do Largo Cultural das Mercês, a Fotoativa apresenta a oficina Laboratório de Multimeios, com Ricardo Peixoto, que abordará experimentações para a comunicação visual, sonora, escrita e corporal. A atividade conta com apenas 20 vagas e as inscrições já estão abertas.

Programação

10.01 - Fotoavaral Itinerante (Praças da República e Batista Campos e Mercado Ver-o-Peso) - a partir das 09h.
12.01 – Palestras itinerantes e jornada fotográfica pelo Centro Histórico de Belém. Saída da sede da Fotoativa, às 08h.
16 e 17.01 – Oficina Mini-Pinhole, das 09h às 12h.
25.01 - Café Fotográfico com Ricardo Peixoto (Paraíba), às 19h.
30.01 - Performance “Fotógrafo Lambe-Lambe”, com o grupo Usina Contemporânea de Teatro, às 09h.
31.01 - Fotovaral, performance Fotógrafo Lambe-Lambe e apresentações dos músicos Marcos Puff e MG Calibre, a partir das 09h.

Programação paralela: Oficina “Laboratório de Multimeios”, com Ricardo Peixoto, de 26 a 30.01. Número de vagas: 20. Investimento: R$ 180,00.

Fotos que ilustram esta matéria de Valério Silviera (exceção: foto de Michel Pnho e da exposição dele, em uma Borracharia).


31.12.09

FELIZ ANO NOVO!!!!


Meus queridos,

desejo que a virada de vocês seja um derrame de emoções e felicidade.

que a paz e a alegria estejam com todos nós.

Amanhã será, literalmente, um novo dia,

mas também um novo ano.

um 2010 cheio de novidades, sonhos e esperanças concretizadas.

sonhem, amem e aguardem...

no novo ano, nosso holofote estará voltado a novas entrevistas e reportagens.

beijo no coração !!!!

Luciana, do
Holofote Virtual