16.6.17

Evento discute e Economia Criativa na Amazônia

Criado com o intuito de dinamizar e valorizar a Economia Criativa feita na Amazônia, o evento será realizado durante dois dias, reunindo empreendedores, artistas e indivíduos criativos, convidados a debater, trocar experiências e saberes, numa programação de palestras, grupos de trabalho, oficinas e apresentações artísticas musicais. Nos dias 22 e 23 de junho, no espaço Oficinas Curro Velho, das  9h às 17h.

A organização do 1o Encontro Amazônico de Economia Criativa ressalta que será um momento de conhecimento e reconhecimento dos atores sociais, que estão movimentando a esfera da Criatividade humana que envolve cultura e técnica. A programação traz palestras, oficinas e apresentações artísticas, como teatro, dança e shows musicais, que ocorrerão no final da tarde.

Entre as programações artísticas já confirmadas está o show dos guitarristas Lucas Estrela, Félix Robatto e Uaná System, que também receberão o músico Robertinho Barreto, guitarrista e fundador da banda Baiana System (BA). O Encontro também contará com Feirinha Criativa (artesanato, moda e acessórios), Feirinha da Broca e Food Trucks.

As atividades irão funcionar na forma de grupos de trabalho. Ao todo, serão 10 setoriais criativos que contarão com apresentação de projetos específicos e práticas em conjunto. Os setoriais são: música; design; dança; teatro; artes visuais; arquitetura; audiovisual; tecnologia; estudos e pesquisa em cultura e cultura alimentar. Cada setorial será coordenado por um profissional atuante na área.

Para participar, os interessados devem acessar o site www.amazoniacriativa.com, preencher o formulário com seus dados pessoais e gerar um boleto no valor de R$ 50,00, que também pode ser pago no cartão de crédito. Estudantes pagam meia, mediante comprovação na entrada do evento.

O período das inscrições vai até o dia do evento, ficando a cargo do número máximo de participantes por GT. A inscrição garante participação em todas as atividades do encontro durante os dois dias. Profissionais interessados em apresentar trabalho, devem explicar um pouco de sua experiência na ficha de inscrição e a equipe do evento entrará em contato para confirmação.

A coordenação é da produtora cultural Lorena Saavedra, que contou com apoio de Ed Guerreiro (músico, produtor e pesquisador em Direitos Autorais), Junior Oliveira (Docente da Universidade Estácio em Economia Criativa), Melissa Barbery (Coordenadora do curso de Artes Visuais da Unama), Thiago Kunz (Diretor Executivo do Fab Lab Belém) e Vitor Blanco (Arquiteto, idealizador do projeto "Papo de Arquiteto), que juntos estão criando o coletivo Amazônia Criativa.

O projeto conta com o Patrocínio do Banco da Amazônica, através do Edital Cultural 2017, apoio do Governo do Estado, através do espaço das Oficinas Curro Velho, e parceria da Rede de Economia Criativa Brasil (REC Brasil) e Solar Colaborativo.

Feira de economia criativa reúne donas das marcas

Mulheres empreendedoras dominando a cena da economia criativa. Diversidade de produtos e preços acessíveis são os atrativos da Feira das Donas, que será realizado neste domingo, 18, no Espaço Cutural Apoena. O evento é uma parceria entre o Apoena e a marca Multifário. Na programação cultural tem show da  cantora e compositora Lariza Xavier, que também é expositora, com a marca ZX Amazônia.

Foram convidadas empreendedoras donas de negócios próprios, com produções em diversos ramos como  moda, artesanato, artes plásticas, confecções, brechó e acessórios. “Será a primeira vez que o Apoena abre suas portas para um evento como esse. Decidimos apoiar a ideia por fomentar uma cadeia de economia criativa da nossa cidade e dar uma força para as mulheres a frente desses negócios”, frisa Ana Paula Guerreiro, sócia-proprietária do Espaço Cultural Apoena.

Roberta Mártires levará as produções da Multifário para a feira. O crochê é sua principal ferramenta, mas passeia também pelo macramê, tricô e fiação, com a técnica foi criada pela própria dona dá marca.

“A intenção é fugir do padrão das peças do crochê comuns, resignificar uma técnica antiga com uma construção mais atual e fazer peças que podem modificar sua identidade, um colar pode virar faixa, uma blusa pode virar saia”, explica Roberta, a dona de marca de acessórios Multifário,  Roberta Mártires.

Dentre as demais marcas que vão participar da feira estão Alba Rocha, marca de acessórios artesanais e exclusivos; Alumia, com cadernos artesanais; Tinta Preta, marca de estampas com ilustrações autorais, dentro da estética do graffiti;  Verde Musgo, que trabalha com terrários, agricultura e permacultura urbana; Kaboquinhas, acessórios artesanais; Soul Bazar e JackBazar.

Serviço
Feira das Donas. Neste domingo, 18 de junho, domingo, às 16h, no Espaço Cultural Apoena. Av. Duque de Caxias, 450, esquina da Antônio Barreto (altos). Entrada franca até 18h. Ingressos a R$ 10. Informações:(91) 3347-4624 / 982136071 / 9 8158-0829. 

14.6.17

Festival Latinidade recebe Arraial do Pavulagem

Foto: Tereza e Aryanne Fotografia
O mês de junho é sua morada. O Arraial do Pavulagem, que surge de um sonho há mais de três décadas, é a atração do Festival Latinidade e  festa Malagueta na Cuia, nesta sexta-feira, 16, a partir das 21h, no Espaço de Show Fiteiro/Doca. A programação abre com a banda de Benitez, formada por Bruno Mendes (bateria e percussão), Beto Taynara (contrabaixo) e Jó Ribeiro (trombone e piano).

Bruno Benitez, o anfitrião recebe Ronaldo Silva: compositor, músico e cantador, Junior Soares: compositor, músico e cantador, Marcelo Fernandes: guitarra, Rubens Stanislaw: contrabaixo, Rafael Barros: Percussão e Franklin Furtado: Percussão. 

Ao longo de 30 anos de existência, o Arraial do Pavulagem desenvolve ações de educação cultural na Amazônia que contribuem para transmitir e fortalecer o saber oral tradicional, com uma leitura contemporânea através de linguagens como a dança, a música e a visualidade cênica.

Em quase uma década de atividades, o Instituto coloca na rua seus principais projetos: os cortejos de cultura popular Cordão do Galo (janeiro), Cordão do Peixe-Boi ( no final de março), Arrastão do Pavulagem (junho) e Arrastão do Círio (outubro). Os cortejos somam-se a oficinas, palestras, seminários, pesquisas, projetos de extensão, rodas cantadas, ensaios, mostras e shows, que valorizam e propagam as manifestações artísticas da Amazônia.

Para o "Festival Latinidade", a banda traz ritmos de origem diversas que se transformaram na música latina de raiz brasileira. É xote, quadrilha, toada de boi e o carimbó, incorporando referências também de outros folguedos do Brasil.

Foto: Dah Passos
O grupo também acaba de lançar pela lei Semear, via Natura Musical, o “Arraial do Pavulagem – Livro de Músicas”, que reúne 42 composições assinadas por Júnior Soares e Ronaldo Silva, os fundadores do grupo. 

Os trabalhos foram selecionados a partir dos discos gravados da banda e transformam palavra escrita em permanência, em recurso para ampliar o acesso de estudantes e professores e toda uma geração de pessoas interessadas em percorrer com o Pavulagem essa jornada musical pelos territórios de afetos da Amazônia, porque é desse lugar e dessa natureza a música praticada pelo grupo.

A sonoridade que ecoa é um ato criativo lapidado nas experiências de parceria e pesquisa, no laço tecido na reverência aos mestres de cultura popular, cujo saber e talento inspiram o repertório do Arraial do Pavulagem.

Bruno Benitez traz repertório miscigenado

Foto: Caio Romano
Além do Arraial, Bruno Benitez também entra em cena com repertório mais tradicionalmente latinos, como o merengue, cúmbia e clássicos do cancioneiro latino. O músico também interage com o público falando sobre os ritmos, de como surgiram e como chegaram até a nossa Amazônia.

Completando 20 anos de carreira, e acumulando participações em importantes trabalhos na cena musical de Belém (dentre eles o grupo Mundo Mambo e Arraial do Labioso), Bruno Benitez segue a carreira solo e lança este ano o 2º CD, intitulado “Miscigenado”. Tal qual o título do CD, Bruno Benitez, filho de um uruguaio com uma paraense, e trará neste CD um som com sangue latino e alma amazônica.

O repertório que passeia desde a cúmbia, carimbó, até o Tango e a Salsa, vem sendo apresentado em shows e no Festival Latinidade. Bruno Benitez busca não simplesmente ter um repertório diverso, mas a criação de hibridismos sonoros que façam referência às variadas identidades culturais, que formaram não só a sua personalidade artística, mas que também são componentes culturais de uma Amazônia mestiça e globalizada, que pouco a pouco vai se descortinando para o Brasil e para o mundo.

Idealizado pela MM Produções, o Festival Latinidade tem incentivo da Lei Tó Teixeira, Prefeitura de Belém e patrocínio da Unama, instituição do Grupo Ser Educacional, a programação do festival que ainda terá mais dois shows no mês de julho.

Serviço
“Festival Latinidade” apresenta a festa “Malagueta na Cuia”, com Bruno Benitez e Arraial do Pavulagem. Nesta sexta, dia 16 de junho. Realização da MM Produções, com incentivo da Lei Tó Teixeira, Prefeitura de Belém e patrocínio da Unama, instituição do Grupo Ser Educacional. Ingresso R$ 20,00. No Espaço de Show Fiteiro (Doca), às 21h. Ingressos R$ 20,00. Mais informações: 91 3355.8668.

A ocupação e gestão de espaços culturais x cidade

O planejamento e a gestão de um espaço cultural e ainda a ocupação artística e a relação desses lugares com a cidade e com o público são temas das oficinas “Planejamento e Gestão de Espaços Culturais e a Relação com a Cidade” e “Exercício de Gestão de Espaços Culturais”, que serão ministradas nos dias 15 e 22 de junho, das 15h às 22h, no Casarão Viramundo - Trav. Capitão Pedro Albuquerque, n. 318, Cidade Velha (entre Rodrigues dos Santos e Ângelo Custódio).

Indicada para gestores de Espaços Culturais, a oficina “Planejamento e Gestão de Espaços Culturais e a Relação com a Cidade” tem uma proposição de metodologias de planejamento, com vistas a uma apropriação democrática da cidade. 

Pensar de forma articulada a gestão de cada um dos espaços culturais, a relação destes entre e si e as ações coletivas na cidade. Discutir o direito à cidade a partir da dimensão cultural e a noção de território usado – em atenção aos territórios usados por agentes culturais, em contraposição a uma noção de território estruturado pelas forças de econômicas e de poder. 

Já a oficina “Exercício de Gestão de Espaços Culturais” é direcionada a agentes culturais inseridos em coletivos e casas de cultura. Elis de Miranda utilizará a experiência da concepção do Galpão Cultural da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes (RJ), a partir de uma das metodologias de planejamento participativo e gestão associada. 

A oficina traz como proposição a aplicação de uma metodologia de gestão de espaços coletivos criados por agentes que atuam na cidade a partir da dimensão cultural, a fim de proporcionar articulações internas ainda não percebidas, bem como identificar pontos convergentes entre os demais grupos e o mais importante, como cada um dos grupos atua na cidade e a relação com outras instâncias do Estado e da Sociedade.

As oficinas serão ministradas pela Elis de Araújo Miranda, coordenadora do Projeto de Implantação do Galpão Cultural da UFF/Campos; professora do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional, Ambiente e Políticas Públicas (PPGDAP/UFF/CAMPOS), doutora em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR\UFRJ, e que atualmente está desenvolvendo pesquisa como Pós-Doc no Núcleo de Altos estudos Amazônicos (NAEA/UFPA).

A realização é do NAEA\UFPA, por meio de Elis de Miranda, em parceria com o Casarão Viramundo, e com apoio do Circular Campina Cidade Velha e Holofote Virtual - blog arte, mídia e comunicação. A carga horária é 8 horas e há apenas 25 vagas para cada um dos dias.

Como fazer a sua incrição

Envie para o e-mail holofotevirtual@gmail.com os seguintes dados: nome completo, idade, coletivo que participa (não é obrigatório ser de um coletivo), experiência artística (se houver) e algumas linhas sobre o seu real interesse na oficina. 

A forma de pagamento pode ser depósito bancário ou no local, desde que haja o comprometimento de participação. Outras orientações serão enviadas em respostas a inscrição recebida pelo e-mail acima. 

O valor é colaborativo e será repassado ao Casarão Viramundo: R$ 20,00 dia 15 (gestores) e R$ 10,00 dia 22, para artistas e agendes culturais. As inscrições estão abertas, para participar é preciso solicitar a ficha de inscrição pelo e-mail: holofotevirtual@gmail.com. Mais informações: 91 98134.7719.

Serviço
Oficinas “Planejamento e Gestão de Espaços Culturais e a Relação com a Cidade” (Gestores, investimento: R$ 20,00), no dia 15, e “Exercício de Gestão de Espaços Culturais”, (agentes culturais e artistas. Investimento; R$ 10,00), no dia 22. No Casarão Viramundo - Trav. Capitão Pedro Albuquerque, n. 318, Cidade Velha (entre Rodrigues dos Santos e Ângelo Custódio). Das 15h às 22h - 25 vagas cada. Ficha de inscrição e orientações pelo e-mail: holofotevirtual@gmail.com.. Mais informações: 91 98134.7719.

13.6.17

Figueroas (AL) é atração no 1o ano da Lambateria

Lançada no dia 16 de junho de 2016, a Lambateria comemora nesta quinta, 15, seu primeiro aniversário. É a 53ª edição e a festa contará com as atrações residentes DJ Zek Picoteiro, o grupo Os Safos da Capital e Félix Robatto que recebe o duo de Lambada Figueroas, de Alagoas.

Abrindo a noite, a roda de Carimbó do grupo Os Safos da Capital, que esquenta a festa com seu som raiz que mistura um repertório de cânticos tradicionais e pop desse gênero paraense. Félix Robatto e seu Conjunto também estará na programação de aniversário da festa que comemora 53 edições ininterruptas. 

O repertório já é conhecido do público da Lambateria e mistura Guitarrada, Lambada, Cumbia, Merengue, Carimbó e Brega, além de músicas autorais como “Eu Quero Cerveja”, “Seu Godofredo” e “A Gente Chama de Lambada”. O som da festa será comandado pelo DJ Zek Picoteiro que reúne uma playlist com as  músicas dançantes latino-amazônicas que são sucesso nas pistas de dança.

Na fonte da música caribenha e paraense

Depois do encontro do rock de Sammliz e o brega de Nelsinho Rodrigues, da Tecnoguitarrada de Lucas Estrela com a música erudita-pop do cantor Afonso Cappelo de do duo Figueroas com Félix Robatto, a programação de aniversário segue animada durante todo o mês.

Formado por Givly Simons (vocal) e Dinho Zampier (orgão, sintetizador e arranjos), o Figueroas agradou o público logo no primeiro álbum, Lambada Quente (Läjä Records/ Deck) 2015), que mistura a lambada paraense a sons latinos e brasileiros com a psicodelia e as influências próprias, como as do Mestre Vieira, Aldo Sena e o grupo caribenho Les Aiglons, sempre com muita irreverência. 

O novo álbum, “Swing Veneno”, (Läjä Records e Deck), traz melodias aceleradas, recheadas de frases de guitarra, efeitos de teclado e letras pegajosas tendo a lambada sempre presente, misturada a gêneros que a influenciaram como a Cumbia, o Carimbó e o Brega. É a mistura desses dois álbuns e sua peculiar irreverência que o duo Figueroas vai apresentar na Lambateria de aniversário.

Aniversário ganha comemoração o mês inteiro

Na quarta quinta-feira de junho, dia 23, a Lambateria promove o seu Arraial com a banda Forró das 3 e Meia que recebe a cantora e compositora paraense Lariza Xavier e o reencontro da banda La Pupuña. 

Encerrando o mês de aniversário, na última quinta de junho, dia 30, a Lambateria promove o encontro da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó com a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, mostrando a mistura entre a música erudita com a cultura popular.

Serviço
A Lambateria#1 ano com Figueroas (AL), Félix Robatto, Os Safos da Capital e DJ Zek Picoteiro será nesta quinta-feira, 15 de junho, a partir das 20 horas no Fiteiro (Av. Visconde de Souza Franco, 555). Shows a partir das 21h30. Lote promocional a R$ 20,00, 2º lote a R$ 25,00, 3º lote a R$ 30,00 e ingressos no dia a 3º lote a R$ 35,00. Vendas antecipadas no Sympla. Informações: (91) 98026-1595 / fb.com/lambateria.

12.6.17

Boi Pavulagem triunfa em domingo de diversidade

Foram dias intensos, mas fechamos a semana com chave de ouro, ou melhor, com “Olhos de papel de seda e uma estrela na testa”, festejando a cultura popular. Na manhã deste domingo, 11, o Boi Pavulagem concentrou seu batalhão de estrelas, formado por brincantes de todas as idades, crianças, e instrumentistas, homens, mulheres, coisas da diversidade. 

Desde muito cedo, a movimentação já era grande, em frente ao Instituto Arraial do Pavulagem, na Praça dos Estivadores. Já passava de 11 da manhã, quando iniciou o deslocamento do cortejo, que subiu a Av. Presidente Vargas, um trecho percorrido há décadas, em direção à Praça da República.

Um dia memorável para quem acredita na arte como transformação. Vale lembrar que durante a semana, o boizinho veio às redes sociais denunciar a falta de apoio da Prefeitura de Belém e isso causou indignação na população que, aliás, tem sido alvo direto dos cortes à cultura. Depois de quase 30 anos, tendo ao final do cortejo um show aberto em palco montado na Praça da República, este ano, o cortejo do Boi Pavulagem encerrou em frente ao Theatro da Paz, mas a falta de um palco não o impediu nem de sair e nem de brilhar, como talvez se quisesse. E foi lindo de ver.

A chuva veio sim, já passava do meio dia, afinal estamos em Belém do Pará, mas ninguém foi embora, mesmo sem palco, e em meio à praça efervescente, ainda que com as calçadas não acabadas e com tapumes encobrindo seus coretos e o tradicional Bar do Parque, frutos de uma obra que já dura mais de um ano, a chega do cortejo em frente ao Theatro da Paz, foi triunfal. 

A grande roda formada por uma multidão composta por artistas, músicos, brincantes e população fez coro para cantar as músicas e também ecoar: #foratemer #forajatene e #forazenaldo. O sol voltou, secou nossas roupas, o ventou soprou o suor do rosto e o Boi Pavulagem abriu passagem. No próximo domingo tem mais.

É incompreensível que uma ação de ampla aceitação popular seja tratada de forma tão desproporcional pelos gestores públicos, que tão pouco e, na maioria das vezes, nada faz pela cultura popular. Se mesmo com o grande e nacional reconhecimento a ação de décadas do Pavulagem foi ignorada, dá pra imaginar como é com os bois do Guamá, de Icoaraci, o carimbo e tudo o mais. 

Poder público X iniciativas independentes

Em Belém do Pará falta política pública para a cultura. Não basta ter uma Lei de Incentivo, que é apenas uma ferramenta, envolvendo empresariado local e, ainda assim, sabemos, a Lei Tó Teixeira possui falhas na sua execução e muitas reclamações em cortes nos projetos inscritos, sem haver justificativa.

A omissão e a falta de entendimento entre os órgãos responsáveis pela cultura e organização dos espaços públicos, como as praças, ficaram mais evidentes ainda, quando a prefeitura soltou uma nota em resposta à postagem do Boi Pavulagem, dizendo que os responsáveis não tinham solicitado nenhum apoio oficialmente. O Instituto Arraial do Pavulagem respondeu.

“O couro do Boi Azul é tecido por juras de livramentos. E para ser livre é preciso carregar a essência da verdade. Em resposta à declaração pública da Prefeitura de Belém, de que não a procuramos para solicitar apoio, publicamos agora o ofício encaminhado.

Ele sequer foi recebido no protocolo, sob a alegação do decreto nº 83.410, de 17 de agosto de 2015, cujo artigo 2º suspende todo e qualquer tipo de auxílio financeiro para realização de eventos relacionados a atividades festivas promovidas por instituições não governamentais. O ofício nº 102/2017, do Instituto Arraial do Pavulagem, foi levado à Prefeitura de Belém no dia 23 de maio e não foi aceito no protocolo. Como podemos ver no anexo, o documento é primeiro aceito e depois recusado”. E não precisou dizer mais nada.

Obra na Praça da República: mais de um ano

Momentos diversos na Praça da República
Assim, o domingo chegou ao som das toadas, cantadas pelas várias vozes que acompanharam o cortejo até a Praça da República, espaço de diversidade incontestável, principalmente aos domingos.

É um ponto de fuga e abrigo para milhares de paraenses ou turistas de passagem. Além do Pavulagem era tanta coisa acontecendo ontem, em meio a materiais de construção, pedras portuguesas reviradas, fazendo monte de gente tropeçar. Tinha sebo de livro, protesto contra a chacina de Pau D'Arco, Pássaro Junino Colibri no Waldemar Henrique, fruto de um projeto deles, apoiado pelo edital do Banco da Amazônia. Entrada franca. 

É bem verdade que um dos trechos de calçamento já está pronto e é lindo de ver. Estou me referindo a um tempo maior que o necessário para uma obra findar e entregar a praça ao publico. O Bar do Parque precisa sair dos tapumes, os garçons e atendentes do quiosque merecem seus empregos de volta.

É na soma que a gente se representa

O Bar do Parque sob tapumes
O Arraial do Pavulagem é uma das iniciativas independentes da sociedade civil. Assim como este exemplo, há vários outros, de tantos segmentos artísticos, e que merecem atenção do poder público. Este, ao contrário do que se vivencia, deveria somar e potencializar o que já tem prontinho.

É na soma e na transparência que qualquer projeto em parceria entre setor privado, público e independente pode florescer. Não se pode travar o diálogo, ele deve fluir, todos ganham. A cidade agradece, o povo aplaude, se diverte e cresce em consciência de seus direitos e deveres. Porque é tão difícil entender isso ou, melhor, colocar isso em prática? Efervescência há, produção artística não falta e vem vindo aí outra semana repleta de ações que vamos acompanhar e contar aqui pra vocês. Sigamos!


9.6.17

"Bar do Rei" e a obra boêmia de Reginaldo Rossi

A periferia e suas desventuras amorosas retratadas na poética das músicas do saudoso “Rei do Brega”, Reginaldo Rossi, são o mote central de O Bar do Rei, espetáculo da Cia. Ferber de Teatro e Dança que iniciou nova temporada ontem e vai até 11 de junho, às 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas (sessão extra no domingo, às 18h).

O Bar do Rei é um convite a sentar, tomar uma cerveja e apreciar a poética de Reginaldo Rossi traduzida em cena. O público pode ficar na plateia mas também na área vip, mesas que fazem parte do cenário. A trama se desenrola dentro do bar de Dona Miguela, viúva há dez anos, que toma conta do bar que era o orgulho de seu marido, Reiminaldo. Com movimento fraco e decadente, o bar passa por dificuldades que o garçom Cleosvaldo acredita que pode resolver, colocando a disposição o seu talento vocal a disposição nas noites do estabelecimento.

A proprietária não tem muita confiança na cantoria do humilde garçom, mas promete que qualquer dia deixará ele cantarolar para os fregueses, causando uma inveja enorme em Bambina, frequentadora assídua do bar e apaixonada pelo garçom. Depois da chance de cantar uma noite no bar, Cleosvaldo é descoberto como uma revelação da música brega e atinge um inesperado sucesso, o que transformará a vida do bar e seus frequentadores para sempre.

A companhia, que este ano completa quatro anos, tem como pilares o teatro, a dança e a música. O espetáculo foi concebido através do estudo na discografia do cantor Reginaldo Rossi. 

As suas canções, sempre com um forte apelo popular, contam boas histórias e trazer para a cena, dentro de um bar, situações de traições, brigas, romances e realizações de sonhos foi a maneira encontrada pelos dramaturgos Fabio Limah e Patrícia Grigoletto para contextualizar cenicamente as canções de Rossi. 

O espetáculo tem direção geral de Renato Ferber, jovem diretor que cresceu influenciado pelas músicas do de Rossi e se sente orgulhoso de levá-las a cena. “É marcante e incrível que simplesmente não sai da memória de uma criança ou adulto que cresceu ouvindo essas músicas no embalo de uma festa e também por isso o espetáculo está recheado com muita diversão, humor e dança, que é a essência da alma”.

Serviço
Espetáculo “O Bar do Rei” - 3ª temporada. Até 11 de Junho, às  20h (sessão extra 18h no dia 11) no Teatro Universitário Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel, esquina com Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: setor plateia: R$ 30 (Inteira) / R$ 15 (Meia Entrada) e setor mesa (área vip): R$ 40 (Inteira) / R$ 20 (Meia Entrada). Ingressos antecipados: Loja Coca-Cola Jeans, no 4º piso do Shopping Boulevard ou com os atores e produção do espetáculo. Informações: (91) 98418-0039 / (91) 98137 2298.

Toni Soares e Trio Manari estão no Arraial do Fauno

O Arraial do Fauno iniciado semana passada com o show "Folias", volta com Toni Soares e Trio Manari, nesta sexta-feira, 09 de junho. O show "Oferenda" une duas potencias da musicalidade amazônica! E toda sexta-feira, até o final de junho, a Casa do Fauno trará shows especiais. Haverá ainda, show de Adilson Alcântara, que apresenta "Festa Norte Nordeste", com participação de Chico da Sanfona, dia 16, Renato Lu, com o Arraial das Abelhas, no dia 23,  e fechando com chave de ouro, o show “Estandarte de São Marçal”, no dia 30, com Ronaldo Silva e Allan Carvalho. Acompanhe os eventos do espaço, na página de facebbok.

O show “Oferenda” reunirá uma parafernália de instrumentos. E comandando o caldeirão de sonoridades estarão Márcio Jardim, Nazaco Gomes, Kleber Benigno e Toni Soares. teremos programação junina especial no nosso quintal. Será um momento também de celebração entre os músicos. 

Foi com o Trio Manari que Toni Soares pôde transformar o palco em um grande laboratório experimental sonoro, pelas infinitas possibilidades de criação musical ao vivo. “Será um show único com muito improviso, com liberdade total para criação. Será único porque cada show terá uma energia, uma vibração diferente”, acrescenta Toni Soares.

O músico, que atualmente mora em Bragança, está gravando seu primeiro DVD. As gravações começaram no mês de maio na sua cidade,  mostrando o seu lado espiritual religioso centrado na Maruja de São Benedito com seus batuques, ladainhas, retumbão e em tudo que transcende através da música. 

Ele fez uma pausa nas gravações para se encontrar musicalmente com “os meninos do Manari”, com quem teve a honra de gravar em 2002 o CD “Toni Soares e Comitiva, ao vivo".

“Não tínhamos ideia de que alí, no momento da gravação do CD, estava se formando o que hoje é o Manari. Foi a primeira célula do Manari. Então, não poderia deixar de realizar mais esse sonho, de voltar a encontrar os meninos do Manari, e juntos vamos fazer uma “OFERENDA” musical para o público paraense”, declara o compositor Toni Soares.

O show também será apresentado, neste sábado, 10, no Sesc Boulevard. São dois momentos ímpares. Na Casa do Fauno, para quem curte a noite, e gosta de ouvir música ao vivo bebericando, batendo papo, degustando comidinhas. E no Sesc, é para quem prefere o ambiente de teatro, e ainda que ir curtir a noite depois de um belo show! 

Serviço
Dia 09 de junho, sexta-feira, às 22h, na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamim e Rui Barbosa. Couvert R$ 15,00. Mais informações e reservas de mesa: 98705.0609.

São Caetano de Odivelas inicia festa da Vaca Velha

A Vaca Velha,  único representante feminino do folguedo do Boi de Máscaras, sairá às ruas, afirmando as conquistas das mulheres. Vai começar neste sábado, 10, comemorando o 1o ano da associação que resgatou a brincadeira, em 2016, mas a programação vai ser realizada em outros finais de semana, até dia 27 de julho.

Vai começar mais uma festa em São Caetano de Odivelas, município paraense na região nordeste, que cultiva uma das tradições culturais únicas do país, e das mais lindas do estado do Pará. A cultura local do “Boi de Máscaras” existe no município de São Caetano de Odivelas desde a década de 1930. O uso de máscaras vem  desde sua fundação por pescadores que as utilizavam como disfarce, para não serem reconhecidos. Os encantadores pierrôs dançam e pulam ao lado dos graciosos Cabeçudos e dos desengonçados buchudos. Quem já participou da brincadeira por lá, sabe que o clima é mágico. 

A Vaca Velha surgiu na década de 1980, como parte dessa identidade cultural de São Caetano de Odivelas, criada pelos visionários Honório Chagas, Salim Gurjão Alves e Manoel de Jesus Rodrigues, mas não teve continuidade e, segundo os coordenadores da Associação Vaca Velha que a resgatou, no início de 2016, o sumiço da personagem deixou um vazio muito grande dessa cultura tão bela.

“A Vaca Velha morreu. E essa morte gerou um impacto muito grande em muitas pessoas. Significava a perda daquilo que já fazia parte da identidade cultural de São Caetano de Odivelas, gerando uma inquietação, uma lacuna que foi gerada na infância de muitos que jamais esqueceram a Vaca Velha”, diz Ivandro Farias. 

E foi justamente com esse sentimento que um grupo de amigos se reuniram para ressuscitar a Vaca Velha. Na verdade, muito mais que isso e ressuscitar parte dessa cultura, trouxe de volta muitos sonhos, que tinham sido perdidos na infância de muitos. 

“Queremos trazer uma nova proposta que não é apenas o resgate da Vaca Velha, mas também que ela traga consigo algo que venha beneficiar a comunidade Odivelense”, continua Ivandro, da Associação Vaca Velha, fundada no dia 10 de junho de 2015. “Fundamos a associação tendo como uma de suas finalidades, resgatar o folguedo Vaca Velha – Boi de Máscaras”, diz ele. “Hoje a Vaca Velha veio para ficar e se transformar em uma das maiores manifestações folclóricas de São Caetano de Odivelas”, afirma.

Após a fundação da associaão, em 10 de junho de 2015, no ano seguinte, na esma data, a Vaca Velha – Boi de Máscaras, que encantou o povo Odivelense, voltou em grande estilo, ganhando uma chegada triunfal na cidade. A ideia é criar um ritual para dar força ao resgate da Vaca Velha, a mística da natureza, suas lendas e seus encantos, contribuindo e somando na Cultura Odivelense. “Para Associação Vaca Velha o ano de 2017 será de consolidação e para isso nos planejamos uma série de apresentações e cortejos”, diz Ivandro.

De 10 de junho a 27 de julho o colorido da Vaca Velha

A programação inicia neste sábado, 10,  comemorando o aniversário da associação e resgate da Vaca Velha. No dia 17 de junho, o cortejo será de reconhecimento ao espaço conquistado pela mulher. 

“A Vaca Velha tem um dia exclusivo para elas, pois as mulheres vêm derrubando tabus, revolucionando tradições, marcando presença em lugares antes restrito somente aos homens. Grande exemplo na cultura dos bois de máscaras os “pernas” eram exclusivamente homens, hoje temos “pernas” mulheres em nossa equipe”, continua o diretor e um dos fundadores da associação.

A Vaca Velha foi criada na década de 1980, pelo grande artesão da época, Mestre Dorreis, que morava na pequena cidade de Pererú de Fátima. A vaquinha foi feita lá e trazida a São Caetano de Odivelas, de barco. No dia 25, por isso, será realizada a encenação de sua triunfal chegada na cidade. “Faremos o percurso de volta à cidade Pererú de Fátima, voltando de lá, de barco, e a Orquestra Pipirinha estará lhe esperando no porto da cidade com os Pierrôs, Cabeçudos, Buchudos e população local em uma grande festa da Cultura”, adianta Ivaldo.

No dia 2 de julho, a Vaca Velha chega em São João dos Ramos, a ilha dos sonhos onde a mesma foi recebida de forma ímpar, com a cidade toda indo para as ruas ver “que Vaca é essa que o povo todo está falando”. 

“Foi paixão a primeira vista, houve uma química entre a Orquestra Pipirinha, os brincantes, o Povo e a Vaca Velha, uma magia que nos fez, obrigatoriamente, retribuir todos os anos essa paixão do povo com a Vaca Velha e dela com o povo”, explica o dirigente.

No dia 8 de julho, tem o aguardado “Grande Encontro dos Bois”, quando todas as manifestações folclóricas e outros bois da cidade vão às ruas, numa grande celebração. Mas não pense que a festa acaba aí. Chega o verão e a programação continua, no dia 27 de julho, com encerramento junino da Vaca Velha, na Ilha dos Sonhos, abrindo o Festival de Verão, onde haverá grandes atrações musicais e culturais.

O Cortejo terá a companhia dos bois Estrela D’alva e Estrelinha, bois tradicionais da região. O Estrela D’alva de muitos anos de ilha dos sonhos, já o Estrelinha em seu primeiro ano, confeccionado para entretenimento das crianças.

Veja a programação:
  • 10 de Junho -  Aniversário Vaca Velha
  • 6h – Alvorada com a Banda Milícia Odivelense
  • 7h30 – Café da Manhã;
  • 9h – Busca do Mastro;
  • 11h – Brincadeiras com crianças, regatando “quebra pote”, “corrida de saco”, “corrida com ovo”, entre outras. Além de apresentações de quadrilhas juninas  e grupos de carimbos
  • 18h30 – Saída da Vaca Velha pelas ruas da cidade
  • 21h - Chegada na praça central de São Caetano de Odivelas  - Parabéns com bolo de dois metros.
  • 17 de Junho - Saída Especial para Mulheres
  • 25 de Junho – A boa Filha a Casa Torna
  • 02 de Julho – A Ilha dos Sonhos
  • 08 de julho – O Grande Encontro dos Bois
  • 27 de julho – Abertura do Festival de Verão da Ilha dos Sonhos

8.6.17

Vitor Ramil emociona: voz e violão na beira do rio

O encontro com o público de Belém, que desde os idos anos 80, lhe impressionou, é sempre de muito carinho e intensidade. "Eu estava com muita saudade de vocês", disse antes de começar a tocar. A noite de quarta (7), no XXX Festival Internacional de Música do Pará, iniciou com Luísa Lacerda. Hoje tem Fátima Guedes e até sábado,10, há novas emoções, no bar Palafita.

Tango, Tambong, Estrela Estrela, Foi no Mês que vem, entre outras obras. Ele passeou pelo repertório que vem encantando gerações. O público estava ávido de Vitor e queria mais era grudar no palco do gaúcho. “Vocês me deixam tocar uma música nova?”, perguntava, e claro, apresentou coisas lindas, que no calor da emoção acabei não anotando os nomes, mas gostei, trazem a marca poética de sua obra. A gente chorou, cantou, vibrou junto. Foi lindo, exuberante e ficará na memória. 

Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80. Membro de uma família de músicos. O irmão de Kleiton e Kledir, frequenta Belém há décadas. Ficou surpreso quando fez a primeira apresentação, aqui, porque sabíamos cantar suas músicas, quando ele ainda nem era tão conhecido aqui pela região norte. 

Eu sempre digo que esse é um mérito da Rádio Cultura do Pará, que assim como colocava para ouvirmos Vitor Ramil, também nos apresentou artistas como Ney Lisboa e Dulce Quental, que ficaram igualmente surpresos, quando aqui se apresentaram entre o final dos anos 1980 e o inicio dos 1990. 

Sim, era um privilégio, naqueles tempo, ainda sem plataformas digitais de distribuição de música, termos acesso, através de uma rádio, que garimpava junto com você novos compositores brasileiros que mais tarde se tornariam ícones da música brasileira. Hoje em dia temos a internet, mas penso que as rádios ainda deveriam exercer isso com maior afinco, sendo fundamental para difusão de bons trabalhos, é duro se ligar numa difusora e lidar com os conteúdos de massificação. 

Luisa Lacerda pede silêncio, retorno e canta Ronaldo Silva

Instrumentista talentosa, voz suave afinada, tem um trabalho bonito. Exigente também e reclamou um pouco do som. “Eu queria pedir que vocês falassem um pouquinho mais baixo, porque eu estou quase sem retorno aqui”, disse.

A cantora e violonista, formada pela Escola de Música da UFRJ, ainda é pouco conhecida por aqui, embora várias pessoas já tivessem ouvido seu trabalho pelas redes sociais. É da nova geração de compositores cariosas, e vem se apresentando em casas de shows, bares e cafés do Rio desde 2013, tendo dividido o palco com artistas como Pedro Franco, Quarteto Geral e Miguel Rabello. Em 2016, fez diversas apresentações solo (voz-violão), formato que trouxe para Belém.

Luisa Lacerda trouxe repertório do cancioneiro de seu pai André Lacerda, em várias parcerias, Paulo César Pinheiro, e ainda Sérgio Sampaio e Sérgio Natureza, além de músicas autorais, em parceria com compositores cariocas. Cantou também, “Rodopiado”, música de Ronaldo Silva, que ela gravou em fevereiro deste ano.

Fátima Guedes e Delcley Machado nesta quinta

A energia musical carioca está no ar e se mistura com a música instrumental paraense. Hoje a programação do XXX Festival de Música, Palafita, tem outra grande compositora em cena, Fátima Guedes, que é da geração musical dos anos 1970, do Rio de Janeiro. A abertura da noite desta quinta-feira, 8, será com o guitarrista paraense Delcley Machado. 

O primeiro sucesso radiofônico de Fátima Guedes foi Mais uma boca (1980), que concorreu no Festival MPB/Shell. O álbum Coração de louca (1988) foi um dos pioneiros do selo independente Velas, que seria lançada três anos depois pela dupla Ivan Lins/Vitor Martins, lançando ainda os três álbuns subseqüentes: Pra bom entendedor... (1993), Grande tempo (1995), que teve duas canções indicadas para o extinto Prêmio Sharp de 1996 na categoria MPB, e Muito intensa (1999).

Diversos cantores têm no repertório músicas de Fátima Guedes, dentre os quais Simone, Maria Bethânia, Jane Duboc, Joanna, Zizi Possi, Mônica Salmaso, Leila Pinheiro, Ney Matogrosso e Nana Caymmi. Dentre as muitas composições, destacam-se: Flor de ir embora, Condenados, As pessoas, Pelo cansaço, Muito intensa, Absinto, Eu, Lápis de cor, Chora brasileira, Onze fitas, Arco íris, Passional, Cheiro de mato, A vida que a gente leva, Muito intensa, Mais uma boca, Ar puro, A bailarina, entre outras.

Enquanto Fátima GUedes iniciava a carreira em 1973, Delcley Machado nascia naquele ano, crescendo nas rodas de choro promovidas pelo seu pai, músico veterano que participou como percussionista na Orquestra na Rádio Marajoara, em Belém.

Hoje com seus 25 anos de carreira é reconhecido pelo seu virtuosismo e técnica pessoal, já participou de vários trabalhos dentro e fora do estado e do País, dividindo palco com músicos como: Toninho Horta, Claudio Nucci, Zezé Mota, Fernando Merlindo, Nema Antunes, Ney Conceição, Lula Barbosa, Vital Lima, Walter Freitas e muitos outros.

O músico também tem participações em gravações e arranjos em discos dos principais artistas do Pará e do Brasil, hoje tendo em sua discografia três CD'S Intitulados: "Urbi Et Orbi", "Cordacesa" e "Temporal" é músico marcante na trajetória da música instrumental do Estado do Pará.

Programação no Palafita vai até sábado

O Palafita ainda recebe na sexta, 9, o Cumbuca Jazz, grupo de música instrumental formado por músicos paraenses. Iniciou sua trajetória em 2004 e traz um repertório composto por música brasileira, regional e composições de grandes instrumentistas do jazz. Em seguida tem Fernando Merlino, pianista carioca, que iniciou a carreira artística tocando em bailes e casas noturnas, como integrante da Orquestra do Maestro Cipó e do grupo de Chiquinho do Acordeon. 

Em 1980, foi contratado como instrumentista pela TV Globo, tendo gravando diversas trilhas e vinhetas para novelas e programas da emissora. Entre outras coisas, atuou como instrumentista e arranjador, ao lado de Roberto Menescal, em gravações de discos da venezuelana Luz Marina, da japonesa Utsumi Miyuki, do grupo instrumental japonês The Square e da cantora Lisa Ono, além de ter participado dos discos das cantoras Marília e Cris Delanno, lançados no mercado japonês pelo selo Zico Label.

A programação no Palafita, encerra no sábado, 10, com show de Paulinho Moska. E nesta noite, só vai dar ele, que fez as primeiras gravações profissionais no álbum A Orquestra de Vozes, em 1986. O disco de estreia do grupo vocal Garganta Profunda que, em seu repertório, cantava de Beatles e Tom Jobim a óperas medievais. 

Em 1987, Luiz Nicolau, Luis Guilherme e o próprio Moska, dissidentes do Garganta Profunda, formaram o grupo de pop-rock Inimigos do Rei. Com a banda, lançou dois discos, emplacou nacionalmente os hits Uma Barata Chamada Kafka e Adelaide e correu país por dois anos.

Cinco anos mais tarde, em 1992, decidiu sair do grupo, porque não gostava da obrigação de ser engraçadinho, e iniciou carreira solo. Desde então, Moska já emplacou 13 temas em trilhas da TV Globo – 11 deles em sua própria voz. Destas, destacam-se 'O Último Dia (presente em O Fim do Mundo), A Seta e o Alvo (presente em Zazá), Pensando em Você (presente em Agora É que São Elas) e Tudo Novo de Novo (tema de abertura da minissérie homônima).

Espaço é dos mais concorridos no festival

Os shows na beira do rio iniciam às 22h30, a entrada é franca. O Palafita tem sido um dos locais mais concorridos do festival, nos últimos anos. É lá que a programação traz a música instrumental e popular, sempre com ótimas atrações. O espaço, no entanto, precisa de mais infra para receber o público nesta quantidade que é levada pelo festival. Teve #foratemer, #forajatene e #forazenaldo. E nada poderia estragar a noite.

Além do Palafita, a programação do XXX FIMUPA, que iniciou no domingo, 4, se estende ainda pelo Theatro da Paz, Sala Etore Bosio, Teatro Waldemar Henrique, Igreja de Santo Alexandre, Espaço Cultural Boiúna e Jardins do Instituto Carlos Gomes, até dia 11 de junho. Veja toda a programação, aqui: http://www.fcg.pa.gov.br/content/programa%C3%A7%C3%A3o-xxx-fimupa