23.8.12

Marton defende poética dos Palhaços Trovadores

"O Mão de Vaca", dos Palhaços Trovadores, está de volta à cena para deleite do púbico que já viu, e como nova oportunidade para quem ainda não deu as boas gargalhadas proporcionadas pelo espetáculo, uma livre adaptação do clássico francês “O Avarento”, de Molière. É nesta quinta, 23, às 20h, no Anfiteatro da Praça da República, às 20h. 

A apresentação faz parte da programação de defesa da Tese de Doutorado do diretor do grupo, Marton Maués. Intitulada "Criação Pública - o desvelar da poética dos palhaços trovadores na montagem de O Mão de Vaca", a tese de Marton Maués, que atualmente é também professor da Escola de Teatro e Dança da UFPA, com doutorado cursado na Universidade Federal da Bahia, vai ser defendida no dia seguinte, 16h00, no auditório da ETDUFPA, sob a orientação do prof. Dr. João de Jesus Paes Loureiro. 

A montagem, utilizada em sua pesquisa, buscou desvelar a poética criada pelo grupo, que atua na cidade há mais de 14 anos. “A peça é meu experimento no Doutorado. Na pesquisa, digo que os Trovadores, nestes quase 15 anos de atuação, já têm um poética definida, isto é, um modo próprio de fazer teatro com palhaços”, conta o ator e também diretor. Esta é a segunda montagem dos Palhaços Trovadores que utiliza um texto de Molière. 

Em 2006, o grupo montou “O Hipocondríaco”, adaptado da obra “O Doente Imaginário”, do autor francês. As propostas se assemelham. Na atual montagem, a encenação também utiliza como ideia central, a chegada de uma trupe de palhaços de um circo decadente com a incumbência de apresentar uma peça de Molière. 

Sem muitos recursos, se utiliza o pouco que se tem para a montagem da peça: bancos velhos, roupas gastas, instrumentos avariados. Em ‘O Mão de Vaca”, Marton trabalha com a hipótese de que o público já percebe a poética própria do grupo ou seja, já reconhece elementos utilizado pelo grupo de espetáculo para o espetáculo. 

Para comprovar isso, o diretor montou esta adaptação de “O Avarento”, de Molière, com três meses de ensaios abertos na Praça da República. O público pôde então acompanhar e participar da criação, dentro de um processo colaborativo, em que os integrantes do grupo também tomaram parte de cada detalhe do projeto.

“Descrevo na tese o que eu chamo de poética da recorrência, um modo próprio com que os Trovadores foram elaborando o seu fazer teatro com palhaços, utilizando-se principalmente de elementos do folguedos populares. O público participou da montagem, que foi toda realizada de forma aberta, com os ensaios acontecendo no Anfiteatro da Praça da República”, vai nos contando Marton. 

Assim, segundo ele, o grupo todo pôde conversar com as pessoas e também contar com a participação delas, através de um blog, criado especialmente para o processo. “Fiz também algumas entrevistas e assim pude aferir que o público, em certo grau, identifica sim os elementos que utilizamos nas nossas criações”, revela.

O espetáculo passou por várias fases. Houve o momento do mergulho na obra, da construção das personagens, quando os integrantes também revelam seus clowns únicos. Um processo demorado e prazeroso, com resultados já apresentados em temporadas, sempre no anfiteatro da República e de forma coletiva. 

“Cada palhaço é um palhaço, mas somos um coletivo. Esse processo, de colaboração entre o grupo, também é discutido e mostrado na tese. É trabalhando assim, mesmo com cada um guardando sua individualidade, que construímos nossa poética, nossa maneira própria de criar enquanto grupo, enquanto Palhaços Trovadores”, reforça. 

Embora reconheça que cada grupo é um grupo e tem uma história que merece ser compartilhada pelos demais, Marton aposta nesta forma particular de trabalho dentro do Palhaços Trovadores. “Acredito que montar Molière com palhaços é coisa inédita sim, e não só no Brasil”, afirma.

A defesa da tese de Marton, que inicia com a apresentação do espetáculo, no Anfiteatro da Praça da República (quinta, 23, às 20h), será completada no dia seguinte, sexta-feira, 24, quando ele apresentará o trabalho escrito para a banca, que já assistiu o espetáculo, no auditório da ETDUFPA, ás 16h00. 

Tanto a apresentação, quanto a defesa da tese são públicas, abertas a quem quiser assistir. A banca é constituída pelo Prof. Dr. João de Jesus Paes Loureiro (Ufpa), meu orientador, e pelos professores doutores Daniel Marques da Silva (Ufba), Eliene Benício (Ufba), Marisa Mokarzel (UNAMA) e Luizan Pinheiro (Ufpa). 

Os Palhaços Trovadores são pioneiros no trabalho com o palhaço em Belém e mantém uma regularidade no trabalho e possuem uma sede sempre com atividades. “Queria muito que o público comparecesse à apresentação, sobretudo pessoas que acompanharam o processo. Tenho certeza que irão se divertir. E é isso que importa”, finaliza Marton. Serviço "O Mão de Vaca", dos Palhaços Trovadores. 

Nesta quinta-feira, às 20h, no Anfiteatro da Praça da República, às 20h. Na sexta-feira, 24, às 16h, Marton Maués faz uma defesa pública de sua tese "Criação Pública - o desvelar da poética dos palhaços trovadores na montagem de O Mão de Vaca", no auditório da Escola de Teatro e Dança da UFPA (Don Romualdo de SEixas com Jerônimo Pimentel), sob a orientação do prof. Dr. João de Jesus Paes Loureiro.

Um comentário:

Marise Morbach disse...

Que bacana, muito bom ver uma prática teatral ser enfrentada em um trabalho acadêmico. Parabéns ao Marton Maués e ao João de Jesus Paes Loureiro. Bjs prá ti querida, continue firme na divulgação da pauta cultural paraense: precisamos muito!