31.5.17

Domingo é dia de Circular Campina Cidade Velha

Até o domingo, dia 4 de de junho, mais de 30 espaços culturais dos bairros da Campina, Cidade Velha, Reduto e imediações de Nazaré e Batista Campos estarão se organizando e ajustando os últimos detalhes para a  programação extensa que será realizada das 8h às 20h, com atrações musicais, de teatro, feirinhas, artesanatos, oficinas, cinema, cultura popular, gastronomia e passeios turísticos no Centro Histórico de Belém.

Iniciativa da sociedade civil organizada, o projeto Circular Campina Cidade Velha vem ao longo de três anos agregando e articulando parcerias que tenham algo em comum para somar e trazer de positivo aos bairros mais antigos da cidade. 

Além disso, coordena essa programação múltipla, que proporciona nos meses de abril, junho, agosto, outubro e dezembro, sempre no primeiro domingo, um grande encontro de afeto, compartilhamentos e troca de ideias entre participantes residentes e visitantes.

O Circular é uma realização coletiva, mediada pela Kamara Kó Fotografia e Ministério da Cultura, com apoio da Lei Rouanet por meio do patrocínio do Banco da Amazônia e Governo Federal - Milton Kanashiro e Jorane Castro, por meio de Doação de Pessoa Física da Lei Rouanet. Tem co-patrocínio da Cultura - Rede de Comunicação, e apoio institucional do Iphan, Imprensa Oficial do Estado – IOE-PA e UFPA, por meio das Faculdades de Turismo e Geografia e NAEA.

Destaques e novidades no circuito

Campina, Cidade Velha, Reduto e já nas confluências com Nazaré e Batista Campos. O Circular está em seus limites e a cada edição tem mais gente querendo participar. Para isso é preciso estar situado nestes bairros e imediações, ou firmar parceria com um dos gestores dos espaços que já participam do Circular.

Nesta 17ª edição, mais de 30 espaços abrirão as portas no próximo domingo, 4 de junho, a partir das 8h. Estão de volta parceiros como o Instituto Arraial do Pavulagem, que acaba de iniciar os ensaios para o tradicional Arrastão de Junho, e o Centro Cultural da Justiça Eleitoral, que abre com feirinha e exposição "Nós, de Aruanda". Muito bem vindos neste mês cheio de axé e colorido junino. Além do Centro Cultural do Carmo também abre as portas com mostra de produtos criativos, comidinhas e música ao vivo.

Entre as novidades, o Stand Bar que agrega a turma que curte pub e um papo sobre fotojornalismo, comunicação e grafitagem. 

O novo espaço do pedaço fica na Carlos Gomes, quase na Presidente Vargas, Campina. O Crew das Minas também estreia com programação de DJs e Batalha de MCs, no Bar do Jamaica, que fica no Beco do Carmo, próximo ao Mercado do Sal, onde atua o Aparelho Coletivo, com ótima programação.

O Midas Stúdio participa de sua primeira edição. Localizado na Ó de Almeida próximo a Praça da Bandeira, abrirá com apresentação do Trio Lobita e o Quarto Elemento, e do Trio Andaluz. Também tem Roda de Choro no Mercado do Sal, que não falta, pockets shows na Discosaoleo e shows encerrando programação na Da Tribu e na Fotoativa.

Para almoçar, além do Bar do Rubão, com aquele cardápio de sempre delicioso, tem Dona Joana, onde a música ao vivo é erudita e ao meio dia, além de oferecer venda de vinil, e ainda o Restaurante da Sé, um self servisse de partos típicos e outras delícias. Há comidinhas especiais em vários espaços culturais, confere na programação que está no site.

Feirinha, arte e programação para os miúdos

Oficina na Da Tribu
Na Feirinha da Vizinhança, na Praça da Igreja do Rosário dos Homens Pretos, na Campina, também tem espaço para matar a fome nas barraquinhas de maniçoba, vatapá, bolos e outros lanches. Ao longo do dia haverá feirinhas de artesanato e exposição, além de degustação de açaí. A programação é da Associação de Moradores e Comerciantes do bairro.

Artes plásticas e visuais no Casulo Cultural, Elf e Kamara ko Galeria, além de Casa do Fauno, Espaço Cultural do Banco da Amazônia e Espaço Valmir Bispo. Também tem exposição no Casarão do Boneco, onde também tem contação de história. Aliás, destacamos a programação para a garotada, em diversos espaços.

Desde apresentação de espetáculo e contação de histórias, como oficinas, como as da Fotoativa, e na Casa do Fauno, de desenhos, com Nelson Carvalho. Também tem oficina para adultos no Reduto, pelo projeto Jardins Suspensos da Amazônia, do Instituto Peabiru e em outros espaços, como na Casa Oiam, onde será realizada a Upcycling, com Recriar Lab. Na Da Tribu também tem curso voltado a hortas e meio ambiente.

O Cinema Olympia exibe um longa, às 17h30. E o Casarão Viramundo realiza o cortejo do BEC Bloco “As Forças Desarmadas Invadem a Cidade!”, que traz o tema “Bolando pelo Direito à Cidade”, contrapondo-se à violência. 

As Forças Desarmadas afirmam o amor para reinventar a cidade, amizade e solidariedade enquanto afetos capazes da República. O bloco parte da Praça do Carmo até o Casarão Viramundo, que fica na Trav. Capitão Pedro Albuquerque (antiga Cintra), 318, entre Angelo Custódio e Rodrigues dos Santos.

Passeios mergulham em histórias sobre Belém

Nesta Edição também ocorrerão dois passeios turísticos. Um deles é o Roteiro Geo Turístico, guiado pela professora Goretti Tavares, da Geografia/UFPA, que sai às 8h, da frente da Casa das Onze Janelas, percorrendo as ruas do bairro em que estão as principais obras de Antônio Landi. 

O outro é o passeio “Belém: Entre sereias e memórias”, guiado pelo historiador Michel Pinho, e que percorrerá as ruas do bairro da Campina, contando as histórias dos monumentos da Praça da República, o Teatro da Paz, Cine Olímpia, entre outros. Saída às 8h, do Chafariz das sereias na praça da República (em frente as lojas americanas da avenida presidente Vargas).

Convide os amigos. Acesse a programação completinha no site www.projetocircular.com.br

30.5.17

Arraial do Pavulagem convida a cantora Lia Sophia

Foto: Tereza e Aryanne Fotografia
O show inaugura a série de apresentações “Pavulagem Convida”, que o grupo organiza para continuar os festejos de 30 anos de história e para arrecadar recursos financeiros para a realização dos arrastões de junho. O primeiro encontro traz carimbó, xote, toada de boi e retumbão, no dia 1º de junho, na programação do projeto “Parque Musical”, no Teatro Estação Gasômetro. A partir das 20h. Ingressos à venda pela plataforma Sympla, na loja Na Figueredo da Estação das Docas e na sede do Instituto Arraial do Pavulagem.

Lia Sophia trará a musicalidade que a tornou conhecida no Brasil, a mistura de elementos da cultura da região amazônica como o carimbó, o marabaixo e a guitarrada com as batidas eletrônicas e as nuances da música pop. O sucesso “Ai, Menina” da cantora, tocado pelo Batalhão da Estrela nos arrastões do Pavulagem, não vai ficar de fora. 

“Nem sempre tenho a sorte de estar em Belém durantes os arrastões, mas sempre recebo vídeos desse momento. E imagine a minha alegria, uma jovem compositora, em ver a minha música tocar em uma manifestação cultural com tanta história e importância para a cultura amazônica”, diz Lia. Ronaldo Silva, um dos principais autores das composições do Pavulagem, já antecipa que a parceria no palco ainda renderá momentos marcantes. “Ela vai tocar Rodopiado, música minha que integra o disco Via Norte, que fiz anos atrás”, conta Ronaldo.

E como junho é sinônimo de alegria para o Arraial, o grupo está preparando uma festa do jeito que os fãs gostam: para dançar xote coladinho ou rodopiar pelo salão ao som de carimbó e toadas de boi. Além das músicas já conhecidas do público, a banda apresenta novas composições no repertório da noite como o xote “Pensamento Voa”, a toada “Boi Brinquedo”,  e o marabaixo “Bailarina da Água Doce”, que estarão no próximo disco do Pavulagem. 

Foto: Bianca Viégas
“É um show que mistura canções antigas e todas essas músicas que vamos entrar em estúdio para gravar e que também mostraremos nos cortejos para o publico conhecer e acompanhar”, comenta Ronaldo Silva, fundador do Arraial e que assina as canções do grupo ao lado de Jr Soares em uma parceria musical que atravessa o tempo.

A iniciativa tem apoio da TV Liberal, Cultura Rede de Comunicação, MM Produções e Amorosa. “Tem sido a maneira que encontramos para caminharmos rumo à sonhada autossustentabilidade, tão necessária nessa época em que os projetos culturais são os principais atingidos pelo esvaziamento de verbas destinadas a patrocínios”, comenta Junior Soares, um dos fundadores do Arraial do Pavulagem.

Serviço
Arraial do Pavulagem convida Lia Sophia no Projeto Parque Musical
Data: 1º de junho de 2017
Horário: 20h
Local: Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residência), Av. Magalhães Barata, 830, entre 3 de maio e 14 de abril.
Ingressos: R$ 20,00 e meia entrada para estudantes
Vendas pelo Sympla, na Loja Na Figueredo e Instituto Arraial do Pavulagem. Haverá venda na bilheteria do Teatro Gasômetro na hora do show.

Lambateria comemora o 1º ano com super festas

Em junho, a Lambateria completa seu primeiro aniversário e para festejar as 50 edições ininterruptas em cartaz, os realizadores prepararam uma programação especial que vai promover encontros inusitados, misturando diferentes gêneros que mostram a diversidade e riqueza musical do Pará. Logo na primeira quinta de junho, dia 1º, os convidados especiais que irão dividir o mesmo palco são: Nelsinho Rodrigues, um dos maiores representantes do Brega, e um dos ícones do rock paraense: Sammliz.

O guitarrista barbudo Félix Robatto vem botando fogo na noite de Belém. Toda quinta-feira manda aquele seu repertório latino-amazônico que mistura Lambada, Guitarrada, Merengue, Cumbia, Carimbó e Brega, além de suas músicas autorais como “Ilha do Marajá”, “Hoje vai ter Fritação”, “Seu Godofredo” e “Eu quero Cerveja”, que já virou hino da festa. Na nave da Lambateria, o DJ Zek Picoteiro comanda a discotecagem que mistura os clássicos às novidades da música dançante da Amazônia.

Já passaram pela Lambateria, a cantora Lia Sophia, Dona Onete, Felipe Cordeiro, Pinduca, Gang do Eletro, Strobo, Lucas Estrela, Mestre Solano, Aíla, Orquestra Pau e Cordista de Carimbó, Arthur Espíndola, Lucinnha Bastos, Nelsinho Rodrigues, Kim Marques,  Nanna Reis,  Os Dinâmicos, a primeira banda do Mestre Vieira, Gina Lobrista, Joelma Klaudia,  Jeff Moraes,  Na Cuíra pra Dançar, André Coruja, Liège, Nanda Miranda, Mega Pop Show, Nanna Reis, Kim Marques, Alfredo Reis,  Carla Maués,  Bruno BO, Los Bregas, Bruno Benitez + DJs Raul Bentes, Will Love e Azul. Como atrações nacionais, a festa recebeu a Orquestra Contemporânea de Olinda (PE), Emília Monteiro (DF), o rapper Flávio Renegado (BH), Djs Nada (Brasília) e Damon Meyer (RS).

Félix Robatto e banda
“Para comemorar o primeiro ano da festa, nós resolvemos convidar artistas que participaram mais de uma vez da Lambateria e também promover um encontro inusitado para mostrar a diversidade da música paraense. 

Assim teremos Brega com Rock, Guitarrada com Erudito/Pop, Lambada do Nordeste com a paraense, Forró com MPB e Carimbó com Música Erudita. Ao longo desse ano, foram mais de 50 edições, 300 músicos contemplados e um público de mais de 10 mil pessoas em uma festa de música paraense com incentivo exclusivo do público. É ou não é motivo para comemorar?”, avalia Félix Robatto.   

E nesta quinta, 1o de junho, o encontro inusitado será entre o Brega e o Rock. A programação especial começa com Nelsinho Rodrigues e Sammliz. Com participação em três edições da festa, Nelsinho é o grande hitmaker paraense que contagia o público com sucessos como “Me Libera” e “Gererê” e vai dividir o palco com a musa do rock paraense, que depois de anos a frente da banda Madame Saatan, segue em carreira solo, marcada pelo disco “Mamba”,  lançado em 2016. É essa mistura do hard brega com o pop rock que vai estreiar a programação de aniversário. Ingressos antecipados da primeira edição de junho já estão à venda no Sympla (http://bit.ly/2sbmDUT).

Depois de Nelsinho Rodrigues, atração desta quinta-feira, 1o de junho, a Lambateria recebe, na quinta-feira, dia 08, o grupo de Carimbó Os Safos da Capital, que foi montado especialmente para a Lambateria, e que também comemora seu primeiro aniversário. O encontro musical da noite será entre a tecnoguitarrada de Lucas Estrela e a música erudita-pop do cantor Afonso Capelo. Mas não fica por aí, Félix também recebe a convidada especial Lia Sophia. 

Os Safos da Capital
Na terceira quinta-feira de junho, dia 15, a atração será nacional: Figueroas, conjunto de Lambada de Maceió-Alagoas, comandada pelo cantor Givly Simons que tem, entre seus sucessos, os hits "Melô do Jonas" e "Lambada para Bangladesh". Na quarta quinta-feira de junho, dia 23, a Lambateria promove o seu Arraial com a banda Forró das 3 e Meia que recebe a cantora e compositora paraense Lariza Xavier. Encerrando o mês de aniversário, na última quinta de junho, dia 30, a Lambateria promove o encontro da Orquestra Pau e Cordista de Carimbó com a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, mostrando a mistura entre a música erudita com a cultura popular. 

A programação residente que animou todas as 50 edições também estará presente e começa com o grupo de Carimbó Os Safos da Capital, que mistura o cancioneiro raiz a músicas mais populares de artistas como Pinduca e Dona Onete.

Programação
Lambateria#1 ano

1º de junho: Nelsinho Rodrigues convida Sammliz
08 de junho: Lucas Estrela convida Afonso Capelo / Félix Robatto convida Lia Sophia
15 de junho: Figueroas
22 de junho: Forró das 3 e Meia convida Lariza Xavier
30 de junho: Orquestra Pau e Cordista de Carimbó x Orquestra de Violoncelistas da Amazônia

+ atrações residentes:
+ Grupo Os Safos da Capital
+ Félix Robatto e seu Conjunto
+ DJ Zek Picoteiro

Serviço
A Lambateria é realizada toda quinta-feira a partir das 20 horas no Fiteiro (Av. Visconde de Souza Franco, 555). Shows a partir das 21h30. Ingressos promocionais a R$ 15,00 (até quarta), R$ 20,00 (até 22h59 de quinta) e R$ 25,00 (a partir das 23h da quinta). Ingressos com valores diferenciados na quinta, 15, com atração nacional Figueroas. Vendas antecipadas no Sympla. Informações: (91) 98026-1595 / fb.com/lambateria.

29.5.17

Martín Perez traz as muitas cidades que o habitam

Errar. Errar outra vez. Errar na mesma direção e na direção inversa. Errar de novo. Errar melhor, diria Samuel Beckett em uma releitura apropriada. Narrativas erráticas é a nova exposição do uruguaio Martín Perez, que abre nesta quinta-feira, dia 1º, às 19h, no Casarão Fotoativa, praça das Mercês, que toma forma em deambulações realizadas pelo artista nas muitas cidades que o habitam. Haverá visita guiada à exposição, com Martín Pérez e Camila Fialho, durante a programação do Circular de junho, neste domingo, 4, às 11h.

“Foi um percurso de pensar sobre minha poética, a partir de diferentes experimentações, onde a troca com diferentes colegas foi de grande importância nesse processo. Encontro em Belém uma potencia incrível na produção fotográfica, o que me influenciou e me fez refletir sobre as formas de pensar essa produção”, afirma o artista.

Do encontro com o outro – pessoa comum, personagem, alter ego – se conformam pequenos universos paralelos. O olhar recorta e recria o instante da fotografia encenada, improvisada ou capturada em cenários postos ao revés, muitas vezes do acaso. A mostra reúne um recorte de trabalhos já apresentados – como A Cidade, Palacete Faciola e Réquiem para Bayard – e trama-se com obras ainda inéditas propondo novas narrativas atravessadas umas pelas outras. Sem começo, nem fim desde diferentes práticas a cidade de Pérez é inventada em uma realidade palpável não linear em construção sobre a ruína do que já foi um dia.

Para a curadora da mostra, Camila Fialho, “o título da mostra evoca essa errar pelo mundo. Na exposição, o artista filtra a realidade ao seu modo e a devolve ao espectador através de fotografias produzidas em diferentes suportes, utilizando-se de lambe, papel vegetal, impressão fotográfica digital, em diálogo com o próprio Casarão da Fotoativa cujo restauro permanece inacabado”.

O artista fala que a ideia foi unir trabalhos que foram originalmente séries diferentes entre si, para justamente perceber que sempre está girando sobre as mesmas questões. A produção, portanto, e suas etapas nada lineares é o que Martín compartilha nessa mostra.

“É a ideia de diferentes tentativas como forma de se aproximar a mesma ideia”, diz o artista. Ele afirma que o intercâmbio cultural, sobretudo entre a América Latina, é fundamental ao fazer artístico. “Acho que essa integração latino-americana no campo das artes, é algo que está em crescimento, e algo para mim de muita importância. 

Pensar nessas pontes nos enriquece a todos, o grande desafio é como manter esses trânsitos ao longo do tempo, que estratégias podemos encontrar para aprofundar essas relações, e seguir gerando instancias de intercambio”, afirma Martín, que reside há dois anos em pesquisa acadêmica na cidade de Belém.

Ao final da mostra, parte das obras serão sorteadas na Sessão Desapego : De Mala e Cuia entre as pessoas que adquirem seus bilhetes na Fotoativa, no dia 1 de julho. Maiores informações serão divulgadas na abertura.

Serviço
Exposição “Narrativas erráticas” do artista uruguaio Martín Pérez com curadoria de Camila Fialho. Quinta-feira, 1o de junho de 2017, às 19h. Fotoativa – Praça das Mercês, 19 – próximo ao Ver-O-Peso. Visita até 1o de julho de 2017. Realização: Associação Fotoativa. Apoio: Sol Informática

Aliança Francesa convida ao "Rendez-Vous Cinéma"

Trazendo como tema a obra da cineasta franco-belga Agnès Varda, considerada um dos nomes mais representativos do movimento da Nouvelle Vague, a Aliança Francesa de Belém dá início às programações temáticas sobre a sétima arte. Nesta terça-feira, 30 de maio, às 19h, com entrada franca.

Agnès Varda nasceu em Bruxelas, em 1928, mas foi na França que consolidou seu trabalho como cineasta. Em mais de 50 anos de carreira, Varda construiu um belo percurso cinematográfico e, aos 88 anos, é o maior expoente feminino do cinema francês. 

A formação inicial foi em Belas Artes, tendo estudado pintura na escola do Louvre. Seu primeiro trabalho foi como fotógrafa. Da pintura e da fotografia, Varda herdou o olhar de esteta e o gosto pela composição, que estarão presentes em toda a sua obra. Incansável e curiosa, Varda logo se interessou pelo cinema, já que a fotografia lhe parecia um tanto quanto “muda”. Tendo como mentor o diretor Alain Resnais, ela aprenderia rapidamente o métier.

A estreia de Agnès Varda no cinema não poderia ser melhor. Em 1955, ela lança La Pointe Courte, um belo longa-metragem que desafia os códigos da narração. 

Nesse filme, tido como precursor da Nouvelle Vague, Varda justapõe dois fios narrativos diferentes e sem relação entre si e, através da montagem, ela cria analogias entre esses dois universos distintos. Ainda jovem e inexperiente, Varda seria vista, para sua própria surpresa, como uma das grandes pioneiras da Nouvelle Vague, ainda que nunca tenha feito parte desse grupo.

A cineasta é reconhecida pela experimentação e inventividade em seus filmes, além da militância feminista. Suas fotografias, filmes e instalações abordam questões referentes à realidade no documentário, ao feminismo e ao comentário social. Tais temas são comumente tratados através de um estilo que flerta com a experimentação. Aliás a maneira como experimentou a linguagem e ampliou as fronteiras entre a ficção e o documentário com a sua sensibilidade artística, a tornou especial. 

Um papo com Lorenna Montenegro e convidados

O encontro com o olhar de Varda, que completa 89 anos de vida no mesmo dia 30, será apresentado pela crítica de cinema e jornalista Lorenna Montenegro. Ainda participam como convidados Wellingta Macedo (jornalista e militante feminista) e Felipe Pamplona (pesquisador e artista visual). 

A dinâmica do ‘rendez-vous’ envolve explanação dos convidados sobre a filmografia e alguns aspectos das obras da cineasta, além da exibição de trechos de filmes importantes para o debate, como "Cléo de 5 as 7", " Os Regenados", "Os Catadores e eu", "Jacquot de Nantes", "O amor dos Leões", "As Criaturas" e "Documentira".

Serviço
Rendez-Vous Cinéma / Agnès Varda. Terça, dia 30 de maio às 19 horas, na Aliança Francesa (Travessa Rui Barbosa, 1851 – Batista Campos). Entrada Franca, sujeita à lotação do espaço.

28.5.17

A Mostra de Cinema e Direitos Humanos em Belém

Vai começar mais uma edição desta que tem sido uma das mais importantes mostras de cinema realizadas no país. Trazendo filmes com abordagens sobre pessoas com deficiência, população LGBT, infância e juventude, idosos, negros, mulheres, combate à tortura, situação prisional, democracia, saúde mental, cultura e educação, a 11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos chega em 27 cidades brasileiras e tem como tema principal, este ano, as questões de gênero.  De 1⁰ a 6 de junho, no Cine Líbero Luxardo da Fundação Cultural do Estado. A realização é do Ministério de Direitos Humanos, com produção nacional do Instituto Cultura em Movimento – ICEM e patrocínio da Petrobras e do Itaú. 

A programação é dividida em mostras: Panorama – com diversos temas ligados aos direitos humanos selecionados a partir de uma convocatória pública aberta no site do projeto, Temática – que abordará questões de gênero, e Homenagem – com foco na obra da cineasta Laís Bodansky (Bicho de Sete Cabeças, As melhores coisas do mundo, Chega de Saudade). Uma novidade este ano é a Mostrinha, realizada dentro de escolas públicas, voltada para o público infanto-juvenil, que exibirá curtas-metragens.

A Mostra Temática deste ano abordará a questão de gênero. Para esta categoria, foram selecionados 7 títulos que abordam temas relacionados às mulheres, orientação sexual e identidade de gênero, como, por exemplo, empoderamento feminino, violência contra a mulher, estereótipos de gênero, LGBTfobias, conquistas sociais, políticas e econômicas, o direito à igualdade e à não discriminação, dentre outros. 

O Mapa da Violência de 2015, sobre o homicídio de mulheres no Brasil, identificou que, entre 1980 e 2013, houve crescimento no número de mulheres vítimas de homicídio, com uma taxa de 13 homicídios diários em 2013. 

As estimativas sobre a violência baseada no gênero mostram uma relação com aspectos étnicos e de classe: o número de mulheres negras assassinadas aumentou no período de 2003 a 2013 e o perfil da população vítima de LGBTfobia no Brasil é de jovens gays e travestis/transexuais, pretos de média e baixa renda, moradores de periferias das grandes e médias cidades brasileiras. O racismo é um agravante nos casos de violência baseada em gênero. Por esse motivo falar sobre esse assunto através do audiovisual é tão fundamental.

No dia (3), às 16h30, no Cine Líbero Luxardo, após a exibição de Mulheres Olímpicas (Laís Bodansky), haverá um debate sobre a mulher negra, branca, cisgênera ou trans, no mercado de trabalho. Quais as dificuldades que ser mulher impõe na caminhada profissional ou na busca por uma profissão? 

As debatedoras serão Márcia Carvalho, jornalista, social media e pesquisadora feminista e Lorenna Montenegro, que é jornalista, crítica de cinema e roteirista, atuando há treze anos no mercado audiovisual, com a mediação da pesquisadora em gênero e escritora Monique Malcher. 

A Mostra Homenagem tem como tradição homenagear cineastas cuja filmografia explora a temática Direitos Humanos. A homenageada desta edição é a cineasta Laís Bodansky. A obra da cineasta aponta para o debate sobre um mundo onde todos possam se reconhecer e viver a igualdade e direitos de oportunidade. Serão cinco filmes: Bicho de Sete Cabeças, As Melhores Coisas do Mundo, Chega de saudade, Mulheres Olímpicas e Cartão Vermelho. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
11ª Mostra Cinema e Direitos Humanos.
http://mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br/2015/programacao/
No Cine Líbero Luxardo. De 1 a 6 de junho. Gratuito.
Evento no facebook:  
Outras  informações: 91 983471698.

TV Cultura exibe doc sobre a paixão pela leitura

Nelson Sanjad
“Ler de Paixão" explora o universo lúdico da leitura na formação de leitores paraenses como crianças, jornalistas e professores, e as iniciativas vitoriosas de incentivo à leitura como bibliotecas alternativas e espaços culturais. A exibição é neste domingo, (28), às 21h.

"O documentário surgiu da ideia de fazermos pequenas matérias especiais relacionadas à paixão pela leitura para o jornalismo da TV Cultura. Mas o material começou a ficar grande e percebemos que tinha muito assunto a ser explorado. Basicamente queremos mostrar porque as pessoas gostam de ler. Porque é importante ler? Queremos desvendar esse mistério conversando com todos os tipos de leitores", explica o jornalista Júnior Braga, diretor do documentário.

Utilizando uma linguagem dinâmica e poética, a produção aborda com sutileza a diferença entre livros físicos e virtuais como forma de trazer para a discussão os dois tipos de leitores e suas sensações.  A leitura inclusiva também foi lembrada no documentário de forma singela, e mostra que no universo dos livros não há barreiras para o conhecimento.

O documentário levou dois meses para ficar pronto e envolveu uma equipe com mais de 15 profissionais da TV Cultura do Pará. Com 48 minutos de duração, gravado no ano passado, em Belém, tem produção de Marbo Mendonça, apresentação de Renata Ferreira, reportagens de Cláudio Lobato e texto final de Guaracy Britto Jr.

Edyr Augusto Proença
A produção percorreu vários espaços alternativos de leitura e bibliotecas de ilustres leitores paraenses como o jornalista Lúcio Flávio Pinto e o filósofo Benedito Nunes, falecido em 2011, e que tem o espaço mantido hoje sob a curadoria de Nelson Sanjad e Maria Regina Maneschy. A biblioteca do filósofo e escritor é hoje referência nos estudos em sociologia e filosofia no Estado.

"Não mostramos somente o hábito da leitura e nem pretendemos fazer um diagnóstico da leitura no Estado. Queremos mostrar a força da leitura como formação fundamental para o ser humano, mostrar a relação das pessoas com os livros, essa mágica da leitura. 

Por exemplo, o documentário mostra desde a criança que gosta de ler até um senhor de idade, que coleciona uns três mil livros. Então, conversamos com leitores como Lúcio Flávio que tem uns 50 mil livros, fomos visitar a biblioteca do Benedito Nunes, que deixou um legado muito grande em seu acervo e inúmeros outros leitores também", completa Marbo Mendonça.

Raimundo Oliveira, professor. Cláudio Lobato, na reportagem
Para o jornalista Guaracy Britto Jr., um dos entrevistados do documentário, a leitura é uma prática diária que começou desde muito cedo e que hoje faz questão de repassar para os filhos. 

Ele acredita que a prática como fator educacional constrói dentro do ser humano um campo enorme de conhecimento, seja do mundo, como de si mesmo.

"Sem leitura você não tem uma compreensão de mundo. Você tem a sua vivência, seu aprendizado diário, mas é importante você ter a leitura de qualquer coisa porque você cresce com isso. A partir da leitura você entra em contato com pessoas e pensamentos que no dia a dia você não teria. A leitura melhora o espírito, te evolui e aprimora como pessoa", finaliza Guaracy.

Serviço
O documentário "Ler de paixão" será reexibido no próximo domingo (4) na TV Cultura, às 21h, e vai ficar disponível no Canal do Portal Cultura no Youtube.

(Texto: assessoria de imprensa da emissora - edição do blog)

25.5.17

Gruta lança livro e um novo espetáculo em Belém

O Gruta de Teatro lança, nesta quinta-feira, 25, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique, o livro "Ato-Paixão Segundo O Gruta", escrito por Adriano Barroso, que traz a trajetória do grupo. O lançamento chega acompanhado pelo espetáculo "A Casa do Rio", texto de Barroso, premiado pela Funarte, com direção de Henrique da Paz, fundador do grupo, que surge na década de 1970, em Icoaraci. A entrada é franca.

A Casa do Rio conta a história de três mulheres em um momento limite de encantamento. O espetáculo se utiliza de realismo fantástico, revelando sentimentos e as memória delas, que vivem há anos trancada em uma casa sobre o rio e precisarão encontrar suas luzes interiores para se encantar. Em cena, três grandes atrizes, Astrea Lucena, Monalisa da Paz e Waléria Costa, que reforçam um das marcas do grupo, o trabalho de ator. 

O livro “A Paixão segundo o Gruta” vem sendo escrito desde 2011, em paralelo às diversas atuações de Adriano Barroso pela literatura, televisão e cinema. Ator, Dramaturgo, Roteirista, Documentarista, Produtor de Elenco e Diretor de ator, ele traz vasta experiência como escritor de roteiros, dramaturgia de pássaros e outras investigações. Mais recentemente, entre outros trabalhos estão os roteiros de “Antigamente Não existia Dia” ( curta - 2017), “Paradoxos, Paixões e Terra Firme” (longa - 2017), “Ópera Cabocla” (média - 2013), e da série “Os Dinâmicos”,  animação com argumento meu, inspirado na trajetória do grupo “Vieira e Seu Conjunto”. O trabalho está na reta final e em breve estreia nas telinhas.

“O Gruta tem 50 anos na verdade ele é de 67, mas so foi homologado em 69”, diz ele. “A maior dificuldade de escrever o livro foi mesmo achar o tom, não sou um biógrafo, por tanto não poderia ser um livro técnico com metodologias de biografia. 

É um livro para contar história e o processo de trabalho do Gruta, esse foi o grande achado”, explica Adriano que pretende com isso contribuir com a memória da cidade e para que as novas gerações entendam como um grupo combativo e atuante trabalha.

“Há pouquíssima literatura sobre o teatro paraense do fim do seculo XX e a maioria são da academia. 

Quero também dar força para que os artistas possam contar suas histórias e engrandecer o paraense que não nos conhece, portanto não pode reconhecer. O Gruta também é um grupo que sempre se irmanou com outros artistas outros grupos. Há, por tanto, também, um pouquinho da história do Cena Aberta, do Cuíra, do Experiência”, diz o autor.


Entre idas, vindas e importantes produções

O Gruta já encenou grandes textos, alçando vôos ousados, que revolucionaram a cena teatral de Belém. São inesquecíveis “Auto da Cananéia” de Gil Vicente, em 1971; “Cínicas e Cênicas”, de Henrique da Paz e Marton Maués, um marco, em 1987; “Caoscomcadicáfica”, também de Henrique (adaptação de O Processo, de Kafka), em 1989; “A Vida que sempre morre, que se perde em que se perca?”, mais uma vez de Henrique, numa releitura de “Antígone”, de Sófocles; “Odeio Drummond”, de Barroso, em 1997, e na sequência “Hamlet Máquina”, de Heiner Müller, em 1998.

O diretor, Henrique da Paz, tem sua trajetória marcada pelo teatro, iniciada em 1967, na pequena vila de Icoaraci. Eram anos difícieis, talvez parecidos com o nosso tempo atual em que nos vemos retrocedendo um pouco no tempo no cenário político brasileiro. Vale dizer que em essência, o Gruta é um grupo atuante dentro desse contexto. 

“Foram anos difíceis. Ditadura. Censura. Mas nada disso me desanimou e continuei a fazer teatro, participando de todas as produções do grupo. Em 1969 comecei a participar de espetáculos não só em Icoaraci, mas também em Belém, no Grupo Experiência”, conotu Henrique ao Holofote Virtual, em entrevista realizada em 2011, sobre a temporada do espetáculo Aldeotas, um texto de Genro Camilo.

Ao longo de sua história, o grupo fez várias paradas em sua produção. E mais de 40 anos de existência, as dificuldades sempre foram muitas, mas os fundadores, integrantes nunca deixaram de produzir e sempre entre um hiato e outro, trouxe à tona grandes produções para Belém, viajou o país, e fez apresentações memoráveis em vários sentidos e que de certo são passagens que estão no livro de Adriano Barroso.

Outra marca do grupo também é sua etiqueta familiar. Profundidade eu diria. Adriano, que é casado com Monalisa, que são pais de Mariana, que é neta Henrique, que já foi casado com Waléria. Agregam em torno grandes amigos  e talentosos artistas. O que dizer de Astrea Lucena, atriz que tem trajetória tão longa quanto a de Henrique e ao do próprio Gruta, se não aplaudi-la. Inúmeros espetáculos de teatro encenados, textos lidos, e uma incursão pelo cinema e, mais recentemente, na televisão.

Eu tenho a melhor das expectativas, o maior dos desejos de ver agora e novamente o grupo em cena. Que tenham voltado para este e novos textos, reportagens de antigos espetáculos que de certo com releituras atualizadas devem novamente tomar conta de grandes palcos, aqui e outras cidades do país.

A CASA DO RIO
Ficha técnica

Direção: Henrique da Paz
Com: Astrea Lucena, Monalisa da Paz, Waleria Costa
Cenário: Boris Knez e Aldo Paz
Figurino: Jeferson Cecim
Maquiagem: Mariana Paz Barroso
Cabelos: Germana Chalu
Iluminação: Sonia Lopes
Assistente de iluminaçao: John Rente.
Produção: Belle Paiva Tati Brito
Apoio: Tv Norte independente.

Histórias que ajudam a contar o GRUTA

Na minha memória ficaram alguns de seus espetáculos encenados nos ano 1990 e, a seguir, disponibilizo alguns links com entrevistas e reportagens realizadas pelo Holofote Virtual que é bem novinho em relação ao grupo, surgiu em 2008, mas que já pôde registrar alguns momentos de sua produção. Evoé, Gruta, que vocês tragam a luz de sua dramaturgia a esta terra! 

Sobre A Casa e o Rio, leituras dramáticas realizadas na Da Tribu, em 2016! http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2016/01/gruta-retorno-cidade-com-leituras.html

Entrevista com Henrique da Paz, sobre uma das retomadas em 2011
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/grupo-gruta-de-teatro-retorna-sua.html

Reportagem sobre Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/gruta-estreia-espetaculo-premiado-com.html

Entrevista com Genro Camilo, autor de Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/entrevista-gero-camilo-e-montagem-de.html

Super entrevista com Henrique da Paz, quando filmou a mini série Miguel Miguel, para Tv Cultura do Pará.
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2009/08/um-homem-de-teatro-desponta-no-cinema.html

Apanhado de textos sobre o Gruta, no Holofote Virtual
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/search?q=Gruta

23.5.17

Breno Branches: EP entre livros e aromas de café

Breno Branches bate papo e apresenta “Enchanté”, o segundo EP, neste sábado, 27, lançando um novo projeto o “Vamos a um Café”, parceria com a Casa do Fauno. O convite vem revertido de sutilezas, ambientado com livros, em meio a um brechó e bistrô e ao som de folk. O sabor e o aroma serão de café, servido à vontade, a partir das 17h - grãos da marca Unique, produzidos na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. É preciso ter um passaporte, mas corra, porque o 1o lote já esgotou e o 2o está sendo vendido exclusivamente pelo SYMPLA. Super bem humorado, o músico falou ao blog sobre a apresentação e os projetos de um futuro bem próximo.

Breno Branches é paraense, nascido em Belém, tem 24 anos, e está cheio de sonhos. É arquiteto, profissão que ele assume de dia (risos), mas a ideia em foco, como vocês lerão na entrevista com ele, é seguir a carreira artística, na música para ser bem mais específica. Para isso, muito investimento e alegria de viver nessa premissa de sucesso. 

“Se você quiser/Vamos a um café/Ou qualquer lugar/Deste planeta//Hoje eu acordei/Com vontade de ser/Mais que um sonhador/Quero partir/Vou partir de trem, meu amor/Vou partir de trem, meu amor/...Então faz assim/Você cuida de mim/ E eu cuido de você/Neste vagão”. 

O que diz a letra da faixa “Do Trem” traduz a meta, traçada desde que aprendeu a tocar violão, bem mais jovem, em uma guitarra de brinquedo, treinando também voz. O projeto de vida é compor e levar sua música a um público de sotaques diversos. Estudou, abraçou o primeiro violão de verdade e, sem conhecimento técnico algum, começou a compor e gravar seus discos, como Enchanté, cujo processo de gravação foi feito todo em seu home studio, por ele mesmo.

“Enchanté” traz músicas que podem ser muito bem apresentadas em voz e violão, mas no projeto Vamos a Um Café, a banda estará completa. É a mesma que gravou o EP. Gustavo Mesquita no baixo, Mateus Pereira na bateria, e Breno, violão e voz. As composições autorais, trazem influencias de trabalhos como o Beirut, Damien Rice e Vitor Ramil. 

Foi assim, cultivando cada etapa da carreira, que o compositor começou a se ouvir em rádios nacionais e internacionais. Em 2015, lançou seu primeiro disco em português, o "Que Bolero". Em 2017, iniciou a divulgação do mais novo trabalho, o EP "Enchanté", que traz  quatro músicas marcadas por poesia e lirismo em temas sobre uma jornada de libertação e reencontro de quem não tem medo de se expor e se permitir sonhar.

Nenhum dos dois EPs, porém, são "preview" do que virá no disco. “O que vai ser gravado ainda esse ano, não vai ser diferente desses trabalhos, mas as canções favoritas vão ficar. Coisas novas virão”, surpreende. O lançamento do EP em Belém chega depois de uma temporada de apresentações em Santa Catarina e Goiás com apoio dos amigos e muito foco.

Holofote Virtual: Como sobreviver da arte?

Breno Branches: De dia eu sou arquiteto, por enquanto! A música já vem cada vez mais me ajudando na sobrevivência, mas eu vou aproveitar enquanto ainda consigo tirar um dinheiro fora da música, pra investir ao máximo nisso. Vai chegar um momento em que eu vou me dedicar só a isso, 100% do tempo.

Holofote Virtual: As viagens para divulgar o trabalho possuem algum apoio ou você também embarca nesta nova concepção que diversos artistas têm adotado para levar sua arte onde o povo está? Ou seja, investindo e colocando o pé na estrada, contando apenas com apoios locais, em que chega?

Breno Branches: Eu já fiz umas viagens pra Santa Catarina e pra Goiás. Em ambas, a situação foi a mesma: Eu vou onde meus fãs estão! Eu entro em contato com os fãs, vejo a possibilidade de eu organizar um evento lá, se eles me ajudam a arrumar mais gente para o evento, e desse momento pra frente eu decido ir! 

É quando vou atrás de alguma casa de show ou outro artista pra me ajudar a montar um evento também. Se eu conseguir, ótimo. Se não, eu toco em uma praça sim, sem problemas. O importante é que a música vá até quem queira ouvir! Já passei por muitas situações em que contei com a sorte. 

Em Goiânia eu já me vi em uma situação que não tive dinheiro nem para o almoço. Mas por sorte consegui fazer um excelente show e vender bastante discos, o que me deixou seguro até a volta. E são nesses vai-e-vens que eu vou e sigo nessa jornada de fazer o que amo. Sempre levando meu exemplo como o maior caso pros meus fãs, de que é sim possível ser viver fazendo o que se ama!

Holofote Virtual: E como você trabalha essa produção, se dividindo como arquiteto?

Breno Branches: Meu investimento vem totalmente de mim. Eu mesmo invisto nas viagens, nos discos, e etc. Já estava até acostumado a seguir essa viagem só. Minha primeira parceria foi essa com a Casa do Fauno, que super abraçou o projeto do Vamos a um café, e agora está nos ajudando a proporcionar essa experiência, e o meu maior sonho também né (sorrisos).

Holofote Virtual: Que massa, mas já não houve uma apresentação sua em um hostel? Lembro que topei ir, mas tive um problema e acabei não indo...

Breno Branches: Sim. A primeira foi totalmente organizada por mim, e sediada no Amazônia Hostel! Eu mesmo organizei o evento, a decoração etc. Na verdade eu não né, a Yorranna (Oliveira) e o Mateus (Pereira), que agora fazem parte desse time de produção que existe por trás do Breno Branches. Inclusive criamos um grupo com todos os convidados daquele show, e agregamos os que já confirmaram presença desta vez. Cada vez mais a comunidade de sonhadores vai aumentando (risos).

Holofote Virtual: Como será conduzido o bate papo e as intervenções musicais do Vamos a um Café? Qual a dinâmica, digamos assim?.

Breno Branches: Na verdade eu quero que as pessoas fiquem à vontade, praticamente ninguém estará avulso por lá, mas se houver, eu mesmo serei companhia para todo mundo (risos). Depois disso, a banda entra em ação, e a gente vai fazer o show com as melhores dos dois discos (EPs), e algumas novas também. O show tem alguns eventos e momentos de interação com o público, o que é bem interessante!

Holofote Virtual: O show vai ser no quintal ? Ou é tudo na livraria ? Achei que era tudo dentro, mas achava que era só você. Com mais gente agora fiquei na dúvida (risos)...

Breno Branches: Isso é uma coisa que eu ainda vou saber hoje, na verdade (mais risos). Ao que tudo indica a gente vai botar a banda nem na livraria e nem no quintal, e sim no meio do bistrô, misturado à mini galeria. Fazer uma adaptação, porque como vai ter café à vontade, fica perto do bar, e não corre o risco de ter acidentes com os livros e roupas. E, ao mesmo tempo, a gente queria fugir do palco lá de trás, justamente por essa experiência nova que a gente quer proporcionar.

Holofote Virtual: Você já chegou em outros estados. E em municípios paraenses? Conheces alguma cidade? Tens vontade também de interiorizar?

Breno Branches: Eu, infelizmente, não conheço outras cidades do interior. Eu gostaria com certeza de interiorizar o projeto. Tenho fãs em Tucuruí e Marabá. Seria muito legal mesmo poder levar isso pra lá. Uma experiência e tanto!

Holofote Virtual: Eu boto fé, esse estado é riquíssimo em cultura e certamente isso é favorável aos trabalho musicais ou outra linguagem artística. Só mais uma coisinha... És uma pessoa mística ? Ou seria mais para algo como um romântico ? Qual seu signo (risos)?

Breno Branches: Sou Libra! Mas eu particularmente não me considero muito ligado ao universo dos signos e etc e tal. E apesar de 70% do público do show serem casais, eu gosto de pensar que faço uma música pra quem simplesmente aprecia um aconchego! Não voltado pra algo romântico. Até porque sou muito brincalhão e palhaço para me passar pelo estigmado "cancioneiro romântico" e tal (risos). É comum do libriano não se achar ligado com signos?

Holofote Virtual: Não sou nenhuma astróloga, mas é sim. Libriano tem este suposto desligamento. O arquiteto pelo visto é o Breno Ramos, teu sobrenome. Branches é nome artístico mesmo?

Breno Branches: Isso. É Breno Branches, o nome artístico (muitos risos). Eu gosto de brincar que de dia sou arquiteto mas à noite me visto de preto e combato o crime. (riso pra todo lado).

18.5.17

Li Divino e Arte lança coleção "Ponto Riscado"

A coleção é exclusiva. As peças em cerâmica e cor trazem influência da cultura afro-brasileira e indígena, nos contornos e formas, revelando também a questão religiosa presente neste trabalho. O lançamento será nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. A partir das 22h, tem show do músico Edu Dias. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca, couvert R$ 15,00.

Eliana do Amor Divino, que assina a produção com Lana Lima, iniciou seu trabalho com bijuteria em cerâmica em março de 2015. “O que começou por curiosidade, tornou-se uma grande vontade de fazer algo ligado a arte”, diz Eliana. 

Nascida no Bairro do Jurunas, quando criança, ela acompanhava as avós, Luzia e Vitória, na entrega das roupas que lavavam para famílias abastadas portuguesas do centro da cidade. “Elas costumavam levar-me, quando iam entregar a trouxa de roupa lavada, passada (ferro à carvão) e engomada. Saíamos de manhã cedo, caminhando pelas ruas seguindo pela Tamoios, Padre Eutíquio, Ó de Almeida, Nazaré, Gentil, chegando aos casarões. Eu ficava deslumbrada com os móveis, azulejos e louças dessas casas”, lembra a artesã.

Na década de 1990, Eliana passou alguns anos indo e vindo da Europa, onde morava sua irmã Cristina, chegando a morar em 2012, na Suíça. Nesse período, ia frequentemente a galerias de arte, museus, festivais de música. “Coleciono até hoje, folders, ingressos desses lugares, fora os recortes de jornais e revistas que tenho dezenas, faço até hoje colagem com esse material”, diz ela.

Quando ainda era criança, Eliana descobriu que era médium. Já frequentou o espiritismo e a umbanda, a que se dedica atualmente. Outra grande influência vem da família, em que um tio era um excelente costureiro e alfaiate, e sua mãe também costurava, assim como uma irmã que reside em Manaus e que desenha e costura roupas, tendo um ateliê e uma loja. 

“Minha filha mais velha, que reside na Suiça, é formada em Design de Moda, tendo sua própria marca e ateliê, ela cria, desenha e costura as roupas. Essa influência familiar e principalmente espiritual são exatamente o que procuro em meu trabalho, aprendi nas oficinas um padrão de peça e cor, sendo que o que busquei foi e é sempre a cor na peça, firmando minha identidade no colorido e com a cultura afro-brasileira e indígena”, diz a artista.

Serviço
Lançamento da coleção “Ponto Riscado”, criada pela marca Li Divino Criação e Arte, com exclusividade para a Casa do Fauno. Nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca. A partir das 22h tem apresentação com o músico Eduardo Dias (couvert R$ 15,00). Informações e reservas de mesa pelo telefone: 91 98705.0609.

Isabela do Lago abre sua 1ª exposição individual

Isabela do lago abre nesta sexta-feira, 19, a exposição “Terra sobre Fogo – ventanias que teus olhos não viram”, sua primeira individual, na Galeria Theodor Braga – Subsolo Centur. Projeto premiado no edital Pauta Livre 2017, a mostra poderá ser visitada até 14 de junho, com visitação de segunda a sexta, sempre das 9h às 18h. Entrada Franca.

A exposição conta com uma variação de suportes entre pintura, instalação e vídeo, contendo ao todo 11 obras nascidas da fala, a oralidade, a escuta de pessoas idosas, registrando essas pessoas em retratos e na memória dos relatos de momentos importantes de suas vidas, vivências de lutas e de tréguas, memórias políticas, experiências de fé, amores, dores, fatalidades e outras situações, onde tudo o que resta de documentação é uma imagem, um som, um símbolo.

A artista que completa 20 anos de trajetória artística, diz que buscou imagens que fazem parte de suas memórias afetivas e outros caminhos que apontam futuras armas de luta, “nesta terra onde a violência incendeia as ruas e apaga os corações, andei muito em busca de caminhos onde pudesse transmutar o tempo perdido em tempo redescoberto”, explica.

Terra sobre fogo antes de ser uma afirmação é um caminho de busca poética de uma visão muito íntima sobre a memória de diversas pessoas idosas com quem a artista conviveu, e ainda convive, aliadas à construção de pensamento da cultura tradicional de matriz africana, onde terra, fogo e vento transcendem dimensões temporais e espaciais nos acontecimentos.

“São fragmentos de lembrança e algumas poucas palavras onde a fala ecoa a historicidade e sacralidade dos anciãos e anciãs que vem sendo desqualificadas pela juventude, gerando incompletudes de memória e prejuízos para a preservação de muitos saberes ancestrais que ainda caminham por cima da folha, por baixo da folha, em qualquer lugar”, ressalta Isabela.

“Como diz o ditado popular, “palavras o vento leva”, é a essas palavras sopradas para longe que quero oferecer alguma vida, e buscar as ventanias que teus olhos não viram que falam as imagens produzidas para essa mostra, mas assim como o vento pode levar a memória para lugares distantes, o fogo pode queimar os corações e a terra pode acolher e germinar as cinzas, incorporando nessas memórias novas paisagens, retratos, objetos, instalações, cânticos e sabores dotados de poética e sentimento”, finaliza.

Poesia, memória e resistência

Isabela do Lago nasceu em 03 de maio de 1977, é Artista Visual e realiza ações urbanas, fotografia e pintura, também professora de arte formada pela Universidade Federal do Pará em 2003, é ativista atuante de diversos coletivos de arte e cineclubismo. Em sua trajetória, está a Antimoda - Ação urbana de 2006, com desfile de indumentária produzida com detritos urbanos. No mesmo ano ela recebeu Menção honrosa com instalação urbana no “Corta! - Festival Internacional de curta metragens do Porto”- Portugal. 

A moça também trabalhou como Arte terapeuta no Centro de Referência Maria do Pará – Secretaria de Justiça do Estado do Pará atuando no combate e prevenção da violência contra a Mulher e, em 2009 apresentou Amor Venéris - ou um colar de brilhantes para uma pobre donzela 

Fez co-produção de performance e vídeodança apresentada no projeto Casa de Caboco de intervenções artísticas para o Fórum Social Mundial 2009. Neste período até 2010, foi coordenadora do Projeto Resitência Marajoara, premiado pelo Edital de Interações Estéticas Funarte. Em 2012 realizou o projeto “Mulheres Líquidas – Exposição Coletiva de Mulheres Artistas Amazônidas”, também na  Galeria Theodoro Braga- Belém Pará.

M.A.N.A. abre inscrições para oficinas em Belém

Djamila Ribeiro, feminista, pesquisadora
e mestre em Filosofia Política
O festival M.A.N.A. (Mulher, Arte, Narrativas, Ativismo) abriu inscrições online para oficinas gratuitas, que serão realizadas nos dias 1º e 2 de junho, no Sesc Boulevard, em Belém. O evento vai reunir artistas de diversas linguagens, do hip hop, a poesia, audiovisual e música, em quatro dias de encontros sobre os desafios e a potência do protagonismo feminino na arte. O patrocínio é da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará, com produção da 11:11 Arte Cultura e Projetos.

A cantora e compositora Aíla, idealizadora do projeto ao lado da artista visual Roberta Carvalho, explica que o M.A.N.A. é uma iniciativa de afirmação artística das mulheres, uma resposta à lógica da produção cultural que as mantém à margem, não apenas da programação dos eventos, mas também de sua concepção.

“Na verdade, entendemos que essa lógica ainda não nos coloca nos lugares que merecemos ocupar. Queremos que a nossa arte ecoe, que a arte de todas as mulheres ecoe e esse festival é a forma que encontramos de fomentar isso”.

Voltadas exclusivamente ao público feminino, a série de oficinas começa com Renée Chalu, sócia da Se Rasgum Produções, responsável pela realização do Festival Se Rasgum e pelo Festival Sonido – Música Instrumental e Experimental. Ela ministra o workshop “Editais e Leis de incentivo: como impulsionar sua carreira com eles?” (vagas esgotadas), no dia 1º de junho. 

A oficina vai abordar formas de estruturar projetos culturais para participar de editais e leis de incentivo, que podem viabilizar e impulsionar a carreira de mulheres artistas no Pará, um estado rico em talentos, mas que enfrenta grandes desafios em relação à produção cultural.

DJ TatáOgan
Carolina Matos ministra a oficina “Direção Audiovisual: faça o que você quer ver!” (vagas esgotadas). Neste workshop, as participantes serão estimuladas a potencializar sua criatividade, entendendo como combinar sua liberdade de criação com projetos comercialmente viáveis. Carolina é uma das principais diretoras e roteiristas da cena musical contemporânea do Pará, assinando trabalhos para artistas como Aíla, Felipe Cordeiro, Gaby Amarantos, Natália Matos, entre outros.

No dia 2 de junho, o Slam das Minas, a primeira batalha de poesia falada/performada com participação exclusiva de mulheres do Brasil, compartilha a experiência do coletivo na oficina “Poesia é resistência”. O “slam” é uma batalha de poesias e, em sua maioria, tem eventos idealizados e ocupados por homens. 

Para questionar esta lógica e promover a presença de mulheres nas competições, surgem todo o país movimentos como o Slam das Minas SP, que vem a Belém com seu time completo: Mel Duarte, Carolina Peixoto, Pamella Soares e Luz Ribeiro, que este ano foi finalista do Campeonato Mundial de Slam, realizado em Paris, na França.

A DJ TataOgan comanda o workshop “É com elas! Produção de beats e discotecagem”, que vai abordar conceitos e contextos da discotecagem, técnicas para seleção de músicas e como utilizar os programas disponíveis na internet para a produção de beats. TataOgan é percussionista e produtora musical, e dá destaque para a discotecagem da música afro brasileira, nordestina, Africana, Latina, MPB contemporânea e o underground eletrônico europeu.

Fomentar e fortalecer o protagonismo feminino

Slam das Minas SP
A programação traz shows, oficinas, painéis, arte urbana, intervenções e workshops. A ideia é fomentar um intercâmbio entre as artistas do Pará e artistas de diversas cidades do país, para fortalecer o protagonismo da mulher na arte, além de fortalecer a cena local.

Um dos destaques do evento é Djamila Ribeiro, filósofa e feminista negra de voz potente, que vem ao festival para falar sobre a intersecção do feminismo com as artes. Outro destaque é a oficina com o Slam das Minas SP, que traz à Belém Luz Ribeiro, primeira mulher a vencer o SLAM BR, e representante do país na Copa Mundial de Poesia, na França. Mel Duarte, Carolina Peixoto e Pamella Soares se juntam a ela para trocar com as rappers iniciantes e slammers paraenses sua experiência bem sucedida na organização do Slam das Minas em São Paulo.

A programação ainda contempla uma mostra audiovisual no Cine Líbero Luxardo, com curadoria da cineasta Jorane Castro, painéis que vão debater o empreendedorismo das mulheres nas artes, a relação das marcas com a música, as mulheres na guitarrada, o assédio sofrido por elas na produção cultural, entre outros temas.

Uma grande festa encerra o Festival, que levará ao palco, as performances das cantoras paraenses Sammliz e Aíla, além de convidadas especiais, e um encontro emblemático entre o Slam Dandaras do Norte e Slam das Minas SP. A DJ TataOgan vai comandar a pista durante os intervalos.

Serviço
Festival M.A.N.A. De 29 de maio a 3 de junho. Inscrições online para oficinas gratuitas (http://goo.gl/pblswP). Confira a programação completa do festival no Facebook do evento (Festival MANA). O evento tem patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

Café Fotográfico recebe artista pernambuncano

Paulo Meira vai apresentar obras realizadas nos últimos 20 anos. Escultura, vídeo, performance, fotografia, pintura e áudio, tendo como suporte, o rádio. Serão exibidas imagens e vídeos, a partir de uma abordagem norteada pelos conceitos de permanência. Nesta segunda, 22, às 19h, na Associação Fotoativa.

"Não se trata da permanência do sobrevivente, e sim do que luta por outras formas do viver, sobretudo, a forma do viver artista", afirma Paulo Meira. O rádio tem para o artista uma importância de afeto. 

“Cresci escutando rádio”, conta Paulo, que nasceu na pequena cidade de Arcoverde, no interior de Pernambuco. Essa relação foi transformada pela arte, na experimentação do artista com a linguagem do rádio, em 2001, em videoperformances de interferências com rádio. Isso se reforçou durante a residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo, no Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea, em 2013, em que teve contato com as gravações feitas por Hilda, em momentos de isolamento da escritora.

“Não conhecia essas escutas plugadas de Hilda, e que depois me inspiraram para pensar programas de rádio”, diz Paulo. Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estímulo a Produção em Artes Plásticas, em que produziu e circulou com a mostra Mensagens Sonoras, que esteve também no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Neste trabalho foi possível ver a tecnologia e o símbolo do rádio.

As performances radiofônicas foram então inspiração para o projeto Catimbó, de implantação de rádios comunitárias com conteúdo exclusivamente voltado para a Arte e a Educação. Com um nome originário da matriz africana, que significa magia em que várias crenças se encontram, o projeto está em fase de implantação por meio de parcerias com museu Bispo do Rosário (RJ) e da Usina de Arte (PE).

“São rádios independentes que veiculam arte, implantadas em comunidades com problemáticas sociais: um contraponto com a evangelização que realmente ocorre nessas áreas. O nome do projeto é uma forma de aproximar e quebrar a mística em torno de religiões de matriz africana”, comenta o artista. Na comunidade de Pernambuco, segundo Paulo, são visíveis os impactos dessa colonização religiosa europeia e a economia da indústria da cana sobre a cultura dessas gerações.

A ideia é dar suporte para que essas comunidades façam a gestão da rádio, “Pensei muito neste projetos para os interiores aqui do Pará”, afirma Paulo, que irá realizar o projeto em cidades paraenses. 

Premiações e investigações artísticas

Paulo Meira nasceu em Arcoverde - PE, em 1966, e se formou-se em Design Gráfico, pela UFPE. A primeira exposição individual no Museu do Estado de Pernambuco foi no inicio dos anos 1990, época em que também participou de residência artística no Museu Het Domein na cidade de Sittard, Holanda e realizou exposição outra individual na Galeria Vicente do Rego Monteiro do instituto Mauro Motta, Fundaj. 

Fundou, junto com Oriana Duarte, Marcelo Coutinho e Ismael Portela, o Grupo Camelo. Participou do 1º Rumos Visuais Itaú em diversas mostras pelo Brasil. Em 2002 participou da residência Faxinal das Artes - PR. Recebeu prêmio aquisição no VII e X Salão MAM – Bahia de Arte Contemporânea - BA. Em 2004 realizou exposição individual no Observatório Cultural Torre Malakof - PE e em 2005 no Paço das Artes em São Paulo (projeto Hermes e Três Sambas). 

Neste mesmo ano participou do Panorama da Arte Atual Brasileira. Em 2006 foi premiado com Bolsa estímulo no 46º Salão de Arte contemporânea de Pernambuco. Em 2007 realizou exposição individual na galeria Marília Razuk, pela qual recebeu indicação ao Prêmio Bravo de melhor exposição do ano. 

Recebeu o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (7°edição) e, em 2009, participou de residência no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), onde desenvolveu obras em vídeo, vídeo instalação e vídeo game. Em 2010 recebeu o Prêmio para Realização de obras cinematográficas de curta metragem do MINC (Ministério da Cultura do Brasil). Em 2013 participou da residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo (Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea). 

Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estimulo a Produção em Artes Plásticas, através da mesma realizou a Mostra Mensagens Sonoras no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Em 2016 participou do programa de residência CasaB, Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro-RJ. E em 2017, ele chega a Belém e participa do Café Fotográfico. Vamos lá!

Tradição que valoriza o debate e a interação

O Café Fotográfico iniciou em 2008 como uma atividade que valoriza o pensamento crítico sobre a fotografia – ou que é gerado a partir dela – e os seus diálogos com a imagem, reunindo quem atua ou se interessa pelo assunto em suas mais variadas possibilidades e abordagens. 

Sob coordenação de Irene Almeida, do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Fotoativa, o Café recebe mensalmente artistas e pesquisadores para refletir sobre a produção e veiculação da imagem a partir de relatos de experiências e apresentações de pesquisas no campo das artes visuais.

A programação valoriza tanto a participação de autores locais, para divulgar as suas obras, como o diálogo com produtores de outros lugares, o que permite a articulação com o que é pautado nas discussões realizadas em outras regiões do país. 

No decorrer dos últimos anos, o Café fotográfico incentivou a discussão de temas os mais diversos possíveis, ligados tanto à fotografia quanto à produção artística visual. Outra marca do evento é a pluralidade de participantes. Os palestrantes convidados não se restringem a fotógrafos, o que favorece também a inclusão de outros grupos, como estudiosos, curadores, estudantes e profissionais de diversas áreas.

Serviço
Café Fotográfico com Paulo Meira, segunda, dia 22, às 19h, no Casarão Fotoativa – praça das Mercês, 19. Participação gratuita. Mais informações no www.fotoativa.org.br