18.5.17

Li Divino e Arte lança coleção "Ponto Riscado"

A coleção é exclusiva. As peças em cerâmica e cor trazem influência da cultura afro-brasileira e indígena, nos contornos e formas, revelando também a questão religiosa presente neste trabalho. O lançamento será nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. A partir das 22h, tem show do músico Edu Dias. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca, couvert R$ 15,00.

Eliana do Amor Divino, que assina a produção com Lana Lima, iniciou seu trabalho com bijuteria em cerâmica em março de 2015. “O que começou por curiosidade, tornou-se uma grande vontade de fazer algo ligado a arte”, diz Eliana. 

Nascida no Bairro do Jurunas, quando criança, ela acompanhava as avós, Luzia e Vitória, na entrega das roupas que lavavam para famílias abastadas portuguesas do centro da cidade. “Elas costumavam levar-me, quando iam entregar a trouxa de roupa lavada, passada (ferro à carvão) e engomada. Saíamos de manhã cedo, caminhando pelas ruas seguindo pela Tamoios, Padre Eutíquio, Ó de Almeida, Nazaré, Gentil, chegando aos casarões. Eu ficava deslumbrada com os móveis, azulejos e louças dessas casas”, lembra a artesã.

Na década de 1990, Eliana passou alguns anos indo e vindo da Europa, onde morava sua irmã Cristina, chegando a morar em 2012, na Suíça. Nesse período, ia frequentemente a galerias de arte, museus, festivais de música. “Coleciono até hoje, folders, ingressos desses lugares, fora os recortes de jornais e revistas que tenho dezenas, faço até hoje colagem com esse material”, diz ela.

Quando ainda era criança, Eliana descobriu que era médium. Já frequentou o espiritismo e a umbanda, a que se dedica atualmente. Outra grande influência vem da família, em que um tio era um excelente costureiro e alfaiate, e sua mãe também costurava, assim como uma irmã que reside em Manaus e que desenha e costura roupas, tendo um ateliê e uma loja. 

“Minha filha mais velha, que reside na Suiça, é formada em Design de Moda, tendo sua própria marca e ateliê, ela cria, desenha e costura as roupas. Essa influência familiar e principalmente espiritual são exatamente o que procuro em meu trabalho, aprendi nas oficinas um padrão de peça e cor, sendo que o que busquei foi e é sempre a cor na peça, firmando minha identidade no colorido e com a cultura afro-brasileira e indígena”, diz a artista.

Serviço
Lançamento da coleção “Ponto Riscado”, criada pela marca Li Divino Criação e Arte, com exclusividade para a Casa do Fauno. Nesta quinta-feira, 18 de maio, a partir das 19h, na Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca. A partir das 22h tem apresentação com o músico Eduardo Dias (couvert R$ 15,00). Informações e reservas de mesa pelo telefone: 91 98705.0609.

Isabela do Lago abre sua 1ª exposição individual

Isabela do lago abre nesta sexta-feira, 19, a exposição “Terra sobre Fogo – ventanias que teus olhos não viram”, sua primeira individual, na Galeria Theodor Braga – Subsolo Centur. Projeto premiado no edital Pauta Livre 2017, a mostra poderá ser visitada até 14 de junho, com visitação de segunda a sexta, sempre das 9h às 18h. Entrada Franca.

A exposição conta com uma variação de suportes entre pintura, instalação e vídeo, contendo ao todo 11 obras nascidas da fala, a oralidade, a escuta de pessoas idosas, registrando essas pessoas em retratos e na memória dos relatos de momentos importantes de suas vidas, vivências de lutas e de tréguas, memórias políticas, experiências de fé, amores, dores, fatalidades e outras situações, onde tudo o que resta de documentação é uma imagem, um som, um símbolo.

A artista que completa 20 anos de trajetória artística, diz que buscou imagens que fazem parte de suas memórias afetivas e outros caminhos que apontam futuras armas de luta, “nesta terra onde a violência incendeia as ruas e apaga os corações, andei muito em busca de caminhos onde pudesse transmutar o tempo perdido em tempo redescoberto”, explica.

Terra sobre fogo antes de ser uma afirmação é um caminho de busca poética de uma visão muito íntima sobre a memória de diversas pessoas idosas com quem a artista conviveu, e ainda convive, aliadas à construção de pensamento da cultura tradicional de matriz africana, onde terra, fogo e vento transcendem dimensões temporais e espaciais nos acontecimentos.

“São fragmentos de lembrança e algumas poucas palavras onde a fala ecoa a historicidade e sacralidade dos anciãos e anciãs que vem sendo desqualificadas pela juventude, gerando incompletudes de memória e prejuízos para a preservação de muitos saberes ancestrais que ainda caminham por cima da folha, por baixo da folha, em qualquer lugar”, ressalta Isabela.

“Como diz o ditado popular, “palavras o vento leva”, é a essas palavras sopradas para longe que quero oferecer alguma vida, e buscar as ventanias que teus olhos não viram que falam as imagens produzidas para essa mostra, mas assim como o vento pode levar a memória para lugares distantes, o fogo pode queimar os corações e a terra pode acolher e germinar as cinzas, incorporando nessas memórias novas paisagens, retratos, objetos, instalações, cânticos e sabores dotados de poética e sentimento”, finaliza.

Poesia, memória e resistência

Isabela do Lago nasceu em 03 de maio de 1977, é Artista Visual e realiza ações urbanas, fotografia e pintura, também professora de arte formada pela Universidade Federal do Pará em 2003, é ativista atuante de diversos coletivos de arte e cineclubismo. Em sua trajetória, está a Antimoda - Ação urbana de 2006, com desfile de indumentária produzida com detritos urbanos. No mesmo ano ela recebeu Menção honrosa com instalação urbana no “Corta! - Festival Internacional de curta metragens do Porto”- Portugal. 

A moça também trabalhou como Arte terapeuta no Centro de Referência Maria do Pará – Secretaria de Justiça do Estado do Pará atuando no combate e prevenção da violência contra a Mulher e, em 2009 apresentou Amor Venéris - ou um colar de brilhantes para uma pobre donzela 

Fez co-produção de performance e vídeodança apresentada no projeto Casa de Caboco de intervenções artísticas para o Fórum Social Mundial 2009. Neste período até 2010, foi coordenadora do Projeto Resitência Marajoara, premiado pelo Edital de Interações Estéticas Funarte. Em 2012 realizou o projeto “Mulheres Líquidas – Exposição Coletiva de Mulheres Artistas Amazônidas”, também na  Galeria Theodoro Braga- Belém Pará.

M.A.N.A. abre inscrições para oficinas em Belém

Djamila Ribeiro, feminista, pesquisadora
e mestre em Filosofia Política
O festival M.A.N.A. (Mulher, Arte, Narrativas, Ativismo) abriu inscrições online para oficinas gratuitas, que serão realizadas nos dias 1º e 2 de junho, no Sesc Boulevard, em Belém. O evento vai reunir artistas de diversas linguagens, do hip hop, a poesia, audiovisual e música, em quatro dias de encontros sobre os desafios e a potência do protagonismo feminino na arte. O patrocínio é da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará, com produção da 11:11 Arte Cultura e Projetos.

A cantora e compositora Aíla, idealizadora do projeto ao lado da artista visual Roberta Carvalho, explica que o M.A.N.A. é uma iniciativa de afirmação artística das mulheres, uma resposta à lógica da produção cultural que as mantém à margem, não apenas da programação dos eventos, mas também de sua concepção.

“Na verdade, entendemos que essa lógica ainda não nos coloca nos lugares que merecemos ocupar. Queremos que a nossa arte ecoe, que a arte de todas as mulheres ecoe e esse festival é a forma que encontramos de fomentar isso”.

Voltadas exclusivamente ao público feminino, a série de oficinas começa com Renée Chalu, sócia da Se Rasgum Produções, responsável pela realização do Festival Se Rasgum e pelo Festival Sonido – Música Instrumental e Experimental. Ela ministra o workshop “Editais e Leis de incentivo: como impulsionar sua carreira com eles?” (vagas esgotadas), no dia 1º de junho. 

A oficina vai abordar formas de estruturar projetos culturais para participar de editais e leis de incentivo, que podem viabilizar e impulsionar a carreira de mulheres artistas no Pará, um estado rico em talentos, mas que enfrenta grandes desafios em relação à produção cultural.

DJ TatáOgan
Carolina Matos ministra a oficina “Direção Audiovisual: faça o que você quer ver!” (vagas esgotadas). Neste workshop, as participantes serão estimuladas a potencializar sua criatividade, entendendo como combinar sua liberdade de criação com projetos comercialmente viáveis. Carolina é uma das principais diretoras e roteiristas da cena musical contemporânea do Pará, assinando trabalhos para artistas como Aíla, Felipe Cordeiro, Gaby Amarantos, Natália Matos, entre outros.

No dia 2 de junho, o Slam das Minas, a primeira batalha de poesia falada/performada com participação exclusiva de mulheres do Brasil, compartilha a experiência do coletivo na oficina “Poesia é resistência”. O “slam” é uma batalha de poesias e, em sua maioria, tem eventos idealizados e ocupados por homens. 

Para questionar esta lógica e promover a presença de mulheres nas competições, surgem todo o país movimentos como o Slam das Minas SP, que vem a Belém com seu time completo: Mel Duarte, Carolina Peixoto, Pamella Soares e Luz Ribeiro, que este ano foi finalista do Campeonato Mundial de Slam, realizado em Paris, na França.

A DJ TataOgan comanda o workshop “É com elas! Produção de beats e discotecagem”, que vai abordar conceitos e contextos da discotecagem, técnicas para seleção de músicas e como utilizar os programas disponíveis na internet para a produção de beats. TataOgan é percussionista e produtora musical, e dá destaque para a discotecagem da música afro brasileira, nordestina, Africana, Latina, MPB contemporânea e o underground eletrônico europeu.

Fomentar e fortalecer o protagonismo feminino

Slam das Minas SP
A programação traz shows, oficinas, painéis, arte urbana, intervenções e workshops. A ideia é fomentar um intercâmbio entre as artistas do Pará e artistas de diversas cidades do país, para fortalecer o protagonismo da mulher na arte, além de fortalecer a cena local.

Um dos destaques do evento é Djamila Ribeiro, filósofa e feminista negra de voz potente, que vem ao festival para falar sobre a intersecção do feminismo com as artes. Outro destaque é a oficina com o Slam das Minas SP, que traz à Belém Luz Ribeiro, primeira mulher a vencer o SLAM BR, e representante do país na Copa Mundial de Poesia, na França. Mel Duarte, Carolina Peixoto e Pamella Soares se juntam a ela para trocar com as rappers iniciantes e slammers paraenses sua experiência bem sucedida na organização do Slam das Minas em São Paulo.

A programação ainda contempla uma mostra audiovisual no Cine Líbero Luxardo, com curadoria da cineasta Jorane Castro, painéis que vão debater o empreendedorismo das mulheres nas artes, a relação das marcas com a música, as mulheres na guitarrada, o assédio sofrido por elas na produção cultural, entre outros temas.

Uma grande festa encerra o Festival, que levará ao palco, as performances das cantoras paraenses Sammliz e Aíla, além de convidadas especiais, e um encontro emblemático entre o Slam Dandaras do Norte e Slam das Minas SP. A DJ TataOgan vai comandar a pista durante os intervalos.

Serviço
Festival M.A.N.A. De 29 de maio a 3 de junho. Inscrições online para oficinas gratuitas (http://goo.gl/pblswP). Confira a programação completa do festival no Facebook do evento (Festival MANA). O evento tem patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

Café Fotográfico recebe artista pernambuncano

Paulo Meira vai apresentar obras realizadas nos últimos 20 anos. Escultura, vídeo, performance, fotografia, pintura e áudio, tendo como suporte, o rádio. Serão exibidas imagens e vídeos, a partir de uma abordagem norteada pelos conceitos de permanência. Nesta segunda, 22, às 19h, na Associação Fotoativa.

"Não se trata da permanência do sobrevivente, e sim do que luta por outras formas do viver, sobretudo, a forma do viver artista", afirma Paulo Meira. O rádio tem para o artista uma importância de afeto. 

“Cresci escutando rádio”, conta Paulo, que nasceu na pequena cidade de Arcoverde, no interior de Pernambuco. Essa relação foi transformada pela arte, na experimentação do artista com a linguagem do rádio, em 2001, em videoperformances de interferências com rádio. Isso se reforçou durante a residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo, no Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea, em 2013, em que teve contato com as gravações feitas por Hilda, em momentos de isolamento da escritora.

“Não conhecia essas escutas plugadas de Hilda, e que depois me inspiraram para pensar programas de rádio”, diz Paulo. Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estímulo a Produção em Artes Plásticas, em que produziu e circulou com a mostra Mensagens Sonoras, que esteve também no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Neste trabalho foi possível ver a tecnologia e o símbolo do rádio.

As performances radiofônicas foram então inspiração para o projeto Catimbó, de implantação de rádios comunitárias com conteúdo exclusivamente voltado para a Arte e a Educação. Com um nome originário da matriz africana, que significa magia em que várias crenças se encontram, o projeto está em fase de implantação por meio de parcerias com museu Bispo do Rosário (RJ) e da Usina de Arte (PE).

“São rádios independentes que veiculam arte, implantadas em comunidades com problemáticas sociais: um contraponto com a evangelização que realmente ocorre nessas áreas. O nome do projeto é uma forma de aproximar e quebrar a mística em torno de religiões de matriz africana”, comenta o artista. Na comunidade de Pernambuco, segundo Paulo, são visíveis os impactos dessa colonização religiosa europeia e a economia da indústria da cana sobre a cultura dessas gerações.

A ideia é dar suporte para que essas comunidades façam a gestão da rádio, “Pensei muito neste projetos para os interiores aqui do Pará”, afirma Paulo, que irá realizar o projeto em cidades paraenses. 

Premiações e investigações artísticas

Paulo Meira nasceu em Arcoverde - PE, em 1966, e se formou-se em Design Gráfico, pela UFPE. A primeira exposição individual no Museu do Estado de Pernambuco foi no inicio dos anos 1990, época em que também participou de residência artística no Museu Het Domein na cidade de Sittard, Holanda e realizou exposição outra individual na Galeria Vicente do Rego Monteiro do instituto Mauro Motta, Fundaj. 

Fundou, junto com Oriana Duarte, Marcelo Coutinho e Ismael Portela, o Grupo Camelo. Participou do 1º Rumos Visuais Itaú em diversas mostras pelo Brasil. Em 2002 participou da residência Faxinal das Artes - PR. Recebeu prêmio aquisição no VII e X Salão MAM – Bahia de Arte Contemporânea - BA. Em 2004 realizou exposição individual no Observatório Cultural Torre Malakof - PE e em 2005 no Paço das Artes em São Paulo (projeto Hermes e Três Sambas). 

Neste mesmo ano participou do Panorama da Arte Atual Brasileira. Em 2006 foi premiado com Bolsa estímulo no 46º Salão de Arte contemporânea de Pernambuco. Em 2007 realizou exposição individual na galeria Marília Razuk, pela qual recebeu indicação ao Prêmio Bravo de melhor exposição do ano. 

Recebeu o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (7°edição) e, em 2009, participou de residência no MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), onde desenvolveu obras em vídeo, vídeo instalação e vídeo game. Em 2010 recebeu o Prêmio para Realização de obras cinematográficas de curta metragem do MINC (Ministério da Cultura do Brasil). Em 2013 participou da residência artística Poema aos Homens do nosso Tempo (Instituto Hilda Hilst/Ateliê Aberto Arte Contemporânea). 

Em 2014, recebeu o Prêmio Marcantônio Vilaça-Funarte e em 2015 o prêmio Bolsa Funarte de Estimulo a Produção em Artes Plásticas, através da mesma realizou a Mostra Mensagens Sonoras no MAMAM- Museu de Arte Moderna Aloízio Magalhães, Recife-PE. Em 2016 participou do programa de residência CasaB, Museu Bispo do Rosário, Rio de Janeiro-RJ. E em 2017, ele chega a Belém e participa do Café Fotográfico. Vamos lá!

Tradição que valoriza o debate e a interação

O Café Fotográfico iniciou em 2008 como uma atividade que valoriza o pensamento crítico sobre a fotografia – ou que é gerado a partir dela – e os seus diálogos com a imagem, reunindo quem atua ou se interessa pelo assunto em suas mais variadas possibilidades e abordagens. 

Sob coordenação de Irene Almeida, do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Fotoativa, o Café recebe mensalmente artistas e pesquisadores para refletir sobre a produção e veiculação da imagem a partir de relatos de experiências e apresentações de pesquisas no campo das artes visuais.

A programação valoriza tanto a participação de autores locais, para divulgar as suas obras, como o diálogo com produtores de outros lugares, o que permite a articulação com o que é pautado nas discussões realizadas em outras regiões do país. 

No decorrer dos últimos anos, o Café fotográfico incentivou a discussão de temas os mais diversos possíveis, ligados tanto à fotografia quanto à produção artística visual. Outra marca do evento é a pluralidade de participantes. Os palestrantes convidados não se restringem a fotógrafos, o que favorece também a inclusão de outros grupos, como estudiosos, curadores, estudantes e profissionais de diversas áreas.

Serviço
Café Fotográfico com Paulo Meira, segunda, dia 22, às 19h, no Casarão Fotoativa – praça das Mercês, 19. Participação gratuita. Mais informações no www.fotoativa.org.br

16.5.17

Expedição Imerys ganha mostra na Galeria Fidanza

Contagem regressiva para a abertura da exposição da Expedição Imerys 2017. Ao todo 26 imagens farão parte da mostra, que será aberta no dia 9 de junho, às 19h, na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra na Cidade Velha. A entrada é franca.

As imagens foram selecionadas por uma comissão julgadora formada por Marcos Moreira,Imerys, Emanuel Franco, curador e artista visual; Alexandre Sequeira, artista visual; e Rafael Araújo, fotógrafo e produtor cultural. As fotografias escolhidas pela comissão retratam com criatividade e sensibilidade as atividades da Casa Imerys, projeto social da mineradora no Pará. 

A sutileza na ponta dos pés da bailarina, a timidez de alunos do reforço escolar no primeiro contato, a energia da terceira idade na hidroginástica, os dribles da criançada nas aulas de futebol, o talento de artesãs e a força dos alunos do karatê poderão ser conferidas na abertura da exposição.  

Durante o vernissage, também serão conhecidos os dois vencedores que receberão como premiação uma viagem de seis dias, com todas as despesas pagas, para participação no Valongo Festival Internacional da Imagem 2017, em Santos/SP.

Este ano, Marcelo Vieira Lima completa 20 anos de carreira na fotografia. Para ele, participar da Expedição Imerys foi um grande presente. “O evento trouxe interação entre fotógrafos profissionais e amadores, gerando troca de experiências e aprendizados. Estou feliz só de participar e ter a oportunidade de contribuir com esse grande projeto”, afirma.

O engenheiro e fotógrafo amador, Pedro Paulo Freitas, conta que a paixão por fotografia vem desde pequeno, mas só depois que investiu em máquina profissional é que começou a se aventurar mais na captura de imagens. “Leio muitos livros de fotografia e busco sempre me aprimorar. Gosto de registrar a espontaneidade das pessoas. Estou super feliz de ter sido selecionado. É a segunda vez que participo. Gostei da experiência de fotografar o projeto Casa Imerys, que é espetacular”.

“Esta segunda edição da Expedição Imerys tem nos surpreendido, não só pelo fato de ter tido o maior número de participantes, com mais de 170 inscritos, mas em perceber a dedicação com que os fotógrafos abraçaram o desafio. Realmente, é muito emocionante ver o maior projeto social da empresa sendo retratado por lentes artísticas. Acreditamos que o público também vai se surpreender com a mostra”, diz Juliana Carvalho, coordenadora de Comunicação & Relações com a Comunidade da Imerys.

Júri Popular – Este ano, além das premiações principais, os fotógrafos também podem concorrer à premiação na categoria “Júri Popular”. 

Basta escolher uma imagem e postar no Facebook com a hashtag #expedicaoimerys. A postagem que obtiver o maior número de compartilhamentos no Facebook será a vencedora, que receberá um “Vale Workshop” da Associação Fotoativa. O prazo para o participante atingir essa meta é até às 23h59 do dia 30 de maio.

Serviço
Abertura da Exposição Expedição Imerys 2017. Dia 9 de junho, na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra na Cidade Velha. Hora: 19h. Entrada franca.

Arthur Nogueira apresenta show acústico no Sesc

Em formato intimista, o show “Só” foi apresentado em Belém em fevereiro e teve ingressos esgotados, mas Arthur Nogueira está de volta à terrinha nesta quinta-feira (18), com show acústico, às 19h, no Sesc Boulevard. A entrada é franca. 

No palco, o artista. “Minha voz e eu, a serviço da poesia, dos poetas que eu admiro e que me movem a fazer música”, define. Arthur, que está em São Paulo trabalhando na finalização do novo disco, volta à cidade natal para uma representação do projeto acústico, que já circulou por São Paulo e Salvador.

“Muitas pessoas não conseguiram ir ver na primeira apresentação aqui, então resolvi voltar em um espaço maior”, diz. “Esse é um show que me dá muito prazer em fazer. Sinto uma emoção muito forte, porque rola uma conexão. Sou eu, sem artifícios, e o público”.

Com três discos lançados, o cantor paraense, de 29 anos, vive uma fase efervescente. Após ter sua música “Sem medo nem esperança” gravada por Gal Costa, e lançar disco em homenagem ao poeta e compositor Antonio Cicero, o paraense teve clipe dirigido por Ava Rocha, e foi indicado a prêmios nacionais de música. Além disso, recentemente teve sua composição “Preciso Cantar” no repertório do mais novo show de Ana Carolina, e trabalha no seu quarto disco, contemplado pelo edital Natura Musical.

Interessado no elo entre música e poesia, Arthur dedica-se a traduzir poemas de autores como Walt Whitman. “O exercício de traduzir poesia é quase o mesmo de fazer um novo poema, porque o idioma em que foi escrito é determinante em todos os aspectos”, comenta Arthur sobre o burilar das palavras. 

O artista acaba de dar vida a uma versão, em português, para uma canção de Bob Dylan. Toda essa atmosfera literária virá à tona no show. O repertório traz músicas dos discos anteriores de Arthur e suas canções de afeto. “Reuni canções dos meus discos e outras que gosto de cantar em casa, quando pego o instrumento por prazer, por exemplo, "Anywhere I lay my head", do Tom Waits”, conta o músico.

Artista trilha sua carreira à todo vapor

Depois de morar no Rio de Janeiro e São Paulo, fazer shows em Salvador e em Lisboa, e ter seu caminho atravessado por parceiros como Antonio Cicero, Eucanaã Ferraz, Ava Rocha, Zé Manoel e Cida Moreira, Arthur Nogueira busca um trabalho “o mais vivo possível”.

Contemplado no mais recente edital Natura Musical, o paraense finaliza o quarto disco. Mais orgânico, O novo álbum foi gravado ao vivo em um estúdio no interior de São Paulo, com produção de Arthur Nogueira e dos músicos Zé Manoel (piano e teclado), Allen Alencar (guitarra), João Paulo Deogracias (baixo e sintetizadores), Filipe Massumi (violoncelo) e Richard Ribeiro (bateria). No repertório, novos e antigos parceiros a serviço de uma sonoridade que o artista considera "diferente de todos os outros trabalhos".

“Meus dois últimos discos foram eletrônicos, mas eu sempre fui muito ligado à canção, à música brasileira, quando descobri poetas ligados à canção”, diz Nogueira, que além do show “Só”, também tem se apresentado ao lado do poeta Antonio Cicero, que homenageou com o disco “Presente - Antonio Cicero 70”. 

O álbum, lançado em 2016 pelo selo Joia Moderna, traz dez canções de Cicero em parceria com artistas como Adriana Calcanhotto, Frejat e Lulu Santos, além de uma música inédita, realizada com Arthur Nogueira.

“É um momento muito produtivo. Tenho me apresentado em show com o Cicero, tenho feito esse acústico e finalizo o novo álbum”, conta o artista, que dá alguns detalhes do que está por vir. “O lançamento do disco deve ser em setembro ou outubro, e será um momento inédito. Pela primeira vez, irei fazer a estreia de um novo trabalho em Belém com banda completa, assim como apresento em outras cidades, o que ainda não havia conseguido fazer. Estou animado com isso”.

Serviço
Arthur Nogueira faz show acústico nesta quinta-feira, 18, às 19h, no Sesc Boulevard, localizado na Avenida Boulevard Castilhos França, 522, bairro da Campina. Entrada franca.

(Holofote Virtual com Assessoria de imprensa)

15.5.17

Cia Sorteio de Contos estreia cena no Amostra Aí

O Casarão do Boneco avisa que neste sábado, 20, os portões abrem às 18h e a programação começa às 18h30, com estreia da cena curta: “O Massacre do Eldorado do Carajás”, da Cia. Sorteio de Contos. Além de contação de histórias e espetáculo, tem exposição com bonecos do acervo do grupo In Bust, loja com CD’S e DVD’S de conteúdos infantis, comidas saudáveis e chopp da Dona Simone do bairro de Fátima. Vai ver e pague quanto puder, o lema da sustentabilidade.

A encenação da Cia Sorteio de Contos  abre a programação. “O Massacre do Eldorado do Carajás” é resultado da pesquisa prática do sapateado e da música do Coco Raízes do Arco Verde, grupo tradicional de coco residentes do bairro de Amaro Branco, em Olinda - PE, e a marcante história do massacre envolvendo o Movimento do Sem Terra e o estado brasileiro. 

E para quem acha que a temática não é para um público infantil, se engana. A linguagem da Cia. Sorteio de Contos é voltada para o teatro de rua e é para todas as idades, principalmente as crianças. O foco é trabalhar com assuntos que usualmente são escondidos dos pequenos, como a diferença de classe, os conflitos por conta de terras, dinheiro e a desvalorização de minorias e dos excluídos socialmente. 

A cena é curta mas a poesia é gigante

A cena curta “O massacre do Eldorado de Carajás”, por exemplo. aborda o homem chamado agricultor, para quem plantar é sinônimo de amor e de força para mudar o mundo a sua volta.

“Quando esse agricultor se depara com forças que desaprovam sua crença e luta, a esperança humana prevalece no filho do agricultor, que canta a mesma música do pai: Eu vou plantar, amor/ Eu vou plantar paixão/ Eu vou colher beijos abraços e carinhos dentro do teu coração/ amor eu vou plantar o amor”, diz o ator.

A ideia trazer informação de forma lúdica e poética para formar pequenos cidadãos, munidos de pensamentos que possam mudar sua própria realidade. “Queremos que, ao tratar de assuntos delicados, a criança possa entender que existem tais problemas e que existem soluções, baseadas no amor, na compaixão e no espírito de divisão humano”, conclui Lucas. 

Leonel Ferreira e Cia Girândola: histórias

Leonel Ferreira conta "Mel e Kiko"
Logo em seguida o ator Leonel Ferreira da Cia de Teatro Madalenas traz “Mel & Kiko ou a história de borboletas e muitos nós”, uma Livre adaptação do livro Nós, de Eva Furnari, esta é a história de Mel, uma garota que morava na pequena cidade de Pamonha e vivia rodeada de borboletas, um dia Mel vai embora de sua cidade e conhece Kiko, um garoto que tem muito em comum com ela, ele mostra um jeito diferente de viver a vida.

Finalizando a noite a Cia. Girândola de Contadores de Histórias, apresentará suas histórias, o companhia nasceu este ano de 2017, é formada por Alci Santos, Ariel Benício, Evanildo Mercês, Inaía Paes, Katulo Gutierrez e Vandiléia Foro, artistas, educadores, brincantes de boi, pássaros junino, todos contadores de histórias vindos da Vila Sorriso (Icoaraci). A companhia traz em seu repertório diversas narrativas: Mitos e lendas, parlendas, lendas urbanas e histórias clássicas que tecem encantarias aos ouvintes.

É para crianças de todas as idades

Cia Girândola de Contadores de Histórias
O Amostra Aí acontece mensalmente do Casarão do Boneco, um espaço situado em um prédio histórico, na Avenida 16 de novembro- 815, onde diferentes coletivos de teatro, dança e circo realizam diversas atividades culturais. 

A programação é bem diversa e cheia de ludicidades para os pequenos se divertirem, e o público poderá contribuir com a manutenção das atividades da casa e para os artistas com Pague Quanto Puder, uma política que o coletivo mantém para dar acessibilidade a todos que queiram ver teatro.

A equipe responsável por esta edição é formada por Fátima Sobrinho, Andrea Rocha, Nanan Falcão e Marina Trindade, na produção, e ainda Thiago Ferradaes e Paulo Ricardo na técnica. Apoio da Cultura Rede de Comunicação e blog Holofote Virtual, na divulgação.

PROGRAMAÇÃO

  • 18h Portas abertas
  • 18h30 “O massacre do Eldorado do Carajás”
  • 19h “Mel & Kiko ou a história de borboletas e muitos nós”
  • 19h30 Cia. Girândola de Contadores de Histórias

Serviço

  • No Casarão do Boneco, Av. 16 de Novembro-815. PAGUE O QUANTO PUDER. Informações: (91)32418981.

14.5.17

Rafael Lima fala sobre álbuns que lança em 2017

Rafael e MG Calibre (Fotos: Holofote Virtual) 
Num rápido papo com Rafael Lima, a gente fica sabendo que ele está produzindo muito, como sempre, voltou aos espaços da cidade e que vai lançar novos álbuns "Nossas Ladainhas Marajoaras" e "Sinal Aberto". Depois do susto que o compositor nos deu, ano passado, ao ser internado em estado de emergência com pneumonia aguda, as notícias não poderiam ser melhores.

Foi assim. Três meses entre internação, alta e volta pro palco, ainda se recuperando. Pasmem, em dezembro do ano passado, Rafael Lima fez uma bela apresentação mostrando as canções que estarão no álbum, ainda inédito, "Nossas Ladainhas Marajoaras". No Teatro Waldemar Henrique estavam com ele, a filha Juçara Abe, MG Calibre, no baixo e Zé Macedo, na percussão, além da participação de Andrea Barbosa, que também gravou no CD.

“Até o último final de semana, em setembro, antes deu cair doente, eu estava em Ponta de Pedras, fazendo a última etapa de recolhimento da pesquisa para o Ladainhas, que fiz com o prêmio do Edital Seiva, pela Casa das Artes, da Fundação Cultural do Pará. Durante a minha recuperação, a partir de dezembro, comecei a gravar gradativamente, incentivado e produzido pelo meu irmãozinho, Dako, que tem um home estúdio chamado carinhosamente de Alvi-azul”, conta Rafa.

Apresentação na Casa do Fauno, no final de abril
O CD traz várias participações, como  Nilson Chaves, Kleber Benigno (Manari), Nazaco (Manari), Ana Selma, Luis Pardal, Louis Boyerre, MG Calibre. Juçara Abe colaborou nas pesquisas.

“As Ladainhas são todas do povo, dos mestres e mestras de Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Comunidade de São Miguel, no entorno de Soure. Posso citar os mestres Luís dos Santos, Raimundo Barbosa, Dona Jacirema, nossa tem tanta gente”, explica Rafael.

O artista diz que o CD está pronto, mas falta produzir a capa, masterizar e prensar. “É que pra isso, preciso de um parceiro financeiro (risos)”, ressalta Rafa, que pretende lançar o disco até o final de junho.

Sinal Aberto na música e para a vida

Rafael, com Canhão, MG Calibre e a família Jardins
Rafael Lima também está captando para finalizar outro álbum, o "Sinal Aberto", cheio de músicas inéditas, além de três que já estão gravadas, mas nunca foram editadas ou tocadas. São parcerias com Joãozinho Gomes, Antônio Moura e Fernando Dako.

As canções inéditas já gravadas com Mini Paulo, Magrus Borges, João Marcos Mascarenhas, além dos amigos que moram na e alguns amigos da Suíça. Guiom S, saxofonista que mora atualmente em Paris, e Mauro Martins, um baixista que toca bateria.

"É um material que já está pronto, foi gravado num puta estúdio, na Suíça, mas falta mixar todo e masterizar etc. As músicas com Mini Paulo, Magrus, Aritanã e João Marcos foram gravadas aqui mesmo em Belém, na primeira metade dos anos 2000", conta.

A composição em parceria com Antônio Moura chama-se “Serenata para o que não tive”, uma canção antiga, defendida por Rafael, no Projeto Pixinguinha no Rio, na mesma leva em que estava nada menos que Belchior. "Fiz uma tour com ele de uns 40 dias, o professor como a gente o chamava. Belchior era muuuuuito fooooodaço”, relembra Rafael Lima.

Rafael Lima segue carreira, atento ou mais atento hoje do que nunca. Embora diga que as coisas não estejam fáceis do ponto de vista financeiro, sabe que tudo pode ser diferente. A saúde vai bem e, dentre seus planos, está o de viajar para divulgar os novos trabalhos. "Deus me deu outra chance e disse pra eu não vacilar”, finaliza.

13.5.17

Cláudio Cardoso: o cordel na Feira Pan Amazônica

O VII Encontro de Cordelista da Amazônia será realizado dentro da XXI Feira Pan Amazônica do Livro, que abre dia 27 de maio, no Hangar. A programação completa da feira será divulgada na próxima semana e poderá ser acessada pelo site do evento, mas o editor e escritor, cordelista, Cláudio Cardoso, que já vem divulgando o encontro pelas redes sociais, nos deu mais detalhes e em entrevista ao blog, bateu um papo sobre o movimento literário paraense.

Cláudio Cardoso de Andrade Costa é de Belém. Poeta, escritor e compositor, publicou seu primeiro livro de forma artesanal, aproveitando suas habilidades de artista gráfico. Incentivou outros escritores a buscarem iniciativas mais independentes para divulgar suas obras.

O autor já participou nas antologias “Poesias reunidas pelos mortais da vida”, organizada pelo Clube do Escritor Paraense, “Poesia do Brasil” – Volume 6 e “Poeta, Mostra a tua Cara”, volume 5, publicadas pelo Congresso Brasileiro de Poesia. Publicou  “Simbiose” (poemas e pensamentos), “Filha do Oriente”, e “Sina Nordestina”.

Mais recentemente, dentro de sua trajetória, se envolveu com a literatura de cordel, como escritor e declamador. “Já publiquei, somente este ano, oito livretos dos mais variados assuntos, sempre primando pelo humor e pela crítica social”. Ele é um dos coordenadores do Estande do Escritor Paraense dentro da Pan Amazônica e o encontro que reunirá vários cordelistas, no dia 3 de junho, no Hangar.

Está confirmada a presença do cantor, compositor e também cordelista, Moraes Moreira, que virá à feira como convidado do "Conversa de poesia", e Dr. Lourival de Andrade Junior, da UFRN (Caicó-RN), que abre o encontro com uma palestra. Também será lançada no encontro a coletânea Cordelistas Contemporâneos 2017, com obras de mais de 52 cordelistas do Brasil, sendo seis deles, paraenses.

Mestre da literatura de cordel pernambucano Chico Pedrosa também estará presente, e ministrará uma oficina de produção de cordel. Cláudio divulgou um video falando um pouco mais sobre o poeta. Ele e Pedrosa participarão de uma apresentação junto aos meninos Kalil e Kauê Casseb e os músicos Val Fonseca e Vinicius Leite.

Literatura nordestina na Amazônia

Este ano, o Encontro de Cordelistas da Amazônia está mais do que contextualizado dentro da Pan Amazônica, que além de trazer como tema central a poesia, está homenageado, Mário Faustino, nordestino de nascimento mas que se tornou um grande paraense por adotar Belém, como morada e onde iniciou sua carreira literária.

Cláudio Cardoso ressalta que a cultura típica daquela região aflorou por aqui com a vinda de trabalhadores nordestinos para a Amazônia. “O cordel é velho conhecido da região norte, chegou aqui em três momentos, ou das grandes migrações, provocadas pelo ciclo da borracha, abertura da Transamazônica e da Serra Pelada, com a vinda dos nordestinos, fugidos da seca, pobreza e viam na Amazônia a grande oportunidade de mudar de vida”.

O escritor reconhece que o Cordel é um legado deixado porestes nordestinos, por aqui, sendo assimilado e fazendo surgir autores amazônicos, o que não passou despercebido pelo grande historiador paraense Vicente Sales. 

“Ele foi um dos grandes colecionadores de Cordel, com uma biblioteca de folhetos invejável, material este que está conservado no Museu da UFPA, como a grande maioria de folhetos lançados pela editora Guajarina, que havia em Belém e foi uma das maiores do Brasil”, diz Cláudio.

Integrante do movimento de escritores paraense, realiza e se faz presente em diversas atividades e ações voltadas à difusão e troca de saberes a partir da literatura paraense, junto a Antônio Juraci Siqueira, Raimundo Sodré, Heliana Barriga, Alfredo Garcia, Michel Sarmento, Maciste Costa, Walcyr Monteiro, Flor de Maria e Ed Pessoato, entre tantos outros que costumam se reunir aos domingos, na banca do Escritor Paraense, na Praça da República.

Na entrevista a seguir, falamos mais sobre o movimento literário, das iniciativas que existem como espaço à literatura local, como feiras, salões, entre outras ações que existem atualmente nesta área de produção, pesquisa e criação, que estejam estimulando um mercado editorial paraense.

Em busca de espaço e independência literária 

Holofote Virtual: Estamos a poucos dias da feira do livro, uma das iniciativas que abrem espaço para o autor local, mas quais têm sido os caminhos tomados para produzir e publicar autores paraenses?

Cláudio Cardoso: Junto com outros editores, uns até independentes, a peso de acreditar, é que se vem mantendo, mas com muito custo, a literatura ainda ativa. 

A Feira do Livro é um importante termômetro para se mensurar este movimento. Observo que a cena atual ainda desperta nas pessoas interesse  na publicação de obras de todos os gêneros. À despeito das dificuldades de publicação, as novas tecnologias permitem que se publique com pouco custo e há os sites de patrocínios coletivos, como novos canais e possibilidades.
  
Holofote Virtual: Existe a Banca do Escritor Paraense na Praça da República, funcionando aos domingos. Além da exposição e venda de livros, vocês realizam alguma outra atividade nestas domingueiras?

Cláudio Cardoso: A banca, segundo o cronista Raimundo Sodré, é nosso posto avançado, fora do evento literário anual da Pan-Amazônica e salões de livros. É uma forma de ter o livro, o escritor e muitos contatos todos os domingos na democrática Praça da República. Alguns lançamentos já aconteceram naquele espaço de um metro quadrado, que já existe há quatro anos e se tornou ponto de encontro de quem se interessa pela literatura Paraoara. 

Este ano vamos homenagear a banca dentro do Estande do Escritor Paraense, que inclusive influenciou outros escritores a realizar este tipo de encontro em outras localidades como o Airton Souza, em Marabá, e o Gilvan Pinto, em Monte Alegre.

Holofote Virtual: Quais encontros, feiras e outros eventos temos de literatura paraense no estado, não só em Belém?

Cláudio Cardoso: Além da Pan-Amazônica, há outras iniciativas de escritores como a FLIPA - Feira Literária do Pará, organizada em parceria com uma livraria local; o projeto A Noite é Uma Palavra, que acontece uma vez a cada dois meses, do CENTUR, e agora com novo formato, em bairros da cidade; o Salão do livro de Santarém e as feiras e semanas literárias em escolas, onde sempre participamos, como escritores convidados.

Holofote Virtual: Vocês estão com algum novo projeto? 

Cláudio Cardoso: Com relação ao Cordel, nosso objetivo é que este gênero literário seja reconhecido como disciplina escolar, como importante instrumento de apoio pedagógico, formador  de novos escritores e leitores. Futuramente esperamos realizar a I Feira de Cordel da Amazônia, com programação própria e calendário anual para sua realização.

12.5.17

Renato Rosas é samba de Zeca Pagodinho na Black

Renato Rosas e banda Farofa Black fazem show com repertório todo dedicado ao pagodeiro mais querido do Brasil. A noite tem ainda abertura do sambista paraense Messias Lira, com repertório autoral e clássicos do samba nacional. Nesta sexta-feira, dia 12, às 21h, no Tábuas de Maré.

Amado, criticado e respeitado com um dos maiores sambistas do país, o carioca Zeca Pagodinho é o homenageado da próxima edição da Black Soul Samba. O show será comandado por Renato Rosas e banda Farofa Black, que prometem mais de uma hora e meia com os sambas clássicos dos quase 30 discos lançados por Zeca, desde sua estreia em 1986.

Parceiro de nomes como Monarco, Beth Carvalho e Arlindo Cruz, dentre outros, Zeca Pagodinho registrou seu nome em sambas marcantes, principalmente como intérprete, tais como: "Judia de mim", "Deixa a vida me levar", "Vai vadiar', "Vivo isolado no mundo", "Vou botar teu nome na macumba", dentre muitas outras canções de sucesso.

Acompanhado por Lobato do Trombone, Marcelinho Ramos tocando bandolim, violão de sete cordas e escaleta, Diego Xavier no cavaquinho, percussão e bandolim e instrumentista Débora Costa tocando rebolo, instrumento típico da batucada, formam a banda Farofa Black com a qual Renato Rosas se apresenta. 

Segundo o artista, "fazer um show cantando Zeca Pagodinho é estar mais uma vez me comunicando com a linguagem que é de massa, aquele samba que tem uma letra que fala das coisas universais, do que tá dentro do coração das pessoas. O Zeca é um compositor aclamado pelo povo brasileiro e a gente tem estar cada vez mais aprendendo com esses compositores", acredita o músico.

O show de abertura fica por conta do cantor e compositor Messias Lyra, outro clássico sambista paraense e um dos grandes defensores do tradicional gênero musical no Pará. Messias vai levar seu grupo pra esquentar o evento com músicas próprias, além de clássicos de grandes compositores da história do samba.

Quem finaliza e dá o tom de costura da noite é o próprio Coletivo Black Soul Samba, com os DJs e produtores Eddie Pereira, Fernando Wanzeler, Uirá Seidl, Kauê Almeida e Homero da cuíca, levando uma selecta de música black e brasileira p no vinil e no CD-J.

Serviço
Show especial para Zeca Pagodinho com Renato Rosas e banda Farofa Black na Black Soul Samba. Sexta-feira, 12 de de 2017, a partir das 21h. No Tábuas de Maré - Rua São Boaventura, 104, Cidade Velha, próximo a Avenida Tamandaré.

9.5.17

Cláudio Castro revela signos espalhados no mundo

Iluminador e fotógrafo, profissional do meio artístico ligado ao cinema, Cláudio Castro surpreende ao abrir, esta semana, sua primeira exposição de arte, intitulada "Signos pelo Mundo". O artista morou anos em São Paulo e, mais recentemente, passou uma temporada na Europa, onde experimentou novas técnicas artísticas, tanto na gastronomia quanto nas plásticas. O vernissage é nesta quinta-feira, dia 11 de maio, às 19h, na Casa do Fauno.

São 23 trabalhos desenvolvidos durante período dois anos e oito meses em que passou em Dublin, na Irlanda. Utilizando um conjunto de materiais como papel como suporte, linha de costura e tinta nanquim, ele retrata signos do cotidiano influenciado pela atmosfera dos lugares por onde passou e experiências que viveu. 

Cláudio iniciou seu processo de criação em 1998 passando por projetos como da galeria Theodoro Braga (Novos Talentos), resultando em exposição e teve a oportunidade, na Fundação Curro Velho, de passar pelo aprendizado de várias técnicas, permitindo que ele desenvolvesse seu trabalho. A presente exposição tem curadoria do artista plástico P.P. Condurú.

“O P.P. é um amigo de longa data e que sempre tive admiração sobre seu trabalho marginal. Ele sempre me incentivou a produzir arte sem estar preso aos moldes da arte formal de galeria. Isso me ajudou a fazer a escolha dos trabalhos para exposição, por isso digo que a curadoria é dele, que por motivos óbvios e marginais, prefere não ser chamado de curador (risos). É uma pessoa com que troco ideia sobre o desenvolvimento do meu trabalho”, diz.

Cláudio diz que nas artes plásticas não tem influência de um artista ou escolas específicas, acredita que cria com originalidade seu trabalho. 

“Sempre gostei de artes visuais. E em São Paulo, onde morei antes de ir, com toda a coragem, para a Irlanda, tive oportunidade de absorver novos signos que me levaram a experimentar materiais como a linha colorida e o nanquim sobre papel. Em Dublin, também trabalhei com cinema, como Gaffer, e nas artes plásticas segui criando trabalhos, com linha e nanquim, utilizando papel como suporte”, conta.

De volta a Belém há mais de dois meses, Cláudio Castro vem buscando novas parcerias na área audiovisual. Na semana passada rodou um curta de ficção totalmente independente com ajuda e parceria dos amigos cineastas. 

Após a exposição na Casa do Fauno, Cláudio pretende circular com o trabalho em outros espaços. “Pensando sempre em levar meu trabalho para espaços que provoque no espectador, um olhar reflexivo sob a influência dos signos que estão no cotidiano de nossas vidas e como ser humano que somos influenciando nossas escolhas e nossos pensamentos”, conclui.

Serviço
Vernissage da exposição  "Signos pelo Mundo", de Cláudio Castro. Nesta quinta-feira, dia 11 de maio, às 19h, na Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca. Mais informações e reservas de mesa pelo fone 91 98705.0609. Nesta mesma noite, a partir das 22h, o espaço também recebe show da cantora Natália Matos, que está lançando nas redes sociais o novo single "SOL".

8.5.17

"Bichas" na campanha de combate à LGBTfobia

O diretor do documentário "Bichas", o publicitário Pernambucano Marlon Parente, está em Belém para participar do evento de lançamento da campanha de combate à LGBTfobia no Pará, nesta terça-feira, 9, a partir das 17h, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur, trazendo o debate "O Papel da Comunicação no combate ao Preconceito". O encerramento da programação conta com pocket show da cantora e compositora Lia Sophia. Entrada franca.


Na ocasião, serão apresentados cartaz, vídeo e a página na internet da campanha, com notícias, dados e informações sobre toda a rede de atendimentos disponibilizada pelo Estado para o público LGBT. 

O Brasil lidera um dos piores rankings mundiais. É o país que mais mata pessoas transgêneras. Nos últimos oito anos, foram 868 travestis e transexuais assassinados. A informação é da ONG Transgender Europe (TGEu). Já os dados oficiais, descritos no último Relatório de Violência Homofóbica no Brasil apontam que, em 2013, foram registradas pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100) 1.695 denúncias de 3.398 violações relacionadas à população LGBT. 

Apesar de assustador, não representa novidade, e só vem crescendo. Tanto assim, que o Governo do Estado lança esse mês a Campanha de Combate à LGBTFobia, a partir do questionamento: “Diversidade. Eu respeito. E você?”. A ação envolve de forma direta e indireta toda a estrutura do Estado, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos (Sejudh), Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), Fundação Pro Paz e Cultura Rede de Comunicação. 

Entre as ações de políticas públicas voltadas para o público LGBT, estão a carteira de nome social, o casamento coletivo, ala exclusiva para a trans dentro do Sistema de Segurança Pública, Delegacia de Combate aos Crimes Discriminatórios e Homofóbicos, acesso ao Cheque Moradia, Credcidadão, o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, que garantem acompanhamento, qualidade de vida e inclusão social a essa parcela da população.

O Pará foi o primeiro estado brasileiro a assegurar a identificação oficial junto aos órgãos e serviços públicos do governo em um documento específico para transexuais e travestis pelo nome social, em 2013. Na época, no estado do Rio Grande do Sul, primeiro a adotar a carteira de nome social, o documento tinha validade mediante a apresentação da carteira de identidade.

Após o lançamento, ao longo do mês, haverá ainda uma ampla programação, especialmente no dia 17 de maio, quando se celebra o Dia Internacional de Combate à Homofobia. Nessa data, está programada a exibição do documentário “Bichas” do publicitário pernambucano Marlon Parente.

"Bichas" entra na programação mas já pode ser visto no Youtube

Aos 24 anos, Marlon é formado em Publicidade, mora e trabalha em Recife, Pernambuco. Atualmente é diretor de arte em uma agência de publicidade. “Bichas” é sua primeira produção audiovisual.

O documentário desmistifica o universo, quebra tabus e revela o empoderamento de quem assumiu e se gosta como é, tornando esta a principal ferramente de combate a homofobia.  O filme sem dúvida, disponível pelo Youtube, ajuda e entender o lado que sofre o preconceito e revela mais ainda este universo. Por conta da grande repercussão do trabalho e resultados positivos mostrando a importância de se falar sobre preconceito, Marlon já está trabalhando no próximo doc que irá falar sobre as dificuldade de aceitação das relações homoafetivas  na estrutura familiar.

Para produzir o documentário com quase 40 minutos, no ano passado, o publicitário Marlon Parente emprestou uma câmera e um tripé, gastou R$ 10 na compra de um microfone e convidou seis amigos para gravarem seus depoimentos. A ideia surgiu após ele ter sofrido uma agressão na rua, apenas pelo fato de estar de mãos dadas com um amigo. Depois de editar, o publicitário postou no YouTube. Em poucas semanas, havia milhares de acessos. Em cerca de cinco meses, o doc já contava com mais de 474 mil visualizações.

Sobre o documentário:

Campanha será em todo o estado


A campanha é a terceira promovida este ano pelo Governo do Estado, com temas como “Combate à violência contra a mulher” e “Incentivo à Leitura”, envolvendo de forma direta e indireta, toda a estrutura do Estado de maneira integrada, e nesta edição, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos (Sejudh), da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), da Fundação Pro Paz e da Cultura Rede de Comunicação.

A Gerência de Proteção à Livre Orientação Sexual (Glos), da SEJUDH, promove capacitação de várias categorias de trabalhadores, com o objetivo de sensibilizar e capacitar quanto ao respeito às pessoas LGBTs, especialmente travestis e transexuais. Uma deles ocorreu com a Cooperativa dos Taxistas da Doca (Cooperdoca). 

No mês passado, a capacitação ocorreu em Santarém, no oeste paraense, voltado para os profissionais de Segurança Pública para a prestação de um atendimento mais humanizado às pessoas em situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças, adolescentes, idosos e LGBTs.

Serviço
Lançamento da Campanha de Combate da LGBTFobia, do Governo do Estado. Nesta terça-feira, 09 de maio, às 17 horas, no Teatro Margarida Schivasappa. O evento é aberto ao público em geral. Informações: (91) 3202-0903.

Buscapé Blues e Folha de Concreto estreiam show

A banda Folha de Concreto, na estrada há seis anos, se juntou à experiência de mais de trinta anos de estrada de Buscapé Blues, numa proposta de show que promete rodar pela cidade.A estreia será nesta sexta, 12, no espaço Sinhá Pureza.

Os shows inesquecíveis na Praça da República e no Memorial dos Povos deram a Buscapé Blues milhares de fãs na cidade. Surge com ele, um novo conceito musical, com a proposta de combinar a essência do rock e do blues.

"Idos de 1970/ Eu morava na Avenida Dalva/ Todo dia eu ia a feira/ Feira da Marambaia", a primeira estrofe da canção ecoa entre o público que já acompanha a trajetória do nosso poeta das galáxias. "Oh marambaia" (4x).

Buscapé Blues faz um trabalho autoral com letras que levantam assuntos políticos de forma sarcástica e bem humorada, trazendo algumas vezes uma dose de transgressão erótica e de crítica social. O músico é fenômeno local, pois suas composições se tornaram conhecidas mesmo antes de o mesmo começar a tocar na rádio.

É dele o hit Metal City, traduzido e gravado pela lendária banda DNA. Criado na Marambaia, sua música transpira ao universo marginal e poético da periferia. É também este, um de seus primeiros sucessos, que chegou a tocar em rádios européias e firmou a identidade do grupo, que traduz a cultura rock’n’roll  para a realidade tropical de Belém.

A banda Folha de Concreto surgiu de um prêmio de bolsa de criação musical da PROEX da UFPA, em 2011. A banda explora a diversidade sonora contemporânea e a temática dos conflitos amazônicos e globais, como o tráfico de mulheres, a poética dos rios, a xenofobia, o racismo, as cidades com seus traços modernos e tradicionais. A composição das letras é do vocalista Clei Souza. 

As músicas são de Jeová Ferreira, acompanhado de Vicente Júnior, e Reinaldo Guaxe, que ganhou o último prêmio de experimentação e criação artística da Fundação Cultural do Pará para fazer dois clipes da banda a serem lançados no segundo semestre.

Nesta sexta-feira, 12, por tanto, será um grande e musical encontro!

3.5.17

Os Dinâmicos é a banda convidada da Lambateria

A 47a edição da Lambateria, nesta quinta-feira, 04, será tomada pela Guitarrada. A festa recebe “Os Dinâmicos”, uma das primeiras bandas criadas por Mestre Vieira, o criador e maior expressão desse gênero. A noite terá ainda discotecagem do DJ Raul Bentes, grupo de Carimbó Os Safos da Capital e Félix Robatto e seu Conjunto. Ingressos antecipados: http://bit.ly/2qm3bY4

A tradicional roda de Carimbó do grupo Os Safos da Capital abre a noite da Lambateria, uma festa que vem arrastando pequenas multidões e provocando grandes encontros em Belém. O salão lota a noite toda, gente de todas as idades que sai de casa simplesmente para dançar. 

É neste clima bem apropriado que a Lambateria recebe a banda Os Dinâmicos, que tem em sua formação Dejacir Magno, no vocal, e Lauro Honório, na guitarra base, músicos que gravaram vários LPs do grupo Vieira e Seu Conjunto, entre os anos 1970 e 1990.

Eles voltaram à ativa em 2011, após 37 anos sem tocar. O reencontro rendeu show de Mestre Vieira e os Dinâmicos, no Se Rasgum, daquele ano, e em 2012, na Feira da Música de Fortaleza, eventos em Belém e nos 400 anos de Bragança, sem falar da gravação do DVD dos 50 Anos de Guitarrada, no Theatro da Paz, que aliás, teve direção musical de Félix Robatto.

Já só como Os Dinâmicos, em 2015, gravaram o primeiro CD. Na época, mais dois integrantes de Vieira e Seu Conjunto estavam junto, Luís Poça (teclado) e Idalgino Cabral (baixo). Atualmente, além de Dejacir Magno, vocal, e Lauro Honório, guitarra base, que gravaram os LPs, estão na formação, Jairo Ferreira, na bateria, Jhiosy Marques, na guitarra solo, Wilson Vieira, filho de Mestre Vieira, no teclado, e Cassiano Neto, filho do baterista original, Cassiano Pereira, no contrabaixo.

Um mergulho na obra de Vieira e Seu Conjunto

A ideia é mergulhar na obra de Vieira e seu Conjunto e mostrar as inéditas gravadas no disco. São Guitarradas, cúmbias, lambadas e carimbó, para todo mundo dançar muito nesta quinta-feira. 

O show que o grupo vem apresentando em Belém e outros municípios, conta com músicas do CD e com as guitarradas que fizeram sucesso na carreira de Mestre Vieira, que de Barcarena vem acompanhando toda a movimentação.

O músico segue o tratamento de um câncer de próstata e se recupera. Bem representado na banda pelo próprio filho e pelos companheiros que iniciaram carreira com ele, Mestre e Os Dinâmicos também foi destaque no Domingo de Páscoa em uma matéria publicada no jornal Estado de São Paulo. Leia aqui http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,aos-82-anos-e-lutando-contra-um-cancer-mestre-vieira-sera-tema-de-documentario,70001739695 .

Além do show na Lambateria, Os Dinâmicos também se apresentam em Barcarena, no próximo domingo, encerando as festividades de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com um show no município.

Outra novidade na carreira dos músicos é que Mestre Vieira e Os Dinâmicos se transformarão em super heróis, na série de animação para TV Pública “Os Dinâmicos”, projeto da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia (contemplada na Chamada Pública PRODAV-8 – Brasil de Todas as Telas, da Ancine).

A série de 13 episódios, de cinco minutos de duração cada, tem como inspiração a obra musical de Mestre Vieira, com a banda Vieira e Seu Conjunto. Num universo cheio de aventura e lendas, a cada chamado de uma criança eles se transformam em “Os Dinâmicos”.

Para encerrar a noite da Lambateria, Félix Robatto e seu Conjunto sobem ao palco para tocar suas Lambadas, Guitarradas, Merengues, Cumbias, Carimbós e Bregas, com destaque para suas músicas autorais como “Eu quero Cerveja” e “Seu Godofredo”. Comandando a discotecagem da noite, o DJ Raul Bentes mandando os grandes sucessos dançantes da noite paraense.

PROGRAMAÇÃO

20h – Abertura da casa 
21h30 – Grupo Os Safos da Capital 
23h – Os Dinâmicos 
0h30 – Félix Robatto e seu Conjunto 
2h - DJ Raul Bentes

Serviço
A Lambateria#47 com Os Dinâmicos, Félix Robatto e seu Conjunto, grupo de Carimbó Os Safos da Capital e DJ Raul Bentes será nesta quinta, 04, a partir das 20 horas no Fiteiro (Av. Visconde de Souza Franco, 555). Shows a partir das 21h30. Ingressos promocionais a R$ 15,00, 2º lote a R$ 20,00 (até 23 horas do dia 03) e R$ 25,00 (a partir das 23h do dia 04). Vendas antecipadas no  Sympla (http://bit.ly/2qm3bY4). Informações: (91) 98026-1595 /fb.com/lambateria.

Campanha para reeditar "Ponte do Galo" continua

O prazo para o financiamento coletivo que pretende reeditar uma importante obra do escritor romancista paraense Dalcídio Jurandir, encerra em 34 dias. Até o momento, no Catarse, apenas 60% do valor total foi arrecadado. Falta menos da metade, mas falta. “Ponte do Galo”, o sétimo romance dos dez que formam o chamado Ciclo do Extremo-Norte, foi publicado em 1971 pela Editora Martins/MEC. Conversei com um dos organizadores da campanha sobre o projeto de reedição e o que precisa ser feito para que efetivamente ele se concretize.

Baseado na economia colaborativa, o financiamento coletivo tem como fundamento a premissa de que juntos todos podem conquistar seus objetivos. Foi exatamente nisso em que Denis Girotto, da Pará.grafo Editora, de Bragança, e André Fernandes, da Toró de Letras, acreditaram. Os dois são leitores de Dalcídio Jurandir, que se incomodaram com a dificuldade de reunir toda a sua obra e resolveram intervir neste processo de desatenção que pesa sobre a cultura paraense.  

“A maioria dos livros de Dalcídio estão esgotados e sem reedição há anos. Juntamos nossas vontades de fazer a literatura paraense ser reconhecida por nosso próprio povo (porque é de uma grandeza valiosa), ao fato da editora ter recém-iniciado os trabalhos. Sonhamos em trabalhar com uma obra desse tamanho e importância. Bem, aqui estamos”, comenta André.

Ele diz que as pessoas têm recebido bem a ideia e ajudado a divulgar. Nas redes sociais foi criada uma boa rede de interessados, mas nem todos participam, efetivamente, comprando o livro. “É a única coisa que de fato vai garantir que este projeto se torne realidade e cumpra a finalidade de resgatar essa obra do esquecimento”, enfatiza.

O ritmo de colaborações vem diminuindo e preocupando os organizadores. O financiamento coletivo precisa provocar uma Catarse, daí talvez o nome da plataforma mais antiga do país, e pela qual Denis e André realizam a campanha. É preciso o corpo a corpo, fazer com que pessoas que acreditam no mesmo que você se voltem à campanha e ajudem não só a difundi-la como também colaborem.

Experimente ser um patrocinador de cultura

Poderia ser mais fácil, mas ao que parece, embora esta ferramenta já tenha se mostrado eficiente e confiável, tirando muitos projetos do papel e deixado colaboradores felizes com o resultado, ela ainda causa espanto, descrédito ou não é do conhecimento de um número alto de pessoas que poderiam somar com esta e tantas outras excelentes iniciativas que buscam novas formas de produzir e distribuir cultura. 

É um desafio para todos, mas patrocinar com R$ 10,00 ou um pouco mais reais, a reedição de Ponte do Galo, também pode ser tornar uma bela experiência, algo digno de se deixar em sua história de vida.

Já colaborei e escolhi um valor que me dá em contrapartida, uma edição impressa. Quero muito que a meta seja alcançada e que possamos reeditar outras obras mais, de muitos outros autores.


“Temos escritores, artistas plásticos, fotógrafos, atores, músicos etc. de qualidade surgindo todos os dias e fazendo mais sucesso lá fora do que aqui. Isso sem falar nos antigos, já consagrados, mas que não podem mais ser encontrados porque não há um incentivo do porte que precisamos”, comenta André, que cita Antonio Tavernard, Maria Lúcia Medeiros e Eneida de Moraes, que também merecem reedições.

“Quem vem tentando salvar essa memória é a iniciativa privada, através de editoras regionais e nacionais, mas que também tem que trabalhar a formação do seu público de leitores, já que os jovens de hoje passam pela vida escolar inteira sem ter ouvido falar dos nossos principais autores. É um trabalho grande”, diz André que ainda conversou mais um pouco com o blog, sobre Dalcídio Jurandir.

Porque ler e onde encontrar Dalcídio Jurandir

Holofote Virtual: Ponte do Galo é o livro mais raro de Dalcídio. Por que nunca antes houve nova reedição?

André Fernandes: Não é fácil entender porque os livros do Dalcídio Jurandir não têm tido reedições constantes. Várias editoras já iniciaram trabalhos de reedição de toda a obra, mas pararam pelo caminho. Cito a Cejup, Falângola, Editora da UEPA e a Editora da UFPA. Perceba que são editoras paraenses. As grandes editoras nacionais ainda não abriram os olhos para reeditar seus livros. Apesar de a Record ter lançado algumas primeiras edições, não trabalhou com as reedições. 

Não quero pensar que é por considerarem ser uma obra de caráter regional, pois não avalio assim. A obra dalcidiana trata de temas universais inerentes ao ser humano, bem como a de Guimarães Rosa, por exemplo.

Holofote Virtual: Onde encontrar as obras editadas de Dalcídio Jurandir

André Fernandes: Alguns livros do Dalcídio foram reeditados e por diferentes editoras. O “Chove nos Campos de Cachoeira”, por exemplo, foi reeditado recentemente pela editora 7Letras e até pouco tempo estava disponível para venda. Os reeditados pelas editoras da UFPA e da UEPA (“Belém do Grão-Pará”, “Marajó” e “Primeira Manhã”), também lançados ano passado pela Editora Marques, podem ser encontrados em livrarias de Belém, como a Fox. Os demais apenas nos sebos virtuais, com preços exorbitantes (por serem raros hoje), ou com muita sorte “garimpando” nos sebos de rua.

Dalcídio Jurandir na entrega do Prêmio Machado de Assis
na Academia Brasileira de Letras - 1972  (acervo/família) 
Holofote Virtual: Na tua opinião. Qual a importância de Dalcídio para a literatura brasileira?

André Fernandes: Dalcídio Jurandir foi o autor que conseguiu retratar da forma mais fiel a vida e os dramas do povo amazônico. E ainda fez isso com maestria e de forma poética. Sua escrita é um entalhe perfeito da vida do nosso povo, formando emblemas humanos complexos e fiéis à realidade cabocla e ribeirinha, misturados com floresta e campos alagados de rio e chuva.

Durante sua vida, Dalcídio foi aclamado por escritores como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Oswald de Andrade, Clarice Lispector, Raquel de Queiroz, e o português Ferreira de Castro, para citar alguns. Seus livros tiveram capas de Cândido Portinari e foram publicados em Portugal e Rússia. Sua morte foi transformada em poema por Carlos Drummond de Andrade, no famoso “Canções de alinhavo”.

Foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra, que naquele momento ainda estava no sétimo romance, justamente o “Ponte do Galo”. Como José Cândido de Carvalho disse: Dalcídio foi “um romancista tão grande quanto a sua ilha”. Aqui deve ter ficado claro como não é fácil entender porque sua obra ainda é de difícil acesso.