16.9.14

Livro de cultura japonesa na Amazônia é relançado

O relançamento do livro “Japanamazônia – Confluências Culturais” abrange os municípios onde as imagens foram captadas. A publicação. idealizada por Makiko Akao, tem o selo da Kamara Kó Fotografias. Neste sábado (20), partir das 18h, no Hall da sede da ACTA-Associação Cultural e Fomento Agrícola de Tomé-Açú. 

Maniçoba, udon, frango no tucupi: o cardápio de um pequeno restaurante localizado em Tomé-Açú, no nordeste do estado do Pará, reúne a essência do livro “Japanamazônia – Confluências Culturais”, que apresenta fotografias e textos sobre o cruzamento entre os hábitos e práticas orientais e ocidentais na região amazônica. A ideia de produzir o livro surgiu quando das comemorações pelos 80 anos da imigração japonesa para o Brasil, celebrada há quatro anos, em 2010. O relançamento conta com a a co-edição da Pro Reitoria de Relações Internacionais da UFPA. Depois, o projeto segue para Santarém, Monte Alegre e Santa Isabel do Pará. 

Uma exposição de fotografias de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar – que retrataram os moradores paraenses com descendência japonesa, também integra o novo lançamento, que passará por quatro cidades do estado. A itinerância do Projeto “Confluências Culturais: Imigração Japonesa na Amazônia” foi contemplada com o Edital do Fundo Nacional de Cultura 2013.

“Provocar um novo olhar, capaz de identificar, no cotidiano, nas situações simples do dia-a-dia, a interligação entre as culturas japonesa e amazônida foi o desafio principal deste projeto.

Coube aos fotógrafos registrar através de imagens a sutileza e a poesia dessa coexistência em diversos municípios do Pará, onde foi detectado que é possível ser brasileiro e ser japonês, reunindo, em um todo, as duas partes”, explica Makiko.

Ela diz ainda que as imagens revelam cenas comuns, hábitos que já possuem certa invisibilidade diante do forte entrelaçamento das culturas, tão distintas. Além disso, ela destaca que mesmo diante de um novo território com realidade diferenciada, foi possível deixar que as raízes do Japão não fossem perdidas.  A idealizadora acredita que o projeto dá continuidade à vocação da Kamara Kó, para preservar a memória cultural e contribuir para que haja uma compreensão cada vez mais aprofundada dessas confluências culturais.

O Japão na Amazônia - Para refletir sobre a produção de imagens de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar, o professor e também fotógrafo Mariano Klautau Filho descreveu que “encontrar o Japão em terras amazônicas no início do século XXI” é um trabalho delicado, exatamente por exigir nova compreensão do papel documental da fotografia e, além disso, por requerer sensibilidade para perceber histórias outras das pessoas e locais que foram retratados.

“Tudo isso revela uma cultura que foi se estabelecendo, mudando, adaptando-se a um novo lugar e ao mesmo tempo perdendo e ganhando novas e antigas raízes, tanto amazônicas e paraenses como japonesas e orientais. As imagens falam mais de encontros, momentos, histórias particulares, casas, quintais, e especialmente de pessoas. Em cada série de imagens reencontramos um certo Pará oriental ou um certo Japão paraense”, explica Mariano Klautau.

Ele descreve também outras cenas apresentadas nas imagens: a Sra. Emi Oyama retratada na sala de sua casa, que inclui a figura de um Samurai e a imagem de Nossa Sra. de Nazaré, na cidade de Castanhal; a plantação de hortaliças em Santa Isabel, forte atividade econômica mantida pelos descendentes orientais até hoje na região; e ainda uma simpática vendedora de bentô, uma tradicional marmita japonesa, em sua bicicleta pelas ruas de Quatro Bocas, localidade de Tomé-Açú. 

Programação

Tomé-Açú
Dia 20/09, às 18h
Local: Hall da ACTA - Associação Cultural e Fomento Agrícola de Tomé-Açu
Apoio: Prefeitura Municipal de Tomé-Açú e ACTA

Santarém
Dia 30/10, às 19h
Local: Sesc Santarém – Rua Floriano Peixoto, 535 – Centro.
Apoio: Serviço Social do Comércio – Santarém

Monte Alegre
Dia 06/11, às 18h
Local: Estação Hidroviária de Monte Alegre
Apoio: Prefeitura de Monte Alegre

Santa Izabel
Dia 28/11, às 18h
Local: Associação Nikkei de Santa Isabel, BR-316

Serviço
Relançamento do livro “Japanamazônia – Confluências Culturais” e exposição fotográfica com imagens de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar ocorrem no próximo dia 20 e 21, a partir das 18h, no Hall da sede da ACTA-Associação Cultural e Fomento Agrícola de Tomé-Açu, localizada em Quatro Bocas (Av. Dionísio Bentes- Centro). Entrada gratuita. Informações: 8107-8710. Apoio: Associação Nikkei de Santa Isabel/Santo Antônio do Tauá e Prefeitura de Santa Izabel.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

15.9.14

Grupo Galpão em Belém neste final de setembro

O Grupo Galpão, um dos mais importante do país, chega pela primeira vez em Belém com o espetáculo “Os Gigantes da Montanha”, de Pirandello. Serão duas apresentações na Praça da Bandeira, nos dias 26 e 27 de setembro, sexta e sábado, às 20h. O acesso é gratuito e a classificação indicativa: livre. Duração: 90 minutos. Gênero: Fábula Trágica. Haverá ainda uma oficina com o grupo a ser realizada no Teatro Experimental Waldemar Henrique, no dia 27, das 9h às 12h. Informações: (91) 8177-7504.

A 21ª montagem da companhia mineira celebra o retorno da parceria com Gabriel Villela, que assina também a direção de espetáculos marcantes do grupo, como “Romeu e Julieta” (1992) e “A Rua da Amargura” (1994). No elenco, estão também as atrizes Inês Peixoto e Teuda Bara, que estavam na novela das seis da Rede Globo “Meu Pedacinho de Chão”. 

"Os Gigantes da Montanha" narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila mágica, povoada por fantasmas e governada pelo Mago Cotrone. Obra inconclusa, escrita por Luigi Pirandello, em 1936, a fábula é uma alegoria sobre o valor do teatro (e, por extensão, da poesia e da arte) e sua capacidade de comunicação com o mundo moderno, cada vez mais pragmático e empenhado nos afazeres materiais. 

Mais informações:
91 81347719/lume.com@gmail/holofotevirtual@gmail.com – Assessoria de Imprensa/Belem ou 31 3463.9186 – Beatriz França e Ana Carolina Diniz – Assessoria de Comunicação do Grupo Galpão. Outras: www.grupogalpao.com.br

ELENCO
  • Antonio Edson - Cromo
  • Arildo de Barros - Conde
  • Beto Franco - Duccio Doccia / Anjo 101
  • Eduardo Moreira - Cotrone
  • Inês Peixoto - Condessa Ilse
  • Júlio Maciel – Spizzi / Soldado
  • Luiz Rocha (ator convidado) - Quaquèo
  • Lydia Del Picchia - Mara-Mara
  • Paulo André - Batalha
  • Regina Souza (atriz convidada) – Diamante / Madalena
  • Simone Ordones - A Sgriccia
  • Teuda Bara - Sonâmbula

EQUIPE DE CRIAÇÃO
  • Direção: Gabriel Villela
  • Texto: Luigi Pirandello
  • Tradução: Beti Rabetti
  • Dramaturgia: Eduardo Moreira e Gabriel Villela
  • Assistência de direção: Ivan Andrade e Marcelo Cordeiro
  • Assistência e Planejamento de ensaios: Lydia Del Picchia
  • Antropologia da Voz, direção e análise do texto: Francesca Della Monica
  • Direção, arranjos, composição e preparação musical: Ernani Maletta
  • Preparação vocal e texto: Babaya
  • Iluminação: Chico Pelúcio e Wladimir Medeiros
  • Figurino: Gabriel Villela, Shicó do Mamulengo e José Rosa
  • Coordenação Artística do Ateliê Arte e Magia: José Rosa
  • Cenografia: Gabriel Villela, Helvécio Izabel e Amanda Gomes
  • Assistência de Cenário: Amanda Gomes
  • Pintura do cenário: Daniel Ducato e Shicó do Mamulengo
  • Adereços: Shicó do Mamulengo
  • Bordados: Giovanna Vilela
  • Costureiras: Taires Scatolin e Idaléia Dias
  • Luthier: Carlos Del Picchia
  • Fotos: Guto Muniz
  • Registro e cobertura audiovisual: Alicate
  • Design sonoro: Vinícius Alves
  • Programação Visual: Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes, Suely Andreazzi
  • Tratamento de Imagens do Programa: Alexandre Godinho e Maurício Braga
  • Logo do espetáculo: Carlinhos Müller
  • Direção de Produção: Gilma Oliveira

EQUIPE GRUPO GALPÃO
  • Gerência Executiva - Fernando Lara
  • Coordenação de Produção - Gilma Oliveira
  • Coordenação de Planejamento - Ana Amélia Arantes
  • Coordenação de Comunicação - Beatriz França
  • Coordenação Administrativa - Wanilda D’artagnan
  • Coordenação Técnica e Iluminação – Rodrigo Marçal
  • Consultoria de Planejamento - Romulo Avelar
  • Produção Executiva - Beatriz Radicchi
  • Cenotécnico - Helvécio Izabel
  • Sonorização - Vinícius Alves
  • Assistente de Produção - Evandro Villela
  • Analista de Comunicação – Ana Carolina Diniz
  • Assistente de Planejamento – Natálha Abreu
  • Assistente Financeira – Renata Ferreira
  • Assistente Administrativa - Andréia Oliveira
  • Auxiliar Técnico – William Teles
  • Recepção – Cídia Santos
  • Serviços Gerais - Lê Guedes
  • Produção - Grupo Galpão

9.9.14

"Cabidê" lança sua loja com proposta diferenciada

A loja virtual traz diversas culturas expressadas em suas estampas e tecidos. O lançamento, porém, será físico, em Belém, no próximo dia 14 de setembro, na Casa Dirigível Coletivo de Teatro. O projeto, desenvolvido por Stéfany Mattos e Denys Costa, traz linha de roupas inspirada em tendências de várias partes do mundo, com estampas diferenciadas, peças únicas e pensadas individualmente.

Tendo como um dos objetivos, ampliar os horizontes da moda no mercado local, as diversas estampas alcançam todos os gêneros e estilos. 

Além do vestuário, a loja oferece também, uma gama de acessórios e utilitários que somam e ajudam a compor o visual, como bolsas, bijus, bonés, tênis, artigos decorativos e muito mais, tudo isso direcionado a todos que querem uma mutação no seu ambiente, junto com as inspirações e seleções dos idealizadores.

A ideia do lançamento não virtual parte do desejo de ter maior aproximação com o público. "Queremos fazer um lançamento físico, em um ambiente moderno e que esteja em harmonia com a identidade visual da marca e que seja condizente com o público alvo. 

Pocket show - Além do lançamento da coleção, o Cabidê traz para seu evento o trabalho de outros artistas, como é o caso do Itinerário Boomerang, que fará um pocket show. Assim como também, terão mostras de vídeos da coleção e de seu processo de criação e um varal de fotografias que contraste com a decoração do stand juntamente com os produtos. Tudo com o maior cuidado e carinho. 

"Chegamos para somar, com cores e muita descontração. Um de nossos tecidos especiais é a Capulana, característico de Moçambique, atravessou o oceano e agora enriquece a primeira coleção do Cabidê, intitulada Mutare”, diz Denys Costa.

Mais informações: (91) 8296-4214 Stéfany Mattos / (91) 8320-339 e facebook.com/lojacabidee

8.9.14

Festival reafirma a cena da música instrumental

Belém recebe, pelo sexto ano consecutivo, o Festival de Contrabaixo da Amazônia, que reune alguns dos grandes nomes da cena nacional e internacional da música instrumental. Serão duas noites de shows gratuitos, sempre a partir das 19h, nesta terça, 9, e na quarta, 10, na Estação das Docas. A programação inclui duas masterclass, no Sesc Boulevard.

O Festival de Contrabaixo da Amazônia foi criado a partir do circuito nacional, que surge em 2003, na cidade de Caruaru-PE, organizado por Celso Pixinga, e que desde então vem sendo realizado em vinte e cinco cidades brasileiras, com objetivo de revelar novos talentos, além de reunir baixistas de renome nacional e internacional e provocar um intercâmbio musical entre eles e artistas locais. Em Belém, o festival já se tornou uma tradição, sendo esperado pelos que amam a música instrumental.

“As pessoas passam o ano todo perguntando pelo próximo, querem saber quem serão as novas atrações, etc. Acho que após tantas edições bem-sucedidas, podemos dizer que ele faz parte do nosso calendário cultural. Legal também é perceber que ele (o Festival) extravasou a fronteira do contrabaixo. Virou uma espécie de festival de música instrumental que reúne músicos e amantes da música”, diz Marcus que conversou com o blog e deu mais detalhes na entrevista mais abaixo.  

Nesta edição em Belém, marcam presença o canadense Allain Caron e os paulistas Celso Pixinga e Thiago do Espírito Santo, que se juntarão aos paraenses Minni Paulo Medeiros, Adelbert Carneiro, Ney Conceição e Kzam Gama, que aliás recebe merecida homenagem no evento. 

Além dos shows, Celso Pixinga e Alan Caron irão ministrar, no Sesc Boulevard, Master Class de Contrabaixo, com 20 vagas para cada turma, mediante doação de um quilo de alimentos não perecíveis. É tudo gratuito.

“Um Festival desse porte, com essas atrações e de graça, tem um custo imenso. E não é apenas custo financeiro. Custa tempo e muito trabalho. Esse ano tivemos a parceria decisiva de duas produtoras, a Três – Cultura Produção Comunicação e a Complô. Com essa equipe entramos em campo e fomos captar recursos, o que foi nos oportunizado em organizações públicas, privadas e outras com finalidade social. E sem essa equipe, os gestores públicos envolvidos, os empresários que acreditaram, além de muita gente que trabalha de forma voluntária, não seria possível essa realização”, diz Marcus Braga, da organização do evento.

A realização é da AAMI – Associação dos Amigos da Música Instrumental e Pixinga Bass Fest. O evento também conta com apoio cultural da Companhia Paulista de Pizza, Cultura Rede de Comunicação, Estação das Docas Pará 2000, Guitar Build, Keuffer, Famiglia Trattoria, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Jeffersom, Secretaria de Estado de Cultura do Pará, SESC Boulevard,  Sol.

Allai Caron
Holofote Virtual: O festival reúne nomes importantes. Como se dá a escolha dos músicos para programação? 

Marcus Braga: O Festival tem uma curadoria. Nacionalmente e internacionalmente, o Celso Pixinga faz os contatos, nos consulta e juntos definimos os nomes. Cabe a nós escolher os músicos locais. Esse ano, teremos uma edição bem especial. 

Vamos homenagear o Kzam Gama, uma lenda viva do baixo paraense. Um dos primeiros que levou nossa bandeira vermelha e branca pra fronteiras d'além norte. Ele não somente será homenageado, mas vai tocar. Junto dele, teremos Minni Paulo Medeiros, outro nome que está ligado à boa música e à tradição da música instrumental.

Adelbert Carneiro, embora seja de outra geração mais nova, além de baixista, é compositor (CDs autorais gravados), arranjador, produtor musical e um dos principais nomes da cena atual na música instrumental paraense. Esse ano, Adelbert terá a participação deCelso Pixinga no seu show. 
Ney Conceição, embora paraense, já está radicado no Rio de Janeiro há um bom tempo e desde que integrou a banda de João Bosco e, posteriormente, o Nosso Trio (com Kiko Freitas e Nelson Faria), ganhou projeção internacional. 

Thiago Espírito Santo é considerado hoje o principal nome do baixo brasileiro. Nos Estados Unidos, ele é respeitado como um gigante do jazz. E, mesmo sendo filho de uma lenda, Arismar do Espírito Santo, tomou caminhos próprios e decolou. 

Pra concluir, o canadense Alain Caron, que vem em trio (John Rones, no teclado e Damien Schmitt, na bateria), é um nome mundialmente aclamado no jazz. Seja como professor, como compositor, arranjador ou tocando nos palcos, seu domínio do contrabaixo acústico e elétrico e suas técnicas viraram moda no meio musical. Será memorável tê-los todos aqui.

Thiago Espírito Santo
Holofote Virtual: Muito legal a homenagem ao Kzam ...

Marcus Braga: Kzam Gama não foi apenas um baixista. Ele é um ícone. Só pra citar um pouco, ele escreveu vários dosarranjos que Elis Regina gravou e cantou. Como ele "saiu" cedo, muitos paraenses não o conhecem ou não reconhecem o que ele foi e conseguiu. Essa é a ideia da homenagem. Trazer pras novas gerações o legado de músicos importantes da nossa história.

Holofote Virtual: Sabemos que há radição, mas a quantas anda a cena da música instrumental em  Belém, na tua opinião? 

Marcus Braga: A música instrumental sempre foi forte em Belém. Tem ciclos onde mais casas abrem as portas e ciclos com menor visibilidade. Mas Belém, por ser um celeiro de músicos maravilhosos sempre terá esses amantes da música instrumental que continuarão desbravando fronteiras. 

A ideia do Festival também passa pela democratização da música instrumental. Recentemente, o guitarrista Pat Metheny fez um show lindo no Parque Ibirapuera em São Paulo. No último dia 04, outra lenda viva, Chick Corea se apresentou ao ar livre em Olinda-PE. E aqui em Belém, no Festival, teremos, dentre outros, Alain Caron tocando de graça ao ar livre. 

Acho que essas coisas educam. Isso é fazer cultura. Isso é fomentar boa música. Se os meios de comunicação em massa ajudassem, muito mais seria feito. Lembro que assisti, há muitos anos atrás, logo que vim do interior, um show do Nico Assumpção (o maior baixista brasileiro que já existiu) na Praça da República, por ocasião do aniversário da Rádio Cultura. Aquilo mudou minha vida. 

Celso Pixinga
Holofote Virtual: Além dos shows, o festival está oferecendo duas masterclass. Como e quem pode fazer?

Marcus Braga: O formato de masterclass é um pouco diferente de um workshop. No masterclass, o artista convidado tem o tempo livre pra definir sua abordagem, que pode ser técnica, mas pode passar por uma conversa, mas sempre com muita música sendo executada. Temos uma limitação de vagas no SESC Boulevard, então os interessados devem chegar cedo e levar 02 kd de alimento.

5.9.14

Cronistas da Rua lança “Ela é” no Sesc Boulvard

Duana Parente, protagonista do novo clipe
A mulher e sua pluralidade são o mote do videoclipe de “Ela é”, canção do álbum “Tekoha”, do Cronistas da Rua. No dia 12 de setembro, o vídeo será lançado na sala do Sesc Boulevard. A programação conta com pocket shows do duo formado por Dime Cronista e Alonso Nugoli e da banda Lauvaite Penoso. A entrada é gratuita.

O segundo clipe dos "Cronistas da Rua" integra o trabalho de divulgação do CD Tekoha, lançado este ano. A dupla formada por Dime Cronista e Alonso Nugoli surgiu em 2011, mas já conta com inúmeras ações artísticas na cena do hip hop paraense. "Nesse pouco tempo, fizemos muitas coisas legais,  sendo que a maior ação foi fazer o registro do Tekoha", diz Dime. 

"Estamos realizando isso com muitas parcerias e acreditando no audiovisual, como principal ferramenta de divulgação. A tendência é que os vídeos clipes se tornem um dos nossos maiores atrativos, no sentido da difusão e propagação através dessas  novas  ferramentas, as redes sociais", complementa.

"Ela é" tem direção e produção do Muamba Estúdio, que traz como referência o novo cinema pernambucano. No roteiro, uma mulher jovem, forte e que enfrenta diariamente as dificuldades impostas por seu gênero e sua condição periférica. Interpretada por Duana Parente, ela é dona do próprio nariz, trabalhadora e não é passiva às opressões que lhe acometem.

“Nosso objetivo maior é mostrar essas dificuldades sendo combatidas e não como instrumento de repressão da personagem. Ao longo do roteiro, se desenvolvem diversas situações do cotidiano, que tem uma levada bem espontânea e uma atuação bem natural. Temos, então, uma personagem complexa - como uma mulher normal, com suas facetas e singularidades”, explica Débora Macdowell, da Muamba.

“Ela é” passeia pela sonoridade do rap aliado ao samba rock. Responsável pelo beatbox, Alonso Nugoli assume o vocal da canção composta em parceria com Dime Cronista. “Fizemos ela para tocar ao vivo na música ‘Menina mulher’ do Projeto Charmoso e quando fomos gravar o disco, o Dime apareceu com o pré-refrão e um sample para usarmos nessa música", conta Nugoli.

“O refrão fechado com a melodia fizemos no metrô, a caminho do estúdio. Foi algo que brotou e assim surgiu essa composição”, completa Dime. O experimentalismo da Lauvaite Penoso abre a noite. Com seu “carimbóbeat”, a banda traz a pulsação regional junto à mistura de outros pontos fortes do que cada integrante carrega consigo.

Após a exibição do videoclipe, ao lado do DJ Pro.efx e da cantora Adriana Cavalcante, o duo Cronistas da Rua apresenta ao público as canções do CD “Tekoha”, lançado no primeiro semestre deste ano. Além de “Ela é”, canções como “Mestre de Capoeira” e “Amanajé” compõem o repertório. Produção Cronistas da Rua e Três - Cultural Produção Comunicação. Você pode ouvir o álbum “Tekoha” do Cronistas da Rua: www.cronistasdarua.com.br.

Trajetória - Idealizador por Dime (Cronista), vocalista e compositor, o Cronistas da Rua surge em 2011, com a entrada do Beat Box (percussão organica), Alonso Nugoli. Tekoha é o primeiro Cd do grupo. 

"Estamos também divulgando o disco através de shows, mas os CDs estão sendo vendidos em algumas lojas parceiras, em Belém, e agora em outros cidades também", avisa Dime.

O Cronistas da Rua nasceu da vontade de expor ideias novas, vivências,devaneios e entre outras formas de exprimir a arte e transforma-la em poesia. O grupo faz o urbano ligar o liguajar da terra criando uma característica única entre a musicalidade camaleoa e o sotaque “pai dégua” de ser. 

Acreditando na cena rap de Belém, Dime anuncia os novos passos. "A gente gosta dessa inquietude e estamos trabalhando em outros vídeos, ainda para o Tekoha, e paralelo a isso vem acontecendo a busca  pelo conceito de um próximo trabalho", diz. " A cena do rap em Belém passa por um momento bacana, várias pessoas trabalhando e se organizando para fazer com que o trabalho possa chegar cada vez mais longe.  Belém hoje tem uma cena nacional, posso garantir, é só ir dia 12 de setembro no Sesc e conferir o lançamento do nosso vídeo clipe (risos)", finaliza.

Serviço
Lançamento clipe “Ela é” com Cronistas da Rua e Lauvaite Penoso. No dia 12 de setembro, a partir das 18h, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 – em frente à Estação das Docas). Informações: (91) 3224.5305 ou 3224.5654. Entrada gratuita.

(Holofote Virtual, com informações enviadas pela assessoria de imprensa do Cronistas da Rua)

3.9.14

Livro e trama visual de Diógenes Moura em Belém

O escritor, jornalista, roteirista, editor e curador de fotografia, Diógenes Moura apresenta em Belém o monólogo visual Carne é sangue: imagens para uma consciência humana. A noite prevê também o lançamento do livro "Fulana despedaçou o verso", obra composta por narrativas que têm como ponto de partida os gestos mais simples do dia-a-dia. Nesta sexta-feira, 5, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard. Entrada franca.

O evento encerra a programação de lançamento da série Caderno de pensamentos: ensaios e críticas, projeto do Sesc Pará, que tem o objetivo de valorizar e estimular o pensamento crítico sobre arte e cultura. 

Construído a partir de fotografias, o monólogo visual de estilo dramático possui trabalhos de Wagner Almeida, Cesário Triste, Elliot Erwuitt, Marlene Bergamo, Antoine D’Agata, Ana Carolina Fernandes, Dóris Haron Kasco, Loren McIntyre, Claudia Guimarães, Ana Mocarzel, Mônica Piloni, André Cypriano e Mário Cravo Neto. 

Após a apresentação inédita na cidade, tem início o lançamento da obra de Moura pela Terra Virgem Edições, que reúne textos que podem ser lidos como uma única narrativa ou individualmente. Intitulado Fulana despedaçou o verso, o livro é definido pelo autor como um drama de momentos íntimos e silenciosos.

A obra é uma sequência de conflitos envolvida em um diálogo entre ficção e realidade que parte de situações cotidianas, como algo que cai da janela de um edifício ou um grito na esquina do outro lado da rua. Com design de Letícia Moura, o livro relembra um caderno de anotações. Premiado no Brasil e no exterior, Diógenes Moura só entende a fotografia vendo-a como literatura. Atualmente, o escritor e curador trabalha no processo de finalização de sua primeira novela, intitulada A placa mãe.

Diógenes Moura nasceu na Rua do Lima, em Recife, Pernambuco. Foi eleito o Melhor Curador de Fotografia do Brasil pelo Sixpix/Fotosite, em 2009. No ano seguinte recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de melhor livro de contos/crônicas com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas (Ateliê Editorial). Com o mesmo título foi finalista do Premio Jabuti de Literatura 2011. 

Em 2012 foi curador de mostras importantes como Andy Warhol – Superfície (Museu da Imagem e do Som São Paulo), Interior Profundo – Mestre Júlio Santos (Pinacoteca do Estado de São Paulo), Dos Filhos Desse Solo? exposição que representou o Brasil no PHOTOIMAGEM 2012, na República Dominicana (MAM - Santo Domingo) e O Mais Parecido Possível – O Retrato (Pinacoteca do Estado de São Paulo). Em 2013 realizou a curadoria/edição da mostra Busca-me, de Boris Kossoy. 

Serviço
Diógenes Moura no Centro Cultural Sesc Boulevard. Nesta sexta-feira, 05, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 – em frente à Estação das Docas). Entrada Franca.

28.8.14

O Campo e a Cidade brinda início da Turnê Lusitania com ensaio aberto

“Estamos a caminho de Portugal para nossa primeira turnê além mar. E gostaríamos de chamá-los para nosso brinde num ensaio aberto”, diz Neto Rocha, músico fundador da banda “O Campo e a Cidade”, no convite aos amigos via redes sociais. Formada também por Marcello Gabay e Carlos Canhão Brito, o grupo segue para uma série de shows em Portugal.  O ensaio geral será realizado neste sábado, 30, no Z7 Studio, na Vila Madalena, em São Paulo, na véspera da viagem para a Europa. 

A banda realizará dois shows em Lisboa, mais dois em Évora e um em Coimbra. Serão vinte dias de intensa atividade musical, que inclui tocar na rua, nas praças, interagir com artistas e músicos portugueses. 

Para isso, além do ensaio geral de sábado, outros vem sendo realizados ao longo desta semana, já na capital paulista, ganhando a direção artística da atriz e diretora Michele Campos. Após a turnê, já de volta ao Brasil, a ideia é centrar na captação de recursos para o primeiro disco, cujo projeto foi contemplado pela Lei Semear, prevendo ainda a realização de um mini documentário. 

“A ideia é gravar o álbum com o resultado deste último ano de trabalho junto, já que O Campo e a Cidade agora é um trio e ganhou nova força percussiva”, diz Gabbay. O show apresentado em Portugal será realizado também em Belém, no dia 4 de dezembro, no Sesc Boulevard.

Primeiro Andar, que recebe um dos shows, em Lisboa 
“O Campo e a Cidade” é uma banda de sonoridades mistas, reúne as essências do campo, a velocidade poética da cidade. É resultado de um trabalho de pesquisa musical e histórica, iniciado por Neto Rocha e Marcelo Gabbay, em 2008. Há dois anos, com a criação de canções inspiradas no formato tão brasileiro das duplas, e na interseção entre o Pará e São Paulo, o trabalho vem se solidificando, com a contribuição do percussionista e baterista Carlos Canhão Brito Jr. 

A opção pelo formato em dupla, inicialmente, foi uma forma de resgatar as estéticas sonoras que compõem a canção brasileira, na interseção entre os códigos mais regionalizados e as sínteses sonoras mais globais. Nilson Chaves e Vital Lima, Kleiton e Kledir, Sá e Guarabira, Toquinho e Vinícius, Simon e Garfunkel, Moraes e Pepu, duplas criativas que de alguma forma estão relacionadas com uma referência a terra, ao lugar de origem, a saudade e a vida nas cidades grandes, aos conflitos do contemporâneo.

No formato de trio, com Carlos Canhão Brito, a sonoridade pau-e-corda do projeto ganhou corpo com experimentações sonoras contemporâneas. As cordas dos violões, banjo, e do contrabaixo, dividem textura com pau de chuva, taças de vidro, objetos de madeira, um garrafão de água mineral, sintetizadores, samples, efeitos e o trabalho vocal do grupo. 

O resultado é algo entre a sonoridade brasileira “anos 70” e a aura confessional instantânea da música popular contemporânea, que se reflete tanto no estilo cancioneiro como na forma de gravação, que revela o movimento de reconfiguração estética por que passa hoje a canção popular paraense.

Trajetória – Neto Rocha conta que a canção que deu origem ao projeto foi Flores. “No segundo semestre de 2012, mostrei a trilha de Flores pro Marcelo, ainda sem letra somente violões. 

E aí começamos novamente um papo sobre música, mas sem compromisso. Em Janeiro de 2013, eu já tinha a letra e a música toda pronta e enviei por e-mail pro Gabbay, que logo em seguida me ligou e disse: vamos montar uma dupla e um disco. A música tá linda e tal. E assim começamos”, conta Neto. Assim, "Flores" foi o primeiro registro, feito em abril/maio de 2013 em homestudio, como ponto de partida para concretizar a ideia de canções guardadas e arranjar de forma quase artesanal, com cordas e percussão.

“Essa canção é do Neto Rocha, mas sintetiza o espírito de junção campo-cidade, porque tem uma pegada pop e algo regional, como a sonoridade banjo com cordas de náilon (referência extraída das andanças do Gabbay pelo Marajó). Quando ficou pronta, vimos que essa síntese era o ponto de partida”, diz Marcello. 

A partir daí, eles iniciam uma série de shows igualmente artesanais ou "homemade", realizados em apartamentos, com repertório de estéticas do cancioneiro marajoara e da cena paulistana contemporânea, e com o objetivo também de colaborar para a formação de plateias em espaços culturais alternativos.

Após uma temporada de apresentações em espaços alternativos e em palcos tradicionais, em 2013, “O Campo e a Cidade” lançou um EP em Belém, no Teatro Cuíra. O EP intitulado "Dia de São João", traz cinco faixas. O disco também foi lançado em São Paulo, o lançamento ocorreu no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

Em novembro do mesmo ano, O Campo e a Cidade ainda foi selecionado para o projeto “Antessala”, da Dafiti, que visa lançar dez artistas independentes com apresentações no HSBC São Paulo, abrindo o show de Sandy Leah. Há mais informações sobre a banda, a circulação em Portugal, além de músicas e videos de ensaios para ver e ouvir, no blog  do grupo (http://ocampoeacidade.com.br/).

Serviço
“O Campo e a Cidade”. Turnê Lusitania. Dia 5 de setembro, no Espaço "Primeiro Andar"(22h)  - Rua das portas de Santo Antão 110, Lisboa. Dia 6, na "Casa da Zorra" (23h) - Rua Serpa Pinto 78, Évora. Dia 13, na "Galeria Santa Clara" (23h) - Rua António Augusto Gonçalves 67, Coimbra. Dia 17, na "SHE Sociedade Harmonia Eborense" (23h) - Praça do Giraldo72, Évora e dia dia 19, no "Ler Devagar" (23h) - Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa. Mais detalhes sobre os espaços onde o grupo vai tocar, na agenda: http://ocampoeacidade.wordpress.com/agenda/

25.8.14

Diretor francês compartilha experiência em Belém

Vicente Moon está em visita no Brasil, entre os meses de agosto e outubro, apresentando filmes, conferências, workshops, e performances ao vivo. Em Belém, o diretor parisiense realiza uma Cine Conferência, sob o tema “Filmes musicais do mundo”, no dia 6 de setembro, às 18h, no Centro Cultural Sesc Boulevard.

Segundo a revista New York Times Magazine, Vicente é um dos mais importantes cineastas franceses independentes da atualidade, com uma produção que não segue padrões da indústria cinematográfica. 

Conhecido por dirigir uma série de curtas com bandas como Phoenix, Yo La Tengo, Arcade Fire, REM, Tom Jones entre outras, além de filmes musicais independentes, ele foi o principal realizador de Concertos para o site “La Blogothéque”, de 2006 a 2009, projeto que tem como objetivo compartilhar vídeos musicais na internet. É fácil encontrar seu trabalho, filmes e gravações de música, de forma gratuita na internet, sob licença Creative Commons, acesse o site: www.vincentmoon.com

Parceria em Belém - Até 2013, Moon percorreu o mundo registrando imagens de rituais religiosos, músicas sacras e folclore local para sua coleção “Petites Planàtes” (Pequenos Planetas). 

Ele trabalha sozinho ou com pessoas que encontra na estrada, e na maioria das vezes, sem dinheiro envolvido nos projetos, tentando produzir e distribuir filmes sem seguir as normas estabelecidas pela indústria.

Exemplo disso foi a gravação do DVD “Live in Jurunas” da cantora paraense Gaby Amarantos, no qual Vincent Moon assinou a direção junto a paraense Priscila Brasil, em 2011. O DVD está na lista dos filmes que serão apresentados em Belém.

Serviço
Cine Conferência “Filmes musicais do mundo”, por Vincent Moon (FR). No próximo dia 6 de setembro, às 18h, no Cine Teatro do Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 – em frente à Estação das Docas). Entrada franca. 

21.8.14

9º Festival Se Rasgum abre em clima de festa

A abertura do evento, nesta última quinta-feira, 21, foi nota 10. A ideia de dar o start do festival no Teatro Margarida Schivasappa do Centur deu super certo e deu ares de boas vindas ao público. Foi uma noite de encontros entre “velhos amigos” e gerações diferentes de bandas e músicos, provocando a sensação de estar em uma grande confraternização.

A escolha das primeiras atrações foi perfeita, nos deixando entre a nostalgia dos velhos tempos e os ares de um novo momento. Bolas dentro. Foram apresentados dois trabalhos paraenses em ascendência, mas de gerações distintas, e um terceiro, com um artista da “velha guarda”, digamos assim.


Suavidade e juventude em Camila Honda

Camila Honda, que acaba de lançar seu primeiro CD, abriu a programação. Voz suave, com um repertório divertido e juvenil, ela encantou a plateia. Há cerca de dois anos na cena, Camila desponta ao lado de outras cantoras, como Natalia Matos e Luê, que também acabaram de lançar o primeiro CD, e de Aila que, com um pouco mais de chão, já está indo em busca do segundo disco. 

Todas elas, além de outros artistas dessa nova geração, fazem parte dessa nova fase da produção musical no país, ligada à distribuição digital, com recursos de editais, via Lei de Incentivo e outros métodos independentes de financiamentos. Camila Honda segue como promessa de uma bela carreira, ainda se acostumando com o palco. 

Ontem fez apresentação com figurino adequado ao seu estilo e repertório que está no disco de estreia. Agradou. Foi acompanhada por Arhur Kunz na bateria e Leo Chermont, na guitarra (eles integram a banda em duo Strobo), além de Maurício Panzera (Clepsidra), no contrabaixo e Marcel Barreto em mais uma guitarra.

Antonio Novaes fez um show vibrante

Em seguida entrou em cena Antonio Novaes, que embora ainda não tenha lançado o primeiro CD da carreira solo, já é mais conhecido do cenário musical de Belém, por ter integrado, nos anos 1990, A Euterpia. 

A banda, que na época fez toda diferença, é até hoje lembrada e cultuada por muitos. Antônio mandou no show várias canções que fizeram parte do repertório da antiga banda, como “Dentro da Caixa”, que chegou a ser gravada no CD “Revirando o Sótão” (Na Music /2006), e outras que foram só executadas pelo grupo na fase paulista, entre 2008 a 2010, como “Salve Zé”, “Tenha mais cuidado”, entre outras, todas composições de Antônio, que integram o projeto Antônimo, CD que está em fase de captação.

A banda que o acompanha, com a talentosa e experiente cantora Cacau Novais, o baterista Adriano Souza, o contrabaixista Príamo Brandão, além do trompetista Thél Silva, o trombonista Jô Ribeiro e o saxofonista Marcos Puff, somados ao próprio Antônio, na voz e piano elétrico, contribuíram para a excelente apresentação. Foi um show de som encorpado e vibrante, cênico, visceral. Camila Honda deu palhinha na última canção “Do Tamanho do Mundo”. É a quarta vez que vejo este show. O público vibrou.

Nei Lisboa, um "velho" querido do público de Belém 

A noite fechou com Nei Lisboa, que abriu o show dizendo o quanto Belém continua o surpreendendo com recepções calorosas. Mas isso não é milagre ou resultado da grande mídia. Tem explicação. 

Quando Nei veio pela primeira vez em Belém, nos anos 1990, já tinha público, um mérito cavado pelo quarteto de programadores da Rádio Cultura do Pará, na época, formado por Beto Fares, hoje diretor da rádio (e que estava lá na plateia, claro), Toni Soares, que hoje segue carreira solo de cantor e compositor (ele integrou antes os grupos Porta de Casa e Pavulagem), Mariano Klautau Filho, jornalista, hoje seguindo a carreira acadêmica da semiótica e fotografia, em São Paulo, e Cesar Nunes, que continua trabalhando na rádio. 

Eles foram os responsáveis por ouvirmos naquela época Nei Lisboa, quando este sequer tocava no sudeste e em outras regiões do país. Um verdadeiro achado, como também aconteceu com Dulce Quental e o próprio Arrigo Barnabé, que embora tivesse uma carreira anterior a destes dois, passou a ser reconhecido pela geração anos 1990 de Belém, ganhando público maior por aqui. Todos vieram fazer show naquela época, lotando o Margarida Schivasappa,  por arte e graça desses quatro programadores. 

Não é mera coincidência... 

Daí que, por ironia do destino, Nei Lisboa entrou para o staff artístico do festival deste ano, e pela primeira vez, na vaga de Arrigo Barnabé, que viria com o projeto que inclui a banda feminina  “As Histéricas”, mas desistiu em cima do lance. Daí que a primeira vez de Nei Lisboa em Belém, também foi no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. 

A segunda, quatro anos atrás, também, e isso no apagar das luzes para o fechamento do teatro, para a reforma que durou até este ano.  Nei Lisboa, feliz, volta agora, justo em sua recente reinauguração. Elogiou a organização do festival, os músicos paraenses e o próprio teatro. 

Nei Lisboa é de uma geração anterior a das bandas paraense que se apresentaram, vindo da época em  que a indústria fonográfica iniciava seu declínio, um momento em que editais não existiam. 

Dentro de seu tempo, presente, tocou e cantou músicas do mais novo CD, o álbum “A Vida Inteira”, produzido com recursos obtidos através da plataforma Crowdfound do Catarse, que funciona com doações do próprio público que por sua vez recebe em troca, muitas vezes, o próprio CD como recompensa. É uma das mais novas formas de se financiar cultura no país.

Tocou velhos sucessos, como “Telhados de Paris”, que já estava incluso no repertório da noite, e outros que o público pediu aos gritos, como “Babalu”, “Balada” e "Cena Beatnik", "Faxineira Fascinante", entre outros, para delírio geral da galera. Ao lado dele, que tocou violão também, os fiés escudeiros, os músicos Paulinho Supekovia, na guitarra, vocais e violão, Luis Mauro Filho, no teclado e vocais e Giovani Berti, na bateria, percussão e voz. 

O cantor se mostrou feliz. Mais uma vez,  com o calor do público paraense, como já é de praxe, tocou uma hora a mais do previsto, para o quase desespero da organização, pois fugiu ao tempo comprometido com o teatro. Fazer o que? Nós amamos! Ponto pra Marcelo Damaso e Renee Chalu, com sua equipe, por não desistirem nunca. 

Ainda de tarde, nesta mesma quinta-feira, tive o prazer de encontrar Nei Lisboa e Damaso, nos bastidores do programa Sem Censura Pará, na Tv Cultura. Claro que rolou uma exclusiva. O bate papo será publicado também aqui no blog. 

Enfim, a noite foi memorável. O festival chegou com o pé direito, num clima ótimo, com uma programação que se estenderá até dia 23, sábado, no Hangar Centro de Convenções e Feiras. Hoje, porém, a festa segue no anfiteatro da Estação das Docas, com os shows, gratuitos, da Orquestra Contemporânea de Olinda (PE) e os grupos Camarones  (RN) + convidados, Biltre (RJ) e UltraNova (PA). Mais informações sobre a programação, no site do festival: http://www.serasgum.com.br/

19.8.14

Mestre Vieira e o Sotaque da Guitarra na TV Brasil

Entre os dias 03 e 07 de novembro do ano passado, a equipe do programa “Visceral Brasil – as veias abertas da música” veio ao Pará. Gravou um episódio sobre e com Mestre Vieira. Além dele, foram ouvidos músicos e pesquisadores da guitarrada. O resultado dessas gravações será exibido quarta-feira, 20, às 23h, com reprise no sábado, às 22h, pela TV Brasil (via TV Cultura do Pará). E aqui no blog você fica sabendo um pouco mais sobre este trabalho, na entrevista do blog com a documentarista Márcia Paraíso, responsável também pelo roteiro e direção do episódio.

Este ano Mestre Vieira vai completar 80 anos. Tem disco novo, de músicas inéditas, para ser lançado, em outubro, se tudo der certo, pela gravadora Na Music, com produção independente. Chama-se “Guitarreiro do Mundo” e foi gravado com os mesmos recursos com que foi feito o “Guitarrada Magnética”, que reúne os mais recentes sucessos do guitarrista, em Barcarena em um estúdio simples. Além disso, o DVD 50 Anos de Guitarrada – Ao Vivo no Theatro da Paz está na rua, pode ser encontrado nas lojas Na Figueredo e Fox Video.

A história de vida e obra de Joaquim de Lima Vieira vem despertando interesse de diversos documentaristas que já vieram ou estão por vir ao Pará, interessados em sua música. No ano passado, além da equipe do programa Visceral, também esteve em Belém e Barcarena, a produtora Plural Filmes, que produziu o “Ritmos do Pará”, programa exibido no Canal Bis/Multishow, abordando a música paraense em geral, destacando também a guitarrada. Fiz a produção local do programa, o que acabou rendendo uma entrevista para o Holofote Virtual..

Antes disso, em 2012, foi a vez de Charles Gavin, baterista dos Titãs, gravar aqui várias entrevistas, entre elas uma com Mestre Vieira que encabeça e se destaca no capítulo especial sobre a guitarrada. O músico e apresentador do “Música Adentro”, exibido pelo canal Brasil, chegou a usar imagens inéditas do longa documentário que estou finalizando sobre a trajetória do Mestre, intitulado “Coisa Maravilha”.

Esta semana, uma outra equipe de audiovisual do país está por aqui. A produtora  Miração Filmes, que produziu a série sobre sanfoneiros no Brasil, destacando a trajetória de Dominguinhos, agora quer saber do sotaque criado por Vieira para a guitarra.

Tudo isso porque Mestre Vieira põe em cheque opiniões mais convencionais sobre a impossibilidade de popularização da música instrumental no Brasil, como disse Márcia Paraíso, do Visceral Brasil, figura admirável, que tive o prazer de conhecer e acompanhar em dois dias de gravação em Barcarena, município em que nasceu e vive Mestre Vieira.

O músico, hoje com 79 anos, é responsável pela criação de uma genuína linhagem de guitarristas na Amazônia. Na década de 70, seu disco Lambadas das Quebradas solidificou o gênero conhecido como "guitarrada" e popularizado nos anos 80 sob o rótulo de lambada.

Márcia constatou o que nós aqui sabemos muito bem, que a originalidade musical de mestre Vieira está no aprimoramento de uma técnica única de execução para a guitarra elétrica. “As guitarradas são composições instrumentais onde a guitarra solo faz o papel principal, embalada por ritmos como a cúmbia, o merengue e o carimbó, entre outros”.

O episódio que será exibido nesta quarta e neste sábado apresenta Joaquim de Lima Vieira, que influenciado pelo choro, revelou-se um virtuose ainda na infância. Ao começar no bandolim, passou ao banjo, ao cavaquinho, ao violão e a instrumentos de sopro, como o saxofone, antes do encontro com a guitarra, já nos anos 1960.

“Inventivo, lançou mão de seus conhecimentos de radiotécnico para fabricar seus primeiros amplificadores caseiros. Mas a cidade ribeirinha de Barcarena não possuía luz elétrica na época. A solução de Vieira foi usar auto-falantes de rádios desmontados e baterias de caminhão”, diz o texto de apresentação no site do Visceral.

A exibição da série Visceral Brasil - as veias abertas da música iniciou em abril deste ano, sempre pela TV Brasil - TV Pública. Ao todo são 13 capítulos, sendo que os dois últimos ainda estão sendo realizados para irem ao ar em dezembro. Para saber mais sobre a série, acesse o link: http://goo.gl/30WR4s. Há também teasers e clipes musicais dos episódios já gravados, disponíveis no http://vimeo.com/pluralfilmes. E mais, abaixo segue um bate papo com a diretora e roteirista do Visceral Brasil, Márcia Paraíso.

Holofote Virtual: Quem conhece Mestre Vieira de perto diz que vive uma experiência única. Em mim causa emoção, admiração e respeito profundo. Ele é uma figura muito amável, gosta de contar piadas, enfim, um privilégio estar perto dele, sem dúvida. Como foi o seu contato com ele?

Márcia Paraíso: Eu me senti uma privilegiada em poder estar pertinho, por tantos dias, conversando, trocando, aprendendo com ele como com todos esses mestres da cultura brasileira com quem venho estabelecendo contato. Trabalhei muito para conseguir hoje fazer o que faço: documentar pessoas que são o patrimônio imaterial brasileiro. Sinto-me no meu chão, em viajar pelo Brasil conhecendo histórias de gente que segurou a cultura de um lugar, mantendo uma tradição, muitas vezes sem qualquer valorização pelo que fazem.

Holofote Virtual: Como você concretizou a ideia do Visceral?

Márcia Paraíso: Um dia "a fome esbarrou na vontade de comer": conheci a produtora cultural Carla Joner, que na época trabalhava no Governo Federal e, com o projeto Brasil Rural Contemporâneo, juntou no mesmo palco a cultura de raiz com a música pop contemporânea. 

Juntas, desenvolvemos alguns trabalhos e surgiu o rascunho do projeto Visceral Brasil: uma série de documentários registrando os Mestres da Cultura brasileira, alguns grupos de música brasileira raiz e suas origens, ou ainda: o que os fez músicos? Que universo, ambiente, relações que os fizeram canalizar as energias para a criação musical?  O projeto demorou três anos para se concretizar e hoje já estamos, com a filmagem de Mestre Vieira, no décimo primeiro episódio.  

Holofote Virtual: Fazer documentário se tornou uma febre no país, o que eu acho ótimo, mas cada documentarista desenvolve seu método, sua maneira de filmar e contar uma história.

Um documentário tenta ser amplo, mas nunca é a pura realidade, pois acaba sendo um recorte do teu olhar de documentarista.

Alguns diretores fogem do lugar comum, outros nem acham isso necessário, diante da importância do objeto observado. No teu caso, como elaboras cada episódio pro Visceral, quais os caminhos do teu roteiro?

Márcia Paraíso: A seleção dos personagens - dos Mestres e grupos viscerais - ou seja, a curadoria de Visceral Brasil - ficou sob responsabilidade de Carla Joner. A ideia era reunir figuras de diversas regiões brasileiras, e daí surgiram os 13 nomes, todos já conhecidos de Carla: Bule Bule e Zambiapunga (Bahia), Zabé da Loca (Paraíba), Coco Raízes de Arcoverde e Arlindo dos 8 baixos (Pernambuco), Giba Giba e seu tambor de sopapo e Pedro Ortaça (Rio Grande do Sul), Mestre Humberto do boi de Maracanã (Maranhão), Dona Onete, Mestre Vieira e Mestre Laurentino (Pará), Marlui Miranda e os índios Suruí (Rondonia) e Dona Maria do Batuque (Minas Gerais). 

Holofote Virtual: Mas você segue uma lógica para todos?

Márcia Paraíso: Busquei na série fazer 13 programas completamente diferentes. Os episódios vêm de encontro com o perfil de cada artista e uma investigação sobre a região onde nasceram e onde vivem. O ponto em comum e que os une, além da "visceralidade musical" é que todos não estudaram música e pouco tiveram acesso à educação formal. São totalmente instintivos e autodidatas, daí a necessidade que senti em falar de seus lugares, suas origens - a raiz - para podermos entender, registrar e revelar suas obras.

Holofote Virtual: Adianta aqui um pouquinho do que imprimiu do Vieira, no episódio do Visceral ...

Márcia Paraíso: Já tinha visto Mestre Vieira tocando, inclusive o vi dividindo palco com Laurentino. Mas não o imaginava uma figura tão simples e tão bem humorada. Meste Vieira é puro calor, ele emana aconchego. E é uma figura profundamente apaixonada pelos filhos, pela família. Ele é a base. O desafio foi tentar imprimir esse "espírito" Vieira ao filme.

Mas o mais impressionante é ouvir de perto a história da criação de um gênero musical, de seu próprio criador. Tenho profundo respeito por Vieira, ele é um gênio. E passar alguns dias registrando um gênio e sua música nos fortalece - a mim, a toda a equipe e o projeto visceral.