23.7.14

Carlos Lobo: o projecionista de sonhos partiu!

É com tristeza que publico aqui um texto de adeus ao projecionista Carlos Lobo, enviado pela equipe do Cine Líbero Luxardo, onde ele trabalhou por décadas. Os anos de convivência dele com a turma do cinema de Belém foram repletos cumplicidades, amizade e respeito. Carlos Lobo leva consigo muitas histórias e uma parte preciosa da história do cinema paraense ligada ao cineclubismo e a tantos  outros momentos inesquecíveis, que ele acompanhava ali de sua cabine de projeção. Ele segue e nós ficamos, agora com a sua imagem projetada nas nuvens e em nossos sonhos, uma  lembrança que não será apagada. 

Carlos Paraguassú Lobo Penha, ou simplesmente Carlos Lobo, ficou conhecido como grande projecionista do cinema paraense. Internado por problemas na tireóide, devido a complicações, faleceu no último domingo, dia 20 de julho, aos 51 anos de idade. Deixou sua dedicação ao cinema marcada na história. História esta que se mescla à do cinema que ajudou a inaugurar: o Cine Líbero Luxardo.

Quando fundado em 1986, o cinema teve como seu projecionista o jovem Carlos Lobo, que também iniciava sua carreira por trás do projetor. No documentário "Cine Líbero Luxardo", de Patrícia Lio, realizado em 2004, Pedro Veriano, se referiu ao projecionista como alguém que “começou como um aprendiz e hoje é um mestre”.

Atualmente, Carlos Lobo era projecionista do Cine Estação, da Estação das Docas; prestava serviços ao Museu da Imagem e do Som; e serviços de manutenção ao Cine Líbero Luxardo, da Fundação Cultural do Pará (FCPTN/Centur), para o qual retornaria como projecionista no próximo mês.

No domingo, as sessões do Cine Líbero seriam canceladas para homenageá-lo, mas a direção optou por aquela que seria vontade de Carlos Lobo. “Ele ficava muito incomodado quando uma sessão precisava ser cancelada. Dizia que só devia cancelar em último caso. Que o público precisava daquilo”, conta Patrícia Lio, gerente do Cine Líbero.

E tudo que aprendeu na prática também repassou a muitos profissionais, como André Martins, um dos atuais projecionistas do Cine Líbero. “Era um cara bacana, tranquilo e disponível para todos. Tive uma convivência com ele de seis anos. O que hoje eu sei do Líbero, do meu trabalho, foi ele quem me passou”, declara.

Serviço
As sessões do Cine Líbero Luxardo, entre os dias 23 e 27/07, foram canceladas por motivo de luto em decorrência ao falecimento do projecionista Carlos Lobo. As sessões do Líbero voltarão normalmente na próxima semana, com a comédia dramática ‘A grande Beleza’. Informações sobre o filme em cartaz, como dias e horários das sessões, serão divulgadas em breve.

18.7.14

Workshop discute as relações humanas na arte

Seguem abertas até o dia 25 de julho, as inscrições para o workshop “Convívios: Processos colaborativos como espaços de aceitação do outro”, com Ricardo Macêdo. O curso será realizado de 4 a 8 de agosto, no atelier do Instituto de Artes do Pará. Para participar, é necessário levar uma câmera fotográfica digital e um álbum de família.

Como viver junto? A temática explora um contexto ligado à colaboração, ao convívio, à coautoria e à parceria. As formas de lidar com as diferenças culturais, sociais e econômicas provindas do "outro" dentro dessas situações ainda se mostram como um problema a ser levado em conta. A partir desses questionamentos, o workshop pretende auxiliar no diálogo da apropriação de espaços como ateliês, galerias de arte e demais locais de exposição e experimentação artística.

Para Ricardo Macêdo, perguntas como: “Quais os meios de intermediar processos colaborativos e conviviais?” e “Qual a importância do lúdico, da proximidade e da temporalidade nesses agenciamentos?” estão no centro das construções que pretendem ser desenvolvidas. Segundo Ricado, “a finalidade de buscar alternativas estratégicas e táticas para uma melhor mediação se faz necessário, quando paramos para pensar em quais referências estão sendo utilizadas e como as adequamos à realidade da comunidade, do bairro e do proponente”.

Ricardo é Mestre em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem formação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e em Design de Interiores pelo antigo Cefet, atual Instituto Federal do Pará (IFPA). 

Já ministrou diversas oficinas sobre percepção visual, teoria da informação e fotografia e tem trabalhos realizados em salões e exposições como Arte Pará e Arte Performance Brasil, no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro.

Serviço
“Workshop Convívios: Processos colaborativos como espaços de aceitação do outro”, ministrado por Ricardo Macêdo. Período: de 4 a 8 de agosto. Local: Atelier do IAP. Horário: 8h às 12h. Nº de vagas: 20. Inscrições gratuitas: de 7 a 25 de julho.  Mais informações no site do IAP: www.iap.pa.gov.br

15.7.14

Vem aí mais música no Festival Cultura de Verão

A programação iniciou semana passada com lançamento do CD “Mestre Laurentino e os Cascudos”. Nesta quarta, 16, tem Joelma Kláudia, Félix Robatto e o coletivo Samba de Artista. No Anfiteatro São Pedro Nolasco, às 20h. Além dos shows, o festival também tem cinema, a partir das 19h, tem exibição de filmes no Cine Estação, dentro da Mostra Pará - em parceria com o IAP. 

Vamos começar de trás pra frente. A noite vai encerrar com um coletivo formado por alguns dos mais respeitados nomes do samba paraense. O Samba de Artista reúne Bilão da Canção, João Lopes, Ademir do Cavaco, Marquinho Melodia e Júnior Bambo, acompanhados pelos músicos Maurinho, Jacinto Kahwage, Príamo Brandão, Marcos Puff, Marcelinho, Heraldo Seabra, Muka, Wilson Monteiro, Bruno e Meninéia. O repertório traz clássicos do samba paraense consagrados no programa “Clube do Samba”, da Rádio Cultura FM.

Guitarrada - O guitarrista Luiz Félix Robatto é a segunda atração. Em 2004, fundou a banda La Pupuña, que lançou dois discos – “The Charque Side of The Moon” (2007) e “All Right Penoso!!!” (2008) – circulando pelo Brasil e pelo exterior com a “guitarrada progressiva”, uma mistura do estilo paraense com influências de surf music e psicodelia.

Ex-integrante da banda de Gaby Amarantos e produtor musical do elogiado álbum de estreia da cantora, Félix finaliza agora seu primeiro disco solo, “Equatorial, Quente e Úmido”, que será lançado no segundo semestre.

No Festival Cultura de Verão, o repertório será quase 100% autoral, com músicas como “Ilha do Marajá” e “Amazônia Big Rave” dividindo espaço com hits da época do La Pupuña, como “São Domingos do Surf” e “Só a galera”. Félix promete uma noite dançante, aos moldes da “Quintarrada”, baile que tem agitado as noites de quinta-feira, no Templários. “Estamos formando um público bacana. A cada semana chega mais gente”, diz ele, animado.

O show na Estação das Docas abre a temporada de apresentações neste segundo semestre. “Vamos tocar na Feira da Música de Fortaleza e também no Festival Se Rasgum”, antecipa o músico, acrescentando que, antes do lançamento do disco, o público poderá sentir o gostinho do novo trabalho com um EP, que chega ao mercado entre agosto e setembro.

Rock e pop - Joelma Kláudia nasceu numa família musical. O pai, Joel Pinto, liderava uma banda gospel em Altamira, sudoeste do estado, onde ela nasceu. Fez aulas de canto e mudou-se para Belém, para aprimorar-se no violão, mas o desejo de cantar falou mais alto. Fã de rock, jazz, blues e MPB, Joelma estreou como cantora em 2003, na banda Os Nômades, mas logo seguiu para carreira solo. O primeiro disco, intitulado “Dias Assim”, foi gravado em 2010.

No Festival Cultura de Verão, a artista pretende mostrar ao público um pouco do seu novo trabalho, “Amazônia Lounge”, em fase de pré-produção.

“São músicas de diversos compositores paraenses numa ambiência eletroacústica”, antecipa. No repertório, nomes como Júlio Freitas, Maria Lídia, Walter Freitas e Átila Milhomem, conterrâneo da cantora. “A proposta é fazer uma releitura de músicas conhecidas, numa versão lounge”, diz ela.

Nilson Chaves fará uma participação especial no show, dividindo com a artista a interpretação da música “Velhos Sonhos”. No palco, Joelma é acompanhada por Jó Ribeiro (teclado e trombone), Toninho Abenatar (saxofone), Ademir (bateria), Príamo Brandão (contrabaixo) e Renato Torres (guitarra).

Para Joelma Kláudia, apresentar as novas versões antes da gravação do disco é interessante para sentir a receptividade do público. “É muito importante esse feedback”, comenta a artista, que pretende lançar “Amazônia Lounge” no final deste ano. “Essa é a minha primeira vez no Festival Cultura de Verão. Estou superfeliz”.

Serviço
8° Festival Cultura de Verão. Dia 16 (quarta-feira), com filmes no Cine Estação (19h) e shows no Anfiteatro São Pedro Nolasco (20h). O encerramento, dia 23, na Estação das Docas, tem mais cinema e shows de Espoleta Blues, Cronistas da Rua e Arraial do Pavulagem. A entrada é franca.Realização: Cultura Rede de Comunicação. Apoio: Guarda Municipal de Belém, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob), Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Secretaria de Saneamento (Sesan) e Instituto de Artes do Pará (IAP).

11.7.14

9ª edição do Festival Se Rasgum chega mais cedo

A 9ª e consecutiva edição em Belém adiantou para agosto a celebração musical que reúne os maiores nomes da nova música brasileira junto a destaques do cenário paraense e grandes promessas musicais nacionais e internacionais. De 20 a 23, de quarta a sábado, no Teatro Margarida Schivasappa, Estação das Docas e Hangar – Centro de Convenções da Amazônia. 

Serão 27 bandas espalhadas em quatro dias de programação, um deles aberto ao público. Este ano, o Festival Se Rasgum tem o patrocínio master da Petrobras através do Programa Petrobras Cultural; patrocínio da Funarte - através do edital para Realização de Encontros, Seminários, Mostras, Feiras e Festivais - e da telefonia Oi, através do edital Oi Futuro, além da Draft, nossa cerveja oficial.

Além dos shows já anunciados de Arnaldo Antunes, Silva, Vanguart, Nei Lisboa e da argentina El Mató a un Policía Motorizado, o Festival integra ao grande elenco nomes em ascensão da música local, nacional e internacional. 

Da música paraense, cinco nomes já foram escolhidos através das Seletivas Se Rasgum, realizadas entre junho e julho em Belém e Bragança. Dela saíram Meio Amargo, A República Imperial, Camila Honda, Ultranova eSimetria Oposta. Os outros artistas paraenses que se apresentam no Festival deste ano, convidados pela curadoria, são: Felipe Cordeiro, Jaloo, Félix Robatto, Antonio Novaes e as roqueiras Molho Negro, Turbo e Aeroplano – lançando discos novos em 2014.

Shows exclusivos - O Festival este ano traz um dos grandes nomes do rock brasileiro dos anos 80, a paulistana Violeta de Outono, que terá a participação especial do guitarrista paraense Pio Lobato. 

De Natal, a banda Camarones Orquestra Guitarrística também terá participações especiais, com a participação de Camillo Royale e João Lemos completando um time de quatro guitarras em cima do palco. E os irmãos André e Murilo Faria, voltam a Belém acompanhados de sua banda completa: a Aldo The Band.

Internacionais - Além da já anunciada El Mató a Un Policía Motorizado, banda de indie rock argentina que acaba de vir de uma turnê pela Europa com passagem pelo concorrido Primavera Sound, o Festival Se Rasgum traz exclusivamente para Belém a banda norte-americana Bass Drum of Death. Para fãs de Nirvana, Dinosaur Jr e Black Keys, o trio do Mississippi se destacou com a música “Crawling after you”, no jogo de vídeo game GTA V, e vem espalhando seu som garageiro com forte influência dos anos 90 pela Europa e Estados Unidos.

Estreias em Belém - E sempre prezando pelo ineditismo, o Festival Se Rasgum traz, pela primeira vez, três grandes nomes do underground carioca: a reunião de estrelas do Acabou La Tequila (que tem entre seus integrantes Renato, da banda Canastra, Nervoso, Kassin e Rodrigo “Barba”, dos Los Hermanos), o indie rock com 23 anos de estrada da banda Pelvs e a malucada cênica, macumbeira e pesada do Gangrena Gasosa. 

E a outra lenda carioca que também se apresenta pela primeira vez em nossas terras é Gerson King Combo, aos 69 anos, conhecido como o “rei do soul brasileiro”, que vem acompanhado de sua banda Supergroove para uma grande apresentação de black music com naipes de metal e muito swing. Ainda do Rio de Janeiro, a banda Biltre vem com seu “psyco-stereo-funk” e um som dançante para a noite gratuita da Estação das Docas.

Headlines - Os já anunciados Vanguart e Arnaldo Antunes fecham as noites de 22 e 23 de agosto, respectivamente. No dia 21 de agosto, na Estação das Docas, a Orquestra Contemporânea de Olinda fecha a programação da noite gratuita com seu show contagiante e pra fazer todo mundo dançar. E, abrindo a programação do Festival, na quarta-feira, 20 de agosto, o gaúcho Nei Lisboa será o headline da noite no Teatro Margarida Schivasappa.

Documentários Musicais – Dando prosseguimento à mostra iniciada no ano passado, a produção do Festival Se Rasgum está programando documentários novos e inéditos, como “Mobília em casa”, dos Móveis Coloniais de Acaju, que terá a presença de dois integrantes da banda durante seu lançamento. A programação completa – que ainda inclui o lançamento e exibição de videoclipes de artistas paraenses - e o local serão divulgados em breve em nosso site.

Profissionalição– Projeto que integra às ações formativas do Festival com atividades (oficinas, workshops, encontros e debates) que não apenas preenche a programação como é fundamental para o desenvolvimento e sustentação do mercado da música, traz novos temas e dicas de ferramentas de trabalho para desenvolver o trabalho na música com bandas e artistas locais, além de profissionais do mercado da música. Todas as atividades, que são inteiramente gratuitas, também serão divulgadas em breve em nosso sitewww.serasgum.com.br

PROGRAMAÇÃO

MARGARIDA SCHIVASAPPA – QUARTA-FEIRA 20.08
(a partir das 20h – ordem decrescente)
  • Nei Lisboa (RS)
  • Antonio Novaes
  • Camila Honda
ESTAÇÃO DAS DOCAS – QUINTA-FEIRA - 21.08
         (a partir das 20h – ordem decrescente)
  • Orquestra Contemporânea de Olinda (PE)
  • Camarones Orquestra Guitarrística (RN) + convidados
  • Biltre (RJ)
  • UltraNova 
HANGAR - SEXTA – 22.08
(a partir das 20h – ordem decrescente) 
  • Vanguart (MT)
  • Gerson King Combo (RJ)
  • Silva (ES)
  • Félix Robatto
  • El Mató a Un Policía Motorizado (Argentina)
  • Aldo The Band (SP)
  • Gangrena Gasosa (RJ)
  • Meio Amargo
  • Aeroplano
  • A República Imperial
 HANGAR - SÁBADO – 23.08
        (a partir das 20h – ordem decrescente)
  • Arnaldo Antunes
  • Felipe Cordeiro
  • Acabou La Tequila (RJ)
  • Jaloo
  • Bass Drum of Death (EUA)
  • Pelvs (RJ)
  • Violeta de Outono (SP) feat. Pio Lobato
  • Turbo
  • Molho Negro
  • Simetria Oposta
INFORMAÇÕES – Todas as informações sobre o Festival Se Rasgum estarão disponíveis no site (www.serasgum.com.br/festival ) e nas redes sociais do festival (facebook, flickr, instagram, youtube, twitter/serasgum)

INGRESSOS – Os ingressos e passaportes para as noites no Hangar e Teatro Margarida Schivassapa serão vendidos em breve nas lojas Ná Figueredo e quiosque do Boulevard Shopping. A pré-venda começa nesta sexta-feira, 10 de julho, pelo site: www.sympla.com.br/serasgum.

Os preços de ingressos promocionais (meia-entrada) serão:

R$ 25 antecipado (por dia, no Hangar)
R$ 40 passaportes antecipados (para os dois dias no Hangar)
R$ 20 antecipado (para o Teatro Margarida Schivasappa)

(Texto da assessoria de imprensa do Se Rasgum)

8.7.14

Banguê Engole Cobra aterrisa no Sesc Boulevard

O grupo traz a cultura do Baixo Tocantins para a pauta sonora do Sesc Boulevard, nesta quinta-feira, 10 de julho. O evento começa às 18h30, com um bate papo com Mestre Vital, e com exibição de um documentário. O show terá início às 19h30. Entrada franca.

Mestre Vital é um desses heróis amazônidas que talvez seja desconhecido pela maioria das pessoas. Nesta quinta (10), ele estará no Centro Cultural Sesc Boulevard para conversar sobre os mais de 40 anos dedicados à produção cultural no baixo Tocantins. Criador do personagem mítico “Engole Cobra” e cheio de histórias para contar, Mestre Vital é convidado especial do evento “Sonoridades e Memórias no Rio Tocantins”, produzido em parceria com alunos da Estácio FAP.

Além do bate-papo, haverá exibição de material audiovisual produzido por Paulo  Castro, aluno de publicidade, montado a partir de pesquisa feita no Rio Tocantins entre 2013 e 2014 pela Casa Fora do Eixo Amazônia e por alunos do projeto de extensão universitária Cartografias Amazônicas da FAP. Para mediar a conversa, os convidados da noite são Viviana Menna Barreto, pesquisadora de cultura amazônica; e Fábio Ramos, músico e produtor.

Personagem curioso, Mestre Vital foi responsável pela criação de um outro personagem mais curioso ainda – o Engole Cobra, ave pré-histórica que seria devoradora de homens corruptos. 

A criatura acabou sendo incorporada como parte da cultura cametaense, e pode ser explicada pelo contexto que inspirou Vital a criar seu primeiro grupo musical – os anos 90, em que os caras-pintadas tomavam as ruas do país para pedir o impecheament de Fernando Collor de Melo.

A programação desta quinta não poderia ficar completa sem a apresentação de Vital, com muito siriá, brega e banguê tocados pelo mestre e por seus músicos acompanhantes, que manejam viola, zabumba e onça. Oito músicos de Belém que participam da gravação colaborativa do CD de Vital também fazem participações no show.

Serviço
“Sonoridades e Memórias do Rio Tocantins”, com Banguê Engole Cobra. Nesta quinta-feira, 10, às 19h30. Antes, ás 18h30, tem bate-papo com Mestre Vital. No Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas).  Mais informações: (91) 3224-5305 / 3224-5654 (Suelen Silva - Sesc Boulevard).

(Texto enviado pela assessoria de imprensa do Sesc Boulevard)

7.7.14

Bragança sedia 1º festival internacinal de cinema

As inscrições para o I Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA vão até setembro. O evento será realizado entre os dias 12 e 15 de dezembro, destacando o papel do cinema, do vídeo e da produção audiovisual em geral na construção de uma sociedade mais justa e solidária, sendo uma jornada cultural sem fins lucrativos que busca inverter a lógica do mercado audiovisual para potencializar a liberdade criativa.

A iniciativa nasce da necessidade de se criar mais uma porta para o intercâmbio entre realizadores e produtores das mais diversas origens e com as suas infinitas propostas de linguagens estéticas e de formas de captação, fora dos mercados tradicionais e mais próximos das comunidades locais.

O espaço é aberto para filmes e/ou vídeos curtas, médias e longas metragens de qualquer gênero ou temática. Cada realizador poderá submeter apenas uma obra ao FICCA. Os interessados deverão preencher e assinar a ficha de inscrição e enviá-la para: I FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO CAETÉ - FICCA - Avenida Marechal Floriano Peixoto, 1650 / Centro – Bragança – Pará – CEP: 68600-000.

As inscrições encerram no dia 17 de setembro de 2014 (observando-se a data de postagem nos correios). As fichas de inscrição e alguns materiais digitais também poderão ser recebidas no e-mail: ficcacinema@gmail.com

Todos os filmes e/ou vídeos - selecionados ou não - passarão a fazer parte do acervo da videoteca da Academia de Letras do Brasil – Seção Bragança, parceira deste Festival, que os utilizará com fins educativos, sem que os mesmos venham a ser comercializados ou reproduzidos. A curadoria do I Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA é de responsabilidade do poeta e realizador de cinema, o professor-mestre e jornalista Francisco Weyl.


Contatos:
FICCA (ficcacinema@gmail.com)
Francisco Weyl (carpinteirodepoesia@gmail.com)
Telefones: (91) 96422018 / 88212419

3.7.14

Se Rasgum: Sai Arrigo Barnabé e entra Nei Lisboa

O gaúcho entra na programação após cancelamento de Arrigo Barnabé. O artista se apresentará no Teatro Margarida Schivasappa, dia 20 de agosto, na abertura da programação. Nei Lisboa se apresentará dia 20 de agosto, no Teatro Margarida Schivasappa.  O 9º Festival Se Rasgum, que anunciou a mudança na programação, explica que Arrigo optou por não participar desta edição para se dedicar a outros projetos.

Durante as Seletivas Se Rasgum, em Belém, foram anunciados 5 dos 27 nomes que compõem a programação da nona edição do Festival. E junto com Arnaldo Antunes (SP), Vanguart (MT), Silva (ES) e El Mató a Um Policía Motorizado (Argentina), a programação inclui ainda os vencedores das Seletivas, as bandas locais: Meio Amargo, A República Imperial, Camila Honda e UltraNova.

Agora, quem volta a Belém é o gaúcho Nei Lisboa, uma das maiores referências da música urbana produzida no Rio Grande do Sul. Sua musicalidade eclética, rebelde e cheia de humor serviu – e continua servindo – de escola para uma geração de artistas, que fazem das terras gaúchas um celeiro de boas surpresas musicais. 

Em outra medida, esse reconhecimento se confirma na voz de grandes nomes que interpretam suas músicas, como Caetano Veloso e Cida Moreira, ou da carioca Simone Capeto, cujo primeiro CD, lançado em 2005, é composto unicamente por canções de Nei. Também é interpretado por Cida Moreira, Ná Ozetti e por Zélia Duncan, que inclui a canção “Telhados de Paris” em seu mais recente CD (“Pelo prazer do gesto”, 2009).

Entre atrações locais, nacionais e internacionais, já são nove nomes confirmados no Festival Se Rasgum desse ano. A organização ainda vai divulgar as dezoito bandas que vão completar a programação do 9 º Festival Se Rasgum. Enquanto o line up completo não sai, vamos aos nossos primeiros nomes já divulgados:


Él  Mató a un Polícia Motorizado
Él  Mató a un Polícia Motorizado (ARG) – Nossa primeira atração internacional confirmada, a banda foi criada há 11 anos em La Plata, Argentina, quando seus integrantes estavam ainda no ensino médio. 

Formada por Santiago Motorizado (baixo e voz), Doctora Muerte (bateria), Niño Elefante (guitarra), Pantro Puto (guitarra) e Chatrán Chatrán (teclados), a Él Mató está fazendo turnê de divulgação do seu último álbum nos Estados Unidos e no México, tendo passado pela Europa também. Com dois álbuns gravados, o último deles em 2012, a banda já esteve quatro vezes no Brasil – o quinteto também tem três Eps lançados, dedicados ao nascimento, à vida e à morte.

Arnaldo Antunes – Arnaldo Antunes (ou Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, se preferir) é poeta, artista gráfico e músico. Dono de múltiplos talentos, Arnaldo sempre surpreende pela sua criatividade – com um trabalho recheado de referências estéticas pós-modernas, o músico já foi eleito pela Rolling Stone Brasil como um dos 100 maiores artistas da música brasileira, além de já ter sido premiado com na categoria de Melhor Álbum Pop no Grammy Latino.

Vanguart – Banda que veio da cena indie de Cuiabá, a Vanguart foi formada em 2004, época em que seus integrantes buscavam inspiração em Beatles e Bob Dylan. Com a mudança pra São Paulo e novas referências musicais na bagagem, o quinteto (hoje um sexteto) começou a circular fazendo shows com canções doces que falam sobre as inquietações da vida. Na discografia do Vanguart estão três álbuns, o “Vanguart”, “Boa Parte de Mim Vai Embora” e “Muito Mais que o Amor”.

SILVA
SILVA – O capixaba SILVA encanta a todos com sua poesia simples e canções singelas. SILVA lançou seu primeiro EP em 2011, com músicas que misturam sintetizadores e violino, guitarra e piano. 

Considerado uma das grandes revelações da nova MPB, o músico está com seu segundo álbum, “Vista Pro  Mar”, em processo de produção. No começo do ano, SILVA esteve fazendo turnê em Portugal, país onde gravou seus dois discos.

Meio Amargo – Lucas Padilha atende pela alcunha de Meio Amargo e adotou o folk-rock como sonoridade para guiar suas composições. Com músicas que podem facilmente ser trilhas das crises existenciais que surgem na vida de uma pessoa, o Meio Amargo adota a prática dos músicos rotativos (ou acompanhantes), batizando uma banda para dar vazão aos seus processos criativos. Lançou recentemente o EP chamado “Canções simples para pessoas complicadas”.

Ultranova – A Ultranova surgiu da paixão de dois primos pelo rock da Genesis, Yes e King Crimson. Incorporando em suas composições o rock progressivo e com mais dois integrantes, a banda é acompanhada pelo som da guitarra, sintetizador/piano, bateria e baixo eletrônico. As músicas instrumentais e a atmosfera futurista/espacial acabaram inspirando os integrantes do quarteto a adotarem o nome Ultranova.

Camila Honda
A República Imperial – A República Imperial mistura ritmos hispano-americanos, brasileiros e afrocaribenhos – são músicas que experimentam, flertam com o jazz, bolero e o rock. Adicione a essa mistura as influências que o grupo busca na literatura, cinema e teatro. Em 2013, A República Imperial tocou no Rock Rio Guamá e também foi selecionada para subir ao palco nas Seletivas Se Rasgum. Acaba de lançar seu primeiro EP, intitulado “Cinema Ór”.

Camila Honda - Camila Honda apresenta em suas canções inúmeras referências – meio japonesa, meio brasileira, morou por algum tempo na Europa. Se musicalizando desde criança, a cantora também bebeu um pouco na fonte das artes cênicas e da dança, até resolver entrar de vez na música como profissão. Em 2013, foi artista convidada no show de Mestre Vieira, no REC beat (PE), além de ter sido destaque na Mostra Terruá (PA). A cantora lançou recentemente seu primeiro álbum, produzido por Felipe Cordeiro.

(texto enviado pela assessoria de imprensa do festival)

Yellowcake abre programação com "Transophia"

Fotos: Nando Lima
Pelo segundo ano consecutivo, o Estúdio Reator realiza o seu ‘Yellowcake’, programação cultural que vem sendo realizada sempre no mês de julho, com objetivo de trazer à cidade uma opção a mais para quem nem sempre viaja para as praias nos finais de semana. Assim, até o final deste mês, sempre às quintas, sextas e, eventualmente, aos sábados, como nesta estreia, o Reator estará com um espetáculo performático em cartaz.

Na abertura do evento, nesta quinta-feira, 03, às 21h, tem estreia. “Transophia”, de Pedro Olaia Transophia traz direção e visualidade de Nando Lima e pesquisa musical e operação de som de Dudu Lobato.

Nesta nova criação, Olaia traz à tona a personagem Sophia, uma drag criada por ele, muito antes de pensar a se envolver com o universo da performance. O espetáculo, com duração de uma hora, será reapresentado também neste sábado, 05 de julho, no mesmo horário.

O Yellow Cake segue até o final de julho. Na próxima semana, também na quinta e na sexta, 10 e 11 de julho, será a vez de “Incidental”, performance do próprio Nando Lima, proprietário do Estúdio Reator. E depois segue com mais duas sessões de “Transophia”, nos dias 17 e 18 de julho, sempre às 21h e mesmo valor dos ingressos na entrada: R$ 20,00 a inteira, e R$ 10,00 para estudantes e classe teatral.

Sophia nasce nas ruas - Aos 36 anos, Pedro Olaia, formado em engenharia elétrica, hoje, exerce o ofício de artista multimídia, realizando trabalhos independentes construídos coletivamente.

Em 1999, ainda com 21 anos, andava a noite pelos guetos GLBT's de Belém e sem ter conhecimento de teatro construiu sua primeira personagem, Sophia Mezzo, uma drag mezzo uomo mezzo Donna, que vem protagonizando várias de suas performances, sempre realizadas na rua.

Sophia ficou “esquecida” durante alguns anos até ressurgir, dentro de uma linguagem mais específica da performance.  Desta forma, sua primeira aparição nas ruas como a drag performática de Olaia, foi em 2010, quando o artista completava 33 anos. Contando com a ajuda de amigos artistas, no dia de seu aniversário, Olaia realiza uma ação que iniciou na Escadinha, atravessou a Estação das Docas, culminando no Ver-o-Peso.

Sophia é uma personagem andrógena. Ao misturar uma série de referencias em sua concepção, Olaia traz para o corpo da drag a tecnologia desconstruída. No cenário, um tablado em forma quadrada que pode lembrar um quarto ou um camarim, a drag se vê rodeada de fragmentos de HDs e outras peças de computador, que vão sendo gradativamente agregadas em seu corpo, proporcionando ao público, uma visão cada vez mais onírica.

Da rua ao Reator - As incursões de Sophia, até então, vinham sendo feitas nas ruas. É a primeira vez que a personagem é trazida para dentro de espaço para vivenciar uma forma mais elaborada do ponto de vista técnico. 

“Há uma diferença sim em fazer a Sophia dentro do Reator. Personagem de rua é outra coisa, você tem que fazer tudo grande e exagerado, aqui dentro tem algo mais intimista, próximo das pessoas, a atenção está toda nela, não tem nada externo. Então, muda a ambientação, a plasticidade. É como se fosse um quadro sendo pintado, com a luz e a maquiagem desenhando este corpo. Na rua é tudo mais cru”, comenta o artista.

“Transophia” mantém a discussão mais presente no trabalho de Olaia, que é a crítica ao consumo e o olhar voltado para a reutilização de materiais diversos, e desta vez mais enfaticamente, o lixo tecnológico que consumimos.

“Reencontrei o Nando Lima, ano passado, e disse a ele que eu queria fazer algo agregando a tecnologia na performance. Já vinha desmontando computadores, impressoras velhos e descobrindo objetos para construir um novo corpo. Este ano nos unimos para realizar isso”, explica Olaia.

Parceria - A parceria com Nando Lima surge em 2006, no espetáculo Frozen. Em 2008 e 2010, trabalha com ele em duas edições do Festival Territórios de Teatro e atualmente desenvolve mais uma parceria, que segue firme, trazendo à público a Transophia.

O espetáculo desnuda ou veste o universo drag, ao mesmo tempo em que relaciona este processo à questão do lixo tecnológico, o consumo excessivo de tecnologia. “Transophia” coloca em cheque uma Amazônia que não tem acesso à mesma tecnologia disponível na Europa.

“Aqui já consumimos a sucata deles. Por isso no espetáculo há muito da truquenologia, da gambiarra, do reuso de equipamentos e da tecnologia do possível. Tudo isso está conceituado no me trabalho”, finaliza o artista, que possui performances, videoperformances e outros vídeos e ações imersivas na rua e que normalmente discutem as relações humanas com o consumismo, o corpo e o meio ambiente.

O primeiro trabalho em teatro, no ano de 2006, foi realizado com o Usina Contemporânea de Teatro, mas foi ao conhecer o artista Nando Lima, em 2006, que Olaia deu início a uma nova etapa desta trajetória. Naquele ano monta com ele o espetáculo Frozen. Em 2008 e 2010, também com Nando Lima, Olaia trabalha em duas edições do Festival Territórios de Teatro. Atualmente, a parceria, que segue firme, traz à público a Transophia.

Mais sobre Pedro Olaia – Depois de concluir Engenharia Elétrica, em 2001, Pedro Olaia entra para a Escola de teatro e Dança da UFPA, e já em 2002 participou de seu primeiro espetáculo de teatro: A-MOR-TE-MOR. Mas ainda não era o caminho que ele dois anos depois encontraria para trilhar.

Em 2004, depois de participar do I Encontro de Performance e Performers do Pará, organizado pela professora Karine Jansen, ele apresentou na rua, a sua primeira performance: Barato é aqui! O trabalho em 2006 foi levado para Virória-ES em um encontro independente de intervenção urbana organizado pelo coletivo Entretantos.

No ano seguinte (2007), juntamente com amigos, ele forma o coletivo arRUAssa e organiza o primeiro evento deste coletivo na praça do Carmo, onde novamente apresenta a performance Barato é Aqui! Já em 2009, junto com a rede [aparelho], Pedro Olaia registra, edita e publica vídeos do Carnaval de Belém, e soma com coletivo em outras ações na rua, utilizando a performance como táticas de guerrilha contra o sistema dominante. Não parou mais.

Entre seus trabalhos em performance, indo da atualidade ao início de sua trajetória, Pedro Olaia destaca, em 2013: “Depilei-te”, “Sophia Christi: Louvores em Tons de Rosa”, O Segunda Égua: Sarau do Corpo Poelytico, “Cuidado C'an-dor que o santo é de lixo: O Nascimento da Nossa Senhora do Bom Lixo”. 

 Em 2012, ele fez “Trava Carne: O Pato do Cirio”, dentro da programação do Segunda Égua, "Primeira Égua: O Enforcamento", “Índio Vai A Brasília Pra Fechar Negócios”, “O Canto”, videoperformance no Sitio Brilho Verde – Colares. 

Em 2010, realizou De-leite, onde ressurgiu com a drag Sophia e O Canto da Vaca (Café com Direitos – SDDH). Em 2009, fez “Ele Fal(h)ou” (Forum Social Mundial, Belém, 2009) e em 2006, “Barato é Aqui”(multipliCIDADE, Vitória). 

Serviço
Transophia. Nesta quinta, 03, e neste sábado, 05, e nos dias 17 e 18 de julho, sempre às 21h, ingressos R$ 20 (R$ 10,00 para estudantes e classe teatral). Na próxima semana, 10 e 11 de julho, entra em cartaz será a vez de “Incindental”, performance de Nando Lima. O Reator fica na Travessa 14 de Abril, 1053, próximo à Gov. José Malcher.  Ingressos na entrada: R$ 20,00 a inteira, e R$ 10,00 para estudantes e classe teatral. Mais informações: 91 8112.8497. Realização: Estúdio Reator. Apoio de divulgação: blog Holofote Virtual.

1.7.14

Luê em nova fase inicia turnê por cidades do Pará

Foto: José de Holanda
Os primeiros shows são em Belém, nesta quinta, 3, e sexta-feira, 4, às 20h30, no Teatro Margarida Schivasappa. Depois a turnê segue para Bragança Salinas e Mosqueiro na primeira quinzena de julho e volta para Belém, encerrando temporada, em agosto na Estação das Docas.

A distância entre São Paulo e Belém é uma fronteira que norteia o trabalho da cantora Luê há pelo menos três anos. A artista vive na ponte área, não esquece da cidade natal e sempre retorna para compartilhar as descobertas e as conquistas na carreira. Foi assim o lançamento do primeiro disco, A Fim de Onda, que ganhou um show em várias capitais brasileiras em uma turnê iniciada em Belém, no Theatro da Paz. E é assim na nova fase da artista, que já se prepara para o próximo CD. 

“Ainda estou em processo inicial de criação, o que posso adiantar é que estou bem feliz com as ideias, músicas e parcerias que estão surgindo. Muito em breve teremos novidades”, diz a artista. 

Foto: José de Holanda
O espetáculo no Schivasappa marca o retorno a um palco que carrega muitos significados para a artista. O primeiro grande show solo de Luê foi ali, com o espetáculo “Tu Já Rainha”, em 2011, quando a artista começava os primeiros meses na carreira como cantora. E é também o local em que ela participou de uma das edições do Terruá Pará.

“Estou super feliz por reencontrar a galera calorosa de Belém nesse teatro simbólico pra mim. Com certeza serão shows pra matar a saudade e para poder compartilhar com o público de ‘casa’ as novidades que venho introduzindo no meu trabalho”, acredita. 

Luê apresenta o repertório do disco “A fim de onda”, com novas versões e arranjos, além de interpretar músicas novas que ela vem incorporando ao trabalho, e outras novidades. “ Vou cantar "O Bem Amado", de Vinícius de Moraes e Toquinho, e a inédita parceria minha com Saulo Duarte e Betão Aguiar, que estará no meu próximo disco, ‘Esse Amor’, que acabou de sair do forno”, adianta. 

Foto: Divulgação
Temporada - O show na capital representa uma fase de amadurecimento da cantora, que hoje mora na terra da garoa, mas não se afasta das raízes amazônicas. 

Em São Paulo, ela desenvolve a festa “Brea na Garoa”, ao lado de Lia Sophia e Felipe Cordeiro. Juntos, eles recebem grandes convidados e celebram sucessos da música paraense. “Dividimos o palco com Fafá de Belém, Dona Onete, Gang do Eletro, Kiko Dinucci e Thiago França (Meta Meta), Saulo Duarte, Curumin, entre outros, em noites memoráveis”, lembra a artista.

Nesses quase três anos em São Paulo, Luê vive um processo permanente de amadurecimento na carreira. O ponto de partida começou com a participação no Terruá Pará.  De lá pra cá, a cantora participou de vários projetos, fez parcerias importantes e chegou a dividir o palco com nomes que ela só havia tido contato por meio de discos. “Passei a conviver e a trabalhar de igual pra igual com artistas que sempre admirei. Isso me possibilitou aperfeiçoar o caminho profissional que escolhi”, diz. Mas ela não nega que a cidade impõe desafios e dificuldades.

“Até hoje custo a me adaptar ao ritmo que São Paulo exige, ao tempo em que as coisas acontecem e atendem ou frustram as minhas expectativas, com pessoas muito boas no que fazem em todas as áreas. Fica a sensação de que não é uma terra pra amadores, me obriga a estar sempre em busca de melhorar e me profissionalizar cada vez mais”, avalia Luê.

Foto: Divulgação (Virada Cultural)
Outros Projetos - Luê vem participando e realizando inúmeras outras ações, difundindo sua carreira, como o “4 Cantos” – Videoclipe gravado com vários artistas do Brasil, participação da Virada Cultural de São Paulo em 2013 e 2014, na capital e em cidades do interior paulista, do Projeto Brisa – Realizado no bar Riviera, em São Paulo, onde a artista cantou ao lado da cantora Tiê na reinauguração do bar. 

Luê também participa no disco e em alguns shows  do cantor Otto - “The Moon 1111” , esteve no Festival da Semana Internacional de Música de São Paulo, tem parcerias musicais com Arnaldo Antunes, Felipe Cordeiro, Saulo Duarte, Betão Aguiar e Manoel Cordeiro. e Natália Matos, além de participação no projeto Cantoras do Brasil, do Canal Brasil, onde interpretou clássicos do nosso cancioneiro cuja temporada reverenciou o centenário de Vinicius de Moraes e Luê fez releitura dos clássicos “O Bem Amado” e “Insensatez”, e no documentário Novas Cantoras, com entrevistas sobre jovens artistas do país, exibida pela Warner Chanel.  

Em show fez “Ondas Tropicais”, com Saulo Duarte e Felipe Cordeiro e Trio do Boca 2013, no Trio elétrico do cantor Paulinho Boca de Cantor (Novos Baianos) em projeto que reuniu no carnaval baiano os artistas Guilherme Arantes, Tulipa Ruiz, Zeca Baleiro, Lucas Santtana, Luê e Karina Buhr. E tem mais, fez apresentação no Prêmio Trip Transformadores 2013, iniciativa da Revista Trip.

Serviço
Show A fim de Onda. No Teatro Margarida Schivasappa (Centur - Gentil Bittencourt, entre Quintino e Rui Barbosa), nos dias 3 e 4 de Julho, às 20h30. Ingressos: R$20 inteira e R$10 meia. Vendas antecipadas: Lojas Ná Figueredo. Maiores Informações: (91) 99421235.

26.6.14

Entre os pássaros e as cores de Michelle Cunha

“Como um sol no meu quintal” é o nome da mostra, em que desponta uma série de desenhos de pássaros e outros trabalhos, que resultam de um momento especial na vida da artista. Michelle Cunha montou um atelier, na ilha de Mosqueiro, distante uma hora de Belém, onde se inspira todos os dias. O trabalho pode ser visto a partir desta quinta-feira, 26, na Galeria Gotazkaen (Rua Ó de Almeida, 755). A exposição fica aberta ao público até o dia 26 de julho.

Ao todo, são 50 trabalhos, nem todos produzidos aqui, a maioria sob papel, além de telas e latinhas de spray, que ela usa em suas incursões na rua e depois recicla, as pintando. A obra de Michelle reflete sua vivência, é dela que a artista se nutre e nos comove. Quando a conheci, ela era a proprietária do Café Alma Zen, um espaço feito pra reunir gente boa e arte, principalmente, mas que nos arrebatava com ótimos petiscos e bebidinhas criativas. 

O lugar fechou e deixou saudade em Belém. Ficava ali na Rua Campos Sales, próximo da Gama Abreu, depois que saiu do porão de uma casa estilo sobrado, que Michelle Cunha morava, na Rua Ferreira Cantão. A moça começava a se despedir de Belém. Para viajar e arrumar recursos, promoveu um brechó, convidou uns amigos, que levaram umas cervejas e que enfim, plantaram a semente do Café Alma Zen, lugar  que se tornou emblemático, já no segundo endereço. 

Michelle demorou um pouquinho para partir, mas quando foi, passou oito anos circulando pelo eixo Centro-Oeste/Sudeste do país, pintando e propondo ações em Goiás e estados próximos à Brasília, sua base, como São Paulo e Minas Gerais. De volta às terras paraenses, montou um ateliê na Ilha de Mosqueiro, onde mantém as portas abertas para um ininterrupto intercâmbio de ideias e vivências com outros artistas e o público

A exposição, inédita, reúne trabalhos dedicados ao desenho e a ilustração, incluindo particularidades como cadernos de esboço, objetos, gravuras e registros de trabalhos feitos na rua – habitat onde a artista se sente em casa.  

Na série de pássaros, sua mais recente produção, assim como nas corujas, a cor e o tema não buscam qualquer intenção retórica, mas indicam uma postura aberta ao puro prazer do gesto, a volúpia da imagem, que pode acontecer tanto sobre o papel quanto nas ruas, nos muros. Seu deslumbramento pela rua como suporte surge junto com a opção por uma vivência quase nômade.

Durante a carreira, Michelle já experimentou técnicas e linguagens das mais diversas. Foi da xilogravura ao grafite, do lambe-lambe ao desenho digital, da colagem à estamparia, tornando evidente, como faz questão de reforçar, “sua ânsia e voracidade por assuntos, territórios, espaços e tempos diversos”.

Em tudo que ela vem produzindo, porém, percebe-se a necessidade de falar dos afetos e do modo amoroso e até romântico com que olha o mundo.  “Costumo dizer que a cidade é de quem ama, então minhas ações na rua, por exemplo, falam desse meu envolvimento afetivo com os lugares e pessoas que cruzam meu caminhar”, diz. Michelle. 

A artista, que enquanto abre esta exposição, já trabalha na próxima, em grandes formatos para a Galeria Theodoro Braga (Centur), concedeu, ontem, uma entrevista ao blog, diretamente de seu atelier, em Mosqueiro, antes de pegar a estrada e aportar em Belém. 
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Holofote Virtual: É tua primeira exposição de inéditos, desde chegastes a Belém? 

Michelle Cunha: É primeira, depois da temporada de oito anos em Brasília. Boa parte dos trabalhos, que serão mostrados, foram iniciados em Brasília, alguns produzidos também em São Paulo, na última temporada em que estive lá, trabalhando no Atelier de um amigo paraense (Arieh Wagner). 

Holofote Virtual: Então a exposição está repleta de referências a estas andanças...

Michelle Cunha: Essa fase traz muito da vivência quase nômade por estes lugares onde andei (Pirenópolis, Minas, SP e Brasília) onde minha produção se aproxima mais da arte gráfica, pela vivencia trabalhando numa Editora, fazendo capas de livros e ilustrando e também elementos da arte de rua, pois foi nos últimos três anos que comecei a interagir mais com o espaço urbano, no inicio com pinceis, depois com a técnica de graffiti.

Holofote Virtual: Há laços afetivos nesta exposição... 

Michelle Cunha: Acho que tudo que venho produzindo vem de uma necessidade de falar disso, dos afetos, do modo amoroso e até romântico que olho o mundo. Costumo dizer que a cidade é de quem ama, então minhas ações na rua, por exemplo, falam desse meu envolvimento afetivo com os lugares e pessoas que cruzam meu caminhar. 

Crio histórias através dos desenhos que as pessoas acolhem com afeto e elas muitas vez vem me dizer o que isso significa p elas, então daí surgem outras histórias, num diálogo constante costurado por afetividades.

Holofote Virtual: Já vi muitas corujinhas tuas por ai, imagens no facebook, de tuas incursões por Brasília, e em Belém, no Casarão do Boneco (sede do In Bust Teatro com Bonecos), em Mosqueiro... Por onde passas, deixas tuas marcas. O que significa pra ti esta série, como ela surgiu e repercutiu ou repercute nos lugares onde passas?

Michelle Cunha: Surgiu com a necessidade de levar meu trabalho pra rua, da vontade de interagir com o espaço urbano, com quem passa e vê. As corujinhas surgiram quase por acaso, mas quando comecei a leva-las pra rua percebi que elas tinham muito a ver com a Brasília, com o cerrado, pois lá nos deparamos com corujas buraqueiras em todos os lugares que tem verde, é como se elas fossem uma espécie de guardiãs do lugar. 

No momento em que comecei a pichá-las na cidade as pessoas começaram a manifestar muito carinho por elas e identifica-las como uma espécie de símbolo da cidade. Agora elas acabam se tornando uma espécie de assinatura, sempre deixo uma por onde vou, por aqui também, embora não tenham a cara de Belém, acho que agora elas tem a minha cara. Além delas, tenho outros personagens que também levo pra rua.

Holofote Virtual: Conheço uma parte da tua produção, lembro da série ‘bicicletas’, e estou curiosa para ver de perto teus outros pássaros...

Michelle Cunha: Os pássaros foram surgindo. Acredito que isso se deve ao fato de ficar vários dias sozinha trabalhando em Mosqueiro, num atelier que é quase dentro do mato, onde a presença deles é muito forte, então eu sento embaixo de uma arvore e os observo, observo a forma, as cores, os movimentos e também o canto. Eles dizem muita da leveza e das coisas simples, me trazem de volta lampejos de infância, como numa frase do Câmara Cascudo, vejo neles "a inexplicável alegria das coisas suficientes"

Holofote Virtual: Sim... estás morando em Mosqueiro. Como vem funcionando tua vida profissional, entre a ilha e a cidade?

Michelle Cunha: Estou numa temporada aqui, aproveitando o silêncio, a calmaria, a vida no mato para dedicar todo meu tempo à pintura. Esse é um tempo que sempre quis ter, não ter que sair para trabalhar fora, em outras atividades que não seja essa, trabalhar apenas no que eu gosto, no que acredito ser o que tenho de melhor a fazer. 

Não é uma fase para ganhar dinheiro, pois a ilha me isola do movimento que existe em Belém, onde as pessoas circulam mais e onde se consome arte. Então vivo aqui uma vida simples, apenas com o necessário e com o mais precioso que é ter Tempo de criar e isso é algo que me coloca num outro ritmo, onde não estou muito focada em resultados imediatos, mas em me dedicar a minha arte. 

Às vezes penso que é um tipo de sacerdócio, um envolvimento que vai além das coisas do mundo material. No entanto, para distribuição do meu trabalho preciso sair daqui, expor em nos espaços que surgem na cidade, sejam institucionais ou não, produzindo na rua também e sempre mostrando algo pela rede.

Holofote Virtual: Esse tempo fora daqui, o que te trouxe, pra onde te leva?

Michelle Cunha: Talvez tenha trazido um pouco mais de confiança, de poder acreditar que posso voar sempre que sentir vontade e que tenho um lugar para onde sempre posso voltar, que é Belém. O contato com pessoas diferentes, com outras paisagens me fez ver o mundo é minha casa e que com meu trabalho posso ir onde quiser e que é através dele que a maioria das minhas relações acontecem, então em cada lugar um pouco mais de aprendizado, de trocas, de perdas e de ganhos, de saudade que fica, de vontade de seguir um pouco mais além.

Holofote Virtual: Algum projeto novo em desenvolvimento? Tens entrado em editais, buscado apoios, como está este lado da produção?

Michelle Cunha: Fui convidada para expor em agosto na galeria do Centur, ainda estou produzindo uma série de telas em grandes formatos (180x100cm), numa exposição diferente desta que levo pra Gotazkaen. Não consigo colocar projetos em editais peque tenho uma certa dificuldade de pensar projetos que não sejam em grupo, mas tenho buscado proximidade com pessoas com quem tenho afinidades e tenho algumas ideias para vídeo arte que é algo que ainda não experimentei, mas que me encanta. Por enquanto minha fonte de renda é a comercialização de reproduções e painéis em paredes que faço por encomenda.

Holofote Virtual: Vives de arte? 

Michelle Cunha: Só sei que tenho vivido, porque sempre crio um modo de viver que não precisa ser dentro dos modelos que nos são impostos por essa lógica de mercado, de consumo. Belém precisa olhar mais para seus artistas, ainda não descobri um jeito de distribuir melhor meu trabalho aqui, por isso entrei num ritmo menos acelerado neste sentido. 

Brasília ainda é o lugar onde consigo comercializar melhor meus trabalhos por enquanto, mas eu não entendendo muito dessa lógica de mercado e gosto de pensar que vivo das vendas que eu mesma faço, onde meu maior público ainda são os amigos. 

É sempre estranho pensar a parte financeira do que faço, talvez por isso eu não consiga me encaixar num sistema mais mercadológico. Gosto de pensar que o dinheiro é consequência e não a principal motivação.