23.2.17

LG Lopes e Teo Nicácio se apresentam em Belém

“Todo artista tem de ir aonde o povo está. Se foi assim, assim será”, cantou o mineiro Milton Nascimento. Ao pé da letra, é o que Luiz Gabriel Lopes e Téo Nicácio, vindos também de Minas, têm feito. Em circulação pela região norte, eles estão em Belém. Fazem show, nesta sexta-feira, 24, no Centro Cultural Sesc Boulevard (entrada fraca) e, no sábado, 25, na Casa do Fauno (R$ 10,00).

Para as apresentações em Belém, nesta sexta e sábado, o duo traz na bagagem canções com ricas harmonias vocais e belos arranjos para dois violões. Serão shows parecidos, não iguais. “Sempre temos espaço para o improviso. O repertório é muito vasto, temos muitas canções e então a gente vai adequando de acordo com o momento e respostas do público. Vai ser tudo imprevisível, uma surpresa”, avisa Luiz Gabriel Lopes.

LG Lopes, como aparece na capa de seu segundo disco solo, “O fazedor de rios” (2015), é carioca, nascido em 1986 no Rio de Janeiro, mas criado na pequena cidade de Entre Rios de Minas, em Minas Gerais. Ele e Teo Nicácio, compositor e multi artista dos malabares, já tinham passado por Belém em janeiro e na oportunidade rolou apresentação surpresa no Gotazkein, antes de seguirem para Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC).

“A circulação é toda independente. Faz parte de uma vontade de pesquisa sobre a cultura do norte, a cultura os modos de vida, a história do povo daqui, e sobre o qual no sudeste há pouca informação, não sabemos ao certo o que acontece aqui, por isso o interesse de vir e conhecer com vivência. Todo o nosso trabalho é independente”, diz LG, que possui influências diversas, da música brasileira, em todas as suas vertentes, regiões e geografias, como ele mesmo define. 

“A cena musical contemporânea, especialmente a cena de minas que é muito rica, é influência muito forte. Tem muita gente do nosso meio produzindo, assim como as coisas e a vida, as viagens, os encontros, tudo isso é influência”, diz.

Integrante de bandas independentes como Graveola, na ativa desde 2004, e TiãoDuá, LG é um dos idealizadores e produtores do festival Cantautores (em Belo Horizonte).  Lançou o primeiro trabalho, em 2010, “Passando Portas”, o segundo em 2016 e este ano, ainda no primeiro semestre, vai lançar o terceiro álbum, intitulado “Manas”, disco com linguagem musical simples, segundo o artista, produzido com a banda Cangaço Livre, da qual o parceiro Teo Nicácio, também integra.

“O formato é baixo, guitarra, bateria e flauta. O disco começa a ser mixado e deve sair ainda neste primeiro semestre. Há canções minhas e em parceria com Teo, que também canta e toca, e outras canções minhas inéditas e de outras épocas. A linguagem, simples, é baseada em ritmos brasileiros, mas também com essa abordagem de power trio de guitarra, com alguma coisa assim híbrida, no meio do caminho”, define.

Cena musical de Belém é forte, diz o compositor

O músico já tinha vindo para Belém algumas outras vezes, atraído pela cena musical que vem reverberando pelo país. Para ele, a cena é bem forte desde o pessoal mais antigo,  até os mais contemporâneos. “Tem muita força a cena daqui. O Pará é um lugar muito rico, de uma cultura rica, de muitos encontros e miscigenação cultural, um lugar que alimenta musicalmente”, diz.

Pergunto se ele conhece a cena musical daqui. “Sim, conheço. Desde o pessoal mais antigo, como o Nilson Chaves, quanto os contemporâneos, como Felipe Cordeiro, Aila, os meninos do Strobo, Juca Culatra e Arthur Nogueira, entre outros que fico sempre muito feliz em encontrar”, diz ele que também acrescenta. 

Nem só pelos estados e regiões brasileiras, o artista também se lança em temporadas pela Europa. Há um ano, ele estava em Lisboa, em Portugal , em Portugal. “Nestas circulações a ideia é encontrar pessoas legais, espalhar o nosso trabalho autoral, a música que a gente tem feito e, nesta perspectiva do corpo a corpo, chegar nas pessoas, na proximidade e poder estabelecer esta troca. Os projetos são muitos, principalmente continuar fazendo musica autoral, sobrevivendo aos desafios de ser artista independente no Brasil”, finaliza LG.

Serviço
Duo Luiz Gabriel Lopes e Téo Nicácio. Nesta sexta-feira, 24, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, e no sábado, 25, a partir das 22h, na Casa do Fauno (Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa). Entrada R$ 10,00. Reserva de mesa: 91 98705.06.09.

17.2.17

Alberto Bitar reúne obras da série "Sobre o Vazio"

Cenários esvaziados de pessoas e objetos. Ambientes preenchidos apenas pela subjetividade da imaginação, da recordação e da memória.  Estas são características de alguns trabalhos que compõem a série Sobre o Vazio, do fotógrafo paraense Alberto Bitar, vencedora do Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais 2017. Abertura, dia 21, às 18h30, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia.

A exposição vencedora vai reunir pela primeira vez no mesmo espaço as séries que a compõe: Qualquer Vazio, Todo o Vazio, Completude, sem título e Breve Vazio, constituídas ao longo de seis anos dos vinte e cinco anos da carreira do fotógrafo.   

Além das questões existenciais que rondam a obra do artista, a série também traz outro elemento quem de sua pesquisa, o dialogo entre a fotografia e o vídeo. Nelas, as imagens capturadas pela câmera fotográfica  se dilatam e se esgaçam rompendo fronteiras entre o movimento e o estático. “A partir do interesse pelo movimento apreendido na imagem fixa passei a desenvolver trabalhos com o auxilio do suporte do vídeo, mas quase sempre utilizando como base imagens estáticas. São trabalhos que nos fazem pensar nos primórdios do cinema, mas não deixam de ter em sua essência aspectos da linguagem fotográfica”.

Levado pela sensação de solidão provocada pelos vestígios de memórias deixados em ambientes como o apartamento onde viveu com a família por mais de vinte anos, Alberto Bitar mergulhou nesta busca como um caçador de lembranças. 

Primeiro, fotografando a série Todo Vazio, recolhendo imagens do lar onde teve importantes momentos da vida antes de ser repassado para outros moradores. Depois foi fotografando quartos de hotéis recém abandonados por seus hóspedes, que ele recolheu imagens para o Qualquer Vazio.

As duas séries produzidas de forma e em tempos distintos foram reunidas lado a lado em 2011 na exposição resultante do XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia.  Se por um lado, o apartamento revela um vazio provocado pela pessoalidade do ambiente familiar, por outro, a impessoalidade reverbera e provoca a imaginação de quem vê. “Fico pensando sobre o quão pessoal ou impessoal podem ser esses dois ambientes, aparentemente diferentes, mas que, independente do tempo de permanência dos seus habitantes, podem guardar, nas memórias dessas pessoas, lembranças e saudades de momentos importantes nas suas histórias”, explica.

Temporal - Depois de contemplados pelo XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes – Funarte, órgão nacional responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de fomento às artes visuais, à música, ao teatro, à dança e ao circo, a série ganhou outros elementos, com obras produzidas ao longo dos últimos anos.

Em 2010, o autor continuou a pesquisa fotografando ambientes da casa que seria sua próxima morada e registrou as possíveis memórias que ali existiam e ficcionou as que um dia poderia ter ali. Surgiu então Completude, que passou a integrar a série. Em 2013, o fotógrafo incluiu mais uma série em Sobre o Vazio. Breve Vazio retrata o cenário de fora, de uma janela, que dá conta da breve solidão deixada por alguém que não estava no lugar certo, na hora certa. Este trabalho foi selecionado pelo Arte Pará do mesmo ano.

“Sobre o Vazio foi sendo concebida aos poucos, ao longo do tempo, porém nunca foi apresentada de forma única. Por isso, essa exposição é tão importante, pela primeira vez o público poderá conhece-la de forma integral, de como foi sendo construída, como um quebra-cabeças que ganhou forma e sentido”, declara.

Serviço
Exposição: “Sobre o Vazio”, de Alberto Bitar. Abertura: dia 21 de fevereiro, às 18:30h. Visitação: de 22 de fevereiro a 7 de abril, de segunda a sexta, das 9h às 17h. Na Avenida Presidente Vargas, n°800, Espaço Cultural do Banco da Amazônia. Informações: afbitar@gmail.com / 98335-2345.

15.2.17

Carimbó do "Raiz Unidos do Paraíso" na Casa Velha

O espaço cultural Casa Velha 226 e o movimento da Campanha do Carimbó dão continuidade ao Circuito Carimbó Nosso Patrimônio. A edição nº 02 – O Carimbó da Região Metropolitana de Belém, neste sábado, 18, recebe o Grupo de Carimbó Raiz Unidos do Paraíso, de Santa Bárbara do Pará, cidade cercada de rios e igarapés a meio caminho de Mosqueiro. A programação inicia às 17h, com roda de conversa, e segue pela noite, com a apresentação do grupo. 

Por Isaac Loureiro
Campanha Carimbó Patrimônio

O Circuito é uma iniciativa que busca proporcionar valorização e visibilidade para grupos, mestres e mestras do carimbó tradicional do Pará. São artistas em sua maioria desconhecidos do grande público, mas amados e respeitados por suas comunidades, onde sustentam uma rica e diversa produção cultural independente, cultivando tradições belíssimas com muito suor e paixão, acreditando firmemente na força e validade de seu trabalho.

São alguns desses mestres e grupos, plenos de conhecimento e sabedoria, imensamente generosos no esforço de colocar em prática e compartilhar o que sabem, que estamos recebendo na Casa Velha 226, nos três primeiros sábados de fevereiro, dando continuidade e fortalecendo as iniciativas de valorização e fortalecimento do carimbó promovidas pela Campanha do Carimbó, movimento cultural protagonizado por grupos e lideranças carimbozeiras do Pará e que vem articulando todo o processo de registro e salvaguarda desse bem cultural como patrimônio imaterial nacional junto ao IPHAN, desde 2005, dizem os produtores do evento.

Mestres das comunidades urbanas do carimbó

Ílson (Foto: Yasmin Alves)
Nesta edição, a proposta é receber grupos e mestres de carimbó da Região Metropolitana de Belém, trazendo os diferentes sotaques e expressões carimbozeiras existentes e resistentes em Belém, Ananindeua e Santa Bárbara do Pará. 

São grupos e mestres que revelam as singularidades e a beleza do carimbó produzido em ambiente urbano e semi-urbano, nas periferias de grandes cidades ou em pequenas cidades próximas da capital, com trajetórias e referências diversas mas com algumas coisas em comum, como a paixão pela raiz tradicional e seu compromisso inabalável com essa tradição.

Nos dois primeiros sábados de fevereiro (04 e 11) o Circuito recebeu respectivamente o grupo Sancari, fundado no bairro da Pedreira em Belém por migrantes vindos do Marajó e do Salgado, e o grupo Amigos do Carimbó, criado no bairro de Águas Lindas em Ananindeua por mestres oriundos da região Bragantina. Agora neste terceiro sábado, dia 18, o convidado é o grupo Unidos do Paraíso, da cidade de Santa Bárbara do Pará.

Grupo surge do sonho de dois irmão

Cazuza e Ílson (Foto: Yasmin Alves)
Fundado há 19 anos pelos irmãos Ílson e Cazuza, o Grupo de Carimbó Raiz Unidos do Paraíso, como eles gostam de ser chamados, é uma expressão autêntica da tradição carimbozeira na região metropolitana de Belém. O grupo nasceu  do sonho desses dois irmãos, mestres de cultura popular, que decidiram iniciar um conjunto de carimbó na sua cidade natal.

Surgiu assim um dos grupos mais queridos do carimbó tradicional da região, com seu sotaque rural e ribeirinho, o "carimbó da água doce" como diz Mestre Cazuza, cantor e compositor do grupo.

Aglutinando outros apaixonados pelo carimbó que moram nessa cidade, os dois irmãos tornaram o Unidos do Paraíso uma experiência concreta da ideia de que o carimbó é uma só família. Em sua modesta casa, onde funciona também a sede do grupo, convivem músicos, dançarinos, jovens produtores, amigos e visitantes que sempre procuram os mestres para ouvir e aprender sobre essa tradição ancestral. E todos são sempre bem recebidos, com sorrisos e um cafezinho que nunca falta na mesa.

Aliás, os dois irmãos e mestres fundadores do grupo merecem um destaque especial. Com um sorriso sempre presente no rosto, Mestre Ílson e Mestre Cazuza são conhecidos por sua alegria e simpatia profundas, sempre prontos para festejar e compartilhar essa energia que emana pura felicidade. Recentemente celebraram a conquista do título de patrimônio cultural nacional pelo carimbó, uma vitória da qual participaram ativamente através da Campanha do Carimbó desde 2008, quando conheceram o movimento e dele nunca mais se afastaram.

Registro e participação em festivais

Mestre Cazuza (Foto: Cris Salgado)
Entre as várias ações e projetos já realizados pelo grupo, se destacam sua participação em diversos festivais de carimbó, como o Fest Rimbó (Santarém Novo) e o Pau & Corda do Carimbó (Belém), além da realização do seu próprio festival em Santa Bárbara, o Encontro das Águas, que já teve duas edições e está preparando sua versão 2017.

O grupo possui um registro sonoro feito através da parceria da Campanha do Carimbó com o Selo Mundo Melhor (SP) em 2008, e um CD artesanal gravado ao vivo no Espaço Cultural Coisas de Negro em Icoaraci (Belém) em 2015.

Por esse e outros motivos, vivenciar o som do Unidos do Paraíso é nos deixar iluminar pela generosidade, integridade e alegria do verdadeiro carimbó, aquele que nasce e cresce em nossas comunidades, nutrido pela sabedoria e ancestralidade de nossos mestres e mestras, nos fortalecendo e motivando cada vez mais nas ações de valorização e reconhecimento desse nosso patrimônio.

As atividades do Circuito serão registradas pelo Coletivo Má Fé, parceiro da iniciativa, que irá captar imagens para produzir conteúdo audiovisual sobre os grupos e mestres convidados. Esse conteúdo (mini-docs, vídeo-clipes) será disponibilizado a cada grupo e na internet.

Serviço
Roda de Conversa e Show Musical com o Grupo Unidos do Paraíso - Circuito Carimbó NOsso Patrimônio Edição Nº 02 – O Carimbó da Região Metropolitana de Belém. Na Casa Velha 226, Trav. Gurupá, nº 226, entre Dr. Malcher e Cametá, Cidade Velha. Neste sábado, 18 de fevereiro com Roda de Conversa com o grupo, a partir das 17h, e show entrando pela noite. Ingresso: R$ 5,00. informações: (91) 98395-7360 e (91) 98191-6690 / 99969-3572.

Fotógrafo parisiense bate papo sobre o tecnobrega

Nutrindo um caso de amor com as festas de aparelhagens, o fotógrafo parisiense radicado no Rio de Janeiro, Vincent Rosenblatt, está de volta a Belém para um bate papo com o público, nesta sexta-feira, 17, às 18h, na Aliança Francesa. Vai abordar como tema a série “Tecnobrega - O Culto das Aparelhagens”.

Nesta série o fotógrafo, que vem pela segunda vez a capital paraense, se aprofunda na cidade em um universo protagonizado pelos Superpop, Crocodilo, Rubi, Tupinambá, Badalasom, Ouro Negro, entre outros ídolos. A realização é da Aliança Francesa de Belém, com apoio do Institut Français du Brésil, em Brasília.

O objetivo do bate papo é discutir sobre o seu trabalho, com destaque ao projeto que realizou juntamente às culturas periféricas das aparelhagens de Belém e apoiado ao seu acervo de fotos. O encontro, que acontecerá em português e francês, ocorrerá no Salão Cultural da AF Belém e será aberto ao público e totalmente gratuito.

No Rio de Janeiro, Vincent documenta desde 2005 a cena do Funk Carioca, entre periferias e favelas, uma cultura que segundo Rosenblatt, também luta por reconhecimento e sofre repressão. 

Juntamente com cultura do funk carioca, o fotógrafo já desenvolve desde 2007 a série “Bate-Bola – Rio Carnaval Secreto”, representados pelos “clóvis”, que vindos dos morros e subúrbios cariocas com fantasias extravagantes e contemporâneas, protagonizam um carnaval pouco documentado - um espaço popular de criação contemporânea. Essas vanguardas vindas das ‘periferias’ e das culturas populares das capitais brasileiras constituam o fio condutor da sua obra. 

O trabalho do artista é representado internacionalmente em várias coleções particulares e já foi publicado em reconhecidos periódicos como o New York Times (Lens), National Geographic, Le Monde, Courrier International, Dagens Næringsliv, Repubblica Delle Donne, Afisha-Mir, entre outros. As obras de Vincent estão no acervo permanente de reconhecidas instituições públicas como a Maison Européenne de la Photographie e o CACP Vila Pérochon.

Serviço
Encontro fotográfico com Vincent Rosenblatt. Nesta sexta-feira, 17, a partir das 18h. No Salão Cultural da Aliança Francesa de Belém (Tv. Rui Barbosa, 1851). Entrada franca.

14.2.17

Ernani Chaves inicia ciclo sobre "Afetos Obscuros"

A ideia é discutir ódio, inveja, ciúme, culpa e amizade, tendo como ponto de partida da análise, a psicanálise, com Lacan e Freud. Ministrado pelo Prof. Dr. Ernani Chaves, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o curso realiza o primeiro debate nesta sexta-feira (17) e sábado (18) e depois segue, até junho, focando uma vez por mês, um dentre os inúmeros afetos obscuros. E o primeiro será o ódio.

O ciclo começa com a provocação: “Tu és aquele a quem tu odeias”, diz Ernani, citando Lacan. "Se vivemos uma ‘cultura do ódio’, temos que ter a coragem de enfrentar esse afeto que, antes de mais nada, nos habita, nos espreita, faz parte de nós", enfatiza o professor.

O curso não é aleatório. É fácil observar nos diversos relacionamentos interpessoais e mesmo nas redes sociais da internet exemplos concretos dos temas que serão discutidos. “O ódio tem profundas implicações com os processos identificatórios que nos constituem. Às vezes ele é o oposto do amor, mas, muitas vezes, ele antecede o amor”, comenta Ernani Chaves.

Para ele as estratégias utilizadas, hoje, para combater os problemas de nossa época, já nascem fracassadas. “Combatemos a violência, sem nos implicarmos com ela, os violentos são os outros. E aí fazemos passeatas vestidos de branco e pedindo paz. Combatemos o ódio, como se esse fosse um sentimento dos outros', nunca ou raramente ele também faz parte de nós. Assolados pela culpa, ficamos  incapazes de agir e apenas reagimos, nos vitimizando e encontrando um culpado fora de nós. E assim por diante”, explica Ernani.

Além do ódio, inveja ciúme e culpa, que normalmente são sentimentos logo identificados como negativos, a amizade também será discutida como afeto obscuro, encerrando o curso. “Não queria fazer um 'spoiler', mas gostaria de dizer que todo afeto, incluindo aquelas que tanto valorizamos como o amor, em especial, são claros e obscuros ao mesmo tempo. Todos eles possuem essas duas faces que se cruzam e se entrelaçam”, diz. 

Ernani também diz que falar de amizade é falar de amor, assim como de inveja, ciúme, e assim por diante. “Mas a amizade representa, ao final do ciclo, uma espécie de 'luz no fim do túnel'. Queria sustentar um pouco a ideia de que a 'amizade é o verdadeiro amor'", diz o professor.

Doutor em Filosofia, Ernani Chaves realizou estágios de pesquisa no exterior na Alemanha e na França, e possui pós-doutorados na Universidade Técnica de Berlim (1998) e na Universidade de Weimar (2003). Foi pesquisador Associado na Universidade Técnica de Berlim (janeiro e fevereiro de 2013), pesquisador sênior na École Normale Superieure de Paris, de março a junho de 2015. Ele também é autor de livros e vários artigos nacionais e internacionais. Publicou recentemente, pela Editora Autêntica, uma tradução de textos de Freud sobre Estética.

Serviço
Ciclo “Afetos Obscuros”, com Ernani Chaves. Na Fortiori Consultoria em Psicologia (Travessa São Francisco, 233 baixo, entre Avertano Rocha e Almirante Tamandaré). Nesta sexta (17), de 18h30 às 22h e sábado (18), 08h às 12h. Investimento: Seminários Individuais: R$ 75,00 (estudantes) e R$ 150,00 (profissionais) / Combo dos 5 Seminários: R$ 250,00 (estudantes) e R$ 500,00 (profissionais). Mais informações: (91) 3222-0038 e contato@fortioriconsultoria.com.br.

(Holofote Virtual, com informações enviadas por Enderson Oliveira)

13.2.17

Show traz audição do 1o álbum e canções da MPB

Olivar, no show da sexta, 03 de fevereiro
Foto: Holofote Virtual
Olivar Barreto faz a última apresentação de sua temporada na Casa do Fauno. Nesta sexta-feira, 17, a partir das 22h, acompanhado por Figueiredo Junior (Violão), Príamo Brandão (Baixo) e Duda Silva (Bateria). Neste show, o intérprete canta canções do CD "Olivar" (2002), o 1o álbum de sua carreira, incluindo no repertório obras de grandes compositores da música brasileira.

Olivar fez o primeiro show na Casa do Fauno, ainda em dezembro do ano passado. Logo, ele recebeu o convite da produção musical do espaço para que estivesse na primeira temporada compartilhada da casa, que iniciaria este ano, apresentando ao público de forma alternada duas atrações. Assim, os meses de janeiro e fevereiro vêm trazendo, às sextas-feiras, os shows dele e do contrabaixista Minni Paulo, que também tem sido muito bem recebido pelo público.

Olivar Barreto não só topou como aceitou o desafio de pensar shows que tivessem a cada sexta uma novidade ao público. Uma das peculiaridades das apresentações foi a formação de músicos a acompanhá-lo em cada sexta-feira. Em também o repertório transitando entre seu trabalho autoral e composições preciosas da música popular brasileira.

1o show na Casa do Fauno, ainda em dezembro de 2016
Foto: Bruno Pellerin
Na sexta-feira, 20 de janeiro, na primeira apresentação, por exemplo, Artur Kunz (Strobo), de passagem por Belém, assumiu a bateria e assim, com Príamo Brandão (baixo) e Figueredo Júnior (guitarra), o cantor apresentou ao público músicas de seu álbum novo, ainda inédito, com os músicos que gravaram as faixas com ele. 

Na segunda apresentação, já em fevereiro (dia 03), Olivar Barreto estava acompanhado por Renato Torres (violão) e João Paulo Pires (percussão), e ainda teve participação especial da cantora Sonia Nascimento. Na ocasião, Olivar misturou canções do trabalho autoral, inclusas nos três discos, enfatizando músicas do segundo, em que interpreta canções de Rui Barata.

Mantendo, como sempre, músicas de compositores consagrados da música brasileira, nesta sexta-feira, 17, o repertório traz músicas que revelam suas inúmeras parcerias e gostos musicais, dentro do universo da música paraense, presentes no álbum de estreia, em 2002. Vamos super conferir!

Agenda: A Casa do Fauno traz ainda nesta quinta-feira, 16, o show "Mestiça", da cantora Nanna Reis, com repertório autoral e em parceria com outros compositores paraenses e, no sábado, 18, quando haverá o Baile de Máscaras na Casa do Fauno, a apresentação ao vivo será da banda Lheira, com Pedrinho Cavallero (voz e violão), Mário Jorge (baixo) e Bererê (bateria). No repertório os grandes clássicos do carnaval de salão. Os shows iniciam sempre às 22h.

Serviço
Show Olivar Barreto. Nesta sexta-feira, 17, a partir das 22h. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada: R$ 10,00. Informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. Outras informações: 91 98134.7719.

10.2.17

"Bloco do Fauno" e "Vaca Velha" na folia do Reduto

Este ano o carnaval está mais divertido aqui em Belém. A reinvenção momesca é a alma do negócio, principalmente para quem gosta de brincar sem se prender a competições na avenida. Vários espaços da cidade estão apostando em programações culturais que fogem da mesmice carnavalesca de sempre, mergulhando na folia com bumbá, frevo, guitarrada e forró misturados com samba, suor e cerveja. A Casa do Fauno entra nesta onda e neste domingo, 12, te convida a desfilar pela memória de um dos bairros históricos de Belém, unindo-se a outra tradição paraense, o boi de máscaras, no resgate da Vaca Velha. 

A Casa do Fauno apresenta o Bloco do Fauno, que promete, a partir deste ano, se integrar à programação carnavalesca de Belém. A casa abre às 10h, e a concentração inicia às 15h, na Aristides Lobo, entre Benjamin e Rui Barbosa.

O folguedo do Boi de Máscaras é uma manifestação da cultura popular paraense, originária e praticada em São Caetano de Odivelas, cidade onde os moradores vivem, com todas as suas forças, esta tradição, um cortejo ululante comumente puxado por um bovino macho. São famosos o Faceiro e o Tinga, coordenados por famílias do município. Dizendo-se do povo, a Vaca Velha, a energia feminina deste folguedo resgatada há um ano, com direito a registro em documentário e tudo, chega para arrasar no carnaval da capital paraense, desfilando pelas ruas do bairro do Reduto.

O Bloco do Fauno, que também vai contar com um “perna”, traz como destaque uma cabeça de fauno, confeccionada por Paulo Emílio Campos, com a técnica da papietagem. O artista, que também abriu, recentemente, a exposição temática “Reduto do Carnaval”, na Casa do Fauno, traz uma interpretação especial deste ser mitológico de energia bacante, bem vinda e, mais que perfeita, para o momento.

"Fiz uns chifres de rosca para trocar todos os anos, afinal, cada um pode escolher o chifre que melhor lhe couber", brinca Paulo Emílio.

O bloco foi ideia da Cleide Cunha, proprietária da Casa do Fauno, que fechou parceria com Na Figueredo, Amazon Beer, Prefeitura de São Caetano de Odivelas e Associação Cultural Vaca Velha, para sua concretização. “É a primeira vez que a Vaca Velha estará se apresentando em espaço aberto em Belém, sendo apresentada ao público da capital de forma mais ampla. Virá um grande contingente de brincantes”, diz Cleide.

Ausente das brincadeiras de São Caetano desde a década de 1980, a Vaca Velha está de volta ao cenário cultural do município. Das margens do Rio Mojuim para a beira do Guajará, a brincadeira odivelense do Boi de Máscaras, chega ao Reduto, em Belém do Pará, trazendo uma grande comitiva. 

Para fazer o carnaval em Belém, ao todo serão 08 Pernas, 15 Pierrots, 04 Cabeçudos e 01 Vaqueiro, que pretendem arrastar um público expressivo pelas ruas do bairro, junto com as dezenas de mascarados brincantes, que também são esperados para participarem do bloco do Fauno. O cortejo todo será animado pela “Pipirinha”, a Orquestra Raimndo Matos, formada por 15 músicos. 

Ivan e Ivandro Sarmento, que coordenam a associação, estão firmes no propósito de levar a vaca Velha aos extremos das apresentações e difusão dessa cultura que só se manifesta no Pará e, mais especificamente, em São Caetano de Odivelas. Aliás, no dia 19 de fevereiro, durante o carnaval odivelense, a Vaca Velha estará nas ruas, assim como promete voltar em junho em sua configuração mais tradicional, com curimbós e outros detalhes da época junina.

“Vamos realizar o cortejo em Belém, como fazemos durante o período carnavalesco, pois entendemos o carnaval como um espaço da diversidade, mas na apoteose, lá na área da metalúrgica, o público vai poder ver também um pouco de como o folguedo é apresentado em São Caetano de Odivelas, no contexto junino, que é a tradição e raiz da brincadeira”, diz Ivan Sarmento, presidente da Associação Vaca Velha.

Sobre percurso, documentário e kit folião

A concentração do Bloco do Fauno e Vaca Velha inicia às 15h, na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa e sai às 16h, pela Aristides Lobo, Benjamin Constant, 28 de Setembro – parando na metalúrgica “A Reconstrutora”, na rua 28 de Setembro, entre Benjamin e Piedade, onde haverá uma apresentação apoteótica da Vaca Velha. 

O retorno pelas ruas 28 de Setembro, Ó de Almeida, Rui Barbosa e Aristides Lobo, até a frente da Casa do Fauno, trecho que estará interditado para maior conforto dos foliões.

Enquanto o bloco e a Vaca Velha circulam pelas ruas do Reduto, dentro da casa e em seu quintal, o clima de carnaval também será intenso. Além da exposição, que remete aos velhos carnavais do Reduto, será exibido vídeo de 4 minutos, mostrando o resgate da Vaca Velha, em São Caetano de Odivelas, com direção de Artur Árias e Angela Gomes.

A casa já disponibiliza também o Kit Fauno Folião, com camisetas Vaca Velha, confeccionadas pela Na Fábrica, de Na e Clóris Figueredo, e uma caneca personalizada da Casa do Fauno, na qual o folião tem direito a duas rodadas de chopp (450 ml cada). 

Baile de Máscaras - A programação integra as ações do CARNAFAUNO. Depois do lançamento do bloco, no sábado, dia 18 de fevereiro, também será realizado um baile de máscaras. Haverá Concurso de Melhor Mascarado e, como nos velhos tempos dos carnavais de salão, muita música para brincar a noite toda.

PROGRAMAÇÃO - CARNAFAUNO

Domingo, 12 de fevereiro
Bloco do Fauno e Vaca Velha
Concentração: A casa abre às 10h e a concentração será às 15h – Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. 
Saída: 16h - Percurso: Aristides Lobo, Benjamin Constant, 28 de Setembro – parando na metalúrgica “A Reconstrutora”, que integra a história do Reduto, e onde haverá apresentação da Vaca Velha.
Apoteose – 17h – Metalúrgica “A Redentora” – apresentação da Vaca Velha – R. 28 de Setembro, entre Benjamin e Piedade.
Retorno: 18h - Percurso: Rua 28 de Setembro, Ó de Almeida, Rui Barbosa e Aristides Lobo, até a Casa do Fauno.

MAIS CARNAVAL

Sábado, 18 de fevereiro, 19
Baile de Máscaras,  com Pedrinho Cavallero, voz e violão, Mário Jorge, no baixo, Bererê, na bateria, e Celso Vaughan, na guitarra.

Em cartaz até 06 de Março
Exposição: “Reduto do Carnaval” – Paulo Emílio Campos

Serviço
Domingo, 12 de fevereiro. Mais informações e venda do kit Fauno Folião, pelo número 98705.0609 ou facebook.com/casadofaunobelem. Realização: Casa do Fauno. Apoio: Associação Vaca Velha, Metalúrgica “A Redentora”, Na Fábrica, Prefeitura de São Caetano de Odivelas (PA) e Ong Nhandeara. Outras informações: 91 98134.7719.

9.2.17

Casa Etnias traz o bumba meu boi para o carnaval

No sábado, 18 de fevereiro, a Casa Cultural Etnias mais uma vez abre alas para a cultura popular. Vai ter tambor, bumbá, cantoria e bailado folclórico, com o Boi Travesso. Ingressos antecipados em informações: 98901-9171 / 98338-9044.

Por Ângelo Madson

O festejo traz ao público, também, a sonoridade percussiva do grupo Nação Ogan e a participação especial do grupo Vozes de Fulô, além do ritual de apresentação do Boi Travesso. 

O evento tem o objetivo de contribuir para a produção dos ornamentos e adereços a serem apresentados na próxima quadra junina, busca dar visibilidade para as ações de revitalização do espaço do Boi Travesso, no bairro do Guamá, assim como, a criação de uma rede de agentes e produtores culturais.

A produção colaborativa do evento fica por conta de agentes e produtores culturais que pensam e articulam redes como Na compra de seu ingresso para o Festejo Popular você ajuda arrecadar recursos para o Boi Travesso ganhar as ruas na quadra junina de 2017. 

Num grande esforço de solidariedade, mais acima de tudo, num pleno exercício da cidadania muito jovens e produtores vem realizando diversos mutirões para limpeza, organização e reconstrução do humilde imóvel que abriga a sede do Boi na rua Paolo Cícero, 151 no bairro do Guamá. Assim, o festejo faz parte de um conjunto de estratégias para promoção e valorização da cultura popular. 

Transmissão ao vivo - A Rádio Web Idade Mídia – Comunicação para Cidadania, participa desta ação com registro em áudio e transmissão ao vivo do evento pelo site www.idademidia.org ou pelo o App Idade Mídia no Google Play - Android. Para Iphone e Windows Phone baixe RadioFlix.FM e busque Idade Mídia.

Fotos: Facebook Boi Travesso

Serviço
Festejo Popular no Etnias, com Nação Ogan (percussão), BOI TRAVESSO + grupo Vozes de Fulô. No sábado, 18, de fevereiro, a partir das 18h. Ingressos R$ 10,00 (ou +). Na Casa Cultural Etnias: Av Alcindo Cacela, 2110. Gentil/Conselheiro.

Forró das Três e Meia na farra do final de semana

A experiência deu certo e neste sábado, 11, o grupo estará no Espaço Cultural Apoena, animando o Baile Carnavalesco do Bloco da Canalha, e no domingo, 12, volta ao Centro Histórico de Belém, para realizar mais um Cortejo Forrozeiro, à convite da Casa Velha.  

Por Jaqueline Ferreira 

Se o carnaval é tido como a festa popular mais democrática que existe, por que não juntar com o forró e fazer uma cortejo forrozeiro arretado ao som da sanfona e zabumba?! Um cortejo de carnaval ao som de forró, xote, baião e quadrilha, puxado pela zabumba, sanfona e triângulo.  

Quem disse que esses ritmos não podem ganhar a avenida na festa de Momo, na capital paraense? O grupo Forró das Três e Meia provou que sim e arrastou admiradores num cortejo animado pela Cidade Velha, no último final de semana. A ideia caiu bem no gosto do povo e os músicos vão repetir a experiência de tomar conta das ruas, neste domingo, 12.

A convite da Casa Velha 226, centro cultural que vêm movimentando a cidade com uma vasta programação semanal, o grupo quer arrastar a galera pelas ruas do bairro em um clima arretado de arrasta-pé. Circulará no entorno da Casa, a partir das 18h, e depois retorna ao ponto de partida, onde a festa continua.

O Forró das Três e Meia é um grupo itinerante, que surgiu durante as viagens do acordeonista Reebs Carneiro pelo Brasil. Em Belém, o projeto ganhou a participação de mais três músicos da terra, Johny Craveiro (percussão e vocal), Rodrigo Ethnos (triângulo e vocal) e Victor Hugo (zabumba e vocal). 

“Passei dois anos percorrendo a costa brasileira procurando a chave do que se chama o forró. Aqui em Belém, juntamos esse grupo e temos feito um forró que, inconscientemente, mescla a tradicional música nordestina com elementos indenitários paraenses. O resultado é um barulho de chinelo raspando o chão, que dá pra ouvir de longe", explica o músico, Reebs Carneiro. Juntos, eles têm realizado uma vasta agenda de apresentações em espaços culturais da cidade, reunindo os amantes do forró estilo pé de serra.

Agenda

  • Bloco da Canalha. Data: 11 de fevereiro, sábado. Hora: 20h. Local: Espaço Cultural Apoena (Av. Duque de Caxias, 450, esquina com Antônio Barreto - Marco). Ingressos: R$ 10,00. Contatos: 98373-7177//98350-003.
  • Cortejo Forrozeiro. Data: 12 de fevereiro, domingo. Hora: 18h. Local: Casa Velha 266 (Travessa Gurupá, 226, entre Dr. Malcher e Cametá - Cidade Velha). Ingressos: R$ 5,00. Contatos: 98373-7177//98350-0035.

8.2.17

Projeto Camapu estreia seu mais novo espetáculo

“O Conto das Duas Ilhas” ganhou brilho especial no Teatro Roc Roc, atelier do grupo, situado na periferia da cidade. Em janeiro, a própria comunidade foi convidada a participar da construção do espetáculo que pôde aplaudir, finalmente, no último dia 3 de fevereiro. Novas apresentações em Belém, Outeiro e Cotijuba estão programadas.

Por Yorranna Oliveira
Especial para o Holofote Virtual 

O movimento na rua antecipava o clima de espetáculo. Haveria uma programação nova naquele 3 de fevereiro. Lorrany estava preparada bem antes das 18h. Olhava para o outro lado da rua como quem aguarda o sinal para entrada. Ela conhece todas as rotinas de tempos de cena aberta no teatro. É experiência de quem cresceu vendo as apresentações do também jovem Projeto Camapu no palco do Teatro Roc Roc, no Jardim Sideral. Quando percebe uma nova movimentação, já pergunta: “Vai ter espetáculo?”.

As crianças das redondezas, veteranas de sessões no Teatrinho Roc Roc, já conhecem, passeiam o dia todo pela frente do teatro, ansiosas para o começo. As novatas também se arrumam, porque sabem internamente que ir ao teatro tem algo de mágico e especial. Todas querem conferir o que as portas de madeira da casa 82 guardam. Quando as cortinas se abrem, elas percebem como tudo pode ser feito de imaginação e sonho, especialmente para elas.

Na estreia de “O Conto das Duas Ilhas” não foi diferente. Plateia de criança, de jovem, de adulto. Os pequenos no chão, em tapetes enfileirados para recebê-los. Quanto mais perto do palco, maior a proximidade com a cena. Nos pequenos bancos, os pais, responsáveis e acompanhantes mais velhos. Lorrany, criança de poucas palavras e gestos contidos, observa a tudo. Tem olhar, como o de Marília, a jovem personagem da peça que logo mais será encenada. Olhar de espera e curiosidade. Um, dois toques de campainha. Sussurra para a mãe: “Falta só uma, já vai começar!”, diz. 

Lorrany pronuncia palavras que se incorporam à rotina. Nomes que parecem banais para quem convive com o mundo das artes, mas no Jardim Sideral ganham ainda mais significado. Sessão, espetáculo, peça, teatro. Arte. Palavras de sonho que batalham para serem mais presentes que a violência de frases inteiras estampadas nos jornais. O Jardim Sideral ainda floresce nas páginas policiais, mas há uma semente cultivada para ganhar outras editorais: camapu para virar palavra, frase, parágrafo, narrativa inteira sobre cultura, lazer, paz. 

Espetáculo premiado une animação cênica e audiovisual

“O Conto das Duas Ilhas” ganhou o Prêmio Funarte de Teatro Myrim Muniz 2015 ao propor fazer um espetáculo sobre aventura e esperança, unindo manipulação de marionetes e animação em stop motion. Entre os objetivos, além da realização do espetáculo, o fortalecimento da relação com a comunidade.

O Projeto Camapu abriu as portas do ateliê desde outubro de 2016 para moradores e artistas interessados em participar da montagem e acompanhar cada detalhe. Na estreia, os moradores eram os convidados especiais. Veio criança, veio jovem, veio adulto. Amigos, parceiros, toda gente do Jardim.

Antes da cortina se abrir, San Rodrigues, marionetista do Projeto Camapu, sai dos bastidores, vestido em seu personagem de contos e fantasia. Traz uma caixa mágica, que promete apaziguar temores e fazer amizade. “Quem tem medo de marionete aqui?” , ele pergunta em tom de delicadeza. Mostra a caixa e anuncia os poderes mágicos que ela detém. De lá, retira o Pequeno Pessoa, marionete que encanta nos primeiros contatos. E se aproxima da criançada que quer pegar, ver de perto. Os olhos brilham. Só há crianças agora, porque até as adormecidas despertaram.

Os mais novos na casa são informados sobre as campainhas. Quando a última ecoar, o espetáculo inicia. San volta para as sombras. Momentos depois o último som. As vozes silenciam aos poucos. As cortinas se abrem. A jornada entra o Movimento e a Vida vai começar. No palco, quem surge é Carapirá, o contador de histórias. O arauto dessa trama de aventura e fantasia. Ele narra a história do começo dos tempos, no planeta Orezonti e suas duas ilhas, onde depositou a Vida e o Movimento, e sobre como o avançar dos dias faz uma esquecer da outra, até todos conheceram a existência de apenas uma: Antrofazia.

É a ilha tomada pelo azul profundo do oceano. Mar em que repousa a lembrança de uma partida, quando o jovem capitão Horácio se lança para desbravar o desconhecido, porque não acreditava que o mundo se resumia à Antrofazia. Como poderia? Ele constrói criaturas velejantes e vai buscar a completude para o vazio mais íntimo.

Deixa para trás a semente de uma esperança, que alimenta o coração de Marília, a jovem com o olhar voltado para o azul profundo com a certeza do retorno de Horácio. Em sua espera, Marília constrói um velejante para resgatar o capitão e ali deposita a semente que espalhará a liberdade e a vida.

Em cena, jogos de luz, sombras. Manipulação de marionetes. Animação em stop motion. Sensibilidade e delicadeza. A trilha sonora que ajuda a contar e cantar o enredo. “O primeiro veleiro que virou história/De partidas, esperas, mar e ilha/Descansa agora no azul profundo/Do grande mar em torno de Marília”.

É o elemento último para envolver a plateia. E pouco a pouco, Horácio e Marília tocam em algo muito interno, emocionam. Ao final, a semente já virou partilha. Afeto semeado e colhido em olhos curiosos, sorriso de cumplicidade e choro de adulto – curiosamente os que mais transbordam. Às crianças, cabe o encanto, a curiosidade, o sonho, a alegria. A semente de camapu já brotou ali, porque germina em todos os lugares só à espera de um chamado.

Para ver “O Conto das Duas Ilhas”

A estreia foi apenas o começo. O Projeto Camapu recebe gratuitamente escolas municipais de educação de terça a quinta nesta e na próxima semana. Nos dias 11 e 12 de fevereiro, faz duas apresentações na Casa dos Palhaços (Rua Piedade, 533, esquina com a Tiradentes). Dia 11, às 19h; Dia 12, às 11h. Ingressos: R$ 10 reais.

No dia 21, “O Conto das Duas Ilhas” será apresentado na Escola Bosque de Outeiro. E, no dia 23, na Ilha de Cotijuba, encerrando a primeira temporada da turnê. (Informações: 98114-7149) 

Ficha técnica do espetáculo

  • Dramaturgia: San Rodrigues
  • Marionetistas: San Rodrigues e Nina Brito
  • Construção de Marionetes: San Rodrigues
  • Cenografia: Nina Brito
  • Iluminação Cênica: Marckson de Moraes
  • Trilha Sonora Original: Renato Torres (Gravada, mixada e masterizada por Renato Torres no Guamundo Home Studio, Belém-PA)
  • Canções: Marília, Além e O Primeiro Veleiro (San Rodrigues)
  • Vozes dos Marionetes: Renato Torres (Carapirá), San Rodrigues (Horácio) e Nina Brito(Marília)
  • Assistente de Atelier: Glaucia de Jesus
  • Adereços de cena (Sol e Lua): Luciana do Carmo
  • Confecção de Figurino: Anne Moraes
  • Equipe de Captura e Animação (Stop Motion): San Rodrigues, Nina Brito, Marckson de Moraes e Gabriel Angelo
  • Registro e Edição de Vídeos e Imagens: Alexandre Yuri
  • Assessoria de Imprensa: Yorranna Oliveira
  • Produção Executiva: Patrícia Ventura