16.1.20

Iniciação à fotografia sob as perspectivas do olhar

O fotógrafo Miguel Chikaoka trabalha  conhecimentos sobre a técnica e a história da fotografia na oficina “De Olhos Vendados”, que inscreve até o dia 25 de fevereiro, na galeria Kamara Ko Galeria,  para atividades que ocorrerão entre 09 de março e 13 de maio. 

A oficina se produz em doze encontros, por meio de vivências pautadas em práticas de construção e uso de dispositivos de visualização, captura e análise de imagens, jogos e exercícios sensoriais,  saídas a campo e rodas de conversa. O grupo é convidado ao “exercício do pensamento crítico-criativo sobre a essência do que permeia o fazer fotográfico”, diz Chikaoka.

A perspectiva da luz - suas características, propriedades e significado,  é abordada em um passeio pela fotografia artesanal - como a pinhole, fotografia digital, conhecimento sobre a câmera fotográfica, fluxos de trabalhos, entre outros temas.

Mais do que resultados, o processo prioriza a poética e o experimental, neste trabalho orientado por Miguel Chikaoka, fotógrafo que reside em Belém desde a década de 80, onde idealizou os projetos de criação da Associação Fotoativa e  da Agência Kamara Kó Fotografias. Natural de Registro-SP, seu trabalho dedicado ao estudo e práticas educativas é pautado em abordagens que buscam expandir os sentidos do olhar para além da fotografia.

Como artista, dedica-se à criação de obras que transitam entre imagens, instalações e objetos que tratam de questões filosóficas e políticas que norteiam seu engajamento no campo da educação e, ao longo de mais de 3 décadas, além de uma dezena de individuais, soma participações significativas em exposições no Brasil e no exterior. Como ministrante de cursos, workshops e palestras soma uma extensa lista de convites para atuar em eventos nacionais e internacionais. 

Em 2012, recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural – MinC por sua contribuição à cultura brasileira. Em 2014, convidado pelo CdF para desenvolver um projeto no âmbito da Jornada: 10, sobre Fotografia e Educação, desenvolve o projeto “Aguas Enlazadas”, uma produção coletiva articulada com agentes multiplicadores no Brasil e no Uruguai, que resulta numa instalação no espaço Bazar na pré ocupação da nova sede do CdF. Em 2015 foi agraciado com o Prêmio Marcantonio Vilaça/Minc/Funarte.

Serviço
Oficina “De Olhos Vendados”, de Iniciação à Fotografia, com MIguel Chikaoka, com inscrições abertas até 25 de fevereiro, com atividades entre 09 e março a 13 de maio, às terças e quintas, de 19 as 21h30 + práticas de laboratório saídas,  viagens, consultas e orientações presenciais ou on line. Na Kamara Ko Galeria, Travessa Frutuoso Guimarães, 611 (entre General Gurjão e Riachuelo). Bairro Campina. Investimento:  R$ 750,00 (incluso: materiais de consumo, laboratório e scanner).
Formulário de inscrição: https://forms.gle/4AeApQ1jMAAdXcA89

Rogério de M. Barros lança Borameditar em Belém

O ator, escritor, artista visual e Yogi carioca Rogério de Mendonça Barros está em Belém para lançar o projeto “Borameditar”, que reúne um conjunto de ações cujo objetivo é ensinar as pessoas a meditar. Haverá lançamento de livro na Fox (18), palestra e oficina infantil no Espaço Vida Zen (20 a 24), outra oficina para crianças, no Casarão do Boneco (25 e 26), além de um bate papo no Atelier Jupati (27) e um workshop teatral, no Espaço Cultural Valmir Bispo Santos (28 e 29). No final do bate papo com ele, você confere todas as informações na agenda.

O projeto “Borameditar” nasceu no Rio de Janeiro, onde Rogério de M. Barros começou a ensinar meditação para um grupo de crianças de uma comunidade. A experiência o inspirou a escrever o livro “O Menino que queria ser Bombeiro, que será lançado na Livraria da Fox.

Além de ações abertas ao público, Rogério também realizará, no dia 27, pela manhã, às 10h, em ação voluntária, uma mini palestra lúdica sobre o livro e uma prática de respiração com o público interno do CIIR - Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação, que fica na Rod. Arthur Bernardes.

Na Fox, o autor fará uma pequena apresentação da sua trajetória profissional e falará como nasceu o projeto inédito no Brasil "Borameditar", realizando ainda prática lúdica de respiração, com adultos e crianças, finalizando com autógrafos na obra que estimula, de forma lúdica, crianças a conhecerem a si mesmas através da meditação. Além de “O Menino que Queria ser Bombeiro”, Rogério tem mais um livro impresso, de fotografia, intitulado "Solitude"; e dois e-books "O Poder da Respiração" e "Manual de Meditação para Iniciantes". 

A Yoga entrou na vida de Rogério de M. Barros, em 1997. “O meu corpo era super tenso, eu vinha de uma carreira de esportes, era sufista profissional, então os cinco primeiros anos de Yoga foram muito difíceis, eu suava desproporcionalmente, de escorrer pelo tapete e sala”.

Foi necessário também fazer um tratamento com medicina ayurvédica, um sistema alternativo milenar nascido na Índia, que une bem-estar e saúde. “O médico conseguiu diminuir minha temperatura, mas me disse que a partir dai o lance era meditar”, conta ele que foi a partir de então iniciado em Meditação Transcendental. 

Meditar e compartilhar experiências

A ideia de sair pelo mundo praticando e compartilhando seus aprendizados com meditação ganhou força e foi preciso praticar o desapego. “A gente compra, consome, cria patrimônio e depois tem que cuidar disso tudo. Viajar mesmo, só como turista, mas eu queria sair pelo mundo. A idade foi chegando, meus pais partiram, tive uma separação e eu pensei que seria o momento". 

Ele nem pensou muito e em três dias, ligou para um leilão. “Os caras foram na minha casa e levaram tudo, lençol, fogão, móveis, geladeira, tudo mesmo. O carro eu vendo pela Olx, em uma tarde. O apartamento coloquei pra alugar e comecei a viajar. O dinheiro não deu nem para seis meses e comecei então a encarar isso tudo como missão. E o trabalho que iniciei no Rio está se espalhando pelas cidades que chego”.

O ensino de meditação para crianças surgiu em 2012, junto com a vontade de sair pelo mundo, depois de uma espécie de visão. “Um dia, numa meditação mais longa eu me visualizei dando aulas para crianças. E eu nunca tinha ouvido falar de meditação infantil, mas a partir dessa imagem eu procurei possiblidades de desenvolver isso; e encontrei uma comunidade carente próxima de minha casa, com uma sala disponível para praticar com as crianças”. 

A turma inicial tinha 30 crianças e os resultados foram positivos, não apenas individualmente.  “A própria comunidade começou a se transformar. Veio até um traficante me dizer que o que eu precisasse era só pedir e eu ensinei meditação pra ele também. É um sonho passar em todas as capitais do país e promover meditação com crianças e adultos. 

Pela primeira vez na Amazônia

Estou na Região Norte, pela primeira vez, e minha expectativa é que o público venha e participe das ações”, diz Rogério, que antes estava em Campo Grande, no Matogrosso do Sul ministrando uma oficina. 

“De lá cheguei na Bolívia e no Peru, antes de descer para o Acre, Rondônia, Manaus e finalmente chegar no Pará. “Fiz todos estes percursos de ônibus, pois não tem graça alguma chegar de avião nestes lugares. Assim é mais ancestral, fico mais próximo da cultura e das pessoas desses lugares por onde passo”.

Praticando as técnicas, desde 2002, Rogério afirma que começou a enxergar de forma mais clara, padrões mentais, pensamentos negativos, prestar mais atenção no que as pessoas falavam, e fazer também a sua auto observação. “Fico muito tempo em silêncio, sentado, observando. As posturas de Yoga abriram meu corpo, e a meditação foi a salvação”.

Antes de começar a viajar com o projeto Borameditar, Rogério tinha uma vida atribulada como ator. Fez mais de cem personagens no teatro e na televisão, dois programas de TV que concorreram ao Emmy. Fez teatro em Portugal e na África e, por dois anos ensinou cinema a jovens moradores de comunidades da zona portuária do Rio de Janeiro, com patrocínio do Governo Federal. 

Na televisão, encarnou Edson, motorista e amante da personagem da Suzana Vieira, na minissérie "Lara com Z". No teatro fez Vado, ficando em cartaz por dez anos na peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos. O curta mais conhecido da carreira é "Antes do Galo", exibido em mostras e festivais.

BORA MEDITAR | AGENDA

AUTÓGRAFOS E BATE PAPO 
Lançamento do livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro"
Local: livraria FOX 
Endereço: Tv. Dr. Moraes 584
Data: 18.01.20 (sábado)
Hora: 18h30 
Dinâmica: O autor fará uma pequena apresentação da sua trajetória profissional e como nasceu o projeto inédito no Brasil "Borameditar", realizará uma prática  lúdica de respiração, com adultos e crianças dará os autógrafos do livro.
Valor do livro: R$ 30,00. 

PALESTRA
"Melhorar a Vida com Respiração e os Elementos da Natureza" 
Local: Espaço Vida Zen 
Endereço: Av. Alcindo Cacela 1872. 
Data: 20.01.20 (segunda-feira)
Hora: 19h
Ingresso: Contribuição voluntária
Lotação: 30 pessoas 
Obs: O livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro” estará à venda no local.

OFICINA DE MEDITAÇÃO INFANTIL
e os 4 elementos da natureza.
Local: Espaço Vida Zen
Endereço: Av. Alcindo Cacela, 1872, entre as avenidas Gentil Bittencourt e Nazaré. 
Data: 21 a 24.01 20 ( terça a sexta) 
Hora: 9h às 11h
Faixa etária: 6 a 12 anos 
Turma: máximo 12 crianças 
Dinâmica: Dividia em quatro módulos, são ensinadas técnicas de respiração e meditação às crianças, conforme cada elemento (ar, água, fogo e terra). Num jardim, elas podem se soltar e se conectar à natureza.
Investimento: R$ 50,00 cada módulo ou R$ 200,00 no total
Inscrição: (48) 99907 5377

OFICINA INFANTIL
"Respiração e a Consciência Corporal para crianças e a manipulação de bonecos" 
Local: Casarão do Boneco 
Endereço: Av. 16 de novembro, 815, entre Veiga Cabral e Pça. Amazonas
Turma 1 - dia 25.01.20 (sábado) -  9h às 12h
Faixa etária: 6 a 12 anos
Vagas: 12 
Turma 2 - dia 26.01.20 (domingo) -  9h às 12h
Faixa etária: 6 a 12 anos
Vagas: 12 
Dinâmica: A ideia é estimular nas crianças a consciência do corpo e da respiração, praticando ações físicas pela observação da manipulação dos bonecos.
Investimento: R$ 50,00/Dia
Inscrição: Whatsapp (48) 99907 5377

MINI PALESTRA NO CIIR 
Ação voluntária no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação 
Endereço: Rod. Arthur Bernardes 1000 - Val de Cães
Data: 27.01.20
Hora: 10h
Dinâmica: Mini-palestra lúdica sobre o livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro" e prática de respiração com o público interno.

BATE PAPO
"Respirar e Meditar: práticas simples e acessíveis a todos" 
Local: Ateliê Jupati
Endereço: Tv. Gurupá, 250 entre Rias Dr. Rodrigues dos Santos e Gurupá. 
Data: 27.01.20
Hora: 19h
Entrada: Contribuição voluntária e espontânea
Lotação: 30 pessoas 
Obs: O livro " O Menino que Queria Ser Bombeiro” estará à venda no local

WORKSHOP TEATRAL
"A Respiração e os Estados Emocionais" 
Público-alvo: atores e estudantes de teatro e não-atores interessados em Artes Cênicas.
Local: Espaço  Valmir Bispo Santos 
Endereço: Tv. Padre Prudêncio, entre Ruas Gama Abreu e Carlos Gomes.
Data: 28 e 29.01.20 (terça e quarta) 
Hora: 19h às 22h
Dinâmica: o instrutor inova ao criar um formato inédito, com técnicas de interpretação aliadas aos ensinamentos do Yôga.  Os atores e estudantes de Teatro, por meio da respiração e movimentos específicos,  desenvolvem uma maior consciência do corpo e das emoções, para criarem personagens com partituras precisas.  Os alunos não-atores podem conhecer novas perspectivas de autoconhecimento corporal e respiratório e aplicar na vida.
Investimento: R$ 100,00
Turma: Mínimo de 5 participantes
Inscrição: (48) 99907 5377

Obra paraense em busca de votos para premiação

A peça “O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração”, escrita e dirigida por Saulo Sisnando, está concorrendo ao 8º Prêmio Botequim Cultural de Teatro, em quatro categorias. A votação é on line, até dia 10 de fevereiro. O resultado será anunciado dez dias depois no Teatro Firjan SESI, Rio de Janeiro (Centro).

“O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração” estreou no Rio de Janeiro em 2019, mas ainda está inédita em Belém. O texto foi escrito e premiado em 2015, como Melhor Dramaturgia, no Prêmio de Literatura da Casa das Artes do Governo do Estado do Pará. “Na mesma época, um produtor teatral carioca se interessou pela temática e inscreveu o projeto de montagem no programa de incentivos da Oi. Fomos selecionados e ano passado apresentamos no Centro Cultural Oi Futuro”.

O prêmio Botequim Cultural foi criado em 2012 como espaço exclusivamente destinado a discussão e análise de cena teatral carioca. Com o tempo se ampliou e hoje recebe produções de todo o Brasil. É um lugar que fala de teatro, através de críticas, análises, ensaios e entrevistas. O júri é formado por críticos teatrais e estudiosos do teatro.

“É um prêmio respeitado e também aguardado, sobretudo atualmente que, por falta de incentivo, muitos prêmios foram extintos. O Zilca Sallaberry, um dos mais tradicionais dedicados ao teatro infanto-juvenil, por exemplo, não existe mais. Então o Botequim, por ser um prêmio independente, tem grande importância dentro da resistência”. 

O espetáculo concorre na Categoria de Teatro Infanto Juvenil; e Saulo Sisnando, como melhor autor e melhor diretor, enquanto que Fabrício Polido, disputa o prêmio de melhor ator. A obra conta com idealização de Marcelo Nogueira; e traz ainda no elenco Amanda Melo, Daniel Dias e Nedira Campos. Todos na equipe são cariocas com exceção do autor. 

A peça trata da importância de sermos diferentes e de valores como tolerância, amizade, perdas e, principalmente, ensina sobre a necessidade de amar. O protagonista é Caniço, um garoto de 12 anos que descobre o amor nos olhos de uma menina, que exige uma flor vermelha em troca de seu coração. Caniço, porém, conhece no meio do bosque um menino-príncipe que está noivo de uma andorinha. Ele se depara, então, com desafios muito maiores do que conquistar o coração da pessoa amada.

Além das 4 indicações ao prêmio Botequim Cultural, “O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração” recebeu ainda mais 12 indicações ao Prêmio CBTIJ, especializado em teatro infanto-juvenil, mas não é votação popular.  “Esperamos que as indicações impulsionem novos patrocínios e consigamos trazer o espetáculo não apenas para Belém como também para outros estados”.

O teatro de apartamento na cena de Belém

Saulo Sisnando não se considero de uma nova geração. “Pelo menos, não novíssima! Estreei meu primeiro espetáculo há mais de 10 anos no antigo teatro Cuíra e já estou na cena há exatos 20 anos. No Rio, além do Príncipe Poeira, esse ano ainda apresentamos a peça SUSTO que também foi muito bem recepcionada lá”. 

O autor, que transita pelo universo de dramaturgos mais experientes, como Edyr Augusto Proença, do Grupo Cuíra, também observa novos autores que já estão atuantes na cena de Belém. “Existe na cidade um grande número de dramaturgos que surgiram depois de mim, dentre eles a Barbara Gibson, Haroldo França, Alana Lima, entre tantos outros. E também tenho uma grande e profícua parceria com o Edyr Augusto, com que já produzi uma penca de espetáculos”.

Saulo costuma apresentar seus trabalhos em teatros de bolso, salas de apartamento, formatos mais contemporâneos diante das dificuldades em se conseguir pautas em teatros tradicionais.

“Foi o jeito, mas sempre achei que a grande graça do teatro era a proximidade. O quase tocar. Trazer para o público essa sensação de que o teatro pode estar em qualquer lugar. Isso traz verdade, aproxima da vida das pessoas, tira os espectadores da passividade, se incluírem na peça, e quando chegarem em casa e a família começar a brigar na cozinha, eles pensem... bom, isso podia ser uma peça”.

Para quem já acompanha e gosta do trabalho de Saulo Sisnando, uma outra boa notícia é que ele vai estrear, em fevereiro, "Por um Segundo apenas", seu novo espetáculo, que fala sobre amor, paixão e saudade. “Estreio minha peça nova, no teatro de apartamento, na Trav. Curuçá 315. E desta vez, toda a equipe é formada por paraenses”, conclui.

VOTAÇÃO

8º Prêmio Botequim Cultural 
(Votação online até o dia 10 de fevereiro, por meio do link, o resultado será anunciado no dia 20 de fevereiro, no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro)

- Melhor Espetáculo,
- Melhor Direção (Saulo Sisnando),
- Melhor Autor (Saulo Sisnando) e
- Melhor Ator (Fabricio Polido)

Para participar da votação acesse o link:

6º Prêmio CBTIJ de Teatro para Crianças 
(Os premiados serão conhecidos no próximo dia 25 de março)

- Melhor Espetáculo,
- Melhor Texto Original,
- Melhor Direção (Saulo Sisnando),
- Melhor Ator em Papel Protagonista (Fabrício Polido),
- Melhor Ator em Papel Coadjuvante (Daniel Dias da Silva),
- Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (Amanda Melo),
- Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (Nedira Campos),
- Melhor Figurino (Karlla de Luca),
- Melhor Iluminação (Mantovani Luz – Fernada e Tiago Mantovani),
- Melhor Fotografia de Cena (Luciana Mesquita),
- Melhor Direção de Produção (Cacau Gondomar e Marcelo Nogueira),
- Melhor Programação Visual (Bruno Dante),

14.1.20

Espetáculo candango chega com tempero paraense

O espetáculo “Maniva” chega a Belém para apresentações nos dias 16 e 17 de janeiro, no Sesc Castanhal e Sesc Ver-o-Peso, respectivamente. O espetáculo já realizou 2 temporadas independentes em Brasília e sua 1ª temporada em Belém só será possível, por conta de uma benfeitoria realizada na internet, onde o público colabora com o coletivo para vinda à cidade. A montagem é do Coletivo Maniva formado por brasilienses e uma paraense. 

“Os três Mal-Amados”, poema-peça inacabada de João Cabral de Melo Neto, foi o ponto de partida para provocações que levaram os atores a uma dramaturgia autoral, essencialmente embasada em elementos do imaginário cultural e realidade paraenses. 

Larissa Souza, atriz paraense radicada em Brasília, foi o elemento chave para essa mistura de referências, que tanto se parece com a pluralidade cultural da capital do país. A vontade de trazer o espetáculo vem desde que os contornos de dramaturgia foram criados. Isso porque eles acreditam que o trabalho só tem a crescer com os olhares do público paraense, munidos de vivências e afetividade com a maniçoba

“Maniva” apresenta um recorte da vida de uma mulher, onde num ato apaixonado ela se põe a preparar uma maniçoba, prato típico da culinária paraense, e, durante esse preparo, vive um encontro consigo mesma. Numa trajetória permeada pelo real e onírico vão se revelando os abismos e sutilezas que habitam as entrelinhas do amar. 

Ao longo da apresentação, a peça discute temas como relações de dependência e violência doméstica, por meio de metáforas muito inspiradas na riqueza poética da escrita de João Cabral. A montagem tem atuação de Larissa Souza, iluminação e trilha sonora executada ao vivo, de Luisa L’Abbate e Thiago Gama e, direção de Rafael Toscano e Yuri Fidelis.

“Há quase 8 anos, moro em Brasília e vir pra cá só fortaleceu essas raízes. Foi preciso me distanciar pra perceber que eu era toda emaranhado de umidade, calor, onça pintada, açaí e andiroba. Nas minhas unhas tem terra negra da Amazônia e terra vermelha do Cerrado. Brasília também não é esse deserto de desalmados. Ser uma artista, mulher, afroindígena paraense vivendo na capital me amplia a visão sobre os dois lugares, me faz ver organicidade no planejamento alvo de Brasília, me mostra que o Centro Oeste ainda sabe pouco do Norte. É nesse trânsito que quero estar”, declara a atriz.
   
Serviço
Sesc Castanhal, dia 16 de janeiro, às 19h30 - Avenida Barão do Rio Branco, 10 - Bairro Nova Olinda), entrada gratuita. Sesc Ver-o-Peso, Belém, dia 17 de janeiro (sexta-feira), às 19h - Av. Boulevard Castilhos França, 522/523). Ingressos: R$ 5,00. Classificação 14 anos.

(com informações da assessoria de imprensa do espetáculo)

10.1.20

Curso para potencializar escritoras independentes

Em fevereiro, a escritora e colagista paraense Monique Malcher, 31, atualmente morando em Florianopólis, ministra em Belém um curso de autopublcação para escritoras independentes. Antropóloga e doutoranda em Ciências Humanas, pesquisando quadrinhos e literatura, ela pretende partilhar sua trajetória, incentivando a escrita de outras mulheres. Em entrevista ao blog, ela conta as novidades da carreira e o que vai rolar no curso, cuja pré inscrição já está rolando. 

"Escrevo, e agora? Como me divulgar? Como me autopublicar? Quais as ferramentas e conhecimentos preciso ter? Qual o papel de outras mulheres que escrevem na trajetória individual de cada escritora? A autopublicação é uma alternativa viável?". Monique pretende apresentar alternativas para soluciona questões como essas. O curso também conta com exercícios práticos para a produção de textos que estarão em uma zine coletiva das escritoras participantes do curso, que será lançada virtualmente de forma gratuita. 

Mulher de diversas faces e performances na arte, Monique escreve desde os dez anos de idade, já lançou produções independentes como as zines: Trinstona (2018), E a gente nunca mais se viu (2019) e Mas nem peixe? (2019). Tem contos publicados na revista literária Ruído Manifesto, além de manter uma newsletter que em apenas três meses ultrapassou 200 assinantes. Como colagista, mescla colagem digital e analógica.

Até o primeiro semestre de 2020 estará tanto como colagista, pesquisadora e escritora em obras como: Mulheres e Quadrinhos (Editora Skript e Minas Nerds), Queer e Quadrinhos (Editora Skript e Mina de HQ), Emília 100 (Editora Skript e Carol Pimentel), Zine Poça #1 e Zine Coletivo Declama Mulher.

Outra novidade na carreira é o livro “Flor de Gume” que seria publicado via financiamento coletivo, mas que acabou chamando atenção da escritora Jarid Arraes e será publicado em abril pela editora Pólen/ Selo Ferina (com curadoria de Jarid). A editora Pólen Livros já publicou mulheres como a própria Jarid Arraes e Djamila Ribeiro.

Ficou interessada em fazer o curso? Espere até ler o bate papo que vem a seguir. As informações sobre como participar e ler Monique Malcher estão no final da entrevista.

Holofote Virtual: Movimentos literários que enfatizam obras de escritoras, como o Leia Mulheres. O surgimento de bibliotecas feministas. Este teu curso! Revelar e incentivar a produção de mulheres nesta área. E se olharmos em volta, não é só na área da literatura, também estão ocorrendo ações impulsionadas por mulheres, no cinema, teatro, música... Dentro desse contexto, me fala um pouco da ideia de realizar este curso e de como você enxerga este momento feminista que estamos vivendo?

Monique Malcher: Fico feliz que você tenha citado o Leia Mulheres, porque recentemente conheci Michelle Henriques, a mulher maravilhosa que é uma das criadoras desse projeto incrível, que inclusive acontece em Belém mediado por Pamela Raiol e Pamela Soares. 

Esses movimentos que incentivam a literatura produzida por mulheres são resultado da agência de mulheres que se cansaram dos olhares, decisões e palavras que as colocam em posições inferiores, tanto como leitoras quanto como escritoras. O mercado da arte também nos subestima, mas é preciso que retomemos a autoconfiança, esse sentimento que o homem branco tem de sobra. 

O curso veio de uma agonia que tive no peito por muitos anos, me sentia perdida sobre o que precisava fazer para publicar o que escrevia, para fazer circular meu material e ter coragem de vendê-lo. Desde a insegurança em relação ao ato de escrever até como se negociava com uma gráfica, eram campos desconhecidos e minados para os meus sonhos. Acredito que todo meu trabalho é mulher e ele precisa voltar como voltam as ondas, com mais força e trazendo novas questões/possibilidades. 

Tudo que faço no campo literário e das artes visuais quero partilhar com outras mulheres, não porque sou salvadora de alguma coisa, mas por não querer que outras percam tempo como perdi. É preciso que nos leiam urgentemente e para isso precisamos ultrapassar o argumento de me leia, esse é meu sonho.

Performance Drag: Cílios de Nazaré
(Foto: Gyselle Kolwalski)
Holofote Virtual: Você é da comunicação, tens também relação com a cultura pop dos quadrinhos, zines, e do universo queer. Como isso tudo te habita e quando foi que despertou a veia literária. Que escrita é essa que te move e leva tua assinatura?

Monique Malcher: Escrever sempre foi uma prioridade. A escrita literária era o que eu sempre colocava como o primeiro vagão desse trem enorme que é minha produção. Por um tempo tentei escolher entre as coisas que fazia, por uma pressão externa de um sistema que cobra isso, mas com os trinta anos entendi melhor essas relações. 

A performance drag que fiz por três anos, minha vida de pesquisa com quadrinhos/produção de colagens e o trabalho com músicos e cadernos de cultura, me deram o presente de entender que a imagem e a linguagem escrita tem vários caminhos e que essas experiências me fizeram uma escritora melhor, porque pude conviver com universos completamente diferentes. Sou uma viajante simultânea. Meu interesse é derrubar/construir novas percepções de arte e vida no que me proponho a fazer. Uma escritora precisa estar em movimento, ouvir e observar muito para depois em sua solidão escrever.

Superando a síndrome de impostora

Holofote Virtual: Você vai falar de diversas questões no seu curso, relacionado ao universo independente da literatura. Escrever, lançar, divulgar e se manter no “mercado” digital literário. Quais foram os teus maiores desafios?

Monique Malcher: Além de superar a síndrome de impostora, de que esse não era um lugar que eu poderia circular, o mais difícil foi entender que a qualidade do meu trabalho não estava necessariamente ligada ao fato de ser publicada por uma editora. 

Outro desafio foi ter que, mesmo sem condições financeiras, estudar aspectos técnicos que envolvem uma publicação. A internet e os amigos do meio dos quadrinhos foram essenciais nesse processo. Quadrinhistas como Beatriz Miranda e Dieferson Trindade me deram dicas ótimas, também aprendi indo em feiras independentes, me arriscando e errando muito. 

A primeira publicação que fiz, perdi dinheiro, literalmente, porque eu não acreditava que venderia, imprimia de cinco em cinco exemplares, o que deixava ainda mais caro o custo. No final eu queria cobrar menos do que eu tinha gasto, sem ao menos colocar ali o valor do meu trabalho artístico, do meu tempo. A venda do produto literário independente também precisa da autoestima, que às vezes falta para uma mulher que cresceu sendo violentada com afirmações de que não seria boa o bastante.

Holofote Virtual: Você agora está morando em Florianópolis. Ouvi dizer que a cidade tem uma cena muito interessante e diversa culturalmente. Não conheço (ainda). O que tens feito, por que fostes? 

Monique Malcher: A mudança foi por conta de um doutorado em ciências humanas na UFSC, lia muitas produções de mulheres do Instituto de Gênero daqui e queria muito ter essa experiência, estudo um quadrinho de Luli Penna sobre mulheres na década de 20 em São Paulo, mas continuo produzindo pesquisas sobre quadrinhos do Pará. 

No momento estou escrevendo um ensaio sobre o quadrinhista Rodrigo Leão do coletivo Ilustra Pretice Pará, que vai ser publicado esse ano em um livro que reunirá entrevistas, artigos e quadrinhos do meio LGBT no Brasil. Futuramente pretendo passar uns meses em São Paulo por conta do meu trabalho de campo da tese orientada pela Dra. Carmen Rial.

Novas publicações e um livro a caminho

Foto: Felipe Lima
Holofote Virtual: Vais estar em uma série de publicações este ano, revistas e zines. Como foram feitas estas conexões?

Monique Malcher: Todas as publicações vieram ou de pessoas que me abordaram durante uma palestra que ministrei ou grupos de artistas, que fui sem conhecer ninguém, ou do trabalho de ficar postando textos na minha newsletter e em outras redes sociais. O instagram principalmente é o canal em que mais divulgo meu trabalho. 

Perder a vergonha de se apresentar, de dizer: olha eu escrevo, eu produzo arte, vou enviar para você ler. Andar com pastas na mochila para todos os lugares com meus trabalhos, porque nunca se sabe quando você vai precisar mostrar o que faz. Responder todas as pessoas com calma e com verdade, sem ser mecânica. Acreditar no trabalho. E principalmente trabalhar mais em grupo com mulheres, movimento que acho essencial para que o crescimento venha para todas.

Holofote Virtual: Vais publicar “Flor de Gume”. Que livro é esse?

Monique Malcher: Flor de Gume é um livro de contos. Essa não é uma flor que existe na natureza, mas considero um híbrido entre a ideia das flores que nascem e sobrevivem na lama, na secura, na violência e que ao mesmo tempo podem nutrir, servir de proteção, mesmo que isso se dê em forma de corte. É aquele mato que arranha as pernas enquanto se corre para bem longe. 

Flor de Gume é feito de contos sobre mulheres com esse sotaque paraense, com dores que navegam pelos rios e pelo asfalto bruto e brutal. Personagens de gerações diferentes: avós, mães e filhas. Também assino a imagem de capa e as colagens do miolo do livro. Provavelmente o lançamento será em abril, em São Paulo, Belém e Florianópolis.

Clube de escrita para Mulheres
Holofote Virtual: E havia uma campanha de financiamento, mas foi suspensa, e agora você vai publicar pela editora Pólen/Selo Ferina, por meio da Jarid Arraes. Como foi isso?

Monique Malcher: O livro começou como todas as minhas produções: independente. Como tenho viajado bastante por conta da pesquisa do doutorado comecei a frequentar os encontros do Clube da Escrita para Mulheres fundado pela escritora Jarid Arraes. É um grupo aberto para qualquer mulher que escreve.

Em um desses encontros Jarid teve curiosidade em ler o livro, ela estava procurando uma autora do Norte para publicar pelo Selo Ferina (ela é curadora desse selo), e depois veio a mensagem de que gostaria muito de publicar o Flor. 

Como a campanha estava no começo, optamos por fechar porque levaria mais tempo para o livro ganhar uma nova cara. Minhas leitoras receberam a novidade muito bem, foi incrível. A história de Jarid também tem raiz na produção independente, algo que ela preza até hoje inclusive. Então a gente se encontrou no momento certo, admiro a literatura que ela faz e ainda mais seu trabalho como editora.

Mulheres escritoras na cena literária de Belém

Holofote Virtual: Para fechar, bora falar um pouquinho da cena literária em Belém. Estás ou estivestes em conexão com os movimentos locais? Como você se vê neste contexto?

Monique Malcher: Sinto que sou muito abraçada pelas leitoras de Belém, isso sem dúvida, sou íntima dos correios por conta disso haha. Mesmo morando em outra cidade a maioria das minhas leitoras são paraenses. Sempre, mesmo antes eu já tinha muitos laços com mulheres que escrevem, mais do que com instituições. Além do Leia Mulheres que já citei, também tem muitas coisas incríveis acontecendo em Belém, vou citar algumas que acho importante se acompanhar de perto.

O Sarau do Povo da Noite, sarau Ver-O-Peso e os eventos de literatura que acontecem na Na Figueredo, Sesc Ver-o-Peso e Livraria Fox (isso falando de eventos no centro, porque como não vivo mais em Belém não saberia citar eventos na periferia). Além das produções das escritoras e poetas Mayara La-Roque, Paloma Franca Amorim, Bianca Levy, Gabriela Sobral e Marcela Inajá.

Para ler e acompanhar

Segue o link da newsletter (https://tinyletter.com/moniquemalcher), "que tá de férias, mas volta em fevereiro", ela logo avisa, mas acessando você pode ler edições anteriores, além de se inscrever.  "Tem três contos que saíram na Ruído Manifesto em dezembro (um deles vai estar no livro Flor de Gume)".  No Instagram, Monique divulga seus projetos e comercializa zines e colagens.

Informações 
Curso “Autopublicação para escritoras independente”

Local: Sesc Ver-o-Peso
Período: 11 a 15 de fevereiro
Hora: 9h às 13h

Pré inscrição: 
Enviar um conto ou prosa poética (até 4 laudas) para moniquemalcher@gmail.com
Resultado: 9 de fevereiro

Inscrição: Dias 10 e 11 de fevereiro
Investimento:
Trab. do comércio/dep.: 20 reais
Estudante/conveniado: 25 reais
Público em geral: 32 reais

7.1.20

Lambateria realiza o 3o Baile da Camisa Florida

A festa traz novidades: o lançamento do grupo Defensoras do Brega e a adesão da casa à campanha #NãoéNão, projeto de um coletivo de mulheres, com produção e distribuição gratuita de tatuagens temporárias contra o assédio.  Neste sábado, 11, a partir das 21h, na Lambateria Casa de Dança.

As Defensoras do Brega são as heroínas que prometem lutar também pelo Brega, um gênero tão paraense e o carro chefe do grupo, incluindo suas diferentes vertentes: passado, marcantes e melody, mas também trazem no repertório Carimbó e gêneros latinos como a Cumbia, Merengue e o Zouk. A banda é composta por sete mulheres que desenvolvem inclusive um trabalho autoral.

“A ideia surgiu a partir dos Vingadores do Brega, pois o fato de não ter nenhuma heroína na banda deles me chamou a atenção, então quis montar uma só de mulheres com o propósito de fortalecer esse movimento a favor dos nossos ritmos como o Brega”, revela Mônica Navarro, vocalista da banda. 

“O projeto também tem o objetivo de mostrar a força e competência das mulheres da música paraense, apresentando musicistas que tocam e cantam profissionalmente, fortalecendo a mulherada na cena musical do Pará”, explica.

Com Mônica Navarro no vocal, Larissa Moraes nos teclados, May Dinis na guitarra, Isabela no baixo, Katarina na percussão, Anderlene no trompete e Lorena na bateria, as Defensoras fazem sua estreia na terceira edição do Baile da Camisa Florida. Vale lembrar que o primeiro show dos Vingadores foi na Lambateria.

E como será véspera do aniversário dos 404 anos de Belém, também não poderiam faltar no repertório de grupos e Djs, ritmos como guitarrada, carimbó e outros sons paraenses, misturados a músicas de velhas carnavais.

Já na discotecagem, entre Marchinhas e muita música paraense, os DJs Rebarbada e Zek Picoteiro animam a pista do Baile que será realizado pela primeira vez na nova casa: a Lambateria Casa de Dança.

A noite conta ainda com Félix Robatto e seu Conjunto, com participação especial dos Lambadeiros do Trovão, grupo de percussão que traz os gêneros musicais paraenses, como Lambada e Carimbó, tocados com pegada de bloco de rua. O projeto vai desfilar pela primeira vez no Circuito Mangueirosa de Carnaval 2020 pelo bloco Lambateria. Eles vão comandar o cortejo do Ver-o-Rio para a Casa Mangueirosa no sábado, 22 de fevereiro.

Campanha Não é Não – Tendo como lema o respeito, a Lambateria Casa de Dança aderiu à campanha “Não é Não”, formada por um coletivo de mulheres que discute e combate o assédio através da produção de tatuagens temporárias. A campanha surgiu em 2017 no Rio de Janeiro e ano passado chegou ao Pará. O trabalho de produção e distribuição de tatuagens temporárias contra o assédio será realizado gratuitamente durante o pré-carnaval e carnaval do Pará.

A campanha fortalece uma rede de proteção a mulheres e, por isso, a Lambateria apoia a campanha que luta para que todos os corpos femininos sejam respeitados e para que todas as mulheres conheçam a sua potência e se reconheçam como pessoas que têm direito à liberdade dos seus corpos, pensamentos, sentimentos e de fala. #NãoÉNão
  
Programação

21h – Abertura da Casa com DJ Rebarbada

23h – Félix Robatto e seu Conjunto + Part. Lambadeiros do Trovão

2h – As Defensoras do Brega

3h30 – DJ Zek Picoteiro

Serviço
Baile da Camisa Florida Ano 3. Neste sábado, 11, a partir das 21 horas na Lambateria Casa de Dança (Rua 28 de Setembro, n° 1155 - Reduto). Ingressos: 1º lote: R$ 15,00 | 2º lote: R$ 20 | no dia: R$ 25. Venda antecipada pelo Sympla com acréscimo de taxa. Informações: 98026-1595 / 98883-5125 / www.lambateria.com.br. Patrocínio: Natura Musical, Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Cerveja Oficial: Draft Super Zero. Realização: Circuito Mangueirosa.

27.12.19

Os Dinâmicos animam pré-reveillon da Lambateria

As raízes da guitarrada no pré-reveillon em Belém
Fotos: Otávio Henriques
Dica quente para quem ficar em Belém neste final de semana. O pre-reveillon da Lambateria Casa de Dança traz baile de guitarrada e outros ritmos paraense, com Os Dinâmicos. A noite conta com a participação do DJ Eddie Pereira,  da Black Soul Samba. Neste sábado, 28 de dezembro, a partir das 21h. ingressos on line, no Sympla e na bilheteria da casa.

“Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada” estão de volta a Belém, neste sábado, 28 de setembro, para animar o pré-reveillon da Lambateria Casa de Dança, que contará, também com a participação do DJ Eddie Pereira, da Black Soul Samba. Trazendo músicas inéditas, o repertório do grupo mistura ritmos quentes como cúmbia, guitarrada, lambada, salsa, carimbó e outras sonoridades latino e afro amazônicas, que prometem não deixar ninguém parado no salão. 

“Os Dinâmicos” foi a primeira banda de Mestre Vieira, antes dele gravar o primeiro LP, passando a se chamar Vieira e Seu Conjunto. Lauro Honório (guitarra base), Luís Poça (teclado), Dejacir Magno (vocal) e Idalgino Cabral (baixo) gravaram vários dos LPs do criador da guitarrada, lançados entre os anos 1979 e 1990, e só retomaram a carreira em 2011, mais uma vez para acompanhar Vieira. Em 2015, eles gravaram o primeiro CD, com produção musical e participação do mestre, dando inicio a carreira autoral do grupo.

Grupo vai gravar novo disco em 2020
Atualmente, Os Dinâmicos, que adotaram ainda um subtítulo, Raízes da Guitarrada, trazem na formação também Jairo Rocha (bateria) e, apresentando, o jovem Guten Berg (guitarra solo). Além do show, o grupo prepara um novo disco para ser lançado em 2020, com repertório totalmente autoral, novos arranjos e uma cara própria. 

“Temos ensaiado constantemente e estamos preparando o repertório do próximo disco, além de cumprir agenda de shows em Barcarena e também em municípios vizinhos”, diz Luís Poça. Os Dinâmicos se apresentaram recentemente na festividade de Nossa Senhora da Conceição, em Abaetetuba, e além deste sábado, em Belém, estarão no dia 30 de dezembro como uma das principais da festa de aniversário de Barcarena.

Lauro Honório, Luís Poça, Idalgino Cabral e Dejacir Magno também comemoram o sucesso da série de animação intitulada “Os Dinâmicos”, inspirada em diversas músicas de Vieira e Seu Conjunto, sendo obra de homenagem a eles e Mestre Vieira. O projeto foi selecionado pelo Edital de financiamento PRODAV-8/FSA/Ancine. Trazendo 13 episódios de 5 minutos, com direção de Luciana Medeiros e Afonso Gallindo, teve produção executiva da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia. Já foi exibida em TV Públicas e Universitárias e ganhou exibições públicas em Barcarena, Santa Luzia e Belém.

Dejacir Magno, 1o cantor a gravar lambada
“É muito gratificante esse trabalho. Eu nunca imaginei que um dia poderia me transformar em desenho animado”, conta Dejacir Magno, o primeiro vocalista de Vieira e Seu Conjunto e o primeiro cantor a gravar uma lambada, segundo o pesquisador Saulo Caraveo, que recentemente defendeu sua dissertação de Mestrado sobre a guitarrada paraense.

Para Lauro Honório, a continuidade da banda e a animação são maneiras também de manter viva a obra de Vieira. “Para este pré-reveillon da Lambateria Casa de Dança pretendemos mostrar o melhor da guitarrada, ritmo que agente contribuiu muito com o Vieira, mas também terá um repertório com músicas paraenses famosas”, diz o guitarrista.

Idalgino Cabral, que tinha se afastado do grupo em 2018, retornou a banda este ano. Antes, ele chegou a gravar um disco de guitarrada. “Iniciei uma carreia solo, mas ao chamado dos Dinâmicos resolvi retomar a banda e realizar um trabalho autoral junto com eles”, diz o baixista.

Jairo Rocha entrou no grupo em 2011, quando Mestre Vieira se reencontrou com seus antigos músicos. “Eu sempre ouvia Mestre Vieira na infância, nas festas que tinham perto de casa, em Barcarena. Quando veio a oportunidade de estar junto com eles, não pensei duas vezes. Gravei o DVD dos 50 anos de guitarrada e segui junto. Espero que em 2020, com nosso novo disco, possamos circular pelo Estado fazendo muitos shows”, diz.

Gutten Berg: o desafio da guitarra solo
O músico mais novo do grupo é Guten Berg, também morador de Barcarena, e que assume o desafio da guitarra solo, o principal instrumento da guitarrada e que representa e personifica a obra de Vieira.

“É um desafio muito grande assumir esse instrumento, pois todo mundo espera uma grande performance, já que era a posição do mestre Vieira. Quando toco as músicas dele, me esforço bastante para que o público reviva as emoções da guitarrada original que ele criou, mas também estamos encontrando nossa própria linguagem e nos trabalhos autorais certamente o público terá boas surpresas”, comenta.  

O suingue da música negra e paraense será foco do Eddie Pereira, um dos DJs fundadores do Coletivo Black Soul Samba, que acabou de completar 10 anos de resistência na cidade. “Para mim, é uma honra tocar neste pré-reveillon, junto a esses músicos que possuem uma histórica importante no cenário da música paraense”, diz Eddie.

Serviço
Show “Os Dinâmicos – Raízes da Guitarrada”. Dia 28 de dezembro, na Lambateria, a partir das 23h. A casa abre 21h, com música eletrônica e participação do DJ Eddie Pereira. Ingressos R$ 25,00 na bilheteria ou pelo sympla. Lambateria Casa de Dança – Rua 28 de setembro, 1155, entre Doca e Quintino – Reduto. Mais informações e contato para shows: (91) 98134.7719/98409.2686.

Circuito Mangueirosa vem de casa nova para 2020

Fantasias e muita festa!
Polêmicas com blocos no centro histórico, lamúrias e reclamações sobre o finado carnaval de Belém. É assim em meio a essas questões e anseios da população, que surgiu, ano passado, o Circuito Mangueirosa. Com sucesso de público e crítica, reunindo vários blocos, este ano, o evento volta com mais força e lança, neste sábado, 28, a programação do circuito 2020, inaugurando a Casa Mangueirosa, espaço que vai começar a agitar o carnaval desde janeiro, até a apoteose no complexo Ver-o-Rio. A noite de lançamento terá shows de Félix Robatto, Bando Mastodontes, DJs Azul, Lux, Rebarbada e Zek Picoteiro.

Nascido a partir da união de seis produtoras culturais (Bando Mastodontes, Bloco Filhos de Glande, Lambada Produções, Mastodontes Mea Chuta, Melé e Se Rasgum) que atuam no Estado, o Circuito Mangueirosa tem o objetivo de revitalizar o Carnaval de rua de Belém, desfilando, de forma gratuita e acessível, quatro blocos que fazem um passeio pela diversidade musical do Estado. A primeira edição do Circuito foi em 2019, quando mais de 40 mil brincantes desfilaram em quatro dias de folia.

Para a abertura oficial do Circuito, que este ano tem o selo Natura Musical, via Lei Semear, a noite contará com artistas que fazem parte do projeto. O veterano Félix Robatto abre a noite com o show dançante que já é conhecido nas quintas de Belém, afinal já são três anos em cartaz com a Lambateria, que ano passado desfilou como bloco de Carnaval dentro do Mangueirosa.

Félix apresenta os Lambadeiros do Trovão, grupo de percussão que traz os gêneros musicais paraenses, como Lambada e Carimbó, tocados com pegada de bloco de rua. O projeto vai desfilar pela primeira vez no Carnaval 2020 pelo bloco Lambateria. Eles vão comandar o cortejo do Ver-o-Rio para a Casa Mangueirosa no sábado, 22 de fevereiro.

Félix Robatto, do bloco Lambateria
“Esse show vai ser muito especial porque, além de marcar o lançamento do Circuito Mangueirosa, vai ser a apresentação do Lambadeiros do Trovão, um projeto que eu queria realizar há algum tempo e que pudemos iniciar com uma oficina realizada recentemente durante o Circular. O Pará tem uma cultura muito rica e diversa e eu fico muito feliz de ver tantas vertentes juntas, realizando um Carnaval democrático”, revela Robatto.

O encerramento é do Bando Mastodontes, grupo musical que é destaque da nova cena musical paraense e que vai apresentar um show especial de carnaval e que antecipa o que virá no Circuito. Neste sábado, o bando vai ganhar o reforço da cantora e compositora Luê e de Mateo, integrante da banda Francisco El Hombre, que farão uma participação especial. 

Já vai ser um bom esquenta, neste sábado, mas se anime mais ainda, porque a Casa Mangueirosa receberá bailes de pré-carnaval, bem como realizará programação gratuita de qualificação profissional por meio de oficinas, palestras, workshops e mesas de debate de incentivo e qualificação da mão-de-obra local, contribuindo para a profissionalização do mercado da música paraense. Com capacidade para 1500 pessoas, o espaço também está aberto para receber pautas de atuações culturais durante o período. Acompanhe aqui pelo blog que. agente vai divulgar cada etapa!

Cinco dias de folia em fevereiro no ver-o-Rio

Bando Mastodonte, que estará no lançamento 
e dia 22 de fevereiro puxará o bloco Manada
Criado para ser opção à população da capital paraense durante o feriado de Carnaval, o circuito oferece programação aberta para a cidade durante o Carnaval contando com a participação de artistas que trazem em seu repertório a música paraense, estimulando o turismo e movimentando a economia na capital neste período, resgatando tradições culturais e resgatando o Carnaval de Belém para que volte a ser uma atração turística-cultural da agenda da cidade. 

Este ano, a programação segue gratuita e iniciará dia 21 de fevereiro, a partir das 18h. Nos dias 22, 23, 24 e 25, a folia começará às 12h no Complexo Turístico, com atrações até as 19h30, horário em que os foliões saem em cortejo pela Av. Marechal Hermes em direção à Casa Mangueirosa (antigo Porto Music), onde a programação segue com atrações convidadas e cobrança de ingressos a preços populares (a partir de R$ 15). 

No dia 22 de fevereiro, quem desfila é o Bloco Lambateria, com Félix Robatto e convidados. Já no dia 23, é a vez do Bloco Manada, comandado pelo Bando Mastodontes. No dia 24, o Bloco Lucha Libre assume o comando e no dia 25, o tradicional Bloco Filhos de Glande fecha a folia.

Programação de Lançamento 
Sab. 28 Dez

21h - Abertura casa com DJ Azul 
22h20 - DJ Rebarbada
23h40 – Félix Robatto com participação dos Lambadeiros do Trovão
1h – DJ Lux
2h - Bando Mastodontes com participações de Luê e Mateo (Francisco El Hombre)
3h – DJ Zek Picoteiro

Serviço
Lançamento do Circuito Mangueirosa de Carnaval 2020. Neste sábado, 28 de dezembro, a partir das 21 horas na Casa Mangueirosa (Tv. Praça W Henrique, 2-42 - Reduto – antigo Porto Music). Ingressos antecipados a R$ 10 pelo www.ingresse.com/lancamentomangueirosa2020. Na hora, R$ 20. Informações: (91) 99300-9509. 

Patrocínio: Natura Musical, Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Cerveja Oficial: Draft Sub Zero. Produção: Bando Mastodontes, Filhos de Glande, Lambada Produções, Mea Chuta, Melé Produções e Se Rasgum Produções. Realização: Circuito Mangueirosa. 

23.12.19

Série Janína disponibiliza a ultima edição de 2019

Já está disponível a última edição do fanzine de quadrinhos Belém 2019, uma das séries mais influentes das HQs paraenses, com autoria de Emmanuel Thomaz e Emerson Coe. Em formato de 15 × 21,5 cm, 18 páginas, capa colorida, miolo PB, a série Janaína traz mais uma história intrigante.

Vinte e cinco anos depois, a fanzine Belém 2019 chega com uma aventura inédita da jovem pagé Janaína. “O Hibernante” é uma HQ em preto e branco, roteirizada por Emerson Coe e com desenhos de Emmanuel Thomaz.

Os criadores originais Marcelo Marat e Emerson Coe iniciaram a série com 4 curtas histórias. Tendo continuidade com roteiros de Marcelo Marat, a série se desenrolou por mais 10 HQs no traço de Emmanuel Thomaz sendo publicadas regularmente em seu fanzine Horizonte Zero até o fim dos anos 2000!

Com uma mistura de terror cósmico e mitos locais, a trama de “O Hibernante” começa em 1939 na Alemanha quando um oficial do exército nazista de Hitler recebe a missão de encontrar uma bebida mística em meio a floresta amazônica. O problema é que o preço para descobrir esse segredo pode ser muito alto.

A série de quadrinhos Janaína é uma das mais influenciadoras da cena local. Publicada originalmente em 1994, ela serviu como inspiração para várias HQs, animações que viriam a surgir no estado, em um universo sombrio em que os mitos, visagens e assombrações da floresta, invadem a capital criando um horror urbano. 

O fanzine é a última edição do ano, mas também  o começo de uma novo projeto. O editor quer lançar uma coletânea em breve com todos os quadrinhos de Janaína e além do desenvolvimento de HQs completamente novas para a série.

Serviço
Janaína - O Hibernante" - Valor R$ 7,00. A edição pode ser adquirida de duas formas. Ou diretamente com o editor, pelo e-mail nitronorato@bol.com.br ou na loja Kryptonita que fica na Av. Pres. Vargas, Nº560, Galeria Comercial, Alberto Lopes, entre Riachuelo e Aristides Lobo/ WhatsApp - (91) 98911-4044.

17.12.19

Diálogos artísticos focam Mercado do Porto do Sal

A partir do diálogo entre arte e cultura ribeirinha, a artista Elaine Arruda e o mestre de carpintaria naval João Aires inauguram a mostra “Mastarel: Rotas Imaginais” na próxima quinta-feira (19), às 18h30, no Espaço Cultural Banco da Amazônia, com curadoria de Vânia Leal. A entrada é  gratuita.

Fotografias, gravuras, desenhos, livro de artista, documentos e objetos que fazem parte da pesquisa de doutorado de Elaine, na Universidade de São Paulo (USP), contam a história do desenvolvimento da obra “Mastarel”, instalada em 2016 no topo do mercado, às margens da baía de Guajará. O prédio histórico de nossa cidade é visto como um barco imaginário.

A exposição reúne elementos da pesquisa visual e material no entorno do Mercado do Porto do Sal, localizado no bairro da Cidade Velha, na capital paraense. O nome da mostra é uma alusão ao conceito de uma “Amazônia Imaginal”, segundo o autor Vicente Franz Cecim, que descreve esse estado entre o real e o imaginário.

Quando instalada, há três anos, a ideia era lembrar a presença dos mastaréus (parte superior do mastro) nos barcos e o prórpio território ribeirinho como uma referência ao passado de tradições que estão desaparecendo, deslocando simbolicamente a margem do rio para cima do mercado por meio da instalação artística. Desta vez, os artistas observam as narrativas e a poesia da obra, a partir da relação das pessoas que moram nas palafitas ao redor do mercado e que circulam e trabalham diariamente por lá - um desdobramento do sentido inicial da obra.

“Passamos a pensar o próprio mercado como um barco, a partir das entrevistas com os moradores. Uma das feirantes, a Arlete, que tem um restaurante em um box, me relatou que as pessoas chegam ao mercado e se referem à ele como um barco, perguntam quando o barco vai navegar. Ela responde que todos os dias. Foi a partir disso que começamos a pensar nesse espaço como pertencente à uma Amazônia do passado, entre o real e o imaginário”, comenta Elaine Arruda.

Para seu João Aires, que atuou como marceneiro durante 26 anos e é um dos únicos responsáveis pela manutenção dos barcos que atracam nos portos da Cidade Velha, a obra traz a lembrança de suas antigas demandas de trabalho. “O mastarel existia nos barcos e nas canoas, mas hoje os barcos se modificaram. Tudo mudou. Me sinto feliz que isso trouxe curiosidade nas pessoas, eu converso, explico. Fico emocionado em falar dessa obra que realizamos juntos”, comenta o mestre.

Em proposta de site specific (obras criadas para um determinado local e em diálogo com a sua história e pessoas), “Mastarel” foi o resultado de uma relação de pesquisa sobre a paisagem ribeirinha da Cidade Velha. 

Contemplada com o Prêmio de Pesquisa e Experimentação Artística 2016, da Fundação Cultural do Pará (FCP), a ideia era que a obra ficasse por 30 dias no topo do mercado, mas por conta de uma repercussão positiva junto à comunidade, o Iphan concedeu parecer favorável à permanência do mastro. Com isso, a estrutura recebeu iluminação de Lúcia Chedieck bem como restauros periódicos.

Serviço
Exposição “Mastarel: Rotas Imaginais”, de Elaine Arruda e mestre João Aires, com curadoria de Vânia Leal. Abertura nesta quinta, 19, às 18h30, no Espaço Cultural Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 - Campina). Entrada gratuita - Visitação: 20/12 a 30/01/2020, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)