29.1.15

Oficina: “De Olhos Vendados” e inscrições abertas

Fotos: Arlem Araujo (maior) e Miguel Chikaoka (menores)
É assim que a Fotoativa abre o ano de 2015. Mas não é só isso, este ano a sede da associação reabre suas portas e um edital lançado nesta quarta-feira, 28, vai selecionar fotógrafos para residência artistica. Já a oficina"De Olhos Vendados" vai provocar e instigar, além de: estimular a construção de dispositivos de visualização e captura de imagens, realizar rodas de conversa e expedições. As inscrições estão abertas, gratuitamente, até o próximo dia 5 de fevereiro. 

Isso tudo me lembra a oficina que fiz nos anos 1990, com Miguel Chikaoka. Na época, usávamos câmeras analógicas, exercitávamos o olhômetro. Hoje, as câmeras digitais dominam a cena. O Fotoativa continua, porém, estimulando o senso crítico, propondo exercícios que extrapolam o simples ato de fotografar. 

Pergunto ao Miguel Chikaoka, que falou (on line) com o blog, o que mudou desde então, nesse fazer fotográfico.  “Na medida em que a tecnologia destinada à captura da imagem foi evoluindo, exigindo cada vez menos conhecimento do processo, para obtenção de uma imagem ‘tecnicamente perfeita’, o espaço destinado ao entendimento do que permeia esse processo e, consequentemente, da sua importância, foi colocada no plano do esquecimento”, diz Chikaoka. 

Por isso, a realização da entrevista, uma prática da Fotoativa para determinadas oficinas, será aplicada para a oficina “De Olhos Vendados”. 

Depois de se inscreverem, os candidatos vão bater um papo com o fotógrafo e eomente após isso é que os alunos das duas turmas serão selecionados, podendo confirmar a participação até 13 de fevereiro. As turmas vão funcionar até abril, com aulas às terças e quintas ou aos sábados.

Foto: Miguel Chikaoka
O objetivo é estimular o exercício do pensamento crítico e criativo sobre as possibilidades do fazer fotográfico e seus desdobramentos nas mais diversas áreas do conhecimento. O que há além da paisagem, é o que mais interessa. 

“Falar, se expressar pelas imagens é algo muito mais complexo do que podemos imaginar. É preciso muito mais do que uma imagem tecnicamente bem resolvida. É preciso exercitar o pensamento, o sensível que nos habita e, por vezes, precisamos despertá-la de um condicionamento provocado pelo bombardeio desse mundo das imagens.

Serão dois meses de oficina, com carga horária de 48 horas, envolvendo práticas de construção e uso de dispositivos de visualização e captura de imagens, jogos e exercícios sensoriais, expedições e rodas de conversa. 

“As expedições como as imersões e vivências propostas funcionam como exercícios de deslocamento da percepção. O que se busca nesse exercício é a interação pelos sentidos, o diálogo do ser sensível com o mundo, tato o exterior quanto o exterior”, explica Miguel. 

Foto: Miguel Chikaoka
Abrindo os olhos de gerações

Um mestre na arte da fotografia, Chikaoka é fotógrafo e educador premiado em 2012 com a Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura. 

A Luz, matéria prima de seu trabalho poético e pedagógico, é também tema central da atividade da Fotoativa em 2015, sugerido pela Organização das Nações Unidas, como o Ano Internacional da Luz. 

Miguel mora em Belém desde 1980. Veio da cidade de Registro (SP) para provocar um dos movimentos mais intensos que temos no meio cultural de Belém. Quando chegou aqui se envolveu logo com a cena cultural E, há gerações, ele incentiva e forma olhares ímpares da fotografia no Pará.

Miguel idealizou os projetos de criação da Associação Fotoativa e Agência Kamara Kó Fotografias. Suas obras transitam entre imagens, instalações e objetos de caráter conceitual, pautados na experiência de religação dos sentidos. Participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.

Foto: Arlem Araújo
Mais novidades em 2015

Entre outras será reaberta a sua sede, que ficou em obras de restauro há quase 3 anos.

“A Fotoativa voltará a atuar com o todo o seu potencial para consolidar um programa regular de atividades e ampliar o leque de ações e projetos voltados para todo o tipo de publico. A construção de parcerias com outras instituições locais, nacionais e internacionais também está na pauta das ações da Fotoativa, que também ampliará as formas de atendimento do projeto Fototaxia, destinado à formação de educadores que atuam na rede de ensino publico e privado’, diz Miguel.

“Neste semestre, além do programa de oficinas regulares e do projeto Pinholeday Belém que já está na boca do forno com um novo desenho, já temos em andamento o projeto Fotoativa em Residência, contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais – 11ª Edição ( http://www.fotoativa.org.br/?p=5184 )”, o  mestre.

Foto: Rodrigo José
Edital “Fotoativa em Residência” - Lançado ontem, o edital já está recebendo inscrições, até dia 8 de março (www.fotoativa.org.br). Dois artistas paraenses (ou residentes no estado) e dois de outros estados brasileiros serão selecionados para participar de uma imersão criativa em Belém.

A residência ocorrerá entre 06 de abril e 06 de junho e está estruturada em três tipos de atividade: conversas sobre processos artísticos e ações externas com convidados; laboratório de criação e experimentação livre; oficinas e atividades educativas.

Como término, haverá uma mostra coletiva composta de trabalhos ou processos desenvolvidos durante o programa, com abertura prevista para 13 de junho. A mostra ficará em cartaz durante 30 dias, encerrando com o lançamento de uma publicação virtual.

Foto: divulgação
Seleção - Os artistas serão escolhidos por dois membros do Conselho Curatorial da Associação Fotoativa, Armando Queiroz e Alexandre Sequeira, e outros dois membros da equipe gestora do projeto. Serão duas etapas: avaliação de dossiê do candidato e entrevista.

Na primeira etapa serão selecionados até oito artistas para realização das entrevistas. A divulgação dos artistas pré-selecionados para entrevista ocorrerá no dia 13 de março. As entrevistas serão realizadas no dia 14 de março e a divulgação do resultado final com os nomes dos selecionados será no dia 16.

De acordo com Camila Fialho, coordenadora do projeto, no processo de seleção, serão apreciadas “as práticas poéticas e conceituais do candidato; a originalidade e experimentalismo no campo fotográfico e na interlocução com outras linguagens; a proposta de atividade de formação em coerência com as práticas artísticas do proponente; a abertura para interação com a Fotoativa, seus colaboradores e o público local”, finaliza.

Serviço
Pré-inscrições para a oficina “De Olhos Vendados”. Turma 1: terças e quintas, 19h30 às 21h30 - 24 de fevereiro a 23 de abril de 2015.  Turma 2: sábados, 14h às 18h - 28 de fevereiro a 25 de abril de 2015. Investimento: R$ 630 (parcelado em até 6x no cartão). Vagas limitadas. As inscrições para o projeto “Fotoativa em Residência – dois de lá, dois de cá” vão até 8 de março. Consulte edital completo no site www.fotoativa.org.br. Mais informações: (91) 3225-2754 ou (91) 9 8226 4094. A Fotoativa fica na Trav. Frutuoso Guimarães, 615 – Campina. Belém/PA.

28.1.15

Projeto paraense contemplado em prêmio nacional

Em 2014, o Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras lançou sua terceira edição e o ano começa com boas notícias para o Estado do Pará. Entre os contemplados pela iniciativa conjunta do Centro de Desenvolvimento Oswaldo dos Santos Neves e Fundação Cultural Palmares (Minc), está um projeto que será executado em Belém.  

Trata-se do “Kiuá Nangetu – poéticas visuais da resistência negra”, idealizado pelo Instituto Nangetu, sediado no terreiro Mansu Nangetu, no bairro do Marco. Na última segunda, 26, o professor e artista Arthur Leandro (Táta Kinamboji) esteve no Rio de Janeiro para representar a entidade na premiação. 

“Kuiá Nangetu” promete agitar a cena artística da cidade com intervenções no espaço urbano, estabelecendo inovadoras e sensíveis possibilidades de contato entre a sociedade e a produção de artistas de terreiro.  O projeto tem como pontapé as proposições poéticas do coletivo Nós de Aruanda, que inclui artistas do terreiro Mansu Nangetu e de outras casas afro-amazônicas. As intervenções ocorrerão durante o mês de maio, culminando com as atividades de encerramento da comemoração de dez anos do Instituto Nangetu.

Para a escolha do prêmio em artes visuais, reuniu-se a comissão de seleção que foi composta pelo ator Antônio Pompêo, Januário Garcia e Galvão Pretto, que avaliaram os projetos inscritos na edição de 2014. A reunião da equipe avaliadora foi realizada no Rio de Janeiro, nos dias 18 e 19 de dezembro de 2014. Os trabalhos foram coordenados por Ruth Pinheiro, presidente do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves – CADON, com o acompanhamento do representante da Fundação Cultural Palmares, Sr. José Newton Guimarães – Chefe de Divisão -  e Luis Carlos do Nascimento – Gestor de Projetos Culturais da Petrobras.

"Esta é apenas a terceira edição deste prêmio, e a segunda da bolsa fomento de artistas negros.  Em três anos de financiamento específico para artistas e produtores culturais negros temos muito pouco tempo e ainda não podemos dizer que revertemos o sistema de exclusão etnico-racial na cultura brasileira. Com propostas como esta, nós, artistas de terreiros, começamos, timidamente, a sair da invisibilidade”, considera Arthur Leandro, que também é carnavalesco da escola de samba Embaixada Pedreirense, que neste ano entra na avenida para lembrar o processo de opressão e resistência no qual o negro é protagonista na história do país.

Sobre o Instituto Nangetu - Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa e Desenvolvimento Social tem por objetivo estreitar laços de confraternização e promover o desenvolvimento sócio-econômico da comunidade Afro-religiosa, e está intimamente ligado ao Mansu Nangetu , espaço sagrado de manutenção e preservação das manifestações de matriz africana de origem Bantu na cidade de Belém.

O Instituto Nangetu participa desde a primeira edição da exposição “Nós de Aruanda, artistas de terreiro”, organizada pelo Grupo de Estudos Afro-Amazônico (NEAB) da UFPA. Desenvolve o Projeto Azuelar, um laboratório experimental de comunicação social comunitária  e também coordena um cineclube no espaço do terreiro.

“Oração ao tempo” em cartaz no Cláudio Barradas

Fotos: Marton Maués
Criação colaborativa entre alunos-atores, concluintes do 2º ano do Curso Técnico de Ator da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, o espetáculo faz a segunda temporada, desta quinta-feira, 29, até 1º de fevereiro, no Teatro Universitário Claudio Barradas, sempre às 20h.

Considerado uma instalação cênica, o espetáculo, que lança um olhar sobre a velhice, é fruto de pesquisa e criação dos alunos-atores, que mergulharam no universo de idosos próximos a eles ou não, recorrendo à memória ou convivendo com alguns. Nesta segunda temporada, em especial, o espetáculo é dedicado à Mariléa e William (Bill) Aguiar, ela atriz e figurinista e ele ator, que recebe a homenagem in memoriam.

Oração ao Tempo é um trabalho feito por cada um dos envolvidos, com pedaços das histórias de seus velhos, de velhos que visitaram, de velhos que inventaram, que resolveram olhar e ver com mais carinho. Cada ator foi senhor de sua criação, lançando mão de fontes diversas de pesquisa sobre o tema, amalgamando vivências e histórias, criando e recriando, inventando e reinventando cada cena.

Os velhos parecem estar sempre ali, nos seus cantinhos, mas quase nunca os vemos realmente. Muitos estão abandonados, completamente esquecidos em asilos e casas de apoio. 

Mesmo os nossos velhos, aqueles que estão mais próximos de nós, são deixados de lado. Não temos tempo para suas histórias, não temos tempo a perder. E perdemos muito com isso. A instalação pretende tornar visível estes seres (quase) invisíveis. Tornar visível suas condições de isolamento, presos a seus espaços e suas histórias para as quais já não encontram ouvintes.

O espectador não assiste a nada, passeia pela instalação: escolhe o que deseja ver e ouvir, é convidado e entrar e conviver com os velhos, solicitado a interagir. As cenas se entrecruzam, repetem, acontecem simultaneamente. Cada espectador constrói seu espetáculo, seu modo de ver, sua experiência.

O espaço de cada um é delimitado com fita crepe, criando-se assim uma espécie de planta baixa de cada área de cena. Um velho que gosta de desenhar e ouvir música coloca um disco na vitrola, a música invade a cena e reflete lá no espaço de outro velho ou velha que relembra sua história, narrando-a.

Um espectador é convidado e ler uma carta: ao começar, trechos da carta passam a ser cantados por um velho que toca violão: todos cantam. Uma idosa pedala uma antiga máquina de costura, outra cose a camisa do filho que nunca vem, enquanto uma mais faz café. 

Esperas frustradas, lembranças, histórias recorrentes. Um homem velho chora a dor de ter perdido o filho que não soube compreender. Alguns jogam cartas. Outro revela um dolorido segredo de infância. Fio a fio, histórias vão sendo costuradas. E assim, espectadores e atores comungam de uma mesma oração. Uma oração ao tempo. 

Ficha Técnica
Elenco: Douglas Rodrigues, Leo Andrade, Sofia Lobato, Letícia Olivier, Marília Araújo, Luís Lobo, Kayo Conká, Tamires Tavares, Giscele Damasceno, Márcia Lima, Dayane Ferreira, Starllone Souza, Wan Aleixo, Renan Delmontt, Tainá Lima, Silvana Farias. A direção é dos atores e professores Marton Maués e Jorge Torres, numa realização da Escola de Teatro e Dança da UFPA.

Serviço
Temporada: 29 de janeiro a 1º de fevereiro, sempre às 20h, no Teatro Universitário Claudio Barradas. Ingressos: R$ 20,00. Lotação: 60 pessoas. Indicação: 12 anos.

(Com informações da assessoria de imprensa)

23.1.15

Filme sobre heróis indígenas faz teste para elenco

A produtora Se7e Sen7idos está selecionando mulheres, a partir de 18 anos, para protagonistas do filme “Xondoro T´ee”. Não precisa ter experiência como atriz, mas sim, a prática em artes marciais, preferencialmente as que usam técnicas em pé como karatê, kung-fu, Muay Thai, Kick boxe, Taekwondo, Capoeira... 

Belém do Pará é o cenário onde se passa a história. No argumento, o mundo está sendo ameaçado por extraterrestres, que procuram uma esfera possuidora de uma energia de grande poder, esquecida na Terra há muitos anos. Esses invasores de outra galáxia querem o poder da esfera para consumir os recursos naturais do planeta. É aí que entram em ação cinco heróis, que adquiriram os poderes vindos da esfera. 

“Xondoro T´ee: Guerreiros da Virtude” é um longa metragem, que está sendo produzido pelos paraenses André Marçal e Nany Figueiredo, da produtora de audiovisual Se7e Sen7idos. O filme conta também com a colaboração da escritora Márcia Kambeba, que também assina a composição musical tema do filme. 

“‘Xondoro T´ee: Guerreiros da Virtude’ é um projeto de inovação, pois não há registro de nenhum filme paraense, quiçá brasileiro, com esse enredo ou que fale de super-heróis amazônicos. Já existem filmes com a temática de índios heróis, mas é de animação. Portanto, nossas expectativas são as melhores possíveis para este novo desafio”, enfatiza Nany Figueredo. 

É a terceira obra audiovisual da Se7e Sen7idos Produções, que em cinco anos de trajetória, já lançou  os curtas “Cinco Minutos” e “Abra os Olhos”. “Atualmente a Se7e Sen7idos Produções estamos em pré-produção para este longa, voltado para o público infanto-juvenil com temática que foca a cultura indígena. 

‘Xondoro T´ee’ é um projeto audacioso e minucioso, já que trabalhamos com efeitos especiais, pois os heróis terão superpoderes. Estamos produzindo primeiro o projeto piloto: um vídeo de curta duração que mostra qual será o enredo da série e sobre como ela será contada”, revela o roteirista e diretor do filme, André Marçal. 

Segundo ele, o esboço do projeto vai facilitar a entrada de apoios culturais e patrocínios, uma vez que, com o piloto pronto, as empresas podem ter uma ideia do produto final.  “Estimamos alcançar também o mercado televisivo, uma vez que a obra poderá ser transformada em série. A previsão de gravação desta obra é para março deste ano”, revela André.

A trilha sonora e o nome do filme, se apropriam de elementos indígenas. Para os realizadores do filme, o enredo deve ter o foco na cultura indígena por causa do ineditismo e também para homenagear os primeiros habitantes amazônicos que se tem conhecimento. Se um dia o roteiro for adaptado para livro, podemos afirmar que trata de uma obra de literatura fantástica, mas que valoriza aspectos indígenas da nossa região. 

“A produção está a todo vapor. Estamos buscando apoios e contando com as parcerias dos profissionais do audiovisual paraense, de extrema importância, que conhecem e acreditam no trabalho desenvolvido por nossa equipe. O piloto é o ponta pé inicial que o diretor André Marçal encontrou para o objetivo final: a realização da obra como um todo”, afirma a produtora executiva do filme e atriz Nany Figueiredo.

Serviço
A produtora vai selecionar duas mulheres.  As inscrições devem ser feitas no site: www.se7esen7idos.com.br, no botão “cadastre-se”, até 25 de janeiro de 2015. Informações: Fone: (91) 981181959 / 982869348. E-mails: se7esen7idosproducoes@yahoo.com.br e se7esen7idosproducoes@gmail.com.

19.1.15

Tudo que move é sagrado abre o ano da Elf Galeria

A coletiva traz a produção de 16 trabalhos assinados por Elieni Tenório, Emanuel Franco, Geraldo Teixeira e Jorge Eiró, traduzindo um convite para reunir, agregar, apreciar e compartilhar os bons sentimentos que advém da arte e que provocam emoções para além daquilo que os olhos podem ver. A abertura é neste sábado (24), das 10h às 14h. A visitação continuará aberta ao público até a 24 de fevereiro, de segunda a sexta-feira, de 10h às 19h, e aos sábados, de 10 às 14h, exceto em feriados.

É assim, homenageando o tudo que é sagrado e a arte como fonte maior que a Elf galeria inicia sua pauta de exposições de 2015.

A exposição reúne nomes de artistas paraense veteranos, que trazem em suas obras a interpretação daquilo que motiva e dá sentido ao conjunto de procedimentos utilizados para elaborar obras da arte. "Tudo que move é sagrado" se inspira na sacralidade que se faz presente no intimo de cada artista quando constrói o encontro entre o que contempla no mundo e aquilo que reside em sua interioridade.

Assim, é sagrado o fazer, o exercício diário, a pesquisa, a mesa de trabalho, a textura, a concepção, o nascimento e a entrega. Este sagrado se refugia onde o artista encontra as bases para seu ofício e de lá sai para ser partilhado e para compor outra experiência estética, centrada em quem observa esta materialidade do sagrado e dela retira outras referências e experiências pessoais de beleza e significados.

Trajetórias que se unificam na arte

Elieni Tenório frequentou o curso de extensão em laboratório de pesquisa de artes plásticas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Realiza exposições individuais e coletivas desde 1992. Premiada em diversas edições do Salão Arte Pará e do Salão Unama de Pequenos Formatos, participou de exposições na Alemanha e Portugal.

Emanuel Franco é artista visual; arquiteto graduado pela Universidade Federal do Pará (1979); Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade da Amazônia-UNAMA. Foi curador das Salas Especiais do Arte Pará de 2004 a 2008 e membro da curadoria do concurso em 2008. Suas obras já foram expostas na galeria Helmut Schuster, na Alemanha.

Jorge Eiró é arquiteto graduado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), tem doutorado em Educação, é professor da Universidade da Amazônia e UFPA participou de diversas exposições individuais no Brasil e no exterior.

Geraldo Teixeira iniciou sua carreira em 1975, é fundador da Associação de Artistas Plásticos do Pará, coleciona prêmios em diversos salões de arte e já teve obras expostas nos Estados Unidos e Europa.

18.1.15

"Quaderna" lança CD inspirado nos Pregões de Rua

Fotos: Carlos Borges
Allan Carvalho e Cincinato Marques Júnior lançam no dia 31 de janeiro, às 17h, no Ver-o-Peso, o CD "Pregões – a melodia das ruas", trabalho que resulta de uma curiosa pesquisa musical: o registro dos sons e cantos vindos das ruas, feiras e mercados. O espetáculo musical homônimo, único e gratuito, tem patrocínio da Natura Musical.

Livre adaptação ou  a máxima do Cinema Novo se encaixaria perfeitamente no trabalho de pesquisa musical dos dois músicos, compositores e pesquisadores. Com gravador e celular nas mãos, os dois, fundadores e a base sólida do Quaderna, percorreram bairros da Cremação, Guamá, Matinha, Jurunas, São Brás, Cidade Velha, Campina entre outros, encontrados em outras cidades paraenses, durante viagens de trabalho ou passeio.

"Os Pregões são as vozes entoadas de ambulantes que circulam vendendo seus produtos em alto volume", diz Allan Carvalho, que também exemplifica: “Tapioqueiro! Olha, a tapioca molhadinha! Com coco ou sequinha!”; “Copaíba e mel de abelha! Mel de abelha e andiroba! ou simplesmente ‘’Peixeiro!”, afirma. São jingles populares ecoados ao ar livre, através dos quais ambulantes vendem livros, vende produtos alimentícios, óculos escuros, amendoim. 

A necessidade de fazer escoar estes produtos acaba estimulando a criatividade.  "E por terem esse ímpeto, de não timidez, acabam tirando um bom troco de suas vendas, que o diga Zé Maria, vendedor de amendoim, que sai trinado: olha o amendoim-oim-oim-oim-oim", continua o músico, parceiro do também compositor Cincinato Marques.

Em quatro anos de pesquisa, os dois músicos registraram dezenas de cantos. “Como o pregão é imprevisível, a gente registrou com o que tinha na mão, onde fosse’’, recorda Allan Carvalho, músico que tem parcerias com outros compositores de Belém, como Ronaldo Silva, do Arraial do Pavulagem.  O rico universo dos pregoeiros inspirou o CD de 12 faixas em ritmo de carimbó, lambada, quadrilha junina, xote, cúmbia e reggae, entre outros.

Quaderna e pesquisa musical

Allan e Cincinato desenvolvem pesquisas musicais desde 2003. O primeiro CD do Quaderna, lançado em 2006, abordou a influência da cultura nordestina na Amazônia, em especial no Pará. O estudo foi feito a partir da Bolsa de Pesquisa e Experimentação Artística, do Instituto de Artes do Pará (IAP). Bem-sucedido, conquistou o ‘‘Destaque Regional’’ do Prêmio Dynamite/SP, em 2008. O grupo ainda foi convidado a criar a trilha sonora dos cinco documentários da série “Barcos da Amazônia’’.

O trabalho sobre o universo dos pregões começou em 2011, com Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP). Em 2012, o projeto ingressou na circulação do Prêmio PROEX de Arte e Cultura da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde Cincinato Júnior dá aulas e é doutorando no curso de Geografia. Em 2013, os dados da pesquisa sobre os pregões da capital paraense circularam em 10 capitais do País com o Festival HotSpot - Tanque de Ideias, evento paulista, e o projeto ganhou impulso com a seleção no edital Pará Natura Musical, via Lei Semear de Incentivo à Arte e Cultura, do Governo do Estado do Pará.

O estudo registrou pregões muito antigos e tradicionais e outros bem atuais. O cenário dinâmico inspirou o Quaderna a trabalhar a criação das músicas e letras pautadas em cada uma dessas manifestações, valendo-se das características de cada tipo de pregão, na riqueza melódica e imagética de cada um.

“Trata-se de um experimento com o hábito de compor mirando os pregões, ou simplesmente uma maneira de reviver, pelas canções, a história desses personagens ambulantes, que, de uma forma ou de outra, representam um perfil de uma época, de um povo, a “cara da cidade”, diz Cincinato Jr.

Os artistas encontraram tipos diversos de pregoeiros, dos mais comuns aos inusitados, como lembra, Allan Carvalho: “Creio que os mais presentes na cidade, enquanto pesquisávamos, foram: tapioqueiro, jornaleiros, os "vanzeiros" (cobradores de vans que circulam entre Jurunas, Condor, Guamá e São Brás), vendedores de gás (de bike e nos carros), e picolezeiros. Os mais incomuns: o vendedor de amendoim (o Zé Maria), sui generis; o vendedor de pastelzinho e orelha (que vende de bike, com um megafone adaptado no guidão; e o cascalheiro (infelizmente raro de ver hoje). Tem outros muitos, ainda bem’’, festeja o compositor.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

14.1.15

Divulgados carimbós que disputam Mestre Lucindo

A comissão organizadora divulgou na tarde desta terça-feira, 13, o resultado do edital que pre-selecionou as músicas que vão disputar, este ano, o troféu Mestre Lucindo, no 9º Festival do Carimbó de Marapanim. Também foi anucniado o adiamento do festival, que deve acontecer ainda este mês. 

Composições de carimbó, vindas de Belém, Marajó e Icoaraci, além de Marapanim estão pré- selecionadas. Ao todo foram 18 musicas inscritas para concorrer na categoria Livre e mais 13, na categoria Raiz. Destas 7 foram pre-selecionadas em cada categoria. As canções seriam executadas  durante o evento,  já neste final de semana, período de 16 a 18, previsto a realização do festival, mas o mesmo precisou ser  alterado, para o final deste mês, quando o público conhecerá também as composições vencedoras.

 “Nos dias de apresentação do Troféu Mestre Lucindo, modalidade Livre e modalidade Raiz, as músicas pré-selecionadas são apresentadas ao público, tendo um corpo de jurados para a escolha das duas músicas vencedoras em cada modalidade com prêmio total de R$ 8.000,00 a ser contemplado às quatro composições vencedoras”, explica Ranilson Trindade, fundador e organizador do festival.

Tradição de Marapanim, reconhecida em todo o Estado, o Festival do Carimbó tem enfrentado dificuldades para manter o período de sua realização. 

“Gostaríamos que o mesmo fosse mantido sempre na segunda quinzena de novembro, um mês atípico para o turismo no Pará, mas com ótimas condições de se fazer um festival devido o verão na região do Pólo  Amazônia Atlântica (região nordeste do Pará). Em 2015 vamos realiza-lo em Janeiro (previsão para 30, 31 e 01/fev), embora tivéssemos para este final de semana”, diz Ranilson Trindade.

Este ano, a realização é da AMATUR - Associação Marapaniense de Agentes Multiplicadores de Turismo, com patrocínio da TIM, por meio do apoio da Lei Semear de Incentivo à Cultura do Governo do Estado. Além de premiações, o festival também conta com mostras de Comidas Típicas e de Artesanato de Marapanim, mostra coreográfica “Carimbó de Marapanim, Patrimônio do Brasil!”, com participação dos grupos de carimbó de raiz do município: Os Originais, Uirapuru, Borboletas do Mar, Raízes da Terra, Japiim, Flor do Mangue, Beija flor de Marudá e "A Felicidade Não Tem Idade", que é responsável pelo levantamento e derrubação do Mastro de São Benedito, abrindo e encerrando as festividades.

O festival de Carimbó de Marapanim representa a resistência da tradição cultural que acaba de ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial do país. 

“Depois do reconhecimento do carimbó, como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro em 2014 pelo IPHAN, o Festival ganhou mais um motivo para comemorar porque esta foi uma luta que iniciou ainda em 2005, quando os grupos de carimbó de Marapanim e de Santarém Novo organizaram a campanha de adesão pedindo o reconhecimento público paro carimbó tornar-se patrimônio cultural imaterial do Brasil”, diz Ranilson Trindade, fundador e organizador do festival.

“E isso nos dá mais responsabilidade pela causa, o trabalho só está começando. A luta junto a Brasília, no Ministério da Cultura é muito grande para novos financiamentos ao carimbo, a fim de fortalecer os grupos de carimbó no Pará, e obter melhor reconhecimento nacional. Mesmo dentro do Pará encontramos mídias que pouco valorizam o carimbó por ser uma força que vem do interior, pouco reconhecido na capital”, finaliza Ranilson.

Músicas

Pré-Seleção LIVRE, ordem alfabética:

1. Borboletinha do Mar (Renata Del Pinho, Belém);
2. Deixa Voar (Eduardo Costa, Marapanim);
3. Faceira (Milton Rocha, Ananindeua);
4. Manto de Yemanjá (Messias Lyra, Icoaraci, Belém);
5. Saudade de Um Pescador (Alexandre Lopes, Marapanim);
6a. Um Boto em Marapanim (Ocimar Moura e Rosendo Gomes (Belém);
6b. Versos e Poesias (Gilson Douglas, Marapanim).

Pré-Seleção RAIZ, ordem alfabética:

1. Agricultor com muito Amor (Gr. Sereia do Mar, Vila Silva, Marapanim);
2. A Rosa Mais Bela (Gr, Raizes do Paramaú, Maranhãozinho, Marapanim);
3. Carimbó Simples Assim (Gr. Pica Pau, Vista Alegre, Marapanim);
4. Eu Não Vou Mais Pescar (Gr. Flor do Mangue, Marapanim);
5. Miscigenação (Gr. Marajauê, Soure);
6a.  Mundo Maravilhoso (Gr. Os Originais, Marapanim);
6b. Tá Bonito (Ziza Padilha e Grupo de Carimbó, Belém)..

Nota Explicativa: A Comissão Julgadora soberanamente decidiu não desempatar músicas com mesma pontuação, nesta fase de pré-seleção para não prejudicar obras de autores de música de carimbó, nas duas modalidades, muito importantes para o conhecimento e divulgação do autêntico carimbó de excelente qualidade para o mercado musical do Brasil. (AMATUR -  Associação  Marapaniense de Agentes Multiplicadores de Turismo).

Serviço
Acompanhe as notícias sobre o 9º Festival do Carimbó de Marapanim, pela rede social Facebook (https://www.facebook.com/pages/Festival-do-Carimb%C3%B3-de-Marapanim/588316091215250?fref=photo)  e pelo blog: http://www.carimbodemarapanim.blogspot.com.br/ . Outras informações à imprensa: 91 3088.5858 e 98134.7719 (Holofote Virtual - blogspot). E ao público: 98844.8898 (Ranilson Trindade).

13.1.15

Cine Estação exibe raridade nas telas brasileiras

Texto enviado por Augusto Pacheco,
do Cine Estação das Docas.
A produção cinematográfica da Islândia, “Sobrevivente”, de Baltasar Kormákur, indicada ao Oscar de filme estrangeiro no ano passado, está em cartaz em Belém, a partir desta quarta-feira, 14, com sessões às 18h e 20h30, abrindo a temporada 2015 do Cine Estação das Docas.

O longa é inspirado na história real de sobrevivência ocorrida em 1984: um pescador chamado Gulli (Olafur Olafsson) se vê à deriva nas gélidas águas do Atlântico Norte depois que o pesqueiro onde trabalhava naufraga. Seus amigos sucumbem rápido ao frio, mas ele inexplicavelmente consegue nadar por seis horas. 

Ele segue em frente e lembra trechos de sua vida ao lado daqueles que deixou para trás. Sua sobrevivência parece improvável, até que avista as escarpas de uma ilha.  

Gulli tem de enfrentar a dor pela perda dos amigos e o assédio da imprensa por conta de sua incrível história de sobrevivência. Alvo da curiosidade de médicos e especialistas, que querem entender como poderia ter subsistido em condições tão severas, é convencido a ir para a capital Reykjavík passar por uma bateria de exames que vão tentar achar respostas científicas para seu feito extraordinário.

A situação que se produz a partir desta estranheza, que leva pessoas diferentes a considerar Gulli mentiroso, ou então milagroso, um quase super-homem; cria outra linha de interesse na trama desenvolvida pelo diretor Baltasar Kormákur.

Gulli é um solitário. Vive com os pais e passa as noites no bar com os amigos, com quem trabalha num barco de pesca. A rotina de todos não passa muito de trabalhar, beber, eventualmente brigar ou separar uma briga, como faz o pacífico e robusto pescador de vez em quando. À moça de seus sonhos ele só tem coragem de dirigir um tímido olhar de longe.

No barco, cada um sabe o que fazer. Alguns dormem, ou assistem vídeos (estamos nos anos 1980), enquanto outros cuidam do leme e das máquinas. Até a hora em que um cabo fica preso numa rocha sob o mar e eles não conseguem resolver o problema por conta de uma polia enferrujada. O barco vira, lançando os tripulantes ao mar gelado.

“Sobrevivente” retrata esta situação angustiante, sem comunicação, sob um vento de 3 e água a 5 de graus negativos. A ausência de barcos de socorro por perto sinaliza a urgência de se lançar ao mar, torcendo para escolher a direção certa da terra firme.

Exibido nos Festivais de Toronto e Mar Del Plata, “Sobrevivente” recebeu 11 prêmios no Edda Awards, importante festival da Islândia, entre eles o prêmio de melhor filme.

Vejam as sessões: Trailer - Sobrevivente. Direção: Balfffasar Kormákur. Cor. 95 min. 12 anos.

  • 14 (quarta), às 18h e 20h30
  • 15 (quinta), às 18h e 20h30
  • 18 (domingo), às 10h, 18h e 20h30
  • 22 (quinta), às 18h e 20h30
  • 25 (domingo), às 10h, 18h e 20h30
  • 29 (quinta), às 18h e 20h30

Ingressos: R$ 8,00 (com meia-entrada para estudantes).

11.1.15

Gina Lobrista está no Ver o Peso da Nossa Música

Fotos: Julia Rodrigues/Divulgação
Depois de lançar o clipe “Estou Apaixonada”, gravado na feira do Ver o Peso, a cantora que, há sete anos divulga e vende sua música, na rua, passou do status de ‘desconhecida’ para celebridade. Neste domingo, 11 de janeiro, pela manhã, dentro da programação do primeiro dia do Ver o Peso da Nossa Música, ela faz participação no show de Manoel Cordeiro e, cheia de planos para 2015, também bateu um papo com o blog. O Ver o Peso da Nossa Música inicia às 10h, com a banda Espoleta Blues, depois segue com Manoel e Gina e encerra com a Warilou. Na segunda-feira, dia 12, aniversário de 399 anos de Belém, os shows começam às 19h, com grupo de percussão Vale Música, show Elas Por Elas e da banda Nosso Tom.

Determinada, convicta de que seu trabalho é para ser feito na rua, a história de Gina Lobrista rende um roteiro de ficção! Após quase uma década batalhando sob o sol forte, no Ver o Peso, ou nas praças da capital paraense, há alguns meses, ela se tornou conhecida de um público bem maior que ao circunscrito na área de entorno do Ver o Peso. 

Os milhares de acessos ao clipe na internet, já lhe renderam entrevistas em jornais, rádio, televisão e na web, além de convites para cantar em festivais como o Conexão Belém e, mais recentemente, na Virada Cultural, onde ela também esteve ao lado de Manoel Cordeiro.

“O Manoel Cordeiro para mim é um astro. O conheço desde os meus tempos de moleca. A Warilou me deixava em êxtase, eu cresci ouvindo isso. Fico até nervosa quando estou do lado dele”, conta Gina, que só conheceu Manoel Cordeiro pessoalmente, ano passado. 

“Nem acredito, que estou do lado dele. Chego a desafinar”, diz Gina. É a terceira vez que os dois se encontram para ela cantar, ele tocar. Fizeram um Conexão Acústico, na Rádio Cultura do Pará e depois o show na Virada Cultural, em dezembro do ano passado.

“Foram participações pequenas, com apenas duas músicas. Já no aniversário de Belém, vou cantar cinco músicas com Manoel e depois há planos da gente conversar sobre um CD autoral meu para lançar este ano”, revela. 

Gina Lobrista tem uma voz marcante.  De longos cabelos negros, com características negras e indígenas, ela chama atenção também pela beleza. Aos 34 anos, vinda Recife ainda criança, para morar na região sudeste do Pará, ela vive hoje um momento importante em sua trajetória. 

“Esse clipe foi fundamental na minha vida. São sete anos já de luta no meio da rua. Essa música já fazia sucesso, mas ninguém sabia direito quem era eu. Muitas pessoas chegaram a fazer show no meu lugar, se dizendo dona daquela voz da música. Ninguém me conhecia, ninguém me convidava pra cantar”, conta Gina. 

Um clipe pra chamar de seu

A ideia do clipe partiu de um grupo de estudantes, Leonardo Augusto, Jefferson Cunha e Jefferson Oliveira, da Platô Produções, que já sabiam da existência da cantora, mas ainda não a tinham conhecido pessoalmente.  

“Eles me encontraram na Praça da República, quando eu estava trabalhando. Daí eles me chamaram pra conversar. Disseram que estavam montando a produtora e que queriam fazer um clipe comigo. Eu de início não acreditei, mas quinze dias depois eles apareceram no Ver o Peso, e me perguntaram como eu imaginava que deveria ser o clipe”, vai falando Gina.

“Eu disse que eu gostaria de me ver nascendo como artista, no Ver o Peso. Mostrando eu chegar com a minha caixa, como todos os dias eu faço. Acordo às seis e meia pra pensar no que eu vou fazer da vida, quando é sete e meia eu já estou no ônibus com caixa, microfone, carregador da bateria da caixa”, diz.

Os três jovens realizadores gostaram da ideia, fizeram suas adaptações e o clipe saiu. O roteiro também mostra, durante a música, um brega estilo Jovem Guarda, Gina como vendedora de ervas, de lanche, de almoço, cortadora de mandioca. Depois ela já aparece mais produzida, em vários figurinos, no Solar da beira, como uma artista famosa.

Depois de lançado com um show na Faculdade Estácio - FAP – foi a vez de colocá-lo na internet, onde já teve quase 50 mil acessos. “Isso pode ser pouco para os grandes artistas, mas para mim, é demais, estou muito feliz, melhorou muita coisa, as vendas do CD aumentaram, agora está até um pouco ruim por causa das chuvas”, comenta.

Fã confessa de Roberto Carlos, ela diz que vem dele, suas principais influencias. “Eu acho que às vezes eu misturo tudo, mas tenho o Roberto Carlos é muito forte, temos todos os vinis e CDs dele, livros sobre ele’, diz ela, que também gosta de José Augusto, Odair José, Paulo Sergio, Nelson Ned. “Eu gosto de coisas do passado”. 

Holofote Virtual: Você está curtindo a participação no Ver o Peso da Nossa Música. Isso funciona como pra ti?

Gina Lobrista: Não sei nem o que dizer, tenho que confessar que muitas vezes não sei a dimensão das coisas, eu morava longe, onde não chega nada disso de televisão, rádio. Pra mim, é uma vitória. É maravilhoso ouvir nome na TV, nas rádios, nos blogs... O que plantei estou começando a colher, mas eu sinto que ainda há muita coisa a ser regada e adubada para eu chegar onde quero, que é ser uma das maiores cantoras de rua. O meu negócio mesmo é a rua, eu não sou de banda, de palco, eu gosto de cantar no meio da rua, eu gosto de vender o meu CD.

Estou muito feliz de estar nestes 399 anos. Era um dos meus grandes sonhos, de estar ao Aldo de feras da nossa música, como também as meninas do Elas por Elas, a Camila Honda, Juliana Sinimbú, Nana Reis, Natália Matos. Essas meninas são feras, mas estou ainda mais honrada é de estar com o mestre Manoel Cordeiro. 

Holofote Virtual: Esta será a terceira vez que você vai cantar com Manoel Cordeiro. Vocês estão pretendendo trabalhar em algo, juntos?

Gina Lobrista: Eu o conheci através do Rodrigo Viellas, produtor da Gang do Eletro, que ano passado me convidou pra fazer uma participação no show do grupo, no Conexão Belém. Este foi o primeiro grande evento que eu participei. Daí, eu conheci o Manoel Cordeiro, que adorou meu trabalho, gostou da minha história e força de vontade. Nós vamos conversar e espero que dê tudo certo.

Holofote Virtual: Eu poderia dizer que a sua história traduz, de certa forma, o conceito do “Ver o Peso da Nossa Música”. É ali que mostra o peso do seu trabalho... O que este lugar significa pra ti? 

Gina Lobrista: O Ver o Peso para mim foi onde eu encontrei a maneira de divulgar o meu trabalho. Pra mim, o Ver o Peso não é uma feira, é o mundo. Lá tem francês, japonês, dos Estados Unidos...  E hoje todo mundo filma, o celular está muito avançado, e então eles tiram foto, compram meu CD. Quando me dou conta, meu CD já está no Rio de Janeiro, que eu fico sabendo por mensagens que recebo pelo whatsapp. É assim que está indo, é isso que o Vero o Peso me traz. 

Quando a Platô falou em gravar comigo, eu disse logo que queria que fosse no Ver o Peso. Algumas pessoas me disseram que não devia fazer isso, que era um lugar baixo astral, pobre, mas pra mim o Ver o Peso é lindo, e tai, deu certo, muita gente bacana já viu o clipe, como, por exemplo, a produção da Regina Casé, que já me chamaram pra ir participar do programa dela, mas ainda não sei quando... Acho que 2015 vai ser bom pra mim.

Holofote Virtual: Como foi que te ocorreu de vender o seu trabalho na rua?

Gina Lobrista: Eu tinha acabado de ter esta ideia, em São Paulo, onde estive participando de um programa do Raul Gil, o Boca do Forno. Passei pelo centro de São Paulo, e vi um cantor sozinho, cantando com uma caixa de som, em cima de uma caixa de tomate. Não pensei duas vezes. Fui até a Santa Ifigênia, onde você encontra tudo que tem a ver com música. Numa loja disse ao vendedor que eu era artista de rua em Belém do Pará e queria a indicação de uma boa caixa de som, que também fosse fácil par eu carregar. 

Comprei uma caixa de som com bateria portátil, de 8 horas de duração, com dois microfones. Achei excelente. Chegando aqui, não teve outra, fui pra rua cantar. Eu já tinha feito isso uns dois anos antes, com o Mr. Bacalhau, o homem que me lançou aqui em Belém do Pará.

Ele é um senhor que anda numa bicicleta com som e microfone, divulgando o trabalho de muitos paraenses, como da Gang, a Gabi... Mas a cantora mais forte no momento, revelação, é a Gina mesmo. 

Holofote Virtual:: Há quanto tempo a música está na tua vida. Como foi que tudo aconteceu pra chegares aqui?

Gina Lobrista: Há um tempo que estou investindo, as coisas não aconteceram assim, de repente. Vem muito lá de trás. 

Quem primeiro começou a cantar aos cinco anos de idade, foi a minha irmã, que é cinco anos mais velha que eu, que era quem sempre a levava pra tocar nos lugares, pra conhecer os donos de bandas, e ela cantou com várias mesmo. Foi depois que descobrimos que minha mãe compunha é que as coisas mudaram pra mim. 

Tínhamos a banda Geração Eletrizante, mas minha irmã não curtia muito as músicas da nossa mãe, porque eram letras muito românticas, e eu sempre fui uma menina, uma mulher muito romântica. Eu cresci ouvindo meus ídolos dentro de casa, como Roberto Carlos, Fernando Mendes, José Augusto, Aldemar Dutra, Golden boys, The Fevers... Eu gosto de coisas do passado. 

Um dia eu fui numa gravadora e gravei uma das músicas da minha mãe. Depois vieram as outras e as pessoas foram gostando. Eu acabei subindo no palco, comecei então a colocar as músicas na rádio. Antigamente eu pagava pra isso, hoje não pago mais. Em aparelhagem então, meu Deus do Céu... só tocavam minha música no amanhecer do dia, agora isso mudou muito. Acabei saindo da Geração Eletrizante e fui cantar sozinha... com minha caixa de som na rua.

Gina com a Gang do Eletro
Holofote Virtual: E como as pessoas reagiram a isso, foi tranquilo. Você consegue sobreviver da venda dos discos? 

Gina Lobrista: As pessoas pensavam que eu tinha ficado louca ou virado mendiga, mas acontece que deu certo, vendo em média de 150 a 200 CDs por dia, a R$ 5,00. Não é todo dia que vou, porque ali no Ver o Peso tem uma maresia, e isso acaba com as cordas vocais da gente, muito vento, e como eu só vendo CD, se eu cantar, aí já viu. Tem vezes que eu canto nove horas no dia, e acabo ficando sem voz.

Holofote Virtual: Você sabe qual é o seu principal público?

Gina Lobrista: O meu grande público é de universitários e do GLBT. Faço muitas apresentações em boates deste gênero e eles me adoram. Eu me sinto em casa, respeito muito os meninos e meninas, são todos muito bacanas mesmo.

Holofote Virtual: Você já falou de alguns, mas me conta, quais são teus maiores plano para 2015?

Gina Lobrista: Comprei um carro, com dinheiro da música e já montei o de som. Esse trabalho que faço à pé, com a caixa, agora vou levar no carro, estacionar ele em algum lugar e cantar. Então vou gravar este CD autoral e sair com este meu carro pelas redondezas do Pará e fora dele. Quero ir até Recife, minha terra, que não conheço. Pretendo passar uns três meses fazendo este trabalho. Quero viajar e mostrar minha música, quero que dê certo. 

Holofote Virtual: E como vai ser este CD, já dá pra adiantar alguma coisa?

Gina Lobrista: Eu sou uma compositora que gosta de sofrência. Minhas músicas falam ao coração... É como disse a Fafá de Belém certa vez: música pra mim tem que arrepiar, se não me arrepiar eu não gravo. 

Holofote Virtual: Movimento musical paraense. O que é pra ti?

Gina Lobrista: Movimento musical paraense pra mim é um grande caldeirão. Às vezes, eu não sei qual é o ritmo paraense, são tantos, tem carimbó, lambada, guitarrada, tecnobrega, melody... É tanta coisa, e vejo que tem espaço pra todo mundo, mas só cresce quem aparece e eu resolvi aparecer.

10.1.15

Pirão no Bairro conclui sua programação no Guamá

Fotos: Pedro Tobias
O Pirão Coletivo é exemplo da máxima “a união faz a força”. Usando criatividade, talento e as ferramentas que possuem, grupos de teatro, profissionais do audiovisual e da comunicação se uniram para realizar um projeto colaborativo, que este ano, com patrocínio da Fumbel, terá alcançado, até este domingo, mais de 1.000 pessoas, entre adolescentes, crianças e adultos.

O projeto do Pirão Coletivo está na rua desde o dia 6 de janeiro, uma data significativa. O "Dia de Reis", no calendário religioso, marca a data em que o Menino Jesus recebeu presentes preciosos dos três Reis Magos. 

De outra forma, assim aconteceu aqui, mas ao invés de reis magos, artistas circenses, intérpretes de dança, músicos e outros artistas, que também distribuíram presentes mágicos, a centenas de crianças, que não estavam em magedouras, mas sim em praças e sedes comunitárias, em Outeiro e nos bairros da Pratinha e do Guamá.

Até este sábado, 850 pessoas, entre crianças e adolescentes foram beneficiados, com as atividades de entretenimento e formação artística promovidas nas oficinas e nas apresentações. Neste sábado, 10, o Guamá contou com a oficina de circo com Marina Trindade (Projeto Vertigem), realizada no Centro Educacional Moaraná (Travessa Vinte e Cinco de junho, 329), e com as apresentações e contações de história, na Praça Benedito Monteiro (Av. Barão de Igarapé Mirim).

Neste domingo, 11, também no Guamá, nos mesmos locais, as mais de 500 pessoas envolvidas pelo projeto naquele bairro, vão participar da oficina de Teatro e Música ministrada pelo músico e ator Armando de Mendonça e pela atriz e diretora de teatro Ana Marceliano, e ouvir as histórias: “Reconto de histórias”, com Nanan Falcão, e “O Pato que Partiu”, com Maycon Douglas e Luciano Lira, além de fechar a noite assistindo o espetáculo “La Fábula”, da Cia Madalenas.

Pirão, uma ideia que se expande

O Pirão Coletivo é  um grupo independentes que reúne atores, artistas circenses, bailarinos, músicos, produtores e profissionais da comunicação e do audiovisual, que integram os grupos Companhia de Teatro Madalenas, Companhia de Investigação Cênica, Dirigível Coletivo de Teatro, Produtores Criativos, Grupo Projeto Vertigem e In Bust Teatro com Bonecos. A iniciativa tem parceiros como o blog Holofote Virtual (blogspot), Design Criações, Na Figueredo, Ponto de Cultura Colibri, Projeto Brincando, Criando e Aprendendo, Espaço Cultural Nossa Biblioteca e Hiléia.

Depois de várias manifestações de insatisfação com a ausência de política pública para a área da cultura, eles criaram o Pirão Coletivo, com a proposta de oferecer ao público uma mistura irresistível de arte, entretenimento e formação, por meio de diversas linguagens artistas, como dança, circo, teatro, formas animadas, audiovisual.

As primeiras ações, o “Sábado Tem, Domingo que Vem”, no início de 2014, e “Mostra Pirão”, no final daquele ano, foram realizadas no Casarão do Boneco, sede do In Bust Teatro com Bonecos, e na Casa Dirigível, do Dirigível Coletivo de Teatro, ambos grupos integrantes do coletivo, ou na Praça Barão do Rio Branco, que fica em frente à Igreja da Trindade, no bairro da Campina. A produção, feita por eles, contou com recursos próprios, e com o apoio mínimo obtido com o pagamento de quantias que o público definia o valor, entregues na entrada das apresentações nas sedes. 

Todo artista vai onde o povo está. Outra máxima que cai bem neste Pirão, cuja vontade de fazer e os resultados satisfatórios que vem alcançando, com aumento de público nas apresentações, e dos acessos na fanpage, causaram repercussão, levando o coletivo a ir mais longe, saindo de suas sedes e chegando à periferia da cidade.

PROGRAMAÇÃO

GUAMÁ, neste domingo, 11 de janeiro

Oficinas: Centro Educacional Moaraná (Travessa Vinte e Cinco de junho, 329)
Apresentações: Praça Benedito Monteiro (Av. Barão de Igarapé Mirim)

  • 15h às 17h | Teatro e Música, com Ana Marceliano e Armando de Mendonça (Dirigível Coletivo de Teatro)
  • 18h | Contação de história Reconto de historias, com Nanan Falcão
  • 18h30 | Contação de história O Pato que Partiu, com Maycon Douglas e Luciano Lira
  • 19h |Espetáculo La Fábula, com Cia Madalenas.