20.9.18

Jackie Carvalho lança nova coleção de moda

Fotos: Tereza e Aryanne
Um dos casarões históricos mais importantes de Mosqueiro é também um relicário de memórias afetivas. Às margens do rio-mar, o Hotel Farol foi erguido para abrigar uma grande família que surgiu do romance entre um bragantino e uma jovem lusitana, na década de 1930. Essa história íntima de amor, se tornou parte da memória coletiva da região, inspirou a mais nova coleção de moda da designer Jackye Carvalho, que mostra as peças inéditas em desfile no próxima sexta (21), às 19h, no espaço Ná Figueredo, em Belém. A entrada é franca.

Premiado em 2018 pelo Seiva - Programa de Incentivo à Arte e à Cultura, da Fundação Cultural do Pará, do Governo do Estado, o projeto “Hotel Farol – Design do Afeto” remete à visualidade arquitetônica do prédio, tombado como Patrimônio do Estado do Pará. Repleto de azulejos portugueses, objetos seculares trazidos da Europa e traços das residências tropicais, o prédio, que data de 1931, é o mais antigo hotel em atividade na ilha.

Forjado sob a influência do estilo Art Déco, o espaço foi construído pelo advogado Zacharias Mártyres para abrigar seus 15 filhos, fruto do casamento com Adelaide de Almeida, lusitana que chegara ao Pará aos 9 anos de idade. A residência foi sendo ampliada a cada ano e passou a receber amigos do casal, que vinham de Belém para passar os feriados em Mosqueiro, o que deu ao local o nome de “Casa dos Amigos”. Atualmente administrado por filhos e netos de Mártyres, o hotel é cartão-postal da ilha. “O projeto trata das memórias não só do hotel, mas memórias afetivas que giram em torno dele”, diz a designer.

Jackye trouxe para as peças a geometria que marca o Art Decó e da Bauhaus, escola artes plásticas e arquitetura de vanguarda da Alemanha. Por meio da técnica de sublimação, a designer estampa nas peças o grafismo dos pisos e azulejos no hotel.

As imagens foram gravadas em roupa de brechó, seguindo a técnica do upcycling – que parte de peças reutilizadas que são customizadas e estampadas de forma manual. “No Curro Velho, já como professora, me aproximei muito do debate sobre moda sustentável, reaproveitamento, artesanato, e há dez anos me engajo nessa área”, diz a criadora, que há desde 2008 pesquisa e desenvolve projetos de moda sustentável na Amazônia.

“Aliar isso a história de um lugar tão emblemático como o Hotel Farol deu fruto a um trabalho muito particular, que valoriza nossa identidade cultural. A própria família Mártyres ficou surpresa com a ideia do projeto: nossa, mas a nossa história vai ir pra passarela?”, conta.

Upcycling é um modelo de produção e consumo voltado para a geração de valor e responsabilidade socioambiental por meio da ressignificação de processos e produtos. Utiliza-se de materiais no fim de vida útil para dar uma nova utilidade. “Trata-se de uma abordagem das mais inovadoras na economia criativa hoje”, destaca Jackye.

Um dos celeiros para a ressignificação de produtos e para aplicação do Upcycling são os brechós. Mais do que um local de "coisas velhas", o brechó vem tornando-se um mercado crescente economicamente e um grande símbolo de responsabilidade ambiental para a questão do pós-consumo. “Os brechós proporcionam o surgimento de uma nova economia baseada no descarte: nada mais sustentável do que reaproveitar o que se tornaria lixo para gerar renda e diminuir o impacto negativo da indústria da moda no meio ambiente”, diz a designer, que percorreu diversos brechós do centro comercial de Belém para garimpar as peças que serviram de base para a criação da coleção.

Serviço
Desfile da coleção de moda “Hotel Farol – Design do Afeto”, de Jackye Carvalho, na sexta (21), às 19h, no espaço Ná Figueredo, em Belém. A entrada é franca. Realização: Seiva - Programa de Incentivo à Arte e à Cultura, da Fundação Cultural do Pará, do Governo do Estado.

(com informações da assessoria)

18.9.18

Exposição “Baía” Pinturas de Armando Sobral

A exposição individual do artista traz uma série extensa de trabalhos executados com óleo sobre tela, em tamanhos variados que vão de pequenos estudos a grandes dimensões. A abertura será na quinta-feira, 27, às 19h. "Baía" integra a programação de aniversário de 63 anos do Centro Cultural Brasil Estados Unidos. 

Armando Sobral retornou a Belém em 2001, depois de muitos anos em São Paulo, e aqui montou um atelier de gravura, mas foi em 2003 que passou a se dedicar a pintura a óleo sobre tela. A exposição reflete a imersão no universo da paisagem. 

“Trata-se da dimensão do incomensurável, das relações das atmosferas”, explica o artista. “Quando eu me remeto a essas paisagens não tem nada estável em relação a isso, é uma espécie de um tempo que decorre”, finaliza Sobral sobre o tema recorrente desde então.

Armando Sobral começou essa série em 2003, quando se debruçou sobre o tema de uma foto que fez em 1998 quando retornava de Soure e tragicamente soube que sua mãe  havia sido hospitalizada, de um processo terminal. Durante a viagem, ele fez o registro fotográfico de uma paisagem. Primeiramente fez alguns desenhos à carvão, que depois foram ganhando outras dimensões. 

Apesar da travessia ao Marajó ser o local que sempre faz alusão nas pinturas, Sobral pondera que hoje está em outra relação com o tema, quando diz  “Hoje meus trabalhos não estão mais associados aquele episódio, mas quando olho para o rio, penso nessa relação de transição de vida, de tempo, de ciclo. Eu busco na pintura uma relação figurada com esse universo que é quase inapreensível, que é o universo da água, do ar das atmosferas”. 

Serviço
Exposição “Baía”. Abre na próxima quinta-feira, 27, às 19h, na Galeria de Artes do CCBEU-MABEU, até 23 de outubro. Visitas guiadas podem ser agenadas. Informações: 3221.6143 ou www.ccbeu.com.br.

"Macaréu" homenageia Mestre Vieira e Dona Onete

Noites do Norte e Mestre Vieira - Out. 2017 - RJ
Guitarradas, cúmbias e carimbós. O grupo carioca Noites do Norte lança em Belém o EP "Macaréu", numa homenagem a Mestre Vieira e Dona Onete. Domingo, 23, às 19h, no Apoena, com participação especial de Félix Robatto e Juca Culatra, e dos músicos André Macleuri (baixo), Wilson Vieira (teclado) e Carlos Canhão (bateria). 

Em Janeiro de 2016, o Conjunto Noites do Norte lançou seu primeiro álbum, “Baile das Formigas” e  se tornou uma referência da música do Norte do país no Rio de Janeiro. O grupo, que há alguns anos vem sendo a sensação das noites cariocas transformou-se em um bloco de Guitarrada, desdobrando-se, ainda, em carimbós e choros, sempre mantendo essa coerência sonora que o destaca.

No show em Belém será feita uma homenagem ao LP "Lambadas das quebradas", de Mestre Vieira, que completa 40 anos. No repertório estão entre outras músicas, "Lambada da baleia" e a faixa título do disco, além das músicas do primeiro álbum "Baile das Formigas" e do novo EP "Macaréu", todas autorais. 

“Esse é o mote principal do conjunto, a mistura da música nortista e do sudeste, remontando a própria história da guitarrada em um dos pilares da sua origem: o choro misturado com ritmos latinos. A certeza é que ninguém consegue ficar parado”, diz Mig Martins.

Conexões com a múica da região Norte

No centro, Mig Martins passa a guitarra de Mestre Vieira, 
antes do show no Centro de Artes da UFF (2017. Niteroi-RJ)
O músico esteve em Belém outras vezes, participando, em 2013, do show de lançamento do “DVD Mestre Vieira 50 anos de Guitarrada”, projeto que desenvolvi entre 2011 e 2014.

“Eu soube do lançamento no Rio de Janeiro e entrei em contato com a produção. Fui super bem recebido e cheguei a Belém por conta própria, para um anoite memorável. Foi uma realização ter tocado com Mestre Vieira e também com os demais músicos que estavam naquela noite do lançamento. A partir daí mantive contato com todos eles, recebendo alguns também no Rio”, diz Mig.

Depois desse contato, a relação com Mestre Vieira se estreitou. Em 2015, Mig Martins acompanhou os shows de Mestre Vieira, que foram realizados no Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Em outubro de 2017, o criador da guitarrada voltou ao Rio de Janeiro e se apresentou no evento de aniversário da banda, realizado na sede do Fluminense, no bairro de Laranjeiras. Casa lotada e um delírio coletivo na plateia quando o guitarreiro entrou em cena. 

Show de aniversário do grupo Noites do Norte. Out. 2017. RJ
Mestre Vieira estava acompanhado pelos filhos Wilson e Waldecir Vieira, para uma apresentação no projeto Territórios da Arte, em Niterói, e aceitou o convite para fazer essa participação com o Noites do Norte.

Mig Martins também retribuiu o gesto e integrou o show do músico, que fizemos dois dias depois no Centro de Arte da UFF, em Niterói, o último fora do Pará. E antes de voltar a Belém, o músico ainda teve mais um encontro com o Noites do Norte. Uma gravação nos altos de Santa tereza.

“Para nós foi uma honra e muito emocionante para todos do grupo. Gravamos com ele Lambada Portuguesa, sendo este um de seus últimos registros antes de fazer a passagem e vamos mostrar na abertura do show do Apoena”, comenta Mig.

Para saber mais:

Video gravado com o Mestre Vieira

CD Baile das Formigas

Programa Experimente no Multishow

Show de aniversario do Circo Voador com participação do Pedro Luis

Serviço
Lançamento do EP Macaréu, com show em homenagem a Mestre Vieira e Dona Onete. Neste domingo, 23 de setembro, a partir das 19h, no Espaço Cultural Apoena – Av. Duque de Caxias, 450 – Belém. Ingresso R$ 10,00Mais informações: 98134.7719.

15.9.18

Unidade e culminância no 1o EP de Ramon Rivera

Fotos: Rodrigo Correia
Inspirado no processo de cicatrização que substitui os tecidos normais lesados ou seccionados, gerando uma marca ou da fissura e sua reconstituição lenta, dolorosa e gradual, o primeiro EP da carreira de Ramon Rivera traz três músicas autorais inéditas. “Cicatriz” resulta das experiências do artista com e na cidade. O lançamento será no dia 19 de setembro, próxima quarta-feira, às 19h, no Espaço Na Figueredo.

Por Bianca Levy

Arranjos bem trabalhados e referências que remontam o jazz, rock psicodélico, música latina e música popular brasileira. Como sugere o próprio nome do trabalho, o EP foi construído em um processo lento, de continuidades e descontinuidades. Cerca de dois anos separaram o início da gravação ao lançamento deste material que agrega tempos e bagagens do passado e presente do artista. 

Para Ramón, mesmo com o transcurso do tempo, a vivência e a experiência estética e conceitual destas cicatrizes ainda estão abertas. “Este EP tem um conceito ligado à memória. Essa ideia de cicatriz dispara um conceito poético de memória física que o nosso corpo carrega, e o EP é a materialização desta memória. 

Apesar das músicas serem antigas, no sentido de tempo de maturação, esse conceito de “Cicatriz” ainda é muito forte em mim, pois ele traz momentos preciosos que viraram canções. E nesse sentido eu não sei dizer quando essa cicatriz vai fechar. Talvez quando o público recepcionar o trabalho, rolar uma identificação e eles devolverem o feedback disso tudo, quando eu realmente sentir uma gratidão por me expor tanto nessa criação”, explica.

Como em todo trabalho bem lapidado, esta “cicatrização poética” se constituiu em um material pungente, de um multiartista que além da voz e do trabalho impecável com a guitarra –primeiramente na banda Les Rita Pavone e atualmente com o Dois na janela-, traz no début musical os conhecimentos das outras linguagens com as quais ele trabalha, como o teatro, o cinema e a docência. Ouvir as faixas de “Cicatriz” é adentrar em um universo estético e sensorial fértil e instigante. 

EP representa o impulso na carreira do artista

"Este EP veio pra culminar anos de trabalho, me dedicando ao teatro, à composição musical dentro do teatro- que eu comecei fazer dentro do teatro, mas que acabou se espraiando pra fora dele; e hoje em dia, no encontro com o cinema. Então eu nunca consigo trabalhar se não for dentro desta unidade, nem raciocinar estas linguagens de forma unilateral, separadamente, pois pra mim elas são altamente ligadas, unas num sentido integral, como nos rituais primitivos que deram origem ao teatro”, diz Ramon.

 “Cidade Morena”, “Sequela Flor” e “Recuerdaste” são os nomes das três faixas do compacto. A primeira, contém influência do soul music brasileira (Marku Ribas, Carlos Dafé, Cassiano), e além do groove, traz em sua letra uma pegada política, ao questionar a democracia racial e o título de cidade morena à Belém. “Sequela Flor” é, como enfatiza o artista, “a música que define o conceito do EP: um Arrocha Rock Artaudiano”. Com influências de teorias teatrais que exploram o próprio conceito de cicatriz, como a Dramaturgia pessoal do ator e o Teatro da Crueldade, a canção é dedicada à mãe de Ramón. Já “Recuerdaste”, é uma música acústica que fala de amor. Com letra em espanhol, ela faz alusão à ancestralidade paterna latina do músico.
     
Para Dan Bordallo que assina a produção de parte do trabalho pelo Estúdio Casarão Floresta Sonora, o cuidado dispensado à produção do EP resultou em material que é, na verdade, uma surpresa boa para a cidade e uma aposta em um músico que desponta na cena. “Agora que a gente finalizou o trabalho, eu vejo como este processo cuidadoso, gerou bons resultados. É um som meio tropical, pop, mas com elementos distintos e raízes no que já foi feito antigamente. Então a galera que gosta do que tá rolando na música atualmente vai gostar”, afirma Dan. 

Ele é complementado também pelo sócio do estúdio Léo Chermont que acompanhou de perto as gravações: “O EP tem uma sonoridade boa e foi feito em um momento em que o Ramón está se encontrando musicalmente dentro de todo o repertório que ele tem. É um disco muito legal de um artista bom que está aí”, resume.

As faixas do Ep “Cicatriz” serão lançadas virtualmente no mês de agosto nas plataformas do músico. A agenda do lançamento está sendo fechada e os shows serão feitos em formato de power trio com os músicos Ismael Rodrigues na bateria e Elder Queiroz no contrabaixo, Para acompanhar a divulgação do trabalho, é só acessar as redes sociais do músico. 

Serviço
Lançamento do EP nesta quarta-feira, 19, às 19h, no Espaço Na Figueiredo. Av. Gentil Bittencourt, próximo a Banjamin Constant. Entrada gratuita.

“Kamburão” faz sua estreia no Casarão do Boneco

O grupo de teatro Casa de Mundiar, em parceria o espaço cultural Casarão do Boneco, apresentará, na próxima quarta-feira, 19, às 20h, o espetáculo Kamburão, uma performance com  Fabricio Lobo, Mauricio Franco e Vandiléia Foro e direção de Iara Souza. O trabalho mistura a obra de Franz Kafka e o experimento com objeto, para criar uma cena vertiginosa, onde o texto de K. é editado em cena num jogo de improviso atravessado por um objeto central, um camburão.

Segundo o Grupo, a obra de Kafka é um labirinto de conflitos e acontecimentos que enredam os personagens numa teia nonsense, e é essa teia, desprovida de sentido e pautada nas sensações, que os afetam e possibilitam a transposição de uma  leitura singular e pessoal das obras para uma escrita de cena performativa. 

Se fosse possível um ponto de vista comum sobre a obra de K. poder-se-ia dizer que ela revela uma capacidade enorme que temos de inventar problemas e estarmos entorno deles uma vida inteira. Kamburão é um mergulho nessa espécie de existencialismo agitado de K. Sua  obra é um prato cheio para a exploração dos corpos em estado de  improviso, reinventado uma multiplicidades de existências possível nas dobras que fazemos entre os corpus e Kafka.

O corpo camburão é o objeto de conecção, fazendo dos performes estrangeiros que se relacionam e se recriam na improvisação, performance dissonante, corpos que se afetam, atritam, silenciam e constroem imagens abertas, diluindo-se um nos outros, esquizofrenia politicamente potente. 

A cada deslocamento múltiplas possibilidades abertas. Experimentar, experimentar, experimentar...avançar sobre as coisas do mundo e quere-las intangíveis. Agir e agitar a superfície dos corpos, nos encontros, nas conexões, nas zonas de contato, nos entre dos corpos.

Ficha técnica

  • Perfomers:  Fabrício Lobo , Maurício Franco. Vandiléia Foro.
  • Direção: Iara Souza
  • Fotos: Danielle Cascaes
  • Filmagem: Cláudio Castro

Serviço
Espetáculo Kamburão. Na próxima quartafeira, 19, às 20h, no Casarão do Boneco. Ingressos R$ 20,00. Na Av. 16 de Novembro, 815.

(Com informações de Iara Souza)

Concerto da OSTP encerra o XVII Festival de Ópera

O XVII Festival de Ópera encerra hoje, às 20h, com o concerto de encerramento dentro do Theatro da Paz.  Os ingressos estão esgotados, mas quem estiver a fim de acompanhar a apresentação, a Tv Cultura do Pará fará a transmissão também pelo portal www.portalcultura.com.br

O programa contempla compositores como Carlos Gomes, Verdi, Rossini, Bernstein, Loewe, Falla, e terá a regência do maestro assistente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, Pedro Messias, que está há um ano em Belém e atua ao lado do maestro Miguel Campos Neto, regente titular. O evento tem direção de Gilberto Chaves e João Augusto Ó de Almeida.

Esta será a primeira oportunidade de Messias à frente da sinfônica e ele destaca três pontos do programa importantes para o público: a execução de obras do brasileiro Carlos Gomes, que tem relação especial com Belém; o resumo das obras deste ano do festival, “A Vida Breve”, do espanhol Manuel de Falla, e “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi; e trecho de musicais, uma grande novidade, como trecho de “My Fair Lady”, que também já foi adaptado para os cinemas. Os solistas serão Andrey Mira (baixo), Juliane Lins (soprano), Glaucivan Gurgel (tenor), Rodolfo Giugliani (barítono), Lanna Bastos (soprano), Kézia Andrade (soprano) e Fernando Portari (tenor).

“Esse concerto coroa tudo que aconteceu este ano, com a parte do balé que tem grande influência da música espanhola, na obra do Falla. Faremos também a abertura de uma ópera de Verdi, que quem assistiu ‘Um Baile Máscaras’ vai reconhecer algumas partes, o que vai dar para perceber como o compositor em diversas óperas traz a mesma ideia em sua obra, uma identidade do compositor transpassando as composições. É um repertório que mostra também a melhor parte da orquestra”, comenta o maestro.

Como regente que busca se conectar com as produções de ópera brasileiras, Pedro diz que a escolha por árias de “Lo Schiavo”, de Carlos Gomes, foi uma herança de seus mestres e professores de São Paulo, sua cidade natal. Ele veio para Belém após passar pelo Teatro São Pedro, na própria capital paulista, para aprimorar ainda mais seus estudos na área de regência.

“Acho importante sempre trazer o nome de Carlos Gomes para perto da gente. O Rodolfo vai cantar sozinho ‘Sonho de amore’, e acabei optando por essa ária para dar vazão ao máximo a esse compositor”, explica Pedro Messias. Ele destaca, ainda, o sucesso recente de musicais como “O Fantasma da Ópera”, uma produção que tem rodado o mundo inteiro com diversas montagens, e por isso também decidiu trazer um pouco desse universo para o Concerto de Encerramento.

A escolha foi por “My fair Lady”, um clássico do austro-americano Frederick Loewe, e por trechos de “West Side Story”, do compositor Leonard Bernstein, que também já virou filme, pela ocasião do centenário de seu nascimento - o que tem gerado comemorações em diversos eventos de música erudita.

“Ele é um dos meus compositores favoritos e foi uma indicação minha. Tem sido crescente o interesse do público pelos musicais e estes dois são musicais robustos, que têm uma linguagem estética muito bem feita e muito próxima da ópera. ‘My Fair Lady’ foi um grande musical. E Bergstein foi compositor., pianista e regente, um gênio da época dele, faria 100 anos e também quis comemorar essa data aqui em Belém”, conclui Pedro Messias..

Programa

GIOACHINO ROSSINI (1792-1868)
La gazza ladra – Abertura

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Macbeth – Come dal ciel precipita
Andrey Mira, baixo 

WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791)
Cosi fan tutte – In uomini, in soldati
Juliane Lins, soprano

MITCH LEIGH (1928-2014)
Man of La Mancha – The impossible dream
Glaucivan Gurgel, tenor

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Un ballo in maschera - Eri tu che macchiavi
Rodolfo Giugliani, barítono

CARLOS GOMES (1836 -1896)
Lo Schiavo - Oh ciel di Parahyba
Lanna Bastos, soprano

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Un ballo in maschera - Saper vorreste
Kézia Andrade, soprano

LEONARD BERNSTEIN (1918-1990)
West side story – Tonight
Lanna Bastos, soprano
Fernando Portari, tenor

MANUEL DE FALLA (1876-1946)
La Vida Breve - Dansa espanhola
Ballet da ópera

LEONARD BERNSTEIN (1918-1990)
West side story – Maria
Fernando Portari, tenor

CARLOS GOMES (1836-1896)
Lo Schiavo –Sogni d’amore
Rodolfo Giugliani, barítono

FREDERICK LOEWE (1901-1988)
My fair Lady -  I Could Have Danced All Night
Kézia Andrade, soprano

GIACOMO PUCCINI (1858-1924)
Turandot  - Nessun dorma
Fernando Portari, tenor

(com informações de Dominik Giusti , da assessoria de imrpensa da OSTP)

14.9.18

Ingmar Bergman celebrado no Cine Líbero Luxardo

Como parte das atividades culturais que celebram vida e obra de Ingmar Bergman (1918-2007), será exibido neste, sábado, 15, às 16h, o clássico “Persona”, com grandes interpretações de Liv Ullmann e Bibi Andersson. O centenário do cineasta tem apresentação do jornalista e especialista em Estudos sobre Cinema, Augusto Pachêco, e bate-papo com o público após a exibição do filme. 

Na abertura do filme, equipamentos de cinema projetam várias imagens rápidas que mostram crucificação, animais, trechos de uma comédia de cinema mudo e um menino que acaricia uma imagem borrada. A história começa quando a enfermeira Alma é escolhida para cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que entrou em colapso em uma de suas apresentações e a partir daí se isolou do mundo, permanecendo em constante silêncio.

O roteiro foi escrito num momento difícil da vida do diretor, quando ele se recuperava de uma grave pneumonia. O processo de escrita durou apenas nove semanas. Posteriormente, o cineasta confessou ser extremamente apegado ao filme e acreditar ter sido salvo por ele: “Se eu não tivesse encontrado forças para fazer esse filme, eu provavelmente estaria arruinado”.

“Persona” é o primeiro de uma série de filmes em que o diretor Ingmar Bergman e a atriz Liv Ullmann trabalharam juntos. A parceria marcante pode ser vista em “A Hora do Lobo”, “Vergonha”, “Paixão de Ana”, “Gritos e Sussurros”, “Cenas de um Casamento”, “Face a Face”, “O Ovo da Serpente”, “Sonata de Outono” e outras produções para cinema e TV.

A programação é uma realização do Centro Cultural Sesc Boulevard, com entrada franca e distribuição do catálogo “O Lobo à Espreita”, publicação sobre a vida e obra do realizador sueco Ingmar Bergman.

Serviço
Centenário de Ingmar Bergmam. Sábado (15), às 16h, no Centro Cultural Sesc Boulevard. Exibição de “Persona” (1966). 16 anos. 130m. Entrada franca. End. Castilho França, 522. Fone: 3224 5305. Contatos: Augusto Pachêco (98307-9730).

Casa das Artes recebe o Festival Musical Vegano

Além de feira de produtos naturais, orgânicos, veganos, economia criativa e colaborativa, a programação desta nova edição do Festival Vegano traz a música como carro chefe. Haverá mostra de expressões musicais produzidas na Amazônia e também atividades paralelas, focadas nas temáticas socioambientais. A programação é resultado do Prêmio Produção e Difusão Artística 2018. Neste sábado, das 8h às 22h, na Casa das Artes. Entrada gratuita.

O festival traz além de culturas saudáveis e de resistencia, espaço e estrutura para que os artistas possam se expressar de forma livre, responsável e engajada, inspirados nas temáticas vegana e socioambiental, de respeito à diversidade e de combate às opressões sociais sejam colocadas em pauta. 

A ideia da feira é incluir uma nova geração de artistas independentes da cena musical regional paraense e amazônica, os convidando a dialogarem com o público acerca de temática como veganismo, direito dos animais, sustentabilidade, consumo consciente, racismo, machismo e outras questões relevantes.

Haverá discotecagem durante todo o dia e shows com as bandas Feira equatorial, Somaúma, One Love Sounds, Caruana, Slam Dandaras do Norte, Cobra Venenosa e Vozes de Fulô. O evento vem sendo realizado desde 2016, com esse mesmo objetivo de promover economias criativas colaborativas e comunitárias. 

"Durante todo o evento teremos apresentação de Grupos Musicais e de diversas performances e intervenções artísticas, além da Feira Vegana, Práticas de Bem estar e Compartilhamento de Saberes", diz Flávio Oliveria, um dos idealizadores do festival.

Programação
  • Feira Orgânica - 8h às 12h
  • Exposição e vendas  dos produtores orgânicos da associação Pará Orgânicos, Produtores do MST, do grupo de consumo agroecológico - GRUCA e Instituto Alachaster
  • Feira Vegana - 10h às 21h30
  • Exposição e venda de produtos artesanais veganos 
  • Praça de alimentação - 8h às 22h
  • Apresentações musicais

Atividades colaborativas
  • 8h Yoga -  Amazon Yoga Inbound
  • 9h30 Roda de conversa: Envenenamento civilizatório: as contramedidas do veganismo
  • 11h Oficina de cultivo de mudas
  • 16h Oficina de contato improviso
  • 16h30 Performance de dança Afro 
  • 17h Roda de dança circular - Grupo Roda de Hera
Serviço
Festival Musical Vegano 2018 - Na Casa das ARtes (antigo IAP) - Praça Justo CHermont - ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada gratuita, das 8h às 22h.

Guitarrada de Aldo Sena volta aos palcos de Belém

O guitarrista Aldo Sena está de volta à cena musical de Belém, após quatro anos em que ele divide a morada entre Belém e Fortaleza. O músico integrou no início dos anos 2000, o conjunto Mestres da Guitarrada, ao lado de Mestre Vieira (criador do gênero) e Mestre Curica. O reencontro com o público paraense é nesta sexta-feira, 14, no Espaço Cultural Apoena, a partir das 22h. O ingresso custa R$ 15,00.

Aldo Sena começou a carreira como músico profissional na capital paraense no fim dos anos 70. Possuidor de uma técnica original e peculiar, é considerado um dos maiores guitarristas do país. São 40 anos de carreira, e mais de 20 álbuns lançados, entre discos solo e os LPs da série Guitarradas.

Depois de quatro anos, o músico volta para Belém e já entra estúdio para gravar o 22º álbum, com regravações de seus grandes sucessos, que também estarão  no repertório desta sexta-feira - guitarradas, carimbós, cúmbias, merengues e boleros. Aldo vai relembrar músicas dos anos 80 e homenageará Mestre Vieira, Igarapé-Miri - a cidade natal-, e a música cubana. Promete!

No palco, ele será acompanhado por Bruno Rabelo (Cais Virado) na guitarra base, Rubens Stanislaw (Arraial do Pavulagem) contrabaixo, Douglas Dias (Orquestra Pau Cordista de Carimbó) percussão e Adriano Souza (La Pupuna) bateria. A DJ da festa será Layse Rodrigues (Farofa Tropikal).

É um show imperdível, oportunidade para quem curte, pesquisa e se interessa pela música paraense. A discografia de Aldo Sena, juntamente com as de Mestre Vieira, Mário Gonçalves, Mestre Solano e Oseas, são fundamentais  para a consolidação do gênero Guitarrada. O músico tem inúmeros sucessos ao longo de sua carreira como "Solo de Craque", "Lambada Complicada", 'Melô do Tibúrcio", "Cercando Frango", "Lambada Classe A" e "Lambada dos Brasileiros",  entre outros. Em 2004, a gravação do disco "Mestres da Guitarrada" (selo Funtelpa) que, ao lado de Curica e Mestre Vieira, lançou a guitarrada em território nacional.

Serviço
Show Aldo Sena. Nesta sexta-feira, 14, no Espaço Cultural Apoena, a partir das 22h - Av. Duque de Caxias, 450 (esquina com Antonio Baena). Ingresso: R$ 15,00 (vendidos na hora do show).

9.9.18

Arenas Amazônicas Vol.1 ganha lançamento na Fox

"Arenas Amazônicas", projeto dos jornalistas Rogerio Almeida, Lilian Campelo e Daniel Leite Junior, reúne sete narrativas distribuídas em três volumes, a maior parte já publicada pelo site paulista Agência Carta Maior. O primeiro volume, abordando os coletivos do movimento negro, de mulheres e cultura, será lançado nesta segunda-feira, 10, a partir das 18h, na Livraria da Fox  - Rua Dr. Moraes no Bairro Nazaré na cidade de Belém-Pará.

O conjunto de reportagens sublinha ações coletivas de jovens e pessoas mais experientes em diferentes flancos: cultura, política, direitos humanos e cidadania. Os textos desse orimeiro volume foram produzidos quando o também educador Rogerio Almeida ainda era ligado ao setor privado, e morava em Belém. Na época Almeida era vinculado à Unama, Universidade da Amazônia. A ideia em produzir a coleção soma mais de seis anos, e só agora foi possível viabilizar o primeiro volume, que contempla frações da história das professoras Zélia Amador e Hecilga Veiga e da ativista do movimento negro Nilma Bentes.

As periferias da insular Belém, a exemplo da Pedreira, Icoaraci, Terra Firme e Guamá, e região metropolitana, caso do bairro da Guanabara são notados fora do esquadro comum dos meios de comunicação da cidade, que preferem o aspecto policialesco. Grafiteiros, DJs, educadores, professores, estudantes, biscateiros, aposentados e desempregados são personagens da obra. Estes, a partir de inúmeros coletivos se impõem como protagonistas de sua própria História, onde afirmam suas identidades coletivas ou individuais como negros, artistas, cidadãos das “quebradas”, que em Belém são conhecidas como baixadas.

Rogerio Almeida não estará presente no lançamento, mas será representado por Lilain Campelo e Daniel Leite Junior, que assinam os texto nos demais volumes. Rogério é maranhense de São Luís,  graduado em Comunicação Social pela UFMA. Possui especialização e mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pelo NAEA/UFPA, com pesquisa laureada com o Prêmio NAEA. Atualmente cursa doutorado em Geografia Humana/USP.  

Arenas Amazônicas traz no segundo volume a peleja das populações locais e suas formas de enfrentamento aos grandes projetos. Encontra-se em fase de revisão, e até o início de maio poderá ser baixado na grande rede. O terceiro tem a ambição de tratar sobre a comunicação popular. Este consta em fase de pesquisa e produção.

O projeto teve patrocínio do Banco da Amazônia e este primeiro volume já foi lançado na Feira Pan-Amazônica do Livro deste ano, no Espaço Coisa de Negro e no Prêmio de Música da Rádio Exu, realizado no Espaço Cultural Apoena, e na UNIFESSPA na cidade de Marabá.
Link da rede social: www.facebook.com/rogerioalmeidaarenas/

Serviço
Lançamento do Livro “Arenas Amazônicas Vol.1”.  Segunda, 10 de setembro – a partir das 18h. Livraria da Fox – Dr. Moraes 584.