12.8.18

O Bar do Parque está de volta à boemia da cidade

O boêmio voltou!
A noite de reabertura foi na última quinta-feira, 9, coincidindo com o início do XVII Festival de Ópera do Theatro da Paz, que apresentou a 1a récita de “La Vida Breve”, obra do espanhol Manuel de Falla, composta no mesmo ano em que inaugurava o Bar do Parque, 1904. Coincidência ou não, o boêmio voltou e foi assim...

Há coisas que marcam uma época em sua vida e acho que o Bar do Parque é uma delas na vida de muita gente, dos primórdios até hoje em dia. Saímos da ópera e fomos direto para lá, com a vontade irresistível de celebrar o retorno de um espaço de memórias afetivas e de encontros para nós, e saber o que vinha de novo com ele após tanto tempo fechado. Lá estava. Todo remodelado, mantendo todo o charme ou melhor, com o charme recuperado. O banheiro, por exemplo, está um brinco só (risos)! Encontramos uma cena bem diferente. 

Demorou. Foram dois anos entre o processo de licitação e reforma. Nos últimos sete meses, também foram selecionados e treinados os novos funcionários, e definidos os detalhes do  cardápio e novos mecanismos de atendimento. A iluminação, ainda em processo de finalização, valoriza o entorno e há outras novidades. No lugar das antigas mesas e cadeiras de ferro, mesas e cadeiras de estilo contemporâneo, com sombreiros.

Deck
Na lateral há um deck de madeira com mais mesas. Outra novidade é um cadastramento de cliente que se faz para as mesas. Oi? Não  precisamos fazer, não havia mesa disponível. Lotado, desde a tarde, quando caiu, inclusive uma super chuva. Fomos para o quiosque, o melhor lugar para encontrar quem chegava ou passava por ali, curioso ou feliz com a volta do bar. 

O estilo Art Nouveau do quiosque permanece. A reforma envolveu adequação do sistema elétrico, hidráulico e sanitário do bar em si e dos banheiros feminino, masculino e o vestiário dos funcionários, no subsolo.  

"Muita gente perguntava se aqui seria um restaurante. É um bar mas servindo comidas e há pratos executivo para o almoço.  E estamos com dois chefes o Paulo Anijar e Darlan Claudino, trazendo um cardápio regional, além dos drinks de autoria do Marcos Médice", diz Diogo Gama, um dos sócios, junto com Ricardo Aguilera e Fauzy Gorayeb. 

Ray, um dos garçons da antiga que permaneceu contrtado
Os preços do cardápio variam de médio para alto. Além de petiscos e pratos há também café da manhã, servido das 7h às 10h, com tapioquinhas, pães, sucos. Cervejas e chopp no valor de mercado. Uma porção de unha de caranguejo, com quatro unidades, sai por R$ 18,00. Não vi ainda nem a cara e nem senti o sabor de nada, quando provar alguma coisa eu falo pra vocês. Caipirinha tá cara, custa entre 15 e 20 reais, e há ainda vinhos e destilados. 

“A gente já namorava bastante a ideia de renovar esse lugar. Nossos pais eram frequentadores. Estamos pensando em programação cultural. Enfim, foram meses de trabalho. Investimos nosso emocional também nisso, diz Diogo.  Pergunto se o bar pode voltar a ser 24 horas. “Por enquanto não temos como fazer  essa logística... por enquanto. Pela licitação tem que fechar meia noite, mas podemos ir até mais tarde nos finais de semana", continua. 

Conceito e gente jovem reunidos

Sid Manequim
Para manter a estrutura funcionando, três equipes se alternam nas 18 horas de funcionamento. Houve processo de seleção para chegar aos atuais funcionários. Da turma antiga, ficaram apenas dois garçons, Walter Menezes e Raymundo Barros (Ray), que trabalham no local há 30 anos. 

Alberto Araújo, consultor na área da hotelaria foi responsável por montar e treinar a equipe de mais de 60 pessoas envolvidas nos serviços de atendimento, cozinha e segurança do bar.  Trouxe como unidade conceitual do bar a mistura entre os elementos do passado, da Petit Paris, com os do momento de hoje sob o olhar da diversidade e questões de gênero.

“Investigamos o histórico do Bar do Parque e uma das coisas que estamos trazendo como símbolo é o chapéu, que na época os homens usavam. E fomos buscar pessoas com um perfil do nosso mundo de hoje. Chegamos a personalidades marcantes. Quem foi chamado, passou por treinamento de três meses”, diz Alberto. 

 “Tem negra de tatuagem no rosto, andrógena, bad boy, anão e travesti. Não é mais só a clientela que será diversa, nós que estamos no atendimento, também” diz o transformista Sid Manequim, já conhecido no "metier" da cidade. 

“Estou muito feliz com essa oportunidade, será uma maneira de quebrar paradigmas de algumas pessoas que nunca tenham tido contato com alguém de corpo politico, aparentemente gay, como eu”, continua. “Acredito que a experiência será engrandecedora e muitas surpresas virão. Haverá dias em que também devo apresentar alguns números no deck”, diz Sid, que tem 25 anos e que há 11 anos atua como Drag Queen. 

Juliana
Juliana Xavier, 21, é de Capitão Poço, e se diz animada, por que esse é seu primeiro emprego de carteira assinada. “A minha cidade não é muito desenvolvida, e lá eu não tinha muitas oportunidades, por isso resolvi vir pra Belém pra conseguir um emprego e poder ser independente, e também poder estudar. Será um desafio, nunca tinha trabalhado nessa área”, diz ela.

Juliana quer fazer faculdade de Fisioterapia e não tinha nem ideia do que era o Bar do Parque. Na época em que soube do recrutamento, Juliana foi conversar com alguns amigos e todos disseram que o lugar estava abandonado e perigoso. 

“Eu enviei meu currículo e vim para a entrevista. Estou aqui, encantada. Conheci o Bruno Pellerin, e ele me deu algumas entrevistas para ler e me contou varias histórias do bar.  Também fui conversar com o jornalista Euclides Farias, que me passou informações bacanas, enfim eu me preparei para estar aqui e espero que isso de impulso a minha vida”, finaliza.

Wendd Evelym
Também foi selecionada para trabalhar como atendente, a Wendd Evelym, 20. “É surpreendente. Eu não conhecia essa história do Bar do Parque, e isso me fez conhecer mais também sobre a minha própria cidade. Aqui estou lidando com vários públicos, é uma ótima oportunidade, estou amando toda essa diversidade, dá para trocar ideias e conviver com os colegas, uma experiência única”, comemora. 

Serviço
Bar do Parque - Praça da República, Av. Presidente Vargas - Belém-PA.  Aberto de terça a domingo, das 7h à meia noite, sendo que pode ir até umas 3 da madrugada nas sextas e sábados. 

10.8.18

Amostra Aí muda rotina para contar suas histórias

In Bust
A programação do Espaço Cultural Casarão do Boneco, o Amostra Aí, será realizada no segundo e não mais no último sábado de cada mês, mantendo o foco no público infantil e a política de contribuição consciente do pague o quanto puder, oportunizando acesso de diferentes públicos. É amanhã (11), a partir das 18h.

Nesta edição, o evento conta com as contações de história “Ancestral-Es: Canticuentos Afrocolombianos”, com Karol Álvarez e David Cabezas, e “Uma história das histórias do boi bumbá”, com Ester Sá, além da apresentação de Dança Tradicional Argentina, com Sol e Abraão, além do espetáculo “Os doze trabalhos de Hércules”, com In Bust - Teatro com Bonecos.

A artista Ester Sá debruçando-se sobre a obra Boi Bumbá, auto popular do autor paraense Bruno de Menezes, que entre as década de 40/50 pesquisou essa manifestação em Belém do Pará. A pesquisa da atriz resultou no espetáculo narrativo “Uma história das histórias do Boi Bumbá”.

Trata-se de uma releitura poética dessa manifestação. A pesquisa, criação e adaptação do texto, a atuação e a produção são de Ester Sá. Os figurinos e adereços são de Maurício Franco, confecção de figurino de Nanan Falcão, sonoplastia de André Mardock, gravação da trilha, do Estúdio Guamundo, de Renato Torres, instrumentos de percussão tocados na trilha, de André Mardock e transposição de partituras de Armando de Mendonça.

Ester Sá
A segunda história traz dois viajeiros colombianos e pesquisadores da cultura afrocolombiana. “Ancestral- Es: Canticuentos Afrocolombianos” conta, canta e dança as vivências e histórias das comunidades afro em seu cotidiano, sua persistência e esperança. É um encontro com as raízes afro-colombianas, que tem direção de Karol Álvarez e David Cabezas, que se utilizam dos contos originais de Alfonso Córdoba. 

O público também vai conferir a dança tradicional argentina, com Abraão e Sol que viajam a 7 meses pelo Brasil e encerrar a programação vendo “Os Doze Trabalhos de Hércules”, da In Bust Teatro com Bonecos. Nesse trabalho, o grupo foi ao berço da cultura ocidental, pesquisou lendas e mitos, até chegar ao mais famoso episódio da vida de Hércules, grande herói da Grécia Antiga.

A construção dos bonecos e do material de cena foi feita com reutilização de material plástico descartável, e assim o público vai reconhecendo, durante o espetáculo uma série de vasilhames plásticos do cotidiano transformados em deuses e personagens mitológicos – sejam bonecos ou máscaras. É mais um espetáculo do grupo In Bust dentro da sua característica principal: humor transformado em divertimento e poesia, integrando bonecos e atores-manipuladores. No elenco, Adriana Cruz, Aníbal Pacha e Paulo Ricardo Nascimento, com texto de David Matos

Serviço
Mostra de teatro infantil – Amostra Aí – Sábado, 11 de agosto, às 18h. Av. 16 de Novembro 815 (http://bit.ly/OndeficaCdB). Pague o quanto puder.

Vivência com Ciro Croelhas na Olaria do Espanhol

A experiência da arte como ofício. Neste sábado, 11 de agosto, das 14h às 18h, o mestre Ciro Croelhas realiza uma oficina de vivência ceramista dentro da Olaria do Espanhol, em Icoaraci. A ação faz parte do projeto Lamugem – Memórias Vividas na Palma da Mão, selecionado pelo Programa SEIVA da Fundação Cultural do Pará e que vem realizando ao longo do mês, uma serie de atividades voltadas à cultura ceramista. A entrada é franca.

"Ola" vem do termo antigo utilizado para panela de barro. Também conhecida como oficina de oleiro ou oficina de ceramista, a Olaria é um local destinado à produção de objetos que utilizam do barro ou argila como matéria prima. Em Icoaraci, a cerâmica já tem uma tradição de mais de 300 anos. A Olaria do Espanhol é especializada na cerâmica utilitária. Instalada desde 1903 no Polo Ceramista do Paracuri, em Icoaraci, vem promovendo a vivência com os costumes e tradições desta cultura ceramista.

Ciro Croelhas vai contar um pouco dessa história, e também mostrar o que ele sabe fazer de melhor, a cerâmica utilitária. Os participantes vão conhecer a história da olaria centenária e também poderão colocar a mão na massa, ou melhor, no barro, modelar e ver como se faz uma queima, enfim vão entender todo o processo de produção. A tradição está na família dele há 115 anos.

“Para mim é uma felicidade estar com esse projeto dentro da Olaria. Nos últimos doze meses, nosso olhar mudou e melhorou a própria produção. Posso citar, por exemplo, a área de convivência da olaria, que não tínhamos e que está sendo aprovada por todos que chegam aqui, e a melhoria de queima que estamos conseguindo, a gente fazia da forma que nossos pais e avós faziam, e agora estamos com ajuda acadêmica, fazendo com que uma queima normal se tornasse numa queima especial em sentido de melhorias de resistência e um ganho para o próprio cliente, que leva uma cerâmica mais resistente e duração de mais tempo”, explica Ciro, que começou a aprender o oficio de oleiro ainda criança até se tornar um mestre.

O projeto Lamugem vai até dia 26 de agosto, e vem sendo desenvolvido na Olaria do Espanhol, junto ao público e mestres ceramistas além de pesquisadores e artesãos, sempre num sábado. Já ocorreram duas rodas de conversa, uma em julho e outra em agosto. A próxima será no dia 18, sobre a “Valorização cultural e os flexos projectuais do design paraense”, que será abordado por Viviana Fonseca.

A programação do projeto encerra dia 26, com uma grande exposição de biojóias, onde estarão expostas as peças da Coleção Mãos de Lamugem, desenvolvida pela artesã Val Genú, cujo trabalho com a cerâmica inspirou o projeto.

Serviço
Vivencia com Ciro Croelhas – Dia 11 de agosto, das 14h às 18h, na Olaria do Espanhol - Rua Sta. Isabel n° 2010 (entre Andradas e Soledade), Bairro: Paracuri – Icoaraci – Belém - PA. Informações: 98859.0203.

9.8.18

A rua como palco para as artes cênicas em Belém

Poucas pautas em teatro da cidade, espaços coletivos lutando para permanecer na ativa, falta de incentivo e políticas públicas para o teatro. O cenário não é nada animador, mas uma coisa é certa, mesmo em meio ao caos, a produção cênica de Belém nunca deixou de existir. É o que se vai mostrar no Encena Festival de Teatro de Rua, que será realizado de 21 a 25 de agosto, no Sesc Boulevard no anfiteatro da Praça da República, encerramento no Espaço Cultural Apoena. 

Teatro com bonecos, operetas, comédias, debates críticos e textos líricos serão apresentados ao ar livre na primeira edição do Encena Festival de Teatro de Rua. A idealização é de Leonel Ferreira, da Cia de Teatro Madalenas. De acordo ele, “ser artista é ser resistente”. O ator e diretor afirma que não há incentivo do governo para as produções. “A invisibilidade do fazer teatral é tão grande que nós, hoje, fazemos teatro para nossa família e nossos pares. Formar público é fundamental. Há dez anos não temos um festival de teatro na cidade. Queremos atrair pessoas que nunca tenham visto um espetáculo cênico”, destaca.

Na abertura, que será realizada dia 21, no Sesc Boulevard, haverá duas rodas de conversa, sendo a primeira às 14h, abordando “Políticas Públicas para o Teatro em Belém”, trazendo como convidados representantes da Fundação Cultural do Pará e da FUMBEL, além das atrizes Alana Lima, e Mestranda em Artes/UFPA, e Nani Tavares, Profª de Filosofia e Mestra em Artes/UFPA, com mediação de Danielle Franco, jornalista, especialista em Gestão e Políticas Culturais. 

Palhaços Trovadores
Em seguida, às 16h, a conversa gira em torno da Economia Criativa e Conexões em Rede, tendo como convidados os atores Paulo Ricardo (In Bust e Casarão do Boneco) e Ana Marceliano (Dirigível Coletivo de Teatro), com mediação minha, Luciana Medeiros, jornalista e produtora cultural. A entrada para participar dos debates é franca, mas como o espaço é limitado, pede-se que seja feita uma inscrição on line: https://bit.ly/EncenaMesasdeConversa.

A Cia Lama de Teatro abre as apresentações no Anfiteatro da Praça da República, no dia 23, às 18h, com a peça “Bonecos e Tambores”, que conta a história do carimbó a partir da vida de Mestre Verequete. Em seguida, às 19h, entra em cena o Bando de Atores Independentes (BAI), com o inédito “Homem não Chora”, que traz reflexões sobre os muros que enclausuram o sentir e a expressão de nossas dores. Às 20h, os Palhaços Trovadores apresentam “A Vingança de Ringo”, um autêntico dramalhão circense, inspirado nos filmes de bang bang. 

No dia 24, às 18h, o Grupo Experimental de Teatro (Gemte) apresenta “Quem vai pagar o pato?”, uma fábula sobre as injustiças sociais protagonizada por bichos que são explorados enquanto buscam por sonhos inalcançáveis. Às 19h, o acaso comanda a Cia Sorteio de Contos, que convida o público a escolher de forma aleatória o que será apresentado na noite. Às 20h, o Dirigível Coletivo de Teatro apresenta o espetáculo “Pássaro”, uma experimentação entre o gênero “melodrama fantasia” e o formato “cordão de meia lua”, estruturas típicas do teatro popular, baseado nas histórias da tradicional brincadeira junina do Pará.

Dirigível Coletivo de Teatro
No dia 25, a Troupe Vira Rumos apresenta o espetáculo a “Pena e a Lei”, realizado com atores e bonecos, inspirado na obra homônima de Ariano Suassuna. Farsa popular nordestina que conta a história das aventuras de Benedito que, com sua malandragem popular, procura conquistar o amor de sua vida.  

A noite segue com a Cia de Teatro Madalenas, com a peça “La Fábula”. No enredo, uma rainha e três contadores de histórias convidam a plateia para mergulhar no saco do maravilhamento onde tudo que se imagina vira realidade. Às 20h, o In Bust apresenta “Fio de Pão – A história da cobra Norato”, que resgata do imaginário popular o causo da cabocla que pariu duas cobras: Caninana, a má, e Norato, que só quer encontrar quem o desencante para virar gente.

A programação encerra com show do Bando Mastodontes, no Espaço Cultural Apoena, também no dia 25, a partir de 21h. “O projeto se molda como o primeiro festival de teatro de rua da cidade, realizado de forma coletiva e colaborativa. Ousamos experimentar, fazendo na fúria e na vontade. Somos imperfeitos, insistentes e inacabados. E por sermos assim, seguimos”, diz Leonel.

Serviço
Encena Festival de Teatro de Rua. Dia 21 de agosto, a partir de 14h, no Sesc Boulevard. De 23 a 25, no Anfiteatro da Praça da República, com apresentações às 18h, 19h e 20h. Entrada franca. Encerramento com show do Bando Mastodontes, no dia 25, a partir de 21h, no Espaço Apoena. Ingressos R$ 15,00, na bilheteria -  Av. Duque de Caxias 450. Patrocínio do Banco da Amazônia, co-realização do Sesc-Pará, apoio da Rede Cultura e Ná Figueiredo.

6.8.18

"Água" leva performance e acrobacias à Fotoativa

A Coletiva Encantada, agrupação experimental das artes em fusão, apresenta a sua mais nova obra, "Água", nos dias 17 e 18, no Casarão Fotoativa, na praça das Mercês. O projeto circula pelo Prêmio Produção e Difusão Artística 001/2018 da Fundação Cultural do Estado do Pará - Programa de Incentivo à Arte e Cultura / Seiva.

A  bailarina-acrobata Tatiana Benone e a performer vocal Yvana Crizanto fazem uma parceria de investigação e criação cênica para oferecer um espetáculo inédito e instigante, que convida o público a mergulhar em arquétipos e personagens mitológicos de nossa cultura, uma imersão reflexiva e simbólica em torno de um elemento tão abundante no cotidiano belenense-amazônico: a água. 

A água, que transita nos diferentes estados da matéria, dá o caldo à ação performática: sensações que criam imagens, impulsionam o movimento e dão subtexto às ações neste trabalho. O espetáculo tem uma proposta estética e interdisciplinar que transita em acrobacias aéreas, teatro, dança, canto e performance vocal ao vivo para criar um universo artístico que oscila entre situações dramáticas e virtuosas: o gesto como um caminho possível para uma dramaturgia corpórea

“A proposta interdisciplinar é uma produção autoral e independente que encontra no gesto um caminho possível para colocarmos em pauta nossos hábitos amazônicos e provocar/questionar nossa forma de habitar esta água”, diz Tatiana. A obra foi construída a partir de fotografias, vídeos, performances, musicalidades e outras expressões das artistas produzidas ao longo dos últimos anos. 

As narrativas que de desvendam durante a performance trazem à tona trazem aspectos transcendentais, mas também bem reais e próximos da rotina  sobretudo do homem da cidade: poluição, desperdício, má distribuição. “Entre imagens e sons a dança vertical interage com cantos e outras sonoridades inspiradas na água, um elemento vital para a vida do planeta”,  conta Yvana. A performance vocal passeia por contrapontos entre canto livre e tons líricos, performances de voz e  com instrumentos feitos de materiais de águas e plantas da região.

A ColetivA Encantada reúne artistas e apaixonadas por provocações poéticas na Amazônia e no mundo. Atua com pesquisa dialógica entre performance, acrobacias aéreas, corpo, voz e expressividade. Sempre aberta a novas experimentações foi contemplada com o Prêmio Funarte Petrobras de Dança Klauss Vianna/2012 de circulação por 10 cidades do Pará e Amapá; circulou pela mostra SESC Amazônia das Artes 2014 com o espetáculo A Onda encantada por 10 Estados brasileiros; contemplada no Programa Amazônia Cultural 2013 do Ministério da Cultura, em Benevides/PA, com o projeto Jalam das Artes; desenvolveu o projeto “Conexão Cultura Brasil – Intercâmbio Estación Chicalá Candombe” pelo Minc, em Mendoza, Argentina 2014/2015 e o projeto Preparação Onda Crescente contemplado pelo Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo 2015 em Mendoza, Argentina. 

Ficha técnica
  • Performance sonora, concepção e produção: Yvana Crizanto
  • Bailarina-acrobata, concepção e produção: Tati Benone
  • Ilustração: Talitha Lobato
  • Cenografia e Figurinos: Jeferson Cecim
  • Iluminação: Claudio Castro
  • Vídeos-performance: Tati Benone e Viviane Pinheiro 
  • Edição de vídeo: Tati Benone
  • Assistência de Produção: Marina Trindade
  • Assessoria de Comunicação: Yvana Crizanto
  • Assessoria técnica em segurança: José Guilherme Bergamasco
  • Preparação acrobática: Fernanda Tromb (AR)
  • Colaborações: Mariana Dias Jorge e Carla Buj
  • Apoio: Associação Fotoativa e Sibila Filmes

Serviço
Espetáculo Água, em duas sessões na sexta-feira (17), às 20h e outra às 23h, e no sábado (18) sessão única às 20h. Todas no espaço da Associação Fotoativa, na praça das Mercês, 19, Campina. Duração: 30 minutos. Entrada gratuita com distribuição de ingressos no local 1 hora antes de cada apresentação.

3.8.18

Um papo sobre o saber ceramista como patrimônio

O projeto “Lamugem: Memórias Vividas na Palma da Mão” realiza, neste sábado, 4 de agosto, a partir das 10h, na Olaria do Espanhol, em Icoaraci, sua segunda roda de conversa, cujo tema “Saber Ceramista como Patrimônio” será conduzido pela pesquisadora e turismóloga, também produtora cultural, Auda Piani, além de mestres ceramistas convidados e o público interessado. A entrada é gratuita - Rua Sta. Isabel n° 2010 (entre Andradas e Soledade), Bairro: Paracuri.

A Olaria do Espanhol é especializada na cerâmica utilitária. Instalada desde 1903 no Polo Ceramista do Paracuri, em Icoaraci, vem promovendo a vivência com os costumes e tradições desta cultura ceramista. É Nesse ambiente que o projeto Lamugem vem desenvolvendo suas atividades desde o mês de julho. Tratar o saber ceramista, como patrimônio é mais uma ação importante para contextualizar a cultura icoraciense e buscar alternativas a sua sobrevivência e desenvolvimento.

O tema traz para o centro de discussão a necessidade de uma política de salvaguarda e preservação desses saberes, mas que atenda as necessidades dos mestres, oleiros e artistas da cerâmica, principais responsáveis em manter essa tradição viva. Pesquisadora do assunto, Auda Piani compartilhará com o público o resultado de suas investigações sobre o assunto que foi também tema de sua especialização e mestrado.

“Há quatro categorias dentro da preservação do patrimônio imaterial, uma delas é ‘saberes’, que escolhi pra escrever sobre os saberes dos ceramistas. Dentro dessa perspectiva de patrimônio imaterial, no entanto, quando eu comecei a fazer a pesquisa, eu percebi que tinha tanta coisa sobre o saber, que eu resolvi fazer uma espécie de etnografia, e isso me mostrou todos os processo que eu não conhecia em relação a produção ceramista, menos a questão do grafismo, que eu não aprofundei muito”, comenta.

Além de Auda, é aguardada a presença dos mestres na roda, proporcionando um entendimento mais completo, a partir da visão da academia e da vivência prática, abrindo a possibilidade de maior aproximação das pessoas com uma cultura que precisa desse olhar mais sensível e de ações transformadoras. Não se trata apenas de um braço de produção para o desenvolvimento da economia local de Icoaraci, enquanto pólo turístico, mas também de tradição, ancestralidade e identidade cultural.

Milene Guedes e Val Genú, as idealizadoras do projeto Lamugem, sabem disso. Não à toa, elas percorreram, nos últimos dias, várias olarias, onde ainda estão, na ativa, alguns dos mestres mais antigos de Icoaraci, fazendo o convite para suas participações. Seu Rosemiro Pereira, que tem 72 anos já disse que estará presente. Ele tem nove filhos e todos eles aprenderam com ele o oficio de oleiro, embora hoje, apenas dois deles o acompanhem na cerâmica.  Outro mestre é José Maria, de 82 anos, que chegou a trabalhar com o avô de Ciro Croelhas, mestre da quarta geração da família que introduziu o uso de torno na cultura ceramista de Icoaraci e quem vem mantendo a tradição na Olaria do Espanhol.

O design como valorização da cerâmica

Milene Guedes é designer de interiores e mora em Icoaraci. Val Genú é artesã e há um ano frequenta a Olaria do Espanhol, onde desenvolve suas coleções da marca Art Genuína. Foi da vivência delas com as olarias e o interesse pela cerâmica e seus ambientes que surgiu o projeto Lamugem, contemplado pelo Programa Seiva, da Fundação Cultural do Pará.

“Acreditamos no design criativo, aliando ferramentas que visem a socialização das narrativas e saberes da produção ceramista, e esperamos que com as ações do Lamugem possamos fortalecer esse saber tradicional, trazendo a reflexão desse público em conservar e preservar hábitos, costumes e tradições da cultura ceramista de Icoaraci”, diz Milene.

O projeto, que abriu no dia 14 de julho, falando sobre “Cultura e Meio ambiente, o homem se transforma ao transformar natureza em arte”, com Walciclea Cruz, discute agora patrimônio e saber, com Auda, mas segue na semana que vem, dia 11, com uma vivência com Ciro Croelhas, que compartilhará com os participantes saberes e práticas de seu trabalho como mestre da cerâmica. No dia 18, mais uma roda de conversa, com Viviana Fonseca, sobre “A Valorização Cultural e os flexos projectuais do design paraense”. O projeto vai encera dia 26 de agosto com uma exposição.

PROGAMAÇÃO

RODA DE CONVERSA
18/08 - A valorização cultural e os flexos projectuais do design paraenses. Viviana Fonseca. Hora: 10h.

OFICINAS
11/08 - Vivência e os processos da produção ceramista - Ciro Croelhas – Hora: 14h às 18h.

EXPOSIÇÃO
26/08 – Mostra "Lamugem, memórias vividas na palma da mão" – Hora: 10h30

Serviço
Olaria do Espanhol - Rua Sta. Isabel n° 2010 (entre Andradas e Soledade), Bairro: Paracuri – Icoaraci – Belém - PA. Informações: 98859.0203 e 98932.8636.

31.7.18

Revista Circular lança 4a edição na versão digital

Foto de capa: menino Warao, por Cláudio Ferreira
Há duas semanas que lançamos, mas só agora estou encontrando um tempo para esta postagem. Neste finalzinho de julho, chegou a sua plataforma digital, a revista numero 3, a quarta edição da Revista Circular. Em suas páginas estão conteúdos pertinentes ao território de atuação do Circular Campina Cidade Velha, projeto que chega neste próximo domingo, dia 5 de agosto, a sua 23a edição, com uma programação emocionante, já está disponível no site (www.projetocircular,com.br). 

A primeira edição da revista, que chamamos de número zero, surgiu em 2016, como um projeto piloto, que ganhou continuidade. Em 2017 lançamos outros dois números (1 e 2), ainda sem nenhum recurso, apenas pela certeza de ser este um veículo de voz para as pessoas e as questões do centro histórico de Belém. Evoluímos e em 2018, finalmente o planejamento da revista também entrou no orçamento do projeto, aprovado pela Lei Rouanet e patrocinado com recursos do edital do Banco da Amazônia. Como não foi integral o sonho da edição impressa segue adiante, mas já foi possível trabalhar de forma mais aprofundada. 

A edição de número 3 da Revista Circular  traz novidades no tratamento visual, assinadas pelo designer gráfico Márcio Alvarenga. Incluímos novas sessões que facilitam a compreensão dos leitores, além de reportagens, entrevista e artigo, que contaram com o luxuoso talento da jornalista Camila Barros, do diretor de arte e produtor cultural Marco Tuma e ainda da pesquisadora e professora de arte Renata Aguiar. Não posso esquecer também de agradecer às revisoras de plantão Yorranna Oliveira e Makiko Akao, companheiras do Circular Campina Cidade Velha, e a todos que deram e viabilizaram as entrevistas, ou facilitaram acesso a informações.

Reitor Emmanuel Tourinho com a equipe do Lacore/UFPA
Foto: Otávio Henriques
Na capa, destacamos a imagem que traduz em parte, a situação dos indígenas da etnia Warao que estão presentes, há um ano, no cotidiano dos bairros da Campina e Cidade Velha. A jornalista Camila Barros, convidada a escrever sobre a questão, topou o desafio. Uma das gestoras do Colab – Espaço Autoral, situado na mesma rua que o abrigo dos Warao, na Trav. Campos Sales, ela convive com a situação sem passar indiferente a eles no dia a dia. São mulheres, homens, crianças e adolescentes, que não pensam em voltar para seu país, a Venezuela, mesmo que as dificuldades sejam enormes por aqui. 

Outro assunto da publicação é o 1º Fórum Circular, que será realizado em setembro. A ideia é reunir moradores e representantes da administração pública municipal, estadual e federal, sociedade civil e empresariado, dispostos a colocar na mesa problemas e propostas de soluções para questões urgentes e diretamente ao centro histórico de Belém. As inscrições abrem em agosto, com vagas limitadas.

Nas páginas seguintes trazemos uma ampla reportagem sobre o processo de instalação da UFPA no monumental prédio Convento dos Mercedários. Na entrevista especial, o reitor Emmanuel Tourinho conta os detalhes sobre a implantação dos cursos de preservação e restauro que aproximarão a universidade da comunidade e realidade do centro histórico. 

Abel Lins, estreia do Perfil Circular - Foto: Otávio Henriques
As pesquisadoras Thais Sanjad, Roseane Norat e Flávia Palácios, que coordenam o Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore), dizem que neste segundo semestre já iniciam a mudança do campus para o bairro da Campina. O prédio dos Mercedários é ainda o tema do Ensaio Fotográfico desta edição, assinado por Paula Sampaio, que nos leva por viagem no tempo. 

Na sessão Perfil, uma conversa franca com Abel Lins, integrante da Rede Sereia, formada por moradores da Cidade Velha. A missão de decifrá-lo coube a Marco Tuma, diretor de arte e gestor da Casa Velha 226, situada no mesmo bairro. Convidado a escrever para esta edição da revista, Tuma também narrou num estilo literário próprio, o estado de descaso e beleza na história do Palacete Pinho, tema da sessão Crônica da Cidade. 

Na sessão Memórias, Arquitetura e História destacamos um sobrado azul do séc. XIX redescoberto por causa de uma pesquisa histórica realizada pela prefeitura de Belém, a fim de compor o documento de “Identificação e Conhecimento do Bem”, estregue ao IPHAN, e necessário para que se aprove o projeto de execução de restauro do prédio, que tem recursos do Programa de Aceleração das Cidades históricas, anunciados ainda em 2013.

A sede da Fumbel, a espera do restauro (Foto: Cláudio Ferreira)
O Coletivo BEC Bloco, que atua no campo da cultura interagindo com pessoas em situações de sócio vulnerabilidade, é o tema da sessão Iniciativas. A pesquisadora e professora de arte, Renata Aguiar aborda em seu artigo as iniciativas culturais independentes, que estão na contramão do discurso midiático. E para fechar mais este número, trazemos uma galeria de fotografias de momentos vividos nas edições de circulação do Projeto Circular. Os flagrantes são dos fotógrafos Otávio Henriques e Cláudio Ferreira.

Espero que vocês curtam a leitura, mandem sugestões e críticas porque a gente quer melhorar. O próximo número muito provavelmente eu me arrisco a dar esta noticia aqui, sairá também impresso, tendo como conteúdo os principais eixos temáticos do Fórum Circular, onde será feito, na abertura,o lançamento. Ano passado beiramos à primeira edição impressa, mas o patrocinador em potencial, acabou declinando da ideia. Tudo bem, cada coisa a sua hora.

REVISTA CIRCULAR

EDIÇÃO
Luciana Medeiros

DESIGN
Márcio Alvarenga

FOTOGRAFIA
Cláudio Ferreira
Otávio Henriques

REVISÃO
Yorranna Oliveira
Makiko Akao (colaboração)

TEXTOS
Camila Barros
Luciana Medeiros
Marco Tuma
Renata Aguiar

CONSELHO EDITORIAL
Alberto Bitar
Makiko Akao
Maria Dorotéa de Lima
Regina Alves
Tamara Saré

CIRCULAR

Revista Circular 
https://issuu.com/projetocircular/docs
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30.7.18

O Grande Show: das telas para os palcos de Belém

Fotos: Marcelo Lobo
Um grande show está pronto para ser lançado à platéia, é só entrar. Contando a história do empresário P.T Barnum e o surgimento do show business, a primeira temporada de O Grande Show será realizada nos dias 9, 10 e 11 de agosto no Teatro Margarida Schivasappa. O espetáculo vem para fortalecer a cultura da produção de teatro musical  na Amazônia e é uma opção de qualidade no segmento. 

Produzido pelo coletivo Mirabolante Maquinário de Teatro, com direção de Erllon Viegas e Luiza Imbiriba, "O Grande Show" é uma iniciativa de fôlego e beleza visual, e conta com um grande elenco, que está em preparação desde o início do ano.

O espetáculo conta a história de P.T Barnum, o americano que ficou conhecido, em meados do século 19, por ser o fundador do circo e o primeiro milionário do que viria a se chamar show business. Ele era um visionário, mas fez fama e fortuna fraudando o público. A história ganhou as telas do mundo inteiro e no Pará, ganha também os palcos em uma livre adaptação Barnum conheceu na infância, Charity, que viria a ser sua companheira para toda a vida. Nessa época, ele já se mostrava um grande artista com a ambição de construir um grande show. Tornou-se adulto e formou sua família, que lhe deu apoio para criar um circo com atrações peculiares.

Mulheres barbadas, pessoas muito altas ou muito baixas, gêmeos siameses, trapezistas, contorcionistas e uma infinidade de pessoas com inúmeros talentos ou peculiaridades formam as atrações do circo de Barnum. Ele, em meio a muitas controvérsias, se torna um grande sucesso na cidade. Mas o destino do circo se vê ameaçado após algumas escolhas de Barnum e somente sobreviverá com a união destas pessoas extraordinárias.

Na dramaturgia, Barnum é um sonhador de origem pobre, com um conhecido carisma, canto agradável e boa dança. Charity é a filha do patrão de seu pai, com quem tem dois filhos e a dificuldade de criar uma família em uma carreira instável nas artes. Mantendo o sonho de um empreendimento artístico, ele dá o pontapé inicial na realização de seu maior desejo abrindo uma espécie de museu de curiosidades, que logo fracassa.

A situação se complica até ele ter a ideia de um show que mudaria suas vidas com pessoas, digamos, talentosamente peculiares: uma mulher barbada, um anão, trapezistas, atores, cantores, artistas de múltiplos talentos e pessoas socialmente rejeitadas de todos os tipos. O show é um sucesso, a despeito das críticas que recebe, e cresce com a ajuda do jovem Phillip Carlyle, um jovem da alta sociedade que eleva a administração do show a outro patamar.

Já reconhecidamente um empresário de sucesso, Barnum segue uma carreira brilhante, agenciando turnês de outros artistas pelo país, se dedicando cada vez mais ao trabalho e cada vez menos a sua família, até que uma tragédia acontece e destrói o circo. É preciso recomeçar do zero. É hora de levantar a lona e mostrar o que sabe fazer de melhor: um grande show!


A dança e o canto como desafios da encenação

Esse é o enredo do musical dirigido por Erllon Viegas e Luiza Imbiriba,  que encararam o desafio de preparar um elenco diverso para o canto e a dança que o espetáculo exige.

“Existe uma quantidade imensa de gente talentosa na cidade que tá só esperando pra ser descoberta. Foi com esses talentos que nós demos de cara e simplesmente não pudemos não fazer esse show acontecer. O teatro musical tá explodindo em Belém e é por que a gente tem muito material cheio de potencial pra ser trabalhado”, afirma Luiza.

Já Hiago Miranda, que interpreta o jovem Phillip Carlyle, também é responsável pela preparação musical e adaptação das letras para o português.

“Esse musical é realmente muito complexo, mas aceitamos esse desafio. A responsabilidade é imensa, pois as letras  precisavam ser trazidas para o português com o mesmo impacto que ela causa originalmente, mas temos feito um grande trabalho e as letras estão surpreendentes”, conta o ator.

O elenco conta ainda com Amanda Borja, Ana Ferris, Andrew Monteiro,Carol Lacerda, Diana Lins, Felipe Fernandes, Gabriela Burlamaqui, Kailane Miranda, Keley Nunes, Lohane Takeda, Luiza Barros, Marcy Ribeiro, Matheus Amorim, Rayane Trindade, Rubens Leal,  Sebastião Junior, Thalyson Moraes, Thiago Freitas, Vinicius Fleury e Yago Damasceno.

Ficha Técnica

  • Adaptação de Dramaturgia - Erllon Viegas
  • Letras/ Versões -  Hiago Miranda
  • Direção -  Erllon Viegas e Luiza Imbiriba
  • Direção Coreográfica - Larissa Imbiriba e Alana Pinheiro
  • Direção Musical - Hiago Miranda e Alcântara Junior
  • Preparação de Elenco -  Paulo Jaime e Renan Delmontt
  • Produção - Álvaro Souza, Larissa Imbiriba e Paulo Jaime
  • Técnico de Som -  Luiz Reis
  • Técnico de Luz- Patricia Grigoletto
  • Cenografia - Cláudio Bastos

Serviço
O Grande Show. Nos dias  9, 10 e 11 de agosto - às 20 horas - no Teatro Margarida Schivasappa (Centur) - Avenida Gentil Bitencourt, 650. Ingressos: R$ 40,00 (R$ 20,00 - meia entrada). Venda online: Sympla - https://www.sympla.com.br/o-grande-show__328408. Venda presencial: Escola de Teatro In Cena ( Tv. Rui Barbosa, 1520). Informações: (91) 98425 0317 | (91) 98863 3362 | (91) 98111 4207 | (91) 98442 5445, Evento: https://www.facebook.com/events/659527337728324/ Instagram: @ograndeshow.

27.7.18

“Palhaço” na segunda temporada do Pauta Livre

A Cia Attuô está de volta nesta quarta feira dia 01, em única apresentação, no Teatro Margarida Schivasappa (Centur), às 20h, com espetáculo que narra a história do processo de Adesão do Pará à Independência do Brasil. Ingressos a R$ 20,00 na bilheteria do teatro no dia da apresentação, a partir das 16h.

A Província do Grão Pará demorou mais de um ano para ouvir os ecos do Grito do Ipiranga e nesse processo, vários índios, tapuios e caboclos se levantaram contra a Junta de Governo da Província, que era formada por famílias portuguesas. Os revolucionários foram sumariamente presos e sem direito à defesa, foram conduzidos ao porão do navio Brigue Palhaço (antes conhecido como São José dos Diligentes). Lá 256 homens morreram sufocados em razão das más condições do espaço.

A encenação “Palhaço” é a primeira, de dezoito apresentações do Projeto Pauta Livre 2018 do Programa Seiva da Fundação Cultural do Pará (FCP), e escolheu a dança, a arte surrealista e o clown para, de maneira didática, abordar esse tema, que é tão esquecido na memória e nas documentações históricas.

Embalados por canções autorais e ufanistas, a fim de recontar de maneira poética esse acontecimento e trazer para uma linguagem atual, toda a discussão política e vivência cidadã que tanto é necessária nos dias atuais.

O clamor por igualdade e liberdade foi tão brutalmente silenciado na época, que não demorou muito tempo para o povo responder com uma das revoltas mais conhecidas do país: a cabanagem, a única realmente liderada pelo povo e para o povo. 

Ela até hoje representa um dos levantes mais representativos do povo nortista. "O espetáculo é uma forma de recuperar e manter viva essa memória, e a cia busca traduzir em dança, música e poesia todo aquele espírito inquieto do cidadão paraense da época", afirma Kleber DUmerval, diretor do espetáculo e que atua juntamente com mais sete artistas das mais variadas linguagens.

A caracterização se destaca pelos figurinos sujos e sem cor que, de certa forma, eles conseguem trazer dramaticidade ao episódio e na tragédia palhaços podem contar essa história sem deixar de serem eles mesmos. 

Outro argumento é que “os fatos históricos somados ao conceito de liberdade de expressão foram utilizados na composição das coreografias e isso dá a cena um alívio visual”, afirma Diego Jaques, bailarino e integrante da Cia Attuô que contribuiu na construção coletiva.

Serviço
O espetáculo acontece no Teatro Margarida Schivasappa no dia 01 de agosto (quarta-feira) às 20h, e os ingressos estarão sendo vendidos a R$ 20,00 reais e ficam disponíveis na bilheteria do teatro no dia da apresentação a partir das 16h.  Informações 91 991191717.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

25.7.18

São Luís lembra Papete no 1o Festival de Percussão

Papete (Fotos: Bruno Mendonça)
Quem estiver indo a São Luís neste último final de semana das férias de julho, favor anotar a dica. O Rufar dos Tambores – Festival de Percussão de São Luís acontece nesta sexta, 27, na Praia Grande, centro histórico da cidade. Das 15h às 22h haverá shows e oficinas gratuitas ao público. 

O evento foi idealizado por Luís Claudio Farias, músico percussionista de Belém, que vive há quase 40 anos na capital maranhense. O festival homenageia em sua primeira edição o instrumentista Papete, morto há dois anos, e terá shows de 11 grupos, além de feira de livros, discos e instrumentos e oficinas. 

"Papete é a grande inspiração do festival. Ele dedicou a maior parte de sua vida de artista na divulgação da diversidade de ritmos e batuques maranhenses. Na abertura do evento, apresentaremos um video que conta um pouco sobre sua trajetória. Além disso, alguns grupos irão fazer intervenções lembrando a força de sua música", afirma Luiz Claudio Farias, que também é o diretor artístico do Festival de Percussão de São Luís.

O festival abre com o Couro e Mão, formado por mestres da percussão maranhense, e encerra com o espetáculo Encantarias, mistura de cultura popular, jazz e música erudita. No miolo o festival tem Toque de Mãos, Yluguerê, Afoxé Mina, Batuque de São Benedito, Boi Brilho da Sociedade, Abanijeun, Carlos Pial, Terecô de Igaraú e Divina Batucada.  “Teremos 11 grupos no palco, cada um tocando de 15 a 20 minutos, mas vamos fazer como se fosse um grande show, criando uma unidade entre as bandas e artistas e apresentando aos poucos os instrumentos da cultura popular com suas particularidades”, afirma Luiz Claudio Farias, que também é o diretor artístico do festival.

PROGRAMAÇÃO

Shows
Das 18h às 22h, portanto, haverá apresentações com o Couro e Mão, Toque de Mãos, Instituto Yluguerê, Afoxé Mina, Batuque de São Benedito (Carutapera), Boi Brilho da Sociedade (Cururupu), Abanijeun (Tambor de Taboca da Casa Fanti Ashanti), Carlos Pial e Terecô de Igaraú, Divina Batucada e Encantarias – Luiz Claudio e Banda Fio da Teia.

Oficinas

Oficina de Tambor de Crioula – das 15h às 17h - Tambor de Crioula de Mestre Leonardo; Oficina de Pandeirões – das 15h às 17h - Carlos Pial ; Feira – das 15h às 22h - Instrumentos artesanais, livros, vinis e CDs sobre os ritmos do Maranhão e comidas; Receptivo – das 17h às 18h - Tambor de Crioula de Leonardo e Boi da Ilha Turino do Alto.

Serviço
Rufar dos Tambores - Festival de Percussão de São Luís. Nesta sexta-feira, das 15h às 22h. No Centro de Criatividade Odylo Costa, filho - Praia Grande.

(Holofote Virtual com Celso Borges, assessor de imprensa do festival, poeta e jornalista)