25.3.17

Um help sonoro para o 1o EP dos Velhos Cabanos

O Espaço Coisas de Negro, em Icoaraci, recebe, no dia 1o de abril, o “Help Cabanos”, evento colaborativo, produzido pelo Projeto Velhos Cabanos, em parceria com público e amigos, no intuito de arrecadar fundos para financiar a gravação do primeiro EP da banda. A festa começa às 18h e vai até 1h da madrugada. Ingresso apenas R$ 7,00, na promoção pra quem chegar antes das 20h. Ou, após, R$ 10,00.

A 1a edição do festival abre com o experimentalismo da Thauma. Em seguida, The Steamy Frogs, com seu psicodelismo. O encerramento é com a Velhos Cabanos que, com apenas o single Caleidoscópio, lançado, está em busca do primeiro EP.

Velhos Cabanos e The Streamy Frogs já tocaram em Belém. Foram selecionadas para o Woodstock and Old Festival, que reuniu diversas outras bandas autorais, a maioria de Belém, ano passado. Vindas de Icoaraci, Distrito de Belém já conhecido por ser um celeiro de artistas que, com pouca inserção na cena da capital, vivem uma atmosfera própria, realizando em seu local, mostras de músicas que nem imaginamos estar ocorrendo a pouquíssimos quilômetros de Belém. Por aqui eles chamaram atenção e foram as duas bandas mais votada depois da vencedora.

Já disse aqui outras vezes e muita gente sabe e já experimentou ver de perto. Existe uma cena de rock intensa em Icoaraci. "A cena aqui está fervendo de muita banda autoral e boa. Temos um coletivo denominado 'União Autoral' no qual as bandas se fortalecem juntas promovendo eventos pela cidade em prol da divulgação de seus projetos e também pra acabar com essa desunião recorrente hoje no cenário autoral”, diz Enzo Marques, da Velhos Cabanos, um dos mobilizadores do movimento artístico da também chamada Vila Sorriso.

A banda Velhos Cabanos
Ele cita ainda as bandas Acorde de Novo e Os Bandoleiros e a Cigana, que faz um som alternativo e experimental, a Marvin Ataca, de blues, além da Ultramodernos, de som mais indie e stoner.

“Temos um cronograma de eventos pra realizar esse ano, começando dia 15 de abril no Coisas de Negro. Vai ter festival do União Autoral, mais uma edição do 'Não Pire', além de outros eventos”, enumera o músico. Todas as ações convergem para a mesma missão.

“Com o lucro dos eventos, produzimos outros, ajudamos as bandas com divulgação de camisas e acessórios. É uma cena que tá crescendo e mostrando como o autoral icoaracience é forte e merece atenção", diz Enzo.

O músico percebe que ainda não há "uma abrangência dos sons que são produzidos aqui no Distrito para o centro da cidade, especificamente falando de eventos mesmo. Ainda são poucos os espaços que movimentam a cena que se cedem para que se tenha esse reconhecimento. Mas estou otimista, vamos fazendo nossa parte, produzindo nossos corres e se consolidando", continua.

Ele acredita que aos poucos, esse circuito Belém-Icoaraci-Belém pode facilitar a divulgação dos trabalhos de todos. "Essa relação tem ficado mais próxima, quebramos algumas barreiras: produzimos eventos aqui e trouxemos bandas que nunca teriam pisado em solo icoaraciense pra divulgar seu material e visse versa, assim vai rolando", conclui.

Além de Enzo Marques (guitarra rítmica e vocal de apoio), a Velhos Cabanos é formada por Phellipe Fialho Silva (vocalista e guitarra solo), Matheus Leão Mota (contrabaixo e vocal .de apoio), Felipe Mendes (Teclados) e Lucas Franco (Baterista). Interessado em saber mais e somar nesta cena, pode entrar em contato com a banda: www.facebook.com/velhoscabanos ou pelo telefone: (91) 98352-9084

Serviço
Festival Help Cabano. Da 1o de abril, a partir das  18h e vai até 1h da madrugada. Ingresso apenas R$ 7,00, na promoção pra quem chegar antes das 20h. Ou R$ 10,00 pra quem chegar depois! O Coisas de Negro fica na Rua Lopo de Castro, 1082 – Icoaraci. 

23.3.17

Um sábado de “Amostra aí” no Casarão do Boneco

O universo da contação de histórias e o mundo mágico do circo vão nortear a programação da Amostra Aí, neste sábado, 25, voltada ao público infantil. Os portões do Casarão do Boneco abrem às 18h, com a Feira-do-Casarão em pleno funcionamento, com direito a exposição de bonecos, comidinhas veganas, saudáveis, sucos, coisas legais de olhar, crianças espalhada por todo lugar, um brechó com roupas exclusivas da Nanan Falcão. É assim, em sábado de “Amostra Aí”. A entrada é pague quanto puder.

Entrada que se paga, quanto quiser, na saída. Explicando melhor, após cada atração, rola o chapéu ou, como em algumas ocasiões, as pessoas recebem um saquinho de papel para que, após a apresentação, contribuam.

O Casarão do Boneco é um espaço multicultural que tem como objetivo manter uma programação democrática e contínua na cidade de Belém. O espaço inicialmente era sede da In Bust, mas hoje se tornou um lugar de ocupação artística constante. 

Além da Amostra Aí, outras ações são realizadas garantindo minimamente a sustentabilidade do casarão, um lugar aberto aos artistas, à pesquisa de linguagens e à comunidade em geral. “Optamos pela filosofia do pague o quanto puder assim diversos públicos podem ter acesso a arte que o casarão oferece”, diz Paulo Ricardo Nascimento, da Cia In Bust Teatro com Bonecos.

Outra maneira de somar com os artistas é consumindo em sua feira. Tem comidinhas veganas da Alimentação Gentil - doces e salgadas, além de sucos de frutas. Roupas e acessórios do bazar do Atelier de Nanan, além de livros, DVDs e CD’s de artistas, disponíveis na lojinha.

É pra gente grande e pequena ver

Agora falando sobre o “Amostra ai”. Este  é o tradicional evento infantil do Casarão do Boneco e que nesta edição traz a história: “Fernando pessoa - Poemas para crianças”, com Vandiléia Foro, às 19h. Partindo do amigo invisível com quem muitas crianças compartilham suas brincadeiras, medos e alegrias, a atriz-educadora fala da infância, adolescência e a fase adulta do poeta Fernando Pessoa.

Em seguida, às 20h, tem cena curta da Cia. Sorteio de contos, “O Massacre do Eldorado do Carajás”. O conto traz a linguagem do sorteio de contos. Repleta de músicas, dança e versos a encenação é uma pesquisa prática do sapateado e da música do Coco Raízes do Arco Verde.

Para fechar a programação, às 21h, haverá apresentação de vários números circenses, adiantando a comemoração ao Dia do Circo, realizado no dia 27 de março, em homenagem ao palhaço brasileiro Abelardo Pinto, conhecido popularmente como Piolin, que nasceu nessa data em 1897.

Ficha Técnica: Paulo Ricardo Nascimento, Thiago Ferradaes. Produção: Nanan Falcão, Fatima Sobrinho, Andreia Rocha, Marina Trindade, Mauricio Francco. Fotografia: Uirandê Gomes. Arte grafica: Lucas Alberto. Apoio: Cultura Rede de Comunicação e Holofote Virtual.

Serviço
Amostra Aí. Neste sábado, 25 de março, no Casarão do Boneco. Os portões abrem às 18h. Quanto é: Pague o quanto puder. Onde fica: Av. 16 de Novembro, 815 – lado esquerdo – próximo à Praça Amazonas – São José Liberto. Mais informações: (91) 3241-8981.

21.3.17

A representação da mulher no cinema em debate

O tema será discutido junto a professora e crítica de cinema Luzia Miranda Álvares, no próximo dia 28 de março, às 18h30,  no mini auditório da Casa das Artes - Pça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. A programação é do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) e tem entrada franca. Para ir o aquecendo os sensores, a seguir um texto assinado por ela, sobre o assunto.


De Branca de Neve às Vadias:
"Imagens da Mulher no Cinema”

Por Luzia Miranda Álvares

Secularmente temos convivido com uma diversidade de representações sociais criados pela sociedade ocidental que tende a decidir entre normas e comportamentos que se inscrevem como parte das práticas dos humanos. As mulheres cruzam essas representações entre tempos e ambientes, contextos e histórias sempre direcionadas pelos costumes e pelas leis que as submetem a viver de acordo com os papeis sociais a elas exigidos por esses modelos.

Nessa lógica em que um sistema patriarcal se junta a outro sistema, o capitalista,criando-se representações, as regras sociais se tornam os meios que definem comportamentos de homens e mulheres e se não são exercidos, se tornam processos de discriminação, preconceito e violência. As mulheres são as principais vítimas desses processos.

O cinema, como arte visual, com sua linguagem nítida entre processos de forma e conteúdo, aproveita-se dessas versões e desloca para as imagens construídas a cultura circulante de cada época. Do cinema de animação, ao de ficção e ao documentário emergem imagens femininas variadas. Quais as que se juntam ao reforço à cultura patriarcal contemporânea e quais as que rompem esses ditames agressivos contra este gênero é o que se pretende articular na interlocução temática “De Branca de Neve às Vadias: Imagens da Mulher no Cinema”.

Cada pessoa tem sua própria versão sobre o modo como o cinema esboça seus argumentos e constrói suas personagens. Assim, onde vão estar os níveis de reforço ao processo discriminatório num determinado filme que assistimos? Esse é o debate. Essa é a causa de mantermos a arte em franca discussão do processo político de consciência crítica sobre as imagens.

Bruno Benitez e a latinidade da música amazônica

Bruno Benitez (Foto: Bruno Pellerin)
O músico nos apresenta “Miscigenado”, show que abre, nesta quarta-feira, 22, no Teatro Margarida Schivasappa (20h), o Festival Latinidade, reunindo os vários ritmos que formam o sangue latino e sonoro da música paraense. O ingresso custa R$ 10, 00, adquiridos pela plataforma sympla, ou até 19h30, na bilheteria do teatro.

Salsa, tango e merengue, lambada, guitarrada e carimbó. A apresentação conta ainda com os músicos Bruno Mendes (bateria e percussão), Beto Taynara (contrabaixo) e Jó Ribeiro (trombone e piano) e as participações de Ronaldo Silva e Félix Robatto. 

Bruno Benitez é o anfitrião desta primeira noite do festival que será itinerante e passará por oito espaços de Belém, incluindo os distritos de Icoaraci e Mosqueiro, com realização da M.M. Produções. O propósito é divertir e ao mesmo tempo contar a história desses ritmos, a partir da experiência e estilos dos músicos convidados, missão que inicia com o músico, multi-instrumentista e cantor que, além das influências latinas que recaem sobre “Miscigenado”, já possui uma latinidade espontânea herdada do pai. 

Filho de Daniel Benitez, compositor, cantor e multi-instrumentista uruguaio que se radicou no país, mais especificamente em Belém. Gravou com Beto Barbosa, Alípio Martins, Beto Douglas entre outros, e participou da banda Warilou. 

Bruno cresceu nesse clima latino paraense que facilmente o fez mergulhar neste universo profissionalmente. "O primeiro contato mais forte com essa música foi ao assistir a banda Warilou ao vivo. Aliás, o show deles era muito mais ousado nas fusões rítmicas do que os discos. Ali, a minha visão musical se ampliou bastante”, diz Bruno, que começou então a acompanhar o pai nos estúdios, na década de 90. 

“Ele, como bom uruguaio, gravava suas percussões recheadas de latinidade nos bregas, lambadas e merengues gravados aqui, e fazia isso desde os anos 1980, contribuindo para formatar o som daquela época, marcado pela influência latina. Daí em diante tudo ocorreu rápido”, comenta.

Antes de seguir pela carreira solo, em 2002, Bruno formou o grupo Mundo Mambo, projeto que segue na ativa,  dedicando-se a tocar tanto a salsa de raiz, assim como a música latino-paraense. Em 2014, o músico lançou o CD "Coração Tambor" e agora se prepara para lançar o terceiro álbum. Em entrevista ao blog, ele falou de sua trajetória e de como irá conduzir essa primeira imersão do Festival Latinidade, confira.

Holofote Virtual: O Festival Latinidade inicia com um show teu, o Miscigenado, que dá nome ao teu terceiro CD. O repertório será focado nas musicas inéditas do disco?

Bruno Benitez: Vou apresentar ao público metade do repertório do novo disco, que esta sendo produzido. Serão 5 músicas inéditas, explorando ritmos como Tango, Merengue, Cúmbia, Toada, entre outros. Posso dizer que metade do show é voltado pro CD Miscigenado, e a outra metade aos clássicos latinos e músicas paraenses.

Holofote Virtual: Como vai funcionar esta parte mais didática, o que estás trazendo de informações para o público?

Bruno Benitez: Gosto de comentar nos shows sobre as origens desta identidade musical latino-amazônica, que vem desde a era do Rádio de ondas curtas, dos marinheiros que aportavam em Belém (com vinis na bagagem), vindos do Caribe, guianas e outros países. Sem falar nos artistas latinos que passaram por Belém. Sabia que Bienvenido Granda cantou no Palácio dos Bares? É uma história de muitos capítulos.

Holofote Virtual: Vais receber dois convidados. Cada um deles tem luz própria e trabalhos distintos, que se unem quando o universo é amazônico. Gostaria que você falasse um pouco do trabalho dos dois artistas e onde é que a latinidade deles encontra musicalmente a tua. 

Bruno Benitez: Primeiramente são dois amigaços, daqueles que quando encontro rolam horas de papo bacana. Félix Robatto construiu desde o La Pupuña, e agora em carreira solo, uma sonoridade rica, recheada desse hibridismo cultural que faz todo mundo dançar e querer sempre mais. Ronaldo Silva é pura poesia, até num bate papo informal isso emana dele, junto com sua musicalidade plural, traduzida numa obra que permeia inúmeros universos musicais. 

Tenho a sorte de ser amigo e parceiro musical desses dois.Ambos estão participando da produção do CD "Miscigenado", que terá 02 faixas produzidas por Félix Robatto, além da música "Raio da Lua", parceria minha com Ronaldo Silva, que também canta comigo no CD.

Holofote Virtual: Em que momento está o trabalho e quando pretendes lançar Quem toca, quem participa...

Bruno Benitez: Estamos com 80% do CD pronto. Está sendo um processo de criação coletiva enriquecedor para mim. Junto comigo assinam a produção musical Félix Robatto, Lenilson Albuquerque e Daví Benitez. Quanto aos músicos, a base é a galera do Mundo Mambo, com alguns convidados, como o argentino Martín Mirol (Bandoneon), Príamo Brandão (Baixo acústico) e o Trio Manari.

Holofote Virtual: Atualmente além do teu trabalho solo, estás envolvido em outros projetos?

Bruno Benitez: Sim, o Mundo Mambo ainda é meu Xodó (risos), afinal são 15 anos de banda. Tenho também um evento mensal chamado "Malagueta na Cuia", uma festa dedicada aos ritmos latinos e paraenses, com discotecagem latina e oficinas de dança durante os shows.

Holofote Virtual: Paralelo à música... como é a vida de Bruno Benitez.

Bruno Benitez: Sou educador. Ensino geografia na Escola Bosque, unidade pedagógica da Faveira, em Cotijuba, e sou muito grato em poder contribuir na educação ribeirinha. 

A música envolve toda a família, desde minha filha Luna, que faz musicalização no Conservatório Carlos Gomes, a esposa Elaine, ajudando na produção dos shows, e o caçula Ian, bagunçando o quanto pode (risos).

Links para ouvir Bruno Benitez

https://www.youtube.com/watch?v=frqf7ZI2RY0
https://www.youtube.com/watch?v=xTumrgwq5yc
https://www.youtube.com/watch v=GBFHii68btM&list=PLEImsqViY5ciexktQSBSNSo23NekUYS32&index=6

Serviço
Festival Latinidade. Nesta quarta-feira, 22, a partir das 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Os ingressos custam R$ 10,00 pela plataforma sympla. (https://www.sympla.com.br/festival-latinidade-apresenta-show-miscigenado---bruno-benitez-e-convidados__126755) e até 19h30, na bilheteria do teatro. O projeto tem incentivos do Seiva, Fundação Cultural do Pará, Governo do Estado e da Prefeitura de Belém, pela Lei Tó Teixeira. Mais informações: 91 3355.8668.

20.3.17

Dois dias para a fotografia paraense em Tiradentes

Guy Veloso
A trajetória dos dois fotógrafos paraenses e suas histórias pessoais com a fotografia são contadas por eles mesmos nos volumes 5 e 6 da Coleção IPSIS de Fotografia Brasileira. Organizados pelo jornalista e curador Eder Chiodetto, e trazendo uma gama volumosa e importante de fotos que norteiam as carreiras de Elza Lima e Guy Veloso, os livros álbuns serão lançados nesta sexta, 24, e sábado, 25, no 7º Festival da Fotografia de Tiradentes, em Minas Gerais.

Guy Veloso tem 25 anos de carreira, mas a fotografia está na vida dele há mais tempo, desde a adolescência, quando aos 14 anos deu uma fugida de casa para ver uma exposição de Luiz Braga, na Galeria Angelus, do Theatro da Paz. 

O fotógrafo paraense Luiz Braga e o francês Cartier-Bresson eram referências em suas saídas para fotografar, enquanto também fazia graduação em Direito, curso que mais tarde foi abandonado. “... eu fotografava principalmente a cidade e o Círio de Nazaré; do Círio, tenho fotos desde 1989”, diz Guy.

Elza Lima, mais de 30 anos de carreira, começou a registrar as filhas em crescimento. Queria garantir imagens de uma época que normalmente se apagam de nossas memórias com o passar do tempo. Até que foi fazer um curso na Fotoativa. “Miguel Chikaoka estava iniciando sua escola e eu participei de suas primeiras turmas. Em seguida, convidada por Miguel, fiz parte do projeto de documentação da cidade velha, projeto que impulsionou minha carreira”, conta Elza.

É o primeiro livro 'solo' de ambos. Tanto Elza Lima quanto Guy Veloso, fotógrafos reconhecidos no cenário da fotografia contemporânea brasileira, têm publicado em diversos outros livros, mas ainda não tinham uma obra dedicada inteiramente a eles. 

“Todas as publicações, nestes 25 anos de fotografia, foram livros coletivos. É a primeira vez que uma editora e um curador importantes pegam o meu trabalho e copilam em uma só obra”, diz Guy.

“Acho muito gratificante ter meus primeiros 20 anos de fotografia publicado por uma da mais importante gráfica do Brasil, com a escolha de um dos mais atuantes curadores de fotografia do país. E para coroar tudo isso, fazer parte de um dos grandes eventos fotográficos da Terra Brasilis, onde conviverei dias de troca, de pensar a fotografia, suas implicações, contemporaneidade e capacidade em criar novos e críticos mundos”, complementa a fotógrafa, que já conta com mais de trinta anos de profissão.

O projeto dos dois volumes levou meses para ser desenvolvido. Desde a busca de material no vasto acervo dos fotógrafos, todo um cuidado com o tratamento e impressão, os textos que introduzem o universo fotográfico de cada um, uma viagem pela religiosidade de um Brasil profundo ao imaginário nas profundezas da Amazônia. Elza e Guy pesquisam a fundo a brasilidade em diversas suas manifestações. A publicação dos volumes 5 e 6 dedicados a suas trajetórias é justa e já se fazia há algum tempo necessária diante da extensão da obra de cada um.

Elza Lima
“Mandei mais de 200 imagens fotografadas entre 1985 ao início do ano 2000, cobrindo assim os 20 anos de uma carreira que completa, em 2017, 33 anos”, diz Elza. 

De gerações diferentes, mas contemporâneos no fazer fotográfico, Guy e Elza desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos. Ela evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas. Ele nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

“O Eder pediu que eu buscasse no meu acervo cerca de 400 fotos do tema religião. Levei quatro meses para organizar. Em nossa primeira conversa acordamos que a linha curatorial não seria só a religião, mas um recorte dela, no caso, o Transe”, diz Guy.

Após o lançamento, Elza Lima volta a se dedicar aos dois projetos que tem em andamento. "Do Olho do Peixe a Roda da Saia", que fará uma ligação entre as pescadoras do Porto do Milagre, em Santarém no Pará, e as Avieiras, pescadoras de Santarém em Portugal. O segundo tem o título de "Poema é Coisa de Ver". "É um vídeo instalação onde reinterpretarei um poema de Alphonsus de Guimarães”, revela.

Guy Veloso
Guy Veloso segue seu trabalho de registro e pesquisa do projeto Os Penitentes. 

“Tenho obsessão pelo tema, digo obsessão porque venho nesse processo já tem 16 anos. 

Os Penitentes são aqueles grupos laicos familiares, a maioria deles secretos, que eu fotografo durante a Quaresma e a Semana Santa”, diz o fotógrafo. É o mesmo projeto que, em 2010, foi selecionado para a Bienal de Arte São Paulo. “Além disso, eu fotografo os cultos afro descendentes, com ênfase no transe, por isso foi muito fácil fazer esse livro com o Eder, seguindo esta linha artística”, conclui Guy.

O Festival de Fotografia de Tiradentes - Foto em Pauta inicia nesta quarta-feira, 22, e segue até domingo, dia 26. O festival conta com atividades ministradas por grandes nomes da fotografia no Brasil e no mundo, além de exposições, workshops, palestras, debates, leituras de portfólio, projeções de fotografias e atividades educativas voltadas para a comunidade local. 

Confira a programação: http://fotoempauta.com.br/

Show de Dand M. e Trio Manari na Casa do Fauno

Esta semana, na Casa do Fauno, a música ao vivo conta com a irreverência poética de Dand M., que na quinta-feira, 23, apresenta o show “Dose dupla de poesia e música” e, na sexta, 24,  entra em cena o virtuosismo percussivo do Trio Manari. Além da música, o espaço oferece bistrô e bar, livraria e brechó. Na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada: R$ 15,00. Informações e reservas de mesa: 91 9807.0609.

Dand M. é escritor, compositor, cantor e produtor. Acompanhado do  grupo Rivo Trio, ele promete, como sempre, escandalizar. A programação desta quinta, 23, inicia às 21h, com o relançamento de seu último livro publicado, "Antmor". O poeta também vai recitar poemas inéditos e, em seguida, às 22h, o show inicia.  Dand M. é escritor, compositor, cantor e produtor. 

A música e a poesia são o fio condutor e antenado de Dand M. no efervescente panorama do mundo, ligação esta que resulta em canções que reverberam nas vozes de intérpretes como Arthur Nogueira, Felipe Cordeiro, Olivar Barreto, Vital Lima e Arthur Espíndola – que incluiu em seu recente DVD a música “Canal do Galo”, uma parceria de Dand M. com Paulo Lobo, seu cúmplice musical. Dand também tem canções feitas Vinicius Leite, Pedrinho Callado, Marcos Campelo, Paulo Moura, Renato Torres, entre outros.

Da repercussão nacional, este ano, a canção “Voz da Vida” (Dand M./Arthur Nogueira) foi gravada por Cida Moreira, um dos grandes nomes da MPB, em CD lançado este ano. A mesma música foi incluída no repertório de Ana Carolina, em show com estreia no Rio de Janeiro e depois em turnê pelo Brasil.

Na sexta tem Trio Manari

Pesquisa, experimentalismo e virtuosismo. O Trio Manari é hoje referência na música brasileira, no campo da pesquisa e da execução percussiva com características amazônicas. O trabalho do grupo o levou  a turnês pelo Brasil e pela Europa com os cantores Marco André e Fafá de Belém, respectivamente, além de diversas apresentações solos.

Nazaco Gomes, Kleber Benigno e Márcio Jardim são músicos reconhecidos no meio artístico paraense, que se uniram no ano de 2000 com o intuito de pesquisar os ritmos amazônicos para compor arranjos percussivos, dando uma linguagem universal a seus trabalhos. 

Serviço
Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa.  Mais informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. Entrada: R$ 15,00.

17.3.17

É semana de francofonia na petit Paris N'américa

Maiwenn (esq.) e colaboradores da semana de Francofonia 
Franceses aqui, se apaixonam pela cidade. Paraenses que voam à Paris desejam ficar por lá. Um quê de namoro que não é de hoje. Da Belle Époque ficaram os indícios desta conexão. A Casa Paris n'América que resiste ao tempo no centro histórico. Três andares de puro Art Noveau. O tempo passou e hoje, além da arquitetura, há mais interligando as culturas paraense e francesa. 

É o que a Semana Internacional de Francofonia quer enfatizar não só durante estes dez dias, na capital paraense, mas ao logo de todo o ano, quando muitos outros eventos francófonos serão realizados integrando o calendário cultural da cidade.

Aberta nesta quinta, com uma mostra de filmes francófonos, a semana reúne uma série de ações e diversas áreas da cultura, como música, gastronomia, teatro, lançamento de livro e muitos encontros que pretendem movimentar a cena francesa em Belém do Pará. Trazendo como o tema a "Política?" a mostra de cinema ganha sessões no Sesc Boulevard e no Cine Olympia, que exibiu esta noite, o filme “38 testemunhas” - 38 Témoins (França 2012), de Lucas Belvaux (Drama em cores/104’). Este será reprisado dia 21, às 18h30, no mesmo cinema.

programação da Semana de Francofonia foi esmiuçada e apresentada nesta quinta-feira, 16, à imprensa em uma coletiva que reuniu na sede Aliança Francesa de Belém, a diretora Maiwenn Le Nedellec, e alguns dos parceiros e colaboradores da programação, como Ana Maria Nascimento e Marcos Antonio Brasil, do Bike Tour;  Paulo Anijar, do restaurante Santa Chicória; a cantora Alba Maria, Cláudia Pinheiro, diretora do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, Bruno Pellerin, autor do livro Bar do Parque, e Abdel Abdelb, professor da instituição.

Garçons do Bar do parque entram na programação

Bruno Pellerin, com seu Bar du Parque - livro bilíngue
Bruno Pellerin, que lança o livro de fotografias “Bar do Parque” disse ao Holofote Virtual que vai realizar uma foto histórica no lançamento, sábado, 18, às 18h na Casa do Fauno. Ele convidou garçons de três gerações do Bar do Parque para um registro histórico. O clic será sem dúvida um momento marcante, com direito a depoimento dos ex-funcionários.

“Eu quero ressaltar a importância e a história do bar do Parque. Por isso vou reunir estes garçons para contarem sua história e também chamar atenção da população e do poder público quanto ao patrimônio arquitetônico e também cultural da cidade”, diz o fotógrafo francês, que mora em Belém desde 2003. 

Também, na Casa do Fauno, haverá show com a cantora Alba Maria, que será acompanhada por Floriano Santos (violão), Kleber Benigno Paturi (percussão) e Adelbert Carneiro (baixo), a partir das 22h. Além de lançar o livro, Pellerin também vai expor fotos. A entrada para o lançamento é franca. A partir das 22h, com música ao vivo, paga-se o valor da casa R$ 15,00.

Aula de patrimônio sob duas rodas

Marco Antonio do Bike Tour, com Maiwenn, diretora da AF
No domingo, 19, achei super interessante. Haverá um passeio ciclístico voltado ao patrimônio arquitetônico que traz em si, resquícios da arquitetura francesa. O 1o módulo do Projeto Bike Tour Roteiros, voltado ao contexto da Bélle Époque, traz informações históricos, e também te leva à galerias de arte sitadas em pleno centro histórico da cidade. É uma oportunidade de conhecer mais sobre a cultura paraenses, de uma fora saudável. 

Haverá infra-estrutura para o passeio com Bike Sons, Foods Bikes ( lanches gratuitos), mecânico, monitores bilíngues e PMs em Bikes garantindo a segurança nos cerca de 6 quilômetros a serem percorridos. “Será didático e pedagógico. Vamos unir aqui esporte, cultura, prazer e conhecimento. Num primeiro momento passaremos por quatro galerias de arte e depois num contexto mais histórico e paisagístico, passaremos por duas praças”, explicou Maiwenn Le Nedellec, diretora da Aliança Francesa.

“É a segunda vez que firmamos esta parceria com a Aliança Francesa. A primeira experiência teve bons resultados. O passeio é monitorado e vamos falando do contexto histórico por onde passamos”, diz Marco Antonio, que coordena com Ana, o bike tour.

Isa Arnour, presidente da ABRAJET-PA, com Bruno
Quem estiver interessado, ainda dá tempo de se inscrever, na Aliança Francesa de 15h as 19h, nesta sexta-feira, 17, e no sábado, 18, pela manhã até 12h. O investimento é 30 reais para alunos da Aliança Francesa e 40 reais profissionais. Ah, sim, já ia esquecendo. Caso você não tenha bike – eles pensaram em tudo – haverá aluguel, no ponto de saída do passeio. É só chegar junto e cedo, para garantir a sua.

Na semana que vem, já na terça-feira, 21, rola a parte gastronômica. É o mesmo dia em que realiza um evento chamado “Sabor da França”, em quase 2 mil restaurantes espalhados pelo mundo. Há 178 participando no país, e em Belém, dois, o Santa Chicória e o Le Bistrô. A ideia é trazer a cozinha original.

“A gastronomia francesa para mim é a mãe da gastronomia mundial, embora tenha me formado na cozinha italiana, sou apaixonado por esta cultura francesa. Por isso, os pratos do almoço que vamos servir e os da degustação serão originais, seguindo a tradição do país”, disse Paulo Anijar.

Atenção que para participar do jantar você precisa comprar seu passaporte para experimentar com 8 pratos e dois tipos de vinhos. Vendas até sábado – R$ 89,00 para o almoço e R$ 198,00 para o jantar que traz uma variedade maior de pratos para degustar e três tipos de vinhos.

Além disso, nesta parte mais deliciosa da programação, haverá ainda um Ateliê de vinho, queijos e pão francês. Também tem que se inscrever, custa R$ 150,00 – alunos pagam R$ 120,00 -, dando direito a 3 vinhos, 3 queijos e sorteio de uma garrafa de vinho.

8 músicas inéditas num show franco paraense

Alba Maria canta na capela para a Tv Cultura do Pará
Sobre a música já sabemos que haverá uma apresentação inédita, no enceramento da semana, dia 26 de novembro, no Theatro da Paz.  Para construí-lo será realizado um verdadeiro laboratório musical, de uma semana, na sala de ensaio do Teatro Margarida Schivasappa, reunindo músicos franceses e paraenses.

A cantora Alba Maria participa do laboratório com os franceses Steve Shehan (multi- instrumentista, percussionista franco-americano), Christian Belhomme (pianista de jazz  francês) e Steeve Brudey (ator, cantor franco-guadalupeano). Os paraenses Adelbert Carneiro (baixista), Edvaldo Cavalcanti (bateria) e Kleber Benigno (Percussão – Trio Manari) também imergirão com os franceses.  

O desafio do laboratório será criar oito músicas a serem apresentadas dentro do programa do show do domingo, 28. Será um show de música franco paraense. “Vamos fazer música francesa e paraense. Ou música paraense em francês. Esse projeto de encontro entre músicos franceses e paraenses demorou a nascer, mas será realizado da melhor maneira”, disse Alba Maria, cantora paraense, que morou e cantou profissionalmente em Paris, logo no inicio dos anos 2000.

“Conheci o Steve aqui mesmo em Belém, na ilha do Combu, durante uma entrevista e gostei muito de sua musicalidade. Fiquei impressionada quando ele começou a tirar som de uma folha de açaí, já seca”, comentou a cantora que também ressaltou a importância do músico. “Ele é uma grande estrela internacional da música. Tem mais de 20 álbuns gravados no mundo e tocou com outros grandes artistas, como Paul Simon e Bob Dylan”, finalizou.

A apresentação será composta desta parte de criação musical franco-paraense inédita, o melhor das músicas francesas, com Steve Shehan Trio (França) e ainda um repertório de grandes nomes da música paraense, com Alba Maria. Haverá também participação de Carla Cabral (cavaco) e Salomão Habib (violão). O ingresso custa R$ 20,00 e R$ 10,00, a meia.

Mais cultura francesa para Belém este ano

Livro traz textos de Elias Ribeiro e Ronaldo Franco 
Depois desses dez dias, várias outras programações e conexões serão feitas com a cultura francesa, por aqui. Maiwenn, que assumiu a direção da instituição em Belém, em 2016, disse que em sua gestão haverá novidades para a capital paraense. 

“Vamos atuar em duas frentes. Daremos continuidade do que sempre foi feito pelas Alianças no mundo, que é conectar a cultura francesa com a cena local e desenvolver projetos de colaboração artística com músicos, autores, atores, chefs, poetas paraenses com franceses ou francófonos”.

Entre os eventos apoiados pela Aliança está a Feira Pan Amazônica do Livro. “Em maio traremos jornalistas da Guiana Francesa, assim como um poeta especialista em literatura africana”, revelou a diretora. 

Maiwenn garantiu que eventos como Festa da Música no Mundo, Festa da Gastronomia e os eventos na área de artes visuais continuam no calendário oficial da Aliança Francesa de Belém e serão realizados este ano. “Além disso, eu vou fazer propostas inéditas para a cidade de Belém, e muito ligadas à cena artística da Guiana Francesa, que são nossos vizinho”, afirmou. A Semana de Francofonia, é só o começo.

14.3.17

“A Intrusa” tem lançamento na Casa da Linguagem

Professora de literatura na UFPA, com textos publicados em revistas e sites, Izabela Leal o livro "A Intrusa”, nesta sexta-feira, 17, às 18h, na Casa da Linguagem. Na programação, além dos autógrafos, haverá um bate-papo com o Nilson Oliveira, editor da Revista Polichinello, e leitura de poemas com Rodrigo Oliveira, Dayse Rabelo e Galvanda Galvão. Entrada franca.

“A Intrusa” mereceu a premiação de Melhor Novo Autor Fluminense, na 1ª edição do Prêmio Rio de Literatura, em 2016. A apresentação do livro é assinada por Ana Alencar, crítica literária, tradutora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A foto da capa é do Caio Meira, poeta e fotógrafo.

“Esse é meu primeiro livro publicado sim. Acho que os prêmios são importantes porque dão visibilidade à obra, sem contar que para o autor é muito bom saber que foi lido por pessoas altamente qualificadas”, diz Izabela, nascida no Rio de Janeiro em 1969. 

Obra fragmentária, é composta por vários textos que se articulam entre si, oscilando entre a prosa e a poesia, pegando emprestado o clima de suspense do romance policial e um tom performático do teatro. “isto não é um diário. /não vou escrever minhas memórias /nem testemunhar a época em que vivemos juntas. /não se trata de confissão”.

O ponto de partida do livro é determinado por situações aparentemente cotidianas, mas pontuadas por um estranhamento em que se percebe a tensão existente no ato de conviver com o outro, sobretudo o outro que nos habita e que comparece no ato de escrever. “hoje morreu chantal akerman deu no noticiário./nada a ver com a universal reportagem fatos e fotos /manchete caras. vi hotel monterey com uma amiga”.

Livro revela um novo estilo na carreira da autora

Poeta, ensaísta e professora de literatura portuguesa (UFPA), pesquisa sobretudo questões ligadas à poesia contemporânea e à tradução. Tem poemas publicados em revistas literárias como Inimigo rumor, Zunái, Coyote, modo de usar & co., Poesia sempre, Polichinello, e nas antologias Caos portátil. Poesia contemporánea del Brasil (México, 2007), Otra línea de fuego. Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas (Espanha, 2009) e Todo começo é involuntário: a poesia brasileira no início do século XXI (Brasil, 2010), entre outras.

“Eu sempre escrevi poesia, tenho vários poemas publicados em livros e revistas, mas esse livro de fato rompeu um pouco com a ideia mais rígida de um estilo. Não foi algo tão pensado, pelo contrário, eu me dei conta de que o livro tem a sua própria autonomia. Ele vai se escrevendo sozinho (risos), esse livro não se parece com nenhum dos que eu em algum momento planejei escrever”, comenta.

Atuante integra o núcleo editorial da revista literária Polichinello, onde discute temas e organiza com os demais editores, o material que será publicado. “É um trabalho em parceria, sempre difícil em função das limitações orçamentárias. É uma pena não termos possibilidades de apoio em editais ou outros recursos que ajudariam a manter uma periodicidade maior da revista”, diz a escritora.

A paixão pela literatura também a levou a trabalhar com a linguagem do audiovisual. Atualmente tem produzido videoartes que estabelecem um diálogo entre o cinema e a literatura. 

“O trabalho que tenho desenvolvido com videoarte é uma parceria com uma amiga, Galvanda Galvão. Fizemos uma pequena produtora, a Sibila filmes, e já produzimos quatro vídeos, todos eles voltados ao diálogo entre a literatura e a imagem. É interessante que esse trabalho permite dar ênfase à literatura local, aproveitando a possibilidade do vídeo para chamar a atenção para poetas menos conhecidos fora de Belém, como é o caso de Paulo Plínio Abreu”, revela. 

No momento Izabela diz que não há vídeos disponíveis na internet pois são trabalhos recentes que estão participando de mostras e festivais, mas já dá a dica para quem quiser assistir a alguns deles, em Belém. "Temos dois vídeos selecionados para a Mostra Sesc de Cinema, que deve ocorrer em breve. No dia 24 de março também haverá uma exibição na Casa das Artes”, avisa.

Serviço
Lançamento “A Intrusa”, de Izabela Leal. Autógrafos, bate papo e leitura de poemas. Nesta sexta-feira, 17, às 18h, na Casa da Linguagem - Avenida Nazaré, 31.

Músicos da nova geração realizam show solidário

Feira EquatorialDois na JanelaRaoni Figueiredo realizam, nesta quinta-feira, 16, um show solidário, no Espaço Cultural Apoena. A renda será revertida ao tratamento de saúde de Dayana Pamela, uma amiga, que precisa realizar uma cirurgia. O ingresso custa R$ 10,00.

Além do show haverá um brechó, também, com renda voltada ajudar com os custos dos tratamentos de Dayana.  O intitulado “SolisDay” é mostrar os trabalhos autorais das bandas e do cantor. Três apresentações, com o melhor do repertório de cada um. 

“A música tem o poder de emocionar e transformar. Isso é o que nos une para fazer esse show que se destina a ajudar a nossa amiga Dayana. Com a música todo mundo ganha, se emociona, se transforma e alimenta a alma. A cena da cidade, também, ganha com essas apresentações", afirma o cantor Raoni Figueiredo. Os músicos representam a nova geração da cena musical de Belém e prometem uma onda de boa música autoral. 

Em processo de produção e gravação de EPs, as duas bandas e Raoni  vão tocar ao vivo, canções ainda inéditas mas que em breve serão compartilhadas com o público na grande mídia. A produção deles pode ser conferida nas plataformas musicais e mídias sociais, como Soundcloud. Youtube e Facebook. 

O show e o brechó são duas das ações que estão sendo realizadas por amigos e familiares, para ajudar a jovem de 25 anos. A Day, como é carinhosamente conhecida, precisa fazer uma cirurgia para retirada de nódulos nas mamas e uma mamoplastia redutora, avaliada em R$ 12 mil. 

Além disso, Day sofre de uma doença crônica, desde 2011, cujos sintomas lhe trouxeram limitações e complicações renais e a tornaram depende de uma medição, cujo custo mensal é de R$ 1 mil, em virtude de o tratamento no SUS ter sido suspenso pelo Governo Federal. 

Serviço
SolisDay”. Nesta quinta-feira, 16, a partir das 20h, no Espaço Cultural Apoena. Ingressos: R$ 10,00. Informações: 98203-8913//98355-5024. As contribuições em dinheiro estão sendo feitas com depósito no Banco Itaú - Agência 7494 - c/c 10731-6.  

Registro fotográfico em Belém chega a Tiradentes

Durante dois meses o fotógrafo mineiro Cyro Almeida percorreu os bairros de São Brás, Guamá, Condor, Jurunas e Cidade Velha, em Belém, marcados pela incidência de assaltos e homicídios. Intitulado “Pequena Rota do Insuspeitável”, o projeto foi contemplado com o XV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), na categoria Documentação Fotográfica do Brasil, resultando em um fotolivro em formato tablóide de 32 páginas, que será lançado no Foto em Pauta, dia 25 de março, dentro da programação do Festival de Fotografia de Tiradentes (MG).

Da janela da van, no enquadramento da velocidade do transporte não regulamentado de Belém, o fotógrafo mineiro Cyro Almeida – que vem constantemente à cidade desde 2009 – passou a observar os bairros da periferia da cidade, rota desse tipo de veículo onde geralmente o transporte público oficial não circula.

Além de notar referências comuns de paisagem, arquitetura e modo de organização social, ele também passou a estabelecer contato com os moradores, dos feirantes e ambulantes às pessoas que ficam na frente de suas casas para bater papo com os vizinhos. Em sua jornada por estes bairros, a cada nova esquina que se preparava para fotografar, alguém tratava de alertá-lo do perigo iminente.

Tal situação, apesar de não ser o mote principal do projeto, acabou se transformando em um metadiscurso do que ele produziu, viabilizado o livro em formato de tabloide – o mesmo dos jornais populares que estampam a violência cotidiana nas ruas da cidade.

“Percebo algo que me encanta e me interessa muito. As fotografias não tratam da violência urbana, mas desafiam a pensar como a representação estereotipada, a distinção social e fantasia do medo, quando repetidas exaustivamente contra essas regiões periféricas, reforçam estigmas e a própria violência que criticam”, diz Cyro sobre a escolha dos espaços percorridos no trabalho.

A publicação contém as fotografias realizadas durante o período de dois meses de imersão na capital paraense. Nas últimas semanas na capital paraense, Cyro Almeida revisitou os mercados públicos e as feiras para distribuir o tabloide às pessoas que havia mantido contato e fotografado. “A ideia é que esse material possa circular de forma massiva. Escolhi não fazer uma exposição nesse momento, pois é um tipo de veiculação mais restrita das imagens.”, explica.

Serviço
Lançamento do livro “Pequena Rota do Insuspeitável”, de Cyro Almeida. Foto em Pauta - 7º Festival de Fotografia de Tiradentes. Dia 25/03, às 18h - Centro Cultural Yves Alves (R. Direita, 168 - Centro, Tiradentes - MG). Participação e distribuição do livro gratuitas.

(Com informações da assessoria de imprensa - Sorella Conteúdo - Dominik Giusti)