3.7.20

Diego Lavareda lança single assinando como Santis

O isolamento tem aflorado a produtividade de artistas de todas as linguagens, mas nada se compara a produção musical, que não só invadem lives, como também gera novos produtos.  “Carta aos Guardiões”, por exemplo, já está nas plataformas digitais. É de autoria de Diogo Lavareda, que integrava Kaymakan, banda que marcou uma época, no inicio dos anos 2000, em Belém, e agora assina seus trabalhos como Santis, em carreira solo. 

A música reflete os desejos de proteção, união e oração das pessoas, neste momento difícil da pandemia do novo coronavírus. É a primeira faixa de uma série que farão parte de um EP digital. A decisão de lançar uma música depois de 14 anos da banda acabar, veio da vontade de se expressar nesse momento e para marcar uma nova fase de vida e de carreira musical independente. O trabalho precisou ser realizado a distância. E assim, foi gravado de forma em cidades e até países diferentes.

Santis gravou em sua casa, na região Oeste do Canadá. Já Bruno Habib, que fez os teclados, programação de bateria e baixo e assinou a produção e mixagem, fez tudo de casa, em Belém. Rômulo Aguiar, na guitarra e sua companheira Delphine La Emanuelle na flauta transversal gravaram em casa na Suíça; e Lenis Rino, fez a percussão diretamente de sua casa, em Minas Gerais. 

Vale lembrar que Santis, Bruno Habib e Rômulo Aguiar tocavam juntos na época da banda Kaymakan. Já Lenis Rino, tem uma carreira mineira e tocou com a cantora e compositora Fernanda Takai.  A Kaymakan, para que não lembra, unia originalidade e batidas contagiantes, misturando poesia e temas da consciência ambiental.  

Tendo como base o Carimbó, ritmo característico do Pará, o trabalho da banda resultava numa mistura pop com levadas de rock e reggae. Em junho de 2018, chegou a voltar aos palcos de Belém, ao lado de outra banda de sua mesma época, a banda Sevilha, mas tudo ficou por lá mesmo.

Ouça:
Carta aos Guardiões

Mercado do Choro retoma ensaios para o 2o álbum

Nascido nas ruas, praças e mercados da cidade de Belém, o grupo se reinventa e se prepara para começar a gravar um novo CD, com incentivos oriundos de emenda parlamentar. E também faz uma adequação no projeto “O Mercado do Choro roda a cidade”, contemplado pelo edital Banco da Amazônia, prevendo inicialmente uma oficina e um video clipe.

A ideia inicial do projeto selecionado pelo edital do Banco da Amazonia, além da produção e lançamento do videoclipe, estaria realização de uma oficina para crianças da comunidade que vive no entorno do Mercado do Porto do Sal, onde o grupo costuma se apresentar sempre, em parceria com o Coletivo Aparelho, que tem um trabalho de ocupação artística e social no local.

A oficina, por motivos óbvios de pandemia x isolamento social, ainda não será possível, mas continua na meta do projeto. A ideia agora é gravar o videoclipe em outubro, para lançar em dezembro. Em novembro, o grupo fará duas lives, dentro desse mesmo projeto, e fará doação de instrumentos musicais às comunidades do Porto do Sal. 

Essa foi a maneira de reverter todo um planejamento, assim foi também em relação a gravação do segundo álbum, "Passeio Publico". O processo de produção e composição desse novo trabalho seria realizado durante as conhecidas rodas de choro nos mercados de Belém, mas por enquanto, os ensaios para gravar o 2º álbum do Mercado serão dentro de um estúdio.

“O nosso processo de composição funcionou durante o isolamento social e assim seguimos os ensaios, primeiro online e agora vamos retomando aos poucos. Em julho estamos retornando em estúdio para iniciar a gravação desse novo trabalho. Um momento diferente para qualquer músico, em especial, pra nós que tocamos em mercados”, explicou Carla Cabral, cavaquinhista do Mercado do Choro.

Lançamento faixa a faixa a partir de setembro

Foto: Marcelo Lélis
Entre os ritmos que marcam as faixas do álbum "Passeio Público" estão o Baião, Maxixe e o Choro, claro, além dos  ritmos paraenses. 

"O nosso Choro é carregado de sotaques dos gêneros musicais daqui, então vai ter um pouco de carimbó, por exemplo, mas não que a gente apresente um carimbó, é que estamos influenciados por esse e outros ritmos, e também por compositores como Sebastião Tapajós, Adamor, Mestre Vieira. Tudo que tocamos é uma forma de reverenciar esses artistas", disse Carla ao Holofote Virtual.

Ela lembra também, o quanto o Mercado do Choro reverencia também a própria cidade. "Todas as nossas ações sempre serão para mostrar o quanto essa cidade é rica e o quando nos inspira", diz Carla  "Vamos citar lugares que gostaríamos de viver alguma coisa, trazer paisagem sonora da cidade que é cheia de sons e a gente, mesmo que tenhamos que ensaiar distantes do público e um do outro, vamos estar falando dos nossos encontros e do que a gente viveu", continua.  O disco começa a ser lançado, faixa a faixa, em setembro. O público vai ouvir os singles e até dezembro, a tiragem física deve ser lançada, nao se sabe ainda que presencialmente ou com outras lives.

O Mercado do Choro começa sua trajetória em 2013, reunindo músicos dedicados à pesquisa e criação do gênero musical choro. O grupo passou a se encontrar mensalmente em praças e mercados, ressignificando o passeio público; valorizando o patrimônio histórico; convidando as pessoas para as rodas de choro, mas principalmente convidando-as a reconhecer a cidade.

Formado por Carla Cabral, no cavaco; Diego Santos (violão de sete cordas); Gabriel Ventura (pandeiro) e Tiago Amaral (clarinete), o Mercado do Choro já realizou turnê pela Europa, em março e abril de 2018, como convidado do renomado Festival Internacional de Choro de Paris, estendendo-se também as cidades de Amsterdam na Holanda e Lyon na França. No mesmo ano participou também como convidado do XXXI Festival Internacional de Música do Pará, um dos maiores festivais da região. 

Enquanto aguarda-se o videoclipe e o novo álbum, que tal ouvir:
Mercado do Choro

Ouça também, o podcast:
Com Carla Cabral

2.7.20

Fotobiografia de Bibi Ferreira para ler e ver online

Considerada uma das artistas mais importantes dos palcos brasileiros, a atriz teria completado 98 anos, no dia 1º de junho. Documentando mais de 7 décadas de sua trajetória, foi lançada, ano passado, a segunda edição da fotobiografia “Bibi Ferreira, uma Vida no Palco”. A versão física segue à venda, mas agora a obra  também pode ser degustada online

Foram 77 anos de palco, incluindo o período compreendido entre 2001 e 2019, ano de sua morte aos 96 anos. O projeto editorial contempla capítulos temáticos, trazendo histórias de seu início de carreira, no circo, fala de sua relação com Procópio, pai e mestre, a estreia aos 18 anos, além de escândalos, amores , as melhores interpretações, premiações entre outras passagens de vida de Bibi.

No capítulo final, é possível acessar uma galeria de fotos, escolhidas pela atriz, com os papéis mais marcantes na sua vida. O miolo abriga textos biográficos, outros em primeira pessoa, reprodução de reportagens e recortes de críticas de jornais e revistas de várias épocas, com destaque para a matéria de página inteira publicada pelo The New York Times, em 2016. 

O livro atualiza a trajetória da atriz, em 20 anos. Traz depoimentos de Catulo da Paixão Cearense, Austregésilo de Athayde, Paschoal Carlos Magno e Sábado Magaldi, entre outros ilustres.  A 1a edição desta fotobiografia foi lançada em 2003, mas não chegou a ser comercializada. 

“Além de ser um documento histórico, o livro é um presente, é lindo fisicamente falando. Dá vontade de ter na mesa de centro da sala, para poder folhear sempre. São muitas histórias”, provoca Nilson Raman, da Raman Entretenimentos, que realiza o projeto. 

Ele, que assina a coordenação editorial, foi amigo, empresário, produtor e mestre de cerimônias dos shows de Bibi por quase três décadas. As entrevistas foram realizadas por Maria Alice Silvério, desde a primeira edição, ao longo de mais de 20 anos. 

São 289 páginas, foi impressa em papel couchê matte, e traz na capa e sobrecapa fotos de Wilian Aguiar, fotógrafo oficial de Bibi nos últimos 15 anos de sua carreira. Parte dos recursos vieram através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), sob o patrocínio da Universidade Estácio de Sá.  São  Atendendo à contrapartida social de acessibilidade, proposta pela lei de incentivo, 600 exemplares estão sendo distribuídos, de forma gratuita, para as bibliotecas públicas de várias cidades do País. A distribuição nacional esta a cargo da Editora Giostri, do jornalista Alex Giostri.

Serviço
Na internet, o endereço para visualização gratuita é: raman.pt/fotobiografia, onde você também consegue fazer a compra on line.

30.6.20

Pesquisa urgente de mapeamento do setor cultural

Importantíssimo, vou reforçar! Está no ar até dia 16 de julho, pesquisa nacional que visa o mapeamento das atividades na cadeia produtiva da cultura e da arte impactadas pela Covid-19.  Eu já preenchi o formulário! Tá aqui o link.

Sabemos que sem dados estatísticos não existe política pública profunda, abrangente, consistente, séria e eficaz, seja qual for a área focada. Aqui no Pará, por exemplo, desconhecemos até agora esses dados de forma organizada e mensurada na área da cultura. Por isso, espalhem, compartilhem esse link, cutuquem os pares. É preciso o envolvimento de gestores e de trabalhadores da cultura mobilizados em cada município desse país chamado Pará, ou ficaremos na superficialidade, mais uma vez.

A pesquisa busca confirmar e complementar cenários capturados por outras pesquisas, compreender em profundidade as realidades estaduais e municipais, e oferecer informações aos gestores públicos em tempo real, esta pesquisa pretende dimensionar os impactos de curto e médio prazo da pandemia de Covid-19 nos setores cultural e criativo do Brasil, orientando o debate e a criação de saídas para a crise atual. Concebida a partir do esforço conjunto de pesquisadores, consultores, gestores públicos, universidades e instituições culturais, o objetivo também é registrar a percepção de indivíduos e coletivos sobre os impactos da Covid-19 nas suas áreas de atuação.

Juntos, os setores cultural e criativo movimentam R$ 171,5 bilhões por ano, o equivalente a 2,61% de toda a riqueza nacional (FIRJAN/SENAI, 2019). O Sistema de Informações e Indicadores Culturais do IBGE registrou, em 2018, a existência de 5,2 milhões de pessoas ocupadas em atividades culturais e criativas no Brasil (SIIC/IBGE, 2019).  Atingidos pelo isolamento social, praticantes, empreendedores, artistas e trabalhadores desses setores veem-se agora diante de desafios variados, sabendo que, provavelmente, serão os últimos a retomar suas atividades presenciais.

A pesquisa seguirá o processo de coleta, organização, análise e elaboração de relatórios. Não sendo possível coletar dados a partir de uma amostra probabilística, esta é uma pesquisa descritiva. As informações levantadas serão exibidas somente de forma agregada, sem a divulgação de qualquer informação individual das(os) participantes.

(Holofote Virtual com informações do site da pesquisa: https://iccscovid19.paperform.co)

29.6.20

Lei Aldir Blanc é sancionada e vai liberar até 3 bi

O setor cultural, abalado em todas as estruturas pela Pandemia do Novo Coronavírus, teve hoje uma grande vitória. Após as votações favoráveis com aprovação na Câmara e no Senado, a Lei Aldir Blac, que garante auxilio emergencial a artistas, produtores e espações culturais, foi sancionada, nesta segunda-feira, 29, pelo presidente Jair Bolsonaro.

Já não estava fácil antes, mas com o isolamento social, artistas, produtores e espaços culturais, que dependem do público para prosseguir suas atividades, se viram à deriva e estão há três meses paralisados. Não é possível viver apenas de Lives, que embora tenham apontados novos caminhos de relação com a cultura, são insuficientes para fomentar um setor tão vasto e diverso. Por isso, é  urgente que este auxílio emergencial seja acessado, até mesmo para que não sucumbamos de uma forma que não possamos nem nos reerguer e prosseguir quando a pandemia passar. 

Devem ser liberados para os estados cerca de 3 bilhões de reais, oriundos, em sua maioria, do Fundo Nacional de Cultura (FNC).  A Lei previa que o Governo Federal teria 15 dias para liberar os recursos. Esse foi o único veto que o texto original sofreu e vai depender, agora, de uma Medida Provisória que regulamente a liberação e o repasse desses valores aos 5. 570 municípios brasileiros que irão receber cotas. O Pará vai receber cerca de 125 milhões de reais no Pará. Santarém, por exemplo, deve receber quase dois milhões.

Em uma Live, há pouco, pelo canal de Instagram da secretária de cultura do Pará, Úrsula Vidal (@ursulavidal), com participação do secretário de cultura do Espírito Santo, Fabrício Noronha, foram repassadas mais informações sobre esses trâmites e tudo o mais que a Lei vai abranger na área da cultura. De acordo com eles, quando o dinheiro chegar aos estados e municípios, haverá até dois meses para programar sua destinação. Então ainda vai levar um tempo, sendo mais do que necessário que os detalhes comecem a ser articulados. 

A lei prevê um auxílio de R$ 600, em três parcelas, para trabalhadores da arte e da cultura. Podem solicitar o recurso profissionais que comprovem atuação no setor nos últimos dois anos, com rendimentos de até R$ 28,5 mil em 2018. Do valor geral, 20% precisam ser destinados para custear editais, chamadas públicas, cursos, prêmios e aquisição de bens e serviços (uma prefeitura pode, por exemplo, comprar antecipadamente ingressos de uma instituição). 

O uso dos 80% restantes pode ser decidido por estados e prefeituras. Além da ajuda para pessoas físicas, a lei prevê auxílio para espaços artísticos e micro e pequenas empresas culturais que tiveram as suas atividades interrompidas, mas que vão precisar comprovar cadastro municipal, estadual, distrital ou de pontos de cultura.

A aprovação da Lei Aldir Blanc é fruto de um grande acordo entre parlamentares e teve como relatora a deputada Jandira Feghali. Envolveu o Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, Confederação Nacional de Municípios, Frente Nacional de Prefeitos, conselhos estaduais e municipais. E também contou com a articulação e ativismo de diversos segmentos artísticos e culturais. 

O ideal é que a secretaria de cultura do Pará, assim como os órgãos municipais que ficarão responsáveis pela política de repasse desses recursos mantenham os interessados informados, por meio de suas plataformas digitais, a fim de que possamos todos contribuir e garantir que estes recursos cheguem ao seu destino, com urgência e transparência.

Liége lança single e clipe antecipando novo álbum

Fotos: Vitória Leona
Liège lança primeira "Lava", faixa do álbum “Ecdise”, o primeiro disco da carreira da cantautora paraense, que chega produzido pelo produtor paulista, DJ Duh, com recursos captados pelo edital Natura Musical via Lei Semear. O single, que vem acompanhado de clipe, com criação de Amanda Gil e Tamires Nobre, estará nas plataformas de streaming nesta sexta, 03 de julho. 

Adaptado à realidade imposta pela pandemia, o disco terá lançamento digital a partir de julho com apresentações das faixas por etapas. “Como não sabemos quando poderemos fazer o show de lançamento, vamos lançando as faixas aos poucos. Os singles serão trabalhados com clipes e o público poderá participar de todo esse processo. Vamos descobrindo o disco juntos, aos poucos, em um momento novo para todos nós”, conta.

“Lava fala de amor em tempos pandêmicos e é também uma forma de revolução”, reflete Liège. “Essa canção revela uma das facetas do disco, trazendo a energia de novas composições, mais dançantes e ritmadas, pops”, completa. A novidade chega próximo ao seu  aniversário, representando para ela o início de uma nova fase da carreira, “uma nova pele que foi sendo trocada durante a construção do disco”, explica Liège.

A participação de Daniel Yorubá, de acordo com a artista, foi uma conexão feita pelo DJ Duh, produtor do disco. Cantor e compositor, nascido e criado na periferia de São Paulo, Daniel mistura MPB, ritmos africanos, reggae, hip hop e pop.  “Daniel trouxe seu axé, sua cadência e timbre que encaixaram perfeitamente pro clima da música, pro que ela pedia. Ele captou imediatamente quem era a mulher, a parceira dele na música e compôs o verso dele lindamente. Fechamos juntos a imagem dessa mulher potente no amor e na vida”, comenta a artista.

“Ecdise”, que dá nome ao álbum que vem por aí,  denomina cientificamente o processo de mudança de pele, carcaça ou parte do corpo de animais, em período de mudança profundo, por vezes, doloroso. No caso das cobras, elas trocam toda a pele para crescer, recomeçando um novo ciclo. Foi esse nome que a cantora e compositora Liège decidiu dar ao primeiro disco, um trabalho que desnuda a artista, que passou por um processo profundo de autoconhecimento e resgate de sua ancestralidade que vem da Amazônia brasileira. 

Ancestralidade e musicalidade desafiam produtor

O trabalho reafirma a voz potente, a ancestralidade e a emancipação pessoal da cantora, embalada por uma sonoridade pop que é atravessada por elementos da MPB, do R&B, ritmos afro amazônicos e da World Music. 

“Pesquisamos diversas referências: africanas, brasileiras, e tudo isso dentro da minha regionalidade, preservando meu sotaque e minhas questões amazônicas. Trouxemos esses atravessamentos todos para uma zona contemporânea, incluindo um pouco de r&b, pop, buscando a world music. Acho que isso ficou muito legal no álbum”, explica.

Essa conexão e redescoberta foi feita com o auxílio do experiente Dj Duh (Emicida, Arnaldo Antunes e Tulipa Ruiz), produtor musical paulista que encontrou Liège e se sentiu desafiado a conhecer a artista brasileira da Amazônia que traz em seu trabalho a ancestralidade nortista e uma musicalidade universal.

“Conheci a Liège através de uma caixinha de sugestões que coloquei no Instagram, onde uma amiga em comum indicou o nome dela como possível nome que eu pudesse produzir em 2019. Gostei do desafio de produzir uma artista do Norte do Brasil, acredito que o eixo SP/RJ tem um círculo vicioso e a linguagem do Norte/Nordeste são o futuro, na verdade o presente, da música pop brasileira e o maior desafio, além da distância, foi de fazer com que a obra soasse pop, brasileira e não prejudicasse a regionalidade dela”, relembra Duh.

Natural de Belém do Pará, no coração da Amazônia, Liège atualmente vive em São Paulo (SP), no entanto foi em Campinas (SP) que ela encontrou seu refúgio criativo nos últimos meses, mais especificamente no Groove Arts Studio, estúdio do produtor. “O trabalho de militância que a Liège faz me atrai! Fazer música mantendo seu posicionamento frente a várias lutas sempre fizeram parte do meu trabalho e isso me fez olhar e escolher realmente trabalhar com ela”, revela Duh.

O álbum vem com dez faixas e tem direção vocal de Marisa Brito nas músicas “Deixa Ir” e “Legado” e Thiago Jamelão nas demais faixas. O disco traz como convidades especiais o duo pop 2DE1, a rapper paraense Bruna BG, o paulistano Daniel Yorubá e o próprio Thiago Jamelão – que também atuou como diretor vocal.

“Toda vez que eu entro no estúdio, fico muito ansioso e cheio de expectativa e o encontro com a Liège foi muito tranquilo, foi um trabalho de muita troca e aprendizado. Criamos melodia, compomos, foi uma troca muito grande. Além de tudo, é uma excelente cantora, com uma voz linda bastante expressiva”, avalia Jamelão, diretor vocal do disco.

Acreditando na importância da arte no processo de reflexão e construção de uma sociedade mais justa, a artista segue com o lançamento do trabalho, que precisou ser ajustado à nova realidade. 

“Quando tudo aconteceu, já estávamos com o planejamento do disco fechado e a cabeça deu nó. Mas arte pra mim sempre foi uma questão de sobrevivência, é meu propósito, então nós resolvemos ajustar a divulgação e seguir com o lançamento, já que música é minha arma de luta e tem a missão de levar reflexão, alento e desconstrução pro público, é a minha forma de contribuir no enfrentamento a este momento  tão complicado”, pontua Liège.

“Ecdise” foi selecionado por Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Pará (Semear), ao lado de Lucas Estrela, Chico Malta e Thais Badú, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 59 projetos até 2019, como Manoel Cordeiro, Dona Onete, Pinduca, Felipe Cordeiro e Luê. “O futuro que queremos construir é coletivo. Ele passa por momentos de tensão, mas, com a música, somos capazes de chegar a um lugar comum, respeitando a diversidade. Os artistas, bandas e projetos de fomento à cena selecionados por Natura Musical trazem a mensagem de que o futuro pode ser mais bonito com a música e com envolvimento de cada um de nós”, afirma Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

21.6.20

Holofote Virtual coloca no ar o primeiro podcast

O projeto era antigo, mas foi a pandemia e o isolamento social que deram o empurrão para ele sair da gaveta. Gravado de forma caseira, em fase de criação e experimentação, o primeiro podcast do blog está no ar.  Para esta estreia, convidei o ator, professor e arte educador, José Arnaud, criador do canal Na Rede com Claustro

Navegando pelas redes sociais, me deparei com o canal "Na Rede com Claustro", há dez meses no ar, e que acaba de lançar a série “Reflexionando com Claustro por um mundo melhor”. O segundo episódio ele traz como tema a “Resiliência”. Nesse papo a gente conversa sobre a concepção do programa, a criação de um clown e ainda sobre a sociedade pós pandemia, mudanças no planeta, arte e revolução digital. 

Arnaud é Mestre em Artes e atua com arte educação, com experiência em produção teatral e audiovisual. Ele também é coordenador artístico da ONG Rádio Margarida, que desenvolve projetos voltados à defesa dos direitos da criança e do adolescente. E que acabou de lançar também um podcast, com 6 programas de áudio infantis que ensinam e divertem as crianças. 

O Podcast do Holofote Virtual entra no ar em fase experimental, ciente de ajustes necessários, mas não queríamos mais esperar. Por isso, eu e Carlos Canhão Brito resolvemos encarar e dar o ponta pé inicial! A ideia é publicar um novo programa em cada quinze dias, trazendo apresentação minha (Luciana Medeiros). Agradeço ao Arnaud e já planejo o próximo programa, que será em julho. Vamos divulgando as novidades nas redes sociais @holofote_virtual, no Instagram, onde compartilho estes e mais conteúdos. Espero que vocês curtam!

Procast Holofote Virtual 
Apresentação: Luciana Medeiros
Produção: Luciana Medeiros e Carlos Canhão Brito
Edição de áudio: Carlos Canhão Brito

Links



20.6.20

Pavulagem em formato virtual nesta quadra junina

Lives, cortejos virtuais, podcasts e solidariedade
Adversidades só fortaleceram o Arraial do Pavulagem, nestas mais de três décadas de trajetória, realizando uma das manifestações de rua mais intensas da nossa quadra junina. Este ano, porém, o cenário pediu pra #ficaremcasa e, inovando, mais uma vez, o grupo lança neste sábado, 20, o “Arrastão do Pavulagem, Arraial do Futuro”. 

O projeto trouxe para este momento, o encontro “Oralidades”, projeto desenvolvido pelo Arraidl desde 2012, e que será apresentado neste sábado, 20, às 16h, pelo canal do Arraial do Pavulagem, no YouTube. Pesquisadores, artistas, mestres e outros fazedores de cultura foram convidados para debater com o público diversos temas relacionados à cultura popular na Amazônia. Você pode assistirA mediação é do Doutor em Sociologia e Antropologia, Edgar Chagas Júnior; além de estar aberto para receber perguntas do público através da rede social.

Já os tradicionais cortejos juninos do Arraial do Pavulagem que ocorrem nos domingos do mês de junho, serão realizados de forma virtual, até ainda em julho, dias 5 e 12, sempre às 10h, também pelo Youtube. Neste domingo, 21, te liga que a banda vai apresentar algumas de suas músicas mais populares, recebendo Patrícia Bastos e Allan Carvalho. A cada domingo, haverá outros convidados.

E atenção para quem já é brincante e quer participar mais ativamente dos cortejos. Os integrantes do Batalhão da Estrela estão realizando ensaios virtuais. As inscrições estão através de links disponibilizados nas redes sociais do Pavulagem, mas apenas quem já participou de oficinas de Dança, Percussão ou Artes Circenses nos anos anteriores pode se inscrever. Para a percussão também é necessário ter o instrumento.

O projeto é realizado com o patrocínio da Equatorial Energia Pará, por meio da Lei de Incentivo à Cultura - Semear, da Fundação Cultural do Estado do Pará, e apoio cultural da Funtelpa. Para o presidente da Equatorial Energia Pará, Marcos Almeida, o patrocínio da empresa no Arraial vem em um momento de reinvenção. 

“É de extrema importância investir também em cultura nesse cenário em que as pessoas têm que resguardar a saúde, ficando em casa se puderem. E sabemos que o Arraial do Pavulagem é uma das manifestações culturais de maior sucesso no país, por isso não poderíamos deixar de incentivar que o movimento se reinventasse para fazer a alegria dos paraenses mesmo nesse período de distanciamento social”, avalia Marcos. 

Temáticas variadas e campanhas solidárias

Além da diversidade, a cada tema, a live traz um repertório musical, convidados e participações especiais diferentes. A primeira live (21/06), vai falar da brincadeira do boi na Amazônia, no Brasil, e a do Boi Pavulagem. E haverá a “Levantação do Mastro”. Na segunda (28/06), a campanha “Marajó Vivo” discute o encontro do arquipélago com outras cidades paraenses, e a síntese dessas culturas amazônicas, uma característica do Pavulagem.

A terceira live (05/07) traz a campanha “Viva Mestres”, mostrando como os mestres influenciaram e ainda influenciam a construção do Pavulagem, sendo importante a nossa solidariedade com eles nesse momento de pandemia. A última live (12/07) será sobre o “Brincante do Futuro”, abordando as novas gerações que são formadas dentro do Pavulagem. Encerrando, ainda, com a “Derrubada do Mastro”, que é o fechamento da quadra junina e a renovação do ciclo da cultura popular.

Apoie também - A programação também será destinada a promover duas campanhas solidárias. A primeira destina-se a arrecadar fundos de apoio aos mestres de cultura popular, que ao longo das últimas décadas foram parceiros do Arraial do Pavulagem e atualmente encontram-se com dificuldade financeira. Para tanto, será aberta a Vakinha “Viva Mestres”, cujo QR-Code será disponibilizado durante as lives de domingo.

Por fim, o projeto apoia a divulgação da Campanha “Marajó Vivo”, numa parceria entre o Museu Goeldi, o Museu do Marajó, a Prelazia do Marajó, a Diocese de Ponta de Pedras, a Irmandade do Glorioso São Sebastião, a Fundação pela Inclusão do Marajó, o Observatório de Direitos Humanos e Justiça Social do Marajó, vinculado à Universidade Federal do Pará (UFPA), e o Instituto Iacitata Amazônia Viva. Trata-se de uma rede de solidariedade para ajudar os mais vulneráveis no combate ao coronavírus. Quem quiser ajudar, pode entrar em contato com os coordenadores da campanha pelos números: (91) 99989-6061, 98821-6263 e 99192-7741.

Dica: Quem ainda não viu, indicamos assistir ao documentário "Boi Pavbulagem, Boi do Mundo", na MostraÉgua do Filme, no site do Amazonia Doc. Fica disponível até dia 30 de junho.

#ArraialDoFuturo  #LiveArrastao2020  #VivaMestres  #MarajoVivo  #ArraialSolidario 
#PavulagemEmCasa #ArraialDoPavulagemOficial

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

18.6.20

Websérie Pretas divulga chamada emergencial

Veja a chamada aqui!
O projeto surge há 4 anos, de forma colaborativa, já lançou 9 episódios premiados e agora vai abordar as vivências da mulher negra no contexto da pandemia. A nova temporada contará com participação da ativista Zélia Amador de Deus e novas atrizes. As inscrições para a seleção vão de 19 de junho a 1o de julho.

Zélia é Coordenadora Geral e vai estrelar a produção em sua primeira obra audiovisual como atriz. A nova edição será coordenada por ela,  que é professora emérita da Universidade Federal do Pará, por meio da aprovação do Edital Prêmio Proex de Arte e Cultura/2019. Ela fala da importância de abordar essa temática na atualidade "É um espaço necessário, para que a sociedade volte seus olhos para a mulher negra, que está na base da pirâmide, ela que é o segmento mais esmagado da sociedade, e quando essa mulher se ergue, ela é capaz de mexer com toda pirâmide", diz.

A produção da obra será realizada pela Negritar Filmes e Produções da jovem cineasta Joyce Cursino (@joycecursino), que participou como atriz e roteirista da primeira temporada realizada pela Invisível Filmes, com direção de Lucas Moraga. Ela agora é quem assume a direção geral da obra que intitula de Edição Emergencial.

"Estamos vivendo uma das maiores crises de saúde mundial e mais uma vez há uma tentativa de apagamento das nossas denúncias, das nossas histórias e do nosso protagonismo enquanto mulheres negras da Amazônia. Essa série é sobre isso", diz a cineasta. Ela afirma que o cinema é um espaço de poder e conhecimento que precisa ser pensado e construído por pessoas negras e por isso escalou uma equipe 100% de mulheres negras.

A websérie contará com 5 episódios e será gravada de forma inovadora e virtual, atendendo os protocolos de segurança da OMS. Para participar, basta se inscrever no formulário, ter no mínimo 18 anos, se identificar como mulher negra, não precisa ter experiência em frente às câmeras, a seleção vai ocorrer por vídeo chamada com a diretora de elenco, de no máximo 3 minutos com uma cena pré-determinada.

Nestes novos episódios, Zélia vai atuar como atriz e será ela quem vai conversa com as mulheres negras, contando sua história, por vídeo chamada. "São mulheres negras, ouvindo mulheres negras, falando sobre mulheres negras, pra um público de mulheres negras. É tipo tudo em casa. ...é tipo um espaço de respiro", diz a Design, Gabriela Monteiro.

Trabalho audiovisual premiado e de resistência 

Zélia e Joyce, em foto de Victor Peixe
As narrativas criadas pelo machismo e racismo ao longo da história universal foram dispositivos disparadores para a construção da websérie Pretas, produção já super premiada. A direção da primeira temporada foi assinada por Lucas Moraga, com roteiros de Joyce Cursino e Priscilla Silva.

Os episódios trouxeram vivências de mulheres negras, discutindo sexualidade, solidão e intolerância religiosa, que trouxeram à tona questões invisibilizadas em nossa sociedade pretensamente branca. Em 2016, o episódio piloto venceu o Festival Osga de Vídeos Universitários, organizado pela Universidade da Amazônia, nas categorias Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Produção, Melhor Figurino e Melhor Edição.

Em 2017, venceu o Festival da Freguesia do Ó, em São Paulo, na categoria Melhor Episódio Piloto. E também foi selecionada para o 39º Festival du Court métrage de Clermont-Ferrand, na França, um dos maiores festivais de cinema do mundo. Em 2018, a produção foi premiada como a Melhor Série de Diversidade no Rio Web Fest 2018, importante festival internacional de webséries.

Lucas Moraga, idealizador da Websérie, decidiu seguir outros caminhos, e Joyce Cursino, já mais  engajada com o cinema, decidiu continuar com o projeto e reformulou a equipe, pela Negritar, a mais nova produtora paraense que chega para fortalecer os diversos trabalhos de artistas negros e amazônidas. A produtora nasceu em novembro de 2019 e já realizou o Telas em Movimento - 1º Festival de Cinema das Periferia.

Inscrições 

A seguir deixo todos os links para você saber mais e, a quem interessar, fazer a inscrição. Fiquem ligadas, meninas, porque estas ficarão abertas a partir desta sexta-feira,  19 de junho, fazendo alusão ao Dia do Cinema Brasileiro, e encerrando no dia 1º de julho.

Para quem ainda não conhece, a websérie, indico que assistam a primeira temporada, disponibilizada  no Youtube, em domínio público.

https://www.youtube.com/channel/UCIA69bSnCTIMxOXAkj_3L9g

Confira a chamada:

https://youtu.be/rirTQWOjbr4

Formulário de inscrição: 

https://bityli.com/13PMY

Código QR Formulário:



16.6.20

Funarte abre inscrições para o Prêmio RespirArte

As obras inscritas devem ser inéditas,  registradas em vídeo, nas áreas das Artes Visuais, Dança, Teatro, Circo, Música e Artes Integradas. Podem se inscrever pessoas físicas ou jurídicas. As inscrições são gratuitas e estarão abertas por 45 (quarenta e cinco) dias, contados a partir desta quarta-feira, 17 de junho. O preenchimento do formulário é feito online e deve ser feito por meio de link disponível no site da Funarte.

Cada categoria recebe 270 prêmios, com exceção de Artes Integradas, para a qual há  250. Ao todo serão selecionados 1.600 trabalhos artísticos. O prêmio individual é de R$ 2.500,00, dos quais serão deduzidos os impostos. O recurso é de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais). Os vídeos devem estar finalizados para difusão em plataformas digitais de hospedagem aberta.

Em Artes Visuais, estão aptas a concorrer as produções artísticas em Artes Visuais, registradas em vídeo, nas diferentes práticas contemporâneas como: performance, vídeo de artistas, videomapping, arte sonora, entre outras, bem como nas demais práticas convencionais e suas interfaces para veiculação em plataformas digitais, como pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia.

Em Dança, o edital aceita todas produções registradas em vídeo, em seus diversos segmentos. Para Teatro, serão aceitos registros de contação de histórias, teatro de bonecos, teatro de fantoches, teatro de sombras, monólogos, leituras dramáticas, drama, humor, entre outras, para veiculação em plataformas digitais. E em Circo, as suas diversas modalidades circenses, para veiculação em plataformas digitais. Na categoria música, o edital abraça performances musicais de artistas ou grupos, sem restrição quanto a estilo ou gênero musical, para veiculação em plataformas digitais. Em Artes Integradas, compreende-se registros audiovisuais que misturem as linguagens de artes visuais, circo, dança, teatro e música. 

Cada proponente pode inscrever apenas um projeto. E há vedações a proponentes que possuam vínculo com os poderes executivo, legislativo ou judiciário, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas da União. Também é vedada, como de praxe, a inscrição de servidores, terceirizados ou quaisquer outros profissionais que tenham vínculo de trabalho com a Funarte, com o Ministério do Turismo ou suas vinculadas.

Atenção aos formatos e detalhes na inscrição

Para se inscrever, prepare um currículo que se comprove sua atuação na linguagem artística na qual se inscreveu. Atentos: o vídeo deverá ser disponibilizado na forma de arquivo online, por meio de link com compartilhamento aberto, inserido no respectivo campo do formulário de inscrição. A Funarte sugere a utilização de plataformas de armazenamento de arquivos online ou armazenamento em nuvem, como 4Shared, Google Drive, Dropbox, OneDrive ou outro serviço de preferência do proponente. O link enviado deverá ser mantido ativo e em compartilhamento aberto até o fim do processo de seleção, sob pena de desclassificação do proponente. Caso seja selecionado, deverá permanecer assim por um ano.

Mais atenção aqui: o vídeo deverá conter apresentação no formato HD -1920 x 1080, resolução mínima de 720p, formato Wide, e se filmado com o celular, a imagem no sentido horizontal. A duração dos vídeos, incluindo os créditos obrigatórios, deverá atender a seguinte minutagem: de 01 a 30 minutos para as produções de Artes Visuais, Circo, Música e Artes Integradas; e de 05 a 30 minutos para as produções de Dança e Teatro. 

Acesse o edital, leia com muito cuidado, fiquem atentos aos detalhes e boa sorte!.