25.7.16

Aula de Estudos Culturais na Casa das 11 Janelas

Nesta terça, 26, o Movimento de Ocupação Casa das Onze Janelas recebe a Profa. Dra. Maria Manuel Baptista, Coordenadora do Doutorado em Estudos Culturais da Universidade de Aveiro – Portugal. Das 18h às 20h, ela ministrará aula pública de introdução em Estudos Culturais. 

A VIII Programação da Ocupação Movimento Casa das 11 Janelas pela derrubada do Decreto N. 1568, ganha participação da professora portuguesa Maria Manuel Bapstista, que realizará aula pública nesta terça-feira, 26, das 18h às 20h, trazendo como tema os Estudos Culturais.

Licenciada em Filosofia, pela Universidade do Porto (1986), ela também é Doutorada em Cultura, pela Universidade de Aveiro, com a dissertação “A Paixão de Compreender: A Filosofia da Cultura em Eduardo Lourenço” e Mestre em Psicologia da Educação, pela Universidade de Coimbra, com a dissertação “Estereótipos de Adultos Moçambicanos Face à Aprendizagem”. 

Possui como áreas de investigação os Estudos Culturais, Filosofia e Cultura, em Portugal e nos PALOP’s, Educação, Psicologia Social e Cultural, História, Sociologia da Cultura. Docente da área de Estudos Culturais no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, ela é Membro do Centro de Investigação de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro.

Alimente-se de arte e cidadania

Enquanto os governantes insistem em fechar um espaço de arte em Belém e investem em espetáculos de verão que sujam praias e ferem também o patrimônio ambiental da Amazônia, os artistas do Movimento Casa das Onze Janelas realizam a melhor programação deste mês de julho, em Belém. 

A programação desta terça-feira, 26, começa às cinco da manhã e segue até 20h, iniciando com a “Feira do Urubu! ou Banho do Desapego! ou ainda Chá das 5!”, uma feira de trocas, o que não precisas, desapegas - trocas na Feira do Urubu!

Ainda pela manhã (10h), o músico Renato Torres fará apresentação e em seguida, das 10h às 12h. Das 10h às 13h tem bate papo Criados-Mudos, nascidos na ditadura, com o artista Arthur Leandro. Das 11h às 16h, tem Oficina Experimentos Tridimensionais – Casa, Casinha e Casarões do Centro Histórico de Belém (Módulo I, instrutor André Freitas) e ainda Desenho de Observação - Ver, olhar, Desenhar.

Das 12h às 13h tem Performances e Interferências Artísticas. Pela parte da tarde, das 16h às 18h, haverá sessão de Relatos de Experiências, como o artista visual Ricardo Macêdo e também será realizada a oficina de Gravura na Cuia: porque arte também é alimento, com Erica Almeida. Segue o Foto Varal Fotoativa, de estudantes de arte e de artistas plásticos. O dia encerra com a aula pública de Maria Manuel Baptista, das 18h às 20h.

Museu Fica – É tudo que se quer. O museu foi extinto pelo Governador Simão Jatene, sem consulta pública, via decreto, assinado em junho, para que o espaço se torne um centro gastronômico. 

A informação sobre extinguir o museu para tornar o espaço um centro de gastronomia, era desconhecida da população em geral, até que artistas fizeram uma denúncia na imprensa e realizaram um ato em frente ao espaço, situado no complexo Feliz Lusitânia, no dia 12 de junho.

Após a publicação do decreto, em Diário Oficial do Estado, os artistas iniciaram um movimento que já deu muito o que falar, inclusive na imprensa nacional, com matérias em jornais, revista e sites. A mais recente foi a do Portal Aprendiz, no UOL. Durante o mês de julho inúmeras programações de ocupação vem sendo realizada pelos artistas.

“Para nós, o mais importante é o direito legítimo humano a cultura, garantido pela carta universal de direitos humanos e pela constituição brasileira. Quando aprecem pessoas sensíveis, humanas como a professora Dra. Maria Baptista, faço o convite de maneira espontânea, sem compromisso com holofotes, contudo com a luta - Contra o genocídio, contra a morte de nossas raízes e humanos Negros e Índios no Brasil. Daí ocuparmos o Museu Contemporâneo Casa das Onze Janelas é prevenção da violência, pois fechar Museu é abrir mais presídios. Precisamos defender nossas crianças dos tráficos, de órgãos, de drogas, pedofilia e corrupções. Somos humanos e nos alimentamos não apenas de comidas”, diz Lúcia Gomes, uma das artistas do movimento.

De acordo com os artistas do movimento, o retorno da população em geral, da comunidade, intelectuais, turistas e estudantes, tem sido positivo e de adesão ao movimento, mas não houve nenhum sinal por parte do Governador em querer suspender o decreto.

Cineamazônia chega na fronteira Brasil e Bolívia

Texto: Ismael Machado - Fotos: Zeca Ribeiro
Na estrada e nos rios desde o dia 13 de julho, a segunda etapa do Cineamazônia Itinerante 2016 já chegou à praticamente metade do percurso envolvendo principalmente os rios Mamoré e Guaporé, com cinema, circo e oficinas para comunidades ribeirinhas, quilombolas e pequenos distritos entre Brasil e Bolívia.

A primeira parada foi inédita. A Reserva Extrativista Rio Ouro Preto recebeu o Cineamazônia pela primeira vez. Depois foi a vez do distrito de Iata, pertencente ao município de Guajará-Mirim. Em Iata, os palhaços Chiquita e Cotonete tiveram uma das melhores participações do público até então.

Depois foi a vez da dobradinha Guajará Mirim e Guayaramerin, a autêntica fronteira Brasil e Bolívia. Só depois desses dois locais é que a itinerância tomou o rio Mamoré como destino. A primeira parada foi San Lorenzo.

San Lorenzo é uma pequena comunidade boliviana às margens do rio Mamoré. Povoado simples, com uma igreja, uma escola, um posto de saúde e uma pracinha de frente ao rio onde botos exibem-se aos olhos curiosos de quem não está acostumado a eles diariamente.

A tela do cinema ao ar livre do Cineamazônia foi montada em frente ao rio. A lua cheia era um presente a mais. Quase 100 pessoas assistiram à exibição, aberta com o resultado da animação na técnica Pixilation feita com crianças da comunidade, dentro do projeto ‘Animando a Amazônia’.

Roteirizado e dirigido por Christian Ritse, com assistência de direção de Lui Machado e assistência de produção de Ian Gabriel, o filme ‘El Paño Mágico’ contou uma pequena história de um pano misterioso que ‘engolia’ as crianças do vilarejo por obra de um mágico. Ao final o feitiço se volta contra o feiticeiro.

Assim como o filme em Pixilation outro projeto que também faz parte do Cineamazônia Itinerante é o ‘Museus Vivos’. Em San Lorenzo, a personagem escolhida foi Marta Pereira, uma mulher que perdeu os pais ainda criança, assim como logo depois a avó. Criada praticamente sozinha e trabalhando em ‘casas de família’, conseguiu criar todos os filhos com dignidade. Hoje é uma mulher que luta para trazer melhorias a San Lorenzo.

A fotógrafa Bete Bullara também falou sobre o resultado da oficina matutina de fotografia artesanal com quatro crianças da comunidade de San Lorenzo que conheceram as técnicas básicas dos primórdios da fotografia.

Entre os filmes, o público teve a atenção despertada com o curta ‘Dos tomates e dos destinos’, uma produção com a assinatura da Organização Não-Governamental ‘Veterinarios Sin Fronteiras’, que discute a questão alimentar, com o risco de agrotóxicos e outros elementos que contaminam frutas e verduras levadas à mesa. 

A noite foi encerrada com a apresentação versão ‘portunhol’ dos palhaços Chiquita e Cotonete, da Trupe Koskowisck. Em Surpresa, a parada seguinte,  o cinema e o circo tiveram o maior público até agora. Cerca de 300 pessoas, pelo menos, se aglomeraram no campo de futebol do distrito para acompanhar as atrações.

Além dos moradores de Surpresa, houve a presença de índios da aldeia Sagarana, que chegaram em rabetas. Não houve cadeiras para todos, com o público precisando se acomodar nas arquibancadas de madeira do campo.

Entre os índios 13 crianças participaram da oficina de fotografia artesanal ministrada pela fotógrafa Bete Bullara, utilizando a técnica do ‘Pinhole’, ou ‘buraco da agulha’, que remete aos primórdios da fotografia.

Na apresentação, a coordenadora Fernanda Kopanakis informou que há a pretensão de levar a itinerância para as terras indígenas. A aldeia Sagarana fica distante cerca de 30 minutos de barco de Surpresa e é formada por sete etnias. Já está acostumada com o audiovisual. Foi na aldeia que o curta-metragem ‘O Homem que matou Deus’, já exibido e premiado no Cineamazônia, foi filmado.

Na sessão em Surpresa foi inserido o filme ‘The Change’, anteriormente só exibido nas apresentações em terras bolivianas. O filme, uma animação em desenho, mostra de forma divertida a ameaça que o desenvolvimentismo das grandes metrópoles pode ocasionar a pequenas comunidades rurais e florestais.

De Surpresa a itinerância foi até o Forte Príncipe da Beira, uma das edificações mais imponentes e intrigantes que o período colonial legou ao Brasil. Situado às margens do Rio Guaporé é repleto de histórias e lendas. Uma história não contada é a da própria construção do forte. A oficial diz que 200 trabalhadores erigiram a muralha de pedra. A não oficial revela que pelo menos mil escravos e 5 mil índios escravizados foram utilizados durante os sete anos que o forte levou para ficar pronto.

Durante a lua cheia da noite de 21 de julho, o Forte Príncipe da Beira recebeu a caravana cultural do Cineamazônia Itinerante. Como sempre, noite especial. Guarnecida por uma brigada de fronteira do Exército, as muralhas do forte foram o palco de oito filmes em curta-metragem e de uma apresentação marcante da Trupe Koskowisck. 

Os palhaços Cotonete e Chiquita tiveram de se desdobrar para conter o entusiasmo das crianças do local, que interagiam a todo momento. O local também recebeu as oficinas de fotografia artesanal ministrada por Bete Bullara e o filme em curta metragem de animação na técnica Pixilation, de Christian Ritse.

Durante a tarde, a equipe do Amazon Sat conheceu uma das histórias intrigantes do Forte. Guiados pelo presidente da Associação Quilombola de Forte Príncipe da Beira, Elvis Pessoa, a equipe foi até um labirinto de pedras situado no meio da mata. Local que é cercado por lendas. Do labirinto, Elvis Pessoa já encontrou diversos artefatos, inclusive peças que remetem a colonizações incas.

O distrito de Buena Vista, na Bolívia, marcou a estréia de dois novos quadros dos palhaços, para melhor adaptação ao idioma espanhol. A exibição em frente a uma pequena praia de areia foi marcada pela forte participação das crianças.  

No sábado, 23, foi a vez do município de Costa Marques, em Rondônia receber o Cineamazônia. Cineamazonia, 14a EDIÇÃO, tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Lei Rouanet. Apoio Cultural da Prefeitura de Porto Velho, através da SEMA.

14.7.16

Fotoativa com inscrições para oficina de fotografia

A retomada do Calendário de Formação e Experimentação do segundo semestre inicia com novidades. A primeira delas, Diários em azul, é um laboratório experimental em cianotipia, com a artista visual Débora Flor. Acontece nos dias 18, 20 e 21 de agosto, com objetivo de estimular a produção de pequenos livros artesanais utilizando a referida técnica de impressão.

Criado durante o século XIX pelo cientista inglês John Herschel, o cianótipo é um processo fotográfico químico e fotossensível. A referência para esta oficina é o livro Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions criado pela botânica inglêsa Anna Atkins a partir da técnica da cianotipia.

A artista foi uma das artistas selecionadas no projeto Fotoativa em Residência - dois de cá, dois de lá em 2015. No último ano vem desenvolvendo pesquisa com a técnica no âmbito do Laboratório de Projetos, grupo de pesquisa interno da Fotoativa. É fotógrafa da Agência Cartier Fotografia e desde 2014 ministra cursos e oficinas em espaços culturais e educativos da cidade.

"A partir das experimentações desenvolvidas sobre o livro enquanto uma extensão do espaço-tempo e a cianotipia enquanto método de impressão feita em um curto período de tempo, proponho abordar a relação entre o livro e a cianotipia como possibilidade para criação de pequenos diários afetivos", diz Débora Flor.

Ao longo do laboratório os participantes devem elaborar um pequeno projeto de livro a ser desenvolvido. Como resultado final, espera-se que os participantes produzam pequenos diários-livros em cianotipia, que podem transitar entre fotografia, escrita, desenhos e traços.

Para o desenvolvimento das 19 horas planejadas, Diários em azul estrutura-se em três etapas. A primeira divide-se em introdução histórica, fórmulas, preparo dos químicos e preparação de negativos digitais; a segunda etapa será para experimentação e impressão das imagens em material fotossensível, a partir dos projetos individuais de cada participante. E para finalizar a feitura, refinamento e scanneamento dos diários.

Serviço
Diários em azul: laboratório em cianotipia com Débora Flor. Dia 18 de agosto, quinta-feira, de 19h às 22h e, nos dias 20 e 21 de agosto, sábado e domingo, de 09h as 13h e 14 as 18h. O valor do investimento é R$ 145,00 à vista ou R$ 165,00, em até 3 vezes (sem materiais de consumo). No Casarão Fotoativa - Praça das Mercês, 19 - Centro Histórico de Belém.

12.7.16

Clarice Lispector inspira a dança contemporânea

Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014 – Circulação, “Não me toque estou cheia de lágrimas - Sensações de Clarice Lispector” estará em cartaz dias 13 e 14 de julho, na Escola de Teatro e Dança da UFPa (Sala 05), às 19h. Nesta terça-feira, 12, às 17h, haverá oficina sobre processo criativo em dança. A apresentação, dia 14, conta com a audiodescrição de Marcia Caspary, profissional experiente no cenário nacional. 

A singularidade de sua prosa livros, além dos movimentos que ela executou na vida desde o nascimento até a morte provoca a concepção desta obra solo que enfatiza a perturbação e inquietação desta mulher paradoxal, sombria e corajosa.

Sua intimidade com as palavras refletiu a necessidade de se expressar em uma moldura gestual, ora sofisticada ora impregnada de mágoas e reflexões sobre a vida. “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar”, coisas de Clarice Lispector. 

A concepção desse espetáculo tornou-se uma aventura perigosa e desafiadora para a criação desta obra coreográfica de dança contemporânea. A cada informação obtida através de diversas biografias da escritora fazia com que o investimento na pesquisa se desdobrasse em mais dedicação e trabalho. Com a direção e coreografia de Maria Waleska Van Helden e a disciplina talentosa da bailarina Fabiane Severo, esta obra foi concluída sob o signo da beleza e sensibilidade de Clarice.

"Tocar nas sensações de Clarice Lispector contaminou todo o elenco. Neste espetáculo, a vida desta instigante mulher, se transforma em movimento e chega ao público com revelações plurais, mesmo ela sendo singular, e que, dentro de si carregava uma imensidão de gestos, deslocamentos e movimentos”, fala Maria Waleska Van Helden, coreógrafa.

Oficina explora a pesquisa corporal

A oficina de processo criativo em dança tem trinta vagas para alunos, professores, gestores em dança e/ou teatro, a partir dos 16 anos Inscrições: gratuitas. Em duas horas cada participante deverá levar um par de sapatos de sua preferência para ser usado como elemento cênico a fim de elaborar com a turma uma performance.

A oficina contribuindo para a formação de artistas, gestores, produtores e demais interessados, desenvolvendo competências criativas em dança contemporânea. A partir de pesquisa corporal entre os alunos, a ministrante provocará a descoberta funcional das articulações para a dança.

A GEDA Cia de Dança Contemporânea Companhia de dança contemporânea foi fundada em 1980, com atuação marcada no interior do estado Rio Grande do Sul / Brasil, na região da Fronteira Oeste, divulgando o gênero de dança contemporânea. A partir de 2002 este grupo dirigido por Maria Waleska Van Helden estabeleceu-se em Porto Alegre desenvolvendo um trabalho de dança contemporânea e dança teatro ou teatro coreográfico.

“Não me Toque, Estou Cheia De Lágrimas – Sensações de Clarice Lispector, é um espetáculo da Geda – Companhia de Dança Contemporânea, com realização do Ministério da Cultura – Governo Federal e Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, com apoio Fecomércio RS – SESC, Secretaria de Estado de Cultura Governo do Amazonas, Biblioteca Floresta, Intercity Hotéis e Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará – UFPa. 

Ficha Técnica
  • GEDA Cia de Dança Contemporânea 
  • Concepção e direção coreográfica: Maria Waleska Van Helden 
  • Bailarina/Interprete: Fabiane Severo 
  • Piano e voz: Helena Beatriz Caldas Pedroso 
  • Trilha Sonora: James Correa (cenas 1 e 3) 
  • Iluminação: Maurício Rosa 
  • Figurino: Daniel Lion 
  • Fotógrafo: Sabrina Canton 
  • Edição de imagens / vídeos: João Gabriel Queiroz 
  • Texto do catálogo: Elvio Vargas 
  • Pesquisa: Fabiane Severo, João de Ricardo e Maria Waleska Van Helden 
  • Entrevista com Clarice usada na montagem - TVE SP 
  • Produção: KAPSULA Produções Culturais 
  • Audiodescrição: Marcia Caspary 

Serviço
Espetáculos dias 13 e 14 de julho de 2016 (audiodescrição no dia 14/07), às 19h. Dia 12 de julho, às 17h, Oficina de criação em dança. Escola de Teatro e Dança da UFPa – Travessa Dom Romualdo de Seixas, 820. Produção do espetáculo em Belém - Anna Raquel de Matos Castro e Waldete Brito - Fones: (91)98807.2811/98354.6034.

8.7.16

Pinduca faz releitura de sua obra em novo álbum

O rei e a rainha do carimbó e seu discípulo mais desgarrado lançam novos CDs, rompendo estereótipos do que é considerado música do Pará. Dona Onete, Pinduca e Saulo Duarte e a Unidade se apresentam nesta sexta-feira, 8 de julho, a partir de 20h, no Insano Marina Club. 

Além dos shows, a festa também terá discotecagem de Zek Picotero (PA) e DJ Tide (SP). Os três álbuns e o show de lançamento foram contemplados no Edital Natura Musical de 2014 e 2015 e têm patrocínio do programa com apoio da Lei Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Promoção e divulgação Funtelpa. Concepção e realização Ampli - Agência Cultural. 

Este ano, o grande difusor da pisada do carimbó, lança o trigésimo sexto disco da carreira, revisitando seus maiores sucessos. Sinhá Pureza, Cavalo Velho, Siriá, Carimbó do Macaco, Embarca Morena e Marcha do Vestibular fazem parte do trabalho que soa moderno, produzido por Manoel Cordeiro, responsável por grandes discos de lambada das décadas de 1980 e 1990. 

Com 79 anos, Pinduca se permite mudar mais uma vez a forma de produção do ritmo. Foi responsável por modernizar o carimbó, inserindo instrumentos como a bateria, baixo e guitarra. E em “No Embalo do Pinduca” (Natura Musical), o artista promete inserir o estilo, definitivamente, no século XXI.

O segundo disco da septuagenária (e quente!) Dona Onete só confirma que mora uma menina faceira dentro da amável e sábia cabocla de Igarapé-Miri. “Banzeiro” (Natura Musical), título do seu novo trabalho, é a onda que o barco ribeirinho faz nas águas dos rios. 

O disco apresenta 12 faixas inéditas entre carimbós, banguês e boleros. A rainha da Amazônia segue com sua banda liderada pelo pesquisador e guitarrista Pio Lobato, também produtor do disco, se fortalecendo como uma das compositoras mais aclamadas da atual música paraense. 

O terceiro álbum de estúdio de Saulo Duarte e a Unidade, banda que trouxe nos primeiros discos a estética e forte referência paraense, pretende apresentar novas sonoridades contra o estereótipo de música paraense que vem sendo consumido pelo Brasil nos últimos anos. “Cine Ruptura” (Natura Musical) tem influências do Brasil e mundo inteiro, provando que a banda vai além de um som dançante. Ao mesmo tempo que explora a variedade sonora da região, o disco promove uma continuidade e quebras de cena, como em um filme. 

Serviço
Noite Natura Musical com Dona Onete, Piduca e Saulo Duarte e a Unidade. 8 de julho, a partir de 20h. Insano Marina Club, Rua São Boaventura, 268 - Cidade Velha . Ingressos R$20 (meia para estudantes, idosos e qualquer pessoa que apresentar 1kg de alimento na entrada). DJs Zek (PA) e Tide (SP).

7.7.16

Casarão: "Amostra Aí" na despedida do semestre

Borbô, do projeto Camapu
O Casarão do Boneco encerra o primeiro período de atividades de 2016 com o evento Amostra Aí, neste sábado, 9 de julho, e a programação tem participação do Dirigível Coletivo de Teatro e do Coletivo Agapão, que desenvolvem atividades periódicas no casarão e terá ainda um convidado potente: o Projeto Camapu. Tudo a partir das 18h30. O ingresso é quanto você puder pagar! E vale lembrar que, o que você paga, soma na construção e realização de sonhos compartilhados com todos nós!

A programação inicia com a apresentação de “A Fogueira dá Luz”. Geane Oliveira, Tamilis de Abreu e Tetê Cantanhede, com a direção de Paulo Ricardo Nascimento, estão perdidos na cidade de Estalinho, até que vão parar no anfiteatro do Casarão do Boneco. Enquanto descansam, elas explicam como as primas Joanina e Antonina inventaram a tradição da fogueira de São João.

Logo depois, o Dirigível Coletivo, já às 19h30, conta a divertida história d’O Raminho de Arruda, que viaja pela cidade espalhando seu poder de cura e boa sorte. Ana Marceliano e Enoque Paulino são Dona Maria e Seu Zé, que vieram do interior só para dizer também que precisamos de transformações positivas neste mundo.

Também estará no encerramento da programação deste semestre a delicadeza do Projeto Camapu, trabalho especial de San Rodrigues e Nina Brito. Eles nos apresentam Borbô,  que traz marionetes que imitam uma maravilha natural: o fenômeno que nos dá aos olhos a transformação de uma lagarta em borboleta. Este é um desses espetáculos indissolúveis, que se tornam a imagem fundamental da ideia central em Borbô: Nada muda se você não se deixar transformar.

Recesso para que novos sonhos fluam à gosto

Marionetes do Camapu
A “Amostra Aí” deste sábado, 09, será uma despedida emocionante, uma parada necessária e um convite a mergulhar num mundo com mais sonhos realizados. O Casarão do Boneco, depois de sábado, passará por manutenção nas calhas do telhado e nas traves que estruturam os aparelhos de circo no anfiteatro.

Retornará às atividades abertas ao público em agosto para cumprir mais um período, que irá até dezembro. Em princípio, a programação que foi realizada no primeiro período se manterá no segundo, com o Abre As Portas, o Telão Casarão, o Casarão Conversa Com e o Amostra Aí, além das diversas oficinas.

Quem está lá - Toda atividade do Casarão é realizada pelos seus habitantes, os integrantes dos grupos In Bust Teatro com Bonecos, Produtores Criativos, Causo Companhia, Sorteio de Contos, Projeto Vertigem, Cia de Teatro Madalenas, Vida de Circo, além do Dirigível e o Agapão já citados, e dos parceiros Bando de Atores Independentes, Desabusados Companhia, Coletivo Mergulho, Coletivo Mia Sombra. As atividades são financiadas por estes grupos e pelo público frequente e o Casarão contou com apoios da Distribuidora Estrela do Norte, do Refrigerantes Refry, da Panificadora 16 de Novembro e Blog Holofote Virtual.

História para saber onde se pisa

Quando adquiriu o espaço, no início de 2002, o In Bust já encontrou o Casarão, datado de 1890, com problemas estruturais. 

É claro que após tais problemas só foram acentuando ao longo dos anos. Após alguns anos driblando as questões e conseguindo fazer certa manutenção do espaço, o grupo resolveu ter como meta uma reforma mais completa. 

Foi em busca de recursos para o restauro e com os demais grupos que integram o Casarão atualmente, se fez até campanha de financiamento coletivo, mas não chegaram à meta. É então que entra a força desse coletivo que passou a ocupar o Casarão do Boneco, somando os esforços com a In Bust. 

A reforma de adaptação para as necessidades dos grupos e a manutenção têm sido feitas a partir da arrecadação do grupo com seu fazer artístico e doação de amigos do Casarão. A entrada para os espetáculos é sempre quanto as pessoas podem pagar. Isso tem ajudado, mas ainda está longe de garantir a reforma completa e necessária. 

A ideia, neste momento, é conseguir reformar o telhado. Mas a fachada está precisando de um bom reparo. 

No projeto inicial se pretendia também construir nas duas salas da frente um teatro fechado (Caixa Preta), permitindo assim maior conforto ao público em dias de chuva ou para receber determinados espetáculos. Ainda não foi possível.

O espaço físico do Casarão do Boneco abriga todas as atividades dos grupos que o habitam. Possui dois salões para ensaio, um salão de exposição, três ateliês de construção, grande área de serviço, extensa área externa abrigando jardins e a Arena dos Tajás, um anfiteatro para 80 pessoas, que recebeu este nome por causa das plantas que o rodeiam.

Serviço
Amostra Aí: 18h30 - A Fogueira dá Luz, Coletivo Agapão de Teatro; 19h15 – O Raminho de Arruda, Dirigível Coletivo de Teatro: 20h – Borbô, Projeto Camapu. Endereço do Casarão do Boneco - Av. 16 de novembro, 815 (próximo a praça Amazonas).  O Ingresso é Pague quanto puder. 

6.7.16

TV Cultura lança segunda edição do “Sonora Pará”

Leila Pinheiro
Vem aí mais uma série de documentários sobre artistas paraenses assinados por realizadores independentes. Edição traz novidades, como a participação de mais mulheres realizadoras e artistas que residem, hoje, fora do Pará. A primeira reunião ocorreu na manhã de ontem (5), na TV Cultura do Pará.

A Cultura Rede de Comunicação escolheu doze realizadores, dos quais quatro são mulheres. Ângela Gomes, Adriana Oliveira, Carolina Mattos e Larissa Bezerra, integram o grupo, ao lado de Brunno Régis, Rodrigo Bittencourt, Afonso Gallindo, Vitor Souza Lima, Cristiano Santa Cruz, André dos Santos, Júnior Franch e Guto Nunes. 

A emissora também apontou os doze artistas a serem focados. E quatro são mulheres. Assim como ocorreu na primeira edição, cada um produzirá vídeos em três formatos, para veiculação na TV Cultura, no Portal Cultura e também por meio do celular.

Edilson Moreno
A cineasta Jorane Castro, curadora do projeto, explica que, além da participação de mulheres, outro diferencial desta edição será mostrar artistas paraenses que estão morando em outros Estados, desenvolvendo projetos no eixo Rio/São Paulo, como Jaloo, Luê a veterana Leila Pinheiro. 

“Conseguimos reunir realizadores paraenses que também estão nessas cidades, e isso vai facilitar bastante a produção do material”, explica Jorane.

O interior do Estado também será foco do projeto, com a realização de documentários sobre Mestre Damasceno, da região do Marajó, e sobre a Banda União Vigiense, de Vigia, entre outros.

“Novamente vamos mostrar o Pará como um grande celeiro musical, onde se formam grandes talentos dentro de uma enorme variedade sonora”, completa Jorane.

Adamor do Bandolim
Para a jornalista e documentarista Ângela Gomes, o “Sonora Pará” é um projeto que leva o audiovisual paraense a caminhar junto com a produção brasileira.

“O conceito é muito interessante, porque aborda o que temos mais de genuíno, que são as diversas vertentes da nossa música, desde as bandas do interior, que são uma tradição, até artistas mais modernos. Da mesma forma, reúne realizadores experientes e outros que estão começando a trilhar esse caminho, mas já com alguma experiência”, observa. 

Esta será a quinta realização audiovisual de Ângela, que no ano passado assinou o documentário “Movida – Movimento em Favor da Vida”, exibido em rede nacional pela TV Câmara. A produção dos novos documentários musicais do “Sonora Pará” começa no segundo semestre e a previsão é que sejam lançados no início do próximo ano.

Nova edição - artistas que estarão na mira:

Realizador/ Músico

  1. Adriana Oliveira – Strobo
  2. Afonso Gallindo – Edilson Moreno
  3. André dos Santos – D. Iolanda
  4. Ângela Gomes – Banda União Vigiense
  5. Brunno Régis - Iva Rothe 
  6. Carolina Mattos – Luê
  7. Cristiano Santa Cruz – Espanta Cão
  8. Guto Nunes – Mestre Damasceno
  9. Júnior Franch – Jaloo
  10. Larissa Bezerra - Paulo José Campos de Melo
  11. Rodrigo Bittencourt – Adamor do Bandolim
  12. Vitor Souza Lima – Leila Pinheiro
Na primeira edição, o projeto trouxe os seguintes artistas e realizadores
  1. Albery Albuquerque – Alan Kardec
  2. Almirzinho Gabriel – Renato Chalu
  3. Boi Estrela Dalva (Marabá) – Evandro Medeiros
  4. Diamante FK (Parauapebas) – Ivan Oliveira
  5. Grupo Itaguari (Ponta de Pedras) – Pedro Harlei
  6. Manoel Cordeiro – Vladimir Cunha
  7. Mestre Vieira (Barcarena) – Luciana Medeiros
  8. Minni Paulo – Walério Duarte
  9. Ronaldo Silva – Homero Flávio
  10. Sebastião Tapajós (Santarém) – Emanoel Loureiro
  11. Toni Soares (Bragança) – Lucas Escócio
  12. Trio Manari – Aladim Jr.

1.7.16

Amazônia Jazz Band grava 1º DVD no Teatro Da Paz

A Amazônia Jazz Band (AJB) realiza concerto de gravação do seu primeiro DVD, com a participação especial da cantora Jane Duboc. O maestro titular, Nelson Neves, diz que além da cantora, o concerto contar com a presença de Nailor Proveta, na primeira fila dos saxofonistas. Dia 8 de julho, no Theatro da Paz, às 20h, com entrada franca.

A gravação do DVD nas comemorações dos 22 anos de formação da Amazônia Jazz Band, cuja trajetória reúne grandes histórias que renderiam certamente um documentário musical.  

O evento de gravação do DVD é uma realização do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult-PA) em parceria com a Academia Paraense de Música (APM), além do patrocínio do Banco da Amazônia (BASA) e da Embaixada Americana. No dia 9, o concerto será repetido para convidados do Banco da Amazônia que, nesta data, estará comemorando 74 anos de existência.  

O repertório traz um mix de músicas paraenses, nacionais e internacionais, como “Uirapuru”, de Waldemar Henrique; “Por causa de você”, de Tom Jobim e Dolores Duran e “Sweet Lady Jane”, de Mick Jagger e Keith Richards. 

A apresentação trará ao público jazz, swing e funk, mistura bem conhecida do público da AJB, “vamos tocar composições americanas que foram enviadas pelos seus compositores diretamente para esta gravação do DVD, e contar com a brilhante interpretação de Jane Duboc”, revela Neves.   

Não será a primeira vez que a parceria AJB & Jane Duboc acontece, em outubro de 2014, ambos realizaram show no projeto “Nazaré em todo o canto”, no Theatro da Paz. “Foi após este concerto que surgiu a ideia de gravarmos o DVD, porque foi o casamento perfeito, ela canta muito bem o jazz”, relembra o maestro da big band.

Jane Duboc é uma paraense de voz suave que emplacou sucessos na década de 1980. Fez bastante sucesso cantando músicas como 'Chama da Paixão' e 'Sonhos'. Durante a sua carreira teve trabalhos em quatro trilhas sonoras de novelas, como 'Vale Tudo' e 'Besame'. Em 2006, sua coletânea 'Uma Voz, Uma Paixão' foi indicada ao Grammy Latino de Música. Jane é compositora, cantora e instrumentista.   

Nailor Proveta
A gravação coincide no momento de pleno amadurecimento e domínio musical, expressivo e técnico da cantora, que a coloca no primeiro escalão das vocalistas do jazz mundial. 

Já a AJB vem desbravando novas zonas de repertório, incorporando ao seu portfólio uma lista dos mais qualificados arranjadores locais, nacionais e internacionais, e estabelecendo parcerias com músicos de peso. Entre esses, além da própria Jane, a AJB contou com a colaboração do americano Paul Haar e dos brasileiros Nailor Proveta, Nelson Faria e Roberto Sion.

Serviço
Gravação do primeiro DVD da Amazônia Jazz Band (AJB), com a convidada Jane Duboc. Dia 8 de julho, às 20h. Local: Theatro da Paz. Endereço: Avenida da Paz, s/n – Campina. Informações: (91) 4009-8766/8754. Entrada franca, com distribuição de ingressos na bilheteria do teatro, a partir das 9h do dia do evento.  

Alex Atala publica carta mas movimento continua

Os representantes do Movimento Casa das Onze Janelas dizem que não são contra ou a favor do pólo gastronômico, até porque o projeto ainda não foi devidamente apresentado à população, não sendo possível ter uma opinião plenamente formada acerca do assunto. Mas não abrem mão da manutenção do Museu da Casa das Onze Janelas. Por isso, independente do efeito que venha causar a carta  aberta de Alex Atala, nesta sexta-feira, dia 1º de julho, mais um ato público pela manutenção do espaço de arte será realizado, as 19h na Rua Sequeira Mendes em frente ao prédio cobiçado. Um evento no facebook convida quem quiser somar. Outra maneira de apoio à causa é assinar uma petição, disponibilizada on line.

O desmonte do Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas, decretado recentemente pelo governo do estado, tira do espaço sua função voltada para o campo das artes, para torná-lo um espaço gastronômico, que reuniria uma escola, um laboratório e um restaurante, além de ancorar um barco-cozinha, formando, no Espaço Feliz Lusitânia, o Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia. 

O projeto já vinha sendo alimentado alguns anos, mas ganhou o impulso necessário para sair do papel, quando no ano passado, a capital do Pará recebeu o título de cidade membro da Rede de Cidades Criativas da Unesco, com destaque para a gastronomia. 

Nome importante dessa área, reconhecido internacionalmente, Alex Atala tem uma reputação a zelar. Ao sofrer pressões pelas redes sociais para se posicionar, ele já havia dito a Éder Chiodetto, curador do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que nunca tinha exigido a Casa das Onze Janelas para o projeto do pólo ser viabilizado. 

A declaração foi publicada na página do também jornalista, que é amigo pessoal do chef, mas não foi o suficiente. Nesta quinta-feira, 30, em carta aberta à imprensa, difundida nas redes sociais, o presidente do Instituto Atá oficializou seu posicionamento e disse que não irá mais gerenciar o local, como certamente o faria. 

É claro que isso não significa, nem que ele ou o instituto, peças importantes da engrenagem desse pólo, estejam fora do empreendimento, tão pouco que o decreto do desmonte do Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas seja derrubado imediatamente só por isso. A carta de Atala, é portanto só mais um episódio de muitos que esta série da "gastronomia x arte" já exibiu e ainda promete mostrar.

Discussão sobre centro gastronômico vem à tona 

Lançado em outubro do ano passado, na Expô Milão, na Itália, já apontando o Feliz Lusitânia, à beira da baía do Guajará, como espaço propício a sua construção, o projeto do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia ainda era pouco conhecido do grande público, até que um grupo de artistas criou uma petição pedindo a manutenção do espaço de arte e denunciou na imprensa, a intenção do governador em extinguir o Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas, cedendo este espaço para dar o ponta pé inicial ao pólo de gastronomia na região.

Além de matéria de capa no Caderno Você do Jornal Diário do Pará,  os artistas realizaram o seu primeiro ato, em 12 de junho, no dia dos namorados, dando um abraço no museu, chamando a atenção do público. Faixas foram colocadas na fachada do prédio, mas foram retiradas pela direção do espaço. Até aquele momento sem um posicionamento oficial, o governo respondeu à denúncia e à manifestação dos artistas com um Decreto, o de n. 1.568 de 17/6/2016, desativando o Museu de Arte Contemporânea na Casa das Onze Janelas.

Ação dos artistas incomoda governador

As manifestações continuaram  e se espalharam nas redes sociais. Uma página foi criada no facebook e vários artistas, professores e intelectuais, do país todo, também começaram a se manifestar, com questionamentos voltados a Alex Atala. 

Na terça-feira, 29, um dia antes do chef paulista se manifestar, o grupo que vem representando o Movimento Casa das Onze Janelas foi chamado ao Palácio do Governo para uma reunião de última hora com o Governador Simão Jatene. 

A Comissão, formada por Alexandre Sequeira, Keila Sobral, Luiz Braga, Makiko Akao, Mariano Klautau Filho, Marisa Mokarzel, Miguel Chikaoka, Octávio Cardoso, Rosangela Brito e Val Sampaio abriu o diálogo pelo reconhecimento e manutenção do Museu de Arte Contemporânea na Casa das Onze Janelas. como uma instituição de importância nacional, cuja história foi consolidada nos últimos 14 anos. 

O espaço Museu de Arte Contemporânea na Casa das Onze Janelas. originalmente era a residência de um senhor de engenho, até ser adquirido pelo Governo do Pará, que até 1870, o utilizou como Hospital Real, passando depois a gestão dos militares. 

Em 2001, ao voltar para as mãos do estado, o imóvel foi transformado em museu, sendo ocupado com obras de artistas plásticos e fotógrafos renomados, além de possuir em seu acervo inúmeras coleções adquiridas por meio de projetos, envolvendo verbas públicas, assim como doações de diversos artistas paraenses e de fora do estado. O espaço público, também abriga atividades de formação e educativas no campo das artes.

Na página do movimento, no facebook, os artistas informaram que, ainda assim, “a posição irredutível do Sr. Jatene foi a de convencer o grupo presente que um novo museu de arte contemporânea justificaria a perda do Museu de Arte Contemporânea da Casa das Onze Janelas. Desconsiderando assim qualquer hipótese de reavaliação de sua postura adotada anteriormente”. Além deles, também estiveram presentes o secretário de cultura Paulo Chaves e a diretora do Sistema Integrado de Museus, Mariana Sampaio.

O que mais envolve a criação do pólo

Enquanto o Movimento Casa das Onze Janelas cresce, amplia-se também a discussão em torno de um projeto ainda não apresentado oficialmente e como um todo à sociedade. Ao que tudo indica, há muito mais em jogo que simplesmente a Casa das Onze Janelas, no Espaço Feliz Lusitânia. 

Até onde já foi dito, sabe-se que o projeto na integra, iniciaria na Av. Boulevard Castilho França, que passaria a se chamar Via Gastronômica, seguindo em uma linha reta, passando pelo Ver-o- Peso, Mercado de Carne, Solar da Beira e alguns portos, até chegar ao Complexo Feliz Lusitânia, englobando o prédio (hoje deteriorado e em estado de abandono) que abrigava a Fumbel, Fundação Cultural de Belém, além da Casa das Onze Janelas. 

A iniciativa, que faz parte das comemorações dos 400 anos da fundação de Belém, foi apresentada ao Governo do Pará e à Prefeitura de Belém por um conjunto de organizações da sociedade civil, lideradas pelo Instituto Paulo Martins, o instituto Atá e o Centro de Empreendedorismo da Amazônia, tendo como coordenador, Roberto Smeraldi, jornalista do site Paladar, diretor da Oscip Amigos da Amazônia e do Instituto Atá.  

Uma das entidades envolvidas deverá gerenciar o espaço compreendido no Feliz Lusitânia, e que ainda não se manifestaram sobre a polêmica da desativação do museu, como o fez Alex Atala. “Consideramos que a arte é essencial na construção da identidade de uma nação. Por isso, não compactuamos com um projeto que valoriza a cultura culinária do Pará desabrigando demais expressões de arte, como as plásticas, fotografia, entre outros projetos que tinham como morada o Museu Casa das Onze Janelas”, disse ainda, o chef, em sua carta aberta. 

Falou bem, Alex Atala, que depois de dias sendo alvo de críticas, hoje, foi elogiado e recebeu muitas mensagens positivas. Agora resta saber o que pensam e como se posicionam os demais envolvidos. Caso apoiem também  a permanência da Casa das Onze Janelas como espaço de função voltada à arte, pode ser que o governador finalmente se dobre em sua irredutível posição, já decretada. 

Mostras e exposições previstas até dezembro

Espaço importante para a circulação artística brasileira, a Casa das Onze Janelas ainda funcionará como espaço de arte, ao menos até o mês dezembro. 

Até lá várias exposições estão programadas, como a mostra "Marimbondo e a Orquídea", que abre nesta sexta-feira, 1º de julho, às 19h, com entrada franca. Composta por obras de artistas alemães e brasileiros, ficará aberta ao grande público até o dia 31 de julho.

Em agosto entra em cartaz uma super exposição curada por Diógenes Moura, produzida pelo Itau Cultural. A exposição "A Arte da Lembrança – a Saudade na Fotografia Brasileira", com imagens que representam a saudade,  um dos sentimentos mais universais e inexplicáveis,  em suas mais variadas formas e significados. Além disso, propõe um percurso iconográfico pelas obras – realizadas entre as décadas de 1930 e 2014 – de alguns dos mais representativos fotógrafos brasileiros.

29.6.16

Eu Patrocino lança sistema para facilitar captação

A cada novo projeto, um desafio em comum entre produtores: a captação de recursos. O caminho entre a iniciativa idealizada e o financiamento que viabiliza a proposta nem sempre é encontrado. E bons projetos nem saem do papel. Mas há uma solução no mercado que promete facilitar a vida de gestores e realizadores.

A equipe da plataforma paraense Eupatrocino acaba de lançar uma ferramenta que torna essa relação entre produtores e patrocinadores mais assertiva, com um sistema inteligente que conecta o projeto cultural ou esportivo ao financiador certo. Com o sistema, o Eupatrocino faz o intermédio no diálogo entre quem precisa de financiamento para concretizar suas ideias e quem tem verba e quer investir em um projeto com retornado garantido. 

Quando uma proposta é cadastrada, a plataforma automatiza todas as informações preenchidas pelo proponente do projeto, filtra e classifica os setores atraentes para investimentos, o fluxo de caixa para o financiador, o retorno do patrocínio e a viabilidade da proposta cultural, com dados e informações financeiras que auxiliam o financiador em potencial na tomada de decisão. O Arrastão do Pavulagem 2016 vai sair às ruas já como primeiro projeto realizado com sucesso pela plataforma, com a captação de recursos feita com a operadora de telefonia Oi.

O filtro do sistema envolve aprovações em leis de incentivo e também recebe propostas para patrocínio direto. Já são 43 iniciativas cadastradas, a maioria delas do segmento musical. Rodrigo Viellas, sócio da produtora Ampli Criativa, especializada em escrever e gerenciar projetos culturais no Pará, aposta no potencial da ferramenta.

“O grande gargalo não só de Belém, mas de todo o setor cultural, é a captação, é fazer com que bons projetos cheguem aos patrocinadores para que eles possam ser efetivamente realizados. Achamos que com essa ferramenta é possível facilitar esse diálogo”, diz Rodrigo. O produtor enxerga ainda a possibilidade de criar uma rede de contatos com o uso da plataforma. 

“Estando na ferramenta, se posicionando como uma empresa com know how aqui em Belém pra essa gestão, a gente acredita que, mesmo em projetos não inscritos por nós, a gente pode acabar pegando trabalhos de produção executiva, de gerenciamento de carreira, se serviços oferecidos na Ampli”, avalia Rodrigo Viellas.

Cadastro e vantagens - Para se cadastrar, o produtor precisa fazer uma descrição breve do projeto e o quantitativo financeiro de cada etapa. Com isso, o sistemas converte os dados em números de retorno financeiro para o patrocinador, comparando o desempenho financeiro dos projetos com o retorno esperado pela poupança.".

“Chegamos a esse sistema depois de um período de avaliação. Conversamos com muita gente e interpretamos os editais de patrocínio existentes hoje, para entender o que o mercado quer e fomos aprimorando”, afirma Mauro Matos, fundador do Eupatrocínio. “É uma ferramenta importante também para profissionalizar o mercado e tornar os projetos mais atraentes para os patrocinadores”, destaca Rodrigo Viellas. 

Depois de inscritos, os projetos cadastrados passam por uma primeira análise da equipe. “Checamos se o projeto existe e conferimos as informações cadastradas pelos produtores culturais, propondo e sugerindo ajustes quando detectamos que algum dado possa ter sido preenchido desvalorizando o projeto, quando seu valor é maior do que o está escrito”, ressalta Mauro Matos.

O trabalho do Eupatrocino não se encerra no ambiente on-line.  A rede de contatos é off-line também, com a permanente busca de novos patrocinadores e a parceria com agências de comunicação. “Queremos ampliar as possibilidades de patrocínio, quebrar esse raciocínio de ir apenas atrás do patrocinador tradicional, para trazer novos patrocinadores. Mostrar para que os que costumam nem investir, que com valores de R$ 10 mil, por exemplo, o patrocinador pode ter um retorno muito positivo de seu investimento. No final, ganha o produtor, ganha o investidor e o mercado”.  

Serviço
Para conhecer o sistema e se cadastrar, acesse:  http://leisdeincentivo.eupatrocino.com.br