15.1.21

Legítima Defesa chega com clipe nas plataformas

Foto: Mácio Ferreira
Composição de Naldinho Freire, letra de Escurinho, percussão de Loba Rodrigues e interpretação de Mariza Black. Gravado em Belém, em novembro de 2020, mês da Consciência Negra, o trabalho ganha lançamento nesta sexta-feira, 15, com clip e mini doc, nas plataformas digitais da Na Music e dos artistas. 

Legítima Defesa é música inspirada em ritmos afros, oriundos de Cabo Verde e da Nigéria, além de uma mistura cultural brasileira interessante ao reunir artistas do Pará, Paraíba e Pernambuco. A letra fala sobre como é viver num país que foi colonizado como o Brasil, mas embora já tenham se passado séculos, ainda se vive aqui, situações de racismo e violências que se refletem principalmente nas periferias. 

Para Mariza Black, paraense nascida em Belém, foi um prazer gravar a música. “Foi uma honra gravar essa música, ainda mais pela mensagem que ela nos repassa de luta e resistência da cultura negra, em nosso país”, diz ela, que possui voz inconfundível.  A artista, que sempre mergulhou no samba, interpretando obras de grandes compositores, agora segue um caminho mais autoral. Há dezessete anos cantando profissionalmente, em 2019, lançou seu 1º álbum intitulado “Samba Parauara”. 

Mariza Black, uma das maiores intérpretes de samba paraense, tem 17 anos de carreira, com presença marcante nos palcos, cantando e encantando ao som da percussão e do cavaquinho na cadência de composições do samba local, bem como na interpretação de grandes clássicos nacionais. A paraense também é uma das raras mulheres puxadoras de samba enredo com atuação nas escolas de samba Caprichosos da Cidade Nova (Ananindeua), Piratas da Batucada (Belém) e Crias do Curro velho (Belém) e do Bloco Unidos da Pedreira (Belém). Atualmente, ela coordena o Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba no Estado do Pará. 

Naldinho Freire reuniu talentos na obra

Foto: Léo Eccard
O convite para gravar Legítima Defesa partiu de Naldinho Freire, parceiro do músico e poeta Escurinho, artista paraibano como ele. Compositor e também letrista, o músico lançou em 2019, em Belém, o álbum “sem chumbo nos pés”, como uma das ações de um projeto de intercâmbio realizado pela UFPA, e que aproxima, pelo viés do turismo cultural, Belém e Cabo Verde. Em 2020, o intercâmbio também teve desdobramentos, ocasião em que Mariza Black é convidada para uma de suas ações, estreitando assim a relação profissional entre os artistas. 

“Quando li essa letra, lembrei imediatamente do ritmo da Tabanca, que conheci a partir do meu encontro com o músico cabo-verdiano Mário Lúcio, e que se parece muito com o Ijexá. Pensei imediatamente na Mariza Black para interpretá-la”, diz Naldinho.  “E também convidamos a percussionista Loba Rodrigues”, complementa ele que em 2010, através da Embaixada do Brasil em Cabo Verde, realizou shows na cidade de Praia e São Domingos. 

Loba diz que eles se reuniram para fazer o desenho rítmico da música e ela foi inserindo outros elementos. “Eu me inspirei nos grupos de afoxé, os mais diversos, e também no ritmo da Tabanca, que Naldinho me apresentou. Fiz uma pesquisa e o que ouvi mais, foi o trabalho do grupo Sementeira, do qual participou o músico Mário Lúcio, que esteve em Belém em 2019”, comenta.

A Tabanca é um ritmo binário, executado por tambores, cornetins e búzios, estes geralmente em três registos diferentes (grave, médio e agudo) responsáveis pelo ostinato rítmico-melódico, cuja tessitura geralmente é de uma sexta. Já o Ije’xa, é oriundo da cidade da Nigéria, mas foi trazido para a Bahia pelo enorme contingente de iorubás escravizados que aportou neste estado do final do século XVII. Esse ritmo vem desde então sendo executado na música brasileira por artistas diversos.

O autor da letra, Escurinho, é artista pernambucano radicado na Paraíba. Nascido no Sertão de Pernambuco,  Escurinho acabou se mudando com a família para a cidade Catolé do Rocha, na Paraíba, onde passou a maior parte da infância e adolescência e onde tem os primeiros contatos com o fazer musical.  Foi nesse contexto que conheceu o jovem Chico Cesar que passou a ser um parceiro, e, mais tarde, em João Pessoa, Naldinho Freire, cantautor paraibano, cujo trabalho remonta aos anos 90, quando lançou o LP Lapidar. 

Além do lançamento do single, também será disponibilizado nos canais de Youtube dos artistas, clipe e mini doc mostrando os bastidores da gravação. Os vídeos têm a direção de Vinicius Fleury - Flemi Filmes e a canção tem a participação de Marcel Barretto (violão / Aço, synth bass, gravação e masterização – Budokaos). 

Serviço

Lançamento do single e clipe de Legítima Defesa, música de Naldinho Freire, com letra de Escurinho e interpretação de Mariza Black. Dia 15 de janeiro, às 19h, nas principais plataformas digitais da música e YouTube dos artistas.

23.12.20

Exposição e pesquisa no site Arte Mangue Marajó

A arte marajoara, fruto da identidade indígena deixada como herança ao povo que habita o Marajó, é a especialidade de Ronaldo Guedes, artesão que abriu esta semana a sua primeira exposição virtual, intitulada “Entrelaçamentos ancestrais”, no site Arte Mangue Marajó que, além das imagens absurdamente lindas da mostra, também traz pesquisa sobre essa cultura e informações sobre a trajetória do artista e mestre.

As peças de Ronaldo Guedes, nesta exposição, reproduzem formas humanas entrelaçadas aos formatos das raízes aéreas comuns de se ver na região ribeirinha amazônica, é característica visual e ambiental dos nossos mangues. 

Feitas com cerâmica e madeira, vários rostos ou corpos se misturam não só à matéria prima com que foram produzidas, mas também ao próprio ambiente de onde a mesma foi retirada. É o que vemos nas belas fotos de Pierre Azevedo, fotógrafo que integra o projeto, contemplado pelo Prêmio Preamar de Cultura 2020, da Secult, Governo do Pará, com realização do Ateliê Arte Mangue Marajó e apoio do Programa Coroatá - UFPA/Campus Soure.

Ao percorrer as dezenas de imagens das peças dispostas no meio ambiente, na ilha de Soure, tive a sensação de viajar no tempo, visitando algum lugar da nossa ancestralidade que nos desperta a real importância de cuidar das nossas florestas e rios. E o próprio artesão reconhece que seu legado artístico está diretamente ligado a seus ancestrais. Eles são a sua inspiração. 

“Tenho uma pesquisa em iconografia marajoara, me inspiro no estudo da forma dos grafismos e aplico isso nas peças. Também faço uso de pigmentos naturais, técnica muito usada por nossos antepassados. Não é simplesmente uma reprodução, mas sim a reinvenção da arte local”, considera. 

Identidade e ancestralidade que movem o mestre

É a partir do processo de reconhecimento da importância de uma arte identitária, que Ronaldo passou a pensar sua produção de maneira mais política. Inaugurado em Soure, em 2003, o Atelier “Arte Mangue Marajó”, que agrega, desde 2007, um coletivo de vinte artesãos ceramistas que se dedicam à pesquisa histórica dos saberes e fazeres da arte cerâmica marajoara e à experiência de novas criações, produção e comercialização das peças.

“É importante a gente repassar nosso conhecimento, para que a cultura não desapareça. Passei a dar aulas e possibilitar vivências no atelier”, conta o artista, que integra a Associação dos Moradores do Bairro Pacoval (Ampac), entidade que realiza diversas atividades culturais em Soure, como a já conhecida roda de carimbó que agita a cidade aos sábados.

Foi em 2005, segundo a cartilha que está no site, que Ronaldo Guedes construiu o primeiro forno no ateliê, um importante passo para consolidar a produção da cerâmica no ateliê. O artista afirma que o encontro com sua ancestralidade com o manuseio do barro lhe permitiu liberdade para suas criações, um verdadeiro “alento para a alma”. 

Adorei conhecer o site, dica da realizadora Zienhe Castro, que há alguns anos mantém um caso de amor com a arte marajoara. Em 2009 ela conheceu Ronaldo Guedes, e o convidou para esculpir o primeiro troféu do Amazônia Doc, um mega projeto audiovisual que ela idealizou, com foco no documentário produzido na Pan Amazônia. Desde então ninguém mais assumiu o posto, só deu o Ronaldo. A cada ano, o artista vem inovando com madeira e de cerâmica. Este ano, ele usou a acapu, muito presente no cotidiano de da ilha.

No site, logo na entrada, já é possível acessar a exposição ou a cartilha, que faz um recorte principal sobre a cultura marajoara e depois discorre sobre a criação do atelier Mangue do Marajós e a história profissional de Ronaldo Guedes. Este ítem também é o conteúdo que achamos na sala de pesquisa. Já no salão de exposição e no botão do próprio atelier, há, ainda, vídeos sobre o artesão e demais colaboradores. 

É possível também fazer encomendar uma peça para compra, por meio digital. Caso você vá até o Marajós, em Soure, o Atelier Mangue Marajó e suas peças podem ser adquiridas nos espaços da Travessa 23 entre 12a e 13a ruas, bairro Pacoval e Travessa 14, prolongamento, bairro Umirizal.

E para acessar tudo isso, clique: www.artemanguemarajo.com

Ficha Técnica

Produção Executiva: Cilene Andrade e Luciane Bessa

Fotografias: Pierre Azevedo 

Montagem: Beatriz Maia e Luciane Bessa

Trilha: Caio Andrade e Ronaldo Guedes

Projeto Gráfico Cartaz: Rebeca Pimentel

Projeto editorial da cartilha: Beatriz Maia

Cartilha educativa: Marcelle Rolim e Cilene Andrade

Web Designer: Beatriz Maia

21.12.20

Nego Nelson lança videoclipe de Tiquinho de Céu

Nego Nelson (Foto: Carlos Borges)

Já está no canal de Youtube do violonista e compositor Nego Nelson, o videoclipe da música “Tiquinho de Céu”, faixa que integra o álbum que será lançado em 2021, comemorativo aos seus 50 anos de carreira. 

"Tiquinho de Céu" é também homenagem a Waldir Azevedo, fazendo uma alusão direta à "Pedacinho de Céu", do compositor que é referência para inúmeros violonistas. As gravações foram feitas em dois dias, no Parque da Residência, com direção de Pedro Vianna, que também coordena o projeto de gravação do CD, contemplado, este ano, com o prêmio Preamar de Cultura e Arte da Secretaria de Cultura do Estado do Pará. 

A música é inédita, ia se chamar Passeio no Combú e, inicialmente, a ideia era gravar o videoclipe no outro lado de Belém, com  direito a tomadas da travessia e tudo, mas não foi possível. Em novembro, com dores na coluna, falta de ar e outros sintomas parecidos com os da Covid, Nego Nelson foi internado às pressas e, embora já esteja em casa, ainda se recupera da saúde. 

Trazendo nove músicas instrumentais, todas de autoria de Nego Nelson.O novo álbum traça um panorama de sua obra musical, com participação de instrumentistas convidados em algumas faixas como: Jean Charnaux, Gileno Floquinios, Adelbert Carneiro, Jacinto Kahwage e Dadadá Castro; além de faixas com Nego Nelson solo ao violão. Os arranjos e direção musical são do próprio compositor.  O álbum será distribuído de forma gratuita em todas as plataformas digitais. direção de fotografia de Paulo Mendes e produção de Narjara Oliveira.

Nego Nelson nasceu em Belém e iniciou seus estudos com os professores Tó Teixeira e Everaldo Pinheiro. Possui formação erudita, jazzistica e em música popular de todos os estilos. Com 40 anos como músico profissional, fez shows com diversos artistas. Produziu músicas para teatro, filmes e documentários. Participou de festivais e de shows com artistas de renome nacional como Leny Andrade, João Donato, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Billy Blanco, Arismar do Espírito Santo, entre outros.

Em 1972, teve pela primeira vez gravada uma música de sua autoria, "Belém", em parceria com Sebastião Tapajós, que incluiu no repertório do disco "Violão e amigos". Compôs mais de 100 canções, em estilos os mais diversos, como valsas, sambas, boleros, funks, carimbós e guarânias. Como artista solista, apresentou-se com os violonistas paraenses Salomão Habib ("Dois violões amazônicos") e Paulinho Moura ("13 cordas"). Foi professor durante 11 anos do Conservatório Carlos Gomes e no Curro Velho, onde atuou como gerente de oficinas.

Serviço

Lançamento do videoclipe “Tiquinho de Céu”, de Nego Nelson. Pelo Canal de Youtube do artista, nesta segunda-feira, 21 de dezembro - Prêmio Preamar de Cultura e Arte da Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Veja: https://www.youtube.com/watch?v=0sWzLCIFayM

18.12.20

Marcelo Nazareth lança videoclipe experimental

Vocalista, guitarrista e compositor Marcelo Nazareth, ex-integrante da banda “Stereoscope”, segue em carreira solo, lançada ano passado com o single “Desde Aquele Dia”. Experimental e voltado para a sonoridade da música latina reinterpretada em arranjos "made in Pará", será lançado dia 23, pelo Canal de Youtube e Instagram da CREME. 

A faixa fará parte do primeiro álbum do músico, que será lançado ao longo de 2021, ainda sem nome definido. A canção não é inédita. Foi  composta em 1987, por Humberto Gessinger, agora interpretada por Marcelo Nazareth e os Inimitáveis Invisíveis. 

“Sempre gostei dessa música. Ele é a penúltima do lado B no disco do cara. Eu sempre toquei no violão despretensiosamente.  Mas numa dessas vezes, aqui em casa eu fiz uma levada desse nosso brega de Belém. Aquele brega anos 70 e 80. Achei legal, aí resolvi fazer uma demo e depois arranjar arranjar a música toda”, diz Marcelo.  

O músico conta que já queria fazer um trabalho audiovisual para cada faixa do álbum e surge assim a ideia desse videoclipe. “Como ela é de fato um brega. E conta uma história na letra de tempos atrás, nada melhor que usar como cenário as ruas antigas de Belém. As coisas da cidade, o clima (chuva) ou até muito sol”, diz. 

Marcelo Nazareth formou a primeira banda em 1992, um quinteto chamado Loki (nome do primeiro disco solo do ex-mutante Arnaldo Baptista). Ele era o guitarrista e fazia backing vocal. “Só no shoo bee daudau, como dizia a Rita Lee. Aliás, eu não tinha pretensão de cantar. Bastava tocar bem a guitarra. Trouxe pra essa banda minhas influências que passam pela Jovem Guarda, tropicália e sempre o velho rock”, conta. 

A banda durou até meados de 94, tendo como “único feito” uma participação no lendário festival “Rock 24 horas”. Quem não lembra, pesquisa aí, o festival registrou um dos maiores quebra paus do rock paraense, marcando uma década e trazendo consequências, como uma certa marginalização do nosso rock’n roll.

“Passamos por uma seleção de uma seleção de uma penca de bandas. Foi tipo passar no vestibular. Gravamos ensaios de nossas músicas em fita k7. Em 2002 quando formei o Stereoscope, foi o momento em que as coisas deram certo. A banca tinha certa popularidade. Em 10 anos, gravei 3 discos com o stereoscope. Nesse período, além de ser um dos compositores da banda, junto com o Ricardo Maradei e o Jack Nilson, eu também era um dos vocalistas e co-produtor dos nossos discos”, lembra Marcelo.

O álbum, que ainda não tem nome, inaugura a fase solo e recente da carreira de Marcelo, que começou a compor e a gravar em 2019. “Faço as vozes e transito por todos os instrumentos. Tô querendo lançar com 8 ou 10 faixas. Ainda não decidi”, diz . 

No momento, a dedicação será à difusão do videoclipe, produzido pelo videomaker e realizador Glaucio Augusto, e Karina Sampaio, que também integra a equipe da CREME, produtora voltada para a comunicação ambiental, videoclipes e conteúdos audiovisuais para web. O trabalho teve participação da Sá Produções Artísticas, com apoio do professor, pianista, compositor e poeta paraense Urubatan de Castro, que cedeu gentilmente a sala de sua casa para as gravações.

Serviço

O lançamento do videoclipe será no dia 23 de dezembro, às 20h, pelo Canal da CREME no Youtube/ No Instagram da CREME (@cremeprd).

8.12.20

Maria José abre exposição com extensão virtual

Maria José Batista, uma das maiores representantes da arte naïf do Pará, abre a exposição “As Cores Vivas da Amazônica Naïf”, com curadoria de Mariza Mokarzel. A mostra traz cerca de 20 obras, criadas especialmente para este projeto, contemplado com o Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais 2020. A abertura será nesta quarta-feira, 9,  mas a exposição também poderá ser acessada virtualmente no site da artista.

Mariza Mokarzel explica que “As Cores Vivas da Amazônia Naïf” apresenta uma diversidade de materiais e linguagens artísticas, fruto das pesquisas de Maria José Batista, onde estão presentes o experimento tanto com papelão, TNT, como plástico pet e ferramentas mais tradicionais. 

“Entre os suportes escolhidos para se expressar, encontra-se o estandarte, realizado em homenagem ao amigo Mestre Nato (...). Nas cores fortes a artista tece temas religiosos, afazeres diários testemunhados pela cidade, pela região Amazônica, lugar em que habitam muitos daqueles que foram e são invisibilizados pela cultura dominante – resquícios do processo colonial”, ressalta a curadora.

De fato, Maria José Batista é uma das maiores expressões de arte naïf da atualidade, com reconhecimento que transcende o estado do Pará e a própria região, muito em função da originalidade de seu trabalho, dos temas eleitos e das cores vibrantes características das obras, inspiração que nasce em uma cidade banhada por rios, repleta de canais, e com manifestações culturais que remetem à alegria de viver, numa mistura de sons e cores, odores, sabores e curvas que encontram na floresta sua origem e razão de ser, e representado e encontrado nos trabalhos da artista.

A exposição “As Cores Vivas da Amazônia Naïf” é um recorte desse ir e vir, dessa vida que pulsa nas ruas, nos mercados e feiras, nas esquinas da periferia e das baixadas, lugares onde a identidade paraense se constrói e se fortalece, lugares onde nascem os signos que nos marcam dentro e fora da cidade, do estado e da região.

Assim, a sensibilidade de Maria José Batista supera as fronteiras tradicionais para propor reflexões pertinentes no fazer artístico, na pesquisa visual que a acompanha em cada fase, culminando nesta exposição onde também estão temas contemporâneos como sustentabilidade e aproveitamento de materiais de maneira a não agredir o meio ambiente. “As Cores Vivas da Amazônia Naïf” nos mostra as possibilidades que a artista reconhece como heranças, numa escolha de resistência e sobrevivência.

Acesso à arte é resposta aos tempos de isolamento

A arte naïf carrega no próprio conceito um fazer original, com característica popular, retratando, via de regra, cenas do cotidiano e, principalmente, costumes e manifestações culturais. A pintura de Maria José Batista nos convida ao mergulho na luz da cidade, nos personagens com os quais cruzamos nas ruas. 

Em suas telas encontramos a tacacazeira, o vendedor ambulante, devotos e devotas de santos em procissões quilométricas. São pinceladas da vida que nos são oferecidas a cada obra. Por toda esta importância, a exposição não se limitou à geografia do Espaço Cultural onde está montada. As reflexões desta mostra mergulharam nos conflitos do isolamento pandêmico que atravessa a todos e, assim, se viu transposta em um espaço virtual, onde cada produção poderá ser vista de qualquer tela, em qualquer ponto do planeta. 

O site produzido para a artista será lançado durante a exposição e ficará permanentemente aberto para todo o público, a qualquer tempo. A realização dessa exposição é, também, o fim e o início de ciclos. A artista se retirou da cena por um tempo, num período de aprendizado sobre si mesma e descoberta de novos caminhos de recomeço. Assim o  retorno com As Cores Vivas da Amazônia Naïf inaugura nova fase na carreira de Maria José.

Serviço

Exposição “As Cores Vivas da Amazônia Naïf”, de Maria José Batista. Visitação de 10 de dezembro a 5 de fevereiro de 2021, no Espaço Cultural Banco da Amazônia – Sede do Banco da Amazônia, na Avenida Presidente Vargas, esquina com Carlos Gomes, em frente a Praça da República, bairro da Campina, em Belém-PA. Espaço Virtual: mariajosebatista.wixsite.com/oficial.

Da Tribu mostra nova coleção de peças com látex

Fotos: João Urubu

A coleção Nortear reúne peças inovadoras e sustentáveis feitas com o Tecido Emborrachado da Amazônia (TEA) - desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). Uma delas é a bolsa que também se transforma em mochila e cachepôs. Os produtos, diferenciados, somam-se ao portfólio das jóias orgânicas da marca. A tiragem é limitada. Confira nesta quinta-feira, 10, a partir das 10h, via redes sociais.

Marca paraense de slow fashion, a Da Tribu cria moda com conceitos sustentáveis e em respeito aos saberes tradicionais dos povos da floresta, e tem suas peças expostas em diversos pontos físicos do Brasil e também com sua loja virtual. Tendo como base o fio de algodão ecológico banhado em látex, a marca dá novo lugar à borracha, alem de colaborar com a sociobiodiversidade a partir das parcerias com famílias de comunidades ribeirinhas que vivem nos arredores insulares de Belém. 

Tainah Fagundes, diretora de criação, explica que a nova coleção é repleta de diálogos com o mundo e com o próximo, idealizada a partir das mudanças em toda sociedade provocadas pela pandemia do novo coronavírus. “Nos perguntamos o que as pessoas estavam buscando para si e percebemos fortemente uma reconexão com o espaço em que se vive, com a casa, por exemplo”, pontua, destacando a versatilidade das peças, assinadas por Reg Coimbra e Bruna Bastos, designers paraenses da Jambo Estudio.

A mochila pode ser usada como bolsa em uma ocasião mais sofisticada; os cachepôs servem para abrigar vasos de plantas e também como cestos para objetos e frutas. “Nos interessou pensar nesses desdobramentos e por isso chamamos a Reg e a Bruna para conceber o design dos produtos, bem como as estampas”, revela Tainah. Outras parcerias também foram fundamentais: o coletivo Costuraê, projeto que reúne costureiras dos bairros do Guamá e Terra Firme, em Belém; e a comunidade Pedra Branca, na ilha de Cotijuba, que produziu o TEA, há mais de três anos parceira da Da Tribu.

Kátia, Manoel e Corina 

Além disso, a Da Tribu foi em busca de reutilizar materiais, em um movimento pela sustentabilidade: as peças possuem ainda lonas de caminhão com mais de 10 anos de uso, representando pelo menos 1 milhão de quilômetros rodados. 

“A lona foi tingida e tratada, para ser amaciada. É um momento de ressignificar e parar de produzir excessos, apostar em produtos atemporais e com mais tempo de vida útil”, defende a criadora da marca Kátia Fagundes sobre o conceito da coleção, que permeia também toda a trajetória da marca, com o uso constante de materiais recicláveis, matéria-prima renovável e investimento na relação com comunidades na capital paraense. 

Antes do TEA, a Da Tribu desenvolveu peças com fios emborrachados, com o látex, em parceria com a mesma comunidade. Agora, a expectativa é que com o novo maquinário, a produção aumente e que traga mais retorno financeiro. “Vimos que a produção é bem maior, tivemos uma demanda bem grande e isso impacta no nosso mundo financeiro dentro da comunidade”, diz Corina Magno, produtora dos fios e tecidos da Comunidade Pedra Branca.

A Da Tribu já tem uma história de concepção de produtos veganos e sustentáveis e o design para a coleção Nortear surgiu do desejo conjunto entre a marca e o Jambo Estúdio. “Já havia uma admiração e interesses em comum há algum tempo. Da Tribu e Jambo são tocadas por mulheres amazônidas, empreendedoras, que pensam de forma parecida e que acreditam na potência das parcerias”, diz Reg Coimbra. 

Cachepôs

Ela explica que foi realizada uma pesquisa do universo da marca e seus consumidores, tendências de mercado e da área de moda para a proposição dos novos produtos, com o Tecido Emborrachado da Amazônia (TEA) - que tem maquinário específico construído com recursos do edital emergencial da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).

“Existia uma grande vontade em reutilizar tecidos e, a partir desta informação e de pesquisas, revisitamos a técnica do patchwork propondo trabalhar a estamparia com recortes, pois achamos que ficaria interessante o contraste de texturas de diferentes materiais”, ressalta a designer. 

A Da Tribu nasceu em Belém, no ano de 2009, pelas mãos de Kátia Fagundes, que deu vida aos primeiros acessórios, ainda de crochê, como uma alternativa econômica para dar conta da casa e dos filhos Tainah, Moahra e Kauê. Com sua energia e força, as peças se expandiram em outras formas de experimentação de artesania e hoje o látex é quem se molda na criação de brincos, colares, pulseiras, anéis e os mais diversos acessórios que aliam sofisticação, beleza e sustentabilidade junto com o papel reciclado.

Serviço

Lançamento da coleção NORTEAR - Da Tribu - Nesta quinta-feira, 10, via Instagram @datribu e Facebook www.facebook.com/datribuacessorios.

FICCA anuncia vencedores e exibição na TV Cultura

O FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté chega a 2020 consolidando a cultura cineclubista e cinematográfica, a partir de uma perspectiva democrática e de olhar crítico sobre o cinema. Nesta quarta-feira, 9 de dezembro, a partir das 9h, o festival apresentará os filmes vencedores desta quinta edição, com uma mesa de conversa que será realizada dentro da programação do I Simpósio Internacional de Literatura e Audiovisual Amazônia-África, que iniciou nesta terça (8) e segue até quinta (10), com transmissão pelo Canal de Youtube do evento. 

Estarão na mesa, o idealizador e coordenador geral do festival, Francisco Weyl (Carpinteiro de Poesia - PA), que também é poeta, realizador e professor; o cineasta Sérgio Santeiro (RJ), poeta, realizador e professor; e Ana Tinoco (Portugal), artista plástica, realizadora e escritora. 

Em 2020, estão sendo concedidos quatro grandes prêmios, cujos nomes são uma homenagem a personalidades com destaque de atuação na Amazônia. O filme “Álbum de Casamento”, de Otávio Conceição (BA), está recebendo o Prêmio Arthur Leandro de Documentário; “Nós que ficamos”, de Eduardo Monteiro (PE), recebe o Prêmio Padre Bruno Sechi de Longa Metragem; “Tambor ou Boa”, de Sérgio Onofre Seixas de Araújo (AL), foi contemplado com o Prêmio Cláudio Cardoso de Média Metragem e “Mãtãnãg, A Encantada”, de Charles Bicalho (MG), receberá o Prêmio Egídio Sales Filho de Curta-Metragem. 

Este ano, foram inscritos 400 filmes, mas por conta da pandemia não será possível fazer as sessões presenciais. Os quatro filmes vencedores vão recebere o troféu do festival, confeccionado pelo cartunista e artista visual Paulo Emmanuel, o diploma de participação da Escola Superior Artística do Porto; e serão exibidos pela TV Cultura do Pará, no dia  25 (curta e média), 26 (longa) e 27 de dezembro (documentário).

Mais de 600 filme inscritos em seis anos

Valorizando o cinema nacional brasileiro, o festival vem fortalecendo a cinematografia que se faz na Região Amazônica, particularmente aquela produzida no Pará, mas também vem e agregando obras do mundo todo. 

Entre 2014 e 2020, o FICCA recebeu, ao todo, 611 inscrições, vindas de diversos países, sendo que em 2020 foram 400 inscrições e entre 2014 e 2018, 211 filmes inscritos. Em 2014, foram 36 filmes inscritos, 5 dos quais estrangeiros e 31 nacionais, sendo 21 de origem amazônica (13, de autores paraenses). 

Em 2015, 52 obras foram inscritas. Destas, 8 obras estrangeiras, e 44 nacionais, das quais, 10 realizadas por paraenses. Já em 2016, foram 56 inscrições, 5 estrangeiras, 51 nacionais, 9 paraenses. 

Em 2017, o festival passou a ser bianual, por razões de produção e pela mudança do curador Francisco Weyl para a Europa. Em 2018, com apoio da Escola Superior Artística do Porto, o FICCA aumentou o número de filmes inscritos (67), com 7 produções estrangeiras, 60 brasileiras, das quais, 14 eram paraenses.

Entre os países que mais enviam obras ao festival, até 2020, destaca-se Portugal, com 13 obras. Cabo Verde também se destaca, com o envio de 7 filmes. Os estados brasileiros que mais aparecem com filmes enviados ao festival são: Pará (46), São Paulo (44), Rio de Janeiro (36), Rio Grande do Sul, Goiás, e Rio Grande do Norte (8), Bahia (6), e Minas Gerais (3).

Realizado pelo Cineclube Amazonas Douro, em parceria com a Escola Superior Artística do Porto, o V FICCA tem apoio do Centro Cultural Cineclube Casa do Professor Praia de Ajuruteua - Bragança; Holofote Virtual; Associação Cultural de Capanema; Academia de Letras do Brasil – Seccional Bragança; ECATU; Rosa Luxemburgo (Centro Cultural e Biblioteca Comunitária); Coletivo Cultural Águas do Caeté; Instituto Saber-Ser Amazônia Ribeirinha; Rádio Web Idade Medi@; Associação Remanescente Quilombola do América; Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos; Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde; Conselho Nacional dos Cineclubes Brasileiros – CNC.

Serviço

Anúncio dos filmes vencedores do FICCA. Nesta quarta-feira, 9 de dezembro, às 9h, pelo Canal de Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=rg2Evan8sGA. Os vencedores receberão troféu confeccionado pelo cartunista e artista visual Paulo Emmanuel, o diploma de participação da Escola Superior Artística do Porto; e serão exibidos pela TV Cultura do Pará, no dia  25 (curta e média), 26 (longa) e 27 de dezembro (documentário).

7.12.20

Circular recebe conteúdos digitais para 34a edição

O projeto Circular Campina Cidade Velha vai realizar a ultima edição deste ano, no domingo, 20 de dezembro, e está recebendo conteúdos - vídeos, links, fotografia e propostas de live, para se integrarem à programação. Não há remuneração, a ideia é colaborativa. Os conteúdos podem ser links, fotos ou vídeos em formato MP4/até 199mb. Todas as propostas devem ser enviadas até dia 12, por e-mail.

O Circular Campina Cidade Velha atuou em 2020 pelas plataformas digitais. Durante o ano , além das edições realizadas em domingos, o projeto também acabou de realizar, nos dias 4 e 5, o 3º Fórum Circular: Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade, com oficina sobre Direito à Cidade, três mesas de debate e grupos de trabalho, além de lançamento do livro Mapa do Afeto - Cidade Velha, disponíveis no canal de Youtube do projeto. Este ano também foi possível lançar a edição número 7 da Revista Digital.

Para sua última edição em 2020, no domingo, 20 de dezembro, o Circular está buscando conteúdos que sejam capazes de agregar conhecimento, diversidade, educação patrimonial, alimentar e arte educação, boas práticas, reflexões sociais e incentivo à cultura.  Os conteúdos não precisam ser inéditos e podem ser enviados com informações e fotos para divulgação, até dia 12 de dezembro, para o e-mail circular.comunica@gmail.com.

Os que forem selecionado terão seus nomes divulgados com antecedência no site do projeto Circular e dentro do material de divulgação da edição. A seleção dos conteúdos é feita pela própria equipe gestora do projeto. Os conteúdos selecionados serão programados para a edição e depois permanecerão nas redes sociais do projeto.

Para participar é necessário que seja enviado: 

1.     Vídeos de até 5 minutos em formato MP4 com até 199mb,

2.     Vídeos com mais de 5 minutos desde que tenham formatos MP4 de até 199mb

3.     Links para outros conteúdos em outros formatos e com tempo de duração superiores a 5 minutos.

4.     Para formação de galerias digitais, enviar de 5 a 10 fotografias.

5.     Também serão avaliadas propostas para live de até 1 hora de duração, trazendo temáticas que dialoguem com os princípios e valores do projeto Circular, como arte, patrimônio e outros temas que discutam direitos à cidade e à cultura.

6.     Junto às propostas e conteúdos, devem ser enviadas, também para o e-mail: circular.comunica@gmail.com release, mini currículos e outras informações que sejam necessárias para divulgação.

Mais informações: www.projetocircular.com.br

4.12.20

Doc mostra bastidores de gravação de Todo Música

O processo de produção e gravação do CD Todo Música, de Enrico de Miceli, foi registrado em vídeo no ano passado, para se transformar em um documentário que será lançado neste sábado, 5, a partir das 20h, pelo canal de YouTube e Facebook do artista. A noite encerrará com show ao vivo. Lançado no ano passado, o álbum tem produção geral e a direção artística de Nilson Chaves, até de uma homenagem a Gilberto Gil.

Nestes trinta anos de carreira, Enrico di Miceli já havia lançado, em 2010, o álbum “Amazônica Elegância'', em parceria com Joãozinho Gomes, pelo Projeto Pixinguinha Editoração, além, claro de ter feito composições melódicas para inúmeros interpretes e músicos que gravaram sua obra ao longo dessas décadas. Só agora chega o “Todo Música”, que apresenta o trabalho solo do compositor em conexão com diversos parceiros letristas. 

“Eu resisti por muitos anos fazer um trabalho solo. Os amigos sempre cobravam e eu fui deixando pra lá. Até que me bateu uma vontade enorme e comecei a produzir”, comentou o músico em suas redes sociais. Assim, ao longo de 2019, ele se debruçou em suas composições e “recorrendo ao violão”, resgatou “coisas guardadas”, resultando na seleção de 13 composições. 

Morando no extremo norte do Brasil, no Amapá, que faz fronteira com a Guiana Francesa, departamento de Ultramar da França, é desse lugar que ele recebe parte da sua influência musical e sonora, que resulta numa diversidade rítmica e trocas musicais que estão presentes em "Todo Música". 

Neste álbum, Enrico reúne letristas como Joãozinho Gomes, Osmar Junior, Cleverson Baía (Amapá), Leandro Dias, Jorge Andrade (Pará), Eliakin Rufino, Zeca Preto (Roraima) e José Inácio Vieira de Melo (Bahia). A produção é de Nilson Chaves, que também gravou duas faixas do disco. 

O CD tem a apresentação de Zeca Baleiro e faixa dedicada a Gilberto Gil. A produção executiva é de Clícia Vieira Di Miceli. Houve lançamento em Belém, Guiana Francesa e Macapá, em 2019, e em 2020, a ideia era seguir com a circulação de shows, mas a pandemia não permitiu. “E por isso veio a ideia de contar essa história no audiovisual. Envolveu muito gente”, conta Enrico. 

O documentário mostra imagens da gravação do disco, em Belém, no estúdio Ápice, e mostra como foi feita a seleção do repertório, quem são os parceiros. Depois de ser lançado neste sábado, o doc será disponibilizado no Youtube do artista, com publicação posterior e exclusiva, fechando um ciclo para abrir 202 com um novo projeto, a gravação de “Timbres e temperos”, que reunirá a melodia de Enrico, a poética de Joãozinho Gomes e o canto de Patrícia Bastos.

Canal de Youtube do artista

https://www.youtube.com/channel/UCCo8G3GUVf0HX-wKYzHnLVA

3.12.20

3o Fórum Circular traz debates e oficina digitais

Neste final de semana será realizada a terceira edição do Fórum Circular: Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade. Nesta sexta, 4, e no sábado, 5, o projeto vai transmitir pelo Canal de Youtube, debates que trazem temas importantes para nossa cidade. O público também poderá participar de uma oficina que abordará patrimônio, direito à cidade, gênero e sexualidade, e dos grupos de trabalho que serão formados para a elaboração do documento final do fórum. Tudo com tradução em Libras e haverá ainda o lançamento do livro Mapa do Afeto – Cidade Velha.

Em sua terceira edição e em tempos de pandemia o Fórum Circular - uma das ações do Projeto Circular Campina Cidade Velha, precisou se adequar ao formato digital que o projeto assumiu neste ano de 2020, mas sem perder o foco a que se propõe, que é pensar a cidade, o patrimônio cultural e o meio ambiente em suas diversas dimensões e promovendo oportunidades para reflexões e discussões, mas também encontros e afetos. A programação conta com 3 mesas, no formato de Roda de Conversa, versando sobre feiras e mercados, habitação no centro e coletivos culturais seguidas dos respectivos grupos de trabalho. 

Na sexta-feira, 4, o primeiro debate traz como tema “Feiras e Mercados de Belém: caminhos possíveis”. Neste dia também será oferecida também uma oficina sobre direito à cidade, usos contemporâneos e patrimônio cultural na perspectiva de gênero; e realizado o lançamento do livro Mapa do Afeto – Cidade Velha e um show musical no encerramento.

Já no sábado, 5, o dia começa com o tema “Ocupar o centro: mobilização social e experiências de programas de habitação em área tombadas. Em seguida, o debate traz como tema “Coletivos culturais: espaços de convivência, trocas e resistência. Os Grupos de trabalho das três mesas se reunirão na sexta e também no sábado, para apresentação de um documento final.

Tanto para a oficina quanto para a participação nos Grupos de Trabalho que serão formados a partir dos debates, será necessária a inscrição, pois as reuniões serão realizadas em plataforma digital fechada. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: circular.comunica@gmail.com, vagas limitadas a 20 pessoas. As discussões temáticas de cada mesa serão abertas a participação do público.

Oficina: Patrimônio Cultural e Direito à Cidade

A oficina Patrimônio, direito à cidade, gênero e sexualidade: olhares latino-americanos traz ao debate o patrimônio material e imaterial a partir de um olhar antropológico tendo a noção de direito à cidade, e seus usos contemporâneos, como norteador do debate. 

O ponto de partida será a análise de exemplos etnográficos que têm mostrado as possibilidades, potências e limites das ferramentas de patrimonialização de formas culturais diversas como meio de garantia de reconhecimento social e político de grupos sociais historicamente discriminados.

O ministrante, Bruno Puccinelli, é  Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, pesquisa a convergência entre espaços urbanos, gênero, sexualidade, tecnologias digitais e direitos humanos, ministrando cursos livres, consultorias e formações nestas áreas. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: circular.comunica@gmail.com, vagas limitadas a 20 pessoas.

Mapa de afetos no centro histórico de Belém

A primeira fase da construção de uma teia afetuosa que conecta os bairros da Cidade Velha, Reduto e Campina, no centro histórico de Belém, agora tem capa, numeração e páginas a serem folheadas. A ideia do livro “Mapa do Afeto” surgiu em 2018, como ferramenta de aproximação do Circular com os moradores. Coordenado por Tamara Saré, o projeto expandiu como pesquisa em 2019, organizada pelo historiador Michel Pinho.

“O Mapa do Afeto teve uma equipe multidisciplinar, com jornalista, antropólogo, geógrafo, historiador. A metodologia foi fazer pequenas entrevistas que acabaram se transformando em coisas mais extensas. Inicialmente faríamos só um mapa ilustrado e registraríamos isso com as gravações digitais, mas a partir da ideia do Michel e da parceria com a Imprensa Oficial do Estado conseguimos chegar num produto que é mais consistente, como um livro, que registrou essas memórias”, diz Tamara.

A jornalista Yorranna Oliveira, que integrava a equipe gestora do projeto na época, acompanhou todo o processo, como integrante da esquipe gestora do Circular. “Nossa intenção foi valorizar as histórias cotidianas e o relacionamento afetivo das pessoas com o bairro, resgatando narrativas antigas, histórias de infância, questões sociais e culturais bairro de épocas anteriores. E, ao mesmo tempo, construindo essa relação do antigo com o novo, então a gente tem nessa primeira experiência do mapa do afeto histórias que vão desde os mais antigos até seus filhos e netos”, explica Yorrana.

Memórias e narrativas

O livro faz um resgate de memórias fora do Circuito hegemônico de grandes personagens e movimentos que tentou valorizar as histórias cotidianas e o relacionamento afetivo das pessoas com o bairro. Traz histórias mais antigas, memórias de infância, questões sociais e culturais do bairro de épocas anteriores. E, ao mesmo tempo, constrói essa relação do antigo com o novo. 

As narrativas são diversas e vêm de empresários que trabalham na região há mais de 80 anos a senhoras que viram o Círio ‘acontecer’ da janela da sua casa, nos anos 50 e 60. “Isso dá uma dimensão significativa de pessoas aposentadas, pessoas trabalhadoras do comércio, que trabalham com restaurantes na região. Faz com que a cidade se mostre multifacetada. É a ideia de Belém vista de uma maneira muito diferente do que já foi colocada até hoje, mas de uma forma afetuosa”, diz Michel Pinho.

PROGRAMAÇÃO

Dia 04/ 12/2020 – sexta-feira 

10h00 - 10h30 

Abertura – Retrospectiva das edições anteriores e dos documentos produzidos

10h30 – 12h00 

Mesa 1 – Feiras e Mercados de Belém: caminhos possíveis.

Mediação: Celma Chaves – Professora FAU/UFPA, Coordenadora do Lahca; pós doutorado sobre “Mercados Públicos” na Universidade Politécnica da Catalunha/Barcelona. 

Convidados:

Wilma Leitão – Profa. Pesquisadora aposentada/ Instituto de Ciências Sociais/UFPA

Manoel Luiz Rendeiro – Didi – Feirante do Ver-o-Peso e diretor do Instituto Ver-o-Peso. 

Graça Serrão – Permissionária do Mercado do Porto do Sal

Lúcia de Fátima Lobato – Permissionária Mercado Santa Luzia 

15h00 – 16h30 

GT1 – Feiras e Mercados

- Coordenação/redação: Celma Chaves e Circular

Inscrição: circular.comunica@gmail.com | 20 Vagas

17h00 – 19h00 

Oficina: Patrimônio, direito à cidade, gênero e sexualidade: olhares latino-americanos. 

Ministrante: Bruno Puccinelli -  Doutor em Ciências Sociais pela Unicamp 

Inscrição: circular.comunica@gmail.com | 20 Vagas

Dia 05/12/2020 – sábado 

10h00 – 11h30 

Mesa 2 – Ocupar o centro: mobilização social e experiências de programas de habitação em área tombadas. 

Mediação: Rose Norat – Professora Facore/UFPA -  Arquiteta e Urbanista. Doutora em Ciências, área de concentração Geoquímica e Petrologia(UFPA), Mestre em Ciências da Arquitetura (UFRJ). Especialista em Restauração e Preservação do Patrimônio Arquitetônico (UFPA). Diretora da Faculdade de Conservação e Restauro/FACORE do Instituto de Tecnologia/ITEC/UFPA. Atuou como Diretoria do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural/DPHAC e Diretora de Projetos/DP da Secretaria de Estado de Cultura do Pará; Diretora de Patrimônio Histórico/Fundação Cultural do Município de Belém e Gerente de Projetos da Fortaleza de São José de Macapá.

Convidados:

Noêmia Barradas – Arquiteta e Urbanista, doutoranda em arquitetura e urbanismo pelo PPGAU/UFF. Com larga experiência no Campo da preservação do patrimônio cultural. Nos últimos anos desenvolveu trabalhos como consultora junto a Unesco, Iphan e Inepac, atuando em escritórios no Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal. Foi Diretora Administrativa do IAB-RJ (2004-2005), e é Conselheira do IAB-RJ e sua representante no Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro. Atualmente é Conselheira Suplente do CAU-RJ (Gestão 2018-2020).

Sidnei Pita – é de São Paulo, Coordenador Político do movimento União Nacional por Moradia, iniciou sua atuação na unificação das Lutas de Cortiço na defesa de tarifas sociais de água e luz. Em seguida esse movimento inicia a luta por moradia no centro e centro expandido. onde já atua há cerca de 30 anos, passando por várias experiências relacionadas a diferentes modelos de projeto, tais como PAR e  Locação Social  entre outros. Atualmente atua na coordenação do movimento estadual e do nacional. Já foi conselheiro pela sociedade civil no Conselho Estadual de Habitação e no Conselho Nacional de Habitação. É coordenador da Setorial de Moradia do partido dos Trabalhadores. 

Milton Kanashiro – Engenheiro Florestal/Embrapa, morador do Bairro da Campina, com adesão ao edital do programa Monumenta para imóveis privados

11h30 - 13h00

Mesa 3 – Coletivos culturais: espaços de convivência, trocas e resistência

Mediação:  Ângelo Madson Tupinambá – sociólogo e midiativista, diretor da  Rádio WEB Idade Mídia Comunicação para  Cidadania.

Convidados:

Miguel Chikaoka – Idealizador da Associação Fotoativa e da Agência Kamara Kó Fotografias. Seu trabalho como fotógrafo e educador fundamentam-se na abordagem da luz enquanto matriz inspiradora de processos criativos e educativos. Em 2012, recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural – MinC por sua contribuição à cultura brasileira. Em 2015 foi agraciado com o Prêmio Marcantonio Vilaça/Minc/Funarte. 

Telma Saraiva – Historiadora, Mestra em Artes, pelo ICA/UFPA. Artista plástica, ativista Cultural,  coordenadora do Coletivo Cultural Ideias Aí e membro fundadora da Rede Distrital de Culturas.

Isabela Rocha – Arquiteta e Urbanista. Mestre em desempenho Ambiental e Tecnologia/UFPA. Gerente de Projetos e membro do Conselho Diretor do Laboratório da ONG Cidade Laboratório da Cidade – LdC, Belém/PA , integra o Coletivo Cidade para Mulheres. Idealizadora da Oficina Cidades Desejáveis: edição mão na massa.

Wellington Frazão (O Comunicador da Amazônia) – Jornalista, Comunicador popular, Diretor da WebTV comunitária Periferia em Foco.

15h00 – 16h30 

GT2 - Morar no Centro

Coordenação/redação: Rose Norat e Circular

Inscrição: circular.comunica@gmail.com | 20 Vagas

GT 3 – Coletivos Culturais: uma proposta para o centro histórico e vizinhanças.

Coordenação/Redação: Ângelo Madson e Circular | Participação de Flávio Nassar e Nani Tavares.

Inscrição: circular.comunica@gmail.com | 20 Vagas

17h30 – 18h30 

Lançamento do Livro Mapa do Afeto

Abertura e apresentação: Adelaide Oliveira – Circular 

Debate com Mediação: Tamará Saré – Coordenadora Mapa do Afeto + Convidados

19h00 – 20h00

Encerramento com show musical