25.11.09

Trailer do curta metragem Matinta será lançado neste sábado

Rodado em Super 16mm, entre setembro e outubro deste ano, na mata do Utinga, em Belém e na Vila Caruaru, em Mosqueiro, o curta-metragem “Matinta”, de Fernando Segtowick, está em processo de montagem e design de som.

O diretor também acaba de aprovar projeto na Lei Semear para captar os recursos para a finalização do curta em película.

E realiza, no próximo sábado, 28, o lançamento do trailer de Matinta na boate Ibiza - Rua Jerônimo Pimentel, entre Doca e Wandenkolk.

Dira Paes, protagonista do curta, o primeiro de sua carreira recheada por longas, bem que demonstrou o desejo de vir a Belém participar da festa, mas nada se tem confirmado ainda.

A atriz, porém, logo estará mais uma vez aqui para gravar o segundo curta-metragem, desta vez com direção de Jorane Castro.

A festa de sábado promete. Para quem gosta de dançar, anota aí: o lançamento do trailer conta com os DJs Marcelo (Se Rasgum), Dj Xarope, Adriano Barroso, que contracena com Dira Paes no filme, e DJ Velvet.

Com certeza será uma ótima noite. Além de ver uma pequena mostra do que virá aí no curta, ainda vai dar pra se esbaldar na pista de dança.

O filme traz uma fotografia belíssima, de Pablo Baião, além do ótimo elenco paraense que, além de Adriano (Felício) e Dira (Walkíria), apresenta a menina Marina D’Paula (Jandiara), na foto acima com Dira e Adriano.

E traz ainda Andréa Rezende (Maria), Astréia Lucena (Nazaré) e Nani Tavares (Antonia), além da figuração feita pela comunidade de Caruaru.

Na história, um triângulo amoroso acaba mexendo com o pacato sinistro de uma pequena e isolada vila ribeirinha. O projeto foi aprovado em edital para produção de curtas-metragens lançado pelo Ministério da Cultura (MinC), no ano passado.

Os ingressos para a festa de lançamento do trailer de Matinta já podem ser comprados, a R$ 15,00, através dos telefones: 8105.9793 ou 8146.6696.


Últimos dias para ver a Mostra Visionários na América Latina

No Instituto de Artes do Pará, ainda hoje e encerrando amanhã, esta a mostra “Visionários – Audiovisual na América Latina”, que desde o dia 16 tem dado o que falar.

Na foto ao lado, imagem de Anatomia, (2007), de Bayardo Escober, programa de amanhã.

No programa de hoje, a curadoria é da documentarista e jornalista Marta Lucia Vélez mostra produções de Cuba, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

“De Domínio Público” tem um caráter mais sociológico, de obras como “White Balance (To Think Is to Forget Differences)”, de François Bucher, da Colômbia.

Neste trabalho, encontramos imagens de Manhattan, em Nova York, tiradas da internet e da televisão antes e depois do histórico atentado de 11 de setembro contra o World Trade Center; WTC.

Amanhã, 26, com curadoria de Elias Levin, teremos o programa “Outras Convergências”, que mostra como a tecnologia de ponta, com telas de alta definição e câmeras móveis de celulares, alteraram de forma definitiva a produção e reprodução da imagem.

Dentro desta seleção de quinta-feira, 26, está “Anomia” (2007), de Bayardo Escober, de Honduras, que mostra a história desoladora de um sujeito alienado.

Também será exibido “Latino Plastic Cover” (2000), primeiro projeto do coletivo Fulana, é um trabalho na linha dos infomerciais da televisão a cabo para promover a última panacéia que garante manter os seus móveis limpos e sem poeira, bem como resolver todos os tipos de danos sociais que atingem a comunidade latina e muito mais.

Em seguida a mostra apresenta “Acción Vandálica en Mi Linda Costa Rica” (2004), de Alejandro Ramírez, vídeo que parte de uma reflexão sobre o grafite e o trabalho sociológico desenvolvido com o karaokê.

Já “Centroamérica Now” (2004), de Regina Aguilar, é uma breve resenha das mortes em massa ocorridas nas prisões de Honduras em resposta à problemática do fenômeno social das gangues conhecidas como las maras no país.

A partir da simulação de um videogame realmente existente, “Juegos en el Parque” (2004), de Jorge Albán, confronta a hibridação tecnológica, o tempo virtual e a exploração implícita da violência como forma de entretenimento, que se revela através do diálogo inocente de duas meninas que se divertem ao matar.

Encerrando a mostra, nesta quinta-feira, 26, será exibida a produção mexicana “Película con Muertos y Toda la Cosa” (2001), de Enrique Favela.

Curadoria coletiva - Promovida pelo instituto Itaú Cultural, a mostra é resultado da pesquisa e curadoria coletiva que inclui o crítico de cinema Arlindo Machado, que fez também uma antologia histórica desta produção desde os anos 60; Elias Levin (América Central, México e Caribe); Jorge La Ferla (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai); Marta Velez (Países Andinos e Cuba); e Roberto Cruz (Brasil), gerente do Núcleo de Audiovisual do Itaú Cultural, que organizou o evento.

As sessões da Mostra “Visionários- Audiovisual na América Latina” começam sempre às 19h, no Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, nº 236 - Nazaré - ao lado da Basílica), com entrada franca.


Veja quais são os filmes desta quarta-feira, 25

Nuevas Consideraciones sobre la Imagen (José Alejandro Restrepo, Colômbia, 2007, 8’55’’, vídeo) - As novas considerações sobre a imagem são, na verdade, muito antigas: vêm pelo menos do século VIII. A luta pelas imagens é parte essencial do butim do espaço teológico-político. A tecnologia da imagem sofistica-se, mas a retórica é a mesma dos debates bizantinos. Aqui temos um exemplo recente que atualiza o debate.

Habana Solo (Juan Carlos Alom, Cuba, 2000, 14’30’’, filme 16 mm, preto-e-branco, revelado à mão) - Neste filme, revelado à mão pelo realizador, assistimos a uma sinfonia de imagens e sons pelas ruas de Havana. As imagens da lente livre da câmera de Alom, sem mais palavras do que as solitárias improvisações de alguns músicos importantes de Cuba, de variadas tendências, falam-nos da cidade que os habita e em que habitam.

White Balance (To Think Is to Forget Differences - François Bucher, Colômbia, 2002, 32’, vídeo) - Esta obra é um esforço para descobrir as geografias do poder, as fronteiras do privilégio.

A obra visita esse problema sob diferentes ângulos, criando curtos-circuitos de sentido que, por sua vez, contam com o suporte de encontros audiovisuais inéditos.

Imagens de várias fontes, da internet e da televisão, misturam-se a imagens feitas em Manhattan antes e depois dos atentados de 11 de setembro.

Retratos Familiares (Carlos Eduardo Monroy, Colômbia, 2003, 11’, vídeo) - “A familia perfeita” é o objetivo de qualquer câmera que se disponha a fazer um retrato de família; por isso, as mulheres procuram o melhor vestido e os homens combinam tudo com a gravata. Tudo deve estar perfeito para que, no momento de dizer “xis”, a criança não se mexa, o nó da gravata esteja reto e os penteados não se desmanchem.

24.11.09

Maria Lídia participa do show de Rosa Corrêa e inicia temporada em novo bar

Maria Lídia abre temporada, desta vez no novíssimo Club MPB Bar, na Municipalidade com Soares Carneiro.

E é bom avisar para quem já estava habituado às guigs da cantora no Bar e Restaurante Quintal, que esta semana esqueça isso.

Maria Lídia não estará lá nesta quarta-feira, 25, como era de se esperar, já que a temporada seria para todas as quartas-feiras do mês de novembro.

A direção do espaço cancelou abruptamente a apresentação e pegou até mesmo a artista de surpresa.

Esta atitude deve, no mínimo, ter atrapalhado um tanto a vida profissional da cantora, que com certeza deve ter deixado de fechar outros compromissos em detrimento do acordo fechado com referido bar. Infelizmente, para o bar, faltou profissionalismo.

Mas para o público, a boa notícia é que Maria Lídia poderá ser vista e ouvida, esta semana mesmo em duas oportunidades. Uma delas, no Club MPB Bar, onde incia temporada do Clube das Quintas (22h). De acordo com Maria Lídia, um dos espaços ideais para quem gosta de ouvir boa música.

Ela informa que lá não existe televisão passando jogos, clipes, lutas e, além disso, os preços são bons, os banheiros decentes, o atendimento é legal e a cerveja é gelada! No mais, só indo lá conferir.

A outra é nesta quarta mesmo, numa participação no show Rosa Corrêa, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa. Rosa também terá como convidados, o pianista Paulo José Campos de Melo, o Trio Manari e Olivar Barreto, com direção musical de Quiure.

Cinema e diversidade na programação do CCBB Itinerante

Este ano a programação do Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante está diversificado e com traz atrações inéditas, como é o caso do Vozes de Metres - Festival Internacional de Cultura Popular.

Na área do teatro, protagonizado por Cleide Yáconis, "O Caminho Para a Meca" (foto) é o espetáculo do circuito.

Escrito a partir do texto de Athol Fugard, mostra a história da sul africana Elizabeth Martins, outsider que encontra sua forma de expressão por meio da escultura, produzindo arte não convencional.

Outro destaque é a apresentação de nomes consagrados da música de raiz brasileira, como Pena Branca, Genésio Tocantins, Dércio Marques e As Galvão apresentam clássicos da moda caipira: Beijinho Doce, Chico Mineiro, Chalana, entre outras.

O repertório de música caipira com arranjo erudito será executado por um quinteto de cordas, além de piano, violão e percussão, com apresentação do ator Antônio Grassi.

Além disso, Nana Vasconcelos faz apresentação e ministra oficina de percussão, cujas inscrições podem ser feitas pela internet: www.vozesdemestres.com.br. Antes do show de Nana, sobem ao palco D. Onete e Trio Manari.

Na exposição Serra da Canastra, as fotografias do documentarista Adriano Gambarini retratam a região considerada a Chapada de Minas Gerais, extremamente rica em aspectos naturais, com espécies da fauna ameaçadas de extinção, plantas e vegetações endêmicas.

Tem ainda as oficinas de “Mural em cerâmica”, com a artista plástica Germana Arthuso, e a de “Corpo e voz”, da artista Déa Trancoso, do Vale do Jequitinhonha, e o projeto Ideias, que reunirá os músicos Pena Branca e Décio Marques na mesa-redonda: “Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos?”. O debate tem mediação de Déa Trancoso e participação de Dona Onete e Mestre Come Barro.

O audiovisual traz duas mostras: “Os Melhores Filmes do Ano – ACCRJ” (na foto,um dos filmes da mostra), oportunidade de assistir ou rever produções de 2008 e a “Sessão Criança Itinerante”, com filmes de valor artístico e de formação de crianças e adolescentes.

Belém é a última das 18 cidades pelas quais passou o CCBB Itinerante. São 95 dias de programações, que tem como objetivo democratizar a cultura e revelar novas tendências artísticas, valorizando talentos locais.

Vale à pena ir até o Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, onde toda a programação estará concentrada.

Programação Completa

Música
"Vozes de Mestres - Show Principal: Naná Vasconcelos”
Show de abertura: D. Onete e Trio Manari
Dias 24/11, às 20h.
Classificação indicativa: Livre

"Brasil Clássico Caipira”, com Pena Branca, Dércio Marques, Genésio Tocantins e As Galvão. Apresentação do ator Antônio Grassi.
Dia: 29 de novembro, às 20h.
Entrada: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) para estudantes e idosos.
Classificação indicativa: 16 anos

Teatro
"O Caminho Para Meca"
Dias 26 a 28/11, às 20h
Entrada: R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada) para estudantes, idosos. Classificação indicativa: 12 anos

Cinema
"Os Melhores Filmes do Ano - ACCRJ - Itinerante"
De 24 a 29/11, às 17h e 19h
Local: Hangar Centro de Convenções
Entrada gratuita.
Dia 28/11 - Debate Os Melhores Filmes do Ano - ACCRJ - Itinerante com Guilherme Lima Júnior, crítico da ACCRJ, e um crítico convidado local - 19h - gratuito

"Sessão Criança Itinerante"
De 24 a 29/11, às 9h e 14h
Local: Hangar Centro de Convenções
Entrada gratuita.
Dia 24/11 - Palestra Sessão Criança Itinerante para Educadores - 9h – gratuito
Classificação indicativa: livre.

Exposição
"Serra da Canastra"
De 24 a 29/11
Horário de visitação: Das 9h às 18h
Entrada gratuita.

Dia 24/11 - Palestra Exposição Serra da Canastra com o fotógrafo Augusto César Miranda Nunes - 10h - gratuito
Local: Hangar Centro de Convenções
Classificação Etária: livre

Ideias
Mesa-redonda
“Brasil: quem somos nós e como chegamos a ser o que somos?”
Dia 28/11, às 19h
Local: Hangar Centro de Convenções
Entrada gratuita

Oficinas
Oficina de Percussão
Naná Vasconcelos
Data: 25 de novembro
Horário: 09h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Inscrições no site www.vozesdemestres.com.br

Oficina de Mural em Cerâmica
Facilitarora: Germana Arthuso
Data: 24 de novembro
Horário: 09h e 14h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Inscrições no site www.vozesdemestres.com.br

Oficina Corpo e Voz
Facilitadora: Déa Trancoso
Data: 26 a 28 de novembro
Horário: 14h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Inscrições no site www.vozesdemestres.con.br

Mais informações:
www.oficinadapalavra.com
www.bb.com.br/cultura

23.11.09

Congresso desvenda pensamento filosófico de Benedito Nunes

O filósofo, ensaista e crítico paraense Benedito Nunes, que completou 80 anos, no último dia 21, recebe homenagens esta semana durante o congresso "Benedito Nunes, pensador brasileiro", que acontece de 25 a 27, em Belém, com palestras, cursos, conferências e lançamentos.

Dentro da vasta programação, na quinta-feira, 26, será lançada a revista Asas da Palavra e, na sexta-feira, 27, a terceira edição do livro O dorso do tigre, de Benedito Nunes (Editora 34).

No encerramento, o filósofo profere a conferência “Meu Caminho na Crítica”. Tudo na Unama da Alcindo Cacela, de 15h às 21h. Abaixo, saiba mais:

25.11- QUARTA-FEIRA
15h– Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes" - Jucimara Tarricone (Estácio, SP). Aula 1: O intérprete hermenêutico: fundamentos do método crítico.

16h45– Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes" - Marco Antonio Casanova (UERJ) - Aula 1: A caminho de Ser e tempo: fenomenologia e dasein.

18h15 – Lançamento do livro Pensamento poético – homenagem a Benedito Nunes - Org.s Victor Sales Pinheiro e Luiz Costa Lima - Editora Azougue.

19h00 - Sessão de palestras I: Benedito Nunes e a prosa moderna brasileira: Guimarães Rosa e Clarice Lispector.

19h00 às 20h15 – Palestra de Silvio Holanda (UFPA) - “Guimarães Rosa e Benedito Nunes em clave hermenêutica”.

20h30 às 21h45 – Palestra de Nádia Gotlib (USP) - “Perto de Clarice Lispector – o leitor Benedito Nunes”.

26.11 - QUINTA-FEIRA
15h00 às 16h30 – Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes" - Jucimara Tarricone (Estácio, SP) - Aula 2: O diálogo crítico: historiografia literária e crítica nacional.

16h45 às 18h15 – Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes" - Marco Antonio Casanova (UERJ) - Aula 2: Do ser ao tempo: angústia, liberdade, cuidado, temporalidade e historicidade.

18h15 – Lançamento da Revista Asas da Palavra n. 25 - Edição comemorativa a Benedito Nunes - Org.s Victor Sales Pinheiro e Célia Jacob - Editora Unama.

19h00 - Sessão de palestras II: Benedito Nunes, leitor de poetas brasileiros: João Cabral de Melo Neto e Mário Faustino.

19h00 às 20h15 – Palestra de Adalberto Müller (UFF) - “João Cabral e Benedito Nunes: um diálogo entre poesia e crítica”.

20h30 às 21h45 – Palestra de Lilia Chaves (UFPA) - “Benedito Nunes e Mário Faustino: o filósofo e o poeta”.

27.11- SEXTA-FEIRA
15h00 às 16h30 – Curso de teoria literária "A crítica de Benedito Nunes" - Jucimara Tarricone (Estácio, SP) - Aula 3: A construção da linguagem crítica: o conceitual e o metafórico.

16h45 às 18h15 – Curso de filosofia “Passagem para o poético: filosofia e poesia em Heidegger, de Benedito Nunes" - Marco Antonio Casanova (UERJ) - Aula 3: Do tempo ao ser: a essência da verdade, niilismo, poesia e pensamento.

Sessão de palestras III: O pensamento filosófico de Benedito Nunes.

19h00 às 20h00 – Palestra de Marco Antonio Casanova (UERJ) - “Poesia e pensamento entre Martin Heidegger e Benedito Nunes”.

20h00 às 21h00 – Conferência magna de Benedito Nunes (UFPA) - “Meu Caminho na crítica”.

21h00 – Coquetel de encerramento - Lançamento do livro O dorso do tigre, de Benedito Nunes (3ª edição. Editora 34).

A Revolução das Espécies. A Evolução dos Acácios.

No título acima, duas citações de um texto escrito para Acácio Sobral, em 2004. Já tinha lido antes, no site elaborado pela RKE para o artista, em fevereiro deste ano.

Hoje voltei ao site do Acácio e lá o reencontrei, com um significado maior, ao nos ver perder Acácio Sobral, cujo corpo foi velado durante a tarde, no Museu Histórico do Pará, o MHEP.

Abaixo, enfim, esta pequena homenagem, através do belo texto de Jorge Eiró.

Para saber mais sobre Acácio Sobral, acesse os sites: http://www.acaciosobral.com.br/ e http://www.culturapara.art.br/artesplasticas/acaciosobral/index.htm




Acácio de Capadócia

Por Jorge Eiró

Transmutação dos elementos passagens.
Alterações de estado, estações do espírito.
Mudanças do corpo. Metamorfoses da carne.

Fênix da matéria.

A idade da Terra. Pedra filosofal.

Celebrações alquímicas: “Operações de feitiçaria” (como Argan resumiu Picasso).
Mantas imantadas de mágica multiplicam-se
tantas: mantras, tantras...

Transcendências.

Lava incandescente vertendo do vulcão do mago: magma

Cadinho/caldeirão: fundição, fusão, fissão, liquefação.
Metais, minerais, motores, corações e mentes mutantes.
Solidificação, combustão, evaporação. Sublimação.
Moto-continuo. Moto-perpétuo.

Estados d’alma. Substâncias instáveis. Instâncias voláteis. Instalações no vácuo.
Campos magnéticos. Poeira-pigmento interestrelar. Pinturas de plasma.
Despojos cartesianos. Descartes: “O Tirador de Espinho”.

Descurtumes: couro de cobra, descobrindo-se, desdobrando-se, descarnando-se.
Obra engolindo cobra, apropriando-se do espaço, apoderando-se do tempo.
Coral descolorida. Cascavel desvelada. La Naja Desnuda.

Multiprocessador da matéria. Translações de tempo e espaço.
Buracos-negros engolindo luz, aspirando nosso frágil pó para outras dimensões.
Tempestades solares cozinhando a cera: Encáustica Cósmica.

Matéria esotérica. Etérea.
Maetérea.
Mater Matéria.

Gênese: O sopro divino da criação
Curtição
Curtume.

Curtir a memória do couro. Lavrar o ouro dos ícones.
Escarnar as estampas, escaneá-las. Plasmá-las, arando, riscando, rasgando, tatuando,
escarificando o papel e recontando a Historia da Arte. Anti-Arte.Anti-Matéria.
Refaz o percurso: “não tenho tempo a perder”. Tempo circular.Espaço esférico.

A Revolução das Espécies. A Evolução dos Acácios.
Re-ciclo: sobre as imagens imantadas o artista arrisca seu Renascimento.

Jorge Eiró
Outubro 2004.

[O Acácio vai me proteger enquanto eu estiver abstraído]


Documentário de Andrea Tonacci (diretor de Bang Bang) na sessão do Inovacine

Trinta e cinco anos depois de Bang bang (clássico do cinema marginal, que aliás assisti ontem), Andrea Tonacci em “Serras da Desordem”, o cineasta ainda propõe o jogo ao espectador, ainda experimenta com rigor a linguagem cinematográfica, ainda permanece um dos nossos maiores cineastas. O que é Brasil?

Como Glauber Rocha em sua derradeira obra-câncer Idade da Terra, como Orlando Senna e Jorge Bodanski em sua obra-transa Iracema, Tonacci responde a pergunta do único jeito que sabe: revolucionariamente. Filme ensaístico intelectual e drama sentimental ao mesmo tempo.

Após escapar do massacre de seu grupo familiar em 1977 no Maranhão, o índio Carapirú perambula sozinho pela serras do Brasil Central até ser encontrado na Bahia, dez anos depois, pelo sertanista Sydney Possuelo. Levado para Brasília, vira alvo de polêmica entre antropólogos e lingüistas, e acaba retornando à aldeia de origem.

É um documentário do real ou um sonho da ficção? Um documentário em forma de sonho ou a documentação do sonho em forma de fábula? Ficção histórica ou memória reencenada? Andrea Tonacci, um dos cineastas mais experimentais de todos os tempos, faz mais uma obra-prima.

“A Serra da Desordem” é a reflexão do processo civilizatório e a tragédia pessoal do índio, alter-ego tonacciano do homem perdido que não consegue se comunicar, e que vaga. Deus inventou a liberdade, o Diabo o arame farpado.

A Natureza inventou o Homem, e o Homem inventou o Cinema. Andrea Tonacci (re) inventou a história de Carapirú, nas Serras da Desordem. Na ordem da montagem, na serra da poesia, Tonacci se reinventou, e, assim, reinventou o cinema brasileiro.

Serviço
Serras da desordem. Andrea Tonacci. 06. p/b & cor. 135’. No Espaço Cultural da loja Ná Figueiredo - Av. Gentil Bittencourt, 449. Nesta segunda, 22, às 18h30. Entrada franca. Realização: Fapespa. Parceria: APJCC. Apoio: lojas Ná Figueiredo.