28.8.14

O Campo e a Cidade brinda início da Turnê Lusitania com ensaio aberto

“Estamos a caminho de Portugal para nossa primeira turnê além mar. E gostaríamos de chamá-los para nosso brinde num ensaio aberto”, diz Neto Rocha, músico fundador da banda “O Campo e a Cidade”, no convite aos amigos via redes sociais. Formada também por Marcello Gabay e Carlos Canhão Brito, o grupo segue para uma série de shows em Portugal.  O ensaio geral será realizado neste sábado, 30, no Z7 Studio, na Vila Madalena, em São Paulo, na véspera da viagem para a Europa. 

A banda realizará dois shows em Lisboa, mais dois em Évora e um em Coimbra. Serão vinte dias de intensa atividade musical, que inclui tocar na rua, nas praças, interagir com artistas e músicos portugueses. 

Para isso, além do ensaio geral de sábado, outros vem sendo realizados ao longo desta semana, já na capital paulista, ganhando a direção artística da atriz e diretora Michele Campos. Após a turnê, já de volta ao Brasil, a ideia é centrar na captação de recursos para o primeiro disco, cujo projeto foi contemplado pela Lei Semear, prevendo ainda a realização de um mini documentário. 

“A ideia é gravar o álbum com o resultado deste último ano de trabalho junto, já que O Campo e a Cidade agora é um trio e ganhou nova força percussiva”, diz Gabbay. O show apresentado em Portugal será realizado também em Belém, no dia 4 de dezembro, no Sesc Boulevard.

Primeiro Andar, que recebe um dos shows, em Lisboa 
“O Campo e a Cidade” é uma banda de sonoridades mistas, reúne as essências do campo, a velocidade poética da cidade. É resultado de um trabalho de pesquisa musical e histórica, iniciado por Neto Rocha e Marcelo Gabbay, em 2008. Há dois anos, com a criação de canções inspiradas no formato tão brasileiro das duplas, e na interseção entre o Pará e São Paulo, o trabalho vem se solidificando, com a contribuição do percussionista e baterista Carlos Canhão Brito Jr. 

A opção pelo formato em dupla, inicialmente, foi uma forma de resgatar as estéticas sonoras que compõem a canção brasileira, na interseção entre os códigos mais regionalizados e as sínteses sonoras mais globais. Nilson Chaves e Vital Lima, Kleiton e Kledir, Sá e Guarabira, Toquinho e Vinícius, Simon e Garfunkel, Moraes e Pepu, duplas criativas que de alguma forma estão relacionadas com uma referência a terra, ao lugar de origem, a saudade e a vida nas cidades grandes, aos conflitos do contemporâneo.

No formato de trio, com Carlos Canhão Brito, a sonoridade pau-e-corda do projeto ganhou corpo com experimentações sonoras contemporâneas. As cordas dos violões, banjo, e do contrabaixo, dividem textura com pau de chuva, taças de vidro, objetos de madeira, um garrafão de água mineral, sintetizadores, samples, efeitos e o trabalho vocal do grupo. 

O resultado é algo entre a sonoridade brasileira “anos 70” e a aura confessional instantânea da música popular contemporânea, que se reflete tanto no estilo cancioneiro como na forma de gravação, que revela o movimento de reconfiguração estética por que passa hoje a canção popular paraense.

Trajetória – Neto Rocha conta que a canção que deu origem ao projeto foi Flores. “No segundo semestre de 2012, mostrei a trilha de Flores pro Marcelo, ainda sem letra somente violões. 

E aí começamos novamente um papo sobre música, mas sem compromisso. Em Janeiro de 2013, eu já tinha a letra e a música toda pronta e enviei por e-mail pro Gabbay, que logo em seguida me ligou e disse: vamos montar uma dupla e um disco. A música tá linda e tal. E assim começamos”, conta Neto. Assim, "Flores" foi o primeiro registro, feito em abril/maio de 2013 em homestudio, como ponto de partida para concretizar a ideia de canções guardadas e arranjar de forma quase artesanal, com cordas e percussão.

“Essa canção é do Neto Rocha, mas sintetiza o espírito de junção campo-cidade, porque tem uma pegada pop e algo regional, como a sonoridade banjo com cordas de náilon (referência extraída das andanças do Gabbay pelo Marajó). Quando ficou pronta, vimos que essa síntese era o ponto de partida”, diz Marcello. 

A partir daí, eles iniciam uma série de shows igualmente artesanais ou "homemade", realizados em apartamentos, com repertório de estéticas do cancioneiro marajoara e da cena paulistana contemporânea, e com o objetivo também de colaborar para a formação de plateias em espaços culturais alternativos.

Após uma temporada de apresentações em espaços alternativos e em palcos tradicionais, em 2013, “O Campo e a Cidade” lançou um EP em Belém, no Teatro Cuíra. O EP intitulado "Dia de São João", traz cinco faixas. O disco também foi lançado em São Paulo, o lançamento ocorreu no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros.

Em novembro do mesmo ano, O Campo e a Cidade ainda foi selecionado para o projeto “Antessala”, da Dafiti, que visa lançar dez artistas independentes com apresentações no HSBC São Paulo, abrindo o show de Sandy Leah. Há mais informações sobre a banda, a circulação em Portugal, além de músicas e videos de ensaios para ver e ouvir, no blog  do grupo (http://ocampoeacidade.com.br/).

Serviço
“O Campo e a Cidade”. Turnê Lusitania. Dia 5 de setembro, no Espaço "Primeiro Andar"(22h)  - Rua das portas de Santo Antão 110, Lisboa. Dia 6, na "Casa da Zorra" (23h) - Rua Serpa Pinto 78, Évora. Dia 13, na "Galeria Santa Clara" (23h) - Rua António Augusto Gonçalves 67, Coimbra. Dia 17, na "SHE Sociedade Harmonia Eborense" (23h) - Praça do Giraldo72, Évora e dia dia 19, no "Ler Devagar" (23h) - Rua Rodrigues Faria 103, Lisboa. Mais detalhes sobre os espaços onde o grupo vai tocar, na agenda: http://ocampoeacidade.wordpress.com/agenda/

25.8.14

Diretor francês compartilha experiência em Belém

Vicente Moon está em visita no Brasil, entre os meses de agosto e outubro, apresentando filmes, conferências, workshops, e performances ao vivo. Em Belém, o diretor parisiense realiza uma Cine Conferência, sob o tema “Filmes musicais do mundo”, no dia 6 de setembro, às 18h, no Centro Cultural Sesc Boulevard.

Segundo a revista New York Times Magazine, Vicente é um dos mais importantes cineastas franceses independentes da atualidade, com uma produção que não segue padrões da indústria cinematográfica. 

Conhecido por dirigir uma série de curtas com bandas como Phoenix, Yo La Tengo, Arcade Fire, REM, Tom Jones entre outras, além de filmes musicais independentes, ele foi o principal realizador de Concertos para o site “La Blogothéque”, de 2006 a 2009, projeto que tem como objetivo compartilhar vídeos musicais na internet. É fácil encontrar seu trabalho, filmes e gravações de música, de forma gratuita na internet, sob licença Creative Commons, acesse o site: www.vincentmoon.com

Parceria em Belém - Até 2013, Moon percorreu o mundo registrando imagens de rituais religiosos, músicas sacras e folclore local para sua coleção “Petites Planàtes” (Pequenos Planetas). 

Ele trabalha sozinho ou com pessoas que encontra na estrada, e na maioria das vezes, sem dinheiro envolvido nos projetos, tentando produzir e distribuir filmes sem seguir as normas estabelecidas pela indústria.

Exemplo disso foi a gravação do DVD “Live in Jurunas” da cantora paraense Gaby Amarantos, no qual Vincent Moon assinou a direção junto a paraense Priscila Brasil, em 2011. O DVD está na lista dos filmes que serão apresentados em Belém.

Serviço
Cine Conferência “Filmes musicais do mundo”, por Vincent Moon (FR). No próximo dia 6 de setembro, às 18h, no Cine Teatro do Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 – em frente à Estação das Docas). Entrada franca. 

21.8.14

9º Festival Se Rasgum abre em clima de festa

A abertura do evento, nesta última quinta-feira, 21, foi nota 10. A ideia de dar o start do festival no Teatro Margarida Schivasappa do Centur deu super certo e deu ares de boas vindas ao público. Foi uma noite de encontros entre “velhos amigos” e gerações diferentes de bandas e músicos, provocando a sensação de estar em uma grande confraternização.

A escolha das primeiras atrações foi perfeita, nos deixando entre a nostalgia dos velhos tempos e os ares de um novo momento. Bolas dentro. Foram apresentados dois trabalhos paraenses em ascendência, mas de gerações distintas, e um terceiro, com um artista da “velha guarda”, digamos assim.


Suavidade e juventude em Camila Honda

Camila Honda, que acaba de lançar seu primeiro CD, abriu a programação. Voz suave, com um repertório divertido e juvenil, ela encantou a plateia. Há cerca de dois anos na cena, Camila desponta ao lado de outras cantoras, como Natalia Matos e Luê, que também acabaram de lançar o primeiro CD, e de Aila que, com um pouco mais de chão, já está indo em busca do segundo disco. 

Todas elas, além de outros artistas dessa nova geração, fazem parte dessa nova fase da produção musical no país, ligada à distribuição digital, com recursos de editais, via Lei de Incentivo e outros métodos independentes de financiamentos. Camila Honda segue como promessa de uma bela carreira, ainda se acostumando com o palco. 

Ontem fez apresentação com figurino adequado ao seu estilo e repertório que está no disco de estreia. Agradou. Foi acompanhada por Arhur Kunz na bateria e Leo Chermont, na guitarra (eles integram a banda em duo Strobo), além de Maurício Panzera (Clepsidra), no contrabaixo e Marcel Barreto em mais uma guitarra.

Antonio Novaes fez um show vibrante

Em seguida entrou em cena Antonio Novaes, que embora ainda não tenha lançado o primeiro CD da carreira solo, já é mais conhecido do cenário musical de Belém, por ter integrado, nos anos 1990, A Euterpia. 

A banda, que na época fez toda diferença, é até hoje lembrada e cultuada por muitos. Antônio mandou no show várias canções que fizeram parte do repertório da antiga banda, como “Dentro da Caixa”, que chegou a ser gravada no CD “Revirando o Sótão” (Na Music /2006), e outras que foram só executadas pelo grupo na fase paulista, entre 2008 a 2010, como “Salve Zé”, “Tenha mais cuidado”, entre outras, todas composições de Antônio, que integram o projeto Antônimo, CD que está em fase de captação.

A banda que o acompanha, com a talentosa e experiente cantora Cacau Novais, o baterista Adriano Souza, o contrabaixista Príamo Brandão, além do trompetista Thél Silva, o trombonista Jô Ribeiro e o saxofonista Marcos Puff, somados ao próprio Antônio, na voz e piano elétrico, contribuíram para a excelente apresentação. Foi um show de som encorpado e vibrante, cênico, visceral. Camila Honda deu palhinha na última canção “Do Tamanho do Mundo”. É a quarta vez que vejo este show. O público vibrou.

Nei Lisboa, um "velho" querido do público de Belém 

A noite fechou com Nei Lisboa, que abriu o show dizendo o quanto Belém continua o surpreendendo com recepções calorosas. Mas isso não é milagre ou resultado da grande mídia. Tem explicação. 

Quando Nei veio pela primeira vez em Belém, nos anos 1990, já tinha público, um mérito cavado pelo quarteto de programadores da Rádio Cultura do Pará, na época, formado por Beto Fares, hoje diretor da rádio (e que estava lá na plateia, claro), Toni Soares, que hoje segue carreira solo de cantor e compositor (ele integrou antes os grupos Porta de Casa e Pavulagem), Mariano Klautau Filho, jornalista, hoje seguindo a carreira acadêmica da semiótica e fotografia, em São Paulo, e Cesar Nunes, que continua trabalhando na rádio. 

Eles foram os responsáveis por ouvirmos naquela época Nei Lisboa, quando este sequer tocava no sudeste e em outras regiões do país. Um verdadeiro achado, como também aconteceu com Dulce Quental e o próprio Arrigo Barnabé, que embora tivesse uma carreira anterior a destes dois, passou a ser reconhecido pela geração anos 1990 de Belém, ganhando público maior por aqui. Todos vieram fazer show naquela época, lotando o Margarida Schivasappa,  por arte e graça desses quatro programadores. 

Não é mera coincidência... 

Daí que, por ironia do destino, Nei Lisboa entrou para o staff artístico do festival deste ano, e pela primeira vez, na vaga de Arrigo Barnabé, que viria com o projeto que inclui a banda feminina  “As Histéricas”, mas desistiu em cima do lance. Daí que a primeira vez de Nei Lisboa em Belém, também foi no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. 

A segunda, quatro anos atrás, também, e isso no apagar das luzes para o fechamento do teatro, para a reforma que durou até este ano.  Nei Lisboa, feliz, volta agora, justo em sua recente reinauguração. Elogiou a organização do festival, os músicos paraenses e o próprio teatro. 

Nei Lisboa é de uma geração anterior a das bandas paraense que se apresentaram, vindo da época em  que a indústria fonográfica iniciava seu declínio, um momento em que editais não existiam. 

Dentro de seu tempo, presente, tocou e cantou músicas do mais novo CD, o álbum “A Vida Inteira”, produzido com recursos obtidos através da plataforma Crowdfound do Catarse, que funciona com doações do próprio público que por sua vez recebe em troca, muitas vezes, o próprio CD como recompensa. É uma das mais novas formas de se financiar cultura no país.

Tocou velhos sucessos, como “Telhados de Paris”, que já estava incluso no repertório da noite, e outros que o público pediu aos gritos, como “Babalu”, “Balada” e "Cena Beatnik", "Faxineira Fascinante", entre outros, para delírio geral da galera. Ao lado dele, que tocou violão também, os fiés escudeiros, os músicos Paulinho Supekovia, na guitarra, vocais e violão, Luis Mauro Filho, no teclado e vocais e Giovani Berti, na bateria, percussão e voz. 

O cantor se mostrou feliz. Mais uma vez,  com o calor do público paraense, como já é de praxe, tocou uma hora a mais do previsto, para o quase desespero da organização, pois fugiu ao tempo comprometido com o teatro. Fazer o que? Nós amamos! Ponto pra Marcelo Damaso e Renee Chalu, com sua equipe, por não desistirem nunca. 

Ainda de tarde, nesta mesma quinta-feira, tive o prazer de encontrar Nei Lisboa e Damaso, nos bastidores do programa Sem Censura Pará, na Tv Cultura. Claro que rolou uma exclusiva. O bate papo será publicado também aqui no blog. 

Enfim, a noite foi memorável. O festival chegou com o pé direito, num clima ótimo, com uma programação que se estenderá até dia 23, sábado, no Hangar Centro de Convenções e Feiras. Hoje, porém, a festa segue no anfiteatro da Estação das Docas, com os shows, gratuitos, da Orquestra Contemporânea de Olinda (PE) e os grupos Camarones  (RN) + convidados, Biltre (RJ) e UltraNova (PA). Mais informações sobre a programação, no site do festival: http://www.serasgum.com.br/

19.8.14

Mestre Vieira e o Sotaque da Guitarra na TV Brasil

Entre os dias 03 e 07 de novembro do ano passado, a equipe do programa “Visceral Brasil – as veias abertas da música” veio ao Pará. Gravou um episódio sobre e com Mestre Vieira. Além dele, foram ouvidos músicos e pesquisadores da guitarrada. O resultado dessas gravações será exibido quarta-feira, 20, às 23h, com reprise no sábado, às 22h, pela TV Brasil (via TV Cultura do Pará). E aqui no blog você fica sabendo um pouco mais sobre este trabalho, na entrevista do blog com a documentarista Márcia Paraíso, responsável também pelo roteiro e direção do episódio.

Este ano Mestre Vieira vai completar 80 anos. Tem disco novo, de músicas inéditas, para ser lançado, em outubro, se tudo der certo, pela gravadora Na Music, com produção independente. Chama-se “Guitarreiro do Mundo” e foi gravado com os mesmos recursos com que foi feito o “Guitarrada Magnética”, que reúne os mais recentes sucessos do guitarrista, em Barcarena em um estúdio simples. Além disso, o DVD 50 Anos de Guitarrada – Ao Vivo no Theatro da Paz está na rua, pode ser encontrado nas lojas Na Figueredo e Fox Video.

A história de vida e obra de Joaquim de Lima Vieira vem despertando interesse de diversos documentaristas que já vieram ou estão por vir ao Pará, interessados em sua música. No ano passado, além da equipe do programa Visceral, também esteve em Belém e Barcarena, a produtora Plural Filmes, que produziu o “Ritmos do Pará”, programa exibido no Canal Bis/Multishow, abordando a música paraense em geral, destacando também a guitarrada. Fiz a produção local do programa, o que acabou rendendo uma entrevista para o Holofote Virtual..

Antes disso, em 2012, foi a vez de Charles Gavin, baterista dos Titãs, gravar aqui várias entrevistas, entre elas uma com Mestre Vieira que encabeça e se destaca no capítulo especial sobre a guitarrada. O músico e apresentador do “Música Adentro”, exibido pelo canal Brasil, chegou a usar imagens inéditas do longa documentário que estou finalizando sobre a trajetória do Mestre, intitulado “Coisa Maravilha”.

Esta semana, uma outra equipe de audiovisual do país está por aqui. A produtora  Miração Filmes, que produziu a série sobre sanfoneiros no Brasil, destacando a trajetória de Dominguinhos, agora quer saber do sotaque criado por Vieira para a guitarra.

Tudo isso porque Mestre Vieira põe em cheque opiniões mais convencionais sobre a impossibilidade de popularização da música instrumental no Brasil, como disse Márcia Paraíso, do Visceral Brasil, figura admirável, que tive o prazer de conhecer e acompanhar em dois dias de gravação em Barcarena, município em que nasceu e vive Mestre Vieira.

O músico, hoje com 79 anos, é responsável pela criação de uma genuína linhagem de guitarristas na Amazônia. Na década de 70, seu disco Lambadas das Quebradas solidificou o gênero conhecido como "guitarrada" e popularizado nos anos 80 sob o rótulo de lambada.

Márcia constatou o que nós aqui sabemos muito bem, que a originalidade musical de mestre Vieira está no aprimoramento de uma técnica única de execução para a guitarra elétrica. “As guitarradas são composições instrumentais onde a guitarra solo faz o papel principal, embalada por ritmos como a cúmbia, o merengue e o carimbó, entre outros”.

O episódio que será exibido nesta quarta e neste sábado apresenta Joaquim de Lima Vieira, que influenciado pelo choro, revelou-se um virtuose ainda na infância. Ao começar no bandolim, passou ao banjo, ao cavaquinho, ao violão e a instrumentos de sopro, como o saxofone, antes do encontro com a guitarra, já nos anos 1960.

“Inventivo, lançou mão de seus conhecimentos de radiotécnico para fabricar seus primeiros amplificadores caseiros. Mas a cidade ribeirinha de Barcarena não possuía luz elétrica na época. A solução de Vieira foi usar auto-falantes de rádios desmontados e baterias de caminhão”, diz o texto de apresentação no site do Visceral.

A exibição da série Visceral Brasil - as veias abertas da música iniciou em abril deste ano, sempre pela TV Brasil - TV Pública. Ao todo são 13 capítulos, sendo que os dois últimos ainda estão sendo realizados para irem ao ar em dezembro. Para saber mais sobre a série, acesse o link: http://goo.gl/30WR4s. Há também teasers e clipes musicais dos episódios já gravados, disponíveis no http://vimeo.com/pluralfilmes. E mais, abaixo segue um bate papo com a diretora e roteirista do Visceral Brasil, Márcia Paraíso.

Holofote Virtual: Quem conhece Mestre Vieira de perto diz que vive uma experiência única. Em mim causa emoção, admiração e respeito profundo. Ele é uma figura muito amável, gosta de contar piadas, enfim, um privilégio estar perto dele, sem dúvida. Como foi o seu contato com ele?

Márcia Paraíso: Eu me senti uma privilegiada em poder estar pertinho, por tantos dias, conversando, trocando, aprendendo com ele como com todos esses mestres da cultura brasileira com quem venho estabelecendo contato. Trabalhei muito para conseguir hoje fazer o que faço: documentar pessoas que são o patrimônio imaterial brasileiro. Sinto-me no meu chão, em viajar pelo Brasil conhecendo histórias de gente que segurou a cultura de um lugar, mantendo uma tradição, muitas vezes sem qualquer valorização pelo que fazem.

Holofote Virtual: Como você concretizou a ideia do Visceral?

Márcia Paraíso: Um dia "a fome esbarrou na vontade de comer": conheci a produtora cultural Carla Joner, que na época trabalhava no Governo Federal e, com o projeto Brasil Rural Contemporâneo, juntou no mesmo palco a cultura de raiz com a música pop contemporânea. 

Juntas, desenvolvemos alguns trabalhos e surgiu o rascunho do projeto Visceral Brasil: uma série de documentários registrando os Mestres da Cultura brasileira, alguns grupos de música brasileira raiz e suas origens, ou ainda: o que os fez músicos? Que universo, ambiente, relações que os fizeram canalizar as energias para a criação musical?  O projeto demorou três anos para se concretizar e hoje já estamos, com a filmagem de Mestre Vieira, no décimo primeiro episódio.  

Holofote Virtual: Fazer documentário se tornou uma febre no país, o que eu acho ótimo, mas cada documentarista desenvolve seu método, sua maneira de filmar e contar uma história.

Um documentário tenta ser amplo, mas nunca é a pura realidade, pois acaba sendo um recorte do teu olhar de documentarista.

Alguns diretores fogem do lugar comum, outros nem acham isso necessário, diante da importância do objeto observado. No teu caso, como elaboras cada episódio pro Visceral, quais os caminhos do teu roteiro?

Márcia Paraíso: A seleção dos personagens - dos Mestres e grupos viscerais - ou seja, a curadoria de Visceral Brasil - ficou sob responsabilidade de Carla Joner. A ideia era reunir figuras de diversas regiões brasileiras, e daí surgiram os 13 nomes, todos já conhecidos de Carla: Bule Bule e Zambiapunga (Bahia), Zabé da Loca (Paraíba), Coco Raízes de Arcoverde e Arlindo dos 8 baixos (Pernambuco), Giba Giba e seu tambor de sopapo e Pedro Ortaça (Rio Grande do Sul), Mestre Humberto do boi de Maracanã (Maranhão), Dona Onete, Mestre Vieira e Mestre Laurentino (Pará), Marlui Miranda e os índios Suruí (Rondonia) e Dona Maria do Batuque (Minas Gerais). 

Holofote Virtual: Mas você segue uma lógica para todos?

Márcia Paraíso: Busquei na série fazer 13 programas completamente diferentes. Os episódios vêm de encontro com o perfil de cada artista e uma investigação sobre a região onde nasceram e onde vivem. O ponto em comum e que os une, além da "visceralidade musical" é que todos não estudaram música e pouco tiveram acesso à educação formal. São totalmente instintivos e autodidatas, daí a necessidade que senti em falar de seus lugares, suas origens - a raiz - para podermos entender, registrar e revelar suas obras.

Holofote Virtual: Adianta aqui um pouquinho do que imprimiu do Vieira, no episódio do Visceral ...

Márcia Paraíso: Já tinha visto Mestre Vieira tocando, inclusive o vi dividindo palco com Laurentino. Mas não o imaginava uma figura tão simples e tão bem humorada. Meste Vieira é puro calor, ele emana aconchego. E é uma figura profundamente apaixonada pelos filhos, pela família. Ele é a base. O desafio foi tentar imprimir esse "espírito" Vieira ao filme.

Mas o mais impressionante é ouvir de perto a história da criação de um gênero musical, de seu próprio criador. Tenho profundo respeito por Vieira, ele é um gênio. E passar alguns dias registrando um gênio e sua música nos fortalece - a mim, a toda a equipe e o projeto visceral.

18.8.14

Kamara Kó marca nova presença no SP-Arte/Foto

Imagem da série No Fundo
Pedro Cunha
Depois de uma primeira experiência, a Kamara Kó Galeria volta este ano ao SP-Arte/Foto – Feira de Fotografia de São Paulo, onde vai apresentar obras de nomes representativos da produção fotográfica em Belém, como Miguel Chikaoka, Alberto  Bitar, Alexandre Siqueira, Guy Veloso, Octávio Cardoso, Anita Lima , Pedro Cunha e Armando Queiroz. O evento ocorre entre os próximos dias 20 a 24, com entrada gratuita e no terceiro piso do shopping JK Iguatemi.

Esta será a oitava versão do encontro, um braço da SP-Arte, voltado exclusivamente à fotografia. Para a Kamara Kó é um grande investimento e um novo passo rumo à consolidação de parcerias nacionais e até mesmo internacionais. 

A ideia é, além da exposição, pesquisar cenários de comercialização de arte para entender o funcionamento desse específico mercado. Para a galerista Makiko Akao, é uma forma de comparar realidades, já que em São Paulo e no Rio de Janeiro já existe uma rede de clientes e colecionadores formada, de muitas gerações.

Imagem da série Penitentes - Guy Veloso
“Acredito que isso pode ser formado aqui, não nos mesmos moldes. Devemos estar antenados com as mudanças do próprio perfil das galerias, então, é uma oportunidade de nos profissionalizarmos para atender parâmetros do mercado de arte, de como se relacionar com o público e entender o que a imagem requer para ter o status de obra.

É também mais uma oportunidade de outros públicos conhecerem as obras dos artistas paraenses, já que teremos um espaço expositivo”, explica Makiko. Ela enfatiza ainda que a Kamara Kó é novamente a única galeria das regiões norte e nordeste a estar presente na feira, o que representa uma oportunidade para colecionadores nacionais e internacionais de apreciarem a produção paraense de fotografia. Além de imagens, uma câmera obscura feita de cuia por Miguel Chikaoka, que integra o Clube de Colecionadores do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), também estará exposta.

Imagem da série Ainda Queria Falar de Flores - Anita Lima
Obras - Do encontro com o outro, Alexandre Sequeira pensa sua poética. 

Na série “Meu mundo teu”, que será apresentada na SP-Arte/Foto, o artista foi em busca da relação entre dois ribeirinhos moradores de ilhas que ficam no entorno de Belém. Após ensiná-los conceitos básicos de fotografia, o fotógrafo os incumbiu de produzirem imagens. Desse encontro surgiu a série, de duplas exposições, com imensa carga de poesia.

Armando Queiroz, que este ano estará na Bienal de São Paulo, mostra imagens que fazem parte de um momento de escrita de um texto longo que o artista vem escrevendo, desde 2010, chamado “Rebotalho”. São imagens de sexo e nas palavras do autor, “quentura de corpo ao passar das mãos e dos olhos”, revela. O percurso do olhar segue as coxas as blusas os seios os pingos de suor nas costas nuas.

Imagem da série Silêncio - Octavio Cardoso
Octávio Cardoso foi também em busca de formas diferentes de criar imagens da série “Silêncio...”, mas subvertendo o uso formal de câmeras fotográficas. 

A partir de viagens pelo interior do Pará, as imagens mostram cenários distintos dos fotografados, por conta da tonalidade: azul e vermelho. Para compô-las da maneira que imaginou, as imagens foram feitas com utilização invertida do filtro da câmera digital.

Com uma câmera objeto, Miguel Chikaoka explica que “Loading...” é um objeto-dispositivo que pensa o lugar da formação da imagem a partir do fluxo da luz. O formato do objeto, lembrando o globo ocular não é casual, bem como o empréstimo do termo “Loading...”, remetendo ao que não está constituído, ao que está em formação. O objeto tem de formato redondo ou oval, com diâmetro médio de 10 a 30 cm, conforme a matéria prima original: a cuia.

Alberto Bitar apresenta série iniciada em Lima, capital do Peru, no primeiro semestre de 2014. Intitulada “Súbita Vertigem” traz detalhes de parte do relevo que contorna o litoral da capital peruana. A série segue a mesma busca de outros trabalhos anteriores: talvez de forma mais subjetiva, abordar assunto existencial.

Marabá - 2008 - Armando Queiroz

Anita Lima mostra a delicadeza de plantas e o contraste com a aspereza do concreto na série “Ainda Queria Falar de Flores”, iniciada em 2009. Para compor as imagens, a artista retratou a paisagem da própria casa, a natureza em seu universo íntimo. Outro contraste na série é a cor: o verde esplêndido e o cinza; o vermelho vivo e mais o colorido das paredes.

Com sua busca do sagrado, Guy Veloso terá expostas fotografias do projeto “Penitentes: dos Ritos de Sangue à Fascinação do Fim do Mundo”, já apresentada na Bienal de São Paulo em 2010. Para compô-la, o fotógrafo passou quase uma década à procura de grupos religiosos para registrar os mistérios da fé e as possibilidades estéticas da devoção.

Da série Meu mundo teu - São João e os Sapatos
Alexandre Sequeira
Pedro Cunha mostra imagens da série “NoFundo”, iniciada em função da maratona fotográfica 1616 promovida pelo Sesc Boulevard, em que fotógrafos foram incumbidos de retratar a capital paraense. 

Os temas foram sorteados e o artista se deparou com apenas com a mensagem: “no fundo”.  Intrigado com as palavras, surgiram imagens de chuva e da cidade, seus prédios, árvores, antenas no fundo de suas imagens.

Visite - Kamara Kó Galeria. Travessa Frutuoso Guimarães, 611 - Campina – CEP 66017-170 - Belém/PA. E-mail:  kamarakogaleria@gmail.com. Telefones: (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240 / (91) 8117-9730 / (91) 8190-7084 / www.kamarakogaleria.com.br.

(texto enviado pela assessoria de imprensa)

"Sonho de Uma Noite de Inverno" volta em cartaz

A segunda temporada, de 21 a 24/08, às 19h, é no Sesc Boulevard. Entrada franca - retirada de ingressos a partir das 18h. Além do espetáculo, haverá sessão de autógrafos e vendas do livro "Peças Teatrais de Nazareno Tourinho". O dramaturgo estará presente para autografar o livro de  22 a 24/08, a partir das 18h. 


Atores interpretando atores e colocando no palco o desafio de investigar a própria profissão de acordo com as experiências vividas em ensaios. Com personalidades distintas, eles terão que decidir qual futuro caminhar, após um acidente durante a turnê do novo espetáculo da companhia de teatro a qual fazem parte. 

“Sonho de Uma Noite de Inverno”, o último texto escrito pelo premiado autor paraense Nazareno Tourinho, mostra desavenças pessoais, agressões verbais, “alfinetadas”, uma verdadeira “lavagem de roupa suja” de um grupo de atores. Numa noite de inverno, esses artistas terão a difícil tarefa de descobrir onde encerra, ou começa, o caminho para o infinito. Só eles podem testemunhar os segredos vividos nas coxias de teatro.

“Na direção, tive que me desdobrar para criar a atmosfera necessária de sonho ou morte que estes personagens estão inseridos. A obra deixa em aberto o lugar onde este grupo de experientes atores vai parar depois de um acidente. Há uma gama de possibilidades significativas que o autor nos apresenta”, esclarece o jovem diretor Marcelo Andrade, sobre o processo de montagem da obra para os palcos.

O espetáculo foi criado pelo Grupo Os Varisteiros a partir do projeto “Memórias da Dramaturgia Amazônida: Construção de Acervo Dramatúrgico”, sob a coordenação da professora da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA) Bene Martins, cujo objetivo é manter viva a história do teatro produzido na região Norte.

“Levar aos palcos uma obra de Tourinho é de suma importância para memória e valorização da dramaturgia escrita em nossa região, fomentando os jovens a conhecer esta ilustre figura, reconhecendo um dos grandes nomes do teatro paraense”, alerta o diretor.

Nazareno Tourinho - O dramaturgo paraense teve suas obras encenadas por companhias de teatro profissionais, sob a direção de figuras de renome no cenário teatral brasileiro, como "Nó de 4 Pernas", dirigido por Cláudio Correa e Castro, no Rio de Janeiro, e "Fogo Cruel em Lua de Mel", com direção de Wolff Maia, em São Paulo.

Nazareno Tourinho conquistou diversas premiações em concursos de dramaturgia. Uma delas aconteceu fora do Brasil com a peça "Pai Antônio", que ganhou a primeira "Mencón del Concurso Latinoamericano de Dramaturgia 'Andres Bello'", realizado em 1985, na Venezuela. Em Belém, levou o 1º lugar no prêmio “Governo do Estado do Pará”, em 1961, e o prêmio “Elmano Queiroz”, também a primeira colocação, em 1969.

O livro - Organizado pela professora Dra. Bene Martins, da Escola de Teatro e Dança da UFPA, a obra contêm os 14 trabalhos completos de Tourinho, incluindo o texto inédito que dá nome ao espetáculo. A obra literária foi lançada no dia 21 de março , na Academia Paraense de Letras.

Durante três noites de temporada do espetáculo, o autor da obra venderá o livro "Peças Teatrais de Nazareno Tourinho" a preço promocional de R$ 50, com direito ao autógrafo do renomado dramaturgo. O público terá a chance de adquirir os trabalhos completos do paraense, assistir ao espetáculo e ainda conhecer Nazareno Tourinho de perto.

Os Varisteiros - Com apenas 3 anos de existência, a companhia busca sua identidade como um grupo teatral no cenário belenense, mas com a preocupação em produzir inquietações, experienciar métodos, provocar práticas, dar corpo e voz para às nossas varistagens. 

"Sonho de Uma Noite de Verão" é o terceiro espetáculo do grupo, sendo o primeiro "No Trono" e "Nó de 4 Pernas", também do dramaturgo paraense Nazareno Tourinho. 

Surgido em 2011, reunindo atores concluintes do Curso Técnico de Formação em ator da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), Os Varisteiros é formado, hoje, por atores, diretores, cenógrafos, produtores e figurinistas, que se propõem à investigação de diversas áreas artística. 

Ficha Técnica

  • Elenco: Allan Jones - Oscar; Barbara Gibson - Clara; Fábio Limah - Moreira; Isadora Lourenço - Julieta; Raoni Moreira - Augusto; Leonardo Cardoso – Anjo/Demônio; Marília Berredo - Dica; Maycon Douglas - Carlos; Renata Miranda - Ana.
  • Dramaturgia: Nazareno Tourinho
  • Direção e encenação: Marcelo Andrade
  • Figurino: Kevin Braga
  • Trilha sonora: Márcio Pantoja
  • Iluminação: Paula Silva
  • Assessoria de Imprensa: Laíra Mineiro
  • Produção executiva: Bruno Rangel, Leonardo Cardoso e Marcelo Andrade
  • Assistência de Produção: Laíra Mineiro e Raoni Moreira
  • Realização: Grupo Os Varisteiros

Serviço
Espetáculo “Sonho de Uma Noite de Inverno”, do autor paraense Nazareno Tourinho. De 21 a 24 de agosto, sempre às 19h, no Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523. Campina). Entrada franca, com retirada de ingresso às 18h. Sessão de autógrafos e vendas do livro "Peças Teatrais de Nazareno Tourinho", do dramaturgo paraense Nazareno Tourinho. De 22 a 24 de agosto, a partir das 18h, no Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523. Campina). Informações: (91)80588940/ www.facebook.com/osvaristeiros/ www.osvaristeiros.com . 

14.8.14

Natália mistura sonoridades em álbum de estreia

Natália Matos (2014 – Na Records) tem como referência as sonoridades de Belém, a cidade onde a cantora nasceu, e as referências musicais de São Paulo, onde Natália viveu por oito anos, dividindo-se entre a música e a arquitetura. Há um ano sendo produzido, o CD agora chega ao público com um show de lançamento, nesta quinta-feira, 14, no Teatro Margarida Schvasappa, a partir das 20h30. 

Entre a faculdade de arquitetura e a música, levou quase uma década, até que Natália resolvesse deixar e Paulicéia para retornar a Belém. As experiências sonoras adquiridas entre São Paulo e Belém, porém, acabaram servindo de inspiração para o resultado que está no CD, que sai com o patrocínio do Programa Natura Musical, via Lei Semear. 

A ideia é trazer a mesma sonoridade particular e diversa do disco para o palco e ao vivo. A direção musical do show é de Guilherme Kastrup, produtor do disco, que também assina bateria, percussões e MPC. Completam a banda, os músicos Caê Rolfsen (Viola, Guitarra 12, Violão), Danilo Penteado (Cavaco e Guitarra), Zé Nigro (Baixo e Teclados) e Marcio Jardim (Percussão).

Além do CD físico, nesta quinta-feira também será lançada uma linha de camisetas com alguns desenhos, assinados pela cantora. Mais uma faceta da artista. Os mesmos também fazem parte do encarte do disco. “É e a primeira peça da minha parceria com minha amiga designer de joias, Bárbara Müller, que produziu, também a partir destes desenhos, um pingente em prata, que será mais um mimo aos fãs. Esta primeira peça, produzida artesanalmente, em prata, tem produção limitada", diz Natália.

O novo trabalho da cantora já vem sendo divulgado na imprensa e dentro de projetos, como o Música na Estrada, que levou Natália a cantar, em maio deste ano, nas cidades de Parauapebas e Curionópolis, situadas na região sudeste do Pará.  Foi quando ela mostrou, pela primeira vez, parte das músicas do CD, enquanto algumas faixas também já são tocadas nas rádios ou disponibilizadas no site do próprio Natura Musical.

No show, Natália vai cantar a inédita canção de Dona Onete, “Coração Sangrando”, gravada com participação de Zeca Baleiro, “Cio”, "Beber Você”, “Maria do Pará”, entre outras. A coordenação de produção também é dela, com produção de Carla Cabral e Engrenagem. A luz do espetáculo é criação de Patrícia Gondim e o som, de Assis Figueredo. 

Depois do lançamento do CD em Belém, a ideia é circular. “Estou nas articulações para fazer o lançamento em São Paulo e no Rio, e logo refazer aqui, mas ainda não tenho datas”, confessa a cantora. Na entrevista a seguir, a cantora fala mais sobre sua carreira e o novo trabalho.

Holofote Virtual: O que te fez fincar os pés em Belém, novamente? 

Natália Matos: A minha volta foi em busca de uma estrutura/apoio prático e emocional, depois de optar por me afastar um pouco da arquitetura para dar este pulo para dentro da música e fazer dela profissão e novo norte na minha vida. E tem sido bom reforçar minhas raízes, que estão evidenciadas não só na minha música, mas no meu jeito de ser. 

Gosto muito de São Paulo e tenho vontade de voltar a morar lá, sabendo que ali é o grande centro da produção cultural do país, mas isso deve vir mais pra frente, com planejamento. E sempre estarei na incansável "ponte aérea" SP - Pará.

Holofote Virtual: Lembro que em 2102, você ainda em São Paulo, recém selecionada para este edital,  me disse que estava muito feliz, focando na carreira musical... Até o lançamento desse disco, o que você fez neste sentido, tem dado certo?

Natália Matos: Naquele momento, eu estava tendo a certeza da possibilidade de concretização deste evidente sonho que é o primeiro CD. Já de volta à Belém fiz shows autorais, me arriscando aqui e ali para tentar encontrar uma cara, para sentir o que eu queria e tão logo sentir a reação do público. 

O mote era experimentar, e a partir desse patrocínio, todas as possibilidades que eu tinha em mente, tiveram que passar por um processo de escolha. E as escolhas foram feitas a dedo, desde o produtor, passando pela referência de músicos, que eu queria, as referências musicais, passando pelo repertório e compositores que eu queria gravar, enfim, que história eu queria contar com tudo isso. 

Foi um tempo de amadurecimento intenso. Hoje já faz um ano do inicio das gravações do disco e olho pra trás e vejo como é bom aprender a concretizar sonhos, fico sinceramente emocionada e ávida para os próximos passos.

Holofote Virtual: Fala do disco. Está como querias?

Natália Matos: Costumo dizer que este disco é feito de mergulhos e voos. Mergulho no que é meu, minhas referências musicais daqui, os grandes compositores do Pará, que conseguem ser universais em suas músicas, mas com suas particularidades que encantam. E voos para chegar ao que não é meu, pois não nasceu comigo, mas que se tornou, por opção minha, referência.

Esse jeito de fazer música de alguns paulistanos que misturam samba, punk, rock, trip-hop, reggae e até carimbó, num só som (risos). Aquela sujeira inquieta que traduz justamente aquele lugar de confluência de povos e culturas.  Eu queria ver a nossa música misturada com aquele jeito de fazer música e precisava de um grande cara que produzisse, de forma quente, este novo som. 

Foi quando Felipe Cordeiro me apresentou ao Guilherme Kastrup, que abraçou a ideia e juntos escolhemos o time do CD e tudo mais que veio pela frente. Guilherme é surpreendentemente musical e fera. Tem um pé na MPB, outro na música experimental e os olhos atentos ao hoje. Soube fazer acontecer lindamente o que eu tinha apenas em mente.

Holofote Virtual: Quais tuas influências musicais, elas estão presentes nessa produção atual?

Natália Matos: Na minha criação, os discos lá de casa eram dos grandes da música brasileira, de Milton a Arnaldo Antunes, de Gal a Na Ozzetti; todos de música paraense, do Brega ao boi, passando pelo carimbó e guitarrada; algumas coisas do jazz americano; vários latinos e pouca coisa do rock como Dylan e Led Zeppling.

O som que faço hoje tem influência da música brasileira como um todo, da feita no Pará, que traz a o Brega, cúmbia, lambada, boi e o carimbó, e da própria música independente nacional, da qual já faço parte, e principalmente a paulistana que tem África e América latina, misturados ao rock, reggae e música eletrônica.

Na vitrola eu ouço Billie Holiday e Caetano
No som eu ouço Itamar e passo torto
No celular eu ouço Portished e Françoise Hardy
No violão eu arranho Gil e Zeca Baleiro

Holofote Virtual: O Zeca gravou uma faixa do disco e em São Paulo, além dele, vieram outras parcerias, como elas se firmaram?

Natália Matos: O Zeca foi um presentão que apareceu no caminho. As gravações do meu disco tiveram um tempo de descanso, e neste tempo Guilherme produziu/ gravou o Cd primeiro CD infantil do Zeca Baleiro. Acabou que o conheci lá pela Toca do Tatu (estúdio do Kastrup) e trocamos ideia, ele conheceu um pouco do meu disco que estava com as bases já gravadas, surgiu o convite para uma participação no infantil e logo depois eu o convidei para gravar a música da Dona Onete comigo. 

Foi especial a participação, e depois ele ainda acompanhou um pouco a mix do disco, foi um querido. Depois de lá, rolou o Baile do Baleiro com Felipe (Cordeiro), Manoel (Cordeiro) e eu, no Parque dos Igarapés, em Belém, um astral. E ainda tem um lindo carimbó que Zeca fez pra mim, mas acabou não entrando no CD por conta do timing, mas outros discos hão de vir e quem sabe... 

Holofote Virtual: Como começou a tua relação com a música, já morando em São Paulo?

Natália Matos: Comecei substituindo um amigo da Ulm (Universidade Livre de Música Tom Jobim), no famoso bar do Cidão (ponto de encontro de amantes do samba, localizado em Pinheiros), que recentemente passou por uma triste demolição (fechou as portas definitivamente em janeiro deste ano). Fiz quase um ano cantando samba, choro e ainda me metia a cantar um Waldemar Henrique, um Ronaldo silva e uns carimbós por ali. 

Dali surgiram convites para cantar com um coletivo de música e poesia os Náuticos e juntos fizemos tributos ao futebol, era do radio, Adoniran barbosa,  Eros, e ainda fiz meu próprio tributo a Aracy de Almeida, meu primeiro show solo na vida. Paralelo a tudo isso eu cursava arquitetura e urbanismo no Mackenzie, e no fim do curso larguei a noite no Cidão e a Ulm para dar conta das horas necessárias de estagio e etc. 

Acabou que encontrei um estagio num escritório e numa área que me encantou, Arquitetura de exposições. Na artifício eu me envolvi em projetos como do pintor Antônio Bandeira, Menas: o certo do errado o errado do certo, Stockinger, 

O Museu do Flamengo e entre outros a exposição Viva Elis, que me fez a cabeça para sair por aí cantando que nem passarinho. E Cá estou, dois anos depois do corte estilo Elis Regina (Joãozinho), com o cabelo já crescido e muitos passos, neste novo caminho, dados em pouco tempo.

Holofote Virtual: Chegar onde o povo está ficou mais fácil para o artista, por causa da internet, como isso se insere na tua carreira?

Natália Matos: A internet e as redes sociais são meios fabulosos da nossa geração. E isso, como tudo, tem seus prós e contras. Hoje o artista tem que ter domínio, ou no mínimo noção de tudo o que faz a sua arte andar, o que às vezes acaba o tirando um pouco dela propriamente. 

Além de tudo que diz respeito à música, repertório, preparo, composição, ensaios, eu ainda faço e alimento o meu site, peças gráficas para as minhas redes sociais, tudo isso para o objetivo maior, que é mesmo que a minha música chegue em mais corações afora. 

É maravilhoso poder ter contato imediato com formadores de opinião, ou algum artista que eu admiro e poder mostrar meu trabalho à eles; ou saber por um frequentador do beach park que minha música ta tocando lá, e ele virar amigo de face; ouvir histórias das pessoas relacionadas à meu trabalho, ter esse rápido retorno é muito bom. Ainda sou aprendiz com essas ferramentas, mas eu já quero ajuda de alguém! (risos)

Holofote Virtual: Além de cantar, tu também escreves e compões ...

Natália Matos: Eu sempre tive muito apreço pela poesia, pela escrita, mas a composição de letra e música é recente. Ainda sou aprendiz, mas creio que é tudo é fruto de exercício. Neste momento, talvez por falta de tempo ou pela concentração em coisas práticas, tenho produzido mais sozinha, mas já estou com saudade de uma parceria.

Já tenho planos de nos próximo ano produzir um EP com os frutos deste momento pós primeiro Disco. Mas por enquanto quero cantar este show com as músicas do disco e outras que incluímos no repertório. E aos poucos será tempo de mais novidades.

Holofote Virtual: Natália, você participou, recentemente, junto com o Antonio Novaes e o Projeto Secreto Macacos, do Música na Estrada, uma experiência musical on the road que chegou a duas cidades do interior do Pará. Na ocasião, você inclusive mostrou o repertório do disco novo...

Natália Matos: O Música na Estrada foi um presente! Poder conhecer um pouco mais deste nosso vasto estado, observar outras realidades e mais, cantar nestes outros contextos. Foi estimulante lidar com o estranhamento das pessoas, que ora se espantavam, ora se encantavam, sem nunca ficar indiferentes. 

A surpresa é sempre melhor. Foi muito bonito, também, viver alguns dias ao lado de colegas da música, compartilhar experiências, obter mais referências musicais, ter os braços automaticamente abertos para um real encontro. O Antônio (Novaes) já era meu parceiro, mas pude mergulhar mais na poesia dele e reforçar este laço, e os meninos do Projeto Secreto entraram pra os favoritos, quero muito um novo encontro musical, mas por enquanto vou ouvindo os discos de dub, trip hop e musica experimental que troquei com o Jacob (Franco).

Holofote Virtual: Pra fechar! Conta, vai ter coisa inédita no show? E já dá pra ouvir o CD on line?

Natália Matos: Escolhemos especialmente para o show, três músicas que não estão no disco, mas que conversam com a temática e sonoridade do CD, que já tem quatro faixas disponibilizadas pelo Natura Musical para download, mas o disco já está lançado, na íntegra, em várias plataformas de streaming, iTunes, Radio, Deezer, Spotify, e ainda no Youtube. No meu site: www.nataliamusica.com tem link para tudo isso e ainda a ficha técnica completa do CD.

13.8.14

Luê finda turnê com participação de Saulo Duarte

Foto: Diana Figueroa
Depois de abrir a temporada paraense em Belém, no Teatro Margarida Schivasappa, no início de julho, a cantora encerra a turnê de “A Fim de Onda”, com show aberto ao público e com a super participação de Saulo Duarte, a partir das 20h30, no próximo dia 16 de agosto, na Estação das Docas. 

A abertura será da banda Strobo, duo composto pelos músicos Arthur Kunz e Leo Chermont, que também acompanham Luê nos palcos. Além deles, a banda da cantora, em Belém, conta com Renato Torres, na guitarra e violão, Rubens Stanislaw, no baixo e Bruno Mendes, na Percussão.

“Eu estou feliz por fazer esse show entre amigos, num local democrático como o anfiteatro da Estação das Docas, para um público de todas as idades, na beira do rio que sempre traz uma energia intensa”, diz a Luê, que apresentará o repertório de seu disco, lançado no ano passado no Theatro da Paz. 

No show, a também instrumentista já mostra  músicas novas que ela vem incorporando ao trabalho, e outras novidades, como “O Bem Amado”, de Vinícius de Moraes e Toquinho, e a inédita parceria com Saulo Duarte e Betão Aguiar, que estará no próximo disco da paraense.

“Ele é um grande amigo e parceiro, já tocamos juntos em outras ocasiões (no projeto chamado Ondas Tropicais, formado por mim, Saulo e Felipe Cordeiro), já fizemos música juntos e ele recentemente me deu a honra de participar no novo disco dele, chamado QUENTE, na faixa Tô que Tô Saudade,  do Eudes Fraga”, comenta.

Antes do encerramento em Belém, Luê show em Bragança, durante o mês de julho. Após a apresentação na Estação das Docas, a cantora  retorna para São Paulo, onde mora quase três anos, e vai se concentrar na produção do próximo disco. Ela entra em estúdio em breve para iniciar as gravações do novo trabalho.

Serviço
Turnê “A Fim de Onda”, show no anfiteatro da Estação das Docas. Sábado, 16, às 20h30. Entrada Franca.

12.8.14

Arthur Nogueira mostra canções de seu novo disco

O show no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém, nesta terça-feira, 12, reafirma a pluralidade de Arthur e seu diálogo com diversos momentos da música brasileira. O novo repertório traz como o resultado de encontros musicais com compositores de diferentes gerações, como o poeta e filósofo Antonio Cicero (irmão e principal parceiro de Marina Lima), a paulistana Marina Wisnik ou ainda Leticia Novaes, nome importante da cena contemporânea carioca.. As canções integrarão o álbum “Peixe Nada”, que sairá pelo selo “Joia Moderna”, do DJ Zé Pedro. 

Das canções à sonoridade, tudo reafirma a via de muitas mãos percorrida pelo trabalho do cantor e compositor paraense. Influência marcante na obra do artista, a poesia está presente no novo álbum – que tem direção artística do jornalista Marcus Preto -, mas em contextos distintos.

Se há Antonio Cicero – em poemas musicados e também em parceria inédita, depois de anos sem fazer letras -, há também versos de Omar Salomão, filho de Waly Salomão e um dos promissores nomes da literatura e das artes visuais do país. As recentes andanças de Arthur Nogueira viabilizaram, ainda, encontros com cantores, compositores e instrumentistas de sua geração, entre os quais Ava Rocha e Marcelo Segreto, lider da banda “Filarmônica de Pasárgada” e co-produtor, ao lado da banda Strobo, do CD “Peixe Nada”.

A apresentação desta noite, trz participação da banda Strobo – que também estará no álbum - tornando essa mescla ainda mais abrangente, por trazer às composições pautadas por um intenso diálogo com a poesia o experimentalismo pop do duo formado por Arthur Kunz e Leo Chermont, que co-produzem o disco, o segundo de Nogueira.

Baseado no processo de construção do álbum, em fase de finalização, o show de pré-lançamento que o artista fará em sua cidade natal, depois de mais de um ano sem tocar em Belém, transporta para o palco a potência dos encontros travados no CD. 

Com Leo Chermont, responsável pela guitarra e efeitos da apresentação, e Arthur Kunz, à frente da bateria e das programações, o espetáculo ganha, a partir do uso de timbres e equipamentos eletrônicos, um som mais experimental, sem abandonar, no entanto, sua intenção claramente pop. 

Apontado pelo jornal carioca O Globo como o artista “responsável por renovar a tradição dos poetas na canção brasileira”, Arthur Nogueira se mantém contemporâneo, unindo refrões de música pop e poesia, sons eletrônicos e acústicos e, sobretudo, o Pará ao resto do Brasil.

Artista plural - cantor, compositor e instrumentista, Arthur Nogueira já tem alguns trabalhos lançados, como o CD “Mundano” (2009), o EP “Mundano+” (2010) e o compacto “entremargens” (2013). Natural de Belém e radicado em São Paulo, o artista acumula trocas com nomes consagrados da poesia nacional e participações em shows de Cida Moreira, Jards Macalé e Vitor Ramil. Em 2013, foi selecionado para representar o Brasil em Lisboa, na programação do “Ano do Brasil em Portugal”. 

No mesmo ano, organizou o livro “Encontros”, que reúne entrevistas de diferentes épocas, concedidas pelo poeta e filósofo carioca Antonio Cicero a importantes jornalistas e intelectuais brasileiros. Nogueira se prepara para lançar, pelo selo "Joia Moderna", do DJ Zé Pedro, o álbum "Peixe Nada", produzido por Strobo e Marcelo Segreto ​com​ direção artística do jornalista Marcus Preto, no qual reúne canções escritas com Antonio Cicero, Omar Salomão, Marina Wisnik, Letícia Novaes, entre outros​ nomes de diferentes gerações da música brasileira.​

Ouça Arthur Nogueira em arthurnogueira.com

Serviço
Arthur Nogueira | Pré-lançamento do CD “Peixe Nada”. Participação Especial: Strobo. Nesta terça-feira, 12, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa – Avenida Gentil Bittencourt, 650. Ingresso: R$20 (inteira) | R$10 (meia) *mediante apresentação de carteira de estudante ou do pôster do show impresso. 

8.8.14

CCAA Fest chega à final com diversidade musical

O Teatro Margarida Schivasappa abre suas portas neste sábado, 09, das 19h às 22h, para o CCAA Fest. Longe de focar apenas no rock, embora este ainda seja o principal expoente do festival, o CCAA Fest reúne bandas de ritmos diversos, que vão do metal à guitarrada, do experimental ao improviso do rap, até as influências do brega. Os ingressos começam a ser vendidos, no dia a partir das 17h, na bilheteria do teatro - R$ 20,00 (meia R$ 10,00).

Após passarem por várias etapas, apenas 15 bandas, entre as mais de 100 inscritas, concorrem, hoje, à grande final. A noite conta com participação especial da banda Red Nightmare, vencedora da edição anterior, que abre a programação, que será apresentada pela cantora Sammliz Samm.

O CCAA Fest é maior festival de bandas independentes do Pará, responsável, em seu início, por incentivar e colocar na cena grupos ainda desconhecidos do grande público, proporcionado a muitos deles, a gravação do primeiro CD, assim como também abraçando bandas que continuam se afirmando enquanto produtores independentes de trabalhos autorais.

Realizado desde 2006, o festival vem aumentando o interesse de bandas, não só do Pará. Rompeu fronteiras. Em 2013, as mais de 100 bandas inscritas vieram de Belém, de outros municípios paraenses, mas também de outros estados. A final era pra ter acontecido ainda no ano passado, mas como o objetivo era realizá-la no Margarida Schivasappa, teve que esperar até 2014 para acontecer.

“Aprendemos e nos desenvolvemos a cada experiência. Os parceiros, produtores, jurados e músicos sempre contribuem para focarmos no que pode melhorar. O Festival já nasceu assim. Esperamos que as bandas possam fazer uma ótima apresentação, que o público aprecie as novidades e diversidades, e que seja uma grande festa das bandas autorais da região”, diz Max Moraes, idealizador e coordenador geral do festival.

Das 45 bandas que participaram das audições no ano passado, ficaram no páreo de hoje, cada uma apresentando a música selecionada pelo edital, as bandas: Anjos de Guerra (Nada pode me Deter), Banda 3*17 (Castelo de Cristal), Cais Virado (Amor em Tempos de Agora), Cronistas da Rua (Falador), DRagões de Locomotiva (Brega Rock), Gramofolk (Devaneios e Rock and Roll), Hellride (All Peace Gone), Junior Saldanha Project (Brincando na Chuva), Lauvaite Penoso (Guamá Sound System), Mathilde (Até o dia clarear - O Pescador), Oscaravelho (Nunca Mais), Paula Mello & Banda (Renasci), Retaliatory (Torture of Death), The Tump (Made In Veja) e Ut Opia (Epidemia). 

Elas vão concorrer aos seguintes prêmios:   1º prêmio “Na Music”: Gravação de um CD pelo selo Na Music;  2º prêmio “Rádio Cultura”: 4 dias para gravação, no Estúdio Rádio Cultura e o 3º prêmio “Lojas Keuffer”: 1 Vale compras de R$1.200,00 nas Lojas Keuffer.

“A Red Nightmare” faz participação especial

Na edição anterior, a banda “A Red Nightmare” ganhou como prêmio, a gravação do CD homônimo, gravado pelo selo Na Music, em dois estúdios de Belém, no The Coven (propriedade da banda) e Ná Music. A produção foi do produtor paulista Adair Daufembach.

Formada por Leonan Ferreira (Voz), Igor Sampaio (Guitarra), Vinicius Carvalho (Guitarra), Marcos Saraiva (Contrabaixo) e Luciano Camara (Bateria), a banda, que já havia laçado, em 2011, o primeiro registro no formato de uma Demo Digital, de três faixas, aposta em uma música mais agressiva, de consciência política, mas que passeiam por levadas que vão desde as mais clássicas até as mais modernas, dentro do Metal, ou ainda fora desse gênero. 

Vêm ganhando adeptos, fãs e aumentando seu público. Já participou shows diversos, que vão do underground a grandes festivais, como o Rock Fest (Irituia - PA); Grito Rock Belém 2011 e 2012; Metal Battle Belém, a primeira seletiva belenense do festival alemão Wacken Metal Battle em 2011; Rock in Rio Guamá 2011 (UFPa - Belém - PA).

Fez a abertura do lançamento do segundo disco da banda Madame Saatan, naquele memorável show realizado no Píer da Casa das 11 Janelas (Belém – PA - 2011) e também das bandas Misery Index (EUA), Centurian (Holanda) e Into Darkness (Alemanha). 

Em 2012 fez sua primeira apresentação fora do estado, tocando na cidade de Teresina (Piauí), no festival Indigesto Sonoro #3. No mesmo ano, foi um dos shows mais elogiados do Fabrikaos Festival e foi quando a banda também ganhou o concurso CCAA Fest. O Cd, gravado com a premiação, lançado só este ano, está disponível para dowload e streaming no link:arednightmare.bandcamp.com

Serviço
Final do CCAA Fest. Neste sábado, 9 de agosto, das 19h às 22h, no Teatro Margarida Schivasappa – Centur (Av. Gentil Bittencourt – entre Quintino e Rui Barbosa). Os ingressos começam a ser vendidos a partir das 17h, na bilheteria do teatro - R$ 20,00 (R$ 10,00, a meia entrada). A doação de um pacote de leite em pó é opcional.