28.5.16

Perifeéricos em cena no Anfiteatro da República

O espetáculo "A Começar Pelo Por Do Sol" conta a história de uma antiga trupe de teatro composta por seres mágicos. Neste final de semana, sábado, 28, e domingo, 29, às 19h30, no Anfiteatro da Praça da República.

A trupe Perifeéricos é um grupo de teatral independente que, há sete anos experimenta a performance, a arte da máscara e o teatro de rua, dialogando elementos das manifestações populares com a cultura contemporânea. 

“A Começar Pelo Pôr do Sol” é um conto de fadas moderno, uma fantástica comédia de erros. É uma peça que fala sobre os encantos e perigos do reino feérico, onde se perde a linha que separa sonhos de realidade, encantos de enganações, fantasia de loucura, convidando o público a viajar por esse mundo extraordinário.

Satyr, o fauno; Fleur, a rainha; Dermond, o vento; Odorin, a confusão,  vagam pelo mundo mortal encenando peças que mais parecem sonhos, cheios e magia, beleza, liberdade e delírios. 

Ao chegar a uma pequena cidade com a trupe, Dermond conhece Rosa, uma mortal incomum, cheia de imaginação e ótima contadora de histórias. Quando o caminho dos dois se cruza, uma apaixonante trama de amor é tecida e A Roda da Fortuna gira, mudando para sempre o destino de todos. 

Trazendo um trabalho que parte de um imaginário comum a praticamente todas as culturas, o grupo transita entre  as entidades e seres mágicos; propriamente explorando as personagens que povoam os contos e lendas de diversos folclores e mitos. 

“Fazemos a releitura dessas personagens sob a ótica das vivências de um grupo de teatro mambembe, conflitando e interagindo com as peculiaridades de uma cultura modernizada e urbanizada”, dizem os integrantes. 

Uma característica particular das obras é contar diversas histórias com as mesmas personagens, como na comédia dell’arte, teatro de rua e máscaras italiano, que trouxe os imortais personagens, Arlequim, Colombina, Pierrô, Pantaleão. 

Dessas histórias foi criada uma trilogia, sendo estas “A Começar Pelo Por do Sol”, “Teatro das Sombras” e “Rosa dos Ventos: Entre Miragens e  Mirações”.

Contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz 2012, da Funarte; Bolsa de Criação, Experimentação, Pesquisa e Divulgação Artística 2014, do IAP – Instituto de Artes do Pará; e Prêmio Projetos Culturais 2015, da FCP – Fundação Cultural do Pará, o grupo vem formando um público cativo, que acompanha com fidelidade todas as suas apresentações. 

27.5.16

Poesia, fotos e jazz na volta do Cozinha de Bistrô

O restaurante reinaugura neste sábado, 28, às 20h, sob nova direção e com uma exposição poética visual intitulada "Mirada Poética", assinada por Luiza e Vasco Cavalcante. O Cozinha de Bistrô se despede de Rita Moraes, que segue para a França, e ganha Clarice Pintant no comando. O espaço além de história e sabores, traz a boa música que nos lembra o bom gosto musical de seu fundador, o francês Jacques Pintant. Fica na Rua. Ferreira Cantão, 278 - Campina (próx. ao Largo da Trindade). Mais informações:  (91) 2121.2503 | 98235.7690 ou ainda pelo e-mail e facebook: cozinhadebistro@hotmail.com / facebook.com/c.de.bistro.

No ano de 2013, Luiza Cavalcante via edital expôs "MIRADA" na Galeria de Arte do CCBEU. Em 2015, Vasco Cavalcante via edital lançou seu livro de poemas "SOB SILÊNCIO», pela Editora Patuá de São Paulo. Agora pai e filha unem uma parte de cada um desses projetos para esta exposição poético visual, reinaugurando o Cozinha de Bistrô para o deleite de seus clientes e amigos frequentadores.

Com a ida da atual proprietária Rita Moraes para a França, a sua filha Clarisse Pintat tomará a frente do empreendimento, com novas propostas incluindo esta exposição poético visual e outras "cositas mas", sem deixar de dar continuidade a sua cozinha com os mesmos deliciosos pratos, marca peculiar do Bistrô e sua música ambiente característica (jazz, MPB), que explica bem a proposta do lugar.  

"O "Cozinha de Bistrô" é um projeto de vida de uma família paraense, iniciado em 1986  com a chegada do francês, Jacques Pintat, na cidade das mangueiras. Ao lado de Rita Moraes, o biólogo francês começou a descobrir as iguarias amazônicas e resolveu montar um pequeno Bistrô que oferecia um pouco de comida francesa e outras misturas como o Tournedos a Maître Du Hotel com Salada Tropical (dois clássicos!). Nesse ambiente franco-brasileiro se comungou o jazz, os amigos, o amor pela gastronomia, a apreciação das expressões artísticas e muito amor por tudo isso.

Nesse terreno florido de pessoas nasceu a prole do francês com a índia Rita (Laurent, Clarisse e Charles), o crescimento dos três foi acompanhado por muitos clientes e amigos frequentadores 
do espaço.

Com essa origem meio mistureba, essa história lúdica de vida rendeu belos frutos, o prazer em "se mudar" sempre foi algo presente nessa família de nômades, mas é nesse Bistrô onde eles encontram todos os signos de sua máxima identidade, se abraçam, se relembram, se esquecem, se recebem e se despedem.

Agora quem está partindo é a Rita, mãezona e mulher de muita fibra que após o falecimento do Jacques não deixou a peteca cair e construiu mais um bom capítulo dessa história.  Com os dois filhos morando na França, Rita viaja para passar um período de aprimoramento gastronômico e (claro!) de afeto ao lado dos filhos. Sendo assim, o Bistrô encontra seu giro da vez e continua sua jornada de amor nas mãos da filha, Clarisse Pintat, jornalista e mãe do pequeno Loïc - com 3 anos já caminha por entre as mesas do Bistrô, entre os aromas da cozinha e o jazz na caixa, na maior tranquilidade.

Esse é um pequeno fragmento de amor nesse mundo que está muito preocupante, um subterfúgio que se alimenta diariamente de palavras, gestos, ideias, pois já se trata de uma construção profundamente simbólica que transborda a sua estrutura física.

26.5.16

Uma Catarse para realizar o novo EP e videoclipe

A REPUBLICA IMPERIAL” está em campanha para captação de recursos via sistema crowdfunding.  São 15 mil reais para realizar um novo EP, o segundo da carreira da banda, e também para realizar o primeiro videoclipe. Vai precisar da aposta de muitos. E a arrecadação pelo site CATARSE vai só até final de junho.

O Holofote Virtual conversou com Alex D’Castro, compositor e cofundador da banda sobre os novos trabalhos e para saber mais de como firmar uma banda no cenário musical e fazer dela uma obra única. Também falamos sobre financiamento coletivo, esta plataforma de patrocínio que pode viabilizar filmes, música e outros sonhos.

Antes de qualquer coisa, vale dar a dica. Quem quiser conhecer mais de perto o trabalho do grupo, antes de endossar o financiamento coletivo para os novos trabalhos, pode ir neste domingo, 29, ao evento “A Feira Imperial”, que conta também com apresentação da banda “Feira Equatorial”, a partir das 18h, no Teatro Cláudio Barradas. Veja mais informações, na página de EVENTO.

Relativamente nova no cenário musical, A REPÚBLICA IMPERIAL está num mergulho artístico. Visualizando as possibilidades neste novo mundo das tecnologias e dos compartilhamentos virtuais, sabe aproveitar as oportunidades para mostrar sua música, e vem ganhando espaço em festivais, aumentando o número de fãs reais e de seguidores em redes sociais. Assim, chega a hora de sonhar mais e buscar concretizar as coisas de forma mais profissional e ousada.

Formada por Inês Fernandes (baixo), Glaucia Freire (vocais), Genessi Rodrigues (vocais) e Alex D’castro (vocais) e Wendel Raiol (violão), além de parceiros permanentes, Milton Cavalcante (guitarrista), Daniel Pinheiro (baterista), Anderlene Figueiredo (trompete) e o percussionista JP Cavalcante, com os novos trabalhos realizados, a banda pretende iniciar uma nova fase.

“Temos passado por festivais paraenses muito importantes ao longo desses três anos de trabalho. Já temos um EP gravado, o Cinema Ór, que está disponível no SOUNDCLOUD da banda. Agora estamos trabalhando em nosso segundo EP ‘O PESO DA LUZ’, música que dará vida ao nosso primeiro vídeo clipe”, diz Alex D’Castro.

O Peso da Luz traz cinco composições inéditas e será gravado, mixado e masterizado no estúdio Floresta Sonora, em Belém do Pará. O videoclipe será gravado e dirigido pela Pluvia Produções. A música que dá nome ao trabalho e também é tema do clipe, teve lançamento extraoficial na segunda metade de 2015 e pode ser ouvida no SOUNDCLOUD da banda, mas agora será regravada e relançada ao lado de mais quatro faixas, Escarlate, 1985, Pitaya e Ramalhete.

“Já tocamos duas em algumas apresentações da banda e tivemos ótima aceitação. As outras ainda estão sendo executadas somente entre quatro paredes pra serem lançadas, com exclusividade, no Show que faremos dia 29 de maio no Teatro Cláudio Barradas”, conta Alex D’castro.

Holofote Virtual: Buena Vista Social Club, Real Combo Lisbonense, Sigur Rós, Orquestra Imperial, Nouvelle Vague, Novos Baianos, Doces Bárbaros, Clube da Esquina, The Doors, Sigur Rós, Elis, Caetano. Influências. E sabendo disso, quem nunca ouviu A República Imperial, deve imaginar uma mistura incrível na sonoridade da banda. Como foi encontrar o caminho autoral, onde é que distinguimos “A República Imperial” de suas influências? 

Alex D’Castro: Radiohead também (risos). Logo nos primeiros meses a gente quis entender que não só influências como, também, referências são exemplos de investigação e não receitas prontas, incontestáveis. No exercício da composição, muitas vezes, a gente se atrapalha pendendo pra um desses dois extremos. Mas A República Imperial queria nem aquele nem esse, mas, sim, outro caminho. Foi quando – no meio do caos - o exercício do questionamento nos deu o olhar-limiar que procurávamos. 

Atualmente somos nós quatro (eu, Genessi, Inês e Glaucia) cultivamos esse olhar com esmero pra que ele intervenha cada vez mais em nossas decisões. Tem dado certo, suspeitamos. O resultado dessa inquietação toda, acreditamos estar mais clara em nosso novo show: O Peso da Luz. E não duvide: até hoje a gente, numa só canção, vai se norteando de Dona Onete a Eduardo Galeano. 

Holofote Virtual: A República é uma banda jovem, mas que já traz na trajetória realizações, apresentações, experiências.  Compor, gravar, buscar alternativas de apresentações. Qual tem sido o maior desafio de vocês? 

Alex D’Castro: Existir como banda. A República Imperial funciona, atualmente, como um startup dividido entre quatro sócios que, há anos, abrem mão de seus cachês e somente investem muita grana e tempo para sustentar as necessidades de um conjunto constituído de mais cinco (05) músicos que nos ajudam com muito gosto até onde podem. 

A gente assumiu esse modelo de trabalho porque era injusto, por exemplo, que alguns integrantes estivessem ali “descomprometidos” ou “meio comprometidos” enquanto outros “totalmente comprometidos” deixavam seus filhos, muitas vezes doentes, com outras pessoas, para cumprirem com uma série de atividades ligadas ao funcionamento da banda que, nem de longe, se resumem apenas aos ensaios. Mas no final todos queriam ganhar o mesmo cachê. 

Se você trabalha 8 horas por dia e o seu sócio 3 horas por dia, mas ambos ganham o mesmo valor alguém vai perder o estimulo, né? Resultado: sistematizar foi solução, porque deu uma garimpada no grupo que passou a ser constituído de profissionais altamente comprometidos com a música. Isso gerou mais segurança e dignidade pra quem ficou. 

Outro problema de existir como banda? Imagina dividir mil reais pra nove pessoas e ainda ter de guardar uma parte pra urgências como sair do centro pra Cidade Nova depois de um show que termina meia noite. Impossível! Mas e aí? 

Você vai recusar o show se, por outro lado, também precisa da vitrine? Outro problema? Sem apoio, sem patrocínio, sem leis de incentivo, aprovando novos projetos, a gente, que tá começando, se torna dependente de um sistema que te faz viver puto e decepcionado. Não vou mentir, já pensamos várias vezes em encerrar as atividades da banda. Mas somos de morte: sobrevivemos. Um dia, é claro, o sonho acaba. Mas não antes de uma bela polução noturna. 

Holofote Virtual: Trocando em miúdos para que as pessoas entendam melhor o que é este novo formato de patrocínio cultural... 

Alex D’Castro: O financiamento coletivo é uma ferramenta de captação que além de aproximar o artista de seu público - e vice-versa - ainda te dá a oportunidade de - se concretizado - “driblar” um sistema que muitas vezes atrasa, desgasta e arrasta a vida do artista às vezes por anos. Ou seja, sistemas que “te ajudam” te mastigando lentamente (ainda mais quando você tem os ossos pequenos). 

Holofote Virtual: Vocês já conheciam o CATARSE? Quanto tempo levou para tomar a decisão de fazer uma campanha de financiamento coletivo? 

Alex D’Castro: Quem apresentou o Crowdfunding pra gente foi a produtora executiva com quem trabalhávamos naquele período. Mesmo assim demoramos um (01) ano para tomarmos essa decisão. Pode parecer clichê, mas é fato: quando você perde o medo você se torna livre.   

Holofote Virtual: A difusão da campanha é o mais difícil? Quais as dificuldades para se alcançar as metas e finalmente concretizar um trabalho desta forma?

Alex D’Castro: Sim. É uma grande dificuldade sim. Poderia listar agora mesmo 43 delas. (Risos). Melhor até. O ideal seria uma entrevista exclusivamente apenas sobre esse assunto. No mais é preciso resistir, persistir e se arriscar. Taí a essência da vida, né?! 

O processo burocrático que você tem de sofrer para conseguir captar grana e assim realizar um projeto para conseguir mostrar com uma qualidade relevante o seu trabalho pras pessoas é, antes de tudo, uma batalha onde você já começa (muitas vezes) perdendo. É preciso ter sangue nos olhos, uma dose cavalar de loucura, utopia e coragem. E, é claro, sobretudo, amigos. São estes que te motivam e é através destes que iremos avivar a nossa campanha até o último dia deste ciclo. Trabalho! Artista trabalha que nem um condenado. (Risos). 

Holofote Virtual: Tu és um dos vocais e também o compositor das músicas. Como isso se mistura com tua história, e como se dá esse processo de criação junto ao grupo. 

Alex D’Castro: Passei seis meses compondo O Peso da Luz, música que dá nome ao EP, até enviar o áudio pro grupo da República para aprovação – ou não – da faixa (é assim que trabalhamos desde sempre dentro da banda). Todos gostaram muito e, já dentro de estúdio, a terminamos em três ensaios tal foi a empolgação do conjunto. Ao mesmo tempo O Peso da Luz foi ponta pé de muitas discussões sobre a natureza de minhas letras e sobre o que é afinal a música de mercado. 

O papo foi divisor de águas dentro d’A República Imperial. Nem sempre o que a gente quer e o que a gente precisa andam de mãos dadas – quase nunca -. Por outro lado, O PESO DA LUZ é uma música para todos os sentidos. Seu único compromisso é com a beleza de um estado de espírito árido, místico e violento. Tenho orgulho de termos cometido juntos tamanha ousadia – em contraponto com nossa realidade.

Holofote Virtual: Tem um tanto de tua história nas músicas, qual delas recai mais dentro disso?

Alex D’Castro: Nasci em 1985 em São Miguel do Guamá. Eu e minha mãe, Neuza Almeida, somos de Santa Rita. Naquele tempo (final da década de oitenta e início de noventa) as coisas eram, em parte, como descrevo na música “1985”, em parte, como minha mãe até hoje me conta. “1985” é uma faixa autobiográfica. Tempos depois da realidade que conto na letra, vieram as máquinas e, procurando minerais nas terras do meu avô, transformaram Santa Rita num enorme buraco; um silêncio profundo sobre a ambição do homem. A família se desmembrou. Minha mãe não vê meu avô há mais de 20 anos. Fiz a letra enquanto olhava minha mãe fumando na janela.

Holofote Virtual: Já que estamos esmiuçando a história das músicas qual a história de Pitaya?

Alex D’Castro: “Pitaya” é minha segunda parceria musical com a Genessi Rodrigues. Comecei a compor sozinho - não por opção - desde meus 20/21 anos de idade. As músicas que A República Imperial toca são consequências de uma busca que em primeiro lugar é e sempre foi muito solitária. Em junho de 2015, a Genessi interferiu outra vez nesse processo solitário de modo muito natural. Nela a gente fala sobre esperança e insere uma questão importante encontrada em um poema de Pablo Neruda “se a cada dia cai dentro de cada noite...”. Fomos mais longe até. Colocamos fragmentos desse poema na letra.

Holofote Virtual: Ramalhete e Escarlate também têm histórias?

Alex D’Castro: “Ramalhete”, em primeiro lugar, é efeito das músicas da Dona Onete sobre minha pessoa. Amo o trabalho dela. Há tempos queria compor algo influenciado por ela. E em segundo lugar é uma daquelas músicas que você se esquece do tempo enquanto tá compondo porque, eu nesse caso, pegava a música de vez em quando para, praticamente, me divertir tocando violão e solfejando. 

Um dia uma amiga me contou uma situação da vida dela que se transformou na letra dessa composição. “Ramalhete” nasceu na velocidade dos acontecimentos do meu dia a dia e me ensinou – mais uma vez e definitivamente - que a simplicidade é um luxo.

“Eccarlate” foi a primeira música que consegui compor na minha vida. Comecei a escrevê-la em 2005. Terminei oficialmente em 2011/2012, já com a Genessi Rodrigues. Tudo começou em "Escarlate". Ela é o fio condutor de todo o trabalho da República Imperial. Foi a partir dela que nós dois criamos o nome da banda (A República Imperial) e todo o conceito que reveste a banda. Foi a partir dela que gerei todas as outras composições da minha vida ao longo esses 15 anos de exercício. 

E o engraçado: Foi minha primeira composição depois de um projeto anterior de onde eu saí convencido de que eu jamais seria alguma coisa dentro da música. Cheguei em casa devastado pelo fracasso. Foi quando decidi que faria uma música, sozinho. Naquele tempo eu não tocava violão. Emprestei um de um amigo - eu também não tinha violão – e ESCARLATE nasceu fechando um ciclo de 15 anos e abrindo outro onde já me encontro com 30 anos.

Holofote Virtual: Sobre o videoclipe... Li que terá aspectos influenciados pelo realismo fantástico colombiano e pelo cinema de Lars Von Trier, como traduzir tudo isso...

Alex D’Castro: O roteiro está pronto e já foi todo trabalhado com toda a equipe que está esperando o resultado do nosso financiamento coletivo para realizá-lo. Comecei a escrevê-lo em novembro de 2014. Terminei em setembro de 2015. Foi uma jornada. Bebi do realismo fantástico colombiano e do filme “Dogville” de Lars Von Trier para falar sobre a “cegueira” do homem contemporâneo. 

Holofote Virtual: O que vocês esperam com este conjunto EP e videoclipe?

Alex D’Castro: A gente espera que, com estes trabalhos - se com a ajuda do público, concretizados –, a cultura de nosso estado receba uma contribuição da qual nossa geração se orgulhe e que, através disso, a próxima geração de bandas de nossa cidade possa ver A República Imperial não como a banda de ‘Segundo Ato’, mas, sobretudo, como um grupo de pessoas que acreditou, com muito trabalho e dedicação, que “as coisas podiam ser diferentes” até as últimas consequências.

Holofote Virtual: Além da apresentação no Teatro Cláudio Barradas neste domingo, 29, quais os próximos shows?

Alex D’Castro: Temos outros shows sim! Graças a Deus! Temos uma agenda disponível no nosso site, o www.arepublicaimperial.com . As datas estão todas lá. No Cláudio Barradas o show será com a banda Feira Equatorial do meu amigo Son Maximiana que, diga-se de passagem, foi uma das principais pessoas responsáveis pelo nascimento d’A República Imperial. 

Eu e a Genessi tínhamos jogado a toalha quando ele encontrou a gente e nos deu uma nova esperança. Agora veio e convidou a gente pra fazer parte desse evento lindo. Porra! Que cara legal, olha! A gente tá muito feliz. Ainda mais por ser com a Feira Equatorial que é uma banda com um caminho que está escrito, definido e planejado pelos astros. 

Holofote Virtual: Além disso, e dos projetos da hora, quais os planos para um futuro nem tão distante?

Alex D’Castro: Para o futuro temos a seguinte meta: lançar nosso CD (que já está sendo desenhado) dentro de dois ou três anos no máximo. Temos já oito músicas inéditas pra ele. Também já temos a capa que está sendo feita pelo nosso amigo João Cirilo. Um grande artista, olha!! Somos apaixonados pelo trabalho dele. 

Queremos também que este álbum seja gravado no Casarão Floresta Sonora e sob a direção musical do Leo Chermont (Strobo). Mas enfim. É um plano a longo prazo. Esperamos que com o lançamento deste EP e Clipe novas portas se abram pra que a gente ganhe novo gás para por fogo em nossa Roma Parauara, mais conhecida como Nova Sucupira (Risos).

(Fotos: Acervo e Facebook dos integrantes da banda, Luis Claudio Ferreira)

24.5.16

Movimento ocupa Minc em cortejo até o Mestre 70

O movimento Ocupa Minc Belém está em cortejo, neste momento, até o espaço cultural abandonado, no bairro do Guamá, "Mestre 70". A atividade foi definida em plenária, nesta segunda, 23, para aproximar o movimento nacional de ocupação dos prédios do Minc, com os movimentos sociais e culturais da periferia de Belém. 

A intenção é promover o diálogo para fortalecer a luta contra o golpe, que levou Michel Temer à presidência da República. O cortejo saiu às 10h30, da frente do Prédio do IPHAN, onde fica localizado o Ministério da Cultural de Belém (Av. Governador José Malcher, 563) e segue pela Av. Governador José Malcher, Av. Nazaré, São Brás, Av. José Bonifacio, Feira do Guamá, até chegar ao espaço cultural Mestre 70, onde a programação inicia com uma roda de carimbó, se estendendo ao longo do dia, com artistas de rua e da cultura popular.

Além disso haverá gaymada, exibição de filmes, prática de skate e teatro, ao final do dia será realizada uma roda de conversa com o tema “A Periferia Resiste”. A programação é aberta para toda a comunidade, homenageando os Mestres de cultura do bairro do Guamá. Programação aberta para o público em geral. 

Mesmo com o recuo de Temer e recriação do Ministério, o qual tinha sido extinto por ele em menos de 12h, após sua posse como presidente interino, o movimento avalia que não há motivos para parar os protestos e ocupações. 

"O momento é de expandir e aumentar a luta contra os atos racistas, facistas, elitistas, machistas, homofóbicos, capacista, heteronormativo, lgbtfóbico, misógino, sexista binário,  baseados numa política de fundamentalismo religioso cristão, manipulação da mídia e precarização dos serviços públicos e direito a cidade", afirmam os manifestantes do #ocupamincbelem

Paralelamente, a ocupação do prédio do Minc continua e segue por tempo indeterminado, seguindo as diretrizes do movimento espalhado em todo o país. As últimas noticias denunciadas ontem pela Folha de São Paulo acirraram aind amais os ânimos e determinaram a permanência de protestos nas ruas e nas ocupações. 

O jornal, como todos já sabem, divulgou trechos de conversas ocorridas em março, entre o agora afastado ministro do planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em que planejavam uma "mudança" no governo federal para resultar em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. 

(Holofote Virtual, com Comunicação Movimento Ocupa Minc Belém)

Feira Pan-Amazônica do Livro comemora 20 anos

Durante os dez dias do evento, cerca de 400 mil pessoas de todo o Brasil devem visitar os mais de 200 estandes da Feira Pan Amazônica do Livro, que abre nesta sexta-feira, 27 de maio,  no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, em Belém, capital do Pará. Vai até 05 de junho.

Na programação há palestras, oficinas, mostras de cinema e atrações culturais, com participação de escritores nacionais como Paulo Markun, Márcio Souza, Carlos Moore (Cuba), João Anzanello Carrascoza, Jean Paul Delfino (França) e Ziraldo, e paraenses, como Antônio Juracy Siqueira, Rosângela Darwich, Daniel Leite, Antônio Moura, Alfredo Garcia, Vicente Cecim, Salomão Laredo e Age de Carvalho.  

Um dos eventos literários mais importantes do país chega a duas décadas de existência. A 20ª edição homenageia a professora e doutora paraense Amarílis Tupiassú e o país em destaque será o planeta Terra. Durante dez dias, a Feira do Livro espera reunir milhares de visitantes interessados em consumir a cultura literária. 

Além dos mais de 200 expositores, a Feira oferece uma farta programação que inclui encontros literários com grandes nomes da literatura mundial, palestras, workshops, oficinas, mostras de cinema e atrações culturais para todos os públicos. Uma exposição no hall do primeiro piso do Hangar vai rememorar todos os momentos marcantes da feira, autores que já passaram por ela, atrações nacionais e internacionais.

Diante de um cenário onde se discute muito a prática da leitura em um país considerado de poucos leitores, ver um evento literário crescer é motivo de orgulho. “Associo o interesse do público à programação que a feira oferece. As pessoas têm contato com os escritores, tem uma farta oferta de livros, tem teatro, contação de história, cinema e manifestações folclóricas. Tudo isso cria uma ambiência que favorece o contato com o livro, estimulando a leitura”, opina Ana Catarina Brito, diretora de cultura da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e organizadora da feira há seis anos.  

O evento já passou por vários espaços da cidade. Quando tudo começou, em 1997, como um projeto ainda tímido e pequeno, a feira ocupou uma área de 2.000 m² no Centro Cultural Tancredo Neves (Centur), com cerca de 66 estandes e uma média de público de 102 mil visitantes. Neste endereço ficou por seis anos, mudando-se para a Companhia Docas do Pará, com um espaço maior, 10.000 m², no ano seguinte. 

As próximas edições ocuparam um galpão no Hangar (antes da reforma) e o Centro de Eventos Júlio César, onde várias tendas eram montadas para atender ao público. Foi a partir da 11ª edição que o centro de convenções da Amazônia tornou-se a casa fixa da Pan-Amazônica, disponibilizando uma área de 24 mil m² para a exibição dos 225 expositores e para a circulação de mais 400 mil visitantes.

“A Feira do tamanho que chegou e da importância que tem era inimaginável há 20 anos, quando plantamos a semente. Hoje, não é apenas uma feira, mas um evento cultural de destaque nacional e até mesmo internacional. Ou seja, é um encontro de cultura e de arte que se aprimora a cada ano sem perder a característica de uma feira de livro”, pontua Paulo Chaves, secretário de estado de cultura.  

Ainda que a Feira ocorra apenas em dez dias, programar um evento desse porte dura um ano inteiro. Ao terminar uma edição, os organizadores já começam a pensar na próxima, buscando sempre estimular a participação dos municípios, principalmente da rede escolar, porque é aí, segundo Paulo Chaves, que está o futuro do país. 

A programação não se resume aos dez dias em Belém, se estende aos outros meses com saraus literários, com a Pan Amazônica na Escola, com gincanas literárias, Pan-Amazônica nos municípios e, mais recentemente, com os salões regionais do livro em cidades como Santarém, no oeste do Pará.

Homenageada – Uma das tradições da Feira Pan Amazônica do Livro, que este ano completa 20 anos de existência, é homenagear escritores nacionais e locais em suas edições. 

Entre aqueles que já tiveram seus nomes nessa condição estão Ruy Barata, Benedito Nunes, Eneida de Moraes e Ariano Suassuna. Para celebrar as duas décadas do evento, a escritora paraense Amarílis Tupiassú foi a escolhida para ser a grande homenageada.

Graduada em Letras pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a escritora possui mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e não por acaso, teve seu nome escolhido para marcar a data comemorativa do evento. Ela é uma das escritoras mais atuantes do evento. “Sempre trabalhei com literatura na Feira, à frente de palestras ou na organização, desde a época em que os livros eram arrumados no chão. Tínhamos que ter cuidado para não pisar neles. Só me ausentei enquanto morava na França”, lembra.  

A experiência permite à escritora fazer uma avaliação pertinente sobre a Feira. “Ela teve um crescimento visível ao longo dos anos o que permite levar ao público uma gama maior de conteúdo e opções de atividades”, destaca.  

Durante a Feira, a escritora vai lançar o livro “Escritores amazônicos e de outros nortes”, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). “São 28 ensaios, sobre obras de autores amazônicos, nacionais e internacionais, como Inglês de Souza, Eneida de Moraes, Ariano Suassuna, Milton Hatoum, Fernando Pessoa, Miguel de Cervantes, entre outros. Trata-se de uma revisitação nas publicações destes autores”, detalha.  

Entre os livros lançados pela autora estão “Para refletir com Pe. António Vieira” (Editora Universitária ­ EDUFPA/ 2008); “Escrita literária e outras estéticas” (Editora Unama / 2008); “A   menina que veio de Itaiara” (Secult / 2004) e “Riso e pranto nos mares do descobrimento ou ensaio sobre história e poesia”. (Unama/2000).  

País Homenageado – A partir de sua quinta edição, a Feira Pan Amazônica do Livro, além de homenagear um escritor, passou também a escolher um país para celebrar. E de lá para cá, cerca de 11 já estiveram nessa condição. 

Para comemorar, os 20 anos do evento, no entanto, a organização resolveu reverenciar o planeta Terra, como uma grande nação. O secretário de Cultura, Paulo Chaves explica a escolha inusitada do planeta Terra, como o país homenageado para a edição comemorativa dos 20 anos da Feira Pan Amazônica do Livro. 

“Ao longo de diversas edições, tivemos vários países homenageados como Portugal, Argentina, Peru e Itália, entre outros. Este ano, escolhemos homenagear o país de todos nós, a Terra, onde procuramos focar os principais temas nessa direção, no sentido de termos uma convivência pacífica e harmoniosa em todo o planeta, respeitando-se as diferenças e, particularmente, o meio ambiente”, ressalta.  

Histórias - A família da jornalista Maria Christina Barbosa frequenta a feira desde a primeira edição. A paixão da mãe pela leitura fez com que as filhas e as netas adquirissem o hábito também. 

Ela conta que ver o seu pai devorar páginas e páginas de livros fez com que ela ficasse encantada e, automaticamente, se influenciasse para este vício saudável. “Meu pai era um leitor voraz, tinha uma estante enorme. Muitos livros eu não podia ler que meu pai não deixava, mas desde muito nova eu lia, então passei isso para as minhas filhas”, recorda a jornalista.  

A mais velha das três meninas de Christina, Maria Clara Henriques tem uma biblioteca em sua casa e entre os estilos literários presentes estão os romances. A filha de Maria Clara, Maria Alice Henriques, de 11 anos, foi incentivada desde cedo a ter contato com as histórias contadas pelos livros. “Aprendi a gostar de ler com a minha mãe e passei isso para as minhas filhas. O que eu puder fazer para manter esse hábito em casa eu vou fazer”, diz Clara. Todas as vezes que a família vai junto à Feira Pan Amazônica uma seção não pode ficar de fora da visitação: a infantil. Para elas, é um espaço extremamente educativo e criativo.  

Há 24 anos trabalhando como professor de educação física, Mário Cardoso participa a pelo menos dez anos das edições da feira do livro. Um dos criadores do projeto Xadrez Escolar do Brasil, o professor garante que o evento é muito mais do que uma exposição de obras literárias, é um espaço para a divulgação e experimentação de outras artes, esportes e conhecimentos.  Mário curte muito ler. Entre as suas histórias preferidas estão as que contam sobre as duas guerras mundiais. 

“Acho que nasci para ser militar”, brinca. Por ser professor da Escola Estadual Miguel de Santa Brígida, em Salinas, ele tem direito ao Credlivro, um bônus concedido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) aos professores para que possam adquirir livros durante o evento. Para ele, o benefício oferece vantagens tanto para o servidor quanto para a sua família. “Sempre comprei livros para os meus filhos. É uma forma de incentivá-los à leitura também”, conta. Só no ano passado, foram disponibilizados R$ 4 milhões, ou seja, o Credlivro beneficiou cerca de 20 mil profissionais.  

“A leitura é vital para o sucesso de uma pessoa. Leva a ter uma melhor compreensão do mundo e da vida, desenvolve a compreensão, a interpretação, a memória, a criatividade, a atenção e a concentração”, enfatiza o professor. Então, já dizia Monteiro Lobato, grande escritor brasileiro: um país se faz com homens e livros.    

Serviço
A XX Feira Pan Amazônica do Livro. De 27 de maio a 5 de junho, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, das 10 às 22 horas. Entrada franca. Programação completa e notícias no http://www.feiradolivro.pa.gov.br/.

20.5.16

Encontro de Performance ocupa MINC em Belém

Fotos: Roberta Brandão
A ocupação dos artistas paraenses na sede da Regional do Ministério da Cultura, em Belém, recebe nesta sexta-feira, 20, a partir das 18h e segue no sábado, 21, o Encontro de Performances Artísticas e Performatividades Cotidianas da  Amazônia. Assim como já acontece em todo o país, desde a última quarta-feira, 18 de maio, os artistas e ativistas culturais paraenses também ocuparam a sede do MINC, com debates políticos e permanecem no local realizando diversas atividades pela cultura e em contestação aos atos de posse do governo interino de Michel Temer, na presidência do país.

O movimento artístico cultural da cidade resiste através da arte performativa e neste final de semana, o encontro EuPerformance, que seria realizado no Casarão do Boneco, neste final de semana, foi deslocado para sede do movimento  #ocupaminc, em Belém, após uma decisão tomada na plenária realizada pelos artistas, na noite de quarta-feira, dia que marcou o início da ocupação.

“Devido ao cenário precário de políticas públicas de cultura, e principalmente e por que a maioria dos artistas da contemporaneidade se aproxima da relação arte-vida, aglutinando-se em diversas linguagens artísticas em ações que utilizam o corpo como material artístico, o evento foi transferido do Casarão do Boneco para acontecer na Ocupação pacífica que está ocorrendo na sede do Minc na Região Norte”, diz Leandro Haick, que integra o grupo de idealizadores do encontro, formado também por Pedro Olaia, Heyder Moura e Maurício Franco.

Além do encontro, está acontecendo no espaço uma série de atividades, que compartilham discussões sobre políticas públicas e práticas colaborativas, de forma artística e engajada. “Para os organizadores do evento euPerformance não tem como dissociar a ocupação do Minc Belém com o pensar em práticas culturais e fazeres artísticos contemporâneos”, diz Haick.

Durante estes dois dias, os eixos temáticos do encontro em mesas de debate, Corpo- Tecnologia, Corpo Celebração, Corpo-rua  e Corpo-resistência serão abordados nas mesas de diálogos, permeados de intervenções performáticas de artistas paraenses. A programação será encerrada com uma noite cultural e microfone aberto.

Os artistas Nando Lima, Arthur Leandro, Rosilene Cordeiro e os irmãos Erick e Érika, entre outros expoentes dessa cena, estão entre os convidados para compor as mesas de debate. Para um dos artistas performáticos idealizadores do EuPerformance, Pedro Olaia, a intenção é reunir e falar sobre  esse fazer artístico resistente na capital paraense.

“Quando abordamos o tema corpo e tecnologia, estamos falando dos artistas que se utilizam da tecnologia em suas ações, do High ao Low Tech, ou até mesmo utilizando sucata eletrônica, o eixo Corpo-Celebração fala sobre o corpo preparado para a festa, para a cerimônia, dos rituais religiosos a performances em casas de show, Corpo-Rua  aborda os artistas que trabalham com o jogo na rua, já a temática Corpo –resistência  é sobre todos os corpos que desobedecem as normas impostas pelo sistema, ou seja, contestam os padrões sociais instituídos como por exemplo o padrão eurocêntrico de beleza, normas heteronormativas e regras colonizadoras”, afirma Pedro Olaia.

Performances e debates em continuidade

Neste final de semana, as ações dão continuidade ao encontro que foi iniciado em abril deste ano, quando os artistas idealizadores do projeto realizaram performances, em pontos caóticos, urbanos e coletivos da cidade. 

O primeiro foi Heyder Moura, e sua ligação com o elemento ar, vestiu um figurino feito de sacos de lixo e soltou-os ao vento no engarrafado  e complexo do entroncamento, em frente ao monumento em tributo aos guerrilheiros da Cabanagem. A performance “exercícios de sair ao sol” fala sobre sair “montado” a luz do dia e os enfrentamentos desta postura.

Pedro Olaia, exaltando mamãe Oxum, e o elemento água, escolheu a beira da Universidade Federal do Pará  (UFPA) para um diálogo sobre o consumo e a produção de lixo. Em sua performance, Olaia transforma-se em um ser místico com asas pesadas, incapaz de voar, feitas de muletas. Apesar do estranhamento causado pela partitura corporal, a performance trabalha com o inesperado e com muitas possibilidades de reposta do público.

“No momento vívido do suspiro poético, o planejamento cai por terra e o improviso divino nos banha de felicidade e ações belas onde muitas vezes me emociono, como por exemplo, na minha última ação, em certo momento quando caí de costas, de propósito para sair de um espaço menos iluminado e ir em direção ao rio e próximo a iluminação dos postes que iluminam a beira da UFPA. 

Pensando racionalmente na visualidade da cena, ao mesmo tempo que caí com o cuidado de não me machucar, fui surpreendido por uma mão estendida que me levantou do chão. 

Uma certa pessoa que estava na capela (a grande oca na beira da UFPA é chamada de capela), sentada conversando e naquele momento assistindo ao trabalho, se emocionou com a ação e me juntou do chão, e nesse instante toda a racionalidade que coloquei na percepção corporal do espaço e da queda foi por água abaixo e eu me emocionei e chorei, ao estender-me a mão senti que nossos corações estavam próximos, e que a poética de toda a cena tinha alcançado um de seus ápices e abriu-se em mim um rio de emoções coberto de uma chuva fina, da mesma forma como estava o tempo/clima na beira naquele momento”, relata Pedro.

Já Leandro Haick escolheu uma manhã de muito sol, em exaltação ao fogo, na Feira do Ver-o-peso, com direito a entrada no mercado de peixes e banho na maré, para levar sua cigana  as ruas. O trabalho desenvolvido por este artista fala sobre um corpo polifônico na rua, que canta dança e festeja cultuando a fricção afetiva entre corpos distantes.

A programação abre nesta sexta-feira, 20 de maio e segue no sábado, 21, na sede do Minc. Os interessados em somar neste grito artístico de liberdade e direitos, é só aparecer no Minc Belém e compartilhar a sua performance, ideias e saberes. A entrada é franca. 

Carta aberta sobre a ocupação

Plenária de quarta-feira (Foto: acervo do blog)
A ocupação dos artistas e ativistas culturais de Belém iniciou com mobilização no espaço da Fundação Cultural de Belém – FUMBEL -, na manhã de quarta-feira, 18 de maio. Pela parte da tarde, o grupo se deslocou à sede da Regional Norte do MINC, onde também está sediado o IPHAN, para dar inicio à ocupação. Música, palavras de motivação e uma plenária deram o tom de toda a ação na quarta-feira.

A ocupação permanece em ritmo de muito debate, encontros e programações que tendem a compartilhar ideias e experiências em torno do fazer cultural e da consciência humana e política. Estruturação e divisão de tarefas são acompanhadas de conversas, aumentando a cada dia a adesão ao movimento. Nesta quinta-feira, 19, em carta aberta divulgada na página da ocupação no facebook, os artistas relatam como estão realizando suas atividades e chamam todos a somar. 

Acesse a página  eleia na íntegra o relato dos artistas. Leia aqui: https://www.facebook.com/ocupamincbelem/posts/496461567215832

Serviço
EuPerformance -  Encontro de performances artísticas e performatividades cotidianas da  Amazônia.  Local : Minc Região Norte – Avenida Governador José Malcher, nº 474 – Bairro de Nazaré. Dia 20 de maio – de 18h às 2h e Dia 21 de maio – 16h às 22h. Entrada: Gratuito. Contato: 981392093. Fan Page: EuPerformance.

(Holofote Virtual, com informação do grupo de comunicação do #ocupamincbelem)

17.5.16

Definidos atores para oficina com Jurij Alschitzem

O Espaço Oficina Assim divulgou nesta segunda-feira (16) os nomes dos selecionados para a oficina "O Individual e o Coletivo", que será ministrada pelo teatrólogo russo Jurij Alschitz, com colaboração da Diretora Maria Thais Santos, de 27 de junho a 01 de julho. No dia 30 de junho haverá palestra aberta, a partir das 18h, no Teatro Universitário Claudio Barradas, em Belém.

Para participar da oficina os participantes devem ler “O Jardim das Cerejeiras” de Anton Tchecov, “O Teatro sem Diretor”, do próprio Jurij e um monólogo de livre escolha. Foram selecionados os atores e atrizes Ana Marcelino, Astrea Lucena Rodrigues, Camila Góes, Carlos Eduardo Santoro de Souza, Henrique da Paz, Josianne Dias, Karinne Ribeiro, Leonel Ferreira, Luana Medeiros Weyl,  Márcia Lima, Marluce Cristina Araújo Silva, Marta Ferreira, Marton Maués,  Monalisa Santos da Paz, Nani Tavares, Renan Coelho, Romana Melo, Suani Trindade Corrêa, Vandiléia Foro e Zê Charone.

Jurij Alschitz falará sobre a sua ideia do “teatro sem diretor”, que não significa exatamente que não se tenha um profissional do teatro nessa função, mas que a criação coletiva possa ser priorizada em um grupo cênico.  “O tema geral deste trabalho nasceu da percepção de que todos nós vivemos diferentes teatros. E isso se tornou o principal problema na nossa realidade teatral, a arte que quase nada tem em comum com outras. Não temos uma casa comum, nos esquecemos de como construí-la e vivermos juntos nela”, diz o diretor.

Além disso, o diretor e pedagogo teatral diz que a oficina é uma forma de refletir sobre o teatro na contemporaneidade e suas particularidades, como por exemplo, questionar qual a diferença entre projetos cênicos elaborados conjuntamente por uma trupe de artistas daqueles em que os atores são selecionados para compor um projeto específico, que não necessariamente colaboraram para sua concepção.

Jurij Alschitz possui carreira internacional tanto como diretor quanto como formador de atores. Sua origem nas artes cênicas se deu pela renomada escola GITIS, de Moscou. É fundador, ao lado de Anatoli Vassiliev, da Escola de Arte Dramática, também em Moscou, e já coordenou a European Association for Theater Culture, que integra centros de formação teatral na Alemanha, França, Itália e Escandinávia. 

Também é autor de vários livros voltados para a arte do ator, entre os quais The Vertical of the Role (A Vertical do Papel, Ed. Perspectiva, 2014) e é diretor convidado de grupos internacionais, trabalhando na Europa, Hollywood e Ásia. 

Realizou pesquisa, patrocinada pela Unesco, para a criação do Laboratório e Biblioteca de Treinamento Mundial de Teatro que mapeou os principais diretores do mundo e suas metodologias, durante dois anos. 

No Brasil, já participou de diversos cursos e palestra e da montagem da peça Eclipse, baseada em contos de Anton Tchecov, com o Grupo Galpão, de Minas Gerais.

Serviço
Oficina O Individual e o Coletivo com Jurij Alschitz, com colaboração da diretora Maria Thais Santos. De 27 de junho a 1º de julho. Palestra/Encontro com Jurij Alschitz, no dia 30 de junho, às 18h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas - Rua Jerônimo Pimentel, 546 (esquina com D.Romualdo de Seixas). A programação é parte do projeto “Assim em Cena”, aprovado pela Lei municipal de incentivo a cultura Tó Teixeira. Apoio cultural: Universidade Federal do Pará (UFPA), através da Escola de Teatro e Dança, Teatro Universitário Claudio Barradas, e Fundação Cultural do Pará (FCP).

Flavya Mutran abre mostra reunindo suas pesquisas

A fotógrafa paraense deu uma pausa no doutorado que desenvolve em Porto Alegue para vir a Belém e expor “Arquivo 2.0 - Desmemórias Fotográficas”, trazendo na bagagem  as séries DELETE.use e RASTER, trabalhos que ela vem aprofundando por meio de pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A mostra será aberta nesta terça-feira, 17 de maio, às 18h30, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia (Av. Presidente Vargas), onde permanecerá aberta ao público até o dia 24 de junho, com entrada franca. 

A menina que corre da guerra no Vietnã, a criança africana à espeita de um Carcara ou uma silhueta espelhada numa poça d´água captada por Cartier Bresson. Poucas pessoas não reconheceriam essas fotografias que já fazem parte da memória coletiva das sociedades modernas. Flavya parte de clássicos da fotografia universal e propõe um joguete com o espectador ao sublimar a figura humana ou apresentar a fotografia não em imagem, porém em suas versões alfanuméricas. O resultado é a reflexão sobre a fotografia como um lugar de encontro. 

A exposição conta com a curadoria do Armando Queiroz e reúne vídeos, livros, objetos e instalações. Esta é a primeira vez que a artista apresenta as duas séries simultaneamente, já que os primeiros trabalhos da série DELETE.use foram expostos em dezembro de 2014 na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, em Portugal, por ocasião do seu estágio de doutorado naquele país.

“ARQUIVO 2.0 – desmemórias fotográficas” é uma exposição que apresenta diferentes suportes ligados à fotografias que circulam na web, e suas relações com a palavra, seja oral ou escrita. Cada uma das séries distintas - RASTER e DELETE.use -, aborda questões ligadas à realidade e ficção, matéria e memória, autoria e anonimato, apropriação e compartilhamento de arquivos fotográficos via web. 

“A Mostra é resultado parcial da pesquisa de doutorado em Artes Visuais que desenvolvo no Instituto de Artes da UFRGS, em Porto Alegre/RS, desde 2012, com Bolsa CAPES. O resultado prático da pesquisa, que é esta exposição, estreia primeiro aqui, e só em setembro, data prevista para a defesa da tese, vai à Porto Alegre”, diz a fotógrafa, que estará presente na abertura para conversar com o público. 

Antes porém, ela bateu um papo com o blog, na entrevista realizada pela jornalista Elianna Homobono, em colaboração com o Holofote Virtual.


Holofote Virtual:  De alguma forma, você vai apresentar para o público paraense parte da sua tese de doutorado. Qual a sensação de expor a sua pesquisa aqui?

Flavya Mutran: Belém é minha casa, meu ponto de partida e de chegada. Sempre fiz e ainda faço meus trabalhos pensando em Belém, nos interlocutores que tenho aqui. Mas o desafio de fazer algo aqui é gigante, talvez maior porque em Belém  têm pessoas que conhecem meu trabalho desde o inicio, então são capazes de medir com até mais clareza que eu própria, quais os acertos e erros de trajeto. É um frio na barriga ótimo!

Holofote Virtual: Em DELETE.use você apaga a figura humana das imagens, em RASTER, você codifica as imagens em números alfanuméricos. Qual o efeito disso no espectador que entra em contato com essas obras?

Flavya Mutran: É o que também quero saber, e o que não consigo prever. Talvez o maior desafio das artes visuais seja criar esse dialogo com o espectador, contando apenas com as obras. Mas não se tem domínio que elas comuniquem exatamente as mesmas coisas que o artista imagina. A partir do momento que se tornam públicas, as obras estão por conta própria e cada um vê ou não vê suas próprias ideias, referências,  cria suas leituras. Não há uma fórmula que garanta que essa conexão artista-espectador vá acontecer através das obras. Ainda assim, eu persisto e aposto nessa possibilidade de troca que se estabelece a partir de uma exposição. E por menor que pareça, cada resposta é uma motivação a mais para continuar.

Holofote Virtual: Qual o papel da fotografia na formação das narrativas culturais da forma que conhecemos?

Flavya Mutran: Mudaram os meios, usos e funções da fotografia em nossos dias e essa evolução histórica - que envolve muito mais que tecnologias ou hábitos sociais -, é traduzida pelo teórico francês Michel Frizot como o estado de evolução histórica que deu origem aochomo photographicus, uma criatura que já nasceu acostumado a se relacionar com o mundo através de imagens. 

É o comportamento desse homo photographicus que vem determinando não só o que se convencionou chamar de web 2.0 - cujo maior provedor de conteúdo é feito pelo próprio usuário -, como também uma mudança na própria fotografia que a partir do digital se tornou um meio hibrido, desdobrável em outras linguagens, produzido a partir da interatividade e dissolução, ou, multiplicação autoral. 

Holofote Virtual: Como essas obras serão apresentadas, em quais suportes?

Flavya Mutran: A exposição reúne mais de 60 imagens com apresentações variadas, que vão de impressões em placas gravadas pelo processo de gravura em metal, livros de artista, instalação audiovisual interativa e vídeos. Não há nada em papel fotográfico, e o que está exposto é o que está no entorno dos usos e funções da fotografia no cotidiano, mesmo que alguns materiais não pareçam familiar, como as fotogravuras em placas de offset, por exemplo. 

Holofote Virtual: Por que a fotografia é um lugar de encontros?

Flavya Mutran: Públicas ou particulares, nossas memórias estão impregnadas de fotografias. Impressas em papel, ilustrando livros ou em porta-retratos, fotografias são parte do patrimônio imaterial do homem e estão guardadas nos arquivos íntimos da maioria de nós. Fazem parte da nossa noção de identidade e pertencimento sociocultural, e são elas que nos ajudam a conviver com o outro e com nós mesmos. 

Remeter-se à fotografias é muitas vezes estabelecer lugares de referencia, lembrar de acontecimentos, se deslocar para um lugar atemporal. Este deslocamento espaço-temporal que é virtual dei o nome de desmemória, um tipo de território movediço, em constante trânsito que não é nem o extremo esquecimento, nem lembrança. 

Os fototerritórios da série DELETE.use são esses locais de encontro, onde muito de nos já colocou os olhos sem jamais ter posto os pés, parafraseando Marshall McLuhan.

Holofote Virtual: Você se apropriou de imagens que fazem parte da cultura pop universal. Como é trabalhar e pesquisar nomes tão importantes como Cartier Bresson, Nick Ut, Miguel Chikaoka?

Flavya Mutran: É acreditar que as imagens de artistas da fotografia tiveram e ainda têm um papel importantíssimo na formação do nosso caráter individual, na noção de pertencimento coletivo. Costumo dizer que não fui eu que me apropriei de fotografias alheias, essas imagens que se apropriaram dos meus espaços mentais de forma irreversível. 

Fazem parte de minhas lembranças, e se misturam às minhas fotos de família, viagens e experiências vividas. Vasculhar esse repertório é dividir com outras pessoas o que provavelmente também aconteceu com elas. Se não são as mesmas imagens, talvez a pesquisa ajude a fazê-las pensar no sentido que a fotografia tem na vida de cada um de nós.

Holofote Virtual: Você fala da fotografia como um elemento da memória cultural. Você lembra da primeira fotografia que mudou a tua vida? Qual e de quem? Ela está na exposição?

Flavya Mutran: Me fiz essa pergunta há muito tempo e mesmo criando a coleção ARQUIVO 2.0 não tenho essa resposta. Hoje não arriscaria dizer uma única imagem que mudou a minha vida, mas provavelmente foi aquela que apareceu pela primeira vez sob a luz vermelha do laboratório da Fotoativa quando revelei meu primeiro filme. Seja qual for o assunto, ainda persigo essas aparições mágicas como na primeira vez.

12.5.16

Woodstock Old and New faz a festa de premiação

Fotos: L. C. Ferreira
Haverá shows das bandas mais votadas pelo público e entrega dos mais de 100 quilos de alimentos arrecadados no dia 30 de abril, na bilheteria da primeira edição do Woodstock Old and New Festival. Serão contemplados, a Paróquia de Santa Luzia e o Comitê Arte pela Vida que atua com portadores de HIV. A festa terá um Tributo, quando Joelma Kláudia e Renata Del Pinho cantarão Janis Joplin e Amy Winehouse. Chegue cedo, para curtir a seleção musical de Uirá Seidl e já entrar no clima para receber o primeiro show, ao por do sol, às 18h. Neste sábado, 14, a partir das 16h, no Bar Palafita. Ingressos a R$ 20,00 e R$ 10,00 - R. Siqueira Mendes, ao lado da Casa das Onze Janelas, na Cidade Velha – Belém do Pará. 

No palco, "The Steamy Frogs" abre a programação. Vinda de Icoaraci, um reduto já natural do nosso rock and roll paraense, a banda surge na cena bem recentemente, em 2015, com o intuito de produzir música sem rótulos, que possibilitem ao ouvinte sensações e sentimentos que guiem seu corpo a dançar ou em muitas horas, entrar num estado de introspecção.

O som é "psicodélico", sim, "progressivo", desenvolvendo musicalidades ímpares para alcançar os níveis mais simbólicos da música atual. Influenciada tanto da música nacional quanto da música internacional, a banda escreve, em suas letras, feitas em português e também em Inglês, temas que versam sobre a vida aos 20 anos, em pleno século 21.

Lucas Castanha (vocal e guitarra rítmica) Felipe Mendes (Teclados) Tiago Ribeiro (contra-baixo e vocal de apoio) Alan Vitor Farias (guitarra solo e vocal de apoio) e Lucas Armstrong (bateria e vocal de apoio), formam a The Steamy Frogs, e são os nossos Sapos Úmidos do rock, em bom português.

Depois deles, entra na cena, mais uma representante do legítimo rock de Icoaraci, a "Velhos Cabanos", com Phellipe Fialho (vocalista e guitarra solo), Matheus Leão (contrabaixo e vocal de apoio), Enzo Marques (guitarra rítmica e vocal de apoio), Felipe Mendes (teclados) e Lucas Franco (baterista).

No palco, eles mostram performance teatral, que incorpora os mais variados campos artísticos, a fim de quebrar qualquer barreira e integrar as ligações das linguagens e expressões no universo das artes. Tudo faz parte de um projeto que mescla influências das primeiras waves progressivas setentistas, trazendo presença marcante da sonoridade do blues, mas um detalhe importante, eles centram numa cena neo-psicodélica.

As canções são compostas por flutuações na linha de baixo e solos de guitarra, longos e encorpados, aliando uma estética que explora temas fantásticos e místicos, buscando reflexões introspectivas que dialoguem com questionamentos das relações humanas.

Já noite adentro, depois da "Velhos Cabanos", é hora da banda "Groover", banda que surge em 2013 com a proposta de fazer um Rock and Roll descontraído, com muitos solos de guitarra, grooves e ritmos dançantes influenciados pelo Blues, Hard Rock e Heavy Metal.

Atualmente formada por Albert Tex (Voz), Gil Luis (Bateria e Backing vocal), Hiruki Kikuchi (guitarra) e Roosevelt Santos (Baixo), a banda possui em seu histórico participações em diversos festivais e entrevistas em programas como o Balanço do Rock e Protótipo, na Rádio Cultura do Pará. Este ano, a banda lançou seu single (produzido, gravado, masterizado e mixado no Estúdio Livre) e webclip intitulado “Rock Party”.

Tributo a duas vozes poderosas

Depois de três bandas, das mais votadas na primeira edição, é hora de render homenagens. Renata Del Pinho e Joelma Kláudia prometem arrepiar os nossos cabelos e nos lavar a alma, com o Tributo à Janis Joplin e Amy Winehouse. Um só show para homenagear duas grandes cantoras.

Janis Lyn Joplin (19 de janeiro de 1943 - 4 de outubro de 1970), era norte-americana de blues, cantora completamente influenciada pelo rock e pelo soul com uma voz marcante. Chegou a compor e lançou quatro álbuns, lançados entre 1967 até o disco póstumo, em 1971. Sim, ela estava em Woodstock 1969 e, através de Joelma Kláudia e Renata Del Pinho, esteve presente no Woodstock Old and New Festival.

“É sempre um desafio, emoção e entrega cantar Janis Joplin. Ela representa o início do meu mundo musical depois do gospel. Era proibido que eu a ouvisse por causa da igreja, então ouvi todos os discos de madrugada bem baixinho pra minha mãe não escutar e cortar minha liga”, diz Joelma Klaudia, fã da cantora texana, considerada também a pérola do blues mais enlouquecida de sua época.

Amy Winehouse não estava no festival de 1969, mas bem que poderia. Sua alma e voz trazem impressas a força do blues. Quando ela nasceu, em 1983, não existia mais na face da terra a Janis e nós estávamos só começando os anos 1980. De trajetória curta, ela morre de forma muito triste em 2011, deixando milhares de fãs à deriva, ela ficou conhecida por seu poderoso e profundo contralto vocal e por sua mistura eclética de gêneros musicais, incluindo soul jazz e ritmos caribenhos.

“Sempre cantei Amy nas minhas guigs, mas nunca fiz um show especifico só com o repertorio dela. Neste tributo vou cantar, entre outras, Rehab, I´m no good, Valerie, Just friends, Back to Black”, diz Renata Del Pinho. “ Também vou cantar algumas músicas da Janis que não deu tempo na festa da primeira edição”, complementa.

Produtora do festival, Renata também antecipa que a segunda edição do festival está sendo pensada com muito carinho e que a produção já está em busca de mais parcerias e patrocínios, para acontecer em 2017. “Estamos trabalhando diariamente para que seja melhor que a primeira. Um dos grandes objetivos e desafios agora é conseguirmos patrocínio”, conclui.

Revelação e premiação

A noite segue após os tributos, com shows das bandas “Cactus ao Luar”, e encerrando com a grande vencedora que levou o prêmio Na Music , garantindo assim, a gravação de mais um EP. A “Cactus ao Luar”, assim como a Velhos Cabanos, Groover e The Steamy Frogs vão receber a menção honrosa de banda revelação nesta primeira edição do Woodstock Old and New Festival.

Formada por Bruno Barros (banjo e voz), Hugo Marola (baixo), Pepeco Josan (guitarra), Alê Nogueira e Clayderson Freire (percussão) e Ricardo Silva (bateria), a “Cactus ao Luar” nasce do gosto pelo rito musical frenético dos tambores misturado ao peso swingado da guitarra destorcida, além do groove grave entonado pelo contrabaixo, trazendo novas leituras dos ritmos regionais, contendo em seu repertório, carimbó, reggae, afoxé, entre outros.

Já a “Casa de Folha”, é também de Belém, tem cinco anos de estrada e um EP rodando por aí, o “Bangalô”, gravado no Guamundo Home Studio, com produção e direção musical de Renato Torres. O grupo é formado por Thais Ribeiro – vocal; Jassar Protázio – baixo; Ismael Rodrigues – Percussão e André Butter – violão, e ainda JP Cavalcante – percussões, e Daniel Serrão – sax e teclados.

PROGRAMAÇÃO

16h - Abertura do portão
16h às 17h59 - Música Mecânica – seleção do DJ Uirá Seidl
18h - The Streamy Frogs
18h45 - Velhos Cabanos
19h30 - Groover
20h30 - Tributo -  Janis Joplin e Amy Winehouse
22h15 - Cactus ao Luar
23h - Casa de Folha

Serviço
Festa de Premiação do Woodstock Old and New Festival. Neste sábado, 14, no Bar Palafita – Rua Siqueira Mendes, ao lado da Casa das Onze Janelas – Cidade Velha – Belém do Pará. A programação tem início às 16 horas, com música mecânica e o melhor do rock universal. O primeiro show inicia às 18h, no por do sol. Ingressos, R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), vendas na hora.