24.9.16

As artes da cena na oficina do Casarão do Boneco

Os grupos Dirigível Coletivo de Teatro, Projeto Vertigem e In Bust Teatro com Bonecos colocam seus saberes para troca em um processo de montagem de espetáculo cênico. A oficina “Iniciação em Artes da Cena” será dividida em três módulos, que resultarão em uma montagem coletiva. De 4 de outubro a 1º de Dezembro. As inscrições vão até dia 30 de setembro, pelo site: http://migre.me/v2p4s

Os três grupos integram o Casarão do Boneco, espaço que ocupam de forma colaborativa e onde desenvolvem suas atividades, como apresentação de espetáculos e oficinas. Além do Dirigível, In Bust e Vertigem, vários outros grupos junto a outros grupos e colaboradores somam no coletivo.

A oficina "Iniciação às Artes da Cena vai trazer a experiência de três grupos, que trazem técnicas e pesquisas diferentes, mas que se unem por entender a arte como um retroalimento da vida. O primeiro módulo “Entre o caos e a ordem: O COLETIVO” será dedicado ao treinamento e à preparação do grupo enquanto coletivo, facilitado por Ana Marceliano ( Dirigível).

O segundo será de preparação corporal “Dança e Circo”, com vivência no experimento de ritmos, formas, resistências peculiares da anatomia de cada corpo, conduzido por Marina Trindade (Vertigem). O terceiro módulo traz as “Possibilidades de atuação no Teatro com Bonecos”, com Paulo Ricardo Nascimento (In Bust), apresentando noções fundamentais para o ator na manipulação de objetos com intuito da ânima. 

Os três módulos serão conectados em mais 24h de atividades de criação e montagem cênica pela direção de Maycon Douglas (Dirigível), que vai acompanha todo o processo para criação da estrutura do roteiro de encenação/performance/intervenção a ser apresentada ao final.

Dirigível Coletivo de Teatro - Este é um grupo colaborativo que produz espetáculos cênicos a partir da pesquisa e experimentação artística entre diferentes linguagens (teatro, literatura, dança, música, vídeo e artes plásticas) em busca de um ponto convergente e inovador da criação teatral.

O grupo transita entre o teatro de rua e o palco, o regional e o universal, a fim de produzir espetáculos lúdicos para todas as idades e classes sociais. Possui em repertório três montagens, além de sete contações de história, na forma de “espetáculos-pocket” (20 min), direcionadas para o público infantil com o objetivo de fomentar a leitura.

Projeto Vertigem - Experimentando as técnicas circenses em interface com outras linguagens artísticas, e consequentemente abrindo o diálogo com outros artistas tanto das artes circenses quanto de outras áreas, a palavra para o Vertigem é experimentar.  O grupo começa a se estruturar a partir da necessidade de ampliar a produção em artes circenses vinculada a transversalidade de linguagens artísticas em cena, relacionando o processo de aprendizagem à criação colaborativa, experimentações e pesquisas.

Em 2011, o projeto é contemplado com o Prêmio Funarte/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo 2011, com o qual realiza a montagem de “Te Vira! Tu não és de Circo?” Em 2013, com outra premiação, a Bolsa do Instituto de Artes do Pará (Casa das Artes), iniciam o processo de criação/experimentação do espetáculo mARESia e também ganhou o Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo, e montou “Trunfo”.

Em 2015, mais uma vez contemplado pela mesma premiação, só que de circulação, levará o espetáculo “Trunfo”, por outras cidades brasileiras.

In Bust Teatro com Bonecos - Surge em 1996, tendo como base de criação e foco de encenação, o boneco, envolvendo o ator manipulador também vem pra cena facilitando a trama. O humor tem sido a essência desse trabalho e desde a sua criação, investiga a utilização teatral do boneco, sua contracena com o ator e, principalmente, a sua relação com a platéia.

Utilizando as manifestações artísticas populares como principal fonte de inspiração, busca nas lendas trazidas pela tradicional contação de causos e nos recursos naturais da região o material para a o seu fazer teatral. Ou seja, com a pesquisa que envolve a arte de animar bonecos, coleta no lendário e nas culturas populares do Pará, não apenas a história que conta, mas todos os recursos cênicos, como o mirití, o pano de rede, a cantoria, a métrica da rima.

Oficina Iniciação às Artes de Cena
Duração: 3 meses (90 horas)/ 3ª, 4ª e 5ª/ 18h às 21h
Investimento: 200,00 reais.
Idade mínima de 16 anos

INSCRIÇÕES no link:  migre.me/uZubJ 

22.9.16

16 bandas classificadas na 2a etapa do CCAA Fest

Das 36 bandas inscritas, treze bandas de Belém, duas de Castanhal e uma banda do município de Curuçá vão continuar no páreo. As bandas passarão por uma espécie de reality show e as selecionadas, por um júri especializado estarão na final do festival, em outubro. Vão valer os critérios de musicalidade, originalidade e produção.

Estão concorrendo as bandas 3*17 (Três Dezessete), Anubis, Caminho Estreito, CanaRoots, Chuvas e Cataventos,  Divine Sign, Dois na Janela, Feira Equatorial, Junior Saldanha Project, Leone, Paula Mello & Banda, The Steamy Frogs e Zeit, de Belém, e ainda Fusão a Frio e Yarla e Seus Homens, de Castanhal e banda Scândio, de Curuçá.

Nesta fase as bandas participarão de um programa de preparação para gravar vídeos, que serão votados na internet. “As bandas terão que ajustar algumas coisas e eventualmente elas podem até deixar de prosseguir caso não cumpram os critérios da próxima fase, dando vez às bandas colocadas logo abaixo”, explica a produtora Juliana Marruás.

Esta é uma das novidades deste ano. As bandas serão responsáveis em produzir os vídeos que serão veiculados na internet para votação do público. Após essa fase, as oito mais votadas irão à grande final com show ao vivo no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur, dia 26 de outubro. 

Em relação aos festivais anteriores, o número de inscritos foi menor. De acordo com a organização do evento, esse número já era esperado. “Todos os anos o festival produzia os vídeos para todas as bandas inscritas, o que demandava muito tempo e custo. Esse ano, as bandas ficaram de produzir seus próprios vídeos, ou seja, elas tinham que investir muito mais em sua própria produção, como bandas empreendedoras”, explica o produtor Elielton Nicolau.

O CCAA Fest 2016 tem entre seus parceiros os empresários Ná Figueredo e Moizés Freire, respectivamente, da gravadora Na Music e da loja ProMusic, de instrumentos e áudio. Outro parceiro que ajuda a realizar o festival este ano é Jayme Katarro, da banda Delinquentes e proprietário do Fábrika Studio. 

As bandas premiadas ganharão gravações e videoclipes produzidos pela Rádio e pela TV Cultura do Pará, oferecimento da Rede Cultura de Comunicação, além de vale compras nas lojas parcerias e ensaios gratuitos por um ano. O CCAA Fest 2016 é uma realização do CCAA em parceria também com o Fábrika Studio.

Mais informações:

Turismo cultural e sustentável no Centro Histórico

Uma nova e fundamentada proposta de intervenção turística e cultural nos bairros do Centro Histórico (Campina, Cidade Velha e adjacências). É o que pretende elaborar o projeto de extensão da Universidade Federal do Pará, intitulado “Viabilidade Turística no Centro Histórico de Belém: intervenções turísticas-culturais integradas ao Projeto Circular no Centro Histórico de Belém /PA”. A palestra de apresentação será realizada, na segunda-feira, 26 de setembro, das 19h às 21h, no auditório do SINDLOJAS.

O projeto será coordenado por Diana Alberto, pela Faculdade de Turismo da Universidade Federal do Pará - UFPA, em parceria com os professores Goretti Tavares, da Faculdade de Geografia, e Silvio Figueiredo, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, e Makiko Akao, do Projeto Circular. As atividades já iniciarão em outubro, com objetivo de dinamizar o aproveitamento de diferentes setores presentes nesta área da cidade, para a efetivação de um turismo cultural e sustentável.

A parceria da FACTUR, FGC e NAEA com o Circular vem sendo fortalecida desde o início do ano quando, a partir de um Roteiro Geo-Turístico realizado exclusivamente para produção de conteúdo da edição piloto da Revista Circular, foi levantado o tema do turismo sustentável. A equipe da revista percorreu com a professora Goretti Tavares, por exemplo, o trajeto das entranhas da Campina, para a reportagem sobre uma cidade invisível escondida na Campina, bairro repleto de belezas arquitetônicas e marcos históricos, e para o ensaio fotográfico de estreia da revista, com o fotógrafo Marcelo Lélis.

Oficinas e atividades diversas

Foto: Irene Almeida
O projeto de extensão da universidade vai oferecer dinâmicas culturais, sociais, econômicas e turísticas, que serão aplicadas para fomentar o desenvolvimento de atividades ou temáticas sobre Turismo, Patrimônio e Cultura no Centro Histórico de Belém, num exercício de aproximação e empoderamento das pessoas que vivem e/ou trabalham nestas áreas de patrimônio e diversidade cultural, ou mesmo das que estão de passagem, como turistas, ou ainda simples transeuntes desavisados, interessados no assunto.

“Os moradores, por exemplo, terão a oportunidade de aprender um pouco sobre os temas e entender que o turismo pode ser mais um instrumento para agregar valor e identidade ao espaço cultural e patrimonial ao local em que eles vivem, e quem sabe eles mesmos possam vir a criar roteiros turísticos nos bairros. Teremos oficinas de projetos também, pensando dessa forma, em repassar aos inscritos, ferramentas teóricas e práticas, para atuarem nessa possível consolidação do turismo cultural”, explica Diana Alberto, da Faculdade de Turismo da UFPA e coordenadora do projeto de extensão.

Diana Alberto acredita que o projeto traz uma nova proposta dentro da área do turismo e da cultura para o Centro Histórico de Belém e irá colocar em evidência este potencial, diagnosticando, levantando informações para disponibilizá-las a fim de estimular mais pesquisas e propostas que possam surgir nas instituições de ensino superior, e também de espaços culturais, estabelecimentos públicos e privados.

Foto: Irene Almeida
“O que já tivemos de pesquisa na universidade até o momento foram Trabalhos de Conclusão de Curso TCC sobre o tema do turismo no Centro Histórico, apontando em sua maioria, a possibilidade sim desse espaço da cidade se tornar um espaço turístico, mais consolidado”, revela Diana.

A professora ressalta que para ser consolidado, o turismo no Centro Histórico é preciso de mais investimento em segurança, coleta de lixo, ordenamento de trânsito nas vias, além de programações culturais e sociais, isso tanto por parte do poder público (municipal e estadual), quanto do setor privado.  

"A efetivação de um turismo sustentável e focado na economia cultural e criativa depende disso e de outras coisas, como a valorização dos produtores culturais, seja a (o) pequena (o) artesã (ão) e dos espaços culturais, para garantir os direitos dessas pessoas produzirem e da população poder consumir essa cultura. Acreditamos que o Circular já vem proporcionando essa integração entre esses espaços privados culturais que existem na região, com a população moradora e comerciante. E o turismo pode ajudar muito, desde que haja também a implementação de políticas de cultura que valorizem as iniciativas", diz.

Centro Histórico Comercial, Cultural e Turístico

Foto: Marcelo Lélis
O Centro Histórico de Belém é enfatizado, hoje, como ‘centro histórico comercial’, mas na opinião de Diana e pelos objetivos do projeto, esta área da cidade "precisa se tornar e ser reconhecida como um "centro histórico cultural-turístico e comercial", enfatiza. 

"Os comerciantes do bairro também são convidados a participar do projeto", convida Diana. A ideia é que além de ser lugar da economia da cidade, o Centro Histórico possa se tornar referência cultural e turística no país e lugar de desejo aos que vem de mais longe ainda. "Nesta área temos espaços com música, gastronomia, arte, fotografia, artesanato, e também lojas, camelôs. Tudo isso pode potencializar o Centro Histórico de Belém enquanto espaço criativo de cultura e economia”, diz a professora.

A palestra da próxima segunda, 26, é aberta ao público. “Esperamos ter participação massiva dos moradores e comerciantes dos bairros envolvidos, estudantes seja da UFPa e de outras, que estão ligados ao turismo, cultura, arquitetura, além de instituições publicas a nível municipal e estadual, voltadas ao turismo e à cultura, empresários que tenham interesse na temática, além dos participantes do Circular", diz.

“A palestra será uma ação ainda tímida, digamos assim, mas que esperamos ampliar e trazer as pessoas para mais perto de nós, do projeto, do Circular, e que essa seja uma iniciativa que possa trazer mais parceiros e mais ações não somente para o Centro Histórico e para outros bairros da região metropolitana que tenham essas características”, finaliza Diana Alberto.

Serviço
Palestra de apresentação do Projeto (FACTUR/ FGC/ NAEA/ Projeto CIRCULAR). Na segunda-feira, 26, das 19h às 21h, no Auditório do Sindicato dos Lojistas SINDLOJAS - Rua Gaspar Viana, 858 (entre Tv. Piedade e Rua Gen. Henrique Gurjão) – Bairro do Reduto. Mais informações: 91 98127.2218 e 998831.1480.

A obra de Éder Oliveira é tema do Café Fotográfico

A Fotoativa e o Núcleo de Fotografia do Sesc Boulevard convidam a todos para a próxima edição do Café Fotográfico que recebe o artista visual Éder Oliveira. O bate-papo intitulado “Retrato e Identidade” acontece na próxima quarta, 28 setembro, às 19h, no casarão sede da Fotoativa.

Éder Oliveira trabalha e vive em Belém. E licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará. Pintor por ofício, desde 2004 se dedica sobre a identidade cultural através do retrato, tendo como objeto principal o homem amazônico. 

O artista trabalha em diversos suportes como óleos sobre tela, intervenções, e site-specifics, com esse tema realizou as exposições Você é a Seta (Periscópio Arte Contemporânea – MG, 2016), Páginas Vermelhas (Blau Projects – SP, 2015) e Alistamento (Sesc Boulevard – Belém, 2015), além de participar de diversas Mostras, entre elas: 31ª Bienal de Artes de São Paulo (Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 2014).

A fala do artista no Café Fotográfico abordará seu processo de criação e como ele se constrói ao longo do trabalho, além da escolha da fotografia/retrato, como um ponto de partida para representar a identidade de um indivíduo, mas também de um coletivo, e como isso se desdobrando em pintura e outros suportes como a própria cidade, causando um afastamento entre o sujeito retratado e a obra artística.

Éder já realizou  também itinerâncias em Campinas (Sesc Campinas, 2015) e Museu de Serralves (Porto – Portugal, 2015), “Pororoca: A Amazônia no MAR” (Museu de Arte do Rio – MAR, 2014), “Amazônia, Ciclos de Modernidade” (CCBB Rio de Janeiro e Brasília, 2012), “O Triunfo do Contemporâneo” (Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MAC, Porto Alegre, 2012). 

Obra de Éder Oliveira (Foto: Marcelo Lélis)
Por meio de bolsas e premiações, destacam-se o Lingener Kunstpreis 2016 (Lingen – Alemanha), Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 11ª Edição (2015), Prêmio SEIVA Projetos Artísticos (Fundação Cultural do Pará, 2015), Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais (2014), Prêmio SIM de Artes Visuais do Sistema Integrado de Museus (2008) e o 2º Grande Prêmio do Salão Arte Pará (2007), possui trabalhos em acervo de instituições como Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu Casa das Onze Janelas e Museu da Universidade Federal do Pará.

O Café Fotográfico tem coordenação de Irene Almeida, recebendo mensalmente artistas e pesquisadores para refletir sobre a produção e veiculação da imagem a partir de relatos de experiências e apresentações de pesquisas no campo das artes e áreas afins.

Serviço
Café Fotográfico com Éder Oliveira - “Retrato e Identidade”. Na quarta-feira, 28 setembro, às 19h, no Casarão sede da Fotoativa. Praça das Mercês, 19 – Centro Histórico de Belém. Entrada Franca. Realização: Fotoativa e Sesc Boulevard.

20.9.16

Aparelho abre residência artística no Porto do Sal

Intervenções no Porto do Sal (Fotos: Irene Almeida)
Contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais – 12ª Edição, o projeto Margem: Encontros e devires sobre o rio, do Coletivo Aparelho, abre convocatória para residência artística no Porto do Sal. As inscrições foram prorrogadas até 24 de setembro no site do Coletivo, onde também estão informações sobre do edital.

A residência será realizada entre os meses de novembro e dezembro de 2016. Das quaro vagas oferecidas, duas vagas são direcionadas a participantes residentes em estados da Amazônia Legal Brasileira (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e mais duas vagas, para residentes dos demais estados. Podem se inscrever artistas brasileiros e estrangeiros, residentes no país há mais de dois anos, com idade mínima de 18 anos.

Espaço de fluxo, o Porto do Sal é um vai e vem de comércio, de cultura e tradição às margens das águas doces e escuras da Baía do Guajará, em Belém do Pará. Área periférica e portuária da Amazônia localizada no arrabalde mais antigo da capital, o Porto mira uma paisagem insular, e concentra, a um só tempo, signos urbanos e ribeirinhos. Tamanha efervescência humana e espacial convida a experimentações artísticas em diálogo com seus moradores e seu contexto. 

Elaine Arruda, do Coletivo Aparelho
Criado em fevereiro de 2015, o Aparelho é um projeto de arte e cidadania que atua no Mercado do Porto do Sal e seus arredores, desenvolvendo atividades educativas com a comunidade, e ocupações artísticas. 

O coletivo é composto por artistas e gestores advindos predominantemente do campo das artes visuais: Elaine Arruda, Josianne Dias, Vivian Santa Brígida, Verônica Limma, Débora Oliveira, Elisa Arruda, Luíz Júnior e Manoel Pacheco.

O Coletivo ocupa o Porto do Sal, um reduto de conhecimento tradicional, potencialmente aberto a diálogos e trocas com artistas, inserido em um conjunto de paisagens complexas que refletem uma Amazônia contemporânea, a um só tempo urbana e ribeirinha. Neste contexto humano e espacial, o Aparelho promove múltiplas linguagens artísticas, estabelecendo dinâmicas com os trabalhadores, artesãos e moradores da localidade.

Contação de histórias 
Neste contexto, o Aparelho desenvolve múltiplas linguagens artísticas, estabelecendo dinâmicas com os trabalhadores, artesãos e moradores da região. 

“Nossas ações são atravessadas pelo intuito de democratização da arte, cuja presença é negociada pelas relações por ela estabelecidas. Nosso interesse é provocar encontros que desdobrem-se em trocas, estranhamentos, inquietações. Deslocar sujeitos-sentidos-vidas dos seus contextos naturalizados e agregá-los em um espaço-tempo que propicie novas formas de ser-estar no mundo”, diz a artista visual Elaine Arruda.

Com essa perspectiva, a primeira chamada pública do Coletivo Aparelho prioriza a participação de artistas que em suas trajetórias já desenvolvam linhas de atuação frente a contextos similares, mobilizando práticas, aproximações e estratégias de estabelecimento de diálogo e produção de sentidos junto a comunidades locais e seus respectivos contextos.

Oficina de música para crianças (Foto Divulgação)
“A busca é nos deslocarmos para o espaço público, criar uma cena aberta, acionando uma rede de relações disforme, rizomática, cuja tática é o encontro veiculado pela arte. Como artistas, nosso modo de operação é estar em relação, pois em rede, a trama é uma cadeia, uma sequência, um conjunto de nós”, defende Elaine.

Mais recentemente as ocupações artísticas do Mercado do Sal, realizadas pelo Coletivo Aparelho e também pelo Coletivo Pitiú, foi destaque na Revista Circular N. 1, que aborda nesta edição o patrimônio humano do Centro Histórico de Belém. 

Em entrevista à reportagem, vários moradores e trabalhadores do Mercado do Sal ressaltam que o trabalho desenvolvido pelo Coletivo Aparelho tem estreitado os laços da comunidade com o fazer artístico, provocando assim, verdadeiras mudanças de paradigmas na área.

Mais informações sobre o edital: http://www.aparelho.org/

18.9.16

Jorane Castro estreia o 1º longa no Festival do Rio

Será a primeiríssima projeção de “Pra Ter Onde Ir” (Brasil, 2016. 100min, DCP), o primeiro longa metragem de ficção da diretora paraense. “Somewhere to Go”, seu título em inglês, será exibido no Festival do Rio, em outubro, na Mostra Novos Rumos, ao lado de outros cinco filmes escolhidos por suas qualidades e ousadias estéticas e temáticas. 

Os filmes integram a Première Brasil, com um total de 35 longas e 13 curtas competindo no festival pela preferência do público, que escolhe o melhor nas categorias de ficção, documentário e curta, através do voto popular, e pelo júri especial, que elege os vencedores do Troféu Redentor, nas demais categorias. Jorane divulgou a notícia pelo facebook esta semana e a gente quis saber mais. O blog bateu um super papo com a diretora.

A mostra na qual "Pra Ter Onde Ir" está escalado, é um espaço dedicado a diretores que têm olhar diferenciado de cinema. "Fiquei lisonjeada de terem me colocado nesta mostra”, diz Jorane Castro, em entrevista ao Holofote Virtual.

“Será uma estreia mundial, como se diz no jargão do cinema a filmes que terão a primeira exibição de sua trajetória. É a primeira exibição, e será numa sala de cinema do Festival do Rio, excelente janela”, disse.

Produção da Cabocla Filmes e co-produção da Rec Filmes, “Pra Ter Onde Ir”, título também do livro do poeta Max Martins, foi filmado, ano passado, ainda com o nome de “Amores Líquidos”,  um título provisório, como nos conta Jorane.

"Não se adequava ao roteiro, tinha uma carga muito já pré-estabelecida de todo o trabalho do Bauman”, explica a diretora, referindo-se a obra do autor francês Zygmund Bauman  “Amor Líquido”, que trata da fragilidade dos laços humanos.“Achei melhor mudar e acabou ficando esse Pra ter onde ir, que tem muito mais a ver com a história e todas as possibilidades de interpretações que esse título tem.

É importante que tenha mudado”, afirma. Filmado no Pará, em Belém e Salinas, o filme traz no elenco principal Lorena Lobato, Keila Gentil e Ane Oliveira, que interpretam três mulheres com diferentes visões sobre a vida e o amor. 

“Essa história fala de cumplicidade feminina, afirma que você pode ser diferente do outro e pode querer bem a quem é diferente de você. Isso tem a ver comigo, contigo e tuas outras amigas, tua filha. É um filme que fala do amor incondicional pela vida e pelas pessoas que você encontra em seu caminho”, diz a diretora.

Novo momento na trajetória da diretora

Há 15 anos construindo a carreira com direção de curtas e documentários, a estreia do primeiro longa de ficção traz um novo momento na trajetória da cineasta.

“Eu já filmei um longa-metragem, o documentário ‘Lugares do Afeto’, e outro filme pra TV Francesa, também um documentário sobre música na África. Então eu já tinha experimentado uma narrativa longa, mas agora a sensação é de que daqui pra frente tudo será inédito e a descobrir. Talvez tenha valido à pena passar tantas horas trabalhando, feito tanto sacrifício”, reflete.

Jorane diz que o longa ainda não nasceu porque ainda não foi exibido, mas sabe que ele lhe abre um novo caminho. “É mais um estirão na minha frente, com a certeza de que vou continuar fazendo cinema”. A diretora disse também que a sensação de lançar este filme “é de frio na barriga”, mas que tem segurança de que terá boa repercussão. “Sei que o filme está bem resolvido, bem construído, e que tem suas qualidades”, definiu.

Cineasta analisa os processos do filme

Nesta entrevista, Jorane Castro diz que a parceria com a produtora pernambucana foi uma decisão acertada, e que não pensa em parar de fazer cinema. A estreia em Belém ainda está sem data até este momento, mas o lançamento já está sendo pensado.

Holofote Virtual: Em essência “Pra Ter Onde Ir” é um roadie movie, um filme de personagem ou um filme de diretor?

Jorane Castro: É um roadie movie, um filme de personagem e é um filme de diretor. Acho que estes três elementos se mantiveram apesar de não ter um protagonista, uma história central. A narrativa é muito sensorial, é um filme em que as afirmações não são fechadas, o que provoca uma participação do público, que vai interpretar e participar da construção narrativa, que talvez se identifiquem com a história. Roadie movie ele é até no nome...

É um filme autoral, de diretor, porque que ali tem a síntese de tudo que fiz até agora. Tenho a impressão de que tudo que já tinha experimentado e dado certo em outros filmes, eu coloquei ali, além de outras pesquisas também, em termos de luz, interpretação, de construção narrativa. E é de personagens porque são três mulheres incríveis em cena, fortes, bonitas, encantadoras, seguras e inseguras, isso que vai oscilando e dando esta riqueza de textura e possibilidades de personagens.

Holofote Virtual: Chegar ao primeiro longa, principalmente de ficção, deve ser o sonho da maioria senão de todos os diretores. E melhor ainda, estrear no Festival do Rio, uma vitrine muito bacana pelo caráter e repercussão que tem o evento. O que muda daqui pra frente?

Jorane Castro: Você agora percebe que está entrando no mercado e não está mais provando qualidade.  É outra dimensão, então eu não sei ainda o que vai vir, o que eu sei é que a pressão vai ser maior e os retornos também, muita coisa vai acontecer em função disso, não sei como vai ser, passarei pela primeira vez por isso, mas tenho certeza de que vem coisa boa.

Vamos focar no lançamento, mas tenho projetos de longa-documentário prontos pra captar e outros três já financiados que estou tentando produzir, ainda não sei como vou conseguir, mas agora que eu vi que funcionou, quero fazer de novo e logo.

Na fronteira da ficção com o documentário

Holofote Virtual: Escrever o roteiro, filmar e depois ainda montar um filme. Definitivamente muito da concepção inicial da obra pode mudar entre um e outro processo. Isso aconteceu isso com Pra Ter Onde Ir? 

Jorane Castro: Esse filme tem uma evolução muito grande, embora ele mantenha a mesma história desde o inicio, a narrativa foi evoluindo com os processos. Evoluiu do roteiro para a filmagem. Daí para a montagem evoluiu mais ainda. Trabalho muito com documentário e ficção, tanto um quanto. Na ficção, a gente tem impressão é de que a narrativa tem que ficar presa naquele roteiro. Mas com esse filme foi tratado como se fosse uma ficção, mas montado como documentário. 

Trabalho muito com documentário e ficção. Na ficção, a gente tem impressão é de que a narrativa tem que ficar presa naquele roteiro, mas eu acho que esse filme tem uma concepção final, e foi tratado como se fosse uma ficção, mas montado como documentário.

No roteiro tinha muita fala, dai na filmagem isso já foi enxugada e houve improvisação. Outra, é que eu colocava uma atriz no carro, dizia pra ela ir pra tal lugar e faz tal coisa. Então as pessoas foram sendo filmadas sem saber. Depois passávamos e pegávamos autorização. Então tudo isso foi muito processo evolutivo sim, na linguagem, e isso se deu porque o filme precisava crescer e dar este salto. Na montagem tivemos dois processos revolucionários para o filme. Foi muito interessante.

A montadora do filme é uma pessoa fantástica. Joana Collier é uma profunda conhecedora de cinema e também assimilou muito rapidamente a minha maneira de pensar cinema. Foi um dos mais agradáveis processos e de colaboração. Também foi muito bacana trabalhar com o Edson Secco, no som. A edição de som teve uma importância incrível no filme.  Deu uma vibração e deu importância a vários elementos. Foi muito importante isso pra mim.

Parceria produtiva e de pegada paraense

Holofote Virtual: A Cabocla já tem uma trajetória longa em produção, mesmo assim você contou com uma coprodução. Deu certo então a parceria com Pernambuco? 

Jorane Castro: É longa de ficção e a cabocla não tem experiência de gerenciar um projeto tão grande quanto esse. Quando a Rec Produtores Associados entrou, a gente ganhou um solidez, uma segurança de que as coisas iam acontecer da forma correta. 

O Ofir (Figueiredo), sócio da Rec, já morou muitos anos em Belém, tem muita proximidade e interesse pela nossa história, tínhamos que fazer esta parceria. Foi uma necessidade da Cabocla. E Pernambuco me parece muito próximo de nós, tenho admiração pelos filmes que a Rec produz, sempre tive esta admiração e vontade de trabalhar com eles. Então quando surgiu a possibilidade de fazer um filme, a gente já andava se “paquerando”. 

Holofote Virtual: O filme traz música da Gang do Eletro, a paisagem de urbana e litorânea é paraense, mas teria o filme ficado também com alguma pegada pernambucana?

Jorane Castro: É um filme de pegada paraense, isso é inegável.

Pernambuco é um lugar que é muito vibrante para o cinema, hoje, e os parceiros que vieram foram de grande qualidade e me ajudaram a fazer um filme muito bom, mas eles conseguiram se adequar à visão de um filme amazônico.

O filme teve uma equipe de pessoas competentes que contribuíram com os demais. Éramos 90 pessoas da equipe, seis vieram de Pernambuco e um do Ceará, os demais são paraenses. A parceria pra mim foi muito produtiva. 

Depois da estreia, distribuição e novos desafios

Holofote Virtual: Quais os próximos passos após o Rio de Janeiro e o quais as expectativas?

Jorane Castro: Estamos fechando com uma distribuidora para programar o lançamento dele nas salas comerciais, mas ainda queremos fazer um circuito de festivais e perceber melhor a aceitação.

O distribuidor vai nos ajudar a mapear isso e na construção da trajetória. Eu me sinto chegando nessa praia dos longas metragens, mas eu gostaria que as pessoas guardassem preciosamente as imagens desse filme pra sempre e carregassem suas histórias com elas. Isso seria muito gratificante. 

Holofote Virtual: Pra gente encerrar, queria saber como enxergas a cena atual do cinema brasileiro, em meio a tantas turbulências políticas?

Jorane Castro: A impressão que eu tenho é que nunca se filmou tanto no mundo inteiro. Os festivais selecionam 10, 15 filmes entre 150 inscritos, de todo tipo, toda qualidade. Temos um cenário de filme brasileiros muito bons, filmes de grande qualidade, somos grandes documentaristas, temos tradição de fazer documentários e estamos cada vez mais próximo de ter uma cara do cinema brasileiro.

Acredito que estejamos saindo da teledramaturgia, pois o cinema ainda tem muita influência desse meio, porque temos uma supremacia das narrativas da televisão, para chegar aos filmes autorais, bem fotografados, com música boa, qualidade técnica e de interpretação. Nosso cinema está sim num bom momento, estamos fazendo filmes regularmente há mais de 20 anos. Cada festival receber cerca de 150 filmes de inscrição? É uma abundância e pra mim isso é positivo.


16.9.16

Encontro discute cena da música autoral em Belém

O 1º Encontro da Musica Autoral Independente Belém acontece neste sábado, 17, na Casa Velha, espaço cultural situado no Centro Histórico de Belém, no bairro da Cidade Velha. O evento pretende reunir músicos e demais profissionais envolvidos e atuantes na cadeia produtiva da música independente. Na mesa de debate, os temas que compõem o mercado local, anseios e expectativas de veteranos e de quem está chegando agora. Entrada franca.

Encontrar (novas) alternativas de gestão e sustentabilidade para os novos empreendedores criativos da esfera musical - com enfoque nas bandas - por meio de explanações, esclarecimentos, apreciações, trocas de experiência e afins que ajudem a apontar novos caminhos dentro do nosso (velho) sistema.  O evento traz como proposta organizar as experiências, métodos, saberes, vivências e conhecimentos relativos à produção da música autoral independente feita na capital paraense.

Os organizadores entendem que para o (re)conhecimento formalizado das demandas necessárias à classe artística, é preciso “promover a dignidade humana, social e cultural podendo significar um passo a frente para o amadurecimento de uma identidade (ou entidade) política, que possa ter representatividade em questões que envolvem a cena musical autoral de Belém”, explica Leonardo Vicente, mediador do debate, a convite de Alex D'Castro, músico, idealizador e produtor do evento.

Entre os temas do debate serão discutidos itens como custos de produção, público, infra estrutura, estúdios, equipamentos, financiamento coletivo, cachês, divulgação, espaço pra apresentações, "Vitrine", a relação custo x benefício, ente outros.

“Não visamos lucros. Não temos bandeiras partidárias envolvidas...”, diz Alex D'Castro, que é também vocalista da banda A República Imperial. De acordo com ele, o 1º EMAIB é uma reunião para aproximar quem faz musica em Belém. Alex acredita que muitos têm as mesmas inquietações e precisam conversar sobre isso.

Debate terá convidados na Casa Velha

Casa Velha
O encontro terá espaço na Casa Velha, um espaço cultural e colaborativo, desenvolvido pelo músico e publicitário Marco Tuma e pela produtora cultural Roberta Mártires. 

O debate contará com os convidados Pedro Vianna (poeta, músico e produtor cultural), Ed Guerreiro (Na Music), Ná Figueredo (Na Music), Anderson Moura e Ana Paulo Guerreiro (Apoena), Carlos Correia Santos (jornalista e escritor), Bruno Benitez (músico que teve seu projeto recentemente aprovado na plataforma Eu Patrocino) e Lázaro Magalhães (músico e jornalista).

“O encontro vem abrir a discussão de uma agenda e para tomada de decisões, assim como promover a avaliação de uma política pública que seja benéfica a todo o ciclo da cadeia produtiva da musica autoral independente feita na cidade” , diz Leonardo Vitor, mediador do debate. 

Alex D’Castro diz que o EMAIB “não tem o compromisso de, no fogo da discussão, forjar a ferramenta derradeira para ‘concertar’ as coisas. O trabalho, sabemos, é de formiga. A argamassa que vai construir a ponte pra melhoria é, e precisa ser, retirada do interesse de todos. Mas pra isso é preciso que todos saiam de suas casas e venham fazer de perto/parto”, convida o músico.

Experiências e dificuldades impulsionaram o evento

A República Imperial
A ideia do encontro partiu de um grupo formado por ele, que é músico há 15 anos. “Tenho uma referência familiar com a arte e desde muito jovem e reconheço a importância da música na minha vida”, Leonardo Vicente. 

Desde 2003, o artista está envolvido com a produção musical e já participou de diversas iniciativas autorais. “Após coletar algumas experiências, percebo que existem problemáticas que envolvem o trabalho e do oficio como músico em Belém”, continua. 

Focado na experiência desses 13 anos dentro da cena autoral independente, o músico analisa a estrutura da cadeia da música em Belém como deficiente, “principalmente em torno da sustentabilidade de sua base produtiva (ou mão-de-obra para os práticos) que somos nós, os músicos, arranjadores, letristas e compositores dos quais representamos uma parcela da produção artística da cidade, na qual é responsável pela difusão dos significados da cultura paraense, seja nos ambientes alternativos, espaços culturais, praças ou em casa de shows”, finaliza o mediador. 

Serviço
1º Encontro da Música Autoral Independente Belém", na Casa Velha. Neste sábado, 17, a partir das 15h, com entrada gratuita. Haverá venda de comidinhas e bebidinhas. Travessa Gurupá 226 entre Dr Malcher e Cametá – Cidade Velha.

(Holofote VIrtual, com informações de Alex D'Castro e divulgação do evento)

Terruá Pará lança CD e DVD com sessão no cinema

Terruá 2013 (Fotos: Camila Lima)
Criado em 2006 e retomado em 2011, o Terruá Pará é eleito, em 2013, o melhor projeto especial de Música Popular, pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). A edição sai em CD e DVD, com distribuição nacional pela Tratore e lançamento, dia 20, às 19h30, no Cinépolis Boulevard, em Belém, numa sessão para convidados.

Carimbó, siriá, guitarrada, samba, brega, tecnobrega e erudito: boa parte da diversidade da música paraense está na terceira edição do “Terruá Pará”, projeto realizado pelo Governo do Estado, por meio da Cultura Rede de Comunicação e da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). Gravado no Teatro das Artes, em São Paulo, o espetáculo dirigido por Carlos Eduardo Miranda reuniu no palco artistas como Felipe Cordeiro, Nazaré Pereira, Jaloo, Gang do Eletro, Natália Matos, Luê, Strobo e diversos outros, percorrendo cantos, timbres e manifestações da música pop amazônica feita no Pará.

Com duração de duas horas, o Terruá Pará 2013 foi resultado da Mostra Terruá Pará de Música, que selecionou 72 artistas, entre mais de 300 inscritos. Após o lançamento, os CDs e DVDs estarão à venda nas lojas Ná Figueredo e Fox Vídeo. As duas edições anteriores, realizadas em 2006 e 2011, também foram lançadas em CD e DVD e se encontram disponíveis na internet, no canal oficial do projeto (www.youtube.com/terruapara2012).

Nazaré Pereira
Adelaide Oliveira, presidente da Cultura Rede de Comunicação, ressalta que o projeto “Terruá Pará” representa uma vitrine importante para a música contemporânea paraense, colocando no mesmo palco artistas de diversos estilos, numa composição única. 

“O lançamento das mídias do espetáculo possibilita esse registro, para que mais pessoas tenham acesso à nossa produção musical, que é tão rica”, observa. “Com isso, a Cultura cumpre também a missão de difundir e estimular a circulação da música produzida no Estado”.
   
Para o diretor geral do espetáculo, o produtor musical Carlos Eduardo Miranda, a terceira edição do “Terruá Pará” sintetiza tudo que foi aprendido desde o início do projeto. “E com uma geração já renovada, inclusive alguns artistas influenciados pelas edições anteriores”, observa. “Esse é o show que possui o conceito de espetáculo mais bem acabado, pois conta uma história cheia de detalhes. É uma evolução gradual, de faixa a faixa, e já começa emocionante, para derrubar tudo”, completa.


Rafael Lima
Miranda acredita que a principal característica do “Terruá Pará” é o respeito à personalidade dos artistas, ao mesmo tempo em que estimula o diálogo com o regional. 

“O conceito sempre foi ‘seja você mesmo, mas não deixe de olhar, muito atentamente, para o seu vizinho, para o outro artista’. Entenda o que vocês têm em comum, uma alma paraense que une todos, que é muito importante. E isso não significa tocar carimbó ou guitarrada, por exemplo. Quem é criado aqui, se colocar a sua vivência na música, está transmitindo uma experiência paraense”, diz ele.

A cantora Sammliz, que participa do show em dois momentos, cantando “Abaluaiê”, do maestro Waldemar Henrique, homenageado desta edição, e “Aparelhagem de Apartamento”, relembra a experiência de estar no palco com outros artistas. “O Terruá tem esse mérito de colocar artistas diferentes em contato, trabalhando juntos, e isso amplia nossos horizontes de uma forma extraordinária”, avalia a artista, que pela primeira vez se apresentou sozinha, sem sua antiga banda, dando início a uma nova fase em sua carreira.

Jaloo
Para o cantor Jaloo, que saiu de Castanhal e conquistou projeção nacional e internacional, participar do “Terruá Pará” em 2013 foi um divisor de águas. 

“Naquela época, eu era mais conhecido como produtor ou DJ. Quando anunciaram as seletivas, eu já morava em São Paulo, e decidi viajar para Belém e participar. E tudo deu tão certo, meu trabalho chamou a atenção da curadoria e fui escalado. Foi a primeira vez que fiz parte da cena paraense, porque até então minha carreira era construída pela internet”, recorda-se.

Durante o projeto, Jaloo acabou sendo convidado a participar do selo Skol Music, do produtor Carlos Eduardo Miranda. “Hoje minha carreira está muito bem consolidada. Estou encerrando uma turnê de quase um ano, preparando meu segundo disco, e posso me considerar um artista. Tudo é muito novo e maravilhoso”, comemora.

Quem participa:

Marco André
Trio Manari, Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, Nazaré Pereira, Jaloo, Adelbert Carneiro, Sammliz, Strobo, Marco André, Júnior Soares, Ronaldo Silva, Luê, Rafael Lima, Toni Soares, Adamor do Bandolim, Arthur Espíndola, Toninho Nascimento, Zebrabeat, Pim, Natália Matos, Mestre Damasceno, Nanna Reis, Marcel Barretto, Dan Bordallo, Felipe Cordeiro, Camila Honda, Manoel Cordeiro, Renan Sanches, Waldo Squash, Juca Culatra, João Lemos, Gang do Eletro e ainda banda base, formada por Edvaldo Cavalcante (bateria), Trio Manari, Príamo Brandão (baixo), Davi Amorim (violão guitarra), Léo Chermont (guitarra), Jade Guilhon (violino, bandolim), Luiz Pardal (acordeon, bandolim, piano, violino, rabeca), Dan Bordallo (teclados), Stefano Manfrin (sax, flauta), Maurício Brito (trombone), Thél de Souza (trompete), Waldo Squash (sampler), Júnior Gurgel (bateria) e JP (percussão).    

Serviço
Lançamento dos CDs e DVDs do Terruá Pará 3. Dia 20 de setembro, às 19h30, no Cinépolis Boulevard, em Belém, com sessão especial para artistas e convidados. Após o lançamento, os CDs e DVDs estarão à venda nas lojas Ná Figueredo e Fox Vídeo, com distribuição nacional pela Tratore.

Rafael Lima é internado com pneumonia em Belém

O músico e compositor paraense Rafael Lima, 59, foi internado há dois dias no Pronto Socorro Municipal de Belém - Trav. 14 de Março, e transferido ao Hopspital Barros Barreto, referência para tratamento de pneumonia. O músico está com o pulmão comprometido e respira através de aparelhos.

Juçara Abe, filha de Rafael Lima, informou que os sintomas da doença apareceram há dez meses com tosses sucessivas, decorrentes de uma gripe mal curada. Recentemente fez uma bateria de exames na rede privada e nada foi detectado.

A família busca apoio junto aos amigos e pessoas que possam ajudar e disponibiliza números de contato: 91 98309.3649 e 982054943. Um show beneficente também já está sendo organizado pelo prof. Edmilson, do Instituto Calos Gomes. Músicos e amigos que puderem colaborar também podem entrar em contato.

Nesta segunda –feira, 12, Rafael passou mal e foi levado para uma UPA – Unidade de Pronto Atendimento, onde foi atendido e encaminhado a um Posto de Saúde. Foram feitos alguns testes, sem resultados, e o músico foi liberado pra voltar pra casa, onde passou mal mais uma vez. Rafael Lima voltou ao mesmo Posto de Saúde de onde saiu em uma ambulância para o PSM. O diagnóstico agora sairá pelo Hospital Barros Barreto, onde o músico está sendo atendido e seguirá com tratamento. Para ajudar, amigos já estão organizando um show beneficente em apoio ao músico. 

Música instrumental da Amazônia na Europa e EUA

Foto/Arquivo: Rádio Iara
Rafael Lima é músico veterano e cultuado na cena paraense, tem seis CDs lançados, cinco deles gravados fora do país, sendo um duplo, ao vivo, feito em Berna , na Suíça; outro gravado ao vivo no festival de Montreux e os outros registrados em estúdios entre a Suíça, o Canadá e São Paulo, caso do primeiro trabalho “Arribadas” (1989/1993).

Em 2015, ao completar 35 anos de carreira, o músico lançou o sexto trabalho “Nômade”, o primeiro CD gravado no Brasil, em Belém do Pará (Na Music), com a participação de outros grandes músicos e parceiros, Príamo Brandão (baixo), Márcio Jardim (perc.), Lenilson (teclados), Minni Paulo (contrabaixo acústico) e Toninho Abenatar (sax).

Irreverente, polêmico muitas vezes, mas acima de tudo um artista genial, Rafael Lima consegue canalizar boa parte dessa energia para seus trabalhos. Com foco na Amazônia, a música de Rafael Lima tem cruzado diferentes fronteiras e enfrentado as mais diversas plateias, mundo afora, em festivais de música, normalmente voltados para o jazz, na América do Norte, na Europa, Caribe. 

O artista já esteve em Montreux Jazz Festival, Suíça 1994; Stelli sotto State, Milão, Italia, 2005; Festival Latino Americano, MIlão Italia 1992; Otawa International Jazz Festival, 1989; Festival de Jazz de Barcelona, 2004; Varese Jazz Festival, Varese, Italia, 2005; Blue Sky Festival, Crareedon, Canadá, 1989; Festate World Music, Chiasso, Suíça 1991; Festival contra o Racismo e a Xenofobia, Locarno, Suíça, 1993; Festival de Cinema de Locarno, Suíça 199; Mariposa Festival, Berye/Toronto Canada 1987; Jazz in the Garden, Lausanne, Suíça 1997; KWT Jazz Festival, Toronto, Canadá, 1987; Les Toniques Festival Lausanne, Suíça 1998; Podring Jazz Festival, Biel, Suíça, 1995; Cully Jazz Festival, Cully, Suíça, 1996.

No Brasil, participou da Bienal do Livro de Paulo, 1986; Projeto Pixinguinha Nacional, 1984; Fórum Social Mundial, c/ Walter Freitas, Porto Alegre, 2003; "Vereda Brasil", show de Rafael Lima e Walter Freitas, 2002/2003, Belém, Florianópolis, Porto Alegre; "Um grito na mata" show de Lima e Walter Freitas, Belém, 1990; "Prata Alumiã" show de Rafael Lima e Walter Freitas, Belém e Macapá, 1993; Produção do CD "Zarabatana" de Macário Lima, 2005; Produção do show "Música no Pulmão da Terra" de Macário Lima e Amigos, 2007. 

15.9.16

Luiz Braga passeia pela memória de seus registros

Ao lado do também fotógrafo e historiador Michel Pinho, o fotógrafo vai percorrer ruas da Cidade Velha, revisitando a história e a memória de seus registros. A ação é aberta ao público e integra a mostra “Retumbante Natureza Humanizada”, em cartaz no MEP, em Belém. Neste domingo, 18, às 9h30, com saída da Casa das 11 Janelas. 

O bairro onde a capital paraense foi fundada foi um dos primeiros sítios de produção fotográfica de Luiz Braga. São imagens que revelam a força do trabalho e o gestual do homem, o corpo marcado pelo pesado labor. À época, em 1986, quando participou do projeto Fundo de Vela, ele conta que usou sua formação em arquitetura para “desenhar um estúdio ambulante para luz natural” e lamenta que hoje em dia não possa fazer o mesmo. 

Luiz Braga (Foto de Elaine Bayma)
“A imagem do rapaz que faz parte do tríptico na sala azul foi feita na ladeira do Castelo em 1985. Eu gostava muito de andar pela aquela área da feira do Açaí, ladeira do Castelo, Porto do Sal. Os personagens do trabalho da feira e da estiva eram personagens constantes do meu trabalho e estão na mostra.

Ficou muito difícil realizar isso de novo. A foto do Ver-o-Peso refletido no vidro de uma daqueles caminhões que ficam estacionados em volta da feira do Açai acabou sendo metáfora do caos urbano que vivemos hoje”, diz.

Outra obra importante do período, “Descansando sobre sacos”, foi feita no Porto do Sal e integrou a exposição “À Margem do Olhar”, em 1987. O ensaio foi premiado em 1988 pela Funarte com o Prêmio Marc Ferrez. “A fotografia tem o gestual caboclo que tanto admiro”, completa Luiz Braga. 

Michel Pinho será o guia da história 

Michel Pinho será o condutor da programação, que vai iniciar com uma fala sobre a Casa das 11 Janelas e após, o grupo parte para a exposição no espaço. Em seguida, ele vai falar sobre religiosidade, o Círio e a divisão entre o bairro da Cidade Velha e a Campina, com posterior parada na Pedra do Peixe. O grupo seguirá para o MEP, para a exposição de Luiz, mas também terá uma pequena aula sobre o prédio histórico, a Cabanagem e suas gentes, seus índios, caboclos, ribeirinhos.

Para Michel, a fotografia é um elo importante para entendermos as formas de viver. “Há um diálogo entre o ontem e hoje, uma conversa daquele que vê com o que foi visto. A obra do Luiz revela mais que os sacos de papel que os meninos vendiam no Ver-o-Peso nos anos 1970, a obra dele é uma forma de mergulhar na nossa cor, nos nossos gestos, nos detalhes mais íntimos dos parques de diversão, casas, mercearias, praias. A obra do Luiz é uma janela para o passado”, diz.

Programação

Setembro 
18/09 - Visita guiada pela Cidade Velha, com Michel Pinho
Outubro - Museu do Estado do Pará
13/10 - Palestra do prof. Dr. Ernani Chaves, 19h30, sobre Retrato.
20/10 - Leitura Poética de João de Jesus Paes Loureiro e música de Salomão Habib, às 19h30, na Capela do MEP. (35 pessoas)
23/10 - Leitura de Portfólio, com Luiz Braga e Paula Sampaio – Programação do Circular Campina - Cidade Velha
27/10 - Palestra de Alexandre Sequeira, 19h30, no MEP
Novembro
11/11 - Lançamento do catálogo e palestra com Luiz Braga e Rosely Nakagawa, no MEP

Serviço
Visita guiada pela Cidade Velha com Luiz Braga e Michel Pinho ocorre neste domingo (18), a partir das 9h30. O ponto de encontro é em frente a Casa das 11 Janelas. A participação é gratuita e não necessita inscrição. Exposição “Retumbante Natureza Humanizada”, de Luiz Braga. Até 17 de novembro de 2016, no MEP - Praça D. Pedro II, s/n. - Cidade Velha. Visitação: de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, sábados e domingos, das 9h às 13h. Ingresso: R$ 4, com entrada gratuita às terças-feiras. Informações: 4009-9831.