26.11.14

Jacofest com Gismonti e indios Ka’apor em Belém

Depois de 32 anos sem se apresentar em Belém, o multi-instrumentista Egberto Gismonti, volta a capital paraense, para se apresentar na segunda edição do JACOFEST – Jazz da Amazonia Contemporanea Festival. A programação, que tem inúmeras outras atrações musicais, inclui bate papo com Gismont e com os índios, além de se estender até a cidade de Bragança. Já tô contando os dias!

A abertura da mostra em Belém, será no dia 5 de dezembro, às 10h da manhã, no auditório da Escola de Música da Ufpa, com a mesa redonda sobre "Música, Cultura e Diversidade na Amazônia Contemporanea", com a participação de 10 indígenas da Nação Ka’apor (PA/MA).

Eles também estão na programação musical e abrem a noite de shows do dia 6, no anfiteatro da Estação das Docas, cantando e mostrando sua cultura musical, atualmente esquecida e discriminada do «cenário» musical brasileiro.

"Nossos irmãos Ka’apor vêm até Belém com exclusividade, participar do Jacofest, onde querem chamar a atenção da Sociedade Civil local, para a dificil situação que estão enfrentando há muitas décadas, já que estão sitiados por madeireiros, latifundiários e grileiros em suas próprias terras, sem que nenhuma providência legal ou cabível, tenha sito tomada nesse sentido, até o momento », diz a organização do festival, coordenado pelo cantor, músico e compositor Rafael Lima.

Gismonti, bem vindo! Belém te espera.
Em Belém, a mostra internacional de música tomara espaço no anfiteatro São Pedro Nolasco, na Estação das Docas, nos dias 6 e 7 de dezembro. 

Em Bragança, na semana seguinte, dias 11, 12 e 13, na Praça da Bandeira. No dia 9, ainda em Belém,  Egberto Gismonti participará de um "Encontro musical", no auditório da  Emufpa, no dia 9, às 16h. E no dia 10, fará uma apresentação exclusiva na Igreja de Santo Alexandre.

A programação do Jacofest conta ainda com a participação do grupo musical Djmso Ke Klack-Son, da Guiana Francesa, que toca um etno/eletric/afro/caribe/jazz, de primeiríssima, e embora conte quase duas décadas de existência, e sejam nossos vizinhos, nunca antes se apresentaram em terras paraenses. Um dos discos do grupo, "Maskilili" é quase todo cantado em "Patua" e mistura ritmos africanos, com pitadas de carimbé e ritmos ímpares da Amazônia Amerindia.

Isca de Polícia
Também estão na programação do Jacofest, a Banda Isca de Polícia (herdeiros do som de Itamar Assumção), com sua formação original, dos tempos do ‘Vanguarda Paulista’, quando atuavam ao lado de Itamar, com Paulo Lepetit no baixo, Vange Milet e Suzana Pinto nos vocais, Jean Trad Jr. na guitarra e Marco Costa na bateria (que substitui Gigante Brasil, depois de seu falecimento). 

Nos últimos cinco anos, a banda tem feito parte cenário musical sul/sudeste do país, com a mesma irreverência que marcou emarca o som de Itamar. Essa turma estará em Belém e em Bragança.

A mostra tem ainda o trio do baixista Mauro Sergio (MA), Rafael Lima Project, Adelbert Carneiro Octeto, Mg Calibre, Marujada Bragantina, Bangue Cametaense, Banda Ultranova, Cumbuca Jazz, e Leleco Jazz Sexteto, se dividindo entre os palcos de Belem (Anfiteatro da Esta¢ao das Docas) e Bragança (Praça da Bandeira), numa intensa programação. Tudo começa dia 5, aqui em Belém, e encerra dia 13, em Bragança.

Para esta empreitada, o Jacofest obteve recursos de patrocínio via Ministério da Cultura, por meio do Programa Amazônia Cultural, e conta com o apoio da Ufpa, via Pro-Reitoria de Extensão, Emufpa e ICA, e da Rede Cultura de Televisão. Além de Rafael Lima, o festival também tem na coordenação a produtora Andreia Andrade.

Os Kaiapó vão participar
Pelo que se leu aqui, vai ser incrível este festival, que desde sua primeira edição, em 2012, nos contempla com excelentes e inéditos shows. 

Naquele ano o Jacofest trouxe a Belém, o pianista cubano de renome internacional Omar Sosa, e o internacional trombonista paulista Itacyr Bocato, que nunca antes se apresentaram em nossa cidade. Que venha a 2a edição e que ótimo vê-la expandida para um município a mais, neste caso Bragança, uma das cidades históricas do Pará. Vai ser um estouro!

20.11.14

Encatados S.A. volta com apresentações em Belém

E se a Chapeuzinho Vermelho frequentasse os mesmos lugares que você, disfarçada de pessoa comum? E se a Bela Adormecida fosse sua vizinha sem que você nunca tenha percebido? E se aquele seu professor estranho fosse ninguém menos que o Capitão Gancho disfarçado? Já imaginou? Em seu quarto ano de sucesso, espetáculo “Encantados S.A.” mostra que os contos de fada podem não ser tão irreais assim. Em cartaz nos dias 29 e 30 de novembro, no auditório da Faculdade Fibra.

A trama central da dramaturgia, assinada e dirigida pela dupla Bárbara Gibson e Haroldo França, gira em torno de Noque, um garoto de 13 anos que é oprimido pelos colegas por ainda brincar com bonecos. Gigy, seu brinquedo preferido, é também seu único amigo e com ele o garoto compartilha suas descobertas, angústias e vivências.

A pacata vida de Noque começa a mudar quando ele se dá conta das coisas estranhas que acontecem ao seu redor: sua professora de biologia tem uma cor esverdeada e estranha, sua vizinha oferece maçãs para as pessoas na rua e uma colega de turma sempre está com doces para levar a sua avó adoentada. 

Com estas ocorrências, que mais parecem evidências, os dois começam a investigar os fatos até encontrarem a OSSEAPEPROFOSOE - Organização Secreta dos Seres Encantados Aliados Pela Proteção da Fantasia ou Simplesmente Encantados –, que muda suas vidas para sempre. 

Haroldo França, dramaturgo e diretor hoje radicado em São Paulo, afirma que o espetáculo é diversão garantida às crianças, mas especialmente aos adultos. 

"É uma metáfora do crescimento, uma homenagem às crianças que todos já fomos, e que de alguma forma ainda somos. O espetáculo tem um humor incrível e é especial". Já Bárbara Gibson, que assumiu sozinha a direção após a ida de Haroldo, pontua que cada temporada tem novidades, e que o público nunca pode esperar o mesmo espetáculo. "A cada temporada a gente muda bastante coisa, do corpo de atores a cenas inusitadas. É um espetáculo que está atento ao seu tempo e se renova. E não será diferente nesta temporada".

O espetáculo já possui um público cativo nestes quatro anos ininterruptos de atividades, e pensando nisto a produção disponibilizou ingressos mais baratos aos que entrarem em contato antecipadamente, por telefone ou redes sociais. 

“É uma maneira de fidelizar o nosso público e formar platéia. Já temos amigos que indicam o espetáculos a outros amigos e isso é bem legal. Fazemos um infantil para adultos que diverte todas as idades”, ressalta Bárbara.

Ficha Técnica

  • Direção e Dramaturgia: Bárbara Gibson e Haroldo França
  • Elenco: Alice Bandeira, Allyster Fagundes, Alvaro de Souza, Camilo Sampaio, Cássio Di Freitas, Diego Benício, Douglas Henrique, Erllon Viegas, Fábio Limah, Judite Torres, Leandro Oliveira, Larissa Abreu, Luiza Imbiriba, Nazaré Alcoforado, Nilton Cezar, Rejane Sá, Renato Ferber, Roberta Proença, Sandro Mauro, Selma Salvador, Sofia Lobato, Terezinha Gentil, Valéria Lima, Vanessa Farias.
  • Produção: Larissa Imbiriba, Sofia Lobato e Alvaro de Souza
  • Visualidade e Cenografia: Breno Monteiro e Lauro Sousa
  • Figurinos: Breno Monteiro, Kevin Braga e Lauro Sousa
  • Maquiagem: Elenco
  • Direção Coreográfica: Larissa Imbiriba e Renato Ferber
  • Iluminação: Sol Henriques
  • Sonoplastia: Haroldo França 
  • Operação de Sonoplastia: Leonardo Corrêa
  • Assessoria de Imprensa: Leandro Oliveira
  • Social Media: Leandro Oliveira, Valéria Lima, Cássio Di Freitas e Sol Henriques
  • Design Gráfico e Produção de Vídeos: Sol Henriques
  • Fotos: Thamires Costa

Serviço
Espetáculo “Encantados S.A”. Dias 29 e 30 de novembro, às 17h e 20h, no auditório da Faculdade Fibra (Av. Gentil Bittencourt, 1144, entre a Av. Generalíssimo Deodoro e Travessa 14 de março - Nazaré). Ingressos antecipados a R$10. Ingressos na bilheteria do teatro a R$20 (meia R$10). Informações:  98292 8567 | 98861 9101 | 98816 7170. Facebook: /EspetaculoEncantadosSA. Instagram: @Encantados. Apoio: Colégio Sophos e Faculdade Fibra


19.11.14

OSTP traz obras antigas e da contemporaneidade

Um passeio por composições de autores paraenses, de gerações diversas. Este é o percurso que  a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) apresenta no concerto, inédito, "Música Paraense do Passado e do Presente", com regência de Miguel Campos Neto. Nesta quinta-feira (20), às 20h, no Theatro da Paz, com entrada franca. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro a partir das 9h.

"Sinfonia em Mi Menor", do pianista e compositor Paulino Chaves e "Gestos Imaginários", do professor e multi instrumentista Luiz Pardal são alguns dos destaques do repertório que reúne da mais antiga a mais recente produção para orquestra, no Pará.

"Gestos Imaginários", por exemplo, é resultado do doutorado de Luiz Pardal, defendido no Programa de pós-graduação em Música da Universidade Federal da Bahia, em parceria com o Programa de Pós-graduação da Universidade Federal do Pará. A pesquisa estuda a diversidade de técnicas musicais presentes em criações de Altino Pimenta e Waldemar Henrique.

"Cada gesto da composição é como um pequeno movimento ou uma pincelada do artista plástico. No universo musical eu busco explorar o gesto como um elemento místico", explica Pardal. "Gestos Imaginários", segundo o professor, é como uma peça dentro da uma peça, com uma atmosfera amazônica.

Já Sinfonia em Mi menor, de Paulino Chaves (1883/1948) começou a ser composta em agosto de 1926, em Belém e foi concluída em 13 de fevereiro de 1927. Foi dedicada ao diretor da Escola de Música da Bahia, Maestro Sylvio Deolindo Fróes. Os dois primeiros movimentos foram realizados em 17 de outubro de 1926, em uma apresentação promovida pela diretoria da Festa de Nossa Senhora de Nazareth, na sala do Cinema Iracema, regida pelo próprio Paulino.

Em 2011, a partitura original da sinfonia, que estava extraviada, foi entregue à neta do compositor, a pesquisadora e professora de música Lúcia Maria Chaves Tourinho, completa, com todos os instrumentos de orquestra e com todas as indicações de como o maestro gostaria que fosse tocada-interpretada. 

É o que o público vai assistir e ouvir , com execução da OSTP, nesta quinta-feira.  O concerto também vai apresentar peças de J. C. Gama Malcher e Ettore Bosio. 

Serviço
Concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz "Música paraense do Passado e do Presente". Dia 20 de novembro de 2014, às 20h, no Theatro da Paz. Entrada franca, com retirada de ingressos no dia do evento, a partir das 9h.

Convite ao sonho e a arte entre Brasil e Canadá

O projeto Norte a Norte mostra os resultados do intercâmbio artístico e cultural entre artistas canadenses e brasileiros na cidade de Belém. Nesta quinta, tem palestra sobre a cena artística de Quebec, às 17h, com Véronique Isabelle e, às 19h, será inaugurada a exposição coletiva, no Museu de Arte de Belém (MABE). No dia 21, a programação é no Fórum Landi que, associado à Universidade Federal do Pará, abre suas portas  às 19h, com uma exposição-evento.

A mostra que abre no MABE traz o resultado dos processos criativos desenvolvidos em Belém por cinco artistas canadenses: Amélie Fortin, Allison Moore, Fanny Mesnard e Veronique Isabelle. E reúne ainda obras de dois artistas convidados, Cynthia Dinan-Mitchell e Dan Brault que enviaram seus trabalhos desde o Quebec.

Em forma de prelúdio à exposição, às 17h no auditório no MABE, Véronique Isabelle, artista e curadora responsável pelo projeto que dá nome à mostra, faz uma palestra sobre a cena artística contemporânea do Quebec, artistas, espaços e modus operandi. Aproximações e distanciamentos possíveis entre as duas culturas também devem permear a fala da artista quebequense que reside no Brasil há cinco anos.

Já a ação de performance traz projeção e jogos de sombras, que dão vida a um mundo encantado de águas em uma noite de exposição-evento com Allison Moore, Coletivo Pirão e Convidados no  do resultado da residência artística realizada no In-Bust – Casarão do Boneco com a artista Allison Moore e o Coletivo Pirão. 

Performances - Durante esta última semana do projeto, o trabalho foi intenso em Belém. Allison Moore, o artista canadense, e os atores paraenses Ana Carolina Marceliano, Anibal Pacha, Marina Trindade, Paulo Nascimento e Starllone Souza, todos do Coletivo Pirão, mergulharam em um processo de experimentação artística e criação coletiva entre performance, projeções, marionetes, jogos de sombras entorno da temática da água. 

Através das trocas possibilitadas pelo convívio e pela interação durante o trabalho colaborativo, o grupo desenvolveu a performance que nesta sexta-feira, 21, vem a público e toma forma nas janelas do Fórum Landi para ser vista desde a Praça do Carmo. Na mesma noite, o público também poderá conhecer a videoinstalação panorâmica Urban Terrarium de Allison Moore, realizada com o apoio do centro cultural OBORO em Quebec. 

Nela a artista apresenta uma paisagem imaginária, combinando colagem de fotos e animação desenhada à mão em um labirinto urbano por onde personagens deambulam, aparecem em janelas, lavam pratos, dançam, discutem e abraçam a sua rotina da vida diária em pequenas ações repetitivas.

Além da performance do grupo e da videoinstalação de Allison Moore, a exposição traz também trabalhos e experimentos dos outros artistas que participaram do projeto. Eles realizaram suas residências de criação no próprio Fórum Landi que por duas semanas se transformou em um ateliê coletivo: Amélie Fortin, Fanny Mesnard, Hugo Bergeron e Véronique Isabelle.

A eles se juntam ainda obras de outros artistas convidados que de forma direta ou transversal contribuíram para o andamento do projeto como um todo e tornaram possíveis momentos de trocas com os artistas canadenses em residência aqui na capital.

Do Norte ao Norte, projeto idealizado pela artista e curadora Veronique Isabelle, é uma realização do Conseil des arts et lettres du Québec e do programa Première Ovation da cidade do Quebec. 

O projeto conta com o apoio do programa Les Offices Jeunesses Internationaux du Québec, do Conseil des arts du Canada, da Maison du Québec à São Paulo e do Centre Engramme, da Sol Informática, do Instituto de Artes do Pará, da Aliança Francesa de Belém, da rede de supermercados Líder, bem como com os parceiros Museu de Arte de Belém, Atelier Arte RP, Galeria Gotazkaen, Inbust – Casarão do Boneco, e com o inestimável apoio do Fórum Landi e da Universidade Federal do Pará.

PROGRAMAÇÃO

  • Palestra e Exposição Do Norte ao Norte

Data: 20 de novembro
17h – Palestra sobre a cena artística contemporânea do Quebec, com Véronique Isabelle
19h – Abertura de exposição coletiva Do Norte ao Norte
Local: Museu de Arte de Belém, Praça Dom Pedro II, s/n – Cidade Velha

  • Exposição-evento de Allison Moore, Coletivo Pirão e convidados

Data: sexta-feira, 21 de novembro, a partir das 19h
Local: Fórum Landi, Praça do Carmo, Rua Siqueira Mendes, nº 60 – Cidade Velha

Para tudo, a entrada é gratuita!

18.11.14

Da Tribu inaugura loja pop up na Galeria Sopro

Após o desfile de apresentação da Coleção #Pontear, realizado no dia 6 de novembro durante o Amazônia Fashion Week, a Da Tribu coloca agora suas peças à disposição do público. Loja temporária funcionará entre os dias 22 de novembro e 24 de dezembro, na Galeria Sopro, unindo ainda mais arte e pertencimento. Inauguração terá contação de histórias com Leonel Ferreira e performance com Starllone  Souza. Entrada franca para todos os públicos 

A loja pop up é um espaço temporário para abrigar os acessórios Da Tribu e agrega ainda os produtos dos artistas Starllone Souza e Michelle Cunha. Ponteada por afeto a Coleção #Pontear chega como renascimento Da Tribu, marcando os cinco anos da marca, ponteando sua renovação. 

Tendo no látex e encauchados sua matéria primeira, a nova coleção, intitulada #Pontear, chega conceitual, mas com peças que são ideias em movimento. Cada peça foi trabalhada a partir das relações estabelecidas nos cinco anos Da Tribu e trazem os conceitos de  mobilidade,  música,  poesia,  dança circular,  teatro,  feminino e  maternagem.

#Pontear traz ainda um novo momento para a Da Tribu, fazendo deste um  novo nascimento para a marca, onde as conexões, parcerias e as formações de rede se colocam e estabelecem o partilhar como ponto principal.

As peças desta coleção começaram a ser trabalhadas após o evento – inédito – da primeira imersão criativa Da Tribu, realizado na manhã do sábado, 13 de setembro, em Belém. Na ocasião, a criatividade, o pertencimento, as aproximações e os afetos pautaram o dia e de lá saiu o norte para a produção efetiva da #Pontear.  Para Kátia Fagundes, é esta cadeia de afetos que costura essa rede, e cada look é resultado direto destes ponteios e parcerias.

Envolvendo toda a família da artesã, que ao lado dos filhos Tainah Fagundes, Mohara Fagundes e Kauê Fagundes, trabalharam o tema da nova criação ponteada pela sociabilidade, coletivos produtivos e novas formas de organização onde a Da Tribu está inserida.

Nesse diálogo, a Da Tribu trouxe para o cenário de sua criação parceiros importantes. Carla Beltrão, Starlone Souza e Sâmia Batista, interligam o ponteio e ao lado da cooperativa Encauchados da Amazônia, trouxeram à vida a nova coleção. Kátia explica que são os insumos e tecnologias da floresta – com o látex e encauchado - , o manejo sustentável, a criação, o fazer artesanal e o preço justo, os pontos que ligam essa rede.E a flexibilidade do látex é o simbolismo deste novo caminho.

Da Tribu - nascida em 31 de agosto de 2009, tem na produção familiar seu princípio motor. Criada como uma cooperativa de mãe e filhos, a marca vem se estabelecendo no mercado a partir de um artesanato fino e diferenciado, presente em carteiras, colares, pulseiras, brincos e diversos adornos e adereços. Com a loja pop up, além da inovação no mercado local, a Da Tribu busca trazer mais do que produtos de venda,  mas sim firmar suas as conexões de afeto e criatividade como seus principais motores.

Ficha Técnica Coleção #Pontear

  • Criação: Kátia Fagundes
  • Direção de Design: Sâmia Batista
  • Conceito: Construção coletiva
  • Figurino: Carla Beltrão
  • Trilha Sonora: Lucas Guimarães
  • Fotografia: Alan Soares
  • Audiovisual: Plúvia Produções
  • Coordenação: Tainah Fagundes      
  • Comunicação: Danielle Franco
  • Identidade Visual: Mapinguari Design
  • Produção: Três Cultura Produção Comunicação
  • Colaboradores: Encauchados da Amazônia, Joana Ventura, Carlos Meigue, Seu Déo, Iacy Stell Fagundes.  
  • Realização: Da Tribu - Kátia Fagundes, Tainah Fagundes, Moahra Fagundes, Kauê Fagundes.

Serviço
Inauguração loja pop up da Coleção #Pontear – Da Tribu. Dia 22 de novembro de 2014 – 10h. Programação: 11h - Contação de história: "A Princesa está chegando", com Leonel Ferreira. 18h - Performance Olívia, de Starllone Souza.Na Galeria Sopro -  Travessa Campos Sales, 898 – Campina. Funcionamento: Até 24 de dezembro, de segunda a sábado, das 13h às 19h.

Pássaros Juninos representados em projeto do IAP

“Os pássaros – A música e o teatro popular do Pará”, projeto multimídia composto por livreto, CD e DVD, criado para resgatar e fazer reconhecer o trabalho dos grupos de pássaros juninos, será lançado com um show, no próximo dia 21. Participação de Ana Clara, Richelli Rodrigues, Nanna Reis, Larissa Leite, Camila Honda, Adriana Cavalcante, Aíla, Reginaldo Viana, Pro Efx e Cronistas da Rua. Entrada franca, a partir das 20h, no anfiteatro do Instituto de Artes do Pará.

O Instituto de Artes do Pará vem realizando ações com objetivo de valorizar a cultura dos Pássaros Juninos, manifestação realizada exclusivamente no Pará. A ideia é que ela volte a ter a importância e o reconhecimento que teve no passado. 

Em uma primeira fase foram realizados  cursos e oficinas de aperfeiçoamento aos artistas fazedores dos Pássaros Juninos, resgatando e fortalecendo a tradição; inclusive com iniciativas como a Revoada dos Pássaros, idealizada pelo professor João de Jesus Paes Loureiro e realizada anualmente pelo IAP, para valorizar a manifestação popular.

A iniciativa, por meio da gerência de artes literárias e expressão de identidade, lança agora um material multimídia de livreto, CD e DVD, contando de forma abrangente o conceito da manifestação, como ela foi criada e sua importância para os brincantes e guardiões dos Pássaros Juninos.

No CD, um tributo, cuja proposta é aproximar a manifestação a um novo segmento de público. Nele estão releituras de músicas do repertório dos Pássaros Juninos, interpretadas por músicos contemporâneos de Belém, como Camila Honda, Felipe Cordeiro, Keila Gentil, Adriana Cavalcante e outros, com direção de Félix Robatto.

Aíla canta no lançamento do CD
A ideia principal do projeto, de acordo com o diretor musical, foi a de trabalhar as músicas dos pássaros juninos de forma diferente... 

“Tivemos a ideia de chamar essa gente nova do cenário musical da cidade para interpretar as antigas músicas de pássaro junino, trabalhando também em novos arranjos e uma pegada mais moderna, para que elas fiquem mais acessíveis ao público”, ressalta.

O CD conta com participações de Felipe Cordeiro, Keila Gentil, Camila Honda, Adriana Cavalcante e outros nomes do atual cenário musical de Belém. Para o show de lançamento, Félix conta que ele deve seguir o mesmo repertório do disco. 

Documentário - No DVD, um documentário, que traz a origem dos Pássaros, seus principais agentes e os motivos que levam essas pessoas a fazer desta manifestação a sua profissão de fé. Dirigido por Vladimir Cunha, o filme faz um passeio histórico pelos Pássaros Juninos, ressaltando sua origem nos tempos da chamada Belle Époque Amazônica. É quando surge o pássaro, a ópera popular paraense, escrita pelos serviçais da elite paraense que trabalhavam no Theatro da Paz, que as encenavam nos bairros da periferia onde moravam.

Vladimir também aborda a questão da tradição transmitida nas famílias envolvidas no processo de encenação, e repassadas a cada nova geração, pontuando a seriedade e comprometimento que os brincantes dos Pássaros Juninos.

Ana Clara. A cantora também participa do show.
“A impressão que dá é que não importa que deve ser feito e sim o que é possível fazer a partir do que se tem”, diz o diretor. Vladimir explica que, “o Pássaro é para ser brincado, para sublimar por alguns momentos a aridez cotidiana de quem vive nas áreas mais carentes de Belém e não tem tempo de dramatizar a própria a própria vida.

A balconista de supermercado, o feirante, o estudante de escola pública, todos renascidos durante algumas horas como condes, princesas, príncipes e fadas, antes que tudo acabe e a realidade se imponha novamente em seus aspectos mais opressores”, finaliza.

A ópera popular - Nascida na Belle Époque por volta do ano 1900, a manifestação dos Pássaros Juninos surgiu dos grandes espetáculos de ópera, dentro do Theatro da Paz, à época da efervescência cultural de Belém, impulsionada pelo ciclo econômico da borracha. Seus criadores eram os profissionais da coxia, os camareiros, serventes e demais trabalhadores que viam os espetáculos apenas pelos bastidores e resolveram criar sua própria versão, encenando-a nos bairros de periferia onde moravam.

A manifestação folclórica é considerada a única tipicamente de Belém. Os cordões de Pássaros Juninos viveram anos de grande apogeu, mas nas quatro últimas décadas, mas desde que perdeu o local onde se apresentava, o Teatro São Cristóvão, a manifestação perdeu sua força.

Serviço
Show de lançamento do CD e DVD do Projeto “Os pássaros – A música e o teatro popular do Pará”. Dia 21 de novembro, às 20h, no Anfiteatro do IAP – Praça Justo Chermont, 236. Entrada franca.

(com informações da assessoria de imprensa do IAP)

11.11.14

Oficina do Brecha trabalha técnica do Viewpoints

“O que você gostaria que ficasse”. O espetáculo, que está em cartaz no Instituto de Artes do Pará, segue temporada, com sessões nesta quarta às 20h, e na quinta, às 18h e 21h. Trazido pelo Brehca Coletivo de Teatro, companhia contemplada pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura e Ministério da Cultura, o espetáculo utiliza uma técnica de improvisação de cena intitulada Viwepoints.

A metodologia é também o tema da oficina que o ator e produtor do grupo Jarbas Albuquerque ministra nesta quarta-feira, 12, e na sexta-feira, 14, das 14h às 18h, na Escola de Teatro e Dança da UFPA, como parte da circulação do projeto em Belém.  Os interessados em participar ainda podem se inscrever pelo e-mail jarbasalbuquerque@gmail.com ou no local, mas fiquem atentos, pois as vagas são limitadas. 

Viewpoints é uma técnica/sistema de treinamento e estudo e criação de teatro, resultante de pesquisa da diretora americana Anne Bogart. Por meio da prática corporal, a oficina objetiva ampliar a percepção do intérprete-criador no estudo entre o teatro e a dança.

A técnica alivia a pressão de ter que inventar tudo por si mesmo, de gerar tudo sozinho, de ser interessante e forçar a criatividade. Permite a entrega do ator no espaço vazio, permitindo-lhe confiar que há algo lá, além do próprio ego ou imaginação. 

Inspirado nos princípios do movimento da Judson Church Theater, ocorrido em 1960, em que um coletivo de artistas buscava criar alternativas para as manifestações convencionais, mais especificamente para as influências da dança moderna predominantes nesse período, Viewpoints e Composição são definidos por Bogart e Landau (2005) como um processo aberto que oferece caminhos que permitem ao artista cênico a percepção e melhor compreensão da dimensão psicofísica de suas ações.

O corpo, o espaço, a cena
A partir do desenvolvimento psicofísico de seu trabalho o ator, bailarino ou performer desenvolve através dos conceitos um estado de presença, consciência corporal e escuta específicos.

O método aborda nove diferentes “Pontos de Vista” físicos (Relação Espacial, Resposta Sinestésica, Forma, Gesto, Repetição, Arquitetura, Tempo, Duração e Topografia) e seis vocais (Altura, Dinâmica, Aceleração/Desaceleração, Silêncio e Timbre) para que o mesmo possa estruturar um processo de improvisação estabelecido na relação tempo-espaço.

A conexão corpo e ambiente é fundamental para o trabalho com os pontos de vista acima citados, permitindo o desenvolvimento da percepção, da memória, da atenção, da escuta, a sensibilização e o estado de prontidão para a ação no momento presente.

Bogart denomina como “escuta extraordinária” um aspecto essencial de seu método. Este propõe que a movimentação dos indivíduos num grupo ocorra como resposta aos estímulos presentes no tempo e espaço trabalhado, como se todo movimento fosse uma continuidade do que já está acontecendo.

Ensaio de ontem, no IAP: improviso e criação
Dessa forma, Viewpoints aguça a sensibilidade e os sentidos na busca por uma razão de movimento, permitindo que o ator se entregue ao espaço, que por si só já comunica algo, sugerindo lugares, sons, cheiros e outros estímulo.

A produção local da circulação do Brecha Coletivo de Teatro é da Três Cultura Produção Comunicação. 

Apoio local da Funtelpa Rede de Comunicação Cultura, IAP e da ETDUFPA. A circulação do grupo pela região norte é uma realização do É Tudo Nosso Produções Artísticas, Ministério da Cultura e Programa Petrobras Distribuidora de Cultura.

Serviço
Brecha Coletivo em Belém. Espetáculo O que você gostaria que ficasse.  Dias 12 (20h)  e 13 (18h e 21h) de novembro, na Sala de Dança do Instituto de Artes do Pará – IAP. Ingressos R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia).  Apoio IAP, Funtelpa, Escola de Teatro e Dança da UFPA e Pizza Up. Oficina: Técnica de Viewpoints.  Inscrições: jarbasalbuquerque@gmail.com. Nos dias 12 e 14 de novembro, 14h as 18h - Salas 22 e 04. Informações: 91 98134.7719.

10.11.14

Brecha com 4 apresentações e oficinas em Belém

O Brecha Coletivo de Teatro, do Rio de Janeiro, apresenta “O que você gostaria que ficasse”. Nos dias 11 e 12 de novembro, às 20h, e no dia 13, às 18h e 21h. Ingressos R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia). Além das quatro apresentações, o grupo ainda ministra duas oficinas gratuitas em Belém.

Tendo suas origens no núcleo de criação do BRECHA COLETIVO em 2010. O que você gostaria que ficasse se desenvolve como uma espécie de cartografia dos afetos, que a cada apresentação colhe do público presente uma série de amostras de nosso desejo e necessidade de permanência. 

Nos meses de pesquisa e trabalho que se deram até aqui, foi desenvolvido o conceito “dramaturgia recombinante” para se referir a um tipo de dramaturgia que abrigue tanto elementos fixos, ensaiados e repetíveis (que constituem a tradição teatral), quanto dispositivos de participação da audiência como co-criadora ou re-criadora do trabalho.

O Espetáculo cumpriu 4 temporadas de sucesso de crítica e público, tendo em ambas lotação máxima alcançada na cidade do Rio de Janeiro: Espaço Sesc – Sala  Multiuso (2012), Teatro Municipal Maria Clara Machado (2012), Sala Rogério Cardoso – Teatro Laura Alvim (2013), Centro Cultural da Justiça Federal (2013), além de ter feito apresentações dentro do Ano do Brasil em Portugal, na cidade do Porto.


O que você gostaria que ficasse é o primeiro projeto dirigido por Miguel Thiré. No elenco estão os atores Cynthia Reis, Eduardo Cravo, Jarbas Albuquerque, Raquel Alvarenga e Suzana Nascimento. A assistência de direção é de Paulo Mathias Jr. e Raquel Alvarenga, com direção de arte de Junior Santana, trilha sonora original e seleção musical, de João Thiré, iluminação, de Cadu Fávero, de projeto gráfico, de Raquel Alvarenga, fotos do projeto gráfico, de Antônio Pessoa, de fotos cena, de João W. Faissal, diireção de produção, de Aline Mohamad e produção executiva, de Flora Genial. 

A circulação do espetáculo pela região Norte é uma realização do Brecha Coletivo e da É Tudo Nosso Produções Artísticas. Patrocínio do Ministério da Cultura / Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2013/2014.  Apoio do  IAP e da Escola de Teatro e Dança da UFPA. Produção local da Três – Cultura Produção Comunicação.

Apresentações intimistas
Sobre as Oficinas - Além das apresentações, o grupo ainda ministra duas oficinas, na Escola de Teatro e Dança da UFPA, nos dias 11, 12 e 14 de novembro. Para se inscrever é preciso enviar um e-mail ou se inscrever no local, no horário das oficinas.  

A oficina que será realizada nesta terá-feira, 11, chama-se “Como o tempo passa quando a gente conta histórias”. Tarta-se de um encontro com vivências a partir de histórias, músicas, danças circulares, exercícios práticos e outras linguagens.

O intuito é aguçar e a percepção sobre a oralidade e o olhar estético sobre as narrativas, por meio de instrumentos técnicos e sensíveis que estimulem a criação. A proposta da oficina é acender memórias e a criatividade para se contar uma história, além de promover o patrimônio imaterial local. 

Miguel Thiré, o diretor, com o Brecha Coletivo
A oficina de Viewpoints é uma técnica de improvisação norte-americana que surge na década de 60 inicialmente na dança sendo trazida para o teatro pela diretora Anne Bogart da Cia sediada em Nova Iorque, a SITI COMPANY. 

A técnica consiste em uma série de nomes dados a certos princípios de movimentos no tempo e no espaço. A partir do desenvolvimento psicofísico de seu trabalho o ator, bailarino ou performer desenvolve através dos conceitos um estado de presença, consciência corporal e escuta específicos.

  • Oficina 1: Como o tempo passa quando a gente conta histórias. No dia 11 de novembro das 9h às 13h, na Sala de Dança da Escola de Teatro e Dança da UFPA. Inscrições: suzanapnascimento@gmail.com
  • Oficina 2: Técnica de Viewpoints. Inscrições: jarbasalbuquerque@gmail.com.Nos dias 12 e 14 de novembro, 14h as 18h, nas salas 22 e 04 (respectivamente), na Escola de Teatro e Dança da UFPA.

Serviço
O que Você Gostaria que fiasse. Espetáculo do Grupo Brecha (RJ). Apresentações nesta terça, 11, e quarta, 12,  às 20. E no dia 13, em duas sessões, às 18h e 21h. Na Sala de Dança do Instituto de Artes do Pará – IAP (Na Prça Justo Malcher, ao lado da Basílica de Nazaré. Ingressos R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia). Oficinas na Escola de Teatro e Dança da Ufpa – Gratuitas. Endereço Trav. D. Romualdo de Seixas, 820. CEP 66.055-110. Belém - Pará. Fones: (091) 3212-5050 / Fax: (091) 3241-0850 Mais informações: 91 98134.7719.

8.11.14

Artistas canadenses misturados em terra paraense

O projeto “Do Norte ao Norte” está impregnado de arte contemporânea e de trocas criativas, entre artistas vindos do Canadá e os que vivem em Belém do Pará. A ideia foi da artista e curadora canadense Véronique Isabelle, que um dia veio participar de um projeto de residência artística e aqui e ficou. Agora, ela oferece a mesma oportunidade de vivência a outros artistas conterrâneos. Sabe lá, se depois dessa, mais um canadense não vai adotar a cidade, como ela fez, há cinco anos.

A vivência dos canadenses em Belém está iniciando hoje (8). Artistas quebequenses, eles estarão na cidade realizando diferentes colaborações com espaços culturais, que se desdobrarão em duas exposições abertas ao público. Além de aproximar os Nortes das Américas, a vinda dos artistas quebequenses a Belém quer possibilitar uma cumplicidade criativa com diferentes parceiros locais.

Allison Moore está realizando uma residência junto a artistas do coletivo Pirão, no Casarão dos Bonecos (In Bust) sobre performance e animação e apresenta seu trabalho em uma exposição na Galeria Gotazkaen, que inaugura sua nova sede, no próximo dia 15 de novembro.

Amélie Laurence Fortin propõe uma produção colaborativa com a equipe do Atelier Arte RP. Hugo Bergeron e Fanny Mesnard desenvolvem trabalhos de pintura no espaço do Fórum Landi, da Universidade Federal do Pará.

Véronique Isabelle fará uma palestra sobre a cena artística contemporânea quebequense no Museu de Artes de Belém, dia 20 de novembro, junto da abertura da exposição coletiva que trará ainda obras de Cynthia Dinan-Mitchell e Dan Brault. Na entrevista que segue abaixo, Véronique nos conta mais sobre a experiência artística canadense.

Este projeto dá continuidade ao programa de residência que ela participou, elaborado por Jeanne de Chantal Côté e Armando Sobral. Os dois desenvolveram, de 2008 a 2010, uma parceria entre o Conseil des Arts et des Lettres du Québec e o Instituto de Artes do Pará, instaurando uma relação privilegiada entre as cidades de Québec e Belém.

A ação de Véronique vem reativar e reforçar essa conexão. A programação completa e as informações mais precisas sobre os artistas envolvidos, você acessa no site http://donorteaonorte.com. Também é possível acompanhar o dia-a-dia das residências na página do facebook.

Do Norte ao Norte é uma realização do Conseil des arts et lettres du Québec e do programa Première Ovation da cidade do Quebec. E conta com o apoio do programa de incentivo ao desenvolvimento das relações internacionais para jovens profissionais, Les Offices Jeunesses Internationaux du Québec, do Conseil des arts du Canada, da Maison du Québec à São Paulo e do Centre Engramme. 

O apoio local é da Sol Informática, do Instituto de Artes do Pará (IAP), da Aliança Francesa e do Museu de Arte de Belém (MABE), bem como com os parceiros Galeria Gotazkaen, Inbust – Casarão dos Bonecos, Fórum Landi e Universidade Federal do Pará e Atelier Arte RP.

Holofote Virtual: Que ideia boa fazer esta dobradinha artística com o Canadá. Como você pensou nisso?

Véronique Isabelle: Tive vontade de reunir esses artistas em uma mostra aqui em Belém. Consegui uma verba junto com o governo do Canadá, através do  Conseil des arts et lettres du Québec, do programa Première Ovation da cidade do Quebec, para dar o salto esperado para poder realizar este projeto e conseguir trazê-los pra cá. Assim, seria possível propor um encontro entre pessoas daqui e de lá, com a cidade e suas paisagens de Belém. 

Holofote Virtual: Artistas canadenses terão vivencias com outros artistas paraenses. Qual foi o critério para uni-los?

Véronique Isabelle: Os artistas que foram convidados a participar do projeto, são pessoas com quem desenvolvi laços de amizade e respeito no trabalho em diferentes projetos de residências que realizei anteriormente na França e no Canadá. Acho que cada um deles comunica através de seus trabalhos um profundo engajamento com a sua prática artística, nas técnicas desenvolvidas e nas suas relações com a matéria. Todos realizam obras generosas, produzidas com vitalidade. O projeto oferece uma ocasião especial de descobrir a efervescência artística desses jovens artistas quebequenses.

Holofote Virtual: É a primeira vez que você o realiza, mas você vem de uma vivência semelhante, que trouxe que tipo de experiência?

Véronique Isabelle: É a primeira vez que realizo um projeto como esse enquanto idealizadora e gestora. Mas cheguei aqui em Belém através de um projeto similar, em 2008, elaborado por Armando Sobral e Jeanne de Chantal Côté, para participar de uma exposição. Essa experiência abriu esse novo mundo pra mim, onde finalmente decidi ficar.

A intenção do projeto é proporcionar uma experiência a esses artistas, um encontro com a realidade tão peculiar do cenário paraense, sabendo também que cada um deles vai contribuir com a sua pessoa e seu trabalho. Reservo-me também o prazer de viver um reencontro com o Brasil e com Belém através do olhar deles. E acredito que minha inserção no campo antropológico, através dos estudos que realizo aqui na UFPA, deva contribuir para dinamizar essa mediação entre duas culturas.

Holofote Virtual: Vai haver uma palestra que achei bem legal. Mas adianta pra gente o que você entende como cena artística de Quebec?

Véronique Isabelle: Trata-se de uma cena dinâmica, os artistas produzem bastante e desenvolvem práticas diversificadas. Para tentar descrever a cena artística do Quebec, é importante ressaltar a importância do papel das universidades na formação dessa cena. Ela é financiada principalmente pelo governo, o que a diferencia da realidade do Brasil.

O financiamento público incentiva práticas artísticas que giram entorno de projetos de pesquisa, projetos audaciosos que contribuem para o desenvolvimento de novas práticas, técnicas, projetos de colaboração entre diferentes campos de atuação.

E existem também as políticas públicas como a lei do 1%, que obriga a investir 1% de orçamento geral de uma construção pública na encomenda de uma obra que se integra à arquitetura, fazendo com que artistas desenvolvam práticas que envolvem uma grande organização e uma equipe de colaboradores para construir essas grandes obras que, por sua vez, aos poucos dão corpo a um acervo público de arte.

Os chamados “centros de artes” também caracterizam a cena quebequense. Inicialmente, eles foram criados por artistas que se reuniram para compartilhar um espaço de produção e comprar equipamentos coletivamente, por exemplo. 

A seguir, conseguiram se organizar e obter subvenções estaduais e nacionais para manter suas atividades, oferecer serviços e equipamentos aos artistas “membros” desses centros de artes, além de permitir que eles tenham uma programação dinâmica de eventos e exposições. Com o tempo, esses lugares ganharam um papel primordial na cena artística local e nacional.

Holofote Virtual: Que maravilha, precisamos tanto disso no Pará, política cultural, não de balcão... E mais incentivos vindos de todos os lados...

Véronique Isabelle: Não é fácil viver da arte! Os artistas realmente engajados em suas práticas são grandes trabalhadores, e muitas vezes atuam em diversas áreas desse cenário de arte para consolidá-lo, e também em outras áreas para conseguir se manter. Em sua essência, eles participam ao bem estar comum, até mesmo, eu diria à saúde mental da sociedade como um todo. Acho que essa força vital que anima as pessoas na criação é o que nos une.

Véronique, em imagem de Nailana Thyeli
Holofote Virtual: E você esteve no Canadá recentemente. Foi lá e naquele momento que surgiu o projeto?

Véronique Isabelle: Sim, defendi o meu Mestrado em julho de 2014, e logo depois voltei para Quebec. Depois não consegui voltar logo para cá por causa do visto. Fiquei alguns meses sem saber onde me estabelecer: ficar por lá, tentar voltar para cá... Foram meses assim “flutuando”, tendo dificuldades em compartilhar esse Pará que me habita, porque as referências são tão distintas e às vezes tão distantes!

Nesse dilema de escolher um lugar, decidi optar pela ponte imaginária entre os dois lugares. Nessa ponte, consegui me situar. A partir desse momento, imaginei um projeto, que permitisse a vinda para cá de alguns artistas e que, na minha opinião, poderiam ter uma afinidade com Belém.

Convidei assim cada um dos artistas, por razões distintas e às vezes por intuição, na certeza de que poderiam, juntos, consolidar um grupo, e contribuir com a vinda deles para desenhar e consolidar essa ponte. A elaboração do projeto permitiu que eu estabelecesse uma preciosa colaboração e cumplicidade com cada um deles, e depois, com as pessoas daqui, o que acabou por dar forma ao projeto como ele é hoje.

5.11.14

Experimentalismo do PSM chega no Sesc Boulevard

Definir o que é o Projeto Secreto Macacos, o PSM (mas não confunda com Pronto Socorro Municipal, quando vir esta sigla), é difícil até mesmo para quem está na origem da criação da banda. O melhor é chegar lá no Sesc Boulevard, onde nesta quinta-feira, 6, a partir das 18h, ele será a atração, com entrada franca, e acompanhar aqui o papo/entrevista com Jacob Franco, um dos integrantes que fundou o grupo.

“Acho um pouco complicado definir o estilo do projeto já que é uma coisa muito inconstante, pois a banda sempre passa por mudanças dentro do experimentalismo, sempre estamos mexendo na estrutura das músicas e vivendo em constante mutação, sendo bem cosmopolita', diz Jacob. 

Tem pequena influência de música brasileira, jazz, noise music, rock, hardcore, rock alternativo garage. É uma banda instrumental experimental”, define o músico que foi o responsável por tudo isso, pode-se dizer.

O que dá pra dizer é que  som da banda é resultante da mistura de guitarras, sintetizadores, teclados e efeitos vocais, que acabou chamando atenção, fazendo com que se chegasse a segunda colocação nas Seletivas do Festival Se Rasgum, em 2010. A partir daí, novas experimentações surgiram.

PSM, na atual formação
A atual formação tem Jacob Franco (kaospad, Escaleta e Efeitos vocais), Clécio Dub (Programações e Efeitos), Arthur Cunha (Guitarra), Junior Feitosa:(Bateria), Rodrigo Ferreira (Teclados e sintetizadores) e Ribamar (baixo).

Músicas inéditas - A banda vai mostrar no show desta quinta-feira, 06, um repertório autoral, que estará incluído em seu primeiro CD, atualmente em fase de gravação e que eles pretendem. “Queremos lançar este trabalho no final de 2014 ou começo de 2015, e depois queremos circular pelo Estado difundindo o projeto. Estamos em busca de recursos para isso”, observa Jacob Franco.

O trabalho virá no tempo certo, pois a banda vem ganhando chão e se encontrando cada vez mais, mesmo com todo o seu experimentalismo. Desde que surgiu, o PSM tem feitos shows em projetos consistentes, passando por Belo Horizonte (show no Parque Municipal de BH) e Rio De Janeiro (no Circo Voador), e participou de eventos específicos e coletâneas virtuais como “Yo no Hablo su Língua”, na qual a banda foi a única brasileira a participar. Em maio deste ano, o PSM foi uma das bandas selecionadas pelo projeto Música na Estrada, que circulou por cidades no sudeste paraense.

O PSM no Música na Estrada
Banda ou projeto? - O nome do grupo gera curiosidade, mas eles preferem assim. “Acho legal as pessoas ficarem curiosas e interpretarem do jeito que elas quiserem”, diz Jacob Franco, um dos responsáveis pela criação do grupo, em 2009.  

Ao todo, o Projeto Secreto Macacos é formado por seis músicos. Todos eles compõem e possuem uma relação de amizade, mas para chegar a atual formação, foram inúmeros os encontros e desencontros que tiveram. E além do entra e sai de músicos na banda (na entrevista que segue abaixo você vai entender melhor isso), eles adoram ter participações, já que o lance é experimentar mesmo. 

“No primeiro show que fizemos, na festa de estreia da extinta MTV Belém, chamamos o Pro Efx, o Mc Gaspar e o Rui Montalvão (o Rato Boy, do Coletivo Rádio Cipó). No Grito Rock Belém, convidamos o Tom Salazar (A Euterpia) para tocar guitarra em duas músicas. E também teve o conexão, no Rio de Janeiro, quando chamamos o Maestro, um fera groove pra tocar guitarra no show”, explica Jacob.

Para saber mais sobre a formação do PSM, foi com ele que conversei, Jacob Franco, músico autodidata, com a origem no hardcore e que um dia, ao fazer uma pesquisa musical deu início ao Projeto Secreto Macacos, banda que curti na primeira escuta e recomendo aos que gostam do gênero experimentalismo sem culpa! Além de ler o papo, escutem os caras aqui no soundcloud da banda.

Jacob Franco
Holofote Virtual: É muita história, Jacob. Como foi afinal que a banda surgiu?

Jacob Franco: Bem, eu sou músico autodidata e já venho tocando desde 1995, em bandas de punk hardcore, como Suicida, Neurose, Aneurisma, Dubcoreattack, Delinqüentes e Rennegados (atuante). Daí comecei a fazer uma pesquisa musical sem pretensão e bem pessoal e ao mesmo tempo, eu e Clécio, que tocou comigo na banda Dubcoreattack e DHD, além do Junhão, que tocava no Garagem 32, estávamos a fim de montar um projeto paralelo e tocar juntos. 

Começamos a marcar alguns ensaios sem pretensão de fazer algum show ou mesmo de se tornar uma banda, era só pra distrair e experimentar outros gêneros musicais e a partir disso foi que chamamos outros amigos para participar, como o Fabrício Gabi e o Bruno Habib e as coisas foram tomando forma e fui percebendo que o grupo estava em sintonia. 

Comecei e expor as ideias de minha pesquisa pessoal, as que havia feito um tempo atrás e levei para o grupo. Tudo foi se encaixando perfeitamente e decidimos tocar em público, pois você não pinta um quadro pra deixá-lo guardado em um baú. 

Quando percebemos, estávamos com nossa própria identidade sonora. Gravamos uma Demo, com três músicas, que começaram a tocar na Rádio Cultura e na Rádio Unama, além de algumas Rádios Comunitárias, que não recordo o nome agora...

Show nos primórdios...
Holofote Virtual: E quando o projeto tomou corpo, digo, vocês começaram a fazer shows, foram selecionados para o projeto Música na Estrada este ano, circularam pelo interior do estado e até por outros Estados...

Jacob Franco: Sim, começou a pintar os convites de fazer shows nas casas noturnas da cidade e pocket shows, programas de rádio e TV, festivais locais. Aí o projeto paralelo deu certo, fixando o nome de Projeto Secreto Macacos. 

Holofote Virtual: Vocês na verdade foram mudando e acrescentando a formação até chegar a atual. Vocês experimentam até nisso? (risos)

Jacob Franco: É. E a banda começou a sofrer mudanças de integrantes e, naturalmente, sonoras. O Arthur Cunha, que toca na banda LETRAC foi chamado pra assumir o baixo (mas hoje está na guitarra) e encaixou muito bem no projeto. Já nos conhecíamos da cena independente da cidade sempre tocando ou trabalhando na técnica em coletivo. Depois veio o Junhão, que teve que se ausentar em seguida da banda para viajar para a Europa. Daí entrou o Bráulio Habib para substituí-lo na bateria e Clécio deixou a banda. Recrutamos o Yuri Pinheiro para assumir a guitarra. 

Aí a banda ficou com outro formato sem perder a essência e sua assinatura. Mas aí, o Bruno Habib e o Bráulio Habib saem da banda e o Yuri tem que viajar pra estudar fora e sai da banda também...

Uma das antigas formações
Holofote Virtual: Nossa, que saga.... (risos)

Jacob Franco: É... e tem mais... A banda ficou um tempinho parada para justamente fazer algo mais experimental, uma espécie de laboratório de nós mesmo. 

Recrutamos Raphael Raiol, um amigo de longa data, que tocou com Rennegados e está na atual Deliquentes, além da Melly Rossas, uma amiga também,e  para assumir as baterias no estilo Dubledrums (duas baterias), chamamos  Alessandro Baccni, que tocou na banda Viés e é amigo de Arthur Cunha. Para assumir a guitarra, Rodrigo Ferreira (músico formado pela UFPA, professor de música e amigo de Alessandro Baccni) 

É quando o Clécio retorna à banda para assumir os samples e ficando com parte eletrônica do grupo. O Junhão retorna da Alemanha e assume seu posto. Melly Rossas sai da banda e Alessandro tem que morar no RJ. Então o Arthur assume a guitarra. Finalmente chamamos o louco (risos) do Ribamar Carneiro (formado em psicologia e músico), que é amigo do Alessandro Baccni, os dois tocaram juntos na banda Chá de Bagana, para assumir o baixo. E agora estamos aí, com a atual formação e querendo tocar, gravar e circular.