4.9.15

Festival de música folk na noite do Café com Arte

Érika
O Festival Liga o Folks! será realizado pela primeira vez, nesta sexta-feira, 4, no Café com Arte. A programação conta com show da cantora Érika e participação da cantora Lívia Mendes, de Teko Martins, e das bandas Chuvas e Cataventos, Enfim Nós e Feira Equatorial. Na Tv. Rui Barbosa, entre as avenidas Nazaré e Braz de Aguiar, a partir das 21h.

Érika é a atração principal do festival de música autoral, trazendo ao público um show inédito com a participação de Cristian Oliveira (ex-guitarrista da banda Groover).

Em sua carreira solo independente, há quase 10 anos, ela vem participando da cena pop e rock da cidade. O último trabalho de Erika, o EP virtual “Memórias do Futuro”, entra no repertório com músicas dos primeiros trabalhos solo, os EP’s “Histórias de amor sempre acabam… em refrãos” e “Coisas que o Tempo não Fez”, que trazem também hits da antiga banda “Lady Bel”, da qual ela fez parte, nos primeiros anos da década 2000.

Toda a carreira autoral e solo de Erika é independente. Desde quando decidiu sair da banda “Lady Bel”, as outras apostas em grupos de música não deram muito certo. Foi para dar vasão à toda a sua produção autoral e alinhar a música à sua carreira de professora, que ela decidiu lançar projeto solo. Com estúdio montado dentro de casa, era o momento de começar a produzir, gravar e ter a internet como refúgio para a divulgação de seu trabalho.

“Eu acho legal encontrar pessoas que se identifiquem umas com as outras musicalmente e apostar em um trabalho em conjunto. Mas acho que eu precisava seguir carreira solo por conta de fatores como tempo e ideias similares (ou até mesmo ideologias).

Assim pude também colocar as influências que tenho na minha criação, com um pouco mais de liberdade e sem me preocupar com pormenores. Montei um humilde homestudio e fui gravando”, lembra ela do início da carreira solo.

A vasta influência de Erika não deixa despercebido o seu conhecido sobre música. Começando a tocar piano desde os sete anos e violão desde os doze, o rock and roll surgiu cedo como sua verdadeira paixão, com Beatles, Beach Boys, Elvis e Fleetwood Mac, por exemplo.

O ritmo que permeia a sua obra, o folk rock, veio depois de ouvir clássicos como Crosby, Stills & Nash, James Taylor, The Mamas and The Papas, entre outros. Mas ela conta que ouve de tudo e que não ignora artistas contemporâneos a ela. As bandas Oasis, Travis, Coldplay e Blur acabaram entrando na lista de favoritas, assim como tem grandes influências na nova música popular brasileira, com nomes como Tiê, Cícero, Pedro Veríssimo, Lemoskine e o maranhense Phill Veras.

Essa bomba de influências explode de forma original nas produções independentes e pessoais de Erika. “No homestudio faço tudo sozinha – desde a gravação dos instrumentos até a mix e master, que, com certeza, deve ir melhorando com o tempo, pois sou autodidata e vou ‘me virando’ pra buscar coisas na web, com os amigos que tocam comigo”. Apesar do trabalho acumulado, o processo dá a liberdade criativa.

“Esse modelo independente me traz mais liberdade de criação. Eu uso um programa xis, do jeito que acho que posso usar, com os instrumentos que acho que devo usar” explica a cantora, que prepara show especial do melhor de seu antigo e novo trabalho na “Liga o Folks!”.

Só folk paraense

Teko Martins
O projeto “Liga o Folks!” nasceu da própria cantora Erika e das artistas e produtoras Silvia Tavares e Juliana Bentes com objetivo de colocar diversas vertentes do folk paraense para tocar. Percebendo que a cena local mostra grandes artistas com esse estilo, como Elder Effe, Klebe Martins, e mais recentemente a banda Meio Amargo, as produtoras decidiram ofertar para o público um evento só com bandas e artistas que produzem música autoral folk.

De acordo com Silvia Tavares, uma das produtoras da festa, “a ideia é esta: unir artistas que atuem na cena local, cujas influências podem ser encontradas no gênero folk rock e que todos possamos ter uma oportunidade de mostrar nosso som em lugares de destaque aqui em Belém.”


Esta foi a forma que os próprios artistas encontram para apresentar seu próprio trabalho. “Acreditamos que seja de extrema relevância, justamente para que a cena possa tornar-se cada vez mais ampla, criando oportunidades de participação de artistas de maior alcance e também de artistas que estejam começando”, explica a produtora e artista Silvia Tavares, que acredita que a festa é um presente ao público de música autoral paraense.

“Queremos que a Liga o Folks! seja lembrada como uma festa animada e de qualidade. Achamos que montar um show com vários artistas seja uma forma de tentar agradar a vários gostos. As pessoas que acompanham a cena independente da cidade gostam de ir a shows com bandas autorais e isso é muito bom pra todos nós, artistas e produtores. Nada mais justo do que tentar agradar ao máximo aqueles que apostam no nosso trabalho.”

Chuvas e Catavento
A festa inédita traz também um novo formato de show para a cantora Erika, com banda inteira. O ex-guitarrista da banda Groover Cristian Oliveira assume o baixo e também apresenta uma amostra de seu novo trabalho solo, Silvia Tavares assume os teclados, e na bateria conta com Michael Araújo.

Na voz, violão, guitarra e gaita quem assume é Erika. No repertório de seu show, Erika adianta que o público vai poder conferir baladas, músicas mais dançantes, rock mais distorcido, mas também um momento voz e violão. “Eu espero, sinceramente, que o público saia de lá super satisfeito com a variedade de estilos que vão ouvir e ver, já que o folk é apenas o gênero “guarda-chuva” do evento.

Teremos também rock, folk pop, MPB, rock rural, entre outras coisas”, conta Erika, ansiosa para o festival. “Quanto ao meu show, espero que as pessoas possam conhecer um pouco mais da minha produção solo e que se sensibilizem com as músicas. Tento escrever sobre todos nós, sobre o que todos passamos, desde memórias, brigas, amizade e tudo que é humano.”

3.9.15

Juliana Sinimbú com show e novidades na carreira

A cantora nos mostra "Canalha: canções de amor e agonia", que traz à cena temas frequentes em seu repertório. No palco, além dela, convidados especiais. Tudo a partir das 20h30, nesta quinta-feira (3), no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. O blog bateu um papo com Juliana para saber um pouco mais sobre a apresentação e da carreira, que em breve trará algo novo para o público.

Trazendo releituras da carreira e uma boa dose de canções do UNA, o show “Canalha: canções de amor e agonia” é inspirado em “Para um tal amor”, música que ficou conhecida como “Canalha”, depois do sucesso que o videoclipe, filmado nos arredores de Belém, fez nas redes sociais. 

“Canalha é uma espécie de apelido pra ‘Para um tal amor’. Essa música permeia todo o ambiente do próximo disco. Impressionante como me achei nos boleros, na ressaca, no amanhecido”, diz. “E esse show já é um processo de pré-produção”, revela a cantora em novo momento e com visual renovado. 

Juliana conta que a apresentação também é fruto da onda boa de músicas novas que fazem parte do primeiro CD, lançado ano passado pelo edital do programa Natura Musical. “Já fiz esse show no RJ e agora aqui. Claro que vão ter releituras, mas o foco está nas coisas novas”, disse. 

No palco, ela não estará sozinha, além da banda, ela receberá Julia Bosco, amiga e parceira de Juliana, e Ed Guerreiro, que já tocou com ela. “A Julia já tava querendo vir a Belém e aproveitou essa oportunidade pra cantar junto comigo a nossa música. Já o Ed, trabalhou comigo durante um tempo e temos muitas afinidades musicais. Vai ser bom lembrar estar com ele no palco”, conta Juliana 

Depois de uma fase circulando fora do Pará, lançando o novo CD, e também cuidando da filha pequena, Juliana Sinimbú parece ter voltado (tipo Gal), a todo vapor, pra cena e cheia de ideias para um novo CD. Na sexta-feira (4) para que quiser ainda terá mais Juliana neste final de semana. Ela volta ao palco, só que no Tábuas de Maré, na festa da Black Soul Samba, se apresentando com Camila Honda, Natália Matos e Nana Reis. 

A química é boa. Além de amigas, as quatro dividem a cena dessa nova geração de cantoras paraenses. No bate papo que segue, Juliana fala sobre isso, da trajetória do primeiro CD e dos projetos que estão chegando. 

Holofote Virtual: O lançamento do Una em 2014 foi uma maratona. Quais os ganhos com esta experiência? 

Juliana Sinimbú: UNA é, de fato, um primogênito na minha vida. Foi como ser mãe e se adaptar ao mundo com um filho na vida. Saímos em turnê por oito cidades e foi engrandecedor. Pela troca com vários públicos, pelos parceiros que fiz e principalmente, pelas músicas novas que fiz na estrada … acabei criando esse novo show , que vai virar um disco e naturalmente , outra turnê . 

Holofote Virtual: O ano de 2014 também foi um tempo também dedicado a filhota... 

 Juliana Sinimbú: 2013/2014 foi um período de transformação e amadurecimento total, em vários aspectos da vida. A Flora me fez mudar o prisma da vida, amar além do próprio umbigo, olhar mais pro mundo. Isso refletiu diretamente no meu trabalho. A cada dia que passa, ela me ensina mais. 

Holofote Virtual: Você tem feito apresentações com Camila, Natalia e Nana. O show tem circulado, está sempre se transformando, e tem feito sucesso. Qual o formato agora? 

Juliana Sinimbú: O antigo "elas por elas" agora é o Piña Colada. Ninguém mais sai do palco, resolvemos não fragmentar o show, estar ali de mãos dadas, vibrando uma com a outra. Amo as meninas! Amo desde as nossas diferenças até o mais fácil, que é o que temos em comum. Dividimos a produção de tudo nesse trabalho. Pensamos juntas, brigamos juntas e estamos felizes demais com o retorno. 

Holofote Virtual: Você conseguiu patrocínio do Líder para este show. Mas a produção cultural passa por um momento bem delicado. É bem difícil a realização de projetos mais ousados, sem editais. Como você vem gerenciando e sua carreira e driblando isso? 

Juliana Sinimbú: Tá difícil mesmo. Tem sempre que inventar algo novo, readequar tabela de orçamento e seguir firme. Eu sou uma trabalhadora centralizadora, isso me rende alguns cabelos brancos, mas prefiro que seja assim. Com a minha carreira, com o Piña Colada a gente tem de cada vez mais se preocupar desde a estética do trabalho até seguir com unidade de conteúdo e música. 

Holofote Virtual: Como foi a experiência com o Natura Musical? Você concorda que esses editais têm sido espaço único para quem vive de música, num processo independente no país? 

Juliana Sinimbú: Fiquei dois anos consecutivos no Natura (UNA e turnê UNA), e foi um incentivo muito grande até pra minha criação. A Natura me deixa ativa dentro da rede até hoje. Seremos sempre parceiras. Quanto ao resto dos editais, tem que trabalhar diariamente e propor. Acabei de ser aprovada num edital da Prefeitura do RJ pra ocupação de espaços de lá - 3 shows. Passei porque tentei. Tem que ficar ligado! 

Holofote Virtual: E esse show vai continuar ou quem não viu não verá mais?

Juliana Sinimbú: O "Canalha" já está circulando e pretende com certeza continuar. Em Belém temos alguns shows agendados até novembro e fora vamos fazer no RJ novamente e em SP. Até meio do ano que vem temos um disco novo! =)

Amazônia na tela em todas as cores e linguagens

A comunidade audiovisual independente entrou em estado de êxtase com o anúncio do resultado da primeira Chamada Pública da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, que contemplou projetos de todas as regiões do país. A quarta-feira, 02 de setembro vai ficar na história. 

O Programa Brasil de Todas as Telas, uma parceria entre a Agência Nacional do Cinema – ANCINE, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SaV) e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), não abriu somente mais uma porta aos realizadores independentes brasileiros, mas deu um salto importante e histórico para o fomento da produção audiovisual fora do eixo!

Das 768 propostas, 94 foram selecionadas, contemplando 83 empresas independentes. Até aí nada de tão novo no ar, o que chamou atenção foi a participação da Região Norte, que concorreu com 30 projetos habilitados na fase final. Ficamos em terceiro lugar, junto com a região Sul, aprovando 18 projetos. Na região Nordeste, foram 16, na região Centro Oeste, 19 e no sudeste 23 projetos aprovados.

No Pará os projetos contemplados foram "Os Dinâmicos", série de animação, pela Central de Produção Cinema e Video na Amazonia, com direção de Afonso Galindo e Luciana Medeiros; “Amazônia ocupada”, da Green Vision, com direção de Priscilla Brasil, “Amazônia Postal”, da Rizoma Produções Audiovisual Ltda., com direção de Gustavo Soranz Gonçalves e Erlan Moraes de Souza; “As lendas da turma do Jambú”, da 3D Produções, com direção de José Paulo Vieira da Costa; “Aurá, eu sou de lá”, da Visagem Serviço de Produção de Video Ltda, direção de Ursula Vidal e Homero Flávio Fortunato e “Squat na Amazônia”, também da Visagem, com direção de Roger Elarrat.

Mestre Vieira e Os Dinâmicos, eles agora vão virar 
animação na Tv brasileira.
O diretor presidente da Ancine Manoel Rangel, comemorou. “É uma felicidade ver o interesse de todo o país para esse edital. Isso demonstra como o brasileiro precisa e quer se ver mais nas telas, se reconhecer no que assiste. 

Serão mais de 200 horas de programação inédita feita por talentos brasileiros, para brasileiros. Será a oportunidade de mostrar nossos diferentes sotaques, nossas culturas diversas – da periferia de uma grande cidade a uma aldeia indígena – que tanto nos une, quanto nos diferencia”, disse ontem em entrveista após a divulgação dos resultados.

O processo foi longo e iniciou com uma caravana de oficinas que foram realizadas em todas as regiões, aind ano início deste ano. Os realizadores tiveram a oportunidade de conhecer bem o edital, discutindo item a item da chamada. Fora isso também foram momentos de grande reflexão sobre a realização audiovisual brasileira, na qual as regiões fora do eixo sul sudeste sempre estiveram menos presentes.

Não à toa os realizadores da região encheram as redes sociais de depoimentos emocionados. Finalmente o reconhecimento chegando. É pra comemorar mesmo, mas é também pra arregaçar as mangas e produzir como nunca. Vai ser lindo demais ver na telinha a convicção e riqueza cultural da região norte. Parabens a todos os contemplados.

Para informações mais detalhadas, acesse: http://www.ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/programa-brasil-de-todas-telas-anuncia-resultado-da-linha-de-produ-o-de-conte 

1.9.15

Um bate papo híbrido com as meninas do “Trunfo”

Fotos: Débora Flor
Levando o público a arriscar-se no jogo do Tarô e no universo do circo, Marina Trindade, Inaê Nascimento e Katherine Valente apresentam “Trunfo", espetáculo contemplado pelo Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013, em cartaz quinta, 3, e sexta, 4, às 20h, na Praça da República.


Norteadas por técnicas circenses, experimentações e pela criação colaborativa, as três jovens atrizes nos conduzem de forma lúdica e divertida ao universo híbrido do circo com o teatro, trazendo exercícios da dança e artes visuais, e evidenciando suas pesquisas em busca de uma poética focada na transversalidade das linguagens artísticas.  Elas integram o Projeto Vertigem, grupo que chega ao seu terceiro espetáculo.

Inaê Nascimento se formou em Oceanografia, atua na área, e tem Mestrado em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos pela UFPA, mas depois de alguns contatos com teatro e dança, na infância, em 2009, participou de oficinas de técnicas circenses, aprendendo acrobacias aéreas com tecido.

Marina Trindade, integrante e coautora do Projeto Vertigem, é graduada em Licenciatura plena em Dança pela UFPA, já tendo participado de vários seminários de pesquisa em artes.

Já Katherine Valente escolheu ser atriz. Cursa o técnico em ator e trabalha no aperfeiçoamento de técnicas como maquiadora, palhaça e circense. Em 2012, iniciou sua carreira no GTU (Grupo de Teatro Universitário). Participou do grupo “Perifeéricos”, de teatro de rua, e realiza outras atividades como performances e oficinas.

O grupo Vertigem estreou em 2012 com "Te vira! Tu não és de circo?", também contemplado com o Prêmio Funarte/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo 2011 e integrou em 2012 e 2013, a organização do 1º e 2º Seminário de Pesquisa em Artes Circenses. E vem se afirmando. Em 2013, trouxe à tona o espetáculo “mARESia”, contemplado com bolsa do Instituto de Artes do Pará e agora já se prepara para novos projetos. Após esta estreia em Belém, a ideia é circular com “Trunfo” em outras paisagens.

Holofote Virtual: É muito legal essa proposta da mistura de linguagens que vocês trabalham nos espetáculos do Vertigem. Como é que essse projeto nasce?

Inaê Nascimento: O Projeto Vertigem nasceu da intenção de transformar o que a gente sabia fazer a partir das oficinas de circo com o Charles, numa poesia. Eu não me sentia a vontade em fazer apresentações em eventos. Acho que a Marina também não. A gente queria algo que fosse pra além da técnica pura, atravessar linguagens.

E através dos projetos que fomos desenvolvendo fomos tentando por isso em prática, nos alimentando através de oficinas e pesquisas, compartilhando e agregando com artistas de outras áreas. O foco principal do Projeto Vertigem é esse hibridismo, esse atravessamento do circo nas outras artes e vice-versa. Acho que ainda não chegamos lá, mas estamos caminhando.

E é uma tendência atual, eu sinto, de quebrar com nomenclaturas, classificações, uma vontade geral de transpor limites e expandir possibilidades. Percebo essa tendência em muitas coisas que ando consumindo de artes e ciências. O Trunfo surge disso, exatamente.

Holofote Virtual: Qual o maior trunfo, do "Trunfo"?

Marina Trindade: O Trunfo do Trunfo (risos). A grande historia do Trunfo que eu percebi na pré estreia, é que o que desperta o público é o jogo mesmo, essa possibilidade de ser único. De ter em cada apresentação um jogo diferente. Muitas pessoas foram nos dois dias e viram dois espetáculos. Como é que a gente se prepara pra isso? A gente não manipula as cartas, não sabemos que cartas vão sair. Então, o grande trunfo do trunfo é o jogo. É o que nos tira de qualquer lugar comum.

Inaê Nascimento: Pessoalmente, é o terceiro espetáculo que eu faço, e a cada processo de criação é um aprendizado. Agora falando do espetáculo mesmo, acho que a grande sacada do Trunfo é o público tirar a nossa sorte. Toda apresentação será um Trunfo diferente e único. As pessoas vão ter que assistir todos os dias! hehehe

Holofote Virtual: Vocês já tinham tido um contato maior com o Tarô?

Marina Trindade: Antes de começarmos a imaginar esta pesquisa do Trunfo, eu não tinha tanto contato com o Tarô, eu nunca tinha tirado as cartas. Nunca nem tinha visto de perto um baralho, mas lembro que na universidade uma amiga que pesquisava Tarô, trouxe um baralho pra um resultado de uma disciplina que a gente apresentou e a partir daí ele foi aparecendo pra mim. 

A Inaê é que trouxe a proposta do tarô pro espetáculo. Em principio ela queria fazer um ensaio fotográfico reproduzindo as lâminas dos arcanos maiores no tecido aéreo, especificamente. Mas aí, achamos que isso poderia ser um espetáculo e o inscrevemos no edital da Funarte. A partir disso comecei a ler estudar e a compreender o jogo, a leitura da cartas.

Holofote Virtual: Antes do início da montagem, vocês realizaram uns laboratórios, os chamados Café Tarôs, como foi esse processo?.

Inaê Nascimento: Os Café-tarôs foram muito importantes pra alimentar essa bagagem que se manifestaria intuitivamente nos exercícios e nos treinos. O treinamento físico com os equipamentos, as oficinas que a gente teve com o papai e com a Michele Campos foram muito importantes pra um condicionamento técnico mesmo pra dar conta dos 11 arcanos que vieram. Eu mesma tenho dificuldades com estar em cena, mas ao mesmo tempo tenho uma confiança de que no fim sempre dá certo, e eu me sinto bastante a vontade com os mistérios do tarô :) 

Katherine Valente: Entrei no processo á no finalzinho. Ou seja, o espetáculo já estava quase todo encaminhado quando cheguei! Estava treinando havia um ano, fazendo algumas apresentações paralelas quando chegou essa proposta! Gostei muito da ideia de mesclar teatro, circo e tarô em uma montagem e aceitei de cara! 

Antes de conhecer o circo eu já tinha dois anos de atuação em artes cênicas. Eu tinha um contato prévio com essa linguagem maior do que as meninas, portanto, ficou um pouco mais fácil para eu ultrapassar a técnica “dura” que é a circense! Facilitando essa ressignificação das imagens, somente acrobáticas, por uma leitura contextualizada nas simbologias das cartas. 

Inaê Nascimento: Pela experiência anterior do Maresia, eu tinha muita confiança de que os Arcanos iriam se manifestar. Digo isso, porque no Maresia fizemos uma pesquisa densa que se transformou em cena de uma forma muito intuitiva, que só depois de pronto a gente conseguia ver o quanto da pesquisa tinha se manifestado nas cenas. Bem, 11 Arcanos se manifestaram, talvez se o processo tivesse se alongado mais seriam os 22. 

Holofote Virtual: É difícil dar texto, fazer acrobacias e encenar ao mesmo tempo? 

Inaê Nascimento: Muuuuuuuito! Pra mim é bastante difícil, principalmente porque não tenho base de teatro.

Fazer acrobacia é brincadeira, exige preparo físico, treinamento técnico, condicionamento, segurança, mas é "molecagem", mas fazer isso dando texto e encenando exige uma bagagem técnica e uma concentração que me falta. Às vezes fico perdidinha, exausta, dá vontade de dizer "Falô! vou voltar a ser só público" RS

Katherine Valente: O mais difícil, posso dizer, foi gravar a sequência de algumas cenas já concebidas, mas com um pouquinho de esforço e alguns roxos (risos), consegui fazer tudo! Arrisco dizer que esse espetáculo pode ser resumido a uma frase que é citada no início da apresentação: “Arrisque-se nesse caminho!”.

Marina Trindade: É um desafio fazer um espetáculo que tem teatro, circo, dança, acrobacia. Isso nos traz um lugar de desconforto que a gente sempre buscou. No próprio Maresia, a gente enxergava que, de repente, um número de tecido não ia trazer tudo que a gente queria, e então partimos pra pesquisa. Fomos pro mangue fazer improvisação e se pendurou por lá, enfim...

O Trunfo vem dessa forma, traz mais circo, mas estamos buscando a teatralidade dentro disso. Daí o desafio é como transpor isso, sem deixar as coisas delimitadas? Como que eu posso transpor essa plástica bem delineada do circo pra uma expressividade cênica. Então a nossa busca é aperfeiçoar a técnica circense pra transpor isso pra outra expressividade. Esse é um dos nossos grandes desafios, encontrar este lugar de misturar as coisas. O que nos interessa é a transversalidade.

Holofote Virtual: Katherine, você também faz ou fez cinema! Como é isso?

Katherine Valente: Então... Eu ingressei em 2012 na turma de Cinema e Audiovisual da UFPA, mas sai do curso! Acho que ficar atrás de câmeras e computadores durante horas não é muito do meu gosto! Prefiro ser atuante na cena mesmo!

Holofote Virtual: Inaê, como assim da Oceanografia para o teatro?

Inaê Nascimento: Eu não deixei de ser Oceanógrafa, espero que não. Foram coisas que aconteceram paralelamente quase. Bom, desde criança a arte é um prato básico em casa. Cresci assistindo o papai em cena, vendo ensaios, andando pelos teatros...

A minha mãe é arquiteta também, o que ao meu ver é uma arte, sempre a acompanhei nos trabalhos dela, a casa era sempre cheia de lápis de cor, lápis e canetas diferentes... Eu fiz dança durante a minha adolescência inteira, escrevo bastante... Eu fui muito estimulada artisticamente, uma hora isso ia acontecer rs. 

E ao mesmo tempo sempre fui fascinada pela natureza, ciências, as relações ecológicas, principalmente pelos ambientes aquáticos, pelo mar, me sinto extremamente a vontade nesse contato. E quando chegou a hora de fazer vestibular não tinha outra coisa a não ser oceanografia pra eu fazer. E aí durante a graduação, eu soube que o Charles tava dando oficina de circo, e eu queria aprender tecido aéreo, então fui lá fazer a oficina, e não parei mais de treinar aéreos. E as coisas foram acontecendo. 

Holofote Virtual: Quais os planos após esta estreia? Pra onde vai o Projeto Vertigem?

Marina Trindade: Nós temos funcionado como grupo de projeto. Inscrevemos em editais, temos ganho prêmios e vamos fazendo, a política cultural que está aí é essa e vamos abraçando, pois precisamos produzir. Mas estamos com vontade de partir para outros espaços, buscar festivais de teatro e de circo, encontrar espaços de trocas. Somo um grupo jovem que ainda não teve oportunidade pra isso.

A Vitória Sampaio, que tava em cena no Maresia, e agora trabalha mais  na parte visual com a gente, também está com vontade de conhecer outros lugares, viajar. É isso que queremos viabilizar agora, circular com o Maresia quanto com o Trunfo. Queríamos apresentar a grupos de mulheres, estamos fazendo alguns contatos já.

Inaê Nascimento: Eu quero férias (risos)! Gostaria muito de terminar as lâminas. Não necessariamente transformá-las em cena, mas concluir os 22 Arcanos no formato das lâminas que a Victoria Sampaio confeccionou a partir das nossas fotos nos equipamentos. Que era a minha intenção lá no inicio, antes do Trunfo ser Trunfo. Seria muito massa ter um Tarô do Projeto Vertigem :)

Katherine Valente: Eu espero que a brincadeira de viajantes da cena invada a realidade! E que, o espetáculo viaje pelo mundo, pela lua, pelo sol e se possível até por tooodo o universo! (Risos) 

28.8.15

Rabeca e violino em um duelo de música e poesia

Em novembro vamos ver por aqui “O Duelo da Rabeca com o Violino”, manifesto poético de amor à arte instrumental das cordas. O espetáculo ganha apresentação em Belém, no Teatro Gasômetro - Parque da Residência, onde também será realizada uma aula espetáculo.

O projeto armorial une o erudito e o popular e faz homenagem a Ariano Suassuna. Viaja com dois mestres de raça negra que, inspirados pela música, seguiram caminhos distintos, um imerso na cultura popular e outro imerso na cultura erudita.

Os dois são pernambucanos. Maciel Salu, na Rabeca, é filho primogênito do saudoso Mestre Salustiano. Já o Maestro Israel França tem carreira internacional. Mestres em seus instrumentos, eles irão demonstrar a pluralidade dos ritmos pernambucanos como coco, ciranda, xote, baião e as variedades sonoras do frevo considerado Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade, juntamente com clássicos de Vivaldi, Beethoven e Bach. 

O projeto  inicia sua tournê nacional, na próxima semana, a partir de 1º de setembro, passando pelas cidades de São Paulo, Rio, Belo Horizonte e chegando a Belém no dia 20 de novembro, para depois seguir para Curitiba, Salvador e retornar a Recife. 

Em cada cidade realiza duas atividades gratuitas para o público: Além dos espetáculos, gratuitos, também são realizados em paralelo encontros de vivência para alunos de música de projetos sociais e público em geral. 

Vivência de Vida – a aula espetáculo é também aberta a todos os públicos, mas com foco em alunos de música de projetos sociais, escolas públicas e todos que queiram assistir a um duelo onde quem ganha é a música. 

O projeto é uma realização da Margot Produções e Eventos Ltda empresa cultural de Recife (PE) com foco em espetáculos teatrais, com patrocínio dos Correios e produção da Três – Cultura Produção Comunicação e apoio do Holofote Virtual, em Belém do Pará.

Serviço
Para mais informações, as escolas e instituições interessadas em ter seus alunos participando do projeto, devem entrar em contato com a produção local pelo e-mail tr3sprodutora@gmail.com ou pelo telefone 91 3088.5858 / 91 98134.7719.

Oportunidades de apreender e navegar a Amazônia

Vão três dicas pra quem tá cansado do asfalto. A oficina Fotografia de Viagem, com o fotógrafo e educador Rafael Araújo, de 1 a 8 de dezembro, chegando à região do Tapajós; o XIX IFNOPAP, de 14 a 20, e o Nortear, de 12 a 15, ambos se misturam um tanto em novembro, seguindo para a região do Marajó. Anotem aí. As inscrições estão abertas!

O IFNOPAP é uma das mais importantes ações acadêmicas, educacionais, culturais e ambientais do estado. Embarcados em um navio, pesquisadores, artistas, jornalistas, cineastas e estudantes, entre outros estudiosos de diversas linguagens navegam através dos rios por municípios da região, ofertando minicursos, palestras e oficinas de diversas áreas científicas, compartilhando conhecimentos e apreendendo com a população das cidades onde a embarcação atraca. 

Este ano, o programa CAMPUS FLUTUANTE/IFNOPAP realizará o XIX ENCONTRO no período de 14 a 20 de novembro de 2015, com o tema “De volta ao Marajó, com vistas à Biodiversidade, Cultura e Sustentabilidade”, chegando aos municípios de Portel, Melgaço, Breves e Bagre. 

As primeiras edições foram realizadas em ambientes da UFPA, em Belém, mas a necessidade de deslocamento aos locais de origem das narrativas, para coleta das histórias, acabou provocando o surgimento do primeiro seminário embarcado do campus flutuante. Até agora, já recolheu mais de 5.300 narrativas, coletadas de 116 municípios do Pará. Atualmente o projeto abrange diversas áreas de conhecimento e passou a atender as comunidades das cidades por onde passa.

Desde sua criação, o IFNOPAP já reuniu centenas de pesquisadores e já visitou mais de 30 municípios paraenses. Como resultado dos seminários e trabalhos de extensão realizados, as viagens do campus flutuante da UFPA já renderam 23 livros publicados, 30 dissertações, 08 Teses de Doutorado, inúmeras Monografias de Especialização e TCCs, além de 10 documentários, 04 curtas e 06 CDs.

Inscrições - Os interessados em participar este ano, devem ficar atentos ao período de inscrição. Para a submissão de propostas de oficinas, minicursos e programação sócio-culturais, o período de inscrição vai de 20 de outubro.  O edital com todas as informações para submissão de propostas e a ficha de inscrição individual estarão disponíveis a partir do dia 30 de março, no blog do projeto: ifnopap.blogspot.com.br

Norteando pelas beiras

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O Projeto NORTEAR vai de 12 a 15 de novembro, iniciando pelo seminário "A Imagem Compartilhada" realizado no barco de viagem que levará os viajantes até o local de experimentação, na Reserva de Caxiuanã.  Será ministrada por Jorge Bodanzky, Alexandre Sequeira, Adriana Komives e Luiz Adriano Daminello. O objetivo é orientar as propostas que os 
participantes realizarão durante a Residência.

Trata-se de um encontro artístico, uma experiência em realização audiovisual e fotográfica, durante viagem de barco pelos rios da Amazônia, parceria com o XIX Encontro Internacional do IFNOPAP / IX Campus Flutuante da UFPA (veja box ao lado).

Uma expedição reveladora, registrando em imagens e sons novos pontos de vista sobre a região, a floresta, o rio, os povos e sua cultura. Em 2015, serão 9 dias, percorrendo de barco a região ribeirinha da Ilha do Marajó.

A experiência acontece sob orientação de renomados artistas, como a cineasta Adriana Komives da escola de cinema Ateliers Varan (França), o fotógrafo e artista plástico Alexandre Sequeira (Pará) com trabalhos expostos internacionalmente e Jorge Bodanzky (São Paulo), um dos cineastas mais atuantes na região amazônica. A coordenação do projeto é do cineasta e diretor de fotografia Luiz Adriano Daminello, professor e coordenador do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará.

Mais informações e inscrição: http://luadridam.wix.com/expedicaonortear2015

Oficina pra vivenciar o Tapajós

Entre os dias 1 e 8 de dezembro, pela Fotoativa, será realizada a nova edição da oficina Fotografia de Viagem com o fotógrafo e educador Rafael Araújo, que desta vez propõe uma imersão de quatro dias, nas águas dos Rios Tapajós e Arapiuns, na região Oeste do Estado do Pará.

Com uma proposta de 40 horas/aula, a atividade está dividida em dois encontros prévios, na cidade de Belém, para estrutura e planejamento da viagem, e quatro dias de imersão, em barco próprio, com toda alimentação incluída – café, almoço e janta, além de água, sucos e refrigerantes durante os dias de viagem. O pacote não inclui o deslocamento até a cidade de Santarém.

Rafael Araujo é natural de Belém-PA. Formado em administração de empresas e comunicação social, com pós-graduacão em Práxis e Discurso Fotográfico na UEL-Universidade Estadual de Londrina-PR, depois de um tempo dedicado à propaganda, largou a vida entre quatro paredes para cair de cabeça no mundo das imagens. 

“Nascido e criado” nos rios, furos e igarapés da região, Rafael desenvolve seu trabalho autoral documentando o cotidiano e tradições da cultura amazônica e os impactos sofridos por elas em virtude dos efeitos do “desenvolvimento” humano. 

Possui publicações em revistas locais e nacionais e já realizou trabalho para diversas ONGs e agências de publicidade de dentro e fora do Estado do Pará (Getty Images, Guará Imagens, Futura Press, Revista Nova Escola, Revista Exame, Revista Época, Revista Horizonte Geográfico, Itaú Cultural, Imazon, Instituto Peabiru, The Nature Conservancy, Fundo Vale, TEDxVer-o-Peso, Editora Globo).

Inscrição: https://docs.google.com/forms/d/1-DJkLAeu1auVJT3Uf2vAQioPBM8fYGMUAKdSj64hReY/viewform

Mais informações: http://www.fotoativa.org.br/wp-content/uploads/2015/08/VivenciaTapajos_com-RafaelAraujo_2015.pdf

Companhia de dança curitibana aterrisa em Belém

A precariedade das relações humanas, o desamparo e a solidão na modernidade degradada são motes para “Quando se calam os Anjos”, da Curitiba Companhia de Dança, que se apresenta sábado, 29, às 16h e no domingo, 30, às 20h,  no V Encontro Contemporâneo de Dança.

Depois de lotar salas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e recentemente do Mova-se Festival de Dança, em Manaus, chega a Belém o espetáculo inédito com direção coreográfica de Airton Rodrigues, bailarino e coreógrafo do Ballet Teatro Guaíra.

“Quando se calam os anjos” transporta para o palco o universo pós-moderno virtual do século XXI, onde as relações entre as pessoas, construídas sem grandes obstáculos através de um simples “clique” no computador, se tornam cada vez mais vulneráveis e facilmente descartadas, revelando a idéia de ”ser líquido”, que o sociólogo Zygmunt Bauman utiliza para caracterizar a fragilidade dos laços humanos, uma vez que nada é sólido e para durar.

“Ao mesmo tempo em que a tecnologia e a internet aproximam pessoas e propiciam a troca de informações e ideias num espaço de tempo nunca antes imaginado, levam ao descompromisso e à banalização dos sentimentos; estamos conectados em rede, mas sós. E esse paradoxo surgiu com muita intensidade durante o processo de criação”, revela o coreógrafo.

Nicole Vanoni,  diretora artística da companhia  que também compõe o elenco junto com outros 15 bailarinos, aponta “a indignação com a indiferença frente à violência impregnada na sociedade e o sentimento de impotência que nos tira a responsabilidade por este estado das coisas” como ignição para a concepção do espetáculo.

“E essa angústia e incapacidade de lidar e resolver questões nada sutis da vida contemporânea são traduzidas na fisicalidade vigorosa dessa jovem companhia com uma dramaturgia que se constrói com pinceladas de ironia, sensualidade e inquietude”, sinaliza.

Além de “Quando se calam os anjos”, a companhia tem em seu repertório  outra obra coreográfica: A Lenda das Cataratas, com concepção de Rafael  Zago, que circulou pela região Sul do país em 2014. Atualmente a companhia conta com 16 artistas de vários estados do Brasil, com currículo e formação consolidada com os melhores profissionais da dança do país.

Mesmo com esta breve carreira, a companhia já participou de festivais no Brasil e no exterior e investe na formação integral do seu elenco privilegiando uma rotina de trabalho corporal intensa, dentro das técnicas mais contemporâneas e apropriadas para a proposta da Curitiba Cia. de Dança.

Ficha Técnica

  • Direção Geral e Artística: Nicole Vanoni
  • Concepção Coreográfica: Airton Rodrigues
  • Elenco/Curitiba Cia de Dança: Ana Claudia Moreira, Antonio Adilson Junior, Beatriz Caravetto, Betina D'Agnoluzzo, Clarissa Cappellari, Erika Bartaline, Leonardo Lino, Luana Teodoro, Natanael Nogueira, Nathalia Tedeschi, Nicole Vanoni, Raul Arcangelo, Ricardo Alves Pereira, Rodrigo Leopoldo, Tatiana Araujo e William Sprung
  • Assistente de Direção: Claudio Fontan
  • Ensaiador: Antonio Adilson Junior
  • Trilha Sonora: Raul Arcangelo
  • Figurino: Paulinho Maia
  • Projeto de Luz: Osvaldo Gazzoti
  • Produção/Edição Audiovisual: Raul Arcangelo e Rafael Dorta
  • Preparação Corporal: Viviane Cecconello e Leandro Lara Santos
  • Direção de Produção: Radar Cultural Gestão e Projetos - Solange Borelli

Serviço
Espetáculo “Quando se calam os anjos”. Nos dias 29 (sábado), às 16h, e domingo (30), às 20h. No  Teatro Claudio Barradas – Rua Jerônimo Pimentel, 546. Classificação Indicativa: Livre. Incentivo do Ministério da Cultura (por meio da Lei Rouanet).

27.8.15

Vertigem leva seu “Trunfo” às praças de Belém

Fotos: Débora Flor
Em cena, munidas de equipamentos de circo e manipulando cartas do Tarô, estão Marina Trindade, Katherine Valente e Inaê Nascimento, atrizes que estudaram a encenação de onze atos, que compõem o jogo do espetáculo intitulado "Trunfo". Cada um deles está relacionado a uma das cartas representativa do tarô, que foram artisticamente elaboradas para as cenas. “É um Jogo, além do jogo de cena, do teatro em si.”, diz Paulo Ricardo Nascimento, diretor do espetáculo.

Depois da pré estreia, na semana passada, no Casarão do Boneco, “Trunfo”, Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013, ganha as ruas, com apresentações nesta quinta, 27, e na sexta, 28,  às 17h, na Praça D. Pedro I, e dias 3 e 4 de setembro, às 20h, na Praça da República.

O espetáculo envolve o espectador desde o primeiro momento. O público é convidado a escolher as cartas que vão reger a encenação. As atrizes ainda as embaralham antes de ordená-las para a leitura. As interpretações vão guiando Marina, Inaê e Katherine.  Em cada apresentação, uma nova combinação de cinco cartas é sugerida. Dificilmente uma sequencia se repetirá.

“Trunfo é um desafio para as atrizes, que se deparam sempre com sequências ainda não experimentadas, e também para os operadores técnicos de som e luz, que precisam fazer uma espécie de nova edição de movimentos junto com as meninas no palco”, explica Paulo Ricardo, que também aposta: “os que gostam de Tarô vão querer ver sempre”.

“A montagem de Trunfo iniciou vários meses atrás, passando por um processo de criação e oficinas que trabalharam o corpo do improviso, leituras e tempestades de ideias para chegar às cenas que são guiadas a partir das cartas que o público tira no início do espetáculo”, explica a atriz Marina Trindade.

Elaborado de forma colaborativa, "Trunfo" é fruto de uma profusão de cabeças criativas do teatro realizado em Belém.  “O trabalho com o Vertigem é muito colaborativo, assim como todo o processo de construção criativa, desde os cafés-tarôs que realizamos reunindo várias pessoas convidadas, até o processo de produção e coordenação ao lado da Marina. A ficha técnica é enorme porque aqui existe o exercício constante de se ouvir e trocar”, diz Tainah Fagundes, da produção executiva.

O encontro com o Tarô

Ainda que de carreiras recentes, Marina, Inaê e Katherine acumulam experiências diversas que as colocam em lugar ora de conforto, ora de desconforto dentro do jogo de cenas. Elas formam o grupo Vertigem, que vêm a alguns anos investigando o universo cênico do circo, quando se depararam, em 2013, com o universo do tarô, uma sugestão trazida ao grupo por uma delas.

“Foi a Inaê que trouxe a proposta do Tarô para o espetáculo. Em principio ela queria trazer apenas as imagens das cartas para o tecido aéreo, mas pensamos que poderia ser algo mais”, conta Marina Trindade, que diz nunca ter tido um interesse maior pelo tarô antes do espetáculo.

Já Inaê, que estudou oceanografia para depois mergulhar no teatro e circo, diz que o tarô está em sua vida desde pequena, porque havia cartas em casa. “Eu estava sempre curiosa e meu pai acabou me dando um tarô mitológico, que eu não tinha noção do que ele representava e eu usava pra contar as histórias da mitologia grega que eu reconhecia nele pra minha irmã casula”, diz ela, que depois aprofundou seu interesse e não deixou mais de consultar as cartas.

“O tarô pra mim é um super conselheiro, sempre que eu preciso clarear um sentimento ou pensamento tiro uma carta ou faço um jogo. Enfim, uso o tarô como uma ferramenta de meditação e autoconhecimento”, revela.   

A curiosidade também foi o caminho da atriz Katherine para seu encontro com o Tarô. “Sou uma curiosa! Já tinha tido um contato com cartas de tarô no grupo que eu fazia parte. Por lá tive a oportunidade de fazer alguns jogos... Sempre ‘pescando pelas beirinhas’, uma coisa aqui, outra lá, mas nada tão profundo”, conta.

Circo - lugar de passagem

Embora as atrizes do projeto Vertigem venham cada uma de uma experiência diferente nas artes, é o universo do circo que as une. “Acho que assim como no teatro, o circo em Belém, tem vários momentos e hoje, pós oficinas, principalmente no Curro Velho e na Cia Atlética, estamos em um momento de grande troca, de produção, tem grupo saindo pronto do Curro Velho, amigos indo se apresentar fora do país, em circos... Na verdade os caminhos do circo são diversos, ainda mais hoje com a contemporaneidade, tem gente que trabalha em eventos, espetáculos pra crianças, na rua, com malabares, passando o chapéu”, diz.

Marina acredita que o circo em Belém hoje é um lugar da diversidade, mas ainda falta apoio e políticas públicas que fortaleçam o que o edital da Funarte vem construindo em todo o país, com estes prêmio de montagem e circulação.

“A gente ainda não se reconhece enquanto iguais, não temos uma associação, uma organização e isso gera dificuldades, deixa a desejar, mas tudo é um processo, o circo é um lugar de passagem, as pessoas estão sempre transitando. Não é como em São Paulo e Rio de Janeiro, onde você já encontra circos fixados na cidade”, desabafa.

Para Inaê, fazer circo em Belém é um risco... “Acho que ser artista é muito arriscado. É financeiramente instável, as políticas públicas que existem não são coerentes, principalmente pra Amazônia, as pessoas não botam fé, exige uma perseverança, uma vontade muito grande pra fazer arte. Ser artista circense então soa quase surreal. Boto muita fé nas pessoas que vivem de e para fazer arte, seja qual for. É muito corajoso, é muita resistência”, dispara.

Já Katherine, diz que o circo é também como fazer teatro! “Você trabalha muito, sofre muito, mas o pagamento vem quando você vê que o seu trabalho tocou especialmente alguém”, ressalta.

O jogo da cena e a cena do jogo

Focadas no novo espetáculo do Vertigem, Marina, Inaê e Khaterine, dizem que a experiência em “Trunfo” tem sido de crescimento e aprendizado. O desafio é encarado com afinco e generosas contribuições que cada uma traz ao grupo de suas origens diversas.

“Tenho uma experiência maior talvez com manipulação de objetos, mas a gente busca ousar a apresentar sempre algo novo. Eu trouxe um novo malabares pra cena, o Bugeng, que poucas pessoas usam hoje em Belém. Também trabalho com a lira, um equipamento aéreo, que comecei a treinar para este espetáculo. Tudo isso vem nos permitindo aperfeiçoamento. Eu tento contribuir com um olhar mais artístico, com a minha experiência com dança e ginástica rítmica também, mas tudo é treinamento”, diz Marina.

Em cena, as meninas precisam dar o texto, fazer acrobacias e encenar ao mesmo tempo. “Isso pra mim é bastante difícil, principalmente porque não tenho base de teatro. Fazer acrobacia é brincadeira, exige preparo físico, treinamento técnico, condicionamento, segurança, mas é "molecagem", mas fazer isso dando texto e encenando exige uma bagagem técnica e uma concentração que me falta. Às vezes fico perdidinha, exausta, dá vontade de dizer "Falô! vou voltar a ser só público", brinca Inaê.

Para ela, o maior trunfo do "Trunfo" é a plateia. “Pessoalmente, é o terceiro espetáculo que eu faço, e a cada processo de criação é um aprendizado. Acho que a grande sacada do Trunfo é o público tirar a nossa sorte. Toda apresentação será um Trunfo diferente e único. As pessoas vão ter que assistir todos os dias! Hehehe”, comenta.

Katherine acredita que o espetáculo maior é o encontro que Trunfo proporciona entre pessoas e das pessoas com a metáfora das cartas. “Eu acho que o maior trunfo do Trunfo é agregar! Agregar diversas técnicas, agregar plateia e atuantes em jogo, agregar a magia material e física com a magia simbólica”, diz.

Ficha técnica: 
Elenco: Marina Trindade, Inaê Nascimento e Katherine Valente / Direção: Paulo R. Nascimento / Criação de Cenas: Inaê Nascimento, Marina Trindade, Paulo Ricardo Nascimento, Tati Benone, Katherine Valente/ Trilha Sonora: Armando de Mendonça/ Operação de Sonoplastia: Armando de Mendonça e Paulo Ricardo Nascimento/ Cenografia: Starllone Souza/ Confecção das cartas: Victoria Rapsodia/ Figurino: AnibalPacha, Nanan Falcão/ Iluminação: Malu Rabelo/ Assistência Técnica de Luz: Lucas Alberto/ Logística: Rafael Café, Juan Cabral e Paulo Ricardo Nascimento/ Consultorias Artísticas: AnibalPacha; Michele Campos de Miranda; Tati Benone; Marcelo Siqueira David (Feijão).

Realização: Projeto Vertigem
Coordenação de Projeto: Marina Trindade
Produção e Comunicação: Três Cultura Produção Comunicação
Produção Executiva: Tainah Fagundes
Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiros
Fotografia: Débora Flor
Arte Gráfica: Lucas Gouvea

Agradecimentos: AnibalPacha; Dandara Nobre; Iolane Nobre; Kátia Fagundes; Luana Weyl; Mariléia Aguiar; Tainah Fagundes; Tati Benone; Victória Sampaio; Luana Peixoto; Mayara La-Roque; Maria Esperança; Débora Flor; Michele Campos; Virginia Abasto.
Patrocínio: Prêmio Funarte Caixa Carequinha de Estímulo ao Circo 2013
Apoio: Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo
Mais Informações: www.facebook.com/projetovertigem /projetovertigem@gmail.com

Serviço
“Trunfo". Dias 27 e 28, na Praça D. Pedro II (Ver-o-peso), às 17h. Nos dias 3 e 4 de setembro, as apresentações serão às 20h, na Praça da República, próx. ao Theatro da Paz.   Produção e Comunicação: Três Cultura Produção Comunicação.  Apoio: Casarão do Boneco; In Bust Teatro com Bonecos; Vida de Circo e Pirão Coletivo.

26.8.15

Lia Sophia comemora os dez anos do primeiro CD

Nas duas noites, o repertório do disco será cantado com convidados que marcaram aquela época, mas Lia também passeará pela carreira, cantando novos e antigos sucessos que marcaram sua trajetória. Dias 29 e 30 de agosto, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa.

Parece que foi ontem que vimos e ouvimos Lia Sophia tocando de banquinho e violão no Carpe Dien, barzinho que existia ali na Praça Amazonas, em Belém do Pará. Na época ela surgia como cantora independente, eram os anos 1990. No repertório mesclava canções pop à músicas autorais. Algo de novo surgia e quem curtia a cena musical mais ousada da cidade, vibrava. Foi um esboço ao que viria, em 2005, com o primeiro disco, "Livre", que este ano completa uma década de lançamento. 

"Livre" foi tocado nas rádios, com destaque para a música “Boca“, de Débora Vasconcelos, que acabou entrando de última hora no disco, e “Eu só Quero você”, primeira composição de Lia Sophia. Outro sucesso foi a versão de Lia Sophia para a música “Velhos Sonhos”, composição de Mapyu e Nilson Chaves, que Lia já havia gravado no CD do Mapyu e regravou no “Livre”.

O disco faz um passeio por gêneros musicais como samba, balada, música com elementos mais eletrônicos. 

“Ali estão minhas primeiras composições, minhas primeiras parcerias, as primeiras músicas tocadas nas rádios. Ele representa um grande aprendizado. Ele é total liberdade, o que eu queria na época. Só mais tarde fui escolhendo caminhos musicais e definindo uma sonoridade para cada disco”, relembra.

O show comemorativo traz também sucessos de outros trabalhos e que marcam a trajetória da artista, como as canções que faziam parte do repertório de Lia Sophia nos bares em que tocava na época.  O espetáculo reserva ainda participações especiais, que têm total relação com história desse disco e a própria história da compositora. 

Alcyr Meireles, que produziu o disco, os irmãos músicos Beto e Baboo Meireles, Renato Torres, Débora Vasconcelos e Yanna Cardoso, que segue os passos da cantora. “O show será de muita emoção pra mim e para as pessoas que acompanharam esse meu início de carreira. Vamos reviver músicas, histórias e celebrar juntos esses dez anos de sucesso”, avisa a artista.

Depois do lançamento, foram surgindo convites para outros shows, para tocar em palcos nobres, para gravar no cd de outros artistas, enfim, fui vendo que não tinha mais como voltar atrás. E comecei a sonhar mais alto. E é o que continuo fazendo até hoje”, conclui.

Reconhecida nacional e internacionalmente  - recentemente, Lia ganhou o prêmio da Global Music Awards como artista Emergente e foi indicada na revista Bilboard americana como a ganhadora da medalha de ouro - como uma das grandes cantoras brasileiras dessa geração, Lia Sophia já está em seu quarto disco e comemora sucessos como ter emplacado músicas em trilhas sonoras de novelas e minisséries globais. A artista acaba de chegar de Nova York, onde representou o país no Brasil SummerFest.

“Nesse momento do lançamento do CD Livre, eu ainda estava me acostumando com a ideia de ser uma cantora profissional. Cantar, pra mim, até então era apenas uma maneira de me sustentar, pagar as contas. 

Serviço
O show em comemoração aos 10 anos do disco “Livre” será nos dias 29 e 30 de agosto, às 20 horas, no teatro Margarida Schivasappa, do Centur. Ingressos a R$ 30 com meia entrada a R$ 15. Informações: (91) 98118-7074 ou 98721-5706.

Banda Dona Zaíra aterrissa no Tábuas de Maré

Eles possuem uma forte influência nordestina e à primeira vista você diria que fazem uma releitura do forró na era digital. Mas a paulista Dona Zaíra vai além disso. A banda é a atração desta quinta-feira, 27, no Tábuas de Maré. vai rolar a mistura de rock, música eletrônica, coco, jazz, hip-hop, cumbia, maracatu, MPB. 

Cabeça nas antenas e pés nas raízes. Beat eletrônico com sanfona, cavaco com som de guitarra, dois-pra-lá-dois-pra-cá-lá sem triângulo! Essa universalidade musical talvez explique os trajes ‘intergalácticos’, que chamaram a atenção da apresentadora e dos jurados no programa SuperStar, da Rede Globo.

A banda Dona Zaíra inaugura a sua nova fase com o lançamento do terceiro CD da banda e do show #AntenasERaízes. Música eletrônica, iê-iê-iê, carimbó, cúmbia, rock´n´roll, jazz, mpb, tropicalismo, hip hop, catira, maracatu, coco-de-roda. 

A sonoridade de #AntenasERaízes é um convite a vivenciar o forró fora dos salões de dança, com uma perspectiva diferente e livre de preconceitos. É com essa proposta de outro mundo que eles vem pela primeira vez em Belém para um show no Tábuas de Maré Sunset Bar.

Pensado como um obra de arte, o design do disco concatena as ideias sonoras e poéticas com as visuais, trazendo ilustrações que fazem referência a todo universo de pesquisa da banda, da música raiz à cultural pop. A arte do CD foi totalmente desenhada por um artista grafiteiro e traz ainda um encarte que vira pôster.

"Queremos mostrar que o forró é para todos. Você não precisa saber dançar para curtir o nosso som. A nossa proposta é provocar as pessoas para que elas dancem de acordo com a reação do corpo, independentemente de ser com outra pessoa ou sozinho", explica Diego (triângulo e coro) sobre a proposta do novo CD.

É certo que os apreciadores da dança não ficarão parados, pois o ritmo está ali, é só mexer! Mas a concepção de forró como música universal, para ser ouvida e degustada, sem dúvida dá o tom ao som do grupo.  Pra quem gosta de música regional, um convite a ouvir agradáveis surpresas, experiências sonoras e timbres novos. Para quem nunca ouviu forró ou música regional, está lançado o desafio: experimente.

E para garantir a vibe da mistura de sons, os Djs Azul, do coletivo de Djs Los Picoteros, e Deny Amaro, tocam a partir das 20h, com os sets que misturam reggae, pop e brega e outros ritmos latinos que prometem não deixar ninguém parado.

Serviço 
Show da Banda Dona Zaíra no Tábuas de Maré Sunset Bar. Casa aberta a partir das 20h – com apresentação dos Djs Azul (Los Picoteros) e Deny Amaro. Dona Zaíra entra à meia-noite.