27.3.20

Cinema paraense e brasileiro perde Santa Helena

Rui Santa Helena recebeu Kikito de Ouro no Festival de Gramado, em 2012, pela Direção de Arte de "Ribeirinhos do Asfalto", curta de Jorane Castro, e fez inúmeros outros curtas e longas metragens paraenses e brasileiros, além de filmes internacionais. O cenotécnico e cenógrafo foi encontrado morto nesta quinta-feira, 26, em  casa, em Belém do Pará.

Santa Helena cresceu fabricando seus brinquedos com detalhes frisados por caroços de açaí e cipós, e aprendeu, desde cedo, a utilizar a matéria prima da região em seus trabalhos. Alcançou, pela simplicidade, resultados dos mais belos e que encantou cineastas paraenses, brasileiros e até americanos. 

“Rui foi diretor de arte no último filme que fiz. Ele era um diretor de arte da vida. Nunca quis se formar em cinema e sempre saiu dos padrões. A família dele tinha posses mas ele sempre optou pela paralela. Era um romântico sonhador”, diz o produtor Luis Laguna, do Rio de Janeiro, onde mora atualmente. “Falei com ele há uns dez dias. Ele estava ótimo e queria vir me ver aqui no Rio. Mas tinha muitas encomendas de colares. Estava cheio de trabalho e feliz”, continua.

“Era filho de um médico que hospedava e cuidava das pessoas que vinham do interior e precisavam de tratamento. Do pai vem aquela bondade e humanidade toda”, diz Laguna. “Tô arrasado. Inconformado em perder um companheiro um irmão tão querido tão especial”, conclui.

Pelas redes sociais, o músico contrabaixista Minni Paulo também lamentou a perda. "Soube do Falecimento do meu velho amigo Rui Santa Helena,(Cabeludo) ser humano inigualável que tive o privilégio de conhecer nesse plano de vida, boa viagem amigo, a vida não acaba aqui, precisamos abandonar a matéria para prosseguir em forma de luz para um outro universo, foi uma honra poder desfrutar de sua amizade, beijão", escreveu.

Pai da apresentadora de TV, Marina Santa Helena, casada com o rapper paulista Emicida, avô de Teresa, 2 anos, filha do casal e também pai de Pedro, que mora fora do país, Rui era um encanto. Habilidoso também como cozinheiro. Adorava especiarias e produzia compotas de tomate seco como ninguém. 

Era um leitor voraz, adorava música e um bom bate papo. Morava sozinho e visitava os amigos constantemente. “Ele esteve há duas semanas aqui em casa, veio trazer um oratório que comprei dele”, diz a produtora cultural Luiza Bastos. “Ainda não dá para acreditar nisso, ainda estou meio atônita com a notícias”, me disse pelo telefone.

Conheci o Ruizinho, como os amigos o chamavam, em 1999, quando o cinema paraense começava a retomar sua produção, assim como o próprio cinema brasileiro.  Tive a honra de estar no mesmo set que o Rui, em 1999, fazendo “Quero Ser Anjo”, de Marta Nassar e em 2000, no curta “Mulheres Choradeiras”, de Jorane Castro, com quem também trabalhamos em “Quando a Chuva Chegar”, em 2005, “Ribeirinhos do Asfalto”, em 2010, e “Para Ter Onde Ir”, primeiro longa da diretora, em 2017.

Rui Santa Helena, porém, já era um Mestre em seu ofício quando nós, então jovens do emergente cinema paraense, o conhecemos. Em 1984 ele assinava com aderecista e escultor, no filme “Floresta das Esmeraldas” (Emerald Forest), de John Boorman, o primeiro longa de Dira Paes que a partir daí deslancha sua carreira. No ano seguinte, 1985, foi aderecista e cenotécnico de “Where The River Runs Black”, dirigido por Christopher Caine, filmado em Santa Isabel do Pará. 

Em 1989/1990, quase nos esbarramos na produção de “Play In The Fields Of The Lord” (Brincando nos Campos do Senhor), de Hector Babendo, mas Rui ficava direto na locação, no Acará, Pará, e eu, no escritório em Belém. Tinha acabado de ingressar na universidade e soube que precisavam de alguém que soubesse inglês para um posto de telefonista, eu topei. Enquanto isso, no filme, Rui Santa Helena assinou a criação de objetos de cena, adereços e cenários do filme.

A gente se cruzou em “Conspiração do Silêncio”, longa de Ronaldo Duque, em 2002, e no o curta-metra Matinta, de Fernando Segtowich. Entre outros curtas paraenses, também trabalhou como cenotécnico e aderecista no curta “Açaí com Jabá”, com direção de Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Valério Duarte, em 2001. 

Fez criação de adereços, objetos de cena e cenários para o longa-metragem "Eu Receberia As Mais Tristes Notícias dos Seus Lindos Lábios", sob a direção de Beto Brant, em 2010, em Santarém. E trabalhou como cenotécnico e aderecista para o filme "O Sol do Meio-Dia", longa dirigido por Eliane Caffé.

Ribeirinhos do Asfalto, com Dira Paes
Também foi responsável pelos cenários, objetos de cena e adereços do longa-metragem “Ave Caruana”, de Tizuka Yamazaki e no longa-metragem “Viva o Povo Brasileiro”, de André Luis Oliveira. Devo estar esquecendo de outras participações dele em algum outro filme e sei de tanta gente que agora deve estar sentindo sua partida. Posso acreditar que ele viveu como quis e era feliz. Sem nunca usar o termo de diretor de arte para definir o seu oficio, ele sempre preferiu ser chamado de artesão. 

Queridíssimo no meio artístico, por onde ele passou, deixou um sentimento de alegria, solidariedade, companheirismo. Ele tinha um coração enorme, um talento genial. Esse “caboco” deixará saudade em muita gente, nunca será esquecido. A minha ficha ainda está caindo. Vai na luz, meu querido.

Até o momento em que comecei a escrever este texto, não tínhamos noticias dos procedimentos e nem mesmo as causas que de fato levaram Rui à óbito. Há suspeitas de um AVC, um problema que ele já havia lidado anos atrás, ou mesmo um infarto.

Atualização, em 27 de março, às 15h20

Recebemos a confirmação de que a causa 'mortis' foi um AVC. O corpo está no IML, aguardando liberação. Quando liberado, deve ir do IML para o cemitério Parque das Palmeiras, na BR 316, onde será cremado.

Filmografia:
https://br.linkedin.com/in/rui-santa-helena-522b9251

24.3.20

Amazônia Doc prorroga inscrição para 17 de abril

Após o adiamento de sua 6ª edição para o segundo semestre de 2020, o Amazônia Doc. Festival Pan Amazônico de Cinema anuncia a prorrogação do período de inscrição para as mostras Pan-Amazônica e Amazônia Legal, que encerrariam hoje (24), para o dia 17 de Abril. 

A iniciativa se deve ao agravamento da pandemia do coronavírus (Covid-19) e também leva em consideração as diversas dificuldades enfrentadas por produtores para reajustar as suas dinâmicas em tempos excepcionais como este que todos estamos vivendo.

As regras continuam as mesmas. Podem ser inscritos documentários curtas (de até 25 minutos) e Telefilmes/longas-metragens (com mínimo de 52 minutos), dirigidos por documentaristas dos 9 países da Pan-Amazônia (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa). As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo link indicado no site http://amazoniadoc.com.br. 

Este ano, além de suas duas mostras principais, o festival inovou incluindo na programação mais dois festivais, o 1º Festival As Amazonas do Cinema e o 1º Curta Escolas, cujas convocatórias serão lançadas em breve, o que depende de alguns ajustes técnicos na plataforma digital do evento. A coordenação também deverá anunciar novidades para que em maio o Amazônia Doc já ofereça ações em plataforma digital. 

“Além das convocatórias de inscrição para estes dois outros festivais, também estamos estudando a viabilidade técnica para lançar uma Oficina completa de Roteiro; Direção; Fotografia; Som e Montagem  para curtas Documentários em 5 módulos on line”, diz Zienhe Castro, fundadora e diretora geral.

O Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico de Cinema é uma realização do Instituto Culta da Amazônia em Co-Realizacão com a SECULT- Governo do Estado do Pará e Instituto Márcio Tuma. A Produção é da ZFilmes, com parceria do Sesc; Sebrae; Belém Soft Hotel. Apoio Cultural:  FCP - Cine Líbero Luxardo - Funtelpa - Pará 2000- Distribuidora Estrela do Norte.

Serviço
Amazônia Doc prorroga as inscrições de documentários para as mostras Pan-Amazônica e Amazônia Legal até o dia 17 de Abril. Acesse o regulamento no site e o link de submissão de filmes: http://amazoniadoc.com.br.

Edital Preamar tem final de inscrição antecipada

O cronograma do Edital Preamar de Cultura e Arte foi antecipado para receber inscrições até dia 6 de abril. O objetivo da Secretaria de Cultura do Estado do Pará é reduzir os impactos econômicos e sociais causados pela pandemia do novo Coronavírus na área cultural. O resultado das inscrições será divulgado no dia 28/04 de 2020.

Essa foi a forma que o Governo do Estado encontrou para fazer os recursos do Edital - 100 prêmios de 28 mil reais - chegarem mais rápido aos artistas, mestres e mestras e fazedores de cultura e arte.

De acordo com a secretariaria Ursula Vidal, ainda será anunciado também o calendário das oficinas de elaboração de projetos que, este ano, serão feitas de modo 100% virtual, para garantir o assessoramento dos participantes e incentivar que permaneçam em suas casas.⁣

O objetivo do Preamar é premiar a atuação de fazedores e fazedoras responsáveis por projetos culturais voltados para linguagens artísticas e manifestações expressivas da cultura paraense; fomentar, valorizar e dar visibilidade às atividades artístico-culturais e às manifestações da cultura popular existentes nas diferentes regiões de integração do território paraense. Os projetos devem voltados para a produção e circulação artísticas, expressivos da cultura paraense, apresentados nas linguagens e/ou áreas visual, cênica e musical.

Atenção, os projetos devem ser inéditos, ou seja, precisam ser projetos de produção, cujos bens culturais finais previstos em seus objetivos não tenham sido veiculados em nenhuma mídia e nem apresentados publicamente até a data do edital.

A seleção buscará contemplar projetos de todas as regiões paraenses, assim como o equilíbrio da diversidade das ações culturais, a partir da diretriz de política pública do Governo do Estado do Pará, que estabelece como prioritária a descentralização das atividades para o interior do estado, nas 12 (doze) regiões de integração, e, nos 7 (sete) territórios de vulnerabilidade social, integrantes do programa Territórios pela Paz. Serão em percentuais de 23% para a Região Metropolitana e 77% para as demais regiões do estado:

  • 1(um) projeto para o bairro da Cabanagem (Belém);
  • 1(um) projeto para o bairro do Bengui (Belém).
  • 1 (um) projeto para o bairro do Guamá (Belém);
  • 1 (um) projeto para o bairro da Terra Firme (Belém);
  • 1 (um) projeto para o bairro do Jurunas (Belém);
  • 1 (um) projeto para o bairro do Icuí (Ananindeua);
  • 1 (um) projeto para o bairro da Nova União (Marituba);
  • 16 (dezesseis) projetos para a R.I. Guajará
  • 7 (sete) projetos para a R. I. Araguaia;
  • 7 (sete) projetos para a R. I. Baixo-Amazonas;
  • 7 (sete) projetos para a R. I. Guamá;
  • 7 (sete) projetos para a R. I. Carajás;
  • 7 (sete) projetos para a R. I. Lago de Tucuruí;
  • 1.2.14 7 (sete) projetos para a R. I. Marajó;
  • 1.2.15 7 (sete) projetos para a R. I. Rio Caeté;
  • 1.2.16 7 (sete) projetos para a R. I. Rio Capim;
  • 1.2.17 7 (sete) projetos para a R. I. Tapajós;
  • 1.2.18 7 (sete) projetos para a R. I. Xingu;
  • 1.2.19 7 (sete) projetos para a R. I. Tocantins.

Caso não se atinja o número de premiados nos territórios ou regiões de integração estabelecidos no edital, serão premiados os projetos que obtiverem maior pontuação em ordem decrescente, no geral. O novo cronograma e o edital estão disponíveis no link: https://bit.ly/3dqWvh3

(Holofote Virtual com informações da Secult-Pa)

20.3.20

Projetos culturais suspendem data de realização

O Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico de Cinema transferiu a realização da 6a edição para o 2o semestre. O Circular Campina Cidade Velha suspendeu a 30a edição programada para abril.  As medidas são em prevenção ao COVID-19. Enquanto outros cancelamentos são anunciados pelas redes sociais, em todo o país, o governo tenta amenizar o impacto de quem depende do público para trabalhar.

O Amazônia Doc divulgou hoje uma nota oficial informando a decisão, que atende às novas e mais rígidas recomendações sanitárias e medidas de restrição às reuniões públicas, devido agravamento da pandemia do coronavírus (covid-19). O Governo Federal e Governo do Estado do Pará decretaram o fechamento de shoppings, rede de bares e casa noturnas, a partir de hoje, assim como o circuito de salas de cinemas, tanto públicas quanto privadas. 

“Com o intuito de contribuir positivamente com a sociedade em geral, neste momento necessário de isolamento social, a equipe do festival já desenvolve estudos de viabilidade sobre possíveis conteúdos digitais, como Mostras, Masterclass e Bate-papos sobre cinema documentário, para serem disponibilizados em parceria com seus patrocinadores e parceiros”, diz Zienhe Castro, fundadora e diretora geral do festival.

A nota do Amazônia Doc informa ainda que nos próximos dias serão dados maiores detalhes sobre as inscrições e a programação do novo formato 3 em 1 do Amazonia DOc, que este ano conta com mais dois festivais, o  do projeto: @amazoniadoc e pelo nosso site www.amazoniadoc.com.br.

“Agradecemos o apoio das autoridades e de nossos parceiros e apoiadores, assim como de nosso público, convidados e equipe. Nosso empenho é o de honrar o grau de excelência da programação que estava em andamento ao mesmo tempo em que propiciamos amplo e seguro acesso aos filmes e debates a nosso público e aos profissionais de cinema e de imprensa”, finaliza a nota. 

Circular suspende a primeira edição em abril

O que está acontecendo com o Amazônia Doc também está ocorrendo com diversos artistas, produtoras, festivais e eventos, não só no Pará mas em todo o país. Está tudo suspenso e até cancelado por conta do Covid-19.

O Circular Campina Cidade Velha que realizaria sua 30a edição, no dia 5 de abril, também adiou a data e ainda não sabe quando poderá ser realizado.  A decisão pela suspensão foi tomada na segunda-feira, 16, durante a celebração de assinatura de contrato com o patrocinador do projeto, o Banco da Amazonia que garantiu parte dos recursos do projeto em 2020. Este ano, o Circular já lançou um número da Revista Circular Digital e iria também lançar o seu segundo documentário. 

O Governo Estadual decretou suas primeiras medidas de prevenção naquela segunda-feira, 16, prevendo uma limitação de eventos até final de março, mas com dois casos já confirmados em Belém, a situação se agrava e a previsão é que as medidas sejam mais rígidas ao longo de todo este primeiro semestre. O impacto, para quem atua na área cultural, é enorme, já que a cadeia produtiva da cultura exige que o artista, o produtor esteja na rua e em contato com o público.

Algumas iniciativas criativas também vêm sendo tomadas por parte da classe que tem oferecido pequenas apresentações pela internet mesmo, como o @festivalficoemcasabr. Também já vi rede de contadores de histórias e outros eventos sendo programados em formato digital. Nos Estados, os governos estão lançando editais e adotando outras medidas para amenizar esses impactos.

No Pará, o governo, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), lançou esta semana o credenciamento para o ‘Festival Te Aquieta em Casa’, para selecionar 120 conteúdos artísticos e culturais digitais das mais variadas linguagens artísticas, incluindo música, artesanato, contação de histórias, artes visuais, dança, teatro, expressões culturais populares, entre outras manifestações. Os contemplados serão remunerados com um valor de R$ 1.500,00 e terão suas páginas na internet - onde  estará disponível o trabalho selecionado -  divulgadas nas redes da Secult.

O objetivo é movimentar a economia da cultura e da arte, ao mesmo tempo em que incentivamos as pessoas a permanecerem em suas casas. As regras do credenciamento para o Festival Te Aquieta em Casa estão no site da Secult (www.secult.pa.gov.br), que conterá ainda instruções sobre a forma de gravação e postagem do material nas redes d@ própri@ artista.  O conteúdo será selecionado por uma equipe de técnicos e o resultado será publicado nas redes sociais da SECULT.

14.3.20

Brincadeira de carnaval inspira curta de Bragança

Comum na primeira metade do século XX, com registros até o fim da década de 1980, em Bragança (Pa), o “Assustado” agora ficará imortalizado no curta-metragem homônimo de San Marcelo, jovem realizador bragantino. O projeto de filmagem foi contemplado pelo Prêmio de Produção e Difusão Artística de 2019, do Programa de Incentivo à Arte e Cultura da Fundação Cultural do Pará. O lançamento será nesta semana, dia 20 de março, às 19h30, no Liceu de Música, campus da UEPA no município.

Não estarei lá, como gostaria mas San Marcelo me enviou o filme na semana passada para ver e fiquei encantada. Posso ser suspeita para falar, mas Bragança é uma cidade cinematográfica e com muitas histórias ótimas para serem contadas, como esta que é retratada no filme, quando um grupo de amigos a descobre e resolve retomar a brincadeira durante um carnaval, contratando uma das bandas mais famosas do município bragantino, a Furiosa.

Para quem não conhece, a Furiosa é a Banda Cantídio Gouveia, com mais de 70 anos de fundação, que marcou gerações em Bragança, mas que por ironia do destino justamente nas filmagens, realizadas entre os dias 13 a 17 de novembro do ano passado, não pôde participar. Plano de filmagem rigoroso, não teve jeito e a produção teve que contratar outros músicos. 

“Foi uma questão de agenda, tínhamos cinco dias para filmar, mas a quase centenária", diz San. Embora o Assustado não fosse nenhuma tradição da Furiosa, o diretor quis fazer essa homenagem. “A Banda Furiosa não poderia deixar de ser lembrada nessa filmografia bragantina. Apenas o saxofonista que faz parte da banda, pôde participar”. 

O filme também homenageia outro personagem da cidade, o Seu Aviz, “um conhecedor de Bragança, um figura que tem que ser considerada e muito por seus trabalhos na cidade. Quem trabalhou com teatro, passou ou trabalhou com ele aqui”, diz San. “Eu queria muito colocar ele nesse trabalho, como forma de homenageá-lo por todo o trabalho e a resistência na arte que ele promove na cidade”.

Equipe técnica, roteiro surpreendente e elenco colaborativo

Claro que não vou antecipar aqui, mas o roteiro traz o final surpreendente que toda narrativa curta no audiovisual deve ter, tal qual como um conto, na literatura. Escrito em 2014, foi uma ideia do jornalista Clemente Schwartz, também um bragantino.  

“É uma história que ele viveu e me apresentou, eu não a conhecia até ele relatar isso em uma de nossas conversas. Eu ajudei colocando algumas alegorias, sou mais imagético, olhava o roteiro já em imagens e fui fazendo algumas colocações mais técnicas, detalhes. A estrutura da história é mérito total do Clemente”, conta San. 

Na direção de fotografia, San capricha nas cores nos tirando do universo realista para chegarmos ao campo da imaginação. “Gosto do contraste de cores, dividindo os espaços. E queria essa câmera na mão, mais orgânica, com esse balançado que dá uma dinâmica maior pra cena, pois pode se corrigir e deixar o ator mais livre pra atuar”.

A luz se impõe como narrativa, ressaltando cenas e as belíssimas locações. É assinada por Cláudio Castro, que “adorou o projeto e quis muito vir pra Bragança fazer esse trampo. Foi uma honra pra mim ele ter feito a luz, um cara talentosíssimo e muito simples; e desenrola as coisa com uma maestria, vale essa rasgação por que é parceiro e é fera demais”, diz San.

O elenco é 70% bragantino, como Alceny Garrido Nunes que faz o personagem Pedro, mas também contou com participações e atrizes de Belém, indicadas por Denise Espíndola (assistente de direção) e Jeane Cavalcante (assistente de câmera e som), amigas de San,  do curso de cinema da UFPA. 

“Elas ajudaram com o que não consegui encontrar em Bragança, como as atrizes Tarsila França e Layde, que tinham o perfil exigido pelo roteiro, além do técnico de som (Michael Barras) que não temos ainda aqui, especificamente para cinema,  e a produtora de set, Bethania Salgado”. O cantor Olivar faz uma participação especial, rápida e maravilhosa. Também integra o elenco, o ator Pedro Olaia, que é de Belém, mas reside em Bragança. 

“O conheci no mestrado, mas já tinha visto ele atuar em outras produções na capital. Fiz o convite e ele aceitou na hora, um super parceiro. Juan Muniz, que faz o tio Neto, é parceiro há 10 anos. Ator, ele já participou de grandes produções de televisão, como a Indomada e Chica da Silva, e que hoje divide o amor pela atuação com o magistério no IFPA de Bragança”, continua San que tem ainda uma lista enorme para citar.

André Romão e Raquel Leite, por exemplo, que foram convidados para ajudar na produção e acabaram em cena. “Deram um show de atuação no papel de Igor e Jussara, consecutivamente. Tami Yve, aceitou o convite para atuar, assim como a Patrícia Reis que nos apoiou em outros momentos da pré-produção”, comemora o diretor.  

O ator o carioca Kadu Santoro, que San conheceu em Bragança, também atuou e ainda se disponibilizou em fazer a preparação de elenco. Os câmera são de Bragança, Will Alves e Rodrigo Lima, considerados dois talentos na fotografia. Também colaborou Luciana Lemos, artista plástica e produtora cultural entrou na equipe de planejamento de filmagens e pré-produção. Felipe Negídio fez a montagem e Cecilia Nascimento, esposa de San, com quem ele escreveu o projeto,  assina a produção executiva do filme. A trilha sonora traz músicas de Almirzinho Gabriel e Alex Ribeiro. "O edital ajudou bastante e foi fundamental, porém o projeto só se concretizou com essas parcerias", afirma.

Trajetória traz formação em oficinas de interiorização

San Marcelo considera “Assustado”, o filme de ficção mais relevante de sua carreira e diz que isso é resultado de um processo de busca por aprimoramentos, que inicia em 2005. 

Naquele ano, ele teve oportunidade de fazer as oficinas do projeto Caravana da Imagem, da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia, projeto então contemplado pelo edital da Petrobras Cultural, e levado a Bragança como reflexo de uma política cultural emergente e inclusiva da época, que rendeu muitos frutos até o desmonte que inicia no país com o golpe de 2016. 

“Todo esse meu processo levou uns 15 anos para chegar a 2020 e produzir meu primeiro curta, em uma cidade do interior, com recursos reduzidos, mas muita força de vontade, de amigos e parceiros, eu só tenho a dizer gratidão a tudo e a todos”, diz San.

"Em 2013 também fiz um curso com o diretor de fotografia Renato Chalu. Dessa oficina fiz o mini documentário ‘Tons Bicentenário’, que tem esse nome propositalmente e mostra a festa da Marujada de São Benedito de Bragança, em preto e Branco, mas nunca tinha tido esta oportunidade de fazer um filme ficção valendo. Já havia tentado, uma ou duas vezes, mas nada saiu como imaginava. Até que veio este prêmio e me possibilitou mostrar que consigo realizar”, finaliza.

Embora seja um novo realizador, San já é um veterano do audiovisual bragantino. Além de diretor, montador, roteirista e diretor de fotogtafia, ele também é o produtor do Festival Curta Bragança, da Sapucaia Filmes, sua produtora. O evento este ano chega a sua terceira edição, que será realizada em novembro e não mais em dezembro. Até 2015, ele também participava da organização do FICA – Festival Internacional de Cinema do Caeté. O diretor diz que tem novos projetos, pois para ele, uma coisa é certa, "quero continuar a fazer cinema".

Lúcia Gomes denuncia SOS Amazônia Não ao PL191

A exposição, aberta no Museu da UFPA, traz programação paralela. Neste domingo, 15, pela manhã haverá relato de experiência com o ator Jef Cecim, que apresentará também cena onde performa com boneco, além de  feira de economia solidária que funciona até meio dia. De tarde, às 16h, também será realizada cerimônia inter-religiosa em defesa da Amazônia, com a presença de várias denominações religiosas locais.

O projeto de lei 191, do governo federal, objetiva legalizar o garimpo e mineração nas terras indígenas, na Amazônia, com desdobramentos para a utilização das reservas minerais e extrativistas, o que já ocorre, mas que pode ser expandida com mais extração de petróleo, gás, madeira, construção de hidrelétricas, monocultura e agronegócio, ou seja, na prática e a curto prazo isso significa o extermínio de povos isolados e, sucessivamente os indígenas, os povos tradicionais e todos que vivem em harmonia com a floresta.

Por tudo isso, a artista visual Lucia Gomes se posicionou contra mais esta arbitrariedade e criou um trabalho para declarar seu amor à região. SOS Amazônia Não ao PL 191 é o título da performance que a artista faz no Museu de Arte da Universidade Federal do Pará até o dia 31 de março.

O trabalho é composto por corações cortados de folhas caídas das ruas da cidade e do Museu Emilio Goeldi, e entrega para as pessoas que a visitam: muitas levam as folhas e as plantam nos jardins e vasos de casa, numa clara aprovação pela manifestação de Gomes e contrárias à PL. “Uma pessoa cortou o coração em duas partes e os acomodou em vasos... fiquei muito emocionada com esse gesto delicado, e isso me fez feliz e esperançosa de que derrubaremos a lei do extermínio”, disse a artista.

Todas as ações e performances da exposição SOS Amazônia Não ao PL 191 têm o objetivo de chamar a atenção da população para os crimes cometidos contra a natureza que se revertem contra os seres humanos, nas mudanças de clima e temperatura, seca de rios e outros desdobramentos da exploração desenfreada das reservas naturais.

Serviço
Exposição SOS Amazônia Não ao PL 191, de De Lucia Gomes. No Mufpa, Generalíssimo esquina com Gov. J. Malcher. Até 31 de março, de 3a a 6a. feira de 8h às 12h e 14h às 17h. Neste domingo, a programação paralela traz feira de economia solidária, pela manhã, e cerimônia inter-religiosa, às 16h.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

13.3.20

Amostraí traz atração internacional neste sábado

Uma das programações mais queridas do Casarão do Boneco está de volta, neste sábado, 14 de março. A 1a edição deste ano conta com atração internacional, além de contação de história, dança e espetáculo teatral com bonecos. A iniciativa traz diversão saudável a toda a família e contribui com recursos para a manutenção do espaço. Não há pagamento para o ingresso, a sugestão é que o visitante Pague Quanto Puder na saída.  Tudo a partir das 18h.

O Amostraí é realizado sempre no segundo sábado de cada mês, trazendo espetáculos teatrais e contações de histórias, com a finalidade de juntar públicos diversos, de forma acessível e gerar convivência em torno da apresentação cênica. 

Neste retorno uma das novidades será a apresentação da Companhia Hilo Rojo, equipe de trabalho cênico do Chile liderada pela coreógrafa Maria José Franco, que apresenta obras  e intervenções artísticas desde 2017, em vários festivais da região de seu país. A companhia cria histórias traduzindo e expressando as experiências do corpo, além de  explorar as possibilidades coreográficas do gesto. Hilo Rojo dialoga permanentemente com a tradição e a contemporaneidade chilena, contribuindo para a tarefa de construir e atualizar a memória histórica popular. A perspectiva da mulher é frequentemente, tornando visíveis as realidades deste universo feminino sem se concentrar no panfletário. 

Uma das obras que será apresentada pela companhia chama-se Gravitar, com Camila Guerrero, um espetáculo que mistura o ofício do “Chinchin” (instrumento patrimonial do Chile) com a Dança Contemporânea. 

A investigação é inspirada em experiências pessoais da intérprete e busca plasmar um constante gravitar de emoções, frustrações, aprendizados, viagens, alegrias, encontros e desencontros ocasionados pela decisão de querer aprender a tocar este instrumento patrimonial, em um contexto onde este exercício é predominantemente masculino e de raízes familiares. 

A outra é Hipotônico, com Paola Cortes, onde é proposta uma corporalidade que investiga, com a linguagem da dança contemporânea, as possibilidades de deslocamento e expressão dessa condição hipotônica dos corpos, uma diminuição no tônus muscular que causa dificuldades para as ações cotidianas, como ficar em pé e em movimento. 

Os contrapontos entre fragilidade e força, peso e leveza, dureza e suavidade são investigados, em uma transição que começa na horizontalidade até atingir a verticalidade. 

O sábado conta ainda com o grupo Folhas de Papel, com os artistas Aj Takashi, Assucena Pereira e Tais Sawaki, que apresentará a contação de história “Os inigualáveis hermanos Silva e o circo provisório”, que se passa dentro de um circo criado, através de números de mágica, dança, acrobacias, periculosidade e adivinhação, por 3 irmãos. 

Neste trabalho, o Folhas coloca em construção e desconstrução aquilo que quer falar e fazer, utilizando as linguagens do palhaço, circo e teatro, buscando uma relação direta com as pessoas, trazendo-as para dentro do circo, onde as mesmas também se tornam parte dessa grande lona.

No encerramento da programação, o grupo In Bust Teatro Com Bonecos, um dos habitantes do Casarão do Boneco, apresentará o espetáculo Pinóquio, onde a história do boneco de madeira que, por merecimento, se transforma em menino de verdade, vem à cena no estilo do grupo, com muito bom humor e misturando atores e bonecos. 

No elenco, os atores manipuladores, Adriana Cruz e Paulo Nascimento, com operação de sonoplastia de Dandara Nobre e assistência de produção de Cristina Costa.

E entre as apresentações, o convite está feito para visitar a loja Dell’Arte, experimentar o lanche da Tia Regina e as pipocas do Seu Estevão. O Amostraí é realizado de forma voluntária e colaborativamente por integrantes do coletivo, que desenvolvem atividades desde o contato com os grupos, divulgação, limpeza e organização dos espaços de apresentação, cenotécnica e a pós produção. 

Serviço
Amostraí de Março. Neste sábado, 14, no Casarão do Boneco (Av 16 de novembro, 815. Batista Campos. Belém-PA). Entrada gratuita. Pague quanto puder, na saída. 

10.3.20

Mostra traz obras de mulheres na Theodoro Braga

A coletiva O Futuro é Mulher traz as diversas manifestações da arte, como pintura, fotografia, performance, vídeo, arte gráfica, gravura digital e novas tecnologias. A exposição também abre espaço para o diálogo entre o acervo da Fundação cultural do Pará e a profusão de novas protagonistas da arte paraense. Abertura  nesta quarta-feira, 11, às 19h, na Galeria do Centur.

O texto a seguir é de Eliane Moura, artista e Arte Educadora.

Num passado recente, em dados coletados no sítio virtual da Fundação Cultural do Pará, no ano da inauguração da Galeria Theodoro Braga no Centur, em 1986, e no ano seguinte, não tivemos uma única exposição realizada por mulheres. Somente a partir de 1988, nesta galeria, algumas mulheres figuraram em exposições coletivas e individuais; artistas como Dina Oiveira, Rosângela Britto, Rose Vasco, Izer Campos aparecem nos registros, mas o número de mulheres artistas é, em proporção, bem menor que o de artistas homens. 

O que isso representa para as artistas mulheres? Como lemos esses dados? Como nos posicionamos frente ao preconceito que, ainda hoje, ocorre no campo da arte? Por qual motivo as duas galerias de arte desta fundação carregam nomes de figuras masculinas – um artista plástico e um filósofo? (E bem tentamos que o Hall Benedicto Monteiro, inicialmente destinado a ser um espaço expositivo, se chamasse Hall Julieta de França, escultora paraense discípula de Rodin, invisibilizada pela História). 

Precisamos lembrar da tradição maluvida da arte feminina, que por séculos foi silenciada em salões, catálogos, museus, e que em sua persistência/resistência segue por novos caminhos. Perde-se a objetificação do corpo feminino e parte-se para um novo lugar de fala: a mulher que diz da mulher, de si e de seus pares, e assim constrói-se em novas paisagens e lugares para um discurso necessário no qual são diluídas as fronteiras ideológicas da hegemonia masculina na cena da arte paraense.

O movimento coletivo e artístico feminino em Belém (Pa)

Cartaz de 2012 - Mulheres Líquidas
A potente produção de arte feminina que apresentamos na mostra O Futuro é Mulher traz vinte e nove artistas que fazem parte desse movimento – não de resgate, mas de afirmação, de posicionamento político, cultural, artístico – que a Galeria Theodoro Braga percorre desde 2008, com a realização de coletâneas como Anima: Além do Sentido (2011, com oito artistas mulheres) e Mulheres Líquidas (2012, com sete artistas mulheres). 

A representatividade artística feminina nestas duas exposições ainda estava em construção; notamos hoje uma explosão de novas artistas trabalhando incansavelmente nas mais diversas técnicas: pintura, fotografia, performance, vídeo, arte gráfica, gravura digital, além de outras manifestações em arte e novas tecnologias. Esta exposição abre ainda um espaço para o diálogo entre o acervo da fundação e a profusão de novas protagonistas da arte paraense.

“The Future is Female”: a partir dessa perspectiva de futuro, na qual trabalhamos para um mundo de equidade artística e de gênero, desejando um lugar de livre trânsito para as mulheres no mundo e na arte, impulsionadas pela rede feminina e feminista através da sororidade entre as artistas, vemos surgir grupos de jovens artistas mulheres.

O Coletivo M.AR. e o Coletivo Vênus, por exemplo, organizam colaborativamente os meios de produção e divulgação, criando seus próprios espaços de exposição de forma independente, com ações concretas e focadas no feminino. A independência artística é urgente para a mulher que foi por tanto tempo estigmatizada. Assim, O Futuro é Mulher torna-se o hoje, o agora, pois para as mulheres artistas o tempo já foi cruel demais.

Serviço
A Exposição coletiva "O Futuro é Mulher" abre nesta quarta-feira, 11, às 19h, na Galeria Theodoro Braga da Fundação Cultural do Pará, onde fica até 10 de abril, com visitação de segunda a sexta, das 9h às 19h - Av. Gentil Bittencourt, 650 - subsolo. Mais informações: (91) 3202 4313.

6.3.20

Maí lança single nas plataformas de streamming

Ruído Rosa é composição de Maí em parceria com o compositor e poeta Renato Torres, e traz arranjos de um músico paulista, Herãn Leme. O single, o terceiro da artista de Paragominas, nos convida a refletir sobre as cobranças sociais. O lançamento é neste sábado, 7 de março em todas as plataformas de streaming. O jornalista Taion Almeida, bateu um papo com a artista e a gente publica aqui, confiram!

Do nascimento até o fim da vida, todos socializamos. E no meio da socialização enfrentamos a pressão para exercer papéis sociais. Ser alguém de sucesso, conquistar fama ou riqueza. Todos em algum momento carregamos uma pressão para ser ou fazer algo que não partiu de dentro de si, mas da exigência externa. Um ruído entre o que a pessoa gostaria de dizer e o que o mundo quer ouvir. Esse desencaixe é o que motivou a cantora paragominense Maira Momonuki, mais conhecida como Maí, a escrever seu mais recente lançamento, a canção Ruído Rosa, que estreia nas plataformas de streaming neste domingo.

O estalo para escrever a canção veio quando ela tomou contato com um trecho do documentário Tarja Branca, onde a educadora Lydia Hortélio falava sobre como os estudantes, especialmente as crianças, tem sido abordadas de forma desgastante. “Em um trecho ela comenta que as prioridades estão sendo repassadas da forma errada. Que uma criança não nasce apenas para fazer o vestibular, por exemplo, mas para viver bem. Que todos nós nascemos para ser gente e não ‘ser alguém na vida’. Fiquei pensando bastante sobre essas palavras” comenta Maí.

Após identificar o ruído a artista resolveu cantá-lo e, para isso, foi preciso assumir a sua cor – rosa. Uma cor que, em si, não tem nenhuma ligação com gênero mas que a cultura tradicionalmente estabelece como feminina. 

“Quando você é uma mulher, essas pressões sociais são mais delicadas. São sempre mais presentes. A letra da música é bastante pessoal, dialoga sobre duas facetas minhas, sendo menina e mulher enfrentando as expectativas do mundo” explica. Ir além do ruido rosa, como a cantora nos convida a fazer no refrão da música seria então viver a sua vida superando as barreiras que as imposições sociais estabelecem às mulheres.

Por uma feliz coincidência, a canção de mensagem empoderadora, será lançada ao público na véspera do Dia Internacional da Mulher, o 8 de Março, data mundialmente lembrada pela resistência e luta feminista. “Foi uma surpresa saber que o Spotify lançaria a canção na sua plataforma nessa data. Venho trabalhando nela já há algum tempo, ela estava pronta desde janeiro. Mas acho que mesmo planejando não teríamos pensado numa data tão boa” brinca a artista.

No mapa do Spoify

Ruído Rosa será o terceiro single de Maí disponível nas plataformas de streaming. No Spotify acompanham a música a regravação de Ela é Carioca, de Tom Jobim, e a canção autoral A Noite Cai. As músicas são as primeiras de um artista paragominense na mais popular plataforma de streaming do mundo. Um fato que a autora das canções aponta evidenciar para a dificuldade de se fazer música no interior.

“As pessoas não tem ideia de como é mais complicado fazer música no interior. A estrutura é muito diferente de uma capital. Não temos estúdios para ensaio por exemplo. Nem sempre você tem um músico para lhe acompanhar. Você encontra pessoas que tocam muito bem mas não trabalham com o tipo de som que você faz” comentou a cantora.

Para assumir o seu papel como cantora, Maí muitas vezes se valeu da colaboração de pessoas que viviam bem longe. O músico, poeta e compositor Renato Torres de Belém, é parceiro de composição de Ruído Rosa. Já o arranjador e multi-instrumentista Herã Leme, de São Paulo, é um colaborador frequente na maioria das gravações da cantora.

“Tudo começou há quase dez anos. Peguei meu notebook e com a câmera dele, que era bem ruinzinha, comecei a fazer alguns vídeos cantando e divulguei nas redes sociais e grupos de músicos de Belém e outras cidades. A qualidade não era essas coisas, mas me abriu portas. Foi assim que eu conheci várias pessoas e pude começar a fazer gravações melhores” relembra. 

A gravação de Ruído Rosa, bem como as demais canções na plataforma, se deu através da colaboração à distância. Pela internet Maí e Renato compuseram a letra enquanto Harã gravou os instrumentos “Ele me recomendou comprar um condensador de voz para fazer a gravação à distância. Eu gravo as vozes em Paragominas e envio pela internet”, explica.

Faça você mesma - Além de cantar nas músicas, Maíra foi a responsável por praticamente todos os outros detalhes do seu material de divulgação. “Em Paragominas não temos figurinistas. Para o material de divulgação eu mesmo produzi os figurinos, criei os conceitos das fotos e fiz a edição final do material” explica a cantora.

Mais do que apenas uma vaidade, esse envolvimento multimídia é importante na viabilização do trabalho de forma independente “É importante pensar nas coisas além da música porque geralmente você vai lidar com orçamento bem limitado para contratar profissionais e fazer esses serviços. Nas vezes que eu precisei de um fotógrafo ou design eu procurava já levar um conceito do que eu queria porque assim gastávamos menos tempo e recursos tentando achar uma solução” comenta.

Se oportunizar também é importante na hora de construir espaços para se apresentar. Como sua cidade natal não tinha um circuito musical para músicos de estilos como rock, MPB e bossa nova, Maíra se juntou a alguns amigos e colegas músicos para organizar eventos como o festival Bossa ‘N Roll e o concerto Sabor Açaí. “Já levamos alguns artistas para se apresentar em Paragominas e já viemos a Belém algumas vezes. Me inscrevi e fui classificada para as seletivas do Festival Se Rasgum e trouxemos uma grande torcida para acompanhar a apresentação” rememora.

Iniciativas assim, para a artista, são um caminho para superar as pressões e expectativas alheias e ir além das barreiras impostas pelo ruido rosa. “Estamos sempre nos movimentando. Compondo, cantando, divulgando… estar fazendo isso já é desafiar a projeção que muita gente faz com relação ao que eu deveria fazer ou querer. Para muita gente eu não deveria estar fazendo o que eu faço, mas isso é o que eu quero fazer e construir, é o que eu sou e por isso não vou desistir” afirma Maí.

Mais sobre Maí
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(Holofote Virtual com Taion Almeida, jornalista e produtor de conteúdo)

O protagonismo da mulher no patrimônio imaterial

Já em ritmo das ações de mobilização para o 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, vai rolar um papo sobre “O protagonismo das mulheres detentoras na política de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial brasileiro”. O encontro é hoje (6), às 15h, no auditório do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Pará, dentro do ciclo de palestras Conversa pai d’Égua falando sobre patrimônio, ação de sua área de Educação Patrimonial.

O projeto foi criado em 2012, com objetivo de divulgar e refletir sobre diversos aspectos das questões mais atuais sobre o tema “Patrimônio Cultural”. Para essa roda de conversa estão confirmadas duas mestras de carimbó, Claudete Barroso e Maria Vieira, e duas capoeiristas, Denilce Rabelo e Leca Marinho, todas com experiência em ações de salvaguarda institucionais, junto ao IPHAN, e autônomas, diretamente nas localidades onde atuam.

O encontro vai discutir a diversidade e pluralidade do patrimônio cultural brasileiro e o papel central das mulheres como detentoras e transmissoras de saberes, práticas e tradições culturais. A próxima Conversa Pai d’Égua visa propor uma reflexão sobre a importância da política de preservação do patrimônio cultural na desconstrução da cultura patriarcal e na promoção da equidade de gênero. A mesa será mediada pela Ouvidora da Defensoria Pública do Pará, Eliana Bogéa.

A Pedagoga Claudete Barroso também é servidora pública da Secretaria de Educação do Estado do Pará (SEDUC), além de ser coordenadora pedagógica da Associação do Carimbó do Estado do Pará (ACEPA) e do Circuito Raiz da Água Doce (Marapanim – PA). Ela integra o comitê de salvaguarda do Carimbó do estado do Pará e coordena, ainda, o grupo de carimbó Sereia do Mar, formado por mulheres. Entre outras atuações, ela colabora no projeto Alegria na água doce (Marapanim – PA), voltado para crianças e adolescentes da localidade e é titular do comitê de bacia do Rio Marapanim e seus afluentes. 

Já Denilce Rabelo Borges é bacharel e licenciada em geografia pela UFPA, especialista em saberes africanos e afro- Amazônicos, em ensino de geografia e mestre em geografia pelo PPGEO. Foi professora substituta da Universidade Estadual do Pará de 2015 a 2017 e professora da Faculdade Fibra de 2015 a 2016. Nos últimos anos tem participado de atividades mobilizadoras da consciência negra, como palestras em escolas e feiras. Seu apelido na capoeira é Sereia, onde atua há 24 anos no grupo União Capoeira Associados. 

Claudete Barroso
Foto: Divulgação
Professora de língua portuguesa da Secretaria Municipal de Educação e Cultura Leca Marinho, Denise é mestranda em educação do PPGED/UEPA, Treinel de Capoeira Angola da Associação Eu Sou Angoleiro – Contra Mestre Edimar/Mestre João e fundadora do coletivo Flores de Angola. Começou a treinar Capoeira Angola no ano de 2004, na UFPA, com o Mestre Bira Marajó. 

Desde então essa arte tomou conta da sua vida, atuando com a Capoeira Angola em Belém, no bairro da Terra Firme, em Ananindeua no bairro do Icuí-Guajará e em Castanhal, no assentamento São João Batista. Atualmente é Treinel da Associção Cultural “Eu Sou Angoleiro (ACESA- Mestre João Angoleiro)”, desenvolvendo a capoeira angola, juntamente com o Contra Mestre Edimar Silva e os treineis Rodrigo Etnos e a treinel Xokeid com crianças e adolescentes do bairro da Terra Firme, no barracão do Boi Marronzinho. 

Em 2018, Leca Marinho juntamente com Brenda Kalife e Carmem Virgolino lançaram o coletivo Flores de Angola, o qual tem como objetivo promover o encontro entre as angoleiras do estado com o intuito de propiciar a troca de experiências, visando o fortalecimento da presença feminina nos treinos e rodas de capoeira angola, tendo em vista o quanto estes espaços ainda são permeados por comportamentos machistas. A finalidade é problematizar tanto as relações de rivalidade feminina impostas pelo patriarcado, quanto as relações de opressão a partir da naturalização da capoeira como um universo masculino. 

Já Maria Vieira é coordenadora e vocalista do grupo de Carimbó Alegria da água doce, de Fazendinha (Marapanim – PA). Também coordena o projeto com crianças e adolescentes Alegria na água doce. É membra do movimento de salvaguarda do Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro.

Serviço
O protagonismo das mulheres detentoras na política de salvaguarda do patrimônio imaterial brasileiro. Dia 06 de março, às 15h, no auditório do Iphan-Pa. Av. Gov. José  Malcher, nº 1131 (esquina com Trav. Dom Romualdo de Seixas). Atividade com emissão de certificado.

(Holofote com informações de Rebeca Ferreira Ribeiro, Superintendente do Iphan/Pa)