3.7.22

Produção paraense celebra o Cine Líbero Luxardo

Em 2022, o Cine Líbero Luxardo completou 36 anos, no dia 27 de junho, mas comemoração chega nesta semana com programação especial que inicia no dia 07 e só encerra no dia 13 de julho, celebrando o audiovisual paraense com mostra do que vem sendo produzida no estado e do que foi exibido na sala mais charmosa de Belém. A seguir, você confere todos os detalhes a seguir, faça a sua agenda, há bate papos imperdíveis também.

A Mostra de Aniversário chega com ares de um grande e potente festival! Será uma overdose de conteúdos, produzidos desde o próprio Líbero, passando pela produção dos anos 2000, quando se deu a “retomada” do cinema paraense, com diversos curta metragens produzidos, ainda na era da película, até produções mais recentes, realizadas durante a pandemia. Haverá até um pré-lançamento de filme, encerrando a semana, que será marcada pela diversidade. Filmes de animação, videoclipe, documentário e ficção. Para quem gosta de cinema, estuda e pesquisa a produção paraense esta será uma oportunidade sem igual.

Não espere, porém, nada em ordem cronológica. A ideia foi fazer recortes e misturar ou destacar algumas filmografias, como no caso de Cássio Tavernar, com a animação A Turma da Pororoca, e do cineasta San Marcelo, que apresentará alguns de seus filmes, dentro da Mostra Bragança. Da mesma região vem a Mostra Caeté Cult, que reúne filmes produzidos em oficinas do Festival Internacional de Cinema do Caeté. 

Entre as séries de animação teremos também uma sessão espacial de “Os Dinâmicos”, que terá seus 13 episódios exibidos, pela primeira vez, em um cinema. Cada episódio dura cinco minutos e traz como inspiração as músicas cantadas da obra de Joaquim de Lima Vieira, o nosso Mestre Vieira. 

O criador da guitarrada marcará presença também com a exibição do clipe “Guitarreiro do Mundo”, que gravamos em 2015, no Rio de Janeiro, e no mini doc “Passe de Mestre – Histórias de Música e Futebol”, que realizei em 2016, em parceria com o projeto sonora Pará, da Tv Cultura. 

Agradeço o convite da curadoria para exibir todos esses conteúdos que integram um projeto mais recente o Inventário Mestre Vieira, que reúne songbook, um livro ilustrado com fotografias, encartes, textos biográficos e discografia, além de 30 partituras da obra de Vieira, acompanhado de um site que se estende em diversos conteúdos. Aliás, levaremos neste dia o songbook conosco para quem quiser adquirir. 

Vieira, porém, não será o único mestre cinematografado da mostra. Dona Onete, Mestre Laurentino, Mestre Curica, Verequete, entre outros, também marcarão presença. 

Olhando a programação, percebe-se o trabalho primoroso da curadoria de João Cirilo e Gabriel Leite, que foram criteriosos e conscientes de que muito ainda ficou de fora. A equipe do Líbero como um todo, vem fazendo aliás, um ótimo trabalho. É abrindo os espaços para a exibição que também se fomenta e faz-se reverberar a cena, forma-se público. 

Para a curadoria toda essa iniciativa resultará “numa circunstância de nos vermos projetados na tela, de vermos e ouvirmos alguns de nossos diversos jeitos de falar, de enxergar e de conceber a nossa própria realidade, ocasião de exaltar nossos mestres e fazedores de cultura, de conceber um pequeno espelho, caleidoscópico, de parte do que somos ou do que queremos ser”.  

Projeto Janelas abre espaços aos realizadores

Desde que as atividades foram retomadas em agosto do ano passado até aqui, após um período de mais de um ano e meio de portas fechadas por conta da pandemia de Covid-19, o Líbero foi um dos importantes canais de divulgação do que produtores, diretores e artistas ligados ao audiovisual vieram produzindo ao longo desse período, impulsionados, sobretudo, por recursos provenientes de leis emergenciais de incentivo à cultura, como a lei federal Aldir Blanc.

Com edições de lançamentos ocorrendo, na maioria das vezes, em dias de segundas-feiras, o Projeto Janelas é hoje um dos principais pontos de encontro dos fazedores do audiovisual paraense, profissionais que procuraram espontaneamente nosso cinema e que foram acolhidos com dedicação por nossa equipe de servidores. 

O Projeto Janelas também realizou mostras, como a da Semana de Arte Muralismo, evento que tomou diversos setores do prédio da Fundação Cultural do Pará (onde o Cine Líbero Luxardo está inserido) e o Cuíra em Cenas - Festival de Videodanças da Amazônia, além do III Festival do Filme Etnográfico do Pará. 

“As ações foram desenvolvidas em parcerias com a sociedade civil e ajudaram a dar vazão à parte dessa produção, embora saibamos que ainda há muito a ser exibido, e que uma de nossas missões é justamente essa: Conferir visibilidade ao que é produzido em nosso estado, além de oferecer ao nosso público acesso a filmes atuais, com uma curadoria atenta e em sincronia com os principais lançamentos nacionais de empresas distribuidoras parceiras e que caminham ao nosso lado na afã de oferecer o que há de melhor ao nosso público”, diz Cirilo.

A Mostra que marca os 36 anos do Cine Líbero Luxardo é, portanto,  um resumo dessas ações que marcaram sobremodo nosso retorno às atividades presenciais, bem como com o intuito de promover o lançamento de algumas produções inéditas, além de reexibir filmes de longa metragens importantes e que marcaram a história de nosso cinema e de nossa cinematografia.

De 07 a 13 de julho de 2022

Programação | Entrada franca

CURADORIA DA MOSTRA | João Cirilo e Gabriel Leite

QUINTA – DIA 07/07 

15h30 –  BRUTOS INOCENTES (1974 | Brasil | Líbero Luxardo| Drama | 90’ | 18 anos)

 Filme dividido em dois episódios. 

O primeiro narra a história do Seringueiro Inácio, um seringueiro que tenta se livrar do regime de semiescravidão na vila onde mora que é comandada por João, um homem sem piedade, que não hesita em humilhar seus subordinados.  O segundo episódio, gira em torno de uma promessa feita por um casal à Virgem de Nazaré. Este casal tem um problema: apesar de serem brancos, o único filho deles nasceu negro, sendo que os vizinhos insistem em dizer que tudo foi culpa da mãe da criança, que olhou um eclipse da lua, quando estava grávida.

17h10 – O FILHO DO HOMEM (2019 | Brasil | Fillipe Rodrigues | Drama | 11’ | 12 anos).

Um homem e um velho vivem juntos em uma antiga casa. Ambos são partes opostas que se sucedem enquanto o fogo renova continuamente a natureza.

A BESTA POP (2018 | Brasil | Artur Tadaiesky,  Fillipe Rodrigues e Rafael B Silva | Drama, Ficção Científica | 100’ | 12 anos)

A festa "Besta Pop" é o lugar no qual três histórias diferentes se entrelaçam. Esse encontro acontece em meio a um cenário do futuro um tanto quanto distópico: um governo totalitarista está tomando conta de todo o ocidente. Enquanto alguns creem estarem passando pelo fim dos tempos, beirando o apocalipse, a festa se mostra uma espécie de representação de resistência diante desse momento caótico. 

19h10 – PARA TER ONDE IR (2018 | Brasil | Jorane Castro | Drama | 100’ | 12 anos)

Três mulheres com diferentes visões sobre a vida seguem juntas em uma viagem. No caminho, os acontecimentos vividos, separadamente, pelas três revelam as incertezas e os diferentes sentidos daquela viagem para cada uma delas.? 

Mesa: A Produção de Longas-metragens no Pará | Convidados:Jorane Castro e Fillipe Rodrigues

SEXTA – DIA 08/07 

14h – MÓBILE LUNAR: SONHOS (2021 | Brasil | Laércio Esteves | Documentário | 76’ | Livre)

Paisagens idílicas, ritos e narrativas do cotidiano urbano amazônico, viagens espaciais, são alguns elementos que o documentário musical “Móbile Lunar – Sonhos” apresenta em meio a uma viagem pela paisagem poética, visual e sonora da Amazônia que os inspirou a compor o álbum de estreia.

15h30 – XIRLEY - Gaby Amarantos (2011 | Brasil | Priscilla Brasil | Videoclipe | 4’ | Livre) 

“Xirley” é uma canção interpretada pela cantora paraense Gaby Amarantos, contida em seu primeiro álbum solo, “Treme”.

DEVORADOS - Madame Satan (2007| Brasil | Priscilla Brasil | Videoclipe | 4’ | Livre)

Videoclipe da música “Devorados”, da banda paraense Madame Saatan. Gravado na Vila da Barca (Belém) em julho de 2007, é talvez o último registro do famoso bairro sobre palafitas, que sofre um acelerado processo de reurbanização.

LEGAL E ILEGAL - Felipe Cordeiro (2007| Brasil | Brunno Regis e Carolina Matos | Videoclipe | 4’ | Livre)

Faixa presente no álbum de estreia de Felipe Cordeiro, "Kitsch Pop Cult". O clipe conta com as participações especiais de André Abujamra, e de diversos músicos da cena paraense: Keila Gentil, Artur Kunz (Strobo), Dona Onete e Manoel Cordeiro (pai e guitarrista da banda de Felipe).

NÃO PODE ESQUECER O GUANTO - Leona Vingativa (2021 | Brasil | Thais Badu | Videoclipe | 4’ | Livre)

"Não Pode Esquecer o Guanto", é a segunda faixa do EP "Vida de Patrícia" de leona Vingativa.

HIT DE SUCESSO - Layse  (2021 | Brasil | Thais Badu | Videoclipe | 4’ | Livre) 

Videoclipe oficial da faixa “Hit de Sucesso”, faixa integrante do álbum “Caso Raro”, de Layse, lançado em 2021.

VERTICAL - Inesita (2021 | Brasil | Léo Chermont | Videoclipe | 4’ | Livre) 

Videoclipe oficial da faixa “Vertical”, projeto contemplado pelo edital Prêmio Rede Virtual de Arte e Cultura FCP 2020.

CORRENTEZA | FEST-FILME FLORESTA SONORA - (2021 | Brasil | Léo Chermont e DBL | Experimental | 25’ | Livre)

O fest-filme do Floresta Sonora é uma imersão ao universo do estúdio paraense de música, voltado para criação, gravação, produção musical e cultural, com participação dos artistas que por lá passaram para reapresentar seus trabalhos num mergulho ao universo criativo de cada um deles.

NA BATIDA DO BREGA (2021 | Brasil | Renan Mendes, Ricky Lima, João Pedro Aranha e Mariana Almeida | Experimental | 32’ | Livre)

Dentro de um bar, ao som dos maiores sucessos do brega e tecnomelody, tudo pode acontecer.  Na Batida do Brega é o mais novo espetáculo da Companhia Mirai de Dança, um projeto selecionado pelo Edital de Multilinguagens – Lei Aldir Blanc.

17h – PROGRAMA AMPLI SESSIONS (2021 | Brasil | Joelle Mesquita | Documentários | AmpliCriativa e Soma Música | 100’ | Livre)

Apresentação de episódios que contam com a presença de artistas paraenses incríveis, dos mais variados estilos musicais, além de bate-papos maravilhosos. Félix Robatto, Inesita e Steamy Frogs compõem o programa dedicado à AmpliSessions em nossa mostra. 

18h30 – BATE-PAPO COM ADRIANNA OLIVEIRA E EQUIPE DOS FILMES “A BATALHA DE SÃO BRÁS” E “GUETO FLOW, PRETO SHOW”

REMÉDIO PRA RACISTA É BALA -Nic Dias (2021 | Brasil | Vladmir Cunha | Videoclipe | 3’ | 12 anos)

No estilo do verso "rima de preto é carnificina", é hora de dar o troco. Minha resposta vem com arte, com atitude e com todo o ódio que eu carrego na pele.

SÓ MAIS 5 MINUTOS - Mc Super Shock, Malária (2022 | Brasil | Saturação I | Videoclipe | 4’ | 12 anos)

Depois que o coração partiu mais alto, as coisas pararam de fazer tanto sentido, aos poucos o vazio me preenche mais e mais, até o momento que acabarei com tudo isso, não é uma carta de despedida, é que todo dia eu parto, caio, morro... Mas renascer não é opção, é necessidade e espero continuar tentanto ser alguém melhor, circulos que não quebram, ciclos sem fim. Quem quer morrer no quase? Essa produção faz parte do Ep "Banzo" é uma produção da Associação Gira Mundo com produção musical e visual da Saturação.

26 SUMANO (2021| Brasil | Bruno Fernandes | Videoclipe | 3’ | 12 anos) 

Videoclipe oficial da faixa “26”, do rapper paraense Sumano.

A BATALHA DE SÃO BRÁS (2016 | Brasil | Adrianna Oliveira | Documentário | 26’ | 12 anos)

Documentário de Adrianna Oliveira sobre uma batalha de rap no Mercado de São Brás - bairro tradicional de lutas sociais em Belém do Pará.

GUETO FLOW, PRETO SHOW (2021 | Brasil | Adrianna Oliveira | Documentário | 53’ | 12 anos)

Traz à tona o repertório construído ao longo de 12 anos da carreira do rapper paraense Pelé do Manifesto. Em um show-documentário, somos apresentados a 10 faixas que compõem o álbum homônimo, além de relatos poéticos sobre os aspectos que cercaram o desenvolvimento da carreira do rapper. Pelé rima sobre amor, experiências duras, e a motivação para manter o sonho sempre vivo.

SÁBADO – DIA 09/07

14h

A FESTA DA CHIQUITA (2009 | Brasil | Priscilla Brasil | Documentário | 52' | Livre)

No segundo domingo de outubro, a bicentenária procissão do Círio de Nazaré é obrigada a conviver com a Festa da Chiquita, o mais tradicional encontro gay da Amazônia que, contra tudo e contra todos, ocorre no mesmo dia, na mesma hora e na mesma rua. São dois milhões de católicos fervorosos de um lado e alguns milhares de homossexuais do outro. Em 2004, o IPHAN incluiu a Festa da Chiquita no processo de tombamento do Círio como patrimônio imaterial da humanidade, dando início a uma grande polêmica: afinal, a festa da Chiquita faz parte do Círio?

SONORO DIAMANTE NEGRO (2010 | Brasil | Suely Nascimento| Videoarte / Experimental | 14’ | Livre)

Dezembro de 1950. Na cidade de Belém, no bairro da Marambaia, começava a nascer São Sebastião, de propriedade de Sebastião Nascimento. À moda da época, sonoro tinha nome de santo. O tempo passou, a aparelhagem aumentou e o nome foi mudado para Diamante Negro. Aos 50 anos de existência, nos anos 2000, era o sonoro mais antigo de Belém, em atividade. O diferencial era a qualidade do som, apreciada nas noites do Baile da Saudade, quando casais cativos dançavam antigas canções que falavam de dor de cotovelo, de tristeza, de amor...

15h40

HOJE ESTAMOS AQUI (2022 | Brasil | Darien Lamen | Documentário | 20’ | Livre)

Retrato de uma família que luta para preservar a memória do seu pai, Milton de Almeida Nascimento, que no ano de 1955, criou o “Sonoro Conversível” e protagonizou o surgimento do amplificador à válvula, sendo um dos primeiros de que se tem notícia. O filme tem a finalidade de recriar a memória de Milton Almeida a partir de sua contribuição para a Cultura Popular Paraense diante de uma cultura que valoriza a novidade tecnológica. Em 2022, foi Exibido no In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, em São Paulo.

BREGA S.A (2009| Brasil | Vladimir Cunha e Gustavo Godinho | Documentário | 60' | Livre)

O documentário Brega S/A fala sobre a cena tecnobrega de Belém do Pará. Feito por artistas pobres, gravado em estúdios de fundo de quintal e com relações profundas com a pirataria e a informalidade, o tecnobrega é a trilha sonora da periferia da cidade, uma espécie de adaptação digital da música romântica dos anos 1970 e 1980.

17h20 - SESSÃO COM BATE-PAPO: LUCIANA MEDEIROS E EQUIPE DE REALIZAÇÃO DA SÉRIE OS DINÂMICOS

GUITARREIRO DO MUNDO (2015 | Brasil | Luciana Medeiros | 3 min)

Guitarreiro do Mundo é a faixa título do último álbum de Joaquim de Lima Vieira, Mestre Vieira, lançado em 2015, no Rio de Janeiro. Gravamos o clipe em meio aos três dias de apresentação que fizemos pelo edital Caixa Cultural, projeto que levou junto ao show de lançamento do disco, um workshop de Guitarrada. Vieira faleceu em 2018. 

OS DINÂMICOS  FALAM DA ANIMAÇÃO (2018 | Brasil | Afonso Gallindo / Luciana Medeiros | Documentário | 3’ | Livre).

Trazendo 13 epsódios de 5 minutos cada, Os Dinâmicos traz a sonoridade das guitarradas cantadas de Mestre Vieira, o criador da Guitarrada, e que trazem como tema o cotidiano amazônico, repleto de magia, lendas e ‘causos’. Na série, o grupo Vieira e Seu Conjunto ensaia num estúdio-casa no topo de uma Samaumeira e se apresenta em diversas festividades na região, mas a guitarrada, além de colocar todo mundo para dançar, tem outro super poder.

SÉRIE OS DINÂMICOS (2018 | Brasil | Luciana Medeiros / Afonso Gallindo | Série em animação – 13 episódios / Aventura | Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia | 65’ | Livre)

Comédia e aventura, a série de animação “Os Dinâmicos” é inspirada na obra musical de Joaquim de Lima Vieira, o criador da guitarrada paraense. Pacatos, engraçados e contadores histórias, os músicos da banda “Vieira e Seu Conjunto” tocam um ritmo original e contagiante, alegrando as pequenas vilas ribeirinhas. Lidando com o universo da floresta e da fauna da região, além de animar festas, eles também guardam um segredo. Sempre que há uma criança em perigo, a guitarra Milagrosa é acionada e assim Mestre Vieira, Idalgino, Lauro, Dejacir, Poça e Batera se transformam em super-heróis. Guitarreiro, Spectro, Ciclone, Alado, Trakitana e Aprendiz se envolvem em aventuras que revelam, através do mágico universo da animação, as características, o linguajar, costumes e lendas da Amazônia. “Os Dinâmicos” homenageia também as animações dos anos 1970 e 1980, que traziam séries animadas com heróis e bandas musicais.

20h

CHAMA VEREQUETE (2002 | Brasil | Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira | Documentário | 18' | Livre)

Documentário poético sobre Mestre Verequete, personagem fundamental da história do ritmo raiz do Pará, o Carimbó, que legitimou e divulgou pelos quatro cantos do Brasil. 

PASSE DE MESTRE - HISTÓRIAS DE MÚSICA E FUTEBOL (2021 | Brasil | Luciana Medeiros | Documentário | 6’ | Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia | Livre)

Mestre Vieira, guitarrista paraense considerado o criador da guitarrada. Em vida gravou 13 LPs, 5 CDs e 1 DVD, além de ter participado de diversos projetos musicais, entre eles Os Mestres da Guitarrada. O que nem todo mundo sabe é que ele também era apaixonado por futebol. Chegou a comprar um campo com os primeiros cachês que recebeu e fundou vários clubes de futebol em Barcarena, no interior do Pará. A produção para este mini doc foi no estilo cinema de guerrilha, sem recursos e com equipe reduzidíssima. Em 2016, Mestre Vieira adoentou e ficou sem tocar por mais de um ano. Em 2 de fevereiro de 2018, ele partiu para as estrelas. Calou sua guitarra. Ficou seu legado.

NO MEIO DO PITIÚ (2019| Brasil | Leonardo Augusto | Videoclipe | 5' | Livre)  

Videoclipe da música “No Meio do Pitiú”, que integra o disco 'Banzeiro' de Dona Onete.

CARIMBÓ ARREPIADO (2019| Brasil | Couple Things - Diana Boccara e Leo Longo | Videoclipe | 3' | Livre)

Videoclipe da música “Carimbó Arrepiado”, de Dona Onete.

OS CARIMBÓS E AS GUITARRADAS DE MESTRE CURICA (2020 | Brasil | Bruno Rabelo e Lorena Alves| Documentário | 76' | Livre)

Registro audiovisual que resgata a história de vida de Curica, aos 72 de idade e com 56 anos de carreira artística. Em um formato de show e bate-papo, este vídeo faz um passeio pela diversa carreira e obra musical de Curica, transitando entre o Carimbó e a Guitarrada. O projeto traz convidados especiais, como o Mestre Aldo Sena e Bruno Rabelo, além de jovens talentos da música paraense.

DOMINGO – DIA 10/07

15h10

PROGRAMA CUÍRA EM CENAS – FESTIVAL DE VIDEODANÇAS DA AMAZÔNIA

Programa dedicado ao Cuíra em Cenas, Festival de Videodanças com obras protagonizadas por artistas paraenses, expandindo os limites da dança para além dos palcos de teatros e intervindo nas telas de cinema e servindo como um estímulo à cena da dança paraense, e que visa valorizar os artistas e suas obras em diálogo com outras linguagens artísticas, além de ampliar novas plateias e ocupar novos espaços. Neste programa, Eduarda Falesi, coordenadora do festival, reuniu todas as obras exibidas na edição que ocorreu no Cine Líbero Luxardo, em 2022.

INTRAVENOSA (2018 | Brasil | Tale Campos | Experimental / Videoarte | 4’ | Livre) 

A experiência de quase morte do diretor do filme é retratada em diferentes atmosferas. Perseguição, sacrifício e redenção em meio a cenários paradisíacos do Rio de Janeiro.

LA LOBA (2019 | Brasil | Ana Flávia Mendes e Edielson Shinohara | Experimental / Videoarte | 8’ | Livre)

Experimento em vídeo que trata do arquétipo da mulher selvagem. Inspirado no livro "Mulheres que correm com os lobos", de Clarissa Pinkola Estes, o trabalho aborda o conto homônimo "La Loba", de origem européia oriental, e promove um mergulho na psiqué feminina, imageticamente retratada como um cemitério, lugar em que habita a morte e de onde emerge a vida, sintetizada na figura de uma mulher transmutada.

NASCIMENTO & XAXARÁ (2021 | Brasil | Letícia Faria | Videoclipe | 8’ | Livre)

Todos os trabalhos do Bando Mastodontes tem como premissa a arte como ferramenta para democratizar a cultura, seja desburocratizando e ocupando espaços públicos e privados ou ampliando a acessibilidade dos seus projetos. Seguindo este ideal, o primeiro clipe do grupo se tornou um projeto audiovisual inovador por priorizar a inclusão com a coreografia em Libras do início ao fim do clipe e dançarinos com deficiência física para reverenciar a música que é um ode ao orixá Obaluaê.

CÔNCAVO (2021 | Brasil | Eduarda Falesi e Gabriel Darwich | Videodança | 7’ | Livre)

Os reflexos do tempo e do corpo nos movimentos performados em espaços enclausurados e reduzidos, busca refletir o desconforto das mudanças de paradigma nas relações sociais, onde os corpos foram forçados a conviver cada vez menos com a presença física, durante o distanciamento social. O tempo, antes ilusoriamente acelerado, desacelera e nos torna côncavos para além do autocuidado e direciona o olhar para dentro de nós. Suportar ao tempo e aos espaços reduzidos é o desafio para os corpos “ocos” da presença do outro. 

AUTO DO CÍRIO (2021 | Brasil | Feliciano Marques e Cia. Moderno de Dança | Videodança | 3’ | Livre)

Sagradas Conexões Ruas, rios, teias, raízes entrecruzadas atravessando vidas. Em meio ao caos busca-se, por meio da esperança e da fé, equilíbrio e força para seguir em frente. É outubro de novo, Círio outra vez e de pé seguimos pedindo a Nossa Senhora de Nazaré para que nos proteja, que acalente nossos corações. A Cidade Velha, em Belém, conectada à Tailândia do Pará numa homenagem, celebração e agradecimento em mais um Auto do Círio.

UM TEMPO QUE REGA O REGGAE (2021 | Brasil | Vinicius Fleury | Videoclipe | 4’ | Livre)

Nesta obra visual, a cantora Jana Coutinho, conecta sua música à performance da bailarina Duda Falesi, levando a uma experiência sensorial entra a chuva e as batidas do reggae. 

CAMINHADA (2019| Brasil | Companhia Moderno de Dança | Videodança | 3’ | Livre)

Fragmentos do existir urbano se retratam em alta dinâmica. Analisando o comportamento social contemporâneo, a videodança propõe uma poetização da vivência em sociedade, com múltiplas visões e capturas do Ser-Habitante da cidade.

DESARMAREAR (2021| Brasil | Juan A. Silva | Videodança | 7’ | Livre)

Uma experiência para desarmar, ou minimamente tensionar o sistema cisheternormativo por meio da desestabilização do próprio corpo dançante, para então se reencontrar. Sendo assim, "Desarmarear” é  arrumar as malas e sair de casa, seja por vontade própria ou por ter sido expulso e, por conseguinte, é também buscar uma nova casa para si, em si. Um novo corpo. “Desarmarear” é uma caminhada, uma travessia, uma mudança.

O SALTO (2021| Brasil | Joyce Cursino | Videodança | 5’ | Livre)

Primeiro videoclipe da artista Bah e produzido pela Negritar Produções. 

PEIXES (2017| Brasil | Vladimir Cunha Musical | 3’ | Livre)

Belém em um prisma de descobertas de sua pluralidade. A chegada dos peixes é um evento diário que promove uma experiência antropológica e sensorial com uma explosão de cores, sabores, dança e música no mercado do Ver-o-peso. A dança é uma entidade sagrada e no filme é representada por Claudio Baia, dançarino e coreógrafo  de grande relevância no Pará.

ENTRE OUTRAS RUAS - ATO I (2020| Brasil | Juan A. Silva e Cleyton Telles | Videodança | 3’ | Livre)

Neste novo caminhar,  Cleyton me propôs a criação de uma poética a partir de algum atravessamento pessoal, e mergulhado nas questões que transbordam em meu corpo, enquanto LGBT e afroindigena, materializei um manifesto dançante contra a mira criada nos corpos dissidentes de gênero, raça e classe em nossa sociedade, por isso, também a chamei  de "Sujeito estatística", pois, para mim, é uma suplica por "um bom final pra nós". - Juan A. Silva.

GIRLS X3 (2019| Brasil | Louise di Fatima | Videodança | 5’ | Livre)

A videodança reúne quatro bailarinas em um único espaço representando diferentes gêneros da dança assim como nos mostrando suas diferentes personalidades. A videodança é um material adicional de um videoclipe de mesmo nome produzido pela Infinita Produções.  

VAGALUMEAR (2021| Brasil | Ercy Souza | Videodança | 8’ | Livre)

No instante apenas, uma vida inteira presente no lançar do primeiro voo da borboleta, no mo(vi)mento do desprender-se, na profusão de sensações lançadas no breu sob a luz dos olhares contemplativos. Eis o passo entre a coxia e o palco sob a energia do último pulo coletivo de um escravo de jó e a ansiedade pós terceiro toque do sino que hoje é compreendido como o apertar do gravando e... Nasce Etá, a cena, a obra, o estranhamento, o olhar artístico, a questão, a Arte dançada que convoca os presentes que ali estão à presença cênica dilatada e difundida.

ECOS DAS ENTRANHAS (2019| Brasil | Luiza Monteiro | Videodança | 6’ | Livre)

Videodança gravado no Canadá, dirigida e interpretada por Luiza Monteiro.

EUVERSO (2021| Brasil | Victor Azevedo | Videodança | 4’ | Livre)

O vídeo "euversO" surge como reflexo do bloqueio criativo criado pelo período da quarentena. O início da criação não tem um objetivo ou mensagem a ser passada, apenas permitir que haja prazer em dançar e se conectar com os vários "eus" que surgem durante o processo. "euversO" é o caminho que, nos interiores do eu, redescubro a ação de dançar apenas para dançar, sem a necessidade de um longo processo ou busca de um conceito criativo como justificativa.

QUESTÃO DE TEMPO (2021| Brasil | Paola Pinheiro| Videodança | 4’ | Livre)

Tempo. Sinto que estou perdendo-o. Mas como se pode perder algo que nunca foi seu? Só tinha uma ilusão do que era o tempo e até isso já perdi. Vivo num conflito entre o tempo de dentro, que tem dificuldade de acompanhar seu entorno, e o tempo de fora, que voa sem parar. E de tanto tentar conciliar o tempo de dentro com o de fora, me esqueci do tempo do corpo. Qual é o meu tempo mesmo? Tento me desapegar do tempo, mas ele gruda no meu corpo como areia, água e sal. Tentei viver dentro do tempo, mas me perdi, e hoje tento viver em mim. 

SERES DE SI (2020| Brasil | Luiza Monteiro | Videodança | 4’ | Livre)

Seres de Si nasce na encantaria do corpo da intérprete criadora Luiza Monteiro em uma experiência de imersão com elementos da natureza presentes na praia do Marahú, na ilha de Mosqueiro/PA. O processo de criação permeia a relação entre corpo, encantaria e poesia, apresentando em formato de videodança o emergir poético do corpo enquanto este encontra-se imerso em si, como também em águas, areias, folhas, pedras, ares...

DAQUI ACENEI PARA VOCÊ (2020| Brasil | Eduarda Falesi | Videodança | 6’ | Livre)

“Daqui Acenei Para Você” é um projeto social que reúne em um só vídeo, diversos bailarinos paraenses, com liberdade artística e interpretativa - o que garante a singularidade de cada coreografia e ajuda a expor a forma mais verdadeira da natureza de cada artista envolvido. O objetivo do projeto é conectar pessoas diferentes a uma só mensagem: Não estamos sozinhos. O vídeo tem sido utilizado como o principal meio de divulgação de uma campanha solidária de arrecadação de fundos para compra de cestas básicas, material de higiene e remédios para doações em abrigos e comunidades carentes pelo Pará.

17h

PROGRAMA CÁSSIO TAVERNARD

A ONDA – FESTA NA POROROCA (2005 | Brasil | Cássio Tavernard | Animação | 12’ | Livre)

Com roteiro original de Adriano Barroso, conta a história de uma festa que os bichos organizam no fundo do rio para esperar a passagem da Pororoca. Enquanto isso, na superfície, dois surfistas do sul tentam a aventura de “domar” a onda da pororoca. Estas ondas nos rios da Amazônia são um fenômeno natural. No Pará, o principal município atingido é de São Domingos do Capim.

O RAPTO DO PEIXE BOI (2010 | Brasil | Cássio Tavernard | Animação | 15’ | Livre)

 No fundo do igarapé, o Peixe-boi é o responsável pelo transporte do Pipipipiramutaba, a grande aparelhagem de som que anima as festas dos habitantes das águas. Subitamente, o Peixe-boi desaparece, e Caranguejo, Camarão e Candirus irão em busca do amigo mamífero.

CAMARÃO Espoleta Blues (2016 | Brasil | Cássio Tavernard | Animação / Videoclipe | 3’| Livre)

Videoclipe da música “Camarão”, interpretada pela banda Espoleta Blues. 

ALLEGRO PERO NO MUCHO (2019 | Brasil | Cássio Tavernard | Animação | 20’ | Livre)

O filme encerra a trilogia da série “A Turma da Pororoca e se desenvolve a partir da investigação de uma estranha movimentação próxima ao Theatro da Paz. Na história, descobrem que alguém esta se fazendo passar pelo Caranguejo e sua aparelhagem, o Pi Pi Piramutaba, organizando uma grande festa em seu nome para atrair todos os bichos do fundo dos rios da Amazônia. Para compor o cenário do terceiro episódio da série, cada detalhe do prédio histórico do Da Paz, sua pintura e arquitetura, foram reproduzidos fielmente na técnica de animação.

CHICO TRIPA (DIÁRIO DE UM PALHAÇO) (2009 | Brasil | Cássio Tavernard | Animação | 10’| Livre)

Animação de Cássio Tavernard usada em vídeo-performance apresentada dia 16 de dezembro de 2009 no Instituto de Artes do Pará (IAP). O vídeo é fruto do projeto “Chico Tripa – Diário de um Palhaço”, contemplado este ano com a Bolsa de Pesquisa e Criação do Instituto de Artes do Pará.

18h10

AS ICAMIABAS (2018 | Brasil | Otoniel Oliveira | Série em animação – episódios / Aventura | 67’ | Livre)

Compilação dos interprogramas de um minuto que deram origem a série Icamiabas na Amazônia de Pedra. As Icamiabas, Conori, Iúna e Mahyra, são meninas guerreiras indígenas cheias de poderes que resolvem os problemas fanásticos na cidade de Belém, como o Boitatá na ponte de Mosqueiro, o Caipora no Veropeso e o Viraporco nos predios, chutando bundas e salvando o dia!

19h30

ADMIRIMIRITI (2005 | Brasil | Andrei Miralha | Animação | 12’| Livre)

Numa feira de brinquedos de miriti do Círio de Nazaré, os brinquedos ganham vida e um boneco "dançarino de brega" é abandonado por sua parceira por ser muito "presepeiro". A partir daí, o boneco parte em busca de um novo lugar, um novo sentido para sua existência, até obter o perdão de sua parceira. 

NOSSA SENHORA DOS MIRITIS (2011 | Brasil | Andrei Miralha | Animação | 13’| Livre)

Às vésperas do Círio de Nazaré, uma artesã de brinquedos de miriti, tenta terminar sua promessa de fazer sozinha uma procissão todinha em miriti, mas cansada, ela acaba dormindo e um milagre acontece.

VISAGEM (2006 | Brasil | Roger Elarrat | Animação / Comédia / Fantasia / Terror | 11’ | Livre)

O filme é uma adaptação de sete contos do livro “Visagens e Assombrações de Belém” do escritor Walcyr Monteiro, livro este escrito a partir de causos e lendas sobrenaturais da cidade de Belém. Na História, dois jovens entram clandestinamente em um antigo cemitério de Belém para fazer uma aposta: quem teria coragem de acender uma vela bem no centro do cemitério da Soledade, ao soar da meia-noite? Na medida em que a madrugada avança, eles se deparam cada vez mais com situações fantásticas e assustadoramente surreais dentro do cemitério. Mesmo não acreditando nas antigas histórias de visagens, os jovens agora vão protagonizar uma nova lenda urbana da cidade.

VIAGEM ASTRAL (2020 | Brasil | Otoniel Oliveira | animação | 9’ | Livre) 

Viajar pelos astros pode ser uma experiência de auto-descoberta cósmica.

MURAGENS - CRÔNICAS DE UM MURO (2018 | Brasil | Andrei Miralha| animação | 12’ | Livre)

Muragens - Crônicas de um Muro faz uma interferência ficcional num recorte urbano real, o entorno do muro dos fundos do cemitério da Soledade em Belém do Pará. Apresentando situações diversas, pequenas narrativas – crônicas - nas quais o devaneio, o Non Sense, o caráter fictício da animação marcam a contação das mesmas.

ADÃO (2017 | Brasil | Rafaella Cândido | animação | 12’ | Livre) 

Produzido em stop motion, utilizando bonecos de miriti, é uma alegoria mitológica dos primeiros homens e seus encontros com os males do mundo.

PEDAÇOS DE PÁSSAROS (2016 | Brasil | Andrei Miralha / Marcílio Costa | animação | 13’ | Livre) 

O pássaro como metáfora das relações do homem no mundo contemporâneo. Fragmentos, pedaços da vida cotidiana abordados poeticamente. “Pedaços de pássaros”.  

A HISTÓRIA DE ZAHY (2018 | Brasil | Otoniel Oliveira| Animação | 8’ | Livre)

O filme de animação a História de Zahy conta a história da criação da Lua segundo a sociedade indígena brasileira Tembé-Tenetehara, com narração na língua Tupi Tenetehara. Zahy é um valente guerreiro enviado pelo deus indígena Mahyra para fazer muitas coisas boas, mas pelo seu orgulho, ele decide fazer algo proibido na aldeia. Se for descoberto, Zahy terá de enfrentar consequências irreversíveis. ?

SEGUNDA – DIA 11/07

14h30

OS VELHOS BAIONARAS II (2021 | Brasil | Dario Jaime| Documentário | Jambu Filmes | 80' | Livre)

O longa faz uma incursão na memória dos afetos e expressões culturais da cidade de Baião e seus arredores. As pessoas que aqui aparecem são pessoas simples do povo, sem poder político e econômico, porém de extrema importância para a construção da identidade popular e afetiva da cidade. Tais personagens interferem ativamente no imaginário local moldando crenças, saberes, técnicas e a vida cultural do município através de suas histórias de vida.

17h

MOSTRA FICCA “CAETÉ CULT” - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DO CAETÉ

O FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté é uma marca já consolidada entre os festivais de cinema brasileiros de caráter regional e internacional. Certificado pela Escola Superior Artística do Porto e parceiro da Associação Nacional de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde, o festival tem como marca a presença da cinematografia africana, lusitana, brasileira – e amazônida.  Francisco Weyl, diretor do festival, apresenta neste programa um recorte de produções audiovisuais feitas no estado do Pará.

CABEÇA DE CACHORRO REALIZAÇÃO (2021 | Brasil | Filme coletivo | Documentário / Experimental | 3' | Livre)

Realizado pelos estudantes da Escola Domingos de Souza Melo, Vila do Bonifácio, praia de Ajuruteua, durante as oficinas de Cinema de Guerrilhas ministradas por Marta Ferreira e Mateus Moura, na Vila do Bonifácio, praia de Ajuruteua. Quilombo do América, Bragança, Pará.

A VISITA DO PADROEIRO (2021 | Brasil | Filme coletivo | Documentário / Experimental | 4' | Livre)

Coletiva / PA / 4 Min Filme coletivo, realizado pela Associação de Remanescentes do Quilombo do América, estudantes e professores da Escola Américo Pinheiro de Brito, durante as oficinas de Cinema de Guerrilhas ministradas por Rosilene Cordeiro e Francisco Weyl.

O QUILOMBO É MEU LUGAR, A MINHA CASA (2021 | Brasil | Filme coletivo | Documentário / Experimental | 19' | Livre)

Documentário resultado da oficina de Cinema Acessível, ministrada por Carol Magno e Cuité Marambaia, no Quilombo do América, em Bragança do Pará, no âmbito do VI FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté.

CANDEIA DO MAR (2022 | Brasil | Roberta Mártires | Videopoema  / Experimental | 1’ | Livre)

O brilho da luz na água | Candeia do mar | Horizonte deserto | Nas areias do tempo | Um lar a deriva | Água salgada | Salgueia um corpo | em busca de Axé. 

ÁGUA E SAL (2022 | Brasil | Roberta Mártires | Videopoema / Experimental | 1’ | Livre) - Vídeo vivência.

CORDÃO DE PÁSSARO TEM-TEM (2019| Brasil | José Carlos Barroso | Documentário | 12’ | Livre)

Uma forma de resistência da comunidade da Vila dos Lucas, área rural do município de Bragança, é a matação da brincadeira do passarinho, uma manifestação cultural que está desaparecendo por falta de incentivo e apoio a essa tradição. (Utilizei um celular para as filmagens, quebrando o paradigma de que para fazer um documentário não precisa de aparelhos de última geração para filmagem. Através da minha própria pesquisa narrei sobre essa manifestação cultural).

DO LUGAR DE ONDE SE VÊ (2019| Brasil | Denis Bezerra e Francisco Weyl | Documentário | 8’ | Livre) 

Documentário a partir da pesquisa autoral de Dênis Bezerra, sobre a vida e o processo criador de Cláudio Barradas.

MEMÓRIAS DO CINE ARGUS (2017| Edvaldo Moura | Documentário | 20’ | Livre)

Prêmio Imagem-Tempo, 1º FICCA, 2014 O Cine Argus movimentou a vida cultural da cidade de Castanhal, no nordeste do Pará, e influenciou diversas gerações durante seu período de funcionamento, de 1938 até seu fechamento em 1995. O filme recupera a história desse importante cinema de rua, através do entrelaçamento de memórias de funcionários e frequentadores.

DIA DE MANGAL (2013| Evandro Medeiros | Documentário | 15’ | Livre)

2º FICCA, 2015 Vídeo retrata um dia de trabalho de pescadores retirando caranguejo do mangue na RESEX Caeté-Taperaçu, no município de Bragança, Pará. Foca a sociabilidade e estratégias de trabalho no ambiente do mangal [mangue], apresentando narrativas dos ribeirinhos sobre o cotidiano do trabalho no mangue, revela para além das dificuldades as descobertas e produções criativas que tal trabalho estimula. Apresenta elementos singulares da identidade cultural construída pelos homens na relação com o mangue enquanto lugar de trabalho e vida.

EQUIDADE RACIAL (2016| Danilo Gustavo | Documentário | 8’ | Livre)

Prêmio Juri Popular, 3º FICCA, 2016 Documentário realizado em parceria com as comunidades negras tradicionais remanescentes de quilombos de Tracuateua, Pará, mostra estratégias de sobrevivência de extrativistas e agricultores familiares e no cotidiano popular. 

#FORACARGILL (2016| Francisco Weyl | Documentário | 35’ | Livre)

Tem como cenário as ilhas do município de Abaetetuba afetadas pela construção do Terminal de Uso Privado da empresa Norte-americana em território do Programa de Assentamento Agro-Extrativista Santo Afonso, na Ilha do Xingu, Município de Abaetetuba, onde vivem e trabalham cerca de 200 famílias, numa área de 2.705,6259 hectares. O DOC contrapõe o projeto privatista a um mundo coletivo, ancestral, de conhecimentos e saberes próprios, ameaçado de desaparecer, bem como essas comunidades tradicionais se organizam e como lutam para conquistar acesso e permanência à terra, os impactos ambientais e sociais causados pela construção do porto, portanto, é através das falas das lideranças e das pessoas da comunidade, inclusive as ameaçadas, que o narrar os conflitos e perigos aos quais estão submetidas as comunidades locais na Amazônia Paraense.

19h20

MOSTRA CURTA BRAGANÇA

Compilação de curtas-metragens realizados no município de Bragança, no Pará, organizada pelo cineasta bragantino San Marcelo. Esta mostra foi exibida em única e concorrida sessão no Projeto Janelas do Cine Líbero Luxardo, em 2022. 

BENZEDEIRA – MARIA DO BAIRRO (2021 | Brasil | San Marcelo e Pedro Olaia | Documentário | 15' | Livre)

Imerge no universo da benzedeira Maria do Bairro que escolheu o silêncio para dividir a sabedoria que lhe foi confiada. Esta ciência da natureza se esconde ao longe em uma ilha na comunidade do Tamatateua, interior do município de Bragança. Manoel Amorim, conhecido como Maria do Bairro, o preto conhecedor de ervas e benzedor, se dedica à cura do corpo e da alma de quem a procura. O saber que a habita não vem do achismo, mas sim da vivência e resistência direta com a natureza, seus espíritos e filosofia.

BRAGANÇA: A CIDADE E O TREM  (2021 | Brasil | San Marcelo | Documentário | Sapucaia Filmes | 18' | Livre)

Não tem a pretensão de uma abordagem historiográfica da Estrada de Ferro de Bragança-EFB (1883-1965), mas partilhar memórias e provocar conexões em uma cidade através de um período experimentado por três personagens: João Santana, 79 anos, Maria Alves, 76 anos e Raimundo Rocha, 82 anos. O recorte revela como plano de fundo o espaço e o contexto que esses personagens viveram e a relação com a EFB, além de deixar exposto que nossas memórias estão se perdendo no tempo.

MADÁ  (2021 | Brasil | San Marcelo | Drama | Sapucaia Filmes | 18' | Livre)

Madá é uma jovem, bragantina, batalhadora que é bailarina de banda de brega a noite e vendedora de tecidos durante o dia para sustentar a mãe e a irmã. Madá então se ver em um dilema após ser demitida do emprego, o que a leva a escolher entre o sonho de ser dançarina profissional em uma companhia de dança na capital, ou ficar perto da família e enfrentar os problemas diários agravados pelo desemprego e a nova condição física da mãe, Rosa.

KABOKÉTICAS – CORREDORA (2021 | Brasil | Pedro Olaia | Experimental | 21' | Livre)

Cabokètykas são artistas acabokades que des/constroem cenas do cotidiano, propondo diálogos com corpas dissidentes que fogem do padrão cisheteronormativo nas Amazônias. O filme produzido pela coletiva com cenas mágicas e cotidianas de performances construídas coletivamente é artístico experimental ao mesmo tempo que explica cada sigla do termo lgbtqia+ e as possíveis identidades fora dos padrões colonizatórios que já existiram e continuam existindo nas Amazônias.

SERRA VELHA (2021 | Brasil | Renato Chalu | Documentário | Coletivo Artesãos das Águas | 15' | Livre)

O mestre Manoel Ramos, de Ajuruteua, apresenta em forma de poesia de cordel o folguedo da Serra Velha. Os versos do pescador poeta são o fio condutor deste documentário, produzido pelo coletivo Artesãos das Águas, do Labpexca. O folguedo da Serra Velha ocorre em diferentes locais do litoral amazônico. Na Vila dos Pescadores e na Vila do Bonifácio, em Ajuruteua, maretório da resex Caeté-Taperaçu, esta tradição estava adormecida. O poeta Manoel Ramos conversa com mestres e mestras da Serra Velha, mostrando os detalhes e os sentidos desse folguedo, apresentando as histórias dos personagens e trazendo a juventude para o debate.

MESTRES DO BEIJU (2021 | Brasil | Luís Saraiva | Documentário | 16' | Livre)

"Mestres do Beiju" é resultado de um trabalho colaborativo com um casal de agricultores da cidade de Bragança, que trabalham na atividade de produção do beiju há mais de 50 anos. Um filme de Jéssica Leite e Luís Saraiva, em parceria com Elenisce Borges e Antônio Silva.

TERÇA – DIA 12/07

14h

VHQ - UMA BREVE HISTÓRIA DO QUADRINHO PARAENSE (2015 | Brasil | Vince souza | Documentário | 52’ | Livre)

O documentário narra os primeiros traços da produção de quadrinhos que começou em 1972 até em 2014. Com depoimentos de Bichara Gaby, Arnaldo Prado Junior, Branco Medeiros, Paulo Emmanuel, Luiz Paulo Jacob (Lupa), Gian Danton, Joe Bennett, Andrei Miralha, Alan Yango, Marcelo Marat, Luiz Claudio Negrão, Miguel Imbiriba, Eduardo Barbier, Emerson Coe, Emmanuel Thomaz, Rosinaldo Pinheiro, Volney Nazareno, Otoniel Oliveira, Eliezer França Aido e Adriana Abreu. É o primeiro registro do cenário paraense.

GERAÇÃO PEIXE FRITO (2019 | Brasil | Paulo Nunes e Vânia Torres | Documentário | 26’ | Livre)

O documentário traz depoimentos dos familiares de escritores como Bruno de Menezes, Dalcídio Jurandir, De Campos Ribeiro, além de entrevistas com historiadores, músicos, jornalistas e feirantes do Ver-o-Peso que atestam a importância da Academia do Peixe Frito.

AMADOR, ZÉLIA (2021 | Brasil | Ismael Machado/Glauco Melo| Documentário | 23' | Livre)

Narra a trajetória da educadora, artista, pensadora e ativista Zélia Amador de Deus, respeitada professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mesclando lembranças pessoais, imagens de arquivo, encenação e ilustrações, traz os contextos históricos do Pará a partir, principalmente, da eclosão dos eventos da década de 1960, com a implantação do regime militar, ascensão dos movimentos estudantis, do teatro alternativo e do surgimento dos movimentos pelos direitos humanos. Em todo esse cenário, Zélia, uma mulher negra, oriunda da periferia - primeiro do interior do Marajó, depois para a periferia urbana de Belém - foi partícipe e protagonista. Zélia é referência e este curta é uma reverência ao que ela representa na sociedade paraense e brasileira.

15h50

O AJUNTADOR DE CACOS (2008 | Brasil | Paulo Miranda | Documentário | 52' | Livre)

Obra concebida para oferecer ao Brasil e ao mundo a oportunidade de conhecer a trajetória de Giovanni Gallo, museólogo, ex-padre, fundador do Museu do Marajó e que atuou por mais de trinta anos junto à população mais pobre do Marajó, desenvolvendo ações no campo da promoção humana, preservação da memória histórica e organização das comunidades em Santa Cruz e Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó.

IRACEMA E O BRINQUEDO DE VOAR (2020 | Brasil | Felipe Cortez | Documentário | 48' | Livre)

Em uma proposta poética e potente, além da voz de Iracema e de depoimentos de personalidades da cultura paraense, o filme é atravessado por cenas em espaços simbólicos para a cultura popular no estado do Pará, como as ruínas do Teatro São Cristóvão, um lugar referência na apresentação de grupos de pássaros nas décadas de 1950 a 1970, e aborda a trajetória de Iracema Oliveira, 84, guardiã do Pássaro Junino Tucano, das Pastorinhas Filha de Sion e coordenadora do Grupo Parafolclórico Frutos do Pará.

17h40

PROGRAMA FESTIVAL INTERNACIONAL DO FILME ETNOGRÁFICO DO PARÁ

O Festival Internacional do Filme Etnográfico do Pará é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Antropologia Visual Visagem (PPGSA/UFPA), sob coordenação geral de Alessandro Campos e Denise Cardoso, e tem por objetivo difundir, fomentar e premiar produções audiovisuais que apresentem qualidade técnica reconhecida na área, além de promover o diálogo entre produtores, cineastas, pesquisadores e público em geral. São exibidas produções nacionais e internacionais de filmes que abordem questões socioculturais contemporâneas sobre pessoas, grupos sociais, processos históricos de temas de interesse antropológico e afins. Alessandro Campos apresenta neste programa um recorte de produções audiovisuais feitas no estado do Pará.

METORO KWYRYKANGÔ (2021 | Brasil | Bepanàt Xikrin | Cinema Indígena | 8’ | Livre)

O filme mostra a beleza, cantos e danças Mebengôkrê do Metoro (festa cultural Xikrin) realizado na aldeia Krãnh, Terra Indígena Trincheira Bacajá, em Altamira, Pará. O documentário mostra, a partir de imagens e entrevistas, o preparatório da festa e sua realização na comunidade, que contou com a presença de lideranças e anciões indígenas de diversas aldeias.

SANGUE BOM (2021 | Brasil | Joyce Cursino | Ficção-Documentário | 8’ | Livre)

A pobreza menstrual atinge 26% das meninas entre 15 e 17 anos, que não têm condições financeiras ou acesso a saneamento básico para garantir a gestão menstrual correta. Esse é o tema do curta "Sangue Bom", produzido pelo coletivo Negritar, que trouxe relatos sobre o assunto de uma maneira bem educacional, leve e sem estigmas.

PRINCESA DO MEU LUGAR (2020 | Brasil | Pablo Monteiro | Filme Etnográfico/documentário | 15’ | Livre)

O cruzamento da água doce com a água salgada atualiza antigos movimentos de migração e ocupação do norte do pais. Esse trânsito reafirma costumes e saberes que acompanham o migrante e se ampliam através de trocas no local de chegada. A festa grande para Caboclo Cearense e Divino Espírito Santo em Mosqueiro (PA) é obrigação feita por Maria de Lourdes (Codó/MA), onde caixas, tambores, matracas e maracás se reúnem na matança do Bumba Boi de seu encantado. Este é o espaço de festejo de Ana Guedes e a turma do Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu (MA), moradores dos bairros Terra Firme e Guamá, na capital paraense. “Princesa do meu lugar” oportuniza a potência do encontro de brincadeiras que navegam nas duas águas e desembocam em solo paraense.

A PANDEMIA E OS CONFLITOS NO TERRITÓRIO DE JAMBUAÇU (2021 | Brasil | San Marcelo e Cícero Pedrosa Neto | Documentário | 9’ | Livre)

O Território quilombola Jambuaçu compõe 16 comunidades no município de Moju, no nordeste do Pará. Cercado por grandes empreendimentos da mineração e do agronegócio, as comunidades tiveram que enfrentar o avanço da pandemia do novo coronavírus e dos impactos socioambientais, além de pressão territorial de suas propriedades causada pela presença de minerodutos subterrâneos, contra a contaminação de suas águas causadas pelo plantio extensivo de dendê e pelo reconhecimento da identidade cultural do seu povo.

O JIRAU DA HYDRO (2019 | Brasil | Felipe Pamplona | Documentário | 5’ | Livre)

No dia 17 de fevereiro fotos registraram vazamento de rejeitos da bacia de depósitos da mineradora Hydro Alunorte, a empresa e o Governo do estado negaram qualquer incidente. O Instituto Evandro Chagas divulgou um laudo confirmando a contaminação em diversas áreas de Barcarena. O cotidiano da população local foi diretamente afetado por mais um desastre ambiental.

OS ESPÍRITOS SÓ ENTENDEM O NOSSO IDIOMA (2021 | Brasil | Cileuza Jemjusi, Robert Tamuxi e Valdeilson Jolasi | Cinema Indígena | 5’ | Livre)

Apenas seis anciões da população Manoki na Amazônia brasileira ainda falam o idioma indígena, um risco iminente de perderem o meio pelo qual se comunicam com seus espíritos. Apesar desse ser um assunto difícil, os mais jovens decidem narrar em imagens e palavras a sua versão dessa longa história de relações com os não indígenas, falando sobre as suas dores, desafios e desejos. Apesar de todas dificuldades do contexto atual, a luta e a esperança ecoam em várias dimensões do curta-metragem, indicando que “a língua manoki viverá!”

AQUÉM MARGENS: JUVENTUDE E EXCLUSÃO SOCIAL EM ÁREAS DE MINERAÇÃO (2016 | Brasil | Alexandra Duarte | Documentário | 47’ | Livre)

Cotidiano, condições de vida, conflitos e sonhos de jovens moradores do Bairro Araguaia em Marabá, Pará, são tema do filme Aquém Margens: Juventude e Exclusão Social em Áreas de Mineração. Os jovens do bairro, originado de ocupação urbana e separado do restante da cidade pela Estrada de Ferro Carajás, ferrovia utilizada pela mineradora Vale para escoar os minérios explorados na região, são estigmatizados como moradores de um “lugar perigoso”. Eles e suas famílias vivem sem direitos e serviços públicos básicos, o que contrasta com a riqueza exportada continuamente pelo trilho que atravessa a ocupação e expõe a cidadania aquém margens do progresso.

A VACINA (2021 | Brasil | Benito Miquiles e Mauricio Torres | Cinema Indígena | 9’ | Livre)

Benito Miquiles e um grupo de guerreiros Sateré-Mawé participam de ritual em preparação para a ação de retomada de uma porção do território tradicionalmente ocupado. A área ficou fora da Terra Indígena Andirá-Marau, oficialmente demarcada em 1986, e tem sido invadida por grileiros e madeireiros.

UM TAMBOR PRA MATA (2021 | Brasil | Alessandro Campos | Filme Etnográfico/documentário | 34’ | Livre)

O Filme Etnográfico/documentário passeia pelo mundo profano e sagrado da Religião de Matriz Africana Tambor de Mina. Tenta mostrar de forma sensível e respeitosa todo o processo necessário para a utilização do instrumento musical mais importante nos rituais desta religião: o tambor. No filme, percorremos o caminho de seu nascimento desde o mundo físico, sua fabricação numa oficina a base de ferro, fogo, couro e plástico, até sua transformação em uma entidade viva que merece toda reverência, num ritual elaborado e sagrado de seu batizado.

20h10

ALTERNATIVO (2019 | Brasil | Antonio Pantoja, Henry Sena e Raul Tavares | Documentário | 6’ | Livre)

 Em um período onde a arte é uma forma de resistência, é importante valorizar quem se esforça para trazer o melhor da cultura alternativa. E assim nos perguntamos: Quais os Cinemas Alternativos em Belém? A obra é resultado de um trabalho de conclusão de Curso de Publicidade e Propaganda e campeã de sua categoria no Intercom, e busca valorizar a importância de  alguns dos maiores espaços culturais de Belém.

OS PROJECIONISTAS (2017 | Brasil | Kemuel Carvalheira, Lucas Alcântara e Eveline Almeida | Documentário | 45’ | Livre)

O documentário Os Projecionistas, traz os relatos de três profissionais atuantes no circuito exibidor de cinemas local, tanto comercial quanto alternativo, que falam sobre os vários aspectos inerentes a profissão de projecionista cinematográfico, o amor à sétima arte e reflexões sobre o futuro desta profissão e do próprio cinema.

NO JARDIM DO SEU CARDOSO (2020 | Brasil | Caio Cezar Soares e Hugo Caetano| Documentário | 50' | Livre)

Cláudio Cardoso de Andrade Costa, ou simplesmente Seu Cardoso, já foi de tudo nessa vida, e mesmo depois de morto, vivo continua, sendo memória naqueles que o amam e em seu gigantesco legado na literatura paraense. Esse documentário vem ativar essa memória na intenção de que mais pessoas a conheçam e dessa forma fortalecer a cena literária paraense. Como o próprio dizia “um mundo melhor é um mundo de leitores, a literatura liberta!”. O filme retrata sua vida e obra através de conversas com pessoas significativas em seu percurso, elucidando a representatividade de Seu Cardoso para a publicação de literatura e cordel paraenses.

QUARTA – DIA 13/07

14h

AÇAÍ COM JABÁ (2000 | Brasil | Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walério Duarte | Comédia | 14’ | Livre)

Comédia baseada no costume do amazônida de tomar açaí. O enredo é um inusitado duelo entre um paraense e um turista para ver quem consegue tomar mais açaí acompanhado de jabá. 

A ENCANTADA DO BREGA (2014 | Brasil | Leo Fonseca | Comédia | 14’ | Livre)

Conheça a historia de Stephanny, uma batedora de açaí que sonha em conhecer uma festa de aparelhagem, porém é sempre impedida por sua madrasta e duas meia irmãs, que a obrigam a adulterar açaí e enganar a vizinhança, até que acontecimentos mágicos mudam o rumo da sua historia, enchendo a sua vida de muito brilho música e magia. Encantada do Brega te leva para uma imersão nas cores e sons da periferia de Belém. Esse curta metragem é tão ritmado quanto as batidas das aparelhagens de som. Sendo um recorte da cena cultural paraense atual, é o primeiro musical de tecnomelody da história! Então, te segura porque a festa vai começar.

IARA NA TERRA DO TECNOBREGA (2013 | Brasil | Alexandra Castro | Drama | 6’ | Livre)

"Iara na terra do tecnobrega" é a urbanização da lenda da Iara, em que ela põe um cropped e sai à caça. 

PROMESSA EM AZUL E BRANCO (2013 | Brasil | Zienhe Catro | Drama | 17’ | Livre)

Eneida, uma menina de 8 anos, que teme quebrar uma promessa de família, e toma para si a responsabilidade da felicidade de todos ao seu redor, mas para sua própria vida prefere o conforto e a segurança dos sonhos. Um tema singelo como Promessa em Azul e Branco arrisca-se a sair de seu mundo de sonhos para tentar alcançar a felicidade. Inspirado no conto de mesmo título da escritora e cronista paraense Eneida de Moraes.

A CANÇÃO DO AMOR PERFEITO (2018 | Brasil | Fernando Segtowick | Drama | 11’ | 14 anos)

Miguel (Leoci Medeiros) é um homem da cidade, Sophia (Rafaella Cândido), uma artista plástica que vive no interior. Juntos, eles enfrentam as dificuldades de viver um amor perfeito.

DORSO (2020 | Brasil | Roger Braga | Drama / Romance | 24’ | 16 anos)

Na festa de aniversário de seu namorado, Dorso começa a notar sinais de que está sendo traído.

MONTEIRO LOPES (2022 | Brasil | Bianca d’Aquino | Drama / Romance / Comédia | 28’ | Livre)

Mariana Lopes e Júlia Monteiro são descendentes de donos de padarias concorrentes. Enquanto Júlia foi criada com liberdade e espírito explorador, Mariana, por outro lado, teve uma criação rígida e um pai conservador que lhe cerceava a todo momento. Conforme a amizade e o posterior romance entre as duas avança, Mariana percebe sua dificuldade em lidar com sua sexualidade e decide ir embora de Belém. Anos mais tarde, Mariana reencontra Júlia e agora precisará lidar com os conflitos não resolvidos de sua juventude.

RIBEIRINHOS DO ASFALTO (2011 | Brasil | Jorane Castro | Drama | 26’ | Livre)

Deisy mora na ilha do Combu, em frente a Belém, do outro lado do rio. Ela sonha em morar na cidade, em meio às luzes que vê de sua casa na entrada da mata. Com a ajuda da mãe, vai tentar realizar seu desejo.

16h30

À ESPREITA (2022 | Brasil | Henry Sena | Suspense / Terror | 6’ | 14 anos)

Existem coisas que não devem ser vistas, e infelizmente, uma jovem stalker percebe que toda sua curiosidade, pode ter uma consequência, perdendo a noção do que é realidade e o que pode ser apenas sua paranoia, afinal, o que te vigia pode estar à sua espreita.

DAMASCENO NOVOS E USADOS (2018 | Brasil | Kemuel Carvalheira | Drama / Terror | 24’ | 14 anos)

Larissa, uma adolescente apaixonada pela arte de desenhar, vive uma conflituosa relação com Márcia, sua mãe. A tensão é acentuada quando estranhos fenômenos acontecem após a compra de uma geladeira na loja que dá titulo ao filme.

RAIMUNDO QUINTELA - O CAÇADOR DE VIRA PORCO (2018 | Brasil | Robson Fonseca | Drama / Suspense / Terror | 15’ | 14 anos)

Raimundo Quintela é o último caçador de vira porco do Pará. Ele foi treinado durante toda adolescência para esse ofício. Nairton é um motorista de táxi que tem um único cliente que é Raimundo, juntos os dois viajam pelo interior da Amazônia resolvendo casos que ninguém consegue solucionar.

O JAMBEIRO DO DIABO PELO CORAÇÃO DE JOÃO BATISTA (2012 | Brasil | Roger Elarrat | Drama / Terror | 22’ | 12 anos)

João Batista é um homem frio, lacônico. Ele não consegue nem dormir nem comer direito, e principalmente demonstrar seus sentimentos pela fotógrafa Juliana, a única pessoa que se interessou por alguém tão estranho e misterioso. Mas agora, João Batista acredita que perdeu sua alma em uma brincadeira de moleque na infância e por isso está morrendo. Assim, o casal parte em uma jornada ao interior do Pará, durante o carnaval de boi de máscaras. Independente se as crenças de João são reais ou não, para Juliana esta pode ser a única chance de reconciliação, enquanto que para ele a jornada será a última oportunidade de confronto com o Diabo que espera e espreita escondido entre as máscaras de carnaval.

MUSA PAGÃ (2019 | Brasil | Fillipe Rodrigues | Terror / Suspense | 13’ | 14 anos) 

Um fotojornalista de Belém registra cenas assassinatos diariamente. Ele vive com Doralice, em uma relação simbiótica onde tentam suprir suas necessidades emocionais, psicológicas e físicas.

18h

A ILHA (2013 | Brasil | Mateus Moura | Drama / Suspense | 60’ | 14 anos)

Nazareno é mais um homem que nasceu e trabalha no continente e, que, hoje, sobrevive na Ilha. A travessia faz parte de sua rotina. Sob ele, todos os dias, flui o Grande Rio, inundado de histórias mal-contadas. Sua esposa, Carline, é dona de casa, e a monotonia faz parte de sua rotina doméstica insulada, assim como um certo receio diante do desconhecido. Ambos sonham com a chegada de um filho, que distraia o tédio e gere um novo prazer pela vida. O sonho vira pesadelo quando o seu destino se cruza com a obrigação de Silene, nativa da ilha.

MATINTA (2011 | Brasil | Fernando Segtowick | Terror / Suspense | 20’ | Livre)

Quem é daqui dos matos tem que ter muito cuidado com o encantado. Quem quer ter paz na vida não se mete com matinta, mesmo na morte a bicha é perigosa. Se responder o chamado dela, não tem reza que dê jeito, tá com fardo de virar MATINTA.

19h30

PRÉ-ESTREIA: EXIBIÇÃO DE MÉDIA METRAGEM E BATE-PAPO COM A DIRETORA ZIENHE CASTRO E EQUIPE TÉCNICA DO FILME

PRAIANO (2022 | Brasil | Zienhe Castro e Cláudio Barros | Drama | 32’ | 12 anos)

O curta-metragem “Praiano” aborda, com toda a dubiedade, as fortes relações entre homens, muitas vezes amorosas e eróticas ? sublimadas ou não ?, que encontram no futebol seu núcleo de expressão social. Reflete também sobre a hipocrisia com que se lida com essa relação quando ela desperta choques de interesses entre família, sociedade e liberdade sexual.

(Holofote Virtual com informações da curadoria da mostra)

2.7.22

Edir Gaya lança álbum digital com show no Boiúna

Caiu hoje nas plataformas digitais da música, “Liamba Jazz & Samba", álbum de estreia de Edir Gaya, que o lança, neste sábado, 2, com um show, a partir das 22h, no Espaço Cultural Boiúna. Estará acompanhado por Renato Torres (direção, guitarra e vocais), Antonio Abenatar (sax), Jonatas Gouveia (contrabaixo) e Rodrigo Ferreira (teclados). A seguir, texto especial aqui no blog! 

Por Edson Coelho

Nem sempre um disco é a cara do autor e, nem sempre, o autor é a cara de uma cidade. “Liamba Jazz & Samba", é a cara de Edir Gaya e o Gaya é a cara de Belém. Por isso esse texto é tão pessoal e constituído com histórias.

Uma história que resume o disco foi em Algodoal, uns 16 anos atrás: na pousada de um francês, vários franceses como hóspedes, alguns músicos crias de conservatório. Chegamos, eu e o Gaya, com o violão, pedimos cerveja. O Gaya tocou “Liamba", que fizera sobre o poema do Bruno de Menezes. Um francês do conservatório comentou, encantado: “Eu jamais poderia fazer acordes desses". Quis dizer: tais acordes não se ensinam em conservatórios. E disse, principalmente: jamais me ocorreria ir por aí.

O Gaya veio das ruas. Matinha, Pedreira, Sacramenta, Guamá, Jurunas. Ruas de periferia: “Meu disco vem da estética das ruas inaugurada pelo Bruno de Menezes". 

Olha isso: Bruno é o introdutor do modernismo na Amazônia. Fez revista modernista antes do Drummond em Belo Horizonte. Entendeu a pintura de Anita Malfatti muito mais que Monteiro Lobato e a intelligentsia sudestina da época. Nessa esteira, veio Tó Teixeira, o cara do violão que dividiu com Bruno as bancadas da encadernação, os dois adolescentes. Aí chegou o David Miguel, compositor irreprimível. E depois de tudo passar por Vavá da Matinha, surgiu o Edir Gaya, que, parafraseando Caetano sobre a bossa nova, retomou a linha evolutiva da cultura periférica de Belém. Não apenas aqueles acordes, que o francês conservador não imaginava. Também pelas palavras.

Fotos: Raimundo Paccó
O Gaya ama romances longos. Tolstoi, Thomas Mann e, principalmente, Dostoiévski. Os contextos, os painéis. Os detalhes (como o quintal que tudo contém do Tolstoi). A sociologia e a história.

Os acordes estão nas melodias de primeira qualidade, variações do samba à balada, do samba de breque ao bolero e à individualidade que marca as melodias da MPB. Pelas mãos dos melhores músicos, com produção de Renato Torres. No show desse sábado, lançamento do álbum, o time já é uma goleada: Edir Gaya (voz e violão), Renato Torres (direção, guitarra e vocais), Antônio Abenatar (sax), Jonatas Gouveia (contrabaixo), João Paulo Pires (bateria) e Rodrigo Ferreira (teclados).

E as melhores palavras: a poesia, a História, a sociologia. Entre as 15 músicas de “Liamba...“, nove são com letras mestras de Raimundo Sodré, Cacá Farias, Edson Coelho, Ribba, Renato Torres e Walter Freytas. Há ainda “Manuela”, de Carmélio Gaya, pai de Edir, e o clássico “Desgosto", do patrimônio cultural Vavá da Matinha. As demais são do próprio Gaya.

Alguns versos já ilustram a excelência da poesia: “ela não vê que o bandido/nada lhe pode roubar/está preso num gemido, ai/não galopa à beira-mar” (“Portal", com Walter Freytas); “olhem como morro há muitas luas/nas terras dos meus pais, nas avenidas nuas/cruas de tanto silêncio, eu lembro/a gente não era assim tão arisco/desbravávamos pradarias, correndo todos os riscos/que a vida não negou” (“Calmaria", com Ribba); “chegávamos juntos/o caminho lá na frente/veio bicho, veio gente/só séculos depois/se inventaria o lixo atômico/o cérebro eletrônico/soro anti-tetânico/as fardas, os muros, as divisões” (“Povo daqui", com Cacá Farias).

Crônicas e narrativas das quebradas 

“Perifeérico", sobre poema de Renato Torres, se encaixa direitinho em Gaya e no disco: primeiro, o periférico feérico, a agitação, a inquietação; depois, os versos em si, como nessa mostra: “cravada na pele, feria/a maquinaria/da lira incontida/a destemida periferia do incriado". Tipo aqueles acordes “incriados” em Algodoal.

Sim, o disco é a cara da Belém das quebradas, basta ouvir: “a Rádio Marajoara anunciou/que na Pedreira tem batalha de confete/e já se ouve a bateria do Tombo/ensaiando no compasso do coração” (“Samba pra Julião", personagem clássica da Pedreira e seu famoso bloco Aguenta o Tombo, letra de Raimundo Sodré); “Na Pedreira a noite chega/Com o vento dando fagueiro/Serelepinho pelos corredores/E passagens escondidas...  Na Pedreira ao entardecer/As meninas passeiam/Pelos canteiros da Marquês” (“Pedreira jazz Pedra 90", também com Sodré).

É nas letras do próprio Gaya, jornalista de responsa, que “Liamba Jazz & samba” se torna diretamente a Belém das quebradas. Você sabia que Belém já teve um morro? “Derrubaram o morro da matinha/Recortaram as florestas que enfeitavam os quintais/Plantaram esquisitos edifícios no lugar/Deram outro nome para a Barra/Vão querer tirar na marra a Matinha de onde está” (vê-se que a planta do mato virou a planta dos prédios, em “Romance na Barra”). 

Sabia que a Matinha, hoje o bairro de Fátima (contra a vontade dos moradores originários), era um lugar barra-pesada? “Matinha/minha imperatriz do subúrbio/Subitamente invadida, tomada de assalto/Pavimentada de asfalto/De concreto e medo” (viu que, para os pobres que resistiram à “higienização” social, o asfalto é que virou medo, em “Restos”?). Também nesta letra, a citação ao ídolo Doistoievski (“Mocinhos bandidos/*Crimes & castigos*/Sangue aos vampiros/Da crônica policial”.

Entre personagens e lendas urbanas de Belém

O disco, definido por Gaya como “cartografia do afeto, geografia da memória”, reaviva personagens, ou mitos, da Matinha, como Deusu, estigmatizada como traficante e que ganha o status de “mercadora de sonhos”, “que eu compro/quando quero a certeza”. 

Outra personagem é Diamantina, sacerdotisa afro-brasileira (como Deusu, negra), além do próprio Vavá da Matinha, de quem Gaya regravou “Desgosto”. É com Vavá, aliás, que se vive mais uma história para pontuar esse texto: certa vez, eu, o Gaya, o cartunista JBosco, o jornalista Euclides Farias e o diagramador Luiz Waldemir Santos nos reunimos para entrevistar o Vavá na gloriosa Escola de Samba da Matinha, numa quarta-feira de Cinzas, e a entrevista acabou numa farra que varou em Castanhal, depois de milhares de cervejas (o Gaya não foi porque teve que escrever a matéria).

Essa Matinha da memória, que não consta da história “oficial” dos “vencedores” de Belém, ganha versos de uma beleza realmente improvável como em “Romance na Barra”: “Romântico é te namorar na Matinha, Lerinha,/Agora que não há mais crimes/E, se o medo adormece debaixo do asfalto,/O salto no escuro fica até mais seguro morro abaixo.../Não pense que eu te esqueci”.

O disco segue por bairros como a Pedreira, ao contar a “História verídica do malandro que se exilou na cidade da Vigia por motivos óbvios” (o óbvio é que o seu Mourão, delegado famoso, queria dar um fim ao malandro, “e eu nem sei se ele merece minha consideração”). 

Sim, o disco é cara do Gaya e merece outra citação, da jornalista Simone Romero, lembrando a risada estrondosa do cara na redação, “a risada dele já fazia parte do nosso dia a dia ali”, risada de Belém, risada de Tó Teixeira e David Miguel, riso que desestigmatiza como o humanismo com que Bruno de Menezes trata a “Liamba” no poema que Edir musicou e que deu nisso tudo: “Embriaga teu homem pobre/Quem teria ensinado que teu fumo faz dormir?/... Amoleces o corpo cansado do negro/... Na maloca/ Na senzala /Nos porões, nas usinas/... Porque quando ele te fuma/É com vontade de sonhar”.

Que tal outra história, pra selar? Certa vez, trabalhávamos na TV Cultura, o Johnny Alf participou do Sem Censura e, na saída do estúdio, lá estava o Gaya com o livro do Ruy Castro “Chega de saudade”. Não lembro se o Edir se ajoelhou, mas o Alf autografou com evidente prazer.

Serviço

“Liamba Jazz & Samba”, disco em todas as plataformas (distribuído pela Quae), show de lançamento na noite deste sábado, 2, no Boiuna – Trav. Pariquis, entre Padre Eutíquio e Apinajazz. A partir das 22h. O disco também está disponível em todas as plataformas digitais da música. 

30.6.22

Nu Escuro (GO) traz espetáculo e oficina da Belém

Cia Nu Escuro (GO)

O projeto “DENTRO E FUERA”, contemplado no edital do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás/2017, traz apresentações do espetáculo “O Cabra que Matou as Cabras”, na Praça Amazonas, dia 2, e no Casarão do Boneco,  dia 3, além da oficina, “Musicalidade no Teatro de Animação”.

Com 26 anos de trajetória e após dois anos desenvolvendo apenas ações virtuais em decorrência da pandemia, para a Cia de Teatro Nu Escuro voltar aos palcos, ruas, praças e festivais, é como uma reestreia do trabalho do grupo. A circulação, além de Belém (PA), passa por outras capitais brasileiras como Macapá (AP), Boa Vista (RR) e Maceió (AL), cidades em que a companhia ainda não se apresentou. Para o grupo, esta é a realização de um sonho, que ainda busca abrir uma ponte com a América Latina, pois haverá apresentação em duas cidades na Argentina.  

O projeto de circulação DENTRO E FUERA, idealizado pela Cia de Teatro NU Escuro, pretende se tornar um meio efetivo para consolidar o diálogo estético, através da troca de experiência e de técnicas cênicas entre os grupos teatrais das cidades da circulação e principalmente com a plateia presente. 

Além das apresentações, em cada cidade do roteiro, a Cia Nu Escuro irá ministrar uma oficina que pretende abordar o trabalho desenvolvido pela Cia no decorrer de seus 26 anos, a partir de uma abordagem teórica e prática das técnicas utilizadas nos espetáculos que compõem a circulação.

Com esse projeto, a Cia espera fortalecer as relações entre grupos teatrais das cidades visitadas, abrindo e ampliando caminhos para a realização de circulações, entre os grupos teatrais do estado de Goiás com os grupos e coletivos das localidades de circulação.  

SOBRE O ESPETÁCULO: O Cabra que Matou as Cabras

Bonecos e atores em cena! 

Um advogado vigarista, que sobrevive dando pequenos golpes em seus clientes, se vê envolvido em um caso de assassinatos de cabras e bodes. Uma trama cheia de traições, trapaças e reviravoltas, onde uma esposa maliciosa engana seu marido advogado que engana um comerciante ganancioso que engana seu empregado que engana um juiz que quer enganar todo mundo. 

O texto do espetáculo é uma livre adaptação da peça medieval francesa A Farsa do Advogado Pathelin, de autor desconhecido, mesclado com textos de cordéis nordestinos, esquetes de picadeiro, fábulas medievais, ditos populares e vários elementos da cultura popular brasileira. Produzindo, assim, um texto original, inquieto e ágil, contendo bastante versatilidade e surpresas.

A direção e dramaturgia é de Hélio Fróes. No elenco, os atores e atrizes Abilio Carrascal, Adriana Brito, Eliana Santos, Izabela Nascente e Lázaro Tuim. A direção musical é de Sérgio Pato e a preparação de Abílio Carrascal, coreografias de Lázaro Tuim, que também faz a direção de produção. A cenografia foi criada por Mara Nunes e Hélio Fróes, já os figurinos e bonecos são assinados por Izabela Nascente. Na produção local e comunicação, estão o Casarão do Boneco e o Holofote Virtual.

SOBRE A OFICINA

O teatro de formas animadas e a música

A oficina Musicalidade no teatro de animação'' será ministrada por Izabela Nascente, e é direcionada a pessoas interessadas em conhecer mais sobre teatro e o gênero teatro de animação ou ainda, em compreender a música como dramaturgia no teatro de animação. Interessados a partir de 13 anos podem se inscrever. A oficina tem 3 horas de duração e de vivência técnica sobre animação/manipulação de formas animadas. 

“Nosso objetivo é ver os aspectos da musicalidade no teatro de animação. Nela trataremos de assuntos como ritmo de fala, corpo e materialidade; música como dramaturgia,  pulsação, foco  bem como discutir  os  processos composicionais de uma cena com bonecos e objetos”, explica Izabela. 

Programação 

02/07 – 20h – Apresentação do espetáculo “ O Cabra que Matou as Cabras”

Local: Praça Amazonas (Av. 16 de Novembro, SN, Batista Campos)

03/07 – 17h– Apresentação do espetáculo “O Cabra que Matou as Cabras” - Com intérprete de LIBRAS.

Local: Casarão do Boneco (Av. 16 de Novembro,  815,Batista Campos)

04/07 – 16h

Oficina (com 4 horas): Musicalidade no Teatro de Animação

Local: Casarão do Boneco (Av. 16 de Novembro,  815,Batista Campos)

Inscrições: https://forms.gle/g35UF6GdBBJic9FXA


SOBRE O HOLOFOTE VIRTUAL

O blog foi criado em 2008 para divulgar a cena cultural e criativa em Belém. Atuamos de forma independente, auto-sustentável e vocês podem colaborar a manter o espaço ativo, com doações via pix. A chave é: lume.com@gmail.com (Conta Itaú - Luciana Medeiros). 

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28.6.22

Liamba Jazz e Samba: crônica musical perifeérica

Edir Gaya e a banda do show de lançamento
Foto: Raimundo Paccó
Edir Gaya lança o álbum “Liamba Jazz & Samba”, crônica musical da cidade a partir das quebradas, de histórias que agora respiram pela via da MPB que vira samba, samba que degusta o jazz, jazz que beberica o rock, tudo com a bênção de Johnny Alf e João Gilberto. Anote, será sábado, 2 de julho, no Espaço Cultural Boiúna, em Belém, a partir das 22h.

“Liamba Jazz & Samba” chega com a estatura de álbum da moderna música paraense e, ao mesmo tempo, “cartografia do afeto, geografia da memória”, nas palavras do autor. Quarenta anos de vida que vira música e poesia em quinze canções, que percorrem cinco bairros - Matinha, Pedreira, Sacramenta, Guamá e Jurunas -, seus personagens, ruas, becos, o cancioneiro, tradições religiosas, festas. Matinha, Pedreira e Sacramenta, bairros nos quais Edir Gaya viveu a infância e a juventude, sempre foram estigmatizados pelo preconceito, tidos como berços da malandragem barra-pesada. 

Não houve contestação quando a “higienização urbanística” transformou a Matinha em Fátima, com modernos prédios e carros do ano. Embora a Matinha subsista na memória e no cotidiano de sua população original mais pobre (que nunca aceitou a troca de nome) e também na “Trilogia da Matinha”, em que Gaya preserva o amor, as personagens, os “mitos’ daquela periferia. 

“Em Liamba Jazz & Samba, a Matinha é Senhora de Fátima, aquela que lança seus encantos sobre mim e sobre o mundo”, diz Gaya, ao explicar que a Trilogia da Matinha equivale à paixão, morte e ressurreição. “O morro ficava onde está o Santuário de Fátima. Sua derrubada é a paixão. A morte está em ‘Restos’, oração pagã de um imaginário garoto da gangue Demônios da Matinha (DM), geração aniquilada pela PM na década de 90. A ressurreição vem em “Romance na Barra”, música que marca o advento do amor”, explica. 

Ensaios para o dia 2 de julho
Foto: Raimundo Paccó

Redivivos no álbum personagens marcantes da Matinha: Deusuíte – Deusu ou Deusa -, estigmatizada pela crônica policial como traficante, mas que no álbum ganha status de “mercadora de sonhos”, e Diamantina, sacerdotisa afro (ambas negras), além de Osvaldo Oliveira – o Vavá da Matinha -, compositor célebre de quem Gaya gravou Desgosto”.

Outra trilogia é a da Pedreira, com personagens clássicos, como no “Samba pra Julião” (este era o principal organizador do bloco Aguenta o Tombo, que sacudiu a cidade na década de 80) e a história de um malandro que se asila na cidade da Vigia para escapar ao “Seu Mourão”, o implacável delegado terror dos jovens negros periféricos e estrela do programa de rádio “A Patrulha da Cidade”.

Sem fugir à história e à sociologia, Liamba Jazz & Samba traz as marcas do coletivo Hera da Terra, da Sacramenta, que Gaya integrou na década de 80 e que produzia música, poesia e artes plásticas como forma de resistência à ditadura militar, brigando pelo direito de morar, em apoio à comunidade de Emaús, pela libertação de presos políticos.

Um disco denso a partir das “margens”, portanto, que começa e desemboca em “Liamba”, poema de Bruno de Menezes (do Jurunas) do livro “Batuque”, que inaugurou o modernismo na Amazônia. “Agradeço aos filhos de Bruno (Irmã Marília, Lenora Brito e ao doutor Haroldo Menezes) pela liberação do poema, fundamental porque esse trabalho se fundamenta na estética das ruas inaugurada por Bruno”, destaca Gaya.

Parcerias - Nove canções do álbum são parcerias com os letristas Raimundo Sodré, Cacá Farias, Edson Coelho, Ribba, Renato Torres e Walter Freitas. A produção e direção musical é de Renato Torres, no Guamundo Home Studio, com grandes músicos de Belém. Além de músicas próprias, Edir Gaya faz homenagens a Osvaldo Oliveira, o Vavá da Matinha, com “Desgosto”, e a Carmélio Gaya, seu pai, com  “Manuela”.

Serviço

“Liamba Jazz & Samba” será lançado em 2 de julho, no Espaço Cultural Boiúna (Rua dos Pariquis, 1556), às 22h, com couvert artístico. No show de lançamento, Edir Gaya (voz e violão) será acompanhado por Renato Torres (direção, guitarra e vocais), Antonio Abenatar (sax), Jonatas Gouveia (contrabaixo), João Paulo Pires (bateria) e o Rodrigo Ferreira (teclado).

(Holofote Virtual, com texto enviado pela produção)