16.2.16

Shows apoiam percussionista Arythanan Figueiredo

Arythanan Figueiredo recebe solidariedade e carinho dos amigos, que em apoio ao artista fazem um show dia 18, a partir das 21h, no espaço Fiteiro, e ainda uma feijoada pra sambar muito no dia 28 de fevereiro, domingo, a partir do meio dia, no Templários. Veterano e companheiro de grandes jornadas musicais, ele recentemente passou por uma intervenção cirúrgica e vai ficar uns seis meses de ‘molho’, por recomendação médica. As iniciativas têm como objetivo ajudá-lo a obter um fundo financeiro ao tratamento, até que volte a ativa! E ele voltará, com toda a força de um tambor!  

Intitulado “Batuque da Alma”, a apresentação da próxima quinta-feira, 18, no espaço Fiteiro, conta com participação de vários músicos. Já estão confirmados Adilson Alcântara, Félix Robatto, Márcio Montoril, Mundo Mambo, Pedrinho Cavallero, Vitor Lima, Alcyr Guimarães e Maurício Nery, entre outros. No domingo, 28, vai ter banda Jorge Ben Cover, Pedrinho Cavallero, Pedrinho Callado, Cabinho Lacerda, Bilão e Convidados.

Além das duas apresentações, também está on line uma campanha de financiamento coletivo, pelo site Eu Patrocino (http://www.eupatrocino.com.br/arytana-e-a-base). O público ganha duas belas oportunidades para homenagear o percussionista e ainda pode contribuir com valores bem acessíveis, aderindo à campanha, podendo ganhar, entre outras recompensas, CD´s, livros e DVD´s de artistas paraenses, companheiros de trabalho de Arythanã, que gentilmente estão cedendo seus produtos ao projeto.

Depois de passar o final de 2015, de 24 a 31 de dezembro, com uma apendicite que supurou, e realizar uma cirurgia delicada, que levou 25 pontos por dentro e por fora, Arythanan espera que todas as iniciativas tragam este apoio financeiro que está sendo uma grande preocupação, já que seu ganha pão, a música está comprometido com seu estado de recuperação. 

“Não posso me queixar dos amigos colegas e da família. Só tenho que agradecer. É como dizia minha mãe Pura (falecida aos 88 anos ) ‘quem quer fazer por mim, que faça em vida, porque depois , não preciso de nada’. O pior já passou só não posso fazer esforço algum, por isso peço essa ajuda porque a recuperação vai durar meses, e só me recuperando direito é que aí sim vou poder trabalhar e fazer o que mais gosto na vida, que é musica e a arte da percussão”, diz o artista.

Pioneiro na arte e cultura da percussão

Em sua trajetória, Ary, como é carinhosamente chamado pelos amigos, já integrou grupos igualmente pioneiros na cena musical paraense como o Sol do Meio Dia, na década de 1970, Os Panteras, nos anos 1980, fundando em 1987, o Arraial do Pavulagem e banda Warillou, em 1990.

Pai de dois filhos, sendo que um deles também é músico como ele. Ytanaã Figueiredo, formado pela Fundação Carlos Gomes e UEPA, com Licenciatura em Música, tem especialidade em canto Lírico e é percussionista, que fez carreira tocando na banda La Pupuña e que hoje acompanha Félix Robatto. “No show de quinta-feira, ele vai cantar uma música minha chamada ‘Pera Eu’, gravada pelo Pavulagem na voz do Rui Baldez, em 1997, no primeiro CD do Arraial”, conta Arythanan.

Já o segundo filho, Oranyan Moraes é desportista. “Ele enveredou para o lado dos esportes, mas os dois na realidade vieram com o meu DNA, porque se eu não fosse artista, teria sido um desportista, que sempre foi algo presente na minha infância”, confessa.

Carreira de 45 anos

O artista tem 45 anos de carreira, formando outros músicos e com vasta pesquisa de ritmos amazônicos. “São pesquisas não só de ritmos Amazônicos, mas qualquer ritmo que venha contribuir pra minha vida como músico”, enfatiza. “Durante esses anos elas só têm me ajudado a entender que todos os ritmos são irmãos, apesar das diferenças de continentes. É como diz Eliakim Rufino, tudo índio tudo parente”, diz o músico.

Atualmente ele também trabalha para a realização de um projeto Lítero-Percussivo, que reúne poemas do livro Batuque, obra do poeta Bruno de Menezes. “Esse trabalho começou em 2008, era uma ideia antiga, pois eu sempre fui apaixonado pelos poemas do Bruno de Menezes, sempre gostei de desafios e esse é um deles, musicar poemas. Ainda falta muita coisa pra finalizar o trabalho, até porque não é algo comum, e tive e estou tendo algumas dificuldades, mas isso não vai me impedir de concluí-lo. Gostaria de registrar o apoio forte do Ná Figueiredo, Thiago Leite e de dos poetas e dos músicos que vão fazer deste CD, um marco na historia do PARÁ”, explica.

Filho do Marajó, nascido no dia 3 de março de 1958, Arytanan é um símbolo vivo da diversidade musical amazônica. Já gravou e tocou com a maioria dos artistas dessa região, como Ruy e Paulo André Barata, Nazaré Pereira, Waldemar Henrique, Guilherme Coutinho, Nilson Chaves, Luccinha Bastos, Marco Monteiro, Eloy Iglesias, Alfredo Reis, Sebastião Tapajós, Daniel Benitez, Adermo Matos, Guimarães de Barros, Altino Pimenta, Álvaro Ribeiro, Orlando Pereira, Grupo Anestesia Geral, Pinduca, Banda Nova, Fafá de Belém, Alípio Martins, Beto Barbosa, além de Cláudio Nucci, João do Vale, Márcia Ferreira, Orquestrar Sinfônica do Teatro da Paz. A lista é interminável. 

Teatro e arte de construir instrumentos

Ary trilhou ainda espetáculos de dança, com Vera Torres e Clara Pinto, e espetáculos de grupos marcantes da história do teatro em Belém, como o Cena Aberta e o Experiência, Clara Pinto. 

“As experiências são muitas e me ajudaram na formação desse aprendizado, como as manifestações populares. Cito, por exemplo, o cordão de pássaro, do boi, de peixe, grupos folclóricos, escolas de samba, grupo de dança, de teatro, terreiro de macumba. Do Arraial do Pavulagem fui um dos fundadores, junto com Ronaldo Silva, Júnior Soares e Rui Baldez, todos fizeram parte da minha vida”, conta Ary.  

Arythanan também é um mestre na confecção de instrumentos.  Foi um dos primeiros a construir instrumentos de percussão, até porque na época em que iniciou a carreira não havia muita facilidade em se adquirir um por bom instrumento por aqui. “Era década de 60. Quem constrói ou transforma tem que ter um olhar mais sensível e estar atento no que pode ser transformado, então hoje sou um transformador que constrói com alma de Luther. Vocês vão ter oportunidade de vê-los, em breve”, revela, finalizando a entrevista.

Serviço
Show Batuque da Alma, nesta quinta-feira, 18, a partir das 21h. No Fiteiro: Av. Visconde De Souza Franco, 555 (Av. Senador Lemos e Av. Jerônimo Pimentel), Ingressos ON LINE já à venda R$ 20,00. Mais informações: Telefone (s): 91 9819.08453. Feijoada no Templários, no dia 28 de fevereiro (domingo), a partir do meio dia - Rua Vinte e Oito de Setembro, 1155 - Reduto, Belém - PA, 66052-355
Telefone:(91) 3224-4070.

Um comentário:

Iva Rothe disse...

Oba, Luciana! Estaremos lá no dia 18, prestigiando os artistas que se apresentarão e comemorando juntos a vida e a saúde do Ary!
E no dia 3 de março, dia do aniversário dele, será a nossa vez de homenagea-lo, no Show Viva Ary, no Margarida Schivasappa,às 20h, entrada R$ 10,00 com meia entrada para estudantes.
Além de mim, Iva Rothe, e do Pará Caribe, temos presença confirmada de Renato Rosas, Rafael Lima, Zé Macedo e Nazaco Gomes. Aguardamos todos lá para fazer essa festa pro Arythanan. Viva Ary!!!!