14.3.17

O “Bar do Parque” pelas lentes de Bruno Pellerin

Ele mora no 12º andar de um prédio situado na Presidente Vargas. O fotógrafo francês que escolheu Belém para viver, tem uma vista privilegiada da Praça da República e seu entorno. Mangueiras centenárias, trânsito intenso, um vai e vem de pessoas, prédios históricos, e uma de suas paixões, o Bar do Parque, que ele transformou em livro e lança no próximo sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h.

Apaixonado por Belém, e morando aqui desde 2003, Bruno Pellerin ainda tem dificuldades com o português, o que não se torna necessariamente uma barreira uma vez que ele, em compensação, se comunica muito bem através da música que segue e da fotografia que produz.

É fácil encontrá-lo no circuito artístico, geralmente onde a linguagem é  a música. Conhece os músicos de referência da cidade e descobre novos trabalhos pelos quais também vai se apaixonando. Muitas das amizades que fez em Belém, resultaram em fotografias de artistas e que estão em grande parte neste livro.

Além de trabalhos jornalísticos, Bruno cria poéticas visuais. E o Bar do Parque foi para ele um achado que traduz muito de sua sensibilidade e paixão por Belém. O quiosque centenário situado na Praça da República, ao lado do Theatro da Paz, nosso monumento à Bélle Époque, foi construído no período em que o charme da sociedade paraense era se sentir francesa. Com o passar do tempo se tornou uma verdadeira instituição da boemia e mais tarde, já numa certa decadência foi perdendo seus assíduos visitantes, artistas e intelectuais, que se misturavam a outros personagens noturnos dos mais inusitados.

Quem muito frequentava, e se ainda estivesse vivo teria sido certamente fotografado por Bruno, era o poeta Ruy Barata. Muita gente fala até que aquela estátua dele deveria mesmo era estar no bar do parque e não no Parque da residência. Concordo. 

Assim como ele, diversos artistas fizeram do Bar do Parque seu local de criação. Quantas músicas e poemas foram produzidos ali. Bruno Pellerin me conta que foi isso que o despertou. "Os artistas não podem abandonar o Bar do Parque", comenta. 

"Percebi que era um lugar importante para eles criarem músicas, ideias, mas que aos poucos foram deixando de frequentar"  diz ele que passou então aos registrar músicos, jornalistas, poetas que sentavam ali, de dia, tarde ou noite, durante anos e o resultado vamos ver no livro, "um sonho a ser realizado', diz o fotógrafo, que custeou o projeto sozinho e ganhou agora apoio para seu lançamento.

De Paris para o mundo e finalmente Belém

Bruno com Nego Nelson, no Bar do Parque
De Paris, na França, o fotógrafo saiu pelo mundo a fotografar pessoas e registrar paisagens em seu caminho. As impressões de lugares por onde trabalha, vagueia ou passeia, ficam nele, que percorreu a África, Índia, Turquia, Irã, União Soviética. 

Foi assim que ele desembarcou por aqui e se apaixonou, pela cidade e por uma mulher. Ficou. De 2005 a 2008, dividiu-se entre Belém e Paris, até se fixar na capital paraense, onde abriu um estúdio em que utiliza o gênero delicado do Retrato como forma de referenciar, entre outras coisas, a produção artística do Pará.

Bruno Pellerin tem formação técnica como fotógrafo, em escola na França. Desenvolve essa atividade há mais de 30 anos. Especializou-se em fotografia de moda e de artistas.  É ganhador do prêmio 'News' de reportagem fotográfico em 1982 em Paris, entre os principais trabalhos realizados, nessa fase, destacam-se a cobertura da Semana de Moda de Paris e a cobertura fotográfica de diversos desfiles das coleções de grandes estilistas de renome internacional como Givenchy, Ted Lapidus, Chanel, Dior, Paco Rabanne, Jean-Paul Gaultier, Guerlain entre outros.

Já publicou trabalhos em dois dos principais editoriais de moda da Europa: as revistas Paris Match e Gala. Em contato constante com uma agência de Paris, realizou uma série de reportagens sobre a fauna paraense em diferentes ilhas da Amazônia, sobre o artesanato e músicas da região e também sobre o Círio de Nazaré.

Boemia de quiosque suspensa por tempo indeterminado

É oportuno este lançamento de Bruno Pellerin para questionarmos a enorme demora para se concluir as obras que deveriam estar sendo realizadas no Bar do Parque, fechado para isso desde julho de 2016. 

Seriam apenas três meses para o serviço, mas se você passar por lá não vai nem mais vê-lo. Está fechado entre tapumes e sem nenhum serviço sendo executado. Na primeira etapa, em dois meses, se mexeria na reforma do subsolo, onde ficam banheiros e cozinha, e na plataforma onde ficam os clientes. Na etapa seguinte, o quiosque receberia as obras, que fazem pate do restauro do Complexo da Praça da República, que aliás está também com vários tapumes ao redor de seus coretos e lagos. O estado é de abandono. O Bar do Parque faz falta. Muita falta.

Serviço
Lançamento do livro “Bar do Parque”, de Bruno Pellerin. Neste sábado, 18 de março, na Casa do Fauno, a partir das 18h. Além de autógrafos, a noite contará com música ao vivo, e exposição de fotos do fotógrafo francês que escolheu viver em Belém do Pará. A programação integra a Semana de Francofonia, e é uma parceria com a Aliança Francesa de Belém. Tv. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Mais informações: 91 98705.0609.

12.3.17

Arte e gastronomia francesa no circuito da cidade

Nos próximos dias, parte da programação cultural da cidade estará inspirada na França. É que de 16 e 28 de março, a Semana da Francofonia vai oferecer ao público, através de uma vasta programação, um contato mais próximo com o universo da língua e da cultura francesa, reunindo arte e gastronomia, música e lazer, realizados em diversos espaços da cidade. Os eventos contam com a presença de artistas franceses e locais, a fim de promover troca de experiências artísticas e culturais entre o Brasil e a França. 

A semana inicia com a abertura da mostra de filmes francófonos, no dia 16. Trazendo o tema “Política?”, terá exibições nos cinemas Olympia e SESC Boulevard. A curadoria dos filmes contou com Rurik Sallé, especialista em cinema, editor e diretor de publicação de Distorsion (livro e revista sobre cinema, música e literatura), ator e compositor, e apoio da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, CinéFrance e o Institut Français.

Seguindo a programação, no dia 18 de março, haverá o lançamento do livro de fotografias do fotógrafo francês Bruno Pellerin sobre o Bar do Parque de Belém, o quiosque mais francês do Norte do Brasil. Organizado com e na Casa do Fauno, o evento contará também com uma exposição de fotografia do próprio artista. 

Já no domingo do dia 19 de março, a ação da “Bike Tour Roteiros” levará os participantes através de um passeio cultural de bicicleta a conhecer galerias de artes e praças que em Belém trazem influência francesa A programação continua no dia 21 de março, no restaurante Santa Chicória, com o evento Gôut de France/Good France, promovido no mundo inteiro e envolvendo os maiores Chefs na realização de menus franceses originais. Serão propostos almoço e jantar pelo Chef Paulo Anijar, com um menu exclusivo e totalmente francês.

Pela primeira vez em Belém

No dia 26 de março, 19h, acontecerá um dos espetáculos mais esperados da programação – o grande Show da Francofonia – que celebra, com uma criação musical inédita, o melhor da música francesa em grande estilo no Theatro da Paz.

O repertório traz Serge Gainsbourg, Edith Piaf, Claude Nougaro, George Bizet, Jeanne Moreau, France Gall, assim como os grandes Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que serão reinterpretados em francês à luz do talento do trio de jazz e música do mundo, Steve Shehan Trio, que conta com Steve Shehan (multi- instrumentista, percussionista franco-americano), Christian Belhomme (pianista de jazz  francês) e Steeve Brudey (ator, cantor franco-guadalupeano).

A apresentação conta com participação de músicos paraenses como a cantora Alba Maria, o baixista Adelbert Carneiro, baterista Edvaldo Cavalcanti e convidados como Kleber Benigno, Carla Cabral, Salomão Habib e outros.

O encerramento da programação inédita na cidade acontecerá no dia 28 de março, com o atelier de vinhos e queijos franceses ministrado pela sommelière Ana Luna Lopes (Le Bistrot, Belém) e com a participação do Chef Boulanger Paulo Chaves (Líder, Belém) na sede da Aliança Francesa de Belém.

PROGRAMAÇÃO

CINEMA
MOSTRA DE FILMES FRANCÓFONOS
Com o tema "Política?". Filmes de alta qualidade legendados em português.
De 16 a 28/03 - Cine Olympia e Sesc Boulevard - Entrada franca.

FOTOGRAFIA
LANÇAMENTO DO LIVRO DO FOTÓGRAFO BRUNO PELLERIN “O BAR DO PARQUE
Exposição e venda de fotos do artista; venda dos livros e coquetel francês.
18/03 – 18h – Casa do Fauno (Rua Aristides Lobo 1061, Reduto) – Entrada franca.

ESPORTE
ROTEIRO BIKE TOUR “PRAÇAS E GALERIAS DE ARTE”
Roteiro de bike (6km) com visitas guiadas e mini aulas rápidas de francês básico.
19/03- Saída 8h da Aliança Francesa de Belém– Inscrições na AF Belém. R$30 (membro AF Belém) e R$40 (externo).

GASTRONOMIA
ALMOÇO E JANTAR GOÛT DE FRANCE
Celebração do melhor da gastronomia francesa.
21/03 – 12h E 20h – Santa Chicória – Inscrições na AF Belém e Restaurante Santa Chicória.
Almoço R$ 89,00 - Jantar R$ 198,00.

ARTE E CULTURA
PALCO ABERTO
Apresentações culturais e artísticas do Mês da Francofonia de alunos e professores da AF Belém.
24/03 – 17h30 - Salão Cultural da AF Belém – Entrada Franca.

MÚSICA
SHOW DA FRANCOFONIA – CONCERTO FRANCO-PARAENSE
Criação musical franco-paraense inédita: o melhor das músicas francesas. Com Steve Shehan Trio (França), Alba Maria e grandes nomes da música paraense.
26/03 – 19h – Teatro da Paz – Ingressos na AF Belém e no Teatro da Paz. R$ 20, 00 - inteira e R$ 10,00 - meia.

GASTRONOMIA
ATELIER DE VINHOS, QUEIJOS E PÃES COM ANA LUNA LOPES E PAULO CHAVES
Atelier de técnicas de degustação e harmonização com a sommelière Ana Luna Lopes e presença especial do Chef Boulanger Paulo Chaves.
28/03- 19h – Salão Cultural AF Belém – Inscrições na AF Belém. R$ 120,00 (membro AF Belém) e R$ 150,00 (externo).

"Máquinas Para Filosofar" sobre arte e fotografia

O “Máquinas para Filosofar”, projeto do Centro Cultural Sesc Boulevard - CCSBrecebe Afonso Medeiros e Maria Christina, para falar sobre fotografia e signos, a partir de suas trajetórias e experiências com a imagem.  Nesta próxima terça-feira, 14, às 19h, com entrada franca.

O bate papo "Fotografia - Histórias e Signos que atravessam o tempo" propõe possibilidades de mil desdobramentos, no âmbito da imagem.

“A ideia é essa mesma: deixar em aberto uma conversa sobre fotografia e imagem, suas histórias (no mais amplo sentido) e seus sentidos”, diz Afonso. “O título já nos convida a uma viagem às memórias, nossas ou não, mas que estão gravadas dentro de nós de alguma forma”, comenta Maria Christina.

Jornalista, fotógrafa e produtora cultural, com premiações em editais, Maria Christina realizando diversos projetos no âmbito das Artes Visuais, com ênfase na Fotografia.  Foi também avaliadora do Prêmio de Artes Visuais do Banco da Amazônia e Bolsa Marc Ferrez da Funarte/MinC.

Afonso Medeiros é Arteamador, Artehistoriador, Arteeducador, como se apresenta, e professor associado do Instituto de Ciências da Arte da UFPA. Vem publicando capítulos de livros e artigos, sobre artes visuais, semiótica, cultura japonesa (artes visuais, teatro, literatura), teorias da arte (filosofia, crítica e história) e arte/educação.

No livro “A Arte Em Seu Labirinto”, Afonso Medeiros aborda os principais aspectos da arte contemporânea no Estado do Pará, rompendo as fronteiras acadêmicas a fim de ampliar as discussões sobre arte. Propus aos dois um papo rápido sobre a dinâmica desta sexta-feira. A ideia é que cada um fale um pouco sobre suas experiências. 

Conversa ampliada com interação do público 

“Queremos preservar o lugar de fala de cada um, ou seja, de uma artista da fotografia e de um teórico da arte. Portanto, as experiências permearão as falas. Não há um roteiro rígido. A ideia é que seja uma conversa mesmo, com algumas provocações iniciais e o diálogo com o público dando o tom. Creio que será esse diálogo o fio condutor da conversa”, diz Afonso.

“Cada um traz seu repertório de lembranças, de afetos herdados ou construídos. Portanto o bate papo será sobre imagens a partir de (nossas, e outras) lembranças, sem esquecer que atravessaremos a arte, tanto na "feitura" concreta da imagem quanto na leitura teórica do signo”, complementa Maria Christina, que chama atenção da importância do público também interagir. “Gostaríamos que público interagisse plenamente, que trouxesse suas imagens pra compartilhar conosco”.

Além das experiências, os dois também percorrerão pelas afinidades que os unem em suas carreiras e os trazem afinal a este bate papo. Contem tudo, quais as delícias, tentei antecipar. “Afinidades tecidas há mais de 40 anos, com muitas delícias... Mas isso é também parte da conversa”, instiga Afonso. “São muitas afinidades nascidas de uma amizade construída e confirmada ao longo das nossas vidas. Mas como Afonso disse, faz parte do bate papo”, não deixou por menos, Cristina.

O que pude adiantar é que a fotógrafa este ano pretende escrever muitas cartas em 2017. “Retomei isso fim do ano e preciso ampliar essa correspondência, que é vital pra mim”, diz.  Já tive o prazer em já ter recebido uma carta de Maria Crhistina, que chegou causando uma sensação há muito não experimentada. “Estou em pré produção de alguns projetos que, por enquanto, são segredos”, conclui. 

Já Afonso quer focar em três coisas neste anos de 2017. “Desenvolver e concluir o pós-doutorado; terminar a escrita de um livro sobre arte e batalhar sua publicação; escrever e apresentar o memorial para professor titular da FAV”.

Acervo de câmeras do CCSB é referência

Exposição permanente de câmeras do CCSB
"Máquinas para filosofar", que intitula o bate papo, é o nome da exposição de câmeras permanente ao acervo do Centro Cultural Sesc Boulevard, desde sua inauguração, em 2010.  

O acervo, constituídos por mais de 100 câmeras artesanais, confeccionadas em madeira e ferro, ampliadores, réplicas da famosa "Mamute" e um Daguerreótipo. A coleção, além de ser considerada por colecionadores e pesquisadores como uma das mais representativas da América Latina, também inspira a programação na área de fotografia.

10.3.17

Coleção Ipsis traz obras de Elza Lima e Guy Veloso

A coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, iniciativa criada em 2013 para prestigiar a fotografia nacional, inicia o ano lançando dois nomes do notável cenário da fotografia paraense: Elza Lima e Guy Veloso. O lançamento nos dias 24 e 25, respectivamente, durante a realização do  7º Festival de Fotografia de Tiradentes, em Minas Gerais, tem direito a um bate papo com os fotógrafos e com Eder Chiodetto, responsável pela organização, pesquisa, organização e textos das publicações.

Criada em 2013 com o propósito de homenagear a produção nacional de Fotografia em livros de imbatível qualidade e preço acessível, a coleção Ipsis de Fotografia Brasileira apresenta a produção de fotógrafos referenciais que pesquisam a brasilidade em suas diversas manifestações. Araquém Alcântara, Nelson Kon, Cristiano Mascaro e Thomaz Farkas compõem os 4 primeiros volumes.

E agora os volumes 5 e 6, com Elza Lima e Guy Veloso. Ela, com um trabalho intenso permeado de inovações, ambos desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos, que evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas. E Guy, com seu trabalho, que nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

Premiados e reconhecidos dentro do cenário nacional da fotografia, nem Ela e nem Guy possuíam uma publicação inteiramente dedicada a suas obras. A fotografia entrou na vida de Elza antes mesmo que tivesse consciência dela quando, ainda criança, descobriu fascinada dentro de um armário uma foto que o bisavô havia trazido da Europa. 

Elza Lima  -Salinas, Pará, 1989
Ao retratar o interior da região amazônica ela relembra o rico imaginário vivenciado na infância ampliado com a leitura de clássicos, de obras sobre a Amazônia e de mitologia: “Acredito que um bom fotógrafo está sempre respaldado no imaginário. Meu trabalho é muito voltado para o sonho.”

Uma cultura imaterial existente, riquíssima, que emociona e transcende,assim Guy Veloso define as manifestações religiosas que fotografa há 30 anos, com especial destaque aos penitentes que cometem auto-flagelo, um dos destaques da 29a Bienal de Arte de São Paulo.

Trabalho dedicado, vivenciado, fruto de uma pesquisa aplicada, que abriu um diálogo tão intenso entre autor e objeto fotografado que findou numa rara e extraordinária situação:“virei meu próprio tema”, diz o fotógrafo.

© Guy Veloso - Tambor de Mina, Belém, Pará, 2011
Cuidadosamente selecionados por Eder Chiodetto, renomado curador da área de Fotografia e organizador da Coleção Ipsis, Elza e Guy são representantes de peso da fotografia contemporânea documental com trabalhos expressivos que abordam de forma distinta, singular, aspectos de nossa cultura. 

Eder define o trabalho de Elza como uma "poética fluída e especial, que cria a possibilidade de fabular por meio das composições labirínticas que intercalam diversos planos, fato que confere grande originalidade à obra da artista". 

Sobre a produção de Guy, o curador destaca a intensidade da imersão alcançada pelo fotógrafo com o tema de seu trabalho que ultrapassa a própria fotografia e remete ao transe, criando uma transcendência entre o autor e sua área de pesquisa. A ideia do "transe", aliás,  foi a chave que o curador propôs ao autor para selecionar obras de seu imenso acervo.

Através das escolhas de Eder Chiodetto, a Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira contribui para o enriquecimento da área lançando o primeiro livro dos autores que ainda não possuíam publicações dedicadas exclusivamente às suas obras.

Serviço
Lançamento da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, volumes 5 e 6 no 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, informações na fanpage do evento.

Cinebiografia de Elis Regina chega ao Cine Estação

A vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. O filme “Elis” será exibido a partir deste domingo, às 10h, 16h e 19h, no Cine Estação das Docas.

Por Augusto Pacheco

Protagonizado por uma inspirada Andréia Horta, o filme do estreante Hugo Prata traz algumas das mais relevantes passagens da carreira e vida pessoal da gaúcha, como a chegada ao Rio de Janeiro no dia do golpe de 1964; o primeiro contato com o boa praça Luiz Carlos Miéle e o charmoso Ronaldo Bôscoli (seu primeiro marido); o rápido sucesso e amadurecimento musical; o terror imposto pelos militares; a parceria amorosa e artística com o pianista César Camargo Mariano (que rendeu espetáculos históricos como “Falso Brilhante”, “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”); a maternidade e o fim da vida.

“Ela foi tragada pela própria labareda, com a voz das deusas do Olimpo, do fundo das águas, dos ventos... traduz muitas energias fora do corpo humano”.

É assim que Andréia Horta descreve a icônica cantora. Zé Carlos Machado, que vive Romeu (o pai  de Elis), ressalta que a música era a maneira que a cantora encontrava para se expressar politicamente: “Ela somatizava todos os conflitos, os paradoxos, as alegrias, as esperanças desse país através da sua voz, através da sua alma”. “Ela era um diamante”, completa o diretor Hugo Prata.

Em janeiro de 1982, a morte precoce de Elis Regina causou enorme comoção nacional. Mais que uma das maiores cantoras da música popular brasileira no auge da maturidade artística, Elis encarnava as esperanças de um país cansado de quase duas décadas de regime militar, sonhando com a volta do irmão do Henfil. 

Trinta e quatro anos depois, “Elis”, a cinebiografia da Pimentinha apresenta sua incrível trajetória às novas gerações e, claro, para que os milhões de fãs voltem no tempo e se deliciem descobrindo um pouco mais da sua história.

Trilha traz obras menos conhecidas

Na trilha sonora, espaço para grandes sucessos e fonogramas menos conhecidos, além de músicas de outros artistas como Nara Leão e Cartola. 

“Fascinação” é uma valsa de Maurice de Féraudy e Dante Marchetti. Mais de uma versão em português foi feita. Entretanto, a que ficou mais famosa, marcante na voz de Elis Regina, foi a de Armando Louzada. “O Bêbado e a Equilibrista", composta por Aldir Blanc e João Bosco, foi uma das mais famosas interpretações de Elis, principalmente por ser uma canção com papel importante na época que prenuncia o fim da ditadura militar. 

"Madalena", de Ivan Lins, se tornou um clássico da MPB, graças a interpretação vibrante e alegre da cantora. Entre os clássicos: “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), “Velha Roupa Colorida” (Belchior), Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime) e Cabaré (João Bosco e Aldir Blanc).

O elenco conta com nomes fortes da dramaturgia nacional como Lucio Mauro Filho, Caco Ciocler, Zé Carlos Machado e Julio Andrade, que vivem respectivamente Miéle, Cesar Mariano, Romeu (o pai de Elis) e o dzi croquette Lennie Dale.

Na 44ª edição do tradicional Festival de Gramado, Andréia Horta levou o prêmio de Melhor Atriz e o longa conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular.

Elis, de Hugo Prata. 113 minutos. 14 anos.

Datas e horários:
12 (domingo): às 10h, 16h e 19h
19 (domingo): às 10h, 16h e 19h
26 (domingo): às 10h, 16h e 19h

Ingressos: R$ 12,00. Meia-entrada: R$ 6,00. Estudantes mediante apresentação de carteira expedida pela entidade estudantil. Gratuidade: pessoas acima de 60 anos. A bilheteria funcionará aos domingos de 9h às 19h. Realização: Organização Social Pará 2000, que administra a Estação das Docas.

8.3.17

Batuque de Vênus abre roda especial de carimbó

Uma roda de carimbó pra chamar as boas energias. Vem ouvir esse tambor, nesta quarta-feira, 8 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, com Renata Del Pinho no show "Batuque de Vênus", acompanhada por Renata Beckmann (Banjo), Duda Souzza (Percussão) e Dulce Cardoso (Percussão). Na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. A apresentação (22h) integra a abertura da exposição "Recortes de Territórios Poéticos" (19h), que reúne a obra das artistas Nina Matos, Elieni Tenório, Carla Beltrão, Bia Cabral e Lígia Árias. Na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa.

Para animar uma festa, nada melhor do que um bom batuque feito por mãos e voz femininas. É o que a cantora Renata Del Pinho nos propõe no show “Batuque de Vênus”. 

Renata Del Pinho avisa que vai cantar seus carimbós autorais, mesclando-os às obras de nossos grandes mestres Verequete, Lucindo, Dona Onete, Chico Braga entre outros. "Estamos preparando tudo com muito carinho, a fim de promover uma linda roda de carimbó para comemorar o nosso dia”, diz Renata, que será acompanhada por Renata Beckmann (Banjo), Duda Souzza (Percussão) e Dulce Cardoso (Percussão), instrumentistas que serão apresentadas a um novo público.

“Eu as conheci tocando na Orquestra Pau e Cordista e me apaixonei por elas”, comenta Renata Del Pinho, que também se apaixonou pelo ritmo desde criança, quando ia passar férias em Marudá e Algodoal, terra de Chico Braga, e Marapanim, de Mestre Lucindo. “Eu me metia sempre nas rodas de carimbo. Depois de uns anos comecei a compor”, complementa.

Renata Del Pinho vem ganhando cada vez mais reconhecimento na cena musical da cidade apostando na fusão de ritmos como jazz, blues e música brasileira, com elementos regionais. Além estar sempre no palco, este mês a agenda dela está repleta, ela também trabalha para o lançamento de seu primeiro álbum, intitulado “Som de Cafuzo”.

“No projeto desse meu primeiro CD, o Som de Cafuzo, o carimbó é um dos grandes expoentes. Estamos ainda em fase de captação de recursos, mas já fechamos com o Selo Ná Music e neste primeiro semestre vamos gravar”, comemora.

Filha de violonista e cantora lírica, Renata Rodrigues de Pinho traz na genética o talento musical. As aulas de balé clássico, ainda na infância, estimularam o curso de Canto Lírico no Conservatório Carlos Gomes na adolescência e vieram as apresentações em saraus e espetáculos eruditos. A partir de 2005, a cantora deixou sua veia no popular e iniciou apresentações em espaços culturais da cidade, apresentando um repertório construído também por suas influências do Samba, Bossa, MPB, Black Music, Blues, Soul e Jazz.

Serviço
Show “Batuque de Vênus” (22h – entrada R$ 15,00) + Abertura da exposição “Recortes de Territórios Poéticos” (19h ÀS 22h – entrada franca). Nesta quarta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. A exposição ficará aberta até dia 8 de abril, com visitação de terça (10h às 19h) a sábado (10h à meia noite) e aos domingos, das 10h às 16h.

Exposição traz o feminino na arte de cinco artistas

“Recortes de Territórios Poéticos” reúne o trabalho de cinco artistas cujas trajetórias trazem como marca e inspiração a questão feminina e suas adjacências. Nina Matos, Elieni Tenório, Lígia Árias, Carla Beltrão e Bia Cabral serão as anfitriãs a nos conduzir pelo universo da arte, no dia internacional da mulher. A curadoria é de Nina Matos. Abertura às 19h. Na Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca.

A coletiva traz como principal característica, o ponto em comum nas cinco artistas participantes, a expressão do feminino em suas obras.

Nina Matos, que assina também a curadoria da mostra, utiliza basicamente o desenho e a pintura, com algumas incursões em construções digitais, as obras são forjadas como retratos e takes de cenas do cotidiano, apresentando decodificações de relações humanas. 

“Nesta coletiva, apresento obras referentes ao universo feminino ‘Exposed’ e ‘A Eterna Liu-chiang dos Postais Vermelhos”’, diz Nina. “Construo meu trabalho a partir de apropriações e ressignificações. Em boa parte delas, sou o auto-referente, acompanhado da ampliação da observação do outro, da forma como as pessoas se colocam em sociedade e cumprem seus papéis”, conclui Nina Matos.

A artista já realizou cinco individuais, participou de vários projetos coletivos, bem como, participação e premiações em Salões Nacionais. Em 2005, recebeu bolsa de estudo  do Ministério da Cultura da Espanha para cursar arte em Madri, em 2006 foi selecionada no Projeto Rumos Visuais do Itaú Cultural ,participando de um circuito de exposições nacionais.

Em 2014 integrou o Projeto Circuito das Artes- Triangulações de itinerância nacional.  Possui obras no acervo do Museu de Arte de Belém, Museu do Estado do Pará, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu Casa das Onze Janelas, Casa da Memória da Unama, Fundação Cultural de João Pessoa e Museu de Arte Brasil Estados Unidos.

Trabalhando atualmente na Curadoria, Pesquisa, elaboração e coordenação de Projetos Expositivos da Divisão de Curadoria, Pesquisa e Museografia do Museu de Arte de Belém, Nina Matos já coordenou a Galeria Municipal de Arte de Belém, dirigiu o Mabe e também o Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas. Integrou de 2011 a 2014 o Conselho Nacional de Incentivo à Cultura do Minc, na titularidade da cadeira de Artes Visuais.

SERES ELEMENTARES - BIA CABRAL

Bia Cabral traz à exposição trabalhos da série DEVAS, com diferentes tipos de seres não-humanos intimamente ligadas e integradas à natureza. Bia Cabral propõe uma perspectiva humana sobre as Devas, seres invisíveis a olho nu. 

Elas fazem parte do imaginário da artista, onde neste lugar em seu subconsciente, existe um jardim/floresta secreta de uma exuberante beleza em todos os sentidos, fauna e flora, onde é habitado por estas entidades elementais que trabalham com a energia de símbolos e arquétipos.

“Devas são seres encantados de luz, sabedoria, magia e conhecimento oculto, com poderes de cura, transmutação, transformação, mudança e renascimento, sendo as guardiãs e mantenedoras deste lugar”, explica a artista.

Paraense, natural de Belém, Bia vem atuando nas áreas de artes plásticas e hand made de objetos de arte. Trabalha principalmente com as técnicas de pintura em aquarela e acrílica, mas também passeia pelo óleo e técnica mista.

UNIVERSO FEMININO - ELIENI TENÓRIO

Eleini Tenório dá continuidade ao universo feminino sempre presente em sua produção. "Vou apresentar três obras em objetos de parede, da fase Fragmentos do Corpo. Elas consistem em Corselet estilizados em suporte de papelão e papel de parede importado”, diz a artista.

Elieni Tenório vem desenvolvendo atualmente, pesquisas na utilização de diversas técnicas e suportes visando ampliar sua visão plástica na representação do seu universo feminino. 

A obra da artista Elieni Tenório encontra-se publicada no Projeto Rios de Terras e Águas: Navegar É Preciso - livro educativo sobre arte e patrimônio cultural, Realização: Unama/Patrocinador Petrobras (2010).

Nascida em 1954, no Mazagão – AP, ela já realizou diversas individuais no Brasil e no exterior. Desse período, destacam-se as seguintes exposições: “Obsessão" - Galeria Belllevue-Saal, Wiesbaden, Alemanha 2008; Bienal Internacional de Arte Siart (La Paz – Bolívia 2009); 15° Bienal Internacional de Gravura de Sarcelles, França 2011, entre outras.

DESENHOS - LÍGIA ÁRIAS

Lígia Árias nos presenteia com desenhos em técnica mista, que colhem visões do mundo e das coisas, apresentando aqui, tipos humanos da Série Retratos. Lígia Árias é da Costa Rica, mas reside no Brasil desde o ano de 1978. 

Desenhista, Pintora, Aquarelista, Escultora, Restauradora e Curadora. Na Série Retratos, através de uma linguagem silenciosa e movimento contínuo, encontramos um lugar em que não existe excesso nem falta e sim técnica e poética perfeitamente integrada à espera de nossa contemplação. Com formação em Artes Plásticas , integra o Setor de Museografia do MABE desde a sua fundação.  

Já realizou individuais na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra; “Amazônia”, em 2004 e, na Galeria Municipal de Arte, “ Recortes da Amazônia”, em 2002 . Integrou três edições do Salão Arte Pará, e várias coletivas locais e Nacionais em cidades como Santo André, São Bernardo e Brasília.

TECIDOS E GRAVURAS - CARLA BELTRÃO

Carla Cabral vai apresentar na coletiva, trabalhos em tecido, gravura/tecido calcinado sobre tecido, onde variados processos são inseridos na pesquisa e na feitura das obras. 

Do Rio de Janeiro, ela já mora há muitos anos em Belém. Atuou como arte educadora na Fundação Papa João XXIII e foi instrutora de arte e oficio no Núcleo de Produção da Fundação Curro Velho, onde também foi instrutora de Arte e Oficio no Projeto de Extensão em Comunidades Urbanas, Rurais, Quilombolas e Indígenas.  

Carla Beltrão atua como gravadora, pintora e educadora, com mostra e premiações artísticas em salões, museus locais, nacionais e internacionais.  A artista desenvolve experiências pedagógicas em arte, Pesquisas de sustentabilidade no meio ambiente, atua como arte educadora em projetos sociais e comunitários. 

Serviço
Abertura da exposição “Recortes de Territórios Poéticos” (19h) e show “Batuque de Vênus” (22h). Nesta quarta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. A exposição ficará aberta até dia 8 de abril, com visitação de terça (10h às 19h) a sábado (10h à meia noite) e aos domingos, das 10h às 16h.

4.3.17

Paulo Nunes lança a 2a edição de livro de poemas

É a segunda edição de “Ou: Poemas não são Linguagens”, que sai revista e com poemas inéditos. O lançamento será realizado nesta terça-feira, 7, às 20h30, na Unama da Alcindo Cacela, dentro da programação do seminário de estudos Confluências, do programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama.

Paulo Nunes, leitor e sempre bem vindo colaborador no blog, é ligado ao programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama,  como professor e pesquisador, e onde estuda autores amazônicos e da negritude lusógrafa, daí a oportunidade de lançar ou relançar esta sua obra em tal ocasião.

A reedição de "Ou: Poemas não são linguagens" denuncia uma característica do autor, que costuma revisitar a própria obra, sempre com fins a aperfeiçoá-la e claro dar aquela dose de ineditismo trazendo textos da mesma temáticas, antes não publicados. A reedição de "Ou: Poemas não são lingiagens" teve revisão feita, meticulosamente. Assim alguns poemas foram retirados enquanto outros, inéditos, incluídos. 

“Afinal dez anos afastam a primeira edição da segunda, o que propicia uma maior maturidade quanto à enunciação de cada poema”, diz o texto de divulgação.

O livro é subdividido em 3 partes: “O homencídio”, “Quadrante” e “Artimanhas, um abecê”. São poemas que refletem a condição de vida contemporânea, a preocupação com a linguagem, a forte inclinação ao pendor memorialista, que atravessa, não raro, os poemas.

É uma obra independente. O formato é de bolso, com 103 páginas. A capa e edição são do próprio autor. A arte final, é de Elailson Gomes.  Sim, é uma obra independente. Traz prefácio de Gutemberg Guerra, professor doutor da UFPA, memorialista, cronista do jornal O Correio do Tocantins. O texto de orelha é assinado pela jornalista Linda Ribeiro, escritora e professora, ligada à Cultura Rede de Comuniação - Funtelpa. 

Serviço
Lançamento do livro "Ou: Poemas não são linguagens", de Paulo Nunes. No auditório D 200, Unama, av. Alcindo Cacela, 287, na terça-feira, 7 de março, às 20: 30 horas, após a mesa redonda “Enunciações literárias”. O valor é R$ 25,00 e tem venda promocional para a aquisição de dois  exemplares.

1.3.17

Cedric Myton no especial do Rototom Rádio Reggae

O jamaicano Cedric Myton, líder da The Congos, uma das lendas do reggae,  está de volta à Amazônia. Para registrar sua passagem por Belém, o Rototom Rádio Reggae - programa da Rádio Cultura do Pará - traz neste sábado, 4 de março, uma apresentação da banda no festival Rototom Sunsplash de 2016.  O programa vai ao ar às 18h e já será um esquenta para o show ao vivo, a partir das 20h, no Parque dos Igarapés, dentro do "reggae reunion", como parte de sua turnê nacional.

Por Fabrício Rocha

Durante o espetáculo Rototom Sunsplash, gravado na Espanha, em 2016, você confere Watty Burnett, Kenroy Fyffe & Ashanti Roy, ao lado de Cedric Myton tocando faixas de todos os disco da banda, incluindo o clássico álbum 'Heart of the Congos' do final da década de 70, que surgiu em parceria com  Lee "Scratch" Perry. Além de uma performance de palco impressionante para senhores do alto dos seus 70 anos fazendo harmonização vocal como se ainda estivem nos anos 60.
  
Cedric Myton nasceu na pequena Ilha da Jamaica. Aos dezesseis anos de idade gravou a primeira canção com o grupo The Tartans, "Dance All Night" onde chegou ao número um nas paradas da música Jamaicana. Em 1975 Cedric e Lincoln Thompson formaram o grupo Royal Rasses, com "Humanity" e o posterior single com o mesmo nome, ainda é relembrado como uma das mais consagradas canções da história da música jamaicana. Um ano depois formou um dos grupos Roots mais aclamados de todos os tempos - The Congos.

Tinham na formação original Cedric Myton, Watty Burnett Lindberg "Preps" Lewis e Roydel Johnson. Um ano depois, Roydell Johnson deixou o grupo. "Congo Ashanti", segundo disco do grupo, foi promovido extensivamente na Europa pela gravadora CBS (Francesa). 

The Congos e Toots & The Maytals apareceram juntos no filme "Image Of Àfrica". Nesse mesmo ano sairia o terceiro registo do grupo, alusivo ao filme. "Face The Music" saiu em 1981, um dos projeto mais sólidos do grupo depois de "Heart Of The Congos", bem harmonizado, bem tocado. É também um clássico. .

Ao longo da segunda metade da década de oitenta e ainda hoje, The Congos reside e atua regularmente nos Estados Unidos. "Natty Dread Rise Again" pela RAS Records, marcou o regresso do grupo depois de quinze anos afastados dos estúdios. Nesse mesmo ano a gravadora britânica, Blood & Fire, brindou os fãs do The Congos de todo o mundo, com o relançamento em dois CD's, de "Heart Of The Congos", acrescido dos bônus, "Row Fisherman Row" e "Congoman", versões 12’ single, cedidas pela Island Records e duas versões Dub.

Dois anos depois surgiu "Reggae Revival" para a VP Records, um projeto que marcou uma nova etapa na longa história da banda. Foram (re)lançados em compact disc pelo mesmo selo a maior parte do catálogo do grupo. 

Logo depois foi lançado o primeiro registro ao vivo com a A-Team band, e este ano "Lion Treasure", uma coletânea da longa jornada deste grupo musical jamaicano. Paralelamente, Cedric Myton trabalhou ao longo destes anos com os grupos English Beat, General Public e os conhecidos Fine Young Cannibals.

Serviço
Programa Rototom Rádio Reggae apresenta o show da banda The Congos no festival Rototom Sunsplash, gravado na Espanha, em 2016. Sábado, 04 de Março de 2017, Rádio Cultura do Pará - 93,7Mhz, 18h

Saiba mais:

https://www.youtube.com/watch?v=B0DO19D9ENM
The Congos "Youth Man"- Rototom Sunsplash 2012

https://www.youtube.com/watch?v=zymS2DtA9fg
Cedric Myton "Congo" at Garance Reggae Festival 2014

https://www.youtube.com/watch?v=YlD7FcuP6hQ
Kingston All Stars - Cedric talks about the 1st Tartans Recording Session

https://www.youtube.com/watch?v=T3BMkdizBgI
ROD ANTON & CEDRIC MYTON - COME TOGETHER (Official Music Video)

https://www.youtube.com/watch?v=kQRHBoq3Xp4
Novo Dia - Ponto de Equilíbrio part. The Congos

"731 são doze" duas vezes no Casarão Viramundo

O Dirigível Coletivo de Teatro e o Viramundo apresentam "731 são doze", neste sábado, 4, e domingo, 5, sempre às 19h. A performance passeia pela memoria de um casarão na Cidade Velha. Ingresso: R$ 20,00 com venda antecipada e on line para garantir a vaga: www.coletivodirigivel.com.

A performance traz a história do Casarão Viramundo, convidando o público a uma experiência-ritual, de revirar porão, sótão, sala de estar, quartos e quintal.

"Não se trata apenas da casa em si, mas principalmente dos cômodos e gavetas de cada um destes corpos, afinal, o nosso corpo-vida é o principal labirinto que percorremos desde o momento em que nascemos. Acontece que renascemos a todo momento. Os labirintos de si jamais serão os mesmos, há sempre um lugar em nós que desconhecemos e que, portanto, somos estrangeiros”, pontua Ana Marceliano, integrante do Dirigível.

Construída na antiga Casa Dirigível Espaço Cultural, que ficava na Rua Padre Prudêncio Nº 731, bairro da Campina, a performance trazia uma imersão dos integrantes do Dirigível na poesia de Fernando Pessoa e na história da casa até virar sua sede. 

O trabalho circulou o país e se transformou com os laços estabelecidos com outros grupos de teatro independente: Casa da Outra - Cia A Outra (Salvador/BA), Ponto dos Truões - Trupe dos Truões (Uberlândia/MG), Casa Vermelha - Teatro Em Trâmite (Florianópolis/SC) e Teatro Elétrico - Grupo Liquidificador (Brasília/DF).

Após essa circulação, em 2015, e três anos de funcionamento, sem subsídios públicos, a sede do Dirigível Coletivo de Teatro fechou por falta de políticas de incentivo à cultura. De acordo com o grupo, após voltar para Belém, ficou definido que a próxima apresentação do "731 são Doze" deveria ser retroalimentada com outra essência: a do encontro com outros coletivos artísticos.

Para isso seria necessário que houvesse parceria com outros artistas que mantêm espaços culturais em na cidade. Em 2016, alguns integrantes do Dirigível se aproximaram do Casarão Viramundo, residência artística cientifica que trabalha na intersecção entre arte, cultura e saúde por meio da educação popular e o teatro de rua.

Entre idas e voltas, encontros e trocas dos dois coletivos nasceu o desejo em realizar uma imersão nesse casarão da Cidade Velha, lugar de memórias, de muitas travessias, porto de partida e de desembarque para uma nova viagem.



Serviço
Performance “731 são Doze” nos dias 4 e 5 de março, às 19h. No Casarão Viramundo (Tv Capitão Pedro Albuquerque, 318 – entre Rodrigues dos Santos e Ângelo Custódio. Bairro: Cidade Velha). Ingresso: R$ 20 (valor único). A compra dos ingressos deve ser feita antecipadamente, pois as vagas são limitadas. Para isso, acesse o site: www.coletivodirigivel.com. Não é recomendado para menores de 18 anos.