13.11.12

Desafio vira realidade no palco do Theatro da Paz

Ensaio para a dança dos Sete Véus
“Salomé” estreia no dia 24 e terá mais duas récitas nos dias 26 e 28, no Theatro da Paz, às 20h. Em um ato, com música de Richard Strauss (1864-1949) e libreto de Hedwig Lachmann, baseado na peça de Oscar Wilde, a montagem é a mais complexa do XI Festival de Ópera do Theatro da Paz. 

Desde que a bilheteria do Theatro da Paz começou, no dia 8 de outubro, a venda de ingressos para as óperas do festival e para a apresentação da Amazônia Jazz Band tocando árias de óperas famosas com arranjos jazzísticos, a direção pôde constatar que "Salomé era a obra mais esprada da temporada 2012. Logo nos primeiros dias esgotaram-se os acentos para o primeiro dia. Hoje, restam alguns lugares no Paraíso, apenas para o último dia. 

E colocá-la de cima, não está sendo tarefa das mais fáceis. O desafio está em tudo e envolve cerca de 200 profissionais: 135 artistas – músicos, cantores, atores e bailarinas – e mais de 70 pessoas na retaguarda, de técnicos a funcionários administrativos do Theatro da Paz. A direção cênica é de Mauro Wrona, também diretor artístico do Festival junto com Gilberto Chaves, diretor geral do evento. 

No elenco, entre os principais personagens estão grandes nomes do canto lírico como Annemarie Kremer (Salomé), Rodrigo Esteves (João Batista), Paulo Queiroz (Herodes Antipa), Andreia Souza (Herodíade), Giovanni Tristacci (Narraboth) e Josy Santos (Pajem). Também entrarão em cena as bailarinas Letícia Lobo, Marcela Guimarães, Milene Abinader e Tárcila Mendes, coreografadas por Ana Unger. O figurino é de Elena Toscano, com assistência de Hélio Alvarez.

O cenário tem 9 m de altura e tem 4 toneladas de material
A influência da lua – A iluminação tem concepção do premiado Caetano Vilela e o cenário – que pesa 4 toneladas – foi criado por Duda Arruk e executado em Belém, sob o comando de Ribamar Diniz, da equipe do Theatro da Paz. 
 
Grandioso e complexo, o cenário começou a ser construído há mais de um mês, em um galpão de Belém. A montagem começou na manhã do dia 5 e agora está pronto para os ensaios mais completos que já  estão acontecendo esta semana, culminando com o ensaio geral na próxima. São 9 metros de altura e seu principal elemento é uma esfera metálica, que lembrará as quatro fases da lua com a ajuda de efeitos especiais de iluminação, e de onde, nas cenas finais, surgirão estrelas, transportando o público para outra dimensão. 

A esfera é também parte do Palácio de Herodes e um portal por onde todos os personagens passarão e que, dependendo do estado emocional que a cena pedir, também poderá lembrar um globo da morte. Na parte inferior, o cenário estará levemente suspenso, como se flutuasse sobre o veludo preto como qual o palco original estará forrado. 

Caetano Vilela, o cara da luz!
Luz - “Estou usando todo o equipamento de luz do teatro, além de trinta lâmpadas fluorescentes, algumas luzes menores para fazer o céu, e mais oito movies. O objetivo é que a luz, em contraste com o cenário, ressalte mais ainda o estado psicológico dos personagens, que nesta história são bem perturbados”, diz Caetano Vilela. 

O paulistano Caetano Vilela é hoje um dos mais talentosos iluminadores do país. Especializado em montagens líricas, já assinou setenta produções do gênero. Ele já esteve no festival de Belém em 2007, dirigindo La Cenerentola e iluminando Il Guarani. 

A cenógrafa Duda Arruk (foto acima) é a artista responsável pela criação do cenário de Salomé. Duda já atuou como cenógrafa assistente em várias óperas em São Paulo e foi cenógrafa e professora orientadora do Instituto Tomie Ohtake para o projeto Ópera Estúdio 2008, com a ópera Viva La Mamma. Em 2009, também assinou a cenografia de Lê Domino Noir, com direção de Mauro Wrona, com quem volta a trabalhar em Salomé.

“Já estamos há meses neste processo e nesse tempo já vim cinco ou seis vezes a Belém para acompanhar a construção, coordenada pelo Ribamar. Por coincidência o primeiro trabalho que fiz em cenografia, foi para a peça teatral Salomé. Portanto, eu já conhecia este universo. Mas o mais bacana é que, para a ópera, houve um processo colaborativo em que participaram o Vilela, o Wrona, o Gilberto Chaves e a figurinista Elena Toscano. Discutimos o conceito coletivamente. Isso é que é o Ideal”, diz Duda. 

Duda Arruk
“Não queremos retratar o palácio como ele era. Estamos nos inspirando no psicológico dos personagens. Tem a lua, da qual todos falam. 

É como se ela fosse um elemento que estivesse dizendo, olha vai acontecer alguma coisa aqui e acontece a tragédia. Então nossa postura foi que o cenário falasse disso também. Múltiplo, ele é ao mesmo tempo a lua e o palácio do Herodes. Através de passarelas elevadas os personagens penetram nesta esfera, que é também o globo da morte onde toda esta loucura vai acontecer”, explica Duda. 

“Foi uma concepção coletiva”, confirma o diretor Mauro Wrona. "Optamos por fazer um circulo que remete à lua, pois ao ler a ópera vimos que ela é citada várias vezes pelos personagens. É como se naquela noite houvesse uma conjunção astral determinante de toda a tragédia que se fará no palco. Há três mortes. Todos os personagens são obcecados por algo e parecem que não se ouvem. Achamos que a ópera traz uma história sob a égide da lua”, relata o diretor. 

Miguel Campos Neto
Orquestração  - Mas não será apenas o palco que terá um elenco grande e numeroso. Entre os 93 músicos que integrarão a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida por Miguel Campos Neto, estão instrumentistas convidados de outras orquestras brasileiras. 

Para que todos coubessem no espaço, o fosso do palco foi ampliado. Alguns instrumentos ficarão nas frisas.  A ópera, que se passa na Palestina por volta do ano 26/27 d.C., estreou em dezembro de 1905, no Teatro Hofoper, de Dresden. 

Richard Strauss (1864 – 1949) é considerado um dos mais destacados representantes da música clássica no período compreendido entre o final da Era Romântica e o início da Era Moderna.  Em Salomé, ele cria algo de extrema complexidade e de difícil execução, para refletir ao máximo clima emocional e de alienação proposto pela história e seus personagens. Por isso tudo, a parte musical também vem sendo desenvolvida com muito cuidado e atenção por Miguel Campos Neto e será outro desafio, senão o maior, já enfrentado pela OSTP. 

“Esta é sem dúvida a mais difícil das óperas já montadas aqui. Será com certeza um divisor de águas. Haverá o antes e o depois de Salomé”, diz Miguel Campos Neto, regente da OSTP. “Temos quase cem instrumentos. Além de alargar o fosso, vamos ter que colocar alguns instrumentos nas frisas”, diz ele, que já vem preparando a OSTP para Salomé desde maio desde ano. 

“Enquanto fazíamos nossas apresentações habituais, já estudávamos Salomé”, conta ele que também preparou a OSTP para tocar “Cavalleria Rusticana” regida pelo maestro Gian Luigi Zampieiri, assim como ensaiou a Orquestra Jovem Vale Música para tocar “João e Maria” sob a batuta de Jamil Maluf. 

Annemarie Kremmer, soprano holandesa será Salomé
 A ópera em um ato, com libreto de Hedwig Lachmann, é a tradução quase literal da peça que Oscar Wilde escreveu em francês entre 1891 e 1892, baseado em trechos do Novo Testamento, escritos por São Mateus (14:3-11) e São Marcos (6:21-28). 

Pouco se sabe da Salomé histórica, a não ser aquilo que os dois mencionam sobre ela, mesmo sem dar-lhe um nome, no episódio da morte de São João Batista.  A personagem bíblica ficou conhecida pela dança que teria executado na festa de aniversário de Herodes. O rei, seduzido por ela, pede que dance para ele e se ela assim o fizesse, poderia lhe pedir qualquer coisa. Ela dançou. E pediu em troca, a cabeça do profeta servida em uma bandeja de prata. A partir daí, Wilde entra em cena e constrói a adolescente bela, lasciva e perversa, que teria se despido em frente de Herodes durante a mitológica dança dos 7 véus.
 

2 comentários:

Tudo em alta disse...

Oi Luciana! gostei muito do seu blog e já estou participando se pode fazer uma visita ao meu ficarei muito feliz e se poder participar serei grata.
Beijos!


http://tudoemaltaa.blogspot.com.br/

Tudo em alta disse...

Oi Luciana gostei muito do seu blog e já estou participando se pode fazer uma visita ao meu blog ficarei muito feliz e se gosta e quiser participar sera um prazer ter vc como leitora!
Beijos.
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