17.10.09

Maria de Bonecões no Cortejo de abertura do Aldeia Sesc Círio

Neste sábado, 17, pela manhã, o In Bust Teatro com Bonecos fez os últimos ajustes à apresentação do Maria de Bonecões, ato cênico resultado de uma oficina, que aconteceu nas ultimas semans no Casrão do Boneco, como parte da programação do V Aldeia Sesc Círio. O evento abre na próxima segunda-feira, 19h, às 18h, com um cortejo, que terá saída do IAP – Instituto de Artes do Pará.

Reunindo cerca de 14 participantes, alguns vindos do interior, como é o caso de um grupo de atores de Igarapé Açu, a oficina durou duas semanas. Na primeira, o grupo já colocou a mão na massa.

A confecção de adereços e bonecos, ministrada pelo Aníbal Pacha, contou com os participantes convidados Ane Caroline, Gilberto Andrade, Eliton Melo, Sônia Lopes, Vitor Loureiro, Marcus Vinícios de Lima, Tiago Rocha, Ézia Neves, Beto Bastos, Luciano Lira, Michel Amorim, Cleice Maciel, Mariléa Aguiar e Rodrigo Braga.

“Este trabalho tem como proposta, experimentar e fazer uma revisão, daquilo que temos construído de bonecos”, disse Adriana Cruz, do In Bust, responsável pela condução da segunda semana da oficina.

“Tratei da manipulação e da encenação, também experimentando manipulação e contracena entre atores e bonecos, a partir daquilo que a gente vem fazendo nos últimos anos”, explica.

Em cena, além dos atores manipuladores, narradores e bonecos de Nossa Senhora de Nazaré, anjos e prédios que representam Belém e o percurso do Círio. Além do In Bust, participam do cortejo cênico, os mascarados e cabeçudos do Boi Faceiro, de São Caetano de Odivelas, além do grupo Entreatos.

A idéia da oficina e encenação partiu de um trecho do apocalipse de São João, que fala do encontro no céu entre a Maria de Nazaré, grávida, em vias de parir, com a Serpente de sete cabeças. Os bonecos serão vistos no alto, manipulados de baixo por varas compridas.

Com a coordenação e direção de produção de Michela Bezerra, diretora de artes cênicas do Sesc Belém, o Aldeia Sesc Círio – Mostra de Artes 2009, chega a sua quinta edição, com um projeto coletivo de artes cênicas, reunindo boa parte da produção teatral e de dança atual de Belém, além de convidados especiais que farão parte da última etapa do Projeto Palco Giratório 2009.

De acordo com a coordenação, a proposta do evento é promover a congregação do movimento de artes cênicas da Cidade, afirmando a conquista de espaços de pesquisa, experimentação e as práticas de teatro, música, literatura, dança e exposições.

A programação movimenta a Cidade com uma semana festiva para o público e os artistas, que construíram juntos, a poética de uma Cidade teatral. “A Aldeia é um conceito de territorialidade que conjuga espaço, desenvolvimento, comunidade e mercado de bens culturais”, define Michela.

A programação vai até dia 26. Acontece nos espaços do Teatro Cuíra, Teatro da UFPA recém inaugurado, Fundação Curro Velho, Centro Arquitetônico de Nazaré, de onde sairá o cortejo, além do IAP, Sesc Doca, Casarão do Boneco e Teatro Waldemar Henrique.

Ainda como parte da programação, o projeto recebe a última etapa do Palco Giratório, que traz do Rio de Janeiro, a Companhia PeQuod, com o espetáculo ´Filme Noir´ (foto), resultado de experimentações que aproximam as linguagens do teatro de bonecos e do cinema.

À exemplo do que ocorreu na primeira edição, o evento reúne espetáculos com caráter experimental, estréias, grupos e artistas consagrados que, com suas pesquisas e propostas estéticas construíram a ocupação artística destes espaços.

O evento também será oportunidade para ver alguns espetáculos que já saíram ou estão saindo de cartaz, em Belém, como Parésqui, do grupo Usina Contemporânea, Catolés e Caraminguás, do In Bust, “A morte do patarrão”, do Palhaços Trovadores e “Tão Bonito de Tão Feio”, da Companhia de Investigação Cênica.

Mais informações e a programação completa você pode conferir com o Sesc, pelo telefone 4005-9512 ou no site www.sesc-pa.com.br.

16.10.09

Boi de Máscaras Faceiro na abertura da Mostra Curta Pará Cine Brasil

Desde que fizeram parte das filmagens do longa "O Sol do Meio Dia", de Elianne Caffé, que os integrantes do Boi Faceiro, um dos bois de máscara tradicionais de São Caetano de Odivelas, ficaram anciosos para ver o resultado de seu trabalho na telona do cinema.

Pois as expectativas agora são para a abertura da 6ª Mostra Curta Pará Cine Brasil, que na quarta-feira, 21, terá participação deles, justamente porque será neste dia a exibição do filme.

Um dos grupos mais importantes da Associação Mestre Bené (http://mestrebene.blogspot.com/), que este ano foi uma das vencedoras do edital para Ponto de Cultura na região do Guamá, o "Boi Faceiro" é parte de uma das principais manifestações da cultura popular do Estado do Pará e única no Brasil.

Não à toa a produção e direção do filme se encantaram com eles. Os mascarados e cabeçudos trazem um colorido extraordinário para as ruas. Movidos a marchinhas de carnaval, sempre com muito bom humor, eles são conhecidos também como Boi de Orquestra.

Mas o Faceiro não sai apenas no período do carnaval. No mês de junho acontece o "Arrastão dos Bois", com vários blocos que saem às ruas do município. No início do ano eles deram o tom maior dos cortejos do Forum Social Munidal ocorrido em Belém.

Na próxima semana, haverá duas oportunidades de ve-los em Belém. Antes da abertura da Mostra, o Faceiro estará em Belém para o cortejo de abertura da Mostra Aldeia Sesc Cirio, que dará voltas, junto a outras manifestações cênicas, no quarteirão do Instituto de Arte do Pará (sai ali do lado da Basílica de Nazaré). Não percam porque é alegria e encantamento certos. É assim que o Faceiro provoca as pessoas que ficam ali, a espreitá-los, e as seduzem a entrar na brincadeira.

Em tempo - Para saber mais sobre a Mostra Curta Pará Cine Brasil, a Central de Produção criou um blog, com matérias sobre os filmes e debates da programação. Acessem: http://curtapara.wordpress.com/

Êxtase na abertura do Guajará Instrumental Festival

Antes mesmo do contrabaixista Ney Conceição anunciar que haveria naquele momento uma participação muitíssimo especial, o público já sabia e gritava seu nome na platéia. “Quero chamar aqui no palco, alguém que todos vocês já conhecem e admiram tanto quanto eu , meu amigo Sebastião Tapajós”, disse Conceição.

Ovacionado com aplausos intensos e merecidos , a que Tapajós retribuiu executando com Ney, “Lamento”, de Pixinguinha. Lindíssimo, de emocionar.

Na chegada, sempre ao lado do violão, respondia a quem pergutnava se ele ia tocar: “vou dar uma canjinha”. E que canjinha. Deixou todo mundo com gosto de quero mais, muito mais. Resultado é que hoje, quem for ao segundo e útimo dia, vai ter mais Sebastião Tapajós, fazendo uma apresentação inteirinha.

A noite começou com o trio de Tynnoko Costa e foi esquentando com a entrada de Delcley Machado Quarteto, que teve participação de Toninho Abenathar, o anfitrião da noite, ao lado da produtora Geuliana Rupf. A iniciativa dos dois, aliás, foi elogiadíssima e a tendência é que no ano que vem o festival cresça mais ainda, assim esperamos.

O encerramento da noite de quinta foi magistral, com de Ney Conceição e os músicos Célio Vulcão e Lúcio Vieira, que veio de Manaus, e com a participação de Paulinho Trompete.

Na platéia, muitos músicos e amigos que lembraram os tempos do extinto bar Café Imaginário, nos tempos memoráveis da rua Apinagés (chamávamos Apinajazz), quando até Yamandu Costa e Toninho Horta não resistiram a pizza de jambú e acabram dando canjas ao público sorridente e feliz na platéia.

Hoje, além de Tapajós, a programação do Guajará tem ainda Trio Manari, que concerteza vai embreagar percussivamente os aficcionados pela música instrumental; MG Calibre e mais Ney Conceição (na foto, em quarteto).

Os meninos do Manari, Marcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno (Paturí) já levaram a música percussiva da Amazônia para vários lugares do mundo, colocando em evidencia e em cada batuque, um pedaço da cultura amazônica, partindo de vasta pesquisa mergulhada no universo cultural do negro, do índio e do caboclo marajoara. O trio retira das crenças e lendas, o material sonoro que é fonte de inspiração para releitura de canções populares.

MG Calibre rouba a cena. Contrabaixista de primeira, mistura a música amazônica com a música do mundo. Em 2005 gravou o 1º CD solo, o Brazzonia, e participou no disco do Coletivo Rádio Cipó (Formigando na Calçada do Brasil), uma de suas parcerias mais constantes. Mistura eletro, carimbó, jazz, drum`n`bass, hip-hop e agrega valores vocais ao meio da música instrumental. Outra parceria maravilhosa de Calibre é com o Metaleiras da Amazônia, com o qual se apresentou no Rec Beat 2008 (Carnaval de Pernambuco).

Ney Conceição que dispensa maiores apresentações, mora no Rio de Janeiro desde 1996, onde atua entre os grandes instrumentista do país, como Airto Moreira, Arthur Lipner - com quem gravou em NY -, Carlos Malta e Cláudio Daeulsberg.

Lembrem-se, hoje, a partir das 21h30, no Gold Mar Hotel. Ingresso R$ 20 e R$ 10 (meia). Fica na Rua Prof. Nelson Ribeiro 132, próximo a Fundação Curro Velho, na orla da Baia do Guajará.
Mais informações: 8874-9709 / 8208-9045.

15.10.09

Música instrumental à beira da baía do Guajará

Quer coisa melhor do que isso, música da melhor qualidade à beira da nossa baía? Então saca só a programação do Guajará Instrumental Festival, que rola hoje, 15, e amanhã, 16, no trapiche Gold Mar Hotel.

Abrindo o evento, temos Delcley Machado Quarteto; Tynnôkko Costa e Grupo Timbres; Ney Conceição e Group, com participação de Paulinho Trompete e fechando a noite, o saxofonista Toninho Abenatar (foto), um dos idealizadores do projeto.

Amanhã, quebrando tudo, tem MG Calibre 6Tet; o som percussivo do Trio Manari; mais Ney Conceição e Group e participação de Paulinho Trompete. O anfitrião, Toninho Abenatar também encerra o segundo e último dia do festival.

Com influência dos ritmos indígenas, africanos e caribenhos, historicamente presentes na região, estes músicos apresentam características próprias de composição e execução e destacam-se no cenário local e nacional, ganhando, com esta mistura, projeção mundial, aclamada por público e crítica em festivais internacionais.

Além desses caras já citados acima, também compõem os grupos, os músicos Célio Vulcão, Lúcio Batera, Marcio Jardim, Nazaco Gomes, Kleber Benigno (Paturí), Adalbert Carneiro, Esdras Souza, Edgar Matos, Flávio Saraiva, Arthur Kunz, Elias Coutinho, Jozebias Ribeiro, Daniel Delatuche, Jacinto Kawhage, Babú Meirelles, Edvaldo Anaice Cavalcante, Costa, Mario Jorge, Harley Bichara, Thiago Drum.

Uma constelação de excelentes músicos que coroam a música instrumental paraense com suas produções. É música para ouvir e se elevar, com certeza!

Serviço Dias 15 e 16 de outubro (quinta/sexta-feira). No Gold Mar Hotel - Rua Prof. Nelson Ribeiro 132, próximo a Fundação Curro Velho, na orla da Baia do Guajará. A partir das 21h30. Informações: 8874-9709 / 8208-9045. Ingressos: R$15,00. Compra antecipada, por R$ 10,00, na loja Ná Figueredo e no próprio Gold Mar Hotel.

14.10.09

Na semana que vem abre a 6ª Mostra Curta Pará Cine Brasil

A coordenação da 6ª Mostra Curta Pará Cine Brasil acaba de soltar a programação do evento que inicia no dia 21 de outubro, quarta-feira da próxima semana.

Para variar, a grade de filmes está impecável e na abertura os paraesnes poderão finalmente ver o longa metragem de Elianne Café, rodado aqui no Pará. Com o nome de "O Sol do Meio Dia", o filme chega premiado pelo Festival do Rio, que acabou de acontecer. Chico Diaz e Luiz Carlos Vasconcelos levaram o prêmio de melhores atores (foto).

Criada em 2003, pela produtora cultural Márcia Macêdo, a mostra acontece este ano pela aprimeira vez, no Cinema Olympia, mas continua com o fiel patrocínio do Banco da Amazônia (por meio da Lei Rouanet), tendo ainda o apoio cultural do Hilton Hotel (via Lei Tó Teixeira), da Prefeitura de Belém e da Fumbel.

Serão cinco dias para assistir cinema de ótima procedência. É sempre bom lembrar que só entram na mostra competitiva os curtas que já levaram alguma premiação nacional ou internacional. Isso significa que só veremos aqui o filé do filé do que se produz por aí e foi possível encaixar na programação.

A competição é de curtas, mas a cada noite o público também verá um longa metragem. Dois deles são inéditos. Além de “O Sol do Meio-Dia”, estará na tela do cinema mais antigo do Brasil, em funcionamento, “KFZ-1348”, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso.

Haverá lançamentos de curtas paraenses como “O Rapto do Peixe Boi” (Cássio Tavernard), “Toque de Mestre” e “Bereiros”, estes ultimos resultantes de oficinas do projeto Caravana da Imagem, também uma realização da Central.

Mas bacana mesmo nestas mostras é a oportunidade de discutir cinema e audiovisual em geral com quem está fazendo e levando isso à sério no país. Por isso, haverá os bate papos e debates com realizadores e artistas.

Contaremos com a presença da produtora Van Fresnot e dos atores Chico Diaz e Luiz Carlos Vasconcelos (do longa “O Sol do Meio-Dia”), além dos cineastas Joaquim Haickel (do curta “Pelo Ouvido”) e Armando Praça (do curta “A Mulher Biônica”). Os debates acontecerão no Hilton Hotel, próximo ao Olympia, com entrada franca.

Serão ao todo, 15 curtas participantes da Mostra Competitiva. Mas este ano tem duas novidades: além dos votos do Júri Oficial, teremos o voto para a categoria Júri Popular. O vencedor receberá troféu e premiação no valor de R$ 1.000. E será cobrado ingresso, mas bem simbólico, de R$ 0,25 para custear as despesas do ECAD - Escritório Central de Arrecadação e Distribuição.

A 6ª edição vem confirmar que esta é a Mostra Cinematográfica mais duradoura já realizada na história do cinema no Estado do Pará. Isso é fato. Mas o que tem de melhor nisso é que além da regularidade no calendário, sempre em outubro, após a festa maior dos paraenses, há ainda a manutenção do critéiro pela qualidade.

Nós que amamos o cinema, mas que vivemos num certo isolamento para acompahar a produção nacional mais recente, agradece. Apesar das facilidades da internet, ver filmes assim, fresquinhos e premiados, num telão, é fantástico! Vamos à programação:

QUARTA-FEIRA - 21/10

19h30 - Abertura, com homenagem à crítica de cinema Luzia Miranda Álvares

19h45 - Mostra Competitiva de Curtas-Metragens:

* “A Mulher Biônica” (Ficção, 19’, cor, 35mm, CE, 2008). Direção e roteiro: Armando Praça

* “Reverso” (Ficção, 5’38”, cor, 35mm, MA, 2009). Direção, roteiro e produção executiva: Francisco Colombo

* “O Menino Japonês” (Ficção, 18’, cor, 35mm, SP, 2009). Direção e roteiro: Caetano Gotardo

20h30 - Longa-metragem “O Sol do Meio-Dia” (Ficção, 106’, cor, 35mm, PA, 2006). Direção: Eliane Caffé

QUINTA-FEIRA - 22/10

17h00 - Debate com os realizadores
- Joaquim Haickel (diretor do curta “Pelo Ouvido”)
- Van Fresnot, Chico Diaz e Luiz Carlos Vasconcelos, produtora e atores do longa “O Sol do Meio-Dia”. Local: Hilton Hotel. Entrada franca.

19h30 - Lançamento Paraense: “Toque de Mestre” (Doc, 15’, cor, digital, PA, 2009). Direção: Rodrigo Cardozo

19h45 - Mostra Competitiva de Curtas-Metragens

* “Pelo Ouvido” (Ficção, 18’, cor, 35mm, MA, 2008). Direção: Joaquim Haickel

* “Cães (Ficção, 15’, P/B, 35mm, BA, 2008). Direção: Adler Paz e Moacyr Gramacho

* “Blackout” (Ficção, 10’, cor, 35mm, SP, 2008). Direção: Daniel Rezende

* “Nós Somos um Poema” (Doc, 17’, cor, 35mm, RJ, 2009). Direção: Sergio Sbragia e Beth Formaggini

SEXTA-FEIRA - 23/10

19h30 - Lançamento Paraense: “O Rapto do Peixe Boi” (Animação, 15', cor, digital, PA, 2009). Direção: Cássio Tavernard

19h45 - Mostra Competitiva de Curtas-Metragens:

* “Superbarroco” (Ficção, 17’, cor, 35mm, PE, 2008). Direção: Renata Pinheiro

* “Minami em Close-up” (Doc, 18’, cor, 35mm, SP, 2008). Direção e roteiro: Thiago Mendonça

* “Homens” (Doc, 21’, cor, 35mm, ES, 2008). Direção: Lucia Caus e Bertrand Lira

* “Ana Beatriz” (Ficção, 9’13’’, cor, 35mm, DF, 2008). Direção e roteiro: Clarissa Cardoso

SÁBADO - 24/10

17h00 - Debate “Da ideia para o papel”
- Armando Praça (diretor e roteirista do curta “A Mulher Biônica”)
- Van Fresnot (produtora executiva curta “Minami em Close-up”). Local: Hilton Hotel. Entrada franca

19h30 - Lançamento Paraense: “Bereiros” (Doc, 15’, cor, digital, PA, 2009). Realizado pelos alunos das oficinas de direção, produção e roteiro do projeto Caravana da Imagem, no município de Salinópolis

19h45 - Mostra Competitiva de Curtas-Metragens:

* “Olhos de Ressaca” (Doc, 20’, cor, 35mm, RJ, 2009). Direção, roteiro e produção: Petra Costa

* “O Divino, De Repente” (Doc-Animação, 7’, cor, 35mm, SP, 2009). Direção e roteiro: Fábio Yamaji

* “Muro” (Ficção, 18’, cor&pb, 35mm, PE, 2008). Direção e roteiro: Tião

* “Teresa” (Ficção, 18’, cor, 35mm, SP, 2009). Direção e roteiro: Paula Szutan, Renata Terra Cunha

DOMINGO - 25/10

Premiação e Encerramento

Longa-metragem “KFZ-1348” (Doc, 81’, cor, 35mm, PE, 2008). Direção e roteiro: Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso

Seis espetáculos paraenses ganham Prêmio Myriam Muniz da Funarte

O ano de 2010 terá novos espetáculos e circulação de projetos paraenses na área cênica.

Saiu recentemente o resultado do prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e, entre os projetos vencedores está o “Catolé Circula”, da In Bust Teatro com Bonecos.

O espetáculo "Catolés e Caraminguás" foi montado com outro prêmio o Cláudio Barradas de Fomento às Artes Cênicas da Secult, este ano, e vai circular em 2010 por algumas cidades levando apresentações e realização de oficinas.

Também ganharam o prêmio os espetáculos “Severa Romana - A Martir popular", de Marília Lúcia Souza Moraes, de Ananindeua e “Por à Caos” , de Maurício Franco, “Sem dizer adeus”, do Grupo Cuíra do Pará, “Uno Diverso”, do Grupo de Teatro Palha e “Corpo Santo: São Jorge a Ogum”, da Companhia de Teatro Madalenas, todos estes de Belém.


13.10.09

Histórias encantadas de Walcyr Monteiro ganham inspiração na Grécia, Egito e Itália


Em viagem de quase um mês, o escritor retorna a Belém e prepara lançamento de livro de lendas japonesas
contadas na Amazônia

Eram quase 10 horas da manhã e eu ainda estava à caminho do encontro marcado para uma entrevista às 9h30 com o escritor Walcyr Monteiro. Já um pouco atrasada, há cerca de um mês, o encontrei na sala em meio às várias caixas já prontas para a mudança de endereço que aconteceria naquela semana, pouco antes dele viajar “à passeio”, me disse, para o exterior. Pois bem, ele partiu, mas está de volta a Belém, nesta quarta-feira, 14, depois de ter rodado a Grécia, o Egito, a Itália e São Paulo.

Na chegada, a agenda já tem marcada no dia 25, o lançamento de uma nova publicação. Não será em Belém, mas no município de Santa Bárbara, numa comunidade de descendentes japoneses. “Histórias Japonesas Contadas na Amazônia” reúne três historias “A Montanha do Abandono”, “A Solidão da Garça” e “A Catarata que virou Saquê”, além da filosofia samurai.

Era pra ter sido lançado durante a semana das comemorações dos 80 anos da imigração japonesa na Amazônia, mas acabou sendo adiado. Era exatamente aquela semana que ele se preparava para mudar de casa, viajar e ainda por cima, me recebia.

A conversa não seria sobre este novo livro, mas falamos à respeito. “Foi difícil de coletá-las. Os mais antigos japoneses, que sabem as histórias, não falam português. E os mais recentes não sabem contá-las”. Ele acaba falando mais de sua relação com o Japão. Tem livros editados por lá.

Japão - “O meu conto Presente de Natal foi editado em japonês, e também em inglês e espanhol. Então, certa vez uma senhora japonesa, uma editora de livros, que o havia lido, se interessou pelo meu trabalho e veio aqui em Belém. Mas ela não dava uma palavra em português. Resultado é que ela foi embora, levou trabalhos meus, mas ainda não sei o que vai sair disso”, conta.

Esta referida senhora, a editora, estava acompanhada por um produtor exportador da agroindústria paraense, Yroshi Okajima. E como coisa do destino, contando pra ele sua intenção de escrever sobre os contos japoneses, Walcyr teve uma grata surpresa.


“Ele disse que sabia algumas histórias, e deixou de lado seus interesses para vir aqui em casa. Ficou uma tarde inteira conversando comigo e me contou muitas coisas, das quais tirei o essencial para escrever as histórias”.

A obra traz desenhos coloridos, é bilíngüe (português e japonês) e possui uma arte que imita um pergaminho antigo. Seguimos neste assunto, mas nosso encontro naquela manhã, tinha outro fim.

Fonte - Walcyr Monteiro, com suas décadas escrevendo histórias sobre visagens, encantamentos e assombrações na Amazônia, seria uma das minhas fontes para escrever uma outra matéria que deveria falar dessas lendas urbanas, ocorridas dentro dos monumentos mais importantes da trajetória do Círio de Nazaré, no caso, o Colégio Gentil Bittencourt, a Basílica de Nazaré e a Igreja da Sé.

Falamos de histórias sobre túneis subterrâneos, que interligariam colégios religiosos e Basílica de Nazaré à Sé. E ainda sobre uma certa cobra, cuja cabeça estaria sob o altar da Sé e o rabo, que foi mudando de direção tal qual anda a procissão do Círio, e hoje se encontraria embaixo da Basílica. Onde está realmente o rabo ou a cabeça, talvez seja o que menos importa. O caso é que, se ela se remexer lá em baixo, a cidade toda desaba. Reza a lenda.

Pergunto como ele faz suas investigações. “Na memória de infância e outras coisas, produto de pesquisa. Meu objetivo é manter estas lendas vivas. As indígenas são em maioria, mas tivemos a mistura de histórias contadas por portugueses, africanos, sírios, espanhóis, hebraicos. E nunca houve pesquisa séria em cima disso, dessas lendas”, lamenta.


E sabe que muitas delas já se perderam porque não tiveram registro. “Com a chegada da televisão, as histórias deixaram de ser contadas. Há mais tempo ainda, houve uma endemonização dessas lendas indígenas por parte da igreja e elas foram ficando proibidas”, reflete e complementa. “O engraçado é que esta endemonização está em várias cidades da Amazônia e todas elas colocam a cobra em baixo de uma igreja”, sorri.

Novo volume - Falando nisso, diz que está preparando o segundo volume de “Visagens e Assombrações de Belém”. O primeiro volume, que está na quinta tiragem, da quinta edição, não sofreu muitas alterações ao longo do tempo.

“Mantive os dados históricos desde o início, mas na sexta edição que está por vir, terá algumas notas de roda pé, porque hoje há coisas que as pessoas não associam mais. Ninguém mais o associa ao atual canal da Doca de Souza Franco, que nem doca é mais, é o canal da Av. Visconde de Souza Franco”, comenta.

Continua falando e lembra que havia uma ponte de madeira neste Igarapé das Almas que ligava a rua Jerônimo Pimentel a rua Senador Manoel Barata. Pois é, quantas pessoas sabem disso? Que venham as notas.

As histórias que foram colhidas por ele, em 1972, ficaram dividias no 1º vol., as vinte e cinco histórias que abordam lendas mais antigas, e no 2º vol. estarão as mais modernas, como histórias de motéis.

“Na época mais remota do 1º vol. não tinha motel, mas sim pensões e puteiros. A figura do motel é bem mais recente e tenho duas pra contar neste novo volume”, anuncia. Fico curiosa pra ler, mas Walcyr também confessa que ainda não sabe quando poderá lançá-lo.

Memória - A obra de Walcyr mantém nossas memórias vivas. “Desde pequeno me interesso pelas histórias de encantamentos, assombrações, contados pelos mais velhos e entre os amigos. Havia o televizinho, mas as histórias não paravam de ser contadas. Infelizmente, hoje, os personagens dos mitos e lendas da Amazônia já deram lugar aos personagens de televisão e vão começar a se perder no tempo. Foi pensando assim que comecei a fazer a coleta de histórias”, dizia Walcyr, enquanto revirava algumas caixas da mudança.

Ele explica que não transcreve as histórias, que tem seu modo de narrar e é a pura verdade. “Ouço e registro as histórias, mas na hora de escrevê-las elas tornam-se um texto meu”, define.

Autoridade no assunto, não à toa ele é um dos pesquisadores entrevistados no episódio “A Moça do Táxi”, no filme “Lendas Amazônicas” (Moisés Magalhães/Ronaldo Passarinho) ou em jornais - é um prato cheio para os cartunistas), TVs e universitários que pesquisam estes assuntos. Sua obra também inspirou o primeiro curta de animação stop motion do Pará, o “Visagem”, de Roger Elarrat.

Para Walcyr, a Amazônia é uma região encantadora e encantada, sempre com muitas e infindáveis histórias para ouvir e contar. “Quando você penetra nestes mistérios, quanto mais fundo você vai, mais fundo você quer ir. Vou dizer uma coisa, em 37 anos que eu publico, quanto mais eu leio, ou conheço, ou viajo e entrevisto as pessoas, mais eu chego à conclusão de que eu não sei nada”, diz já no final da entrevista.

Agora imagino que seu retorno da Grécia, do Egito e da Itália esteja repleto de novas histórias para contar, estas de lugares mais distantes da Amazônia, ou não...


Ilustram esta matéria, cartuns de J. Bosco, João Bento e André Abreu. Por último, uma foto do curta Visagem.

12.10.09

Priscilla Brasil fala de sua trajetória e participa do Inovacine desta semana

Priscilla Brasil tem 31 anos, nasceu em Belém do Pará. É arquiteta e comunicóloga, com pós-graduação em marketing e negócios do audiovisual. Fez Comunicação e mestrado na Puc-Rio.

Atualmente à frente da empresa produtora de audiovisual Greenvision, que iniciou sua carreira em 2004, ela desponta na cena cinematográfica paraense como diretora de documentários.

Nesta nesta terça-feira, ela fala de suas experiências com audiovisual no debate da sessão do Inovacine, que exibirá "Serra Pelada - Esperança não é Sonho", prêmio do DOC TV de 2007, da jovem diretora.

A programação também traz "F For Fake", de Orson Welles e faz parte do projeto de cineclubismo da Fapespa - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará -, em parceria com a APJCC - Associação Paraense dos Jovens Críticos de Cinema - e Espaço Cultural Na Figueredo.


Priscilla Brasil traz na trajetória a produção de “As Filhas da Chiquita” (2006), “Serra Pelada” (2007), “Terra de Negro” (2008) e “Brega S/A” (como produtora executiva - 2009). Atualmente trabalha outro documentário, o “Notas sobre Waldemar”, que deve ficar pronto até o final deste ano.

“Não sei se isso pode ser considerado uma carreira tardia, pois demorei um tempo pra poder fazer o que eu faço. Fiz um monte de tentativas, mas agora acho que não tem mais mudança, não”, diz em meio a uma risada de quem sabe o que está dizendo.

Curto ou não, seu tempo de profissão já lhe redeu vários prêmios como o do Mix Brasil (SP) e o da Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, além de premiações em mostras menores. Mas o que dá mesmo orgulho em Priscilla é ver seus filmes selecionados e exibidos em festivais como o Festival do Rio, o Los Angeles Outfest, o London BFI LGFF e para o CINEPORT, além ter uma obra chegado a aquisições por canais nacionais. “Ainda não deu para ganhar um festival grande, mas vamos trabalhando. Quem sabe esse dia chega logo?”, conclui.

Acreditando nas novas tecnologias e suporte para a difusão do audiovisual no mundo inteiro, essa semana a produtora Greenvision está disponbilizando todo seu conteúdo já produzido no site www.greenvision.com.br. “A internet é uma ferramenta muito importante pra divulgação do audiovisual independente”, afirma a diretora.

Nesta entrevista, Priscilla Brasil fala sobre sua trajetória e adianta questões relevantes sobre a produção de Serra Pelada. Ela confessa que foi difícil fazer e que o contato com a realidade que encontrou ali lhe deixou muito afetada emocionalmente. Priscilla também fala de produção de cinema em Belém e do movimento cineclubista.

A Sessão do Inovacine acontecem sempre às segundas-feira, mas esta semana, por causa do feriado do dia 12, será realizada nesta terça-feira, 13, a partir das 18h. No Espaço Cultural Na Figueredo, que fica na Av. Gentil Bittencourt, 449, entre Dr. Moraes e Rui Barbosa. A entrada é franca.


ENTREVISTA

Durante a produção de Serra Pelada, esperança não é sonho você estava esperando um filho. Houve uma certa demora para finalizá-lo. Conta um pouco dessa história.
Priscilla Brasil: Foi duro demais pra uma mulher grávida. Eu me envolvo muito com as realidades que filmo e sofri muito pra fazer isso aí que está na tela. Ainda penso em um reencontro com essas pessoas, em uma passagem de cinco anos nessas vidas e também na minha, obtendo um novo final. Por isso, o final do que está montado é aberto, e ainda penso de algum jeito, que não é o final. Ainda quero encontrá-los. Minha relação com Serra Pelada não acabou. Não acabou mesmo, de jeito nenhum.

O que ficou de mais marcante?
Priscilla Brasil: A idéia da vida aprisionada por uma esperança foi muito forte. Chorei durante três horas seguidas no último dia. Eu amava aquelas pessoas, queria tirá-las dali, uma por uma. Queria mudar as histórias de vida, queria mudar o futuro. Mas ninguém pode fazer isso. De alguma forma, me senti muito mal, como se eu os estivesse abandonando, depois de terem confiado a mim todas as suas angústias. Mas eu só podia jogar isso pro mundo, eu não tinha mais nada pra fazer. Eu me senti impotente. Achei meu trabalho ridículo durante uns meses. Demorei uns meses pra voltar a gostar de fazer o que eu faço. É muito duro não poder fazer nada. A gente só pode gritar e esperar que alguém ouça. Mais nada.

Quais as impressões de Serra Pelada que não foram pra tela?
Priscilla Brasil: As que eram mais sobre o passado, sobre como era Serra Pelada. Escolhi não usá-las. São discursos que as pessoas aprenderam a fazer. Toda vez que chega alguém com câmera lá, eles dizem ‘ah, a gente trabalhava na cava, era duro, as escadas eram grandes...’. Tem um pouco disso no filme, mas muito pouco. Todo mundo já sabe dessas histórias de ficar rico e comprar avião. Eu queria o que está além disso, como a angústia do hoje. Eu queria saber o que eles querem e o que são, não o que queriam quando chegaram lá.

Mudando de assunto, cineclubismo: qual tua opinião sobre estes espaços?
Priscilla Brasil: Muito importantes. Muitos desses meus filmes já fizeram circuitos de cineclubes em outras cidades. Muito bom que isso esteja acontecendo em Belém. No fundo, eu acho ótimo. É um espaço de discussão de audiovisual, mais do que uma simples exibição de filme.

No caso da Greenvision, como rola a captação para os projetos independentes?
Priscilla Brasil: Na Greenvision, estamos juntos quando temos dinheiro ou quando não temos e apoiamos os projetos uns dos outros. Patrocínios vêm aos poucos, mas ainda não dá pra viver disso totalmente, mas está dando pra tocar a minha vida e desse "time" que estamos formando. Aprendemos a trabalhar com poucos recursos: a gente não vai deixar de fazer só porque ninguém quer patrocinar. Já foram dois filmes grandes sem um tostão. Me orgulho de pensar que por mais polêmico que o assunto seja, vamos conseguir fazer, mesmo que os patrocinadores não apareçam. Sinto-me mais livre, pensando assim.

Como a Greevision se situa neste mercado do audiovisual?
Priscilla Brasil: A Greenvision provisoriamente trata de documentários sobre a Amazônia e videoclipes de bandas independentes brasileiras. Um curta está previsto para o primeiro semestre do ano que vem (espero). As coisas estão indo bem, as pessoas tem progressivamente respeitado mais nosso trabalho tanto aqui quanto lá fora. Gosto de pensar que estamos calmamente evoluindo, sem precipitações e sabendo dos limites do que podemos propor, para que o trabalho fique decente apesar das limitações.

O teu primeiro doc “As Filhas da Chiquita” fez um grande sucesso, até internacional...
Priscilla Brasil: Público gay é um público de ouro pra qualquer cineasta (principalmente os iniciantes). Cara, eles levaram o filme pra todos os lugares que eu já pisei na vida. Toda a cidade que eu chego, o filme já passou. Eles piratearam tudo e eu achei lindo. Distribuíram o filme, ele caiu no mundo e eu sou só agradecimentos sinceros, por isso. Às vezes a gente não tem tempo pra tirar o filme da gaveta. È ótimo ver que ele sai da gaveta sozinho.

Alguma observação sobre a atual produção paraense?
Priscilla Brasil: Fico feliz de ver uma galera filmando: Fernando Segtowick, o pessoal do Edital da Secult. Será que Belém está acordando? De alguma forma, eu tô apostando muitas fichas nisso. Não quero sair daqui, não.

O que está faltando para que o Pará dispare no circuitão brasileiro de cinema?
Priscilla Brasil: Dinheiro... está faltando grana. Cinema é atividade de grana, não tem jeito. Tá faltando uns coletivos também, eu acho, mas já vejo eles se formando. As entidades de classe, tipo a ABD, que representam todos existem, mas eu acho muito saudável formar um grupo de pessoas que gosta tanto quanto tu de fazer isso e te apoiar nelas. Os grupos são muito importantes. Eles tornam as coisas viáveis.

Os festivais são bons espaços para mostrar novos filmes?
Priscilla Brasil: Festival é um mercado muito importante. Muito mesmo. Há uma audiência qualificada, que gosta de cinema e quer ver o filme e, principalmente, disponibilizou um tempo da vida dela pra sentar ali na frente daquela tela. O cara saiu de casa, tomou banho, enfrentou o trânsito e tá ali sentado. Ele quer entender, ele não vai zapear. Esse público é incrível, não tem outro igual.

Havia um projeto teu, um documentário sobre os prostíbulos ambulantes na Amazônia....
Priscilla Brasil: Ainda demora. Chama "As Visitadoras". Ainda vai ser feito, ainda vai ser feito (rs). Mas o projeto original não dava pra agora, então foi pro final da minha fila constante de quatro projetos mais o que eu trabalho no momento.

Cinema e novas tecnologia. Como um namora o outro?
Priscilla Brasil: Só filmo em digital. É algo meio doido. Eu estou tentando achar um workflow possível para a periferia do terceiro mundo (ai, que pretensão). Penso tanto nisso, em como podemos fazer mais e melhor com isso. Fico satisfeita com o visual dos filmes (pra mim é tudo filme, não venha me dizer que filme é só o que é feito em película). Na internet estamos em contato com gente do mundo todo que pensa essas estruturas pequenas de produção. Eu quero testar o que eu puder, me bater se tiver que me bater, mas achar soluções. Fazer a coisa mais barata e mais possível, todo dia. Século XXI, né, gente? Vamos nos conectar!


Oratórios feitos de lata e cores do Círio

Há dez anos trabalhando com arte, a artista traz à público uma leva de oratórios inspirados no Círio de Nazaré. São pequenos, feitos com latas de refrigerantes. Trazem cores vibrantes e, dentro, abrigam uma pequena imagem da padroeira dos paraenses.


Durante a semana que passou a artista plástica Vânia Braun esteve mostrando sua arte na Praça do Carmo. Mas a partir desta segunda, 12, quem quiser conferir sua produção, pode ir até o Mangal das Garças, que abrigará até o final da quadra Nazarena, uma pequena mostra de suas obras.

“Espero mostrar nesta exposição toda a sensibilidade deste momento. As idéias surgem da percepção particular do mundo em que vivo, do meio que me cerca e que traduzo através das formas e cores”, diz.

Braun já realizou a exposição “Narcisamente”, que inaugurou a Sala Walter Bandeira, no restaurante Spazio Verdi e também a mostra de artes em bancos de madeira, na Taberna São Jorge.

Atuando profissionalmente na área desde 1996, Vânia despertou para a arte muito antes, quando os amigos começaram a elogiar as peças que ela criava para ornamentar e decoravar a própria casa. “Daí surgiu a idéia de montar um ateliê”, explica.

Vejam os pequenos oratórios e outras obras incríveis, em madeira, vidros, gesso, ferro entre outros, no blog: www.blogdavaniabraun.blogspot.com

Serviço
Exposição de oratórios feitos com material reciclado, da artista plástica Vânia Braun. Até o final da quadra Nazarena, no Mangal das Garças, sempre a partir das 9h. Mais informações: 8169.4570.

7.10.09

Mestre Vieira num encontro com Herbert Vianna

Há pouco mais de uma semana, o encontro entre Mestre Vieira e Herbert Vianna emocionou o pequeno grupo de pessoas que esteve presente no estúdio da AMT – Academia de Música e Tecnologia, em Belém. Mestre Vieira me contou que tinha um sonho antigo em tocar e conversar com o guitarrista do Paralamas do Sucesso.

Lembro que estava em uma comunidade quilombola, meses atrás, acompanhando uma das apresentações do projeto Bonecos na Estrada – Em Caravana, do grupo In Bust – Teatro com Bonecos. A diretora do grupo, Adriana Cruz, que estava sentada ao meu lado lendo o caderno de cultura de um jornal local, quando vira pra mim e diz: “Olha que bacana, o Paralamas vem a Belém junto com Titãs”.

Quando ela falou isso, acendeu uma luz e só consegui pensar que esta poderia ser a chance de realizar um desejo de Mestre Vieira, manifestado ainda em 2008, quando nos encontramos diversas vezes para conversarmos sobre o projeto dos 50 anos de guitarrada. De volta a Belém, comecei a buscar os caminhos que me levariam a José Fortes, o empresário do grupo com quem conversei durante duas semanas. 

Foram vários e-mails e muitos telefonemas, até que conseguíssemos chagar a uma definição. Não havia muita resistência, pelo contrário. Fortes fazia questão de dizer que eles conheciam o trabalho do Mestre, mas tudo dependeria de como estávamos encaminhando as coisas por aqui, levando em consideração a situação física de Herbert Vianna.

Era preciso encontrar um lugar de fácil acesso a cadeiras de roda. Era a hora de chamar a produção! Ganhei apoio de produtores como Michele Maia, Taca Nunes, José Carlos Gondim e Wanderson Lobato para organizar o encontro.

Kim Azevedo, da AMT, cedeu o estúdio que os recebeu, e Givaldo Pastana, que no apoio, trouxe Mestre Vieira de Barcarena. O cinegrafista Marcelo Rodrigues, chegou ao estúdio para ajustar a fotografia da cena. Claro que eu não deixaria de fazer esse registro.

Também convidei o jornalista Ismael Machado para acompanhar tudo, uma vez que pouco antes desse feito se concretizar, ele mesmo tinha cantado a pedra em sua coluna Parabólica, no Caderno Por Aí, do Diário do Pará (Edição de 18 de setembro). Junto com ele, veio ainda o fotógrafo Thiago Araújo. Além de ser um grande parceiro, ele conhece o trabalho dos Paralamas e trajetória de Herbert, assim como a de Mestre Vieira e sua guitarrada. A reportagem foi publicada no jornal Diário do Pará, mas logo se multiplicou virtualmente em blogs e outras dezenas de sites na internet e eu também compartilho aqui pra vocês! 

Duas Guitarras, um Brasil: Herbert e Mestre Vieira


Por Ismael Machado

“Então toca um pouquinho para mim para mostrar um pouco desse som”. Essa foi uma espécie de senha para que o velhinho de 75 anos pegasse a guitarra e começasse a mostrar os sons que encantaram ingleses, alemães, italianos, escoceses, portugueses e paraenses. Mestre Vieira começou devagar, mostrando a levada que o consagrou como o 'inventor' da guitarrada.

À sua frente, Herbert Vianna, o guitarrista dos Paralamas do Sucesso, observa embevecido, fazendo a marcação com palmas. Não demora muito e Herbert também procura uma guitarra. Começa a dedilhar aos poucos, tentando acompanhar Vieira. Era o início de um histórico encontro de dois guitarristas aclamados em seus estilos e que tem em comum o amor incondicional pela música.

Herbert começa a tocar Alagados, a música que em 1986 abriu as portas do Brasil para os roqueiros brasileiros. Vieira sorri. Conhece a música e passa a acompanhá-la com solos peculiares. Herbert Vianna retribui o sorriso. Em pé, da porta do estúdio, o baixista dos Paralamas Bi Ribeiro acompanha o encontro.

Durante cerca de uma hora Herbert Vianna e Mestre Vieira trocaram informações, impressões e musicalidade. Brincaram com os instrumentos, mostraram novas e velhas músicas. Compartilharam solos.

A idéia partiu da jornalista Luciana Medeiros, que prepara um documentário sobre Vieira. “Foram duas semanas planejando esse encontro, mas está valendo muito”, diz ela.

O Diário teve acesso com exclusividade a esse encontro de dois mestres da guitarra. E testemunhou um pequeno show, com direito a músicas de Lulu Santos, RPM, Legião Urbana e, claro, Paralamas e Mestre Vieira.

Herbert mostra a Vieira uma música do disco novo. “Tem uma levada que é muito influenciada por esse estilo de guitarra”, diz. Depois toca “Como uma Onda”, de Lulu Santos. Vieira sola. Depois mostra a Herbert a clássica “Jamaicana”, uma das pedidas de seu repertório. Herbert faz a base da guitarra. “O importante é valorizar o solo de guitarra”, diz Vieira. E mostra “Maravilha”, outra música. Herbert pede para ele repeti-la. Cria um novo solo de guitarra na hora.

Foi um encontro repleto de emoção. Vieira chegou cedo, vindo de Barcarena. Almoçou em Belém e foi levado ao estúdio Academia de Música e Tecnologia. Conta histórias de quando começou a tocar, ainda menino. “Com 13 anos eu fazia a festa sozinho”, diz. Na Escócia foi coroado como o melhor guitarrista do mundo. “Já toquei choro, samba, tudo”, resume.

A produção do documentário organiza tudo para que a entrada de Herbert seja facilitada. Quinze metros de compensado são comprados para evitar que a cadeira sacoleje no corredor lateral da academia. Às 17 horas, Herbert chega. É recebido por Vieira. “Salve mestre”, cumprimenta. Vieira aperta a mão do colega músico e lhe deseja boas vindas. Entram no estúdio. Ali, acompanhados apenas por dois cinegrafistas, pela equipe do Diário, pela diretora do documentário e pelo técnico de som, iniciam um passeio musical inesquecível.

Antes Vieira conta um pouco de Barcarena, da travessia de barco. Fala de sua trajetória e de sua música. Herbert explica como gosta de tocar a guitarra. Vieira diz que não usa pedais de efeitos. “Minha guitarra é viva”, afirma. “Então toca um pouquinho”, responde Herbert.

A cada música um sorriso, um comentário. Um tenta seguir a idéia do outro. Um complementa a levada do outro. Ao redor, um silêncio completo, cercado por olhares de cumplicidade e emoção das testemunhas. Herbert toca Bundalelê, do disco Bora Bora, de 1987. Nessa música estão inseridos os elementos que mostram a influência que a música africana e caribenha tem sobre os Paralamas do Sucesso.

Vieira diz que tocou com Renato, querendo dizer Renato e Seus Blue Caps. Herbert entende como se fosse Renato Russo, o vocalista da Legião Urbana. E toca “Que País É Esse”, do repertório da banda brasiliense. É quando Vieira usa e abusa de um solo que impressiona profundamente Herbert Vianna. A música se estende num improviso único.

Ao final, o cumprimento respeitoso de dois músicos que durante uma hora mostraram o poder da música. “Se até as pedras se encontram, a gente também vai acabar se encontrando”, diz Vieira. Herbert confirma. “Foi um encontro para a historia”, resume Kim Azevedo, o dono do estúdio ao olhar para o computador onde as improvisações dos músicos ficaram gravadas. “Para mim foi uma maravilha”, diz Vieira. “É como fazem os músicos africanos. Deixa rolar e viajar nas ondas sonoras”, filosofa Herbert.

Algumas horas mais tarde o líder dos Paralamas estava num palco maior, ao lado dos companheiros e da banda Titãs. Mas o show que certamente ficou na memória dos que puderam presenciar, foi feito ali, num pequeno estúdio com apenas dois guitarristas e seus instrumentos.

Texto publicado no Diário do Pará, em 27 de setembro