22.4.11

Artistas se mobilizam para ajudar Silvia Lobo

A cantora Silvia Lobo
Desde o ano passado que os amigos de profissão vêm realizando shows com bilheterias voltadas ao tratamento de câncer a que a cantora vem se submetendo. Esta semana mais duas iniciativas que visam ajudar a cantora começaram a circular via e-mails e rede sociais. 

Uma é a petição pública, que pode ser assinada on line, e que traz um abaixo assinado solicitando o auxílio das autoridades. A outra, muito inventiva, parte da atriz Ester Sá, que resolveu rifar seu mais novo espetáculo para angariar recursos.

Querida no meio artístico, a intérprete, compositora e instrumentista Silvia Lobo nasceu em Soure, na ilha do Marajó, passando a infância e adolescência na Região Marajoara, quando no final da década de 1980 iniciou a carreira, na qual valoriza a cultura paraense, transitando entre o erudito o popular e sempre deixando transparecer sua veia latina.

Entre outras coisas, Silvia gravou um disco de músicas latinas com a banda “Incas” e foi vocalista da orquestra “Alma Latina”, com a qual participou de inúmeros projetos de música pelo estado. Ela também conquistou premiações em festivais de música em todo o Brasil e tem participação em diversos discos como nos CDs do SERVFEST (Festival de Música dos Servidores do Estado), de 2005 e 2006, com as músicas “Acalanto Submerso”, de Yvonete Cardoso e “Desenredos”, de sua autoria com arranjos de seu marido, o músico Mário Jorge. Para saber mais sobre Silvia Lobo, acesse o site do Mega Portal Belém Web. 

Mil Macacos - Há uma semana que Ester Sá vem divulgando em sua página no Facebook, a iniciativa de rifar a apresentação do espetáculo "Uma História com mil Macacos., em prol da campanha pela arrecadação de recursos ao tratamento de Silvia Lobo. O ganhador da rifa, que custa R$ 20,00, poderá levar para casa ou escolher o lugar onde quer que Ester Sá o apresente. O sorteio correrá pela loteria federal no dia 30 de abril. 

A participação vale para pessoas físicas, mas também para as empresas, teatros, livrarias e outros locais, que podem entrar no jogo, contribuir com a campanha e quem sabe promover em seu espaço “Uma História de Mil Macacos”. Adaptado do livro homônimo de Ruth Rocha, o espetáculo foi apresentado recentemente na brinquedoteca do Parque Zoobotânico Bosque Rodrigues Alves.

Engraçada, divertida e educativa, sem falar do talento de Ester Sá para o humor, a história conta como um cientista, que encomenda, via telegrama, alguns macacos para seus estudos, consegue provocar uma grande confusão por causa de um pequeno erro de redação. Com a narrativa feita de forma lúdica, a contação de Ester Sá para o texto de Ruth Rocha, desperta interesse das crianças e também dos adultos.

Como ajudar - Para participar da rifa, entre em contato com Ester Sá, pelo e-mail estersa.teatro@gmail.com. Para ajudar de outras formas, entre em contato com a família da cantora pelo telefone (91) 96110184. Há ainda uma conta corrente no Banpará que está recebendo depósitos. Anote: C/C: 0251127-4, AG: 027, em nome de Mario Jorge Alves Garcia.

21.4.11

In Bust leva seu teatro com bonecos a onze estados em circulação com o Amazônia das Artes

Aníbal Pacha é Eugênio (com a porta), o faz tudo da trupe
O In Bust Teatro com Bonecos parte neste sábado, 23, para mais uma circulação do espetáculo Catolé e Caraminguás, desta vez pelos nove estados da Amazônia Legal, incluindo ainda apresentações em mais dois estados brasileiros no nordeste e sudeste do país. 

A programação faz parte do projeto Amazônia das Artes do Sesc, que contemplou o grupo e também a Cia. Experimental de Dança Waldete Brito que circularão pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, e ainda Piauí e Rio de Janeiro.

A seleção dos grupos aconteceu em setembro de 2010 em Cuiabá, durante o 4º Encontro de Curadoria e Programação das propostas de Teatro, Música, Dança e Artes Plásticas, para 2011, com objetivo de promover um intercâmbio cultural entre as cidades a serem visitadas.

Em ensaio há mais de um mês, o In Bust Teatro com Bonecos fez várias mudanças no espetáculo, montado em 2009, pelo edital Prêmio de Teatro Cláudio Barradas da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

Patick Perfeito (Charles Wesley)
“Catolés e Caraminguás” é uma adaptação do texto de Martins Pena “Os Ciúmes de um Pedestre ou o Terrível Capitão do Mato”, adaptado por Adriana Cruz para a linguagem de teatro com bonecos.

Inspirado na Comedia Dell’A, Catolés e Caraminguás inclui a dramaturgia de ator, onde os atores, na primeira versão, interpretavam uma família mambembe, que praticavam o teatro popular  de bonecos pelas ruas e praças públicas.

Na versão atual a trupe continua, mas não se trata mais de uma família e sim de uma companhia de teatro. Os nomes das personagens mudaram e alguns atores do elenco também. Aníbal Pacha que era antes Saul, agora é Eugênio Expansivo, e Charles Wesley, que interpretava seu irmão Koshiro, agora é Patrick Perfeito. 

Continua no elenco Michel Amorim, que antes respondia por Zulu e agora se tornou Cacau, o dono da companhia, sócio de Valentina Valores, personagem de Adriana Cruz. Além dela, também está estreando neste elenco, a atriz Vandiléia Foro, que interpreta Rita Romântica.

“Propomos estas mudanças porque o processo de montagem do espetáculo exige a construção do personagem a partir do próprio ator, o que chamamos a grosso modo, de dramaturgia do ator. E como entraram novos atores com a saída de Cristina Costa e Marilea Aguiar, foi preciso alterar inclusive as relações, por isso propomos acabar com a família e se estabelecer o grupo de teatro”, explica Paulo Ricardo Nascimento, na direção do espetáculo.

 A história dos bonecos é a mesma, mas a trupe agora é formada por dois sócios, Cacau e Valentina Valores e os agregados Rita Romântica, que cuida da visualidade do espetáculo; Patrick Perfeito, ator famoso renomado, mas em decadência e Eugenio Expansivo, o faz tudo da companhia.

Ele pensa muito, percebe os detalhes, por isso acaba trazendo muitas idéias para o grupo, embora não seja reconhecido por isso, gerando algumas confusões e conflitos com Patrick Perfeito e Valentina.

Vandiléia Foro já tinha visto a montagem anterior e conta como sua personagem surgiu na trama de catolé e Caraminguás.

“A Rita surge a partir de um jogo com Adriana e Aníbal em cena, na qual ela recebe uma pílula e fica muito falante, zonza e perdida. Achamos que não tinha nada a ver o remédio em cena e retiramos, mas a personalidade ficou”, diz.

Este é o primeiro trabalho dela com o In Bust. A atriz ficou afastada de Belém alguns anos trabalhando com o Grupo Galpão de Belo Horizonte e teve oportunidade de experimentar vários tipos de teatro, do palco italiano ao teatro de rua e isso a fez buscar caminhos diferentes em sua carreira.

Valores (à esq.) com Rita Romântica (Vandiléia Foro)
“O trabalho de rua me trouxe um grande exercício corporal, que caiu super bem ao Catolé, que exige esta coisa mais expansiva na interpretação, esse jogo mais triangular um com o outro em cena, algo que te dá abertura, é dinâmico”.

De acordo com ela, todas estas experiências apontaram para um escolha. “De não estar apenas em um grupo, mas de colaborar para um coletivo e fazer circo, boneco, dança e outras coisas”, diz ela que no ano passado atuou em “Eutanázio e o Princípio do Mundo”, espetáculo da Companhia Usina Contemporânea de Teatro, uma versão cênica para histórias extraídas do romance “Chove nos Campos de Cachoeira”, o primeiro livro do escritor paraense.

Adriana Cruz dirigiu a primeira versão de Catolé e diz que agora, em cena, tudo muda. “A mudança é de 180 graus, alterou minha visão para criar algo novo, não só o espaço muda, mas a intenção para com o espetáculo, o movimento que era de olhar o todo, agora muda para minhas atitudes dentro de cena com estes atores”, reflete. “Valentina é uma mulher de visão, ela quer que a companhia progrida, e por isso não aceita excessos e nem marasmos, ela orienta o jogo”, complementa.

A atriz e diretora, que também é responsável pela adaptação do texto de Martins Pena para o teatro de bonecos, diz que rodar pelos estados da Amazônia Legal vem ao encontro de todos os objetivos do grupo.

Cacau (Michel Amorim) e Valentina Valores (Adriana Cruz)
 “É sempre uma aventura. Já fizemos o Palco Giratório uma vez e estivemos em vários estados brasileiros. Esta será nossa primeira vez no Amazônia das Artes e será uma ótima oportunidade para chegar nestas cidades, já que estamos discutindo o Custo Amazônico e como é fazer teatro dentro da nossa região”, finaliza.

Serviço - As primeiras apresentações vão acontecer entre os dias 24 e 27 de abril, em Manaus (AM) - no Teatro José Lindoso, às 18h, (Henrique Martins, 427 – Centro) e em Boa Vista (RR) – no Hall de Entrada da Escola do SESC Roraima. 

Em maio o grupo chegará em Teresina (PI), Santarém (PA) e Palmas (TO), entre os dias 18 e 24. Em junho a caravana segue para Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO), em agosto, para São Luís (MA), Macapá e Cuiabá (MT). As agendas de setembro e outubro ainda estão sendo fechadas. Mais informações: 91 8110.5245.

20.4.11

Rafael Nolleto apresenta o show “Delicadamente” e ministra curso durante o II CEMUFPA

Rafael Nolleto ( Foto: Irene Almeida/Divulgação)
Além de mostrar suas composições o artista vai ministrar um curso na programação científica do evento, onde abordará  a estética tropicalista e as discussões sobre gênero e sexualidade a partir da obra de Gal Costa. O evento acontece durante o II Congresso dos Estudantes de Música da UFPA, de 27 a 29 de abril.

Nolleto subirá ao palco para apresentar o show denominado “Delicadamente”, título de uma das composições de sua autoria que remete à sua constante busca pela descoberta das sutilezas do canto.

“Gosto dessa estética da delicadeza porque tenho a possibilidade de trabalhar as melodias através de várias nuances da voz. Tenho interesse em experimentar as diversas texturas e cores que a voz pode adquirir de acordo com as faculdades interpretativas que o cantor vai conquistando ao longo do tempo. Faço este tipo de experimentação em todos os meus shows, mas agora de uma forma mais tranqüila, mais consciente e mais lúdica para mim mesmo”, afirma o cantor.

A novidade deste espetáculo – que estreou no Sesc Boulevard em dezembro de 2010 – é que Rafael Nolleto ressurge no cenário musical revelando uma outra face de seu trabalho: a composição. O artista já compõe há um certo tempo e reúne um número considerável de obras (muitas das quais estarão presentes em seu primeiro álbum ainda a ser lançado), mas somente agora decidiu mostrar parte de suas composições e se desvencilhar um pouco da figura de intérprete que constituiu em Belém.

“Desde que comecei a estudar piano erudito em minha infância, tive idéias harmônicas. A composição foi uma conseqüência natural a partir da execução instrumental e do ato de cantar. Passei muito tempo trabalhando minhas canções, escrevendo arranjos para canto e piano assim como para outras formações camerísticas. Agora acho que já está na hora de mostrar ao público algumas das coisas que criei. Vou cantar 3 composições minhas e me despir um pouco da figura do intérprete para deixar aparecer o compositor ainda desconhecido”, diz o artista.

“Delicadamente” é um show que traz como concepção sonora uma atmosfera de simplicidade e sutileza, daí uma formação instrumental que conta com violão, baixo e percussão para dar evidência apenas aos aspectos essenciais das músicas que serão tocadas.

Rafael Nolleto ressalta que “É um show cru, sem artifícios, não é nada mais do que apenas uma exaltação à harmonia, ao ritmo e à melodia que são os elementos básicos da constituição da música, pelo menos num contexto relacionado à música popular. Chamei o Adelbert Carneiro, o Cizinho Pamplona e o Márcio Jardim porque sabia que era possível construir essa atmosfera crua através da contribuição deles”. Além dos referidos músicos, “Delicadamente” contará ainda com a participação especial do saxofonista Toninho Abenatar.

Curso - Além deste show, Rafael Nolleto ministrará um curso durante a programação científica do II CEMUFPA. Intitulado “Gal Costa e o Tropicalismo no feminino: reflexões sobre música, gênero e sexualidade”, o curso tem como principal objetivo discutir a estética musical do movimento tropicalista a partir da análise da obra da cantora Gal Costa. Rafael Nolleto é pesquisador na área da música formado pelo curso de Licenciatura Plena em Música (UEPA) e atualmente fazendo Mestrado em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA (PPGA/UFPA).

“Estou interessado em discutir sobre as interfaces da música com as temáticas de gênero e sexualidade. Esse curso sobre a Gal não é apenas para falar sobre a Tropicália como um movimento estético na música brasileira, mas é também para abordar as possíveis relações que o trabalho da Gal Costa estabeleceu com grupos homossexuais. Minha intenção é estabelecer um debate acerca dos entrecruzamentos do Tropicalismo com as discussões sobre gênero e sexualidade que estavam sendo tão evidenciadas a partir da década de 1960. É um curso voltado para estudantes de música, antropologia e ciências sociais”, ressalta.

Sobre novos projetos e a distância dos palcos, Rafael Nolleto fala que “depois de 10 anos cantando profissionalmente e me dedicando ao estudo da música, agora estou numa fase de pesquisador, me dedicando exclusivamente ao Mestrado em Antropologia, aos textos que tenho que ler e aos artigos que devo escrever. Tenho algumas faixas do meu disco gravadas, algumas idéias já planejadas, mas atualmente não estou propondo novos projeto, apenas atendendo aos convites que surgem. Quando estiver num momento mais tranqüilo, será a hora de voltar e lançar meu álbum mundo a fora”, conclui Nolleto.

Serviço
Show: Delicadamente. no dia 27, a partir das 19h, no Ateliê de Artes – UFPA. Entrada franca. O curso "Gal Costa e o Tropicalismo no Feminino: reflexões sobre música, gênero e sexualidade" será no dia 29, no mesmo local. Inscrições: http://cemufpa.blogspot.com/

18.4.11

Padre Giovanni Gallo recebe homenagens em Cachoeira do Arari

Giovanni Gallo
Os projetos Sentidos da Cultura e Quinta no Quintal realizam no Marajó, de 27 a 30 de abril, mais uma programação do “Quinta do Gallo”,  ação do  grupo de estudos CUMA (Culturas e Memórias Amazônicas), ligado à Pró-Reitoria de Extensão da Universidade do Estado do Pará.

A Quinta do Gallo já teve sua primeira edição em 2010 e retorna agora, em Cachoeira do Arari, para homenagear o padre Giovanni Gallo, que faria 76 anos no próximo dia 27. Durante a programação serão feitos tributos alusivos ao jesuíta visionário, que chegou ao Marajó nos anos 70 e desenvolveu pesquisas nos campos da arqueologia, antropologia, costumes e saberes de homens e mulheres marajoaras. 

Reunindo, palestras, mini-cursos e exibição de filmes sobre o Marajó e o Padre Giovanni Gallo, a programação da semana que vem conta com a parceria e participação do Ministério da Cultura - Regional Norte; Instituto Brasileiro de Meseus – IBRAM; Sistema Integrado de Museus – SIM; Assembléia Legislativa do Estado do Pará; O Museu do Marajó, Museu Emílio Goeldi, IPHAN; UFPA /Campus Breves e Soure, SECULT-PA, SEDUC-PA, PIABIRU; Prefeitura de Cachoeira do Arari; Câmara dos Vereadores de Cachoeira do Arari; Federação Paraense de Cineclubes – PARACINE; Projeto Cineclubista UNI ESCOLA CINEMA ; CENTUR e Fundação Curro Velho.

Confira a programação

Programação:

QUARTA-FEIRA – 27/04

09 h - Abertura
Palestra “Gallo nos Campos de Cachoeira”, Profª Sandra Solange Souza
10 h - Palestra “Dalcídio Jurandir: obras e personagens marajoaras”, Prof. Raimundo Tadeu Gama
11 h – Recital de Poesias (Poetas Marajoaras)
Local: Escola Estadual Prof Delgado Leão
16 h – Inauguração da Biblioteca “Acervo Cultural Pe Giovanni Gallo”
Local: Casa do Giovanni Gallo
18 h - Missa
Local: Capela Sagrada Familia, Cachoeira do Arari;
20 h - Lançamento do 1º Cavaquinho, do Mestre Hugo Martinês do Projeto “Oficina de Instrumentos” do Museu do Marajó - Concerto (Associação Musical João Viana / Escola de Música Giovanni Gallo)
Local: Sala de Vídeo d’O Museu auditório do Museu do Marajó

QUINTA-FEIRA – 28/04

08 às 12h e 14 às 17h – Mini-curso “O Brincar n’O Museu do Marajó”
(Público-alvo: Professores, estudantes e comunidade em geral)
Ministrante: Prof Ms Darcel Andrade (Pesquisador colaborador CUMA/UEPA)
Local: O Museu do Marajó

20 h – 2ª Mostra Marajoara de Cinema Aberto nas Escolas e Universidades
Longa-metragem “Sou teu maninho! Um grito marajoara”, roteiro selecionado no Projeto Revelando os Brasis, Município de Chaves – Marajó/PA (Dir. Daniel Vieira Corrêa)
Sinopse: Natiara vive com a família às margens do Rio Amazonas. Com o pai doente, precisando de cuidados médicos, ela e a família embarcam numa viagem de três dias rumo à capital. Dentro de um barco superlotado, Natiara conhece o sofrimento do homem marajoara: as maresias, os assaltos, a luta pela vida, o desconforto e a sensação de isolamento, tudo isso em contraste com a beleza e a riqueza da Amazônia.
Local: Escola Estadual Prof Delgado Leão

SEXTA-FEIRA – 29/04

09h - 2ª Mostra Marajoara de Cinema e Vídeo Aberto nas Escolas e Universidades
Vídeos produzidos por alunos das Escolas Públicas de Cachoeira do Arari, resultado das oficinas do Projeto Cineclubista UNI ESCOLA CINEMA.
Local: Infocentro “Museu do Marajó”
15h - Mesas Redondas
“Marajó: memória, patrimônio e documento”
Palestrantes: Delson Cruz, representante do Minc/Norte, Dorotéia Lima, Superintendente do IPHAN, Elzerberto Rabelo, Presidente d’O Museu do Marajó, Valmir Bispo, Mediador.
"Representações do Marajó: Língua, Literatura e Arte”
Palestrantes: Profª Drª Josebel Akel Fares (Cartografias Poéticas do Marajó); Profª Drª Maria do Perpétuo Socorro Cardoso Silva [Cartografias Linguísticas: um estudo semântico-lexical da Mesoregião do Marajó]; Prof Dr Paulo Nunes [As representações do Marajó no romance de Dalcídio Jurandir; Prof Ms Dênis de Oliveira Bezerra, Mediador.
Local: Câmara dos Vereadores de Cachoeira do Arari
20 h - 2ª Mostra Marajoara de Cinema Aberto nas Escolas e Universidades
- Curta-metragem ‘É proibido não tocar os saberes n’O Museu do Marajó” (22 min), de Darcel Andrade.
Sinospe: O filme é uma ilustração da Pesquisa de Mestrado “A Educação n’O Museu do Marajó; ver, brincar e contextualizar” do mesmo autor; traz o jesuíta italiano Giovanni Gallo (27.04.1927/07.03.2003) e seu Museu, com inserções dos visitantes aprendizes interagindo com os “computadores caipiras”, que aprendem os saberes marajoaras ali constituídos de forma lúdica e brincalhona; apresenta também D. Ermita, amiga e enfermeira de Gallo em depoimento emocionante, entre outros atores sociais da pequena comunidade de Cachoeira do Arari, onde está O Museu.

SÁBADO – 30/04

08h:30 - Diálogos “O Museu do Marajó: situação atual e proposições”
Participação: Ministério da Cultura - Regional Norte, Instituto Brasileiro de Meseus – IBRAM, Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, Sistema Integrado de Museus – SIM, Assembléia Legislativa do Estado do Pará, O Museu do Marajó, Museu Emílio Goeldi, Universidade Federal do Pará - UFPA /Campus Breves e Soure, Secretaria de Estado de Cultura do Pará - SECULT-PA e Secretaria de Estado de Educação do Pará -SEDUC-PA, Projeto PIABIRU, Revista Pzz, UNAMAZ, CELPA, EMATER/ADEPARÁ, Pelotão Rural, Correios, Colônias, Grupos folclóricos, Prefeitura de Cachoeira do Arari, Secretarias Municipais do Município de Cachoeira do Arari, Câmara dos Vereadores de Cachoeira do Arari, Ministério público, Igrejas locais.
11h:30 às 12h:30 - Encaminhamentos e monções: “Carta de Cachoeira”
13h – Encerramento - Almoço Marajoara, com apresentação dos Grupos Folclóricos de Cachoeira do Arari

Sessão em homenagem a "Boca do Lixo" no Cineclube Alexandrino Moreira

O cinema marginal brasileiro produzido na Boca do Lixo ganha homenagem, nesta segunda-feira, 18, no Cineclube Alexandrino Moreira, que exibe os documentários “Candeias: da Boca para Fora, de Celso Gonçalves” e “O Galante Rei da Boca”, de Alessandro Gamo e Luís Rocha Melo. Localizada na região central da capital paulista, a área que já representou o maior pólo cinematográfico do país hoje só é referência de prostituição e comércio de eletrônicos.


Texto de Carlos Juliano Barros e Laura Lopes

“A Boca do Lixo ainda respira”. Na década de 60, quando o jornalista Percival de Souza começou sua carreira na crônica policial o submundo de São Paulo tinha endereço. No centro da cidade, o famoso Quadrilátero do Pecado – delimitado pelas ruas e avenidas Duque de Caxias, Timbiras, São João e Protestantes – contava com a maior concentração por metro quadrado de prostitutas e bandidos de todos os tipos.

A região, que nos anos 90 foi rebatizada de “cracolândia”, já não é mais a referência das atividades ilícitas na capital paulista. A prostituição e o crime organizado diluíram-se por toda cidade. Se no passado a Boca possuía até um certo glamour, com histórias fascinantes de uma marginália romântica, hoje a região perdeu esse estranho encanto. 

No bairro de Campos Elíseos, pomposos nomes de ruas, como Triunfo, Aurora e Vitória, não refletem o abandono em que elas se encontram. O novo Plano Diretor do município define a região como uma Zona Especial de Interesse Social 3. Quer dizer que possui infra-estrutura, mas precisa de investimentos para incentivar a moradia popular e oxigenar o seu tradicional comércio.

Porém, no que se converteu a famigerada Boca do Lixo? Em prédios antigos e deteriorados, cortiços e casas de prostituição – tanto de mulheres como, em boa medida, de travestis – convivem com intensa atividade comercial, cujo maior expoente é a Rua Santa Ifigênia. (ver pop-up)

É difícil acreditar que, na década de 70, uma pequena quadra da Rua do Triunfo abrigou um dos maiores pólos de produção cinematográfica do país. Por lá, passaram nomes atualmente consagrados e que, certamente, não põem os pés na Boca há tempos. Mas ainda podem ser encontradas personagens de um capítulo mágico do cinema brasileiro.

Representantes da época em que mais se produziram filmes no país misturam-se a homens embriagados, travestis e prostitutas. Hoje, mais fácil do que ver um garoto fumando crack é esbarrar em alguma figura do cinema nacional daqueles tempos, pelos botecos da Rua do Triunfo. Não raro, Ozualdo Candeias, Aníbal Massaini, Cláudio Portiolli, José Lopes Índio, entre outros, estão zanzando pelos Campos Elíseos atrás de algum contemporâneo para conversar. (Leia mais).

Nos documentários a Boca do Lixo e seus personagens

O cineasta Candeias
O documentário “Candeias: da Boca para Fora” conta a história do cineasta Ozualdo Candeias morreu em 2007, aos 88 anos, em São Paulo. Considerado o pai do cinema marginal, que se opunha ao Cinema Novo, nos anos 70, Candeias aderiu às produções de filmes eróticos na chamada Boca do Lixo, em São Paulo. Seu último filme, "O vigilante", foi lançado em 1992.

Lançado em 2003, o curta documentário sobre o cineasta mostra a irreverência e ousadia de um dos diretores mais inventivos do Brasil. O filme de 17 minutos dirigido por Celso Gonçalves tem depoimentos de Zé do Caixão, Carlos Reichenbach, Jairo Ferreira, Inácio Araújo, entre outros.

Galante
Rei da Boca - Também chamado de o "Rei da Boca", ou o "Produtor Biônico", A. P. Galante produziu de filmes de cangaço a comédias eróticas, dramas psicológicos e filmes policiais, passando por bang-bangs e filmes de kung-fu, num total de mais de 50 obras. 

Com depoimentos do próprio Galante, trechos de seus filmes, imagens de São Paulo e da Boca do Lixo de ontem e de hoje e entrevistas inéditas com nomes como Carlos Reichenbach, Jairo Ferreira, Rogério Sganzerla, Inácio Araújo, Severino Dadá, Miro Reis, Sylvio Renoldi, Pio Zamuner, Antônio Meliande, Cláudio Portioli, Sebastião de Souza e João Silvério Trevisan (técnicos, diretores e críticos que fizeram a história do cinema brasileiro), O Galante Rei da Boca é um documentário que, com humor e a simpatia peculiares de seu personagem central, reflete e informa sobre o fazer cinema no Brasil.

Serviço
Cineclube Alexandrino Moreira. Sessões sempre às segundas-feiras, às 19h. Entrada Franca. Praça Justo Chermont, 236 - Nazaré (Ao lado da Basílica de Nazaré).

17.4.11

A manifestação popular como patrimônio cultural

A festa do Tecnobrega
Os deputados aprovaram, mas o governo do estado não concordou e vetou o Projeto de Lei nº 130/08, que declara o Tecnobrega, suas aparelhagens de som e símbolos, como patrimônio cultural e artístico do Estado do Pará. Leia  aqui, a  justificativa  do governador para o  veto publicado no Diário Oficial do Estado.

A decisão  do governo acabou mudando o tom da festa organizada para que artistas do Tecnobrega e convidados comemorassem, neste sábado, 16,  a aprovação do projeto do deputado Carlos Bordalo na Assembleía Legislativa.

Bem, vejamos. Um projeto de lei pode agilizar o processo, o que é ótimo, mas  não é só o legislativo que pode registrar uma manifestação cultural como patrimônio do estado. Grupos e pessoas  que representam manifestações culturais e que estejam interessadas nisso, podem ir direto ao Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dhepac), da Diretoria de Patrimônio da Secretaria de Estado de Cultura, e fazer a solicitação.

Para conseguir o aval do Dephac, porém, é preciso atender várias exigências, mas o procedimento é sim garantido por Decreto de Lei n°. 1.852, publicado em agosto de 2009. Ele  permite  que o governo reconheça suas manifestações culturais imateriais por meio de uma política própria.

Mestre Vieira, com DJ Dolores e o guitarrista Pio Lobato
Guitarrada - Em março deste ano, os deputados estaduais também aprovaram o projeto de lei que declara a Guitarrada, Patrimônio Cultural do Pará. A Lei de n° 7.499, também de autoria de Bordalo,  foi sancionada, publicada pelo Diário Oficial e entrou em vigor.

Mestre Vieira, 76, de Barcarena, um dos mais antigos mestres do ritmo, considerado seu criador, foi um dos convidados da festa de ontem. Entrevistado pela imprensa, ele disse que está satisfeito com o reconhecimento da guitarrada como patrimônio do estado. "Isso tem uma importância muito grande. É muito bom. Principalmente porque a guitarrada foi criada na minha terra, Barcarena."

Já em contato com o Holofote Virtual, nesta manhã de domingo, 17, Mestre Vieira disse por telefone que na festa de ontem, que comemorava também o aniversário do deputado,  foram feitos vários comentários sobre o veto do governador. Perguntado sobre o projeto de lei que torna a guitarrada  patrimônio cultural do estado ele diz que tem dúvida sobre o que será feito em favor da manifestação depois desta declaração. "A notícia me pegou de surpresa, pois até  eu não estava sabendo de nada", diz ele que não foi consultado previamente sobre assunto.

Mas a iniciativa gera expectativas não só nele, mas em todos os artistas e mestres da guitarrada. Para atendê-las, a Lei precisa funcionar e garantir ações que tragam benefícios à manifestação e meios dignos de sobrevivência de seus mestres.

“Declarada oficialmente manifestação cultural do Pará, agora seria interessante que se articulasse um processo de pesquisa mais profunda sobre o ritmo da guitarrada e de como ela se manifesta, mapeando suas ocorrências, seus mestres, instrumentos e investindo recursos em ações que beneficiem a manifestação e seus artistas, principalmente salvaguardando a memória e promovendo o repasse de conhecimento da Guitarrada às próximas gerações”, diz Isaac Loureiro, que está à frente de um processo semelhante, mas em esfera federal.

Carimbó – Ouvido ontem à noite por telefone, Isaac Loureiro, integrante da Irmandade de Carimbó de São Benedito, do município de Santarém Novo-PA, que coordena a Campanha Carimbó Patrimônio Cultural Brasileiro informou que para receber tanto o registro estadual , no Dephac, quanto o registro nacional, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), leva tempo e não é tão simples quanto parece. 

Prova disso é que a campanha do carimbó já vem, desde 2005, reunindo toda uma documentação exigida pelo Decreto, de agosto de 2000, que nomeou o Iphan, órgão oficial para registro de projetos desta natureza, em âmbito nacional.  São tantas exigências, que somente este ano, o processo deve ser concluído e o carimbó seja, finalmente, declarado patrimônio cultural e imaterial brasileiro. 

Mas até chegar aqui, foi necessário realizar um inventário de referências culturais profundas sobre o carimbó como bem cultural, realizando ampla pesquisa de campo, verificando se aquela manifestação está realmente enraizada na comunidade.

“Precisamos comprovar a identidade de cultura daquela população com a manifestação, quais seus elementos e de que maneria ela se mantém ou é transmitida de geração em geração, além de abordá-la do ponto de vista estético, artístico e material”, diz Isaac.

Benefícios - De acordo com ele, o registro do Iphan dará ao carimbó status de arte reconhecidamente brasileira, ganhando  maior visibilidade. "Mais do que isso, e o que  interessa mesmo, é que neste processo já constituímos o que chamamos de Plano de Salvaguarda para o Carimbó, com uma série de ações que deverão ser executadas pelos governos municipal, estadual e federal, a fim de  garantir a difusão e manutenção da manifestação”, diz Isaac.

Ele ressalta a relevância desse tipo de reconhecimento, citando o êxito obtido com o Samba de Roda do Recôncavo Baiano. A manifestação estava acabando aos poucos, os mestres mais antigos estavam morrendo e levando com eles a tradição e o conhecimento para a construção do machete, viola típica desse samba. 

“Depois do registro obtido com o Iphan, em 2004, a manifestação ganhou um Ponto de Cultura do Gonverno Federal, que articulou a salvaguarda da Viola Machete, por meio de oficinas, e registros sobre a técnica de confeccionar e tocar o instrumento. Este tipo de coisa é que é importante também para nós, do carimbó”.

Isaac conta que mesmo ainda sem o registro, a campanha já ganhou recursos para mapear flautistas e artesãos do carimbó. Isso porque com a documentação que já foi entregue à instituição, foi possível identificar a ausência do tocador de flautas em grande parte dos conjuntos de carimbó mapeados pela pesquisa.

“O Edgar Chaves, geógrafo e pesquisador do Iphan, identificou a possível extinção do instrumento na manifestação. Por isso, providenciou a liberação dos recursos e articulou parceria com o Instituto de Artes do Pará para que iniciássemos o mapeamento deste tipo de músico,  estimulando o surgimento de novos tocadores. Já fizemos algumas ações eo processo ainda está  em andamento”, finaliza Isaac.

Resultados - O carimbó é uma manifestação que reúne poesia, dança e música. A guitarrada também. Com a pesquisa já realizada, a campanha do carimbó conseguiu documentar a forma como ele se manifesta, em que contexto social e ambiental. Isso e muito mais está sendo organizado para a finalização de um grande dossiê, material de pesquisa que constitui  uma documentação muito rica à respeito desta manifestação e que poderá em breve ser consultada. 

O mesmo espera-se que aconteça em relação a Guitarrada, pois só com a valorização e  sustentabilidade desta manifestação, promovidas por meio de ações pontuais, é que o  seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Pará passará a existir de fato, sem  que seja apenas "mais uma oportunidade política", como opina Isaac Loureiro. 

Enquanto isso, os artistas do Tecnobrega e Tecnnomelody vão à luta e comemoram a tramitação de outro projeto na Câmara Federal, a fim de promover a manifestação também à patrimônio cultural brasileiro.

15.4.11

Neste sábado é dia de circo, mas não tem marmelada

Grupo Circo Etéreo
Os artistas que trabalham com a arte circense no estado se reúnem na capital, neste sábado, 16, para o II Encontro dos artistas e fazedores do Circo no Pará, que acontecerá das 9h às 17h no Instituto de Artes do Pará (IAP). A programação é aberta a grupos de circo, teatro de rua e todos os interessados em discutir políticas e ações em prol desta arte em todo o Estado.

Na pauta, estão dois pontos cruciais para a afirmação da arte circense por aqui, a elaboração do Plano Estadual de Circo e a criação de um calendário de atividades. Na oportunidade também será exibido um documentário sobre a Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro.

O circo vem sendo contemplado em editais de criação, pesquisa e infraestruturas lançados ano passado pelo MinC e Funarte. Mas ainda não é o suficiente ou pelo menos foi isso que ficou claro, em março, quando vários circenses participaram do 1° Congresso Estadual de Teatro, que também aconteceu no IAP, nos dias 11, 12 e 13.

Reunião com artistas de teatro e circo
Necessidades do setor - De acordo com Virgínia Candiotti, uma das organizadoras  do encontro, é necessário discutir formação, espaços físicos, produção, difusão e acessibilidade, divulgação e memória do circo.

“Verificamos a necessidade de continuar o debate até a total confecção do plano Estadual de Circo e do Municipal", diz.

No congresso, o GT de Circo contou com a participação espontânea de 17 pessoas, dentre eles, Marcelo Siqueira, o Feijão dos Palhaços Trovadores; Ykaro Almeida, da Cia Nós Tantos; Alex Mello, Karina e Ronald Lima, do Estrelas do Picadeiro; Jeniffer Boares, Roberta Passinho e Charles Wesley, do Circo Etéreo; Carlos Macapá, educador social da antiga Escola Circo Mano Silva (atual CRASH); Marielle Arão, Isabela Lobato, Claudio Tayko e Vicente, artistas independentes; Vinicius Lima e Adalberto Bastos da Cia Circo Imaginário, de Igarapé Açu; e da própria Virginia A. Candiotti.

De acordo com Virgínia, o encontro destes artistas no congresso foi decisivo.  “Iniciamos uma nova etapa na vida dos artistas circenses do Pará, uma nova folha se escreveu na história das artes cênicas da nossa região, onde são registradas faces, pensamentos e falas de grupos e artistas independentes que vivem e suam a arte dos picadeiros”, afirma.

Plalhaços Trovadores
Amplificando as ações - Há 11 anos de convivência com artistas, o povo, políticas, pesquisas, escolas, instituições e demais instrumentos ao serviço das artes cênicas por aqui, Virgínia considera que este novo processo vem permitindo que os artistas se expressem de maneira mais ampla.

“Estamos discutindo a questão das particularidades da nossa arte e como ela re-significa algumas práticas, trazidas para criações dos grupos daqui, com marcas registradas dos artistas do Pará. Nós nos adequamos a espaços diferentes, testamos materiais e instrumentos da nossa região, amamos entrar em laboratórios de treinamento, lidamos com um ambiente e um clima peculiar e com parâmetros de cultura de consumo que também nos mexem e moldam”, explica a atriz.

Trajetória de articuladora - Virgínia A. Candiotti é artista circense, atriz, técnica de academia, pedagoga, professora de inglês e espanhol. Nasceu na Argentina, mas já mora há muitos anos em Belém. Os primeiros palcos foram com os pés nas sapatilhas do balé e do jazz, competiu em ginástica aeróbica, hockey e natação.
A carreira artística iniciou na vida mambembe numa longa viagem pela América do Sul,. Atualmente faz da Cia Nefesh de Teatro, criando espetáculos e performances na linguagem do Teatro de ator, teatro de animação e circo.

Trupe Nós Tantos, apresentaçôesdesde fev. na praça
Na praça - Desde fevereiro, os circenses da cidade vêm se concentrando e treinando na Praça da República, sempre aos domingos, a partir das 10h. 

“Começamos a treinar na Praça da República dia de domingo pela manhã. Foi ótimo. Os belenenses estão tendo acesso direto a arte circense. Os que já foram até nós, curtiram, bateram palmas, perguntaram sobre a arte, enfim, tem sido super legal”, finaliza.

Serviço
II Encontro dos artistas e fazedores do Circo no Pará. Neste sábado, 16 de abril, das 9h às 17h no Instituto de Artes do Pará (IAP). Mais informações pelo e-mail  virabasto@hotmail.com ou (91) 8118-7916.

Penetrável de Hélio Oiticica ganha intervenção artística no Fórum Landi da Cidade Velha

Piano, em Rhodislândia
Uma experiência sensorial. É o que promete Pablo Mufarrej, a partir das 19h desta sexta-feira, 15, para Rhodislândia, obra montada no Fórum Landi, um dos seis espaços que abrigam, em Belém, a exposição “Museu é o Mundo”.

Para Hélio Oiticica a obra nasce de apenas um toque na matéria. O artista não queria transformar a matéria de suas obras, mas sim que esta, a um toque, se tornasse uma expressão viva. “O que a transforma em expressão é nada mais que um sopro: um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais", escreveu, sintetizando assim, a sua arte.

É o que os paraenses estão tendo a oportunidade de vivenciar ao visitar os seis “Penetráveis" que estão em Belém desde o início deste mês. As obras só podem ter valor no momento da interatividade do espectador, ou seja, o público pode entrar, tocar, sentir, vivenciar.

Partindo destes elementos, o artista plástico Pablo Mufarrej vem oferecer aos visitantes de Rhodislândia, no Fórum Landi, na Praça do Carmo, o convívio, tendo como pretexto de aproximação, bebidas, alimentos coloridos e livros, que o público deve levar consigo para melhor vivenciar a experiência.

Mais do Rhodislândia
"Proponho como intervenção para o Penetrável Rhodislândia, um jogo no qual a cor de nossos alimentos serviria como matéria prima para experimentação, criação e degustação de pratos pelo período de três horas. Materializando nos sentidos de cada participante, uma nova possibilidade de interação com Penetrável e com cor”, diz Mufarrej.

Ao entrar no Rhodislândia, experimenta-se ativamente a proposta de Hélio Oiticica de vivenciar um tipo de arte que sai dos quadros planos para os Relevos. As telas estão suspensas e iluminadas por azul e âmbar, formando cômodos imaginários. O público atravessa as paredes, pisando em pedras. Dentro dos seus nichos, um piano aberto, pedaços de galhos de árvore, um banco e o silêncio.

O ambiente, na obra, estimula a receber intervenções como esta de Mufarrej, que permitem que outros artistas dialoguem com a ousadia da obra de Oiticica. E isso tem acontecido desde sempre em várias outras cidades por onde a exposição tem passado ou mesmo antes dela existir.

Em 2009, por exemplo, houve intervenção em 2009, no Rio de Janeiro, pela cantora Adriana Calcanhoto, no penetrável Macaléia (1978), realizado pelo artista em homenagem a Jards Macalé. Produzido a partir de anotações, esquemas e textos conceituais que Oiticica escrevia compulsivamente, este penetrável pode ser visto no Forte do Presépio. 

O Penetrável Éden, que está no hall do Centur
Visite também - No hall do Centur, o “Éden” (1969), penetrável que integrou a primeira exposição do artista em Londres, na White Chapel. Na Estação das Docas, penetre em “Nas Quebradas” (1979), composto por telhas, sarrafos de madeira, juta, náilon, tela de galinheiro, tijolos maciços, compensado e brita. 

No Espaço Cultural Casa das 11 Janelas, está o “Penetrável Gal” (1969), que traz filamentos de plástico azul, dispostos em conjunto, e no Museu Histórico do Estado do Pará (MHEP), o Penetrável “Tropicália”, (1967), inspirada nas favelas cariocas, com trilha formada na areia branca que leva o participante a construções de madeira que lembram barracos. O caminho é decorado com palmeiras e flores, no canto da sala, uma gaiola serve de abrigo para duas araras vivas.

14.4.11

Como se fosse... nos bastidores do teatro

O teatro de um ângulo inesperado: por trás da cortina. O espetáculo “Como se fosse...” convida o público a espionar o universo íntimo dos artistas prestes a entrar no palco. Entre maquiagem e figurinos, emoções humanas à flor da pele protagonizam a peça em cartaz as quartas, quintas, sextas-feiras e domingos, às 20h, na Casa da Atriz.

A tensão, a guerra de egos, os bastidores do camarim – o teatro mira para o próprio teatro. “Como se fosse...” foi baseado no texto de “Deus Ex Machina”, de Hudson Andrade, a partir de um trabalho conjunto de leituras, conversas, exercícios físicos, idéias, colagens, desnudamentos, idas, voltas e cafés. Estimulado pelo ator Bill Aguiar e pelo diretor Adriano Barroso, o dramaturgo – numa visão muito particular da sua própria história e referências – produziu cenas onde o teatro é o protagonista e os atores são atores em sua essência.

O cenário para a peça não poderia ser mais apropriado. A plateia é levada para o ambiente do camarim, lugar onde atores se desfazem de suas identidades e assumem novos papéis: "É no camarim que nos concentramos para a entrada no palco. Este momento pré-espetáculo é muito importante para o grupo que está por trás da criação. Ali, muitas coisas são definidas", diz Hudson.

O que o público vai ver neste cenário são os dois atores no processo de preparação para a entrada no palco, o que torna a escolha do lugar ainda mais interessante. "Enquanto travamos o diálogo, estaremos reproduzindo uma das partes mais essenciais de um espetáculo: a preparação. São os rituais de maquiagem, de vestir o figurino e os exercícios corporais e de voz", acrescenta.

Ficha técnica

Texto original: Deus Ex Machina, de Hudson Andrade
Direção: Wlad Lima
Assistência de direção: Yeyé Porto
Elenco: Hudson Andrade & Leoci Medeiros
Iluminação: Sônia Lopes
Cenário, figurinos, adereços e máscaras: Néder Charone
Direção de palco: Frank Costa
Fotos para divulgação: Brenda Nunes
Cartaz: Estúdio Guerra
Apoio: Sol Informática e Dy Zaccas
Produção: Paulo Porto & Yeyé Porto
Realização: A Casa da Atriz

Serviço
Temporada do espetáculo “Como se fosse...” Quartas, quintas, sextas-feiras e domingos de abril, na Casa da Atriz, na Rua Oliveira Belo, 95, bairro Umarizal, entre Generalíssimo e D. Romualdo de Seixas. Sempre às 20h, com ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). 

Artistas levam suas reivindicações à comissão de cultura da câmara municipal de Belém

O Mão de Vaca, c/ Palhaços Trovadores (Pça da República)
Artistas de movimentos artísticos de Belém foram convidados a participar de uma reunião, hoje, a partir das 15h, na Câmara Municipal de Belém, na Tv. Curuzu, 1755. O convite foi do  presidente da comissão de cultura da camara, vereador Marquinho, com objetivo de encaminhar as questões que vem sendo levantadas pelas categorias, como a revisão da Lei Tó Teixeira.

No início do ano, um episódio ocorrido com o grupo Palhaços Trovadores e outros grupos de teatro, divulgado na imprensa, desencadeou mais uma vez, a discussão em torno da ocupação dos anfiteatros que estão nas praças da cidade. Os espaços, de grande potencial para apresentações artísticas, estão hoje sem programação freqüente.

O objetivo dos artistas do teatro, circo e dança é retomar as praças, oferecendo atividades e espetáculos gratuitos à população, de forma organizada e segura. Outra questão levantada gira em torno do funcionamento dos Conselhos de Cultura e a reformulação da Leis Tó Teixeira para melhor atender a classe artística.

O fato somou-se a outras situações que vêm sendo discutidas pelos artistas que integram o Fórum Livre Permanente de Teatro do Pará, para a criação de políticas públicas para o teatro, o circo e a dança nas esferas estadual e municipal.

Encontro Municipal de teatro, em março 2011, no IAP
No ano passado, algumas reuniões chegaram a ser marcadas com os órgãos municipais responsáveis pela manutenção das praças e pelo funcionamento do Conselho Municipal de Cultura, nestes casos a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e Fundação Cultural de Belém (Fumbel), mas pouco se conseguiu encaminhar.

As constantes mudanças de diretorias e presidências nestes órgãos são apontados, pelos atuais dirigentes, como principais motivos para a demora de decisões e falta de representação em outros encontros que foram marcados, já neste ano, como o Fórum Municipal de Teatro, no dia 11 de março, e em seguida na sessão especial realizada no dia 24 de março para homenagear o Dia Mundial do Teatro e Nacional do Circo.

Nesta oportunidade, não só o executivo, como também o legislativo faltaram. Apenas o presidente da comissão de cultura da câmara (CMB) e os artistas, estiveram no plenário, onde foi lida a Carta de Teatro para Belém.

No último dia 31, porém, mais uma reunião na Câmara dos Vereadores conseguiu finalmente reunir representantes do poder legislativo, executivo e os artistas, onde se fizeram presentes o presidente da câmara, vereador Raimundo Castro, o vereador Marquinho, com seus assessores, duas representantes da Semma, a Diretora do Departamento de Ação Cultural da Fumbel, Lídia Albuquerque, e o ator Paulo Ricardo Nascimento, do Fórum Livre Permanente de Teatro do Pará e da Rede Teatro da Floresta, representando a classe artística.

In Bust, em comunidade do bairro do Jurunas
Neste último encontro, o ator Paulo Ricardo contou aos presentes um pouco a história do Fórum, das reuniões que estavam acontecendo desde o ano passado, de todas as tramitações de documentos e que já estão protocolados nos dois órgãos, Fumbel e Semma, referindo-se à falta de uma política que contemple a importância que o teatro, o circo e as artes de maneira geral, têm para a cidade.

“Gostaríamos que as ações propostas como soluções fossem discutidas com as pessoas de teatro e circo e que fossem definitivas como políticas de estado e que para isso havíamos buscado a CMB”, disse Paulo.

A Fumbel se explicou alegando que as quatro mudanças de presidência e de diretoria, em apenas um ano, dificultou qualquer ação do órgão, que só vem dando conta do carnaval e da quadra junina. A diretora da Fumbel disse, porém, que estava atenta ao movimento de teatro, de dança e de circo e que concordava com o descaso para com as artes, por conta da estrutura organizativa da fundação.

Lídia lembrou que o novo presidente está disposto a tomar atitudes que contemplem o meio artístico. No final da reunião, ela afirmou a todos que iria verificar imediatamente os trâmites para realizar a criação do Conselho de Cultura e que buscaria o documento, protocolado no ano passado pelo fórum de teatro, com o Plano de Teatro para a Cidade de Belém.

Entreatos, no anfiteatro da Praça  da República
A Semma explicou que o órgão também sofreu com mudanças de presidência e que estava novamente tomando pé das situações. E afirmou que não identificava o problema em relação a utilização das praças e que o processo interno é muito simples e acessível a todos, basta protocolar a solicitação que o setor jurídico, responsável pela triagem das atividades, pode liberar a praça, se tiver tudo de acordo.

O vereador Marquinho, que vem acompanhando mais de perto a discussão com os artistas, fez um pequeno histórico dos últimos acontecimentos e destacou a importância do movimento das pessoas de teatro e circo da cidade para a cidade, mais uma vez se colocando à disposição para o que fosse necessário.

Usina Contemporânea, no Forte do Castelo
Uma de suas sugestões para a criação da Secretaria Municipal de Cultura, ressaltando as diferenças de atribuições desta e de uma fundação, gerou polêmica para Belém e continuará sendo mais um ponto de discussão na reunião de hoje.

Para ele, a ocupação cultural e artística nas praças de Belém é fundamental para combater questões sociais negativas. Marquinho sugeriu que os dois órgãos recebessem e discutissem todas estas questões diretamente com os artistas.

Quanto as mudanças na Lei Tó Teixeira, o Presidente da Câmara, Raimundo Castro disse que, embora esta lei tenha sido criada para atender as classe artísticas e não está cumprindo esta função, deve ser revista, mas informou que CMB, por um regimento interno, não pode propor nenhuma lei ou decreto que gere despesas ao município, cabendo isso aos organismos executivos.

Todas estas questões e outras devem ser discutidas na reunião desta tarde, que deve reunir também os outros setores da cadeia produtiva da cultura, como representantes das áreas de música, artes plásticas, cinema, literatura e manifestações da cultura popular.

Trovadores levam diversão e entretenimento ao público
Fórum Livre - Criado em janeiro de 2010, o fórum agrega trabalhadores e artistas que se empenham pela valorização e fortalecimento da linguagem teatral e que desde então vem se reunindo em espaços físicos e virtuais para discussão e troca de informações sobre as atividades teatrais no Estado do Pará.

Nos encontros do Fórum Livre já estiveram, entre outros, representantes dos grupos In Bust Teatro com Bonecos, Grupo de Experimentação em Teatro em Miniatura, Cia. Teatral Fênix, Amazônia Imaginária, Usina Contemporânea de Teatro, Notáveis Clowns, Cia Thaetro, Badalação Produções, Grupo Flor de Liz, Cia de Teatro Madalenas, Cia. Atores Contemporâneos, Circo Imaginário, Intimídia, Grupo Experiência, Cia. Em Cores e Grupo Anthares.

Participam, ainda, a Desabusados Cia., Grupo Encenação, Cia. Infinito de Arte, A Trama, Palhaços Trovadores, Federação de Atores, Autores e Técnicos de Teatro, Associação de Teatro Amador de Santarém, Federação Estadual de Artes Cênicas, Movimento Briga Teatro, Rede Teatro da Floresta e diversos artistas teatrais independentes que se empenham pela valorização e fortalecimento das atividades teatrais paraenses.

Artistas circenses se reúnem neste final de semana
Encontro Circense - Neste sábado, 16 de abril, uma outra ação importante também estará acontecendo em Belém, com a realização do II Encontro dos artistas e fazedores do Circo no Pará. A programação é aberta a grupos ligados ao circo e teatro de rua, além de todos os interessados em discutir políticas e ações em prol da arte circense no Estado.

O encontro acontece das 9h às 17h, no Instituto de Artes do Pará. Na pauta será discutido a elaboração do Plano Estadual de Circo (continuação) e a criação de um calendário de atividades circenses, alémda exibição do documentário da Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro.