21.9.09

Mestre Vieira encanta público com sua guitarrada

Num show feito sob os holofotes de câmeras fotográficas e de vídeo, criador da guitarrada arrebata antigos e novos fãs, além de velhos amigos que estiveram presentes para prestigiá-lo. Na foto ao lado, Mestre Vieira e Mestre Curica: reencontro.

Um pouco mais de 10h e o grupo Tambatajá faz o último pourpurri de carimbó, no coreto central da Praça Batista Campos, onde vem sendo realizado o projeto Pelas Praças, hoje em ritmo de despedida. E que ritmo.

Na praça, observando de longe, a próxima atração aguardava ansiosa para subir ao “palco” e mostrar o que sabe e nasceu para fazer de verdade: um show daqueles que arrebata, envolve e aproxima o público. Tudo isso levando na guitarra o estilo que o consagrou mestre, a Guitarrada. Mistura de ritmos caribenhos, choro, merengue e outros.

Em uma das raras oportunidades, o público de Belém se encantou com o show de Mestre Vieira. Ele e seu grupo original. Eles chegaram cedo, nesta manhã de domingo em Belém, vindos de Barcarena, onde moram.

Foi uma manhã de domingo especial. E isso ficou claro logo na primeira música levada pelo grupo, formado por bateria, guitarra base, guitarra solo, teclado e contrabaixo. Mestre Vieira presenteia a todos, descendo as escadas do coreto e caminhando pela praça, tocando sua guitarra, junto do seu público.

E as surpresas continuaram. À praça, foram juntando cada vez mais pessoas, curiosas e atraídas pelo som da guitarrada. “É a primeira vez que isso fica assim”, diz o produtor do evento, o músico Márcio Macedo. E em seguida, Mestre Vieira recebe um velho amigo, Mestre Curica.

Ele sobe ao coreto para abraçá-lo e fica lá, acompanhando o show. Mas para matar a saudade os dois mandam Lambada do Rei. Curica no vocal, Mestre Vieira em performance de guitarra pelo meio do povo. A música foi gravada no final dos anos 70 no LP "Lambada das Quebradas volume 2", que vendeu 230 mil cópias. Sucesso absoluto nas rádios espalhadas em várias cidades brasileiras.

O público delirou em vê-los juntos, o que não acontecia desde que o grupo “Mestre das Guitarrada”, também formado pelo guitarrista Aldo Sena, se desfez. Havia quem pensasse que a amizade deles também estaria rompida. Ledo engano, que bom. A prova foi Curica, que além do abraço que deu em Mestre Vieira ao chegar perto dele, também lhe fez um convite, em público, para participar de um projeto que os levará à Copa da África. Convite aceito na hora, claro.

Antes de encerrar o show, às 12h30, contra a vontade do público, Mestre Vieira fez a apresentação final dele, o desafio. Na brincadeira, Mestre Vieira é desafiado pelo público a tocar com qualquer objeto que lhe ofereçam. Nesta hora Viera e público não passam de um grande amontoado de gente. Não faltam os que levam garrafas, celular, brincos, anéis, copo. O mais inusitado e difícil desafio desta manha foi um capacete de motoqueiro que ele, não recusou. Não... ele arrebentou!

Findada a apresentação, Mestre Vieira e músicos, se despedem. Entram na Kombi que a prefeitura de Barcarena cedeu para trazê-lo e se vão, deixando o público indócil. Mas era necessário. A travessia da balsa de Belém para Barcarena tinha horário.

O resultado é que várias pessoas ficaram procurando um CD do Mestre Vieira para comprar. Não havia. Mas na verdade, por pouco tempo. Está sendo esperado que, já no mês de outubro, o empresário Na Figueredo coloque à venda, “Guitarrada Magnética”, CD gravado este ano, por Mestre Vieira, em Barcarena. Tudo de forma independente. O resultado, já ouvi, ficou muito bom! O lançamento sai pela Na Music.

Para o ano que vem, a grande expectativa é a gravação de seu DVD, cujo projeto está pronto, e tramita em aprovação de leis de incentivo. Enquanto isso, a equipe de prodção do projeto já está em ação. Hoje, todos os que fizeram imagens de Mestre Vieira, tiveram os contatos anotados e aceitaram ceder suas imagens para o acervo que terá muitos momentos incluídos em um documentário.


Quem souber algo, tiver documentos ou fotos que remetam à carreira de Mestre Vieira pode colaborar também para a memória, trajetória e difusão da obra desse artista ímpar para a história da música paraense. Para mais informações sobre o projeto. ligue para 91 8134.7719 (L.M.) ou enviar um e-mail para producaomestrevieria@gmail.com.

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