30.9.12

Projeto traz experiências artísticas na Amazônia


Meu Sete, óleo s/tela - Thiago Melo

Belém do Pará ganha esta semana um projeto de reflexão e arte, trazendo duas exposições, a primeira, que abre quinta-feira, 04, no Museu de Arte da UFPA, às 19h, e uma segunda, na Casa das Onze Janelas, a partir de dezembro, além de exibição de documentário no Cine Olympia, intervenção urbana e seminário.  

"Amazônia - Lugar da Experiência" faz um recorte profundo da arte produzida aqui ou a partir de vivências de artitas na região. É reflexão e resultado de pesquisa artística. Temos vídeos, performances, fotografia e pintura. A concepção, elaboração e coordenação do projeto é de Orlando Maneschy, com assistência de Keyla Sobral.

Ao todo, são 21 artistas envolvidos nesta coleção produzida a partir do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça/Prêmio Procultura de Estímulo às Artes Visuais 2010 da Fundação Nacional de Artes.

As exposições trazem obras que nos instigam a pensar este território a partir de obras de paraenses como Acácio Sobral, Armando Queiroz, Danielle Fonseca, Maria Christina, Luiz Braga, Dirceu Maués, Victor de La Rocque  e Alexandre Sequeira, entre outros, mas também de artistas de outros estados como Thiago Martins de Melo, do Maranhão, Raquel Srolf, de Porto Alegre, Rubens Mano, de São Paulo, Oriana Duarte, de Recife e Roberto Evangelista, de Manaus.

"Desde meu mestrado venho pensando sobre a produção aqui. Se você parar para pensar em pessoas fundamentais para nossa arte, Paula Sampaio é mineira; Miguel Chikaoka é paulista; Patrick Pardini é carioca. Isso me mostrou que o foco é o envolvimento com a Região, que faz gerar obras densas sobre a Amazônia e não simplesmente uma questão de origem", explica  Orlando Manesch em declaração ao Holofote Virtual.

O interesse dele recai sobre a profundidade, que dá como outro exemplo, o trabalho desenvolvido por Cláudia Andujar, que estará na segunda exposição. "Ela deu visibilidade à questão Yanomami com sua obra. Nenhum artista lutou por essa causa como ela, que é naturalizada brasileira. Compreende? Assim, a Coleção Amazoniana de Arte da UFPA pretende trabalhar com uma perspectiva de refletir sobre a região a partir de obras e documentos que se relacionem a elas", complementa.

O seminário previsto pelo projeto ainda não tem data definida, mas a exibição do documentário “Invisíveis Prazeres Cotidianos”, de Jorane Castro, tem sessões aos sábados, às 18h, já a partir do dia 6 de outubro, e a intervenção urbana de Éder Oliveira vai acontecer no bairro da Marambaia, na Rua da Marinha, 250, nos dias 18 de dezembro deste ano e 17 de fevereiro de 2013.

Gallus Sapiens parte 2 - Victor de La Rocque

“Olhar para a Amazônia sempre foi uma necessidade premente para mim. Da tentativa de entender como sua história e particularidades são acionadas na produção artística e geram obras que, ao partir do local, ativam questões que ultrapassam regionalismos, nasceu esse projeto: uma coleção de arte produzida a partir da experiência de estar na Amazônia”.

É o que nos explica Orlando Orlando, fotógrafo, cria da FotoAtiva, e realizador de projetos visuais que utilizam a imagem em suas diversas possibilidades de articulação. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará, Mestre em Comunicação e Dr. em Semiótica pela PUC de São Paulo, ele explica que a intenção da mostra não é meramente o colecionismo, como indutor de curiosidades.

“Esta coleção se distingue por não desejar agregar todos e quaisquer procedimentos artísticos constituídos na Amazônia, mas aqueles em que os artistas, provenientes ou não da região, se deixaram atingir pela força e pela dimensão desse lugar, projetando suas vivências em forma de arte”, diz.

A mostra revela a arte como matéria do conhecimento e experimentos dos artistas, “que alimentam pesquisas, ensino e se desdobram em projetos para a sociedade, reiterando as práticas dos artistas que se atraíram e imergiram em questões da Amazônia”, ressalta.

Mater Dolorosa II - 1978 - Roberto Evangelista

Para ele, constituir essa coleção no Museu da UFPA reforça o compromisso de uma instituição cuja missão é a construção do saber.

“A Coleção Amazoniana de Arte não encontra um fim em si mesma, mas se delineia como um processo em fluxo contínuo e dinâmico, aspectos que irão somar-se na busca do aprofundamento da reflexão sobre a Amazônia por meio da arte e seus lugares de experiência”, finaliza  Orlando.

As falas de Orlando Maneschy nesta postagem, com exceção da primeira declaração, fazem parte do texto de apresentação, escrito por ele e que pode ser lido na íntegra no site do projeto, onde também estão a programação completa e o perfil de cada um dos artistas que o compõem.

29.9.12

Dia especial na XVI Feira Pan Amazônica do Livro

Benedito Nunes estará sempre presente
A Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e a Universidade Federal do Pará (Ed.UFPA) lançam, às 18h30, a obra póstuma "Do Marajó ao Arquivo: breve panorama da cultura no Pará", de autoria do filósofo Benedito Nunes, um dos maiores filósofos da região amazônica, falecido no início de 2011, aos 81 anos.

Organizado pelo filósofo e professor Victor Sales Pinheiro, o livro é uma coletânea com mais de setenta textos, contendo ensaios sobre as diversas manifestações culturais no Pará, escritos ao longo de mais de 50 anos. 

A obra tem alcance enciclopédico e é o mais extenso livro já produzido sobre este tema no Estado. Os ensaios reúnem estudos monográficos, crônicas, conferências, entrevistas, apresentações, prefácios e orelhas de livros. 

 No livro, os leitores encontrarão, ainda, análises sobre as condições políticas e econômicas do Pará, panoramas sobre a produção cultural em meados de 1950 e 1960, estudos sobre escritores paraenses, abordagens de obras artísticas, arquitetônicas e literárias, além de prefácios de livros de ciências humanas e filosofia, discursos sobre a UFPA, e entrevistas sobre a literatura amazônica e a vida intelectual. A apresentação do livro traz textos do secretário estadual de Cultura, Paulo Chaves, e do reitor da UFPA, Carlos Maneschy. 

Serviço 
Lançamento do livro "Do Marajó ao Arquivo: breve panorama da cultura no Pará", obra póstuma de Benedito Nunes, organizado pelo filósofo e professor Victor Sales Pinheiro. 496 páginas. Coedição da Ed.UFPA e Secult Local: Hangar Convenções e Feiras da Amazônia – Feira do Livro – Ponto do Autor Hora: 18h30 Preço de lançamento: R$ 50,00.

27.9.12

"Selva Concreta" ganhará autógrafos na Fox Video

Esta semana, a Boitempo Editorial e a Samauma Editorial lançaram, no dia 25, o livro “Selva Concreta”, de Edyr Augusto Proença, dentro da programação da XVI Feira Pan Amazônica do Livro. Mas na próxima quarta-feira, dia 03, anotem logo aí, o autor estará autografando sua nova obra na Fox Vídeo da Dr. Moraes, a partir das 18h. Entrada franca. Antes, aqui, você lê também, um bate papo com o autor. 

O convite para o lançamento na Feira do Livro partiu da editora da Ufpa, que tinha em mente realizar um bate papo com ele em seu stand, com participação da professora Cláudia Melo, do curso de cinema da universidade. 

“É a primeira vez que faço isso. Gosto das feiras, acho interessante o livro em destaque, recebendo a visita das pessoas. Não acredito no intercâmbio, porque nada temos a oferecer. Não há nenhuma política cultural para a área de Literatura, que tenha seu ápice na Feira. Aí sim, ofereceríamos algo em troca. Hoje, nada temos”, opina Edyr. 

O lançamento oficial será na FOX Video, oportunidade para conversar mais com Edyr e receber seu autógrafo. Autor de outras obras, sempre ambientadas em Belém, ele se diz satisfeito com sua editora, responsável também pela distribuição de seus livros pelo país. 

“A Boitempo é uma excelente editora, com reconhecimento nacional e internacional. Estou em todas as grandes livrarias nacionais e a exemplo do que já ocorreu em ‘Casa de Caba’, há possibilidade de ser lançado no mercado internacional”, comemora. 

A nova ficção de Edyr tem mais uma vez a cidade de Belém como pano de fundo e traz incômodas semelhanças com a experiência urbana de qualquer cidade na periferia do capitalismo. 

Explorando as patologias e os vícios do submundo próprios às metrópoles brasileiras, marcadas pela má distribuição de renda e pelo abuso de poder, o escritor compõe um retrato inusitado e desconfortante do Brasil contemporâneo. 

O fluxo intenso da narrativa submerge as múltiplas fisionomias da obra na cadência fragmentada da cidade: o policial corrupto, o playboy, o apresentador de TV picareta, o radialista ávido por um furo de reportagem, o cagueta, o assassino de moças, a cantora queridinha, a mulher do malandro, o boa-praça e outros tipos compõem o universo urbano de quem vive em uma “selva concreta” marcada pela violência que vemos nas manchetes policiais e pela sujeira que está por trás delas.

Jornalista, radialista, redator publicitário, autor de teatro e de jingles, Edyr Augusto também é poeta. Além das ficções “Casa de caba” – obra que em 2007 ganhou edição em inglês pela britânica Aflame Books, com o título Hornets’ Nest –, “Os éguas”, “Moscow” e “Um sol para cada um” - todos publicados pela Boitempo – ele também é autor de poemas que estão nos livros: Navios dos cabeludos (1985), O rei do Congo (1988), Surfando na multidão (1992), Incêndio nos cabelos (1995) e Ávida vida (2011).

Entre o teatro, a publicidade e a literatura, Edyr nunca pára de produzir e está sempre envolvido com uma nova ideia ou uma nova possibilidade de produzir cultura em Belém. No momento além do lançamento do novo livro, ele também dirige, junto com o ator Leonel Ferreira, o espetáculo “Barata, pega na chinela e mata”, sobre o ex-governador do Pará, em cartaz no Teatro Cuíra só até este final de semana (quinta adomingo). Mesmo assim, ele também encontrou mais um tempo para este rápido bate papo com o Holofote Virtual. Confira abaixo. 

Holofote Virtual: O que passa pela cabeça do escritor prestes a lançar sua obra ao público, depois de longo período de trabalho solitário? 

Edyr Augusto Proença: Ansiedade. Quando estamos escrevendo, somos felizes. Mas nos dias que antecedem o lançamento, ficamos ansiosos pela resposta do público. Queremos agradar, queremos ser lidos, que as pessoas venham comentar, não necessariamente elogiar, mas conversar a respeito. 

Holofote Virtual: Mais uma vez você escreve tendo Belém como centro nervoso de suas ideias e narrativas. Podemos considerar "Selva Concreta" ficção pura ou tem muito do realismo da nossa cidade?

Edyr Augusto Proença: Algumas das situações tirei de notícias policiais locais, mas são fatos que poderiam ter acontecido em qualquer cidade grande do Brasil. O diferencial está no cenário, que é sempre Belém e no estilo.

Holofote Virtual: Qual é a trama principal? Do que trata na essência teu novo livro?

Edyr Augusto Proença: Meu livro traz dois amigos, um delegado e um radialista, com suas tarefas do dia a dia. Um divulgando em seu programa de grande audiência os problemas da cidade e o outro resolvendo esses problemas.

Holofote Virtual: Há quanto tempo vens tecendo esta história? 

Edyr Augusto Proença: Desde uma conversa com um amigo, produtor de cinema, sobre seriados policiais para a televisão. Interessei-me e fui desenvolvendo o assunto aos poucos, sem pressa, curtindo cada caso. 

Edyr, no Cuíra com Zê Charone: paixão pelo teatro
Holofote Virtual: Aliás, o tempo te é escasso para escrever, em meio aos projetos e direção de espetáculos com o Cuíra? 

Edyr Augusto Proença: Em função de minhas outras atividades profissionais, escrevo bem rápido. Passo algum tempo pensando, mas quando vou ao teclado os acontecimentos fluem com naturalidade. Ao contrário do que se pode pensar, há tempo suficiente. 

Holofote Virtual: Falando em teatro, fui ver o Barata... gostei demais, como te disse. Toda esta pesquisa sobre a trajetória do governador, ainda vai servir para uma obra ficcional em cima da vida dele? Pensas nisso? 

Edyr Augusto Proença: Acho difícil. O caso do Cuíra é um projeto “Cuíra por Memórias” que envolve o grupo e a ideia de recontar a história da cidade. No meu caso, estou sempre ligado à atualidade, uma velocidade de eventos. 

Holofote Virtual: Voltando ao teu romance, quais diferenças e semelhanças você destacaria nesta obra em relação às já lançadas Casa de Caba, Os éguas, Moscow e Um sol para cada um? 

Edyr Augusto Proença: A principal semelhança é o cenário, Belém, como sempre. De diferente, penso, um amadurecimento da linguagem, da minha literatura e a abordagem da reação das pessoas comuns, atingidas por fatos que agridem seu cotidiano e as colocam inevitavelmente em situação de defesa. Quase nunca tenho protagonistas e sim pessoas comuns, com qualidades e defeitos.

Holofote Virtual: Enquanto acontecem os lançamentos deste, o que estás arquitetando, o que vem por aí?

Edyr Augusto Proença: Já tenho tudo certo, preparado, para iniciar mais um romance, abordando a ação dos ratos d’água nos rios do Pará e o tráfico de mulheres. Quando estiver escrevendo, serei a pessoa mais feliz do mundo.

Serviço 
Noite de autógrafos e debates de lançamento de Selva Concreta. Na próxima quarta-feira, 03/10, às 18h, na Foxvídeo - Tv. Dr. Moraes, 548. Autor: Edyr Augusto; Orelha: Marcelo Damaso; Páginas: 112; ISBN: 978-85-7559-286-1; Preço: R$ 35,00; Editora: Boitempo. Informações: (91) 4008-0007.

Festival Amazônia Doc exibe longas e curtas

Ojos Bien Abertos
Na Mostra Competitiva desta sexta-feira, 28, o Amazônia Doc 4 exibe o curta “Pcycle”, de Lucas Margutti e Yan Saldanha; e o documentário “Ojos Bien abertos”, de Gonzalo Arijón. As exibições ocorrem às 19h30, no Teatro Maria Sylvia Nunes e têm entrada franca. 

“Pcycle” é um daqueles filmes cheio de pequenas surpresas e grandes reviravoltas, que nos fazem comprar gato por lebre, mérito do roteiro enxuto e bem resolvido. Somos prazerosamente ludibriados enquanto acompanhamos a história de uma jovem estudante brasileira, moradora de Amsterdam, e sua bicicleta.

Ela conduz a trama e serve como instrumento de prestidigitação, tal como os gestos da mão de um mágico que nos distraí, enquanto faz algo com a outra. E é através dessa mesma “magrela”, na qual pedalamos pela trama, que os diretores Lucas Margutti e Yan Saldanha nos guiam por uma cidade que entendeu que a opção urbana pela bicicleta é muito mais que a solução de um problema grave de transporte. 

É a afirmação de uma qualidade de vida, mais saudável, mais simples, mais interativa com o espaço. Durante belos minutos, observamos admirados um cotidiano urbano onde tudo se faz de bicicleta, mas não numa via entulhada de carros, e sim em ciclovias bem delimitadas e bicicletários em cada esquina.Há acessibilidade para todos, num exemplo de cidadania e civilidade que nos joga na real situação de terceiro mundo mental, pois não há nada que impeça que a nossa cidade também tenha acesso a esse padrão de vida.

Pcycle
Não se trata da complicada construção de linhas de metrô ― necessárias, mas caras ― mas da atitude decidida de uma comunidade e do seu poder público em optar pela bicicleta. Já “Ojos Bien Abiertos” é inspirado no livro “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano. 

O diretor uruguaio Gonzalo Arijón desenvolve, por três anos, uma viagem poética e política por alguns países da América Latina. Brasil, Bolívia, Venezuela, Equador e Uruguai entram na rota, explorando alguns dos novos rumos do continente no início do século XXI, em termos de movimentos sociais, erradicação da pobreza, integração continental e soberania, temas que são vistos não a partir do ponto de vista dos governantes e sim de cidadãos comuns e agentes de mudanças. 

Serviço
Mostra Competitiva Amazônia Doc 4, sexta, 28, às 19h30, no Teatro Maria Sylvia Nunes. Entrada Franca. Veja também, “Engraçadinha- Seus Amores e Seus Pecados”, episódio “Só conhece o amor quem possui a cunhada impossível”, na Mostra Rodrigueana de Cinema. Instituto de Artes do Pará (IAP), às 19h.

26.9.12

Um clássico balzaquiano ganha sessão em Belém

Blade Runner - O Caçador de Androides, obra que completa 30 anos em 2012 sendo um dos filmes mais cultuados dos últimos tempos, com sua mistura de ficção cientifica, policial noir e romance existencialista, tem exibição especial nesta quinta-feira, 27, às 17h, no espaço Benedito Nunes da Livraria Saraiva ((Boulevard Shopping, 2º piso). Entrada Franca. Após o filme, debate entre o público e membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará e da Academia Paraense de Ciências.

Luzes de neon das propagandas de corporações industriais disputam território no espaço urbano com explosões. Uma irís se contrai ao analisar aquele cenário desolador. A trama se passa em Los Angeles, no ano de 2019. A Corporação Tyrell criou os robôs da série Nexus virtualmente idênticos aos seres humanos. Eram chamados de replicantes. 

Os replicantes Nexus 6 eram mais ágeis e fortes e no mínimo tão inteligentes quanto os engenheiros genéticos que os criaram. Eles passaram a ser utilizados no espaço sideral em tarefas perigosas da colonização planetária. Após motim sangrento de quatro replicantes Nexus 6, estes foram declarados ilegais sob pena de morte caso tentassem regressar a Terra. 

Para a Tyrell, o importante é 'aposentar' os replicantes e não executa-los, ou seja, desliga-los. 

Já eles, liderados por Roy Batty (Rutger Hauer) só querem viver mais e não até quando o tempo de desligamento permitir. Então surge Rick Deckard, um exemplar policial da unidade de elite Blade Runner, que havia se aposentado mas é chamado para uma última missão: a captura - exterminio de Roy e seus companheiros. 

Com essa narrativa simples, porem permeada de significados, que Deckard vai investigando os Nexus 6 e conhecendo mais sobre a própria Tyrell e seus mandantes. É numa dessas visitas ao Sr. Tyrell que ele conhece a secretária Rachel (Sean Young). Ela não sabe que é replicante, mas seus olhos a traem. Ele se apaixona instantaneamente pela androide. 

Blade Runner é um filme de caçada humana, onde, de certo modo, todos buscam algo: Deckard busca encontrar os replicantes e, principalmente, um sentido para a própria vida. E ele persegue o amor de Rachel - que está imersa na busca de sua identidade inexistente - como forma de se libertar e se encontrar. 

Os replicantes Nexus 6 também seguem fugindo para ter mais tempo de vida. E assim, Ridley Scott configura uma obra fascinante, uma odisséia retro-futurista de humanos e máquinas, homens e mulheres que buscam alguma coisa. E ele consegue fazer isso com autoridade, após realizar Alien - O 8º passageiro. 

O roteiro do filme escrito por Hampton Fancher e David Peoples é baseado no romance "Os Androides sonham com ovelhas elétricas?", de Phillip K. Dick. E mesmo distintos, filme e livro são visionários. Blade Runner ajudou a popularizar o autor em Hollywood, que passou a ter diversas obras adaptadas em produções como "O Vingador do Futuro" e o "Homem Duplo". 

Serviço
Sessão ACCPA/APC apresenta “Blade Runner - O Caçador de Androides”, de Ridley Scott. Nesta quinta, 27, às 17h, no espaço Benedito Nunes da Livraria Saraiva ((Boulevard Shopping, 2º piso). Entrada Franca. Após o filme, debate entre o público e membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará e da Academia Paraense de Ciências.

(Com informações de Lorenna Montenegro, da ACCPA)

Grupo Palha traz Haroldo Maranhão para o teatro

Baseada no livro “Rios de Raivas”, o espetáculo ‘Cobras!’ retrata Belém dos anos 50 Fofocas, mexericos, calúnias de uma elite que destilava seu veneno na Belém da década de 50. É assim o comportamento provinciano paraense retratado na peça “Cobras!”, espetáculo teatral de livre adaptação do Romance “Rios de raivas”, de Haroldo Maranhão. Trazida aos palcos pelo Grupo de Teatro Palha, com direção de Paulo Santana e dramaturgia de José Maria Vilar, a obra ganha uma releitura que estreia nesta quarta-feira, 26, às 20h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas. 

Em 1970, o livro causou polêmicas por expor de forma histórica o comportamento cínico de grupos dominantes de poder que se envolvem em um ninho de bajulações, mentiras, hipocrisia e falsidade. “A peça faz esse resgate da Belém da época, mas de forma debochada. A cidade não tinha luz, não tinha carvão, era suja, tomada por mosquitos e a maioria das pessoas não tinham escrúpulos. Belém fedia em todos os sentidos”, explica Paulo Santana.

“Cobras!” promete chocar sua plateia ao evidenciar três esquemas de poder. De um lado impera, o governador, e do outro, o dono de um prestigiado jornal. No meio dos dois um arcebispo busca tirar proveito de ambas as partes. E como não bastasse, eis que surgem as esposas para temperar mais ainda esse veneno. Camila Góes interpreta Ludimeia Marona, a esposa de Mimi, filho do dono do ‘Tribuna do Norte’ que articula um golpe para ficar no lugar do pai.

“Ela quer que o mimi seja dono do jornal. Porque vai usufruir disso, já que acredita ser uma poetiza nata. Ela costura a intriga, vai falar com a esposa do coronel, se faz de amiga, conversa com ele para que ajude o marido”, revela a atriz. Apesar da critica social, o espetáculo promete também muitas risadas.

“É uma comedia, portanto tinha quer ser uma caricatura. Fiz um personagem brejeiro, bem caricato mesmo, onde eu buscasse uma outra voz, um outro jeito de andar. Ele é ridículo, fedido, engole mosquito”, ressalta o ator Rogério Jacenir que faz o jornalista fofoqueiro, Anaxágoras. 

A montagem foi contemplada com o Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro 2010, pela Funarte (Fundação Nacional de Artes), do Ministério da Cultura e tem apoio do Instituto de Ciências e Artes da UFPA, da Escola de Teatro e Dança da UFPA e Rede Cultura de Comunicação. 

32 anos de Movimento Teatral - Criado na década de 80 com a estreia de 'Jurupari a Guerra dos Sexos', espetáculo apresentado no Teatro Experimental Valdemar Henrique, o Grupo de Teatro Palha é inicialmente formado por nomes que fariam história no teatro paraense. Entre eles, Paulo Santana e Wlad Lima. 

No ano seguinte, o sucesso é repetido com uma montagem direcionada para o público infantil. o grupo de jovens atores inicia sua participação na III Mostra estadual de teatro realizada pela FESAT – Federação de Atores, Autores e Técnicas de teatro e a partir daí, os palcos de Belém se tornam pequenos para a trupe, que começa a itinerar pelo interior do Estado. 

Após ganhar visibilidade e adquirir mais consistência em seus textos, sempre mergulhando no universo amazônico (em parceria com o dramaturgo Ramon Stergmam) o Grupo Palha inicia turnês no Norte e Nordeste do país. Mas depois do meteoro sucesso, o grupo se vê obrigado a parar devido a uma crise no movimento teatral do Estado.

Com problemas financeiros, fazem uma pausa que perdura 10 anos. Voltando apenas em 1994 com a montagem do clássico de Bertolt Brecht, 'O Mendigo Ou O Cachorro Morto', dirigido por Kil Abreu e tendo como elenco Alberto Silva e Paulo Santana (fundador do Grupo), que desta vez retorna a cena como ator. Retomando o fôlego, o Grupo inicia, a partir desse período, um trabalho fundamentado no ator e na busca de textos de grandes dramaturgos, utilizando-se da linguagem para o discernimento da literatura universal. 

De lá pra cá, volta a participar de Mostras e Festivais de Teatro. Conquista patrocínios locais e nacionais e ganha diversos Prêmios Estaduais e Nacionais. Recentemente, retorna seu trabalho para a riqueza local, buscando fazer releituras históricas e literárias da região.

Ficha Técnica: 
  • Elenco: 
Harlles Oliveira - Governador do Pará
Cursino Mangalarga - Coronel 
Thainá Chemelo - Elvira/esposa do governador 
Luiz Carlos Girard - D. Mário/arcebispo 
Arnaldo Abreu - Erasto/chefe de gabinete do governador/Mimi, filho de Saulo Santarém, dono do Jornal Tribuna do Norte 
Rogério Jacenir - Anaxágoras/repórter do Tribuna do Norte 
Camila Góes - LudiMeia/esposa de Mimi 

  • Direção: Paulo Santana 
  • Dramaturgia: José Maria Vilar 
  • Produção Executiva: Tânia Santos 
  • Assistente de Produção/Cenografia: Paulo Santana 
  • Figurino: Bruno Furtado 
  • Iluminação: Malú Rabelo 
  • Sonoplastia/ Visagismo: Nelson Borges 
  • Arranjo Musical (Hino do Pará): Samuel Rios 
  • Técnico de gravação: Bárbara Viana Apoio 
  • Técnico: Everton Figueiredo 
  • Caricaturas: João Bento 
  • Designer Gráfico: Raissa Araújo 
  • Fotografia: Rodolfo Mendonça 
  • Assessoria de Imprensa: Leandro Oliveira 
  • Fotos: Rafael Samora 

Serviço 
“Cobras!”, Espetáculo Teatral de livre adaptação do romance ‘Rio de raivas’, de Haroldo Maranhão. Apresentado pelo Grupo de Teatro Palha. Com direção de Paulo Santana e dramaturgia de José Maria Vilar. Local: Teatro Universitário Cláudio Barradas (Rua. Jerônimo Pimentel, 546, quase de esquina com TV. Dom Romualdo de Seixas- Umarizal). Hora: Sempre às 20h. Período: De 26 a 30 de setembro Entrada Franca Classificação: 16 anos. Mais informações: 8220-1597.

25.9.12

"Avenida Brasília Formosa" no Amazônia Doc 4

O longa de Gabriel Mascaro retrata identidades repartidas, fissuras e grafias. Em "Avenida Brasília Formosa", ele gera encontros entre personagens singulares eleitos para tecer uma rede de leitura poética e sensorial de uma comunidade. O documentário será exibido nesta quarta--feira, 26, na Mostra Competitiva do IV Festival Pan-Amazônico de Cinema, Amazônia Doc, que ocorre no Teatro Maria Sylvia Nunes, às 19h30. A entrada é franca.

Os laços comunitários se estabelecem não a partir de uma romantização (muito comum ao cinema brasileiro) do conceito de “identidade cultural”, mas a partir de relações cotidianas.

São relações que congregam tensão e conflito com as mais puras necessidades humanas. Uma verdadeira teia complexa e intrincada de pessoas que se interconectam.

Fábio é garçom e cinegrafista. No bairro de Brasília Teimosa, em Recife (PE), ele registra importantes eventos. O que gerou um acervo com raras imagens, como a exemplo da visita do presidente Lula às palafitas do lugar.

O rapaz é contratado pela manicure Débora para fazer um videobook, que tentar uma vaga no Big Brother. Ele também filma o aniversário de cinco anos de Cauan, um garotinho fã do Homem Aranha. Já o pescador Pirambu mora num conjunto residencial construído pelo governo para abrigar a população que morava nas antigas palafitas do bairro, que deu lugar à construção da Avenida Brasília Formosa. 

Curta - Veja também hoje o curta “Regresso”, de Jano Burmester.Sinopse: Pepe Zavala volta a Lima depois de morar no estrangeiro com a família. Agora viverá na casa de seus pais, acomodando-a a seu gosto e deixando transparecer um homem estranho e solitário, um obsessivo compulsivo com a limpeza, ordem e perfeição. 

Vanessa Iturriaga é sua vizinha e parte do passado compulsivo dele, que será retomado na dedicação de registrar seu dia a dia para conhecê-la. Regreso é um curta-metragem que expõe o mundo interior de uma personagem que vive sozinha, escrava de sua obsessão compulsiva, sem poder vencê-la. 

O Amazônia Doc 4 tem patrocínio do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, e integra a programação da Feira Pan-Amazônica do Livro. O festival conta ainda com o apoio cultural do Estúdio Ovelha Negra, Colégio Ideal, Fox Vídeo e Distribuidora Estrela do Norte. 

Serviço
Mostra Competitiva Amazônia Doc, quarta-feira, 26, às 19h30, no Teatro Maria Sylvia Nunes (Estação das Docas). Entrada Franca.

24.9.12

Pré CLIC discute a cultura pop oriental

Texto: Enderson Oliveira

No período contemporâneo são mais comuns processos como os de “desespacialização” e “desterritorialização” dos povos e das culturas. O ciberespaço colabora para isso: pela internet é possível “estar” em qualquer lugar do mundo e entrar em contato com várias pessoas e culturas diversas. A própria dicotomia entre Oriente e Ocidente acompanha estas tendências: não é difícil encontrar atualmente produtos multiculturais e transculturais que unem referências a ambos. 

Para observar exemplos destes processos, não é obrigatório atravessar o planeta. No Pará mesmo, que possui a terceira maior colônia japonesa do Brasil, há um grande número de pessoas que estão atentas a uma espécie de “simbiose” cultural e que incorporam elementos das culturas asiáticas ao seu dia-a-dia, seja ao ler mangás, assistir animes ou mesmo adotarem outros traços comportamentais, como os otakus e cosplays. No campo das artes, é possível destacar movimentos pop, como o Superflat, nas artes plásticas, e o K-Pop, na música. Ambos os casos tratam-se de uma nova produção cultural “pós moderna”. 

Atenta a este panorama, a Comissão Organizadora do CLIC 2012 realizará o 5º Pré CLIC do ano com o tema “O oriente é logo ali... ou está aqui?”, no dia 25 de setembro, no Espaço Benedito Nunes, na Livraria Saraiva. Os convidados do bate-papo são Tárcio Galvão e Carlos Henrique Brandão, o DJ Masa. O evento tem entrada franca. 

Tárcio é bacharel em Publicidade e Propaganda pela Unama e pesquisou o movimento Superflat, iniciado pelo artista plástico japonês Takashi Murakami no início do século XXI. O Superflat, entre outras coisas, busca criticar os vícios de consumo e o excesso de fetichismo da sociedade japonesa, seguindo a visão apocalíptica de que no futuro o mundo todo será “perdido” nos tais excessos e num fluxo de informações sem fim. 

DJ Masa é graduado em Administração e em Comunicação Social. Masa e iniciou sua carreira em 2005. Atualmente, é uma referência mundial em K-pop – a música produzida na Coréia do Sul – e já se apresentou em cidades como Budapeste, Lima, Cingapura, Buenos Aires, São Paulo, Recife e Brasília. 

Tendo como base o K-Pop, o DJ e produtor cultural mistura músicas e videoclipes de intérpretes e bandas do Oriente e do Ocidente e ainda faz mashups inusitados, misturando ícones musicais pop como Lady Gaga e Madonna até Nirvana e Muse. Recentemente, DJ Masa ganhou destaque nacional ao fazer um mashup com trechos da novela Avenida Brasil. 

A mediação do próximo Pré CLIC será de Camila Sousa, graduanda no curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Socias da UFPA, colaboradora do blog Belém Otaku, integrante do coletivo #SalaLivre e do grupo de estudos de cibercultura Realidade². 

Serviço
5º Pré CLIC O oriente é logo ali... ou está aqui? Nesta terça-feira, 25, às 19h. Espaço Benedito Nunes, na Livraria Saraiva (Shopping Boulevard). Entrada franca com direito a certificado.

22.9.12

Alex Pinheiro comemora 30 anos de discotecagem

Texto: Dani Franco

Era pra ser apenas a celebração do cinquentenário dos Rolling Stones – por si só um excelente motivo para comemorar – mas o dia 22 de setembro marca também as três décadas de discotecagem de Alex Pinheiro. É hoje, na Selecta 4 que acontece no restaurante Casa México. 

Além do aniversariante, também assumem as pick ups os DJs Ruy Oliveira, Fernando Wanzeler (Coletivo Black Soul Samba) e Daniel Coutinho Jr. Tido como lendário e grande inspirador do cenário da discotecagem de Belém, Alex Pinheiro é a estrela maior da próxima Selecta 04, a festa que retirou os vinis dos fundos de sebos, estantes, prateleiras, caixas e armários dos djs paraenses e tem imprimido sua marca na noite de Belém. 

Considerado um “lobo solitário”, Pinheiro é assumidamente um DJ de música alternativa. Suas incursões na cidade são sempre em vanguarda, abrindo caminho para o que, muitas vezes, viraria moda. Através dele, bandas paraenses como as extintas Cravo Carbono e Euterpia, passaram a ser tocadas nas pistas de dança; além de trazer pra cidade novas formas de discotecar.

“São mais de 30 boates e pelo menos a metade fizeram história ... Não dá pra contar a história do rock e afins só mencionando as bandas que não foram mais incisiva que um Dj feito eu. Lembro que muitos só curtiam heavy metal, mas quando entraram no La Cage e ouviram os sons que rolávamos, se expandiram musicalmente.” analisa o DJ. Para Ruy Oliveira, DJ e companheiro de longa data de Pinheiro, “ele (Alex) me influenciou e praticamente a 99% dos discotecários rock de Belém”, afirma.

Alex, discotencando na Selecta 03
Filho do Maestro Araújo Pinheiro (fundador e imortal da Academia Paraense de Música) e irmão de outro importante DJ da cidade, o Tarrika, Alex diz que é DJ “à duras penas”, mas que isso é melhor do que ser um economista infeliz.

“Comecei em 1982 no Gato e Sapato, discotecando uma música moderna para época como punk /new wave (antes do estouro anos depois) tecno pop, música brasileira e os ‘cambaus’. Estava sozinho experimentando algo novo, eu rolava aquilo que gostava e não ficava mais à sombra dos manos.”, informa.

Nesses 30 anos, Alex se ressente pela falta do reconhecimento da importância de DJs como ele, Ruy Oliveira e Velton Coelho. “Falta técnica, felling, conhecimento, humildade e respeito com aqueles que vieram antes e que abriram caminhos para eles.”, reclama. Mas, apesar das insatisfações, o DJ continua no caminho da discotecagem, garimpando preciosidades musicais para alegria e felicidade geral da nação roqueira da “mangueirosa”. 

Na festa deste sábado a comemoração dos 30 anos de discotecagem do DJ, será ao sabor da bolacha preta, o vinil. Nos pratos, os DJs Ruy Oliveira, Fernando Wanzeller e Daniel Coutinho Jr. se revezam entre as várias fases dos Rollings Stones para também celebrar os 50 anos da banda inglesa; além de passear pelos clássicos do cancioneiro do mundo do rock, indo de Pixies, Blondie, Smiths, Simple Minds, David Bowie e todos os grandes roqueiros marcados naquele inconfundível som de peixe fritando. 

Serviço 
Selecta 04 – Festa do Vinil – Homenagem aos 50 anos da banda Rolling Stones e aos 30 anos de discotecagem de Alex Pinheiro Com os DJs Alex Pinheiro, Ruy Oliveira, Fernando Wanzeler e Daniel Coutinho Jr. Neste sábado, 22 de setembro, a partir das 22h, no restaurante Casa México – Mundurucus, em frente a Praça Batista Campos. Ingresso: R$5,00 Mais informações: 9116 80 94.

Projeto Combo faz + duas apresentações em Belém

Uma escadaria de diva e um quintal carregado de memórias. É nestes espaços que fogem ao padrão das apresentações cênicas que o projeto COMBO, organizado pela Dimenti Produções Culturais Ltda, da Bahia, se despede de Belém, neste sábado, 22, e domingo, 23. Entrada franca. 

Por aqui desde a última quarta-feira, 19, patrocinado pela Funarte – Prêmio Klauss Vianna de Dança e produção local dos Produtores Criativos, a despedida do projeto em Belém começa neste sábado, com a apresentação de “Um Corpo que Causa”, que será apresentado na escadaria interna e secular do Colégio Barão do Rio Branco, a partir das 19h. “Um Corpo que Causa” é um solo coreomusical, criação de Jorge Alencar, diretor artístico do Dimenti desde 1998. 

Também curador e criador em dança, teatro e audiovisual, neste solo, ele passa por várias situações que envolvem o tema da sexualidade, seja via palavra, movimentos ou canções. “Este corpo quer causar alguma coisa. No sentido da expressão ligada a universo gay e LGBT, ou seja, na gíria, alguém que dá uma pinta, se glamourisa ou que sexualiza uma situação. São jeitos de entender. Outra coisa é um corpo que tem uma causa política, um interesse sobre sexualidade. O que eu quero é provocar efeito na plateia, um impacto e para isso utilizo os meios musical, coreográfico, dramático, físico. Este impacto pode ter como retorno a emoção, o riso, o deslocamento irônico do público”, explica Jorge Alencar, que também é Bacharel em Comunicação Social (UCSAL), licenciado em dança (UFBA) e Mestre em Artes Cênicas (PPGAC – UFBA).

“Um Corpo que Causa”, assim como “Kodak”, “Edital” e “Single”, solos que também integram o COMBO, não tem um espaço tradicional de apresentação. Em cada cidade que chega, busca uma escada para sua evolução.

“Uma escada de diva”, pediu Jorge ao enviar, há um mês, para a produção local, as necessidades de sua apresentação. “Não que eu tenha abandonado o espaço do teatro, mas tenho buscado espaços específicos, que tenham marcas. Por isso eu brinco que peço uma escadaria de diva, quanto mais ‘Divesca’ mais legal. Neste caso, a ideia é criar uma plasticidade para isso ou uma espécie de imaginário da escada, um corpo que cai, que se despende dela, o vulnerável. Então, o público, tem este impacto inicial. É de se perguntar: que escada é esta?”, conta o ator. 

É o que Jorge tenta ir respondendo ao longo do espetáculo. Em cena, numa encruzilhada artística ele canta, encena e dança acompanhado por um tecladista. Na trilha há sete canções, entre elas músicas de Barbra Streisand, Cauby Peixoto, Freddie Mercury, Madonna e até uma música da Pequena Sereia da Disney.

“São músicas que figuras que estão associadas à questão da sexualidade, como o Cauby, considerado a primeira Drag Queen assumida e até a Ariel, a Pequena Sereia, que queria trocar sua voz por pernas de mulher. É uma espécie de transexual. E é um espetáculo pra todas as idades, viu. Na cena há momentos coreográficos em que viro Carmem Miranda, Calypso, Kaoma. É exaustivo, eu termino bem cansado, mas feliz”, diz Jorge.

Souvenir - O ator e diretor, que começou a carreira aos 13 anos fazendo teatro, além de criar e estar na cena do solo “Um Corpo que Causa”, é também diretor do espetáculo que encerra a temporada do COMBO em Belém, neste domingo, 23, no Casarão do Boneco, a partir das 17h.

“Souvenir estreou no quintal de uma casa em Salvador e em Belém não será apresentado de forma tão diferente. O espetáculo, que traz três atores em cena, remete às lembranças de cada lugar por que passamos. É um espetáculo de memória e um quintal é sempre carregado de memórias performáticas experimentadas já na infância, onde se toma banho de chuva e se inventa mil coisas”, explica Jorge. Souvenir traz embriões. As experiências das brincadeiras de quintais que se tornam artísticas. 

Quem não tem uma história de quintal na memória? Em cena, os atores mostram pequenos números que vão trazendo à tona esta memória e emociona o público na simplicidade de sua execução. “São cenas caseiras de arte, que trazem uma imprecisão, quase amadorística, porém, proposital. A chuva é banho de mangueira, é tudo meio precário, mas medido e pesado. Tem mais a ver com cinema que teatro, tem uma sutileza realista que é muito cinematográfica”, explica. 

Produção local - Tem se tornado uma constante. Cada vez mais Belém é parada obrigatória para as produções artísticas de fora do estado em circulação pelo país. E fazer a produção local das montagens cênicas que sempre é coisa simples. No caso de COMBO, em cada cidade que chega, o grupo se depara com as especificidades do lugar e o encaixe de seus trabalhos não menos específicos. 

“É um trabalho exaustivo, de pesquisar a cidade e negociar com os locais tentando firmar uma parceria. A recompensa vem na hora que se consegue ver o espetáculo pronto, o público a espera, senhoras e senhores, o espetáculo vai começar!”, diz Cristina Costa que coordena a Produtores Criativos. No caso de COMBO, a demanda mais difícil foi de uma escadaria de “Diva”.

Depois de percorrer várias, como a do Theatro da Paz, Museu de Arte Saca, MHEP e Mabe, entre outras, chegou-se à centenária escadaria do Colégio Barão do Rio Branco, que fica na Generalíssimo esquina da Braz de Aguiar. A dificuldade para conseguir uma dessas escadarias é a falta da utilização das mesmas para apresentações deste gênero. 

"Os espaços têm suas rotinas e, por que não? E suas burocracias. A conciliação com a ação artística, às vezes assusta, pois não é só o artista e a equipe técnica, é o artista, a equipe técnica e o público”, considera Cristina. 

“Não é tão simples construir uma escada num teatro, aquilo que vai transportar o público para vários universos, do cinematrográfico ao do sonho. Esta escadaria traz outras possibilidades, que um palco não traria. Já viajamos com este solo para o Rio de Janeiro, São Paulo, Recife. Em cada lugar me deparo com um problema. Em Belém, a cada foto de escada que os Produtores Criativos nos mandavam, enlouquecíamos. Acho que Belém é a cidade das mais belas escadarias que já vimos”, diz Jorge, feliz com a escada que conseguiu por aqui.

“Nosso desafio é olhar para nossa cidade e buscar identificar o que o espetáculo precisa. Produtores Criativos teve esta experiência com o grupo Clowns de Shakespeare (Natal/RN), intensificada agora com o projeto Combo em Belém, além do espetáculo de dança Tá Rolando o Bafon!, produção paraense que ficou em cartaz entre 13 e 16 de setembro, e que também necessita de espaços alternativos para sua realização. É um trabalho exaustivo, de pesquisar a cidade e negociar com os locais tentando firmar uma parceria. A recompensa vem na hora que se consegue ver o espetáculo pronto, o público a espera, senhoras e senhores, o espetáculo vai começar”, finaliza Cristina Costa. 

Serviço 
Um Corpo que Causa - sábado, 22 - Escola Barão do Rio Branco - 19h – Av. Generalíssimo, esquina da Braz de Aguiar. Souvenir - domingo, 23 - Casarão do Boneco - 17h - Av. 16 de Novembro, 815. Mais informações 8177.7504. Apoio: Hilton Hotel, Fundação Curro Velho, Unipop, Fundação Tancredo Neves, Escola Estadual Barão do Rio Branco, Funtelpa e Rádio Cultura.

20.9.12

Adriana Cavalcante canta na Black Soul Samba

Vai ser um show inédito. Além das músicas novas, "Pra Não Esquecer" e "Proibida", o repertório traz sucessos de Manu Chao, Wando, Madonna, Ronaldo Silva, Buena Vista Social Club e Warilou, entre outros. Será algo "Amazonicaribenho", promete a cantora. É nesta sexta-feira, 21 de setembro, no Palafita, a partir das 21h, na Cidade Velha. 

Adriana Cavalcante nem sempre foi pop. Iniciou sua formação musical aos oito anos de idade no Conservatório Carlos Gomes, cursando piano clássico. Não seguiu, porém, a carreira de pianista. 

Foi  fazer Comunicação Social, mas no final dos anos 1990 já começou a cantar e logo estava nas bandas Tempero da Tribo e Batom Carmim, presentes em 10 entre 10 programações de verão naquele período. Adriana chamava atenção pela voz e atitude no palco. Em 2002, com o fim das bandas, resolveu investir na carreira solo. Não foi um erro. Já fez várias apresentações em teatros e programas culturais de Belém e em 2004 saiu em turnê independente por vários países da América do Sul, como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Argentina. 

Entre 2006 e 2007 fez temporada de shows no litoral do Rio Grande do Norte, e no ano seguinte representou o Estado do Pará na “Feira-Exposição Anual” da cidade de Bressuire, na França. Depois disso ainda fez muito mais até chegar ao momento atual, em que acaba de participar da primeira etapa do Projeto “Ao Vivo”, realizado com produção executiva de Gláfira Lobo. “A primeira etapa do projeto foi concluída (show em três cidades paraenses), com a captação de imagens e áudio, o que significa dizer que vem um DVD por aí”, comemora.

O show desta sexta trará com certeza a energia do momento que a cantora está vivendo. E para não ter nenhum erro, ela formou uma banda repleta de talentos. Renato Torres no violão/guitarra e vocais preciosos; Rodrigo Ferreira assume o teclado e samplers; Baboo Meireles, o contrabaixo; Bruno Mendes, a Percussão e Edvaldo Cavalcante, a bateria. A participação de Renato Torres é especial. “Sou fã dele há anos”, diz. 

Pela primeira vez no palco da Black, Cavalcante diz que considera a festa um espaço marcante para a difusão de trabalhos autorais. “Pra mim é muito especial, por vários motivos, inclusive da identificação com o público, com todas as pessoas envolvidas nessa festa, o lugar, e a ótima oportunidade de difusão da música autoral independente de Belém”, ressalta. 

Além de outros projetos com o qual está envolvida, Adriana avisa que pretende gravar seu DVD. “Já estou na pré-produção de músicas autorais, recebendo músicas de compositores daqui, pesquisando muita sonoridade, com participações especialíssimas de Lia Sophia, Gaby Amarantos, D.Onete”, conta.

A sexta-feira vai ser de muita vibração. Além de Adriana Cavalcante e Banda, os Djs da Black também comandam a noite. Eddie Pereira, Homero da Cuíca, Uirá Seidl, Kauê Almeida e Fernando Wanzeler trazem raridades da Black Music. 

Serviço
Adriana Cavalcante e Banda. Quando: Sexta, 21 de setembro de 2012 – A partir das 21h. Quanto: R$ 10,00 – com meia-entrada para estudantes (em respeito à lei nacional da meia-entrada). Onde: No bar Palafita – Rua Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas, na Cidade Velha. Saiba mais: www.blacksoulsamba.blogspot.com. Fan Page:www.facebook.com/BlackSoulSamba. Twitter: @blacksoulsamba. Imprensa: (91) 8134.7719. Produção: (91) 8413 0861 / blacksoulsamba@yahoo.com.br. Escute a Black na rádio: Toda quarta, 21h, na Unama FM – 105,5. Reprise aos sábados, 22h.

18.9.12

Projeto Combo traz cinco espetáculos para Belém

De 19 a 23 de setembro eles serão apresentados em vários espaços da cidade, sempre com entrada franca. Eles fazem parte do COMBO, projeto que percorre o país, vindo da Bahia, contemplado pelo Prêmio Klauss Vianna de Dança – Funarte. Em entrevista ao Holofote Virtual, um dos integrantes do grupo, Neto Machado, coreógrafo e bailarino do solo “Kodak”, fala do projeto e do trabalho que desenvolve junto ao artistas criadores do projeto. 

“COMBO é a concretização de um projeto que une pessoas que já estão juntas”, vai logo me dizendo.

“Já estávamos trabalhando um no trabalho do outro, e esse projeto vem unir estes trabalhos. Todos nós somos produzidos pelo Dimenti, que é uma produtora de Salvador. 

Esta produtora centra nossos trabalhos, ela organiza o que fazemos e é nosso lugar de volta. Nosso esforço de trabalho é pra ela girar, porque ela girando ela faz nosso trabalho girar também”, conta Neto Machado. 

Cinema, stop motion, infância, música, sexo e crítica. As cinco performances discutem temas diferentes mais têm algo em comum. “Todas buscam um formato que concretize a própria discussão que apresentam”, arremata Neto. “Quero dizer com isso que todas estão testando diferentes formatos - que passeiam por dança, teatro, artes visuais - que tentam se aproximar das questões que estão interessadas”, explica. 

De acordo com ele, o grupo não está discutindo o que é dança ou não, arte ou não. “Simplesmente se coloca em trabalho para ver qual será a melhor maneira de tratar as questões que lhe interessam naquele momento. Essa é uma aproximação das obras. Todas estão testando formatos, sem uma preocupação de onde eles se enquadram”, conclui. 

Single (Foto:Tiago Lima)
Atuando também nas áreas de teatro e artes visuais, Neto Machado é integrante-fundador do coletivo Couve-Flor Minicomunidade Artística Mundial, patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural, e praticou street dance durante muitos anos, experiência que inspirou as primeiras tentativas de transformar os comandos do videocassete em ações do/no corpo.

Dividindo seu trabalho entre Brasil e Europa, em projetos com artistas como Xavier Le Roy, Jan Ritsema, Jorge Alencar e Thiago Granato, atualmente ele circula pelo país com o projeto COMBO, criado junto a outros quatro artistas baianos, que assinam os solos “Um Corpo Que Causa” (Jorge Alencar), “Single” (Leo França), “Edital” (Fábio Osório Monteiro) e “Souvenir”, o único que traz mais de um ator em cena. Eles ocuparão o Teatro Cuíra, o Porão da Unipop, o Casarão do Boneco e uma escadaria na centenária Escola Barão do Rio Branco.  "Kodak", de Neto, abre a progamação.

Por não apresentarem formatos tradicionais, em cada lugar que chegam os espetáculos necessitam de demandas específicas. “Tem uma peça pra teatro, outra para galeria, outra para quintal e assim por diante. Cada peça pede também um contexto”, diz Neto. Abaixo ele fala mais. 

Neto Machado em Kodak (Foto:João Meirelles)
Holofote Virtual: Como surgiu a ideia do projeto COMBO? 

Neto Machado: COMBO surge de uma vontade de circular obras de artistas que, de alguma forma, colaboram. Somos todos parte da equipe do espetáculo Souvenir - que tem produção de Ellen Mello, direção de Jorge Alencar e performance de Fábio Osório Monteiro, Leo França e minha - e cada um desses artistas tem um solo, que também conta com outros de nós na ficha técnica em diferentes funções. 

São solos produzidos em contextos distintos, com diferentes vontades e desejos, mas que de formas diversas tiveram a proximidade de todos durante o processo de criação. Percebemos que circulando com Souvenir "levaríamos na bagagem" esses outros trabalhos, e que poderia ser uma boa oportunidade apresentá-los também. Então criamos o COMBO. Um combinado que ao invés de batata frita e refrigerante, oferece diferentes trabalhos de arte contemporânea que estão conectados artística e afetivamente. 

Holofote Virtual: É a primeira circulação de vocês? 

Neto Machado: Não. COMBO já circulou pelo interior do estado da Bahia e foi até o Rio de Janeiro. No interior circulamos com quatro trabalhos ao todo, três solos e Souvenir. Já no Rio, tivemos o mesmo formato que vai pra Belém, com Kodak, Single, Edital, Um Corpo que Causa e Souvenir. 

O formato muda dependendo do projeto que fazemos parte e das circunstâncias que circulamos. No interior da Bahia circulamos com um projeto financiado pelo governo do estado, e fora da Bahia vamos circular com apoio da Funarte - Prêmio Klauss Vianna. 

Edital (Foto:João Meirelles)
Holofote Virtual: Qual a característica de cada um dos criadores e qual a formação de vocês? 

Neto Machado: Acho que poderíamos elencar coisas que nos diferem, por exemplo: meu primeiro contato com a arte foi com o hiphop. Dancei dança de rua toda minha adolescência e por muitos anos fui professor também. Fiz faculdade de Artes Cênicas e uma formação em Dança Contemporânea na França. Nenhum dos outros artistas deste projeto dançou hiphop, nem fez faculdade de Artes Cênicas. 

Os outros têm passagem por balé clássico, ou danças populares, e tem até quem fez faculdade de administração de empresas. Essas diferenças nos aproximam também, porque nos interessam e nos modificam mutuamente. Mas é importante dizer aqui que temos muitas proximidades também. 

Todos estamos interessados em produzir arte contemporânea. E estamos interessados que esta arte contemporânea que produzimos possa ter eco na nossa sociedade. Todos nós lidamos nas nossas obras com assuntos, perguntas, referências e propostas muito comuns à nossa sociedade. 

São propostas estéticas que burlam a separação entre as linguagens artísticas - estão entre dança, teatro e artes visuais - mas que não estão interessadas em ficar exclusivamente dentro do circuito hermético das obras contemporâneas, queremos encontrar qualquer um que estiver interessado. Nas diferentes obras do COMBO aparecem referências ao universo pop, à infância, à violência urbana, à burocracia diária, aos musicais e cabarés entre várias outras. 

Souvenir (Foto: divulgação)
Holofote Virtual: Vocês utilizam espaços nem sempre convencionais para apresentações cênicas. Seria certo chamá-las de intervenções? 

Neto Machado: São cinco trabalhos. Não chamaria de intervenções por eles não necessariamente intervirem num contexto específico. 

São espetáculos que circulam muito dentro do campo da dança contemporânea. Mais por uma aceitação maior deste universo, do que por uma exclusividade de interesse das obras. As peças são construídas com pensamentos coreográficos, mas quem for ver não necessariamente vai assistir a "passos de dança". 

Nenhum espetáculo traz um "estilo de dança" nem está interessado por isso. São peças que entendem coreografia com algo amplo, que abarca um organização da cena e não passos definidos. Tem espetáculos em que se canta muito mais do que se move, em que se fala muito mais do que se move, mas eles também podem ser considerados peças de dança se pensarmos nessa coreografia que organiza o corpo, a cena e a dramaturgia, mais do que "os passos". 

Holofote Virtual: Além dos solos há um espetáculo com mais de um ator... 

Neto Machado: Souvenir é um trabalho com três artistas em cena (Leo França, Osório Monteiro e Neto Machado). É dirigido pelo quarto (Jorge Alencar) e tem produção e assistência de direção da quinta (Ellen Mello). Este é um trabalho construído muito a partir dessa palavra que dá título a obra: Souvenir. Ela tem o significado de memória e também define aqueles objetos que trazemos como lembrança de viagens e datas especiais. Ele foi construído pensando os três atores como souvenires deles mesmo. O corpo de cada um carrega as memórias e lembranças que já passaram. 

Vem à cena diferentes memórias dos três, compiladas e organizadas a partir das memórias dos outros que estão fora da cena. Souvenir é uma coreografia para quintal, feita pra ser encenada num lugar com memórias (será realizado no Casarão do Boneco). Um espetáculo que lida com memórias sem parar no nostálgico. Apresenta as memórias para saborearmos o presente. 

Kodak (Foto:Tiago Lima)
Holofote Virtual: Fala um pouco mais sobre Kodak, uma de suas criações, e também das outras apresentações... 

Neto Machado: Kodak é uma peça para o público infanto juvenil que usa o universo da técnica do stop motion - técnica de animação que utiliza fotografias sequenciais para produzir a ilusão de movimento no cinema - para produzir efeitos coreográficos. 

Em cena estou eu rodeado de caixas de arquivo morto de plástico colorido produzindo cenários onde cenas acontecem. É um stop motion rodando no meu próprio corpo. No palco aparecem os Changemans, Ben 10, Godzilla, King Kong, Power Rangers, Mangás... Pra criar este trabalho eu pesquise formas de mudar a percepção do movimento testando no meu corpo técnicas usadas no cinema. 

Em Single, Leo França mergulha na cidade pra pensar sobre violência. Ele nos re-apresenta um objeto muito comum em Salvador, um ferrinho usado para proteção colocado no topo dos muros que cercas as casas. É um ferrinho com pontas afiadas, cortantes, e que em Single aparece como que moldável. Não na sua forma, mas no seu sentido. O ferro aparece em situações outras, remixando seu sentido. Leo usa no processo histórias da própria família, fatos da cidade e experiências estéticas com vídeos, objetos e movimentos. 

Edital é uma peça sobre burocracia. O processo dela vem da tentativa de Fábio Osório Monteiro criar sua primeira peça autoral. Surgem daí, questionamentos sobre políticas públicas, sobre o lugar do artista na sociedade, sobre a relevância de projetos culturais, sobre autoria e sobre processos de seleção. Pra resolver o próprio problema de criar uma peça, Osório cria inúmeros outros sobre nossa sociedade. 

Um Corpo que Causa (Foto: Val Lima)
Holofote Virtual: E tem “Um corpo que causa"... 

Neto Machado: Um Corpo que Causa canta desejos. Esta é uma peça cabaré que canta aos quatro ventos as diferenças dos desejos. São discutidas em cena as estratégias de produção de sexualidades, que estão desde os desenhos animados infantis até os astros da música internacional. Mas não se mergulha nesta Epopéia de destrinchar esses universos sem penetrá-los. Corpo que Causa é um espaço de delírio porque se penetra, está discutindo por dentro. Não se aponta o problema lá fora, aqui se canta emocionado tudo que se quer dizer. 

Holofote Virtual: Como tem sido a reação do público por onde vocês?

Neto Machado: As reações são muito boas, porque todos os trabalhos causam estranhamento ao mesmo tempo em que causa aproximação. Eles são muito convidativos, lidam com referências próximas do público. São trabalhos estranhos à primeira vista, mas o público acaba muito empolgado porque se relaciona mesmo que no início possa achar que não. Quem não se emocionar com o canto de Cauby Peixoto pode rir com a burocracia diária, se surpreender com a destruição de uma cidade de plástico, imaginar um mundo de ferro e brincar com as memórias da infância.

Holofote Virtual: O que vocês pretendem provocar, o que estão discutindo? 

Neto Machado: Depende do espetáculo, mas em geral acho que estamos procurando novas formas de sentido. Burlamos, mixamos e remodelamos sentidos do nosso mundo. Olhamos para coisas que estão ao nosso lado e mexemos nelas, apresentamos outras possibilidades, pensamos se existe algo mais que podemos propor além do que já está aí.


PROGRAMAÇÃO COMBO EM BELÉM - 19 a 23 de Setembro 

• Kodak - quarta-feira, 19 - Teatro Cuíra - 19h – 1º de Março, c/ Riachuelo.
• Edital - quinta-feira, 20 - Porão da Unipop - 19h - Senador Lemos, 575.
• Single - sexta-feira, 21 - Porão da Unipo - 19h - Senador Lemos, 575.
• Um Corpo que Causa - sábado, 22 - Escola Barão do Rio Branco - 19h – Av. Generalíssimo, esquina da Braz de Aguiar.
• Souvenir - domingo, 23 - Casarão do Boneco - 17h - Av. 16 de Novembro, 815.

Mais informações: 91 8177.7504. Apoio: Hilton Hotel, Fundação Curro Velho, Unipop, Fundação Tancredo Neves, Escola Estadual Barão do Rio Branco, Funtelpa e Rádio Cultura.

17.9.12

Seminário discute a pesquisa e a prática em circo

Trazendo uma programação voltada à reflexão sobre o circo, o I Seminário de Pesquisa em Arte Circense, além de mesas redondas, palestras e comunicações acadêmicas, também oferece oficinas práticas e ações de aproximação e troca de experiência entre público, artistas e pesquisadores. De 24 a 30 de setembro, na Escola de Teatro e Dança da UFPA – ETDUFPA -, Praça da República e na Cia. Atlética. Inscrições abertas. Mais informações: 91. 8118. 7916/ 80838450. 

O evento é fruto do trabalho conjunto entre o grupo de pesquisadores em Artes Cênicas do PPGArtes/ICA e UFPA, a produtora circense Vida de Circo, alunos, professores e artistas de Belém.

Em entrevista para o Holofote Virtual, uma das organizadoras do seminário, Virginia Abasto, da Vida de Circo, fala mais sobe a cena do circo no Pará, a partir de sua pesquisa de Mestrado e dá mais detalhes sobre o I Seminário de Pesquisa em Arte Circense.

Holofote Virtual: Por que este seminário é importante, na sua opinião? 

Virgínia Abasto: Trocar ideias, abrir novas estradas de pensamento, de ação. Como você sabe, tenho essa pulga atrás da orelha há muito tempo. 

Eu venho de experiências de trocas com circo de lona, com caravana, trupe, com arte de rua e com palco. Então, não consigo pensar em arte sem troca, não há circo onde não se circule, não temos como crescer se não damos passos novos. 

E querendo ou não os mestres de notório saber do circo estão sempre nas estradas, distantes. Com base no que acredito, sempre bato de frente com a falta de incentivo ao circo e a pouca quantidade de espetáculos circenses que chegam à cidade. 

Parei uns dias antes de assumir o compromisso, pensei nas consequência de arcar com o evento deste tipo, apertei a saia, comprometi minha querida Marina até o fim de seus dias a não me abandonar, pedi a benção do meu marido, consultei meu oráculo, ou seja minha orientadora a Profa. Dra Wlad Lima que me deu total apoio e inclusive está conosco na organização, comprando ideia de ter mais circo como prática e como pesquisa na ETDUFPA. Então, comecei as negociações. E deixei todo na mão de meu bom Jesus... e não foi que tudo começou a acontecer? 

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Holofote Virtual: (risos) Quais as oficinas que serão realizadas? 

Virgínia Abasto: A organização do projeto de “Oficinas de capacitação em Artes Cênicas” da Funarte está trazendo o professor Dr. Mario Bolognesi (UNESP), que vem para ministrar da parte de pesquisa em circo como possibilidade de estudo, a partir de diversas abordagens de investigação acadêmico-científicas. 

E a professora Sara Krumm (ARGENTINA), que virá ministrar tudo sobre práticas corporais e metodologia de treinamento em e para circo. Para isso, a articulação de Marcos Teixeira (coordenador de Circo) e de Elaine (coordenadora das oficinas de capacitação) foi imprescindível. 

Temos ainda, apoio da Fundação Cultural Tancredo Neves, ETDUFPA, PPGARTES/ICA, e dos parceiros de sempre Sol Informática, Hileia, Restaurante Spazzio Verdi, e outros. Na equipe de organização hoje estão a profa. Wlad Lima, Marina Cruz, Rosangela Colares, Rosana Lobo Rosário, Patrícia Pinheiro, Isabel Lobato, além de mim. 

Holofote Virtual: O que há de pesquisa acadêmica nesta área, em Belém? 

Virgínia Abasto: Em Belém, até agora tínhamos mais pesquisas voltadas para área de Clown, palhaço nas áreas das artes, saúde, letras e outras. E até onde tenho conhecimento, duas pesquisas sobre a extinta Escola Circo ‘Mano Silva de Belém’, uma na área de antropologia da profa. Dra Lucilia Matos e a outra da ex-coordenadora da escola circo, Lana. E há pouco tempo, Isabela Lobato defendeu seu TCC na temática do circo dentro da área de educação física. Se há outros não sei ou não lembro. 

Em andamento temos o projeto de Marina Cruz, sobre o resultado do espetáculo Vertigem, que é de circo-teatro contemporâneo. E o meu trabalho de pós-graduação em Artes (Programa de pós graduação em Artes do Instituto de Ciências da Arte /UFPA), em que abordo a trajetória histórico-artística do circo em Belém, a partir de um estudo documental e de história oral que colabora na reconstrução da manifestação do circo na região. Analiso o habitus de Circo (usando um termo cunhado pelo pensador Frances Pierre Bourdier), na cidade de Belém-PA. 

Holofote Virtual: Há muitos grupos de circo aqui? 

Virgínia Abasto: Hoje, Belém tem vários grupos que trabalham com palhaço e inserem algumas habilidades circenses a suas apresentações. Eu tenho conhecimento de aproximadamente seis grupos que vêm guardado permanência nos últimos dois anos, além do ícone formador de muitos outros grupos, que são os Trovadores, há mais de 13 anos em cartaz. Porém, temos um movimento crescente de pequenas trupes, que somam em torno de 7 a 8 grupos que eu chamo de circenses urbanos. 

Outros artistas independentes circulam de uma a outra trupe e/ou grupo. De outros municípios conheço o grupo Circo Imaginário, de Igarapé Açu. E conheço gente que já trabalhou em Barcarena, mas não sei se ainda estão na área. A maior parte dos grupos de municípios paraenses misturam as linguagens, não mantêm somente a do circo. E há ainda, nossos queridos itinerantes que rodam a região do Pará dando pequenas fugidas pelas fronteiras do Amapá, Maranhão e Manaus, porém mais tarde ou mais cedo sempre voltam. 

Holofote Virtual: Olha só... E são mais ou menos quantos circos circulando? 

Virgínia Abasto: Hoje temos uns quatro circos de donos que rodam há muitos anos pelo Pará e mais uns cinco de pequeno porte, circo-família, que aparecem pelos bairros da periferia dos municípios, mais nem todos são daqui. Na verdade, estes são muitos e são poucos, ao mesmo tempo, depende do que você entenda por “Circos da região”, mas para isso terá que esperar terminar minha tese (risos). 

Holofote Virtual: Há nas graduações em arte da nossa região alguma disciplina voltada às artes do circo? 

Virgínia Abasto: Lamentavelmente, ainda não. Não voltadas para o circo em geral, para as técnicas de acrobacia, montagem de lonas e aparelhos, princípios do circo, histórico, treinamento, etc. Há sim sobre clown, mas inclusive estas são um pouco mais voltadas para o teatro que para o picadeiro. 

Em 2005, cheguei a ministrar uma disciplina para o 1º e 2º anos do curso técnico de formação de atores, na ETDUFPA, junto com o Prof. Eder Jastes e Eleonora Leal, em que dividíamos as horas de expressão corporal com técnicas de treinamento em circo. Porém nunca houve uma disciplina especifica como já existe em universidades de São Paulo, Rio e Minas e Bahia. O que se tem há muitos anos na cidade, são cursos livres, no Curro velho, IAP, Centur, enfim, todos projetos paralelos de formação não continuada ou não profissionalizante. 

Holofote Virtual: E quanto a espaços de apresentação, como estamos para o circo? 

Virgínia Abasto: Fatalmente excluídos. Hoje é a grande pedra no pé de todos os que tentamos dar manutenção as técnicas circenses, principalmente no que se refere a acrobacias aéreas que requerem de uma estrutura de sustentação dos aparelhos com especificações bem particulares. Belém já não está muito bem de espaços para artes cênicas em geral, com nossos teatros em eternas reformas. 

Nenhum espaço de lazer na cidade está preparado para receber espetáculos do tipo. Não podemos trabalhar com pirofagia. Muitas vezes o chão não é seguro para as acrobacias de solo ou ainda, os tetos são tão baixos que nos vemos obrigados a reduzir a altura das pernas de pau. Outro problema é que Belém não tem quase terrenos para o circo de lona acampar. Quando se pensa em manter a cultura circense também precisa ser pensado o espaço do espetáculo e nesse sentido, Belém não esta preparada para as lonas coloridas, cenário de nossas apresentações. 

Holofote Virtual: Você diz que o contato com a Funarte tem sido fundamental. Como tem sido a relação com a equipe de artes cênicas da fundação? 

Virgínia Abasto: Na verdade a Funarte é um contato de muitos anos de trabalho com circo. Recomendação de ex-colegas de trabalho. Participação em comissões de seleção de projetos culturais.

Trabalho com escola Circo. Participação em fóruns virtuais e presenciais de políticas para o circo, enfim, a Funarte tem um olho de águia apontado para varias ações e apesar de todas as limitações burocráticas, desde que tenho entrado em contato, nunca faltou resposta, apoio ou estimulo às atividades circense. 

Agora por exemplo, além de colaborar com o I Seminário de Pesquisa em Artes Circenses, eles também estão trazendo uma oficina de figurino, que se deu quase que da mesma maneira. Conversando sobre os projetos planejados, viu-se a possibilidade de trazer para Belém esta outra oficina que é voltada para a melhoria na qualidade do espetáculo dos circos de lona. 

Eu sugeri a ETDUFPA, argumentando que lá nos temos curso de figurino e toda a infraestrutura que pode servir ao bom andamento da oficina. Os coloquei em contato com a diretora Inês Ribeiro que de bom grado abriu as portas da instituição, numa troca que beneficiará também professores da Universidade que participaram da oficina. 

Serviço 
O I Seminário de Pesquisa em Arte Circense é uma realização da PACA – Pesquisadores em Artes Cênicas da Amazônia e do grupo Vida de Circo, com patrocínio da Funarte – Ministério da Cultura e com apoio do Instituto de Artes Cênica - ICA - e Escola de Teatro e Dança da UFPA – ETDUFPA -, Fundação Tancredo Neves, Cia Atlética, Hileia, Spazzio Verdi, Sol Informática e Refry. Inscrições aberta: Mais informações: 91. 8118. 7916/ 80838450.