25.9.13

Urubu Pavão traz novos compositores paraenses

Mateus Moura
O projeto ganha espaço de realização na Casa Dirigível (R. Presidente Pernambuco, prox. Praça Trindade), nesta sexta-feira, dia 27, a partir das 20h.  

A ideia é provocar o encontro entre dois novos artistas da cena musical da cidade, que irão além de apresentar canções autorais num espetáculo de toma lá, dá cá, como num desafio, vão também conversar com o público sobre seus processos de criação. A entrada é gratuita, com a tradicional passada de chapéu ao final. 

 No final do ano passado, os jovens músicos João Urubu e Rafael Pavone deram o pontapé inicial do projeto fazendo uma série de ensaios abertos. João Urubu é um jovem poeta, compositor e cantor do movimento teatral e dos botequins de Belém. Rafael Pavone é cantor, compositor e músico da banda Les Rita Pavone. 

Depois, outros novos compositores tiraram suas canções da gaveta e experimentaram o mesmo processo. Na noite de sexta-feira, Mateus Moura e Jimmy Góes acompanhados por João exibirão o segundo volume do projeto com suas composições. 

João Urubu
De acordo com João, o primeiro volume se baseou em cinco músicas do Rafael e outra seis de autoria dele. Urubu é o sobrenome de João. Pavão é o sobrenome de Rafael em português. 

A escolha do Urubu Pavão, segundo os criadores do projeto, não se deu apenas pela associação de seus sobrenomes. 

Eles explicam que a escolha foi concebida por acreditarem que é a partir do jogo conflituoso e dialético das forças antagônicas coexistentes no mundo, como o belo e o feio, o bem e o mal, o inferno e o céu, o urubu e o pavão, é que a arte e a vida tornam-se mais fecundas, abrindo-se a infindáveis possibilidades estilísticas. 

Veja o vídeo de apresentação no espaço Saraiva: www.youtube.com/watch?v=YGswO5DHt5w e no Facebook: https://www.facebook.com/urubupavao

Theatro da Paz traz a nova cena da ópera no país

Richard Wagner, no XII  Festival de Ópera do Theatro da Paz
“O Navio Fantasma” faz a última récita nesta quarta, 25, depois de duas apresentações com a casa lotada. Ingressos esgotados um mês antes, apontaram para o sucesso conquistado junto ao público. Além disso, a obra de Richard Wagner, dirigida por Caetano Vilela mostrou que, cada vez mais, a cena da ópera no país caminha para a pluralidade. 

O encenador William Pereira, hoje um dos principais nomes da ópera no Brasil, era uma das pessoas atentas, na plateia. O diretor veio de São Paulo exclusivamente para ver a montagem de Wagner. “Era uma mistura que não dava para perder: Wagner, Caetano Vilela, o Miguel Campos Neto regendo. São pessoas que gosto muito e acompanho tudo que eles fazem”, disse no intervalo dos dois primeiros atores para o terceiro.

A montagem de óperas de concepção contemporânea é algo recente e ainda raro no Brasil, estimulando jovens encenadores e plateias plurais. Embora a preferência dos aficionados ainda seja pela obra tradicional, isso está mudando. Até pouco tempo atrás, se ia ao teatro para aplaudir solistas de renome, mas hoje a ópera está se tornando uma arte mais próxima do teatro. 

Rodrigo Esteves encarna o Holandês Voador
“Eu acho uma maravilha tudo isso acontecendo. É fundamental, afinal ópera não é museu, ópera tem que dialogar com o público e acabar um pouco com clichês da ópera descritiva, onde o que importa é o óbvio. 

Caetano é brilhante nesta obra de Wagner”, comentou o diretor. "Ele consegue pegar uma ópera do Séc. XIX e dar uma roupagem de Sec XXI, sem trair a história, respeitando o autor”, complementa. 

Para William, as montagens tradicionais não fazem mais tanto sentido para um público que tem acesso a tanta informação, vinda do cinema, da TV entre outros canais de acesso ao mundo, e que não quer mais ver um discurso passadista no palco. Hoje, a ópera também está na internet, como aconteceu nesta última segunda-feira, atraindo milhares de acessos ao Portal Cultura, que logo após colocar no ar o link da transmissão ao vivo do Theatro da Paz, atingiu seu ápice. 

“Achei sensacional a montagem de O Navio Fantasma, pois vejo que a linguagem da ópera pode conviver harmonicamente com uma coisa mais ousada. E isso, o festival está fazendo muito bem, ao juntar obras mais tradicionais, com coisas mais ousadas e contemporâneas”, acrescentou William Pereira, que já dirigiu óperas nos Teatros Municipais do Rio e de São Paulo. 

Em Belém, ele dirigiu O Guarani, dentro do Festival de Ópera do Theatro da Paz, e mais recentemente esteve em Brasília, onde dirigiu Carmen, de Bizet, e Olga, obra contemporânea, de Jorge Antunes. Apaixonado pelo que faz e com base em São Paulo, ele diz que não tem um lugar de onde seja, que o seu trabalho é a sua casa. 

O baixo russo, Denis Sedov, é Darland
Inovação e ousadia - Caetano Vilela está satisfeito com a montagem e receptividade do público nas récitas de “O Navio Fantasma”. Após a apresentação da segunda
récita, no dia 23, ele se diz surpreso com o resultado. 

Tem uma coisa chamada maldição da segunda recita, quando sempre alguma coisa dá errado e por incrível que pareça, nesta segunda récita deu tudo certo. Eu fiquei impressionado, porque tecnicamente, vocalmente , artisticamente, tudo se encaixou. Agora que começa o entrosamento das pessoas”, disse. 

A obra de Richard Wagner é considerada difícil por exigir muito de todos, não só do coro, mas da orquestra e dos solistas. E para Caetano Vilela, este nível de exigência aumenta ano a ano dentro do festival. Mas ele faz questão de ressaltar que com o aprimoramento crescente do coro, é cada vez mais fácil realizar peças mais ousadas.

“O coro está se aprimorando, o nível de exigência dessa encenação é completamente na entrega, e eles alcançaram isso. Foi um trabalho diferente do que eles fizeram em Il Trovatore ou em Elixir de Amor, que é obra mais campestre, suave e leve. 

O diretor Caetano Vilela,
Em Wagner, o coro, homens e mulheres, tiveram que mudar não só o registro vocal, mas o de interpretação e de entendimento, pois esta é uma obra mais aberta. Mas pegaram tudo muito bem, foram super receptivos com minhas ideias e isso contribuiu bastante para este resultado”, afirmou. 

Diretor atento a todos os detalhes da montagem, Caetano tem seu feeling em tudo que passa pelo espetáculo, indo da cenografia ao figurino, passando claro, pela luz e a encenação. 

As informações técnicas que ele traz de sua formação em teatro fazem diferença na montagem. Atualmente ele integra a nova geração de encenadores que populariza a ópera no Brasil, com espetáculos lúdicos, fiés às obras, mas sem clichês e que permitem contemporaneidade com qualidade, acentuando o brilho dos solistas e das orquestras. 

“Cada ópera pede uma coisa diferente. Este é um espetáculo muito contemporâneo e moderno. Gosto dirigir títulos que me permitam ousadias, preciso imprimir ali minha identidade, nisso eu sou exigente. Não costumo dirigir o que não dialogue com meu repertório, eu venho do teatro, então o que eu levo disso para a ópera é a misancene. O Navio Fantasma me permite fazer isso, como Richard Strauss e todos os discípulos de Wagner. Não me vejo fazendo algo mais conservador”, comenta. 

Senta (Tati Helene), com tecelãs, no 2º ato: emoção
Surpresas -  A ópera de três atos teve montagem em Belém com apenas um intervalo. 

Os dois primeiros acontecem juntos, com momentos de extrema beleza, mas ao ser indagado sobre o que ele mais destacaria no espetáculo todo, Caetano pinçou cenas que tem emocionado também o público, no segundo ato da ópera. 

“Comecei o projeto de encanação pelo terceiro ato, que eu já sabia que eu ia usar em recursos cênicos que o navio já me daria. Eu já tinha tudo em mente. O segundo, embora eu já soubesse o que aconteceria, me surpreendeu. 

Quando aquele painel fecha com a tecelagem, há uma entrega surpreendente do coro feminino e da soprano Tati Helene, proporcionando um caráter emotivo à cena toda. 

E eu não esperava por isso. Para mim, o segundo ato é um espetáculo de teatro perfeito com começo, meio e fim. É quando se fala das relação humanas, dos egos. O elenco toma conta de todo o ato e aparece muito mais que a própria encenação. Estou muito feliz”, finaliza.

Serviço
“O Navio Fantasma”, de Richard Wagner. Última récita, dia 25 de setembro, às 20h. O encerramento do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz será neste sábado, 28 de setembro, às 20h, com um concerto aberto, na frente do Theatro da Paz. Mais informações: www.festivaldeopera.pa.gov.br.

24.9.13

"Roda Peão" faz 30 anos e ganha nova exibição

Exibido pela primeira vez, há três décadas, em uma reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o documentário “Roda Peão”, do fotógrafo Patrick Pardini (fotografias) e do economista José Alberto Colares (áudio e montagem), está de volta à cena, nesta terça-feira, 24 de setembro, a partir das 19h, no Sesc Boulevard. Direcionado a jornalistas, fotógrafos, documentaristas e interessados no assunto, após a sessão haverá debate com Ernani Chaves e Marly Silva.

Os grandes projetos na Amazônia sempre trouxeram mais impactos sociais e ambientais para a região, do que o real desenvolvimento e a melhoria na qualidade das pessoas que vivem aqui. E no que diz respeito a registros, o audiovisual tem exercido função importante.

Um bom exemplo é Iracema, uma Transa Amazônica, do Bodanski, onde para além da trama “ficcional” em meio à cena documental, podemos ver a floresta em chama em vários momentos, anunciando um longo e interminável período de devastação a que a Amazônia continua sofrendo até nossos dias. 

Outro, é “Roda Peão”, documentário feito na década de 1980, à época da implantação da fábrica de alumina em Barcarena e Abaetetuba, no nordeste do Pará. O filme, montado, a partir de fotografias projetadas em slide e sincronizadas com a narração em áudio de uma fita K7, traz imagens e relatos de ribeirinhos e trabalhadores da região. 

Na época, houve expulsão dos moradores do local onde foi construída a indústria, para logo em seguida atraí-los de volta para o local para trabalhar na obra. Antes quem vivia da pesca, passou a trabalhar na construção da indústria. Até hoje é assim. Quase todo mundo vive de um emprego na fábrica. O índice de violência nas duas cidades continua alto, com direito a assassinatos, prostituição e problemas com uso de drogas entre jovens.

Na época em que foi lançado, o vídeo chegou a ser exibido em Belém, em Barcarena e também em cidades de outros estados. O momento era de intensa discussão política e de acordo com Patrick, o áudio serviu de mote para gerar debates em torno dos grandes projetos industriais. Para a nova aparição de Roda Peão, um trabalho intenso de digitalização foi feito com as fotografias e a fita de áudio, também passou por novo processo e foi remasterizada. 

As fotografias que compõem o documentário foram feitas em junho de 1983, na região das ilhas e também no canteiro de obras da Albrás-Alunorte. Nesse período também foram colhidos depoimentos dos trabalhadores que resultaram na fita de áudio.

Na trilha sonora há duas músicas, uma delas, "Homenagem a Conde", de Joaquim de Lima Vieira (Mestre Vieira), cantada por Dejacir Magno (Dinâmicos). 

Na primeira parte do filme é abordada a vida dos ribeirinhos e as principais atividades econômicas das cidades. Depois, o documentário trata de aspectos de dentro da indústria, da condição de vida dos operários, mostrando inclusive a parte de lazer dos trabalhadores, que gastavam o dinheiro do trabalho na Vila do Conde onde havia prostituição, bares, locais de dança e música ao vivo. Aproveitando o momento em que eles conversavam livremente, Patrick Pardini diz que foram obtidos depoimentos de alegria, emoção e raiva. 

Serviço
Exibição de “Roda Peão”, às 19h, no Ssec Boulevard – Entrada franca. Na Av. Castilho França, em frente à entrada do estacionamento da Estação das Docas.

Cineclube em Icoaraci e Sessão Maldita no Líbero

Em Icoaraci, tem sessão na quarta, 25, no Cineclube Coisas de Cinema. Na sexta, 27, a Sessão Maldita do Cine Líbero Luxardo, pode ser uma boa pedida pra dar o start da noite. A realização é do Espaço Coisas de Negro e do Cine Líbero Luxardo, respectivamente, com apoio da APJCC e curadoria de Aerton Martins.

O Espaço Coisas de Negro agora também é um espaço de cinema. Na verdade sempre foi um lugar aberto às intervenções audiovisuais, além de já ter sido tema de documentário, uma vez que o espaço é um dos redutos mais tradicionais do carimbó, em Belém. Lá, durante as rodas que acontecem há 12 anos, sempre aos domingos, rolam projeções de clipes e fotografias ligadas ao universo amazônico musical. 

Nesta quarta-feira, 25, porém, o Coisas de Negro abre alas ao cineclubismo, com a sessão de "Colateral", um longa metragem de Michael Mann. O filme é de ação e suspense. Traz o personagem Max, que vive há 12 anos como um simples motorista de táxi, já tendo levado os mais diversos passageiros a todos os locais de Los Angeles. Em uma noite aparentemente tranquila, ele encontra Vincent (Tom Cruise), um homem que pega o táxi como se fosse um passageiro qualquer. 

Para surpresa do taxista, no entanto, o homem é um assassino de aluguel, que está na cidade para completar o plano de um cartel do narcotráfico, que está prestes a ser condenado por um júri federal. Ele precisa matar cinco testemunhas-chave do processo e conta com Max para fugir da polícia local e do FBI, logo após cometer os assassinatos. Obrigado a seguir as ordens de Vincent, Max precisa ainda lidar com a possibilidade de ser morto por seu passageiro a qualquer momento, já que Vincent pode usá-lo para proteção pessoal. 

Com ótima atuação de Tom Cruise, o filme é considerado uma obra prima de Michael Mann, cineasta estadunidense, considerado um dos diretores americanos mais inovadores e respeitados em atividade. Possui um estilo bastante característico de filmar, bastante focado no apuro visual e no tom documental. 

Sessão Maldita - No Cine Líbero Luxardo, a Sessão Maldita, desta sexta-feira, 27, exibe "Faca na garganta". De acordo com Carlos Reichenbach (fonte: http://migre.me/g9sG8), trata-se de um "clássico exploitation de Jack Hill. Egresso da Corman´s Factory e contemporâneo de Coppola, Scorsese, Bogdanovich e Monte Hellman, Hill foi um dos únicos que seguiu, por três décadas, fiel ao espírito do cinema para Drive-In; pouca grana, histórias ágeis e criatividade a mil. Hoje é considerado um mito entre realizadores de porte e aficionados da sub-cultura. 

Faca na garganta [...] começa como um subproduto da Boca do Lixo, com gang de meninas malvadas, prisão feminina e vigilantes lésbicas interpretadas por atrizes histriônicas, cheio de clichês e obviedades. Aos poucos a geleia diluída vai se transformando numa incrível tragédia grega com muita luta de poder, vira um filme político e maoista (com direito a livro vermelho e tudo!) e termina com uma ode desenfreada à rebeldia. 

O filme é bsolutamente transgressivo e com uma antológica sequência numa pista de patinação no gelo. Dizem que ''Faca na Garganta'' é o filme fetiche das lésbicas americanas: pode e deve ser. É barato, é bom demais. Na sua displicência é deslumbrante. É rústico e desavergonhadamente talentoso, como ''Naked Kiss'' de Fuller e ''Two Lane Blacktop'' de Monte Hellman". 

Serviço
Coisas de Cinema apresenta “Colateral”, de Michal Mann. Dia 25 de setembro (quarta), às 19h30 - Espaço Cultural Coisas de Negro – Av. Lopo de Castro (antiga Cristovão Colombo), 1081/ Icoaraci. Na sexta-feira, dia 27, às 21h30, tem Sessão Maldita no Cine Líbero Luxardo (Centur) - Av. Gentil Bittencourt, 650, térreo. Classificação: 18 anos. Tudo entrada franca.

23.9.13

Começou 1º festival de videomappping do Norte

O Festival Amazônia Mapping traz oficinas gratuitas, com os maiores artistas em mapping do país. Mas a programação ainda inclui shows em parcerias com músicos e produtores multimídias. O inédito, o FAM investe em alta tecnologia, promovendo projeções que ocupam a arquitetura do centro histórico de Belém, até outubro. 

Uma das técnicas visuais mais inovadoras da atualidade, o videomapping é a projeção audiovisual que, quando aplicada a grandes estruturas, como edifícios e monumentos, permite que as imagens “se dobrem” com a arquitetura onde são exibidas.

“A ideia é que esse centro histórico receba a intervenção de tecnologias avançadas de vídeo projeção, na busca de integrar a arte à arquitetura e ao espaço púbico. É um convite ao despertar de um espaço que diz respeito a nossa própria identidade cultural, como paraenses e amazônidas, e revisitá-lo de uma maneira surpreendente, que rompa com o modo trivial de lidarmos com a cidade”, diz a artista visual Roberta Carvalho, idealizadora e curadora do festival, realizado pela 11:11 Arte, Cultura e Projetos. 

Os festivais de mapping têm sido realizados nos mais variados locais do mundo, como Londres, Genebra e Budapeste. No Brasil, os eventos ocorrem no sudeste do país e, pela primeira vez, chega à região Norte. “O mapping é considerado o futuro das projeções. E mesmo com a dificuldade de conseguir a tecnologia necessária para desenvolver essa técnica, a realidade é que essa técnica abre inúmeras possibilidades de criação e ocupação. Não há limites”, afirma Roberta. 

Um dos destaques da programação é a exibição de um trabalho inédito de Leandro Mendes, o VJ Vigas. Para Belém, o artista traz um de seus mais significativos projetos. Batizado de “Organismos Públicos”, o trabalho mapeia prédios seculares de cidades do país, que têm a fachada “ocupada” por projeções criadas a partir da história de cada local e de elementos simbólicos que dizem respeito à identidade cultural daquele espaço. 

Na capital paraense, a Igreja de Santo Alexandre será a tela que receberá os desenhos de luz criados por Vigas.

“A igreja tem um grande valor histórico para cidade, e o projeto tem o conceito de usar prédios públicos históricos para resgatar seu valor com a cidade, além de trabalhar elementos referentes ao histórico do seu entorno”, diz o artista. 

A projeção inédita, inspirada no centro histórico de Belém, ocorrerá no sábado, 28, e traz elementos da realidade amazônica, marcada por um misto de urbanidade e regionalismo.

“Para essa apresentação, serão usados elementos que compõem a fauna e a flora amazônica, somando-se a elementos históricos da fundação da cidade, os povos que ali viveram, seus colonizadores. O projeto pretende revisitar a história secular da cidade a partir da tecnologia, e o despertar do espectador, que verá os prédios históricos de uma forma completamente inovadora”, diz o artista. 

Oficinas - O Festival Amazônia Mapping se propõe a promover o intercâmbio com profissionais de outros estados brasileiros. 

Três artistas de destaque na cena nacional e mundial irão ministrar oficinas gratuitas no Instituo de Artes do Pará (IAP). O VJ Robson Victor, um dos maiores nomes em projeção de videomapping e detentor do título de Campeão Mundial de VJs no 4º World Championship, ministrará o workshop “Produção de conteúdo para Vjing em After effects”, de 24 a 26 de setembro. 

Vencedor da 1º edição brasileira do Campeonato Brasileiro de VJs, Robson Victor trabalha a imagem em sincronia com o som, criando um ambiente totalmente imersivo com suas animações. Acumulando a experiência de ter participado de festivais de audiovisual em diversas cidades do mundo, o VJ atualmente trabalha com projetos de videomappings para o mercado corporativo e circuitos culturais que correm o mundo e ministra palestras e workshops de produção e mapping em São Paulo na USP e na Trackers Centro Multidiciplinar. 

O mais influente e importante artista de vídeo mapping do país também é convidado do festival. Pioneiro no país e com uma trajetória de quase 20 anos, VJ Spetto ministra a oficina “Vídeo Mapping”, dos dias 24 a 26. Para ele, o videomapping proporciona a reinvenção da relação com o meio urbano. 

“As pessoas não olham mais a paisagem urbana, estão cegas e presas a essa rotina, em que olhar para cima ou para o lado significa perder tempo. 

A arquitetura é algo que se vivencia. O videomapping vem na esteira de todas as manifestações urbanas de arte. É uma ânsia da cultura e da arte atual de transformar a cidade em que se vive numa coisa mais humana, acessível e lúdica”, diz Spetto. 

Voltada para iniciantes, o coletivo de experimentação gráfica Várzea Ilustrada promove a oficina “Intervenção Criativa” nos dias 26 e 27. Formado por André Catoto, Gabriel Bitar, e Nana Lahóz, o grupo trabalha com produção e manipulação de imagens em tempo real, fazendo uso principalmente da projeção e da animação quadro-a-quadro ao vivo como ferramentas em seus trabalhos. Shows A programação do FAM culmina em uma grande noite de celebração no dia 28, a partir de 20h. 

Diversos artistas convidados irão expor projetos inéditos, criados especialmente para o festival, que serão apresentados em diversos espaços do centro histórico. Daniel Ziul, do estúdio Gotazkaen, cria grafites enquanto os Cronistas da Rua tocam o seu hip hop. 

O artista multimídia Luan Rodrigues compôs imagens que irão ser exibidas com um set musical criado pelo O DJ Waldo Squash, do Gang do Eletro. Aíla e Roberta Carvalho, que há anos trabalham juntas aliando música e imagem, também se apresentam no projeto.

O DJ e produtor Jaloo, que desponta no cenário nacional, se apresenta ao lado do artista visual Kauê Lima. Lucas Gouvea e Maécio Monteiro, da Improvideo, mostram suas projeções em parceria com o saxofonista Stefano, do Zebrabeat, banda paraense que aposta na black music e em batuques suingados. 

Até o dia 15 de outubro, o FAM realiza ainda projeções dentro da mostra “Visualidades Sobre Superfícies da Cidade”, em vários locais da cidade, cuja proposta é deslocar o trabalho de artistas visuais para o meio urbano sob a forma de projeções mapeadas. As projeções serão divulgadas no site do festival. A realização do FAM é da 11:11 Arte, Cultura e Projetos, com patrocínio VIVO, através da lei Semear. Confira o site do projeto.

Serviço 
Festival Amazônia Mapping realiza oficinas de vídeomapping de 24 a 27 de setembro, no Instituto de Artes do Pará. A programação promove no dia 28 a Ocupação do Centro Histórico, no Complexo Feliz Lusitânia, com artistas convidados que apresentam parcerias inéditas entre música e vídeo. Os shows começam a partir de 20h. Toda a programação é gratuita. 

Oficina reúne arte cênica e intervenção urbana

Projeto Palco Giratório do Sesc traz para Belém a oficina “Poéticas de Multidão”, do Coletivo Construções Compartilhadas (BA). Nos dias 06 e 07 de outubro, das 09h às 13h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, resultando na intervenção “Pingos e Pigmentos”, no dia 08. As inscrições são gratuitas, mas as vagas, limitadas, e devem ser feitas de forma presencial na recepção do Sesc Boulevard, de terça a sábado, das 10h às 19h. 

Poéticas de Multidão: {pingos&pigmentos}, é uma oficina de intervenção urbana, cuja proposta é potencializar o sentido estético-perceptivo dos participantes e desenvolver uma lógica performática de ocupação do espaço urbano a partir de ações de composição que envolvam o corpo e os guarda-chuvas, objeto central do trabalho. Para isso, são consideradas as singularidades de cada cidade e de seus habitantes para transformação da paisagem e cotidiano local.

O Construções Compartilhadas surgiu em 2008, a partir de uma residência artística desenvolvida no Cine Teatro Solar Boa Vista, em Salvador.  O Coletivo de artistas atua a partir da criação e gestão colaborativas, o que vem possibilitando a realização de trabalhos como instalações cênicas “O engenheiro que virou maçã” (2009); as intervenções urbanas “Pra te ver melhor’ (2009), o conjunto de seis obras do “Poéticas Performáticas de Multidão” (2010), e as oito criações autorais do projeto “Arquipélago” (2012).

Além das produções artísticas, o Coletivo investe em outras ações, a exemplo do evento Experiências Compartilhadas, que agrega criadores em torno de temas relacionados às suas práticas, modos de produção e sustentabilidade.

Direcionada a jovens e adultos interessados na proposta, a oficina terá como ministrante Rita Aquino com colaboração de Alexandre Molina, Carlos Santana, Eduardo Rosa, Lenine Guevara, Líria Morays, Rafael Rebouças. 

Serviço
Sesc Boulevard inscreve para oficina com grupo de teatro baiano Período: 06 e 07/10 – oficina, das 09h as 13h 08/10 – Intervenção “Pingos e Pigmentos” Local: Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Informações: (91) 3224-5305/5654 (Éder Oliveira - Assistente Técnico - Centro Cultural SESC Boulevard).

20.9.13

Projeto Trajetos Heroicos alegra ruas de Belém

Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pança e Makunaíma na Terra de Pindorama fazem parte do projeto de circulação do Grupo Teatro que Roda. Além da capital paraense, a trupe ainda percorre as cidades de Porto Nacional, Palmas, Taquarussu, no Tocantins, e Imperatriz, no Maranhão, passando também por Brasília. Nesta sexta-feira, o grupo sai às 20h, da Praça do Carmo e circula a Cidade Velha. Amanhã, 21, participa de um bate papo com o grupo Pirão, às 17h, na Casa Dirigível, e depois vai ás ruas novamente, saindo às 10h, da frente do banco da Amazônia.

Atuar na rua é dialogar com as mais diversas demandas daqueles que habitam esse espaço público. É também interferir na ordem do funcionamento desse lugar, modificando seus fluxos, e ampliando suas possibilidades lúdicas. A elaboração deste projeto surge da necessidade do grupo em levar seu “Teatro de Invasão” às ruas e avenidas de uma região ainda não visitada por este coletivo. 

Ao eleger estas águas vamos de encontro à nossa história, pois a ocupação do território onde estamos assentados está intimamente ligada a este rio que nasce em nosso estado (Goiás), percorre Tocantins e Maranhão para desembocar no norte do Pará e assim ligar diferentes formações sócio espaciais, carregando contradições compartilhadas entre essas regiões e que consequentemente poderão ser vivenciadas pelo grupo.

Estas características estão presentes nos dois espetáculos. Em “Das Saborosas Aventuras...”, baseado na obra de Miguel de Cervantes, a possibilidade de realizar sonhos que parecem impossíveis e a relatividade da loucura aproxima-se da história de nosso povo que em grande soma é constituído por migrantes sonhadores e desbravadores de várias partes do Brasil. Já “Makunaíma na Terra de Pindorama”, baseado na obra de Mário de Andrade, o herói de nossa gente encarna a identidade nacional costurada pela diversidade brasileira.

A encenação de “MaKunaíma na Terra de Pindorama” é uma experimentação com esse jogo: pretende interferir nas frestas dos fluxos da rua, propondo que o espectador acompanhe os atores em uma espécie de brincadeira ao redor de tipos que pertencem às ruas, avenidas e praças do Brasil.

Democratizando a cultura

“Queremos que nossos personagens penetrem as calçadas, vias de trânsito, lojas, estimulando a que o cidadão comum que transita pelo centro da cidade sinta que pode jogar, pode romper com seu ritmo cotidiano, fazendo o espetáculo junto aos atores.” destaca André Carreira. 

De acordo com ele é uma busca pelo carnaval mais simples, entre os amigos do bairro, do pequeno bloco de sujos, ou seja, é a cara de Belém, daí a ideia de sair da Praça do Carmo, onde ainda na época carnavalesca, resiste a festa sem glamour. "É este o nosso ponto de partida para apresentar a tribo dos Tapanhúmas, e o Herói do Mato Dentro. O carnaval na rua com sua singeleza e capacidade aguda de criticar, é o material que convida os espectadores” , diz.

“Colocamos o bloco na rua para dar vida a MaKunaíma, seus irmãos e suas cunhãs. O herói sem nenhum caráter transita pela rua contando os episódios principais de sua jornada pelas terras do Brasil. De repente vemos que esse herói se parece a tantos que estiveram na rua assistindo nossos ensaios, e certamente a muitos outros que estarão vendo nossas apresentações. Indefiníveis como brasileiros, mas reconhecíveis como brasileiros, especialmente como sujeitos que tratam de estar de pé e aptos a seguirem adiante”, finaliza. 

Veja mais, aqui: http://g1.globo.com/videos/minas-gerais/triangulo-mineiro/mgtv-2edicao/t/triangulo-mineiro/v/setimo-festival-de-teatro-movimenta-juiz-de-fora/2795110/

Para acompanhar o bate papo com o Grupo Pirão: Casa Dirígivel, na Rua Gama Abreu - Praça Barão do Rio Branco - próx. a OAB. Ás 17h, sábado, 21.

19.9.13

Lia Sophia lança novo CD em clima de celebração

E para isso há motivos de sobra. Só pra citar, nos últimos dois meses, a cantora cumpriu uma agenda intensa. Lia foi uma das atrações mais esperadas do Carifesta, um festival de música realizado em agosto, em Paramaribo e, em setembro, além de sua participação no Global Criança Esperança, ela também brilhou no Prêmio Multishow de Música Brasileira. Agora, em clima de festa, chegou a hora de apresentar ao público o quarto álbum da carreira. Sim, é para comemorar! O lançamento é nesta sexta-feira, 20, ao ar livre, com entrada franca, na Estação das Docas. (Fotos: Naiara Jinknns)

Intitulado “Lia Sophia”, o CD foi produzido com patrocínio do Programa Natura Musical e Governo do Estado do Pará por meio da Lei de Incentivo à Cultura - Semear. Evocando raízes e memórias musicais em composições autorais, releituras de clássicos da canção popular brasileira, traz ainda participações super especiais. 

A noite  de lançamento promete momentos inesquecíveis, já a partir das 19h, com a discotecagem de Azul, que fará uma seleção de ritmos paraenses, tão calientes como os que estão no repertório de Lia Sophia. Também haverá lançamento do videoclipe da música “Amor de Promoção”, já um hit do CD. E quando a cantora subir ao palco, trará consigo grandes músicos e parceiros, além de participações bem especiais, uma delas, a de Mestre Vieira, criador da guitarrada. 

Juntos eles cantarão “Você voltou pra mim”, de autoria do guitarreiro, dando uma palhinha do que está no DVD dos 50 Anos de Guitarrada do músico, com lançamento marcado para 25 de outubro, também na Estação das Docas. “É uma das maiores honras pra mim, porque ele é um dos precursores da música que é feita no Pará hoje com toda essa força. Através dele, estarei reverenciando todos os grandes mestres da música popular paraense”, diz Lia Sophia.

Márcio Jardim (percussão), Adalbert Carneiro (baixo), Davi Amorim (guitarra), Edvaldo Cavalcante (bateria), Daniel Delatuche (trompete) e Jó Riberio (trombone), que acompanham a cantora no disco, também estarão no palco.

Há 10 anos trabalhando com uma equipe afinada, Lia sente-se confortável. “São pessoas que me conhecem, sabem o que eu gosto de música, sabem o que eu escuto, sabem das minhas opiniões sobre música. Então, a gente consegue dividir muito bem isso”, conta. 

Os músicos Harley Bichara (Sax tenor, sax barítono), Paturi, Nazaco Gomes, Félix Robatto (violão nylon e guitarra) e Esdras de Souza (Sax tenor, sax barítono e flauta) também estão no show. Outra convidada é Jade Guilhon, que assume a rabeca em ‘Beleza da Noite’. 

O CD - Produzido com patrocínio do programa Natura Musical, através da Lei Semear de Incentivo à Cultura do Governo do Pará, ‘Lia Sophia’ traz 14 faixas repletas de sensualidade. 

Feito para dançar e se esbaldar em noites calientes dos trópicos ou não. Na primeira audição é seguramente o que logo chama atenção no novo álbum que leva o nome da cantora.

“Ele é muito festivo, dançante. Reflete o que o disco mostra, essa alegria de viver. Acho que a nossa música é isso”, diz. Mescladas às inovações de elementos eletrônicos, as canções surgem impregnadas de latinidade. A cantora faz carimbopop, cumbiasoul e sob a influência do zouk, do brega e das guitarradas coloca todo mundo para dançar. 

As músicas falam de temas do cotidiano com leveza e alegria, como faixa no carimbó pop “Amor de Promoção”, uma brincadeira dançante e explosiva sobre amores casuais. Com batidas eletrônicas à efervescência dos ritmos amazônicos, a música tem Chimbinha na guitarra. Além de Félix Robatto, o disco conta com nomes como maestro Luiz Pardal, Manoel Cordeiro, Felipe Cordeiro e Dona Onete.

“Lia Sophia é uma cantora versátil e uma das representantes dessa cena paraense que vem conquistando o Brasil. Sua mistura de influências e ritmos, como o Brega, o Carimbó, a Guitarrada e o Pop eletrônico resultam em uma fusão da sonoridade amazônica com o pop, apresentando uma música dançante que expressa muito bem a sonoridade da região”, diz a gerente de marketing institucional da Natura, Karen Cavalcanti. 

Clipe - O show de apresentação de ‘Lia Sophia’ marca ainda o lançamento do videoclipe de ‘Amor de Promoção’. Dirigido por Larissa Bezerra, foi gravado em agosto deste ano na linha do ônibus Guamá Conselheiro em meio no calor de Belém, na Praia do Amor, no distrito de Outeiro, e na cobertura de hotel Tulip Inn. 

“Pensamos em fazer um clipe divertido, leve, que contasse essa história de um ‘Amor de Promoção’ quase como uma caricatura, com um exagero dos personagens. Brincamos um pouco com o absurdo, utilizando espaços e elementos marcantes, especialmente aqui no Pará. Além disso, contamos com um elenco cheio de participações especiais, como Maderito da Gang do Eletro, Beth Cheirosinha e Félix Robatto, músico e produtor do disco de Lia, que mostrou que também tem talento para ator”, garante Larissa. 

Sucesso e turnê nacional – Lia Sophia não surgiu ontem. Tem uma carreira pautada em talento e admirável persistência. Nasceu na Guiana Amazônica. Morou e veio de Macapá para Belém. Iniciou com banquinho e violão. Idos anos 1990. O estouro na mídia nacional é recente, porém marcante. Veio com a música “Ai Menina”, tema de novela, incluída neste novo disco. Fez tanto sucesso, que provocou elogios rasgados de quem vê de longe um grande artista. 

“Lia Sophia mistura os ritmos locais com batidas internacionais, para criar uma música original e de alta qualidade. Ela não veio para ficar. Ela já está”, disse Nelson Mota. Na verdade Lia Sophia já vinha rompendo fronteiras desde o seu CD Livre (2005), seguido de mais dois trabalhos, “Castelo De Luz” (2008) e “Amor Amor” (2009). 

Agora ela quer novos voos, mais altos e cada vez mais consistentes. Depois do lançamento de seu quarto CD, a ideia é sair em turnê nacional com o show, levando essa mistura de ritmos dançantes, carregada em brega, carimbó, guitarrada e zouk para o resto do país, sem deixar de chegar em outros municípios paraenses. 

O evento de lançamento do CD tem apoio da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Fundação Paraense de Radiofusão – Funtelpa – Rede Cultura de Comunicação, SECULT-PA, PARÁ 2000, Estação das Docas, Restaurante Remanso do Peixe, Academia Machida, Impacto, Abelhuda, Terra do Meio, BLB Eletrônica. A produção é da Três Cultura Produção Comunicação, em parceria com a Vida Criativa, com produção executiva, de Taísa Fernandes; produção e direção geral, de Luiz Félix Robatto e Lia Sophia, assistência de produção, de Patrícia Araújo e assessoria de imprensa de Yorranna Oliveira).

Serviço 
Show de lançamento do disco ‘Lia Sophia’, dia 20 de setembro, a partir das 19h, na Estação das Docas (Anfiteatro São Pedro Nolasco). Entrada gratuita.

18.9.13

O Navio Fantasma de Wagner estreia neste sábado

Nada de cortinas vermelhas
A primeira apresentação de uma ópera do alemão Richard Wagner (1813-1883) no Pará promete muitas surpresas ao público. Os detalhes foram apresentados à imprensa no início da noite desta terça-feira, 17, pela direção do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz em entrevista coletiva.

O Navio Fantasma estreia neste sábado, 21, com mais duas récitas na segunda, 23, e quarta-feira, 25, mas todos os ingressos para o espetáculo – terceiro e último da programação do Festival – já estão esgotados. Para o diretor artístico do evento, Gilberto Chaves, a estrutura montada para “O Navio Fantasma” está superando até a da aclamada “Salomé”, ópera de Richard Strauss apresentada no Festival do ano passado e tida, até então, como o maior desafio já abraçado por este evento. 

“Assim, para nós, este é um momento extremamente delicado, mas, ao mesmo tempo, delicioso e gratificante, por sabermos que estamos prestes a fazer história, a criar um marco, o que, sem dúvida, será um motivo de grande orgulho para todos nós, paraenses”, destacou. 

O coro: marinheiros
A grandiosa estrutura diz respeito, entre outras coisas, ao monumental cenário especialmente concebido para a montagem, cujo principal elemento é um navio, que surgirá no palco do Theatro da Paz, não à altura dos olhos dos expectadores, mas descido do alto, justamente para dar a dimensão fantasmagórica a que a história se refere.

“A construção desse cenário foi, especificamente, um grande desafio para os funcionários do Theatro da Paz e para toda a equipe técnica envolvida no Festival. Sem dúvida, saíremos dessa experiência cansados, mas não abatidos e com um grande aprendizado acumulado em diferentes áreas”, explicou a diretora do Theatro da Paz, Ana Cláudia Moraes. 

A mesma ideia tem o encenador Caetano Vilela, que vive, em Belém, o seu debut como diretor de uma ópera de Wagner, apesar de ter uma vasta experiência com o compositor alemão, já tendo atuado em sete montagens inspiradas em obras dele, embora em outras funções, sobretudo como iluminador – tarefa que também acumula nesta oportunidade. 

Caetano Vilela
“Considero este espetáculo de uma grande importância, não só porque em 2013 comemoramos o bicentenário de nascimento do compositor, Wagner, mas também porque é a primeira vez que uma obra dele é apresentada em Belém. 

Além disso, esta é uma das óperas mais difíceis de Wagner, representando um grande desafio para todos, orquestra, elenco, direção e demais profissionais”, ressaltou. 

Vilela disse que procurou construir um espetáculo com uma visualidade mais contemporânea, sem localizá-lo em um determinado período de tempo, embora respeitando os princípios fundamentais estabelecidos no libreto de Wagner. “A partir do momento em que o Festival cresce, mais é exigido, não só do elenco, mas de todo o aspecto artístico que envolve os espetáculos, o que, certamente, é um grande investimento, até porque tudo isso fica aqui”, completou. 

Já o outro diretor artístico do Festival, Mauro Wrona, enfatizou o primoroso trabalho realizado pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do seu maestro titular, Miguel Campos Neto, que comporá a base musical do espetáculo, a exemplo do que aconteceu em “O Trovador”, segunda ópera apresentada no Festival deste ano. 

Os solistas Rodrigo Esteves e Denis Sedov (Russia)
“Consideramos o Miguel como um dos melhores regentes de ópera do País no momento. Não à toa, é ele quem prepara a orquestra para todos os espetáculos apresentados no Festival, o que exige uma grande dedicação e é feito com extrema competência”, observou. 

“O Navio Fantasma” tem no elenco principal o barítono carioca Rodrigo Esteves, a soprano paulista Tati Helene, o baixo russo Denis Sedov, o tenor paulistano Ricardo Tamura, além do tenor Antônio Wilson Azevedo e da mezzo-soprano Jéssica Wisniewski, ambos paraenses. O coro, formado por 60 cantores, é totalmente paraense e foi preparado pelo maestro Vanildo Monteiro. 

Serviço
A estreia do espetáculo acontece neste sábado. 21, às 20 horas, e haverá mais duas récitas na segunda (23) e na quarta-feira (25), sempre no mesmo horário. A segunda récita, no dia 23, será transmitida ao vivo pela TV Cultura do Pará. Também haverá transmissão ao vivo pelo Portal Cultura (www.portalcultura.com.br) e por um telão montado no Teatro Maria Silvia Nunes, da Estação das Docas, com entrada franca. 

Fonte: Agencia Pará
Texto: Elck Oliveira - Secom

17.9.13

Mídias móveis para contar histórias de paz

Professores da rede pública participam da oficina
Depois de passar pelos municípios de Bragança e Marabá,  “O Laboratório - Produção e Formação de Multiplicadores em Mídias Móveis” chega a Belém e mostra seu resultado nesta terça-feira, 17, às 17h, na sala 04, do Centro Integrado de Governo. No encerramento será exibido o documentário "Pássaros Andarilhos e Bois Voadores". Entrada franca.

O hip hop dentro de uma escola no bairro do Curuçambá, a fragilização das relações interpessoais num mundo cada vez mais virtual, o ensino da matemática na escola e o cotidiano de jovens numa feira da Terra Firme, a tradição de se pedir a benção aos pais e a luta de uma mãe para que seu filho não siga pela criminalidade são algumas das histórias registradas pelas pelos educadores que participam do projeto, durante a oficina realizada na semana passada. 

Com duração de até cinco minutos os vídeos giram em torno da cultura de paz, e foram desenvolvido pelo Pró Paz - programa do Governo do Estado, que tem o objetivo de alinhar políticas públicas voltadas para a infância, adolescência e juventude, em busca da garantia de direitos, o combate e a prevenção da violência e a disseminação da cultura de paz. 

Aprendendo a fazer o áudio
O projeto se vincula ao programa Pró Paz realizando a primeira formação em mídias móveis de professores de escolas estaduais da Região Metropolitana de Belém. Durante uma semana, os professores receberam noções básicas de fotografia, roteiro e edição de imagem fechando o ciclo da realização audiovisual. 

“Achei interessante por que passamos a ter uma visão diferente do que é um filme, do que tem por trás das câmeras”, afirma Silvio Carvalho, professor da Escola Gonçalo Duarte, no bairro do Jurunas. “Penso até em me unir a outro professor pra poder desenvolver um projeto de audiovisual na minha escola”, planeja. 

“Achei ótimo a iniciativa porque as escolas possuem laboratórios de informática, os alunos possuem mídias móveis, faltando apenas uma orientação para uso adequado. Então o professor agora trabalha na orientação do aluno na produção de vídeo”, explica José Ricardo, pedagogo da Escola Luis Nunes, em Ananindeua. 

O patrocínio é da TIM, através da Lei Semear, e apoio institucional do Instituto Federal do Pará-IFPa. Apoio do Governo do Estado e parceria com o IAP (Instituto de Artes do Pará). 

Documentário resgata tradição
Bois e Pássaros - No encerramento, além da sessão de exibição dos vídeos produzidos na oficina haverá ainda a exibição do curta metragem "Pássaros Andarilhos e Bois Voadores", de Luiz Arnaldo Campos, vencedor, em 2010, do Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Curta Metragem, de Ficção ou Documentário, do Ministério da Cultura. 

O documentário traz de volta a Belém de 1925, e mostra uma trama de magia e sedução, amor e desventuras envolvendo Floramor e Rosimeire, fada e feiticeira, respectivamente, do Cordão de Pássaro Quero-Quero que se envolvem na disputa entre os bois Flor de Lis e Touro de Ferro, organizados por seus namorados, Zebedeu e Ladislau.

(com informações do jornalista Wanderson Lobato)

Babeth recebe homenagem em mostra fotográfica

Vernissage nesta terça, 17, às 19h, no hall do Centur.
Nos anos 1990, entre tantas outras novidades que fervilhavam por aqui, a drag queem Babeth se destacava. Quem não lembra dela ou não estava lá, vai poder ver um pouco daquele momento, na mostra fotográfica: Liz Babeth Taylor, que homenageia uma figura carismática, que revolucionou as noites de Belém. 

Babeth era um acontecimento quando se apresentava em bares e casas noturnas da cidade, em performances hilariantes, com tiradas sarcásticas, de um humor histriônico, inteligente e completamente inesquecível. Ela integrava a Banda Bagaço, junto com mais duas drags.

Babeth roubava a cena em cada apresentação, com respostas ácidas a toda e qualquer provocação que a plateia fizesse. Em cima de saltos altíssimos com um visual para lá de exótico, e perucas escandalosas, ela deu um novo ar às noites marginais da cidade, numa época em que a cena LGBT ainda estava engatinhando. 

Uma seleção de mais de 40 imagens de arquivos de amigos e fotógrafos foi feita especialmente para a realização dessa exposição que é mais que um tributo a uma única pessoa, mas por meio da lembrança de um personagem que utilizou o palco, e seu talento, para discutir cidadania, chamar atenção do público às mazelas sociais, à desigualdade e ao preconceito, reafirmar o papel da arte como condutora de reflexão sobre a cena, um recorte da vida.

A exposição faz parte da programação do Circuito da Diversidade que antecede a Parada LGBT 2013, numa realização da sua comissão organizadora composta pelo Grupo Homossexual do Pará, pelo Grupo de Resistência de Transexuais e Travestis da Amazônia, e pelo Comitê Arte pela Vida. 

Serviço
Liz Babeth Taylor, mostra de fotografias. O vernissage é nesta terça-feira, 17, às 19h, no hall Benedito Monteiro, do Centur. A visitação vai até 30/9, com entrada franca.A iniciativa tem apoio do Governo do Estado por meio da Fundação Cultural do Pará, e da Prefeitura de Belém e Fundação Cultural do Município de Belém. 

16.9.13

Filme sobre Jards Macalé tem sessão no IAP

O Cineclube Alexandrino Moreira do NPD/IAP, exibe hoje, 16, o documentário “Jards”, sobre a vida do músico Jards Macalé. Inédito em Belém, o longa dirigido por Eryk Rocha é uma produção do Itaú Cultural, instituto que vem reafirmando seu compromisso em se inserir no contexto da produção de cinema contemporâneo do país ena preservação do patrimônio cultural. A sessão inicia às 19h, com a exibição do curta “Raiz dos Males”, produção de Manaus dos diretores Heraldo Daniel e Homero Flávio. 

O longa-metragem documentário que homenageia e leva o nome do músico Jards Macalé, começou a itinerar pelo Brasil e chega a Belém em apresentação inédita. Premiado como melhor direção no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Criado para celebrar o processo de criação de Jards Macalé, o documentário registra todo o desenvolvimento de afinação, repetição e improvisação dos instrumentos durante gravações em estúdio. 

O cenário é o Rio de Janeiro, sua terra natal – a casa em que vive, o estúdio, as ruas por onde costuma caminhar. Um cotidiano pontuado por convidados como Adriana Calcanhoto, Elton Medeiros, Luiz Melodia, Roberto Frejat, Thaís Gulin e Ava Rocha. 

Quinto longa-metragem do diretor, o filme é classificado como um documentário poético-musical de 90 minutos. Inédito em Belém, “Jards” vem sendo premiado em importantes festivais de cinema no nacional e internacional, tendo levado o prêmio de melhor direção no Festival de Cinema do Rio, em 2012. 

Também já teve exibições no Festival New Directors/ New Films,organizado pelo MoMA, em Nova York; da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e a de Tiradentes, em Minas Gerais. O filme também foi apresentado no 10º IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente, em Lisboa, e no 31º Festival Cinematográfico Internacional de Uruguay, em Montevideo, e do In-Edit - Festival de Documentário Musical. 

Projeto Audiovisual do Itaú Cultural 

Jards é o primeiro dos três filmes de sua produção que o Itaú Cultural lança neste ano, ainda sem data confirmada. 

O próximo é Ouvir o Rio: Uma Escultura Sonora de Cildo Meireles, feito a partir do projeto rio oir, obra do artista plástico Cildo Meireles, dirigido por Marcela Lordy em sua primeira experiência no cinema documental. 

No mesmo alinhamento com o seu compromisso cultural, o instituto está em fase de produção de novo filme cujo foco é o artista Leonilson, com direção de Carlos Nader. De acordo com o cineasta, o documentário não terá entrevistas ou declarações, entrando no terreno de obra intimista e pessoal. 

Ao mesmo tempo, revelará uma faceta pública do artista, ilustrada com cenas de clips de música, matérias e notícias da época, trechos de filmes e novelas, além de imagens das suas obras, como se fosse uma grande colagem em um diário, sempre acompanhando as falas. Estes três filmes dão sequência ao trabalho do instituto no setor audiovisual, antenado com as necessidades de infraestrutura e tecnologia que produções como estas exigem, e estabelecendo, ainda, um vínculo com o público por meio das exibições gratuitas na cadeia de salas do Espaço Itaú de Cinema. 

Serviço 
Cineclube Alexandrino Moreira exibe “Jards” de Eryk Rocha e “Raiz dos Males” de Heraldo Daniel e Homero Flávio. Classificação indicativa: livre. Nesta segunda-feira, dia 16 de setembro, às 19h – IAP fica na Praça Justo Chermont, 236 – Nazaré - Capacidade 70 lugares. Informações para o público: (91) 4006-2900 (www.iap.pa.gov.br)

Máquina de vento para tocar Wagner em Belém

Ribamar Diniz, que construiu a engenhoca sonora
Para executar a música de “O Navio Fantasma”, ópera de Richard Wagner, no XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, em Belém,  foi preciso construir uma máquina de vento, instrumento existente nas grandes orquestras internacionais. 

Na concepção de Caetano Vilela, diretor da ópera, a atmosfera de “O Navio Fantasma”, é turbulenta, como pede o libreto do próprio Wagner. 

Elementos marítimos criados pela cenógrafa Duda Aruk garantem ao enredo, a dramaticidade necessária da obra. Não bastasse toda a cenografia, que reforça o clima intenso das cenas, já no primeiro ato, a música de Wagner nos remete a tormentas de um mar revolto. 

Executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), a obra musical pede efeitos sonoros que reproduzem o som das ventanias. Mais do que efeitos, os ventos uivantes estão na partitura de Wagner são essenciais e dão vida ao cenário. Para atender a exigência sonora de Wagner, foi necessário criatividade, uma vez que não existe em Belém este instrumento e nem foi possível trazê-la de fora. 

Fazer esse tipo de artefato exige habilidade e criatividade, duas características que não faltam à Ribamar Diniz, profissional que atua há 37 anos no Theatro da Paz. Acostumado com as variadas demandas de sua função, ele é constantemente instigado a dar soluções para as montagens feitas na casa. Solícito, conversa enquanto trabalha, mostra com cuidado o que faz. 

Simplicidade e eficiência para ruído de vento junto à OSTP
Para construir a máquina de vento, ele reuniu peças que restaram de um antigo espetáculo e com isso montou uma espécie de cilindro com varas de madeira, utilizando um papel Kraft por cima dessa estrutura. Com uma maçaneta é possível rodar o cilindro, fazendo com que o papel seja friccionado na madeira, o que produz o som do vento forte. Ribamar Acertou em cheio. 

O instrumento internacional, agora improvisado na Amazônia, foi aprovado pelos músicos e pelo maestro da OSTP, Miguel Campos Neto. Um sucesso! 

“Esse material já tinha em casa, então, cortei o compensando e fui ajustando. Coloquei esse tipo de papel, mais grosso, para dar esse som grave. Fiz o design e a pintura também. Esse chiado de vento acontece quando o papel está mais apertado, é possível ajustar”, finaliza Ribamar. 

Riba, como é chamado carinhosamente pelos companheiros de trabalho e amigos, também coordenou a equipe de cenário de “Elixir de Amor”, mas o seu maior desafio e êxito comprovado, foi realizar o cenário da Ópera Salomé no Festival passado. "Não coloco impedimento para cada nova experiência. Meu trabalho é fazer funcionar o que está descrito nos projetos de cenografia, do jeito que os diretores imaginam”.

Cenotécnico executou o Navio concebido por Duda 
Do trabalho braçal à invenção 

Quando chegou ao Theatro da Paz, Ribamar Diniz tinha 18 anos. Foi a convite de um primo, que ele integrou a equipe que trabalhava em uma pequena reforma no teatro, que durou apenas um mês. O ano era o de 1978. 

O maestro Waldemar Henrique era quem estava na direção da casa. Como estava sem emprego, o primo sugeriu que ele pedisse ao então diretor outro trabalho para permanecer no Theatro da paz. Conseguiu um posto de vigilante. Passados alguns anos, Ribamar fez e passou no concurso público para provimento de vagas efetivas no teatro. 

Assumiu o cargo de agente de assuntos culturais e fez de tudo um pouco. Entre outras coisas, foi mensageiro de palco e maquinista, operando as varas que determinam a ordem dos cenários. Só depois é que se encaixou na cenografia. 

“Quem trabalha nessa função tem que ser inventor, tem que ser curioso também. Não dá para ser só um técnico. Tem que achar solução, saber como tudo funciona no palco, descobrir o novo para que tudo aconteça”, adverte. E é exatamente o que Ribamar vem fazendo ao longo de sua carreira profissional. 

O instrumento original que o inspirou a fazer a Máquina de vento que estará em evidencia durante a execução da OSTP em O Navio Fantasma de Wagner, foi visto por ele apenas pela internet. Tem 60 cm de diâmetro, 70 cm de altura e cerca de 1,10m de altura. E foi construído em dois dias. 

Serviço
XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. “O Navio Fantasma”, nos dias 21, 23 e 25 de setembro – 20h (ingressos esgotados). Transmissão ao vivo pela Tv Cultura do Pará, no dia 23, para 143 municípios, e também pelo telão que estará montado no Teatro Maria Sylvia Nunes, a partir das 20h, com entrada franca. Mais informações: www.festivaldeopera.pa.gov.br

(com informações de Dominik Giusti)

Rock Rio Guamá 2013 abre seleção para bandas

O edital e o formulário de inscrição para bandas interessadas em fazer parte da programação, podem ser acessados pelo blog do evento. Acesse: aqui. Só poderão concorrer na seletiva as bandas com repertório autoral. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 30 de setembro. O Rock In Rio Guamár será realizado nos dias 7 e 8 de novembro, de 17h às 23h, na Universidade Federal do Pará, em Belém.

A curadoria do Rock Rio Guamá fará uma pré-seleção das bandas inscritas, que irão concorrer à seletiva. Desta pré-seleção serão selecionadas dezoito bandas, sendo nove para cada dia de apresentação do Festival. 

A escolha final das seis bandas que se apresentarão na edição deste ano será feita por meio de votação popular. A votação acontecerá do dia 1º a 14 de outubro. O objetivo é selecionar seis bandas para se apresentarem durante o evento. Não serão aceitas bandas covers de nenhum estilo. Além disso, as bandas devem preencher corretamente 

Depois de várias edições, o festival já mostrou sua força, revelando a produção musical que existe dentro da Universidade Federal do Pará desde 1987. Comprometido com a democratização do acesso à cultura, o Rock In Rio Guamá traz ao público programação gratuita. A iniciativa, que vai além do rock, se preocupa em promover oficinas, palestras, debates e exposições que tenham ligação com a cena cultural do Estado e acrescente nessa construção diária de conhecimento e novas atitudes. 

Mais informações, no Facebook: https://www.facebook.com/rockrioguamaufpa

13.9.13

A "Dança dos Sons" no Teatro Waldemar Henrique

O show de Delcley Machado Quarteto será logo mais às 20h, integrando a programação de aniversário do teatro Experimental de Belém e um dos únicos do país. Fundado em 1979, na virada para a década de 1980, ele completa na próxima terça-feira, 17, ele completa 34 anos de muita história. O músico, que está trabalhando em novo projeto bateu um papo com o blog e deu mais detalhes da apresentação que ele também leva para o Sesc Boulevard nas próximas semana.

“Vai ser, claro, um show de música instrumental”, disse Delcley Machado ainda pouco ao Holofote Virtual, enquanto aguardava o início da passagem de som. “Recebemos o convite do diretor, Salomão Habib, e temos muita honra de tocar aqui, em um teatro, onde podemos fazer nossos experimentos, tanto na estética quanto na musica. Este show é a única atração de música instrumental da programação”, diz o guitarrista.

No repertório, Delcley vai tocar músicas de dois CDs lançados por ele, enfatizando composições incluídas em “Temporal”, o segundo álbum gravado no início de 2009 no estúdio Ná Music, e lançado em 2011. O trabalho segue a linha da música instrumental e possui com cinco músicas autorais de Delcley, algumas em parceria com o letrista e escritor Jorge Andrade e com o músico Marcos Campelo.

“Também vamos tocar músicas que gostamos e temos afinidade. Estão no show, comigo, o Thiago Belém, na baterista, e o Edgar Matos, no piano. Mas a real intenção com isso é, como sempre, fomentar a música instrumental para que ela tenha mais espaço na cidade e no resto do estado”, comenta. 

No Sesc Boulevard, nos dias 18 e 25 de setembro, Delcley volta a se apresentar, mas avisa que será um show diferente. “No Boulevard vão tocar comigo outros músicos. Na bateria terei Edvaldo Cavalcante e no piano, Jacinto Kawhage”. 

Delcley Machado faz parte de uma geração de talentos que investe e acredita no potencial criativo da música instrumental. Iniciou sua trajetória na década de 80, não só tocando, mas também cantando, coisa que, aliás, ele está aprontando em um novo trabalho que começa a gravar em outubro deste ano, com patrocínio através da Lei to Teixeira. 

“O novo CD vai se chamar ‘Quintais’, um disco íntimo, que farei em parceria com compositores que gosto muito e também vou cantar, o que gosto muito mas que não tenho feito muito em função da musica instrumental. 

Estou fechando composições com Leandro Dias, Marcelo Sirotheau e Floriano, compositores que admiro. Estamos organizando as escritas, montando o repertório. Não é um processo tão rápido, mas em outubro isso já terá sido terminado e entraremos no estúdio”, afirma.

Delcley já integrou trabalhos diversos, passando pelo rock e pela MPB, mas faz questão de dizer que é no jazz que ele se ancora, embora não goste de se intitular um músico de jazz. “Não gosto de carregar este compromisso. O Jazz é uma música muito ampla, que não é nossa, vem de outro lugar e tem outros detalhes. Eu prefiro dizer que faço música instrumental e engrosso o momento para que ela volte com toda força para a cena da cidade”, diz.

O movimento da música instrumental em Belém sempre teve seus altos e baixos. Delcley acredita que precisa de mais engajamento dos músicos para isso e demanda de proejtos, inclusive incentivados pelos governos municipal e estadual. Por isso, quando não está fazendo show, às quartas-feiras ele costuma dar uma boa canja nas apresentações do Cumbuca Jazz, que tem tornado o bar Boiúna (Pariquis, entre Padre Eutíquio e Apinagés), um reduto também desse gênero musical, meio órfão desde que fecharam o Café Imaginário e o Baiacol Jazz Club.

“Acho louvável essa reunião de toda quarta-feira e gosto de estar junto, participar, pois acredito que ajudo a fomentar a música instrumental na cidade. Já tivemos mais e agora está na hora de uma nova retomada, de que a política cultural que tem injetado ânimo em diversos outros estilos, olhe também para o instrumental. O público está procurando e se interessando. Acho que tem muito rock de garagem e folclore ocupando um espaço que pode ser o da música instrumental. Nada contra, mas é preciso valorizar também a música mais elaborada”, finaliza.

12.9.13

"Mater Dolores – Desvãos da Memória" na periferia

Jeferson Cecim e a caixa Lambe Lambe (foto do blog)
O projeto do artista e bonequeiro Jeferson Cecim, inicia nesta sexta-feira, 13, em praça pública, no coração da Terra Firme. A proposta depois é percorrer outros bairros e ilhas do entorno de Belém, levando o Teatro de Miniaturas, como também é conhecido, a públicos mais distantes do circuito cultural do centro da cidade. 

A primeira parada de Mater Dolores – Desvãos da Memória será na praça Olavo Bilac - onde fica a Igreja Matriz São Domingos Gusmão -, a partir das 17h. Depois ele realiza uma mini oficina na Casa de Cultura do bairro.

Quando se fala em Lambe Lambe logo nos remetemos aos antigos fotógrafos que costumavam capturar retratos do público em praças públicas, nas décadas de 1940 a 1960. Inspirado nisso, o teatro lambe lambe se utiliza da linguagem de formas animadas e dentro de uma caixa preta ocupa um espaço cênico mínimo, formado por um palco em miniatura, onde bonecos de dimensões reduzidas são apresentados. Geralmente curtas, as cenas são vistas por um furo na parte frontal da caixa, se transformando em momentos de deleite, um mergulho na magia encenada bem a frente de seus olhos. 

Música, luz e movimentos delicados caracterizam o projeto Mater Dolores, que propõe investigar, com base na linguagem do teatro de caixa ou teatro lambe-lambe, as imagens da velhice poeticamente representadas nos contos Mater Dolorosa, da escritora paraense Maria Lúcia Medeiros (In: Velas por quem? - 1991) e A rede, dona Bibi, do também escritor paraense Haroldo Maranhão (In: Feias, quase cabeludas, 2005), dois nomes de extrema relevância para a literatura paraense. 

Em uma composição farta em descrições do cenário e dos movimentos de uma anciã em sua casa, os narradores, cada um a seu modo, (des)tecem memórias que instauram um tempo incerto, povoado de figuras, de objetos, de vozes. 

Universos da terceira idade (foto do blog)
Circulação e oficinas  - Prêmio Funarte Artes na rua (circo, dança, teatro) 2012, o projeto prevê, além das apresentações abertas, mini oficinas ministrada por Jeferson Cecim. 

De 23 a 27 de setembro será realizada a primeira, na Casa de Cultura da Terra Firme. Aberta à comunidade, as inscrições podem ser feitas no local – Rua São Domingos, Passagem São Sebastião, 140, próximo a UFRA. A circulação do projeto chegará sempre a rua, em espaços de livre circulação, como praças ou espaços da terceira idade situados também nos bairros da Marambaia, Jurunas, os distritos de Icoaraci e Ilha de Outeiro, no vilarejo de Nazaré de Mocajuba, a cidade de São Francisco do Pará, Igarapé-açu, Colares e ainda em Soure, na Ilha do Marajó, onde se encerrará . 

A ideia é proporcionar ações culturais nos bairros periféricos de Belém e localidades distantes da capital. “É uma forma de promover o acesso a produtos culturais de artistas paraenses por uma faixa da população que está, em geral, à margem do que se produz nas artes no estado do Pará”, diz Jeferson Cecim. 

O projeto também permite ao artista, dialogar com novos espectadores, não só através das apresentações teatrais, mas também pela viabilização de oficinas de teatro de animação (confecção, manipulação de bonecos). “Para mim abrem novas possibilidades de iniciativas construídas em processos colaborativos com os artistas de cada região, fortalecendo e fomentando a linguagem do teatro de formas animadas”, explica Cecim. 

Para aprofundar o projeto Jeferson pesquisou a população idosa mundial, que tem se ampliado, também em sua expectativa de vida. “Este projeto, é um modo de contribuir para que o idoso entre também no circuito das manifestações artísticas e culturais brasileiras, assim como ganhe mais respeito dos mais jovens. 

Dona Bibi, foto de André Mardock
Periferia quer acesso e apoio à cultura 

A mini oficina que será realizada na Casa de Cultura da Terra Firme está sendo aguardada com entusiasmo, segundo o diretor Edmar Souza. Trabalhando com pessoas de todas as idades, principalmente jovens e crianças, a entidade é uma das iniciativas no bairro que através do voluntariado e engajamento da comunidade, trabalha mais diretamente em prol da cultura.

Um dos mais populosos bairros de Belém, a Terra Firme possui diversidade cultural abrangente. Além da tradicional Paixão de Cristo, na Semana Santa, é lá que fica a sede do Coletivo Casa Preta, que trabalha a cultura afro na Amazônia, e se realizam as manifestações do boi Marronzinho e o Boi da Terra, que integram a forte tradição de bois bumbás da cidade. 

“Vai ser muito interessante ter esta oficina aqui, pois a Terra Firme é um bairro carente de acesso à cultura. Nossa diversidade é grande e tem reconhecimento público, o que nos falta é apoio e políticas públicas que garantam o desenvolvimento e a sobrevivência dessas atividades. Fazemos tudo sem apoio de governos. Tudo é feito por esforços da própria comunidade”, comenta Edmar Souza, que também cita nome de alguns artistas atuantes no fazer artístico da cidade, saídos do movimento cultrual e que saíram do bairro.

“Tem o José Arnaud, que trabalha com Clown e teatro de Formas Animadas (Rádio Margarida), tem a Cleice Maciel, que é do grupo Palhaços Trovadores, e a Adriane Queiroz, cantora de renome internacional, atualmente trabalhando na ópera de Berlim. Ela saiu do movimento de teatro daqui do bairro”, enfatiza Edmar. 

Alguns anos atrás, o grupo de teatro Ribalda participou do elenco do curta metragem do jornalista Jorge Vidal. Intitulado “Matinta Perera”, que faz alusão ao tráfico de drogas, uma das realidades vividas pelos jovens do bairro. O filme ganhou diversos prêmios em festivais de audiovisual, como o Festival Guarnice, de São Luís do Maranhão. 

“Precisamos que olhem para cá, pois através da cultura podemos modificar. O índice de criminalidade tem aumentado e não é só com policiamento que se muda isso”, diz o diretor. “Por isso também apoiamos o Movimento Chega, que pede a democratização da produção e mais acesso á cultura. Veja só, a nossa praça pública é um pequeno triângulo, enquanto a maior, onde vai ser apresentado o espetáculo do Jeferson Cecim, pertence à igreja”, conclui.

Ficha Técnica
Concepção: Jeferson Cecim
Assistente de atelier e  bonecos  Dona Bibi e Ma lucia : Aline Chavez
Bonecos: jeferson cecim
Desenhos: Igor Felipe
Adereços  :  Nívea Brito
figurino (costumização) e estandarte: Ione Cecim e Ana Santos
Desenho de som: Leo Bitar
Voz : Astréa Lucena
Designer gráfico: Alexandre Sequeira
Dramaturgia: David Matos, Jeferson Cecim, Sandoval Nonato Gomes Santos

Produção: Usina de Animação

Serviço
A minioficina na Terra Firme será de 23 a 27 de setembro, na Casa de Cultura da Terra Firme – Rua São Domingos, Passagem São Sebastião, 140, próximo a UFRA. Aberta à comunidade, as inscrições estão abertas e podem ser feitas no local. Mais informações: 91 8235 0932 / 8863 2607 Para saber mais sobre o projeto ou buscar parceria para a realização das oficinas, envie e-mail para jeferson.cecim@gmail.com ou ligue (91) 82333368.