20.1.12

The Fabulous Go-Go Boy lança Pitiú Festival

O nome inteiro da banda formada por um homem só é The Fabulous Go-Go Boy from Alabama. Vem de São Paulo para se apresentar na festa Café & Raiva, no dia 28 de janeiro. Luis Tissot é multi-instrumentista e com apenas com uma guitarra e uma bateria improvisada, das quais tira um blues dos infernos, com influencias do punk, rockabilly e garage. O show marca o lançamento do Pitiú Festival, que acontece no dia 12 de fevereiro, no African Bar.

O show da monobanda de nome pomposo será a atração da segunda edição da festa Café & Raiva, mas quem abre a festa promovida pela Xaninho Disco Falidos, é um grupo de DJs de outras produtoras locais como Marcelo Damaso (Se Rasgum), Bárbara Andrade (Megafônica), Gori (This is Radio Trash)e Jeft & Junior (Dance Like Hell). 

O clima de ecumenismo entre as diversas tribos se reflete no set da noite composto por psychobilly, punk 77, surf music, indie, pós-punk e música eletrônica. Metade homem, metade instrumento. Cercado por bumbo, uma placa de trânsito fazendo às vezes de caixa, chimbal e uma guitarra, o músico paulistano Luis Tissot transformasse na “banda” The Fabulous Go-Go Boy from Alabama and his One-Man Band.

Não é só conceitualmente que o conjunto de um homem só chama a atenção: seu som mistura blues com punk, rockabilly e garage. O resultado é um som primitivo, mas cheio de peso e distorção. Luis Tissot é um dos homens-banda precursores do estilo no Brasil, em 2005. A essência do gênero já deu pra sacar: um artista tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, se desdobrando para acomodar a complexidade de uma orquestra ao que consegue pendurar pelo corpo. 

As limitações do solitário oficio que escolheu não parecem lhe restringir artisticamente. Alabama tem três trabalhos lançados, um split em vinil de 2010 feito em parceria com outra monobanda, o Amazing One Man Band, do Uruguai; “Dirt Job” (2010); e “Diggin’ The Primitive Shit!” (2011). 

Mas o fabuloso Go-Go Boy do Alabama é apenas uma das suas muitas encarnações musicais. Ele também integra Human Trash, Jesus & The Groupies, The Great Munzini & The Astonishing Sotos, Solid Soul Disciples, Backseat Drivers, The Boom Boom Chicks, Surf In The Space e The WhiteTrash Duo. 

Em São Paulo, o músico mantém o Caffeine Sound Studio, estúdio de gravação que serve de ninho para todas suas experimentações sonoras, além de local de gravação de alguns artistas mais interessantes da cena do rock independente brasileiro como Damn Laser Vampires e Chuck Violence. Esta aí alguém que leva até às últimas consequências a máxima punk do “faça-você-mesmo”. 

Pitiú Festival – O evento trará de volta a Belém o hardcore com um pé no velho oeste dos cariocas do Matanza, além de reunir alguns outros nomes de peso da cena punk e hardcore como os argentinos do Gerk, os tchecos do Pigsty e bandas locais como Delinquentes. Durante o Café & Raiva serão sortear ingressos para o evento.

Serviço
Café & Raiva, no dia 28 de janeiro, a partir das 21h, no Fuxico Espaço Cultural que fica na Travessa Rui Barbosa, 1861, Nazaré. Ingresso R$ 10, até 23h, e R$ 15, após. Informações: (91) 8214-2890 ou pitiufestival@gmail.com. (com informações do jornalista Leonardo Fernandes, da assessoria de imprensa do evento).

Rafael Lima faz show no Memorial dos Povos

O Intérprete e compositor mostra nesta sexta-feira, 20, no Memorial dos Povos, um show de voz, violão e a preciosa participação do percussionista Zé Macêdo. A partir das 20h, com entrada franca. O artista voltou recentemente de uma viagem feita à Suíça e está cheio de novidades. 

Entre outras coisas que ele prefere manter ainda o silêncio, está finalizando um novo CD que será lançado pelo selo Ná Figueredo, e nos dias 04 e 11 de fevereiro ele também prepara apresentações para o Espaço Cultural Boiúna.

Rafael Lima vai fazer aqui algo semelhante ao que mostrou recentemente ao público europeu. O show, que surgiu em um bar-café na Suíça francesa, tinha percussão de Anésio, músico paulista. “Ele tem uma mão fina quando toca o Carron (instrumento de percussão andino) e outros instrumentos simples, como perna de calça. Na verdade, eu me canso de instrumentos convencionais”, confessa. 

“Aqui em Belém tem o Zé Macedo, um percussionista incrível para inventar coisas, como por exemplo, suas famosas latas de leite ninho. Fora uma floresta que ele sempre carrega dentro de uma mala”, complementa. 

Rafael foi para a Europa depois de realizar aqui o show “Visceral”, mostrado nos palcos do Teatro Margarida Schivasappa e do Centro Cultural Sesc Boulevard. Levou na bagagem gravações do novo CD, aproveitou para fazer e incluir um nova canção, além da participação de músicos suíços. 

“Trouxe todo esse material comigo e estou finalizando com o Ná”, diz o músico que antes de pousar em Belém, passou por São Paulo onde se encontrou o trombonista Itacir Bocato Jr.  "Ele já participou de dois CDs meus e já tocamos juntos por aí. Agora estamos acertando coisas futuras, mas ainda é segredo”, arrematou Rafael.

A entrada do espetáculo no Memorial é gratuita, mas Rafael Lima avisa que estará disponibilizando um DVD que traz o show que ele fez ao vivo no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, em 94.

O registro mostra ainda as participações de Calibre (baixo), Paulo Levi (saxs flautas), Bocatto (trombone), Wolf Kerchek (piano/marimba), Nicola Marinoni (bateria/perc); além de Luis Pardal ao piano, acompanhando Rafael em Semente, algumas gravações ao vivo com o contrabaixista Minni Paulo,(baixo) Odorico (guitarra), Sagica (bateria), Paulo Levi (saxs), João Marcos (teclados) e Zé Macedo (percussão).

“O DVD traz ainda gravações de partes de shows no Canadá, no início de minha carreira, logo que saí do Brasil, e uma participação especialíssima do Maestro Waldemar Henrique me acompanhando ao piano em Foi boto Sinhá”, finaliza Rafael. 

O Memorial dos Povos fica na Av. Governador José Malcher, ao lado do Palacete Bolomnha. A entrada é franca. Mais informações, pelos fones:  9187028309 ou 8189.5513.

19.1.12

14 anos de Luz e três indicações ao Prêmio Shell

Cine Camaleão, estreia em outubro de 2011
Com um rigor cada vez maior em busca de um estética brasileira, tentando juntar forma e conteúdo em suas montagens, a Cia Pessoal do Faroeste está tomada de motivos para comemorar o início de 2012. Além de estar completando, hoje, mais um ano de fundação, o ator e diretor da companhia, o paraense Paulo Faria, que mora em São Paulo há mais de duas décadas, foi indicado pela segunda vez ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Autor e também concorre a Melhor Cenário e Figurino, junto com F. E. Kokocht, tudo por “Cine camaleão – A boca do lixo”, espetáculo que traz no elenco Beto Magnani, Juliana Fagundes,  Mel Lisboa, Roberto Leite, Thais Aguiar e a paraense Lorenna Mesquita.

O anúncio dos vencedores do prêmio Shell será em março. Ma já há e muito o que se festejar. Ontem Paulo visitou o espaço que será a nova Sede da Cia Pessoal do Faroeste. A Luz do Faroeste, em março, já estará instalada na Rua do Triunfo, na capital paulista, saindo da Cleveland, a 100 metros do Sesc Bom Retiro, mas continuará, na região da Luz, área que já sofreu processos de preservação patrimonial de instituições culturais, intervenções urbanísticas, próximas ainda dos bairros Campos Elíseos, Bom Retiro e Santa Ifigênia. 

A Luz do Faroeste está localizada na área que nos anos 70 ficou conhecida como a Boca do Lixo, por abrigar as principais produtoras de São Paulo, responsáveis na época por realizar os filmes do cinema marginal brasileiro, com suas pornochanchadas e filmes de bang bang urbano, polêmicos na época, e agora inspiração para o novo trabalho da companhia. 

O espetáculo que vem lotando a sede do grupo, por exemplo, conta a história de uma Produtora de Entretimentos Cinematográficos, a Cine Camaleão que acabara de filmar seu longa ‘O Faroeste da Rua Apa’, ambientado em 1978, ano da produção do filme. Durante a historia, em cena, os atores assistem os 20 minutos finais daquela produção, esperando uma tal cena de sexo.

“Cine Camaleão – a boca do lixo” também recebeu este ano Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Texto, Melhor Elenco e Melhor Projeto Visual, além do Prêmio Governador do Estado: Melhor Espetáculo, o que possibilitará que a peça fique por mais três meses em cartaz. Além de um valor em dinheiro, os mais votados pelo público, ainda receberão um troféu feito por um artista plástico. Clique aqui para votar. 

A Boca do LIxo, anos 70.
Paulo Faria diz que já está articulando a vinda do espetáculo para Belém, no mês de abril. Está à procura de pauta em espaços e apoios e patrocínio locais para isso. Em breve é possível também que seus laços com Belém, onde ele nasceu, se estreitem ainda mais, pois recebeu um convite para escrever crônicas semanais em um jornal local. 

Formada hoje por ele, Beto Magnani (co-fundador) e uma turma variada que foi se chegando nos últimos sete anos – entre eles a paraense Lorenna Mesquita, a Cia Pessoal do Faroeste ainda abraça uma equipe de produção nova e tem muitos planos para o futuro. 

“Acho que conseguimos formar uma equipe legal que chegou, no último ano, proveniente de oficinas e de intercâmbios com outros coletivos. E também recentemente descobri a parceria do Dário José, nos vídeos e filmes que estamos produzindo”, diz Paulo.

Para ele, o grupo é um grande agregador de artistas que se encontram. “Sempre tem alguém conduzindo o fogo entre os elencos e nossos parceiros. Eu sou o único presente em todas as montagens desses 14 anos. Eu carrego o andor. Trabalho 24 horas aqui na Cia”, diz ele que depois de um dia cheinho de coisas, em contato com o Holofote Virtual, respondeu na madrugada desta quinta-feira a entrevista que vem a seguir.

Paulo Faria, na foto de Rose Silveira
Holofote Virtual: São 14 anos de estrada. Como tudo começou e o que podes destacar nesta trajetória?

Paulo Faria: “Um Certo Faroeste Caboclo”, que iniciou a abordagem que fazemos do herói (ou anti-herói) do melodrama brasileiro.

A peça tinha uma estrutura de texto muito cinematográfica, de cortes, de flashback, com uma encenação bem teatral, investindo nos atores em busca de uma estética plástica brasileira, buscando referencias em instalações, videoarte e trazendo a tona a crônica da cidade.

E em Cine Camaleão pudemos aprofundar o experimento com a linguagem cinematográfica, nos aproximando do gênero _faroeste feijoada_, ou, o _bang bang brasileiro_, produzido pela Boca do Lixo, e de grande alcance popular – fenômeno pop mesmo. 

Não sei se foi intencional essa homenagem ao gênero faroeste que a cultura pop projetou no cinema, e que estava naquele fim da década de 1970, já agonizando, mas é engraçado que quando Renato Russo escreve no inicio dos anos oitenta a “Faroeste Caboclo”, ele volta a trazer o tema através da música, da rádio, dos grandes shows. Fenômenos culturais midiáticos.

Fazer perguntas para essa estrutura que tanto o Brasil consome, é o que nos provoca. Digamos que foi se construindo a partir dessa primeira montagem da Cia um desejo de fazer um fazer um teatroPOPolítico ("Puta que pariu, acho que bebi demais" - fala de Wanda Marquetti vivida por Mel Lisboa em Cine Camaleão). 

Mel Lisboa e Roberto Leite
Holofote Virtual: O Cine Camaleão – a boca do lixo foi, ao lado do espetáculo peças “Prometheus – A tragédia do fogo”, da Cia. Teatro Balagan, campeão de indicações ao Prêmio Shell. E ainda há outras indicações. Qual a importância disso tudo?

Paulo Faria: Esta é a segunda indicação que recebo como autor neste prêmio. É bom ser reconhecido pela crítica e meus pares, ter um retorno sobre o que estamos fazendo, se tem eco, interessa, se existem provocações.

Desde o ano passado foi reeditado um premio muito importante em São Paulo, que estava há 20 anos na geladeira, e que foi criado na década de 50, o prêmio Governador do Estado da Secretaria do Estado de Cultura, que dá 60 mil para uma dos 5 indicados e nós estamos lá. Se ganharmos esse prêmio vai possibilitar que o espetáculo possa se estender por mais três meses em temporada na nova Sede.

Em abril termina o patrocínio da Lei de Fomento. Esse prêmio também tem uma modalidade popular que não dá dinheiro, que é o voto popular, e que dá um troféu confeccionado por um artista plástico. Essa votação ainda está no ar, é só clicar o prêmio e vai ver todos os indicados em São Paulo nas diversas áreas, e como a gente tem tido sempre aqui um público paraense na peça, e que acessa este seu blog, então a turma pode ir lá e votar


Cine Camaleão
Holofote Virtual: Como está sendo este momento para a companhia?

Paulo Faria: Trouxe mais público esse movimento todo que a Cia vem construindo nesse lugar da contra cultura paulistana há 14 anos.

Apesar de trabalhar com essa estrutura pop, em todas as montagens, estar na Cracolândia, falar de eugenia nunca foi muito palatável para uma certa classe média. Além do que estar indicado em São Paulo, já é um prêmio, diante de tantas produções apaixonadamente produzidas aqui. 

A Cia fica muito honrada em estar ao lado de mais três ou quatro coletivos artísticos importantes em cada indicação que rolou aqui, diante das mais de 500 estréias anuais. Deve ser uma loucura pra uma comissão, sempre formada por pesquisadores, críticos, artistas e produtores. Isso nos estimula a investigar mais e mais esse teatro político que fazemos.

Falar sobre direitos humanos em nossas produções, fazer denuncias de intolerâncias, buscar temas relevantes para a construção dessa nossa identidade brasileira, cavucar a nossa história, ver isso na continuidade de nosso trabalhos. E é muito bom ter o teatro cheio com as pessoas se divertindo e conhecendo a história da cidade invisível que habitam. O público tem voltado. Tanto que vamos nos mudar pra rua do Triunfo, endereço do cenário da peça. 

A produtora de Entretenimentos Cinematográficos Cine Camaleão na ficção da peça está localizada nesta rua, em São Paulo. Ali foi a Hollywood brasileira. Todas as produtoras eram ali. São três quadras. Em frente ao largo onde está atual Pinacoteca (antigo Dops), Faculdade Tom Jobim, Contemporânea, Chope do Leo (reduto do samba), a uma quadra da Estação da Luz. 

Antiga Estação da Luz, em São Paulo
Holofote Virtual: Como foi que isso aconteceu? 

Paulo Faria: O prédio é histórico. Tudo foi acordado direto com o dono, um possível patrocinador de nossos projetos.

Vi o prédio no dia 15 de dezembro, o dia da leitura que fizemos de “Os Crimes de Preto Amaral”, na defensoria pública, véspera de viajar pra Belém [Paulo veio passar o final de ano com a família aqui]. Liguei pro dono e falei que o prédio tinha que ser nosso. Ele me esperou retornar. Fizemos um acordo bom pra ambos.

Holofote Virtual: Mas porque a necessidade de mudar?

Paulo Faria: Recebemos há um ano ordem de despejo da imobiliária que administra nosso prédio. Uma ação abusiva. Para que fosse feita uma reforma e sabemos da possibilidade dele ser vendido e demolido antes de ser tombado (1945). 

Isso está acontecendo nesta região por conta da ação equivocada da Prefeitura e do Estado a cerca da Cracolândia, por conta de não considerar a questão humana. É pura limpeza eugenista para faciliar a vida da especulação imobiliária do nosso prefeito. Chama empreiteira, derruba e constrói e vai colocando os moradores de baixa renda dessa região para a periferia. 

Vi muitos prédios caírem por aqui nos últimos dois anos. Hoje mesmo, derrubaram um conjunto arquitetônicos de um casario Art déco na Rua Helveitia com a Cleveland, onde estava a cracolandia e onde teve o churrasco dos diferenciados - “peguemos todos as nossas coisas e fomos poro meio da rua apreciar a demolição”, Adoniran Barbosa, morador por anos do entorno da Luz, dentro da Boca do Lixo. 

Decidimos não brigar pelos nossos direitos. Paz e amor, “Vou procurar outro alguém, você não serve pra mim”. Decidiu-se trabalhar o desapego e ir trás de coisa melhor. Recebemos esta notícia no inicio de 2010, junto com o prêmio que recebemos via Lei de Fomento.

Entramos num acordo de entregar o imóvel em abril quando se encerra esta primeira fase do projeto, patrocinado pela prefeitura. E estava brabeza achar um lugar aqui legal. Não sair do entorno da Luz. E foi justamente na Rua do Triunfo, em que estudamos nos últimos dois anos, que vamos habitar. E vamos entregar o atual no dia 31 de janeiro. E o nosso carnaval este ano vai ser no coração de onde surgiu o samba em São Paulo. Isso tudo junto é muito simbólico.

Lorenna Mesquita, no espetáculo
Holofote Virtual: A experiência do Cine Camaleão... a história toda da Boca do Lixo. É tudo muito interessante. Vamos trazer pra Belém?

Paulo Faria: Estou tentando levar a peça pra Belém em abril. Já fiz pedido de pauta aí. Fiz reunião com produtor local, agora vamos atrás de patrocinadores. Tem que ser em abril, pois já fica mais difícil pra Mel viajar que está grávida, ou depois de setembro quando ela volta do parto. Seu nenê é pra junho.

Holofote Virtual: A peça traz referências que muito indetificarão o público paraenses, começando com a participação da atriz Lorenna Mesquita... 

Paulo Faria: Queria fazer uma homenagem ao Pará através de uma personagem, e os estudos nos levaram a um estereótipo de personagem da Boca, o Índio, que além de representar o tipo no cinema, também fazia efeitos especiais, maquiagem. Pra essa personagem chamei a Lorenna Mesquita, que já havia trabalhado comigo anos atrás. 

Essa homenagem também se estendeu à Fafá de Belém, pois citamos o ‘Foi Assim’ do André Barata, e a Dira Paes, pois a personagem Indianara nasce em Abaetuba. Quem sabe logo, logo o público paraense não assisti ‘Cine Camaleão’? Enquanto isso, os paraenses que estiverem de férias por aqui venham ver Cine camaleão, to esperando por todos.

18.1.12

Ballare leva “A Bela Adormecida” ao Teatro da Paz

O espetáculo encerra o “VI Workshop de Ballet Clássico de Repertório da Amazônia”. Em cena, um balé de repertório completo, montado durante 15 dias de aulas e ensaios intensivos, sob a responsabilidade dos professores e bailarinos solistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro Ronaldo Martins e Rachel Ribeiro. 

Promovido anualmente pela escola Ballare, o workshop já virou tradição nesta época do ano, na capital paraense. Na montagem, bailarinos e bailarinas de várias partes do país. Ao todo a produção do evento envolve cerca de 150 pessoas, com direção geral de Ana Rosa Crispino. 

As apresentações acontecerão neste sábado, 21, e domingo, 22, às 20h, com ingressos custando R$ 25,00 e R$ 30,00 (meia entrada para estudantes), mas como já é de praxe, no domingo também haverá uma sessão especial, às 16h, reservada a instituições e entidades filantrópicas que trabalhem com crianças, adolescentes e adultos. 

“A Bela Adormecida” mostra com passos, gestos e movimentos do balé clássico, a história do famoso conto de fadas do escritor francês Charles Perrault, que serve de base para o enredo. Composto por prólogo e três atos, a peça clássica é do compositor russo Tchaikovsky, com libreto de Marius Petipa e Ivan Vsevolojsky, e coreografia original de Marius Petipa, cuja estreia ocorreu no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, no dia 5 de Janeiro de 1890. 

A Ballare também já mostrou ao público paraense, nos anos anteriores, outros repertórios famosos, como Giselle, O Quebra-Nozes, Dom Quixote e Coppélia. 

Com este projeto, a Escola de Dança pretende promover o intercâmbio entre bailarinos de todas as regiões do Pará e de fora do Estado, proporcionando a eles o aprimoramento técnico e a oportunidade de participar da montagem na íntegra de um balé de repertório, unindo os artistas do corpo de baile com cenógrafos, técnicos de palco, de som e de iluminação.

Serviço 
“A Bela Adormecida”, uma realização da Ballare Escola de Dança. Apoio cultural da Norte Comunicação Integrada, Cia Paulista de Pizza, On Line Produções, Fabel, Restaurante Quintela, Ver-a-Mídia, Ver-in-Taxi e Hotel Grão Pará. Interessados em participar da sessão beneficente vespertina devem ligar para a Escola Ballare nos telefones: 91 3241 3182 e 8408-4707 e solicitar seus convites. Mais informações e venda antecipada de ingressos: Tv. Padre Eutíquio, 1454 (entre Tamoios e Conselheiro). Fones: (91) 3241-3182 e 8408-4707.

17.1.12

Edital que obras sobre as “Memórias da Imagem”

Gente no Centro, de Silas José de Paula (CE), no II Prêmio
É a terceira edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, que este ano pretende refletir a relação entre imagem e memória. O lançamento do edital será nesta quarta-feira, 18, quando estará disponível no site  e no escritório do Prêmio (Rua Gaspar Viana, n. 773), no Instituto de Artes do Pará, Casa das Onze Janelas, Associação Fotoativa, Sol Informática e Museu da UFPA. 

O tema deste ano parte da associação constante que se faz da fotografia com a memória, pelo caráter de registro da imagem fotográfica, que promove um diálogo constante com o passado. 

De acordo com o curador, Mariano Klautau Filho, na apresentação do tema “Memórias da Imagem”, este ano o Prêmio propõe que se desenvolva uma “concepção em que a imagem fotográfica seja uma experiência atemporal”, que possua em si “também uma espécie de memória particular atravessada pelo passado, presente e futuro”. 

Segundo ele, esta terceira edição convida o artista “a pensar quais os modos de memória reinventados pela fotografia e como esses elementos podem se constituir como pensamento artístico”. Serão oferecidos três prêmios no valor de R$10.000,00 cada: Prêmio Memórias da Imagem, Prêmio Diário Contemporâneo e Prêmio Diário do Pará, este último dedicado somente aos artistas do estado. 

No total, serão selecionados até 23 artistas – incluindo os três premiados – que participarão da Mostra III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, na Casa das Onze Janelas, de 28 de março a 27 de maio de 2012. Além da premiação, o projeto contará com uma série de ações de incentivo à educação e à pesquisa realizadas em Belém, como encontros com artistas, oficinas, palestras e atividades em escolas.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia conta com o patrocínio da Vale e apoio do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA, do Museu da UFPA, da Sol Informática e do Instituto de Artes do Pará. 

Promovido pelo jornal Diário do Pará, empresa da Rede Brasil Amazônia de Comunicação, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional, aberto a todos os artistas brasileiros ou residentes no país e as inscrições poderão ser realizadas até 18 de fevereiro, gratuitamente, com depósito das obras pessoalmente, pelos artistas residentes em Belém, ou por correio. Mais informações: (91) 3184-9327 / (91) 8128-7527.

Jovem pianista se despede de Belém com recital

Preparado pelo Conservatório Carlos Gomes, Patrick Rodrigues acaba de passar em dois vestibulares, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo. Para celebrar o feito, o CCG oferece ao público a oportunidade de participar do Recital de Formatura dele, nesta quarta-feira, 18, na Sala Ettore Bósio, às 18h e com entrada franca. 

É inegável a importância do Conservatório Carlos Gomes para o ensino de música no Pará. Desde 1896, quando fundado, o Instituto de Música, dirigido naquele ano inicial pelo próprio Carlos Gomes, que viera morar, e no mesmo ano, falecer em Belém, ele tem formado talentos não só paraenses. 

Atraindo atenção em todo o mundo, hoje, o conservatório possui músicos de outros estados e de fora do país estudando ou dando aulas de música. Um destes talentos é Patrick Rodrigues, carioca que chegou em Belém aos 10 anos de idade para fazer o curso de Musicalização do Conservatório Carlos Gomes - CCG. Aos 11 anos, devido ao grande talento imediatamente percebidopor seus professores, deu um salto e entrou no 2o ano do técnico.

Aos 18 anos ele está concluindo Piano, e se despedindo de Belém. Vai para o Rio de janeiro, onde passou no vestibular da Escola de Musica da UFRJ. Ele que também passou no vestibular do Instituto de Artes da Unesp, preferiu voltar a terra natal para continuar seus estudos. A audição dele na UFRJ causou surpresa nas pianistas e professoras Miriam Grosman (RJ) e Myrian Daulsberg (Dell'Arte/RJ ). Myriam ficou tão admirada com o talento de Patrick, que se dispôs a acompanhar os estudos dele no Rio de Janeiro. Ele, claro, aceitou, deu meio volta e aqui está novamente, desta vez, para dizer té logo.

Nesta quarta-feira, 18, Patrick realiza um recital-prova onde vai executar Bach, Liszt, Chopin e outros. Patrick estudou no CCG com o Felipe Andrade e Silva, que logo percebeu o potencial do menino e o acompanhou de perto durante estes anos, observando que Patrick sempre estava acima da média e o incentivou a executar, aos 14 anos, o Concerto no. 20, de Mozart. 

Patrick também fez masterclasses com Olga Kiun, Gabriella Affonso e Edson Elias. Já venceu quatro vezes o Concurso para Jovens Instrumentistas do CCG, foi duas vezes semifinalista vezes do Concurso Música no Museu, do Rio de Janeiro. 

Ele que já vem apresentando em concertos e festivais da Fundação Carlos Gomes, ainda não é uma celebridade, mas há quem afirme que isso é uma questão de tempo. “Guarde este nome”, já me disseram. Por isso, não percam o concerto desta quarta-feira, 18. Pode ser um momento histórico. 

Serviço
Recital de formatura de Patrick Rodrigues. Nesta quarta-feira, 18, às 18h, na Sala Ettore Bósio (Av. Gentil Bittencourt, 977). O evento é aberto ao público e tem entrada franca. 


PROGRAMA 

  • J. S. BACH - Prelúdio e Fuga nº4 do Cravo Bem Temperado (1685-1750) 
  • F. CHOPIN - Noturno op. 55 nº2 (1810-1849) - Scherzo nº 1 em si menor A. 
  • NEPOMUCENO - “A Galhofeira” (1864-1920) 
  • F. LISZT - “Spozallizio” (Annés de Pelerinage – Itália) (1811-1886) (1877-1915) - Sonata nº 4 em fa # menor 
  • A. SCRIABIN - Estudo op. 42 nº 5 “Affannato”

16.1.12

Cineclube do IAP exibe "Pacific" em sua retomada

O longa do pernambucano Marcelo Pedrosa vem gerando polêmica por ter sido montado com os trechos de filmagens feitas pelos passageiros de um navio em viagem para Fernando de Noronha. A sessão inicia às 19h, seguida de debate. No auditório do IAP, na Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. 

Hoje em dia, com a facilidade de acesso às tecnologias de filmagem, quase todo mundo pode fazer um filme se juntar os registros que vem fazendo e acumulando por anos no HD de seu computador. Já pensou, reunir em um filme os melhores momentos de nossas vidas? 

Foi mais ou menos isso que o cineasta Marcelo Pedrosa fez em Pacific (PE, 2009). Mas ao invés de utilizar imagens pessoais, ele montou seu longa a partir de vários registros amadores, produzidos pelos turistas que fizeram um cruzeiro entre Recife e Fernando de Noronha. 

Graças a isso, o cineasta e sua obra tem sido polemizados. Cinema pós-contemporâneo, documentário surpresa, um filme questionador são apenas algumas das denominações dos críticos para Pacific. Em uma de suas entrevistas, Marcelo Pedrosa diz que nunca esteve pessoalmente no navio, uma escolha sua.

“Preferi me manter distante para me relacionar apenas com as imagens e o que elas me traziam. Portanto, quem fez toda a negociação em torno da liberação das imagens foi uma equipe de produtoras que embarcou no Pacific e lidou diretamente com os personagens”. 

O filme ganhou espaço em discussões e mostras e superando todas as expectativas, foi exibido na 29ª Bienal de São Paulo, na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes e em vários outros festivais, ganhando prêmios de melhor filme na 9ª Mostra do Filme Livre, no 4º Panorama Coisa de Cinema de Salvador e no 1º CachoeiraDoc (BA). 

Curioso, amado por uns e odiado por outros, o fato é que a partir do longa, Jean Claude Bernardet, cineasta e um dos maiores teóricos e críticos do cinema brasileiro,  com especial atenção ao documentário, trouxe novos questionamentos sobre ética documental, padrões estéticos, espetáculo, encenação e a transposição do privado ao público no cinema. 

A exibição do filme reinicia a programação do Cineclube Alexandrino Moreira este ano. Após a sessão haverá um debate com participação de Indaiá Freire (Mestra em Literatura e produtora), Cláudia Kahwage (Antropóloga e Realizadora) e Ricardo Harada Ono (Curso de Cinema e Audio Visual e de Artes Visuais - FAV/ICA/UFPA).

15.1.12

Simioni abre encontro internacional em Belém

Carlos  Simioni
O fundador do Grupo Lume e coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (SP), e mais 19 atores brasileiros e internacionais participam, a partir desta segunda-feira, 16, do Conexão Belém Internacional - III Encontro do Núcleo de Treinamento em Dança Pessoal do ator, que acontecerá até dia 27 de janeiro, em vários espaços da cidade. A abertura para o público será às 19h, no SESC Boulevard. 

Natural de Curitiba (PR), radicado em Campinas, Carlos Simioni foi o primeiro discípulo de Luís Otávio Burnier, com quem fundou o LUME em 1985 e onde desde então trabalha como ator-pesquisador. 

É curador do ECUM – Encontro Mundial de Artes Cênicas (desde 2004) e coordenador do Lume - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp. Sob orientação de Burnier, ele desenvolveu pesquisas nas áreas da antropologia teatral e cultura brasileira e trabalhou na elaboração, codificação e sistematização de técnicas corpóreas e vocais de representação para o ator. 

O Núcleo de Treinamento em Dança Pessoal do Ator surgiu em 2010, com o curso “Princípios da Dança Pessoal para o trabalho do ator”, ministrado por ele. Na ocasião, reunindo 19 atores-dançarinos das cinco regiões do Brasil e da Costa Rica, Panamá e Estados Unidos da América, o curso tinha apenas um mês de atividades. No entanto, os atores sentiram necessidade de aprofundar a pesquisa elaborada e constituir um grupo permanente de experimentação e reflexão sobre a Dança Pessoal. Assim é realizado em janeiro de 2011, o segundo encontro deste grupo. O terceiro chega agora em Belém. 

Em duas semanas divididas entre os treinos do grupo e programação cultural e workshops destinados à comunidade local profissional, amadora ou curiosa, o grupo de Simioni pretende dividir conhecimentos com o público, além de aprofundar seu trabalho, ampliando seu treinamento pessoal. A abertura para o público será às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, com a demonstração de “Prisão para a Liberdade”. 

Nesta demonstração, Simioni abordará sua trajetória no LUME Teatro. Em 26 anos de trabalho, Simioni vem trabalhando o treinamento físico, construção das técnicas de expansão e dilatação do corpo no espaço e no tempo, além do treinamento vocal no encontro com outros Mestres que os ajudaram na elaboração de personagens, cenas e espetáculos. 

A Dança Pessoal é uma técnica de treinamento autoral baseada no exercício da presença cênica, os impulsos e as qualidades de movimento, desenvolvida por Burnier e Simioni. A idéia era elaborar uma técnica para o ator brasileiro, levando em consideração sua cultura e particularidades, apropriando-se das referências do teatro mundial e ensinando suas descobertas no Brasil e internacionalmente. 

Desde então a técnica vem sendo sendo investigada dentro do Lume Teatro, mas dentro deste período, esta é a primeira turma formada fora do núcleo, a receber orientação para continuar desenvolvendo a pesquisa para seu processo autoral, de forma a multiplicar o conhecimento já amadurecido em mais de duas décadas. 

Os interessados nas oficinas e workshops devem entrar em contato pelo e-mail (conexaobelem@gmail.com), apontando a oficina de seu interesse e anexando currículo resumido. Veja abaixo a descrição das oficinas e a programação culturalcompleta. 

Grupo LUME em Shi-Zen, 7 Cuias
OFICINAS

O Ator Ativo, com Marcos Rangel Koslowski - A oficina propõe o treinamento de elementos técnicos para ativar o corpo e suas energias, a fim de chegar a um estado de presença. 

Esse treinamento também será utilizado para a construção de um repertório físico de ações. Serão trabalhados os seguintes elementos técnicos: base, deslocamento espacial, fragmentação corporal, variações de tempo, equilíbrio e desequilíbrio, ações (empurrar, puxar, saltar, rolar), oposições, arremessos, resistência. 

Técnica Michael Chekhov para o ator, com Ray Moscarella - Michael Chekhov, considerado um dos maiores atores da história teatral contemporânea, foi o criador de uma técnica consagrada que visa desenvolver no ator o máximo de sua capacidade criativa e liberdade artística para compor seus personagens. A oficina intensiva deve abordar e colocar em prática os principais elementos desta técnica: movimentos arquetípicos, gesto psicológico, atmosfera, trabalho em grupo. 

Voz e sensação, com Janko Navarro - É uma oficina experimental onde se utiliza como território básico de criação, o ponto de inspiração, o apoio, as relações físicas do corpo/voz e o pensamento musical. 

Carlos Simioni
PROGRAMAÇÃO
CONEXÃO BELÉM INTERNACIONAL 

SEGUNDA-FEIRA, 16
Abertura - 19h - Centro Cultural SESC Boulevard 
Demontração “Prisão para a Liberdade”. 

TERÇA-FEIRA, 17
Manhã: 09h às 12h - Oficina (Janko – Costa Rica)
Local: Etdufpa

Noite: 20h – Bate Papo sobre Clown 
Local: Casa dos Palhaços 

QUARTA-FEIRA, 18 
Manhã: 09h às 12h - Oficina (Janko – Costa Rica) 
Local: ETDUFPA 

QUINTA-FEIRA, 19 
Manhã: Oficina (Janko – Costa Rica)
Local: ETDUFPA 

Noite: 20h – Palhaçadas de Quinta
Local: Casa dos Palhaços 

SEXTA-FEIRA, 20 
Manhã: Oficina (Ray - Panamá)
Local: ETDUFPA 

Noite: 20h - Bate-papo Camilo
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard 

SÁBADO, 21  
Manhã: 10h - Intervenção de Clowns
Local: Ver-o-Peso 

Noite: 20h - Show Musical: Rodrigo Carinhana (SP) e Rodrigo Braga (PA) 
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard 

SEGUNDA-FEIRA, 23  
Manhã: 09h às 12h - Oficina (Ray - Panamá) 
Local: ETDUFPA 

TERÇA-FEIRA, 24 
Manhã - 09h às 12h - Oficina (Marcos - POA) 
Local: ETDUFPA 

QUARTA-FEIRA, 25 
Manhã: Oficina (Marcos - POA) 
Noite: 20h - Espetáculo “El Funeral” 
Local: Teatro Claudio Barradas 

QUINTA-FEIRA, 26 
Manhã: Oficina (Marcos - POA) 
Noite: 19h - Demonstração do Grupo 

SEXTA-FEIRA, 27 
Noite: 19h – Espetáculo Corpo Santo – Cia. de Teatro Madalenas 
Local: TUCB – Teatro Universitário Cláudio Barradas 
21h – A Festa na Amazônia (despedida) 

(com informações enviadas pelo encontro e fotos do blog LUME Teatro)

12.1.12

Cinema paraense no aniversário de Belém 396 anos

"Belém, 350 anos", de Líbero Luxardo e Milton Mendonça
Sim, parabéns minha Belém. A partir desta quinta-feira, 12, ao completar 396 anos, a cidade das mangueiras ganha a tela grande e será mostrada nos vários filmes que serão exibidos em duas semanas de programação. É assim que o Cine Líbero Luxardo homenageia a quase quatrocentrona metrópole da Amazônia.

Ao todo serão exibidos onze curtas, seis documentários de longas e médias metragens, além de três longas de ficção. Para marcar bem o clima de aniversário, as sessões serão iniciadas com a exibição do curta “Belém 350 anos”, de Líbero Luxardo, que também ganha destaque na programação com outros dois filmes, “Brutos Inocentes” e ”Um dia Qualquer”. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente uma hora antes das sessões, que começam sempre às 19h.

Na abertura, estão três filmes que mostram como Belém é uma locação cinematográfica imperdível. O curta “Ver-o-Peso”, que teve realização coletiva numa oficina da Embrafilme, realizada em Belém em 1984, em parceria com a secretaria municipal de educação e cultura e do CRAVA – Coletivo de Realizadores em Audiovisual da Amazônia, traz no elenco o ator já falecido Albertinho Bastos, no papel principal de um mendigo filósofo. Com direção de Januário Guedes, Sônia Freitas e Peter Roland, o filme abre a programação desta noite, seguido de Ribeirinhos do Asfalto, de Jorane Castro, e de Miguel Miguel, de Roger Elarrat.

Ribeirinhos em direção ao asfalto de Belém
“Ribeirinhos do Asfalto”, nem precisa falar muito, é último curta de Jorane Castro, que teve estréia no próprio Líbero Luxardo, em 2011, e vem sendo premiado em vários festivais nacionais, além de já ter ganho outras exibições em Belém e em Santarém e espaço na mídia nacional e local. Pena mesmo é não podermos ver a projeção em película.

Já a produção de 2009, “Miguel Miguel”, na verdade uma minissérie, terá todos os cinco episódios exibidos de uma só vez, ainda que fragmentados. Mas poderá ser melhor entendido, pois quando exibido pela TV Cultura do Pará, em capítulos, dispersos na programação aos sábados, deixou o telespectador meio tonto para assimilar uma história que se passa em três tempos diferentes.Só precisa ter paciência de ver cinco vezes a abertura e a ficha técnica, a cada novoepisódio.

Traz no elenco Yeyé Porto e Henrique Andrade, além do músico Nego Nelson, no papel de Miguel e tantos outros artistas. A versão de Elarrat para a novela homônima escrita pelo grande Haroldo Maranhão traz no roteiro a intrigante história de Varão, um homem obcecado por obituários e que testemunha, através dos jornais, o melhor amigo morrer duas vezes. É de um realismo fantástico comovente, não perca não. 

Líbero Luxardo - O cineasta integra a mostra com o curta “Belém 350 Anos”, que entrou na mostra na última hora, através de uma parceria do cinema com o MIS - Museu da Imagem e do Som do Pará e com a Cinemateca Paraense. No cine-jornal, produzido em 1965, pela produtora de Líbero Luxardo, a Amazônia Filmes, vê-se a Belém do Pará de 47 anos atrás, uma metrópole que ainda exibia suas construções erguidas no século XIX em contrastes com prédios e arranha-céus de aspirações modernas. 

As imagens foram feitas pelo cinegrafista Milton Mendonça, que mais tarde sucederia Líbero na realização de inúmeros outros cine-jornais que também merecem ganhar restauro para serem mostrados ao público, pois guardam parte da memória política, social, cultural e urbana da cidade. Lembro de ter visto alguns deles anos atrás durante um evento chamado “Pioneiros do Cinema Paraense”, realizado pela Central de produção Cinema e Vídeo na Amazônia nos anos 90. 

Entre eles vi um bem curioso que mostrava a inauguração da iluminação pública da então avenida Tito Franco, hoje Almirante Barroso. Não tenho certeza, mas estes cine-jornais devem estar no acervo do MIS-PA, aguardando iniciativas, assim como outros filmes, incluindo outras raridades de Líbero, de quem também serão exibidos mais dois filmes de longa metragem. 

O primeiro que será exibido neste domingo é “Brutos Inocentes”, de 1974, para mim, uma das narrativas mais contundentes sobre a escravidão de trabalhadores da borracha. Na trama central, vemos o capataz João, que maltrata os seringueiros, que vivem em regime de servidão em uma vila, entre os quais Inácio, cuja mulher morre ao se defender de três agressores sua filha Joana, que ficou muda com o trauma. Qualquer semelhança com coisas que acontecem até hoje no Pará não é pura coincidência. 

Este longa tem uma história engraçada. Para chegar ao tempo exigido pela Emvbrafilme para filmes de longa metragem, o cineasta Líbero Luxardo colou um curta que mostra um jovem casal branco que espera a chegada do primeiro filho, que nasce amaldiçoado, pois a mulher, mesmo advertida por amigas do povoado, olha para o eclipse da lua e o bebê nasce negro. É claro que a história acabou virando polêmica, por ter sido apontada pelos críticos como racista. 

Clássico do cinema paraense
O outro filme dele na programação é a obra prima “Um Dia Qualquer”, realizado 1962, considerado o primeiro longa paraense. Em 2008, em uma mostra organizada pelo MIS-PA, pelo centenário de nascimento de Líbero, alguns dos profissionais que fizeram parte da equipe técnica do cineasta estiveram presentes e se emocionaram nas sessões. 

“Um Dia Qualquer” é imperdível para quem gosta de memória e linguagem cinematográfica. Misturando ficção com ares de documentário e filme noir, chega a ser nostálgico. Na tela, vemos mais uma vez imagens do Ver-O-Peso,  da avenida Presidente Vargas, das praças da República e Batista Campos, da Igreja do Carmo e do Cemitério da Soledade, entre outros lugares característicos da cidade. Líbero filmou também manifestações culturais marcantes como o Círio de Nazaré, sem a multidão impressionante da atualidade, a brincadeira de Boi-Bumbá e o Tambor de Mina em um terreiro. 

Na trilha, há músicas do maestro Waldemar Henrique como “Tamba-Tajá” e “Uirapurú” e no elenco Hélio Castro, Lenira Guimarães, Gelmirez Melo e Silva, Conceição Rodrigues, Raimundo Silva, Eduardo Abdelnor, Cláudio Barradas, Maria Gracinda, Luiz Mazzei, Zélia Porpino e o Coral Universitário do Pará, com regência de Nivaldo Santiago, além de um aparticipação de Sebastião Tapajós, mas tem que ficar atento para sacar o momenot de aparição do violonista.

O filme conta um dia na vidade de Carlos, um homem que ao perder a esposa, sai pela cidade e acaba testemunhando inúmeras situações de violência e festas. Em sua andança, vamos identificando a cidade, que ainda tinha muitos igarapés em plena região urbana. Num deles, aliás, Líbero filma a primeira cena de nudez do cinema paraense. É obrigatório assistir "Um Dia Qualquer"! 

Mais filmes - Com exceção de Ver-o-Peso, todos os outros três filmes deste primeiro dia também serão reexibidos na programação da próxima semana, como a maioria que está na programação. Dos que já pude assistir, também terão direito a duas exibições, nesta e na outra semana, as animações “Muragens”, de Andrei Miralha e “A Onda - Festa na Pororoca”, de Cássio Tavernard e os curtas de ficção “Açaí com Jabá”, de Alan Rodrigues, Marco Daibes e Walério Duarte e “Matinta”, de Fernando Segtowick, outro curta premiado nacionalmente em festivais e mostras do país. 

Filmado no parque do Utinga e na Comunidade de Caruaru, em Mosqueiro, o curta tem no elenco Dira Paes e Adriano Barboso, que também protagonizam o filme de Jorane, cineasta que tem na mostra mais dois documentários, “Belém, Cidade das Águas” e “Invisíveis Prazeres Cotidianos”. “Chupa-Chupa”, de Adriano Barroso e Roger Elarrat, filmado em Colares, e “Belém aos 80”, de Alan Guimarães e Januário Guedes, também terão duas sessões. 

Ainda não vi “Verônika não Deita”, realização coletiva de 2010, “O Mundo e Célia”, de Ronaldo Rosa, SIssa Aneleh e Bruno Assis, “O Engano”, de Lorena Montenegro, "Na canoa pra aprender", de Dani Franco e Bruno Assis e nem, por incrível que pareça (está na internet, como tantos outros filmes da programação), o documentário Brega S/A, de Vladmir Lima e Gustavo Godinho, que mostra o fenômeno da pirataria na periferia de Belém, trazendo personagens como o DJ Maluquinho, que se auto-pirateia e enriquece sem precisar de empresário ou gravadora. Este vou ver na telona, melhor assim!

PROGRAMAÇÃO COMPLETA 

12 a 15 de janeiro 

QUINTA-FEIRA, 12/01 

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "Ver-o-peso" (Januário Guedes, 1984, 13’); "Ribeirinhos do Asfalto" (Jorane Castro, 2010, 25’); "Miguel, Miguel" (Roger Elarrat, 2009, 65’).

SEXTA-FEIRA, 13/01 

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "Veronika não Deita" (Coletivo, 2010, 8’); "O Mundo de Célia" (Ronaldo Rosa, Sissa Aneleh e Bruno Assis, 2009, 7’); "Belém aos 80" (Alan Guimarães e Januário Guedes, 2007, 105’).

SÁBADO, 14/01  

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "Muragens" (Andrei Miralha, 2008, 13’); "Matinta" (Fernando Segtowick, 2010, 20’); "Chupa, Chupa" de Adriano Barroso, 2007, 55’).

DOMINGO, 15/01

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "O Engano" (Lorenna Montenegro, 2003, 10’); "Açaí com Jabá" (Alan Rodrigues, 2000, 13’); "Brutos Inocentes" (Libero Luxardo, 1973, 95’).

18 a 22 de janeiro  

QUARTA-FEIRA, 18/01

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "Açaí com Jabá" (Alan Rodrigues, 2000, 13’); "Invisíveis Prazeres Cotidianos" (Jorane Castro, 2004, 26’); "Chupa, Chupa" (Adriano Barroso, 2007, 55’).

QUINTA-FEIRA, 19/01

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "A Onda - Festa na Pororoca" (Cassio Tavernad, 2005, 12'); "Matinta" (Fernando Segtowick, 2010, 20’); "Brega S/A" (Vladimir Lima e Gustavo Godinho, 2009, 55’).

SEXTA-FEIRA, 20/01 

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "Muragens" (Andrei Miralha, 2008, 13’); "Belém, Cidade das Águas" (Jorane Castro, 2003, 30’); "Miguel, Miguel" (Roger Elarrat, 2009, 65’).

SÁBADO, 21/01

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10') "Veronika não Deita" (Coletivo, 2010, 8’); "Na Canoa para Aprender" (Dani Franco e Bruno Assis, 2010, 5’30’’); "Belém aos 80" (Alan Guimarães e Januário Guedes, 2007, 105’).

DOMINGO, 22/01

“Belém 350 anos” (Líbero Luxardo, 1965, 10'); "O Mundo de Célia" (Ronaldo Rosa, Bruno Assis e Sissa Aneleh, 2009, 7’); "Ribeirinhos do Asfalto" (Jorane Castro, 2010, 25’); "Um Dia Qualquer" (Libero Luxardo, 1962, 100’).

Serviço 
"Mostra Belém 396 Anos" . No Cine Líbero Luxardo, Av. Gentil Bittencourt, 650, Térreo – Fcptn. Entrada: Gratuita. Espaços especiais para cadeirantes. Mais informações: 91 3202.4321. Realização: Governo do Pará e Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves. Apoio Institucional: MIS Abdec-Pa Documentaristas Cinemateca Paraense.

10.1.12

Pássaros e Bois Juninos chegam às telas do cinema

"Acredito que reinventar é a melhor maneira de manter vivas as nossas paixões". A frase, de Luiz Arnaldo Campos, nos dá a dica sobre sua mais nova produção, o curta metragem "Pássaros Andarilhos e Bois Voadores", que será lançado em Belém, nesta sexta feira, 13.

O lançamento iniciará com um cortejo na Praça da República, a partir das 17h.  A exibição será às 19h, no Cine Olympia, com entrada franca.  Ambientado na Belém de 1925, a trama de magia e sedução, amor e desventuras mostra Floramor e Rosimeire, fada e feiticeira, respectivamente, do Cordão de Pássaro Quero-Quero que se envolvem na disputa entre os bois Flor de Lis e Touro de Ferro, organizados por seus namorados, Zebedeu e Ladislau. 

Foi uma produção de fôlego - mais de uma semana de filmagens envolvendo dezenas de figurantes nos municípios de Belém, Marituba e Santa Bárbara. Sem falar nas minúcias que envolvem a edição de uma obra cinematográfica. Para o lançamento, uma grande festa. 

"Vamos fazer um pequeno cortejo com gente dos bumbás e dos pássaros saindo da Praça da República para a porta do cinema, esquentando os corações. Depois é esperar que o público- o senhor soberano- se sinta recompensado", adianta Luiz Arnaldo Campos, roteirista e diretor do filme, vencedor, em 2010, do Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Curta Metragem, de Ficção ou Documentário, do Ministério da Cultura. 

Nesta entrevista, Luiz Arnaldo afirma que foi "arrastado pelas culturas do Pará" e, desde,então, nos último 15 anos também nos arrasta junto produzindo filmes e vídeos impregnados com a diversidade cultural paraense. 

Luiz Arnaldo fala também da expectativa de estreia, das dificuldades de se filmar em Belém e também do próximo trabalho. Desta vez, um arrastão : um longa "que tem como pano de fundo a migração dos tupinambás da Amazonia para a costa brasileira"

Como surgiu a idéia de um filme envolvendo Bois e Pássaros Junino?

Luiz Arnaldo Campos: Desde que cheguei em Belém - há mais de quinze anos- fui arrastado pelas culturas do Pará que se apossaram, com doçura e sensibilidade do timão do meu trabalho.Daí vieram os documentários Chama Verequete, Altino Pimenta, Haroldo Maranhão, A Descoberta da Amazonia pelos Turcos Encantados, Tocando Rabeca, Vento das Palavras, Terra de Negro 2 e a contribuição nos vídeos produzidos pela Oficina Indígena de Audiovisual. 

No Pássaros Andarilhos & Bois Voadores trnaformei a idéia do Rogério Parreira de um documentário em um trabalho de ficção que vira de cabeça para baixo as tradições dos bumbás e cordões. Acredito que reinventar é a melhor maneira de manter vivvas as nossas paixões. 

O filme acabou envolvendo as pessoas que participam e promovem os arrastões juninos. Como foi trabalhar com eles no set de filmagem? 

Luiz Arnaldo Campos: Os mestres e integrantes dos bumbás, os componentes dos bois de toada, as encenadoras e participantes dos cordões, os artistas da capoeira fizeram sua a nossa fantasia e foram de uma dedicação inebriante e comovente. Tenho a impressão que viram o filme como um grande cortejo, uma brincadeira das boas e se atiraram nele com garra e alegria. Por exemplo, a forma como os participantes assumiram as cores dos bois rivais do roteiro e recriaram a tradição da disputa nas ruas foi emocionante. 

Embora vá cometer uma injustiça por não citar todos os nomes não posso deixar de destacar os Mestres Alarino e Pantoja que montaram os bumbás protagonistas Flor de Lis e Touro de Ferro, as queridas Iracema de Oliveira e Bernadete Lourdes, grandes encenadoras dos Cordões de Pássaros e Bichos, o Careca , animador dos bois de toada de Santa Bárbara e Juliana Silva , nossa atriz principal que é dançarina de Boi em Santa Bárbara. Quero falar também da Célia Maracajá que assina a direção de arte do filme. Sem o seu conhecimento e imersão neste universo seria impossível realizar esta arquitetura.

Quais foram as principais dificuldades para rodar o filme?

Luiz Arnaldo Campos: Dinheiro é sempre um problema mas o mais importante foi a montagem de uma equipe profissional e criativa que conseguiu driblar todas as dificuldades.

Como será o lançamento no Olympia e a circulação dele pelos cinemas e festivais?

Luiz Arnaldo Campos: Minha ansiedade é grande. Estrear na Semana do Aniversário de Belém e no Cine Olympia é bem forte. Vamos fazer um pequeno cortejo com gente dos bumbás e dos pássaros saindo da Praça da República para a porta do cinema, esquentando os corações. Depois é esperar que o público - o senhor soberano - se sinta recompensado.

Estamos acertando uma outra exibição no SESC para os próximos meses e claro vamos batalhar para fazer uma temporada num dos nossos cinemas de arte. No Rio, temos uma outra pré-estréia no dia 23 deste mes.Amigos que já viram acham que podemos fazer uma boa carreira no circuito dos festivais. Estamos torcendo. 

Já tem um próximo projeto sendo encaminhado? Pode falar um pouco sobre ele?

Luiz Arnaldo Campos: Começamos a trabalhar no roteiro de um longa-metragem de invenção que tem como pano de fundo a migração dos tupinambás da Amazonia para a costa brasileira , no anos que antecedem 1.500. É um trabalho coletivo, feito com muitas mãos. Estamos animados e esperançosos.

(entrevista enviada pelo jornalista Wanderson Lobato, da assessoria de imprensa do filme)