8.2.09

“Miguel, Miguel”, obra de Haroldo Maranhão, será adaptada para as telas


Roger Elarrat (com o boné) , vencedor do concurso, dirigindo acima
um docmentário no Forum Social Mundial 2009


Na sexta-feira a ABDeC-PA publicou em seu blog, texto sobre o resultado do Concurso de Minisséries da TV Cultura, depois de vários meses de trâmite (mais informações no blog: http://abdecpara.blogspot.com/).

Dois projetos foram contemplados: “Miguel, Miguel”, de Roger Elarrat e “Vida de Cão”, de Waleriano Duarte, dois realizadores que vêm se destacando na cena audiovisual paraense.

Waleriano tem muito trabalho pela frente em 2009. Ele também é vencedor do concurso nacional DocTV (Profissão: Escravo), além de ter ganho o concurso do Edital de Curtas Metragens da Secult-PA/Museu da Imagem e do Som do Pará (A Canção de Eleonor).

Roger Elarrat já é veterano do DocTV em 2006, com o Chupa-Chupa – A história que veio do céu, em parceria com Adriano Barroso, e tem no currículo a realização do primeiro curta de animação em stop motion da história do cinema paraense, entre outros trabalhos em cinema, como, roteirista, diretor ou assistente de direção.

Não há dúvida de que teremos duas obras de qualidade muito em breve veiculadas na nossa telinha e quem sabe nos cinemas, como vislumbra Roger Elarrat na entrevista que segue abaixo, concedida com exclusividade ao Holofote.

Há anos atrás, assim que foi lançada, nos anos noventa, li a novela “Miguel Miguel”, de Haroldo Maranhão, cuja capa foi feita pelo artista plástico P.P. Condurú e que aliás foi quem me emprestou o livro para ler. Fiquei imediatamente encantada com a obra e agora mais ainda com a possibilidade de vê-la transformada em obra audiovisual.

Agora, sim, leiam abaixo a entrevista com Roger Elarrat.

Holofote: Há inúmeras obras de autores paraenses perfeitamente adaptáveis para uma minissérie. Em meio a todo este universo de possibilidades, quais os teus critérios para escolher a novela Miguel Miguel de Haroldo Maranhão?
Roger Elarrat: Primeiro senti medo de não ter fôlego de adaptar uma obra extensa, como um romance. Da mesma forma, achei que acabaria com um tratamento muito superficial porque em uma minissérie em poucos episódios não daria pra dar a profundidade que um romance carrega. E aí, pensei em pegar algum conto, mas sofreria o oposto: acabaria com um material original muito magro e teria que inserir muita coisa na adaptação. Como eu queria me manter mais fiel possível, a novela Miguel Miguel me pareceu perfeita. Além de ser uma história linda, já foi leitura do vestibular, e é muito conhecida. O meu trabalho foi, à princípio, embaralhar tudo e dar uma cara mais cinematográfica.

Holofote: Quantos capítulos terá a mini serie e quais as principais características desta adaptação para TV?
Roger Elarrat: A minissérie terá 5 episódios de 13 minutos cada. Mudaremos os lugares em que a história se passa, porque no livro, originalmente é o Rio de Janeiro. Até o momento, vou ambientar em Icoaraci. Também, rejuvenesci os personagens uns 15 anos. Eles continuam idosos, mas não tanto quanto no livro.

Holofote: Houve níveis de dificuldades em fazer esta adaptação? quais?
Roger Elarrat: A primeira dificuldade em se adaptar uma obra literária para a linguagem audiovisual é transformar em ações e diálogos, certas informações que o escritor fala diretamente com o leitor. Eu acho que todo mundo deve passar por isso. Então, eu criei sequências novas, de eventos apenas citados no livro, como o primeiro enterro de Miguel. Essas sequencias foram as mais difíceis porque eu deveria me manter fiel ao material original mas esse é um material que está nas entrelinhas. Mas foi bem desafiador porque meu medo era ter muito respeito por Haroldo Maranhão e manter essa postura pouco desafiadora. Eu precisei desconfiar da obra em muitos momentos pra poder subvertê-la, acrescentar personagens, mudar lugares, desenvolver trechos superficiais da história.

Holofote: A produção toda envolverá quantos atores, locações etc.. como e quando começam as gravações, já há um planejamento?
Roger Elarrat: Olha, meu planejamento inicial é filmar em julho. Nas minhas férias! Um dos motivos que escolhi Miguel Miguel é que é um livro logisticamente cabível nas limitações do edital. Basicamente, são duas locações: um casarão e um cemitério, e a história gira em torno de basicamente quatro personagens.

Holofote: Você acredita que se abre um mercado para este tipo de trabalho? Além da Funtelpa, a obra será veiculada na Rede Brasil e/ou TVs pagas etc? Quais os planos de vôos para esta obra, depois de cumprir seu contrato via concurso Funtelpa?
Roger Elarrat: Acho que o futuro da televisão está em ótimas oportunidades com produções independentes. Cada vez mais teremos espaço nas programações para produções locais e a TV Cultura do Pará sai na frente porque foi a primeira a lançar um edital desta natureza. E à princípio a TV Cultura vai procurar espaços para exibir a obra nacionalmente, em toda a rede pública de televisão.
Depois disso, ainda não sentei pra conversar com a direção da Funtelpa, mas acho que podemos reeditar a minissérie e relançá-la como um único filme em salas de cinema e gerar ainda mais público, além da janela televisiva. Isso já tem sido feito em nível nacional e o Auto da Compadecida, por exemplo, quando relançado nos cinemas foi uma grande surpresa de bilheteria. E acredito que a obra de Haroldo Maranhão merece tantos leitores quanto públicos puder.

Entrevista concedida com exclusividade ao blog holofotevirtual.blogspot.com


Um comentário:

Bruno disse...

bons resultados merecem bons realizadores ou vice e versa?
nesse caso é isso mesmo! Editais apresentam pessoas capazes de boas produções e os resultados fluem para grandes premiações....vamos aos festivais - cinema paraense.

parabéns Roger...bom trabalhar contigo...

Bruno Assis