5.8.09

Poesia e talento invadem a cena da minissérie “Miguel Miguel”

É difícil imaginar que a história de um homem que coleciona obituários publicados em jornais e que possui uma visão tão prática e fria da morte, possa ser tão poética e, ao mesmo tempo, cheia de humor.

Mas foi assim que ela foi escrita por Haroldo Maranhão, em sua novela “Miguel Miguel” publicada em 1998, e que, agora, está sendo adaptada para uma minissérie de TV.

As gravações iniciaram há mais de uma semana. Nas seqüências gravadas, até terça-feira, 04, em um cemitério de Marituba, a chuva esteve presente o tempo todo, imprimindo o encanto que vai, com certeza, deixar as pessoas emocionadas com a saga de Varão. Ele é o nosso protagonista, que vai até lá para um encontro, no mínimo, fantástico.

Após 15 da morte de Miguel, Varão lê um intrigante obituário no jornal e recebe um telefonema para comparecer mais uma vez ao velório e enterro deste seu melhor amigo. A trama gira em torno desse mistério até o final da minissérie. Como pode alguém morrer duas vezes?

A beleza da história, porém, não fica apenas por aí. Em cena, atores como Henrique da Paz, (foto ao lado) que faz o personagem principal, Yéyé Porto (Úrsula, esposa de Varão) e Olinda Charone (Miguela, esposa de Miguel), marcam profundamente o set de filmagem de “Miguel Miguel”, o que futuramente será também marcado e visto nas telas.

Atores experientes do teatro paraense, mas com pouca ou quase nenhuma no cinema, apenas Henrique da Paz já havia feito um trabalho audiovisual antes, eles estão dando um show e tanto diante da câmera do diretor de fotografia, o carioca Carlos Ebert, que veio de São Paulo para fazer este trabalho em Belém.

Ele, não menos experiente que nossos atores, é um dos fundadores da Associação Brasileira de Cinema, da qual já foi presidente. Iniciou a carreira cinematográfica em 1966 e no final dos anos 60 se envolveu com o chamado Cinema Marginal, onde fez câmera e foi co-diretor de fotografia do memorável O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla, obra marcante do cinema nacional.

Exigente, atencioso e extremamente cuidadoso com o filme, ele consegue traduzir para a imagem aquilo que Roger Elarrat, nosso diretor e roteirista, talentosamente adaptou do livro para emplacar nas telas.

E o que dizer da atuação de Henrique da Paz, como Varão, uma espécie de Don Quixote em busca de respostas verdadeiras para esta segunda morte de Miguel. Aos poucos ele parece enlouquecer com esta total improbabilidade que a vida, ou talvez melhor dizendo, a morte, lhe apronta. Os aplausos são comuns após cada plano que é rodado com ele.

Roger Elarrat é uma das mais recentes revelações do cinema paraense. Traz na trajetória, entre outros trabalhos, a direção e roteiro da animação “Visagem” (2007) e do documentário “Chupa Chupa – a história que veio do céu” (DOCTV – 2006), além da parceria implacável com Adriano Barroso, co-roteirista e diretor de elenco, outro raro talento da arte paraense.

Também ator, ele tem várias passagens pelo cinema. Fez curtas como “Dias” e “Dezembro”, de Fernando Segtowick, além de “Matinta Perera”, de Jorge Vidal e do longa “Conspiração do Silêncio”, de Ronaldo Duque.

Com isso, ganhou a experiência necessária para fazer a direção de elenco que vem fazendo em “Miguel Miguel”.

Ambos têm o filme inteiro na cabeça, com cada plano e ação, detalhadamente definidos, o que dá segurança aos que estão em volta trabalhando para um resultado surpreendente e grato.

Garra e humor - No set de gravação, o humor toma conta da equipe, além do cansaço, claro, pois estão sendo gravados entre doze e dezenove planos por dia. Planos bem feitos, caprichosos, para alcançar a atmosfera encantadora que o filme requer.

O departamento de arte, coordenado por Boris Knez, por exemplo, merece uma matéria à parte. Há perfeição no tratamento das locações que precisam estar com ambientes de 15 anos antes e depois, no espaço de tempo no qual se desenrola a história de Úrsula e Varão. Fazendo a continuidade da minissérie, tenho tido o prazer de fazer parte deste trabalho, desta equipe, além de presenciar este elenco ao vivo e à cores .

Aliás, este elenco também conta com participações muito especiais. Uma delas é a do músico e compositor, Nego Nelson, que faz nada menos que o papel de Miguel. Além de sua habitual simpatia e alegria, ele ainda leva o violão e vez ou outra dá mais poesia ainda ao set de filmagem.

Outra grande participação é a do ator Cláudio Barradas. Prestes a estrear um espetáculo teatral, “O Abraço”, aos 79 anos, nesta sexta-feira, 7, ele rouba a cena da única seqüência em que está.

O ator Ailson Braga é Dr. Mário, amigo de Úrsula e Varão. A pesquisadora Ana Lúcia Lobato é Ana Catarina, que faz par com Júlio, vivido pelo ator Paulo Marat. Astréia Lucena, como Walkíria, e Salustiano Vilhena, como Paulinho, completam esta constelação que cerca o casal protagonista.

A equipe técnica de fotografia é da Digital Produções, do empresário Fernando Pena, que há algum tempo vem colaborando e acreditando na produção do cinema paraense, impondo-se para além do mercado publicitário.

À frente da produção, Francy Oliveira faz milagres com os R$ 100.000,00 ganhos através do edital da Funtelpa. Considerando-se que o prêmio de um curta-metragem fica em torno deste valor, é fato o aperto que passa a produção para gravar os cinco episódios que equivalem a cinco curtas.

Mais recursos - A iniciativa é excelente, sem dúvida. E “Miguel Miguel” não foi o único projeto premiado por este edital. Junto com “Vida de Cão”, adaptação de Walério Duarte, de quatro contos do autor também paraense Ildefonso Guimarães, as duas serão as primeiras minisséries produzidas para a televisão paraense.

Mas os recursos ainda precisam melhorar ou parcerias devem ser feitas para amenizar o peso dos custos totais de produções como estas.

Agora, para matar nossa curiosidade e ver a minissérie “Miguel Miguel” finalizada, ainda temos uma semana e meia de gravação além de alguns meses até o seu lançamento que só deve acontecer no ano que vem, deixando em todos nós uma ponta de ansiedade em vê-lo finalizado nas telas. Pois sim, há o desejo de levá-lo também para os cinemas.

Mas há um lamento, porém. É mesmo uma pena que a pessoa mais importante e que pode ser considerada também a responsável por isso tudo não esteja mais entre nós. Haroldo Maranhão, por certo, aprovaria e aplaudiria de pé!


2 comentários:

marton disse...

lu, que blz de trabalho, que blz de equipe. e que blz de blog
bjs a vc. bjs a tds.

Anônimo disse...

Oi Matorn, que lindo ver você por aqui. Pois então, este trabalho é realmente uma lindeza. E a partir desta semana vou cmeçar a postar as entrevistas que fiz com Yeyé e Henrique além de outras... um beijo!
lu