28.11.16

Estúdio Reator comemora 05 anos de performance

Dia 30 de novembro, o Estúdio Reator abre as suas portas para receber artistas da performance de Belém, Salvador e Montevidéu. A programação marca os cinco anos do espaço experimental e apresenta trabalhos do projeto Conexão Curimbó. A programação é gratuita e começa as 20h.

Desde 2010, quando iniciou suas atividades, o Estúdio Reator já foi o "palco" e o laboratório para espetáculos diversos, híbridos, de várias linguagens. Dança, teatro, performance, música, instalação sonora, fotografia, vídeos, projeções. 

Criado e conduzido pelo cenógrafo, diretor e performer Nando Lima e vários colaboradores, o Reator se coloca entre o sonho e o irreal, o absurdo e a realidade. Em 2015, extrapolando seu espaço físico, iniciou o ano com uma ocupação na Casa das Onze Janelas, o Museu de Arte Contemporânea de Belém, que depois foi parar no Funarte, em Brasília. Este ano desenvolveu um projeto que misturou performance, projeções e memória, transitando entre dois bairros da cidade, no projeto "Reator Eterno", premiado pelo Rumos Itaú Cultural.

Acreditando na experimentação da performance, na troca artística e sensorial, em produzir coisas que possam tirar o outro de seu cotidiano, o Reator comemora cinco anos e oferece ao público a Mostra de Performances do Conexão Curimbó, projeto que este ano reuniu em residência artística, intérpretes de Curitiba, Salvador, Manaus, Brasília, Recife, Santarém e Belém. Durante o processo de construção de cada trabalho, os artistas participaram de oficinas com os pesquisadores e coreógrafos: Jai Bispo, Márcio Nonato, Daniel Moura, em parceria com os músicos Edson Santana, Ricardo Costa, Armando de Mendonça e Diego La Percussa.

Mostra de Performance Conexão Curimbó

Fotos: Suane Melo
Os trabalhos a serem apresentados, se posicionam no campo da arte experimental sem obedecer a fronteiras rígidas entre linguagens e modos de expressão.

Daniel Moura abre a mostra com a performance “Protocolo.DOC”. Danilo Bracchi segue com “Uma Coreografia para Minha Calça”. A uruguaia Patrícia Mallarini apresenta “Retorno”. Cleber Cajum trás “Casa de Caba”. E, encerrando a noite, no espaço externo ao Reator, o baiano Márcio Nonato performa “O que é Isso - Exp. 01: Adiadne”. Cada performance dura de 10 a 15 minutos.

O realizador do projeto, o coreógrafo e pesquisador Danilo Bracchi, reafirma a necessidade de implodir conceitos do corpo em uma época marcada por revisões de paradigma de civilização, inclusive de ordem biopolítica.

“O Conexão Curimbó busca um outro corpo na cena contemporânea, e se quer um espaço de convívio e implosão de antigos valores tanto na dança quanto na formação cidadã. Tão importante quanto experimentar novas linguagens artísticas é ser um laboratório de viver com o outro”, afirma o coreógrafo paulista radicado em Belém.

Serviço
Mostra de Performances - 05 anos do Estúdio Reator. Horário: 20h. Endereço: Trav. 14 de abril, nº 1053, ao lado do Yamada Plaza. Entrada franca.

(Holofote Virtual com Assesoria de Imprensa)

Os indígenas nos festivais de cinema da Amazônia

Vicente Carelli em filmagens nas aldeias
A causa indígena foi presente nos  festivais de cinema realizados este mês na região norte. O 7o Festival Pachamama, no Acre, a 7a Mostra de Cinema da Amazônia , no Pará, e a 14ª edição do Cineamazônia, festival latino-americano de cinema ambiental, em Rondônia, que trouxeram o tema à tona.

Exibição de documentários, em Rio Branco, e presença de indígenas, de várias etnias, em Belém e a homenagem à Krenak, em Porto Velho (RO).

Destacando a temática sob outra perspectiva para o público, vista de longe das lentes da mídia convencional, o longa "Martírio", do cineasta e documentarista brasileiro Vicente Carelli, foi exibido na abertura da Mostra de Cinema da Amazônia, em Belém, na última segunda-feira, 21, e na sexta-feira, 25, no Festival Pachamama, em Boa Vista, dentro da Mostra Competitiva de Longas, da qual saiu premiado como Melhor Filme.

Na abertura da mostra paraense, a exibição de "Martírio" foi precedida por um momento ritualístico. Indígenas de várias etnias chegaram ao hall do Ismael Nery, no Centur, e o atravessaram, cantando em ritual, até o cine Líbero Luxardo. No palco, deram boas vindas ao público e com palavras sobre sua cultura nos anteciparam questões de luta indígenas que veríamos ainda no documentário de Vicente Carelli.

Abertura da Mostra de Cinema da Amazônia
O documentarista acompanha, por  três décadas, a jornada dos índios Kaiowa, para retomada de suas terras tomadas pela expansão do agronegócio.

O cinema tem não só servido de porta voz dessa causa, como tem a sua própria voz. Nem sempre, porém, o que vemos são seus belos rituais ou imagens do cotidiano de uma cultura que luta para preservar suas tradições e garantir seus direitos.

Em "Martírio", entre tantos outros aspectos e momentos da história, abordados, é chocante ver os registros feitos por uma câmera deixada por Vicente, em uma das aldeias que visitou no Mato Grosso do Sul. Nessa hora, passamos a testemunhas de um ataque de policiais, que atiram em direção à casa, em que crianças, jovens e velhos indígenas vivem em permanente estado de terror, em um pedaço já muito restrito.

"Martírio" é um filme obrigatório para todo mundo. Emociona a resistência dos Kaoiwá, a determinação de pegar de volta o que há centenas de anos lhes vem sendo tomado. Preferem tombar, a recuar. E também é espantoso e nos indigna, porque mostra o lado obscuro das manobras políticas que tentam impedir a todo custo a Funai em autorizar a demarcação às terras dos Kaiowa. Todo mundo precisa ver esse filme, repito.

Em Porto Velho um grande líder é homenageado

Krenak recebe o Mapinguari, em Porto Velho


O Cineamazônia abriu na quinta (24), homenageando Ailton Krenak, uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro. Ele recebeu o cobiçado Troféu Mapinguari do festival, como reconhecimento a sua importância na luta. 

"Foi como se tivesse sido uma grande aula de vida. A homenagem feita pelo Cineamazônia ao militante das causas indígenas Ailton Krenak transformou-se num momento de crítica ao atual momento da vida política do Brasil e, principalmente, um manifesto pelo respeito à diversidade, à identidade e ao meio ambiente", escreveu o jornalista Ismael Machado, que acompanhou a cerimônia realizada no Teatro Banzeiros. 

No palco, Krenak emocionou a todos. "Se os meninos crescem, vão para a escola, aprendem aquelas matérias básicas, fazem isso que chamam de ensino médio, batalham um curso técnico, vão para a universidade, vão se especializar em alguma coisa e na hora de exercer a sua profissão, eles vão cair na mão dessas corporações irresponsáveis, que vão um dia encher uma barragem de lama e derramar ela em cima de um rio, deixam a perspectiva de futuro duvidoso para as futuras gerações", disse Krenak.

Discurso para uma plateia emocionada
Ailton Krenak foi a liderança central na luta indígena dos anos 1980 que culminou com a garantia de direitos fundamentais estabelecidos na Constituição Federal de 1988. É um dos fundadores da União das Nações Indígenas e a Aliança dos Povos da Floresta, além do Núcleo de Cultura Indígena, o Programa de Índio (Fonte: Agenda Porto Velho) 

"Um dos grandes momentos da homenagem feita à liderança indígena ocorreu quando foram exibidos trechos do histórico discurso de Ailton Krenak na Comissão Constituinte em 1987. Na ocasião, um ainda jovem Krenak falou emocionado que a Constituição de 1988 seria um retrocesso para os índios, enquanto pintava o rosto de negro, como luto. Krenak reviu essas imagens de forma emocionada. Lamentou que muita coisa ainda esteja por ser feita. Um exemplo lembrado na cerimônia foi que até agora, a atual presidência não sinalizou a escolha de um novo presidente para a Funai, que está sem comando", relata Ismael Machado.

É preciso dar mais voz 

Cena de "Martírio"
Os festivais da região norte, o cinema e o audiovisual como um todo, têm somado para a difusão de diversos outros temas ligados ao meio ambiente na Amazônia.

A causa indígena, de âmbito internacional, é uma das mais importantes e talvez seja necessário fazer mais, muito mais para chamar atenção do mundo. "Martírio" nos deixa perplexos diante de tanta hipocrisia em curso para a devastação não só da floresta como de todos os povos da Amazônia.

Dos três festivais, a Mostra de Cinema da Amazônia, ainda segue em Belém e depois se expande para outros municípios paraenses, até dia 6 de dezembro. O Cineamazonia e o Pachamama encerraram no último sábado, 26. O próximo festival na região é o FICCA - Festival Internacional de Cinema do Caeté, de 8 a 10 de dezembro, no município de Bragança, Pará. 

Caravana Hip Hop leva paraenses à África e Europa

Nas fotos, momentos da apresentação
de Fabrício dos Santos e Dhiôze Ribeiro,
no Egito, por onde iniciou a jornada.
Os paraenses Fabrício Santos, Leony Pinheiro, Diego Almeida, Dhiôze e Dioleno Ribeiro integram a segunda edição da Caravana Hip Hop. A "Emissário", que iniciou suas atividades no último dia 11, em show realizado na cidade egípcia e turística de Hurghada, segue ainda para a Alemanha (Magdeburg), Brasil (Rio de Janeiro), encerrando no Japão (Nagoya), neste domingo, 4 de dezembro.

Embora considerados jovens talentos, os artistas que integram a Caravana tem na bagagem expertise internacional e premiações adquiridas em várias partes do mundo. 

"A Caravana passou, trocou experiências, se divertiu e animou muitas pessoas, plateias formadas por nativos e turistas. Agora, da África vamos à Europa. Alemanha, mais precisamente. Os bboys Dhiôze White Ribeiro Tas e Fabricio dos Santos Mascot cumpriram sua missão", disse ontem a organização em um relato na página do facebook.

Criado com o propósito de fortalecer e incentivar a arte e a cultura de rua, seus elementos e representantes locais, o projeto foi lançado em 2015 e circulou por praias, escolas e praças públicas dos municípios paraenses de Salinópolis, Ananindeua e Belém, onde 12 shows foram executados e mais de 30 mil pessoas alcançadas.

A segunda edição, no entanto, traz um diferencial: pretende incentivar, valorizar e divulgar jovens talentos da dança de rua da terra, acompanhando suas agendas em eventos, campeonatos, turnês, festivais internacionais, em seis shows individuais e/ou coletivos.

O objetivo é inspirar e fomentar na juventude maior interação com o universo Hip Hop e a área da dança, independente do segmento, demonstrando o potencial e o impacto positivo e transformador da cultura urbana, da dança e da música, na formação cidadã e profissional de pessoas que, saídas da adversidade, hoje, ganham o mundo com a beleza e o vigor de sua arte.

Caravana Hip Hop - Emissário

Fabrício dos Santos (Bboy Mascot) - Integrante da nova geração de bboys brasileiros, Mascot se destaca no cenário da dança através de participações individuais e coletivas em festivais e projetos ligados ao Hip Hop. 

Arte-educador, promove a formação de agentes multiplicadores da cultura urbana por meio do repasse de conhecimento técnico aos mais jovens. Iniciou carreira em palcos internacionais em 2016, competindo em Shanghai (China). Hoje, participa de turnês e espetáculos de dança na África e na Europa. (Artista - Hurghada - Egito).

Dioleno Ribeiro (Bboy Fama - Egito) - Radicado na Alemanha, Fama já passou por grupos como o Tsunami All Stars e o FW Breaker’s. Agora, componente da Companhia de Dança Da Rookies, com base em Magdeburg, trabalha em espetáculos temáticos com exibições por temporada. 

Nascido no Pará, em Cametá, percorreu países europeus, africanos, sul-americanos e asiáticos como artista solo ou integrante de grupos, além de garantir participações em programas de TV e ações promocionais no Japão, Canadá e Brasil. Atua há dez anos como bboy. (Artista - Magdeburg - Alemanha).

Leony Pinheiro (Bboy Leony) - Iniciou a carreira aos 12 anos. A primeira incursão no universo da dança aconteceu em competição promovida pela Red Bull, em nível nacional, voltada à revelação de novos talentos. Membro do grupo Amazon Crew, foi campeão do Battle of the Year (Brasil/2011), evento que lhe rendeu viagem à França. 

Desde então, conquistou outros prêmios e o reconhecimento, em festivais e competições com visibilidade internacional, sendo apontado, inclusive, como um dos oito melhores bboys da América Latina. Nasceu e reside no município paraense de Ananindeua. (Artista - Nagoya - Japão).


Diego Almeida (Bboy Training) - Tem em seu portfólio prêmios conquistados em competições e batalhas de dança nas cinco regiões brasileiras, resultado de muito esforço, sacrifício e dedicação. 

Embora possua breve experiência em palcos estrangeiros, resumido em shows e batalhas celebradas na Guiana Francesa, figurou, em 2016, entre os 16 destaques no cenário da dança latino-americana. Nasceu em Macapá, viveu a infância e adolescência em Belém do Pará e escolheu a Cidade Maravilhosa para residir e trabalhar. Estreou na dança em 2008. (Artista Brasil - Rio de Janeiro).

Dhiozê Ribeiro (Bboy White) - Natural de Cametá/PA, White reside e trabalha em Magdeburg, na Alemanha, onde desenvolve suas atividades no segmento da dança através da Companhia Da Rookies. 

Atualmente, com cerca de dez anos de carreira, figuram em seu portfólio profissional premiações e participações em eventos, competições e festivais de dança em diversos países, tais como Alemanha, Áustria, Brasil, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Egito, França, Holanda, Luxemburgo e Rússia.

PROGRAMAÇÃO
  • Egito (Hurghada): 11, 18 e 25/nov.
  • Alemanha (Magdeburg): 01/dez.
  • Brasil (Rio de Janeiro): 03/dez.
  • Japão (Nagoya): 04/dez.
(Holoftoe Virtual com informações da Beatbox produções, Charles nascimento)

25.11.16

Cia mineira mostra seu novo espetáculo em Belém

O Curro Velho recebe a Cia Suspena de Dança, de BH (MG), que nos apresenta "Margem", um espetáculo em que o corpo interage com objetos que se tornam os protagonistas da cena. Sao duas sessões hoje e duas amanhã, às 16h e 18h. Entrada gratuita.

Lourenço Marques e Patrícia Manata, intérpretes do grupo, chegaram segunda feira, 21, ministraram oficina (22 e 23) e tiveram tempo de tomar açaí, se encantar com a diversidade paraense encontrada no Ver-o-Peso. A Companhia Suspensa este trio de interpretes, que há 15 anos vem pesquisando o movimento nas fronteiras entre dança, circo e artes performáticas, inaugurando novos pontos de vista sobre o corpo e de como podemos nos mover, ao conectá-lo a objetos e diferentes materiais.

Criação coletiva dos integrantes e dos convidados Gabriela Christófaro e Pablo Lobato, "Margem", o mais novo espetáculo da companhia, investiga a dinâmica entre os corpos dos bailarinos, em diálogo com objetos e materiais. Juntos cordas, pessoas, bancos e cadeiras, edificam diferentes corpos e movimentos.

Vencedora do Prêmio Fundação Clóvis Salgado de Estímulo às Artes Cênicas na categoria Montagem – Teatro e Dança, a Companhia Suspensa propõe nesse novo trabalho, a criação de elementos híbridos, que aliam a materialidade dos objetos em cena aos corpos dos bailarinos. Segundo Lourenço Martins Marques, com esse novo espetáculo, a Suspensa dá sequência ao seu trabalho característico de criação e pesquisa em dança ao submeter a movimentação dos performers a ambientes e situações incomuns. 

“A construção da peça permite que exista uma certa confusão entre o corpo e o objeto. É como se os dois virassem uma outra coisa”, aponta.  O público é capaz de identificar quais objetos estão dispostos no palco, mas não pode saber com precisão qual o resultado da interação entre os bailarinos e os elementos cênicos. “A paisagem vai mudando no decorrer de cada cena. Nós escolhemos colocar as coisas em primeiro plano, e muitas vezes o corpo é que está a serviço delas”, explica Patrícia Manata.

Em "Margem", cada corpo se movimenta a partir do que lhe é próprio. Assim, o material, a forma, a temperatura do corpo é que vão determinar sua velocidade, sua maneira de relacionar-se com outros corpos, seus hábitos, seu repouso.

O espetáculo parte da interação entre objetos, pessoas e materiais para revelar um universo de movimentos e formas no qual o gesto do corpo sugere e revela o ritmo incessante do que está a nossa volta.

O processo de montagem foi marcado pela constante investigação das possibilidades de interação e de movimento entre os performers e os objetos − cotidianos ou não. As ações e as cenas, a dramaturgia e o roteiro foram orientados pelo próprio comportamento dos materiais, por sua plástica e resistência, pela capacidade e potência de cada um deles de afetar outros corpos. Assim o espaço se reocupa com uma geografia imprevista: novos sentidos se edificam, confundindo limites e funções.

O figurino do espetáculo foi criado com o objetivo de realçar as características dos materiais utilizados e suas personalidades, confundindo, em alguns momentos, as fronteiras entre corpo e objeto. 

O desenho do som, criado especialmente para o espetáculo pelo músico Felipe José, buscou incorporar a materialidade dos elementos, levando em consideração a capacidade sonora e a plasticidade do que está em cena. O mesmo critério foi aplicado à iluminação, desenvolvida de maneira coletiva. A luz entra por espaços não comuns, como uma porta entreaberta ou frestas da estrutura do teatro. 

Em Belém, o espetáculo tem produção executiva dos Produtores Criativos, com Thiago Ferradaes na técnica de Luz, Lucas Alberto Cunha, no som e Cristina Costa, Fátima Sobrinho e Andréa Rocha, na produção.

Ficha técnica
Criação coletiva: Lourenço Martins Marques + Patricia Manata + Roberta Manata
Direção coletiva: Companhia Suspensa + Gabriela Christófaro + Pablo Lobato 
Som: Felipe José
Luz: criação coletiva
Figurino: criação coletiva
Costureira: Mércia Louzeiro
Fotos: Pablo Lobato e Guto Muniz
Vídeos: Pablo Lobato e Gabriel Delano
Textos: Marcílio França Castro
Produção Executiva: Sheila Katz
Administração: Claudia Mota
Realização: Companhia Suspensa

Principais espetáculos e atividades já realizadas: 

  • Residência Companhia Suspensa + O Grivo. 2015;
  • Sobrevoo - Residência Companhia Suspensa + Barbara Foulkes. Brasil – México. 2014/2015;
  • 1-p/3 (1 espaço para 3) – 2014; Orientação Rosa Hercoles
  • “Órbita” – 2013, Criação coletiva: Patricia Manata; Lourenço Martins Marques; Eid Ribeiro e Tuca Pinheiro.
  • “Visto de Cima” – 2012; Criação coletiva Instalação coreográfica 
  • “Ela Vestida” – 2012; proposição inicial: Julia Panadés;
  • “Enquanto Tecemos” - 2011, Colaboração Julia Panadés e Sérgio Penna;
  • “Alpendre” 2010, Criação coletiva;“De Peixes e Pássaros” - 2008, Direção Tarcísio Ramos Homen; 
  • “Pouco Acima”- 2004; Direção Sérgio Penna e Ana Virgínia Guimarães.
Publicações: 

  • Catálogo Marques, Lourenço et al. Sem os Pés no Chão. Belo Horizonte, 2007.54p. Inclui dvd. ISBN: 978-85-907052-0-8:Publicação da pesquisa de linguagem coreográfica e Improvisação da Companhia Suspensa no ano de 2006 ;
  • Video Documentário com folder-encarte: Bellini Roberto e Campolina, Clarissa; Objeto de Vôo. Belo Horizonte, 2008. 30 min.- Vídeo documentário da pesquisa/projeto educativo “Objeto de Vôo” desenvolvido pela Companhia Suspensa e o físico Bernardo Zama com alunos do Instituto Libertas de Educação e Cultura.

Participação em outros eventos: 

  • Interferências Brasil 2013: Encontro internacional de performance;
  • Momentum 2008 e 2007 (improvisação em dança), 
  • Improvisões 2007 (improvisação intermídia), Residência com o grupo circense Inglês Scarabeus que resultou em performance apresentada no espaço CASA e no Festival Internacional de performance de BH,
  • Homenagem à Pina Bausch (Criação coletiva da REDE de Cooperação Cultural Caminho das Artes  em homenagem à coreógrafa). 

Premiações, Bolsas e indicações: 
  • Prêmio Klauss Vianna 2015- Dança – Circulação Norte e Nordeste;
  • Prêmio fundação Clovis Salgado de Estímulo as Artes Cênicas 2014 –Espetáculo MARGEM ;
  • Prêmio Cena Minas 2014 – Manutenção de espaço ;
  • Prêmio Carequinha - Funarte para montagem de novo espetáculo – edital 2011;
  • Prêmio Iberescena 2012 – “Seminário Cultural – Gestão de Grupos e Artistas: sustentabilidade e redes de colaboração”;
  • Prêmio Procultura de Produção Artística – Funarte - edital 2010;
  • Prêmio Cena-Minas com o projeto "Casa em Obras"- 2010;
  • Prêmio/Bolsa Rumos Itaú Cultural com a pesquisa em dança "Alpendre" – 2010;
  • Prêmio Carequinha-Funarte com o espetáculo "Alpendre"-2010;
  • Indicação ao 3º prêmio USIMINAS-Sinparc – 2005 de artes cênicas com o espetáculo “Pouco Acima” como Melhor espetáculo, Melhor concepção coreográfica, melhor trilha sonora e melhor cenografia; tendo recebido o prêmio de melhor trilha sonora. 
  • Prêmio Cena-Minas com o espetáculo "Pouco Acima"- 2004

24.11.16

"Amostra Aí" toda circense no Casarão do Boneco

Foto: Débora Flor
O Casarão do Boneco, espaço cultural independente, aberto ao público da cidade de Belém com atividades teatrais a mais de 15 anos, realiza neste sábado, dia 26 de novembro, mais uma edição do “AMOSTRA AÍ”, evento que acontece mensalmente. Nesta edição, a programação será, especialmente circense, e trará dois grupos ocupantes da casa, Vida de Circo e Projeto Vertigem e ainda, a apresentação de o "Pequeno Poema de Gambiarra", de Vandiléia Foro. 

As apresentações iniciam às 19h com um  trecho do espetáculo "Nação Amazônia", primeiro trabalho solo da artista circense Virginia Abasto (Vida de Circo), argentina que a 15 anos mora nas terras belenenses. Esta é uma prévia do resultado do Prêmio do Programa SEIVA que estará em cartaz no mês de dezembro.

“Pequeno Poema de Gambiarra” volta ao evento, às 19h25, expressando as tantas reticências do tempo na vida de cada ser, de como nos embaralhamos, flutuamos e estouramos feito balão.
E, às 19h30, reestreia "Trunfo", espetáculo do Projeto Vertigem, dirigido por Paulo R. Nascimento. 

Em cena Katherine Valente, Luan Weyl e Marina Trindade, que levam o público a experimentar diferentes sensações através das técnicas circenses e o tarô. Este espetáculo foi contemplado com prêmio Funarte e se prepara pra uma circulação nacional em janeiro de 2017.

Serviço
Amostra Aí. Neste sábado, 26, com apresentações a partir das 19h, no Casarão do Boneco (Av. 16 de Novembro, 815. Entre Veiga Cabral e Praça Amazonas). Ingresso: Pague quanto puder. Mais informações: 91 999418071 e (91) 32418981.

Bruno Benitez toca "Miscigenado" na Casa do Fauno

Com o nome homônimo do segundo álbum do artista, ainda inédito, o show “Miscigenado”, de Bruno Benitez, traz um repertório de salsas, tangos e merengues, além de ritmos Amazônicos, como o carimbó. O músico será acompanhado por Bruno Mendes (bateria e percussão), Beto Taynara (contrabaixo) e Jó Ribeiro (trombone e piano), nesta sexta-feira, 25, a partir das 22h, na Casa do Fauno (R. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa). 

Criado em Belém, Bruno Benitez cresceu em meio á diversidade musical que a cidade oferece: Carimbó, merengue, salsa, rock, música erudita e jazz, alguns dos estilos que conheceu dentro da rica cena de Belém. O compositor, cantor e multi-instrumentista traz no gene a mistura que compõe a diversidade cultural paraense. 

É filho do saudoso Daniel Benitez, cantor e multi-instrumentista uruguaio radicado no Brasil, no fim da década de 1970, com uma paraense. O pai gravou com artistas do norte e nordeste do Brasil, como Beto Barbosa, Alípio Martins, Beto Douglas e outros, além de ter participado da banda Warilou. Impossível para Bruno não receber a influência desse clima latino paraense instaurado sempre de perto por Daniel.

Completando 20 anos de carreira, e acumulando participações em importantes trabalhos na cena musical de Belém, como Mundo Mambo e Arraial do Labioso, o músico dá continuidade à carreira solo iniciada em 2013, com o lançamento do CD “Coração Tambor”, disco autoral de estreia, em que misturou elementos amazônicos, latino-americanos e afro-brasileiros, em 10 faixas inéditas, trazendo várias culturas numa mesma pulsação.

Um som Afro, Latino e Amazônico

O CD “Miscigenado” está em fase de gravação, após ter alcançado êxito em um projeto de financiamento coletivo. Representando toda esta diversidade, o álbum trará participações de artistas de diferentes gerações da música paraense.

“Após o bem sucedido financiamento coletivo apoiado pelo eupatrocino.com.br comecei as gravações. Teremos participação de Allan Carvalho, Felix Robatto , Ronaldo Silva e Trio Manari, num conjunto sonoro que explora o universo Afro Latino Amazônico. Será lançado inicio de 2017 pelo selo Na Music”, diz Bruno Benitez.

Neste trabalho, Bruno Benitez mostra suas influências em um repertório diverso, com criação de hibridismos sonoros. Ao mesmo tempo em que revela as identidades culturais que formaram sua personalidade artística, Bruno Benitez também revela, neste novo CD, componentes culturais de uma Amazônia mestiça e globalizada.

Serviço
“Miscigenado”, de Bruno Benitez, nesta sexta-feira, 25, a partir das 22h, na Casa do Fauno (R. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada R$ 10,00. Mais informações: 91 9808-2322 ou 3088.5858.

"Esse Corpo que me veste" está volta à Casa Cuíra

Fotos: Alexandre Baena
Em cena, as irmãs Zê Charone e Olinda Charone. Em cartaz a partir desta quinta-feira, 24, à sábado, 26 e na próxima semana, de 1o a 3 de dezembro, sempre às 20h. Rua Dr. Malcher 287 - Cidade Velha - entre Capitão Pedro Albuquerque e Joaquim Távora. Ingresso R$ 10,00.

Você sabia que a quinta pergunta mais feita ao Google é “Quem é Jesus?” Em um mundo conturbado pelos mais diversos interesses, a religião, que deveria trazer a paz para todos, é motivo para guerra. Uns não aturam os outros pelo simples motivo de serem de religiões diferentes.

E no entanto, por caminhos diferentes, todos querem chegar a Ele. E se isso tudo é assunto no mundo, é assunto para o Teatro. Ao longo dos tempos, o Teatro Litúrgico refletiu, em cada cultura, as ânsias e as crenças dos povos, como tambor que repercute os costumes, a fé e a época.

“Esse Corpo Que Me Veste” realiza nova temporada na Casa Cuíra, discutindo a intolerâncias do mundo moderno, um assunto polêmico, de maneira bem humorada, tudo a partir de perguntas. Quais são as respostas? A dramaturgia é de Edyr Augusto e a Direção de Wlad Lima. 

Um Teatro Litúrgico Contemporâneo, seguindo a linha de refletir os tempos em que vivemos, quer discutir, debater, mostrar, enunciar um raciocínio que faça, no mínimo, pensar. E foi nesse caminho que o projeto de pesquisa da artista Olinda Charone se desenvolveu.

Qual o corpo que lhe veste? Essa é uma pergunta. Nesse corpo heterogêneo que se verifica no Brasil em termos de religiões, o lugar comum é a procura de Deus. E o papel do Teatro é responder a isso. O espetáculo estreou no ano passado e agora retorna à cena. Vá assistir.

Ficha Técnica
  • Direção : Wlad Lima
  • Dramaturgia:  Edyr Augusto Proença
  • Figurinos: Grazi Ribeiro
  • Visualidade e Iluminação : Patrícia Gondim
  • Assistentes: Bolyvar Junior e Ariane Gondim
  • Operação de iluminação: Ariane Gondim
  • Sonoplastia: Leoci Medeiros
  • Produção: Executiva: Olinda Charone / Zê Charone
  • Produção: Dani Cascaes
  • Realização : Grupo Cuíra do Pará
Elenco
  • Olinda Charone
  • Zê Charon
  • Participações especiai
  • João Pedro Pereir
  • Lucila Vasconcelos

Serviço
Dias 24, 25 e 26 de Novembro e 1, 2 e 3 de dezembro, sempre 20h, na Casa Cuíra - Rua Dr. Malcher 287 - Cidade Velha, entre Capitão Pedro Albuquerque e Joaquim Távora. Ingressos: R$ 10,00 inteira / R$ 5,00 meia. Informações : 98204-5030 (whats app).

The Bosh e a real história de Romeu e Julieta

A Cia Cênica de Cínicos lança o projeto Clássicos em The Bosch. Uma releitura cômica e escrachada de grandes obras da literatura mundial. Nesta primeira etapa, transfiguramos a fantasia e o exagero da personagem Drag Queen/King para encenar a mais conhecida história de amor de William Shakespeare: Romeu e Julieta. A partir de hoje (24), até domingo, 27, sempre às 20h. Ingresso: R$ 20 inteira e R$10 meia. Na Casa dos Palhaços Trovadores (Tv. Piedade esquina com a Tv. Tiradentes, 533, Reduto).

Em “A Verdadeira, Verdadeiríssima e Verossímil História da História de Amor de Romeu e Julieta” o elenco formado por Adriano Furtado, Breno Monteiro, Hilssy de Nazareth e Marckson de Moraes jogam em cena toda a versatilidade que a Drag Queen e a Drag King possuem. 

Assim, Xirley Tão, Tina Bolotina, White Maniçoba e Mila Milambe se MONTAM para narrar a sua divertida versão de como a história de amor dos jovens de Verona realmente aconteceu. Afinal, você sabe o que realmente aconteceu nesta história?

Com uma visão cômica e ambientada no Ver-o-Peso, o espetáculo apresenta um toque regional em sua visualidade tanto na cenografia de Adriano Furtado e Breno Monteiro, quanto nos figurinos de Lauro Sousa e Lucas Belo, que garantem uma ludicidade aos temperamentos dos personagens de Shakespeare. Na Equipe Técnica, Lauro Sousa e Ivso Sousa, transformam a Casa dos Palhaços Trovadores em um grande palco (na verdade, um cabaré), digno às performances das grandes Divas da música.

Pesquisa no universo Drag Queen/King

A história do teatro é marcada por homens que se travestiam de mulher para representar personagens femininos quando as mulheres não podiam estar em cena. Foi assim na Grécia, na Ásia e na Europa. Existe uma lenda de que Shakespeare indicava em seus textos que os personagens femininos seriam feitos por um ator DRAG (dressed as a girl – vestido como uma garota). Isso o caracteriza como o padrinho do termo difundido mundialmente.

A Drag Queen/King, dentro do universo cross-dressing, mais do que um homem/mulher travestido com roupas espalhafatosas e maquiagem carregada, se caracteriza como um artista que usa o seu corpo, modificando e adaptando-o, para se expressar sobre os mais diversificados assuntos. Neste sentido, a Cia Cênica de Cínicos desenvolve pesquisa da linguagem teatral da drag há seis anos, com todas as suas peculiaridades, experimentando a drag similarmente como o ator utiliza o palhaço ou a máscara, por exemplo, como uma técnica para desenvolvimento do ator e da cena.

Ficha Técnica

Direção, Dramaturgia e Sonoplastia: Coletivo
Elenco:
Adriano Furtado / Xirley Tão
Breno Monteiro / Tina Bolotina
Hilssy de Nazareth/ White Maniçoba
Marckson de Moraes / Mila Milambe
Cenografia: Adriano Furtado e Breno Monteiro
Figurino: Lauro Sousa e Lucas Belo
Confecção de Figurino: Zezé Furtado
Operação de Sonoplastia e Vídeos: Lauro Sousa
Operação de Iluminação: Ivso Sousa

Apoio
Casa dos Palhaços trovadores
Darlan Castro
Teatro Experimental Waldemar Henrique
LB Cerimonial e Eventos

Maiores informações:
(91) 98112 3688 (Lauro Sousa) 
(91) 98152 2994 (Breno Monteiro) 
(91) 98803 5508 (Marckson de Moraes) 
(91) 98111 8658 (Adriano Furtado)

23.11.16

"Feijoada dos Amigos" em apoio a João Paulo Pires

Um encontro com música, gastronomia e amigos. A “Feijoada dos Amigos” será realizada neste domingo (27), a partir das 12h, no Araçá Recepções. O evento reúne músicos e compositores paraenses em prol de uma causa nobre: angariar fundos para ajudar o percussionista João Paulo Pires, que sofreu, na última semana, um acidente de carro. O dinheiro arrecadado será revertido para custear os prejuízos ocasionados no acidente. 

Entre os amigos confirmados estão: Arthur Espíndola, Nilson Chaves, Lorena Moraes, Regina Ramos, Mariza Black, Higyno Pampolha, Verena Torres, Larissa Leite, Jeff Moraes, Flávia Anjos, JP Tubarão, Gigi Furtado, Ider Baptista, Vaguinho DB, Junior Almeida, Renato Lu, João da Hora, Alba Maria, Alê Navegantes e Almino.

 Há mais de 15 anos na estrada, João Paulo Pires – conhecido como JP – trabalha musicalmente com vários artistas paraenses, tais como Arthur Espíndola, Nilson Chaves e Zimba Groove. Percussionista e professor, JP mistura ritmos brasileiros e contemporâneos, sem perder a linguagem amazônica que seus instrumentos emitem. 

Ingressos - O ingresso custa (antecipadamente) R$ 35, o qual dá direito a entrada, uma porção de feijoada e uma caipirinha. Quem optar apenas pela entrada, o ingresso custará R$ 20. Para aderir ao combo, o valor pode ser depositado em conta corrente em nome de Marcus César Silva do Nascimento Júnior. Banco: Bradesco | Agência: 5595-6 | Conta corrente: 0000105-8. O comprovante do depósito deve ser enviado via Whatsapp para (91) 98168.2020. 

Serviço
“Feijoada dos Amigos”. Neste domingo (27), a partir das 12h, no Araçá Recepções (Av. José Bonifácio, 2112, entre Silva Castro e Igarapé Miri - próximo à Igreja Universal. São Brás). Informações: (91) 98191.8092 | 98168.2020 | 98014.9743.

Minni Paulo Quarteto faz show na Casa do Fauno

Fotos: Allan K. Guimarães
"À Espera da Luz" traz músicas inéditas do novo álbum “Voar”, além de trabalhos de discos anteriores, nesta quinta-feira, 24, a partir das 22h, na Casa do Fauno, na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. 

Um veterano da cena cultural de Belém, Minni Paulo é um dos maiores incentivadores da música instrumental paraense. O contrabaixista apresenta "À Espera da Luz"  acompanhado pelo seu quarteto com Elias Coutinho (saxofone), Tiago Belém (bateria) e Robenare Marques (pianos). 

Após muitos anos se dedicando ao incentivo à música instrumental no Estado do Pará, Minni Paulo, que há mais de 13 anos comanda o Baiacool Jazz Festival, voltou aos palcos este ano para apresentar suas composições nascidas ao longo destes últimos anos em projetos paralelos e viagens. 

O novo álbum intitulado “Voar” trás composições cada vez mais marcadas pelo estilo de Minni Paulo, que nasceu de um pacto entre o Jazz e os ritmos amazônicos mais profundos, ambos frutos de suas viagens e vivências. Para Minni Paulo “ser originário de uma grande capital Amazônica explica as inspirações urbanas de seu som, que se mostra cada vez mais como um retrato de uma Amazônia contemporânea, riscada por arranha céus e árvores centenárias”.

Minni Paulo é o que podemos chamar de pioneiro. Iniciou a carreira na década de 70 em Belém onde foi co-fundador do grupo  de música experimental Sol do Meio Dia, anos mais tarde saiu de Belém a convite do músico Johny Alf, com quem participou de turnês como baixista. Vivendo por muitos anos entre São Paulo e Rio de Janeiro onde tocou em turnês nacionais e internacionais de artistas brasileiros como Luis Melodia, Elza Soares, Tim Maia, Zezé Motta e Angela Rôrô.

Nos anos 90 Minni Paulo que estava morando na Europa retornou a Belém com intenção de montar seu próprio grupo de musica instrumental, foi quando foi criado o grupo Sociedade Marginal, o primeiro de muitas formações que contribuíram para o inicio da cena Instrumental em Belém do Pará com diversas apresentações em Teatros e cenas abertas ao ar livre buscando a popularização do Jazz na cidade.

Na segunda metade dos anos 90, Minni Paulo dá inicio a pesquisa para realização de seu primeiro álbum, o “Floresta das Chuvas”, com notáveis elogios da critica nacional, o que o levou a fazer diversos concertos pelo Brasil e Europa, concretizando assim sua carreira solo como compositor e instrumentista.

Anos mais tarde, em 2003, é premiado no Itaú Cultural e, no mesmo ano, surpreende lançando através da sua produtora “Zoé”, o “ Baiacool Jazz Festival, o primeiro Festival de Jazz da Amazônia, que já trouxe para o palco do festival, grandes nomes da música instrumental nacional e internacional como Hermeto Pascoal, Marcio Montarroyos, Léo Gandelman, Jeff Gardner, entre outros.

Em 2008, lançou a primeira casa dedicada a música instrumental na capital paraense o Baiacool Jazz Club e, em janeiro de 2009, foi uma das atrações do Fórum Social Mundial realizado em Belém, onde se apresenta para um público de 20 mil pessoas, entre elas chefes de estado e personalidades importantes nacionais e internacionais.

No ano seguinte é agraciado com o prêmio “Waldemar Henrique”, por sua importância artística na cidade de Belém. Após anos de dedicação no fomento da cultura e da música instrumental no Estado do Pará, Minni Paulo volta a se dedicar a sua carreira solo para lançar o “Voar”, disco gravado em 2015, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. É o que vamos ver e ouvir logo mais no quita da Casa do Fauno, espaço que abraça também a música instrumental e autoral.

Serviço
Minni Paulo Quarteto apresenta o show “À Espera da Luz”, nesta quinta-feira, 24, na Casa do Fauno, a partir das 22h, na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Mais informações : 91 98134.7719 e 3088.5858.

22.11.16

Mostra de cinema amazônico toma conta da cidade

A Mostra de Cinema Amazônico 2016 vai ocupar, a partir desta semana até dia 6 de dezembro, vários espaços de Belém, entre eles, o Fórum Landi, o Centro Cultural do Carmo e a própria a Praça do Carmo, no bairro da nossa Cidade Velha, Centro Histórico da capital paraense. Além disso, chegará a outros municípios paraenses. Precisas ver a programação cuidadosamente. A abertura é nesta terça-feira, 21, às 19h30, no Cine Líbero Luxardo.

Na telona, a exibição do filme “Martírio”, de Vincent Carelli (160’, 2016, PE - 14 anos) promete fortes emoções. O filme traz registros da grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá, na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado pelos relatos de sucessivos massacres, Carelli busca as origens deste genocídio, um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.

“Martírio” é um dos títulos mais aguardados da programação. O longa é o segundo de uma trilogia em andamento, criada por Vicent Carelli, diretor franco-brasileiro que apresenta a luta indígena amazônida ao lado de mudanças no país, num trabalho investigativo que já dura três décadas, colocando em foco a trajetória dos Guarani Kaiowá

Ritual indígena antes do ritual da tela

A temática contundente é uma história real. E quem for a abertura da Mostra de Cinema Amazônico também vai se deparar com indígenas de diversas etnias.

“Vamos receber a visita de índios de 12 etnias que vão fazer um ritual antes da exibição do filme”, afirmou Eduardo Souza ao Holofote Virtual. 

A atual edição da mostra chega com os seus principais objetivos alcançados, sendo um deles a amplitude da visibilidade do cinema amazônico para a própria Amazônia e para o mundo. “São as vezes que temos oportunidade de ver a Amazônia representada no cinema, especialmente por quem realmente vive e conhece a região”, comenta Eduardo Souza que vem, desde 2005, realizando o evento.

A mostra  já passou por todas as capitais da Amazônia brasileira, e países da Panamazônia (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia e Venezuela). A edição de 2016 se concentra no estado do Pará, convidando a comunidade a mergulhar nas produções cinematográficas de países que fazem parte da Amazônia internacional.

Não há mostra competitiva nem qualquer outro protocolo ou ritual de festival. “O objetivo não é premiar diretores, promover um seleto número de filmes ou simplesmente restringir-se a um evento, mas sim ampliar significativamente a visibilidade da produção audiovisual independente amazônica, criando reais possibilidades de intercâmbio e novas plataformas de difusão dessas produções.

Por isso vamos muito além da sala de cinema tradicional, realizando o evento em espaços diversos chegando a quem não tem acesso ao cinema, ainda menos ao cinema produzido na Amazônia”, diz o coordenador e idealizador da mostra.

Entre curtas, docs, animações, video-arte e videoclipes, este ano a mostra traz mais de 180 filmes que serão exibidos em Belém e oito cidades do interior do Pará, entre os dias 22 de novembro e 01 de dezembro. Além do audiovisual, a programação também reúne público e profissionais de cinema em bate-papos, palestras, workshops e exposições com fotografias e informações que contam a história dos cinemas da capital paraense. 

Os filmes que vamos ver e onde

Além do longa de abertura, esse ano, o circuito traz curta metragens e longas do Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Brasil, de ficção e documentário. Grandes títulos e diretores renomados dialogam com novos produtores e a crescente cena cinematográfica paraense, despertando interesses para temas que surgem da vivência no bioma e nas cidades amazônicas. 

A música tradicional peruana é homenageada em documentário que será exibido pela primeira vez em Belém. “Sigo Siendo”, do diretor Javier Corcuera, é uma viagem não só às raízes da cultura peruana, mas passeia por diversos cenários do país com destino ao reencontro da identidade cultural, sob os olhos e a história de Máximo Damián, ícone do folclore daquele lugar. 

O longa será exibido na Mostra ao ar livre, na Praça do Carmo, um dos diversos espaços ocupados pelo evento nessa edição e que recebe também uma programação de curta documentários com temática musical e videoclipes paraenses.

“Órfãos do Eldorado” e “Libertador” são as ficções que têm destaque nesta edição. O primeiro é produto nacional já conhecido no estado, com imagens gravadas em Belém e Icoaraci.

É uma adaptação do romance do escritor amazonense Milton Hatoum, roteirizado e dirigido por Guilherme Coelho. A película apresenta um personagem que redescobre a Amazônia de sua infância e vive o drama de assumir os negócios da família e a confusão de estar dividido entre dois amores diferentes. 

Já “Libertador”, uma produção venezuelana e espanhola, foi um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015. O filme conta a história do líder da independência da Venezuela Simón Bolívar que lutou diversas vezes contra o imperialismo espanhol. Os dois títulos serão exibidos no SESC Boulevard, uma das telas que fazem parte da Mostra.

Workshops – Estudantes e produtores audiovisuais terão a oportunidade de participar de workshops de cinema e TV com dois nomes de grande importância na indústria audiovisual brasileira. Técnicas e dificuldades de elaboração de Roteiro serão os guias do workshop com Luca Paiva Mello, criador e showrunner carioca indicado ao Emmy Internacional de Melhor Série Dramática por “Mothern”, exibida pela GNT. 

Ele também é responsável pelos sucessos “O Negócio” (HBO), “Julie e os Fantasmas” (Nickelodeon/Band), Descolados (MTV) e outras. Desde 2013, o roteirista integra o júri do International Emmy® Awards, sendo também consultor do GLOBO LAB e conselheiro permanente da Academia de Histórias Curtas, da RBS/ Globo.

Para falar de “Produção Executiva”, a Mostra traz o produtor Roberto Martha, símbolo de negócio e um dos mais prestigiados executivos do audiovisual brasileiro. Além de ser especializado em gestão de projetos e modelos de negócio, Martha possui uma larga experiência e domínio de diversos conteúdo para TV.

Foi Diretor de Produção e Negócios na Viacom Internacional e no grupo Discovery, produzindo centenas de horas de programação em vários formatos, tendo destaque “Escola Pra Cachorro” (Nickelodeon), “Trabalho Duro” e “Águias da Cidade” (Discovery), “Copa do Caos” (MTV), “Julie e os Fantasmas” (Nickelodeon), entre outras produções. 

Além dos workshops, os amantes do cinema em Belém terão o prestígio de assistir sessões de filmes e ter uma conversa com os diretores dessas produções.

Os diretores paraenses Homero Flávio e Úrsula Vidal, do documentário “Catadores dos Sonhos”, participam de um bate papo sobre “O audiovisual como ferramenta de transformação social” e logo depois assistem à peça. Artur Arias e Pierre Azevedo conversam sobre “Cinema e a Cultura Tradicional” horas antes da exibição do filme “Mestres Praianos” de Arthur Arias. Aldrin Azevedo se une à Eduardo Souza para conversar sobre “Belém e o Cinema”.

Logo depois, Eduardo convida para a exibição de seu filme “Olhos D’Água”, documentário que se debruça a contar a história do Pré-Cinema no Brasil e na Amazônia. O ator e diretor Adriano Barroso ainda bate-papo sobre seu filme “Paradoxos, Paixões e Terra Firme” e o amazonense Sérgio Andrade apresenta seu longa “Antes o Tempo Não Acabava”. 

Onde achar a programação

Tudo sobre a Mostra de Cinema da Amazônia 2016 pode ser encontrada no site http://mostradecinemadaamazonia.com.

As exibições de filmes, bate-papos, workshops, projeções públicas ao ar livre e roda de conversa são gratuitas e realizadas no Cine Líbero Luxardo, SESC Boulevard, Praça do Carmo, Fórum Landi, que terá uma matinê infantil, e unidades do SESI Pará no interior do estado. As inscrições para os workshops são gratuitas e podem ser feitas enviando e-mail para mostramazonia@gmail.com.

21.11.16

Orquestra Contemporânea de Olinda volta a Belém

Depois de se apresentar por aqui em 2014, no Se Rasgum, a OCO está de volta à capital paraense para lançar “Bomfim”, um disco dançante, cosmopolita e envolvente. No Fiteiro, a partir das 22h e à meia noite tem apresentação de Félix Robatto com a sua Lambateria (Av. Visc. de Souza Franco, 555).

O álbum poderia chamar-se Guadalupe, Cariri, Bonsucesso, Maruim...Toda Olinda lá de baixo, às margens do sítio histórico, descreveria bem a essência do terceiro álbum de carreira da OCO. Neste trabalho, a banda, que desde 2008 trilha um caminho crescente no cenário da música brasileira, volta confortável para casa. 

O bom fim de um ciclo criativo para um recomeço, com tudo de melhor que a palavra traz. Este é o retorno ao que Olinda tem de mais rico: os moradores, os candomblés e seus afoxés, os cocos de umbigada, do Pneu e da Xambá. As loas de maracatu da Tabajara.  

As figuras fantásticas em um carnaval reconhecido no mundo todo. Os sete músicos pernambucanos, de performance sempre surpreendente no palco, vivem, se alimentam dessa Olinda transbordante de arte e autorreferências, ao mesmo tempo cosmopolita, transitando lado a lado com o que vem de fora. 

Dessa mistura de tradições e influências, Gilú Amaral (percussão), Rapha B (bateria), Hugo Gila (baixo), Juliano Holanda (guitarra), Tiné e Maciel Salú (vocais), e ainda um dos mais expressivos saxofonistas do país, o Maestro Ivan do Espírito Santo, unem-se a um trio de metais (trompete, trombone e tuba) vindo do Grêmio Musical Henrique Dias, primeira escola profissionalizante de frevo de Olinda. Após oito anos de estrada, a OCO nunca se sentiu tão ela, tão segura do seu lugar e da força da música que faz e carrega. 

Conceito – “Bomfim” é 100% autoral, gravado no Fábrica Estúdios (PE). O disco traz 11 faixas com produção e direção musical assinadas por Juliano Holanda e Orquestra Contemporânea de Olinda. O design gráfico é de Sebba Cavalcante, sob conceito de Aline Feitosa e fotografias de Beto Figueiroa. 

Os grafismos são de Maria Morena e de Zelão, um dos últimos artistas populares da 'escola' de Bajado, que morreu em Olinda logo após a conclusão deste trabalho para a OCO, em dezembro de 2014. A máscara usada pelo menino da capa é de Julião das Máscaras, do bairro do Guadalupe, Olinda. O show tem cenografia de Renata Gamelo e light design de Roberto Riegert. A Quatro Cantos Produções faz a produção executiva deste 3º disco da OCO. A produção, o lançamento e a turnê do novo CD têm patrocínio da Petrobras. 

Trajetória Com o primeiro disco, homônimo, lançado em 2008 (Som Livre), a OCO conquistou indicações ao Prêmio da Música Brasileira (2009), Grammy latino (2010), teve o show considerado um dos melhores de 2009 pelo Jornal O Globo e ganhou meia página do The New York Times pela apresentação feita no Lincoln Center (NY), em 2010, na primeira turnê pelos EUA. 

Em 2012, a OCO lançou o elogiado disco “Pra ficar”, que teve como produtor musical o conceituado Arto Lindsay. No fim de 2013, a OCO apresentou showcase na WOMEX, maior feira de música do mundo, o que garantiu a 4ª turnê internacional do grupo. 

Em 2014, a OCO circulou por todas as regiões brasileiras. Apresentou-se em grandes festivais, como o Se Rasgum (PA) e o Psicodália (SC); levou o público para ferver em praças públicas, como na acolhedora Pirenópolis (GO) e em Brasília. Fez shows históricos em Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, São Paulo e Florianópolis. Encerrou a turnê do álbum “Pra Ficar” numa emocionante apresentação com lotação máxima no centenário Teatro de Santa Isabel, no Recife. 

A turnê oficial do “Bomfim”, iniciada em 2015, já percorreu as cidades de Olinda/PE (Festival Cena Cumplicidades), Garanhuns/PE (Festival de Inverno de Garanhuns), Correntes/PE (Festival Macuca Jazz & Improviso), Natal/RN (Festival DoSol), Aracaju/SE, Salvador/BA, Brasília/DF, Goiânia/GO (Festival Prosa Sonora), Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, Florianópolis/SC, Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Maceió/AL, Fortaleza/CE e Belém/PA.

Serviço
Show da OCO será ás 22h e, à meia noite, tem Félix Robatto - Lambateria. No Fiteiro (Av. Visc. de Souza Franco, 555 - Umarizal, Belém – PA). Ingressos: Os ingressos estão com venda antecipada no link http://bit.ly/OCOemBelem.  Lote 1:  R$ 15,00 e  Lote 2: R$ 20,00 (até quarta, 23/11, meia-noite). Na bilheteria: R$ 20 – das 19h às 23h e R$ 25 – após as 23h. Capacidade: 200 pessoas em pé.

19.11.16

Március Cabral comemora 30 anos de blues e jazz

"Comecei na noite de Belém, nos tempos de movimento político estudantil, e desde então divido meu tempo entre música e política na minha comunidade. Compus poucas canções em parceria com outros artistas. Destaco colaborações com o Renato Torres e o poeta Paulo Fonteles. Hoje tenho 46 anos, nenhum filho, muitos instrumentos musicais e estou ansioso por cantar para esta nova geração da cidade", diz Március Cabral. Após 8 anos sem se apresentar em Belém, o guitarrista paraense faz uma apresentação neste sábado, 19, a partir das 22h, na Casa do Fauno, acompanhado por veteranos da música instrumental paraense.

Será um noite de blues como antigamente... Cláudio Darwich, baixista, multi-instrumentista, o baterista Cássio Lobato, assim como o gaitista Tonny Lisboa e o guitarrista Március Cabral são músicos em atividade desde a década de 80, que já atuaram em várias bandas em Belém, e em projetos com ênfase no jazz e blues e, claro, no velho e bom rock and roll.


"Vou cantar algumas coisas minhas do tempo que morava em Belém, clássicos do blues e standards de jazz", diz o músico que hoje vive em Brasília e já levou seu blues e jazz a Paris, por uma temporada de alguns meses, em 2001, e também ao Uruguai, Argentina, Inglaterra, México e EUA, em anos seguidos. 

"Ainda viajo bastante, principalmente Nova Iorque, onde estive por cinco vezes, e outros lugares dos EUA. Lá também me apresento em bares, hotéis e restaurantes, exatamente como já fazia em Belém na década de 1990", diz o músico, que chega comemorando 30 anos de carreira.

Reviramos a trajetória de Marcius Cabral. E compartilhamos com vocês. Cartazes de shows, matérias de jornais, verdadeiras relíquias em registros de sua histórica na música e a paixão, desde cedo, pelo blues. 

Acesse: https://issuu.com/marciuscabralgmail.com/docs/portifolio_marcius_cabral

Serviço
Marcius Cabral em Belém. Neste sábado, 19 de novembro, a partir das 22h, na Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada R$ 10,00.

18.11.16

Luís Girard chega "Performático" na Casa do Fauno

Mais que um tributo à música popular brasileira com sonoridades amazônicas, o cantor, produtor e ativista cultural Luís Girad faz um espetáculo completo, em que arte se faz presente na interpretação, figurino e maquiagem, revelando suas diversas maneiras de amar e respeitar o púbico. É nesta sexta-feira, 18, a partir das 22h, no quintal da Casa do Fauno. Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada R$ 10,00. Batemos um papo com ele, confira a entrevista "ping pong".

Luís Girard é um dos artistas mais expressivos da cena musical paraense. Cantor-intérprete, compositor, ator, produtor cultural e mais recentemente, atuando também nas artes plásticas. Ele diz que quando começou a cantar, foi inevitável se envolver com artistas e produtores de todas as áreas.

Em seu percurso como intérprete estão espetáculos cênico-musicais temáticos, tais como, “Estava Escrito” (1991), “Fasto e Nefasto” (1993), “Preto no Branco” (1998) e, até o momento apresenta “Número”, uma série de três espetáculos no formato de colagem musical que desde 2001 mostram suas experimentações sonoras sobre a canção popular em diversos espaços do País.

A sua estreia, porém, foi no espetáculo "Em nome do Amor", dirigido por Luiz Otávio Barata, outro grande artista e diretor da cena teatral paraense, já saudoso. Girard conheceu ali, o cantor e radialista Walter Bandeira, que também já nos deixou, com o saxofonista Paulo Levy, com o ator e maquiador Uirandê Mendonça, e com o fotógrafo Miguel Chikaoka, que tinha chegado por aqui, no início da década de 1980. 

“Foi essencial procurar o meu lugar junto a estes caras, e muitos outros, que me serviram de referências pra construção da minha arte. Uns que infelizmente já partiram e outros que ainda estão aí”, diz Girard, que também lembra quando percebeu que precisava ir atrás de seus sonhos, tornando-se um artista completo. 

“O X da questão me foi cantado pelo Cézar Nunes, programador da Rádio Cultura no Bar do Parque, numa noite dos anos 80, que me disse, e eu nunca vou esquecer, que o segredo de tudo era batalhar a produção. Com isso, eu percebi que deveria entender de como se produz cultura pra resolver o que eu queria fazer na minha arte”. lembra. 

Desde então, paralelamente à música, ele vem estudando iluminação cênica, cenografia, figurino, sonorização, elaboração de projetos e roteiros etc. “Não para ser ‘o cara’ mas para entender pelo menos como funcionam as coisas e para que eu possa tentar planejar e resolver qualquer pepino”, comenta. 

E ele foi mesmo à luta. Fez cinco cursos de iluminação cênica e de cenografia e foi aluno de um dos maiores cenógrafos e figurinistas do país, quando ainda morava em São Paulo, o professor Cyro Dell Nero, que partiu há cerca de três anos. 

“Deste curso, eu me tornei pupilo dele, que me encaminhou para "trampar" na montagem e desmontagem de luz, cena e projeções cênicas na Casa da Comédia (SP), que estava montando a peça "Carlos Gomes - Sangue Selvagem", que contava a vida do maestro Carlos Gomes. Um espetáculo belíssimo que circulou nos teatros de vinte e nove CEUS e cinco SESCS de São Paulo”, diz Girard. 

A paixão pelas artes plásticas veio mais recente, mas naturalmente. O cantor diz que quis ir além de ser criticamente um mero apreciador e consumidor para trazer realmente a plasticidade artística a sua carreira, pela "ambição" de construir uma estética visual própria, intervindo no seu lado musical e até no trabalho de outros.  

“Fui percebendo que o melhor caminho é a integração das artes, elas se completam e se complementam. E aí eu corro atrás disso, é inevitável não perseguir isso, mesmo que minimamente. Por que não fazer este esforço? O público agradecerá ainda mais, e com certeza faz uma diferença enorme no resultado”, ressalta. 

Para além do visual, as artes plásticas também têm virado uma prática na vida de Girard. “Faço mosaicos de azulejos quebrados e já fui até condecorado pela Base Aérea, pelo que fiz no hangar deles. Faço lustres, abajours, customização de móveis e mais, mas como hobby”, conta. 

No show “Performático”, Girard mostra toda a sua versatilidade como cantor. No repertório estão trabalhos do Allan Carvalho, em parceria com ele e outros músicos. Há canções de Ronaldo Silva, Caetano Veloso, Billy Blanco, Gonzaguinha, Vavá da Matinha.

“Haverá outras ‘coisitas’ mais, numa "mistureba"’ em que, como sempre, contextualizo as canções que canto, colocando-as num mesmo patamar de importância: sucessos, inéditos e achados. Acredito que assim rola uma integração e uma renovação da publicação musical, o que mais uma vez eu reitero: é a missão do intérprete/cantor”, diz.

Intenso, apaixonado, performático, Girard falou um pouco mais sobre sua trajetória e nos conta, na entrevista a seguir, o que ele pensa sobre a noite paraense, a produção artística da cidade. O cantor reconhece a efervescência cultural paraense, mas lamenta que Belém esteja tão abandonada pelo poder público, fator que influencia diretamente no movimento social e artístico da capital da maior metrópole da Amazônia.


Holofote Virtual: Como estão os seus projetos pela noite de Belém?

Luís Girard:  Atualmente estou em cartaz no Espaço Cultural Apoena com "A Gafieira do Vavá - no tempo de Osvaldo Oliveira". Um set de gafieira que eu acho que Belém gosta e merece, mas que renuncia o carioquismo e assume o tributo a um dos maiores cantores e compositores que o Brasil já viu. E que está injustamente esquecido. O Vavá da Matinha pra nós, ou o Osvaldo Oliveira para o Brasil.

Holofote Virtual: Importantíssimo esse resgate de memória e homenagem ao Vavá...

Luís Girard: Ele foi o primeiro a gravar o merengue com letra no Brasil, criou um samba paraense, quer seja na temática das letras que revelam o Pará ao mundo, quer seja na forma melódica que também tem um sotaque familiar a nós e, portanto, peculiar. 

O samba é um ritmo brasileiro e que também tem suas peculiaridades onde se desenvolveu no Brasil. Além dele ter sido, no âmbito da indústria fonográfica, um fenômeno de vendas de LPs barrando até o Roberto Carlos. É injusto e o mundo precisa restaurá-lo. Aí a combinação da gafieira e a redescoberta do Vavá tem sido um sucesso que até me surpreende. É assim que eu gosto. 

Holofote Virtual: O projeto gafieira é diferente do Performático, como é que funciona?

Luís Girard: O "Performático" é onde pretendo rever experiências musicais antigas e experimentar novas coisas, quero dar continuidade ao meu trabalho, que sempre busca um eixo temático pra de repente receber a possibilidade de roupagens cênicas. 

É uma reafirmação do papel do intérprete de canções, lançar novas propostas musicais ao público, reler a imortalidade das mais belas obras que tanto temos no Brasil e quem sabe onde isso vai parar?

Numa canja, com o Quinteto Caxangá
Holofote Virtual: Em “Performático”, além desse repertório maravilhoso, você tem se apresentado com o baterista Rato, o Moacyr Leônidas, e com o Quiure Soares, na guitarra. São dois excelentes músicos que também apostam na produção independente e são convictos de seus talentos. Mas também apresentas um novo baixista paraense, de sangue marajoara...

Luís Girard: Minha experiência com músicos, em primeiro lugar, me dá cada vez mais a convicção de que o presencial do ao vivo é algo indispensável pra qualquer trabalho.  Prefiro pessoas tocando instrumentos acústicos, mas não desdenho quem opta por outras formas de fazer música. Por outro lado, cheguei à conclusão de que os "melhores" nem sempre são os ideais, mas aqueles que efetivamente gostam do que estão fazendo e se empenham no trabalho. Pra mim, só por dinheiro não dá. Tem que colocar figurino (não vai ser por caso neste pocket), tem que ensaiar, tem que chegar na hora, sorrir e ter prazer em participar do trampo. 

Ao mesmo tempo, agora no último trabalho da Gafieira do Vavá, tive a sorte de conhecer melhor o trabalho do Quiure Soares, que tem se ocupado das produções musicais dos meus últimos trabalhos. Ele, como eu, estamos sempre em busca de músicos ideais para os trabalhos, sem vícios e de preferência iniciantes. Neste caso, tem sido a participação do baixista de Soure, Taylan Pereira, talentosíssimo, muito a fim de fazer um som legal e que agora está à procura do sonho dele de ser um bom músico. Aí passa a ser nossa obrigação dar mais oportunidades a esses expoentes talentosos.

Holofote Virtual: Na tua opinião, a partir da tua experiência na noite, como está este movimento em Belém?

Luís Girard: Belém está passada na casca do alho. É uma cidade bonita, porém abandonada pelos seus administradores e também pela maioria dos seus "cidadãos". Há um eminente desenvolvimento de ações criativas na cidade, mas o público que gosta e é expressivo na cidade ainda sai à procura de onda na cidade. O risco é tudo acabar nas conveniências dos postos de gasolina. 

Belém tem um patrimônio cultural imenso, embora mal cuidado. No geral, as pessoas gostam de música boa, ao vivo, nos bares, nas praças e isso deveria ser preservado enquanto ainda é tempo. 
Quando morava em São Paulo vi a maioria dos bares da Vila Madalena, por exemplo, tirarem as música pra deixar o esporte na TV a cabo do bar. 

Em BH, a cidade que mais tinha barzinhos de voz e violão, conheceu há poucos meses a proibição desses botecos. Um convite à tristeza. E isso é uma coisa lamentável. Por outro lado, ao menos aqui em Belém, ainda há uma cultura de sair para o bar para também ouvir uma boa música, com toda a ambição compreendida nisso. Isso precisa ser preservado e ampliado. 

Holofote Virtual: Há mais espaços para os artistas, hoje, que alguns anos atrás, o tratamento para com os músicos da noite tem melhorado?

Luís Girard: Esta é a outra perspectiva, a que tem a ver com os donos de espaços culturais que precisam da música ao vivo para atrair estes clientes, mas que se aproveitam deste excesso de talentos pra baixar os cachês (honestamente ou) desonestamente. Tem ainda outros espaços culturais que investem seriamente no ao vivo por estarem convictos de que esta cultura faz parte dos seus investimentos no negócio e tem ainda aqueles que deixam os artistas promoverem o seu som, ficando só com a grana da bebida e da comida.

Nos teatros de Belém, a coisa está praticamente impossível, pautas caras e despesas extras com técnicos que ganham mal. Fica caro. Assim, eu acredito que isso vai afastar ainda mais o público desses espaços nos próximos tempos. E vamos tentando devagar e com propostas sólidas construir a nossa obra.

Holofote Virtual: Como é a tua relação com o público, como você percebe a repercussão do teu trabalho?

Luís Girard: Entre as maiores inseguranças que um cantor autodidata tem, mesmo os mais "profissionais", está o cuidado com sua percepção musical, que passa pela escolha do repertório, o processo de criação da interpretação e o desafio a ser posto ao público. 

Ali, tu estás para dar o teu texto e esclarecer a verdade do teu trabalho. Durante muito tempo tentei fazer músicas pra músicos e esperei ser reconhecido por isso, o que nem sempre ocorreu. Ao longo desses 30 anos percebi que estava errado. Agora eu canto para o público, olho nos olhos das pessoas. 

Naquele momento sou eu que tomo a palavra e não me aquieto enquanto eu não sentir que o meu canto o convenceu. Vendo os The Voices da vida, e seus candidatos jovens, com seus malabarismos vocais, percebo que o fantástico mostrado na TV, não basta pra que se consagre alguém como um grande artista. 

Com Olivar Barreto, no Apoena - "Gafieira do Vavá"
Eles aparecem, cantam até coisas legais, são ovacionados, mas o comercial que vem a seguir já é o suficiente pra todo mundo esquecer o que viu e o que ouviu. No máximo vão torcer pelo cara como se fosse um jogador de futebol num clássico, uma confissão de infidelidade pública, a longo prazo. 

Aliás, depois de ter conhecido o trabalho (e pessoalmente) de tantos artistas famosos eu cada vez mais tenho a convicção de que os grandes também (muitos deles) estão na mesma batalha que eu, tentam construir uma solidez na sua obra, uns a qualquer preço e outros de bom coração. 

Eu prefiro a segunda opção. Só quero cantar com dignidade e sinceridade, aí o feed back positivo será com certeza, e o retorno é o público presente que vai decidir, se dança, se aplaude, se vaia. Espero que entendam isso, se divirtam e levem para suas vidas como eu levo. Não custa nada e só melhora a nossa tensão individual e coletiva.