26.10.11

Mais de 30 anos de animação e filmes autorais

Lazaretti, Wilson e Anselmo
Fotos: Renato Reis

Wilson Lazaretti e Maurício Squarisi podem ser chamados de "heróis da resistência" e/ou "persistência". Há mais de 30 anos vivem de arte, na área de "cinema de animação". Fundaram em 1975, Núcleo de Cinema de Animação de Campinas/SP. Eles estão em Belém. 

Vieram ministrar oficinas de desenho animado, stop motion e sombra chinesa para as crianças que estão frequentando a Bacuri – Mostra de Cinema Infantil. Em sua segunda edição, patrocinada pelos Correios, a mostra abre mais uma vez as portas do mundo mágico do cinema de animação para os bacurizinhos paraenses. Até dia 29 de outubro, no Centro Cultural Sesc Boulevard, onde além das oficinas, acontecem exibições de mais de 40 curtas animados em sessões, às 14h, 15h e 16h. Tudo com entrada franca. 

Com mais de três décadas atuando nesta área e mais de 240 filmes autorais, para reforçar o time em Belém, os dois animadores trouxeram o músico Anselmo Carvalho, cria do Núcleo de Campinas, para ministrar a oficina de trilha sonora - música e efeitos para desenhos animados.

Oficina de Trilha Sonora
“Sou formado em música e estudei com eles a disciplina de trilha pra animação. Pra mim é uma diversão. 

Nas oficinas na verdade compartilhamos ideias com as crianças, que trazem as suas próprias visões de mundo para a animação e para a trilha. 

A trilha é muito importante para um filme não só de animação. Em Tubarão, por exemplo, sem a trilha, ele vira uma sardinha”, diz Anselmo.  De acordo com Maurício o Núcleo de Animação de Campinas surgiu com o intuito de se fazer filmes autorais, mas também de divulgar a animação pelo Brasil, através destas oficinas. São geralmente produções feitas em grupos como estas que estão sendo criadas em Belém. “As oficinas têm sido trabalhadas com grupos de crianças e também com educadores. Tudo é feito de forma coletiva. Neste caso, as crianças criam tudo, roteiro, grafismo, trilha sonora e por fim a animação”, explica Mauricio. 

Diversidade - Ele reforça que a ideia é trabalhar também temas da cultura local. “Estamos felizes de estar aqui, pois estamos conhecendo muito mais da cultura amazônica com os meninos e meninas daqui. Eles vão revelando coisas de sua realidade e as concretizam na animação. Nosso tema principal é o Bacuri, mas já se falou de árvores, tacacá, maniçoba, pássaros diversos. No final da mostra, vamos encerrar com um lindo filme belenense de animação”, conta o professor. 

Stop Motion
Para ele, uma das coisas que interessantes da atual produção de animação no país é esta diversidade que o Brasil possui. “Há 20 anos atrás, era muito difícil de se produzir aqui. Tínhamos poucos núcleos em São Paulo, Rio de Janeiro e alguma coisa na Bahia. 

Os laboratórios de revelação de película estavam no Rio e São Paulo. Hoje com a tecnologia é possível produzir em qualquer luar, basta ter técnica e um computador. Isso enriquece a produção, porque um filme feito na Amazônia, nunca vai ser igual a outro feito no sul ou no nordeste”, reflete. 

Além das oficinas que tem percorrido o país, Maurício está produzindo um longa de animação sobre o Café, desde quando ele entra no Brasil através da África. “O primeiro Cafezal do Brasil foi feito aqui no Pará. Até que chega a São Paulo e gera toda uma riqueza. Tem a história de que Carlos Gomes veio para o Pará financiado pelo Café e isso tudo vai estar no filme. Uma das atrizes já confirmadas para dar voz a personagem principal é a Vera Holtz, por causa do sotaque dela que é bem paulista”. 

Sombra Chinesa
Já Wilson Lazaretti que ministra a oficina de sombra chinesa diz que a animação sempre fez parte de sua vida e que agora, depois de muitos curtas vai lançar seu primeiro longa. 

“É quase uma autobiografia de todo mundo que quer fazer animação. Tem um personagem central que quer aprender a fazer desenho animado”, conta ele que teve oportunidade de conviver um pouco com o animador Co-Holdeman. 

O cineasta holandês radicado no Canadá, é hoje considerado uma importante peça na historia da animação universal. “Em termos de criatividade era impressionante. Ele conseguia fazer animação numa época sem em que não tínhamos nada ou muito pouca tecnologia”, diz. 

Quanto ao núcleo que fundou em campinas ele diz que ao desenvolver uma didática de ensinar e produzir filmes de animação com crianças, eles já percorreram diversas regiões do Brasil. “Trabalhamos com crianças pantaneiras, com crianças indígenas na Amazônia e no Xingu, com crianças urbanas de todas as faixas sociais”, conclui. 

Bacuris Verdes em ação!
No Hospital Ophir Loyola - Nesta quinta-feira, 27, também, os animadores da Bacuri vão ministrar uma oficina de stop motion, no Hospital Ophir Loyola, para crianças em tratamento de câncer. 

Serviço
A Bacuri – 2ª Mostra de animação Infantil realiza as oficinas pela parte da manhã, das 9h às 12h e à tarde das 14h às 17h, a bacurizada pode morrer de rir e aprender muito com os curtas que estão sendo exibidos no cine-teatro do Centro Cultural Sesc Boulevard (Na Av. Boulevard Castilho França, 522/523). Mais informações: Fone: (91) 8892.9592 (produção) / 3224-5654/5305 (Sesc).

Um comentário:

SAVE XINGU disse...

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