O público vai conferir o resultado de dois projetos
de Circo, que foram contemplados pelas Bolsas de Criação e Experimentação Artísticas do Instituto de Arte do Pará em 2013. Ás 19h, será mostrado Akros: um pas de
quatre acrobático e, às 20h30, mARESIa. Ambos surgem de pesquisas
diferenciadas que dialogam com outras linguagens artísticas como a dança,
teatro e audiovisual. As apresentações integram o Circuito das Artes do IAP. Entrada franca.
Os números circenses apresentados em Akros: um pas de quatre
acrobático são resultados da pesquisa proposta pela artista circense Virginia
Abasto e desenvolvida por um grupo de novos artistas acrobatas em aparelhos
aéreos de circo. A ideia dessa experimentação surgiu com intuito de aprimorar a
organicidade do artista circense na execução dos movimentos acrobáticos.
O espetáculo completamente original, diversificado e criado
de maneira coletiva, foi criado com a integração
das habilidades circenses de trapézio fixo, lira e tecido, com os métodos de
treinamento em dança Jazz, Moderna e de Gyrokinesis, agora apresentado na forma
de números em Linguagem Circense utilizando acrobacias aéreas e de solo junto
às técnicas de partitura corporal musical e, as já mencionadas, técnicas de
treinamento corporal.
Para chegar a este resultado foram ministrados três
laboratórios de experimentação do movimento integral, sendo estes: 1.
lira/dança moderna; 2. trapézio /dança jazz e 3. tecido/gyrokinesis, bem como,
laboratórios de acrobacias de solo, de partitura corporal musical e de
dinâmicas de dramatização.
O conjunto destas experiências levou os akrobatas a
alcançarem resultados notáveis na assimilação das técnicas de acrobacias aéreas
que poderão ser apreciadas, em parte, nos números circenses que compõem este
espetáculo.
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Foto: Rafael Sales |
Água e memória - Já em mARESIa, o Grupo Projeto Vertigem parte da pesquisa
proposta pelas artistas Marina Trindade, Inaê Nascimento e Victória Rapsódia, que
propõem experimentações por meio de transversalidades de linguagens artísticas.
O grupo partiu em busca de novas formas da utilização do tecido
circense, seguindo como fio temático a relação simbólica entre o arquétipo
feminino e a água. Para isso, foram trazidas à tona memórias para a construção
de identidade, que inevitavelmente perpassa pelo contexto amazônico.
“A memória de quem nasce aqui é inundada por uma frondosa ‘árvore
de rios’ alimentados por intensas chuvas. Esse aguaceiro todo vem se encontrar
com o mar aqui, na região da ilha do Marajó, local escolhido para algumas de
nossas experimentações. O quanto de história esses rios vem carregando?”,
questiona Marina Trindade.
Dentro dessa mistura de águas e identidades ela conta que o
grupo buscou o arquétipo feminino nas mães d’água dos mitos afrobrasileiros que
carregam as características que compõe o estuário amazônico: Oxum conduzindo
nossos caudalosos rios rumo ao mar; Iemanjá que faz de nossos rios mares de
água doce e; Nanã, reunindo essa mistura nos nossos extensos e lamacentos
manguezais e várzeas, todas tornando o estuário amazônico um dos ambientes
naturais mais férteis do mundo.
“Encontramos nesse ‘estuário feminino’ nossos indutores para
pesquisa de movimentos, relacionando a maré, as ondas e as correntes às danças
dessas Orixás, assim como às nossas danças (o Carimbó e o Lundu) e à capoeira
angola, as quais ao nosso ver carregam em seus movimentos e fundamentos uma
ancestralidade aquática e feminina”, conclui a artista.
Serviço
As apresentações dos espetáculo são nos dias 6 e 7 de
dezembro, no Casarão do Boneco (Av. 16 de Novembro, 815- Jurunas, prox. Pça
Amazonas). AKROS: Um Pas de Quatre Acrobático às 19h e mARESia, às 20h30. Apoio
In Bust Teatro com Bonecos.
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