23.3.12

Cia. Fé Cênica se apresenta no SESC Boulevard

Em Belém pela primeira vez a , a peça Perfídia Quase Perfeita , encenada pela companhia paulista é dirigida pelo paraense Claudio Marinho. Trata-se de uma comédia dramática, escrita por Carlos Correia Santos. Mistério, humor e poesia são os ingredientes do texto que foi um dos contemplados no ano de 2006 pela Seleção Brasil em Cena, concurso promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro. Não deixe de ir. Nesta sexta, 23, sábado, 24 e domingo, 25, no Centro Cultural Ssec Boulevard, às 20h, com entrada franca.

A encenação da Cia. Fé Cênica teve sua estreia em 2010 no Fringe, a mostra paralela do Festival de Curitiba, e no ano seguinte foi apresentada em duas temporadas na capital paulista. A trama de “Perfídia Quase Perfeita“ se desenrola dentro de uma radionovela dos anos 1950. No último capítulo o casal Cezinha (Geraldo Machado) e Dagmar (Viviane Bernard) precisa desvendar um mistério. 

O marido acorda atordoado no chão da sala e a mulher conta para o perplexo e desmemoriado Cezinha que houve uma traição conjugal e desentendimento que resultou num disparo de revólver. O caixão no meio da sala reforça a informação dada por ela: um deles está morto e o outro está alucinando. Até chegar ao desfecho da história, Cezinha e Dagmar dão espaço para outros personagens, como, a eufórica Dilma Daiane e o mal humorado Johnson e Johnson, que são ouvintes do programa. Situações inesperadas, erros dos radioatores e jingles dão ar cômico ao trabalho. 

O espetáculo resulta numa homenagem aos antigos programas de rádio. Toda a história é narrada e comentada por um locutor, que no texto original existe como voz em off. Durante os ensaios o diretor Claudio Marinho lia as falas do locutor somente para auxiliar na criação das cenas com os atores. Mas de tanto fazer isto, o grupo percebeu que o personagem poderia aparecer em cena. É o que acontece na montagem, o diretor acabou cedendo à ideia de também atuar. 

“Em Perfídia Quase Perfeita buscamos a riqueza de nuances no trabalho dos atores para criar um clima de humor ácido e crítico. O objetivo é fazer na frente da platéia um ardiloso jogo cênico, com suspense, poesia e humor. Primeiro tratei de observar os dois atores para depois entrar em cena”, conta Claudio Marinho. 

Sobre o texto e a parceria com a Cia. Fé Cênica Carlos Correia Santos diz: “Perfídia Quase Perfeita é um texto muito importante para mim porque tem representado uma ponte fantástica entre a minha dramaturgia e o cenário teatral do sudeste, sempre cobiçado pelas possibilidades de visibilidade. Primeiro, a dramaturgia venceu o Seleção Brasil em Cena, com leitura dramática dirigida pela Stella Miranda e depois ganhou essa linda montagem da Fé Cênica que já nos permitiu subir aos palcos em Curitiba e São Paulo. A montagem do Cláudio é a prova de que a produção teatral com DNA nortista tem caminho aberto para o mundo. Tenho orgulho desse trabalho pelo grau de excelência e pela oportunidade que me deu de fazer dessa equipe um núcleo de amigos, irmãos”.

O autor, que tem como característica acompanhar de perto as montagens de seus textos marcou presença nas duas estreias. “Perfídia Quase Perfeita” integra um projeto iniciado em 2007, com o objetivo de montar peças de dramaturgos paraenses. Desde que as atividades se iniciaram o grupo encenou também “Fogo Cruel em Lua de Mel”, de Nazareno Tourinho, apresentando-se em quatro temporadas entre os anos de 2007 e 2009; duas versões da peça “As Ruminantes”, de Saulo Sisnando, em 2009. O grupo ainda montou a peça infantil “A Fábula das Águas”, também de Carlos Correia Santos, com estréia em 2011 na capital paulista e apresentações no interior do Estado.

Ficha técnica

Elenco: Viviane Bernard, Geraldo Machado e Claudio Marinho
Iluminação: Sônia Lopes
Trilha sonora original: Cláudio Hodnik
Operação de som: Roger Magno Nunes
Cenário e figurinos: Geraldo Machado e Viviane Bernard
Fotos: Lenise Pinheiro
Design gráfico: Reinaldo Elias
Produção local: Sue Pavão
Direção de produção: Geraldo Machado e Claudio Marinho
Texto: Carlos Correia Santos
Direção: Claudio Marinho


Serviço
A peça “Perfídia Quase Perfeita” será apresentada no Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523, em frente à Estação das Docas). Sessões nos dias 23, 24 e 25 de março, às 20h. Entrada franca. Classificação etária: 14 anos. Duração: 50 minutos. Informações: (91) 3224-5305 ou 3224-5654.

(com informações de Carlos Correia Santos)

21.3.12

Jorge Bastos lança “Hemorragia” em São Paulo


O livro do poeta e crítico literário Jorge Henrique Bastos, um paraense radicado em São Paulo, traz homenagem a dois nomes ilustres da literatura paraense, o filósofo Benedito Nunes e o escritor Haroldo Maranhão. O lançamento será nesta sexta-feira, 23, a partir das 18h, na Livraria Martins Fontes - Vila Buarque - , na capital paulista. 

Editado pela Reflexão, "Hemorragia" reúne poemas escritos entre 1999 e 2009. Traz textos que refletem as experiências vividas pelo autor, neste período, em Portugal, Espanha e Brasil. É o segundo livro de Jorge Henrique, que já lançou também “A Idade do Sol”. 

Entre outros trabalhos, como editor, em 1994 organizou o livro "A Criação do Mundo Segundo os Índios Ianomami" para a Editora Hiena, além de dirigir uma coleção de ensaios para a editora Pergaminho, onde publicou Paul Valéry, Mathew Arnold e Alexander Blok. Traduziu René Char, Yves Bonnefoy e Ezra Pound.

Nascido em Belém do Pará, Jorge morou em Lisboa, onde foi jornalista no semanário português Expresso e atuou na área editorial. Antes de ir morar na Europa e passar por lá 16 anos seguidos, ele viveu em São Paulo, ligado ao ramo editorial, e em seguida o Rio de Janeiro, onde conheceu Haroldo Maranhão e também Benedito Nunes, que visitava seu amigo constantemente. De Lisboa retornou em 2006, fincando residência em São Paulo. 

Mesmo morando fora do país, Jorge sempre manteve contato com Haroldo e Benedito. Quando escreveu os poemas deste segundo livro, os enviou ao filósofo que não só leu, como lhe devolveu a obra com uma surpresa. 

“Enviei uma cópia do livro para o Benedito ler, pois mantinha contato com ele e com o Haroldo Maranhão, por cartas. Ele leu e para minha surpresa a resposta veio em forma de estudo que ele escreveu sobre o livro”. Completamente inédito, o estudo sairá depois num livro que Victor Pinheiro - estudioso da obra de Benedito Nunes - está organizando e será publicado em Belém pela Secretaria de Cultura do Estado.

Jorge conta que regressou logo depois disso para o Brasil, porém seus compromissos profissionais o impediram de lançar o livro até então. “Mas ele precisava ser publicado, ainda mais porque o Benedito faleceu em 2009. Aproveito e faço uma homenagem a ele e ao Haroldo no livro”, explica o poeta, que foi entrevistado pelo Holofote Virtual e falou mais sobre sua obra e o encontro com os saudosos Benedito Nunes e Haroldo Maranhão.

Jorge Henrique Bastos, em São Paulo
Holofote Virtual: Benedito Nunes faleceu em decorrência de uma hemorragia, aos 81 anos. O título do livro faz alguma alusão a isso?

Jorge Bastos: Não, este título já existia desde Portugal e não faz menção ao filósofo.

Na verdade é uma imagem que trouxe desde a minha juventude em Belém, quando vi uma pessoa acidentada na carroceria de um carro e que me impactou para sempre, mas observa que a ilustração da capa é um quadro do Francis Bacon que deforma tudo.

Isso me fez pensar na vida, no nosso destino, no sentido da morte, e me acompanhou ao longo da vida até a escrita do livro. Hás de ver que há um poema que dá título ao livro, e refere-se um pouco a esse fato distante. Acontece que na origem do meu regresso para o Brasil está o falecimento de um grande amigo meu, Pedro Henrique Bortolon. Como demorei para editar o livro por questões que já expliquei, o Benedito acabou falecendo também. Por isso dedico in memoriam o livro para ele e o Pedro. 

Holofote Virtual: Como foi o processo de trabalho para fazer este livro? 

Jorge Bastos: Minha produção poética é muito lenta. Escrevi meus primeiros poemas em Belém, mas logo em seguida eu mudei para São Paulo, depois Rio de Janeiro, em seguida Lisboa, e regressei definitivamente para o Brasil só em 2006. Ou seja, foi uma longa temporada homérica. Como deve imaginar, essa "deslocalização" contínua, essa deriva, fez-me experimentar muitas coisas, conhecer línguas e literaturas, paisagens e expressões. 

Costumo dizer que procuro atingir uma tensão poética que me leve a escrever o poema após todo um processo estético, emocional. A Emiliy Dickinson afirmou que o verdadeiro poema é como uma "descarga elétrica que atravessa a espinha dorsal". Só os grandes poetas conseguem atingir isso. Na medida do possível, procuro fazer o melhor e exprimir-me da forma mais verdadeira. 

Holofote Virtual: Como você conheceu Benedito Nunes e Haroldo Maranhão? 

Jorge Bastos: Em 1985 mudei para São Paulo, e no ano seguinte a Martins Fontes, editora onde trabalhava, transferiu-me para a filial do Rio de Janeiro, onde conheci o Haroldo Maranhão. Já lera praticamente todos os livros do Haroldo, e nos tornamos muito próximos nesse período, pois eu morava bem perto da sua casa no Aterro do Flamengo. Todas as vezes que o Benedito ia ao Rio, o Haroldo me ligava e saíamos para almoçar, não sem antes o Benedito passar pela livraria e fazer sua razia bibliófila. Fizemos isso várias vezes, e muitas mais conversamos longamente sobre figuras como o Mário Faustino, o Max, etc.

Era muito engraçado, um trio de paraenses atravessando o centro antigo do Rio, contando piadas e rindo discretamente. Tenho muitas saudades desse tempo, do Haroldo, que quando faleceu eu ainda estava em Portugal, e até hoje recordo como a notícia me abalou no meio do verão sufocante lusitano. O resultado está num poema deste livro, o "Pertença". O mesmo aconteceu quando soube do falecimento do Benedito e do Max. Escrevi uma rememoração sobre o Haroldo e sobre o Max que o Elias Pinto teve a amabilidade de publicar no Diário do Pará. 

Holofote Virtual: O que mais te impressiona em Benedito Nunes? 

Jorge Bastos: Quando mudei para Portugal, em 89, levei toda minha biblioteca.

Os livros do Benedito me acompanharam, e acompanharam todo meu desenvolvimento como jornalista, função que assumi por quatro anos após aterrissar em Portugal. O Benedito foi um ser admirável, um ensaísta completo e dos mais estimulantes que surgiu no pensamento brasileiro, e não só. Seus estudos sobre Clarice, Cabral e Guimarães Rosa nortearam minhas indagações. Mas há um livro sobre o qual me debrucei vezes sem conta, o estudo profundíssimo sobre Heidegger, o Passagem para o Poético.

Tenho acompanhado junto ao Victor o seu trabalho de reedição da sua obra. É um trabalho que o Benedito iria se orgulhar. Mas acho que, como paraense, seu amor pela terra, e a decisão de nunca sair de lá (embora viajasse muito) são fatores que todos deveriam saudar.

Holofote Virtual: Quais trabalhos editorias você já realizou? 

Jorge Bastos: São vários livros, de Herberto Helder a O. Henry, traduzido por Fernando Pessoa, antologia da poesia brasileira, o Macunaíma, do Mário de Andrade, obras que publiquei no Brasil e em Portugal. Sem contar o trabalho editorial propriamente dito, e que está nos catálogos de editoras como a Martins/Martins Fontes. Quando voltei para o Brasil, trouxe três inéditos que só agora começo a publicar. 

Holofote Virtual: Como será a divulgação de Hemorragia. Pretende lançá-lo em Belém? 

Jorge Bastos: Ainda não sei se lançarei em Belém, meu trabalho como editor, e num momento que enfrento um novo projeto, não me permitem ausentar-me de Sampa. Mas talvez mais para frente consiga uma surtida relâmpago, até para aproveitar e mostrar meu apoio ao Lúcio Flávio Pinto que está sendo perseguido de forma vil pela justiça paraense.

Balck rende homenagens à eterna “Pimentinha”

Elis era dramática, roqueira, sambista, divertida, alegre e iluminada. Tudo isso vem à tona e toma conta de nossa memória afetiva quando nos lembramos dela e de suas interpretações. É com este brilho múltiplo que a Balck Soul Samba rende suas homenagens à cantora, nesta sexta, 23, no bar Palafita, com o show “Elis – 30 anos de saudade”, da paraense Silvinha Tavares. Trazendo clássicos do tipo “Madalena”, “Tiro ao Álvaro” e “Vivendo e Aprendendo a Jogar”, a noite promete catarse e emoção. 

“Ela era inigualável e se foi muito, muito cedo. Não procuro outra porque sei que jamais haverá outra como Elis”. A frase ao lado foi a resposta do compositor Milton Nascimento ao ser perguntado sobre o que o faz sentir saudade... 

O mineiro, que compunha suas canções já pensando na interpretação da cantora porto-alegrense, foi um dos grandes parceiros da “Pimentinha”, alcunha que Elis Regina recebeu devido seu temperamento intrépido, irreverente e divertido. 

Dona de um sorriso largo que marcaria sua trajetória, Elis Regina foi uma das mais aclamadas cantoras brasileiras. Sua passagem pela música popular revolucionou a MPB, numa dimensão só comparável à João Gilberto e ao Movimento Tropicalista. Com Elis, cada canção recebia uma alma, um sopro da vida que emanava da cantora. Suas interpretações estão arquivadas não apenas na memória de quem viveu em sua época, mas ainda junto àqueles que hoje se baseiam em seu repertório e a tem como referência. 

Não bastasse ter o dom da interpretação musical, Elis também foi responsável em lançar grandes compositores brasileiros, como João Bosco, Aldir Blanc, Ivan Lins e Edu Lobo. Ela também deu a Tom Jobim a mais elevada interpretação que suas composições já mereceram e, em menos de duas décadas de carreira, foi responsável por interpretações insuperáveis como em “Atrás da Porta”, de Chico Buarque, “Como Nossos Pais”, de Belchior, entre muitas outras, incluindo a insubstituível “Se eu quiser falar com Deus”, de Gilberto Gil. 

Tributo – Segundo Silvinha, o show “Elis - 30 anos de saudade” surgiu através de um projeto do empresário Fernando Gomes , o “Gugão”, que nas palavras de Silvinha “é um verdadeiro apaixonado, enlouquecido pela Elis e morre de saudade dela”, informa a cantora.  

“É um espetáculo para fãs, mas não vem com a carga pesada que algumas músicas da Elis remontam. Eu tenho o compromisso com o entretenimento, com a alegria, então o tributo vem com muito mais momentos pra cima”, avisa Silvinha. 

Para dar forma a estes momentos, Silvinha conta com uma grande banda formada por músicos de sólida carreira, são eles: Pedrinho Callado no violão, Ziza Padilha na guitarra, Ney Rocha no baixo, e João Costa e Patury na percussão. 

“Claro que tem músicas como ‘Corsário’, que não tem como ficar de fora, mas vou incorporar o lado mais dançante e divertido nessa noite na Black”, finaliza.

E como não poderia faltar, os DJs Uirá Seidl, Kauê Almeida, Fernando Wanzeller, Eddie Pereira e Homero da Cuíca, aquecem as pistas do Palafita com o melhor da música brasileira e as vertentes da black music, numa noite de homenagem e celebração ao talento das cantoras do Brasil.

Cantando "nos bailes da vida" desde 1995, Silvinha Tavares também é compositora e violonista. Seu primeiro disco, intitulado “Simpatia”, está em fase de finalização, e vem repleto de parcerias de músicos como Ronaldo Silva, Márcio Macêdo, e Álvaro Drago.

Serviço
Black Soul Samba em tributo à Elis Regina com show “Elis – 30 anos de saudade” de Silvinha Tavares e banda. Nesta sexta, 23, a partir das 21h no bar Palafita (Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas – Cidade Velha) - R$ 10,00. Mais informações: (91) 8413 0861 / blacksoulsamba@yahoo.com.br / www.blacksoulsamba.com

Universidades entram na luta pela criação do SMC

Depois da receber a adesão de artistas e conquistar a opinião pública, esta semana o movimento em prol da criação do Sistema Municipal de Cultura de Belém ganhou mais força. Nesta quarta-feira, 21, a Unipop sedia reunião para construção de mais um ato para domingo, 25, na Praça Batista Campos e a Diretoria de Apoio a Cultura - DAC/PROEX - UFPA está convocando alunos, bolsistas e técnicos e todos os demais interessados para participar das atividades que serão realizadas de 21 a 23, no campus.

Artistas, grupos, entidades, agentes e produtores culturais precisam recolher 50 mil assinaturas para que a Câmara Municipal encaminhe o documento de criação do Sistema Municipal de Cultura de Belém para o poder executivo, como um projeto de lei de iniciativa popular.

Implantado, o SMC passará a receber 40% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura, do governo federal, entre outras garantias de investimento. Na UFPA, as assinaturas podem ser feitas até dia 23, pela parte da manhã, no Restaurante Universitário (RU) do campus básico, e à tarde dentro da programação de aniversário da Biblioteca Arthur Viana (estande). Quem participar vai receber certificado via PROEX (pré-reitoria de extensão), com carga horária de 20 horas. 

A reunião desta quarta-feira, 21, é do Fórum de Cultura de Belém, mas será aberta a todos os interessados. Na pauta, a partir das 9h, será discutida a programação do ato que acontece no próximo domingo, 25, na Praça Batista Campos. A Unipop fica na Av. Senador Lemos, entre D. Pedro II e D.  Romualdo de Seixas.

Cidadania cultural - Literatura, música, teatro, cinema, dança, artes visuais e cultura popular. Todas estas cadeias produtivas precisam de políticas sólidas capazes de garantir mais apoios às produções locais e mais acesso à cultura para a população. Com o Sistema Municipal de Cultura implantado também serão implementados o Conselho Municipal de Política Cultural, o Fundo, o Plano e a Conferência Municipal de Cultura e Orçamento Participativo da Cultura. 

Isso provocará a formulação de políticas públicas para a cultura por um período de dez anos, com planos de ações para atender às principais demandas a serem atendidas de cada segmento. É uma questão não só de cidadania cultural, mas também social.  Por isso, a luta vem ganhando cada vez mais adeptos, reforçando o trabalho desenvolvido pelo Fórum de Cultura de Belém em parceria com a Comissão de Cultura da Câmara de Vereadores. 

Serviço
A concentração para as atividades na UFPA inicia às 9h30, na Diretoria de Apoio a Cultura - DAC/PROEX - UFPA - Campus básico, prédio da reitoria, 2º andar - produção (sala de vidro). Mais informações: 91 3201-8435/8313/8008.

20.3.12

Igreja Santo Alexandre recebe concerto da OSTP

A apresentação, porém, será em formato de música de câmara. A Orquesta Sinfônica do Teatro da Paz vai homenagear o aniversário de nascimento (327 anos) do compositor Johann Sebastian Bach. Nesta quarta, 21, às 20h, com entrada franca.

O concerto terá a participação de membros da OSTP, em formação camerística, com trios, quartetos e pequenos grupos orquestrais. A regência do concerto será do maestro titular da OSTP, Miguel Campos Neto.
O maestro diz que quando uma orquestra sinfônica promove uma série de música de câmara com seus membros, ela está evidenciando a versatilidade, que é uma qualidade da maior importância para um músico. “É a habilidade de se sentir à vontade em qualquer repertório, seja sinfônico ou operístico, solo ou camerístico”, afirma. 

“Neste concerto, fazemos uma homenagem ao grande Johann Sebastian Bach, apropriadamente no dia 21 de Março, apontado por um dos calendários vigentes na época como sua data de nascimento”, explicou Miguel. “Ao homenageá-lo, escolhemos, não só apresentar peças de sua autoria, mas sim demonstrar também a influência que ele exerceu (e exerce) em compositores que o sucederam”. 

No programa, as peças de Bach serão acompanhadas da apresentação de uma peça de Shostakovitch, além da estreia de mais uma obra do compositor paraense (e integrante da OSPT), o violinista Kalie Fares Akel, que será apresentada em uma formação de Quarteto temperado para flauta, trompa, violino e violoncelo. 

Para Miguel, a versatilidade da OSTP conta entre seus instrumentistas com um compositor, que é Kalie. “Ao apresentarmos a peça de Kalie Akel, comprovamos que a influência que Bach exerceu sobre compositores dos séculos XVIII, XIX e XX, continua em compositores do século XXI”, disse. 

A escolha da igreja de Santo Alexandre é um diferencial. “A acústica de uma sala de concerto, de uma casa de ópera ou de uma igreja, pode conduzir a um tipo diferente de execução musical”, afirma o maestro. 

“Nós acreditamos que a igreja de Santo Alexandre colocará tanto o público quanto os músicos na perfeita ambientação para música de câmara”, encerra. 

Programa - Serão executados os concertos de Bach “Sonata em trio em mi bemol maior, para clarinete, oboé e fagote (três movimentos)”, “Prelúdio e fuga (curto e antigo)”, “Concerto de Brandenburgo nº 3 em sol maior” e “Cantata BWV 51”.  De D. Shostakovitch, será apresentada a peça “Prelúdio e fuga XXII em sol menor, do op. 87”, e a estreia da peça de Akel.

Das pequenas formações da OSTP que se apresentam no concerto desta quarta-feira fazem parte os músicos Ricardo Aquino, Magno Morais, Ruth Saldanha, Cláudio Costa, Claudionor Amaral, André Xavier, Paulo Porto, Itailan Pinheiro, Sóstenes Siqueira, Kalie Fares Akel, Bruno Valente, Paulo Keuffer, Hélio Saveney, Rodrigo Santana, Rosildo Pereira, Gabriel Gonçalves, Nelzimar Neves, Gabriella Oliveira, Jhonathan Torquato, Serguei Firsanov e Elielson Gomes. 

Serviço
“Série de Câmara OSTP” (em comemoração aos 327 anos de J. S. Bach), quarta-feira, 21, às 20h, na igreja de Santo Alexandre (Praça Frei Caetano Brandão, s/n, Cidade Velha). Entrada gratuita.

Portugal abre debate sobre as lutas da Amazônia

Poucos meses antes da ONU reunir as maiores lideranças globais na Rio+20, a tradicional Universidade de Coimbra, em Portugal sediará um encontro, antecipando questões que serão objeto da conferência no Brasil. De 25 o 28 de março, com o tema "Lutas pela Amazónia no Inicio do Milênio: Colóquio Internacional", o evento discutirá os desafios da região no século XXI, contando com a parceria do Festcineamazônia Itinerante.

O festival de cinema ambiental que ocorre em Rondônia e foi responsável pela curadoria dos filmes que abrem o colóquio exibirá documentários sobre a Amazônia, seguidos por mesas coordenadas pelo economista e professor catedrático da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos. 

Entre os destaques, estão o premiado documentário "Corumbiara", de Vicente Carelli, que conta o genocídio dos índios em Rondônia; "Toxic Amazon", de Felipe Milanez e Bernardo Loyola, sobre o assassinato do casal de ambientalistas no Pará, José Cláudio e Maria, ocorrido em maio de 2011; e uma apresentação do poeta e cantor de Roraima, Eiakin Rufino.

Essa é a terceira vez que o Festcineamazônia se apresenta em Portugal. Nas outras oportunidades, além de Coimbra, foi também exibido na cidade histórica de Évora. Este ano, depois de Portugal, o festival seguirá para Angola e Cabo Verde. 

Rufino e Milanez vão acompanhar o encontro. O diretor do documentário sobre os assassinatos na Amazônia, Felipe Milanez, é convidado especial pela Universidade de Coimbra, e fará uma exposição sobre a questão da violência na região, tema que também é objeto de debates nas mesas do colóquio. 

A equipe do festival produzirá um filme sobre a herança lusitana e africana no Brasil, conduzido pelo poeta e cantor Rufino. 

Além disso, será exibido o documentário produzido pela equipe do Festcineamazônia "Nada é Longe", com locações em Portugal, Cabo Verde e as capitais da região norte.

 "É um gesto de "devolução, de voltar aos lugares onde foi exibido o festival e exibir o que o festival registrou", conta Jurandir Costa, um dos organizadores. 

Debates - Nas mesas de debates, serão discutidos diferentes aspectos da Amazônia hoje, como "Amazônia e a geopolítica num mundo globalizado"; e "Amazônia e o desenvolvimento sustentável: Rio 92 e Rio 92 +20", que contará com a presença de José Augusto Pádua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Violeta Loureiro, da Universidade Federal do Pará. 

O Festcineamazônia® Itinerante 2012 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Universidade de Coimbra, CES – Centro de Estudos Sociais, Jornal Folha de Rondônia.

19.3.12

Rios do Mundo - um painel de ritmos e sonoridades

O show reúne composições feitas em parceria por Ronaldo Silva e Allan Carvalho, que contarão com a participação de Zeca Sagica (bateria), Bruno Mendes (percussão), Rubens Stanislaw (baixo) e Marcelo Fernandes (guitarra). Dias 23 e 30 de março, às 19h, no Sesc Boulevard. Entrada franca.

De acordo com os músicos, o show será como um passeio a bordo de um navio-gaiola, repleto de cantigas, folias, toadas, batuques, que retratam a riqueza do imaginário amazônico e a poética presente nas obras desses violeiros. No repertório, o público poderá visualizar a vivência e parcerias acumuladas por estes músicos ao longo de suas carreiras. Ao mesmo tempo, Rios do Mundo vem coroar a parceria que existe entre os dois há mais de cinco.

Não é pouca coisa. São mais de 50 músicas feitas em parceira. Em 2011, uma delas arrebatou o primeiro lugar na categoria Melhor Música no III Festival de Música Popular Paraense da RBA. “Pra recordar a balança” também foi premiada como Melhor Arranjo e Melhor Música pelo Voto Popular.

“O show está propondo essa mostra do nosso trabalho de parceria, que acontece há pelos menos uns seis anos. É um painel sonoro, com um roteiro musical inspirado no imaginário que nos cerca, na sua rítmica, traz composições já gravadas nos discos do Ronaldo (Via Norte e Faróis) e no meu com o Quaderna, além de composições inéditas de um e de outro e juntos, que inclusive virão nos CDs "Bandeira de Ouro" e "Boi Malhadinho", que lançaremos no próximo mês. Este show é o primeiro de uma série que faremos pra divulgar esses resultados”, explica Allan.

Ronaldo Silva é considerado um dos mais importantes compositores amazônicos. Tem dois CDs em carreira solo, o “Via Norte” e “Faróis”, além dos sete discos produzidos pela banda Arraial do Pavulagem, da qual é fundador. Sua obra também já foi registrada na voz de vários intérpretes, como Jane Duboc, Nilson Chaves, Pedrinho Cavalero, Cabinho, Maria Lídia etc. e, mais recentemente, Gabi Amarantos.

Já Allan Carvalho, da nova geração de compositores, em breve vai lançar, também pelo selo Rios do Mundo, seu primeiro disco solo, depois de ter sua obra registrada no CD do grupo Quaderna, um disco que teve grande aceitação de público e crítica. Além disso, seu trabalho musical passeia pelos documentários da série “Barcos da Amazônia” (de Chico Carneiro), em trilhas para teatro e nos CDs de Fábio Cavalcante, Eduardo Dias, Rafael Barros, João Paulo Tubarão e do grupo Curimbó de Bolso.

Com trabalhos juntos neste projeto e no Instituto Arraial do Pavulagem, Allan diz que Rios do Mundo foi criado com Ronaldo no ano passado, “para pôr em prática as músicas que fazemos – compulsivamente”. Paralelamente a isso, o trabalho do Pavulagem e do Quaderna seguem a todo vapor. Este ano o Arraial lança novo CD e viaja bastante.

O Quaderna também lança outro disco em 2012, sobre os pregões de rua, fruto da pesquisa desenvolvida em 2011 com a bolsa de pesquisa e criação do Instituto de Arte do Pará. “Temos shows do Quaderna na agenda, mesmo com o Cincinato Jr. morando na Bahia, por conta do Doutorado. Na verdade, há vários trabalhos, tanto respaldados por Lei de Incentivo (do Arraial e o do Quaderna), quanto de forma independente e artesanal, como os do selo Rios do Mundo - meu e do Ronaldo”, finaliza Allan. 

Serviço
Rios do Mundo. No s dias 23 e 30 de março, no Sesc Boulevard – Av. Castilhos França, em frente à Estação das Docas, Belém do Pará - sempre às 19h. Mais informações: (91) 8120-6634 ou (91) 9607-9057.

17.3.12

Literatura fantástica reúne fãs na Livraria Saraiva

Com várias vertentes fica difícil dizer o que é a literatura fantástica, mas sem dúvida dá pra afirmar que se trata de um fenômeno da contemporaneidade. O estilo vem contagiando um público cada vez maior, desde as últimas décadas do século XX, inspirado em E. T. A. Hoffmann, Laura Esquível e Gabriel García Márquez, por exemplo. Em Belém há fãs e autores também. Neste sábado, 17, as paraenses Roberta Spindler e Oriana Comesanha lançam o livro Contos de Meigan (Editora Dracaena), na Livraria Saraiva do shopping Boulevard, às 16h. 

A história do livro nos leva a um mundo diferente, com seres especiais e poderosos que possuem uma relação especial com a natureza. Eles se chamam magis e habitam Meigan. Na aparência são seres como nós, mas que podem moldar os elementos naturais, os mantares, apoderando-se de seus poderes ligados não só ao fogo, terra, ar e água, mas também às sombras, o tempo e até mesmo o controle sobre o próprio corpo. Com a capacidade de decifrar, entender e interagir com a natureza estes seres buscam a evolução.

Na trama, uma magis tenta voltar para a terra. Maya Muskaf percebe que está perdendo a capacidade de se apoderar dos manters e liga isso a sua relação materna mal resolvida. Mas no caminho de volta pra casa, ela encontra um outro ser que integra o grupo de Cártagos, antigos magis que traíram seu povo e por isso foram banidos para uma dimensão paralela. A partir daí inicia-se a aventura fantástica criada pelas autoras, que são apaixonadas por literatura fantástica desde muito jovens. 

As duas se conheceram nos tempos de colégio quando costumavam escrever fanfictions de seriados famosos, como Arquivo X. Oriana Comesanha, 25, é de Belém, formada em psicologia pela Universidade Federal do Pará e trabalha na área de psicologia jurídica. Além do livro que será lançado hoje, ela tem alguns contos ainda não publicados, além de publicações em sua área de interesse profissional.

Já Roberta Spindler, 27, que também nasceu na capital, é graduada em publicidade, trabalha como editora de vídeos e já publicou nas antologias Psyvamp e Deuses, da Editora Infinitum, e Tratado Secreto de Magia – Vol. II, da Editora Andross. Ela escreve e desenha desde criança e sua escolha profissional não a deixa mentir.

“Cursei publicidade na Unama e antes de me formar já comecei a trabalhar como editora de vídeos. Minha paixão por cinema contribuiu bastante nesta escolha”, diz. Trabalhando na área publicitária há 8 anos, ela teve o primeiro contato com o gênero fantástico ao ler “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien, até hoje é um dos seus livros favoritos.

“A obra de Tolkien me fascinou e percebi naquele momento que os livros podiam ser mágicos. Tenho grande admiração também por J. R. R. Tolkien, G. R. R. Martin, Philip Pullman e Gillian Rubinstein. São autores fantásticos que me inspiram a escrever cada vez mais”, confessa a autora, que foi entrevistada pelo blog.

Holofote Virtual: O que é, pra você, afinal literatura fantástica? 

Roberta Spindler: É difícil encontrar uma única definição para Literatura Fantástica. Para mim, todo o gênero que aborda o fantástico, ou seja, aquilo que não encontramos no mundo real, pode ser considerado como LitFan. 


Holofote Virtual: Onde está o fator fantástico de tuas histórias?

Roberta Spindler: Todos os meus textos têm algum elemento fantástico. Novos mundos, superpoderes, o sobrenatural, adoro extrapolar a imaginação com estes temas. 

Holofote Virtual: Vai rolar um encontro com fãs no lançamento deste livro, que você me disse, faz parte de uma trilogia. Fala um pouco sobre o “Contos de Meigan”. 

Roberta Spindler: Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos é o primeiro livro de uma trilogia. É uma fantasia medieval que se passa no mundo Meigan, um local diferente da Terra, morada de seres especiais chamados magis. O livro conta a história de Maya Muskaf, uma magi que tem seu destino mudado pelo caos da guerra. 

Holofote Virtual: E vocês já possuem até um fã clube. Como é este contato com os leitores e qual a faixa de idade mais constante?

Roberta Spindler: Sim, um leitor criou o primeiro fã clube. Foi algo inesperado, mas que nos deixou muito felizes. O livro tem recebido ótimas críticas e os leitores vêm falar conosco para elogiar nosso trabalho, é algo bastante satisfatório e que estimula a me empenhar mais no segundo volume da trilogia. Acredito que a leitura de Contos de Meigan agradará a jovens e adultos. 

Holofote Virtual: Como editora de audiovisual, você montou a minissérie Miguel Miguel (dir. Roger Elarrat), que não deixa de ser um tipo de realismo fantástico. Achastes afinidades? Já conhecias Haroldo Maranhão? 

Roberta Spindler: Eu não conhecia Haroldo Maranhão antes do projeto. Li Miguel Miguel quando iniciávamos a minissérie e adorei. O final principalmente, que deixa o leitor se perguntando se tudo aquilo era verdade ou apenas uma alucinação do Varão.

Holofote Virtual: Montar um filme, um documentário, uma minissérie. Quem trabalha na área sabe o quanto a montagem é a alma do negócio. O russo Serguei Eisenstein, um dos caras fundamentais para a evolução da linguagem cinematográfica, dizia que cinema é montagem. Você concorda? 

Roberta Spindler: Concordo. Um projeto audiovisual toma forma na edição. É claro que é importante que todas as etapas funcionem corretamente para termos um resultado satisfatório, mas é na montagem que a personalidade do filme ou documentário começa a aparecer. 

Holofote Virtual: Já publicastes nas antologias Psyvamp e Deuses, da Editora Infinitum, e Tratado Secreto de Magia – Vol. II, da Editora Andross. O que vem por aí pela frente e como tu encontras tempo pra trabalhar numa produtora e ainda escrever tanto?

Roberta Spindler: Além da continuação de Contos de Meigan, prossigo escrevendo para antologias literárias. Esse será o meu foco durante este ano de 2012. Também tenho um projeto na área dos quadrinhos e penso em escrever um romance pós-apocalíptico. A questão do tempo é sempre complicada. Escrevo mais durante a noite, mas não tanto quanto gostaria eheh.

16.3.12

Red Bag está de volta para deleite do público

Jeferson Cecim (foto: Luciana Medeiros)
Depois de sua estreia, há um ano, em Belém, e de ser apresentado em São Paulo, também em 2011, a cena abusada de Red Bag, espetáculo performance de Jeferson Cecim, está de volta, em cartaz no estúdio Reator, onde permanece até o final do mês de março, sempre às sextas-feiras, às 21h – Trav. 14 de abril, 1053, entre Magalhães Barata e Gov. José Malcher, com ingresso a R$ 20,00. 

Construído a partir de cenas independentes, o espetáculo não pretende contar uma história linear, mas sim causar visualmente sensações, despertando a imaginação dos espectadores. É mais uma produção do Reator, que dialoga direto com todos os aspectos do teatro pós-dramático que vem sendo investigado na contemporaneidade.

“Exemplo marcante dessa ideia aparece logo no segundo quadro, quando a fusão proposital entre o corpo do manipulador e do boneco (pernas e braços que se misturam) criam uma bela metáfora da condição do próprio ator contemporâneo, que vive intensamente o paradoxo entre ser ele mesmo e ser personagem ficcional, leitura que pode ser ampliada para as dicotomias real/artificial, vivo/inanimado, homem/objeto”, disse o ator, diretor e professor Alberto Silva Neto, em uma crítica escrita para o Holofote Virtual no ano passado. 

Criado por Jeferson Cecim com a colaboração de Nando Lima, Leo Bitar, e Patrícia Gondim, a montagem se mostra híbrida, utilizando o teatro de formas animadas, que se mescla ao bom humor e à sagacidade de temas como a sexualidade humana, com uma perspectiva que soma linhas expressionistas, tendências pop, e recursos low-tech. Jeferson contracena com objetos, bonecos, além dos recursos de som, luz e imagens que se interpenetram e criam imagens cruas e sensoriais. Vale conferir. 

Nando Lima (foto: Alexandre Sequeira)
Incidental – Também segue em cartaz o espetáculo Incidental de Nando Lima, não perca. A performance estreou em grande estilo no final de semana passado e permanecerá em cartaz até o final deste mês, sempre aos sábados, 21h. Para saber mais, clique aqui.

Serviço
Sempre às 21h, sextas e sábados. ingresso R$ 20,00. Mais informações: 91 8112.8497.

15.3.12

Grito Rock com música negra, paraense e universal

Na Black Soul Samba, a abertura do evento, considerado um dos maiores festivais de música independente do país, será nesta sexta, 16, com a banda paraense Félix y Los Carozos, que incendeiam qualquer pista onde aportem, seja em Recife, São Paulo, Salvador, e claro, Belém. 

A banda Félix y Los Carozos, reúne antigos integrantes da famigerada, e hoje extinta, La Pupuña. São eles quem abrem a edição de Belém do Grito Rock 2012, numa apologia clara a diversidade, unindo a música negra e suas vertentes numa noite de celebração à musicalidade universal, bem além do rock and roll. Sob comando de Félix Robatto, os “Carozos” foram mais longe na experimentação iniciada com a La Pupuña e misturaram à guitarrada novas influências como a surf music e a chicha (cumbia peruana), combinação que Félix batizou de “guitarrada progressiva”. 

O nome da banda é uma brincadeira: os caroços (Félix, Adriano Sousa e Diego Pires) foram o que sobrou da pupunha. A eles, juntaram-se o percussionista Benny Jhonny e o tecladista SM Negrão. No repertório, além de composições próprias como “Amazônia Big Rave” e “Ilha do Marajá”, é possível encontrar versões nada convencionais como “Ghost riders in the sky”, consagrada por Johnny Cash, e “Another brick in the wall - part II”, do Pink Floyd, em ritmo de cumbia.

A adaptação de músicas da banda inglesa não é novidade para Robatto. Em 2007, o guiatrrista realizou o projeto “The Charque Side of the Moon”, releitura do clássico “The Dark Side of the Moon” em ritmos amazônicos. Também é dele a produção do primeiro CD da cantora de tecnobrega Gaby Amarantos e é a Félix y Los Carozos a banda base que acompanha Gaby em seus shows.

Para somar nesse trabalho de valorização da música feita no Pará, o grupo está trabalhando na pré-produção do primeiro CD. O Grito Idealizado em 2002, em Cuiabá, o Grito Rock vem se firmando como uma plataforma independente de circulação das bandas. Nesses 10 anos o projeto já alcançou todo o país e também 14 cidades estrangeiras, como Cidade do México, Los Angeles e Braga (Portugal). 

No Pará, além de Belém o Grito chegou ainda nas cidades de Marabá, Parauapebas, Tucuruí e Santarém. Na edição local, o Grito está sendo realizada com a parceria dos coletivos Croatã Ghostwriting, Casarão Cultural Floresta Sonora, Música Paraense.Ong, Xaninhos Discos Falidos, Se Rasgum e a Black Soul Samba. Na Black deste Grito, Félix y Los Carozos devem mostrar os pontos altos de seu trabalho, incluindo clássicas versões já citadas. 

Somando à banda, os DJs Uirá Seidl, Homero da Cuíca, Fernando Wanzeller, Kauê Almeida e Eddie Perereira também prometem sets altamente dançantes, repleto de canções garimpadas no tesouro da black music. Como se vê, a abertura do Grito Rock 2012 será muito mais do que a junção das melhores bandas independentes, mas correrá principalmente pelo viés do respeito a cultura musical brasileira e fortalecimento da musicalidade em cada região.

Serviço 
Black Soul Samba na abertura do Grito Rock 2012 – Belém. No Bar Palafita – Rua Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas, na Cidade Velha, a partir das 22h - R$10,00. 

(Texto enviado por Dani Franco, da assessoria da BSS)