27.2.10

Entrevista: Marton Maués fala de sua trajetória no teatro e da linguagem do clown

Após colocarem o pé na avenida e arrebatarem o povo, no desfile campeão da Escola de Samba Bole-Bole, os Palhaços Trovadores aprontam mais uma. E das boas!

A estréia de “Mão de Vaca”, novo espetáculo do grupo “Os Palhaços Trovadores”, na última quinta-feira, 25, levou grande público para o Anfiteatro da Praça da República.

A adaptação do grupo para o texto “O Avarento”, arrancou muitas risadas e ganhou a platéia, em delírio.

É a prova de que Molière continua atual. Mas a história do homem avarento ganhou outras dimensões ao ser apimentada pela performance dos clowns Trovadores.

Vá conferir de perto. O espetáculo ficou em cartaz neste final de semana, até o sábado, 27, mas volta de 04 a 06 de março, no mesmo local, sempre a parti das 20h.

Para 2010, o grupo ainda tem muitos outros planos. Como: o espetáculo que vão montar, experimentando o boneco, num trabalho junto ao grupo In Bust Teatro com Bonecos, e a Casa do Palhaço, sede que o grupo acaba de ocupar e que precisa de apoio e incentivo para colocá-la em funcionamento.

O fundador e diretor do grupo, Marton Maués diz que a vitória da Bole-Bole foi mérito da própria escola, graças à competência da carnavalesca Claudia Palheta. Uma grande homenagem ao grupo. Avisa que “Mão de Vaca” está bem montado e revela que antes de querer ser ator, pensou em se tornar diretor de cinema.

Antes da estréia da peça, logo depois da experiência carnavalesca, Marton Maués respondeu a uma entrevista do Holofote Virtual. Generosamente, conseguiu, à pedido do blog, fotos para ilustrar nosso bate papo. As fotos do “Mão de Vaca”, no anfiteatro da República, são recentíssima. Fiz na última quinta-feira.

O resultado está logo abaixo. Uma deliciosa conversa em que viajamos até os anos 80, quando ele iniciava sua jornada no teatro e falamos do trabalho desenvolvido há 11 anos com os Trovadores.

Ele relembra momentos ao lado de “monstros sagrados”, como Cláudio Barradas, Luiz Otávio Barata, Zélia Amador, Henrique da Paz e Walter Bandeira, além da escola de teatro e sobre a experiência de ter desfilado na avenida do samba.

Como professor, que também é, nos dá uma verdadeira aula de clown. Com vocês, respeitoso público, Marton Maués.

Holofote Virtual: Lá se vão 11 anos e vários espetáculos. Entre eles “O Hipocondríaco”, baseado na obra “O Doente Imaginário”, do francês Molière, que parece te apaixonar. É também a partir de outro texto dele, “O Avarento”, que surge o espetáculo “Mão de Vaca”, cuja estréia aconteceu neste final de semana. Alguma afinidade maior com o autor?

Marton Maués: Sim, o Molière é maravilhoso, genial, e como nós (guardadas as devidas proporções), também alimentava seu trabalho com elementos da cultura popular de sua época. Depois de O Hipocondríaco fiquei alimentando a idéia de um segundo Molière. Há tempos, assisti uma montagem de O Avarento, no Rio de Janeiro, com o Rubens Corrêa.

Teve também a montagem recente do Paulo Autran, seu canto do cisne. Li algumas traduções do texto e fui me apaixonando cada vez mais. Fiz projetos, casei a idéia com meu doutorado que começava e estamos agora em cartaz.

Holofote Virtual: Como ficou a montagem?

Marton Maués:
Acho que o espetáculo está muito bom, bem desenhadinho, com uma boa adaptação, sobretudo com elementos próprios da nossa linguagem, da poética dos Palhaços Trovadores.

Holofote Virtual: O espetáculo é resultado de tua pesquisa de doutorado. Quanto tempo vocês levaram neste processo?

Marton Maués: Dia 05 de março comemoraremos um ano de trabalho. Realizamos leituras, treinamentos de improvisação e muitos ensaios abertos ao público. A resposta foi maravilhosa. Muitas cenas, detalhes de cenas, são sugestões dadas pelo público. Agora com as chuvas e a necessidade de intensificar os ensaios, voltamos à sala. De brincadeira, digo aos Trovadores que vamos usar as roupas luxuosas do carnaval para montar mais um Molière: O Burguês Fidalgo.

Holofote Virtual: Os Palhaços Trovadores foi o primeiro grupo em Belém a trabalhar a linguagem do clown. Colocando o pé na avenida, de prima, arrebatou o também primeiro título de Campeã do Carnaval Paraense da Escola de Samba Bole Bole. Como foi viver esta experiência, já deu pra cair a ficha?

Marton Maué: A “ficha” caiu logo no dia seguinte ao resultado. Somos um grupo que trabalha muito, organiza sua rotina, pesquisa, ensaia, se apresenta em diversos lugares, mas temos claramente a dimensão do que somos (pelo menos eu tenho). Somos um pequeno grupo de teatro da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará. Como o cantor Belchior, sem dinheiro no bolso (ou no banco) e sem parentes importantes.

Nosso trabalho tem um alcance bem limitado ainda, restrito a um centro. Quem ganhou o carnaval foi a Bole-bole, graças a um trabalho competente da carnavalesca Claudia Palheta e sua equipe, que souberam interpretar muito bem para a avenida nossa modesta história.

O carnaval é uma arte mais popular que o teatro. O Guamá é um bairro de tradições populares ricas e merecia comemorar esse título, até porque a escola já vem realizando um trabalho longo com a comunidade.

Nós, dos Palhaços, nada fizemos, além de ser e estar de corpo e alma na avenida. O samba do Vetinho é muito bonito, muito bom, e foi cantado com garra e alegria na avenida e, acredito eu, isso deu o título à escola. Carnaval tem todo ano, este foi da Bole-bole e nós curtimos com eles essa vitória.

Holofote Virtual: Sempre foste do samba e do carnaval?

Marton Maués: Essa é boa. Sempre brinquei carnaval sim, desde os bailes infantis, em Macapá, vestido de índio de sarrapilheira. Não diria que sou do samba, não. Adoro samba, principalmente os mais tradicionais (não digo de raiz porque pra mim raiz é macaxeira).

Acho o Cartola um gênio e sou apaixonado pela Mangueira. Acho que a Mangueira não deveria mais concorrer, só se apresentar como atração (hahahaha). Choro ao vê-la pela televisão e prometi a mim mesmo que ano que vem estarei no sambódromo só para ver a Mangueira.
Mas não curto carnaval assim com entusiasmo faz tempo. O grupo, desde sua fundação, vem sendo convidado a sair nas escolas, e nós vamos, com nossas roupas de palhaços mesmo.

Holofote Virtual: Então já tinham saído em uma escola antes ...

Marton Maués: Já saímos no Quenzão (ganhou), no Rancho (ganhou), na Grande Família (ganhou) e este ano também saímos no carro abre-alas da Xodó da Nega e quase ganhamos. Veja só, me disseram que além de pés grandes somos pés quentes. Agora confesso, da avenida mesmo, gosto de sair em carro alegórico, é maravilhoso, eu me sinto. (hahahaha).

Holofote Virtual: Como aconteceu o convite da Bole-Bole?

Marton Maués: Sou amigo da Cláudia Palheta há muito tempo. Não conhecia o lado carnavalesco dela, só ouvia falar muito. Mas quando ela veio a minha casa para falar do enredo para o grupo e consolidar o convite, todos nós nos emocionamos.

Estava lindo e ela sabia tudo de nós, leu tudo, conhecia minha dissertação de mestrado, que conta a história do grupo, de cor e salteado (hahahaha). Nós nos entregamos a ela e ao Eduardo, que dividiu o trabalho com a Cláudia.

Para nos aproximarmos da comunidade, que com certeza não sabia quem éramos, realizamos um espetáculo na quadra da escola, num domingo de “arrastão”. Foi nosso espetáculo de carnaval, “Ó, abre alas!” e, de início frio, o público depois brincou a valer conosco e saímos à rua com eles, cantando e dançando. Foi emocionante.

Fomos outras vezes, mas não acompanhamos tudo porque estávamos também ensaiando e nos apresentando. Mas no dia do desfile foi pura emoção, vestimos a camisa da escola. Eu chorei varais vezes durante o desfile. Foi lindo!

Holofote Virtual: Vocês participaram de alguma forma nas decisões coreográficas, por exemplo?

Marton Maués: Ali, na comissão de frente, o mérito todo é do coreógrafo, Beto Benone, que foi um dos fundadores dos Palhaços Trovadores, e dos integrantes da comissão, com a carnavalesca, claro.

O que me emocionou, quando assisti um ensaio deles, é que ali estão presentes alunos e ex-alunos e também ex-trovadores, como a atriz Suely Brito, da Cia dos Notáveis Clowns. Essas pessoas, com uma formação acadêmica, dada pela escola de Teatro da UFPA é que fizeram o diferencial.

Eu, como professor da escola, artista de teatro, e amigo deles, fiquei muito feliz e orgulhoso. Só contribuí na escolha dos palhaços ali representados, que são grandes nomes da arte da palhaçaria, como Carequinha, Arrelia, Piolim, Alecrim, Nequinho, Tortel Poltrono, Benjamim de Oliveira, Grock, Annie Fratellini e outros.

A ideia também é poética, o garoto que sonha em ser palhaço e é visitado por estes anjos do picadeiro. Estava realmente tudo muito bonito. Um luxo de criatividade.

Holofote Virtual: Vamos sair da avenida e voltar ao picadeiro. De onde tirastes o Tilinho, teu clown?

Marton Maués: Todo Palhaço é, ou deve ser, uma extensão de seu próprio ridículo. O Tilinho sou eu meio infantil, debilóide, parlapatão e brincalhão. É meu lado maluco, cara de pau. Sou muito tímido (acreditem!), mas o Tilinho me joga pra frente, me lança na fogueira. Embora meu barato mesmo seja dirigir espetáculos, dirigir palhaços. O Tilinho fica um pouco contido pelo diretor. O dia em que ele se soltar eu serei um sucesso nacional (hahahahaha)

Holofote Virtual: Como essa linguagem surge na tua vida?

Marton Maués: Vejo circo desde pequeno. A primeira peça de teatro que vi foi em um circo, A Escrava Isaura. Era horrível, e maravilhoso aos meus olhos de menino. Eu cresci em Macapá querendo ser diretor de cinema (já era maluco).

Em Belém conheci a fundo o teatro e me apaixonei. Trabalhei com “monstros sagrados” como Cláudio Barradas, Luiz Otávio Barata, Zélia Amador e Henrique da Paz. Foram meus mestres, minhas escolas. Virei diretor e professor e, apaixonado por folguedos populares e teatro de rua, acabei me deparando com a linguagem do palhaço.

Fiz um curso, estudei muito sozinho, pesquisei, juntei o que aprendi sobre palhaço com o que já sabia de teatro, fiz um caldinho e comecei a espalhar esta idéia boa na cidade. Deu no que deu. Está dando.

Holofote Virtual: Não começastes com o Clown. Desde a década de 80 trabalhas com teatro e já atuaste e dirigiste espetáculos com grandes nomes da nossa cena. Como foram estes anos e o que ficou dessas experiências para o palhaço que hoje te guia?

Marton Maués: Ficou tudo. Uma linda história, um grande aprendizado. Devo tudo a eles, principalmente Claudio Barradas e Henrique da Paz. Claudio foi meu primeiro grande mestre, com ele me apaixonei definitivamente pelo teatro, contraí o vírus sem cura. Muita coisa interessante, de contestação e de olhar para o teatro de um modo mais contemporâneo, aprendi com o Luiz Otávio, um visionário.

Agora, o Henrique da Paz foi o grande parceiro com quem exercitei todas as dores e delícias da profissão, o prazer da criação, as minúcias, filigranas. Ainda hoje o considero um grande companheiro de batalha. Ele é um grande ator, um criador teatral.

Holofote Virtual: Como foi a lida direta com o Barradas, no início da tua carreira, na montagem de “O Carro dos Milagres” (conto de Benedicto Monteiro)?.

Marton Maués: Não foi fácil, tudo era novo para mim. Mergulhei fundo naquilo tudo, ensaiávamos de segunda a domingo, horas a fio. Eu só queria saber de teatro. A montagem levou mais de um ano, exercícios minuciosos, o Claudio espremia todo mundo, tirava o que podia de cada um.

Foi um grande aprendizado, sobretudo com relação ao texto, à expressão verbal. Exercitávamos, sem muita experiência, claro, cada detalhe das palavras, suas forças, nuances, entonações, pausas. Era um verdadeiro aprendizado e utilizo muito do que aprendi com ele ainda hoje com meus alunos. Apaixonei-me pelo teatro e por ele.

Holofote Virtual: O que tu destacarias na história do teatro paraense destas ultimas décadas?

Marton Maués: Acho que principalmente a pesquisa acadêmica e o ensino estão dando um salto e impulsionando os criadores e futuros criadores. Alguns grupos estão mais parados, mas em função da academia, a arte do teatro e da dança, tendem a crescer. Estão crescendo.

Holofote Virtual: O que significa a Escola de Teatro e Dança da UFPA para o teatro em nossa região?

Marton Maués: A escola de teatro está dando um salto para o futuro, construindo uma nova história dentro da universidade e dentro da cidade. E isso já faz um tempo. A capacitação dos professores, com mestrado e doutorado, o ingresso de novos professores ligados diretamente à categoria e a criação de novos cursos é parte desse impulso, desse salto, digamos.

A aproximação da academia com os produtores, os fazedores de teatro da cidade foi muito boa, gerou uma série de linhas de pensamento e pesquisas. Novas frentes estão sendo abertas: o teatro físico, antropológico, os clowns, os folguedos. Isso tudo gera mais e mais pensamento, mais questões, idéias e pesquisas.

Muita coisa nova vai aparecer. Temos na escola os cursos técnicos de teatro e dança, cenografia, figurino, as licenciaturas em teatro e dança, a especialização em estudos contemporâneos do corpo e mais o mestrado em artes do Ica. É uma ebulição, uma efervescência que vai gerar muita conseqüência ainda. Quem viver, verá.

Holofote Virtual: Quais as tuas disciplinas no curso?

Marton Maués: Eu dou aulas de clown, corpo e máscara, expressão vocal e também trabalho com teatro infantil, mas no momento estou licenciado para o doutorado.

Holofote Virtual: O Walter Bandeira também era professor da escola. Há um ano, ele se foi. Tinhas uma grande amizade por ele, que também era professor de expressão vocal. Quais as melhores lembranças?

Marton Maués: Eu e o Walter éramos os professores de voz e dicção, que chamamos agora de expressão vocal. Fizemos concurso juntos, ele passou em primeiro lugar – claro – e eu em segundo.

Trabalhamos juntos também em um projeto dele que era O Resgate da Radionovelas, com alunos e ex-alunos. Ele montou um pequeno estúdio. Outros professores estão levando a tarefa em frente.

Conheço o Walter desde o tempo de Cena Aberta. Ele fazia orientação vocal dos atores, estava sempre por lá pelos ensaios. Saíamos do ensaio de quinta-feira e íamos para o Maracaibo ver o Walter cantar. Dedicava sempre músicas “aos meninos do teatro”.

Era uma amigão, maravilhoso, inteligente, alegre, amoroso. Conquistava todo mundo com sua graça, beleza e carinho. E ensinava muito bem, sem sonegar nada. Ríamos muito, falávamos muita besteira, o que faz um bem danado para a vida.

Muita gente acha minha voz muito parecida com a dele. Por causa disso vivo dando susto nas pessoas, alunos e funcionários (hahahaha). Alguns loucos me acham inclusive parecido com ele. Acho que temos sim, coisinhas em comum. Sinto muito a falta dele e lembro somente de bons momentos, muito riso e pouco siso.

Holofote Virtual: Os Trovadores também estão com uma sede. Isso é ótimo, pois se torna um espaço de referência para investigação e criação no clown. Em que pé estão as coisas?

Marton Maués: Estamos batalhando a restauração do nosso espaço, uma casa cedida em sistema de comodato a nós pela Santa Casa de Misericórdia. Vai se chamar Casa dos Palhaços e vai abrigar nossos ensaios, treinamentos, guarda de material, uma lojinha da marca Palhaços Trovadores, uma pequena biblioteca.

Bom, estamos sonhando em realizar muitas coisas lá, tornar aquele um espaço vivo, a trabalhar com crianças e adultos. Vamos precisar de muitos parceiros e já temos alguns. Como disse o Caetano Veloso na canção Merda: “Não existe gente como a gente de teatro”. Não existe mesmo. Mas ainda falta muita coisa para que a Casa dos Palhaços comece a funcionar.

Holofote Virtual: Vocês fazem audições para novos clowns? Há como alguém ingressar no grupo?

Marton Maués: Temos um esquema de estágio, que dura de seis a um ano, para quem tem alguma formação em palhaço. Depois desse período a pessoa pode ingressar ou não no grupo, depende dela e de nós, ou até mesmo ter seu período de estágio renovado.

O estagiário vivencia nosso dia a dia, faz os treinamentos, participa de alguns espetáculos, caso seja necessário, carrega o material do grupo e, quando fazemos alguma apresentação remunerada, recebe 50% do valor do cachê de um integrante.

Nos Palhaços Trovadores tudo o que recebemos é dividido igualitariamente, cabendo sempre 20% do arrecadado à manutenção do grupo. Não existem hierarquias. Eu ganho o mesmo que os atores ganham. Quer dizer: todos ganham pouco, mas todos ganham. Bom, no momento o grupo conta com 14 integrantes e está fechado a novas admissões.

Holofote Virtual: Pode parecer simples, mas para fazer um clown, pelo que se vê no “tablado” dos Trovadores, não basta ser engraçado. Como é que o ator situa-se na linguagem do clown? Não deve ser tão fácil.

Marton Maués: É, realmente não é fácil. Tem procedimentos técnicos que são fundamentais. E é importante saber que ser engraçadinho ou engraçado na vida não é o mesmo que ser engraçado no palco. O palco tem sua realidade, suas regras, é preciso dominá-las.

Palhaço não faz gracinha, faz graça! Ouvi muito isso de minha professora. É ela está certa. A linguagem do palhaço é corporal e ele não é um personagem, ele é a dilatação de nossos ridículos, de muito que está em nós e não queremos mostrar, por medo, trauma ou frustração.

Para ser ator, para ser principalmente palhaço é preciso ter coragem de se desnudar, se mostrar por dentro. O olhar do palhaço tem que ser claro, aberto, verdadeiro. Ele não deve mentir ao público, pois o público tudo vê, principalmente o público infantil.

O palhaço tem necessidade de contato com o outro, com o público, mas deve saber fazer isso com o coração aberto. Isso exige verdade e técnica. A verdade do palco se adquire com técnica. O nariz do palhaço é uma máscara, a menor máscara do mundo, mas que não deve esconder quem ele é.

Agora, penso também que cada um é um, cada pessoa tem seu processo e em meio a isso tudo, a esses procedimentos técnicos todos, exercícios etc, tem muito mistério. Mas a vida é cheia de mistérios, né?

Holofote Virtual: Projetos dos Trovadores para 2010?
Marton Maués: Em termos artísticos temos a estréia de “O Mão de Vaca”, o nosso O Avarento. Também um espetáculo que vai unir duas linguagens: o palhaço e o boneco. Vai ser dirigido pelo Aníbal Pacha, grande parceiro do grupo, e se chamará em princípio “O Menor espetáculo da terra”.

Nasceu de uma vontade nossa de investigar a linguagem da In Bust, depois que algumas pessoas do grupo fizeram um trabalho particular com o Aníbal e voltaram empolgadas.

Dei a idéia e escrevi o projeto que foi contemplado com o edital Cláudio Barradas, da Secult. A In Bust é um grupo muito batalhador, de pesquisa e criação profícua. Assemelha-se, de certo modo, com os Trovadores, tanto que nos confundem sempre e vice-versa. Eles e nós nos divertimos com isso. Agora estaremos juntos.

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