4.2.10

Na resistência Marajoara: Mestre Damasceno ganha prêmio e é tema de documentário

Um dos mestres paraenses vencedor do Prêmio Culturas Populares, numa iniciativa da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural (assunto do post anterior), vem de Salvaterra, no arquipélago do Marajó. A premiação, de R$ 10.000,00, porém, não ficará apenas na comemoração.

Ao receber o prêmio, Mestre Damasceno (na foto de Dario Pedrosa) se compromete em salvaguardar sua memória através de ações culturais na área do teatro, como montador da comédia do boi-bumbá, como contador de estórias e lendas do arquipélago do Marajó.

A iniciativa revitaliza a comédia do boi-bumbá na qual mestre Damasceno é o "Montador", que se manifesta em forma de Búfalo, animal típico da região.

Compositor de mais de cem letras dos gêneros Carimbó, chulas, sambas e outros, com este prêmio Damasceno beneficia toda a comunidade de Salvaterra, onde essas ações culturais irão respaldar a cultura do Estado dando força para o tombamento do carimbó como patrimônio cultural.

Com a verba, mestre Damasceno se estruturará criando um barracão cultural no quintal de sua humilde casa, que recebe hoje estudantes locais que o procuram como fonte de informação sobre o folclore local. Também serão adquiridos equipamentos de captura de áudio e vídeo, para salvaguardar as ações ali desenvolvidas, e instrumentos musicais.

Documentário - Além de todas estas ações, há ainda uma outra. O documentário “Mestre Damasceno - O Resplendor de uma Resistência Marajoara”, que ganha força com a premiação, mas que ainda depende de alguns trâmites legais.

“O projeto foi apresentado a câmara dos vereadores e aprovado, encontra-se agora na mesa do prefeito onde espera por um "autógrafo", para que se possa realizar o Documentário sobre a vida e obra de Mestre Damasceno”, diz o idealizador e diretor do documentário, Guto Nunes da Jambu. Films, responsável pela incrição de Mestre Damasceno no Prêmio Cultura Populares.

A partir do documentário será iniciada uma nova caminhada, via IPHAN, onde Guto pretende conquistar a salvaguarda da memória do mestre como Patrimônio Cultural Imaterial. E também a restauração do antigo anfi-teatro de Salvaterra, o qual pertence a prelazia do município que abraça esta iniciativa.

“Transformaremos o então abandonado anfi-teatro em um grande Centro de Cultura Popular & Cine Club Mestre Damasceno”, informa Guto.

Rápida biografia - Mestre Damasceno Gregório dos Santos nasceu na Vila de Mangueiras, Salvaterra. Ficou cego aos 19 anos, ao levar um choque. Costuma dizer que a boniteza não vem apenas dos olhos. “Vem também do coração e do amor”.

Com mais de meio século de vida é pescador e desenvolve suas atividades normalmente, seja em alto mar ou nos rios onde é conhecido por pescar com as próprias mãos.

É um exímio jogador de dominó (campeão local) e transita pelas ruas da cidade com a mesma tranqüilidade que qualquer outra pessoa, sem o auxílio de instrumentos guias. É pai de nove filhos e destes apenas o mais velho lhe acompanha na atividade de cantar suas composições (que somam mais de 100 - cem) e montar a comédia de boi bumbá apresentada pelas ruas da cidade durante a quadra junina.

“É uma lenda viva do folclore salvaterrense marajoara e, portanto, patrimônio cultural imaterial paraense”, decreta Guto Nunes.

Na internet, é possível assistir uma entrevista com ele, que entra na conversa a partir dos 2'52" do vídeo: acesse aqui para ver.


Fonte: Holofote Virtual com informações da Jambu Filmes

4 comentários:

Paulinha disse...

Parabéns ao Mestre Damasceno! É a cultura marajoara mostrando a sua riqueza e, enfim, sendo valorizada!
Espero que agora o Município de Salvaterra também reconheça a "lenda viva" que possui a um palmo de seu nariz..
Mestre Damasceno é um exemplo, minha gente! Exemplo de luta, perseverança e amor pela cultura local!
Adorei a matéria!

Guto disse...

Ficamos muito gratos por sua dedicação em atribuir o valor significativo que a cultura do nosso Estado merece, em todos os segmentos. Devemos sempre nos orgulhar de fazer parte desse território de vasta riqueza cultural material e imaterial. O Brasil reconheceu o valor deste ser iluminado! Será que a comunidade a qual ele pertence, ou melhor, seus adminstradores, também darão o devido valor? Estamos trabalhando para garantir que pelo menos a identidade cultural não se perca. Precisamos da ajuda de todos e desde já todos estão convocados a participar desta iniciativa.
Att, Guto Nunes - JAMBU FILMES.
Contato: gutunesvideo@yahoo.com.br

Anônimo disse...

A valorização da cultura marajoara foi presenteada com este premio, que outros mestres sejam descobertos e alimentem com sua arte nossas almas, para os apaixonados pelo Marajó(Salvaterra)este foi um premio para todos nós.Parabéns Mestre Damasceno, sua deficiência visual não lhe impediu de mostrar sua arte, e nos serve como exemplo, para que consigamos ultrapassar os obstáculos da vida e alcançarmos nossos objetivos. Ass. XAROTA Jr.

Helena disse...

Parabéns ao Mestre Damasceno, cultura marajoara viva e atuante. Mestre, você nos orgulha! Seu talento e inspiração marajoara, sua raça; a você, nossa admiração, apoio e carinho.
Parabéns, também ao Guto, que acreditou, buscou e nos trouxe esse prêmio cultural; nossa linda e única cultura marajoara reconhecida em nível nacional, na pessoa de nosso querido e talentoso Mestre Damasceno!