31.1.12

ACCPA ganha mais uma semana de exibições

Batata, bem que comentamos aqui. Uma só semana para a mostra da ACCPA, que trouxe cinco dos melhores filmes de 2011, na opinião dos críticos da associação, não foi o suficiente. Outros cinco tinham ficado de fora. Além disso, na semana passada, o público superlotou o Cine Líbero Luxardo nos cinco dias programados inicialmente. Por isso, a mostra está de volta nesta quarta, 01, indo até domingo, 05 de fevereiro, com entrada franca e com sessão extra a cada dia. E tem também homenagem na Sessão Cult do sábado e debate no domingo. Os ingressos podem ser retirados com até uma hora de antecedência, na bilheteria do cinema. 

Foi assim. Muita gente ficou na fila e do lado de fora, na esperança de conseguir ao menos um espaço na escadaria lateral da plateia do Cine Líbero Luxardo, mas foi inútil. O Líbero possui só 86 lugares e o jeito foi voltar pra casa ou inventar um novo programa para não perder a viagem. Pensando nisso, desta vez, cada filme ganhou duas sessões, às 16h e 19h, com exceção do sábado, 04, quando haverá Sessão Cult, no primeiro horário. No domingo, o horário também é diferenciado. 

A Mostra ACCPA - Melhores de 2011 traz agora filmes que tinham ficado de fora na semana passada, com exceção de A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar. A mostra abre com "Cisne Negro", de Darren Aronofsky . Na quinta-feira, 02, tem "Cópia Fiel", de Abbas Kiarostami, na sexta, 03, "A Fita Branca", de Michael Haneke e no sábado, 04, apenas às 19h, tem "Tio Boonmie", de Apichatpong Weerasethakul. A mostra encerra no domingo, com o cotadíssimo a Melhor Filme do Oscar de 2011, "A Árvore da Vida", Terrence Malick, em horários especiais, às 15h30h e 18h30. Entre a primeira e a segunda sessão, neste dia, os críticos associados da ACCPA realizarão um debate sobre os melhores filmes do ano, dando destaque ao longa do dia. 

Homenagem – A ACCPA também está fazendo, esta semana, uma homenagem ao diretor Theo Angelopoulos que faleceu no dia 24/01/12. Exibirá neste sábado, em sua Sessão Cult, às 16h, “Paisagem na Neblina” , vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza e eleito como melhor filme pelo European Film Award, consolidando o estilo humanista e introspectivo de Angelopoulos. 

Exibido no Brasil somente nos anos 90, o filme colaborou para revelar ao público brasileiro o talento e a genialidade de Theo Angelopoulos, que anos depois realizaria “Um Olhar a Cada Dia”, uma das mais belas homenagens ao cinema e “A Eternidade e um Dia”, que venceu a Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cannes. 

Theo conta em “Paisagem na Neblina a história de dois irmãos, que ainda crianças partem da Grécia em um trem para a Alemanha, onde esperam encontrar o pai que nunca conheceram. Com este filme o cineasta conquistou a crítica mundial, que indica este seu trabalho como uma obra-prima do cinema. 

Serviço
Mostra ACCPA - Melhores de 2011. De 01 a 05 de fevereiro (quarta a domingo). No sábado, 04, tem "Paisagem na Neblina", de Theo Angelopoulos (Sessão Cult, 16h). Entrada franca. Cinema Líbero Luxardo - Av. Gentil Bittencourt, 650, Térreo – Fcptn. Espaços especiais para cadeirantes. Mais informações: 91 32024321. Realização: Governo do Pará e Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves + Associação dos Críticos de Cinema do Pará – ACCPA.

Juraci Siqueira lança livro premiado pelo MinC

O mais recente trabalho do poeta volta a mergulhar no universo do cordel, que vem caracterizando a trajetória do artista. O livro “O Chapéu do Boto e O Bicho Folharal” foi contemplado no Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré e está sendo publicado pela editora Paka-Tatu. O lançamento será lançado nesta quarta-feira, 01, no Instituto de Artes do Pará, a partir das 19h.

O cordel é o embrião de toda a trajetória de Antonio Juraci Siqueira na literatura. Foi com a leitura das narrativas impressas nos rústicos folhetos que esse poeta, trovador e cordelista da Amazônia se embrenhou nas entranhas da atividade literária. “Tudo começou, passou e permanecerá atrelado a ele, mesmo quando trabalho outro tipo de composição que, aparentemente, nada tem a ver com esse gênero”, explica. 

Autor de pelo menos 80 títulos individuais publicados entre folhetos de cordel, livros de poesia, contos, crônicas, além de outras vertentes, aos 63 anos, Juraci Siqueira é, acima de tudo, um contador de histórias. Quando garoto, era ele quem lia para os vizinhos e parentes os folhetos de cordel que o padrasto comprava no Ver-o-Peso e levava para a casa da família em Cajary, localidade no município de Afuá, no Marajó. 

“Aprendi a ler e escrever na Escola São José do Cajary, localizada às margens do Cajary, rio paraense que empresta seu nome à localidade. Meu contato com a literatura deu-se, principalmente, através dos folhetos de cordel. O papel mais importante dessa literatura foi sua atuação como mediadora de leitura e oralidade, já que ao ler várias vezes o mesmo folheto para diversas pessoas, acabava por decorá-lo no todo ou em parte. 

Anos depois, como mediadora inconsciente da escrita, pois minha afinidade com a métrica e com a rima veio em decorrência dessas leituras”, avalia. A publicação das histórias de “O Chapéu de Boto” e “O Bicho Folharal” é resultado da aprovação no edital do Ministério da Cultura (MinC) voltado para o segmento cordelista. 

As obras, reunidas agora em livro/folheto e ilustradas por Arerê Marrocos, integram os dez primeiros colocados no edital – ao todo foram 87 classificados. É uma das mais recentes vitórias desse “Filho do Boto” vencedor de outras 200 premiações literárias em âmbito local e nacional. 

Cultura popular brasileira - Em “O Chapéu de Boto”, Juraci resgata nossa mais tradicional lenda da floresta, e dos rios amazônicos, e reveste de rima e aventura. No caso de “O Bicho Folharal”, ele adapta o popular conto brasileiro para o território do cordel e vai além. 

“Procurei evidenciar a nossa fauna levando um grande número de animais para o velório da onça”, destaca. E tudo cercado por um enredo de muita ação, mistério e humor. Ambos retratam com simplicidade e leveza a força o cordel da Amazônia. Mantêm as características do passado, mas não se desconectam das transformações do mundo, entre elas da própria literatura. 

O livro/cordel de Antonio Juraci Siqueira poderia insultar a tradição, ao quebrar a estética dos rústicos folhetos de até bem pouco tempo atrás. Mas a essência – a maneira como a história é contada – permanece fiel aos cordéis de antigamente.

Para Roberto Carvalho de Faro, que assina a apresentação do livro, Juraci une em sua escrita as referências do cordel brasileiro e as particularidades da região onde nasceu. Os dois trabalhos, na opinião dele, representam isso.“Emergem dos nossos rios e das nossas florestas para confirmarem a verve do autor no traquejo desembaraçado da arte da poesia popular”.

Serviço
Lançamento dia 1º de fevereiro, às 19h, no Instituto de Artes do Pará - Praça Justo Chermont, número, ao lado da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Preço do livro no dia do lançamento: R$ 5. (Com informações da Editora Paka-Tatu)

30.1.12

Madame Saatan leva “Peixe Homem” ao Studio SP

Sammliz: "2011 foi um ano e tanto"
Depois de apresentá-lo em Belém e na turnê realizada pelo nordeste em 2011, o show de lançamento do novo álbum da banda chega à capital paulista nesta terça-feira, 31, no Studio SP (R. Augusta, 591), às 21h, com entrada gratuita. Ao que tudo indica, “Peixe Homem” caiu mesmo na rede. Elogiado por jornalistas como Sérgio Martins, da Veja; Marco Bragatto, do site Rock em Geral e Régis Tadeu, colaborador do site Scream & Yell 2.0, o novo disco não só caiu na rede, como também fisgou o anzol do sucesso.

“Peixe Homem” ficou entre os melhores discos nacionais do ano passado na opinião de blogs importantes de música, cultura pop, revistas digitais e sites especializados em rock e metal. A música “Respira”, que ganhou videoclipe gravado no Parque dos Igarapés em Belém, foi colocada também em várias listas como uma das melhores de 2011. 

No programa “Leitura Dinâmica”, da Rede TV, a banda apareceu ao lado do Crioulo e Chico Buarque. Produzido por Paulo Anhaia (Charlie Brown Jr., Velhas Virgens, CPM22) e masterizado por Alan Douches (Aerosmith, Misfits, Mastodon), “Peixe Homem” abre com "Respira", que ganohu videoclipe assinado pela dupla americana P. R. Brown e Jaron Presant (fotografia), responsáveis por trabalhos de bandas como Slipknot, Foo Fighters, Marylin Manson, Alicia Keys, John Mayer, Audioslave, My Chemical Romance, Smashing Pumpkins, Prince e muitos outros. 

No ano passado, a Madame Saatan também participou de programas nacionais de televisão, deu entrevistas em revistas e recebeu críticas positivas na imprensa especializada. Em entrevista ao Holofote Virtual, a vocal Sammliz disse que tudo isso se deve ao trabalho sério e determinado que a banda vem fazendo ao longo de sua trajetória de quase uma década.

Madame Saatan, no CD Peixe Homem
“O ano foi de realizar os projetos que estávamos nos preparando desde nossa chegada em São Paulo. Foi o ano que finalmente gravamos e lançamos o CD, voltamos novamente à ativa e com isso vieram os shows, a tour pelo Norte/Nordeste e esperamos que seja apenas o começo. Há bastante estrada pela frente para divulgar o novo trabalho”, diz Sammliz

E se depender da banda, que investe sério nas redes sociais, tem discos à venda nos sites da Fnac e Livraria Cultura e possui twitter @MadameSaatan e o próprio site, espaço não vai faltar. Tão intensa no palco, quanto virtualmente Sammliz diz que as redes sociais e os espaços na internet tem sido grandes aliados de artistas e bandas independentes.

Muito do que acontece com a banda pode ser acompanhado pelo Facebbok, rede social preferida da vocalista. A banda bem que tem Fã Page, mas nada se compara à página dela, com quase cinco mil seguidores e repleta de vídeos, fotos e comentários da própria, sempre repercutidos pela legião de amigos conquistados. 

Formada também por Ed Guerreiro (guitarra), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria), a banda já lançou dois discos, gravou três clipes e vem realizando shows por todo o país. Um deles foi em Belém,de pré-lançamento de "Peixe Homem". Mais de cinco mil pessoas lotaram, em setembro, o Trapiche da Casa das Onze Janelas, onde do palco, a catarse do público chegou a ser orquestrada por Sammliz, rendendo diversos vídeos no Youtube

Em 2012, a cantora espera colher frutos de toda esta jornada que, se for reparar, já está começou a acontecer. O ano já começa bem com o show desta terça-feira, 31, onde Madame Saatan será a principal atração do projeto Cedo & Sentado, que traz ainda a abertura da banda cearense Full Time Rockers.

Banda fez circulação pelo país
Holofote Virtual: Lançamento de CD, novo vídeo clipe, turnê pelo nordeste, um show arrebatador em Belém. 2011 foi um ano marcante para o Madame Satan? 

Sammliz: Sim. Lançamos o disco em outubro de 2011 e até final do ano circulamos muito.

Fizemos ótimos festivais e fomos a muitas cidades que ainda não havíamos tocado, como o Rio. Gravamos dois clipes em parceria com um dos melhores diretores do mundo (P.R Brown), conseguimos gravar o disco com o melhor produtor que poderíamos desejar (Paulo Anhaia), reforçarmos parcerias, tocamos para quase cinco mil pessoas em nosso show de lançamento em Belém e bem... foi um ano e tanto para nós. O que desejamos para 2012 é colher os frutos de muito trabalho.

Holofote Virtual: Peixe Homem foi eleito um dos melhores CDs de 2011, sem falar das entrevistas e participações em programas de TV. Está havendo um reconhecimento nacional do trabalho de vocês? 

Sammliz:  Ficamos muito felizes com nosso nome saindo em diversas listas entre os melhores lançamentos nacionais de 2011. Quase quatro anos foi o tempo que levamos para conseguir gravar e lançar o disco e não foram poucos que acharam que a banda tinha chegado ao fim. A sensação de surpreender é boa, mas melhor ainda é a sensação de missão cumprida, de ter gravado no momento certo e estamos muito satisfeitos com nosso disco.

É gostoso receber excelentes críticas e com certeza elas agregam respeito, reconhecimento e levam nosso nome a um público maior e que muitas vezes nem chegaria em nós. Conquistamos nosso público circulando pelo Brasil e, com certeza, cada vez que aparecemos em alguma revista, jornal, em um grande veículo como um programa de alcance nacional, é maior a quantidade de pessoas que conhecem e acabam indo atrás do que a banda produz. 

Entrevisa no site Veja.Com
Holofote Virtual: Tua presença no Facebook é constante, o que acaba te aproximando mais dos fãs. A Web tem sido espaço importante para abanda? 

Sammliz: Sempre participei ativamente das redes sociais trocando idéias com amigos, fãs, conhecidos e desconhecidos. Uso bastante o Facebook e Twitter para passar e pegar informações, participar de discussões e fazer divulgação do trabalho da banda, junto ao nosso produtor, e conforme vão surgindo novas redes vamos nos adaptando a elas. 

O Madame Saatan sempre se utilizou fartamente de todas as ferramentas que a Web disponibiliza e ela é uma grande aliada na divulgação e circulação de material de todo e qualquer artista de todo e qualquer tamanho. Dos independentes aos pertencentes ainda ao velho modelo bancado pelas gravadoras. 

Holofote Virtual: Como ouvir ou de adquirir o Cd Peixe Homem? 

Sammliz: Para comprar e (ou) baixar nosso novo disco você entra em nosso site. Na versão em download você pode baixar o disco de graça, em alta qualidade + encarte do CD. Além do disco, temos material como: camisas, canecas, bottons, adesivos, bolsas e posters no site “ABanquinha.com”. 

Energia e vibração no pré-lançamento em Belém (Set. 2011)
Holofote Virtual: Todo este tempo em São Paulo terá dado à banda um sotaque mais paulista? 

Sammliz: Ainda somos fiéis as nossas raízes e também ao que combinamos quando nos reunimos para montar a banda.

Prometemos a nós mesmos que a única coisa que não mudaria é que sempre soaríamos pesados, mas que estávamos livres para agregar outras influências. Naturalmente em oito anos de banda, amadurecemos e mudamos a forma de ver, sentir e compor a nossa própria música e ter mudado de cidade de alguma forma alterou o som, porque simplesmente nos modificou, em algum momento, e de alguma forma, como pessoas. 

Holofote Virtual: O show do Stúdio SP terá a mesma energia do lançamento em Belém? É a primeira vez que o show acontece em São Paulo? 

Sammliz: Sim, é o nosso show de lançamento em São Paulo e o primeiro feito por aqui, desde que a banda lançou o disco em Belém e partiu para a tour Norte/Nordeste. Nossos shows são exatamente iguais em energia em qualquer lugar, qualquer palco e para qualquer público. Essa é a melhor parte do nosso trabalho: tocar e estar em contato com o público.

29.1.12

3º prêmio de fotografia lança o catálogo de 2011

Abertura da exposição, ano passado
O coquetel de lançamento da terceira edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia será nesta quarta-feira, 1º de fevereiro, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. 

Na ocasião, o público conhecerá o catálogo contendo as obras selecionadas no ano passado e também poderá ver as projeções da artista visual Roberta Carvalho, vencedora da segunda edição com a obra Symbiosis. 

O catálogo reúne os trabalhos dos 21 artistas selecionados naquela edição, entre eles os três premiados – Silas de Paula (CE, Prêmio Crônicas Urbanas), Leonardo Sette (PE, Prêmio Diário Contemporâneo) e Roberta Carvalho (PA) – e ainda fotografias da mostra convidada do ano passado, Diários da Cidade, integrada por obras de fotojornalistas do jornal Diário do Pará, e a série Solitude, de Luiz Braga, artista convidado da segunda edição.

A publicação traz textos do curador do Prêmio, Mariano Klautau Filho, do professor de filosofia Ernani Chaves, da curadora e pesquisadora em arte Marisa Mokarzel e a transcrição do encontro do público com o curador e pesquisador Tadeu Chiarelli (SP), que fez parte da comissão julgadora e abriu a programação de palestras de 2011.

A idéia é que o catálogo cumpra o papel não apenas de uma memória do projeto, mas também de fonte de pesquisa sobre a fotografia e a arte contemporânea no Brasil. E com este objetivo a publicação será distribuída a instituições da área, cursos de graduação e pós-graduação em Artes e bibliotecas de todas as regiões do país. 

Symbioses no Combú
Symbioses – Vencedora da segunda edição do prêmio, com o projeto Symbioses, Roberta Carvalho, artista visual, designer e produtora cultural, além de suas projeções, fará ainda a doação de uma obra ao Museu da Universidade Federal do Pará, iniciativa que concretiza um dos grandes objetivos do Prêmio: a contribuição para a formação de acervos.

Reunindo uma série de ações de projeção digital videográfica ou fotográfica em copas de árvores no espaço público da cidade, misturando a um só tempo intervenção urbana, fotografia, vídeo mappping e instalação, Roberta diz que o projeto tem vários desdobramentos, e algumas novidades pela frente, como exposições em algumas cidades do Brasil e Barcelona. 

“O Symbiosis na verdade é um dos caminhos da minha pesquisa sobre visualidade, arte e tecnologia, que venho há muito buscando, ou como a poética pode emergir de máquinas de produção de sentido, que são as mídias que no caso eu me utilizo (imagem digital, projeção de imagem, mapping...) e como a arte em meios tecnológicos pode e deve se relacionar com a vida, com as pessoas... A projeção além da projeção, a imagem além da imagem... afinal, tem mais artistas projetando sobre árvores”, diz a artista.

Memórias da Imagem – De acordo com Mariano Klautau Filho, os temas do Prêmio são sempre “pensados como questão, proposição para o artista”, “é sempre um modo de tratar a fotografia como um meio e linguagem que atua no campo da arte”.

Neste ano, o tema Memórias da Imagem “é um modo de pensar a fotografia como uma memória que acontece no aqui e agora. E também pensar nas memórias que nós, ao ver ou produzir imagens, atribuímos a elas”. 

O edital de 2012 já está disponível no site www.diariocontemporaneo.com.br e também no escritório do Prêmio (Rua Gaspar Viana, n. 773), no Instituto de Artes do Pará, Casa das Onze Janelas, Associação Fotoativa, Sol Informática e Museu da UFPA. As inscrições podem ser feitas até 18 de fevereiro, gratuitamente.

Serviço
Dia 1° de fevereiro, quarta-feira, às 19h, coquetel de lançamento do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, com o tema “Memórias da Imagem”, e do catálogo da segunda edição, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Na programação, projeção da obra Symbiosis da artista Roberta Carvalho, vencedora do Prêmio Diário do Pará de 2011. Entrada franca. Patrocínio: Vale. Informações: (91) 3184-9327 / (91) 8128-7527

27.1.12

Líbero Luxardo exibe filme de 1958 na Sessão Cult

Único filme dirigido pelo ator Charles Laughton, “O Mensageiro do Diabo” está na sessão Cult deste sábado, 28, a partir das 16h, no Cine Líbero Luxardo do Centur. Após o filme, haverá debate com a Associação de Críticos de Cinema do Pará - ACCPA.

Uma pacata comunidade é abalada pela chegada de um homem cuja ganância acaba corroendo tudo que alcança. 

Essa é a premissa de “O Mensageiro do Diabo”, produção de 1954, dirigida pelo ator Charles Laughton. Ganhador de Oscar, ator shakespeariano e interprete de personagens memoráveis como o “Corcunda de Notre Dame” Quasímodo, Laughton faz neste filme um trabalho de composição e direção de atores, apoiando sua narrativa no desenvolvimento de cada personagem e na forma que os seus atos vai provocar alterações na história. 

Acostumado a fazer papeis desafiadores, como o do psicopata Max Cady em “O Círculo do Medo” - que depois foi refilmado por Scorcese -, Robert Mitchum encarna o reverendo Harry Powell nesta película cheia de qualidades mas que demorou muitos anos para alcançar algum reconhecimento. Harry se veste como um homem religioso, mas age como um louco e traz gravadas nos dedos as letras H –A- -T E (Òdio). 

Harry começa cometendo pequenos delitos, que vão se tornando cada vez maiores, quando vai da prisão até chegar à pequena cidade, onde engana os cristãos com sua austeridade e pose de reverendo. Logo ele desposa uma viúva (Shelley Winters, reprisando o papel da mulher que é usada e depois traída de “Um Lugar ao Sol”) e atormenta seus enteados, que o temem e sabem que na verdade o que ele quer é o dinheiro que o pai deles deixou como herança. 

E esse falso profeta anda pela cidade com a esposa a tiracolo e seu chapéu preto, de abas levemente retorcidas que lhe conferem um aspecto demoníaco. As duas crianças discordam sobre ele: o menino acha que o padrasto é maligno, e a menina quer acreditar que ele é o pai reencarnado. 

Mas eles concordam em fugir com o dinheiro e se esconder de Harry em um pântano. Nessa cena da fuga e em outros momentos marcantes de “Mensageiro do Diabo”, se destaca a destreza de Laughton e de seus colaboradores – que incluem o próprio Mitchum e o assistente de direção Terry Sanders no comando de algumas sequências. 

O diretor de fotografia Stanley Cortez imprime ao filme um clima expressionista, que associado ao trabalho de direção de arte de Hilyard Brown, dão o tom de pesadelo adequado. Talvez por essas características, pela interpretação agressiva e sensacional de Mitchum e pela própria temática da obra, o filme não foi bem recebido nem pelo público muito menos pela crítica. Com o passar do tempo, adquiriu status de Cult, a importância de ser o único trabalho dirigido por Laughton e que tem no elenco a lendária atriz preferida de D.W.Griffith, Lillian Gish, que fez 119 filmes.

Serviço
Sessão Cult apresenta “O Mensageiro do Diabo”, de Charles Laughton. Neste sábado, 28, às 16h, no Cine Líbero Luxardo - Centur (Av. Gentil Bittencourt, 650). Entrada Franca. Inadequado para menores de 12 anos. 

(com informações daAssessoria de Imprensa da ACCPA – Associação de Críticos de Cinema do Pará)

26.1.12

No ar o 1º videoclipe da Picanha de Chernobill

Samir Raoní no videoclipe
A banda gaúcha está lançando, hoje, o videoclipe oficial para a faixa “Velhos Sonhos”, do CD “O Velho e o Bar”, lançado ano passado. O vídeo, que tem participação do artista ativista Samir Raoni, de Belém, entra no ar à meia noite, através do site da banda e seu canal no youtube.

“Rock é o nosso tempo, baby, rock and roll é isso”. A frase de Gilberto Gil que faz parte da letra de “Chuck em Berry Fields Forever”, gravada pelos Doces Bárbaros nos anos 70, um trocadinho bem humorado da composição Strawberry Fields Forever, dos Beatles, ajuda bem a definir a filosofia sonora e a cena independente da banda Picanha de Chernobill, formada por Matheus Mendes (vocal), Chico Rigo (Guitarra Solo), Lucas Bosca (Guitarra Base) Gordo Schmitt – Baixo e Diego "Babaloo" Berquó (Bateria). 

Estrelando na cena do videoclipe, está Samir Raoní, conhecido da cena independente de Belém. Ligado ao coletivo Casarão Floresta Sonora, entre outros ligados a cine-ativismo, memória de Mestres Griôs, Educomunicação e Econômia Solidária, ele encontrou Mateus e Chico em dezembro, quando fazia suas experimentações artísticas no IV Congresso do Circuito Fora do Eixo, realizado em São Paulo, na USP. 

Do encontro deles em Sampa, surgiu logo o convite para participar do videoclipe. Hoje, em Porto Alegre, todos estão em ritmo frenético para logo mais soltar na rede o videoclipe, uma espécie de primeiro filho, criado com todo carinho e sonhos do mundo. 

Da acidez à melancolia, a banda formada em 2007, lançando o segundo CD em 2011, traz como característica uma diversidade a que se permite o rock’n roll.

Acreditando na força da rede virtual, a Picanha de Chernobill (ah, a escolha deste nome tem inúmeras versões) está espalhada em diversos vídeos no youtube, entrevistas em blogs e sites gaúchos, no Face Book, Twitter e onde mais sua imaginação puder te levar, como me diriam Chico Rigo ou Samir Raoní... O CD está disponível no site também, aproveite para ouvir.

Assinado pelo publicitário Mário Pertile, o site do grupo segue o "estilo de renovação e evolução sonora do novo disco, criando um clima oldschool nostálgico gerado pelas fotos de Andy Marshal", da Airon Fidler Films, a mais nova parceria do grupo. 

Mas para falar mais sobre a banda, sobre esta trajetória e o novo trabalho, o Holofote Virtual entrevistou ontem à noite Chico Rigo e Samir Raoní. Vamos ao bate papo.

Holofote Virtual: Chico, tudo bem? Olha deu pra perceber que a banda tem certa filosofia, compartilha e fomenta a cena junto a outras bandas que estão aí, como surge esta veia?

Chico Rigo: Surgiu da percepção de que para um cenário existir ele precisa que as bandas estejam fortalecidas e nós da Picanha de Chernobill temos esse entendimento bem claro. Usamos os espaços de divulgação para dar força a músicos que admiramos na cena independente e, dessa forma, apresentar para o nosso público essas outras bandas. E tem muita gente boa por ai, por que não compartilhar?

A história do rock'n'roll demonstra inúmeros exemplos de bandas que apoiavam-se: do British Rock dos anos 60 às bandas de Seattle do começo dos 90. Esses são exemplos pra ilustrar a importância das parcerias entre os músicos e de como a união leva a um maior fortalecimento da cena local. 

Holofote Virtual: Vocês vieram de São Paulo, onde participaram do IV Congresso do Circuito Fora do Eixo. Neste momento, em Porto Alegre, também devem estar participando do Fórum Social Temático. Qual a opinião de vocês sobre estes movimentos e como é que artistas, bandas e jovens músicos (ou não) estão se apropriando deste território? Quais os desdobramentos possíveis? 

Chico Rigo: O fundamental desses movimentos é tentar tirar as algemas da arte. Não podemos mais ficar a mercê dos interesses financeiros de quem "investe" em cultura no Brasil. A perspectiva é boa e a realidade tende a melhorar. Sempre fui um otimista e acredito que as discussões, tanto no Congresso Fora do Eixo quanto no FST e até as Conexões Globais, primeira reunião do PAN, estão levando ao aprimoramento dessa nova relação dos artistas entre si e de como essa união pode trazer mais investimentos para o meio cultural. 

Tudo isso passa pelo entendimento do artista de que não basta sonhar, deve-se agir. E nada melhor do que estar com quem tem os mesmos sonhos e passa pelas mesmas dificuldades. O Fora do Eixo possibilita essas experiências e fortalece a relação entre artistas de todo o Brasil. Desde ajudas técnicas a respeito de editais até a possibilidade de turnês pelos quatro cantos do país. 

Da mesma forma, nós temos nossa responsabilidade com divulgação, hospedagem, agenciamento de shows, etc. de artistas que venham à cidade. Vamos fazer uma turnê pelo Sudeste e Sul juntamente com os amigos da banda “Os Vespas” e com o Samir Raoni. Essa turnê só foi possível graças a articulação que o Fora do Eixo está nos proporcionando. Outro exemplo é a linda participação do Samir em nosso clipe.

Holofote Virtual: Falando nisso, Samir, como foi este encontro?  

Samir Raoní: Conheci o Chico em Sampa no IV Congresso Fora do Eixo. Ficamos no mesmo quarto, o irradiante quarto 14 no alojamento de educação física da USP, onde boa parte do congresso aconteceu.

Em uma imersão de vivencia que durou uma semana pude conhecer e compartilhar de sonhos e irmandade com os integrantes da banda Chico (guitarrista) e Matheus (Vocalista). No congresso eu, Lucas Gouvêa e Mateus Moura (que conheces bem) fizemos intervenções artísticas nos mais variados espaços do congresso. Eu, performance, e Lucas e Mateus, audiovisual. 

Daí surgiu o convite, tendo em vista que de Sampa, eu ia para Porto Alegre fazer intercâmbio com a Casa Fora do Eixo e tentar dar um pé na Argentina, que fica pertinho. Em Porto Alegre, Chico me convidou para ficar na casa dele, que fica no Bairro do Bom Fim, um saudoso bairro de artistas das mais várias linguagens, além de ser um bairro de estudantes, ficando muito perto dos pólos universitários.

Hospedado no recinto do Chico, conheci o quartinho do rock, ambiente indefinível que tivemos maravilhosas conversas e compartilhamentos que foi aprofundando nossa relação e conectando percepções e sensibilidade sobre essa performance tântrica que pretendia fazer na música. 

Chico me apresentou muitas coisas que me ligaram diretamente ao espírito áurico da banda, e a relação deis de a chegada ate o belo dia que nossos futuros velhos sonhos foram eternizados em uma dimensão que já estava ali, repleta de símbolos, com todos seus timbres, movimentos e trajes que se fizeram vivos em um dia de conexão entre todos os integrantes da banda, que fui conhecendo no decorrer de minha estada em POA, com momentos únicos na casa do Chico. 

Picanha de Chernobill
Holofote Virtual: Como foi esta experiência de fazer o vídeoclipe? 

Samir Raoní: Foram muito profundos os momentos que compartilhamos juntos. Parecia que há anos não nos víamos, o reconhecimento foi imediato.

Tudo isso contribuiu para que eu ficasse totalmente à vontade com eles, e pudesse libertar os movimentos inspirados em uma dança tântrica indiana, que faz referência ao Shiva Nataraji (o deus da dança).

É uma espécie de andança, com o objetivo de elevar a consciência através da dança, onde cada um busca os movimentos dentro de si, até que o dançarino suma e só exista a dança. O processo foi todo intuitivo. Só deu certo porque todos nós estávamos bastante conectados. Não teve roteiro prévio. Fluiu. 

Holofote Virtual: Chico, nesta quinta vocês lançam o videoclip da música "Velhos Sonhos", o oficial do disco "O Velho e o Bar'. Onde vocês gravaram? O disco existe materialmente ou só está na internet ainda? 

Chico Rigo: O lugar que gravamos é o jardim secreto da tua imaginação, onde os sonhos não são sonhos e os cuscos são levianos. Quer ir pra lá? Após ver uma apresentação do Samir em São Paulo eu o convidei para participar de um clipe da banda. Por sorte, ou destino, ele acabou vindo a Porto Alegre nesse ano, a amizade fortaleceu e o clipe saiu naturalmente, como deve ser. 

O CD "O Velho e o Bar" foi lançado em 2011 e é fruto de nossa vitória no concurso "A melhor banda é daqui" da cerveja Polar. O concurso reuniu 179 bandas de todo o Rio Grande do Sul. Com a vitória, ganhamos a gravação de um disco, nosso segundo (O álbum de estréia "Picanha de Chernobill" foi lançado em 2009 e contém a música "Và" regravada por Crystian e Ralf em seu mais recente disco "Para sempre Irmãos"). 

Os dois CDs saíram materialmente e estão disponíveis para download no www.picanhadechernobill.com.br. Picanha de Chernobill é rock'n'roll ou como falaram certa vez: "Do Mantra à Pauleira". O tom do disco é o que nos permite viajar em seu som. Estamos ai, assim como você também pode estar, basta dar play e se deixar fluir. 

Holofote Virtual: É, eu tinha acabado de ver o videoclipe, com exclusividade, aliás, pelo email enviado por vocês, e vi e ouvi algo suave, leve. Depois vi outro vídeo com uma apresentação de vocês num rock’n roll rasgado. Quais influências diretas da banda? Como vocês se definem musicalmente?

Chico Rigo: Rock clássico dos anos 70, como Led, Stones, Sabbath. O folk do Neil Young, assim como o punk do Ramones fazem parte do nosso estilo. O começo dos 90 também é uma grande influência: Alice in Chains, Guns'n'Roses, Black Crowes, Pearl Jam, Soundgarden, etc. 

Do Brasil curtimos muito Mutantes, Casa das Máquinas, Made in Brazil e sons mais recentes como Cachorro Grande. Somos pessoas que sonham juntas, que batalham juntas, que buscam viver da sua arte. Definir musicalmente? Seria bacana se cada um dos leitores ouvisse e absorvesse a sonoridade da Picanha, essa seria uma boa definição.

Holofote Virtual: A internet tem sido o melhor canal para se divulgar novos trabalhos? O que vocês usam na rede?

Chico Rigo: A internet, sem dúvida, é uma das principais formas de divulgação da Picanha. Tentamos usar as ferramentas (facebook, twitter, tnb, youtube, etc) da melhor forma possível. E as pessoas querem estar em contato com o artista, saber do que está por trás das músicas, enfim, conhecer os integrantes e seu dia-a-dia. 

Holofote Virtual: Pretendem circular pelo país, já estão, de certa forma, fazendo isso através destes congressos, encontros? 

Chico Rigo: A Turner com Os Vespas - pelo Fora do Eixo - vai ser uma grande oportunidade para espalharmos a radioatividade por outras localidades do Brasil. Estamos muito ansiosos para conhecer novos lugares e, consequentemente, fazer novas amizades. A Airon Fidler Films proporcionará o registro desses momentos e divulgaremos na internet, fortalecendo assim o nome da Picanha de Chernobill e dos Vespas. 

Mateus, vocal
Holofote Virtual: Um de vocês disse certa vez que fazer rock no país do samba é difícil.. é mesmo?

Chico Rigo:  É difícil, mas não impossível. Temos exemplos de bandas que tocam rock e se sustentam. 

Mas sempre é bom lembrar que o rock no Brasil é um estilo underground. Ou seja, não tem muita veiculação na grande mídia e nas principais gravadoras. O rock sobrevive e sempre sobreviverá. Como disse o ACDC "It's a long way to the top if you wanna Rock'n'roll".  Mas o sonho e a perseverança em nós são maiores que as dificuldades. Por isso seguimos em frente em busca da possibilidade de poder viver daquilo que bate forte em nosso peito. 

Holofote Virtual: Em Porto Alegre, dificuldades nem tanto, suponho... A cena rock daí é bem legal não é? Pelo menos foi que o Otto Guerra nos disse, quando esteve aqui lançando o “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n roll”. Procede?

Chico Rigo: Na verdade poderei responder melhor essa questão quando voltarmos da turnê com Os Vespas por outros estados. Darei um relato de como vejo a cena para as bandas com música autoral aqui de Porto Alegre. A realidade é que existem muitos grupos bons de rock e poucos lugares para tocar. A grande questão é o que pode ser feito para mudar essa perspectiva. Temos o entendimento de que uma maior união entre a cena musical local cria mais espaços para divulgar o rock'n'roll feito aqui. 

Um exemplo disso é o "Rock na Comunidade" que, além de compartilhar o palco com bandas amigas, leva o nosso estilo musical a lugares em que as pessoas não estão acostumadas a ouví-lo. Ou seja, a grande questão é agir e buscar soluções para manter as bandas em atividade. 

Holofote Virtual: Samir, alguma semelhança (ou diferença de) com Belém do Pará? 

Samir Raoní: Tem muitas semelhanças e diferenças. Uma semelhança notável aqui é a cultura de tomar chimarrão que equiparo a cultura de tomarmos açaí. A galera aqui toma mesmo. Se reúne sempre nas praças pra tomar e confabular (conversar). 

Já a diferença é que eles não tomam um chima e dormem, como o açaí somada as redes em Belém hehehe. Mas ainda falando do que acho da cidade em pontos deferentes e parecidos me faz lembrar de uma conversa em que me perguntaram o que eu estava achando da cidade, e se era parecido com Belém.

E eu respondi que para mim as cidades são as pessoas, e eu tive sorte de só conhecer pessoas queridas, através desse contato e das visões das pessoas do lugar acaba nascendo um não-lugar. Uma cidade invisível. Pois não pode ser entendida apenas como patrimônio material.
Na cidade, é fundamentalmente o imaterial, as pessoas e sua relação com estes espaços, suas histórias de vida. O compartilhamento de nossos futuros velhos sonhos. 

Rock na Comunidade
Holofote Virtual: Já convivestes e estás num processo com a Picanha Chernobill. Qual tua opinião sobre o trabalho deste guris?

Samir Raoní: Gosto muito. Principalmente por sentir na música dos Picanhas um som que não cria associação direta a lugar nenhum. Não é um rock n roll que tu ouve e diz essa banda é de tal estado. Ter no trabalho, um selo de universalidade sonora, o que é um ponto muito positivo para a banda conseguir espalhar sua radioatividade pelo Brasil afora. 

Gosto muito da fluidez das músicas no disco “O Velho e o Bar”. Acho a ordem das músicas uma orquestra do silêncio, que gera um transe na ausculta do CD. A conexão das acústicas “Sol do Novo Mundo”, “Ao Vagar”, deixando um momento para a introspecção para “Caminhos”, tendo aberto o disco com “Tiro Certo”, que mostra bem a banda. 

A mensagem que a banda transmite é um emaranhado de sentimentos completamente conectados em sua composição de viola caipira, bandolim, bateria, djembê, chocalho, piano, violão, baixo e guitarra, traduzidas pela emoção profunda da voz conjunta da banda.

Holofote Virtual: Vocês são uma banda e também uma produtora de filmes? Como funciona? Tem dezenas de vídeos ou com a banda ou envolvendo a banda...

Chico Rigo: A Picanha de Chernobill é uma banda heheheh. Airon Fidler Films é a nova parceria entre nosso produtor artístico, Andy Marshall, e a Picanha de Chernobill. O clipe da "Velhos Sonhos" é o primeiro vídeo de uma série que estamos para lançar na divulgação do disco "O Velho e o Bar". 

Na produtora trabalham algumas pessoas que embarcaram nesse sonho. Temos ciência de que uma banda para "dar certo" precisa não só de músicos, mas sim de uma equipe unida e trabalhando por um objetivo comum. Por isso nos sentimos honrados de ter tantas pessoas especiais ao nosso lado. 


Holofote Virtual: Esta parceria começou quando? Como rolam estas gravações. Há sempre uma câmera ligada em todas as ações? Ou tudo é produzido? 

Chico Rigo: A parceria com o Andy Marshall começou em 2011. Ele foi o fotógrafo do segundo disco e tem um projeto social (Instituto Renascente) que ensina a gurizada do morro Santa Teresa a tirar fotos.

Comecei a dar aulas de violão no IR e surgiu uma grande amizade entre nós. Mas a entrada dele para a banda deu-se a partir do momento em que ouviu a música Airon Fidler pela primeira vez. Quem sabe um dia contemos essa história, heheheh... 

Essa amizade entre o Andy e a banda nos deixa a vontade diante da câmera, pois estamos entre amigos. Dessa forma, as coisas acabam acontecendo sem um planejamento prévio e isso gera uma naturalidade nos vídeos: nós somos quem ele registra, sem mais nem menos. 

Holofote Virtual: Quem é Gildo Lemos? (risos) 

Chico Rigo: Hahahahah. Nós tocamos no lançamento do festival Pampa Stock aqui em Poa. Na platéia estava o Gildo Lemos que curtiu a banda e fez uma entrevista conosco. Na real o Gildo Lemos é um multi artista. Canta, faz música, entrevista, de tudo um pouco hehehe Grande sujeito. 

Holofote Virtual: O site de vocês é bem legal... Tá tudo lá? 

Chico Rigo: O Site é um grande trabalho do nosso amigo Mário Pertile e da Viviane Becker. Eles tinham uma web rádio chamada EBTK (estúdio buteko) e foi o primeiro meio de comunicação que rolou Picanha de Chernobill. Desse contato surgiu uma grande amizade ao ponto deles fazerem nosso site de forma brilhante. Estamos muito satisfeitos com o resultado e a resposta do público é sempre muito positiva. O bacana é que além de ter o cd para vender pelo site, disponibilizamos para ouvir e baixar as músicas gratuitamente.

Chico Rigo
Holofote Virtual: E sobre shows, projetos. Quais os planos? A Picanha de Chernobill virá a Belém? 

Chico Rigo: Sobre os projetos, tenho alguns. Entre eles fazer muitos shows (incluindo ai a turnê pelo Sudeste e Sul do país); ir para o Pará e conhecer a terra da revolta da Cabanagem, um marco na história brasileira; te conhecer, Luciana, e agradecer pessoalmente pelo espaço que está nos proporcionando; assistir a um Remo X Paysandu; ir a Belém e conhecer os amigos e a terra do Samir, uma grande pessoa que está fazendo parte de nossa vida. "O sentido da viagem que estrada alguma tem".

Mostra reúne cinco dos melhores filmes de 2011

Eles foram os eleitos na opinião da Associação de Críticos de Cinema do Pará. Escolha difícil que deixou de fora "A Fita Branca", de Michael Haneke,  "Cópia Fiel", Abbas Kiarostami e "A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar. A eleição realizada há 49 anos pela ACCPA precisou crivar muito para que a mostra coubesse numa semana de exibição.  Dois dos filmes escolhidos, estão indicados ao Oscar de Melhor Filme. Programação até domingo, 19h, com entrada franca, no Cine Líbero Luxardo.

“Árvore da Vida”, indicado ao Oscar de Melhor Filme e também a Melhor Fotografia e Melhor Direção, já foi exibido na quarta-feira, 26, abrindo a mostra. “Meia Noite em Paris”, de Woody Allen, indicado ao Oscar de Melhor Filme, e que também está concorrendo a Melhor Direção, Roteiro Original e Direção de Arte, será exibido na sexta-feira, 27. 

Além deles, estão no programa “Cinema Socialismo”, de Jean Luc Godard, Melancholia, de Lars Von Trier e “Em Um Mundo Melhor”, de Suzanne Bier. É claro que haveria mais filmes a serem programados, como os que ficaram, mas a ACCPA teve apenas uma semana para a mostra no cine Líbero Luxardo, uma pena. É sempre bacana ter a oportunidade de rever os bons filmes do ano anterior, no telão novamente. Os críticos então fizeram uma lista com os que foram exibidos mais recentemente em Belém, ficando em curtíssimas temporada, não só no circuito comercial, como nas salas mais alternativas da cidade. 

Woody Allen, no set de Meia Noite em Paris
"Filme Socialismo", que será exibido nesta quinta-feira, 26, é o mais novo trabalho de Jean-Luc Godard. 

Nessa obra, o diretor francês, um dos percussores da Nouvelle Vague, mostra os passageiros de um cruzeiro debatendo história, política e geometria, enquanto uma festa, gravada com câmera doméstica, transcorre. Sem ordenamento narrativo, Godard vai jogando na tela seu discurso, e retransmitindo através da fala de variados personagens sua insatisfação com a sociedade contemporânea. 

Na sexta-feira, 27, quem não viu Meia Noite em Paris, melhor não perder a oportunidade que aliás, é gratuita. Autor, comediante, escritor e artista consagrado, Woody Allen renovou sua arte com Meia Noite em Paris, um filme nostálgico e profundamente sensível. Traz Owen Wilson no elenco, como Gil, um escritor que sempre idolatrou escritores americanos como Hemingway e quis ser como eles, mas só conseguiu ser um roteirista fracassado em Hollywood. Mas a sorte dele estava prestes a mudar quando, em Paris, mergulha num universo novo que irá atiçar sua criatividade.

Já o polêmico e lindo Melancholia rendeu prêmios para a atriz Kirsten Dunst. O diretor e cineasta criador do Dogma 95, Lars Von Trier diz que seu longa é um ‘belo filme sobre o fim do mundo’. Não perca também, a sessão será no sábado, 28. 

Melancholia
E por fim, “Em Um Mundo Melhor” encerra a mostra no domingo, 29. A produção dinamarquesa e sueca venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2011. Conta a saga de um médico que trabalha num campo e refugiados na África, e seu relacionamento com os filhos.

Serviço
Mostra Melhores filmes de 2011 eleitos pela ACCPAA. Parceria da associação com o Cine Líbero Luxardo - Av. Gentil Bittencourt, 650 – Centur. As sessões começam sempre às 19h. Antes, há uma apresentação dos críticos da ACCPA. Entrada Franca (filmes inadequados para menores de 12 anos).

24.1.12

Coletiva abre temporada de exposições no CCBEU

"Permanência", instalação de Mariano Klautau no Arte Pará 2007
Centro Cultural Brasil Estados Unidos abre a exposição “Coletivo/Individual Kamara Kó”. Participação de artistas da cena paraense que utilizam linguagens híbridas da fotografia, com vídeos, desenhos e instalação. Nesta quinta-feira, 26, a partir das 19h. 

A exposição é a possibilidade de apresentar ao público a produção de parte dos artistas, agenciados pela galeria de fotografias homônima, de uma só vez. Lançando-se ao desafio não só de identificar um núcleo diverso de produção, mas de impulsionar um mercado emergente de fotografia com o status de arte.

Marisa Mokarzel, curadora da exposição, descreve-a dizendo “O real e o imaginário fundem-se, inseparáveis transformam o objeto fotografado […] se aproximando da pintura, se realizando no desenho, na instalação, no vídeo, transformando-se pela sobreposição, pelo insolar da película ou do papel sensível.” 

“Coletivo/Individual Kamara Kó” reúne obras d’Os 13: Alberto Bitar, Alexandre Sequeira, Anita Lima, Bob Menezes, Cláudia Leão, Danielle Fonseca, Flavya Mutran, Guy Veloso, Ionaldo Rodrigues, Keyla Sobral, Mariano Klautau Filho, Miguel Chikaoka e Pedro Cunha. 

Serviço
Coletivo/Individual Kamara Kó. Abertura nesta quinta-feira, 26, a patir das 19h.Período de visitação: de 27 de janeiro a 07 de março, de segunda a sexta - 10h às 12h e de 13h30 às 19h30. Aos sábados, das 09h às 12h. Galeria de Artes do CCBEU (Trav. Padre Eutíquio, 1309). Mais Informações: CCBEU: (91) 3221.6143 / www.ccbeu.com.br.

23.1.12

Cena paraense no Sesc Pompéia em São Paulo

Eleitos entre os melhores a passarem por lá, em 2011, eles foram convidados a voltar ao projeto Prata da Casa, do Sesc Pompéia (SP). Depois do show de Felipe Cordeiro e os Astros do Século, dia 17, agora chega a vez de Félix y Los Carozos marcarem presença paraense na capital paulista. A apresentação acontece às 20h, no dia 26 de janeiro. 

Um som psicodélico, paraense e universal. É o que se pode esperar de Félix y Los Carozos, grupo é formado por alguns integrantes da extinta banda La Pupuña, criada em 2004, e que teve projeção nacional e internacional com o resgate da guitarrada, gênero que surgiu no Pará nos anos 70 misturando choro, rock, ritmos regionais e caribenhos.

Trabalhando na pré-produção de seu primeiro CD e sob comando de Félix Robatto, os “Carozos” foram mais longe na experimentação e misturaram à guitarrada, novas influências como a surf music e a chicha (cumbia peruana), combinação que Félix batizou de guitarrada progressiva. O nome da banda é uma brincadeira: os caroços (Félix, Adriano Sousa e Diego Pires) foram o que sobrou da pupunha. A eles, juntaram-se o percussionista Benny Jhonny e o tecladista SM Negrão. 

“Estar entre as melhores de 2011 é muito bacana, é uma forma de reconhecimento ao nosso trabalho, que está bem no início. A banda foi criada no final de 2010 e não fez nem dez shows, mas já agradou a crítica”, comemora Luiz Félix Robatto, líder do Los Carozos.

Para esse show, a banda terá a participação especial de André Jung, da banda Ira!. Após os paraenses, haverá apresentação do grupo carioca Orquestra Voadora. No dia 27 de janeiro, Féliz segue com a banda para mais uma apresentação, no SESC São José dos Campos. 

Félix com Gaby Amarantos, no Se Rasgum
No repertório, além de composições próprias como “Amazônia Big Rave” e “Ilha do Marajá”, é possível encontrar versões nada convencionais como “Ghost riders in the sky”, consagrada por Johnny Cash, e “Another brick in the wall - part II”, do Pink Floyd, em ritmo de cumbia. 

A adaptação de músicas da banda inglesa não é novidade para Robatto, que, em 2007, produziu “The Charque Side of the Moon”, releitura do clássico “The Dark Side of the Moon” em ritmos amazônicos. Também é dele a produção do primeiro CD da cantora de tecnobrega Gaby Amarantos e é a Félix y Los Carozos a banda base que acompanha Gaby em seus shows. 

Serviço
Félix y Los Carozos. No Sesc Pompeia, dia 26 de janeiro, às 21h30 - Rua Clélia, 93, Pompeia - São Paulo, SP. Mais informações: www.sescsp.org.br. E no dia 27, no Sesc São José dos Campos, às 20h (Rua Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas). Informações: www.sescsp.org.br.

"Sonata de Outono" é a dica de cinema para hoje

Exibir Bergman neste início de semana chuvoso, combina perfeitamente. Tão sombrio quanto estas tardes de inverno amazônico, Bergman também foi intenso em seus filmes, ao discutir dramas humanos de forma profunda e poeticamente cinematográfica. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e candidato a mais sete prêmios internacionais, “Sonata de Outonoé uma das obras primas do cineasta sueco, escolhida pela Associação de Críticos de Cinema do Pará, para a exibição desta segunda-feira, 23, no Cineclube Alexandrino Moreira, no IAP, às 19h. Entrada franca. 

Ao som de Chopin, Bach, Haendel e Schumann, Bergman mostra, mais uma vez, em “Sonata de Outono”, sua habilidade em traduzir as dificuldades emoconais travadas nas relações humanas. Desta vez, o que marca neste longa de 19878, é a crua realidade de uma vida de ausências.

Eva escreve à mãe, Charlotte, uma pianista profissional que não vê há sete anos. Quando se encontram há momentos de alegria e afetividade, que logo mudam de tom quando Eva e Charlotte começam  discutir sobre a presença de Helene, a irmã mais nova e doente de Eva. Depois, ao piano, mãe e filha voltam a confrontar-se sobre um prelúdio de Chopin. Mãe e filha se envolvem numa longa noite de acusações, revelações e amargura.

É. Não se pode dizer é que os filmes de Ingmar Bergman sejam otimistas. Retratando a alma humana, com ousadia significante para sua época, seus temas preferidos sempre foram os abismos que separam homens e mulheres, pais e filhos, irmãos e irmãs e a morte.

Foi contando a história de um cavaleiro que volta das Cruzadas e desafia a Morte num jogo de xadrez, que em 1956 ele ficou conhecido mundialmente. No ano seguinte, consagra-se com “Morangos Silvestres”, onde um homem se despede da vida.

Abordando temas intrínsecos à existência humana – como desejo, morte e religiosidade, Bergman confunde-se à própria obra. Quando morreu em 2007, já estava há alguns anos isolado em seu retiro, na Ilha e Faro, próxima de Estolcomo. Era um homem estranho, com uma história de vida complicada. 

Filho de um pastor severo e uma mãe de temperamento frágil, oscilando entre a ternura e a frieza, ele herdou tristezas e mágoas que soube transformar em arte. Tratou de seus demônios e de quebra nos proporciona, até hoje, uma experiência emocional e estética sem igual. 

De seus filmes listo alguns preferidos e recomendo a quem ainda não os viu: “Sétimo Selo”, “Morangos Silvestres”, “Persona”, “Cenas de um Casamento” e “Fanny Alexandre”, este último, uma espécie de filme testamento, em que o cineasta trata de sua infância. Assisti no Cinema 1 ou 2 (do extinto Circuito Cinearte de Belém), em pé, por quase 3 horas, em uma sessão lotada dos anos 90. 

O IAP fica na Praça Justo Chermont, bem ao lado da Basílica de Nazaré. Leia mais sobre “Sonata de Outono” aqui.

20.1.12

The Fabulous Go-Go Boy lança Pitiú Festival

O nome inteiro da banda formada por um homem só é The Fabulous Go-Go Boy from Alabama. Vem de São Paulo para se apresentar na festa Café & Raiva, no dia 28 de janeiro. Luis Tissot é multi-instrumentista e com apenas com uma guitarra e uma bateria improvisada, das quais tira um blues dos infernos, com influencias do punk, rockabilly e garage. O show marca o lançamento do Pitiú Festival, que acontece no dia 12 de fevereiro, no African Bar.

O show da monobanda de nome pomposo será a atração da segunda edição da festa Café & Raiva, mas quem abre a festa promovida pela Xaninho Disco Falidos, é um grupo de DJs de outras produtoras locais como Marcelo Damaso (Se Rasgum), Bárbara Andrade (Megafônica), Gori (This is Radio Trash)e Jeft & Junior (Dance Like Hell). 

O clima de ecumenismo entre as diversas tribos se reflete no set da noite composto por psychobilly, punk 77, surf music, indie, pós-punk e música eletrônica. Metade homem, metade instrumento. Cercado por bumbo, uma placa de trânsito fazendo às vezes de caixa, chimbal e uma guitarra, o músico paulistano Luis Tissot transformasse na “banda” The Fabulous Go-Go Boy from Alabama and his One-Man Band.

Não é só conceitualmente que o conjunto de um homem só chama a atenção: seu som mistura blues com punk, rockabilly e garage. O resultado é um som primitivo, mas cheio de peso e distorção. Luis Tissot é um dos homens-banda precursores do estilo no Brasil, em 2005. A essência do gênero já deu pra sacar: um artista tocando vários instrumentos ao mesmo tempo, se desdobrando para acomodar a complexidade de uma orquestra ao que consegue pendurar pelo corpo. 

As limitações do solitário oficio que escolheu não parecem lhe restringir artisticamente. Alabama tem três trabalhos lançados, um split em vinil de 2010 feito em parceria com outra monobanda, o Amazing One Man Band, do Uruguai; “Dirt Job” (2010); e “Diggin’ The Primitive Shit!” (2011). 

Mas o fabuloso Go-Go Boy do Alabama é apenas uma das suas muitas encarnações musicais. Ele também integra Human Trash, Jesus & The Groupies, The Great Munzini & The Astonishing Sotos, Solid Soul Disciples, Backseat Drivers, The Boom Boom Chicks, Surf In The Space e The WhiteTrash Duo. 

Em São Paulo, o músico mantém o Caffeine Sound Studio, estúdio de gravação que serve de ninho para todas suas experimentações sonoras, além de local de gravação de alguns artistas mais interessantes da cena do rock independente brasileiro como Damn Laser Vampires e Chuck Violence. Esta aí alguém que leva até às últimas consequências a máxima punk do “faça-você-mesmo”. 

Pitiú Festival – O evento trará de volta a Belém o hardcore com um pé no velho oeste dos cariocas do Matanza, além de reunir alguns outros nomes de peso da cena punk e hardcore como os argentinos do Gerk, os tchecos do Pigsty e bandas locais como Delinquentes. Durante o Café & Raiva serão sortear ingressos para o evento.

Serviço
Café & Raiva, no dia 28 de janeiro, a partir das 21h, no Fuxico Espaço Cultural que fica na Travessa Rui Barbosa, 1861, Nazaré. Ingresso R$ 10, até 23h, e R$ 15, após. Informações: (91) 8214-2890 ou pitiufestival@gmail.com. (com informações do jornalista Leonardo Fernandes, da assessoria de imprensa do evento).

Rafael Lima faz show no Memorial dos Povos

O Intérprete e compositor mostra nesta sexta-feira, 20, no Memorial dos Povos, um show de voz, violão e a preciosa participação do percussionista Zé Macêdo. A partir das 20h, com entrada franca. O artista voltou recentemente de uma viagem feita à Suíça e está cheio de novidades. 

Entre outras coisas que ele prefere manter ainda o silêncio, está finalizando um novo CD que será lançado pelo selo Ná Figueredo, e nos dias 04 e 11 de fevereiro ele também prepara apresentações para o Espaço Cultural Boiúna.

Rafael Lima vai fazer aqui algo semelhante ao que mostrou recentemente ao público europeu. O show, que surgiu em um bar-café na Suíça francesa, tinha percussão de Anésio, músico paulista. “Ele tem uma mão fina quando toca o Carron (instrumento de percussão andino) e outros instrumentos simples, como perna de calça. Na verdade, eu me canso de instrumentos convencionais”, confessa. 

“Aqui em Belém tem o Zé Macedo, um percussionista incrível para inventar coisas, como por exemplo, suas famosas latas de leite ninho. Fora uma floresta que ele sempre carrega dentro de uma mala”, complementa. 

Rafael foi para a Europa depois de realizar aqui o show “Visceral”, mostrado nos palcos do Teatro Margarida Schivasappa e do Centro Cultural Sesc Boulevard. Levou na bagagem gravações do novo CD, aproveitou para fazer e incluir um nova canção, além da participação de músicos suíços. 

“Trouxe todo esse material comigo e estou finalizando com o Ná”, diz o músico que antes de pousar em Belém, passou por São Paulo onde se encontrou o trombonista Itacir Bocato Jr.  "Ele já participou de dois CDs meus e já tocamos juntos por aí. Agora estamos acertando coisas futuras, mas ainda é segredo”, arrematou Rafael.

A entrada do espetáculo no Memorial é gratuita, mas Rafael Lima avisa que estará disponibilizando um DVD que traz o show que ele fez ao vivo no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, em 94.

O registro mostra ainda as participações de Calibre (baixo), Paulo Levi (saxs flautas), Bocatto (trombone), Wolf Kerchek (piano/marimba), Nicola Marinoni (bateria/perc); além de Luis Pardal ao piano, acompanhando Rafael em Semente, algumas gravações ao vivo com o contrabaixista Minni Paulo,(baixo) Odorico (guitarra), Sagica (bateria), Paulo Levi (saxs), João Marcos (teclados) e Zé Macedo (percussão).

“O DVD traz ainda gravações de partes de shows no Canadá, no início de minha carreira, logo que saí do Brasil, e uma participação especialíssima do Maestro Waldemar Henrique me acompanhando ao piano em Foi boto Sinhá”, finaliza Rafael. 

O Memorial dos Povos fica na Av. Governador José Malcher, ao lado do Palacete Bolomnha. A entrada é franca. Mais informações, pelos fones:  9187028309 ou 8189.5513.

19.1.12

14 anos de Luz e três indicações ao Prêmio Shell

Cine Camaleão, estreia em outubro de 2011
Com um rigor cada vez maior em busca de um estética brasileira, tentando juntar forma e conteúdo em suas montagens, a Cia Pessoal do Faroeste está tomada de motivos para comemorar o início de 2012. Além de estar completando, hoje, mais um ano de fundação, o ator e diretor da companhia, o paraense Paulo Faria, que mora em São Paulo há mais de duas décadas, foi indicado pela segunda vez ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Autor e também concorre a Melhor Cenário e Figurino, junto com F. E. Kokocht, tudo por “Cine camaleão – A boca do lixo”, espetáculo que traz no elenco Beto Magnani, Juliana Fagundes,  Mel Lisboa, Roberto Leite, Thais Aguiar e a paraense Lorenna Mesquita.

O anúncio dos vencedores do prêmio Shell será em março. Ma já há e muito o que se festejar. Ontem Paulo visitou o espaço que será a nova Sede da Cia Pessoal do Faroeste. A Luz do Faroeste, em março, já estará instalada na Rua do Triunfo, na capital paulista, saindo da Cleveland, a 100 metros do Sesc Bom Retiro, mas continuará, na região da Luz, área que já sofreu processos de preservação patrimonial de instituições culturais, intervenções urbanísticas, próximas ainda dos bairros Campos Elíseos, Bom Retiro e Santa Ifigênia. 

A Luz do Faroeste está localizada na área que nos anos 70 ficou conhecida como a Boca do Lixo, por abrigar as principais produtoras de São Paulo, responsáveis na época por realizar os filmes do cinema marginal brasileiro, com suas pornochanchadas e filmes de bang bang urbano, polêmicos na época, e agora inspiração para o novo trabalho da companhia. 

O espetáculo que vem lotando a sede do grupo, por exemplo, conta a história de uma Produtora de Entretimentos Cinematográficos, a Cine Camaleão que acabara de filmar seu longa ‘O Faroeste da Rua Apa’, ambientado em 1978, ano da produção do filme. Durante a historia, em cena, os atores assistem os 20 minutos finais daquela produção, esperando uma tal cena de sexo.

“Cine Camaleão – a boca do lixo” também recebeu este ano Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro de Melhor Texto, Melhor Elenco e Melhor Projeto Visual, além do Prêmio Governador do Estado: Melhor Espetáculo, o que possibilitará que a peça fique por mais três meses em cartaz. Além de um valor em dinheiro, os mais votados pelo público, ainda receberão um troféu feito por um artista plástico. Clique aqui para votar. 

A Boca do LIxo, anos 70.
Paulo Faria diz que já está articulando a vinda do espetáculo para Belém, no mês de abril. Está à procura de pauta em espaços e apoios e patrocínio locais para isso. Em breve é possível também que seus laços com Belém, onde ele nasceu, se estreitem ainda mais, pois recebeu um convite para escrever crônicas semanais em um jornal local. 

Formada hoje por ele, Beto Magnani (co-fundador) e uma turma variada que foi se chegando nos últimos sete anos – entre eles a paraense Lorenna Mesquita, a Cia Pessoal do Faroeste ainda abraça uma equipe de produção nova e tem muitos planos para o futuro. 

“Acho que conseguimos formar uma equipe legal que chegou, no último ano, proveniente de oficinas e de intercâmbios com outros coletivos. E também recentemente descobri a parceria do Dário José, nos vídeos e filmes que estamos produzindo”, diz Paulo.

Para ele, o grupo é um grande agregador de artistas que se encontram. “Sempre tem alguém conduzindo o fogo entre os elencos e nossos parceiros. Eu sou o único presente em todas as montagens desses 14 anos. Eu carrego o andor. Trabalho 24 horas aqui na Cia”, diz ele que depois de um dia cheinho de coisas, em contato com o Holofote Virtual, respondeu na madrugada desta quinta-feira a entrevista que vem a seguir.

Paulo Faria, na foto de Rose Silveira
Holofote Virtual: São 14 anos de estrada. Como tudo começou e o que podes destacar nesta trajetória?

Paulo Faria: “Um Certo Faroeste Caboclo”, que iniciou a abordagem que fazemos do herói (ou anti-herói) do melodrama brasileiro.

A peça tinha uma estrutura de texto muito cinematográfica, de cortes, de flashback, com uma encenação bem teatral, investindo nos atores em busca de uma estética plástica brasileira, buscando referencias em instalações, videoarte e trazendo a tona a crônica da cidade.

E em Cine Camaleão pudemos aprofundar o experimento com a linguagem cinematográfica, nos aproximando do gênero _faroeste feijoada_, ou, o _bang bang brasileiro_, produzido pela Boca do Lixo, e de grande alcance popular – fenômeno pop mesmo. 

Não sei se foi intencional essa homenagem ao gênero faroeste que a cultura pop projetou no cinema, e que estava naquele fim da década de 1970, já agonizando, mas é engraçado que quando Renato Russo escreve no inicio dos anos oitenta a “Faroeste Caboclo”, ele volta a trazer o tema através da música, da rádio, dos grandes shows. Fenômenos culturais midiáticos.

Fazer perguntas para essa estrutura que tanto o Brasil consome, é o que nos provoca. Digamos que foi se construindo a partir dessa primeira montagem da Cia um desejo de fazer um fazer um teatroPOPolítico ("Puta que pariu, acho que bebi demais" - fala de Wanda Marquetti vivida por Mel Lisboa em Cine Camaleão). 

Mel Lisboa e Roberto Leite
Holofote Virtual: O Cine Camaleão – a boca do lixo foi, ao lado do espetáculo peças “Prometheus – A tragédia do fogo”, da Cia. Teatro Balagan, campeão de indicações ao Prêmio Shell. E ainda há outras indicações. Qual a importância disso tudo?

Paulo Faria: Esta é a segunda indicação que recebo como autor neste prêmio. É bom ser reconhecido pela crítica e meus pares, ter um retorno sobre o que estamos fazendo, se tem eco, interessa, se existem provocações.

Desde o ano passado foi reeditado um premio muito importante em São Paulo, que estava há 20 anos na geladeira, e que foi criado na década de 50, o prêmio Governador do Estado da Secretaria do Estado de Cultura, que dá 60 mil para uma dos 5 indicados e nós estamos lá. Se ganharmos esse prêmio vai possibilitar que o espetáculo possa se estender por mais três meses em temporada na nova Sede.

Em abril termina o patrocínio da Lei de Fomento. Esse prêmio também tem uma modalidade popular que não dá dinheiro, que é o voto popular, e que dá um troféu confeccionado por um artista plástico. Essa votação ainda está no ar, é só clicar o prêmio e vai ver todos os indicados em São Paulo nas diversas áreas, e como a gente tem tido sempre aqui um público paraense na peça, e que acessa este seu blog, então a turma pode ir lá e votar


Cine Camaleão
Holofote Virtual: Como está sendo este momento para a companhia?

Paulo Faria: Trouxe mais público esse movimento todo que a Cia vem construindo nesse lugar da contra cultura paulistana há 14 anos.

Apesar de trabalhar com essa estrutura pop, em todas as montagens, estar na Cracolândia, falar de eugenia nunca foi muito palatável para uma certa classe média. Além do que estar indicado em São Paulo, já é um prêmio, diante de tantas produções apaixonadamente produzidas aqui. 

A Cia fica muito honrada em estar ao lado de mais três ou quatro coletivos artísticos importantes em cada indicação que rolou aqui, diante das mais de 500 estréias anuais. Deve ser uma loucura pra uma comissão, sempre formada por pesquisadores, críticos, artistas e produtores. Isso nos estimula a investigar mais e mais esse teatro político que fazemos.

Falar sobre direitos humanos em nossas produções, fazer denuncias de intolerâncias, buscar temas relevantes para a construção dessa nossa identidade brasileira, cavucar a nossa história, ver isso na continuidade de nosso trabalhos. E é muito bom ter o teatro cheio com as pessoas se divertindo e conhecendo a história da cidade invisível que habitam. O público tem voltado. Tanto que vamos nos mudar pra rua do Triunfo, endereço do cenário da peça. 

A produtora de Entretenimentos Cinematográficos Cine Camaleão na ficção da peça está localizada nesta rua, em São Paulo. Ali foi a Hollywood brasileira. Todas as produtoras eram ali. São três quadras. Em frente ao largo onde está atual Pinacoteca (antigo Dops), Faculdade Tom Jobim, Contemporânea, Chope do Leo (reduto do samba), a uma quadra da Estação da Luz. 

Antiga Estação da Luz, em São Paulo
Holofote Virtual: Como foi que isso aconteceu? 

Paulo Faria: O prédio é histórico. Tudo foi acordado direto com o dono, um possível patrocinador de nossos projetos.

Vi o prédio no dia 15 de dezembro, o dia da leitura que fizemos de “Os Crimes de Preto Amaral”, na defensoria pública, véspera de viajar pra Belém [Paulo veio passar o final de ano com a família aqui]. Liguei pro dono e falei que o prédio tinha que ser nosso. Ele me esperou retornar. Fizemos um acordo bom pra ambos.

Holofote Virtual: Mas porque a necessidade de mudar?

Paulo Faria: Recebemos há um ano ordem de despejo da imobiliária que administra nosso prédio. Uma ação abusiva. Para que fosse feita uma reforma e sabemos da possibilidade dele ser vendido e demolido antes de ser tombado (1945). 

Isso está acontecendo nesta região por conta da ação equivocada da Prefeitura e do Estado a cerca da Cracolândia, por conta de não considerar a questão humana. É pura limpeza eugenista para faciliar a vida da especulação imobiliária do nosso prefeito. Chama empreiteira, derruba e constrói e vai colocando os moradores de baixa renda dessa região para a periferia. 

Vi muitos prédios caírem por aqui nos últimos dois anos. Hoje mesmo, derrubaram um conjunto arquitetônicos de um casario Art déco na Rua Helveitia com a Cleveland, onde estava a cracolandia e onde teve o churrasco dos diferenciados - “peguemos todos as nossas coisas e fomos poro meio da rua apreciar a demolição”, Adoniran Barbosa, morador por anos do entorno da Luz, dentro da Boca do Lixo. 

Decidimos não brigar pelos nossos direitos. Paz e amor, “Vou procurar outro alguém, você não serve pra mim”. Decidiu-se trabalhar o desapego e ir trás de coisa melhor. Recebemos esta notícia no inicio de 2010, junto com o prêmio que recebemos via Lei de Fomento.

Entramos num acordo de entregar o imóvel em abril quando se encerra esta primeira fase do projeto, patrocinado pela prefeitura. E estava brabeza achar um lugar aqui legal. Não sair do entorno da Luz. E foi justamente na Rua do Triunfo, em que estudamos nos últimos dois anos, que vamos habitar. E vamos entregar o atual no dia 31 de janeiro. E o nosso carnaval este ano vai ser no coração de onde surgiu o samba em São Paulo. Isso tudo junto é muito simbólico.

Lorenna Mesquita, no espetáculo
Holofote Virtual: A experiência do Cine Camaleão... a história toda da Boca do Lixo. É tudo muito interessante. Vamos trazer pra Belém?

Paulo Faria: Estou tentando levar a peça pra Belém em abril. Já fiz pedido de pauta aí. Fiz reunião com produtor local, agora vamos atrás de patrocinadores. Tem que ser em abril, pois já fica mais difícil pra Mel viajar que está grávida, ou depois de setembro quando ela volta do parto. Seu nenê é pra junho.

Holofote Virtual: A peça traz referências que muito indetificarão o público paraenses, começando com a participação da atriz Lorenna Mesquita... 

Paulo Faria: Queria fazer uma homenagem ao Pará através de uma personagem, e os estudos nos levaram a um estereótipo de personagem da Boca, o Índio, que além de representar o tipo no cinema, também fazia efeitos especiais, maquiagem. Pra essa personagem chamei a Lorenna Mesquita, que já havia trabalhado comigo anos atrás. 

Essa homenagem também se estendeu à Fafá de Belém, pois citamos o ‘Foi Assim’ do André Barata, e a Dira Paes, pois a personagem Indianara nasce em Abaetuba. Quem sabe logo, logo o público paraense não assisti ‘Cine Camaleão’? Enquanto isso, os paraenses que estiverem de férias por aqui venham ver Cine camaleão, to esperando por todos.