6.5.13

Octavio Cardoso filtra a cor do silêncio amazônico

Não é o colorido ou a cena gratuita da Amazônia que Octavio Cardoso, fotógrafo paraense, busca em seus trabalhos. A partir de viagens pelo interior do Pará, as imagens mostram cenários quase que fantásticos, por conta da tonalidade. A exposição “Silêncio...” abre na dia 14, na Kamara Kó Galeria, com curadoria de Marisa Mokarzel.

Das 15 imagens expostas, 11 possuem tons azulados e apenas quatro avermelhadas. O azul predominante é categórico: não há por que exacerbar o verde das matas. O vermelho, dramático, impõe opostamente o mesmo sentido: a procura pelo apuro artístico, sem exageros. 

Para compô-las da maneira que imaginou, as imagens foram fotografadas em horário de menor intensidade de luz para uma proposital experiência com a utilização invertida do filtro da câmera digital. Para tanto, os horários de saída para fotografar eram sempre antes da alvorada e ao entardecer, com a luminosidade discreta. 

Isso porque sob o sol esplendoroso dos trópicos, a concepção estética de Octavio não era alcançada. “Para o clima que eu queria criar nas imagens, não era possível fotografar com sol a pino, já que eu distorcia o colorido, mexendo no filtro. Percebi que no claro não funcionava e que no escuro era melhor”, diz. 

Esse cuidado com o tempo do dia tem a ver com o tempo de Octavio. Viajar para fotografar é a maneira que ele encontrou para refugiar-se da correria da vida contemporânea. Assim, ele achou um jeito de iniciar a produção de serie de fotografias coloridas, já que a maioria das fotos de sua carreira de quase 30 anos foram produzidas em preto e branco. 

“A cor para mim era para fotografia de documentação. Então a cor distorcida dessa série é para deixar as imagens mais subjetivas, misteriosas, para tirar a objetividade do colorido. O azul é mais irreal e a tentativa foi criar esse lugar, meu mundo particular, com as características de solidão, tranquilidade, silêncio”, conta. 

Além das fotografias expostas, a mostra terá ainda dois monitores, um com fotos fixas e outro com fotografias feitas em série, que sugerem certo movimento. “A possibilidade do digital nos permite fazer muitas imagens, então também serão mostradas sequências de fotos”, diz. 

Para a curadora Marisa Mokarzel, Octavio empresta seu olhar para selecionar paisagens, por meio das fotografias, mantendo as premissas do preto e branco, mesmo com o recente envolvimento com a coloração nas imagens, experiências com câmeras digitais. 

“A paisagem azul, o vermelho utópico e o cinza irreal que ora se apresentam advêm do passeio solitário, da paisagem observada que se confunde com a paisagem íntima, construída no silêncio, no encontro consigo mesmo”, escreve Marisa no texto da curadoria. 

Ela analisa ainda que Octavio Cardoso não apenas registra, mas cria imagens a partir do próprio imaginário do local, como ele mesmo sente. “Trata-se de um pequeno refúgio que exige o tempo da contemplação, ato cada vez mais em desuso. São paisagens de ausências, um nada ou quase nada, para ver, sentir, pensar...em silêncio”, descreve. 

Serviço
Exposição “Silêncio...”, com fotografias de Octavio Cardoso, aberta para visitação de 14/05 a 22/06, de terça à sexta, das 15h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h. Entrada gratuita. Informações: (91) 3261-4809 / 3261-4240.

2 comentários:

Leila Jinkings disse...

lindo trabalho o de Otavio. É poesia pura.
bj

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
ecos
de
la
tarde
callada
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


COMPARTIENDO ILUSION
BELEM



CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...




ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE DJANGO, MASTER AND COMMANDER, LEYENDAS DE PASIÓN, BAILANDO CON LOBOS, THE ARTIST, TITANIC…

José
Ramón...