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2.5.21

Felipe Cortez revela a veia de ator no curta "Madá"

Felipe Cortez faz sua primeira atuação no cinema.
Foto: Divulgação
O jornalista e produtor audiovisual Felipe Cortez está em Bragança participando das filmagens de Madá, na função de assistente de direção e também ator, novidade na carreira dele, sobre a qual a gente bate um papo a seguir. O curta tem direção e roteiro de San Marcelo, da Sapucaia Filmes, e foi  selecionado pelo edital de audiovisual da Lei Aldir Blanc e Secult-PA. 

"Tá sendo uma experiência também desafiadora, porque envolve atuar, mas também estar atento a todo o processo de realização, uma vez que estou também na função de assistente de direção, o que exige dedicação, energia física, além de foco e ímpeto de fazer o trabalho avançar conjuntamente".  

Felipe Cortez diz que sempre curtiu encenação e que há dez anos, fez até iniciação teatral na Unipop. Fora isso, a experi6encia em frente às câmeras, só mesmo como apresentador em programas da Tv Cultura e alguns comerciais publicitários. 

"É uma delícia voltar a atuar, isso me faz lembrar de uma parte muito gostosa da minha vida” diz ele, que foi chamado de última hora para substituir o ator que iria fazer papel de Diego Tavares, o par romântico da protagonista, Madá. "Eu tinha correspondências físicas e de idade do personagem, que também é do universo da dança, que na história, Madá quer muito explorar. Diego é um personagem que traz um tom mais cômico e romântico ao filme", comenta Cortez. 

Para ele, porém, o maior desafio tem sido contar uma história que se passa no início dos anos 2000, com suas marcas culturais e tecnológicas, no período pandêmico em que vivemos em 2021. "Acredito que nossa equipe está dando conta", continua o também Mestre em Artes. "Madá tem o que eu gosto num filme: emoção, drama, romance e muita dança!”.

Entre a dança e a necessidade de cuidar da família

O curta narra a história de Madalena, uma jovem que sonha em ser dançarina, mas fica dividida entre a busca do crescimento profissional na dança e o desejo e necessidade de cuidar da família. O elenco principal conta com Astrea Lucena, que interpreta Dona Rosa, a mãe de Madá, interpretada pela jovem atriz Luana Oliveira.

O cotidiano de Madá é revelado, segundo Felipe, em sua casa e no ambiente de trabalho, até que ela encontra algo que pode ser um novo começo em sua vida.  A narrativa toca "em temas universais, com texturas da vida e cultura da cidade de Bragança, trazendo danças como o brega e o retumbão, a religiosidade de São Benedito, a relação quase anímica com a imagem do santo preto, como se o santo fosse um ente querido com quem se pode conversar", considera Cortez. 

As questões emocionais da história, para Felipe, serão fortalecidas, ele acredita, por grandes atuações "como da atriz Astréa Lucena, que dá vida a personagem Rosa do Rosário, mãe de Madá, personagem livremente inspirada na história de vida da maruja Rosa, bastante conhecida no quadro da Marujada”, diz.

No set cuidados redobrados em prevenção da Covid-19

Já falamos de Madá aqui no blog, na ocasião em que as gravações foram adiadas com o lockdown decretado em Bragança. O município paraense, localizado na nossa zona do Salgado, apresentou números altos de contaminação e óbitos, bem no início do mês de abril. 

Já com a suspensão a equipe finalmente está no Set e já conseguiu realizar as cenas que ocorrem em locações, maioria delas, no centro da cidade, próximo já da beira do rio Caeté, e em outras locações, como o Liceu de Música, um dos prédios históricos da arquitetura patrimonial da cidade, fundando como Escola Estadual monsenhor Mancio Ribeiro.

Durante as filmagens, todos os cuidados de proteção contra a covid-19 foram e estão sendo tomados, incluindo o monitoramento de um profissional de saúde.  "Toda a equipe – técnicos, elenco, figurantes, etc -, fez exames no início das gravações. Somos acompanhados de profissional de saúde, que monitora constantemente temperatura, saturação e quaisquer eventuais sintomas de saúde atípicos", diz Felipe Cortez. 

Namoro antigo com o audiovisual bragantino

Felipe já vem frequentando o município há alguns anos, conhecendo diferentes aspectos e personagens da cena cultural da cidade. 

"É pelo audiovisual que eu chego a Bragança” diz ele que em 2012, como produtor da TV Cultura do Pará, conheceu o trabalho do músico bragantino Toni Soares e, nesse contexto, a religiosidade em torno de São Benedito. Vieram depois o videoclipe “Clareia” (Roger Paes, 2012) e o documentário “Beneditos” (Lygia Maria, 2012). Posteriormente, já como diretor, realizou o documentário 'Caminhando com Toni Benedito Soares'.

O convite para a assistência de direção veio do próprio San Marcelo, roteirista e diretor de fotografia, além de fundador da Sapucaia Filmes, que também realiza o Curta Bragança. "O San Marcelo eu conheci em 2015, e ele sempre manifestou um desejo muito grande de contar as histórias de Bragança pelo cinema. Ele me convidou em 2018 para a assistência de direção do curta 'Assustado', mas não consegui participar. Neste ano, foi com muita alegria que recebi o convite para atuar em 'Madá' na mesma função”, conta.

Embora venha atuando no audiovisual, como roteirista e produtor, esta é a segunda vez que Felipe Cortez está assumindo o papel de Assistente de Direção, no audiovisual, com a diferença de que desta vez se trata de trabalho também de um amigo que está vendo esse filme como um primeiro curta de sua carreira, ainda que ele tenha feito outros trabalhos, como "Assustado". 

"É muito bacana ver a evolução do San, na forma de condução desse trabalho, na maneira dele resolver questões, interagir com equipe e elenco. Ele tem um processo interessante, de constante mutação, em busca de referências tanto teóricas, quanto artísticas. Isso enriquece muito o trabalho, além disso é um cara gente boa, bem humorado que torna o trabalho muito leve e isso é muito importante", conclui. 

(Holofote Virtual, com registros dos bastidores das filmagens)

7.6.11

Definida a protagonista do novo curta metragem de Roger Elarrat

Os protagonistas do filme, Leoci Medeiros e Geisa Barra
Mesmo sem experiência como atriz, a publicitária e apresentadora Geisa Barra foi a eleita da equipe para interpretar o papel feminino mais importante do curta “Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista”, premiado no edital do Ministério da Cultura. Ela estará ao lado de Leoci Medeiros, ator que já estava definido no elenco.

Há pouco mais de um mês para o início das filmagens do curta metragem que também chegou a ser contemplado pelo edital da Petrobras, a equipe do novo curta de Roger Elarrat fez nestas últimas semanas escolhas importantes para sua realização, em julho. As locações não serão mais em São Caetano de Odivelas, no nordeste do estado, como se pensou em princípio, por causa da manifestação do Boi de Máscaras que se origina no município e que está presente na estética e trama do filme.

No início do ano Elarrat chegou a visitar a cidade e gostou muito das possibilidades que encontrou por lá, mas sem apoios locais, os custos ficariam mais além da realidade de seu orçamento. As filmagens serão em Belém e arredores, em locações que lembrem uma zona rural. Ao invés de trabalhar com os grupos de Boi de Máscara de São Caetano, o diretor já fechou a participação do Boi de Máscaras Veludinho, do bairro do Guamá.

Escolha da atriz foi feita de forma colaborativa pela  equipe
A outra decisão foi em relação a protagonista, que ainda era uma icógnita. Foram necessários mais de 20 testes, feitos com atrizes e não atrizes, num processo cheio de rigor e cuidados, características já reconhecidas nos projetos desenvolvidos pelo diretor.

Os testes mediram vários aspectos das candidatas, inclusive com interpretações já ao lado de João Batista, personagem interpretado por Leoci Medeiros, protagonista masculino da história.

“Tivemos muito cuidado nesta escolha, pois sabia que os dois precisavam combinar. Feitos os testes, resolvemos reunir toda a equipe e ficamos um dia inteiro discutindo, de forma colaborativa, nossas opções. Depois de ver exaustivamente cada um dos testes, veio a grande surpresa. Ao ver a performance de nossa selecionada, não tivemos mais dúvidas e batemos o martelo”, disse o diretor em entrevista concedida ao Holofote Virtual, no Instituto de Artes do Pará, onde já estão acontecendo os ensaios.

Identidade visual do curta é de Otoniel Oliveira
Desafios - Ela nunca foi atriz, mas não se pode dizer que o audiovisual seja novidade absoluta em sua trajetória. “É a primeira vez que meu lado atriz vai ser testado de verdade. Digo isso porque, trabalhando como apresentadora em rádio e tv, tive experiências em que a gente precisa esquecer de si para encarnar um personagem. Mas nunca fiz teatro, nem comercial onde precisei interpretar uma personagem, muito menos cinema”, diz.

Geisa traz em sua formação, cursos de publicidade e propaganda (UFPA), jornalismo (Estácio-FAP) e radialismo (Radioficina/SP). “Em audiovisual já trabalhei com produção, reportagem, edição e apresentação, além de assessoria de comunicação e no planejamento de campanhas publicitárias, políticas e eventos, aqui no Pará e em São Paulo”, apresenta-se.

Mesmo declarando-se ainda muito tímida com o trabalho, Geisa tem gostado da nova experiência e deste novo desafio em sua vida profissional. “A ficha ainda não caiu exatamente, mas a equipe está muito afinada, todos têm sido parceiros nesse processo, muito solícitos em me deixar a vontade nos ensaios, dando um toque aqui e ali. Nunca trabalhei com isso, nem fiz cursos. Mas como sou bem cara de pau, acabo encarando numa boa, me sentindo a vontade em emprestar meu corpo, minha voz e minha cara para um personagem”, explica.

João Batista é um cara sem alma
Com referências do mito de Fausto e do filme "Coração Satânico", o roteiro conta a história de um garoto que gostava de roubar jambos por onde andava e costumava desafiar a crença popular de que não se pode comer fruta ou carne vermelha na Sexta-Feira Santa. Por isso, já adulto, João Batista acredita ter perdido sua alma para o diabo. 

Incomodado e já sofrendo consequências físicas desta obsessão, ele resolve sair em busca de uma resposta para recuperar sua vida. No roteiro não há indicação muito clara sobre o que está acontecendo com João Batista. Seres encantados e criaturas sobrenaturais são vistos por ele, mas as outras pessoas estão, na verdade, participando de um festejo do boi de máscaras pelas ruas.

A solução de seus problemas pode estar com Juliana, na visão de Geisa, uma jovem decidida, “sem papas na língua, curiosa, mas também cética”. Para a atriz estreante, a personagem sente-se atraída pelo lado estranho de João Batista, mas não consegue entendê-lo completamente e por isso o deixa.

“Já fui assim e por isso a entendo bem, hoje já consigo entrar mais nas pessoas, enxergar o mundo através do olhar do outro e tentar entendê-los. Acho que nos 15 minutos do filme, ela passa por esse processo pelo qual eu levei 10 anos”, comenta. Para conseguir construir sua Juliana, ela conta com o ator Leoci. “A equipe diz que temos uma boa química e eu acho que é por isso que me sinto muito a vontade”, acredita.

Cinema e teatro, atuações bem difetentes para um ator
Teatro e cinema - Leoci, ao contrário de Geisa, é ator por formação e já atua no teatro há quatro anos, mas no cinema também será a sua primeira vez. Deparando-se com uma linguagem totalmente diferente da sua atuação nos palcos, ele diz que está entusiasmado com o trabalho e que também apostou em Geisa como protagonista.

“Para mim, que venho da linguagem teatral tem sido um grande desafio fazer um personagem para o cinema. A interpretação para a câmera é muito diferente. Já tinha feito comerciais e alguns vídeos institucionais, mas nunca interpretando um personagem. A Geisa pegou tudo muito rápido, entrou muito bem no clima e no tom da cena que lhe serviu como teste. E isso é muito legal, pois assim ela também me deixa mais seguro. Ela não é atriz de formação, mas é uma artista, percebe-se”, diz Leoci.

João Batista é um cara que não gosta de nada, não tem cor, prato ou time preferido. Por isso mesmo, sem muitos referenciais, ele não é uma interpretação fácil. “JB, como já o chamamos carinhosamente, precisa descobrir por que ele é assim, por que ele ficou desse jeito. Vai atrás de Juliana, com quem teve um relacionamento e acha que ela ainda é uma pessoa capaz de lhe compreender. Preciso buscar as nuances dele e às vezes um olhar, uma respiração traduz melhor o que ele está sentindo. Isso é um desafio para um ator que vem do teatro, acostumado a maior expressividade quando está no palco”, explica.

Juliana também é uma personagem cheia de intenções diferentes. De acordo com Geisa, ela vai mudando muito durante a história até se transformar em uma heroína. “O Roger, como roteirista e diretor, tem sido fundamental para nos ajudar a entender a história, entrar nos personagens e expressar isso tudo. Estou muito feliz e grata a ele e todos por fazer parte deste projeto”, conclui.

Roger Elarrat, reunido com equipe do filme
Direção de elenco - Roger Elarrat conta que desta vez resolveu dirigir diretamente os atores, um trabalho que cabe geralmente a figura de um diretor ou preparador de elenco. 

“Trabalhei desta forma em outros trabalhos, mas confesso que sempre tive vontade de fazer isso pessoalmente. Desde quando eu fazia assistência de direção e participava dos ensaios, dos testes. Aprendi muito com este tipo de profissional e comecei a bolar uma dinâmica. Tenho muito interesse em ajudar os atores, ao Leoci, por exemplo, a construir o João Batista dele. Esta era uma vivência que me faltava no processo de um filme, o desafio que mais está me interessando no momento”, afirma.

Roger Elarrat trabalha com planejamento detalhado, importante para deixar fluir a produção. É um diretor que gosta de desafios e tem se deixado marcar pela realização de filmes que diferem-se entre si nas escolhas estéticas e de linguagem, mas convergem em referenciais que revelam uma autoria. É constante a presença de temas com forte teor de mistério ou que voltam-se ao inusitado e até ao sinistro.

O cartaz do filme, por Otoniel
É assim em “Visagem”, animação em stop-motion baseada no livro de Walcyr Monteiro - “Visagens e Assombrações de Belém”, em “Chupa-Chupa – A história que veio do Céu”, documentário sobre os fenômenos luminosos que assombraram o município de Colares, nos anos 70 e com o realismo fantástico da minissérie Miguel Miguel, baseado no livro homônimo do escritor Haroldo Maranhão.

No que depender de trajetória e experiência dele aliadas a uma boa equipe, o novo curta de Roger Elarrat tem tudo para obter um excelente resultado e quem sabe trazer mais prêmios ao cinema paraense. 

O roteiro teve colaboração de Adriano Barroso e para a direção de fotografia foi convidado o paulista Emerson Bueno. O curta tem produção executiva de Camila Kzan e  identidade visual de Otoniel Oliveira. Na direção de arte, está Bóris Knez e a premiada Sônia Penna (Madame Satã), assinando a maquiagem, além de Maurity Ferrão, no figurino. A produção de figuração e elenco é do ator Dário Jaime e a coordenação de produção, de Teo Mesquita. Na assistência de direção, o filme conta com Célio Cavalcante e Lucas Escócio.

(Fotos desta postagem: Célio Cavalcante. Arte: Otoniel Oliveira)

19.10.10

Matinta: é mais um curta paraense no circuito nacional dos festivais de cinema

A equipe está nas nuvens. Apenas uma dúzia de curtas metragens foi selecionada para a Mostra Competitiva do Festival de Brasília, que acontecerá de 23 a 30 de novembro deste ano e entre os escolhidos pelo primeiro júri está “Matinta”, de Fernando Segtowick. 

É mais uma conquista do audiovisual paraense que vem se destacando em vários festivais de cinema neste ano de 2010.

O curta, filmado em setembro do ano passado em uma pequena comunidade situada nas entranhas ribeirinhas da ilha de Mosqueiro, na região metropolitana de Belém, tem Dira Paes, Adriano Barroso, Astréa Lucena, Andrea Rezende e Nani Tavares, entre outros atores paraenses no elenco.

Na direção de fotografia e câmera está o carioca Pablo Baião (Tropa de Elite 2, longa de José Padilha), que trouxe para o filme de Fernando a agilidade e a temperatura de luz certa para as cenas, a maioria delas feitas à noite, dentro do mato, um bravo enfrentamento de toda a equipe que conseguiu driblar todas as dificuldades que há em se filmar dentro da floresta.

O filme que competirá na mostra competitiva de curtas 35 milímetros, ainda está sendo finalizado. Segtowick esteve semana passada no Teleimage/Cinecolor, em São Paulo, onde trabalhou arduamente. 

“Mantei uma versão em DVD para inscrever no festival. Foi feita cópia da master em HD, com som mixado e tudo, ficando em 20 minutos”, justifica Fernando que já considera uma vitória ter entrado pra mostra. “Ter entrado já é ótimo porque a seleção é muito rigorosa. Só 12 curtas do Brasil todo”, suspira.

O diretor diz que gostou muito do resultado final do filme. “ O resultado me agradou muito porque consegui fazer tudo o que eu queria em termos de fotografia, som e atores. Fazer um filme em 16 mm e ampliar para 35mm scope é uma coisa rara hoje ainda mais com o suporte digital”, diz ele, que já demonstra certa expectativa. “ O legal da seleção é pensar que o filme que tem uma temática mais regional possa funcionar para outras platéias”, comemora.

Fernando irá a Brasília, claro, para apresentar o filme. E diz que também comemora outros feitos do nosso audiovisual. “Fico feliz que os filmes paraenses voltem aos festivais, como o “Mãos de Outubro”,(Vitor Souza Lima) e “Quando a chuva chegar” ( Jorane Castro). Em Belém, Matinta deverá ser visto em dezembro.

Para o futuro Fernando diz que ainda não tem outro projeto exatamente engatilhado. “Sempre fico muito envolvido em um projeto, mas a idéia agora é desenvolver o roteiro do longa”, finaliza. Pelo visto, o tabu de décadas, vivido pelo cinema paraense, que desde Libero Luxardo não produz longas, começa a ser quebrado.

Ao lado, Matinta, em finalização (SP)

A minissérie “Miguel Miguel”, de Roger Elarrat, já lançada na telinha da TV Cultura do Pará, deve se tornar longa, finalizado em película para o ano que vem. A cineasta Jorane Castro está concorrendo com o projeto de longa “As Amazonas” no edital de filmes de baixo orçamento (BO) do MinC, para realização em 2011. Agora vamos aguardar que Fernando também tire o seu da gaveta e que novos ventos audiovisuais soprem por aqui.

O Festival de Brasília tem 43 anos de existência e é um dos mais tradicionais do país. A seleção rigorosa só escolhe 6 longas e 12 curtas para concorrer a diversos prêmios. A 43ª edição do Festival acontece de 23 a 30 de novembro no Distrito Federal. Para saber mais sobre a seleção dos filmes que entram para as competitivas do festival, clique aqui.

22.9.10

Sábado tem sessão de cinema na Ilha de Colares

A cidade, localizada no nordeste do estado, conhecida pelo turismo ufológico e por suas belas praias, parece que foi mordida por um “bichinho”.

Não aquele que assustava a população na década de 70 e que acabou virando tema de diversos documentários, inclusive um paraense. Estou falando do bichinho da sétima arte. A população, porém, desta vez não é a protagonista da cena. Está na platéia, em uma sessão cineclubista.

Um dos projetos aprovados pelo CineMais Cultura do MinC, o Cineclube Luiz Gama de Colares fez a sessão de estréia, em agosto deste ano.

Foram exibindos os curtas paraenses “A Onda - Festa da Pororoca" (Cassio Tavernard), "O Rapto do Peixe-Boi" (Cássio Tavernard e Rodrigo Aben-Athar), “Açaí com Jabá” (Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Valério Duarte) e, olha ele aí, o documentário a que me referi, "Chupa-Chupa, a História que Veio do Céu" (Adriano Barroso e Roger Elarat).

E de acordo com relato encontrado na blogosfera, a noite inaugural foi um sucesso cinematográfico.

Neste sábado, 25, a sessão inicia às 20h e terá na tela, o longa “Anahy de las Missiones”, filme premiadíssimo, com direção de Sérgio e Dira Paes non elenco, produção grandiosa, de 1997.

O projeto do cineclube é uma realização da Associação Beneficente Prof. Luiz Gama, com coordenação do professor e fotógrafo Eduardo Kalif, que com certeza soube dar continuidade a experiência que teve no ano passado.

Em 2009, Kalif, que conhece Colares há mais de 20 anos, trabalhou em outro projeto ligado ao audiovisual, chamado “Cinema e Meio Ambiente na Escola: Formando as COM-VIDA'S”. O objetivo foi de criar uma consciência ecológica na comunidade e discutir a linguagem audiovisual, como ferramenta pedagógica. Com a formação cineclubista do atual projeto, Kalif continua avançado nesta discussão, além de trazer uma forma de inclusão social a mais para a região, se utilizando dessa arte que tanto nos maravilha, que é o cinema.

Anahy - Em “Anahy de las Misiones” é abordado de forma poética, dramática e lúdica episódios lendários da história do período colonial, ambientados na Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845, período mais conturbado da história do Rio Grande do Sul (1835-1845).

Uma das lendas contadas por gaúchos do Brasil, Argentina e Uruguai, era a de Anahy de las Misiones, mulher que errava pelos países do Prata vendendo despojos saqueados dos soldados mortos nas batalhas entre farroupilhas (revolucionários) e caramurus (legalistas, defensores do império), recolhendo os despojos dos combates e negociando-os nos acampamentos dos soldados de ambas as facções. Saiba mais, aqui.

E se estiver em Colares no sábado, não perca a sessão. Não consegui checar o endereço exato, onde fica a associação, mas perguntando para algum morador de lá, não será difícil descobrir.

17.9.10

Miguel Miguel é um marco na história da televisão paraense

Lançamento da minissérie traz filhos de Haroldo Maranhão a Belém e junto com eles, além da emoção de ver a obra do pai no telão de cinema, 10 textos inéditos do autor, a serem publicados. Quem se habilita?

Uma das mais importantes obras do escritor paraense Haroldo Maranhão, a novela “Miguel Miguel”, foi transformada em minissérie e já tem estreia marcada, para 25 de setembro, na Tv Cultura do Pará (20h).

A iniciativa é inédita na história da televisão paraense. O público terá oportunidade de ver uma parte da obra, antes da exibição na TV. "Vamos exibir um making of feito pela TV Cultura, o primeiro episódio e um trailer da série", informa Roger Elarrat, diretor da minissérie.

A programação acontece, nesta sexta-feira, 17, se for ao seu lançamento, a partir das 19h, no Teatro Estação Gasômetro. A entrada é franca, mas será preciso retirar o convite na bilheteria.

Mas o elenco, a equipe técnica e alguns convidados já viram e aprovaram o resultado, na íntegra, em uma sessão especial, realizada, na última segunda, 13, com presença de Ivone e Haroldo Paulo Maranhão, filhos do autor paraense.

O trabalho surpreende o espectador do começo ao fim. Logo na abertura sentimos a força de uma abertura em animação no traço de Otoniel Oliveira, e embalada pela belíssima trilha original de Leonardo Venturieri.

Roger foi muito cuidadoso em cada detalhe. É possível, inclusive, acompanhar muito do que foi este trabalho, através do blog Miguel Miguel.

Haroldo Paulo Maranhão, filho do autor de "Miguel Miguel", falou emocionado logo após a exibição especial do filme. “O grande sonho dele era ver uma obra sua adaptada para um filme ou para televisão. Se meu pai estivesse aqui, com certeza ele ia adorar”, disse. Estava impressionado e disse viu detalhes que em muito lembraram o cotidiano de Haroldo Maranhão.

“A arrumação do escritório do Varão é exatamente da mesma forma que meu pai guardava as coisas dele”, disse para depois admirar-se de detalhes “engraçados”, exemplificando com o hábito que o personagem Varão tinha de, ao abrir o jornal, ir direto à página dos obtuários. “Era exatamente o que meu pai fazia. Ele cortava algumas coisas engraçadas e colava exatamente como o Varão”.

Quando o escritor Haroldo Maranhão esteve pela última vez, em Belém, no ano de 2001, seu acervo estava sendo adquirido pela Vale e doado à Biblioteca Pública Estadual Arthur Vianna.

É lá que estão os cerca de cinco mil volumes que lhe pertenciam. Há livros de Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, Gonçalves Dias, José de Alencar, Joaquim Nabuco, José Veríssimo e Inglês de Sousa.

Com uma biblioteca assim, quem diria que ele também gostava de ler obtuários. Engraçado. Haroldo sabia mais sobre Varão do que podíamos imaginar, há um ano, entre julho e agosto, quando as gravações estavam acontecendo.

O resultado disso, somado a competência técnica de toda a equipe, foi traduzido como “um ótimo trabalho”.

A adaptação e direção de Roger Elarrat mexeu com a estrutura narrativa da novela, no livro, mas não perdeu nada de essencial para o necessário mergulho na história de um homem que, lendo obituários, constata a morte do mesmo amigo, duas vezes.

“Miguel Miguel”, a minissérie, traz no melhor estilo do realismo fantástico, uma trama que mescla humor e tensão, esta reforçada esteticamente na direção de fotografia de Carlos Ebert e na arte, de Bóris Knez, além da atuação de vários atores paraenses, veteranos no teatro, mas estreantes no cinema, como é o caso de Henrique da Paz, que encarna Varão de forma a envolver o espectador em sua loucura, e Yeyé Porto, que vive Úrsula, sua esposa. A química, ente os dois, deu certo e com a direção de Adriano Barroso, deu forma e consistência às personagens criadas por Haroldo Maranhão.

Também fazem parte do elenco, os atores Paulo Marat, Salustiano Vilhena, Astréia Lucena, Olinda Charone, Ailson Braga e Ana Lobato, que completam o círculo de amizade do casal.

Há ainda participações especiais de Adriano Barroso, que também preparou o elenco; de Cláudio Barradas, que traz longa carreira no teatro, e que também já havia feito cinema, com Líbero Luxardo (Marajó, Barreira do Mar); e do músico Nego Nelson, como Miguel. Nego viu o filme antes de viajar para o Rio de Janeiro, na semana passada, para finalizar um novo CD.

Ah, sim, Carlos Ebert faz uma ponta. Elarrat também não perdeu a oportunidade Hitchikockiana. Preste atenção nos últimos momentos da minissérie e vai vê-los como garçons de um Café, espaço derradeiro do último encontro entre Varão e Miguel. Na verdade, o filme traça certa cumplicidade com a equipe que, em vários momentos, se juntou à figuração nas cenas do cemitério, durante o primeiro enterro de Miguel.

Inéditos - Haroldo Maranhão morreu em 2004, no Rio de Janeiro, capital, onde morava há mais de 30. Além de “Miguel Miguel” (1992), deixou inúmeras obras lançadas, como “Rio de Raivas” (1987), “Cabelos no Coração” (1990) e “Memorial do Fim”, entre outros.

Escrevia muito, por isso não é de se estranhar que tenha deixado tantos textos na gaveta. Durante toda esta semana, os filhos de Haroldo Maranhão estiveram fazendo contatos em Belém, a fim de encontrar interessados em editar nada menos que 10 trabalhos inéditos do pai, entre contos, crônicas e romances.

“Todos têm a qualidade, reconhecida, de suas obras anteriores. Estamos procurando uma editora séria”, diz Ivone. Há quarenta anos fora de Belém, ela e o irmão também estarão no lançamento desta noite de sexta, 17. Ela diz ainda que também ficou emocionada com o resultado do trabalho com Miguel Miguel e que gostaria de ver outras obras do pai no cinema, caso haja interesse de algum cineasta. Roger e Adriano, aliás, receberam deles um conto, quem sabe...

Há quarenta anos longe daqui, Ivone diz que o contato pessoal com a equipe foi muito bom. “Estamos contentes em ver Miguel Miguel no cinema e rever a terra de nosso pai, minha também porque aqui nasci, e visitar amigos e parentes”.

Na foto ao lado, último dia de filmagem. Ebert, comemora!

“Miguel Miguel” é uma obra televisiva realizada através do edital de minisséries das Emissoras Funtelpa, lançado em 2009, contemplando dois projetos. O projeto de adaptação do livro de Haroldo Maranhão feito por Roger Elarrat e produzido pela Digital Produções foi o primeiro colocado.

Em segundo ficou “Vida de Cão”, de Walerio Duarte, baseado em contos do escritor Ildefonso Guimarães.

Este ainda não produzido, ganhou a promessa da Funtelpa de uma nova assinatura de contrato, a fim de repassar o devido prêmio de R$ 100.000,00, previsto no edital. Vamos aguardar. Enquanto isso, é ver e curtir “Miguel Miguel”, que traz cenas gravadas pela cidade de Belém, em um cemitério de Marituba e locações no casarão que pertenceu ao artista plástico Antar Rohit, na Rua Ó de Almeida.

Ebert, que tem a experiência de veterano no cinema brasileiro aposta que o filme fará uma bela trajetória. “Tenho certeza de que este trabalho vai ser projetado nacionalmente. Está tudo muito bom”, elogia.

Ficha técnica:

Direção - Roger Elarrat
1 Assistente de Direção - Célio Cavalcante Filho
2 Ass. de Direção e Making Of- José Aranud
Roteiro Adaptado da Novela Homônima de Haroldo Maranhão - Adriano Barroso e Roger Elarrat
Direção de Fotografia - Carlos Ebert, ABC.
Direção de Arte & Cenografia - Boris Knez
Trilha Sonora Original - Leonardo Venturieri
Edição de Imagem - Roberta Spindler
Edição de Som - Lozansky Benur
Produção Executiva - Fernando Penna de Carvalho
Coordenação de Produção - Francy Oliveira
Concepção de Maquiagem - Sônia Penna
Maquiagem - André Ramos
Figurino - Ézia Neves
Costureira - Telma Lima
Som Direto - Mário Ribeiro
Continuísta - Luciana Medeiros
Assistente de Continuísta - Luciano Lira
Preparador de Elenco e Casting- Adriano Barroso
Coordenação de Arte - Teo Mesquita
Produção de Objetos - Nairy Sidrim
Cenotécnicos - Jorge Luis da Silva Matos, Jorge Luis Pereira Amador e Rubem Aragão.
Pintor de lisos - Jorge Luis da Silva Matos
Pintor de Arte - Boris Knez e Rubem Aragão
Impressos de Arte - Wilson Mendes e Deborah Aguiar
Platô & Contra-regra - Teo Mesquita e Carol Magno
Operador de Câmera - Anderson Batista/Daniel Pamplona
Fotografia Still - Marcelo Lelis
Abertura/Animação - Otoniel Oliveira

Elenco: Varão: Henrique da Paz; Úrsula: Yeyé Porto; Miguela Pompeu: Olinda Charone;
Miguel dos Arcanos: Nêgo Nelson; Dona Walkíria: Astrea Lucena; Doutor Mário: Ailson Braga; Seu Paulinho: Salustiano Vilhena; Júlio: Paulo Marat; Catarina: Ana Lobato; Redator de Obituários: Adriano Barroso; Padre: Cláudio Barradas; Fotógrafo de Velório: Marcelo Lelis; Jonas: Paulo Porto; Waldir: Carlos Ebert.

30.7.10

Mostra debate o novo momento do cinema paraense

Impulsionada pela retomada do cinema brasileiro no final dos anos 90, mais exatamente em 1997, com o lançamento do longa de Carla Camuratti, “Carlota Joaquina”, a produção cinematográfica paraense também reapareceu na cena. Na última década, foi notória a evolução deste cinema paraense.

É claro que vários outros fatores contribuíram também para que filmes de ficção, e principalmente de documentários, surgissem. O lançamento de editais, a profissionalização do setor e o maior acesso às novas tecnologias, são alguns deles.

Mas os incentivos ainda são poucos e muitas vezes sem continuidade. Sabe-se que não fosse o esforço e a persistência desses fazedores de cinema, menos ainda aconteceria.

O debate em torno da produção e da exibição de resultados desta, precisam acontecer mais, o que por enquanto tem sido raro. A maioria dos cineclubes existentes acaba optando por uma cinematografia brasileira ou internacional e a um debate sobre a estética ou obra de seus autores. O que não é ruim.

Mas na próxima semana um evento vem se propor a isso. Além da exibição de filmes dos realizadores, vai refletir algumas questões: Existe um cinema paraense? Qual a relevância deste movimento para a arte cinematográfica nacional e mundial? De que maneira tais obras representam os anseios poéticos dos amazônidas em pleno século XXI?

A "Mostra do Novo Cinema Paraense" é uma realização do Inovacine em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) , que vai exibir nove filmes incluindo curta, média e longa metragens, de realizadores locais, que estarão presentes, após as sessões, para discutir junto com o público, os princípios artísticos e éticos que regem seus trabalhos.

"Através da ficção e da não-ficção, diversos artistas conseguiram dar forma a suas perspectivas sobre os fenômenos locais transcendendo as amarras do regionalismo exótico em busca da universalidade inerente à linguagem cinematográfica”, diz Miguel Haoni, do Inovacine e APJCC – Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema.

Para ele, “em maior ou menor nível, todo realizador paraense é essencialmente um guerreiro. A luta por condições de produção e distribuição transforma cada processo/filme num trabalho hercúleo de resistência e paixão. Obviamente, isso significaria muito pouco se na base das obras não houvesse a sensibilidade estética e a inventividade necessárias para a constituição de um Cinema Paraense maiúsculo, livre da muleta da indulgência histérica regionalista”, afirma.

PROGRAMAÇÃO

04/08:
I)"Puzzle" de Marcelo Marat
II)"Invisíveis prazeres cotidianos" de Jorane Castro
III)"Salvaterra - Terra de Negro" de Priscila Brasil

05/08:
I) "Semiótica-nossa-de-cada-dia" de Darcel Andrade
II) "Mãos de Outubro" de Vitor Souza Lima
III)"A Poeta da Praia" de Márcio Barradas

06/08:
I) "Dias" de Fernando Segtowick
II)"Contracorrente" de Francisco Weyl
III)"A Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados" de Luiz Arnaldo Campos

Serviço
Mostra do Novo Cinema Paraense. dias 4, 5 e 6 de agosto. Sessões às 18h30 (seguidas de debates com os realizadores) no IPHAN (Av. Governador José Malcher, 563 - Nazaré). Entrada Franca. Realização: Inovacine. Parceria: IPHAN. Informações: 8813-1891.

18.5.10

“Miguel Miguel” terá seis episódios e versão em longa metragem

Escolher cenas de um filme para serem cortadas é sempre uma tarefa dolorida para qualquer diretor.

Talvez por isso, o realizador Roger Elarrat tenha preferido deixar nas mãos da TV Cultura, a decisão final do que fazer com as cenas a mais que foram gravadas em “Miguel Miguel”, minissérie premiada pela Funtelpa, e gravada em julho e agosto do ano passado em Belém.

Com direção de Roger Elarrat e fotografia de Carlos Ebert.ABC, a obra traz nos papéis principais Yeyé Porto e Henrique da Paz, além de um elenco vindo do teatro paraense e de participações especiais, como a do compositor Nego Nelson, no papel de Miguel.

Elarrat, que também está montando a versão de longa metragem para a minissérie levou, na semana passada, as seguintes questões ao diretor da emissora:

“Ou cortávamos estas cenas a mais e mantínhamos o plano original de 5 episódios de 13 min., ou incluíamos essas cenas a mais só na versão de um filme único ou, ainda, criávamos um episódio a mais”, disse ao Holofote Virtual, logo após a reunião com o diretor da TV.

A ideia de um sexto episódio foi logo aceita por João Plaza, que também pediu cópia da versão da obra em longa metragem, com interesse em exibi-la mais tarde pela emissora. A edição digital em longa ficará com 1h e 20min.

“E teremos possivelmente uma cópia em 35mm, se conseguirmos captar através da carta da Lei Semear”, explica.

A estréia tanto da minissérie na TV Cultura e quanto no cinema ainda não tem data marcada. Roger conta que ainda a equipe ainda está revisando a trilha sonora e gravando alguns dos últimos temas, já criados.

“É um processo lento porque o compositor grava todos os instrumentos e, ao mesmo tempo, ainda estamos finalizando uma abertura em desenho animado, que levou uns 8 meses pra sair”, revela.

O último passo da edição será a correção de cor das cenas. Ebert está acompanhando o processo todo à distância. Segundo Roger ele já recebeu um DVD com uma edição prévia para adiantar o trabalho.

Novo curta – Antes de começar a produzir um outro filme também premiado em edital, Roger diz que precisa “enterrar Miguel de vez”, diz ele brincando com a história escrita por Haroldo Maranhão, e da qual, em uma livre adaptação, surgiu a minissérie.

Mas o fato é que já há outro trabalho em vista. Intitulado “Juliana contra o jambeiro do Diabo pelo coração de João Batista”, o roteiro de curta foi premiado com o Edital para Curta Metragens do MinC, no final de 2009.

A história deve ser filmada em locações como Mosqueiro e São Caetano de Odivelas, dependendo das parcerias a serem firmadas.

“Acho que começaremos a pré-produção deste novo filme no segundo semestre, só não sei se filmarei em dezembro de 2010 ou no início do ano que vem”, reflete.

Inspirado na tradição do boi de máscaras, o roteiro revela a história de um homem, cuja alma foi roubada pelo diabo. Disposto a enfrentá-lo, este homem retorna a sua cidade, onde toda a história se desenrola.

“Já conhecia a manifestação, que vi em uma apresentação em Belém. Mas a idéia de colocar esta referência, no filme foi do Adriano Barroso, que é co-roteirista neste trabalho”, conclui Elarrat.


27.4.10

Mostra ABDeC traz ao público um panorama da produção de curtas paraenses

Entre as exibições de hoje, o inédito "Para Todas as Horas", de José Arnaud, filmado "on the road" entre setembro e outubro do ano passado em Belém, Barcarena e Mosqueiro.

O filme (foto) reflete sobre alguns temas da pós-modernidade, como o multiculturalismo e as rápidas transformações por que passamos todos os dias. No elenco, Ricardo Macedo, Hellen Pompeu e Luciano Lira.

“O fio condutor para essa analogia é a história de três amigos que saem em uma viagem de fim de semana e vivem situações que provocam flashbacks da infância de cada um, em momentos chaves de suas vidas e que revelam quem eles são hoje”, conta Arnaud.

O roteiro foi premiado em 2008 no edital do MINC para pessoas ligadas a projetos sociais e será a primeira direção de Arnaud, voltada totalmente para o cinema.

“Tenho trabalhado por cerca de oito anos, com vídeos educativos e institucionais, fazendo e aprendendo, experimentando, até chegar aqui onde arrisco muito mais na linguagem, com uma fotografia suja, edição rápida e interpretações suaves”, finaliza.



Shangrilah, de Fábio Hassegawa

Premiação - O público também é parte integrante desta mostra.

É ele que decide quais serão os curtas metragens a entrar para o DVD que circulará o Brasil em mostras que serão realizadas nas cidades onde existe ABDeC – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas. A votação acontece no final de cada sessão.

Esta é a premiação da I Mostra ABDeC-PA está acontecendo até esta sexta-feira, 30, sempre a partir das 18h30, no cineclube Pedro Veriano, na Casa da Linguagem, com entrada franca.

Todos os dias são exibidos filmes que fazem parte do grande mosaico de produção cinematográfica paraense. Hoje, mais seis curtas estão na programação.

Hoje estão em cartaz produções dirigidas por antigos abdistas como Afonso Gallindo, José Arnaud e Sue Pavão, ao lado de novos cineastas como Fábio Hassegawa, além de Ivan Oliveira de Parauapebas.

PROGRAMAÇÃO

Severa Romana de Bio Souza, Rael Helyan e Sue Pavão – 16’
Sinopse: Documentário. A cidade de Belém/PA é o cenário onde ocorreu a tragédia de Severa Romana, dezenove anos, casada, e prestes a dar a luz. No dia 02 de Novembro do ano de 1900, Severa é brutalmente assassinada por cabo Ferreira. Morre a mulher - nasce o mito, uma Santa Popular.

Shangrilah de Fábio Hassegawa – 5’
Sinopse: Documentário. O livre caminho pelas árvores, banho de paz eterna, ébrio de algum tempo neste lugar oculto.

Luar de Fábio Hassegawa e Wander Dias – 5’
Sinopse: Animação pixelation com fotografias de luas cheias de Belém do Pará com musicas do Dj Benjamim

Para todas as horas de José Arnaud – 15’50”
Sinopse: Ficção – Três amigos saem para uma viagem onde irão descobrir que os limites entre sentimentos e sensações são muito efêmeros. Amor e amizade num contexto de pós-modernidade. “Não somos bons nem maus, o que somos então?”

Fotoatividade de Afonso Gallindo – 12’35”
Sinopse: Duas linhas paralelas compõem este documentário. Uma, conta a história deste importante expoente da fotografia no Pará – a Associação Fotoativa.

A outra, composta de depoimentos de pessoas que viram, participaram e acompanham a maturidade da Associação e de sua importância para o Estado do Pará, e porque não, para o Brasil.

Mulheres de 20 de Ivan Oliveira – 42’
Sinopse: Documentário. Parauapebas, sudoeste do Pará. Uma cidade, 22 anos de história. Há 20 anos uma dessas histórias vem se construindo e se consagrando com uma das maiores manifestações femininas do interior brasileiro, o Encontro da Mulher de Parauapebas, evento que marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Serviço
1ª Mostra ABDeC-Pa, de 26 a 30 de abril de 2010. Cineclube Pedro Veriano – Casa da Linguagem – Avenida Nazaré, esquina com Assis de Vasconcelos. A partir das 18h30. Entrada franca. Informações: (91) 8167 5745 e http://www.abdecpara.blogspot.com


19.4.10

Curta paraense ganha dois prêmios no Festival É Tudo Verdade

“Mãos de Outubro”, de Vitor Souza Lima acaba de levar os prêmios Canal Brasil e ABD - São Paulo de Melhor Curta-Metragem Brasileiro, no mais importante festival de documentários do Brasil.

Os vencedores da 15ª edição do Festival É Tudo Verdade foram anunciados na noite do sábado, 17.

“Foi mais um grande ano para a cultura do documentário no Brasil”, afirma Amir Labaki, fundador e diretor do festival. “A premiação distingue cineastas renomados e uma nova geração. Melhor impossível”, disse.

Realizado em 2008, o curta Mãos de Outubro foi vencedor Prêmio MIS-PA de Estímulo a Realização de Curta-Metragem e produzido pela Cabocla Produções. Ainda inédito em Belém, o curta, que agora traz na bagagem estas duas importantes premiações, cria ainda maiores expectativas de lançamento por aqui.

Finalizado em película, preto-e-branco e com 20 minutos de duração, retrata a importância das mãos que fazem a festa do Círio de Nazaré, manifestação religiosa das mais importantes que ocorre em Belém do Pará, toso os anos no mês de outubro.

O júri internacional do É Tudo Verdade foi formado por Bill Nichols, Marek Hovorka e Yoav Shamir. O júri brasileiro foi constituído por Andréa Pasquini, Carlos Eduardo Lourenço Jorge e Mariza Leão.

O É Tudo Verdade 2010 apresentou 72 documentários, dos quais 32 participaram das mostras competitivas, selecionados entre mais de 1000 títulos inscritos.

Maiores detalhes sobre os documentários premiados encontram‐se no site do festival.