
O curta "Quando a chuva chegar", de Jorane Castro, também está bem cotado. Foi selecionado para os festivais III Curta Taquary, na cidade de Taquaritinga do Norte (PE), onde será exibido no dia 11 de setembro; e para o Festival Latino-americano de Curta Metragem, na praia de Canoa Quebrada, em Aracati (CE), de 18 a 25 deste mês.
"Quando a Chuva..." é uma ficção que tem um tom de comédia ao contar a história de um casal que é envolvido pelo fetiche de um apartamento no Edifício Manoel Pinto da Silva, deixando toda a vizinhança em polvorosa a cada vez que chove na cidade.
É um filme adulto, com cenas de muita sensualidade, mas também de inúmeras homenagens, nas participações das atrizes Nilza Maria, da banda La Pupuña, Mestre Laurentino, Mendara Mariani, Hélio Castro e Armando Pinho para citar algumas.

O que os dois filmes tem em comum? A Jorane Castro, que dirigiu o primeiro, realizado pelo edital do MinC, e produziu o segundo, premiado pelo primeiro edital de incentivo ao fomento audiovisual do Museu da Imagem e do Som do Pará, via Secretaria de Estado de Cultura.
“Mãos de Outubro”, por exemplo, já participou de outros festivais e ganhou prêmios, como no caso do festival É Tudo Verdade.
“Estou muito feliz com a recepção que o filme vem tendo. Em julho o filme foi convidado para o Festival de Inverno de Bonito; em agosto, a Associação Curta Minas convidou o filme para participar de uma mostra no Cine Clube Curta Circuito, Belo Horizonte.

Para se ter idéia da relevância do convite, basta dizer que a mostra está reunindo os 12 mais importantes documentaristas brasileiros: Silvio Da-Rin, Sylvio Back, Sandra Werneck, Bebeto Abrantes, Eduardo Coutinho, Vladimir Carvalho, Jorge Bodanzky, Eryk Rocha, Maurice Capovilla e Octavio Bezerra.
Vitor explica que para engrossar o caldo, foram chamados quatro curtas-metragens para compor a Sessão Novas Luzes, e aí entrou o “Mãos...”. Os demais curtas são: Áurea (Zeca Ferreira), Bailão (Marcelo Caetano) e Haruo Ohara (Rodrigo Grota).
“Pra mim foi uma honra enorme receber este convite que coloca o Mãos entre quatro produções de importância no cenário brasileiro”, comemora Vitor que na foto ao lado dirige uma cena com o câmera Octavio Cardoso.

Ontem, por e-mail, Vítor respondeu a um bate papo com o Holofote Virtual e falou, além do que foi citado acima, sobre a experiência dele com a trajetória do filme e de suas intenções para o futuro.
Leia e depois visite o site do filme, onde há um histórico do que foi veiculado na imprensa até o momento, além de fotos de bastidores, trailer e dois teasers: www.maosdeoutubro.com.
Holofote Virtual: Como tens percebido esta trajetória do Mãos de Outubro, esperavas toda esta recepção?

Holofote Virtual: E você tem acompanhado o filme nestas participações, com tem sido sido esta experiência?
Vítor Souza Lima: Até agora só fui em dois festivais: o É Tudo Verdade, e, recentemente, ao Festival Internacional de Curta Metragem de São Paulo. Neste último, tive uma visão abrangente acerca da produção brasileira. Percebi que tem sido feita muita coisa boa, de qualidade, tanto técnica quanto estética.
E eu estava ali entre filmes que já haviam sido muito premiados em outros festivais, como o Festival de Brasília, de Gramado, o Cine-PE, em Recife...
Me senti quase um estranho no ninho. Mas vi também muitas produções de baixo custo, apresentadas em DVD (algumas delas sendo, infelizmente, prejudicadas pela qualidade da projeção em algumas salas).

Conversando com alguns realizadores sobre isso, eles me disseram que existe muita parceria com os laboratórios, e produtoras de Sampa - inviável pensar dessa forma aqui no Pará.
Holofote Virtual: O Mãos está super bem encaminhado. Como estão tuas expectativas quanto a novas produções?
Vítor Souza Lima: Quanto aos projetos futuros, tenho vários na cabeça, mas como sempre, estou à mercê de novos editais e da boa vontade das bancas julgadoras rsrs.... Porque uma coisa que eu comentava e observava muito por aqui era que quem julgava esses projetos, acabam escolhendo produções que tinham mais uma importância, digamos, antropológica ou histórica ou social, do que propriamente uma importância cinematográfica, estética.
Não que eu esteja desmerecendo a importância social de um filme, mas pra mim o que deve ser avaliado nesses projetos deve ser o valor estético da obra, afinal estamos lidando com cinema, com arte, e não com artigos científicos.

Vítor Souza Lima: Para mim, importa muito mais o "como?" do que o "o quê?" ou o "por quê?".
Talvez eu esteja sendo "purista" demais nesse aspecto, mas é esse o pensamento que eu tenho. Por exemplo, na época em que eu estava fazendo o projeto do Mãos, eu me perguntava se um filme como “Acidente”, do mineiro Cao Guimarães (meu ídolo!) seria selecionado pelas cabeças pensantes daqui...
É nesse sentido que eu acho que aqui ainda há um certo desdém com relação aos filmes que buscam uma experimentação mais estética, mais conceitual, a uma linguagem menos tradicional do documentário.
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