14.4.19

Arthur Nogueira fala sobre o Itinerâncias em Belém

Arthur e Fernanda (foto: Divulgação)
O show Itinerâncias será realizado dentro do projeto Parque Musical, que já completa 12 anos, e pelo qual já passaram inúmeros artistas da cena musical paraense e brasileira. O encontro da vez será saboreado ao gosto da palavra, que caracteriza o já reconhecido trabalho de Arthur Nogueira na esfera da canção. Nesta sábado, 20 de abril, no Teatro Gasômetro (Parque da Residência), com participação de Fernanda Takai e convidados. Ingresso a R$ 20,00, já à venda na plataforma Sympla. Temos um par de ingressos sendo sorteado pela página do blog no facebook, acesse e saiba como participar.

Completando 10 anos do lançamento do primeiro CD, Arthur (Valente) Nogueira está longe de ser considerado um iniciante. Vai completar no próximo dia 22 de abril, 31 anos, mas aos 20, ele já era um destaque no cenário musical de Belém em interação com o resto do país.  O conheci no início desta primeira década dos anos 2000, ainda um adolescente. Impressionava suas participações em bares que aos poucos o inseriram na cena e no circuito musical da capital paraense.

Cantor, compositor, violonista e jornalista, ele hoje está radicado em São Paulo, onde segue a carreira traçada com inúmeras conexões entre a poesia, a criação e a produção musical dele e de outros artistas. Ganhou grande repercussão quando O Globo o apontou como o cantor e compositor a “renovar a tradição dos poetas na canção brasileira”, trazendo um trabalho “calcado no caráter clássico da canção”, mas nem por isso “menos interessado no contemporâneo”. Lançou os CDs Mundano (2009) e Sem Medo Nem Esperança (2015). Organizou o livro "Encontros", que reúne entrevistas com o poeta e filósofo carioca Antonio Cicero. 

Arthur e Antonio Cicero
Foto: Daryan Dornelles/Divulgação
Do álbum “Sem Medo Nem Esperança”, lançado pelo selo Joia Moderna, com produção de Arthur Kunz (integrante da banda Strobo), teve a faixa-título gravada por Gal Costa no álbum Estratosférica. Isso o lançou mais alto e a partir daí outras conexões incríveis vieram a sua jornada, como o contato e amizade com Caetano Veloso. Em 2015, a canção "Preciso cantar", de Arthur Nogueira com o poeta Dand M, outro grande artista paraense, foi gravada por Cida Moreira.

Mais recentemente, uma das canções que regravou para o EP “Coragem de poeta”, “Por enquanto”, uma homenagem à Renato Russo e  Cássia Eller, ganhou vídeo com direção de Lucas Domires e Adriana de Faria, gravado no estúdio APCE, em Belém.

Arthur, que chegou a ser indicado ao Grammy Latino pelo seu mais recente disco, "Rei Ninguém" (2017), agora traz a Belém o projeto "Itinerâncias", com a participação da cantora e escritora mineira Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu, além do músico e parceiro Pratagy. No palco com eles, outros grandes músicos, Jacinto Kahwage (piano), Lucas Torres (guitarra) e Bruno Valente (violoncelo). 

Fernanda Takai (Foto: Divulgação)
O Parque Musical, projeto no qual chega o Itinerâncias, em Belém, vem sendo um dos principais projetos do Teatro Gasômetro. Por lá já passaram Nelson Mota, Maria Gadú, Badi Assadi, Tiê e Lobão, na sua boa fase, é bom que se diga... Entre outros. Um dos grandes destaques do projeto foi a gravação de "Troco Likes Ao Vivo: Um Filme De Tiago Iorc", com o qual Tiago Iorc foi o vencedor da categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa do Grammy Latino, em 2017.

De acordo com Léo Santos, idealizador do projeto,  o Parque Musical tem o intuito de fazer a integração entre grandes nomes da música nacional com os artistas da música paraense, além de dar oportunidade a novos artistas. “O projeto tem essa ‘vibe’ de retomar um pouco do que foi o Teatro Waldemar Henrique, para a música local, nos anos 1980, trazendo à tona essa história, mexendo com o movimento da nova música paraense, além de buscar sempre os novos artistas”, diz ele, que também é diretor do Teatro.

Fernanda Takai, que já traz ligações antigas com a música paraense, desde que ouvia Pinduca, ainda criança, está na expectativa. Vai cantar inclusive músicas do próprio Arthur. “Conversamos para combinar detalhes da viagem e definir o repertório. Claro que propus de cantar algumas canções do Pato Fu que fazem parte de minha memória afetiva, mas fiquei muito orgulhoso porque ela também sugeriu de cantar canções minhas”, comenta Arthur que continua o papo a seguir com a gente. Curtam aí!

Holofote Virtual: Musica e literatura, duas grandes paixões. Como isso flui no espetáculo?

Arthur Nogueira: Acredito que fluirá como sempre ocorre nos meus shows. Toda a minha relação com a música se dá por causa da palavra, então naturalmente meu repertório autoral abarca desde poetas brasileiros, como Antonio Cicero e Eucanaã Ferraz, até autores estrangeiros, como Adonis e Rose Ausländer. O roteiro do show terá canções dos álbuns “Rei Ninguém” (2017) e “Sem medo nem esperança” (2015), além de coisas que nunca cantei e da participação do Pratagy, esse jovem cantor e compositor paraense que admiro e com quem comecei uma parceria muito frutífera há dois anos.

Holofote Virtual: Além da participação do Pratagy e esse luxuoso acompanhamento musical no palco, a dobradinha com a Fernanda traz expectativas. Em Belém há milhares de fãs do Pato Fu, onde ela se consagrou como compositora e artista. Como foi o encontro com ela? De onde veio e para onde poderá ir, há algum desdobramento?

Arthur Nogueira: Conheci a Fernanda pessoalmente de uma maneira engraçada e inusitada. Eu estava em Belo Horizonte, assistindo a um show do Caetano ao ar livre, em um festival em praça pública. Estávamos os dois e mais alguns jornalistas e convidados na frente do palco. Em um dado momento, ele cantou uma canção que cita o Pará e me mandou um beijo. Caetano adora Belém. Claro que pessoas ao redor pensaram que o beijo havia sido para a Fernanda, que estava ao meu lado. 

Ela sorriu para os fotógrafos, mas depois virou pra mim e disse: “Isso não foi para mim, né?” E rimos. Apesar de conhecer a Fernanda há algum tempo, só agora senti que havia conexão para convidá-la para um projeto meu. Quando se trata de música, eu tenho muito respeito e acredito que tudo deve acontecer na hora certa. Não sabemos para onde vamos, mas estando curtindo o presente. Colhendo o dia.

Arthur e Cida Moreira
Foto: Murilo Alvesso
Holofote Virtual: E em Belém, vamos falar! Que bom te ter por aqui. Segues nesta relação de afeto...

Arthur Nogueira: Cantar em Belém é sempre especial. Sei que vou ter meus pais e alguns dos meus maiores amigos na plateia, por exemplo. É um calor diferente. Já tive a oportunidade de receber artistas muito importantes nos palcos da minha cidade, como Antonio Cicero e Cida Moreira. Agora é a vez da Fernanda, que faz parte da banda que mais ouvi durante minha adolescência, quando eu era apenas um jovem que sonhava em fazer música e tocava as músicas do Pato Fu em rodas de violão com amigos. Não vejo a hora e convido todo mundo para compartilhar comigo esse momento inesquecível!

Holofote Virtual: Além de compositor, cantor, poeta, também tens adentrado na produção musical... Quais os novos projetos teus?

Foto: Diego Ciarlariello
Arthur Nogueira: Acabei de lançar um EP de voz e violão, chamado “Coragem de poeta”, com canções de artistas que me inspiram e me fortalecem para eu ser quem eu sou nesse momento de tanto retrocesso no Brasil.

Sempre tive pudor com meu violão, mas vários amigos me estimulavam a gravar nesse formato. Chegou a hora.  Também acabei de produzir musicalmente os novos álbum e show da Fafá de Belém, “Humana”. O disco reúne canções inéditas de artistas como Adriana Calcanhoto, Letrux e Fátima Guedes e abre com uma parceria minha com a Ava Rocha, “Ave do amor”, feita para a Fafá.

No próximo semestre vou fazer a curadoria de um projeto reunindo poetas e "cantautores" em São Paulo. Pretendo começar a compor para um novo disco também e quem sabe lançá-lo no ano que vem. Não sei ainda o que seria ou como seria esse disco. Tenho algumas ideias, mas por enquanto vou curtir a repercussão do disco da Fafá, do meu EP e tudo o que pintar desse encontro com a Fernanda em Belém.

Serviço
Itinerâncias, com Arthur Nogueira e Fernanda Takai. Sábado, 20 de abril. Ingresso a R$ 20,00, já à venda na plataforma Sympla. Temos um par de ingressos sendo sorteado pela página do blog no facebook, acesse e saiba como participar. Teatro Gasômetro/Parque da Residência:  Av. Gov Magalhães Barata, 830 - São Brás, Belém - PA, 66063-240.

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