Estávamos eu e mais umas cinco pessoas na fila de espera. Felizmente a produção foi rápida e conseguiu mais cadeiras e espaço dentro do Teatro Universitário Cláudio Barradas da UFPA, que ficou completamente lotado para ver o primeiro espetáculo solo da Companhia Madalenas.
Ainda lá fora, o público é convidado a entrar pelos músicos e cantores que, em cortejo, entoam um canto, nos preparando para o que ainda estava por vir, um espetáculo feito de música, canto e corpo.
Com direção musical de Kleber Benigno, o Paturi do Trio Manari, coro e percussão ecoam pelo ar, amplificando a atmosfera mágica da sala de espetáculo, transformando-a em um espaço santo, sincrético e mítico.
O cenário é simples e emblemático. Do alto, pendem lanças. Abaixo delas, uma única lança fincada no centro do palco, tendo em torno velas, ainda apagadas. Inicia-se a defumação do ambiente.
Mais música, canto, toques percussivos e logo entra em cena Rodrigo Braga, o ator que, diante da platéia encarna quatro personagens.
Ora é um contador de histórias, ora uma criança, e vai de Ogum a São Jorge. O narrador conta as histórias do santo e o espetáculo torna-se uma metáfora. “Que perpassa pelos valores populares ligados a São Jorge e cria uma reflexão sobre os desafios que a vida nos desvela, pontuando de forma sutil a presença do mostro e do herói existente em cada um de nós, um eterno construir de novos desafios para desbravar outros caminhos”, diz o ator.
“Com movimentos lúdicos e orgânicos, este corpo santificado se debruça sobre uma espécie de dança do afeto, que baila no palco sua generosidade doando ao espectador suas vísceras em forma de sentimento no corpo e na palavra”, afirma o ator Rodrigo Braga.
Neste início de ano, Corpo Santo é um espetáculo que impressiona pela excelente produção, direção e atuação. Prêmio Mirian Muniz de 2009, da Funarte, na categoria montagem, consegue ser marcante e inesquecível.
A direção é de Leonel Ferreira, um dos fundadores da Cia Madalenas. Michele Campos, também fundadora do grupo, assina a assistência de direção e o texto que acompanha o programa de “Corpo Santo”.
Foram apenas dois finais de semana em cartaz. Mas “Corpo Santo” deve voltar à cena, em algum outro espaço da cidade e quem ainda não viu deve se preparar e não perder a próxima oportunidade.
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