24.5.14

“Antônimo” na teia musical de Antonio Novaes

Vi o show pela 3ª vez. As duas primeiras, nas apresentações realizadas, este mês, pelo Música na Estrada, em Parauapebas e Curionópolis. E mais uma vez, a performance da música do Antonio Novaes me alumbrou, como fez ao público das cidades do sudeste paraense, e também ao da plateia de Centro Cultural Sesc Boulevard, nesta sexta-feira, 23, oportunidade para ver, de maneira inédita, um show que de certo despontará em outros palcos.

No do Sesc Boulevard, eram 19h05. A cantora Cacau Novais, compõe os vocais, com Antonio, dando ao show os tons de contornos femininos, necessários. Theo Silva, no trompete, Príamo Brandão, no baixo, e Adriano Sousa, na bateria, complementam a banda, montada especialmente para estas apresentações, no Pará.

Aberto com “Calçada da Deselegância” (parceria com o compositor baiano Daniel Mã) o show trouxe no repertório músicas que farão parte do primeiro álbum de Antonio Novaes, “Antônimo”, projeto que ele desenvolve em São Paulo, onde está radicado, há seis anos.

Renato Torres e Puff
A noite seguiu com “Tenha Mais Cuidado”.  E ainda neste início, o público, já caloroso, foi surpreendido pela primeira participação da noite.  

Foi chamado ao palco, o músico, compositor e poeta Renato Torres, que cantou, “Toada Cluster”, parceria de letra e música com Antônio Novaes, a terceira do repertório.

Também foi chamado, para compor a cena com Renato, o saxofonista Marcos Cardoso, o Puff. “Vem pra cá Marcos Cardoso, um músico que admiro e que tem uma inteligência musical, incrível”, falou Novaes. A plateia gostou. E a teia musical construída pelo compositor, neste retorno a Belém, foi se evidenciando cada vez mais.

Cacau Novais
“Emoção de Fibra ótica”, a canção seguinte, chegou arrebatando. Logo no começo, o metal anuncia: 

“A tarde passa logo então te convém valorizar o ócio e esse teu vintém, já da pra ver, que cicatrizou, já da pra ver, que se cicatrizou, mas olha aí, mas olha aí, disfarçando a nostalgia feito um Faqui...”, diz a letra. E o piano chega junto...  e a música segue “... minha emoção de fibra óptica se derramou sobre o ecrã...”, como refrão.

O repertório ainda teve “Gelo”; “Roseado” e “Brechó do Brega”. Gravada originalmente no LP “Revirando o Sótão”, pela A Euterpia, a música, em 2013, ganhou nova versão, com Cacau Novais, no programa “Sala de Ensaio”, com Adamor do Bandolim, Lorena Brabo e Pio Lobato. Antonio ouviu, curtiu e nem pensou duas vezes para convidar a cantora para fazer parte de sua banda, por aqui.

Na plateia, Ana Clara Matos aguardava sua vez. Enquanto isso, vieram “Lixo”, “Dentro da Caixa" (parceria de letra com Rogério Nishizawa), e a participação de Natália. “Eu já vi algumas vezes este show e ainda assistiria muito mais”, comentou Natália Matos, assim que pisou no palco para fazer sua participação.  

Cacau, Natália, Theo
Eu vou chamar a Natália, agora, para uma participação. Ela vai cantar uma música dela, linda”, chamou o compositor. A canção foi “Você me ama, mas...”, executada já no final da apresentação. Era a décima música a ecoar no ouvido do público...

E Antonio Novaes chama Ana para cantar a penúltima música do show daquela noite. “Salve Zé”, já gravada com ela. A música feita em homenagem ao pai de Novaes é uma exaltação
à vida, a saudade e às coisas boas.

“Salve Zé, alegria da vida/ salve Zé, o que ela deixa de bom/ salve Zé, alegria da vida, salve Zé, o que ela deixa de bom/ salve os dias que a gente celebra, salve a festa que a vida nos dá, salve a água do mar da salina, cá no norte ou em qualquer lugar lugar” e segue, dando um tom de felicidade doce no ar.

A última música “Do Tamanho do mundo”, foi uma celebração com todos, no palco. Antonio Novaes se despede mais uma vez de Belém, como na canção.

Ana CLara
“Eu me perdi nos olhos dela/ eu fui embora daqui, mas levei um punhado de castanhas para me acompanhar/ E caminhei como de costume, entre horas a fio, mas no tropeço no caminho eu me lembrei que sou, pequenininho, do tamanho do mundo, nem tão sozinho, nem me chamo Raimundo/Pequeninino, do tamanho do mundo, nem tão sozinho, nem me chamo Raimundo...

Eu encaixei no dorso dela, mudei cidade, país, mas levei um chiado de S pra me acompanhar/e como sempre eu misturei contemporâneo e raiz, mas no apelo eu me lembrei que sou, pequeninho, do tamanho do mundo/nem tão sozinho, nem me chão Raimundo...”.


Foi ótimo! Ouça algumas das músicas aqui: https://soundcloud.com/antonio-novaes

6 comentários:

carlosbrito disse...

Que massa, o Antonio Novaes, não me acostumo a chama-lo assim, pois durante os 11 anos d'A Euterpia só o chamávamos de Neto, ou Novaes Neto (e ai tem uma piada interna da banda), é um grande compositor, e que bom saber que seu trabalho solo está tendo uma ótima recepitivadade de público. A banda acabou, e mesmo com o distanciamento natural (cada fazendo seus corres) torcemos um pelo outro...

jenice assuncao disse...

eu fui ao show dele no sesc tmb, e adorei, eu ainda n o conhecia, mas eu ouvi na radio cultura ele cantando, m encantei com as musicas do Antonio Novaes, virei fã, fui pesquisar sobre ele e as musicas dele, ja conheci todas,e adoro a musica "do tamanho do mundo", quero logo ver outros shows dele...

Renato Torres disse...

querida Lu!

massa a matéria sobre este grande artista que é o Novaes! parabéns! só duas correções: a composição Toada Cluster é uma parceria de letra e música com Antônio Novaes, e não consta do livro; o livro se chama "Perifeérico", no singular - durante o show, abri o livro e li o poema "Inventania".

beijos,

r

Holofote Virtual disse...

Grata pelas correções, Renato! Serão feitas, já! bjos

antonio novaes disse...

Lu querida , mais uma vez muito obrigado pelas belas palavras. Também ajudando nas informações , Calçada da Deselegância é uma parceria com um amigo e compositor Baiano que mora em São Paulo Daniel Mã e Dentro da Caixa uma parceria(Letra de) com Rogério Nishizawa . Bjs

Holofote Virtual disse...

Oi Antonio, grata, já está incluído!