27.11.15

Pedro Vianna lança três faixas de seu primeiro CD

Três estúdios e três anos pra lançar três músicas. Levou tempo, mas o EP tão sonhado por Pedro Vianna, poeta, produtor e compositor, saiu de forma independente e foi lançado nesta quinta-feira, 26, em formato virtual, pelo soundcloud do músico.

Intitulado “Filosofia”, o músico define o EP como “fragmento digital do CD” que lançará fisicamente, em 2016. Só que ninguém vai precisar esperar terminar 2015 pra conhecer o álbum completo, com suas nove faixas. No dia 12 de dezembro, Pedro Vianna e banda já fazem o primeiro show com repertório e arranjos do disco, no Sesc Boulevard. 

“Nesse mesmo dia eu vou disponibilizar o disco na íntegra, as faixas, pra download. Depois a gente lança o CD físico em show no Schivasappa em fevereiro. Depois é tocar e circular”, diz Pedro Vianna.

Por enquanto, ficamos com Canal do Galo ( Dand M / Paulo Lobo), Filosofisa (Noel Rosa / André Filho) e Quando Iara sorriu (Leandro Dias/ Pedro Vianna). O EP define bem as afinidades de Pedro Vianna, com a MPB e o rock e ressaltam também um flerte com música eletrônica. O título é uma alusão à música de Noel Rosa, gravada por Pedro.

“O Noel é mais que uma referência musical, ele é o grande cronista do samba, as canções dele são atemporais, ele consegue atingir uma intensidade poética sem perder o humor e a ironia”, explica. Além de composições próprias e de outros compositores paraenses, o CD também traz uma outra grande referência para o músico, o “maldito” Sérgio Sampaio. Pedro Vianna chegou a realizar anos atrás um show com repertório sampaiófilo.

Será um disco essencialmente de sambas, mas com experimentações. 

“O samba é a base de tudo, mas é um samba que dialoga com outras referências contemporâneas. Gosto de pensar num samba sujo de contemporaneidade. A produção do Leo Chermont foi determinante na condução dessa pegada mais experimental. As letras contam histórias. 

Adoro essa coisa da crônica cotidiana que flerta com o filosófico, e que acaba sendo a marca de grandes sambistas como Noel, Cartola, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho. Esses são os meus heróis. E no disco eu também tento contar essas histórias de uma realidade por vezes submersa, mas que pulsa de forma intensa pra quem se permite percebê-la”, explica.

Comprometido com a qualidade e com a alegria de construir um novo trabalho, Pedro diz que vive um momento de liberdade para experimentar. “É muito bom não estar musicalmente preso a qualquer rótulo e ter a tranquilidade de trabalhar sem pretensões. Meu único compromisso foi com a qualidade do que me propus fazer e com a diversão envolvida no processo. Essa coisa do humor e da ironia me fascinam”, comenta.

Gravado entre 2013 e 2015, nos estúdio estúdios Lab Zone, Toca do Coelho e Zarabatana, “Filosofia” é prova desse esforço coletivo de pessoas que se unem para realizar, conta com vocais de Natália Matos e Renata del Pinho, nos vocais; Leo Chermon, nas guitarras, efeitos e produção musical, Ziza Padilha nos violões, Felipe Sequeira, no contrabaixo, Junior Gurgel, na bateria, Márcio Jardim, na percussão e Bruno Mendes na cuíca. A produção executiva é da Senda, mixagem de Carlos Valle, masterização de Sérgio Softiatti, fotografia de Carlos Borges e design do próprio Pedro Vianna.

Patrocínio, cultura, coletivos e ocupações

O CD, por enquanto, não tem patrocínio, mas sua carreira já está sendo pensada. “Já estamos tramando a gravação do clipe da música Canal do Galo, em janeiro, pra lançar junto com o CD no Teatro”, adianta o músico, que é também produtor cultural e vivencia a difícil tarefa de trabalhar com arte e cultura no Brasil. 

Ele é um dos coordenadores da Virada Cultural de Belém. O projeto, que estreou com sucesso em dezembro de 2014, sofreu um pequeno adiamento para a realização de sua segunda edição, este ano. Ficou pra 2016. 

“A Virada foi adiada pra semana dos 400 anos de Belém. É uma data histórica e achamos importante não ficar de fora da festa”, diz ele. “Acho que os artistas e produtores tem que se unir pra fazer uma grande festa nos 400 anos. Independente de patrocinadores, governos e etc. A cidade é nossa e merece ser ocupada”, conclui.


25.11.15

Roteiro Geo-Turístico está de volta neste Circular

Pois é, em setembro não teve e muita gente reclamou, mas neste domingo, 29, a 9ª edição do Circular Campina Cidade Velha, recebe novamente o projeto Roteiros Geo-Turísticos da UFPA, em sua programação. E com novidade. Vai percorrer as ruas em que estão as principais obras de um certo arquiteto italiano que se apaixonou pela Amazônia. A saída para o roteiro "O arquiteto Antonio Landi e a Belém do século XVIII" será às 8h, da Casa das Onze Janelas, onde já haverá muito o que falar da paisagem arquitetônica idealizada e construída por ele na capital paraense.

Os 400 anos de Belém estão na ordem do dia e na pauta da cidade. Por isso, a ideia de circular pelo Centro Histórico de Belém deveria soar, no mínimo, necessária a todos nós, afinal não há como proteger e exigir atenção para algo que não conhecemos. E por incrível que pareça, tem muita gente que mora em Belém, mas não conhece direito ou nunca circulou ali pelos bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto, três áreas chaves do surgimento da capital paraense.

Nas últimas edições do Circular Campina Cidade Velha, vimos algumas pessoas encantadas com a Igreja do Carmo, que não sabiam onde ficava o Fórum Landi e nunca, nunca na vida tinham ido à Praça do Carmo. Mercado do Sal? O que é isso? Quanto espanto e emoção ao decobrir uma cidade (velha). Assim fica mais fácil de entender porque precisamos preservar suas praças, prédios e sua história, e de nos apropriar desse espaço urbano histórico e patrimonial, além de residencial.

A prof. Goretti Tavares, que coordena que coordena o GGEOTUR - Grupo de Pesquisa em Geografia do Turismo da UFPA, responsável pela elaboração dos Roteiros Geo-Turísticos, conversou com o blog, ela comentou acerca dessa descoberta a ser feita pelas pessoas, e contou mais detalhes sobre o projeto que tem conquistado o coração dos paraenses e atraído de forma diferenciada também o turista.

“Infelizmente o belemense não conhece sua cidade. Este é um dos objetivos do projeto, fazer os moradores conhecerem, amarem e se apropriarem da cidade. Ter o sentimento de pertencimento do espaço urbano. Nesse sentido, ele pode defender, pensar e propor para uma cidade melhor, defender a preservação de sua memória e patrimônio. Mas também entender que a questão do debate do patrimônio, deve ser integrada a outras questões da cidade, como lixo, saneamento, circulação, violência, desigualdade social. Enfim, pensar a cidade e o centro histórico de forma ampla e não desarticulada da realidade sócio econômica”, diz Goretti Tavares.

Secretariado da prefeitura é convidado a participar

Os roteiros criam laços, causam emoção. “Não é um ‘fast tour’. É um percurso demorado, em que contextualizamos e sentimos a cidade em suas mais variadas dimensões, pessoas, prédios, ruas, cheiros, sabores, conhecimento científico, saberes locais, tradicionais, imagens e etc”, ressalta Goretti. Mas só participando pra ver e convites pra isso não faltam.  Na semana passada, a professora esteve presente na reunião do projeto Circular Campina Cidade Velha com a prefeitura, e nem secretários que integram o comitê gestor “Cuida Belém”, escaparam.

“Sim, convidei o secretariado. Será uma forma ótima para eles identificarem os problemas do centro histórico, de ouvir as pessoas participantes, de sentir a cidade da perspectiva da rua”, diz Goretti. “Essa ideia surgiu de nossa reunião, quando levantávamos o que o Centro Histórico precisa de mais atuação da Prefeitura”, continua, afirmando que seria muito bom para os secretários participarem diretamente do evento. “Ou pelo menos mandar representantes para levantar o que o Centro Histórico precisa, assim como teriam a oportunidade sentir a cidade de perto”, acredita.

Esta é uma especificidade do projeto. Ao contextualizar a dimensão geográfica, histórica e cultural da cidade, vai abordando a importância de seu patrimônio material e imaterial da cidade. O Geo-Turistico foge aos padrões dos passeios que reúnem apenas turistas. "Pela nossa estatística, 95% das pessoas que já participaram dos nossos roteiros são moradores da idade de Belém”, diz Goretti Tavares.  No entanto, é também uma oportunidade única para quem está só de passagem por aqui.

História com sete roteiros de sucesso

Goretti Tavares entrou como aluna do curso de Geografia na UFPA, no ano de 1985 e, como docente da Faculdade de Geografia, no ano de 1991. 

São 30 anos de formação, pesquisa, ensino e projetos desenvolvidos na área da Geografia. Além de projeto de pesquisa sobre as políticas de patrimônio no Estado do Pará, ela participa como pesquisadora em outros projetos que envolvam a pesquisa da Geografia da Amazônia e Geografia do Pará.

O projeto Roteiros Geo-Turístico surgiu em janeiro de 2011, a partir de debates desenvolvidos dentro do grupo de pesquisa da Faculdade de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPA. O projeto de extensão é gratuito, não é comercializado. Desde que foi implantado já arrastou pelas ruas de Belém quase cinco mil pessoas, a maioria moradores da cidade ou paraenses a passeio pela capital. É um sucesso. A fórmula? “Seriedade e compromisso é o principal. A equipe estuda o roteiro e o apresenta ao público que frequenta a circulação”, simplifica Goretti.

O projeto possui hoje sete roteiros prontos para serem executados: Bairro da Cidade Velha (2011), Ver o Peso ao Porto de Belém (2011), Bélle Èpoque (2012), Interior do Bairro da Campina (2012), Bairro do Reduto (agosto de 2013), Estrada de Nazaré (2014) e O arquiteto Antonio Landi e a Belém do século XVIII (2015). A divulgação é feita principalmente pelas redes sociais, como facebook, pelo telefone via whatsapp e pelo famoso e infalível "boca a boca".

Novo trajeto traz arquitetura de Landi em Belém do Pará

Para montar cada percurso é necessário pesquisa. Os alunos e integrantes do projeto vão atrás de livros, textos, dissertações, teses, documentos, fotografias, entrevistas e a todas as fontes possíveis, disponíveis e necessárias para trazer coisas que nem sempre estão na superfície do monumento. 

A partir disso é montado um texto guia com os resumos dos pontos selecionados para cada roteiro. Antes de divulgar ao público, são realizados roteiros testes, que servem como treinamento para os monitores, “que são alunos do ensino médio, da graduação em Geografia e Turismo e outras áreas afins e do mestrado em Geografia da UFPA”, explica a professora.

O mais novo roteiro do GGEOTUR-UFPa vai passar pelas obras que foram projetadas pelo arquiteto Antonio Landi ou que lhes são atribuídas. “Antonio Landi vem para Belém no século XVIII na comissão demarcadora enviada pelo Marques de Pombal, e aqui vai construir diversas obras ligadas ao Estado, a Igreja e Civis e que permanecem na cidade”, explica Gotetti.

O percurso será a pé pelas ruas, com paradas a frente dos seguintes locais: Casa das Onze Janelas - Catedral da Sé - Casa Rosada - Igreja do Carmo - Fórum Landi - Igreja de São João - Palácio dos Governadores - Igreja das Mercês - Capela Pombo - Igreja Nossa Senhora do Rosário - Igreja de Santana.

O último roteiro geo-turístico de 2015

O roteiro deste domingo, 29, será o último de 2015.  “O próximo será o roteiro da Cidade Velha em 17 de janeiro de 2016. Vamos comemorar cinco anos do projeto, 400 anos da cidade de Belém e também a 10ª edição do projeto Circular. No final deste roteiro lançaremos um vídeo documentário sobre o projeto”, revela.

Então quem quiser viver esta emoção, não pode faltar no domingo, 29 ao passeio geo-turístico, mas o Circular Campina Cidade Velha também vai contar com programações em diversos espaços, um passeio fotográfico com o historiador Michel Pinho e outro ciclistico com o pessoal do Pedal Corujão, com o Bike Roteiro, que também sairá cedo, mas ali da Rua Calos Gomes. Vai ter também foto varal nas ruas da Cidade Velha e enfim, muita coisa, #vemcircularbelem.

Anote



Albery Albuquerque traz o "Som da Mata" pro Sesc

Após um hiato de dez anos, o músico traz de volta sua pesquisa musical para os palcos e se apresenta, no próximo sábado, 28, no Sesc Boulevard. A partir das 19h, acompanhado por seu novo grupo, o "Albery Albuquerque Quinteto”. Entrada franca.

Músico, professor graduado em Licenciatura Plena com Habilitação em Música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), pesquisador, compositor, violonista e conferencista. Albery Albuquerque Júnior é conhecido no meio musical pela pesquisa que desenvolve, há mais de trinta anos, reunindo o estudo das vocalizações de diversas espécies de animais amazônicos. 

O show "Som da Mata" reúne algumas das composições feitas a partir de sua pesquisa musical publicada no livro "Música Transmórfica - a ciência da arte aplicada à arte da ciência".  O trabalho, incentivado pela bolsa do Instituto de Artes do Pará (atual Fundação Cultural do Pará), resultou na criação da “Música Transmórfica da Floresta”, linguagem que adapta à estrutura musical, as manifestações sonoras dos animais. 

Cada espécie abordada foi percebida como um gênero musical e as composições estão inseridas nesses paradigmas. A partir daí Albery já compôs várias músicas. Algumas delas estão no repertório que o público vai ouvir neste sábado, 28. 

Para executar o repertório e levar a linguagem ao conhecimento do público, o violonista Albery recrutou recentemente um time de músicos que já vêm acompanhando sua pesquisa e formou o Albery Albuquerque Quinteto, com seu filho Thiago Albuquerque nos Teclados e samplers, Tom Salazar Cano, nas guitarras, Príamo Brandão ao Contrabaixo e Carlos “Canhão” Brito Jr. na Bateria e Percussão.

A linguagem musical de sua pesquisa já foi apresentada em discos e livros (Cd didático Cantos da Natureza e o Cd Timbres da Natureza Amazônica, Fonte de Clavenários), e também rompeu fronteiras, sendo levada a outros países e referenciada em diversas publicações, inclusive em veículos do exterior (rádio BBC de Londres), British Council (organização internacional do Reino Unido para relações culturais e oportunidades educacionais), e numa importante edição norte-americana sobre os cantos dos pássaros (“Nature’s Music – The Science of Birdsong”, de Peter Marler e Hans Slabbekoorn).

BANDA TRAZ MÚSICOS EXPERIENTES

CARLOS “CANHÃO” BRITO JR. – Bateria e Percussão. Iniciou seus estudos de bateria com o professor Mariano Primo em Belém/Pa, logo após entrou para o grupo de Percussão do Conservatório Carlos Gomes (Belém­Pa/ Brasil), onde foi aluno na classe da Profª Maria Claudia Oliveira e do Prof. Ricardo Aquino. 

Participou como músico integrante do Grupo de Percussão da FCG dos IV,V e VI Encontro Brasileiro de Percussão; I,II e III Encontro Latino-americano de Percussão; 1º Encontro Pan-americano de Percussão; 1º Encontro Nordestino de Percussão; do VII ao XVII Festival Internacional de Música do Pará. 

Atuou como Sonoplasta nas peças teatrais: A Vida é Sonho e Os 14 Passos da Paixão ­ Via Crusis. Participou das Gravações de Murucutu (SalomãoHabib), Pequeno Brinquedo para Fagote, Piano e Percussão (Sérgio Igor Schenne), CD Um Canto À Virgem ­ Vários Artistas, CD Caótico e Harmônico e CD Revirando o Sotão (Banda A Euterpia), Ex­integrante dos grupos: A Euterpia, Big Band do Sesc Vila Mariana (SP), Florbela Spanka, Blues & Cia, Grupo de Percussão Gestos Sonoros (SP),Coisa de Ninguém, VKTrio (Rus), Araticum (SP) e outros mais. Atualmente Integra os grupos: O Grupo o Campo e a Cidade (SP/PA). Banda que acompanha o Mestre Vieira, (PA), Albery Albuquerque Quinteto, Presidente Elvis, VKTrio (Rus), Grupo Instrumental AtéJazz.

PRÍAMO BRANDÃO - Contrabaixo: É um dos contrabaixistas mais requisitados da cena musical paraense, já participou de inúmeros trabalhos com diversos artistas brasileiros em seus mais de 20 anos de carreira. É também professor e pesquisador. Foi contrabaixista da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, onde participou da gravação dos DVDs das Óperas: Carmem (Bizet), Madame Buterfly (Giacomo Puccini) e Bug Jargal (Gama Malcher). 

Por mais de 15 anos foi contrabaixista titular da Orquestra Amazônia Jazz Band e como instrumentista acompanhou grandes nomes da MPB como Walter Freitas, Billy Blanco, Mestre Vieira, Albery Albuquerque, Danilo Caymmi, Andréa Pinheiro, Guinga, Rafael Lima, Liah Soares, Mariana de Morais, Gaby Buarque, Mauro Prado, Pio Lobato entre outros. Atualmente é professor e coordenador do Curso Livre de Contrabaixo do Projeto Orquestra Marajó.

THIAGO ALBUQUERQUE - Tecladista, compositor, e pesquisador, técnico em informática e especializado em imagem e som.  Thiago Albuquerque pesquisou e lançou como co-autor a pesquisa que resultou no livro “Música Transmórfica – a arte da ciência aplicada a ciência da arte”. Em 2004 – Participou do show como músico (teclado)  e desenhista sonoro do show de abertura do XIX Congresso Internacional de BioAcústica ao lado de Albery Albuquerque,realizado na Universidade Federal do Pará, em convênio com diversa universidades e instituições internacionais.  

No mesmo ano participou também da Bienal Internacional de Música do Para, ainda neste ano fez o desenho sonoro do show do cantor francês Frédéric Pagés denominado, A Palavra Música, realizado no Teatro do Centur (Pa). Em 2005 Faz o desenho sonoro do filme a Origem dos Nomes da cineasta Marta Nassar; e também participa do projeto “Ao Mestre Uirapuru” aprovado pelo comissariado franco brasileiro, show este apresentado na França, por Albery Albuquerque e grupo.

Em 2010 compôs a trilha sonora para o trabalho acadêmico relacionado a biologia para UFPA denominado “Casos Clínicos” com direção de Fábio Rendeiro – Biólogo e pesquisador da UFPA. Esse documentário foi premiado internacionalmente. Em 2012 a Casa Rosada inaugurou a Sala Landi. Onde apresentou a Linguagem Transmórfica, frutos  da pesquisa realizada por Albery e Thiago Albuquerque, onde apresentaram a música “Trilha de Landi”, especialmente composta para este evento. 

TOM SALAZAR CANO: O guitarrista iniciou seus estudos musicais aos 10 anos, em aulas de violão com sua mãe, Erotildes Salazar. Prosseguiu como autodidata recebendo posteriormente orientações do violonista Nego Nelson. Em 1999, ingressou no Conservatório Carlos Gomes onde concluiu o curso de violão clássico. Em 2007, graduou-se no curso de Bacharelado em Música (UEPA), sob a orientação do Profº Dr. Sidney Molina (SP). 

Aperfeiçoou-se em violão com o Prof. Henrique Pinto no Conservatório Villa Lobos (SP). Também participou de workshops de guitarra com: Nelson Faria, Kiko Loureiro e Mozart Melo. Em 2015 recebeu o título de Mestre em Artes pela Ufpa. Atua como músico profissional desde 1997, tocando em casas de shows, festas noturnas e em gravações. 

Foi guitarrista da banda A Euterpia durante 10 anos, além de ter acompanhado outros grupos e artistas como: Adriana Cavalcante, Beto Paixão, Larissa Wright (AUS), VK Trio (RUS), Orquestra de Violões da Alemanha (GER), Albery Albuquerque, Andréia Dias (SP), Aíla e Camila Honda. Participou de diversos festivais pelo país como: Feira da Música de Fortaleza (CE), Grito Rock (MT), Festival Cultura de Verão (PA), Festival Se Rasgum (PA), Baiacool Jazz Festival (PA), II Festival de Ópera da Amazônia (PA), Conexão Vivo (PA), Quebra Mar (AP), Até o Tucupí (AM), Festival Contato (SP), VI Mostra da Canção Brasileira Independente (PB), Oi Futuro Ipanema (RJ) e Virada Cultural (SP) entre outros. 

Em São Paulo atuou como violonista da Orquestra de Violões do Conservatório Souza Lima, no quarteto de música instrumental Araticum. Realiza ainda direção musical e arranjo em espetáculos teatrais. Também desenvolve atividades pedagógicas na área musical: lecionou na Universidade Federal do Pará e no Colégio Hélios (SP). Atualmente leciona no Conservatório Carlos Gomes (PA) e possui um trabalho com canções autorais em parceria com Daiane Gasparetto intitulado “O não lugar”.

Serviço
Show Som da Mata, com "Albery Albuquerque Quinteto". Neste sábado, 28 de novembro, às 19h, no Sesc Boulevard. Boulevard Castilho França, em frente a Estação das Docas. Entrada franca. Mais informações: (91) 98134-7719 / (91) 98066.7894.

23.11.15

"Noite do Cantagalo" reúne música e solidariedade

Na Ilha do Marajó, um cortejo inspirado nos Cordões de Pássaro resgata as tradições do povo ao som das caixas de boi-bumbá e transmite saberes ancestrais para as novas gerações. É o Cordão do Galo,  que só é realizado no mês de janeiro. Os preparativos para 2016 começam em Belém, com a "Noite do Cantagalo", espetáculo artistico que será realizado dentro do Projeto "Uma Quarta de Música", do Teatro Margarida Schivasappa. Nesta quarta-feira, 25, a partir das 20h, ingressos R$ 10,00 (R$ 5,00 meia).

Todo mês de janeiro é assim .O Cordão do Galo sai espalhando música, dança e arte, pelas ruas de Cachoeira do Arari, no Marajó. A festa, que já se tornou parte do calendário de atividades do município, foi idealizada lá mesmo, em 2008, pelo Instituto Arraial do Pavulagem. Agora, contemplado no Edital de Projetos Artísticos da Fundação Cultural do Pará, o Cordão do Galo resolveu iniciar seu preparativos por Belém.

A Noite do Cantagalo ganha o palco do Maragarida, nesta quarta, reunindo além do público, artistas, produtores e agentes culturais em um espetáculo de solidaridade. Além do ingresso, o Pavulagem sugere a doação de dois quilos de alimento não perecível, na entrada. Tudo será revertido para as comunidades de Cachoeira do Arari envolvidas Cordão. 

"Vamos reunir nossos amigos e parceiros que vão doar um pouco de seu tempo e talento para essa noite de solidariedade. Uma noite que já faz parte do calendário de atividades do Arraial do Pavulagem e antecede os preparativos do Cordão do Galo, o cortejo que começamos a construir em 2008 em Cachoeira”, comenta Ronaldo Silva, presidente do Instituto Arraial do Pavulagem.

Música e teatro - A Noite do Cantagalo abre com a apresentação de“Borbô”, espetáculo do Projeto Camapu. A peça evoca o tempo bom de ser criança, através do frenesi de "Borbô", uma pequena lagarta que canta sua paixão por uma flor. 

Temas como transformações, escolhas e estados de ânimo povoam a apresentação de bonecos, esculpidos com madeira de pinho e marupá para encantar crianças de todas as idades. A programação também shows da banda Arraial do Pavulagem e participações especiais do grupo Quaderna, Roda Cantada, Marcella Martins e Taylan Pereira. 

Serviço
7ª Noite do Cantagalo. Dia 25 de novembro, às 20h. Teatro Margarida Schivasappa (Gentil Bittencourt, entre Quintino Bocaiúva e Rui Barbosa). Ingressos antecipados na Loja Ná Figueiredo (R$ 10 inteira e R$ 5 com meia entrada de estudante), além de dois quilos de alimento não perecível para quem puder também colaborar.

20.11.15

Uma aula antes do Duelo da Rabeca com o Violino

Nesta sexta-feira, 20, no Teatro Gasômetro do Paqrue da Residencia, Mestre Maciel Salú e Maestro Israel de França apresentam ao público paraense, “O Duelo da Rabeca com o Violino”, projeto que traz uma aula prática com os dois, das 18h às 18h50, aberta a estudantes de música, compositores, músicos profissionais, artistas de teatro, atores de cinema, pesquisadores, dançarinos, amantes da cultura popular. O público é amplo. A aula, gratuita. Em seguida, a partir das 20h, entra em cena o espetáculo.

Uma história de resistência e muito talento.  Maciel Salíu e Israel de França são dois nomes poderosos da cultura de Pernambuco, duas entidades, costumam dizer. Um tocador de Rabeca, outro de violino, um mestre da cultura popular, outro, maestro premiado internacionalmente, que rege orquestras na Europa. Ambos, homens negros que conhecem muito bem o que é preconceito e o que é superação.

Israel França nasceu em Olinda, aprendeu a tocar no colégio e, com o incentivo de uma professora e foi parar na Europa, onde é maestro da sinfoneta de Granada, na Espanha. E Maciel Salu já nasceu ouvindo o avô e o pai tocando rabeca. Instrumento de origem árabe foi ganhando formas número de cordas, afinações variadas, de acordo com as tradições dos lugares onde era confeccionada.

Quando Israel era criança, corria pela rua com um violino na mão, atrasado para pegar o ônibus. Acabou preso por dois policiais que pensaram que ele tinha roubado o instrumento. Na delegacia, para provar que o instrumento era seu, tocou, mesmo naquela aflição, Jesus Alegria dos Homens composição de Johann Sebastian Bach.

Maciel cresceu em contato com o cavalo-marinho, as sambadas de maracatu, a ciranda, o forró, o coco, entre outros brinquedos. Iniciou a carreira artística, ao lado de familiares, integrando os grupos Os Quentes do Forró e O Sonho da Rabeca.


Para compartilhar histórias e talento

Das 18h às 18h50, a aula prática é o momento em que os dois mestres podem compartilhar suas vivências. “É a hora de contarmos nossas histórias e incentivar os jovens que muitas vezes tem seus sonhos podados pela vida, para não desistirem do que acreditam. Pois mesmo com as adversidades é possível a gente chegar onde queremos. Nem a minha história, nem a de Israel foram fáceis.  Tivemos algumas dificuldades, mas hoje vivemos exclusivamente de música, algo que amamos!”, enfatiza Mestre Maciel Salú.

No espetáculo das 20h, veremos um duelo de muito amor à música, que irá se descortinar para nossos olhos, invadindo de forma suave, mas também vigorosa, nossos ouvidos. Venha para se emocionar. “O repertório foi criado por mim e Israel. Trouxemos para o espetáculo músicas minhas e dele, além de músicas de compositores clássicos como Bach, Vivaldi e Mozart. Entre as músicas estão algumas obras inéditas minhas, “Devaste” e “Dois empariados”, que compus especialmente para o Duelo, além de “Mãe do mar” que compus há alguns meses, mas essa é a primeira vez que executo ao vivo no palco”, revela Mestre Maciel Salú. 

“O Duelo da Rabeca com o Violino, uma peleja de amor à música”,se apresenta em Belém, a última capital da circulação, antes do encerramento, em Recife (dezembro). O espetáculo e a aula show já passaram, antes, por Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba, com patrocínio dos Correios e realização da Margot Produções em parceria aqui em Belém com o projeto Parque Musical, do Teatro Gasômetro. 

“A experiência do duelo está sendo algo totalmente diferente de tudo que já fiz. Eu sou músico erudito, e como todos, toco Mozart e Bach, e toco também música brasileira, mas eu nem imaginava que ia dar em tudo isso que estamos vivendo. No Duelo, eu provoco a Rabeca de Salú a tocar música clássica, como Vivaldi, por exemplo. E a Rabeca é um instrumento bem Diferente do violino. Não é um instrumento típico de teatro, é do terreiro, é regional, da terra mesmo. Então esta união que estamos fazendo foge a todos os padrões”, diz Israel de França.

“O Duelo da Rabeca com o Violino na verdade só tem de duelo o nome. No palco não estamos preocupados em concorrer um com um outro, queremos somar e aproximar os dois instrumentos, provando que o clássico pode estar no popular e o popular pode também tocar com a maestria do clássico”, continua Maciel.

Mestre Maciel e Maestro Israel de França são representantes legítimos do Movimento Armorial, fundado por Ariano Suassuna na década de 1970, que buscou formas de intervir no que chamava de “cultura brasileira”, encarada por ele como uma espécie de patrimônio nacional, preservado no povo. (BARROS, 2008, p.335). Segundo Suassuna o movimento tinha como objetivo, “criar uma arte erudita brasileira a partir das raízes populares da nossa cultura, e de combater, assim, o processo de vulgarização cultura ao qual ainda hoje nos encontramos submetido”. (id, p.9) Ou ainda: “lutar contra o processo de descaracterização que a cultura brasileira vem sofrendo...” (SUASSUNA, 2003, Apud BARROS, 2008, p.335). Fonte:http://euterpedespedacada.blogspot.com.br/2014/07/o-movimento-e-musica-armorial-de-ariano.html

Artistas e músicos com experiência e talento de sobra

O espetáculo conta ainda com a bailarina e coreógrafa Maria Paula Rêgo (direção artística), o artista visual Toni Braga (projeção de cenário) e os músico multi-instrumentistas Rogê Victor, Rodrigo Samico e Emerson Santana. Todos eles, com larga experiência na cena artística brasileira, prometem dois grandes momentos de arte e educação através da música, da dança e das artes visuais. 

Israel França e Maciel Salú estão muito bem acompanhados. Maria Paula, a bailarina, por exemplo, é formada em Licenciatura em Educação Artística (Teatro) pela Universidade Federal de Pernambuco e Licenciatura em Dança pela Paris VIII/ Sorbonne. Possui Especialização em Coreografia pela Universidade Federal da Bahia. 

Já no Grupo Grial, teve grandes mestres da Tradição Popular (Mestre Salustiano, Paulinho Caboclinhos Sete Flechas, Maurício do Maracatu Estrela Brilhante, Seu Martelo e Seu Biu Alexandre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro). Sua experiência profissional como bailarina tem participações no Balé Popular do Recife (PE); Balé Apsaras (PE); Cie Les Passagers (FR) e Grupo Grial (PE). Como coreógrafa cunhou o Balé Apsaras e o Grupo Grial.

Toni Braga, artista visual e produtor, estudou com Abelardo da Hora, Paulo Bruscky, Daniel Santiago, Silvio Hansen, João Câmara, Delano, Gil Vicente. José de Moura, José Carlos Viana. Criou cenários para o Cascabulho, Baião D3, Mestre Salustiano, Encontro de Pífanos e Naná Vasconcelos. 

Como Produtor iniciou no projeto 'Seis e Meia' com artistas como Nelson Gonçalves, Nana Caimmy, Beto Guedes, Toquinho, Carlos Lira, MPB4, Quarteto em Si, Xangai, Lenine, Luiz Melodia. CD's produzidos porToni Braga: Baião D3, 'Sonho da Rabeca' (Mestre Salustiano), 'Cavalo Marinho' (Mestrte Salustiano ) 'Família Salustiano' e 'Mundo' Maciel Salú 2012.

Rogê Victor, músico multi-instrumentista, é formado em Música pela UFPE e professor, atua no mercado profissional desde 1995. Atuou como músico de Fernando Deluqui ( RPM ), Adriana Calcanhoto, Nando Reis, Beto Guedes, Marzinho Lima (Mestre Ambrosio), Juliana Kehl, Ricardo Nash, Ivaldo Moreira, Claudia Dorei, Bruno D la Rosa e Cid Campos entre outros. Trabalha na área de produção musical, trilhas sonoras, sound designer e acompanha artistas pernambucanos como Hugo Linns, Rodrigo Caçapa, Mestre Ferrugem, Fadas Magrinhas e Maciel Salu.

Rodrigo Samico, produtor musical e produtor cultural, compositor, arranjador, é professor de violão popular e violão de 7 cordas do Conservatório Pernambucano de Música e músico multi-instrumentista (violão, violão de 7 cordas, guitarra e guitarra de 7 cordas, cavaquinho, viola de 10 cordas, baixo elétrico) tem como especialidade a música popular brasileira. Com vários CDs lançados e inúmeras turnês internacionais Samico trabalha em Pernambuco com banda de vários artistas, entre eles Maciel Salu.

E Emerson Santana, músico percussionista, teve seus primeiros contatos com a música por meio de seu avô que tocava pandeiro e animava festas de família, partilhando suas experiências musicais com o mesmo.  Aos 13 anos despertou para os tambores no contato com a Capoeira Angola, na qual obteve relação e formação com percussionistas, Ogans e luthiers de tambores. Com eles participou de oficinas de ritmos africanos e regionais tendo estabelecido vivências com a música afro-brasileira. Suas influências estão ligadas ao Candomblé, Coco, Ciranda e Maracatu. Participou de inúmeros festivais nacionais e internacionais e atualmente desenvolve trabalhos com Mestre Maciel Salu , Mestre Galo Preto e A Parte Percussiva.

Serviço
Teatro Gasômetro – Parque da Resiência – Av. Magalhãe Barata, entre 3 de Maio e Castelo Branco. Dia 20 de novembro -  Aula | 18h - Espetáculo | 20h. Entrada gratuita. Mais informações: 91 4009.87 21 |3088.5858 e 91 98134.7719. Fanpage: /oduelodarabecacomoviolino / Instagram: @duelodarabecacomoviolino

18.11.15

A Euterpia, pra celebrar os 10 anos de Se Rasgum!

Desde que foi anunicado o fim em 2009, a banda já voltou a tocar junto em 2012 e 2013. E agora, mais uma vez, em clima de celebração, está nos 10 anos do Festival Se Rasgum. O show é nesta quarta-feira, 18, na Estação das Docas. A programação inicia às 19h.

Formado em 1998, o grupo mudou muito sua configuração até chegar a última formação que, em 2003, foi selecionada no Festival Novos Talentos da Música Brasileira. Promovido pelo Circuito Cultural Banco do Brasil, que vinha selecionando artistas em todo o país, a vencedora gravaria um CD Coletânea especial a ser divulgado nacionalmente. “Nunca saiu, não abemos porque”, dizem os Eutérpicos. Naquele mesmo dia também estavam no teatro as bandas Arcano XIX e Rádio Cipó.

A Euterpia seguiu caminho e quando gravou e lançou o primeiro álbum oficial,  o “Revirando o Sótão”, em 2007, já era super considerada no meio musical de Belém, com elogios do maestro Alcyr Meireles, que fez a direção musical do CD. O disco só veio reforçar o que  todo mundo já sabia. Assim, conquistou fãs e a admiração de muita gente, mas sobretudo o reconhecimento pelo trabalho musical autêntico que faziam.

Revirando o Sótão - Em uma resenha sobre o Revirando o Sótão, Marcelo Damaso, jornalista e um dos produtores do Festival Se Rasgum, disse que “o disco de estréia do quinteto é daqueles que você, ao escutar, olha o encarte, sente a poesia de Novaes na voz de Marisa, os experimentos do guitarrista Tom, o capricho (olha ele de novo) de Márcio e a criatividade do baterista “Canhão” e, por fim, conclui: é um disco para a posteridade”. E depois saiu comentando faixa a faixa do álbum. O texto pode ser acessado na íntegra, no Bongá da Mata.

O show desta noite promete ser divertido, cheio de uma energia que a banda sempre levou pra cena. MPB, Jazz, Experimentalismo. O repertório, inspirado em uma enquete feita pelo Facebook, para saber o que o público gostaria de ouvir, reúne basicamente as canções do CD Revirando o Sótão e algumas do EP Caótico Harmônico. 

Devem rolar, certamente, Absurdo Orelha, Veneza, Revirando o Sótão, Brechó do Brega, Lusco-fusco (uma das mais pedidas na enquete), entre outras. No palco, cuidado estético e boa performance, que nunca faltaram em uma apresentação do grupo. 

Pergunto a Marisa Brito (voz), Tom Salazar (guitarra e badolim), Antonio Novaes (violão e voz), Márcio "Pato" Melo (baixo) e Carlos "Canhão"Brito (bateria e percussão), se eles pensaram em algo especial e eles me dizem que pensar, pensaram, "mas que não deu tempo de realizar direito as coisas, pois o tempo de Festival é diferente, e com apenas dois ensaios, não daria pra fazer o que a gente pensou do jeito que a gente gosta de fazer”. 

Antonio Novaes chegou a Belém, no sábado, 14, mas a vocalista do grupo só chegou na segunda, pela manhã.  Foi só o tempo de tomar um açaí pra matar a saudade, descansar um pouco e partir para o ensaio no Fábrika Stúdio, do músico Jayme Katarro, um dos fundadores da Deliquentes, banda contemporânea d’A Euterpia, e que também está na programação do festival.

Haverá a participação de Washington “Cesak” Souza (sax), que já integrou a banda e tocará as músicas “Brechó do Brega”e “Tô que Tô”, e do convidado especial Alexandre Pinheiro (sax e flauta), “grande músico, com quem a gente te a honra de dividir o palco, e ficamos gratos por ele aceitar o convite”, diz Canhão.

Do começo, pro fim e de volta ao futuro

Eles dizem que não estão discutindo nenhuma volta oficial, mas que têm falado em gravar um segundo disco e (quem sabe) um DVD, além de estarem surgindo possibilidades de shows em São Paulo. Tudo é possível. Música pra fazer tudo isso não faltaria. Buscando na memória, contabilizam umas 70 músicas prontas pra serem devoradas e copartilhadas com o público.

“Acho essa ideia que tá brotando, de gravar um novo disco, muito bacana, mas estamos numa “vibe” tranquila, sem a obrigação exata de gravar, sem ansiedades ou os medos do inicio”, diz Novaes. “A banda está madura e intensa como sempre, mas o que prometemos pra hoje é fazer um show Alto astral, como o público pediu”, concorda Marisa.

“A gente tem muitas músicas engavetadas”, diz Márcio “Pato” em meio a uma profusão de ideias que invadiram a sala da entrevista naquele momento. Eram datas, situações e boas lembranças da banda ao longo de sua existência. Muita história e sempre esta vontade de tocar.

“Eu chamo isso de reencontro. As pessoas criam expectativas quando agente se reúne pra tocar, mas sempre que há oportunidade de tocar, a gente dá um jeito. Não tem mais aquela ânsia de voltar, fazer shows, como existia antes”, diz Tom Salazar. "A Euterpia nunca acabou, só vive um momento diferente daquele que já teve", é  no que acreditam.  

Trajetórias - Depois de “Revirando o Sótão”, A Euterpia ainda fez vários shows, repercutiu na imprensa, mas era difícil levar a banda do jeito que queriam no cenário de Belém do Pará. Em 2008, Marisa Brito, Antonio Novaes, Márcio “Pato”, Tom Salazar e Carlos “Canhão” Brito apostaram juntos e a banda mudou-se pra São Paulo.

As coisas não rolaram tão rapidamente e um ano depois, dois integrantes voltaram pra Belém. Tom Salazar e Pato. Canhão ainda morou por lá até 2014. Marisa e Antonio Novaes ficaram. 
Paulista, quando a banda saiu de cena, Marisa se dedicou ao canto e hoje é preparadora vocal. Ela também está ministrando uma oficina de canto no festival e diz que embora no momento, não esteja com nenhum projeto musical especifico, pretende voltar à cena. 

“Sei que dei uma pausa grande, mas quero retomar, sinto que chegou o momento de voltar”, diz ela que também é preparadora vocal junto a grupos de teatro e realiza outros trabalhos, sempre envolvidos com a arte, uma característica, aliás, da própria banda.

Antonio Novaes, desde que a banda se dissolveu, já morou fora do país, iniciou um trabalho solo, de volta em São Paulo, mas sem perder os laços com Belém, onde sempre vem se apresentar, retomar parcerias e criar novas situações.

Todos, mesmo fora d`A Euterpia, continuam ligados à arte ou à música de alguma maneira, com exceção de Pato, que tem poucas ligações profissionais na área musical. “Tocar mesmo, só com A Euterpia e desta foram também”, diz o baixista d`A Euterpia.

“A questão geográfica dificulta pra gente continuar como já foi um dia, o momento é outro”, concorda Tom. “Mas ainda nos lembramos de tudo e sabemos que podemos voltar a tocar. O trabalho está aí e o trabalho d`A Euterpia tá impregnado na gente, é muito orgânico. Tocamos a primeira vez meio assim... pra tirar a ferrugem, e na segunda passada já vem bem legal”, brinca Canhão.

O baterista e percussionista ficou em São Paulo até 2014. Hoje atua em bandas locais e retomou o projeto com o músico e pesquisador Albery Albuquerque, junto com Tom Salazar, o guitarrista, tem, que além de ter se tornado Mestre em Violão Clássico, formado em violão clássico pelo Conservatório Carlos Gomes e no Bacharelado em Música pela UEPA, também leva um trabalho desenvolvido em parceria com Daiane Gasparetto, “O Não Lugar”.

Noites de emoções até o sábado clarear

O 10º Festival SeRasgum iniciou sua jornada este ano com pockets shows espalhados pela cidade no finalzinho de outubro. Nesta segunda-feira, 16, deu inicio a Semana de Profissionalização da Música e abriu, ontem, a programação oficial de shows no Teatro Magarida Schivasappa com shows de Natália Matos, Liege e Os Mulheres Negras. Nesta quarta-feira, na Estação das Docas, o palco do Se Rasgum abre às 19h, com apresentações do DJ Dago Donato (SP), segue com show do grupo Carimbó Pirata (PA), às 20h, e entra em cena A Euterpia (PA/SP), às 21h, e encerra tudo com o show da Bixiga 70 (SP).

E ainda tem muita música ainda, de quinta, 19, a sábado, 21, no Hangar Centro de Convenções, com muitos outros momentos de reencontros pela frente. A banda Eletrola, por exemplo, é o revival da quinta-feira, 19. Ela faz parte de uma geração de bandas que surgiram no início dos anos 2000, em Belém. 

Com influências da música originalmente brasileira (particularmente o samba), mas também do hip hop, afrobeat, jazz, R&B, o show da cantora Céu será na sexta-feira, 20. Já no sábado, 21, te prepara coração. Entre outras atrações superbacanas, o último dia desta décima edição, conta com show de Moraes Moreira & Davi Moraes (BA), prometendo sets incríveis e muita adrenalina. É bom se poupar ou se recuperar bem da sexta, o show é imperdível.

Para sacar a programação do festival na íntegra, dá uma navegada pelo site do projeto: http://www.festival.serasgum.com.br/

17.11.15

"Órfãos do Eldorado" filma a estética do imaginário

Daniel OLiveria e Guilherme Coelho
Adaptar Milton Hatoum, embora ele nos sugira imagens cinematográficas em suas narrativas, não parece ser tarefa lá muito fácil, mas foi o que o diretor, roteirista e produtor carioca Guilherme Coelho fez, ele adaptou o romance “Órfãos do Eldorado”, escrito em 2008, para o cinema, realizando o primeiro longa de ficção de sua carreira, que sempre foi mais voltada ao documentário. O resultado nos remete a um imaginário atuante e de poética visual, além de uma adaptação brilhante, que fazem do filme, um dos melhores já realizados, tendo como pano de fundo a Amazônia, só que mais... Esqueça os clichês. 

O filme acaba de estrear no circuito comercial, mas a sessão de pré-lançamento, em Belém do Pará, no dia 9 de novembro, numa sala do Cinépolis, ainda está na retina. Foi lotada e emocionante. Concorida. Na trama tem abuso sexual e incesto, que são revelados de forma silenciosa, por pequenos gestos, mas também por cenas repletas de sensualismo e nudez. 

E também fala de desejo e vingança, fala de injustiças sociais e abuso de poder, fala de solidão, ódio e amor. Os conflitos familiares que marcam os romances de Hatoum, estão presentes. O autor também aparece no filme, já numa sequencia final, mas simbólica. E tudo isso em meio a uma fotografia transgressora do tempo, favorecida pela montagem, que nos leva pra dentro daquela história.

Cena tensa, com Daniel Oliveria e Dira Paes
O par protagonista é Dira Paes e Daniel de Oliveira. No elenco, ainda, uma constelação de paraenses, como Henrique da Paz, Adriano Barroso, Natal Silva, Paulo Fonseca, Milton Santos de Jesus e Cleodon Gondim, entre outros atores e profissionais que também atuaram na produção local do filme.

O público que não conseguiu cadeira, sentou-se na escada, uma não prática da direção do cinema, que naquele momento teve que se dobrar ao desejo do público de ficar e assistir o filme. “Foi uma ótima surpresa ver o interesse das pessoas no livro do Milton, no nosso filme, no trabalho dos atores. Estou realizado. Mostrar o filme em Belém, e ser recebido como um filme ‘de’ Belém, é uma das melhores coisas que eu poderia querer”, ressalta o diretor Guilherme Coelho.

A trajetória de Arminto Cordovil (Daniel Oliveria) e Florita (Dira Paes) em Órfãos do Eldorado, levou 30 dias pra ser filmada e mais de um ano pra ser finalizada e chegar ao lançamento. Rodado no Pará, o filme foi teve  a maioria das cenas na capital e Icoaraci. Nos quatro últimos dias, ainda imprimiu toda a beleza das pequenas praias e ilhas situadas no Arquipélago das Anavilhanas, no Rio Negro.

Belém, em primeiro plano

Mariana Rios, uma das cenas com Daniel
“Pesquisamos também filmar em Óbidos, Bragança, Parintins e Itacoatiara. Mas eu tinha, e tenho agora ainda mais, uma relação afetiva com Belém. Belém é a musa do filme. Belém nos vestiu com a sensibilidade que precisávamos pra encarar a responsabilidade com a obra literária do Milton (mas também do Dalcídio Jurandir), e honrar a tradição das artes visuais do Pará. Todos nós, equipe e elenco, saímos transformados do filme, e Belém é a grande responsável por isso”, diz Guilherme Coelho, entusiasmado.

Todo este entusiasmo é de se entender melhor ainda ao saber que Guilherme Coelho tem raízes paraenses. O diretor disse que já tinha vontade e era um sonho antigo filmar no Pará. “Meus avós são paraenses. Ou melhor, minha avó é paraense, e meu avô tem ‘do Amazonas’ no sobrenome – mas cresceu em Belém. Eu nunca tinha ido a Belém, ou ao Norte, até oito anos atrás quando fui fazer um documentário pra ONG de educação da Bia Cardoso, num projeto dela em Paragominas”, conta Guilherme Coelho, que ainda esteve por três dias em Belém pra pesquisar sobre a vida de seus avós.

“E me apaixonei. Amor mesmo. Eu amo Belém, amo as conversas sobre livros que se têm nas esquinas, a tradição da fotografia paraense, a comida, a música, os amigos que eu fiz e que nestes últimos oito anos me fizeram ser quem eu sou”, comenta.

Desde o lançamento até aqui, Guilherme Coelho não parou. Já deu inúmeras entrevistas, participou de debates realizados nas estreais do filme em festivais no Rio de Janeiro, entre outros compromissos, que estão impulsionando a carreira do filme.

“A repercussão tem sido ótima pra mim, pois tenho visto que o filme continua com as pessoas, dias depois de assisti-lo, e que a história do filme é completada pela imaginação dos espectadores. Isso no Rio, em Varsóvia, em Chicago, em São Paulo e agora, de volta às origens, em Belém também”, disse o diretor ao Holofote Virtual, entre outras coisas que você lê a seguir.

Daniel Oliveria filma em um bar na Cidade Velha
Holofote Virtual: O roteiro funde personagens e omite outros para livremente trabalhar a profundidade das personagens Arminto e Dinaura, ela uma peça fundamental na história. Fala um pouco sobre este processo de adaptação do livro para o roteiro, como fostes enveredando pelas opções eleitas para a tela.

Guilherme Coelho: Pois é, o processo de adaptação não foi fácil. Acho que mais importante que entender qual história contar, os realizadores de cinema devem hoje pensar como contar qualquer história. Em ÓRFÃOS, o “como” para influenciou muito o “o que”. Descobri cedo no processo que o caminho para trazer às telas o lindo livro do Milton seria ter liberdade para criar uma narrativa sugestiva, que nos permitisse filmar, atuar e assistir ao filme com subjetivação.

Eu queria deixar que a espectadora completasse a história do filme, com suas fantasias e vivências. Acho que hoje no cinema não se trata mais em falar de “finais abertos”, mas sim em “filmes abertos”, com múltiplas entradas para os espectadores. Assim, o filme continua na cabeça de cada um, de diferentes maneiras. A experiência estética me parece mais interessante, tal como um bom livro que completamos com nosso imaginário, ou uma instalação de arte contemporânea.

Adriano Barroso e Guilherme Coelho, pré-estreia em Belém
Holofote Virtual: Você trabalhou com atores incríveis, citando os daqui, temos Henrique da Paz e Natal Silva, que estão muito bem, assim como Adriano Barroso, ator que já acumula uma experiência e segue atuante no cinema, mas também com Cleodon Gondim, velha guarda do teatro e jornalista, e ainda um elenco com pessoas necessidades visuais. Como foi tudo isso?

Guilherme Coelho: Só a Dira podia falar Florita. Só o Daniel de Oliveira tem a doçura e a loucura pra viver o Arminto. A Mariana Rios foi uma descoberta maravilhosa pra mim, e levou o filme pra outro lugar. O Adriano Barroso foi das primeiras pessoas que conheci em Belém, e escrevi o papel pra ele. O personagem dele no filme é uma fusão de três personagens do livro. Natal, Henrique da Paz, Paulo Fonseca, Cleodon, Milton Aires, Luciana Borges, Keila Gentil, Paulo Sergio Farias e até o Milton Hatoum. Estes foram o sal da terra do filme. Atores de teatro e cinema do Norte do país, que me ajudaram a conjugar a segunda pessoa do singular de maneira correta, e deram ao filme uma autenticidade na atuação que nós buscávamos.

Hatoum e Guilherme em debate do filme no Rio de Janeiro
Holofote Virtual: A primeira cena na praia é surreal. Vira e mexe ela se repete ao longo da história. Quais foram suas referências para construir esta sequência, ela é muito emblemática, ficou na minha cabeça...

Guilherme Coelho: Essa cena é especial por ter sido atuada de maneira vigorosa pela Dira Paes, com enigma pela Mariana Rios, e com candura pelo jovem Arthur Codeceira. A luz do Adrian Teijido, no final de uma tarde que choveu cântaros, e a arte da Marghê Pennacchi criaram a atmosfera, algo além do real. E finalmente, os cortes descontínuos da montagem da Karen Harley deram à cena uma sintaxe de sonho. E eu espero que, em sonho, o espectador continue relembrando o filme.

A sequência de abertura está no livro de maneira muito parecida com o que temos no filme, o que é uma felicidade pra mim. O Milton nos deixou tão livres para criar uma outra obra, a partir da obra dele, que eu fico feliz que a primeira cena do filme, a cena que tenta nos colocar em outro tempo e espaço, seja tão fidedigna ao livro.

Holofote Virtual: O filme trata de conflitos familiares, de abuso sexual, amor entre irmãos. O final sugere rendenção, ou pior um novo ciclo para a mesma história, enfim,  deixa o público meio atônito (risos). Sempre foi este o desfecho escolhido pelo roteiro ou o filme foi te mostrando o caminho?

Guilherme Coelho: A adaptação foi nos levando pra uma redenção pra esta história, que pode ser encarada como uma tragédia. Mas tragédias não tem redenção, então... A cena final, assim como a cena de abertura do filme, são muito parecidas com o que o Milton descreve no livro. Mas no filme, o final tem uma personagem que não está no livro, e que muda o sentido da história – e a vida do Arminto.

Elenco paraense reunido na pré-estreia em Belém
Holofote Virtual: O longa já está no circuito comercial. Como enxergas este universo da distribuição, hoje, no Brasil, com salas digitais, isso facilitou a vida do produtor e para a carreira dos filmes brasileiros?

Guilherme Coelho: Eu acho um enigma a distribuição e exibição de cinema. São tantas variáveis que contribuem para a venda de ingressos, que eu prefiro não pensar muito nisso e trabalhar pra fazer o melhor que eu posso em cinema artesanal – um termo que eu acho melhor que “autoral”. Eu só sei que o modelo econômico deste cinema artesanal, de arte, independente, está em crise no mundo inteiro. Mas não tem jeito, temos que continuar fazendo cinema, e cinema como laboratório da vida. Assim, a arte vence o mercado.

Holofote Vitual: Órfãos do Eldorado, teu primeiro longa de ficção. Um desafio? 

Guilherme Coelho: Eu fiz documentários nestes últimos 15 anos, e espero em breve voltar a fazê-los. Documentários de cinema direto, e de cinema de encontro, de entrevistas. Filmes ligados ao realismo, ao naturalismo. O grande desafio pra este projeto do ÓRFÃOS foi como conceituar um filme estilizado, com estranhamento, que depende de uma construção de uma atmosfera, de um clima. E isso é feito com a direção de arte. 

Os meus amigos Marcelo Gomes e Marcos Pedroso, e a diretora de arte, Marghê Pennacchi me ensinaram muita coisa, e eu adorei a experiência. Ficção é sobre nós. Documentário é sobre os outros. Mas não acredito que exista tanta diferença entre os dois gêneros. Acredito é que temos que aproximar a ficção do documentário e o documentário da ficção, como Godard definiu o melhor cinema.

Holofote Virtual: A estadia aqui na região te inspira a outros trabalhos?

Guilherme Coelho: O único problema de filmar na Amazônia é que quando acaba a produção, só lhe resta a Islândia, a Patagônia, a Nova Zelândia e talvez Galápagos. Rs. Eu quero me encantar de novo por uma geografia. Mas eu prometi aos meus filhos que o próximo filme seria no Rio, pra eu não ter que viajar tanto. Vamos ver se eles se lembram dessa promessa. 

Mestre Salú e as batidas do Hip Hop no Maracatu

Pernambuco é apaixontante e o paraense se identifica. Na música misturamos ritmos e também gostamos da nossa cultura aqui, tanto quanto os pernambucanos amam a deles. O Brasil é plural. Pesquisando um pouco mais sobre Maciel Salú, que estará em Belém nesta sexta-feira, 20, no Teatro Gasômetro, apresentando "O Duelo da Rabeca com o Violino", ao lado do Maestro Israel de França, que também deita e rola no erudito e popular, quando me deparei com uma pérola, um outro tipo de duelo, em que Maciel Salú toca seu maracatu com o rap KBS Marques, veja AQUI.

Rap, Maracatu, cultura pernambucana, cultura hip hop. Está tudo junto, misturado e atraentemente harmonioso. Salú e Marques estão metidos com isso até o último fio de cabelo e é bonito demais. "Caçador" faz parte de um disco de KBS Marques lançado em 2012, com músicas exaltando o que Pernambuco e o Brasil têm de melhor e mais rico, com participação de outros artistas brasileiros, em cima das batidas fortes do Hip Hop.

Maciel Salú é de uma família tradicional de brincantes de maracatu e tocadores de rabeca. Filho do Mestre Salustiano e neto de João Salustiano (falecido aos 97, este ano). Além de músico e cantor, compositor, é mestre do Maracatu Piaba de Ouro, de Olinda/PE. Cresceu em contato com o cavalo-marinho, as sambadas de maracatu, a ciranda, o forró, o coco, entre outros brinquedos.

KBS Marques, morador da comunidade dos Coelhos (Recife). Envolvido com a música desde 1997 e com a cultura Hip Hop, até 2010, ele era conhecido como KBSSA. Foi premiado em vários Festivais da região e também nacionais, como o título de Campeão arrebatado no Festival RPB (Produzido pela CUFA em parceria com a Rede Globo), em 2010.

Já Maciel Salú, antes da carreira solo, que iniciou em 2003, com o grupo Terno do Terreiro, integrava ao lado de familiares, os grupos Os Quentes do Forró e O Sonho da Rabeca. Nos anos 1990, fez parte do Chão e Chinelo, participou da Orchestra Santa Massa, ao lado de Fábio Trummer, Isaar, Jam da Silva e DJ Dolores, além de compor a trilha sonora para os espetáculos Desatino do Norte e Desatino do Sul, do Balé Municipal de São Paulo e do filme Tejucupapo, curta-metragem pernambucano dirigido por Marcílio Brandão. Atualmente, integra a Orquestra Contemporânea de Olinda. 

KBS é membro líder do Coletivo Cem Por Centro, também é representante da PROHIPHOP (selo do Cabal, rapper de São Paulo, autor do Hit “Senhorita”) no Nordeste, além de fazer parte da Entidade Associação Metropolitana de Hip Hop em Pernambuco. Conhecido por fazer um Rap mais despojado e extrovertido, direcionada na maioria das vezes pras pistas de dança, ele hoje integra também o repertório da Quinta Black, a festa do gênero mais conhecida de Recife.

Em Belém para O Duelo da Rabeca com o Violino

O Rap KBS não sei se já esteve por aqui, confesso. Mas Maciel Salú faz show em Belém nesta sexta-feira, 20. Ele toca ao lado do Maestro Israel de Farnça, no espetáculo “O Duelo da Rabeca com o Violino – Uma Peleja de Amor à Vida”.

Dois artistas representativos da cultura pernambucana, um na rabeca e outro no violino, mais uma banda formada por multinstrumentista, bailarina e diretora artistica do espetáculo, amiga de Ariano Suassuna, que é homenageado na performance, e um cenário que será construído enquanto o show acontece. Uma fórmula popular e erudita que com certeza resultará num belo espetáculo. 

Antes do show, que começa às 20h, haverá uma aula espetáculo às 18h. A entrada é gratuita. Mais informações:  91 3088.5858 / 98134.7719 ou ainda 4009.8721/ tr3sprodutora@gmail.com . 

Novos desenhistas para ateliers abertos na cidade

O Grupo do Traço e das Artes do Corpo inaugura a mostra de final de período do Laboratório Permanente de Criação e Experimentação “O Corpo como Objeto de Arte – Desenho com Modelo Vivo e Artes em Cena”, que reúne desenhos dos artistas do ateliê aberto, além de fotografias das sessões de desenho com modelo vivo. Hoje, às 19h, na Casa das Artes.

Ao propor uma oficina, a partir de sua experiência de atelier aberto, em São Paulo, a artista visual e produtora cultural Renata Maués acabou sendo convidada a iniciar o projeto Laboratório Permanente de Criação e Experimentação, da Fundação Cultural do Pará, realizado na Casa das Artes.

A exposição é resultado do laboratório de desenho coordenado pela artista Renata Maués.
As fotografias são de Jorge David Santos, que acompanhou as etapas das aulas de desenho com modelo vivo.  “A ideia foi atender artistas iniciantes ou já experientes, que tenham interesse em desenvolver trabalhos em um espaço de troca continuada e amadurecimento das produções, em formato de atelier com livre acesso”, diz Renata Maués. 

Inspiração e troca de conhecimentos

Pois o projeto deu frutos, reuniu uma pá de gente nova, talentosa, a fim do desenho e realizou, de forma inédita, uma oficina com modelos vivos. A ideia do trabalho coletivo também foi estimulante para os alunos, que puderam trocar ideias, conhecimentos e fazer análises de seus desenhos.

Ao final do curso, já há quem proponha novos encontros, com objetivo de reunir os desenhistas da cidade. Além do encontro, sabe o que mais precisa? “Material básico de desenho: lápis, biscoito, papel, água e música”, escreveu no facebook Humberto de Castro Neto, um dos mais jovens e promissores desenhistas do grupo de Reneta Maués.

E o encontro para além dos jardins é importante. No atelier do laboratório os participantes se viam um dia por semana, em 16 encontros, que tinham acompanhamento da ministrante, responsável por assessorar no uso da infraestrutura, pelas propostas de atividades e pela mediação entre os participantes e o desenvolvimento dos trabalhos. Nos demais dias, a ideia era de se encontrar pela cidade.

“Um trabalho de envolvimento, que garantiu a evolução no traço do grupo de desenhistas, a alta performance dos modelos e a sensível fruição conjunta de todos os participantes”, disse Renata Maués em sua página no Facebook.

Renata Maués estava fora de Belém, quando retornou e acabou se tornando, em 2012, produtora executiva do filme documentário ‘Carnaval Devoto”, de Regiana Queiroz, rodado naquele ano em várias cidades paraenses e em Belém, onde se acompanhou diversos momentos da festa, incluindo, claro, a grande procissão de domingo. 

“Nunca havia feito produção de cinema e também não voltei a fazer de lá pra cá, mas o convite para fazer a produção do Carnaval Devoto veio da Regiana, por conhecer meu trabalho e por estarmos conectadas naquela ocasião em que ela desejava vir para Belém filmar o Círio de Nazaré”, diz Renata Maués.

Arte Educadora e produtora de eventos culturais, incluindo música, artes visuais, projeção de vídeos e educação ambiental, na esfera da divulgação científica, Renata também já trabalhou também como assistente editorial por 7 anos na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, com gestão de processos editoriais e montagem de eventos científicos de grande porte, congressos, Bienal e lançamentos de livros. E agora também fez cinema, afinal na vida, pra tudo há uma primeira vez.

Jornal "A Verdade Nua e Crua" é lançado em Belém

Surge um novo jornal na região norte do país. Inspirado em publicação que já circular no sul do país, em Porto Alegre, o jornal  “A Verdade Nua e Crua” será lançado em Belém nesta terça-feira, às 19h, no Casarão da Associação Foatoativa, na Praça das Mercês, no bairro da Campina. Abordando temas sobre a vida na rua, dependência química, família, esportes, utilidades públicas e também poesia, relatos, humor e outros assuntos, a ideia principal é combater a invisibilidade social.

Produção independente, o "Verdade Nua e Crua" é inspirado no jornal Boca de Rua, que surgiu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, há 16 anos, para dar visibilidade àqueles que são ora esquecidos, ora silenciados pela sociedade. A ideia foi lançada por lá ainda em 2001, por um projeto da Ong Alice – Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação – germinou e foi capaz de unir dezenas de pessoas em situação de rua em um objetivo comum: afirmar sua existência e pontos de vista quebrando o silêncio que os relegava à invisibilidade.

Em Belém, o jornal é uma iniciativa de dependentes químicos em fase de recuperação e vários colaborares, para mostrar que nem todas as pessoas que moram na rua são alcoólatras, toxicômanos, marginais, prostitutas. “Sabemos que na rua existem também vários artistas com variados e grandes talentos, pessoas que mesmo em situação de rua ainda mantém sua dignidade e criatividade”, dizem Antônio Carlos Miranda Ramos, Carlos Augusto, Carlos Henrique Barbosa, Eduardo Castro de Souza e Hilda Cristina, da organização do evento.

O objetivo é aproximar e integrar essas pessoas, em situação de rua, à sociedade e fazer valer os seus direitos como cidadãos. No lançamento serão realizadas várias ações, como a marcação da logo do jornal com o stencil (matriz de madeira ou outro material utilizado para reprodução de um desenho) para marcar blusa, bolsa, shorts... Leve o seu. 

Também haverá participações especiais, foto-varal, que terá por tema "pessoas em situação de rua", e qualquer pessoa pode participar, desde que leve de uma a cinco fotografias em tamanho 15x21, demonstrando alguma 'verdade crua' da rua através das suas imagens.

No sul como aqui no norte, a publicação circulará na cidade, fazendo das ruas sua redação e essência, revelando a perspectiva de quem sobrevive nas ruas. Num primeiro momento o leitor sentirá de imediato o impacto da realidade de quem o produz: uma comunidade historicamente vitimizada, suscetível a todos os tipos de violência e que em sua maioria enfrenta permanentemente a segregação e repressão do Estado através de suas diversas instituições. 

Os 16 anos de Boca de Rua - Porto Alegre
A ideia de lançar uma publicação semelhante aqui foi de Daiane Gasparetto, que tem formação em psicologia pela UFPA e durante 10 anos integrou a Companhia Moderno de Dança. Atualmente ela vem realizando projetos com suas composições e parcerias no projeto Não Lugar, ao lado do músico Tom Salazar e é colaboradora do projeto. Foi ela quem trouxe o jornal lá do Rio Grande do Sul e mostrou aqui em Belém.

“Este jornal nos chamou a atenção porque abriu espaço para as pessoas que não tinham oportunidades de falar. Inicialmente somos nós, usuários da Unidade de Acolhimento (UA), que resolvemos fazer este jornal para falar de tudo um pouco, pois quando chegamos a esta casa de recuperação, não tínhamos perspectiva alguma de vida ou de ter novamente contato com nossos familiares. Agora com essa ideia, podemos dizer que juntos somos capazes de mudar a nossa história”, finalizam os organizadores.