
Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, o espetáculo estreou em maio deste ano, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.
Mas quem foi ver na época, pode assistir novamente, pois a nova versão deve trazer várias adaptações para acontecer ao ar livre.
A iniciativa parte da parceria entre a companhia e o SINDIFISCO, que pretende transformar o local em um grande corredor cultural. Por isso, além do espetáculo, o espaço também será palco de outros tipos de manifestações culturais.
“Corpo Santo” aborda o sincretismo religioso, presente nas pesquisas do grupo. As simbologias afro-brasileiras marcam o espetáculo, na personificação da figura de Ogum, orixá correspondente a São Jorge na tradição da cultura negra brasileira, reverenciado na umbanda, no candomblé e no tambor de mina.
Para chegar aos resultados alcançados, o ator fez uma intensa pesquisa de expressividade corporal, do estudo do corpo do ator em cena, constituindo a "mímica dramática" que ilustra, de forma poética e simbólica, a figura do santo.
No espetáculo, ele se torna um contador de histórias, que narra a vida inusitada de um homem chamado Jorge.
“Corpo Santo” é “metáfora que perpassa pelos valores populares ligados a São Jorge e cria uma reflexão sobre os desafios que a vida nos desvela, pontuando de forma sutil a presença do mostro e do herói existente em cada um de nós, um eterno construir de novos desafios para desbravar outros caminhos”, disse Rodrigo.
“Escolheu-se a matriz de São Jorge sincretizado em Ogum, pois existe uma relação muito forte deste com os elementos da natureza, com a terra, com as nossas origens. Porém o espetáculo demarca muito bem as passagens de São Jorge e de Ogum, seja através de um canto, de uma oração ou mesmo no corpo do ator em cena”, afirmou o diretor do grupo Leonel Ferreira, em entrevistas à época da estreia.

Montado como resultado do curso técnico de arte cênica da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), o espetáculo causou impacto e atraiu a atenção da imprensa e do público de Belém, ao se inspirar na via-crúcis de Cristo, para tratar temas polêmicos e de intensa crítica político-social.
Teve roteiro de Luiz Otávio Barata, adaptação e direção de Karine Jansen e Wlad Lima, ambientação cênica de Nando Lima, iluminação de Iara Souza, sonoplastia de Fábio Cavalcante e concepção e projeção de imagens, de Patrícia Gondim.
A companhia Madalenas pode-se dizer, é fruto de um momento importante e de consolidação ETDUFPA, que se afirma definitivamente com o curso de graduação em dança e teatro. É hoje a principal formadora de artistas cênicos paraenses.

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