30.9.10

Otto Guerra, Jean-Claude Bernadett e as novidades do Amazônia Doc

Não dá mais para enviar filmes para a mostra competitiva. A coordenação cancelou a prorrogação das inscrições que ficariam abertas até dia 08 de outubro. A segunda edição do Amazônia Doc – Festival Pan-Amazônico de Cinema começa dia 03 de novembro.

Passei no site do festival e vi que este ano tem novidades. As mostras ganharam novo espaço, democratizando ainda mais o acesso à produção documental de cinema na Amazônia. Além das sessões no Cinema Olympia e no Cine-Tenda Oi, será montada uma estrutura de exibição em plena Praça do Carmo, em meio às suas árvores e casarões históricos, sem falar do “Nosso Recanto”, barzinho tradicional e oportuno para ótimos bate papos cinematográficos.

A partir do dia 15, fique atento, pois já começam as inscrições para a programação paralela de oficinas. Destacando a de documentário e animação com Otto Guerra (Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n Roll). As crianças também serão contempladas com uma oficina dedicada aos pequenos de 07 e 12 anos.

O evento promete diversidade de formatos, e um leque extenso de seminários e mostras, em festival traz cinco dias de programação inteiramente gratuita. Entre as mostras paralelas, por exemplo, está a de “Sessões Comentadas”, com Jean-Claude Bernadet, que exibirá os documentários “São Paulo Sinfonia e Cacofonia” (obra prima do documentário sonoro) e “Sobre anos 60”.

Não perca, são raridades, sem falar da sumidade que é Bernadet, nascido na Bélgica, de família francesa, veio para o Brasil aos 13. É um dos maiores estudiosos do cinema documentário brasileiro.

Há ainda outras mostras: “Um Panorama do Cinema Pan-Amazônico – Os limites entre ficção e realidade, com a curadoria de Victor Lopes - Moçambique/RJ; a Mostra Fórumdoc b.h, curada por Júnia Torres, de BH e a Mostra ABDeC Amazônia Legal – Curadoria: ABDeC-Pa.

Na Mostra Pan-amazônica de Cinema os melhores filmes de curta, média e longa- metragens nacionais e internacionais disputarão os prêmios de Melhor Longa e Melhor Curta Documentário e Melhor Longa e Melhor Curta de Ficção, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme, eleito pelo voto popular.

Anote também. O 2º Seminário Pan- amazônico de Documentários, que tem colaboração do cineasta e curador Victor Lopes, exibirá curtas, médias e longas-metragens do gênero documentário e ficção, nacionais e internacionais.

Nesta segunda edição a mostra competitiva está recebendo inscrições de documentários e ficções com tema livre, que tem como Coordenador da Comissão de Pré-selação, o crítico de cinema paraense Augusto Pacheco. A realização do Amazônia Doc é do Instituto Culta da Amazônia, com produção da ZProduções Cinematográficas, patrocínio da Oi - Lei Semear e apoio cultural da Oi Futuro.


29.9.10

Projeto Auto da Barca Amazônica, de Abaetetuba, recebe prêmio nacional

A cidade da região do Baixo Tocantins está em festa. É que a iniciativa de dois professores de arte, criada há três anos, com duzentos alunos e envolvendo hoje 1.500, acaba de ser escolhida para receber um dos maiores prêmios destinados para a arte e educação no país.

O Auto da Barca Amazônia – ABA ficou entre os cinco melhores projetos de educação em artes do Brasil e vai receber o XI Prêmio Arte na Escola Cidadã, do Instituto Arte na Escola.

“Em virtude da premiação, vamos realizar uma edição especial do ABA, trazendo para o público, este ano, um histórico de suas três últimas edições”, avisa Jaqueline.

O espetáculo sairá nesta quinta-feira, 30, às 18h, do Colégio São Francisco Xavier, em cortejo, pelas ruas de Abaetetuba. Este ano, o projeto conta com participação especial dos alunos do CRAS, do grupo folclórico da terceira idade, Ney Viola, entre outros. Não percam este espetáculo é gratuito.

O espetáculo começou a ser idealizado e executado em 2007, pelos professores Jaqueline Souza, artista plástica e cênica e Paulo Anete, artista plástico e carnavalesco sairá às ruas da cidade em uma edição especial nesta quinta-feira, 30, e será todo gravado para o documentário que será exibido no dia 26 de outubro, em São Paulo, quando os Jaqueline e Paulo receberão a premiação.

O ABA surgiu com objetivo de envolver os estudantes em atividades ligadas às artes do espetáculo, como teatro, dança e circo, também traz de volta os velhos costumes de contar estórias, a valorização da cultura local e dos saberes da comunidade.

Destinado aos professores ou equipes de professores que desenvolveram projetos nos anos nos dois últimos anos, em escolas de ensino regular, públicas ou particulares, o prêmio é direcionado a todo o território nacional, para projetos realizados em quatro linguagens artísticas: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro.

A premiação é realizada pelo Instituto Arte na Escola, pelo SESI e Fundação IOCHPE (SP) visando reconhecer e revelar projetos desenvolvidos por profissionais de ensino na área de Arte.

“É a primeira vez, em onze edições do concurso, que o prêmio sai para um projeto de escola pública do Pará e foi justamente no interior do Estado do Pará, na cidade de Abaetetuba de onde saem as mais diversas notícias de violência, tráfico de drogas”, diz Jaqueline, reforçando a importância desta premiação.

Para falar mais sobre o projeto, o Holofote Virtual entrevistou a professora Jaqueline, que nos conta abaixo mais sobre esta experiência que com toda certeza precisa ser compartilhada e também seguida como exemplo em várias outras cidades paraenses.

Holofote Virtual: Como está sendo o recebimento deste prêmio e o que ele dimensiona para vocês e toda a comunidade envolvida?

Jaqueline Souza: Bom, às vezes pedimos um ao outro: Me belisca? (risos). Essa premiação está sendo muito bem vindo, pois estávamos passando por algumas dificuldades institucionais, já tínhamos até desistido de realizar o evento este ano devido a falta de apoio.

O prêmio veio como uma injeção de ânimo e o orgulho de termos conquistado esse prêmio para o Pará, principalmente para Abaetetuba que sofre tanto com a violência e com o tráfico.

Serviu para mostrar que temos coisas legais aqui e que nossa força cultural é imensa, que nossa riqueza não está somente nos minérios e recursos naturais, está também na sabedoria de nosso povo. Nossa vivência é um baú de ouro escondido na águas barrentas do desconhecido.

Holofote Virtual: Como foi que surgiu a idéia de monta rum cortejo cênico na cidade de Abaetetuba?

Jaqueline Souza: A idéia começou em 2007, quando eu tinha acabado de ser lotada pela SEDUC na cidade e a escola pediu para que os professores de arte fizessem um trabalho com os alunos do ensino médio para um evento de Hallowen que iria acontecer na escola.

Bom, nada contra, mas questionei e me recusei a fazer isso, pois já somos muito massacrados pela cultura norte americana. Na época, conheci Paulo Anete, outro professor de arte e ele me falou que estava pensando em ensaiar uma representação teatral que falasse sobre lendas para apresentar na quadra da escola e pediu minha ajuda devido ao meu histórico com o teatro.

Quando ele me falou que era carnavalesco pensei: por que não fazer com esses alunos um cortejo pela cidade, utilizando fantasias de contos de assombração amazônicos (antigas lendas que a vovó contava) e que nesse cortejo tivesse elementos de circo (pirofagia e malabares), performance e teatro de formas animadas?.

Não tínhamos um tostão furado no bolso para realizar o projeto, mas os alunos apostaram na idéia. Fizeram coletas, arrecadaram material e assim, em forma de oficinas, ensinamos a eles a construção das próprias fantasias, dos bonecos, adereços. Em 26 de outubro de 2007 surgiu o primeiro ABA, com cerca de 200 pessoas em cena, e deu tão certo que os alunos esperaram ansiosamente o do ano seguinte.

Holofote Virtual: Como é o processo de vocês, quem mais participa?

Jaqueline Souza: A concepção de todo o roteiro é sempre minha e do Paulo, mas hoje temos algumas pessoas que nos apóiam, como os diretores do colégio São Francisco Xavier, os pais do alunos, alguns professores que seguram a barra junto conosco - Alberto Valter Vinagre, Nazinha Ferreira, Jones Gomes -, músicos da região como Ney Viola e os alunos participantes que são quem banca a maior parte do evento.

A maioria do elenco vem do colégio São Francisco Xavier, mas participam também alunos da unidade de educação especial de Abaetetuba e alguns alunos que vêm de escolas de regiões mais afastadas (zona rural e ilhas). Na primeira edição éramos 200 alunos, mas esses números cresceram com o decorrer dos anos e hoje temos cerca de 1500 alunos participantes.

Holofote Virtual: É um grande feito. Por isso é incrível que não tenham nenhum tipo de apoio financeiro, fora o que os alunos arrecadam na comunidade...

Jaqueline Souza: Esta é uma iniciativa de dois arte educadores, que acreditam na transformação do mundo pela arte, e que essa transformação se dá no processo diário, um trabalho de formiga mesmo.

Podemos dizer que nosso trabalho é como a parábola de multiplicação dos pães, você partilha o pouco que tem e quando vê, alimentou muitas pessoas de conhecimento e essas mesmas pessoas multiplicarão com tantas outras pessoas e assim por diante. Isso é um processo lento de transformar, mas ele é eficaz, torcemos para que um dia nós possamos ver que essas pessoas estão levando mais adiante esse trabalho e contribuindo para a construção de uma sociedade melhor para as gerações que virão.

Holofote Virtual: E este documentário, como vai ser feito?

Jaqueline Souza: Todo o documentário será produzido pelo Instituto Arte na Escola/ Fundação IOCHPE de São Paulo, que virão à Abaetetuba e farão a gravação de todo o processo de construção do cortejo, entrevistarão alguns alunos e a nós (Paulo e eu), de quarta-feira, 29, a sexta-feira, 01 de outubro.

O documentário será lançado no dia 27 de outubro, na cerimônia de premiação que acontecerá em São Paulo e depois será distribuído para todas as unidades do Instituto pelo Brasil afora.

Holofote Virtual: Fala um pouco da trajetória de vocês com o teatro e com iniciativas como esta...

Jaqueline Souza: Eu já vinha de um histórico de projetos sociais, grupos de teatro e pesquisa em artes que fizeram parte de minha formação profissional.

O Paulo tem experiência com o carnaval de Belém em escolas renomadas como o Rancho Não Posso Me Amofiná, mas é a primeira vez que ele e eu dirigimos um evento de tão grande porte como o ABA. Esse é de fato um grande aprendizado para nós.

Estamos juntos em quatro edições do projeto, o que nos fez criar a Companhia de Teatro Anima Itinerante composta por mim e por Paulo que visa levar oficinas de artes cênicas e visuais para as áreas mais carentes e também levar o teatro até onde o povo está. No caso do ABA, por enquanto ele só acontece em Abaetetuba mesmo, mas quem sabe daqui algum tempo possamos levá-lo por toda a região do Baixo Tocantins ou outras regiões do Pará?

Holofote Virtual: Seria excelente. Mas e agora, quais são os próximos passos, já que o projeto está ganhando outras dimensões?

Jaqueline Souza: Bom, nos próximos passos vamos bater nas portas do patrocínio para ver se conseguimos algum apoio, pois até então, fizemos o trabalho com recursos próprios.

Diversidade sonora no projeto Tubo de Ensaio que estréia nesta sexta-feira

Além do cheirinho de maniçoba que já invadiu a cidade e só tende a melhorar, outubro chega bem e deve esquentar mais ainda com este badalo que vai rolar em todas as sextas-feiras deste mês festivo, heim! Enviada pela fotógrafa e DJ Ana Flor, a notícia merece atenção para quem curte a combinação "boa música e pista de dança". Além de reunir DJs antenadíssimos e criteriosos, o projeto acontece em um espaço que está se tornando um reduto descolado para novos estilos e tendências em Belém, o Le Marchand.

Os DJ's Eddie Pereira e Fernando Boy, do coletivo Black Soul Samba, estão aprontando mais uma festa cheia de ritmo em Belém. Vão realizar, a partir desta sexta-feira, 01, o projeto Tubo de Ensaio.

A festa vai rolar toda sexta-feira, no Le Marchand. Boy e Eddie convidaram para compor este coletivo, a fotógrafa e DJ estreante Ana Flor, já promovida a residente. Além dela, o convidado especial da primeira noite, é Alex Pinheiro, velho conhecido dos tempos da boate La Cage, onde rolavam nos anos 80 e 90 os maiores hits do rock e na new wave.

A proposta do projeto Tubo de Ensaio é reunir em uma única festa vários estilos musicais. A ideia surgiu de uma necessidade de Eddie e Boy, que são DJs há mais de 10 anos, diversificarem suas experiências musicais tocando estilos que não caberiam no perfil de seu coletivo de origem.

"O projeto Tubo de Ensaio é mais amplo, tanto que sempre iremos convidar algum DJ de um coletivo diferente pra discotecar", diz Boy. "O Set da Flor passa pelo samba, reggae, música pernambucana, tem siwng e charme. Eu toco Funk, Black e tudo mais ligado a isso, o Set do Boy é de Rock e música eletrônica. Assim tentamos alcançar todos os públicos", arremata Eddie.

Resumindo, o projeto Tubo de Ensaio é uma mistura de ritmos, tendências e música de qualidade. “O lance é não deixar a pista esvaziar, nunca, e atender a um número grande de preferências com qualidade”, explica Flor.

O espaço escolhido para acolher o Tubo de Ensaio, tem sido palco também de inúmeras outras iniciativas. Até o último final de semana, teve em cartaz o espetáculo Por a Caos, da Desabusados Cia. E um passarinho me contou que a próxima investida teatral do Le Marchand será o espetáculo Clichê Maldito, do Grupo Verbus. O espetáculo, que une música e poesia, foi gravado em DVD este ano, que aliás, está quase saindo da fornalha. É esperar pra ver!

Serviço
Projeto Tubo de Ensaio. Todas Sexta-feria. No Le Marchand, na Av. Braz de Aguiar entre Generalíssimo Deodoro e Quintino Bocaiúva. De 22h às 23h, a entrada é free para todos. Ingressos: R$ 5,00.


Músicos da OSPA percorrem o Brasil com concertos de tuba e piano

O pianista mineiro André Carrara e o tubista paraense Wilthon Matos, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, vão levar música para piano e tuba a sete capitais brasileiras.

A turnê, que inicia nesta quarta, 29 de setembro, dentro do projeto Concertos Tuba Brasil, contemplado com o Prêmio Funarte Circuito de Música Clássica 2010, chegará em Manaus, Macapá, Belém, São Luis, João Pessoa, Salvador e Curitiba.

Em Belém, a apresentação será no dia 5 de outubro, às 20h, na Sala Augusto Meira Filho, no Arte Doce Hall. No programa constam obras de Jonathan D. Green, Bruno Kiefer, Guilherme Bauer, Ernst Widmer, Francisco Mignone, Ricardo Tacuchian, Alexander Lebedev e Marcos Cohen. Uma curiosidade: a tuba que Wilthon Matos toca é um instrumento raro fabricado em 1896, reformado pelo próprio músico.

Além de concertos com entrada franca, a programação abrange masterclasses também gratuitos, e o objetivo do projeto, inscrito na Funarte pela Fundação Pablo Komlós, mantenedora da OSPA, é mostrar um trabalho único com um repertório contemporâneo de compositores nacionais para tuba e piano. Informações sobre a turnê podem ser conferidas no blog do projeto.

Serviço
Prêmio Funarte Circuito de Música / Concertos Tuba Brasil. Dia 4 de outubro, masterclasses às 14h no Arte Doce Hall. Dia 5 de outubro, Concertos Tuba Brasil, às 20h, na Sala Augusto Meira Filho (Arte Doce Hall, à Av. Magalhães Barata, 1022).

28.9.10

Livro sobre histórias invisíveis do Teatro da Paz é lançado em Belém

Autora espera um público de historiadores, artistas e demais interessados para uma noite festiva e reveladora sobre um dos mais importantes patrimônios arquitetônicos erguidos em Belém na Bélle Époque. O lançamento é nesta quarta, 29, a partir das 20h, dentro da programação do Festival de Ópera da Amazônia.

E pensar que tudo começou em 1997, quando foi solicitado à jornalista Rose Silveira, que produzisse um histórico do Teatro da Paz para subsidiar a obra de reforma e restauro que seria realizada pela Secretaria de Cultura do Pará entre 2000 e 2002.

Mais do que elaborar o documento, ela acabou dando início à pesquisa que resultaria em sua tese de mestrado, defendida em São Paulo, onde mora desde 2007, e um pouco mais tarde no livro intitulado “Histórias Invisíveis do Teatro da Paz: da construção à primeira reforma (Belém do Grão-Pará, 1869-1890)”, como resultado de todos estes anos de investigação.

“É a minha dissertação de mestrado defendida no ano passado, no Programa de História da PUC-SP, com a orientação da professora Estefânia Fraga, que assina a apresentação”, explica Rosa Silveira, ao ser entrevistada pelo Holofote Virtual alguns dias antes de pegar o avião, em Sampa para aterrisar, neste final de semana, no aeroporto de Val-de-Cans em Belém.

“Para a publicação em livro, o texto recebeu acréscimos sugeridos pela banca de defesa e eu mesma resolvi inserir mais algumas informações, novas fontes que encontrei depois”, continua. A jornalista acredita que fazer pesquisa é um tipo de neurose. “Quanto mais a gente procura, mais encontra”, e avisa que não se espere um texto formal, dentro do mais formal tipo acadêmico.

“Por mais que eu tenha me esforçado em fazer um texto acadêmico à rigor, acabei escrevendo do meu jeito e isso foi muito positivo na avaliação da banca. A academia avalia bem os escritos mais autorais, autônomos em relação às teses defendidas e aos referenciais teóricos”, revela.

ao lado, foto de Tiago Kunz

“Tentei fazer isso. Ao mesmo tempo, eu acho que existe muito preconceito em relação ao trabalho acadêmico, como se ele não pudesse ser lido e compreendido.

Na verdade, a qualidade do texto independe do gênero, não é mesmo? Há textos bons e textos ruins no jornalismo, no mundo acadêmico, na prosa e na poesia, nos relatórios de empresa, enfim, no universo da escrita”, continua.

“O meu trabalho, pra dizer a verdade, tem muito humor, sobretudo no segundo capítulo, no qual falo de como a parcela da população que não era rica frequentou o Teatro da Paz no século 19”.

Público - A expectativa de Rose, quanto ao público em Belém, é particular. “Espero um Mangueirão lotado”, diz bem humorada, com certeza.

“Sempre pensei que, publicando o livro, o lançamento só teria sentido se fosse no Teatro da Paz”, diz Rose. Por isso, foi ela mesma quem propôs o lançamento à organização do festival, que acatou de cara a proposta de realizar uma sessão de autógrafos durante o evento.

“Foi tudo convergente: o desejo de apresentar essas histórias invisíveis no lugar onde elas ocorreram, quase 150 anos atrás, e o festival. Espero que os pesquisadores, os arquitetos, os jornalistas, os historiadores, enfim, o público de Belém possa ir lá”, enfatiza.

A sala de espetáculos, com vista do Paraíso, no clic de Paula Sampaio

Autógrafos e palestr
a

O lançamento do livro faz parte da programação do IV Festival Internacional de Ópera da Amazônia. A noite inicia às 20h, com uma pequena palestra antes dos autógrafos. Em seguida ainda haverá um concerto lírico.

“Vai ser, no mínimo, uma noite festiva”, diz ela, lembrando que o livro foi patrocinado pelo Banco da Amazônia e publicado pela Paka-Tatu. Para saber mais detalhes sobre o livro, acesse também o blog da pesquisadora.

É preciso prestigiar, afinal foram 12 anos de pesquisa mais de uma centena de documentos analisados e inúmeras visitas às estantes do Arquivo Público do Estado do Pará, Biblioteca Estadual Arthur Vianna (setores de Microfilmagem e Obras Raras) e Museu da Universidade Federal do Pará (Sala Vicente Salles), além do acervo virtual do Center for Research Libraries.

A autora encontrou sem dúvida muito do que falar sobre este que é um dos símbolos arquitetônicos mais fortes da nossa Bélle Époque, palco de diversos acontecimentos importantes ao longo de sua trajetória secular. Por isso, a autora sempre lembra que o Teatro da Paz ainda é um mar aberto à tantas outras pesquisas.

Uma nova investigação surge

Após o lançamento de “Histórias Invisíveis...”, Rose Silveira deve retornar à capital paulista, onde mora e cursa atualmente um doutorado, também na PUC. Ela conta que ainda este ano sairão mais dois livros seus, sendo que em um deles, o “José Márcio Ayres: guardião da Amazônia”, ela também assinará a edição.

Já o doutorado, bem, é um estudo da historiografia do pesquisador paraense Vicente Salles. Realmente, a autora tem razão. Em pesquisa quanto mais se busca, mais se acha...

“Ainda tenho um chão imenso pela frente nessa nova fase. Mas, como a vida não dá trégua, também estou fazendo freela como pesquisadora, revisora e editora - além de ser, claro, dona de casa, modelo fotográfico, cabeleireira, esteticista, cozinheira, lavadeira, passadeira, dona de hospedaria e guia turístico”, brinca denunciando mais uma vez sua veia para o humor.

Acervo de preciosidades

Certa vez, tive o prazer de entrevistar o historiador Vicente Salles. Ele estava em Belém, visitando o Museu da UFPA, onde acontecia o projeto de recuperação e difusão do acervo musical que faz parte de sua coleção, doada à Universidade Federal do Pará, ainda em 1993.

Além da parte musical, cujo projeto foi contemplado no edital da Petrobras, em 2006, o acervo reúne livros, periódicos, correspondências, vários documentos sociais e culturais (na foto acima, de Márcio Ferreira, o maestro Jonas Arraes, que coordenou o projetro). São mais de quatro mil, sem falar de uma coleção de cartuns, fotografias de época, cordéis, peças de teatro do repertório regional e nacional, teses, folhetos e cartazes, e cerca de 70 mil recortes de jornal, sobre temas como música, folclore, negro, artes cênicas e literatura.

Vicente Salles dizia que já não tinha mais onde armazenar, em segurança, todas as preciosidades que guardara com ele por toda uma vida. Graças a sua preocupação com a preservação desse acervo, este já colaborou com vários pesquisadores, como Rose Silveira, que já o utilizaram e souberam retirar dele, pérolas da nossa história cultural.

Aliás, outra boa notícia é que este ano o Museu da UFPA aprovou mais um projeto que beneficia este acervo, desta de informatização dos Livros e Periódicos da Coleção do historiador, aprovado pela Lei Rouanet e em fase captação.

A entrevista com Vicente seguia, enquanto ele percorria os corredores do acervo, localizado na parte inferior do Museu da UFPA, um espaço devidamente preparado para abrigar a coleção (Programa Cultura Pai D’Égua, TV Cultura do Pará, 2006/2007).

O professor Vicente Salles (foto) ia pegando documentos, revistas, coleções raras e contando um pouco sobre seus significados, histórias. Perguntei como ele começou estas coleções, quais as primeiras coisas que foram guardadas por ele.

“Comecei recolhendo o lixo do Teatro da Paz”, disse ele relembrando, por alguns segundos, os tempos em que resgatou cartazes de espetáculos e outras coisas do gênero, que integram, hoje, sua coleção e que eram descartadas do lixo pelos próprios funcionários, em mais um episódio invisível do Teatro da Da Paz.

Atenção: O livro de Rose Silveira está disponível para venda na Editora Paka Tatu. Informações: 91 3242.5403 e 91 2312.1063.


27.9.10

In Bust realiza oficina "Bonecos para Rua"

O In Bust teatro com Bonecos está com as inscrições abertas para a oficina Bonecos Para Rua (gratuita), que será realizada no Casarão do Boneco (Av. 16 de novembro, 815), entre os dias 04 e 14 de outubro.

Dividida em duas partes: uma de confecção e outra de manipulação de bonecos, a oficina terá o resultado será apresentado no Cortejo de Abertura da Aldeia SESC Círio de Artes, no dia 18 de outubro.

Todos os inscritos terão que ter disponibilidade, durante a tarde e a noite deste dia, para ensaio geral no local (IAP) e para o cortejo. No ano passado, a oficina também aconteceu e foi um sucesso. A foto que ilustra este texto é do espetáculo Maria de Bonecões, resultado do trabalho realizado em 2009.

Serviço
Oficina de confecção : de 04 a 08 de outubro, das 9h às 12h. Oficina de manipulação: de 11 a 14 de outubro, das 14h às 18h. Os interessados deverão enviar email para inbust@inbust.com.br, incluindo nome completo, idade e disponibilidade.

Vadião deixa o forró de lado e se abre à diversidade da cultura paraense

O Complexo do Vadião, às margens do rio Guamá, na UFPA, que sempre foi destinado às noites de forró está mudando um pouco este foco, para receber o “Quartas Culturais”, um projeto da PROEX, que vai acontecer sempre na última quarta-feira de cada mês, iniciando, no dia 29 próximo, com a “Mostra Estudantil de Música”.

De acordo com Luciane Bessa, produtora Cultural PROEX/UFPA, a iniciativa pretende unir diversos projetos da UFPA e trazer a diversidade da arte paraense.

Nesta quarta tem mostra do Encontro de Artes de Belém (ENARTE), do Sarau de Letras, do Rock‘n Rio Guamá, do Ciclo das Quartas e da Mostra de Intérpretes de Música Popular Brasileira, que será representada por José Júnior e Nana Reis, 1º lugar do II Festival de Música da RBA.

O evento terá participação de Felipe Cordeiro e os Astros do Século, que anteciparão uma mostra do CD que está sendo produzido por André Abujamra. O grupo de Felipe, “Barato Kitsch” é formado por vários alunos e ex-alunos da UFPA e reúne toda a irreverência e criatividade de Felipe, conectado ao tecnobrega, o carimbó e as guitarradas, entre outras referências.

Edital - Nesta Quarta Cultural também será lançado o Prêmio PROEX de Arte e Cultura/2010 que contempla as categorias Artes Visuais, Música, Artes Cênicas, Audiovisual, Memória e Patrimônio, Formação em Artes e Conexões Culturais – Universidade e Movimentos Sociais, no qual podem se inscrever alunos e servidores da UFPA.

Para melhor atender os interessados em inscrever projetos no edital, será realizada em outubro, nos dias 04 e 05, uma oficina de elaboração de projetos - das 14h às 16h, no auditório da SEJE (prédio da Reitoria). E as inscrições já podem ser feitas pelo e-mail decproex@ufpa.br.

Serviço
Projeto Quartas Culturais. Realização da Pró-Reitoria de Extensão, por meio da Diretoria de Apoio Cultural e da Diretoria de Assistência de Integração Estudantil. Os eventos acontecem toda última quarta-feira do mês, às 17h. Entrada franca.

24.9.10

Salão de Humor termina em choro, muito choro....

É isso mesmo. O encerramento do 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia, neste domingo, 26, será à base de muito choro, no Espaço São José Liberto.

Contraditório? Não! Estou falando da apresentação de um dos melhores grupos de Belém, o “Choro e Sorriso”, que embala a festa do mais famoso reduto do choro, em Belém, a Casa do Gilson.

Não estava previsto, mas os cartunistas que organizam o evento não podiam deixar de fazer sua última pegadinha, né? E ao mesmo tempo oferecer mais uma preciosidade ao público. Basta lembrar que o criador do salão, Biratan Porto (caricaturado ao lado, por J. Bosco), é ele próprio um grande chorão e vai se apresentar também.

A programação, decidida ao longo desta semana, promete apimentar mais ainda o humor gráfico exposto em mais de 150 trabalhos no Espaço São José Liberto, desde a última sexta-feira, 17.

O show, que ganhou o nome de "Chorando pela Natureza", começa às 17h, com Adamor Ribeiro e Biratan Porto nos bandolins, Antônio Carlos, no cavaco; Cardoso, no violão de seis cordas, Maurinho, no violão de sete cordas e Amarildo, no pandeiro.

Na mira do caricaturista - E ainda tem mais. Anote aí e divulgue. O público que for neste final de semana de despedida do salão, no Espaço São José Liberto, poderá sair de lá caricaturado. É só aparecer e querer.

O desenhista João Bento faz o plantão dele, no sábado, 25, e o J. Bosco, no domingo, 26, a partir das 18h. É tudo gratuito. Vale à pena dar uma passada por lá. O melhor do humor gráfico do Brasil e de mais 32 outros países está lá, esperando por boas gargalhadas.

Belém tem sido palco desse evento há três anos, sempre com o patrocínio da Oi, através da Lei Semear, e tem chamado atenção da mídia em várias partes do mundo, já que os cartunistas selecionados, a maioria deles, é de algum veículo de comunicação, que divulga o Salão e a cidade e Belém internacionalmente.

Não deixe de passar pela coleção das caricaturas selecionadas este ano. São 36, ao todo, uma melhor que a outra. Tem Frida Kahlo, maravilhosa, José Saramago, Jimmy Hendrix, Rolling Stones, Zacarias, Madre Tereza de Calcutá e até a Dilma Roussef, graças a derrubada daquela lei absurda que andou proibindo nossos humoristas a se manifestarem nestas eleições em relação aos candidatos.

Dona Risoleta Bandeira recebe as homenagens feitas à Chembra

Tem um outro espaço, este mais especial, com 10 caricaturas feitas do Chembra, o jornalista Euclides Bandeira, que faleceu em 2000, deixando uma enorme lacuna na imprensa paraense.

Ele está sendo homenageado pelos caricaturistas brasileiros Baptistão (SP), Amorim (RJ), J. Bosco (PA), Biratan (PA), Luiz Pinto (PA), João Bento (PA), Junior Lopes (SP), William (PB), Alan Souto (RJ) e Fernandes (SP)”.

Na noite de abertura do salão, a mãe de Chembra, Dona Risoleta Bandeira esteve presente e muito emocionada, agradeceu a homenagem ao filho. Dona Riso, como é carinhosamente chamada pelos amigos, é mãe também do saudoso cantor Walter Bandeira.

Depois de uma semana com oficina, workshop, palestra, caricaturas ao vivo e visitas monitoradas para estudantes, que se divertiram na grande exposição, o 3 Salão Internacional de Humor da Amazônia vai se despedindo do público. E você é convidado a participar dessa grande roda de chorões em prol da natureza, pois findando este domingo, só no ano que vem, com certeza!

Homenagem traz Chembra à memória dos amigos

“Singular, sempre foi extremamente plural. Jornalista, cronista, contista, humorista, homem de sete instrumentos. Mas tocava somente tamborim. O que não o impedia vez ou outra de botar a boca no trombone”.

É assim que inicia o texto escrito pelo jornalista Raymundo Sobral, para apresentar Euclides Chembra Bandeira, no espaço instalado em sua homenagem dentro do 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia, no Espaço São José Liberto.

“Considero acertadíssima essa homenagem que se presta a Euclides “Chembra” Bandeira no Salão Internacional de Humor já que o humor sempre foi sua marca registrada.

Nos textos, suas estórias eram inspiradas na mais fina flor da malandragem e, ao longo de mais de 20 anos, sua galeria de irresistíveis personagens foi corpo e alma do PQP – Um jornal Pra Quem Pode. Um cara de bem com vida e sempre disponível para um papo com os amigos. De preferência regado a bastante mé...”, diz Raymundo Mário Sobral.

Para mais um outro de copo e de profissão, Tito Barata, a escolha também não poderia ser mais apropriada de homenagear Chembra dentro de um Salão de Humor.

“É o fórum apropriado para isso. Tenho certeza de que o nosso "cabeçudo" ficaria muito feliz com a homenagem.

As centenas de crônicas geniais que escreveu nos jornais não se comparam com o prazer de conversar pessoalmente com ele. Seu humor era fino e sutil.

Sem nenhum ruído caricato. Fazia parte da escola do fenomenal Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta”, afirma.

Chembra era considerado um amigo generoso e solidário com todos. Na opinião de Tito e de muitos, ele foi um dos maiores editores e redatores da imprensa paraense.

“Seu texto é limpo, preciso e didático. Nas crônicas satirizou as mazelas do cotidiano sem perder a elegância e a ternura com seus personagens. Um grande amigo de quem tenho saudade”, relembra o jornalista.

O primeiro Stand up de Belém

Muito antes do "stand up comedy" virar moda, de acordo com Tito, Chembra já se aventurava pelo estilo para os privilegiados frequentadores do bar e restaurante "AltaVista", no final dos anos 90.

“Pouca gente sabe, mas o Chembra também se aventurou pelo mundo empresarial.

Foi um dos sócios do "AltaVista", que funcionou no último andar do prédio da Associação Comercial do Pará, na Presidente Vargas. Fazia "stand ups" improvisados no melhor estilo do Richard Pryor. Impagável o set do "Pequeno Isaac"”.

“Na crônica, nunca é demais repetir, que foi genial”, enfatiza o amigo. “Se morasse no sul maravilha, seria reconhecido como um dos grandes cronistas do país. Leiam depressa, se ainda houver edição disponível, "Memórias de Um Anti-Herói" e "Meio Pau-Meio Tijolo", os dois livros que o Chembra publicou”, dá a dica.

Vivo arte.mov com várias programações em Belém vai até domingo

Em andamento neste final de semana a super programação, do Vivo arte.mov, que iniciou na última quarta-feira, 22, com uma bicicletada, e segue discutindo com o público sobre as particularidades do cenário local, buscando formas possíveis de leitura da identidade e do imaginário amazônico.

Entre as trocentas coisas que estão rolando no Fórum Landi, que fica na Cidade Velha, ali em plena Praça do Carmo, um dos espaços do evento, anote aí.

Hoje, a partir das 18h, tem debates sobre “O espaço em movimento, a paisagem em adaptação (experiência urbana e suburbana, mapeamento subjetivo, as formas de comunicação da cidade (local x global), landmarks, ecossistemas, entradas e saídas, macro-economias e bio-pirataria)”, com o debatedor: Marcus Bastos e Marisa Mokarzel (PA) – curadora; Ricardo Folhes (PA) – PSA/georeferenciamento e Ivana Bentes (RJ).

Na sequência, às 19h, o papo será conduzido por Rodrigo Minelli (MG), em torno do tema “A construção da identidade e do imaginário local pelas mídias [visibilidade/invisibilidade]: fluxo, refluxo e reinterpretações (perspectivas imediatas, filosofia e práticas do presente)”, com participação de Fabiane Borges (SP) – Virtualidade e sexo: narrativas e consciência social; Orlando Maneschy (PA) – Imagens e arquétipos da identidade e Lala Dehenzelin – Movimento CrieFuturos (SP).

No sábado, 25, segue a caravana. Às 19h terá debate sobre “As novas negociações: o movimento, como reinvenção, a formação de canais paralelos (os novos desenhos do espaço entre a ocupação informal, propostas coletivas, o papel das redes, novas forças de negociação diante das políticas públicas)”, com o debatedor Lucas Bambozzi e os convidados Cícero Silva (SP) – Transborder Immigrant Tool; Lourival Cuquinha (PE), Jarbas Jacome (PE) - Plataformas open-source móbile e Joesér Álvarez (RO) – coletivo madeirista.

Esquizotrans - No Lounge Multimeios, o bate papo será com Fabiane Borges e Hilan Bensusan, que estarão lançando o livro “Breviário de Pornografia Esquizotrans”. Fabiane Borges é psicóloga, ensaísta, doutoranda em psicologia clínica, pesquisadora de arte e comunicação, e Hilan Bensusan, Doutor em filosofia, autor do livro "Excessos e exceções, por uma ontologia sem cabimento".

Esquizotrans é da esquizerda errorista transcultural. É pesquisa gênero, tecnologia, e transhumanidades. Tem foco nas coisas eróticas e pornográficas. Já foram produzidos videos e ensaios sobre o assunto. Veja um deles, aqui.

Esquizotrans é uma experiência nos assuntos das esquizerdas, ou seja, esquerdas esquisitas, esquizofrênicas. Tenta pautar assuntos relativos ao erótico, ao pornográfico, corpo em geral, acreditando que esse mote é uma plataforma que possibilita a conexão com outros temas da contemporaneidade.

MAIS PARA HOJE

20h30 -Exibição e bate-papo sobre a Mostra Regional
Jorane Castro e convidados

21h30 - Performance ADC Belém Tour - Tal Isaac Hadad
A performance é resultado do workshop realizado durante a semana com a participação de bicicletas sonoras selecionadas pelo projeto. Esta performance final, apresenta estes selecionados e seus itinerários móvel e sonoro: captado, mixado e mapeado durante o workshop, apresentando uma paisagem sonora da cidade de Belém.

Local:
Praça do Carmo / Pier 11 Janelas

Veja a programação completa aqui.

Mestre Vieira encontra a banda Caypso em Barcarena

Mestre Vieira marca a presença de todos os anos no Festival do Abacaxi, de Barcarena. A apresentação dele e sua banda será no sábado, 25, no mesmo dia da banda Calypso. Será oportunidade para ele e Chimbinha se encontrarem novamente. Na foto ao lado, o encontro é de 2007.

O guitarrista da Calypso, quando esteve em Belém, no início deste mês, participando da Feira Pan Amazônica do Livro conversou com Vieira, pelo telefone, um pouco antes de subir ao palco, e aceitou o convite feito pelo mestre para participar de um show comemorativo de seus 50 anos de guitarrada que deve ser produzido ano que vem, em Belém, resultando em um documenário. Vamos aguardar.

A programação do Festival do Abacaxi iniciou ontem, comemorando seus 30 anos de estrada, sempre com objetivo de estimular a cultura agrícola artesanal, o folclore e as tradições artísticas do município.

E pensar que toda essa história começou quando o Professor Edilson Santos descobriu o potencial, na época, de cerca de 60 agricultores, que cultivavam a fruta sem nenhuma técnica adequada. Foram feitos investimentos e introduzidas outras técnicas que tornam, hoje, Barcarena um dos grandes produtores da fruta no Pará. Mestre Vieira sempre conta que vem de uma família produtora de abacaxi e que trabalhou muito com a terra antes de engatilhar pela primeira os acordes em uma guitarra!!!

Bem, até domingo, ainda subirão ao palco montado no Centro de Exposição Cultural do município, vários shows de bandas locais e nacionais, como Viviane Batidão e Super Pop, além da banda Calypso e Mestre Vieira.

Nesta sexta-feira, tem a escolha da rainha do festival e nas barraquinhas, deliciosos pratos feitos com a fruta são oferecidos ao público. São várias receitas de bolos, tortas e doces. Quem estiver ou for por lá, que aproveite. Eu amo abacaxi... e guitarrada.

Serviço
30º Festival do Abacaxi. Até domingo (26), no Centro de Exposição Cultural do município de Barcarena. Ingressos: R$10,00 (dias 24 e 26) e R$20,00 (dia 25).


23.9.10

Entrevista: Fábio Castro fala sobre seu novo livro e discute política cultural

Chegou recentemente às livrarias o livro “A Cidade Sebastiana”, escrito por Fábio Fonseca de Castro, doutor em sociologia, professor da Faculdade de Comunicação da UFPA e pesquisador no programa de pós-graduação "Comunicação e Cultura na Amazônia".

A obra é resultado de seu trabalho de Mestrado, orientado pelo professor, escritor e filósofo Benedito Nunes e defendido em 1995, na Universidade de Brasília.

"A Cidade Sebastiana, a Era da Borracha, memória e melancolia numa capital da periferia da modernidade" aborda a Belém, que no ciclo do látex, era uma metrópole mercantil, governada por uma burguesia associada ao capital estrangeiro e das heranças deixadas no imaginário coletivo da população até os dias de hoje.

“É um trabalho no campo da sociologia da cultura, com aporte na história cultural”, explica Fábio, que também foi Secretário de Comunicação do Governo Ana Júlia, até meados de 2009, quando deixou o cargo sob algumas polêmicas geradas por anônimos na blogosfera.

Hoje, mantendo o diálogo com o atual governo, discute as políticas voltados à área cultural, participando de inúmeras mesas e eventos que tem esta finalidade. Esteve, por exemplo, na mesa de abertura do II Encontro de Gestores Culturais do Estado do Pará, realizado no último dia 14, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, sob coordenação da Secretaria de Estado da Cultura.

O encontro reuniu secretários municipais de cultura e representantes da sociedade civil, com objetivo debater o Plano Estadual de Cultura. No dia seguinte, Fábio Castro já havia postado algo à respeito em seu blog, o Hupomnemata.

Aliás, Fábio é um blogueiro assíduo e exigente, satisfeito com a qualidade de seus leitores. Há quatro anos vem debatendo assuntos voltados às políticas de cultura e de comunicação, pois acredita não ser possível “falar em política cultural, contemporaneamente, sem falar, ao mesmo tempo, sobre política de comunicação”, escreveu em uma de suas primeiras postagens, em 2006 .

Para ele, “a cultura associada à mídia pode ser descrita como o “quinto poder”, como o elemento estruturante dos imaginários coletivos e, portanto, como uma peça estratégica na construção da visibilidade da cultura local”. Talvez por isso, tenha feito mais recentemente, postagens propondo um debate em torno da Funtelpa e que renderam inúmeros comentários. Mais polêmica.

Há algum tempo, venho seguindo o blog do professor Fábio Castro. Já havia pensado em lhe propor uma entrevista. A oportunidade veio agora com o lançamento de seu livro. Na semana passada fiz o convite, que foi logo aceito. Os assuntos focados no bate papo do Holofote Virtual com Fábio Castro foram seu livro, o blog e as artérias da política cultural paraense.

Holofote Virtual: O livro “A Cidade Sebastiana” acaba de chegar aos pontos de venda em Belém. É resultado de seu trabalho de Mestrado, defendido ainda na década de 90. Da tese ao livro há um hiato de mais de uma década. Por que tanto tempo?

Fábio Castro: Meu trabalho é escrever. Publicar é uma tarefa incômoda, desgastante, cara e que atrapalha muito. Não tenho muita paciência para fazer esse percurso. Mesmo porque, por força dos compromissos acadêmicos e da, por assim dizer, economia da academia, acabamos priorizando a publicação de pesquisas em periódicos especializados, bem como a apresentação dos temas em seminários, colóquios, etc, o que também toma tempo e demanda paciência.

Nesse espaço acadêmico, “A Cidade Sebastiana” já tem uma vida longa e já foi citada em umas três dezenas de artigo e teses. Por outro lado, a publicação em forma de livro e sua disponibilização para o público em geral sempre esteve no meu horizonte. Ocorre que só agora resolvi enfrentar o desafio. Na verdade, estou editando, ao mesmo tempo, três trabalhos. Os outros dois sairão nos próximos meses. Foi uma espécie de esforço concentrado.

Holofote Virtual: Foi a tua paixão pela cidade de Belém que te levou a escrevê-lo? Fala um pouco de como a pesquisa surgiu e se tornou dissertação de Mestrado.

Fábio Castro: Não diria paixão, mas sim intriga. Belém é uma matéria subjetiva intrigante. Tem coisas estranhas na cidade. É material para muita literatura e para muita indagação.

Cheguei ao tema percebendo a persistência social dessa melancolia a respeito da “era da borracha”, algo presente na literatura, nas artes plásticas e mesmo na memória cotidiana, na intersubjetividade social da cidade.

Meu campo de trabalho é a sociologia da cultura, particularmente a formação do tecido intersubjetivo e das práticas de sociabilidade decorrentes dele. Como esse livro foi minha primeira pesquisa de fôlego, essas matrizes teóricas e metodológicas, com o acréscimo da fenomenologia, foram, posso dizer, meus interesses primordiais.

Holofote Virtual: A expressão “terra do já teve” tem haver com estas memórias de opulência deixadas na cidade de Belém pelo ciclo da borracha e que abordas no livro?

Fábio Castro: Sim. A experiência social do ciclo do látex foi de abundância. A oferta de bens de consumo era imensa em Belém, propiciando uma cultura material luxuosa para os que podiam pagar por ela. Por sua vez, a crise econômica na qual a cidade mergulhou, posteriormente, constituiu uma experiência de privação que, para a burguesia local e para setores medianos da sociedade teve contornos dramáticos.

O “já teve” tem duas dimensões: uma empírica, em função do fato de que essa abundância material deixou de existir, e outra no campo da subjetividade coletiva, motivada pelo impacto repentino da perda. Agora, se há uma associação entre o ciclo do látex e o “já teve”, isso não quer dizer que o ciclo do látex é a única experiência histórica associada ao “já teve”.

Toda a história da Amazônia é uma longa reiteração da experiência social de derrota e de perda. Nesse sentido dá para ver o ciclo do látex também como uma renovação dessa memória social de derrota histórica.

Holofote Virtual: De que forma você acredita que esta pesquisa ajuda a refletir as transformações e desenvolvimento da sociedade paraense nos dias de hoje?

Fábio Castro: Refletir sobre as transformações, na verdade. O que falei a respeito das derrotas históricas da sociedade amazônica, por exemplo, está na maneira como a sociedade amazônica atual deixa de se posicionar sobre as grandes questões que lhe concerne.

Como se já houvesse uma predisposição à derrota. As questões sobre a política mineral, A Lei Kandir, a necessidade de recolocar o pacto federativo brasileiro à luz da dimensão amazônica, por exemplo, são derrotas apriorísticas, a meu ver, da Amazônia atual.

Penso que refletir sobre o imaginário social ajuda a identificar os medos coletivos, as predisposições negativas e, por outro lado as potencialidades que existem e que não são aproveitadas.

Holofote Virtual: Você tem um blog sobre política, cultura, mídia, literatura, cinema. Web 2.0, novas tecnologias, mídia livre. Quando teve início este mergulho no universo virtual e como isso tem mexido com o teu cotidiano político, profissional e pessoal?

Fábio Castro: Criei o Hupomnemata, meu blog, em 2006 e o interrompi durante os dois anos e meio em que ocupei o cargo de Secretário de Comunicação do governo. A princípio, era um instrumento para maximizar minha atividade como professor e líder de um grupo de pesquisa sobre comunicação e cultura. Porém, quando retomei o blog, em junho de 2009, ele ganhou amplitude e uma dimensão política.

Como é um blog de posicionamento, de opinião - e não de informação, necessariamente – acabo conseguindo alcançar um público qualificado e introduzir alguns debates. Em função das posições adotadas sou convidado a participar de debates, diálogos etc. Penso que é um modo de fazer política, porque conforma uma participação no debate público. Isso é a esfera pública do nosso tempo.

Agora, é preciso perceber que blog não é mídia massificada, é mídia interativa. Por isso minha estratégia de comunicação, no Hupomnemata, não é alcançar quantidade, mas sim qualidade. Não me orgulho de um índice de leitura de 350 pessoas por dia, mas sim de um length (tempo de permanência no blog) de 5 minutos, e de uma taxa de retorno de 90%.

Holofote Virtual: Há várias postagens abordando políticas culturais, um dos focos do blog. Falando nisso, na tua avaliação, como está a política cultural paraense?

Fábio Castro: No governo Ana Júlia foram feitos avanços importantes em 3 direções: 1) a ampliação da participação popular na discussão da política cultural; 2) a construção de um a política de editais e, consequentemente, uma democratização do acesso ao financiamento público da cultura; e 3) o rompimento do isolamento do Pará em relação as política culturais federais, por pura opção política da gestão Paulo Chaves (PSDB-DEM), que se recusava a firmar convênios com o MinC, numa atitude arrogante que prejudicou muito o estado.

A partir daí, obviamente, resta muito a fazer. Em meu modo de pensar, nada terá condições de ser feito num outro governo do PSDB. Numa outra gestão do PT é possível avançar, mas isso, obviamente, dependendo das circunstâncias políticas estabelecidas.

Holofote Virtual: E quais seriam os caminhos?

Fábio Castro: Em minha opinião, é preciso trabalhar para tornar a Secult um forte ator institucional, um forte ator político e um forte ator econômico. E isso quer dizer o seguinte: no plano institucional, é preciso auxiliar na elaboração dos Planos Municipais de Cultura, incentivar o diálogo intermunicipal e criar metodologia de aferição de indicadores culturais para o estado e se possível para outros estados amazônicos, produzi-los e divulgá-los.

No plano político, é preciso que a Secult atue como uma tribuna da voz social, da voz coletiva dos agentes culturais paraenses, fomentando a formação de fóruns, conselhos, audiências públicas e outras instâncias democráticas e dando voz à sociedade civil e, além disso, que ela também atue como um agente instigador da reflexão sobre identidades e territorialidades amazônicas.

No plano econômico, por fim, a estratégia deve ser a de produzir, em forte articulação com agentes públicos municipais, ações de fomento e dinamização da economia da cultura no estado do Pará, também atuando como instrumento regulador.

Holofote Virtual: É fato que a cara da cultura no país mudou, mas o momento ainda é de afirmação, não acha? O que fazer para fortalecer os mecanismos implantados em apoio às culturas indígenas, populares, à cultura digital, midiática e audiovisual, sem deixar a peteca cair?

Fábio Castro: O núcleo da política de cultura do PT é a ampliação da participação social e o compromisso com a inclusão. Foi isso que aconteceu durante os dois mandatos do governo Lula.

A próxima etapa, se Dilma for eleita presidente, está delineada: ela equivale a ampliar a presença física do MinC nos estados e nos municípios com população superior a 150 mil habitantes. O objetivo disso é produzir uma ampliação dos mecanismos de participação e de inclusão. Para não deixar a peteca cair, basta continuar com o projeto.

Holofote Virtual: Tudo indica, porém, que a cultura continua sendo aquela conta que ninguém quer pagar. Não à toa, o Custo Amazônico foi largamente discutido e levado à II Conferência Nacional de Cultura, este ano, em Brasília. O que é necessário para que os investimentos culturais evoluam concretamente para a implantação eficaz de uma economia da cultura na Amazônia?

Fábio Castro: Em primeiro lugar, devemos nos mobilizar pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 150 (a PEC 150), que determina limites mínimos para o investimento público em cultura, os quais seriam de 1,5% do orçamento federal, 1% do estadual e 0,5% do municipal.

Só isso muda tudo, pois praticamente dobra os recursos atuais para a cultura, na maioria dos estados. Ressalto também o custo amazônico, uma vitória retumbante dos representantes paraenses na II Conferência Nacional de Cultura.

Em relação à economia da cultura, penso que cabe ao Estado, por meio da Secretaria de Cultura, realizar uma política pública para o setor.

Holofote Virtual: Quais seriam as sugestões que você daria...

Fábio Castro: A meu ver teria que ser feito o seguinte: 1º - Mapear as cadeias produtivas da cultura paraense, visando a criação de estratégias específicas de fomento e apoio de produção cultural, em cada região de integração do estado; 2º - Criar um sistema de informações culturais, em consonância ao sistema nacional de informações e indicadores culturais (o SCIIC); 3º - Criar um programa de abrangência estadual que garanta o apoio técnico e jurídico assim como a isenção dos custos cartorários, do CNPJ e demais certificados exigidos nos editais e programas de instituições públicas e privadas, garantindo a priorização de entidades sem fins lucrativos, de pequeno porte da área cultural; 4º - Promover um mutirão visando o registro legal e a institucionalização jurídica das diversas associações e movimentos culturais existentes no estado; 5º - Implementar uma política de financiamento que garanta capacitação na área de elaboração e gestão de projetos culturais; 6º - Incentivar a formação de associações e cooperativas culturais; 7º - Garantir apoio logístico (barco, ônibus e outros) para atender os produtores de cultura e promover intercâmbio entre lugares-pólo e os municípios integrantes; 8º - Criar mecanismos para comercialização dos produtos artesanais; 9º - Promover feiras culturais, agregando setores ou específicas, segundo os setores de ação, e garantir estratégia de intercâmbio e divulgação de produtos; 10º - Promover ações de midiatização de serviços e ofertas culturais associadas a ações de midiatização da cadeia produtiva do turismo; 11º - Garantir a maximização do uso dos espaços sócio-culturais disponíveis no Estado, particularmente aqueles mantidos por OSs e que, ainda assim, dependem de amplos recursos estaduais.

Holofote Virtual: E as Leis de Incentivo à cultura? Elas tomaram o lugar das políticas estatais e fortaleceram o mercado neste papel. Ao invés de fazer com que a produção cultural se tornasse “um bom negócio” para todos, deixou nas mãos do empresariado a função de eleger o que é ou não cultura. Quando esse jogo vai mudar?

Fábio Castro: Dizer que a cultura é um bom negócio centraliza a dinâmica cultural no mercado. E isso não é um bom negócio para a cultura. Embora seja também mercado, a cultura precisa transcender ao mercado. Penso que as leis de incentivo devem ocupar uma estratégia apenas secundária na economia da cultura. Elas são muito perigosas para o artista, porque condicionam a produção à visão empresarial do investidor e, em alguns casos, ao lucro da empresa.

Holofote Virtual: O que você acompanha do ponto de vista da produção cultural? Teatro, cinema, música, literatura etc. O terreno é fértil, mas percebe-se a insatisfação de produtores e fazedores de cultura com as facções políticas. O Conselho Estadual de Cultura, por exemplo, não existe de fato.

Fábio Castro: Sempre estou acompanhando o que se faz, sou um consumidor voraz de cultura, daqui como de fora. Em relação aos artistas e produtores, acho que eles têm mais é que ficar insatisfeitos com as facções políticas, independente de quais forem elas ou de qual competência tenham, em relação à coisa pública. Esse que é o papel deles, e artista que elogia o governo, quando não tem militância anterior, tende a perder a credibilidade.

Por outro lado, o governo também não deve estar aí para agradar artistas e produtores, e sim para fazer política pública, o que é bem diferente. Quanto ao Conselho Estadual de Cultura, concordo com você: ele não existe e nem funciona, é um arremedo. É preciso coragem política para destituí-lo e criar um novo, por via democrática, com participação social e com contemplação de setores e linguagens.

Holofote Virtual: Qual o paralelo que você faria entre este momento e aqueles situados em "A Cidade Sebastiana"?

Fábio Castro: Sempre temos ilusões quanto ao centro do mundo. Só isso.

Holofote Virtual: Para finalizar, quais são os próximos passos em direção a discussão deste livro, onde encontrá-lo? E você já está escrevendo algum outro? Obrigada pela entrevista!

Fábio Castro: O livro está aí, solto no mundo. Está à venda da Fox da Dr. Morais, na livraria da Visão, na livraria Humânitas da UFPA e em outros pontos. A Casa 252, uma loja pop-up (foto) recém inaugurada, agendou alguns bate-papos sobre Belém durante a Era da Borracha. Nessas ocasiões, eu mostro imagens, dou alguns dados, conto algumas histórias e a conversa fica aberta. O primeiro que teve foi muito legal.

Sobre outros livros, como disse, nos próximos meses, lançarei outros. Espero que em novembro saia “Entre o Mito e a Fronteira”, que é uma análise sobre a produção artística de Belém, entre 1970 e 2000 e, algum tempo depois, deve sair “As Identificações Amazônicas”, que reúne dez artigos resumindo minhas pesquisas sobre os processos identitários – ou seja, de produção social da identidade - presentes no espaço amazônico contemporâneo.

22.9.10

Ópera no Museu Histórico do Estado do Pará?

Sim, estreia nesta quinta-feira, 23, e tem reapresentação na sexta, 24, com regência do maestro francês Philippe Forget (foto), regente coral e orquestral, compositor de música vocal e diplomado em Fagote pela Academia Áustro-Húngara, de Budapeste.

Trata-se da montagem de inédita de Dido and Aeneas, do compositor inglês Henry Purcell, com libretto de Nahum Tate baseado na Eneida de Virgílio. As apresentações iniciam às 18h, no Salão Transversal do MHEP (Palácio Lauro Sodré, antiga sede do governo - Praça D. Pedro II, s/n, CidadeVelha). A entrada é gratuita.
Justificar
“Dido & Aeneas”, de Henry Purcell, é a mais antiga ópera e uma das mais importantes obras do repertório barroco da Inglaterra. Foi apresentada pela primeira vez em 1689, numa escola em Chelsea, Londres, dirigida por Josias Priest, que era um mestre de dança.

A comovente história de Dido e Aeneas foi adaptada da Eneida de Virgílio. Enéas era um soldado de Trojan. Quando Tróia cai, parte com seus seguidores em sete navios, e naufraga na costa de Cartago, governada pela rainha Dido.

Dido e Enéias se apaixonam profundamente, mas a bruxa, disfarçada de Mercúrio, anuncia a decisão de Zeus a Enéias de que ele tem que partir e fundar Roma, cumprindo assim o seu destino. O herói, embora profundamente abalado, está preparado para cumprir o seu dever. Dido fica desolada e sozinha. Em seu desespero, ela se suicida.

Nesta montagem em Belém, será encenada pelo Madrigal da UEPA (direção de Milton Monte, com participação especial da contralto Gabriella Florenzano), Quarteto de Cordas da UEPA (direção de Urubatan Castro), Camerata Vocal da EMUFPA (direção de Milton Monte) e Camerata Instrumental da EMUFPA (direção de Paulo Keuffer).

Madrigal e Cameratas - O Madrigal da UEPA realiza trabalho ímpar na divulgação do repertório de música colonial brasileira e música antiga na região Norte do Brasil. Fundado em 2001 por Milton Monte, ligado à Pró-Reitoria de Extensão da UEPA, tem se apresentado nas mais importantes salas de concerto e igrejas históricas de Belém.

Outro grupo que tem feito um trabalho relevante para a divulgação do repertório da música antiga em Belém é o Núcleo de Música Antiga da Escola de Música da UFPA, também fundado, em 2002 por Milton Monte e Arthur Alves, e que abrange a Camerata Vocal e a Camerata Instrumental da EMUFPA.

Sábado tem sessão de cinema na Ilha de Colares

A cidade, localizada no nordeste do estado, conhecida pelo turismo ufológico e por suas belas praias, parece que foi mordida por um “bichinho”.

Não aquele que assustava a população na década de 70 e que acabou virando tema de diversos documentários, inclusive um paraense. Estou falando do bichinho da sétima arte. A população, porém, desta vez não é a protagonista da cena. Está na platéia, em uma sessão cineclubista.

Um dos projetos aprovados pelo CineMais Cultura do MinC, o Cineclube Luiz Gama de Colares fez a sessão de estréia, em agosto deste ano.

Foram exibindos os curtas paraenses “A Onda - Festa da Pororoca" (Cassio Tavernard), "O Rapto do Peixe-Boi" (Cássio Tavernard e Rodrigo Aben-Athar), “Açaí com Jabá” (Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Valério Duarte) e, olha ele aí, o documentário a que me referi, "Chupa-Chupa, a História que Veio do Céu" (Adriano Barroso e Roger Elarat).

E de acordo com relato encontrado na blogosfera, a noite inaugural foi um sucesso cinematográfico.

Neste sábado, 25, a sessão inicia às 20h e terá na tela, o longa “Anahy de las Missiones”, filme premiadíssimo, com direção de Sérgio e Dira Paes non elenco, produção grandiosa, de 1997.

O projeto do cineclube é uma realização da Associação Beneficente Prof. Luiz Gama, com coordenação do professor e fotógrafo Eduardo Kalif, que com certeza soube dar continuidade a experiência que teve no ano passado.

Em 2009, Kalif, que conhece Colares há mais de 20 anos, trabalhou em outro projeto ligado ao audiovisual, chamado “Cinema e Meio Ambiente na Escola: Formando as COM-VIDA'S”. O objetivo foi de criar uma consciência ecológica na comunidade e discutir a linguagem audiovisual, como ferramenta pedagógica. Com a formação cineclubista do atual projeto, Kalif continua avançado nesta discussão, além de trazer uma forma de inclusão social a mais para a região, se utilizando dessa arte que tanto nos maravilha, que é o cinema.

Anahy - Em “Anahy de las Misiones” é abordado de forma poética, dramática e lúdica episódios lendários da história do período colonial, ambientados na Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845, período mais conturbado da história do Rio Grande do Sul (1835-1845).

Uma das lendas contadas por gaúchos do Brasil, Argentina e Uruguai, era a de Anahy de las Misiones, mulher que errava pelos países do Prata vendendo despojos saqueados dos soldados mortos nas batalhas entre farroupilhas (revolucionários) e caramurus (legalistas, defensores do império), recolhendo os despojos dos combates e negociando-os nos acampamentos dos soldados de ambas as facções. Saiba mais, aqui.

E se estiver em Colares no sábado, não perca a sessão. Não consegui checar o endereço exato, onde fica a associação, mas perguntando para algum morador de lá, não será difícil descobrir.

Vídeo de 1 min. recebe prêmio no 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia

Este ano, o Salão Internacional de Humor da Amazônia inovou ao abrir as inscrições para vídeos de 60 segundos com o tema “Ecologia”.

Uma pena que a procura foi rara, apenas quatro vídeos foram inscritos para a mostra competitiva Minuto do Planeta, que aconteceu no último sábado após a palestra sobre a utilização de quadrinhos em sala de aula, ministrada pelo cartunista José Alberto Lovetro, no Instituto de Artes do Pará.

Mesmo assim, a organização do evento resolveu fazer a exibição de todos e consumar também a premiação de R$ 1.000,00 aos vencedores. Ganhou em 1º lugar, a animação “Ação e Reação” do diretores Mário Fernandes Aires, Julio Cesar Santos de Oliveira, Pedro Rogério da Silva Batista e Carlos Alberto Ribeiro Junior, de Belém do Pará.

“Resolvemos manter a premiação, pois assim estaremos incentivando a maior participação no ano que vem”, disse Biratan Porto, criador e coordenador do evento.

Na comissão julgadora estavam o cartunista Jal, o diretor de animações, Cássio Tavernard (Festa na Pororoca e Rapto do Peixe Boi) e Márcia Macêdo (Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia).

Os outros vídeos inscritos foram: “Curupira”, de Panmella Araújo, também do Pará; “De ban da da”, de Ney Ricardo da Silva, do Estado do Acre e “No future”, de Franscisco Carlos Campos Costa, do Estado do Ceará.

O 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia segue aberto até dia 26 de setembro, sempre das 9h às 22h, no Espaço São José Liberto. Estão expostas 147 trabalhos vindos de 32 países, incluindo o Brasil, além de 10 caricaturas inéditas em homenagem ao jornalista e cartunista paraenses Euclides “Chembra” Bandeira, falecido no ano 2000.

Falando em caricatura, nos dias 25 e 26 os cartunistas João Bento e J. Bosco, respectivamente, realizam sessões de caricaturas ao vivo, isto é, eles fazem caricaturas das pessoas que visitarem o salão, gratuitamente, a partir das 18h.

A realização do 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia é da Central de Produção – Cinema e Vídeo na Amazônia, com patrocínio da Oi, através da Lei Semear, com apoio cultural Oi Futuro, Sol Informática e do Hilton Hotel, via Lei Tó Teixeira. O apoio institucional é do Espaço São José Liberto e do Instituto de Artes do Pará.

21.9.10

Preparem-se para uma overdose de rock neste final de semana

Isso mesmo. Serão dez bandas no dia 24, com encerramento do Circuito Floresta Sonora, e mais dez no dia 25 com o show do Mombojó, marcando também o lançamento do V Festival Se Rasgum, que acontece de 12 a 14 de novembro no African Bar.

Todas elas, com exceção das que encerram as duas noites, foram escolhidas pelos jurados do festival, mas isso não quer dizer que elas já estejam garantidas dentro da programação de novembro. Isso vai depender de você, o público, que pode votar nas que gostaria de ver se rasgando no Afrikan Bar. São apenas seis vagas.

Estão no páreo: Mostarda na Lagarta; Stereoscorpe; Felipe Cordeiro; Sambiose; Cocota de Ortega; Projeto Secreto Macacos; Candiru Malino; La Orchestra Invisível; Destruidores de Tóquio; Banda Malachai. Encerra e primeira noite, na sexta-feira, o Circuito Floresta Sonora.

No sábado a cena é invadia pela Dharma Burns; The Baudeulaires; Arcadines; Igrejas Bar; 16-Bits; Bruno – BO; Radiofone; Orion; Paris Rock; Mobilha e fechando tudo, a Mombojó (PE).

Entre no site www.conexaovivo.com.br/serasgum e faça a sua escolha. Mas seja rápido, porque a votação segue só até a apresentação da banda nas Seletivas 2010, antes do show da banda Mombojó, no dia 25. O Holofote Virtual já votou!!

Todas as bandas inscritas nas Seletivas foram escutadas e avaliadas por três jurados: Frank Jorge (coordenador e professor do curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos, no Rio Grande do Sul músico gaúcho que participou de bandas como Graforréia Xilarmônica e Cascaveletes), Antonio Gutierrez, o Gutie (idealizador e realizador do festival Rec Beat, um dos mais importantes do Brasil) e Gustavo Rodrigues (publicitário e um dos fundadores da Dançum Se Rasgum Produciones). Eles ouviram e deram notas para as bandas inscritas.

Das seis bandas vencedoras, as três mais pontuadas pelos jurados, internet e público ganharão uma série de prêmios, como gravação de EP, confecção de encarte, release e ensaio fotográfico profissional. O critério de seleção para a ordem de apresentação das bandas foi feito através de um sorteio na presença de todos os grupos.

O evento oferece estrutura de som e iluminação profissional e promove uma grande festa para a apresentação dessas bandas, que terão 15 minutos para convencer jurados e público a participarem da programação do V Festival Se Rasgum.

Mombojó - Grande também, é a expectativa, pela volta da banda Mombojó a Belém, em turnê do novo disco, “Amigo do Tempo”.

Depois de quase dez anos de trabalho, eles já lançaram dois CDs muito bem recebidos pelo público e críticos (Nada de Novo, 2004; Homem-Espuma, 2006).

O terceiro disco dá um loop no tempo e faz o agora quinteto retornar às origens de banda independente, ao mesmo tempo em que traz o futuro para o presente de uma maturidade conquistada com muita disciplina.

A Mombojó, uma das grandes descobertas da década vinda de Recife, logo após o estrondo chamado Chico Science e todo o movimento mangue beat, chega aqui com todo o fôlego, incorporando às suas composições efeitos e beats de suas influências no trip hop e no rock.

Serviço
Seletivas se Rasgum 2010 e lançamento do V Festival Se Rasgum
Dias 24 e 25 de setembro, a partir das 20h. Hotel Gold Mar (rua Professor Nelson Ribeiro, 132, próximo ao Curro Velho). Ingressos antecipados: 10 reis para a sexta-feira, 24 / 20 reais para o sábado, 25. À venda na loja Ná Figueredo (Gentil Bittencourt, 445).

Fonte: Informações da Assessoria de Imprensa Se Rasgum!

20.9.10

José Alberto Lovetro (Jal) conversa sobre humor gráfico e o Salão da Amazônia

Bati um papo com José Alberto Lovetro, mais conhecido como Jal, como ele assina seus trabalhos.

O cartunista e jornalista paulista esteve em Belém para participar do júri e ministrar uma plalestra (foto) dentro da programação do 3 Salão Internacional de Humor da Amazônia, que está acontecendo no Espaço São José Liberto, até o próximo dia 26.

Ele iniciou sua carreira na Folha de São Paulo em 1973, é fundador das associações Brasil/Portugal de Banda Desenhada, Brasil/México de Humor Gráfico e Brasil/Cuba de Historietas, produz o Troféu HQMIX que já está em sua 22º edição e é presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil. Jal inaugurou o primeiro Futeblog do mundo e estimula que outros times façam o mesmo. “Humor gráfico e futebol é uma receita que dá certo”, acredita.

No sábado, 18, ele esteve falando a um público de educadores sobre a utilização do quadrinho na sala de aula. “Venho fazendo pesquisas e cursos em escolas, faculdades e entidades como a antiga FEBEM com essa linguagem. O resultado é espetacular”, diz.

Em um trabalho de três meses, Jal e a professora Sonia Luyten, criadora do curso de HQ na ECA-USP nos anos 70 e que já deu aulas no Japão e Europa durante anos, fizeram uma aplicação da prática dentro da sala de aula, em duas escolas da rede pública de São Paulo com apoio da Secretaria de Educação.

Ao lado (Jal é que está de blusa vermelha), momento da abertura do salão, na última sexta-feira, 17.

“Aplicamos os exercícios, junto com os professores, em diversas disciplinas. Matemática, Português, Geografia e até Psicologia. Aplicamos em salas com alunos do ensino básico, médio e até intermediário.

O resultado foi de 100% de evolução em todos os níveis. Alguns alunos mais e outros menos, conforme o interesse de cada um, mas todos evoluíram e aprimoraram no aprendizado”, afirmou.

Apesar de ter sido a primeira vez dele na capital paraense, Jal diz que tem muuitos amigos por aqui, como Biratan Porto, criador do Salão de Humor, J. Bosco, Júnior Lopes (que já está em Sampa faz alguns anos) e outros.

“O melhor lugar é aquele onde estão os amigos e aí nos sentimos em casa. Minha imagem da Amazônia sempre foi de algo mais próximo do que deveria ser nossa vida na Terra. Mais verde em volta. Sei que não tem jacaré na rua, mas de vez em quando aparece um na piscina de alguém, né não? Jacaré também é filho de Deus!”, brincou.

Holofote Virtual: Humor e ecologia.... é crítica pura?

Jal - Acho eventos como esse do Salão Ecológico, criado pelo grande Biratan, a melhor forma de conscientizar desde crianças até os mais velhos. Eu mesmo organizei um Salão de Humor Ecológico em Campos no Rio de Janeiro, em janeiro de 2008, a pedido do Ziraldo. Foi um sucesso. Ainda bem que o de Belém não ficou só no primeiro, pois esse trabalho tem que ser contínuo.

O humor é uma ferramenta forte para fazer as pessoas sentirem o que estão fazendo de errado. Minha expectativa com o salão é grande pois considero o norte do País o ponto de referência de nosso futuro e do planeta. Um evento desses é mais importante que propaganda em TV sobre o assunto. Pois cria raízes e não segundos de informação no ar que desaparecem logo após o próximo comercial. São imagens que fixam na retina para sempre. A experiência do humor é algo especial para cada um de nós.

Holofote Virtual: Para ser bom chargista ou cartunista, basta saber desenhar?

Jal - Temos ótimos desenhistas no mundo. Mas poucos roteiristas ou pessoas de criação. Isso porque sempre pagam mais pelo desenho do que pelo roteiro. Os desenhistas são mais estimulados. Só que eu dou o mesmo valor para o roteiro e o desenho.

Para termos bons roteiristas é preciso que tenhamos pessoas interessadas em aprimorar estudo e com uma cultura suficiente para se comunicar com os outros.

Meu conselho é que, ao mesmo em tempo que se aprimore na arte do desenho, também se empenhe no aprimoramento de sua cultura.

Hoje é mais fácil fazer isso. Temos uma base de pesquisa que é a internet. O problema é que os jovens só pesquisam na internet e o conteúdo indiscriminado da net traz mais mentiras que verdades. Dessa forma é preciso pesquisa em revistas, em entrevistas com pessoas que são referência de conteúdo. Aí está a diferença. Quem fizer isso já ganha de cara muitos pontos na frente dos seus concorrentes.

Holofote Virtual: A internet tem sido um ótimo canal para os estes profissionais?

Jal - Iniciei minha carreira de cartunista na Folha de São Paulo em 1973. Era uma época em que os novos desenhistas só conseguiam espaço para mostrarem seus trabalhos em fanzines produzidos em fotocópias.

Portanto, para mim, a internet é uma maravilha da comunicação. Os novos autores não precisam nem gastar com fotocópia pois basta abrir um blog ou site gratuitamente e chegar ao mundo todo. Claro que essa ferramenta tem que ser bem utilizada. Assim como facilita a comunicação também expõe milhares de alternativas e o autor corre o risco de ficar anônimo no meio de tudo isso. Se juntar competência com criatividade, aí a coisa fica bem a favor do autor.

Holofote Virtual: Qual a função da caricatura?

Jal - A caricatura é real e mostra o presidente como ele é. Se é careca, terá até ampliada sua vasta calvície. A caricatura é história iconográfica pura. Eu trocaria as fotos dos presidentes dos livros escolares por caricaturas. As crianças iriam lembrar mais de cada um e até se interessarem mais pela história deles.

Minhas melhores caricaturas foram do Delfim Neto quando era ministro do Planejamento, Agricultura e da Economia em épocas distintas. Ele esteve em vários governos militares e não podíamos fazer caricaturas dos presidentes militares. Aí o Delfim era o que mais aparecia nas charges.

Um dia fiz um documentário sobre o Salão de Piracicaba onde entrevistamos o Delfin sobre a mania dele de colecionar charges feitas sobre sua pessoa. Ele disse que apreciava quando o chargista o apanhava em momentos difíceis. Usou o próprio bom humor contra o humor. Por isso o chargista precisa ter boa formação de análise para digladiar com essas personalidades fortes.

Holofote Virtual: Você contou "A história do futebol no Brasil através da Charge (2005)". O que anda criando atualmente?

Jal - Bem, esse livro "A história do futebol no Brasil através do Cartum", que fiz junto com o Gualberto Costa, é único e está esgotado. Único, pois não há outro que reúna mais de 100 grandes desenhistas em cerca de 300 ilustrações e que conta uma história que vem de antes do Charles Miller trazer bola e equipamento para o Brasil. Agora estamos para fazer uma atualização e relançá-lo no próximo ano por nova editora.

Atualmente tenho uma empresa de comunicação que trabalha com o Mauricio de Sousa e cria eventos e exposições. Também produzo com o Gualberto Costa o Troféu HQMIX que já está em sua 22º edição e tem a parceria do Serginho Groisman. Na internet estou com mais 10 cartunistas no primeiro futeblog do mundo (www.a-academia.zip.net) onde os onze cartunistas são palmeirenses.

Estou estimulando para que todos os times tenham um desses futeblogs para que no futuro criemos um campeonato de futeblog nacional e até internacional. Isso poderá ter algum patrocínio e ampliar o mercado de trabalho para o cartunista. Humor gráfico e futebol é uma receita que dá certo.

Holofote Virtual: O Troféu HQMIX... Como ele funciona?

Jal - Até hoje não sei como consegue funcionar...RêRêRê.. brincadeira!

Tudo começou no programa TV MIX na Tv Gazeta de São Paulo quando eu e o Gualberto Costa tínhamos uma coluna de quadrinhos no programa apresentado pelo Serginho Groisman e Astrid Fontenele. Aí achamos que seria legal ter um troféu dos melhores do ano votados pelos próprios cartunistas e pessoas da área de desenho.

Começamos com os representantes de cada Estado brasileiro e agora já são cerca de dois mil profissionais da área votando. São 22 anos que levaram o Troféu a ser conhecido pelo mundo como o Oscar das artes gráficas na América Latina. Começamos a trabalhar na organização logo depois da entrega do troféu que acontece entre julho e agosto.

Holofote Virtual: Deve ser uma longa empreitada...

Jal - Dá um baita trabalho já que somos todos voluntários e temos que cuidar de nossos empregos ao mesmo tempo. Mas é algo necessário para a área já que posiciona toda uma categoria diante da produção cultural no Brasil.

Fazemos o levantamento de todos lançamentos e produção do ano que se encerra e várias comissões escolhem os sete indicados em cada categoria. Aí enviamos as cédulas para os votantes. Caso não concorde com os indicados, há a possibilidade de votar em outra opção além dos sete escolhidos pela Comissão de Organização do Troféu.

Nesse ano abrimos um blog para que todos dessem idéias e discutissem essas indicações. É o mais democrático possível. Tem uma auditoria de advogado do Tribunal de Ética da OAB sobre o processo de votação. Depois coordenamos o dia de entrega do Troféu com um show com Serginho Groisman, nosso padrinho, e a Banda do programa Altas Horas.

Isso acontece no SESC Pompéia que paga a base do evento e os mais de 50 troféus para os vencedores. A cada ano homenageamos um personagem de HQ ou humor gráfico brasileiro. Nesse ano é o Astronauta do Mauricio de Sousa que completou 50 anos de carreira em 2009, ano que estamos premiando. Outras informações podem conseguir no site www.hqmix.com.br

Holofote Virtual: Ziraldo, Jaguar e Millôr fizeram a sua cabeça com o Pasquim, qual foi teu contato com eles na época?

Jal - Eu comecei a publicar no ano de 1973 na Folha de São Paulo. Eram quadrinhos com um personagem meu chamado Zélio O Repórter. Aí eu já fazia quadrinhos jornalísticos pois o tema era bem próximo às notícias dos jornais da época.

O Zélio era o repórter que conseguiu a famosa foto na praia da Jaqueline Kennedy de "peitcho" de fora. Também foi ele quem conseguiu entrevistar o Poderoso Chefão do filme de Coppola. Entrevistou o Shigeaki Ueki, ministro de Minas e Energia do governo militar de Geisel e até conseguiu a última entrevista com Nixon antes dele se demitir da Casa Branca depois do escândalo Wathergate.

Toda essa noção política em minha cabeça de 18 anos vinha da leitura do Pasquim desde os 14 anos. Foi assim com milhares de pessoas nesse país. O Pasquim foi uma revolução pelo humor. Em 1999, ninguém comemorava os 30 anos do Pasca. Aí eu e o Gualberto Costa (sempre ele) resolvemos fazer um documentário sobre a história do jornal. Fizemos para a TV SESC e me orgulho de ter conseguido entrevistas históricas com Ziraldo, Jaguar, Millôr que viraram não um mas dois documentários.

Holofote Virtual: Como anda a criatividade dos profissionais brasileiros?

Jal - Hoje? Vejo os chargistas meio perdidos para fazer humor cáustico. Vejo mais piadinhas sobre os acontecimentos do que uma análise mais profunda do que somos e do que queremos. Acho que o Angelí é o que consegue chegar mais adiante na charge. Não é por acaso que vem ganhando do o Troféu HQMIX como chargista na última década. Já as ilustrações e cartuns e mais ainda a caricatura são espetaculares. Quadrinhos então, vejo uma super-geração tomando conta do pedaço com muita competência.

Holofote Virtual: Como funciona a Associação de Cartunistas do Brasil, da qual você é presidente?

Jal - A ACB - Associação dos Cartunistas do Brasil é uma entidade mantida por voluntários que não cobra mensalidades e procura fortalecer a profissão de desenhista e o mercado de trabalho. Para isso montamos um site que tem muitas dicas e até um livro que pode ser baixado, gratuitamente, que demonstra de como se deve agir para entrar no mercado de trabalho.

É importante pois tem muita desinformação na área o que é ruim para todos. Um desenhista novo que aceita fazer um trabalho gratuito para um veículo de mídia, só para divulgar seu nome, está errando na base.

Quando a pessoa que o chamou tiver dinheiro para pagar um trabalho não vai chamá-lo. Vai procurar um desenhista de nome e ele ficará com o carimbo na testa de que é o cara que faz de graça. Assim ele não terá dinheiro para aprimorar sua arte, fazer cursos, comprar material de qualidade e pelo menos viver disso.

Ao mesmo tempo ele está acabando com o emprego de um profissional que poderia receber por aquele trabalho. Os empresários que contratam um desenhista devem sacar que pagar bem fará com que o desenhista dedique seu tempo para aquele trabalho e pode ser a diferença entre vender mais seu jornal, revista, etc. Desenhista bem paga dá lucro para o editor. Precisamos fortalecer essa verdade.