25.9.11

Pepeu quer saber mais sobre as guitarras do Pará

A etapa Conexão Vivo Pará 2011, em Castanhal, superou todas as expectativas. Os dois shows mais aguardados da noite de sexta-feira, 23, o de Marco André, com participação do guitarrista baiano Pepeu Gomes e o de Madame Saatan, que recebeu como convidado o guitarrista Zé Mário, de Castanhal, lotaram em peso a Praça da Estrela. Pepeu Gomes derramou simpatia e talento nos bastidores e no palco. Em entrevista para o jornalista Fabrício Rocha, ele falou da surpresa que teve ao conhecer o novo momento da música paraense, bateu um papo com Ícaro Suzuki, baixista do Madame Saatan e fã incondicional do artista, e revelou o desejo de conhecer mais das guitarras do Pará. As fotos desta postagem são de Taiana Laiun pelo Programa Conexão Vivo.

No final dos anos 1960, o Brasil passava por um dos períodos mais férteis e efervescentes de sua produção musical. Nesta época, mais exatamente entre 1969 e 1979, acontece “Os Novos Baianos”, grupo que mais bem traduziu aquele momento, e do qual o guitarrista Pepeu Gomes, agora comemorando seus 40 anos de carreira, fez parte.

O músico esteve no Pará neste final de semana, ficando um dia em Belém, onde ensaiou para a participação que fez na sexta-feira, 23, em Castanhal, no show de Marco André. E foi uma grande aparição a de Pepeu, que empunhando sua guitarra, tocou entre outras músicas, dois grandes sucessos, “Eu também quero beijar” e “Mil e Uma Noites de Amor” para delírio total e absoluto da platéia.

Pepeu e Marco André
Aliás, é difícil dizer o que não é sucesso em sua carreira. Ao completar 60 anos, o guitarrista está em ótima forma pelo que se viu em sua performance no palco.

Com a agenda cheia de compromissos, saindo de Belém, por volta das 17h, para a Cidade Modelo, às vésperas de sua participação, no dia 30, no Rock In Rio, ele e a produtora Simone Sobrinho trabalhavam mesmo em trânsito.

Pepeu está envolvido em vários projetos. Nas telas dos cinemas, ele figura no documentário “Filhos de João – o admirável mundo novo Baiano”, que retoma a história do grupo “Os Novos Baianos”, em cartaz desde julho no circuito comercial nacional.

Este ano, comemorando seus 40 anos de carreira, o músico lança um CD que mistura ritmos brasileiros, como chorinho, baião e samba, com ritmos norte-americanos, do techno ao hip-hop e prepara-se para gravar com a Sinfônica de Belo Horizonte.  Tem mais. Ele acaba de gravar também o DVD ‘Pepeu Gomes Toca Novos Baianos’, em São Paulo, onde faz uma leitura do repertório do grupo, com uma pegada mais rock and roll.

No dia 10 de outubro, a Warner uma caixa com 10 CDs trazendo toda a obra do guitarrista, com direito a título inédito, chamado ‘Eu Não Procuro Som’, registro perdido de um show no teatro Tereza Rachel, em 1979. O músico também tocará na abertura da Copa do Mundo em 2014, mandando na guitarra uma versão heavy metal do hino nacional. 

A ideia de Marco André em convidar Pepeu Gomes para seu show tem a ver com a nova cena da música paraense. Os artistas chegaram a ter o mesmo empresário alguns anos atrás e já se conheciam, mas ainda não tinha acontecido de fazerem algo junto.

“É muito bacana porque o Pepeu como guitarrista se encaixa exatamente na atual cena contemporânea da música do Pará, que tem a ver com a guitarra e como o meu trabalho também tem uma postura rock’n rol dentro do carimbo, é perfeito. Foi uma sintonia maravilhosa, estou muito feliz de ter ele aqui”, disse Marco André ao Holofote Virtual.

Dizendo-se impressionado com a música do Pará, Pepeu disse que está mesmo trocando algumas idéias com Marco Andre, a fim de levar a música paraense a outros palcos. Além disso, ele recebeu convite para participar de um show de Mestre Vieira pelo projeto 50 Anos de Guitarrada (Conexão Vivo - Lei Semear).

Pepeu: entrevista no camarim com Fabrício, Holofote e Ícaro.
A seguir, a entrevista dele concedida a Fabrício Rocha e gentilmente cedida, na íntegra, para o Holofote Virtual, que também esteve em Castanhal e acompanhou o bate papo que rolou no camarim minutos antes de Pepeu subir ao palco, ao lado de Marco André.

Fabrício Rocha: Vamos falar do novo momento da tua carreira, com gravação de um CD instrumental...

Pepeu Gomes: Esta é uma das ações de comemoração. Estou fazendo 40 anos de carreira e entre estas comemorações vai haver o relançamento de toda a minha obra, que a Warner vai fazer lançar dia 10 de outubro. 

Tem o disco instrumental, que vai ser gravado pela orquestra sinfônica de Belo Horizonte e o “Pepeu Toca Novos Baianos”, que é o DVD gravado em São Paulo, onde faço releitura do trabalho do grupo, que também faz 40 anos este ano.

Fabrício Rocha: Fala dessa tua relação com as novas gerações da música brasileira...

Pepeu Gomes: É verdade eu tenho vivido isso, a chegada de novos parceiros como o Arnaldo Antunes, o Nando Reis, a Zélia Ducan. Está todo mundo compondo comigo. E com o Arnaldo a gente teve até uma indicação pro Prêmio Grammy (Grammy Latino de 2002) com a música “Alma”, gravada por Zélia Duncan. Isso é tudo muito bacana porque eu estou tentando, inclusive com esta parceria com o Marco André, da gente se juntar, trocar idéias e tentar levar a música do Pará para outras partes do Brasil.

O Brasil é muito grande e a música do Pará está muito bem, viu. Eu fiquei impressionado com o que eu ouvi, com o pouco tempo que eu estou aqui. Eu achei muito interessante e como produtor, divulgador, artista e formador de opinião, eu acho que está na hora do Brasil conhecer o Pará direito.

Fabrício Rocha: Temos aqui ao lado, o Ed Guerreiro (guitarra) e o Ícaro Suzuki (baixo) que são do Madame Saatan e já tocaram contigo. O Ícaro disse que o primeiro show da vida dele foi teu...

Pepeu Gomes: Fiz uma participação com eles em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil. Foi bem legal e foi um desafio, porque eles tocavam uma música dos Novos Baianos, que era difícil de tocar, chamada “Caia na Estrada e Periga Ver”. Daí eu falei pra Simone (produtora de Pepeu) “eu quero ver isso porque é um desafio”. Cheguei lá e eles tocando a música em rock’n roll. Fiquei pirado, cara. Foi muito legal e agora estamos aqui.

Ícaro Suzuki, no show do Madame Saatan em Castanhal
Ícaro Suzuki: Eu sou muito suspeito pra falar e se eu estou aqui hoje é por conta desse cara. Ele me apresentou a guitarra elétrica através dos Novos Baianos. Eu era moleque quando comecei a ouvir aquilo e disse “um dia eu quero tocar guitarra”, só que eu não tive competência para evoluir na guitarra e hoje eu toco baixo (risadas geral no camarim), mas enfim, isso tudo foi através dos Novos Baianos. Fui e sou fã desse cara sempre. Eu andava de bicicleta, moleque aos nove anos, cheio de talco. Na rua me chamavam de Pepeu. 

Cara, quando eu fiz onze anos ele veio fazer um show na Escola de Educação Física, em 1900 e guaraná, com rolha ainda, na época (mais risadas). Eu não andava só, meu pai me levou no show e até hoje ele reclama “caramba perdi meu ouvido esquerdo por causa do Pepeu Gomes”. Isso é lindo de ver, onde a gente pode chegar, as pessoas que a gente conhece na estrada. Estar na frente desse cara hoje em dia pra mim é uma grande honra e graças a ele eu também estou nesta estrada há muito tempo.

Pepeu Gomes: Esse é o melhor cachê do mundo. Eu acabei de ganhar o melhor cachê do mundo. Não tem Rock in Rio, não tem um milhão de dólares. Não tem nada, porque isso aí vem do coração, entendeu? E é isso que eu digo. Esse coração que o Pará tem, é o que eu to levando comigo.

Fabrício Rocha: Fora o Madame Saatan, o Pará tem um forte história com as guitarras, da guitarrada e do rock’n roll. Tens alguma experiência ou relação com isso?

Pepeu Gomes: Vou ter... vou passar a ter. Pela aula que o Marco André me deu nestas últimas 48 horas, eu entendi tudo e acho que me encaixo bem neste perfil, porque eu sou um guitarrista que prezo muito por esta não vergonha de ser brasileiro, de ser um músico e guitarrista brasileiro e querer levar a guitarra do Brasil pra fora.

Eu sou o único artista do Brasil que participou de todos os Rock in Rio, tocando guitarra, porque eu digo “se vocês me quiserem, tem que ser desse jeito”. Meu show abre no dia 30 (setembro: palco Sunset no Rock In Rio) com “Brasileirinho”, tocando em ritmo de samba funk, porque eu estou no Rio de Janeiro e me adequando ao astral da cidade. Então me aceitem como sou e acho que essa história toda que acontece com os guitarreiros aqui é uma coisa que acontece muito comigo. Quero estudar profundamente isso.

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