25.2.21

Benedito Nunes é tema de seminário neste sábado

No dia 27 de fevereiro de 2011, o Pará perdeu Benedito Nunes. Nascido em Belém em 1929, ele  fez parte de uma geração que renovou as artes e o pensamento filosófico, inspirada pelos ventos modernistas que sopravam desde o início do século. Neste sábado, o site beneditonunes.org, dedicado a sua memória e obra, promove um seminário com transmissão pelo YouTube. 

Ernani Chaves (UFPA) e Fernando Ponçadilha vão falar pela manhã (10h), sobre a importância de Benedito Nunes para o ensino de Filosofia em nível superior e médio. De tarde (16h), Lilia Silvestre Chaves (UFPA) e Michel Riaudel (Sorbonne) vão trazer à mesa o interesse dele pela poesia, que o fez se aproximar de diversos poetas, além de estudar, traduzir e divulgar a obra poética de diversos deles.

O seminário parte do site, uma iniciativa da Guarda Livro. Recente, entrando em teste no sábado, 21 de novembro de 2020, para marcar o 91º aniversário de nascimento de Benedito, o site ainda tem visualização parcial, faltam detalhes sobre a casa da Estrela, coisas na biblioteca e no arquivo, mas já se tem acesso aos livros, artigos e a biografia escrita por Andrea Sanjad e Nelson Sanjad, dois dos idealizadores do projeto. 

"O site é um desdobramento de um projeto maior, que vem sendo desenvolvido há alguns anos por nós, Maria Regina, Lilia e Maria Stella (in memoriam, a quem homenageamos por ter sido a principal incentivadora da ideia), objetivando inventariar, (re)organizar e digitalizar a biblioteca e o arquivo de Benedito. A arquitetura e o design do site foram desenvolvidos por Ricardo e Elaynia Ono. Por esse meio, nossa intenção é contribuir não apenas com a divulgação, mas também com o estudo da obra de Benedito", diz Andrea.

Trajetória e Legado - Por Nelson Sanjad

Benedito fez parte de uma geração que renovou as artes e o pensamento filosófico, inspirada pelos ventos modernistas que sopravam desde o início do século, como o movimento literário e teatral de vanguarda das décadas de 1940-1960, juntamente com sua esposa, Maria Sylvia Nunes. 

Formou-se em Direito em 1952 e, posteriormente, envolveu-se na organização e ampliação da Universidade Federal do Pará, participando diretamente da criação do Serviço de Teatro (atual Escola de Teatro e Dança), em 1962, e do curso de Filosofia, na década de 1970. Sua obra é ampla e diversificada. Publicou 22 livros, organizou outros oito, além de mais de uma centena de artigos espalhados em jornais e revistas de diversos países. 

São particularmente importantes seus estudos sobre escritores e poetas, como Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Mario Faustino, Max Martins, e também filósofos, como Platão, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Hannah Arendt, notabilizando-se por ter desenvolvido uma abordagem que associava reflexão filosófica e crítica literária. 

Foi reconhecido em vida com os mais importantes prêmios e títulos honoríficos brasileiros nas áreas da cultura e da ciência, como o Jabuti, que ganhou duas vezes (1987 e 2010); Professor Emérito (1998), concedido pela UFPA; o Almirante Álvaro Alberto (2000), concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Ordem do Mérito Cultural (2003), concedido pelo Ministério da Cultura; e o Machado de Assis (2010), considerado o principal prêmio literário brasileiro, concedido pela Academia Brasileira de Letras a escritores pelo conjunto de sua obra.

PROGRAMAÇÃO

Seminário 10 anos sem Benedito

10h00 – Benedito Nunes e o ensino de Filosofia

Ernani Chaves e Fernando Ponçadilha

16h00 – A Poesia em Benedito Nunes

Lilia Silvestre Chaves e Michel Riaudel

Serviço

Seminário 10 Anos sem Benedito. Neste sábado, 27, com mesa às 10h e às 16h, pelo canal de YouTube. Acesse também pelo site beneditonunes.org

(Edição Holofote Virtual no texto de Nelson Sanjad)

17.2.21

“Te Encontro no Tapajós” sem falta no domingo!

Fiquei de cara quando soube que o projeto surgiu em 2020 e eu não conhecia! “Te Encontro no Tapajós” reúne, sempre aos domingos, 9h, músicos, cantores e compositores em torno da obra de Sebastião Tapajós. A presença do violonista é garantida e neste domingo, além de Igor Capela, Lourdes Garcez e Lúcio Mouzinho, vai ter surpresa!

O encontro, neste domingo, 21, será com Lourdes Garcez, letrista e parceira de Sebastião Tapajós em várias canções, muitas ainda inéditas. Traz a essa roda também,  Lúcio Mouzinho, que vai dar voz a algumas canções; e o músico multi-instrumentista Igor Capela. 

A surpresa fica por conta da cantora Leila Pinheiro que participa da live, cantando “Bem Mais”, composição da Lourdes com Tião. "Leila soube do projeto e entrou em contato dizendo que quer muito participar neste domingo. Ficamos felizes pois sabemos que ela gosta muito do Sebastião Tapajós", diz Lourdes. A autora também me contou que vai falar um pouco da trajetória do músico, com histórias entremeadas com audições, além, claro, de Sebastião tocando ao vivo também.

Tive oportunidade de ver apresentações de Sebastião Tapajós no Theatro da Paz, sempre com diversas participações, como uma de 2018, repleta de afetos e parcerias. O show “Gerações Tapajós” tinha, além de Lúcio Mouzinho, Lourdes Garcez e Leila Pinheiro, Nilson Chaves, Jane Duboc, Mestre Solano, Salomão Habib, Ney Conceição, Nego Nelson, Luiz Pardal e Paulinho Moura. 

Ah, que lembrança boa. Todos os anos tínhamos Tapajós no Da Paz, sempre com muitos amigos, que ele tem de sobra, mas que com a pandemia foi deixando de ver, ficando bem ressabiado com tanto isolamento. E foi aí que Carmen Ribas, produtora cultural que vem acompanhando desde sempre a carreira do compositor, teve uma ideia: fazer esses encontros de domingos como forma de reaproximar Tião de seus amigos. 

“As lives se tornaram a melhor forma de aproximar o Sebastião Tapajós do público, de seus amigos e admiradores”, conta Carmen Ribas, que produz os encontros. “E é a única maneira de vê-lo, inclusive, porque além de morar na zona rural de Santarém, ele segue rigorosamente a orientação de se manter isolado, resguardando-se neste período de grande contaminação do novo coronavírus”, completa.

Pelo projeto já passaram violonistas e pianistas como Delcley Machado, Andreson Dourado, Maurício Gomes e Salomão Habib, entre outros. Que ideia genial, Carmen Ribas! Tive a sorte de ver e escrever sobre vários desses encontros e bastidores do Theatro da Paz. Olha, depois desse domingo, que tá muito bacana, eu já vou ficar é torcendo pra ver mais amigos do Tião se encontrando no Tapajós! 

Serviço

Te Encontro no Tapajós

Sempre aos domingos, 9h

Próximo programa: dia 21 de fevereiro de 2021

Com Lúcio Mouzinho, Lourdes Garcez, Igor Capela e  Sebastião Tapajós.

Neste perfil:

https://www.facebook.com/lourdes.garcez 

16.2.21

A FEMEA traz empreendedorismo, música e artes

O protagonismo das mulheres é meta da FEMEA - Feira de Empreendedorismo, Música e Artes da Amazônia, aprovada no edital de Festivais Integrados da Lei Aldir Blanc/Secult-Pa. A programação, que vem sendo construída, com inscrições abertas a várias formas de participação, será apresentada de 8 a 14 de março, de forma virtual, por meio do site, na semana em que se comemora a luta e a conquista feminina no Dia Internacional da Mulher.

A FEMEA é um projeto feito inteiramente feito por mulheres, para dar visibilidade às mulheres, mas que deseja dialogar e alcançar todos os tipos de públicos. No momento estamos em construção, com inscrições para selecionar as 20 empreendedoras que irão compor uma feirinha virtual - abertas até 19 de fevereiro; e também para seleção de 08 conteúdos artísticos audiovisuais - até dia 22. O regulamento para os trabalhos artísticos está disponível no site, junto com a ficha de inscrição. 

Para participar dos workshops e oficina, as inscrições vão até 03 de março. Em outra postagem vou falar mais sobre essas ações formativas, coordenadas pela professora e feminista Ana Maria Linhares. A FEMEA é tudo isso. E ainda contará com dois programas de web que estão sendo gravados nesta semana e irão ao ar, com direção de Fernanda Gaia Brito e apresentação de Joelma Kláudia, na abertura e no encerramento da feira, pelo FEMEA no YouTube. Aproveito e já te convido para deixar o seu joinha por lá, estamos engajando o Canal para em breve inaugura-lo com o FEMEA Tv Web. Será também pelo Youtube, a transmissão das mesas redondas, que terão acesso gratuito e sem inscrição.

A ideia da FEMEA vem das experiências da produtora cultural Narjara Oliveira, da Senda Produções, que realizou dois anos atrás, uma feirinha com empreendedoras e sentiu a força dessas mulheres e a necessidade que temos em empreender e debater as questões ligadas aos direitos da mulher. E assim nasce a FEMEA, que reúne cantoras, instrumentistas, militantes do feminismo, representantes do poder público e profissionais que atuam na área técnica e sem as quais não poderíamos chegar a este formato 100% feminino na equipe. 

Campanha de financiamento para o GMB

Além de empreendedorismo, de música e arte como potência feminina no Pará, não sem denunciar os números alarmantes do feminicídio e todas as formas de violência contra a mulher e pessoas trans. 

O Brasil segue em primeiro lugar no ranking desse tipo de violência. Por isso, a edição de estreia do projeto abraça a luta do GMB - Grupo de Mulheres Brasileiras – Casa Bengui, que durante o FEMEA é alvo de uma campanha de financiamento coletivo, disponibilizado no site da FEMEA, com objetivo de angariar recursos para a reforma da sede do grupo, que existe há 35 anos.

O GMB se orienta pelos princípios da justiça, da democracia, da igualdade e da equidade nas relações de gênero, raça e etnia. Sua atuação se dá a partir de duas grandes frentes de luta: Violência contra Mulher e Saúde da Mulher e Autonomia Econômica das Mulheres. Dona Domingas, fundadora do grupo em 1986, vai falar mais sobre o grupo na entrevista que vai ao ar no FEMEA TV WEB, no dia 8 de março.

Ela conta que foi  a partir da união de moradoras do bairro que o movimento iniciou, mas antes era mais uma alternativa à geração de renda. Com o passar do tempo, elas também perceberam que tinham outra questão em comum, o histórico de violência ou abuso sexual. A partir daí, foi incluído nas suas metas, além da busca e incentivo pela independência financeira das mulheres, a conscientização sobre a saúde da mulher e ações para combater a violência doméstica. Saiba mais sobre a campanha disponível na aba do GMB no site: www.femea2021.com.br

Inscrições abertas:

Empreendedoras: até 19 de fevereiro

Conteúdos artísticos: até 22 de fevereiro

Workshops: até 03 de março

Formulários e mais informações: 

www.femea2021.com.br

Serviço

Feira de Empreendedorismo, Música e Artes na Amazônia – FEMEA: de 8 a 14 de março de 2021. Informações, programação e inscrições: www.femea2021.com.br. Siga-nos pelas redes sociais @feirafemea. Realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Pará, por meio da Lei Aldir Blanc. Parceria: Holofote Virtual – Comunicação, Arte e Mídia e Senda Produções.

14.2.21

Transpassando lança zine e doc em sarau on-line

O sarau live apresenta o projeto “Um conto Reciclável: Escrevivências contidas em resíduos”, realizado em Fortaleza-CE, com apoio da Lei Aldir Blanc, tendo  como protagonistas catadores (as) de recicláveis. Os integrantes do Transpassando vão falar do processo de produção que resultou em mini doc e fanzine. Nesta segunda-feira, 15, às 18h, pelo YouTube do coletivo.

Quantas vezes você parou para pensar numa questão que é urgente, mas parece passar despercebida em nossos cotidianos. Quem está atento ao descarte consciente ou à coleta seletiva de lixo? Estima-se que o trabalho dos catadores de lixo seja responsável por 90% de tudo que é reciclado hoje no Brasil. Isso os faz verdadeiros(as) agentes da reciclagem, embora a sociedade não lhes ofereça o devido reconhecimento. 

Esse é o gatilho de "Um Conto Reciclável: Escrevivências contidas em resíduos". Nesta reportagem, eu converso com os integrantes do Coletivo Transpassando, Gabriel Oliveira Bastos, Gregório Souza (Greg) e Paulo W. Lima, além de bater um papo mais extenso com Luan Alex Medeiros Weyl, autor do texto “O Conto Achado no Lixo”, que inspirou o projeto. Escrito anos atrás e deixado, em um web site, propositalmente inacabado, ele agora foi finalizado com os sete catadores que participaram do projeto, que  passaram a ser co-autores do zine, assim como quatro deles são protagonistas do mini documentário que registrou entrevistas com eles e imagens cotidianas.  

O formato do zine aliado à contação de histórias, busca alcançar o público infantil inicialmente, mas, não se limitar a ele, daí a necessidade de registrar os processos produzindo o documentário.

"O material é fértil, criativo, vivo, e qualquer bom leitor se instigaria com o ele, nos possibilitando muitos desdobramentos, por exemplo, o zine também poderia se tornar uma peça de teatro, uma animação", diz Gabriel. 

"A transversalidade com a literatura é muito potente. A arte da linguagem nos possibilita tratar de múltiplos assuntos de formas diversas, explorando o uso de muitas narrativas, de símbolos, de estéticas, ela nos oferece aberturas outras de atuação" continua.  Para ele, a questão do descarte dos resíduos recicláveis é uma questão de extrema urgência. “Vivemos em um tempo de exaustão ambiental, de desequilíbrio exploratório, atuamos como parasitas na terra, e a cada ano a sobrecarga da terra aumenta, onde o planeta atinge o esgotamento de recursos naturais”, completa.

Já Greg, entrou no Coletivo Transpassando em meados de 2017, enquanto aluno do pré-vestibular. Tornou-se protagonista social no Transpassando, desenvolvendo um projeto de cineclubismo, no campus da UECE, com o intuito de fomentar o debate em torno das questões de gênero, raça e sexualidade através do cinema. 

No projeto,  ele está como arte-pesquisador mas que participou de todas as vivências. "Desde a fotografia, até às entrevistas com os recicladores (as). Confesso que apesar dos inúmeros embates pessoais por conta de opiniões diferentes sobre determinados assuntos, foi muito prazeroso fazer acontecer o minidoc, as entrevistas, o Zine e logo mais o sarau”, comenta.

Paulo W. Lima, Mestre em Filosofia pela UFC; Professor de Filosofia pela UECE; Produtor Cultural e arte-educador. Ele explica que o Transpassando é um coletivo cearense de combate à transfobia e demais preconceitos. 

“Somos um coletivo horizontal e autogerido. Enquanto coletivo, sou integrante como todes us outres, mas o coletivo possui ações diretas dentro dos espaços educacionais e profissionais. A principal delas é o programa de extensão Transpassando Uece, que temos dentro da Universidade Estadual do Ceará em parceria com o curso de Filosofia da instituição. Dentro desse programa temos vários projetos e um deles é o projeto de Produção Cultural. Eu atuo como coordenador pedagógico e professor neste projeto. 

Paulo W. Lima chama a atenção de que a relevância do projeto não é a de resolver o problema ambiental através da reciclagem, mas de denunciar os inúmeros problemas sociais que atravessam o problema ambiental.  “Não é saudável ao pensamento crítico e criativo separar a realidade em caixinhas isoladas. Discutir reciclagem através de uma abordagem da base da pirâmide, ou seja: dos catadores de resíduos, é discutir racismo, machismo, patriarcado, exploração do trabalho, subauternização das subjetividades. É fazer uma crítica ao sistema pela voz invisibilizada de um grupo social constantemente violentado. É fazer ecoar uma voz que muito pouco é ouvida e menos ainda é levada a sério”, conclui.

Entrevista: o lixo, seu descarte e os catadores

Para escrever "O Conto achado no Lixo", Luan se inspirou na obra “Conto de Natal”, de Charles Dickens, em que o protagonista Senhor Scrooge recebe a visita de três fantasmas, referentes ao Passado, Presente e Futuro, que vêm alertá-lo sobre seu modo de vida. 

Na escrita do artista, porém, a protagonista é uma criança que recebe a visita de fantasmas, no caso, quatro, que se mostram relacionados aos materiais recicláveis — Metal, Papel, Plástico e Vidro. As últimas personagens aparecem para advertir a criança quanto aos impactos do descarte incorreto de tais resíduos e, consequentemente, quanto à importância da Redução, Reutilização e Reciclagem. 

O artista circense, contador de histórias e poeta, que reside em Fortaleza há mais de dois anos. Já havíamos conversado algumas vezes, em Belém, ou mesmo por telefone, sobre suas inquietações acerca do descarte do lixo reciclável, tema que vem sendo recorrente e já possui um histórico na sua vida, como ele mesmo conta a seguir. 

Holofote Virtual:  O que te inspirou a trabalhar com os catadores de rua nesse projeto? 

Luan Alex: Foi uma sequência de fatores. Tive o privilégio de estudar e aprender sobre preservação ambiental desde criança, então a preocupação com o lixo sempre esteve presente, mas foi só em 2010, que eu tive a oportunidade de conhecer o movimento de cooperativas de catadores através de uma amiga, a Adriana Silva, que até hoje é ativista da área. 

Ela foi a primeira pessoa que me chamou atenção para o fato de que, mesmo que não exista coleta seletiva oficialmente por parte do governo, há pessoas, os(as) catadores(as) que passam de lixeira em lixeira a procura de materiais recicláveis para vender e garantir o sustento de suas famílias. Por isso é importante fazermos a coleta seletiva dentro de casa: separar orgânicos dos inorgânicos, não misturar lixo podre com material reciclável, etc, é o mínimo que podemos fazer. 

Em São Paulo, em 2012, fiz o minicurso “Casa Sustentável” do coletivo “Casa dos Hólons” onde conheci o conceito de “Lixo Zero” que é uma busca pela utopia de que nada é lixo, tudo pode ser aproveitado de alguma forma.

Foi quando conheci as “garrafas-tijolo” (Eco Bricks) e também o projeto “Pimp my carroça” do artista Mundano que me trouxe a informação de que 90% de tudo que é reciclado no Brasil é feito por causa do trabalho do(a) catador(a), desde então toda vez que vejo um(a) catador(a) faço questão de comunicar minha admiração por esse trabalho, tão fundamental, porém completamente (e hoje posso dizer: propositadamente) invisibilizado. 

Holofote Virtual: Tem muita gente que não age nem de longe dessa forma. Você é desses que fala mesmo para as pessoas sobre essa situação?

Luan Alex: Durante muito tempo eu fui o “chato da reciclagem”, por onde ia estava sempre falando sobre coleta seletiva, mas aí percebi que é muito difícil convencer as pessoas a mudarem seus hábitos. 

Geralmente o pessoal pensa que como o governo não faz, não adianta “perder tempo” separando seus próprios resíduos, “já que vai misturar tudo depois” e assim, por desleixo, muitos materiais recicláveis, acabam se misturando com restos de comida e/ou lixo de banheiro, tornando-se assim inadequados para o (a) catador (a) e poluindo o ambiente por sei lá, mais de 400 anos, a depender do material. 

Holofote Virtual: Como foi que você mergulhou nesse universo, buscando o ponto de vista dos próprios catadores?

Luan Alex: Em 2017, no Crato, tive a oportunidade de iniciar um projeto autônomo de uma Brinquedoteca Reciclada, ou seja, um acervo de brinquedos feitos com materiais que seriam considerados lixo na ONG Beatos, em companhia da artista argentina Dadu Flor. 

Nesse processo, visitei a cooperativa de reciclagem do Crato e, por força do acaso (ou destino), cheguei bem no dia de uma reunião entre as lideranças das cooperativas da região do Cariri. Não resisti e gravei vídeos meio de improviso mesmo com os(as) catadores(as) lá e daí a vontade de criar um projeto que envolvesse os(as) próprios(as) catadores(as), reconhecendo-os(as) como agentes fundamentais da reciclagem ficou mais forte. 

Ainda, na cidade do Crato, por mais uma obra do acaso (ou destino) também conheci uma artista-ativista brasiliense, a Deborah Paiva que escreveu um livro infantil, (Maricota: quero sombra, comida e água fresca) sobre a compostagem e foi o estalo que me faltava: ao invés de gastar saliva com adultos, deveria me focar em um trabalho de conscientização sobre reciclagem voltado para as crianças e assim surge o “Complete o ciclo” que é o pré-texto do projeto que estamos finalizando.

Além de tudo isso, os filmes: Estamira e Lixo Extraordinário, também foram de grande inspiração. Como diz o ativista Tião: "A reciclagem no Brasil não se deu pela educação ambiental do cidadão brasileiro, se deu pela desigualdade e exclusão social"  (https://youtu.be/2xDy2KVnU3c?t=1147). 

Holofote Virtual: O projeto está sendo desenvolvido dentro do coletivo Transpassando, como foi essa parceria e como vocês se dividiram no projeto? 

Luan Alex: Eu adentrei o coletivo pelo projeto do cursinho pré-vestibular, que é voltado (mas não restrito) a inserção de pessoas trans, travestis e não-binárias no ambiente universitário, justamente porque é uma população que sofre muito de evasão escolar. 

Podemos dizer que sou um caso desses. Em 2008, larguei a faculdade devido a sofrimento psicológico intenso. À época eu ainda não reconhecia-me como trans, mas a transfobia já me afetava e não concluí minha graduação em Geografia, por um semestre.  Dentro do projeto, propus uma estrutura de “Equipe de Arte-pesquisa” no intuito de que todes pudessem interferir nas diversas áreas do projeto, a depender de suas aptidões e conhecimento prévios, sempre compartilhando com os demais.

Holofote Virtual: Como tem sido essa experiência do auxílio Emergencial, você acredita que de fato esses editais abraçaram pessoas de todos os gêneros, cor e clero? Na sua opinião como está a inserção da comunidade trans nas políticas de cultura?

Luan Alex: É a primeira vez que tenho um projeto aprovado e vi muita gente também que nunca tinha conseguido, sendo contemplada. Acredito que houveram avanços, nas formas de inscrição (neste edital especificamente, o “Cidadania Cultura e Diversidade” era possível, inscrever-se com vídeo, ao invés de texto, por exemplo, o que possibilita que artistas analfabetos(as) possam concorrer. Porém, ainda falta muito para realmente proporcionar a inserção de pessoas trans. A pauta “tá na moda”, mas os atores na maioria das vezes não são trans, embora se interessem sobre o tema, falta reconhecer a comunidade trans, travesti e não-binária como sujeita, para além de objeto de pesquisa e inspiração. 

9.2.21

Histórias de um humanista da Marujada ao Goeldi

“Histórias de Uma Vida – Da Marujada ao Museu Goeldi - Um intelectual e humanista na Amazônia”, de autoria de Mariana Bordallo, traz narrativas sobre a trajetória do médico e intelectual bragantino, Dr. Armando Bordallo da Silva, que ajudou a fundar e participou de associações que impactaram a economia, a educação e promoveram a conscientização do meio ambiente do município de Bragança, na zona do salgado paraense. 

O lançamento será virtual (YouTube), nesta quarta-feira, 10, às 19h. O link estará acessível no perfil @holofote_virtual no Instagram!

Armando Bordallo, para quem não sabe ainda, foi membro da Irmandade do Glorioso São Benedito e juiz da festa. Em Belém, atuou como médico, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, fundou e participou de inúmeras associações e instituições culturais. 

A live de lançamento conta com participação da autora Mariana Bordallo; filha do Dr. Armando; dos historiadores Nelson Sanjad, pesquisador do Museu Goeldi, e Dário Benedito, prof. Do curso de História da Universidade Federal do Pará; e de Vânia Alvarez, poeta, escritora e professora de Literatura Brasileira da Amazônia, também da UFPA. E eu terei a honra de fazer esta mediação. Bragantina que sou, nem preciso dizer de minha emoção.

Trazer à tona essa história é uma enorme contribuição de Mariana para com a nossa história, nas artes e na ciência. Mariana narra que em 1951, seu pai, Armando Bordalo,  foi convidado pelo governador para assumir a direção do Museu Goeldi. O convite foi aceito e assim ele acabou deixando como legado a federalização do Museu, o que impediu que a instituição tivesse suas portas fechadas naqueles anos da administração estadual.  

No capítulo que trata do Goeldi, é abordado também o aspecto familiar, as travessuras dos filhos nos parque zoobotânico, as festas de família e o Natal dos funcionários, além da criação do Instituto de Antropologia e Etnologia do Pará, órgão que apoiou as atividades de comunicação do Museu nos tempos difíceis. 

Mariana Bordallo (Foto: Dri Trindade)

Essas e algumas outras histórias mais são abordadas no livro, que agrega ainda  suas poesias, produto de sua juventude apaixonada, bem como os registros fotográficos do Museu e da I Jornada Paraense de Folclore (1958), realizada em Bragança. 

Trazendo a narrativa de momentos importantes da história de Bragança, a saga de jovens estudantes que lutaram por sua cidade, revela ainda a atuação de um importante grupo de intelectuais que atuaram em Belém nas décadas de 1940 a 1960, assim como Bruno de Menezes, José Coutinho de Oliveira, Margarida Schivasappa, De Campos Ribeiro, Frederico Barata, João e Paulo Maranhão e muitos outros.

A autora, Mariana Tereza Athayde Bordallo da Silva, filha de Armando e Marilda Bordallo da Silva, assim como os irmãos, nasceu em Belém, onde a família vivia. Entretanto, manteve grande ligação com a cidade de seus pais, Bragança, onde passava todas as férias escolares. Ela é formada em Letras com licenciatura em Inglês pela Universidade Federal do Pará – UFPA (1984). 

Marianna é ainda especialista em Informática Educativa pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/SEDUC (2003) e em Sociologia e Educação Ambiental pela Universidade Estadual do Pará - UEPA (2007), além de Mestre em Linguagens e Saberes na Amazônia: Memórias e Saberes Interculturais UFPA/Campus de Bragança (2017). Atualmente, é professora aposentada pela Secretaria de Estado de Educação do Pará e membro da Academia de Letras do Brasil – Seccional Bragança/Pa.

Sobre o livro: trecho do prefácio 

“É nesse ponto que reside a principal qualidade do livro: é, ao mesmo tempo, um livro de memórias, fruto do olhar de Mariana sobre o passado de sua família, em interação direta com o que ouviu do próprio pai, de sua mãe, irmãos, tios e demais parentes; por outro lado, o livro também está alicerçado em documentos produzidos e reunidos por seu pai e seu tio, Bolívar Bordallo da Silva, grande companheiro de Armando. 

O leitor disporá, portanto, de um testemunho pessoal sobre uma importante família de Bragança no século XX, bem conhecida pelas atividades comerciais, políticas e intelectuais de vários de seus membros, assim como terá acesso a um arquivo de grande interesse para toda uma geração que militou em grupos estudantis, grêmios literários, associações de intelectuais, serviços médicos e sanitários e instituições públicas.”

Nelson Sanjad (Museu Paraense Emílio Goeldi)

Serviço

Lançamento do livro Histórias de Uma Vida – Da Marujada ao Museu Goeldi – Um intelectual e humanista na Amazônia”. Participação da autora Mariana Bordallo; dos historiadores Nelson Sanjad, pesquisador do Museu Goeldi, e Dário Benedito, prof. Do curso de História da Universidade Federal do Pará; e de Vânia Alvarez, poeta, escritora e professora de Literatura Brasileira da Amazônia, também da UFPA. Mediação da jornalista Luciana Medeiros. Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, às 19h, pelo YouTube. O link será disponibilizado nas redes sociais da Editora Paka Tatu (@pakatatu) e do blog Holofote Virtual (@holofote_virtual).

2.2.21

Mostra Amazônia Mulher com inscrições abertas

A I Mostra Cultural Online Amazônia Mulher 2021 de arte e literatura feminina, projeto aprovado no edital juventude ativa Lei Aldir Blanc Pará – 2020, recebe até dia 12 de fevereiro, inscrições  para criações autorais de 10 mulheres jovens artistas e escritoras das cidades de Ananindeua, Belém e adjacências, a fim de documentar e transmitir aspectos culturais da região com a temática: ancestralidade feminina amazônida. As informações sobre o regulamento para participação e programação da mostra  estão disponíveis nas redes sociais do evento: instagram:@imcoam2021 e facebook.

Na região Norte, muitos talentos surgem na cena independente enfrentando inúmeras dificuldades, as mulheres em especial, são atravessadas por adversidades como: desemprego, baixos salários, desigualdade de gênero, (no caso das mulheres negras e transexuais) acrescenta-se racismo e transfobia, entre tantas outras amarras patriarcais que ferem a autoestima e demarcam os espaços na sociedade. 

Não à toa, o projeto é direcionado a mulheres cis e trans com idades entre 16 e 28 anos  que a partir de aparelhos celulares possam produzir uma obra em formato digital e concorrer ao prêmio em dinheiro no valor de R$300,00. A artista responsável pelo evento é Laiane Guedes, cientista social pela Universidade Federal do Pará, professora, percussionista e escritora. Ainda na universidade no ano de 2013 começou a produzir eventos culturais, em 2015 fundou junto de outras mulheres o Movimento Ferminista Mulheres do Fim do Mundo, o movimento reunia música regional, batuque e poesia no combate à violência contra a mulher. 

Laiane veio do interior da cidade de Igarapé-Açu. Ela chegou em Belém aos 18 anos de idade buscando se encontrar e construir uma base para a vida. “Nunca vi oportunidades no ramo da arte ou literatura criados em Belém que abrisse espaço para meninas de outras cidades além da região metropolitana, se eu nunca tivesse vindo para cá, jamais teria acessado algo assim e acreditado que arte e literatura também eram pra mim. Dessa forma, abraçar outras cidades além da nossa região, é também oferecer um abraço a outras jovens”, diz. 

No ano de 2018 mergulhou profundo na literatura, em 2019 publicou o primeiro conto "fuga" pelo projeto Alfredo's-UFPA, no ano de 2020, publicou mais dois contos em formatos digitais, escreve regularmente em sua página do Medium, está entre as autoras da antologia “Tramas das Águas” e é uma das coordenadoras do clube de escritoras paraenses.

“Minha trajetória como artista, escritora, percussionista, bisexual, amazônida e professora de sociologia é marcada pelo combate ao machismo e toda forma de opressão contra as mulheres, pela busca de todos os direitos a nós concedidos e que ainda nos são negados. Assim, em todas as minhas ações coletivas e individuais prezo pela inclusão de mulheres e outras minorias”, conta ela em entrevista ao blog. 

Ações culturais de empoderamento e afetos

Desde o ano de 2015, Laiane participa de ações coletivas que elevam o empoderamento feminino, provocando discussões em torno das políticas públicas para as mulheres  através da música e da escrita. A exemplo disso, ela conta que já foram realizadas ações no Centro de Recuperação Feminina de Ananindeua (CRF), intervenções na delegacia da mulher, intervenção pelo fim do massacre da juventude negra no bairro do Guamá, oficinas de percussão na ocupação Mestre 70, também no Guamá, além de diversas oficinas de percussão em escolas públicas de Ananindeua e Belém. 

“Além das ações coletivas,  apresentei-me no centenário do Mestre Verequete - Pedreira, Museu de Arte Sacra, Estação Cultura, ocupação do Ministério da Cultura, entre outros eventos.  Sempre vi em Belém uma pluralidade na cena, nunca pensei ou percebi que havia somente homens nos holofotes, há sim mulheres engajadas, trabalhadoras e que conquistam seus lugares”, continua.

A artista aponta que “assim como em outras áreas, as mulheres são minorias ou são menos valorizadas, quando há espaço para a elevação de seus trabalhos estes geralmente são concedidos por homens, os principais eventos são construídos por homens, se nós tocamos, demora mais tempo para sermos reconhecidas por nosso talento, demoram a acreditar que uma mulher possa tocar bem um tambor, uma guitarra, um sax etc, assim como leva mais tempo para uma mulher lançar um livro, uma poesia, uma publicação, entre outros, demora bem mais para uma fotógrafa ter o mesmo público que um fotógrafo, são fatos que comprovamos em conversas com as nossas, se somos periféricas todas essas questões se aprofundam e ganham outras nuances”, revela. 

Foram todas essas questões que levaram Laiane a escrever essa Mostra Cultural voltada ao público feminino. “Para que mulheres jovens saibam que as suas criações têm valor e que os espaços para nós podem ser criados por nós mesmas”, diz.  Os trabalhos recebidos passarão por curadoria realizada pela equipe do projeto, o resultado da seleção será divulgado nas redes sociais do projeto, através de postagens e lives para apresentar a obra e a artista, bem como, nas redes de todas as envolvidas.

Elas no Comando reúne as profissionais da música

Pensando em dar mais visibilidade e conectar as mulheres que atuam nesse mercado, a Soma Música realiza o “Elas no Comando”, projeto que reúne profissionais de diferentes áreas de atuação para debater assuntos ligados à música em quatro encontros virtuais realizados de 15 a 18 de fevereiro sempre às 18h30 no Youtube/somamusica. Segundo dados da ONG WIM (Women in Music) divulgados em 2019, as mulheres ocupam cerca de 30% das vagas da indústria da música no mundo.  Apesar de ainda ser um mercado predominantemente masculino, a música emprega mulheres com muita experiência e em funções estratégicas.

A programação prevê quatro eventos transmitidos ao vivo divididos em mesas de debate, palestras e workshops. O evento começa no dia 15 com o workshop “Produção para Novas Produtoras”, que será mediado pela DJ Ananindeusa e contará com a participação das produtoras Amanda Furtado, Ketlen Suzy e Laíra Mineiro, que irão compartilhar experiências, caminhos para iniciar na produção cultural e adversidades. 

No dia 16, a jornalista e publicitária Dani Filgueiras irá mediar o workshop “Gestão e Carreiras Independentes” que contará com a participação das rappers paraenses Anna Suav e Bruna BG, que vêm se destacando na cena local, gerenciando suas carreiras.  No dia 17, é a vez da mesa de debate “Produção na Pandemia e Projeções para Pós” com as produtoras Nanda Piovaneli, Sonia Ferro (Lambada Produções) e Viviane Chaves (Ampli Criativa) com mediação da cantora e radialista Ana Clara Matos. Encerrando a programação, tem a palestra “Direitos Autorais” com Márcia Xavier, que integra a União Brasileira de Compositores (UBC).

Bruna BG

“Trabalho com música há alguns anos e, nesse caminho, encontrei mulheres incríveis, que por estarem nos bastidores, muitas vezes não têm espaço, voz e reconhecimento. Este projeto surgiu do desejo de mostrar essas mulheres, trocarmos experiências e incentivar para que outras possam ingressar nesse universo e possamos assim aumentar nossa presença nesse mercado que ainda é predominantemente masculino”, revela Joelle Mesquista, idealizadora do projeto e proprietária da SOMA Música, uma produtora cultural que trabalha com artistas da cena independente de Belém.

O evento “Elas no Comando” é uma realização da Soma Música aprovado pelo Edital Lei Aldir Blanc Pará, Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Pará, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal. A Soma Música é uma produtora cultural que trabalha com booking, marketing digital, desenvolvimento de projetos culturais, comandada por Joelle Mesquita, produtora que trabalhou na Ampli Criativa atendendo artistas como Gang do Eletro, Pinduca, Paulo André Barata e trabalhou diretamente com Dona Onete.

Serviço

Projeto “Elas no Comando”. De 15 a 18 de fevereiro (segunda a quinta-feira), às 18h30, pelo YouTube Soma Música (abre.ai/b5WJ). Realização: Lei Aldir Blanc Pará, Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Pará, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

28.1.21

Impactos da pandemia no pensamento positivo

Foto: Yasmin Alves

A “positividade” é um dos temas mais abordados na Reggae Music, mas como manter o “pensamento positivo” quando o mundo é atingido por uma pandemia que impacta principalmente as camadas mais pobres da população? Esse questionamento está presente em “Cultive”, EP do duo Dudu Urband e Selektah Nubeat, que será lançado na próxima semana, dia 5 de fevereiro. 

“A nossa mensagem principal através desse trabalho é: tenham força, não deixam de acreditar no bem, não deixem se abalar, por mais que o mundo bata”, afirma Selektah Nubeat, DJ e produtor musical do projeto. Por meio das três faixas que invocam um senso de elevação e apreciação da vida, os artistas dizem buscar a cura emocional em meio ao cenário atual e, assim, inspirar outras pessoas.

Selektah, que é fundador do selo Kizomba Groove, já conta com uma grande experiência no reggae produzido em Castanhal. Foi na cena do município a 68 quilômetros da capital paraense, que ele começou a propor outros estilos da reggae music, que estão presentes nas três faixas do EP, como é o caso do stepper e grimes 

“O reggae em Castanhal teve seu auge principalmente em meados dos anos 2000/2010 com as bandas Yeman Jah, Jaafa Reggae e um movimento de DJs. Foi quando, em 2012, eu e mais um outro amigo criamos a festa Kizomba, que vinha com essa proposta de introduzir outros estilos do reggae”, lembra ele, que inclusive trouxe o vocalista da veterana Yeman Jah, Adrianinho, para o "Cultive".

Dudu Urband, cantor e compositor do EP, explica o papel da música nesse período de covid-19 e isolamento social, que impacta na saúde mental das pessoas. “O isolamento afeta de forma positiva, já que é uma medida necessária para conter o vírus, mas também impacta negativamente, causando medo, preocupação e ansiedade. Todo esse processo fez com que a música produzida nesse período fosse voltada mais para o próximo, com o intuito de acolher e servir. Com o reggae não foi diferente”, disse.

As músicas seguem uma sequência, que não precisa necessariamente ser seguida. Todas foram gravadas em Castanhal e com músicos da cidade, tendo a mixagem ficado por conta de Yuri Pinheiro do estúdio Ver-O-Som (Belém) e a masterização com Buguinha Dub (PE), produtor musical que já colaborou com nomes renomados da música brasileira, como Chico Science.

O EP “Cultive” será lançado no dia 5 de fevereiro nos canais do Selo Kizomba nas plataformas digitais. O projeto é um dos selecionados do Edital de Projetos Artísticos-Culturais do Profº Roberto Marques - Lei Aldir Blanc/Secretaria Municipal de Cultura de Castanhal.

Serviço

Lançamento do EP “Cultive”, por Selektah Nubeat e Dudu Urband. Na próxima semana, 05 de fevereiro, pelo Canal do Selo Kizomba no YouTube e Instagram: @allan_slkt @dudurband. Mais informações: (91) 98353-1375.

(Holofote Virtual com Texto de Fernando Assunção) 

25.1.21

Workshop para mulheres na coordenação de palco

O palco é o centro nervoso de qualquer produção cultural. É lá que acontecem as apoteoses da programação, reunindo diferentes profissionais do mercado de shows e eventos. E para que tudo saia como planejado é necessário uma boa coordenação de trabalho. É aí que entra o Coordenador de Palco, profissional responsável em organizar todas as áreas envolvidas.

O curso será ministrado por Taca Nunes, que possui mais de 20 anos de experiência atuando como coordenador de palco. No workshop, voltado só para as mulheres, ele vai ensinar as técnicas para a realização de um bom trabalho de coordenação.

“Em todos esses anos de experiência, muito poucas vezes trabalhei com mulheres na coordenação de um palco de festival. Trabalho esse que não necessita de força muscular, mas sim de conhecimento e experiência. O Manas surgiu como uma vontade de contribuir para a mudança desse quadro”, explica. “Tudo gira em torno dos horários do palco, desde a passagem de som até o início e término do evento. Porque para você fazer a desprodução precisa ter o horário do palco”, completa.

As participantes serão escolhidas por suas trajetórias na produção cultural. “A experiência em produção cultural é importante e obrigatória pelo fato de que a coordenação de palco está linkada com a produção geral do evento, uma depende da outra. Veja, o receptivo, a produção executiva, o camarim tudo tá ligado ao palco. Portanto, essa vivência de modos de produção é fundamental para o aproveitamento do curso”, lembra Taca.

Com a chegada da pandemia, o setor de shows e eventos foi duramente atingido. “Fomos os primeiros a parar e com certeza seremos um dos últimos a voltar”, conta Taca. Aprovado no Edital de Música, da Lei Aldir Blanc, o Manas no Palco projeta novos profissionais no mercado, mas que também chegou em boa hora para movimentar o mercado de trabalho no setor de shows e eventos. “Eu sou um profissional que tenho me mantido com a Aldir Blanc. E hoje quem vai trabalhar comigo também foi desligado do trabalho, está desempregado. É uma forma de eu ajudar também”.

Serão três dias de atividades (02, 03 e 04 de fevereiro) unindo a teoria e a prática para uma boa e eficaz coordenação de palco. O curso é presencial e gratuito e para participar, basta enviar o currículo para o email manasnopalco@hotmail.com, explicando seu interesse no workshop. São 15 vagas e as inscrições já estão abertas e acontecem até o dia 29 de janeiro. 

Outras participações no front do curso

Também participam do workshop Kelly Kathyúrsia, Especialista em Técnica e Operação de Áudio, que vai bater um papo sobre o trabalho de sonorização e Malu Rabelo, Cenógrafa e Iluminadora, que traz as nuances do designer de iluminação de shows e eventos.

Fonoaudióloga de formação, Malu Rabelo largou a profissão para trabalhar no teatro. Desde 2010, ela atua com iluminação nas Artes Cênicas e, atualmente, é designer de iluminação do Grupo de Teatro Palha e integrante do Coletivo Alumiá e do Movimento de Mulheres na Técnica-Pa. “Vou falar sobre a diferença de luz para teatro e luz para show. Mostrar os diferentes equipamentos e efeitos que são utilizados para cada espetáculo”, explica.

Kelly Kathyúrsia é Especialista em Técnica e Operação de Áudio, ela vai explicar como é o funcionamento dos equipamentos utilizados, como mesas de som analógicas e digitais, tipos de microfones e suas diversas utilizações, tipos de cabos, como são feitas as equalizações dos instrumentos. “Vamos dar um enfoque prático, diante das situações reais que acontecem durante os eventos”, completa.

Serviço

Manas no Palco – Workshop Presencial sobre Coordenação de Palco.  Dias 02, 03 (das 09h às 12h e 14h às 17h) e 04 de fevereiro (09h às 12h). Local: Espaço Live Jeffersom (Av. Pedro Álvares Cabral, 15, esquina com D. Romualdo Coelho). Inscrições até o dia 29 de janeiro. Contatos: manasnopalco@hotmail.com e 91- 99354 1266 (Brena). Manas no Palco é um projeto apoiado pela Secretaria de Estado de Cultura, do Estado do Pará com recursos provenientes da Lei Federal No. 14.017, de 29 de junho de 2020.

(Holofote Virtual com informações das assessoria de imprensa)

15.1.21

Legítima Defesa chega com clipe nas plataformas

Foto: Mácio Ferreira
Composição de Naldinho Freire, letra de Escurinho, percussão de Loba Rodrigues e interpretação de Mariza Black. Gravado em Belém, em novembro de 2020, mês da Consciência Negra, o trabalho ganha lançamento nesta sexta-feira, 15, com clip e mini doc, nas plataformas digitais da Na Music e dos artistas. 

Legítima Defesa é música inspirada em ritmos afros, oriundos de Cabo Verde e da Nigéria, além de uma mistura cultural brasileira interessante ao reunir artistas do Pará, Paraíba e Pernambuco. A letra fala sobre como é viver num país que foi colonizado como o Brasil, mas embora já tenham se passado séculos, ainda se vive aqui, situações de racismo e violências que se refletem principalmente nas periferias. 

Para Mariza Black, paraense nascida em Belém, foi um prazer gravar a música. “Foi uma honra gravar essa música, ainda mais pela mensagem que ela nos repassa de luta e resistência da cultura negra, em nosso país”, diz ela, que possui voz inconfundível.  A artista, que sempre mergulhou no samba, interpretando obras de grandes compositores, agora segue um caminho mais autoral. Há dezessete anos cantando profissionalmente, em 2019, lançou seu 1º álbum intitulado “Samba Parauara”. 

Mariza Black, uma das maiores intérpretes de samba paraense, tem 17 anos de carreira, com presença marcante nos palcos, cantando e encantando ao som da percussão e do cavaquinho na cadência de composições do samba local, bem como na interpretação de grandes clássicos nacionais. A paraense também é uma das raras mulheres puxadoras de samba enredo com atuação nas escolas de samba Caprichosos da Cidade Nova (Ananindeua), Piratas da Batucada (Belém) e Crias do Curro velho (Belém) e do Bloco Unidos da Pedreira (Belém). Atualmente, ela coordena o Encontro Nacional das Mulheres na Roda de Samba no Estado do Pará. 

Naldinho Freire reuniu talentos na obra

Foto: Léo Eccard
O convite para gravar Legítima Defesa partiu de Naldinho Freire, parceiro do músico e poeta Escurinho, artista paraibano como ele. Compositor e também letrista, o músico lançou em 2019, em Belém, o álbum “sem chumbo nos pés”, como uma das ações de um projeto de intercâmbio realizado pela UFPA, e que aproxima, pelo viés do turismo cultural, Belém e Cabo Verde. Em 2020, o intercâmbio também teve desdobramentos, ocasião em que Mariza Black é convidada para uma de suas ações, estreitando assim a relação profissional entre os artistas. 

“Quando li essa letra, lembrei imediatamente do ritmo da Tabanca, que conheci a partir do meu encontro com o músico cabo-verdiano Mário Lúcio, e que se parece muito com o Ijexá. Pensei imediatamente na Mariza Black para interpretá-la”, diz Naldinho.  “E também convidamos a percussionista Loba Rodrigues”, complementa ele que em 2010, através da Embaixada do Brasil em Cabo Verde, realizou shows na cidade de Praia e São Domingos. 

Loba diz que eles se reuniram para fazer o desenho rítmico da música e ela foi inserindo outros elementos. “Eu me inspirei nos grupos de afoxé, os mais diversos, e também no ritmo da Tabanca, que Naldinho me apresentou. Fiz uma pesquisa e o que ouvi mais, foi o trabalho do grupo Sementeira, do qual participou o músico Mário Lúcio, que esteve em Belém em 2019”, comenta.

A Tabanca é um ritmo binário, executado por tambores, cornetins e búzios, estes geralmente em três registos diferentes (grave, médio e agudo) responsáveis pelo ostinato rítmico-melódico, cuja tessitura geralmente é de uma sexta. Já o Ije’xa, é oriundo da cidade da Nigéria, mas foi trazido para a Bahia pelo enorme contingente de iorubás escravizados que aportou neste estado do final do século XVII. Esse ritmo vem desde então sendo executado na música brasileira por artistas diversos.

O autor da letra, Escurinho, é artista pernambucano radicado na Paraíba. Nascido no Sertão de Pernambuco,  Escurinho acabou se mudando com a família para a cidade Catolé do Rocha, na Paraíba, onde passou a maior parte da infância e adolescência e onde tem os primeiros contatos com o fazer musical.  Foi nesse contexto que conheceu o jovem Chico Cesar que passou a ser um parceiro, e, mais tarde, em João Pessoa, Naldinho Freire, cantautor paraibano, cujo trabalho remonta aos anos 90, quando lançou o LP Lapidar. 

Além do lançamento do single, também será disponibilizado nos canais de Youtube dos artistas, clipe e mini doc mostrando os bastidores da gravação. Os vídeos têm a direção de Vinicius Fleury - Flemi Filmes e a canção tem a participação de Marcel Barretto (violão / Aço, synth bass, gravação e masterização – Budokaos). 

Serviço

Lançamento do single e clipe de Legítima Defesa, música de Naldinho Freire, com letra de Escurinho e interpretação de Mariza Black. Dia 15 de janeiro, às 19h, nas principais plataformas digitais da música e YouTube dos artistas.