16.5.21

Fotógrafos doam obras para criar fundo solidário

João Ramid

A fotografia pode representar e recriar experiências, além de expressar sentimentos, registrar e documentar fatos. E foi esta a linguagem que o Sindicato dos Jornalista no Estado do Pará escolheu para realizar a campanha que pretende criar um fundo solidário em prol de jornalistas que estão enfrentando dificuldades por conta do coronavírus. O convite feito pelo SINJOR e atendido por 55 fotógrafos que doaram, juntos, as 127 obras que estarão na exposição virtual “Pará Ver-O-Peso que uma imagem tem”. A abertura com lançamento da campanha pela compra das fotografias será na próxima quarta-feira, 19, às 20h, com live pelo canal Sinjor Pará, no YouTube, com apoio do Acervo H, Max Color e PANAMAZÔNICA. Algumas das fotos você já confere aqui no Holofote Virtual. 

A programação de lançamento conta com o debate “Imagem e Solidariedade em tempos de pandemia”, que terá como participantes, Shirley Penaforte e Sidney Oliveira, que desenvolveram trabalhos específicos de fotografia relacionados a esse tempo de pandemia, e Cláudio Pinheiro, diretor do sindicato. O fundo servirá para a compra de cestas básicas, remédios, máscaras e álcool em gel para serem distribuídos aos profissionais de Imprensa.

A exposição virtual integra o projeto “Pará Ver-O Peso que uma imagem tem” do Grupo de Trabalho Contra a Covid-19 do Sinjor Pará, formado para pensar estratégias de combate à pandemia e de proteção à saúde dos jornalistas que atuam no estado. 

Paula Sampaio

"Queremos somar forças e recursos para ajudarmos os que adoeceram ou que foram atingidos pela crise econômica. Nosso intuito é fortalecer a união entre os jornalistas e a sociedade pela solidariedade e companheirismo. Somente unidos poderemos enfrentar este triste momento que o Brasil atravessa com a perda de mais de 400 mil vidas e 14 milhões de casos confirmados", diz Vito Gemaque, presidente do Sinjor-Pa.

Na mostra poderemos visualizar distintas gerações de fotógrafos e fotógrafas, alguns começando no campo da fotografia no início da década de 1980. Nas obras expostas é possível perceber também as múltiplas estéticas no fazer fotográfico, do fotojornalismo ao documental, passando por figuras e paisagens amazônicas, de natureza e de cunho social. 

A ideia foi inspirada na iniciativa dos familiares e amigos do fotógrafo Lilo Clareto, que criaram uma galeria para arrecadar fundos e ajudar no tratamento dele, vítima da Covid-19. O fotógrafo veio a óbito no último dia 21 de abril em decorrência do coronavírus. Com essa ideia em mente, o Grupo de Trabalho Contra a Covid-19 do Sinjor Pará decidiu organizar a exposição e venda de fotos para ajudar os jornalistas paraenses.

Hely Pamplona

“O Pará sempre foi um celeiro de grandes fotógrafos e fotógrafas. Fizemos o convite e, solidários, eles encamparam de imediato a ideia da exposição virtual. Cada obra será vendida por R$ 200,00, um valor simbólico considerando o peso dos profissionais envolvidos na ação”, relata a jornalista Claudia Aguilla, coordenadora do projeto, juntamente com os jornalistas Afonso Gallindo e Maria Christina, todos voluntários no projeto do Sinjor Pará. 

Disposta em ordem alfabética, a galeria conta com as obras e uma pequena biografia dos fotógrafos participantes. “Fiz com todo carinho. Coloquei meus talentos e conhecimentos em favor dos companheiros que precisam. Estamos juntos nesta caminhada e, juntos, vamos achar soluções para viver e trabalhar num mundo que muda a todo instante e necessita de muita solidariedade”, relata o jornalista Afonso Gallindo, da Matapi Produções, responsável pela montagem virtual da galeria.

Thiago Azevedo
O público poderá visitar a exposição e adquirir obras até o fim do mês de julho, no site que estará on line na próxima semana. Será possível passear por esta galeria, selecionar as obras e adicioná-las ao carrinho de compras. O pagamento pode ser feito por meio de boleto ou cartão.

Além da criação da galeria virtual, o que chama a atenção no “Pará Ver-O-Peso que uma imagem tem” é a capacidade de aglutinar pessoas em torno da ideia de realização da exposição, incluindo os fotógrafos e fotógrafas que cederam suas obras, os profissionais e estudantes que voluntariamente se dispuseram a atuar no projeto. “Aceitei somar forças e participar desta ação porque resistir é preciso. E ser solidária é a melhor resposta a um governo cujo descaso e negacionismo retira nosso direito de viver”, diz Maria Christina, que também está no projeto como uma das fotógrafas convidadas.

Veja mais fotos em @holofote_virtual 

Fotógrafos envolvidos

Bárbara Freire
Participam da exposição os fotógrafos Alessandra Serrão, Ana Catarina Peixoto de Brito, Bárbara Freire, Bob Menezes, Carlos Borges, Cezar Magalhães, Cláudia Leão, Cláudio Pinheiro, Cristino Martins, David Alves, Dirceu Maués, Eduardo Kalif, Elza Lima, Eunice Pinto, Fernando Nobre, Fernando Sette, Flávia Mutran, Hely Pamplona, Isabel Abreu, Iza Girard, João Ramid, Klewerson Lima da Silva, Kleyton Silva, Leonilda Fernandes, Lucivaldo Sena, Luís Celso Borges, Marcelo Kalif, Marcelo Seabra, Marcílio Costa, Marco Santos, Maria Christina, Mariano Klautau Filho, Mauro Fernandes, Michel Pinho, Nailana Thielly, Octavio Cardoso, Osmarino Souza, Oswaldo Forte, Paula Sampaio, Paulo Amorim, Paulo Santos, Paulo Souza, Pedro Cunha, Raimundo Paccó, Renato Chalu, Ricardo Lima, Sandro Barbosa, Shirley Penaforte, Sidney Oliveira, Tamara Saré, Thiago Azevedo, Uchoa Silva, Ursula Bahia, Wagner Santana e Walda Marques.

O SINJOR na Pandemia

David Alves

Diante de uma realidade tão desafiadora imposta pela Covid-19, o Sinjor Pará vem procurando alternativas para o combate e à prevenção do coronavírus, assim como diminuir as consequências danosas geradas pela pandemia junto à categoria de jornalistas. A primeira ação do sindicato foi solicitar às empresas para garantirem segurança sanitária para os profissionais de Imprensa com distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e adoção do home office. 

Em seguida, no último dia 7 de abril, a entidade lançou o Relatório Covid-19, onde está registrado o falecimento de 19 profissionais de Imprensa vítimas do coronavírus até 30 de março passado. Segundo o documento, o número de mortes é um dos mais altos do Brasil em comparação com os dados da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). O relatório informa que o Pará está entre os três primeiros estados com mais mortes de profissionais de Imprensa no país.

Alessandra Serrão

Após a divulgação do documento, o Sinjor Pará reuniu com o governador Helder Barbalho, com o secretário executivo da Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep), Josenir Nascimento, e com representantes de Prefeituras Municipais para pedir apoio e assegurar a inclusão dos profissionais de Imprensa na lista de prioridade para a imunização contra a Covid-19, especialmente daqueles que estão na linha de frente cobrindo a pandemia no estado.

Atualmente, há 1.500 jornalistas registrados no Pará e 864 filiados ao Sindicato dos Jornalistas. A exposição “Pará Ver-O-Peso que uma imagem tem” dá sequência às atividades do Sinjor em prol da categoria neste contexto de pandemia. Para participar da live de lançamento da exposição acesse Sinjor Pará no YouTube. O projeto “Pará Ver-O Peso que Uma Imagem Tem” é uma ação do Grupo de Trabalho Contra a Covid-19 do Sindicato.

Para compra das fotografias: 

opesodaimagem.com.br (a partir de 19/05)

Instagram: @opesodaimagem

Facebook: /opesodaimagem

12.5.21

Um plano emergencial para a cultura em Belém

O Fórum de Culturas do Pará mobilizou nesta terça-feria, 11, fazedores, gestores e parlamentares da área, para discutir mecanismos de sustentabilidade e fomento ao setor cultural na capital paraense. O momento revelou o quanto poder público e sociedade civil precisam estar de mãos dadas, e que são necessários esforços maiores para que possamos avançar. A mediação foi de Eliana Pires.

O objetivo maior da reunião foi buscar alternativas para se obter recursos que possam ser destinados a um plano de emergência cultural para Belém. Foram listadas algumas das alternativas estudadas pelo Fórum, como por exemplo o remanejamento de recursos do orçamento da Fumbel. Foi sugerido também que a fundação verifique a possibilidade do uso de recursos do Fundo Municipal de Cultura que, segundo Valcir Bispo dos Santos, que abriu a live pelo Fórum, já teve uma parte usada para o segmento do carnaval.

Outra sugestão é que que a modalidade de apoio emergencial seja realizada por meio de auxílios destinados aos fazedores e fazedoras de cultura, masi também para os espaços culturais, verificando ainda a possibilidade de isenção do IPTU e de outras taxas aos CNPJs culturais, como por exemplo, a TLPL. Entre outras coisas, também ficou encaminhada a criação de um Grupo de Trabalho com a participação do Governo Municipal (FUMBEL e GAB. Prefeito), CMB e Câmara Federal.

Entre os representantes do poder público, estavam presentes o Deputado Federal Airton Faleiro; o presidente da Fumbel, Michel Pinho, além dos vereadores Allan Pombo e Lívia Duarte. E pela sociedade civil, entre outros artistas, fazedores e produtores culturais, estavam Claudia Peniche (Fórum e Culturas Afro Brasileiras), Valdete Brito (Dança), Mana Josy (Hip Hop), Rodrigo Wai Wai (Indígenas), Fátima Matos (CEDENPA) e Carlos Gonçalves (Fórum e Livro e Leitura).

O presidente da Fumbel Michel Pinho disse que o diálogo da com o Fórum já teve início, em relação ao reordenamento da Lei Valmir Bispo, que está sendo estudada novamente e que há interesse em construir o GT para viabilizar os auxílios. A vereadora Lívia Duarte falou sobre ampliar o orçamento da Fumbel por meio de emendas e lembrou que a plataforma “Tá Selado”, já aberta para apresentação de propostas para o PPA. 

O deputado Allan Pombo elogiou o governo de Edmilson Edmilson e disse que vai verificar a possibilidade de emendas dos vereadores de Belém para a cultura, além disso ele também se comprometeu em viabilizar reunião com Georgina Galvão, que coordenar o Fundo Ver-o-Sol, que também poderia ser um caminho.

Airton Faleiro agradeceu o convite e lembrou que “é nas crises que encontramos a solução”. Vice-presidente da Comissão de Cultura da Câmara Federal, também concorda que devem haver mais emendas destinadas à cultura e sugeriu que houvesse “na regulamentação dos Royalts, a destinação de percentual para a cultura”. E citou algumas iniciativas como o projeto do Dia de Resistência dos Povos Indígenas, a indicação de mulheres para o livro Heroínas da Pátria, do Projeto de Lei do senador Paulo Rocha de incentivo à cultura, a Lei Paulo Gustavo, e do projeto dos Fundos Constitucionais para investimento em economia criativa. 

Fazedores desabafam mas dizem que têm esperança

Michel Pinho e Lívia Duarte, no debate com os
fazedores de cultura

Os fazedores também falaram e os depoimentos foram sinceros, diretos e urgentes, como o de Mametu Nangetu, 75 anos, que coordena o Instituto Nangetu de Tradição Afro-religiosa e de Desenvolvimento Social, homenageada com o título de Mulher Axé do Brasil, e fundadora do terreiro Manso Massumbando Quem Quem Neta, que funciona há 35 anos em Belém. Ela lembrou do orçamento participativo feito nas primeiras gestões do prefeito Edmilson e pediu que os projetos de cultura cheguem aos mestres. 

A professora e bailarina Waldete Brito, do Colegiado de Dança do Pará, também ressaltou que “precisamos ter uma lei emergencial de cultura para Belém, pois as pessoas que vivem da arte estão em situação delicada”. Rodrigo Wai Wai, representante dos estudantes indígenas na UFPa, comentou que a Lei Aldir Blanc foi de difícil acesso para os indígenas por “excesso de burocracia”. Ele relatou que seu povo passa por um momento difícil e que não está conseguindo a sustentabilidade por meio da venda de seus artesanatos, “porque está tudo parado”. Alertou que tem muitos parentes morrendo e que faltam recursos para necessidades básicas. 

Da capoeira, Luiz Carlos, primeiro saudou os povos tradicionais e em seguida os parlamentares. Depois passou a relatar a situação dos mestres de capoeira, que “estão vivendo à míngua”. Lamentou a morte de “cada mestre e vidas perdidas”, mas disse que tem esperança e finalizou dando seu voto de confiança aos “senhores e senhoras presentes na reunião”.

Para Valcir Bispo Santos, um dos principais mobilizadores do Fórum de Culturas do Pará, a live de hoje deu um passo importante, mas ele também fez um apelo ao maior envolvimento dos fazedores e fazedoras de cultura. “Precisamos agregar mais pessoas. O Conselho Municipal de Cultura precisa ser democratizados com fóruns setoriais e distritais”, concluiu.

Outros fazedores também tomaram a fala na reunião que se estendeu por cerca de duas horas e pode ser conferida, na íntegra, no canal de Youtube do Lab Livre Belém (link). 

11.5.21

Cena teatral anos 80/90 pelas lentes de Chikaoka

A cena artística de Belém e sua efervescência teatral dos anos 80 e 90, registrada pelas lentes do fotógrafo, dão vida à exposição e às oficinas do projeto "O Teatro Paraense 80/90: Fotografias de Miguel Chikaoka", da Kamara Kó Galeria, contemplado pelo Edital de Multilinguagens - Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Estado do Pará (Secult).  

Trata-se de um recorte único e inédito de registros de processos criativos, que vão desde a leitura de textos, construção de personagens, ensaios até a encenação de peças teatrais mais relevantes no referido período. 

As imagens da exposição, em processo de digitalização, foram selecionadas com a curadoria do fotógrafo e artistas convidados, que viveram aqueles momentos e são referências do teatro no Pará, como Wlad Lima e Cláudio Barros, além da atriz e pesquisadora Valeria Frota Andrade. O acervo histórico poderá ser acessado a partir de 11 de junho, na galeria do site.
 
Já as oficinas serão realizadas na sequencia, sendo a primeira "Fotografia Ágil x Memória Volátil", de 14 a 16 de junho, e em seguida, "Fotografia de Palco", de 17 a 21 de junho, voltadas sobretudo para alunos de escolas públicas. A programação também contará com live entre Chikaoka e os artistas curadores convidados, com direito a entrevistas e participação do público, no dia 19 de junho, às 19h. 

A oficina Fotografia ágil x Memória volátil trata da guarda e recuperação de fotos e vídeos capturados com câmeras de dispositivos móveis como smartphones e tablets.  É dirigida às pessoas que tenham apreço pela memória,  a oficina busca reunir, analisar práticas de armazenamento, organização de imagens. Nos dias atuais, um contraponto necessário à extrema facilidade de produzir e compartilhar imagens. 

A oficina Fotografia de Palco será desenvolvida a partir da leitura de vivências do fotógrafo na cena teatral paraense. 

Além dos aspectos técnicos que envolvem o trabalho, Miguel abordará questões que tratam dos posicionamentos em cada etapa do processo de construção  até a invisibilidade e o silêncio nas apresentações. Estão em jogo, tudo que envolve o universo cênico da leitura dramática, os atores,  construção dos personagens, as expressões corporais e faciais, as interações, o jogo cênico,  os bastidores, o camarim, o cenário, o desenho de luz e o desenho de som.

Inscrições

O projeto O Teatro Paraense 80/90: Fotografias de Miguel Chikaoka está com inscrições abertas para as oficinas com o educador e fotógrafo. A participação é gratuita para o público em geral, prioritariamente para estudantes de escolas públicas, com inscrições até o dia 29 de maio (sábado) pelos links:

Oficina Fotografia Ágil x Memória Volátil: 

Oficina Fotografia de Palco: 

Mais informações 
Kamara Kó Galeria – www.kamarakogaleria.com.br. 

10.5.21

Nota de esclarecimento: petição casa da Estrella

O blog recebeu e publica, nesta segunda-feira, 10, a nota de esclarecimento do “Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella”, sobre a petição pública que solicita celeridade ao processo de tombamento da casa em que residiram Benedito Nunes e Maria Sylvia Nunes, ele falecido em fevereiro de 2011, e ela, em março do ano passado. 

A casa em questão guarda inúmeras memórias do casal. É de arquitetura modernista, com projeto assinado por Angelita Silva, irmã de Maria Sylvia Nunes, e Ruy Meira, e está localizada na Travessa da Estrella, no bairro do Marco, em Belém do Pará. 

O processo de tombamento, que não necessariamente implica em desapropriação do imóvel, foi solicitado pelo coletivo em janeiro e aceito pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC) da Secult, no dia 27 de abril deste ano, assim como também já foi encaminhado a Fumbel e ao IPHAN. 

A iniciativa parte de um coletivo que reúne professores e pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais, mas depois de divulgada nas redes sociais, a petição gerou ruídos de comunicação a que se vem responder a seguir: 

 NOTA DE ESCLARECIMENTO

A preservação da Casa da Estrella

Por favor, comece a ler esse texto com menos emoção e mais razão, como diz uma conhecida youtuber. O assunto merece um debate público de qualidade, pois toca em diversos traumas já sofridos pela sociedade paraense, relativos à preservação do patrimônio histórico. 

Poucas vezes testemunhamos uma polêmica tão intensa em Belém como a que ocorreu no último final de semana. O motivo foi a abertura de uma petição pública endereçada ao Governo do Pará, na qual algumas pessoas pleitearam duas coisas: 

1) o tombamento da residência de Benedito e Maria Sylvia Nunes; 

2) a aquisição, repetimos: aquisição, da casa pelo Poder Público, de maneira que sua manutenção possa ser garantida. A petição recebeu a adesão de quase mil pessoas em apenas quatro dias. Ela foi muito divulgada com mensagens de esperança. Todas querem ver o legado de Benedito e Maria Sylvia preservado.

Houve, contudo, quem a recebeu de forma negativa e confusa. Essas pessoas se sentiram ofendidas com algo que é direito de qualquer cidadão: pedir providências ao Poder Público para que um bem de interesse social seja preservado. Em uma atitude defensiva e desproporcional, postagens foram feitas nas redes sociais deturpando argumentos, outras lançaram ataques pessoais e houve até aquelas que fizeram a defesa da propriedade privada (!) e acusaram os peticionários de questionar a legitimidade dos herdeiros (!), assim como de quererem confiscar ou desapropriar a casa (!). Sim, tudo isso foi dito, algumas vezes de maneira deselegante e vil.

Contra esse tipo de ruído, convém jogar luz sobre o assunto, uma vez que muita gente assinou a petição e merece esses esclarecimentos. Vamos, portanto, aos fatos – repetimos: aos fatos: 

1) sim, os herdeiros legítimos manifestaram diversas vezes, repetimos: diversas vezes, que não poderiam manter a casa e que, por esse motivo, cogitavam vendê-la; 

2) o interior da casa está esvaziado, pois a biblioteca foi transferida para a UFPA e parte do mobiliário, as obras de arte e as antiguidades foram de lá retirados. Esses fatos são suficientes para preocupar quem conhece o valor arquitetônico, histórico e social da casa – e exigem, sim, uma mobilização que se antecipe a um final bem conhecido dos habitantes de Belém.

Com a finalidade de proteger a residência, solicitamos o tombamento do imóvel. Esse é um instrumento legal que as sociedades civilizadas dispõem para que a responsabilidade pela preservação do patrimônio histórico seja compartilhada com o Poder Público. O tombamento nada tem a ver com demolição, desapropriação ou confisco. 

Pelo contrário: ele permite que os proprietários tenham um desconto no IPTU, recebam investimentos públicos, sejam auxiliados em serviços de arquitetura e engenharia ou mesmo tenham facilidade para obter empréstimos destinados à manutenção do imóvel. Convém, portanto, que o Governo do Pará avalie a necessidade de tombar a Casa da Estrella, pela importância que ela adquiriu para a cidade e para que os esforços em prol de sua manutenção sejam recompensados.

Casa abrigava biblioteca e pinacoteca do casal
A outra demanda feita na petição, a aquisição da casa pelo Poder Público, segue exatamente na direção do que foi sinalizado pelos herdeiros legítimos: ora, se não há condições de manter a casa e se não há outra opção a não ser vendê-la, então que o comprador seja o Poder Público. 

Nesse caso, a demanda dos peticionários também pretende se antecipar a uma possível situação de risco para a casa, abrindo uma janela de soluções que contemple o interesse dos herdeiros legítimos. Essa proposta também nada tem a ver com desapropriação ou confisco, mas com uma possibilidade concreta, talvez a única na atual conjuntura do país, de preservar a residência caso seja vendida. Repetimos: caso – seja – vendida. Se a intenção não é vendê-la, se os planos mudaram, a sugestão feita pelos peticionários pode ser ignorada.

Ao leitor que chegou até aqui, pedimos que volte à petição e releia o texto. Ele é claro em suas intenções e propostas, é verdadeiro nos seus argumentos e vislumbra, sim, um destino factível para a Casa da Estrella. Esse é um lugar de memória que justifica um esforço coletivo para sua preservação. Isso é o que importa. Se toda essa polêmica resultar na proteção do Poder Público e no apoio da sociedade civil, seja qual for seu proprietário, teremos todos razão e sairemos todos ganhando.

Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella

Atualização sobre a petição, em 13 de maio: 

O coletivo acaba de informar que a petição alcançou a meta de assinaturas e encerrou. Será encaminhada aos órgãos de patrimônio das três esferas de poder, no caso o IPHAN, Secult-Pa e Fumbel, que já aceitaram o pedido de tombamento do imóvel.

https://secure.avaaz.org/community_petitions/po/ao_exmo_sr_governador_do_estado_do_para_helder_zah_pelo_tombamento_e_preservacao_da_casa_da_estrella_a_casa_de_benedito_e_maria_sylvia_nunes/?zmAxAkb

5.5.21

Simões lança série de desenhos pelas redes sociais

O artista plástico José Augusto Simões prepara  nova série intitulada “Cerimônias Privadas”. Alguns desenhos já podem ser vistos on-line em suas redes sociais. E aqui no blog compartilho dois dos que recebi em formato digital, com notícias do artista que segue em isolamento por causa da pandemia.

Dias antes falamos dele por aqui, quando divulgamos a exposição "Maitê", para qual ele mobilizou diversos outros artistas, como Marinaldo Santos, Osvaldo Gaya e Laura Calhoun, além de Antar Rohit, in memorian,  que doaram obras para serem vendidas em prol do tratamento de saúde de Maria Tereza, sobrinha do artista, dêem uma olhada, o perfil da mostra é @exposição.maite.  

A expressão "Cerimônias Privadas" nos remete a diversas situações que estamos vivendo. E na arte de Simões, reflete, ainda, o estado de espírito pelo qual cada um de nós, em algum momento, passa nesta pandemia. Isolado ao máximo do contato com as pessoas, neste último domingo, ele enviou para sua rede de amigos, imagens de sua nova série, e me falou sobre esse momento delicado que vivemos no mundo. 

“Eu me protegi da imensa crise que nos assola, trabalhando com entusiasmo, mas depois de um tempo, veio um desânimo que me deixou abatido novamente e senti fragilidade em relação  à minha vida e das pessoas que amo. Enfim, vou recobrando a disposição para a vida e quero continuar a trabalhar e ver o resultado de tudo isso”, comenta ele, em meio a essa oscilação emocional pela qual todos estamos de certa forma passando. 

Demasiadamente humanos

Nesta nova série, Simões voltou a focar seus traços e cores na representação humana. Nos desenhos atuais, as pessoas estão "a sós, a murmurar suas paixões, carências e perplexidades. Isoladas e  introspectivas, como se realizassem ritos secretos, íntimos, pessoais, cada uma conversando consigo mesma".

Há algum tempo que não batemos um papo pessoalmente. Anos atrás, a gente varava a noite ouvindo música e tecendo ideias para adiar o fim do mundo... Simões continua morando em Mosqueiro, ilha-distrito de Belém do Pará, onde há mais ou menos uns dez anos ele escolheu morar. 

“Acabei de iniciar essa nova série. São desenhos sobre papel Canson. Estou retratando figuras humanas sempre solitárias. Seus corpos estão torturados”, diz ele que já passou por diversos estágios emocionais nesta pandemia. "Estou em Carananduba, na casa da minha mãe. Sozinho”, diz.

O artista confessa que gostaria de voltar a expor de forma presencial, que sente falta desse ritual mas que entende, ainda não estamos prontos. “Só quando tivermos superado a pandemia. E de preferência que o Brasil já tenha vomitado o demônio que está entalado. Gosto das exposições presenciais, mas vamos por enquanto ampliar e trabalhar com as ferramentas digitais”, conclui.

A última exposição individual de Simões foi em 2014, intitulada Fogo Sagrado, e que reunia nada menos que 28 telas, no MEP, um escândalo de beleza dividido em três salas. Eu rasgo a seda, gosto muito.  Na época, o artista estava imerso ao abstracionismo, eram outros tempos.

Na ocasião, o entrevistei e ele me disse ser um novo momento na sua trajetória, “...rompi com aquela coisa mais figurativa que eu tinha, de pintar retratos e figuras humanas. Hoje eu enveredo por uma linguagem mais abstrata e experimental, buscando outros caminhos que eu ainda tenho que trilhar adiante, estou em um devir, ao que virá!”.

Assim, a arte verdadeira também tende a oscilar por ser reflexo do momento do artista para consigo e com o mundo. A arte oscila e resiste como nós, na pandemia. Nas exposições anteriores, como “Redesenho” e “Natureza Morta”, Simões centrava no figurativo. A arte oscila em técnicas e linguagens, nós, em estado de espirito e emoções. 

Anos de trajetória, pizza e jambú

Simões com obra da série Fogo Sagrado
Simões iniciou nas artes plásticas na segunda metade da década de 70, ganhando inúmeros prêmios em salões e mostras de arte, já a partir dos anos 1980. Fez exposições individuais e participou de inúmeras coletivas, até 1990, quando inicia o ciclo em que Simões viveu afastado dos pincéis, chegando a abrir um bar galeria, o Café Imaginário, que durou dez anos, marcando a paisagem boêmia da cidade.  

Quando o lugar fechou, em 2008, Simões, mais uma vez, se recolheu, mas desta vez, ele voltou a pintar. Naquele mesmo ano, realizou a exposição “Redesenho” na casa Fundação Antar Rohit, no bairro da Campina, seguindo depois para a Taberna São Jorge, da fotógrafa Walda Marques. 

Em 2009, a série “Natureza Imaginária” foi exposta no Hall do Tribunal Regional do Trabalho, em frente à Praça Brasil e em 2014, como já dito, “Fogo Sagrado”, exposta no Museu do Estado. 

Já estou torcendo pra gente ver essa nova série "Cerimônias Privadas" completa. E quem sabe, por um milagre disfarçado de vacina ou desejo cheio de cuidados, a gente em breve possa sim, estar face to face com um desenho dele!

2.5.21

Felipe Cortez revela a veia de ator no curta "Madá"

Felipe Cortez faz sua primeira atuação no cinema.
Foto: Divulgação
O jornalista e produtor audiovisual Felipe Cortez está em Bragança participando das filmagens de Madá, na função de assistente de direção e também ator, novidade na carreira dele, sobre a qual a gente bate um papo a seguir. O curta tem direção e roteiro de San Marcelo, da Sapucaia Filmes, e foi  selecionado pelo edital de audiovisual da Lei Aldir Blanc e Secult-PA. 

"Tá sendo uma experiência também desafiadora, porque envolve atuar, mas também estar atento a todo o processo de realização, uma vez que estou também na função de assistente de direção, o que exige dedicação, energia física, além de foco e ímpeto de fazer o trabalho avançar conjuntamente".  

Felipe Cortez diz que sempre curtiu encenação e que há dez anos, fez até iniciação teatral na Unipop. Fora isso, a experi6encia em frente às câmeras, só mesmo como apresentador em programas da Tv Cultura e alguns comerciais publicitários. 

"É uma delícia voltar a atuar, isso me faz lembrar de uma parte muito gostosa da minha vida” diz ele, que foi chamado de última hora para substituir o ator que iria fazer papel de Diego Tavares, o par romântico da protagonista, Madá. "Eu tinha correspondências físicas e de idade do personagem, que também é do universo da dança, que na história, Madá quer muito explorar. Diego é um personagem que traz um tom mais cômico e romântico ao filme", comenta Cortez. 

Para ele, porém, o maior desafio tem sido contar uma história que se passa no início dos anos 2000, com suas marcas culturais e tecnológicas, no período pandêmico em que vivemos em 2021. "Acredito que nossa equipe está dando conta", continua o também Mestre em Artes. "Madá tem o que eu gosto num filme: emoção, drama, romance e muita dança!”.

Entre a dança e a necessidade de cuidar da família

O curta narra a história de Madalena, uma jovem que sonha em ser dançarina, mas fica dividida entre a busca do crescimento profissional na dança e o desejo e necessidade de cuidar da família. O elenco principal conta com Astrea Lucena, que interpreta Dona Rosa, a mãe de Madá, interpretada pela jovem atriz Luana Oliveira.

O cotidiano de Madá é revelado, segundo Felipe, em sua casa e no ambiente de trabalho, até que ela encontra algo que pode ser um novo começo em sua vida.  A narrativa toca "em temas universais, com texturas da vida e cultura da cidade de Bragança, trazendo danças como o brega e o retumbão, a religiosidade de São Benedito, a relação quase anímica com a imagem do santo preto, como se o santo fosse um ente querido com quem se pode conversar", considera Cortez. 

As questões emocionais da história, para Felipe, serão fortalecidas, ele acredita, por grandes atuações "como da atriz Astréa Lucena, que dá vida a personagem Rosa do Rosário, mãe de Madá, personagem livremente inspirada na história de vida da maruja Rosa, bastante conhecida no quadro da Marujada”, diz.

No set cuidados redobrados em prevenção da Covid-19

Já falamos de Madá aqui no blog, na ocasião em que as gravações foram adiadas com o lockdown decretado em Bragança. O município paraense, localizado na nossa zona do Salgado, apresentou números altos de contaminação e óbitos, bem no início do mês de abril. 

Já com a suspensão a equipe finalmente está no Set e já conseguiu realizar as cenas que ocorrem em locações, maioria delas, no centro da cidade, próximo já da beira do rio Caeté, e em outras locações, como o Liceu de Música, um dos prédios históricos da arquitetura patrimonial da cidade, fundando como Escola Estadual monsenhor Mancio Ribeiro.

Durante as filmagens, todos os cuidados de proteção contra a covid-19 foram e estão sendo tomados, incluindo o monitoramento de um profissional de saúde.  "Toda a equipe – técnicos, elenco, figurantes, etc -, fez exames no início das gravações. Somos acompanhados de profissional de saúde, que monitora constantemente temperatura, saturação e quaisquer eventuais sintomas de saúde atípicos", diz Felipe Cortez. 

Namoro antigo com o audiovisual bragantino

Felipe já vem frequentando o município há alguns anos, conhecendo diferentes aspectos e personagens da cena cultural da cidade. 

"É pelo audiovisual que eu chego a Bragança” diz ele que em 2012, como produtor da TV Cultura do Pará, conheceu o trabalho do músico bragantino Toni Soares e, nesse contexto, a religiosidade em torno de São Benedito. Vieram depois o videoclipe “Clareia” (Roger Paes, 2012) e o documentário “Beneditos” (Lygia Maria, 2012). Posteriormente, já como diretor, realizou o documentário 'Caminhando com Toni Benedito Soares'.

O convite para a assistência de direção veio do próprio San Marcelo, roteirista e diretor de fotografia, além de fundador da Sapucaia Filmes, que também realiza o Curta Bragança. "O San Marcelo eu conheci em 2015, e ele sempre manifestou um desejo muito grande de contar as histórias de Bragança pelo cinema. Ele me convidou em 2018 para a assistência de direção do curta 'Assustado', mas não consegui participar. Neste ano, foi com muita alegria que recebi o convite para atuar em 'Madá' na mesma função”, conta.

Embora venha atuando no audiovisual, como roteirista e produtor, esta é a segunda vez que Felipe Cortez está assumindo o papel de Assistente de Direção, no audiovisual, com a diferença de que desta vez se trata de trabalho também de um amigo que está vendo esse filme como um primeiro curta de sua carreira, ainda que ele tenha feito outros trabalhos, como "Assustado". 

"É muito bacana ver a evolução do San, na forma de condução desse trabalho, na maneira dele resolver questões, interagir com equipe e elenco. Ele tem um processo interessante, de constante mutação, em busca de referências tanto teóricas, quanto artísticas. Isso enriquece muito o trabalho, além disso é um cara gente boa, bem humorado que torna o trabalho muito leve e isso é muito importante", conclui. 

(Holofote Virtual, com registros dos bastidores das filmagens)

1.5.21

Leona é grafitada em muro do Jurunas em Belém

Colagem de imagens do taser de "Ribieirnhos"

A ação foi da terceira edição do Festival de Cinema das Periferias da Amazônia - Telas em Movimento, no qual Leona foi homenageada. Ontem, ela também bateu um papo com Gabi Luz, no Canal de Youtube do projeto, no qual ela mostrou com exclusividade o teaser do clipe "Ribieirnhos". Vocês podem conferir tudo, porque ficou gravado. Este ano o festival se fortaleceu sua rede de parceiros que amplia o debate do cineclubista na periferia e região das ilhas de Belém.

Inspiração para o movimento  LGBTQIA+ de todo o Brasil, ela é considerada a primeira youtuber do Brasil, ainda criança ficou famosa por sua série “Leona Assassina Vingativa”, lançada de forma caseira em 2009. De lá pra cá, ela trouxe diversas temáticas importantes em seus videoclipes musicais e possui uma carreira audiovisual que traz a representatividade e a irreverência como elementos principais. 

“Eu vejo isso muito mais que uma homenagem, eu vejo como um reconhecimento de tantos anos em que me entreguei fazendo vídeos para o meu público, seja no quarto da Aleijada Hipócrita como no meu primeiro vídeo, no Ver-o-Peso conscientizando vocês sobre a importância do uso do preservativo ou até mesmo dentro de um lixão chamando a atenção para um tema tão importante quanto o descarte correto do nosso lixo”, afirma Leona Vingativa, que ganhará um mural de graffiti em sua homenagem nos muros do bairro do jurunas - local de origem da artista - realizado pelo artista visual Dedeh Farias.

Festival acessou jovens da periferia e da região das ilhas 

A partir do tema “Navegações Inclusivas”, o Telas em Movimento trouxe a inclusão digital no contexto da Pandemia e a democratização do acesso ao Cinema nas Periferias como eixos principais que nortearam suas ações nesta edição, impactando de forma direta mais de 230 jovens das periferias, ilhas e quilombos de Belém e Região Metropolitana por meio de vivências e oficinas de audiovisual, comunicação e de desenho a partir do kit pedagógico “Telas da Esperança” junto às crianças da comunidade da vila da barca, periferia de Belém. 

“Eu gostei muito de participar desse projeto porque eu aprendi coisas que eu não sabia em pouco tempo. As maiores dificuldades que eu tive foram por conta da internet, por eu morar na ilha, mas consegui realizar o meu vídeo minuto e quero me aprofundar no audiovisual”, afirma Luanny Cristina, 17, moradora do igarapé Piriquitaquara, na ilha do Combu, região insular de Belém, que participou da vivência em audiovisual realizada para os jovens das comunidades que integram o Telas em Movimento. Os vídeos minuto produzidos serão divulgados nas redes sociais do Festival.

Além disso, o festival contou com um circuito de cineclubes, que teve a participação do Cineclube TF, Cine Bambu, Tela Firme, Cine Guamá, Coletivo Sapato Preto, Cine Cabocla e o Cine Ribeirinho discutindo a respeito das suas experiências em torno do audiovisual e como o cineclubismo é uma chave central para a questão da democratização do acesso ao cinema nas periferias onde o cinema tradicional não chega.

Ações e parcerias fortalecidas desde 2019

Em parceria com o Centro Integrado Empresa-Escola (CIEE), a equipe do Telas realizou o “Redes de Acolhimento: Juventude e Mercado de Trabalho” com jovens que integram a rede da instituição sobre oportunidades,  empregabilidade e competências individuais criativas por meio do audiovisual. 

Outra ação foi realizada em parceria com a Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE) foi a oficina sobre cuidados básicos com a voz para os comunicadores do estúdio de rádio e tv, projeto da instituição, ministrada pela fonoaudióloga Isabel Ventura e pode ser conferida nas redes sociais do festival.

A 3ª edição do Festival Telas em Movimento foi contemplada pela Lei Aldir Blanc  através da Secretaria de Cultura do Pará e Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, por meio do edital de Festivais Integrados. As gravações estão seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde em virtude da pandemia da Covid-19 e contam com a participação da intérprete de Libras, Bárbara França.

O projeto vem desde 2019 desenvolvendo trabalho nas periferias urbanas e ribeirinhas da Região Metropolitana de Belém do Pará. O foco é na ampliação dos debates e produção cinematográfica e artística com impacto social nessas comunidades.

Realizado pela Negritar Filmes e Produções em parceria com uma rede de colaboradores, cineclubistas e apoiadores que juntos tiveram um papel de cobrança de políticas públicas para as periferias. Durante a pandemia, o Telas em Movimento retomou às comunidades e realizou as ações “Telas contra a Covid” e “Telas da Esperança”, mobilizando alimentos, kits de higiene, difundindo informação acerca da Covid-19 e incentivando as crianças a imaginação criativa através dos seus desenhos. 

Serviço

Encerramento do 3ª edição Festival de Cinema das Periferias da Amazônia - Telas em Movimento. No Canal de Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCS__2hu0sVhjV_tuO_knJVQ

30.4.21

Encantarias abre exposição e lança documentário

Pai Kauê, no rito de despedida 
Março - Vila Que Era
Foto: Mayka Melo

Desde março, venho acompanhando o projeto "Encantarias de São Benedito: performances visuais do Santo Preto em comunidades de terreiro – Bragança-PA”, contemplado pelo edital de Artes Visuais Fotoativa Aldir Blanc, Secult-PA. Neste sábado, 1º de maio, a partir das 19h, a equipe faz a entrega da sua primeira etapa, na comunidade de terreiro da Vila Que Era. A programação será no centro comunitário, com exposição de fotos e vídeo performances, além do lançamento do videoarte documental "Ritos de Passagem - Pai Raimundo da Vila Que Era”.

O projeto iniciou em fevereiro, mas com a situação pandêmica, ações foram adiadas. A equipe também se deparou com o falecimento de Pai Raimundo, um personagem importante para essa história. A exposição e o documentário trazem registros dos ritos de despedida dele, com ladainhas e tambor de choro acompanhados pela comunidade, em seu terreiro, logo após seu falecimento, no dia 8 de março. 

Mestre da cultura bragantina, ele ainda mantinha práticas tradicionais da Umbanda e da Marujada. Todos os anos, ele recebia a esmolação do santo preto que ainda passava pela Vila Que Era, e na festividade de dezembro, ele também costumava dançar no barracão, o Retumbão. Geralmente já saía de lá, incorporado, seguindo para o terreiro, onde as celebrações continuavam, ao som do tambor de mina. O terreiro dele ficava na rua para todo mundo ver.   

“Isso é interessante, pois não era uma prática velada, embora muitos marujos tenham abandonado suas práticas religiosas umbandistas ou como eles chamam, macumbeiras, pra poder se encaixar melhor nas exigências da Marujada”, diz Marília Frade, artista-pesquisadora e educadora com estudos teóricos e práticos no teatro do oprimido, moradora de Bragança.

Esse projeto ressalta essa ancestralidade, ao propor a vivência artística e coletiva da fotografia e do vídeo performances a moradores que vivem nessas comunidades de terreiro. São filhos de santo, marujos e marujas, que ainda mantém relação com os cultos a Toiá Averequete, da tradição afro-brasileira do Tambor de Mina; e com São Benedito, da tradição católica. 

A Marujada, de acordo com os historiadores, foi realizada pela primeira vez em 1798, quando os escravos tiveram permissão de seus senhores brancos para criarem a organização de uma Irmandade para a primeira festa em louvor a São Benedito. Teria surgido assim, por iniciativa dos homens pretos, a Irmandade do Glorioso São Benedito. 

A exposição na comunidade da Vila Que Era só poderá ser vista neste sábado, mas o público em geral poderá acompanhar os conteúdos pelas redes sociais do projeto. O vídeo arte documental será disponibilizado no canal de YouTube do projeto. 

Próximas ações do projeto no Terreiro

Dona Rosa se despede do irmão
Imagens estarão no video documental
Foto: Mayka Melo

Após o compartilhamento desta primeira etapa, com a comunidade da Vila que Era, o projeto segue para o Terreiro do Pai Kauê, sobrinho de Pai Raimundo, que era irmão de Dona Rosa, conhecida maruja da região, mantenedora da tradição da Marujada. A exposição final, que encerra o projeto  no mês julho, contará com uma mostra maior, reunindo as produções realizadas nos dois terreiros. 

“A segunda etapa do projeto prevê oficinas de foto e vídeo performances a serem produzidas pela comunidade do terreiro do Pai Kauê, localizado no bairro da Piçarreira em Bragança. Esperamos que essas práticas tenham um potencial não só de registro dessas memórias, mas também de criação para que essas pessoas percebam que elas criam a cultura, elas criam a arte, elas também são produtoras e fazedoras desse saber cultural e artístico”, conclui”, diz Marília. 

Além dela,  o projeto conta com Pierre Azevedo, pesquisador e produtor em projetos científicos, culturais e audiovisuais; Pedro Olaia, ator, performer e articulador cultural em rede, que vem desenvolvendo projetos artísticos e culturais em comunidades tradicionais; com as fotógrafas bragantinas, Mayka Melo, mantenedora da cultura popular como maruja há sete anos; e Raquel Leite, que também atua na área do audiovisual; além de San Marcelo, operador de câmera, diretor, roteirista e montador.  

Serviço

Encantarias de São Benedito: Lançamento de Videoarte e "Mostra Fotográfica e Audiovisual". Neste sábado, 1o de maio, a partir das 19h, no Centro Comunitário da Vila que Era, em Bragança-PA. O projeto tem apoio da Lei Aldir Blanc-Pa, por meio do edital Artes Visuais Fotoativa, Secult-PA. Acompanhe também nas redes sociais: @encantariasdesaobenedito.

26.4.21

Milton Aires estreia obra cênica de dança-teatro

Curral de Peixe compõe o projeto de pesquisa “Cena-memória: poética de atuação de um ator dançarino”, do paraense Milton Aires. A obra foi selecionada pelo Edital de Atividades Artísticas da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Cultura de Goiânia. A produção é da JamboeJambú, coprodução da ACERCA e apoio do IFG e BACAE. O lançamento é quinta, 29, às 20h, pelo YouTube da produtora.

No cerrado brasileiro, um artista recria ambientes e lugares de sua tenra infância até a vida adulta na Amazônia paraense. Nesse retorno ao passado, corpo e memória são os guias para um encontro com suas origens. A casa antiga nas margens de um rio, as primeiras experiências de aprendizado em família, as construções de amor, afeto e identidade. As alegrias, despedidas e saudades. 

Resultado do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Licenciatura em Dança do IFG - campus Aparecida de Goiânia, a obra cênica de dança-teatro estava prevista para estrear em 2020,  com apoio do Edital PROEX / IFG InspirArte 2020, mas com a necessidade de isolamento social imposta pela pandemia da COVID- 19, que instituiu ao mundo inteiro uma pausa e interrupção das atividades presenciais e de aglomeração, tudo foi adiado. 

“Após três meses da pandemia no Brasil, foi perceptível que a quarentena não seria tão breve e que aquele estado de exceção perduraria sem prazo para terminar”, diz Milton Aires, que nasceu em Ponta de Pedras, no Marajó, fez carreira no teatro e dança, em Belém, e que desde 2015, vive em Goiânia (GO), onde além de estudar, criou a JamboeJambú Produtora, junto com Patrick Mendes.

As atividades foram reiniciadas em meados de julho, através de um aporte aprovado no Edital InspirArte, um programa emergencial de fomento a ações de Arte e Cultura no período de isolamento promovido pela Pró-Reitoria de Extensão do IFG – Instituto Federal de Goiás. Neste novo contexto a proposta foi atualizar o trabalho prático e adaptá-lo para o formato audiovisual. Etapa feita de forma remota pelo artista criador Milton Aires, que contou com as colaborações fundamentais do artista Patrick Mendes, que assumiu a captação e direção de vídeo, e a orientação artística de Tainá Barreto, por meio de encontros virtuais.

O desafio então passou a ser a composição para essa outra linguagem, fenômeno que naturalmente alterou a dramaturgia e as paisagens que passaram a ambientar a cena-memória em Curral de Peixe, avesso da cena-memória. Produção que obedeceu a um ciclo próprio de experiência prática. “Num primeiro momento estudamos o roteiro partindo de uma observação dos espaços da casa e quintal, que se mostraram potentes a ocupação das cenas, seguido de ensaios pontuais e testes de câmera que auxiliaram na reconfiguração do roteiro para a versão audiovisual” comenta Milton.

O passo seguinte foi trabalhar a direção de arte do espaço para atender às necessidades do novo roteiro. A ambientação e adaptação cenográfica para cada acontecimento de modo que os ambientes aludissem as imagens poéticas de um trapiche, ponte, um lago, curral de peixe e quintal de interior, paisagens essenciais que compõem a narrativa construída.

Já na última fase vieram os processos de gravação e edição das imagens capturadas, norteados por elementos da criação de vídeo-dança e videoarte, bem como, da experimentação própria da linguagem audiovisual. “Um momento prazeroso do trabalho e de enorme maturidade também. Percebemos que o encontro da cena presencial com a linguagem do vídeo se deu ali. A adaptação do trabalho reflete nosso contexto, atualiza e traduz o processo de criação enquanto obra audiovisual, transmitindo um último e necessário aprendizado, as possibilidades de um trânsito entre as linguagens na arte contemporânea” comenta Patrick Mendes, um dos realizadores.

FICHA TÉCNICA

Produção: Jambo e Jambú

Coprodução: ACERCA

País, ano, duração: Brasil, 2021, 27'

Com: Milton Aires

Direção: Milton Aires e Patrick Mendes

Orientação artística: Tainá Barreto

Serviço
Curral de Peixe, Avesso da Cena-memória Obra autoficcional de Milton Aires Estreia nesta quinta-feira, 29 de abril e ficará disponível até dia 1 de maio de 2021), no Canal YouTube / jamboejambu. Informações acesse: https://linktr.ee/curraldepeixe

Mais sobre Milton Aires aqui no blog:

Circuito Saravah realiza em maio a 2a temporada

Afoxé Ita Lemi Sinavuru
Foto: Divulgação
O Circuito Saravah chega em formato híbrido (virtual e presencial), de 1º a 9 de maio, trazendo um encontro de multilinguagens artísticas, ocupando diferentes espaços com reflexões e debates a respeito do indivíduo e sua trajetória. Além da programação diversa e inclusiva, o Saravah tem como objetivo compartilhar a vivência de sua produção cultural. 

O empreendedorismo criativo e cultura pulsam no Brasil, e nos atravessam de uma forma única. E é isso que o Circuito Saravah busca compartilhar com o grande público. Ao todo são mais de 30 artistas e empreendedores criativos envolvidos em toda a programação do Circuito Saravah, trazendo a potência da arte e uma grande experiência cultural para o espectador.

Toda a produção do Circuito Saravah foi pensada com o propósito de garantir a segurança e saúde de todos os envolvidos no processo. Por isso, a ação que será realizada de forma presencial na Casa Samaúma, vai contar com todos protocolos, garantindo que artista e espectador possam ter a melhor experiência possível.

Helena Ressoa, Sinara Assunção e 
Anna Suav - Toma Roda de ConversaTua Pisa
Foto: Divulgação
A 1ª Edição do Circuito Saravah foi realizada em 2019, com duração de 3 dias, a programação foi composta por rodas de conversas, shows, exposição e performances, ocupando a galeria Benedito Nunes e terreiros de candomblé na cidade de Belém. 

Nesta edição, o evento contou com a participação de 2 jovens do bairro da Terra Firme, que atuaram como estagiários, recebendo bolsa e participando de todo processo de construção e desenvolvimento do projeto cultural, contribuindo a partir de suas experiências pessoais.

O Circuito Saravah é um Projeto selecionado pelo Edital de Festivais Integrados via Lei Aldir Blanc Pará, contando com o patrocínio de Secult/ Governo do Estado e do Ministério do Turismo / Governo Federal. Apoio do Ôvibe, Treme Filmes, Ôvibe Kitchen, Casa Namata, Casa Igá, Casa Samaúma e Guardô Self Storage. A programação é totalmente gratuita e conta com performances, oficinas, bate-papo, desfile, grafite e shows, que serão compartilhados no Instagram, canal do YouTube da Melé Produções e Via Zoom. 

AGENDA SARAVAH

01.05 – SÁBADO

20h - Show da banda de Afoxé Ita Lemi Sinavuru: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

02.05 – DOMINGO

20h – Bate-papo “Toma Tua Pisa”: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

03.05 – SEGUNDA

10H - Live Paiting com os artistas Douglas Baena e Gabriel Vyctor do Projeto Periferart: instagram.com/meleproducoes

20H - Breve conversa sobre performance com Sâmia Oliveira e Gabriela Luz: instagram.com/meleproducoes 

04.05 – TERÇA-FEIRA

20H - Show do trio Raidol, Malu Guedelha e Thalia Sarmanho, que apresentam o projeto Sol, Lua e Estrela: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

05.05 – QUARTA-FEIRA

14H - Vai ao ar 1ª Pílula do bate-papo “Toma Tua Pisa”: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

16H - Oficina de Escrita Criativa com André Gabeh – Via Zoom

Inscrições: https://bit.ly/3nl1mFX

06.05 – QUINTA-FEIRA

16H - Realização de Performance “Devastidão” de Sâmia Oliveira: Casa Samaúma (Tv. Frutuoso Guimarães, 648 – Campina) e através do instagram.com/meleproducoes

16H - Oficina de Compostagem Doméstica, com Samantha Chaar e Mateus Lima: Via Zoom

Inscrições: https://bit.ly/32RFOax

20H - Show Orí de Flor de Mururé: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

07.05 – SEXTA-FEIRA

14H - Vai ao ar 2ª Pílula do bate-papo “Toma Tua Pisa”: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

16H - Oficina de Realidade Aumentada para artistas já iniciados, com Kambô: Via Zoom

Inscrições: https://bit.ly/3dPUFbO 

08.05 – SÁBADO

16H -Oficina GingaTour com Sabrina Ginga: Via Zoom

Inscrições:  https://bit.ly/3aEK4hT

20H - Show “Sou Mulher Preta”, de Ruth Costa: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

09.05 - DOMINGO

18H - Vai ao ar 3ª Pílula do bate-papo “Toma Tua Pisa”: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

20H – Fashion Show com apresentação da primeira coleção da estilista Bella Pamplona: YouTube da Melé Produções - https://bit.ly/3sTv8Ta

21H - Live com Bella Pamplona e Kazu sobre Fashion Show: instagram.com/meleproducoes 

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)