31.1.19

"Os Pontos e a Vista" é passeio imperdível no MEP

Atualização em 12.02.2019
10 dias após o Corpo de Bombeiros ter interditado o MEP, a exposição Saramago: Os Pontos e a Vista foi reaberta ao público, nesta terça-feira (12), seguindo aberta à visitação até domingo, 17. 

Atualização em 02.02.2019:
Lamentamos informar que a exposição está suspensa. Um laudo do Corpo do Bombeiros atestou risco de desabamento do MEP.
Mais informações: http://bit.ly/2G8SRuD


"Os Pontos e a Vista" é passeio imperdível no MEP

'Nossa, quanta gente encontrei na exposição do Saramago'. É o que tenho ouvido por aí e que também vivenciei quando a visitei, em um domingo. Emoção a mais, sentimos ao ver a montagem que nos remete ao universo do escritor, ele que, como poucos, soube usar da palavra para falar ao coração e despertar a consciência. "Os Pontos e a Vista" segue no MEP até dia 17 de fevereiro. 

O convite é para entrar numa onda sonora de palavras que ecoam pelo ar e são ouvidas ao longo de todo o percurso da exposição, que não é tão longa quanto poderia, mas se demora em média duas ou três horas para ver, ler e ouvir tudo. Sentir. E eu não aconselho nenhuma pressa. 

Entre imagens e sons penetramos na linha da vida e obra de Saramago. De forma lúdica e interativa,  entramos em contato com mobiliários e acessórios originais do escritor, como óculos, lupa e cama, que integram o acervo da Fundação José Saramago.

A palavra, porém, mais que objetos, dão o tom da exposição. Em um mundo cuja ordem é ditada pelo capital, Saramago joga luz sobre a cegueira e nos convida a sair da caverna. Nos faz lembrar que o espírito do Natal  foi tomado pelo mercado. "Pilar, o que devo falar",  pergunta à mulher que o fez viver mais, segundo ele próprio.

Aos poucos a mostra te leva por vários ambientes, com projeções e muitas palavras, que nos remetem à vida, obra e pensamentos do autor. São seis salas do pavimento térreo do MEP,  ocupadas. Em cada uma delas, uma dimensão da vida de Saramago. E é fácil mergulhar neste universo. 

A atmosfera está toda lá. Sua visão sobre a vida e a morte, os lugares por onde passou e o encontro com a jornalista, escritora e tradutora espanhola Pilar Del Río, com quem se casou em 1988. 

O público pode interagir. Colocar um fone e ouvir trechos de falas ou entrevistas, ao olhar para o teto onde abaixo estão vários brinquedos de madeira, e vemos um vídeo em que Saramago fala sobre o Natal, que deveria ser entendido de outra forma, ser todos os dias, o que lhe faz lembrar que foi feliz, pois sempre construiu os próprios brinquedos.

A exposição, com curadoria de Marcello Dantas, é baseada na integração de vários módulos, que trazem textos explicativos e objetos, que se mesclam com a projeção de vídeos de momentos da vida do autor de “Ensaio Sobre a Cegueira”, “O Homem Duplicado”, entre outros livros premiados e que além destes também tenho "A Caverna" e o "Evangelho segundo Jesus Cristo", que nunca emprestei de um amigo e nunca devolvi. Não me julguem.

No espaço destinado à cronobiografia, estão disponíveis livros para consulta, além de fotos e vídeos, entre estes alguns selecionados a partir do acervo de imagens do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, que produziu o filme “José e Pilar”, após anos de convivência com o casal.

O Museu do Estado fica em frente á Praça D. Pedro II, na Cidade Velha - Belém do Pará. Visitação de terça à sexta, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 9h às 13h. Entrada gratuita.

Ser Circular faz um convite para você neste sábado

Dando inicio aos trabalhos deste ano, o Circular Campina Cidade Velha realiza, neste sábado, dia 2 de fevereiro, mais um encontro da ação #SerCircular. Das 8h30 às 12h, no Fórum Landi de Belém, convidando os interessados em conhecer e colaborar com o projeto.

Desde que foi criado, em 2013, o projeto vem realizando edições domingueiras, abrindo espaços culturais com programação aberta ao público. Em 2018, além das circulações também realizou um fórum e foi um dos projetos contemplados com o Prêmio Rodrigo Franco Melo de Andrade, concedido pelo IPHAN em reconhecimento a suas ações voltadas ao patrimônio histórico e cultural de Belém.

Em 2019, o Circular Campina Cidade Velha retoma suas edições em abril deste ano, mas o momento agora é de ampliar a participação popular no projeto e firmar compromissos com a permanência e sustentabilidade de suas ações no centro histórico de Belém. A atividade deste sábado, 2, é aberta aos moradores dos bairros da Cidade Velha, Campina e Reduto, bem como a pessoas interessadas em colaborar.

“Finalizaremos a construção do mapa #SerCircular, cuja compreensão e compartilhamento será fundamental para aprimorarmos as nossas conexões colaborativas, em 2019. Trata-se de um exercício vital para reordenar e potencializar a capilaridade dos fluxos colaborativos”, diz Migue Chikaoka, que coordena a dinâmica e o GT.

Um dos encontros do #SerCircular, em novembro de 2018
Foto: Miguel Chikaoka
Até 2018, foram realizadas 24 edições do Circular, além do Fórum Circular - Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade, no mês de setembro. O projeto, coordenado pela arquiteta e produtora cultural Tamara Saré, vai realizar este ano, além das 5 edições – abril, junho, agosto, outubro e dezembro – o mais um fórum em formato menor e a realização de várias oficinas.

“Para este ano, o projeto obteve parte dos recursos necessários, captados pela Lei Rouanet, aprovados pelo edital de patrocínios do Banco da Amazônia, mas buscamos outros parceiros a fim de viabilizar o formato proposto para este ano, na íntegra”, diz Tamara Saré.

Participe
O Circular Campina Cidade Velha também já começou a receber novas propostas de participação e ações para as circulações de domingo. Quem tiver espaço fixo nos bairros em questão criativo seja de gastronomia e as diversas linguagens artistas, podem enviar um e-mail para circularcampina01@gmail.com. 

Serviço
Encontro #SerCircular. Neste sábado, 2, das 8h30 às 12h, no Fórum Landi - Praça do Carmo - Cidade Velha. Café da manhã e lanches colaborativos.

Amazônia Doc retorna à cena audiovisual de Belém

Foram sete anos de ausênica, mas o 5º Amazônia Doc volta em abril e as inscrições ainda estão abertas, até dia 20 de fevereiro, no site www.amazoniadoc.com.brA  gente faz aqui uma retrospectiva das edições anteriores e bate um papo com a idealizadora do festival, Zienhe Castro.

Lembro perfeitamente. O primeiro Festival Pan Amazônico de Documentários – Amazônia Doc, realizado em 2009, trouxe exibições de longas, médias e curtas metragens, filmes de animação, sobre comunidades, movimentos sociais, costumes e identidades. Já conhecíamos o formato de festival voltado ao documentário, por causa do  É Tudo Verdade, mas o foco, no caso do Amazônia Doc, é o cinema Pan-Amazônico realizado nos países da região: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana e Suriname.

O projeto se espalhou na cidade com sessões no Cine Olympia, Líbero Luxardo, Instituto de Artes do Pará (IAP), Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA), Fundação Curro Velho, Estação das Docas e Cine-teatro Maria Sylvia Nunes.  A programação, inteiramente gratuita. Naquele ano rendeu-se homenagem a Ruschi (1915 – 1986), cientista, agrônomo e naturalista considerado o Patrono da ecologia no Brasil. Ele deu nome ao Grande Prêmio, “Augusto Ruschi”, que consistia na quantia de R$ 15 mil, entregue ao documentário “Mataram Irmã Dorothy”.

Zienhe Castro
Em 2010, a programação trouxe participação do animador gaúcho Otto Guerra, que exibiu Sexo, Orégano e Rock and roll, do teórico, crítico, escritor e cineasta Jean-Claude Bernardet, entre outras celebridades. Na tela, entre outros, vimos também “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, obra experimental dos cineastas Karim Aïnouz (Madame Satã e O Céu de Suely) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus), e Lixo Extraordinário (Waste land), direção de João Jardim (Janela da Alma e Pro dia Nascer Feliz), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker. 

A 3ª edição, em 2011, inscreveu mais de 200 filmes brasileiros e de outros países da pan-Amazônia, sendo que 19 deles foram selecionados, entre longas, médias e curtas metragens. O documentário “Soldados da Borracha”  foi um deles, concorrendo na categoria “Melhor curta documentário”, vencendo no Júri Popular. Foi mais um ano em que o festival se espalhou na cidade, com mostras no Cine Olympia, Cine Líbero Luxardo, Sesc Boulevard e Colégio Ideal.

4a edição foi reduzida e viabilizada dentro da Feira do Livro

Foram três anos de um festival que deixou suas marcas positivas. Não dava para entender a ameaça dele não ser realizado em 2012. E de fato, sem patrocínio, chegou a ser realizado, mas de forma reduzida e dentro da programação da 22ª Feira Pan Amazônica do Livro. 

“Na 4a. edição, já estávamos quase "jogando a toalha" por falta de patrocínio e apoio. Fui então convidada pela SECULT para realizar o Amazônia Doc, dentro da programação da Feira do Livro. O resultado não foi positivo, tivemos muitos entraves, pouquíssimos recursos, tanto na infraestrutura como na programação. No final dessa 4a Edição, avaliamos que não era válido continuar se não pudéssemos garantir a qualidade na curadoria, na exibição e na presença de alguns realizadores”, conta Zienhe, em entrevista ao Holofote Virtual.

A pausa, de sete anos, trouxe reflexão e foi um período em que Zienhe também saiu de Belém. Passou três anos fora estudando, mas sem deixar de produzir. O curta “Promessa em Azul e Branco” foi realizado fora daqui e teve lançamento em 2013. A cineasta retornou a Belém, em 2017 e decidiu tirar o projeto da gaveta e submetê-lo ao edital do MinC para Mostras e Festivais.

“A decisão de retomar o projeto veio em plena harmonia com o sentimento de que precisamos nos apropriar do que significa sermos filhos da Amazônia, então precisamos conversar sobre isso, daí um festival de cinema Pan-Amazônico, com vários países que nos devolve a imagem de nós mesmos, da nossa realidade. Foi uma enorme satisfação , pois acredito na importância do Festival como janela de exibição e debate sobre as problemáticas e potencialidades desse imenso território Amazônico, tendo nós amazônidas como protagonistas dessas questões”, continua.

Documentários e a força política da memória 

Zienhe: set do curta sobre Eneida de Moraes
Um festival de documentário é muito bem vindo, num momento em que vivemos a negação de nossa própria história, a serviço do discurso que tem a intenção de regular e silenciar a memória e muito mais que isso, atingir nossa identidade cultural, étnica e a própria liberdade. 

“Existem forças políticas e interesses econômicos contemporâneos que necessitam reescrever ou apagar a memória coletiva de um país, e a Arte sempre foi e será um poderoso antídoto contra isso, mesmo quando oprimida. 

Menos pelo poder político da arte, que é superestimado, mais pela sua capacidade de fixar memórias. Fazer arte, fazer cinema, fazer documentário, é memória. Histórias são formas elaboradíssimas de memórias. Em especial, o documentário de arquivo é um estudado resgate de memórias, de histórias esquecidas, de personagens, de vidas. Um pais que faz um cinema livremente é um pais que rejuvenesce nas suas memórias. Um governo que quiser apagar memórias tem que controlar o cinema, cercear as artes, essencialmente rebeldes”, diz Zienhe.

A cineasta chama atenção também para outras formas de apagar a memória. “Destruindo lentamente seus registros, suas obras, digo materialmente. O desprezo e descaso com a nossa memória arquivada, nas suas diversas formas, é tratada no Brasil, e tristemente resumida numa imagem que já se tornou icônica: O incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. O fogo não foi apagado, nem nunca será, ironicamente, a memória dele. E vai virar documentário, com certeza”, conclui.

Fora do calendário da cidade todos esses anos, as expectativas para a 5a edição são as melhores, com oficinas, debates e mostras que abordam questões sociopolíticas, socioambientais, e socioculturais da região da Pan Amazônica.  De 16 a 21 de abril, com realização é da Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, com produção da Z Filmes e Instituto de Cultura da Amazônia (Culta).

28.1.19

Montalva Mc lança o videoclipe Máscaras e Ilusões

Montalva MC / Fotos: Carlos Borges
O compositor e músico paraense, Montalva Mc, lança sua mais nova produção, o videoclipe “Máscaras e Ilusões”, produzido e dirigido por estudantes de comunicação social da Universidade da Amazônia - Unama. Neste novo trabalho, Montalva Mc faz um questionamento sobre a realidade social brasileira.  O show de lançamento será no dia 15 de fevereiro, no Municipal.

O show marca o retorno de Montalva aos palcos após um hiato de 4 anos. Com o fim do Coletivo Rádio Cipó em 2012, projeto no qual foi um dos integrantes e que apresentou ao mercado artistas como Dona Onete e Mestre Laurentino, Montalva se questionou sobre o que fazer com suas canções.

Em Dezembro de 2014 fez o pré-lançamento de seu debut álbum “Só eu posso mas não posso sozinho”, na festa de cinco anos do Coletivo Black Soul Samba. Em 2017, o trabalho foi lançado digitalmente pelo selo Ná Music. 

E agora, trazendo combinação de dub jamaicano, bossa, jazz e hip-hop, “Máscaras e Ilusões” torna-se  um dos trabalhos mais completos do artista que iniciou sua carreira na banda Mangabezzo e rodou o mundo com o Coletivo Rádio Cipó. 

No palco, Montalva terá suporte da banda Entidade Selektah, formada pelo Dj e produtor Amadeu(Pro-Efx), Luis Bolla(Percussão), Jarede Almeida(Baixo), Milton Cavalvante e Diego Azevedo(Guitarras), Márcio Monteiro(Projeções mapeadas), além de convidados especiais como a Cantora Ju Matemba e o trumpetista Edvaldo Xaréu.

O show traz ao público músicas do álbum “Só eu posso mas não posso sozinho”, além de novas composições, sustentadas pela fusão de rap, eletrônica, samba, carimbó, dub, funk, jazz, bossa e o recém criado “Sambaton” da música “Pelos Cinco”, fusão de samba com reggaeton dos hermanos da Venezuela e países vizinhos.

Saiba mais sobre o artista

Serviço
Show Máscaras e Ilusões – Montalva Mc. Atrações: Lançamento do single e videoclipe, Dj Pro-EFX, Ju Matemba e Video Mapping. No dia 15 de fevereiro, às 20h, no bar Municipal - Rua Municipalidade 1643 – Umarizal. Venda de ingressos: R$ 20,00, no local ou no Menem Skateboard - Shopping São Brás 2 piso loja 39.

27.1.19

2o Edital Programa Pontes com inscrições abertas

Iniciativa Oi Futuro e British Council, o edital tem foco na internacionalização de festivais artísticos de todo o Brasil. As inscrições ficam abertas até dia 28 de fevereiro, pelo site www.oifuturo.org.br. Na primeira edição, o Programa Pontes contemplou dez festivais de sete estados, entre eles, o Pará.

Produtores de festivais de linguagens variadas podem inscrever suas propostas. A segunda edição do Programa Pontes, edital de fomento a projetos culturais, com foco na internacionalização de festivais artísticos de todo o Brasil, destina R$ 500 mil para dez festivais brasileiros dispostos a receber artistas do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) para residência cocriativa, com oportunidades de conexão e experimentação com criadores brasileiros.

Para se candidatar, o festival deve propor atividades relacionadas a essa residência com amplo alcance e benefícios mútuos para artistas britânicos e a plateia local. O produtor cultural não precisa estar inscrito em leis de incentivo à cultura, já que o programa é realizado com financiamento direto das duas instituições, podendo inclusive beneficiar projetos de estados que não são contemplados por essas leis.

As residências devem durar no mínimo duas semanas e resultar necessariamente em trabalhos artísticos originais e abertos ao público. A lista de referência de criadores britânicos pode ser acessada no site do British Council Brasil (www.britishcouncil.org.br ).

“O Oi Futuro acredita na potência dos festivais para fortalecer o diálogo entre artistas, formar novos públicos e renovar a vida nas cidades. Com esta segunda edição do Programa Pontes, ampliamos nossa rede e consolidamos nossa atuação no estímulo a conexões”, afirma Roberto Guimarães, gerente executivo de Cultura do Oi Futuro.

"Estamos felizes com a continuidade do Pontes, que se mostrou um programa estratégico e relevante à sustentabilidade dos festivais, bem como de apoio ao aprofundamento de parcerias internacionais duradouras com o setor artístico local”, diz Cristina Becker, gestora de Artes do British Council .

Na primeira edição do programa, em 2018, dez projetos de sete estados brasileiros foram contemplados e receberam aporte financeiro para incluir residências de criadores britânicos em suas programações e promover o intercâmbio cultural, contribuindo para a formação de redes internacionais nas artes e troca de experiências. Cerca de 300 artistas brasileiros e público de mais de 35 mil pessoas foram impactadas pelas atividades promovidas por meio do Programa Pontes. 

Entre contemplados da primeira edição estão os festivais Serasgum (PA), Bienal de Dança do Ceará (CE), Porto Alegre em Cena (RS), Festival Transarte (RJ). O programa viabilizou a realização de workshops com artistas locais, palestras em universidades, criação de novas obras e espetáculos, entre outros.

Iniciativa inédita

O Programa Pontes é fruto de uma parceria inédita entre Oi Futuro e British Council, com o objetivo de oferecer novas alternativas de fomento aos festivais brasileiros e de promover a produção artística do Reino Unido no Brasil. Partindo de um modelo inovador baseado na colaboração institucional, o programa une a expertise do Oi Futuro na gestão de editais de seleção de projetos culturais e a experiência do British Council na formação de redes internacionais de artistas e especialistas. Os festivais foram escolhidos para o benefício por serem importantes veículos de acesso à cultura e de estímulo à economia criativa local.

(Informações enviadas pela assessoria de imprensa Oi Futuro)

24.1.19

Felipe Cruz lança livro autobiográfico em Belém

"Você nunca fez nada errado" é um misto de autobiografia, ensaio e crônica, e traz ao público o relato de um período muito específico da vida de Felipe, a partir da descoberta do HIV em seu sangue. O lançamento é hoje (24) , a partir das 19h, no Núcleo de Conexões Na Figueredo. Às 20h, o autor bate um papo com o público, mediado pela antropóloga e crítica literária Camille Castelo Branco.

Felipe Cruz vem construindo uma sólida produção como poeta, tendo ganhado o Prêmio Max Martins de 2014, organizado pela Fundação Cultural do Pará, com o seu livro de poesia Acúmulo (2016). Em janeiro de 2019 o autor terá o seu primeiro trabalho em prosa publicado, pela Monomito Editorial. 

O livro é híbrido, onde o autor passeia com naturalidade e fluidez pelos mais diversos gêneros literários, do relato ao ensaio, da crônica à autobiografia, construindo uma prosa potente, com as melhores características de um grande romancista, para narrar parte de sua vida a partir da descoberta do HIV em seu sangue.

As consequências dessa descoberta nas relações de Felipe com os amigos, com a família e, antes de tudo, consigo mesmo são o eixo que nos guia pelas memórias, digressões e anseios do autor, construídos com uma linguagem rica e expressiva, que possibilita ao leitor a imersão em um texto que ao mesmo passo que se apresenta tão íntimo, torna-se universal pela sinceridade com a qual Felipe nos fala de seus medos, dúvidas e aflições, mas também seus afetos e esperanças.

Você nunca fez nada errado, como toda boa literatura, não é uma obra panfletária. É, antes de tudo, fruto de uma necessidade de expressão do autor perante os caminhos pelos quais sua própria narrativa enveredou-se, trazendo até os leitores uma perspectiva ainda pouco explorada na literatura: a subjetividade de alguém vivendo com o HIV.

Felipe Cruz, nascido em Belém e criado em Macapá, é professor e escritor. Autor dos livros de poesia Acúmulo (2016) e Os cegos dormem (2018), também desenvolve trabalhos nas áreas da fotografia e do audiovisual. Você nunca fez nada errado é seu primeiro livro de prosa.

Relato do autor

“Quando soube que fui infectado pelo HIV, há alguns anos, a última coisa que eu esperava fazer era escrever um livro a respeito. No entanto, aí está ele: com editora, capa, prefácio e posfácio, mês de lançamento previsto e palavras. 

Quais palavras? As que silenciei, até quase morrer entalado. As que falam da solidão e do medo que vivi por tanto tempo. Do breu em que minha vida se fechou por dias e dias. Dias que eu imaginava sem fim – como era aterradora aquela infinitude. 

Ainda que provocado pelo meu diagnóstico positivo para o HIV, este livro é sobre muitas outras coisas: sobre a aniquilação dos que são considerados elementos de perturbação; sobre o medo de perder o amor dos outros, aceitando, amedrontado, perder a si mesmo; sobre a lenta compreensão de que minha vida, essa, insubstituível, era de fato minha. Minha, como nunca nada mais poderá ser.
Este livro é o caminho que percorro todos os dias tentando encontrar alguma paz. Algum perdão. 

Perdão para mim – eu, que nunca fiz nada errado.
Que sempre erro.
Apesar do tom grave, o que quero deixar claro é que eu amo a vida – é tão bonita, mal consigo acreditar que quase desisti.
A vida é muito bonita.”

Serviço
Lançamento e bate-papo sobre o livro Você nunca fez nada errado, de Felipe Cruz. Nesta quinta-feira, 24, das  19h às 22h, no Núcleo de Conexões Na Figueredo - Av. Gentil Bittencourt, 449, próximo a Benjamin.

22.1.19

Festival Fartura expande programação com oficina

É que além das atrações gastronômicas e musicais na Estação das Docas, o Festival Fartura - Comidas do Brasil realiza também neste sábado, 26, a oficina "A Música da Natureza e a Natureza da Música", com o compositor violonista Albery Albuquerque. Das 10h às 12h, no Núcleo de Conexões Na Figueredo, 

A oficina abordará Gêneros Musicais criados pelo compositor Albery Albuquerque, a partir da linguagem decodificada da vocalização de animais, fruto de sua pesquisa de mais de três décadas sobre as vocalizações de diversas espécies de animais, principalmente pássaros, transformando-as em obras da nossa música instrumental da Amazônia.

Albery Albuquerque nasceu em Belém, no ano de 1956. Estudou violão com Mário Ribeiro, no Serviço de Atividades Musicais da UFPA (SAM), onde teve contato com a técnica e o repertório tradicional violonístico. É também graduado em Licenciatura Plena com Habilitação em Música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). 

Em sua discografia possui lançados, o álbum duplo Amazônia Verde Fauna - CD 1, onde estão os Códigos do Sabiá de Belém, com 21 faixas didáticas sobre o sistema composicional e mais sete músicas, e o Timbres da Natureza Amazônica II – Fonte de Clavenários – CD 2, com dezoito faixas musicais, gravadas pela NA Music.

Serviço
Festival Fartura Belém - 26 e 27 de janeiro, com mais 60 atrações gastronômicas e 15 apresentações culturais, entre shows e intervenções cênicas, na Estação das Docas, do meio dia às 20h. Ingresso: https://www.sympla.com.br/fartura - R$ 20,00 (Inteira) R$ 10,00 (Meia). As inscrições para a oficina com Albery Albuquqerque são gratuitas. Interessados podem mandar nome, RG e CPF para o e-mail: renat.almeida@farturabrasil.com.br

Mais informações:
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Fartura Belém traz gastronomia com arte e música

A Plataforma Fartura – Comidas do Brasil abre o ano de 2019 em um dos destinos gastronômicos mais requisitados do país: Belém. Nos dias 26 e 27 de janeiro, acontece na capital paraense o Festival Fartura – Comidas do Brasil Belém, na Estação das Docas, um dos pontos turísticos da cidade. Participam do evento mais de 60 atrações gastronômicas e 15 apresentações culturais, entre shows e intervenções cênicas. 

Além da música, os visitantes terão a oportunidade de experimentar pratos, aprender com aulas teóricas e interativas, participar de cozinhas ao vivo e levar produtos e ingredientes para casa. Entre os convidados, chefs e personalidades gastronômicas de todas as regiões do Brasil. Haverá também um espaço Infantil, com comidinhas e guloseimas que as crianças adoram, em estandes lúdicos. As aulas do espaço Cozinha ao Vivo, onde os chefs preparam os pratos na hora, contando todos os segredos que dão o toque especial à receita.

Quem busca aprendizado também terá opções no espaço Conhecimento, onde os estudiosos da gastronomia compartilham suas histórias com o público. Por fim, no espaço Interativo, onde as pessoas podem aprender e fazer as mais diversas receitas, o público vai colocar a mão na massa com vários chefs.

A programação cultural e musical traz 15 atrações artísticas que vão do popular ao contemporâneo no cenário cultural paraense, além da oficina "A Música da Natureza e a Natureza da Música", com o compositor violonista Albery Albuquerque. Ele compartilhará com os participantes sua pesquisa de mais de três décadas dedicadas ao estudo as vocalizações de diversas espécies de animais, principalmente pássaros da Amazônia, transformando-as em obras da nossa música instrumental da Amazônia.

Albery Albuquerque ministra workshop / Foto Divulgação
No sábado, 26, das 10h às 12h, a oficina será realizada no Núcleo de Conexões Na Figueredo. Interessados podem mandar nome, RG e CPF para o e-mail: renat.almeida@farturabrasil.com.br

Já no palco musical, na Estação das Docas, a partir do meio dia, tem Trio Chamote, grupo que envereda pela cultura amazônica, com projetos pioneiros sobre instrumentos e ritmos regionais. Tem também MG Calibri com seu jazz amazônico. E ainda a banda Loxodonta Groove, que leva para o palco um pouco de “funk jazz”. A apresentação se baseia no funk e no soul norte-americanos, aliados a sotaques latinos, como brega e carimbó. 

O último show do sábado, 26, é o do violoncelista italiano Federico Puppi e do percussionista baiano Marco Lobo, que se reúnem no novo projeto Yamí Music. A união entre violoncelo e percussão, associada a performances com live eletronics, tem como convidado o cantor Castello Branco, nova promessa da MPB e parceiro do Fartura pelo Brasil.

Domingo traz música e outras linguagens

Guitarrada das Manas / Foto Divulgação
O dia começa com o som do Mercado do Choro e segue com Guitarrada das Manas, mas a programação do domingo, 27, também abre espaço para o folclore, com o Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho, da ilha de Marajó, que irá apresentar danças e lendas populares. A noite de domingo termina com o show do guitarrista e produtor Pio Lobato (Boanerges Nunes Lobato Jr.), um dos principais arautos da “guitarrada” no cenário nacional desde os anos 1990, com trabalhos de experimentação pop e releitura musical brasileiros.

Participação das DJs Ananindeusa e Luiza Lux, ambas de Belém, que tomam conta das pick-ups durante os intervalos dos shows. Ananindeusa toca músicas majoritariamente femininas e negras pra curtir e dançar. Já Luiza Lux, a Lux, produtora cultural e DJ em diversas festas de Belém, tem sets que misturam música brasileira, rock, pop e indie.

Paralelamente, o festival ainda terá um núcleo de artes cênicas, com o palhaço Sonho (Cleber Cajun) que brinca e conta histórias para divertir crianças e famílias, e Ester Sá, que valoriza a cultura popular e a oralidade. A brincadeira interativa termina com o grupo Percussão da Terra, que utiliza materiais descartáveis – garrafas pets, garrafões de água, PVC e caixotes de madeira – para montar instrumentos como tambores, chocalhos, caxixi, reco-reco, caixas de marabaixo e agogôs.

Programação

Sábado, 26 de janeiro
12h – DJ Ananindeusa
14h – Trio Chamote
15h – DJ Ananindeusa
16h – MG Calibri                              
17h – DJ Luiza Lux
18h – Loxodonta Groove
19h – DJ Luiza Lux
20h – Projeto Yamí Music convida Castello Branco
21h – DJ Luiza Lux

Domingo, 27 de janeiro
12h – DJ Luiza Lux
13h – Mercado do Choro
14h – DJ Ananindeusa
15h – Guitarrada das Manas
16h – DJ Ananindeusa                      
17h – Grupo de Tradições Marajoara Cruzeirinho
18h – DJ Ananindeusa
19h – Pio Lobato                  

Programação de artes cênicas

Sábado, 26 de janeiro
14h e 15h – Palhaço Sonho (Cleber Cajun)
16h – Contação de Histórias com Ester Sá
17h – Grupo Sustentável Percussão da Terra

Domingo, 27 de janeiro
13h – Palhaço Sonho - Cleber Cajun
14h e 15h – Contação de Histórias com Ester Sá

Dona Nena, das Filhas do Combú / Foto Divulgação
O Festival Fartura é realizado pela Plataforma Fartura – Comidas do Brasil, que percorre todo o território nacional por meio da Expedição Fartura, viagens de pesquisa gastronômica que mapeia personagens, produtores, cozinheiros, chefs, receitas, produtos e ingredientes. 

O conteúdo dela é disponibilizado na web por meio do site e das redes sociais, além da publicação de livros e filmes. As expedições também são a base para os festivais, que conectam a cadeia gastronômica, da origem ao prato. Em 2019, os Festivais acontecem também em Porto Alegre, São Paulo, Tiradentes, Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília e Lisboa.

Serviço
Festival Fartura – Comidas do Brasil Belém
Dias 26 e 27 de janeiro
No sábado, das 12h às 22h | domingo, das 12h às 20h.
Local: Estação das Docas (Avenida Boulevard Castilho, s/n - Campina, Belém – PA)
Ingressos: https://www.sympla.com.br/fartura
R$ 20,00 (Inteira) R$ 10,00 (Meia).

Mais informações:
farturabrasil.com.br
facebook.com\farturabrasil
instagram.com\farturabrasil

21.1.19

Amazônia Tan Tan grava compositores do Salgado

Almirzinho Gabriel
O estúdio itinerante idealizado e produzido por Almirzinho Gabrial pesquisou, interagiu e gravou com músicos compositores que vivem na zona do Salgado paraense. O resultado está no DVD homônimo que será apresentado o público, em meio a um coquetel e um bate papo, nesta quinta-feira, 24, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard. O evento marca também o lançamento do site oficial do projeto (amazoniatantan.com.br), onde será possível acessar o material. A entrada é gratuita e há 80 vagas no local. 

“Interagimos musicalmente com os mestres locais com a ideia de tocarmos juntos, construindo novos arranjos e texturas. O produto cultural que lançamos agora disponibiliza ao público todo o material captado no interior com músicas tradicionais e saberes da região em mini documentários e clipes. A música é o fio condutor do trabalho, mas junto a ela aparecem a dança, a poesia e os costumes locais”, explica Almirzinho Gabriel, idealizador do projeto.

“O Salgado paraense é riquíssimo, tem grandes compositores, mas muitos ainda são desconhecidos. É o verdadeiro berço musical de sucessos paraenses”, continua Almirzinho Gabriel. Também músico e compositor, ele possui discos gravados como “Tribos Submarinas” (1983), “Na Boca do Peixe” (1992) e “Tzandai Vida Boa” (2008). E trabalhos instrumentais inéditos, como o “Tintió”, com repertório autoral de chorinhos; e “Num Guita”, disco de guitarradas gravado com o Trio Manari.

O projeto foi selecionado pelo edital Natura Musical 2016 com apoio da Lei Semear. “Acreditamos na força do Natura Musical para conectar pessoas, valorizar a criatividade brasileira e revelar a diversidade de cada região do país”, diz Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura. “O programa já circulou por 22 estados, apostando em talentos locais. No Pará, por exemplo, o edital já ofereceu recursos para 48 projetos da música, como Aíla, Felipe Cordeiro, Luê, Arthur Nogueira, Strobo Sammliz e Lia Sophia”, complementa. 

Uma roda de bate papo com os compositores

Antonio Rabequeiro
A programação de lançamento conta com a participação do idealizador do projeto, o músico e compositor Almirzinho Gabriel, além dos mestres, músicos e compositores que participaram das gravações. O público terá chance de conversar diretamente com eles para entender como foi o processo o resultado dessa experiência, além de conferir os vídeos, que também estão disponíveis no site oficial.

À procura de mestres da cultura popular, Almirzinho encontrou com Lázaro, carpinteiro e compositor, na Vila dos Pescadores em Ajuruteua, um grande contador de histórias e improvisador. Começou a compor aos 14 anos, mas não toca nenhum instrumento, faz a música da cabeça. 

Também conversou e gravou com o Antônio Rabequeiro, músico auto didata, que aprendeu a tocar rabeca ainda criança, sob luz de lamparina. Atualmente ele é um dos mais requisitados rabequeiros da região, particpando de várias Marujadas, como Vila Fátima, Primavera, São Joao de Pirabas, Quatipuru, Boa Vista, e ajuda na de Bragança. 

Alex Ribeiro
Alex Ribeiro, de Capanema, é o mais novo da turma. Jornalista e historiador, vive em Bragança. Traz como principais influências Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Elvis Presley, Jackson do Pandeiro e Roberto Carlos. O artista também se inspira no realismo fantástico de Gabriel Garcia Marques, na poesia de Fernando Pessoa e Leminski, entre outros.

E também gravou com Tatu, nascido no Amapá, mas veio estudar em Belém e acabou indo parar em Bragança, onde mora até hoje e é reconhecido como um exímio tocador de cavaco. Outro compositor encontrado pelo estúdio, foi Veloz, comandante de barco de pesca, nascido na Vila do Araí, a 50 km de Augusto Correia, ou Urumajó, e que recebeu este apelido pela agilidade com que navega e pesca.

O projeto apresenta ainda Ticó, um dos mestres do grupo “Quentes da Madrugada”, o principal grupo de Santarém Novo, município que mantém uma tradição secular de carimbó na região. Também do carimbó, o projeto traz Ladainha, pescador de Cafezal, que além de um excelente tocador de maracas, também é artesão e confecciona o próprio instrumento. 

Tatu
As últimas gravações foram realizadas com Kzam, responsável por manter na ativa uma das manifestações mais antigas e populares da comunidade de Santarém Novo, a brincadeira dos “Pretinhos". Organizada desde o início do século passado, tem como característica particular a relação com a cultura dos negros que foram trazidos para a região como escravos.

O projeto teve direção de fotografia de Renato Chalu da Jambu Filmes, coordenação de produção de Fagner Yanomani, criação gráfica de Bina Jares e Filipe Almeida, edições de video de San Marcelo e Eduardo Costa, edições de audio de Thiago Albuquerque e participação dos músicos convidados.

Serviço
Lançamento “Amazônia Tan Tan” no Centro Cultural Sesc Boulevard
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard – Av. Blvd. Castilhos França, 522/523, Campina, Belém – PA 
Data: 24 de janeiro, quinta-feira
Horário do show: 19h
Ingressos: Entrada franca
Capacidade: 80 lugares
Classificação Indicativa: Livre

Sobre Natura Musical

Kzan , de Santarém Novo, e Almirzinho Gabriel
Natura Musical é a principal plataforma de patrocínio da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu R$ 132 milhões no patrocínio de 418 projetos - entre CDs, DVDs, shows, livros, acervos digitais e filmes. O último edital do programa neste ano selecionou 50 projetos em todo o Brasil, entre artistas, bandas e coletivos.

Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do país e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais. A plataforma digital do programa leva conteúdo inédito sobre música e comportamento para mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente para a rica e pulsante produção musical brasileira.

Mais informações:
91 98134.7719

16.1.19

Vida é Sonho para ouvir digital e no Sesc Boulevard

Fotos: Rogério Folha
Você acha que já viu este show e não está enganado. "Vida é Sonho" já foi apresentado outras vezes em Belém, mas nunca como você vai ver nesta quinta-feira, 17, quando o cantor e compositor Renato Torres o lança nas plataformas digitais, pela manhã e, às 19h, ao vivo, no Centro Cultural Sesc Boulevard. 

O lançamento conta com a participação de vários artistas colaboradores do projeto, que nasceu da necessidade de fazer escoar uma parte da volumosa produção do músico, mas que acabou gerando e realizando muitos outros sonhos. Gravado entre 2015 e 2018, o disco traz camadas instrumentais na percussão de João Paulo Pires, os baixos de Rubens Stanislaw, os pianos de Rodrigo Ferreira, os bandolins de Diego Xavier, além dos violões de Renato Torres, vozes, participações. 

São 10 parcerias diferentes de três gerações da música paraense, em 12 canções. Da velha guarda, há parcerias com Ronaldo Silva, Jorge Andrade e Edir Gaya. Da geração do compositor, parcerias com Valéria Fagundes, Henry Burnett, Paulo Vieira e Dionelpho Jr. E ainda da novíssima geração, como a mineira Alice Belém e Daiane Gasparetto.

O show de lançamento vai contar com a participação de alguns deles. O palco terá Armando de Mendonça, Camila Honda, Carol Magno, Dionelpho Jr, Jade Guilhon, Valéria Fagundes e Daiane Gasparetto, todos acompanhados pela “Banda do Sonho”, com João Paulo Pires (percussão), Rubens Stanislaw (baixo), Diego Xavier (bandolim, percussão e vocais) e Rodrigo Ferreira (teclado). 

É o primeiro disco solo autoral de Renato Torres, que iniciou o projeto em 2012, incentivado por amigos como o violonista e compositor Henry Burnett e a cantora e instrumentista Iva Rothe. “Eles diziam que eu devia mexer nesse volume de composições que tenho”, diz Renato que na época estava atuante com o Clepsidra, banda autoral, com pegada do rock e do experimental. “Muita coisa que eu compunha e que tinha outra via, outra cara, eu decidi trabalhar e dar um formato, tendo o violão em seu papel primordial nos arranjos centrais”, comenta Renato Torres.

O músico bateu um papo com o blog. Falou das inúmeras tentativas de financiamento para a gravação do disco e de como as dificuldades o levaram a criar o Guamundo, seu home stúdio, onde já foram gravados trabalhos de outros artistas, como Sonia Nascimento, Les Rita Pavone, Henry Burnett e mais recentemente o novo disco de Lucas Guimarães e o primeiro de Edir Gaya.  Inquieto como já dissemos outra vez aqui, enquanto gravava Vida é Sonho, ele também lançou um livro de poemas, o Perifeeéico (Ed. Verve, 2014).

Holofote Virtual: É intenso e longo o percurso do Vida é Sonho. Foram várias tentativas de financiamento por lei de incentivo e programas de editais. Quando e como você realmente decidiu gravar em sua própria casa?

Renato Torres: Foi um processo longo mesmo, vai fazer sete anos em abril. Depois de decidir apostar no trabalho solo fiz shows e escrevi o projeto do disco na Lei Semear. Consegui a carta durante dois anos, mas não consegui captar. Em 2013 tentei o Natura Musical,mas também não consegui, ao que parece o orçamento ficou alto.

Não consegui e entrei em crise, desacreditando e achando que meu trabalho não tinha interesse. Foi um par de semanas assim até que resolvi me erguer. Olhei para o lado, vi que tinha equipamentos ali e disse, quer saber, eu vou gravar esse disco, eu sei fazer isso. Comecei a gravar, subi algumas para a internet e as pessoas ouviram e começaram a perguntar onde eu estava gravando. Era em casa e foi como nasceu o Guamundo, pois gravei vários artistas dessa mesma cena independente. 

Em 2014 eu também lancei meu livro de poemas o Perifeérico, que é também um filhote do Vida é Sonho. Também tentei financiamento coletivo, fui fazendo pequenas apresentações, a última em 2017, já falando em financiamento afetivo e assim lancei um ‘promo’ com três canções. No final de 2018 é que realmente fechamos o disco.

Holofote Virtual: Houve outras dificuldades, além do quesito financiamento?

Renato Torres: Diversos altos e baixos, participações cotadas que tiveram de ser substituídas (Dulci Cunha não pôde gravar flauta transversal em "Manhã de Janeiro", e foi substituída por Jade), outras que surgiram ao longo do processo (decidi chamar Camila e Carol pra gravar depois de suas últimas participações no "Vida é Sonho" em palco).

Os vocais do álbum seriam feitos pelo Diego, mas por questões de agenda, eu mesmo acabei gravando todos. Por conta de ser uma autoprodução onde estou envolvido em todas as fases do processo diretamente (compus, toquei, cantei, arranjei, dirigi, mixei e masterizei), o processo precisou necessariamente dessa oxigenação de tempo, pra que eu pudesse compreendê-lo e levá-lo a cabo até o fim. O Rodrigo Ferreira, a Carol Magno, e os meninos da banda de uma maneira geral auxiliaram no processo dando opiniões, e me ajudando a ouvir o disco sob diferentes perspectivas.

Holofote Virtual: Nossa, uma saga e tanto. E como ficou o repertório do disco, do que fala esse trabalho?

Renato Torres: O conceito e o repertório são os mesmos desde o inicio. Mudaram poucas musicas, teve apenas uma do primeiro repertório que saiu, mas o disco versa sobre a necessidade que temos da arte no cotidiano, para transformar, a dureza do dia a dia, em sonho, magia e encantamento, e que promove encontro. É a canção funcionando como esse vetor que possibilita a gente viajar nessa máquina do tempo, que leva a gente para texturas, ambientes e memórias, nessa função imprescindível da poesia, ainda mais agora nesse tempo escroto de muitos absurdos acontecendo no país. O disco representa a necessidade que temos de afirmar esse lugar de encontro e celebração.

Holofote Virtual: E como vocês pretendem transpor essa atmosfera do disco, na apresentação ao vivo?

Renato Torres: No espetáculo ao vivo apresentamos a dissolução da barreira entre artistas e público. Acontece nessa figura do Brincante, que é um alter ego que eu visto e que sou eu mesmo, e que chamo de Renato Torres Superlativo, o eu lírico que vai para o palco, dialogando com a performance dos artistas convidados e com a plateia. O show tem poesia, canção e muita performance.

Holofote Virtual: O que caracteriza o álbum em seu conjunto estético musical?

Renato Torres: O álbum dialoga essencialmente com a tradição acústica da música popular brasileira, construída em torno do violão de cordas de nylon como instrumento preferencial dos compositores do cancioneiro popular.  A ele se aliam os timbres do piano (evocando a música clássica), bandolim (de origem lusa), baixo elétrico (oriundo da música pop norte-americana) e a percussão (que estão na base cultural formativa da música brasileira).  

Outro traço determinante do álbum são os arranjos vocais, que se referendam nas atmosferas da música mineira, latino-americana e gitana. Por fim, as canções valorizam especialmente a palavra, por serem as letras poemas musicados, ou seja, as palavras vieram antes das melodias, ou no mínimo simultaneamente.

Holofote Virtual: De alguma forma, o álbum traz em sua essência também a musica amazônica?

Renato Torres: Em "Vida é Sonho" eu afirmo como em nenhum trabalho anterior uma estética musical que se embebe de texturas e determinados ritmos amazônicos que considero fundantes, como o boi bumbá, por exemplo, que já se apresenta na canção de abertura "Eu que não sei de nada".  Essa canção, aliás, determina de cara o universo poético da canção popular e do artista popular onde o trabalho todo se apoia. Evidentemente, não faço concessões a nenhuma emulação gratuita de nenhuma expressão dita "típica", ou explicitamente "folclórica", pelo fato simples de eu ser um compositor e músico da Belém urbana. 

O trabalho, desta forma, traz todo o meu referencial da música brasileira, com todo seu arrojo e apuro musical (confirmado pela competência dos instrumentistas que gravaram este trabalho comigo), entregando as sutilezas e belezas da música amazônica, expressas especialmente pela percussão. Em última análise, como venho dizendo há anos em entrevistas, minha música é paraense e amazônica, mas não se compromete em ser nem ufanista, nem em deitar-se confortavelmente em nenhum lugar-comum. Estou comprometido com minha visão artística, e creio que "Vida é Sonho" expressa bem isso.

Holofote Virtual: Foram sete anos para conseguir chegar ao disco físico, que aliás ainda chegará em mãos, não é isso?

Renato Torres: O disco sairá pelo selo Na Music. Era pra estar aqui, mas quando enviamos já beirava final de ano e teve recesso, enfim, atrasou. Quando chegar devemos fazer um novo show, provavelmente no Núcleo de Conexões Na Figueredo. Nesta quinta-feira, porém, já vamos acordar ouvindo tudo no Spotfy, Deezer, Apple Music.

Obra inédita sobre migração portuguesa no Pará

O historiador Antonio Valente Guimarães e sua obra 
‘De Chegadas e Partidas: migrações portuguesas no Pará (1800-1850)’ estuda as dinâmicas migratórias portuguesas para o estado do Pará entre os anos de 1800 a 1850, os deslocamentos, as redes e trajetórias pessoais e familiares dos migrantes. O livro, do historiador Antônio Valente Guimarães, será lançado nesta sexta-feira, 18, no Cabana Clube, em Barcarena. 

O período escolhido pelo autor é marcado por acontecimentos que envolveram o processo de independência, a adesão do Pará e a Cabanagem, movimentos políticos marcados fortemente pelo antilusitanismo. Para o professor Lenon, como é conhecido em Barcarena (PA), o lançamento na Vila dos Cabanos, é uma grande oportunidade para conversar com professores, estudantes, moradores, que também chegaram ao Pará no processo migratório. 

A história das migrações pelo mundo revela personagens incríveis, exemplos inspiradores de vida que carregam lições. É o caso do português Fortunato Alves de Souza que migrou para o Brasil nos anos 1830. Ele se estabeleceu no Pará, onde adquiriu imóveis nas cidades de Belém e Barcarena. Não foi fácil iniciar a vida em terra estrangeira, mas o migrante que chegou aqui pobre voltou rico para Portugal.

Fortunado é uma das figuras centrais da obra, que está dividida em quatro capítulos e tem um farto documentário histórico. A pesquisa foca na questão da migração de portugueses que fugiram de pressões políticas ou da pobreza e encontraram vida nova em Belém e Barcarena em um período de crescimento na região. Mas a época estudada (1800-1850) é marcada por conflitos no Pará, sendo o principal deles a Cabanagem, movimento popular que toma o poder no estado, por meio da luta armada.
Em meio aos fatos políticos, econômicos e sociais da época, os migrantes portugueses exercem um papel importante no estado. Fortunado, por exemplo, participou na capital da fundação da Associação Comercial do Pará e do Grêmio Literário Português. O Professor Leno fez um levantamento de mais de 1300 nomes de lusitanos que chegaram por aqui nessa época.

“Estudar migração é procurar entender essas lógicas que mobilizam os indivíduos ao logo do tempo”, explicou o pesquisador. “No caso da minha tese, é mostrar uma série de indivíduos portugueses em busca de fazer fortuna e viver outras experiências”, completou Leno, ao dizer também que o livro aborda um tema contemporâneo e conta histórias de sucesso e de fracasso.
  
Filho de Barcarena, o autor se dedicou intensamente a conhecer melhor a vida do homem que herdou propriedades no estado como o antigo Casarão do Cafezal, que foi demolido no município. “Talvez ele seja esse indivíduo que conseguiu realizar o sonho do migrante: fazer sucesso, carreira e fama em dois países”, finalizou Leno. Fortunato “foi um indivíduo que teve uma vida longa e deixou rastros”.

Serviço
Lançamento do livro De Chegadas e Partidas – migrações portuguesas no Pará. Nesta sexta-feira, 18, às 20h, na Sala Vip do Cabana Club – Vila dos Cabanos – Barcarena. O preço do livro custa R$ 60,00.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa da prefeitura de Barcarena - Márcia Ferreira e Evandro Santos)

Os diálogos para uma política cultural de Estado


A nova cara da Secult (foto da página de Úrsula Vidal)
No final da semana passada, a nova secretária de cultura do Estado, Úrsula Vidal, anunciou em sua equipe nomes que trazem em seu histórico a luta por políticas culturais de Estado. Alguns têm atuação artística na capital, na cena nacional e  experiências em projetos artísticos e ações em outros municípios. Outros já atuaram em gestões públicas de outros governos.

É o caso do ator, escritor e autor Adriano Barroso, um dos mais ativos críticos a gestão de Paulo Chaves. Ele assume pela primeira vez um cargo público, ao contrário do artista plástico Armando Sobral, que já atuou na extinta Fundação Curro Velho, em gestão do PSDB, entre 2001 e 2006, e dos músicos Allan Carvalho, que esteve na Secult na gestão não tão bem sucedida do PT, e Junior Soares, que estava no quadro de gestores do PSDB, na Fundação Cultural do Pará, nos governos do Jatene.

Ainda da área das artes plásticas, está Emanuel Franco, que traz experiência da gestão privada, de quando dirigiu a Galeria de Arte da Universidade da Amazônia, a Unama. Do audiovisual, está o cineasta Januário Guedes, e o produtor, diretor e militante do áudio visual Afonso Gallindo, que sempre foi um grande articulador desta cena. Da produção criativa, temos as militantes da cultura Tainah Jorge e Lorena Saavedra, mas ainda faltam nomeações, assim como há outros nomes confirmados como Joyce Cursino e Márcia Carvalho, jornalistas, e José Maria Zehma Reis, que traz sua experiência na cultura popular, o cantor lírico Daniel Araújo, e o produtor Sérgio Oliveira. Confiram todos os nomes e suas funções no site da Secult.

Depois da euforia causada nas redes sociais, com a apresentação dessa equipe, e dos eventos festivos da Cabanagem, no dia 7, e do aniversário de Belém, em seus 403 anos, no sábado, 12 de janeiro, a ação mais esperada  e aguardada pelo público de artistas e produtores foi tomada pela secretaria. Nesta terça-feira, 15, Úrsula Vidal e equipe, em uma ação conjunta realizada pelas redes sociais, convocaram um encontro os fazedores de cultura, para ouvir as categorias e anunciar suas novidades.

O convite está feito para esta sexta-feira, dia 18/01/19, às 18h, no Teatro Gasômetro, localizado no Parque da Residência. O próximo passo talvez seja ir aos municípios, uma vez que a gestão deve se intensificar também nas demais cidades paraenses, evitando a concentração da ações apenas na capital, uma reivindicações que já está sendo feita também pelas redes sociais. Por enquanto, quem estiver fora de Belém, poderá acompanhar pelas redes sociais, pois haverá transmissão pela página da secretaria no facebook.

Definições e espera de outras nomeações na área cultural

Monumento da Cabanagem: ação imediata de recuperação
Ainda há área ligadas à cultura indefinidas, mas em notícia divulgada nesta manhã pelos veículos de imprensa da família Barbalho, está confirmada na Fundação Carlos Gomes, a volta da professora Glória Caputo, após 22 dois anos de uma gestão que foi uma das mais elogiadas e que abraçava ações em todos o estado.

Para a Funtlepa, a Cultura Rede de Comunicação, até ontem sem nenhuma chefia, parece que também já foram nomeados dirigentes, segundo postagem desta manhã, do radialista Fabrício Rocha, funcionário da rádio cultura. De acordo com ele, assumem a presidência, Hibert Nacimento (Binho Dilon), a direção da rádio, Nonato Cavalcante, e Vanessa Vasconcelos, a direção da TV.

Helder Barbalho ainda divulgou nomes para a Fundação Cultural do Pará, responsável pela gestão da  Lei de renúncia fiscal, Lei Semear, e os incentivos diretos da micropolítica dos Editais SEIVA, implementados na gestão de Dina Oliveira.  A fundação também detém o controle sobre os espaços Casa das Artes (IAP) e Curro Velho, antes instituições independentes, que foram extintas pelo governo Jatene, mais um dos grandes golpes dados na área cultural. 

Dois espaços que ficaram à deriva neste últimos anos e que merecem atenção da gestão que vier. Vale lembrar que no extinto IAP havia um núcleo do "Pará Criativo", que foi desmantelado, e o Núcleo de Produção Audiovisual NPD, que chegou a ser coordenado por Afonso Gallindo, no primeiro governo de Jatene, e que hoje está também sucateado.

A ex-fundação Curro Velho manteve como pôde suas oficinas, mas há muito tempo que vem perdendo sua função de ator social em um dos bairros mais pobres de Belém, a Vila da Barca. Tudo isso merece um olhar mais cuidadoso. Tomara que haja com estes espaços, a mesma e imediata preocupação que houve em recuperar o monumento da Cabanagem, que sabemos, foi inaugurada no governo de Jáder Barbalho,  pai de Helder, e senador reeleito.

Do Sarau Multicultural às expectativas de uma nova gestão


Jorge André (foto de sua página no FB)
Buscando dialogar sobre a situação atual da cultura em níveis municipal, estadual e federal, o blog conversou com o produtor e ativista cultual Jorge André, que produz uma das cenas de maior resistência da cidade, o Sarau Multicultural do Mercado de São Brás. Ele diz que mesmo com o cenário de perseguição institucionalizada visto no Governo Federal, acredita que no âmbito local as coisas sejam diferentes, ao menos na esfera estadual.  



“Anseio ver ainda mais ativistas envolvidos na discussão sobre caminhos a seguir, cobranças sobre as medidas adotadas nas gestões passadas, participação na construção de politicas públicas inclusivas e, principalmente, respeito à cultura popular, fomento, transparência e democratização administrativa”, diz. As expectativas por mudanças na gestão estadual dos recursos da cultura são grandes.

Na esfera estadual, o ativista diz que espera ver uma profunda mudança no modo como os recursos, espaços e modelo de gestão foram conduzidos ao longo de toda a história do Pará. "Nunca tivemos ativistas diretamente engajados no fazer cultural conduzindo a Secretaria de Cultura, salvo o período em que o professor Edilson Moura assumiu o cargo, vale ressaltar”, diz Jorge André.

Já na administração municipal de cultura as coisas são mais nebulosas. Voltando ao Mercado de São Brás, onde além do Sarau Multicultural, da "Batalha" de São Brás (cena Hip Hop), das rodas de capoeira, dança de rua, skate e quadrilhas juninas, também observamos um dos momentos de maior abandono em sua história. 

“O mercado está abandonado tanto em sua estrutura física, quanto na ausência total ou precária manutenção e limpeza, perseguição a permissionários que se insurgem em denunciar as arbitrariedades administrativas da SECON, órgão da prefeitura responsável pela administração e com a ausência da Guarda Municipal, que já teve inclusive um posto avançado no local, porém hoje nem rondas faz naquela praça de grande circulação e recorrente incidência de casos de violência urbana”, relata Jorge André.

No terceiro ano do segundo mandato seguido do prefeito Zenaldo Coutinho Jorge, Belém vê seu patrimônio cultural sucumbindo, a Lei Tó Teixeira sendo desmantelada e o edital lançado no segundo semestre do ano passada, por sua formatação mais voltada às ações sociais, deixando do lado de fora  inúmeros projetos culturais.

“Aguardo a execução das duas sentenças de cassação do mandato do atual prefeito, que cometeu crimes eleitorais, realiza uma gestão inexplicável que abandona a cidade, permitindo a deterioração de patrimônios históricos, desperdiça nosso poderoso potencial cultural, econômico, turístico e de desenvolvimento humano, gerando o crescimento da pobreza, da violência, a perda de memorias e saberes, sem esquecer diversas outras mazelas que transversam a situação”, aponta Jorge André.

Pois bem, o ano está só começando e já há muitas novidades, mas nenhuma tão animadora quanto a mudança de paradigmas que se espera na Secult Pará. É preciso literalmente virar as chaves que abrem as portas da secretaria de cultura de estado ao público, aos artistas aos gestores da economia criativa.

Os artistas, agora gestores públicos, deverão colocar à frente de seus projetos pessoais e suas carreiras, os interesses coletivos para que efetivamente se construa uma política de estado, que deixe seu legado após o mandato. Vamos aguardar o que a secretaria de cultura vai dizer, colher e compartilhar, mas os fazedores de Cultura também precisam propor, participar, fiscalizar e cobrar. Estamos querendo ver a roda girar. 

14.1.19

Diego Wayne lança o livro "Coração de Unicórnio"

Poesias fazem mais que contar histórias.  Captam em palavras e sentimentos, sons, gestos, suspiros de amor e gritos de revolta. Diego Wayne se despe dos trajes cinzentos nos quais a sociedade tenta vesti-lo e pinta a pele com as cores da imaginação. Mostra como o preconceito, a desigualdade e a homofobia podem ser discutidos e combatidos com riso e versos fortes. "Coração de Unicórnio" será lançado nesta quarta-feira, 16, às 19h, no Café com Arte.

Por Francisco Weyl, 
Carpinteiro de Poesia

Lembro exatamente o dia em que conheci o poeta Diego Wayne. Foi num Sarau poético, em Bragança do Pará, há cinco anos. Sentei ao seu lado, fiz uma fotografia, juntos, para recordação. Olhar esta imagem, agora, é pensar no seu universo histórico. Ela evoca um significado para a nossa alma de artista. Ao conhecer este jovem, tomei contacto com a sua poesia.

E ao ouvi-lo recitar poemas autorais, imaginei-lhe diversas estradas. Seu olhar, sua pele, sua lucidez, seus sonhos, tudo se atravessava em seus versos. Cada linha, lida, com a dimensão de muitas vidas, sentidas. Nas entrelinhas, o seu silêncio, e a sua timidez de ser que sabe ouvir, mais do que falar.

Não dissemos muita coisa naquela ocasião. Mas a poesia nos uniu, aos nossos corpos e nossos espíritos. Foi amor platônico, à primeira vista. E uma poética paixão visceral. Falávamos de coisas banais e filosofávamos quando nos encontrávamos. Entre um e outro café, ou abraço, a ideia de publicar um livro brotava como a ponta de um iceberg, cujo Mar oculta o quase infinito sólido que é um pensamento líquido.

E cada vez que Diego W. lia seus poemas, mais ele se enchia de coragem de trazer à luz o concreto de sua obra. Revelar sua mensagem de e por amor, em livro. Sim, de amor, porque é em nome do Amor que Diego W. escreve. E sua pena é tão leve, que, quando ele escreve, ou recita sobre o amor entre dois homens, ou entre duas mulheres, o leitor flutua, e se eleva – para além dos preconceitos.

O jovem Wayne é por isso mesmo um poeta de afeto, e de combate. Como poeta, não diz, sugere. E assim ele faz com que entremos em sua casa, em seu quarto, e deitemos em sua cama. E então escutamos a sua doce voz de jovem-menino, que é como um canto, apaixonado. Diego participou de uma Coletânea, editada pela Para.Grapho, junto com outros poetas bragantinos (2016).

Ao ver seu texto grafado, para além do objeto-livro, DW vislumbrou ainda novos horizontes. Seus poemas são curtos, mas intensos. E têm a simplicidade de pessoas comuns, que súbito se identificam com os seus versos. Pessoas que amam um amor às vezes considerado proibido.

Um amor que sofre dos males, mas que não sente as dores do mundo. Um amor sublime que supera o preconceito e afronta os desalmados. Um amor pulsante, e colorido. Amor divertido, traduzido em sorriso, que desconhece o perigo. Diego W. fez da poesia a razão de ser deste Amor que ama sem fronteiras.

Com seus versos, ele rompe cercas, e ocupa territórios. E com seus gestos e palavras, ele se engaja nas causas nobres de seu tempo-espaço, em simultâneo. E foi assim que deu asas ao “Coração de Unicórnio”, seu primeiro livro-solo, editado pela Rico (2018).

Bem humorado, retirou os textos do armário, e os recolocou de volta, em tomo. E os lança ao espaço das redes virtuais, pelas quais media o envio e a venda de seu livro-produto. Assim como os unicórnios são animais míticos, o poeta é um místico que revela as vozes que falam ao inconsciente, e que são ouvidas, desde o Big-Bang, este som universal, e atemporal.

E, quando não traduz, o poeta dá sentido à sua própria metafísica. Com o seu “Coração de Unicórnio”, Wayne adentrou vales e florestas do imaginário. Atravessou a estranha névoa que encobria o Amor Homoafetivo. E se banhou nas águas de um encantamento que apenas as paixões humanas podem sentir. 

Professor e estudioso, DW transporta consigo esta magia que é a de escrever poesias. E por ela, transmuta a existência, a sua própria, e a de seus leitores. Ou daqueles que o ouvem recitar, um poema, ou narrar, uma experiência de vida. Porque o Amor, como a Poesia, são feitos de um mesmo coração de Unicórnio.

Serviço
"Coração de Unicórnio" será lançado nesta quarta-feira, 16, às 19h, no Café com Arte - Trav. Rui Barbosa, entre Nazaré Braz de Aguiar.