31.1.20

Amazônia Doc recebe inscrições para sexta edição

Estão abertas as inscrições para a 6ª edição do Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico do Cinema. O evento será realizado de será de 11 a 20 de maio, em Belém, com mostras competitivas nacional e internacional. 

Até dia 24 de março, documentaristas dos 9 países da Pan-Amazônia (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa) estão aptos a enviar produções para as mostras competitivas Pan-Amazônica e Amazônia Legal. 

Podem ser inscritos documentários curtas (de até 25 minutos) e Telefilmes/longas-metragens (com mínimo de 52 minutos). O edital está no site http://amazoniadoc.com.br/inscricoes. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas, exclusivamente, através da plataforma Filmfreeway (https://filmfreeway.com/AmazoniaDoc). Dúvidas e mais informações, pelo cel. +55 91 3349-2018. O resultado do processo de seleção será divulgado no dia 20 de abril.

Trazendo como objetivo, democratizar o acesso à produção audiovisual de documentários do território Pan- Amazônico, promover  difusão e incentivar o intercambio de documentaristas em todos os países Pan-Amazônicos, o festival também forma público. 
A edição 2020 também conta com a Amazônia Doc Lab & Caravana Matapi do Audiovisual, uma parceria firmada para o debate, reflexão e formação sobre as demandas da indústria audiovisual, a inserção da produção do Pará e da região Norte no mercado audiovisual nacional e internacional, além da permanência das políticas públicas conquistadas nos últimos anos. Após o evento principal, o festival ainda segue itinerante entre 15 de junho e 15 de agosto.

Projeto agrega mais dois festivais em 2020

Além das tradicionais mostras competitivas, este ano o Amazônia Doc traz mais dois festivais para dentro de sua programação. O 1º festival As Amazonas do Cinema, voltado para produção audiovisual feminina da Amazônia, vem fortalecer a presença, participação e representatividade efetiva de mulheres produtoras, cineastas, críticas, fotógrafas e jornalistas em todos os setores da produção audiovisual Pan-Amazônica. As inscrições poderão ser realizadas de 2 de março a 5 de abril.

E o 1º Curta nas Escolas, que além de democratizar o acesso ao cinema e a produção, contribui e estimula a consciência crítica dos alunos do Ensino Médio das Escolas Públicas Estaduais do Pará, através da linguagem cinematográfica. As inscrições serão de 20 de março a 10 de abril.

Há outras atividades que ocorrem antes do período oficial do festival. De 02 a 30 de março serão realizadas oficinas de Direção, Roteiro, Fotografia, Som e Edição de cinema para alunos do Ensino Médio das escolas públicas da região metropolitana de Belém. Os filmes produzidos pelos alunos durante as oficinas serão selecionados  por meio de uma curadoria para programação na Mostra Competitiva/Mostra Paralela. Os 3 filmes da Mostra Competitiva que obtiverem a maior pontuação pelo Júri Oficial serão premiados.

10 anos e cinco eventos realizados

Nas últimas cinco edições, 30 mil pessoas já estiveram no Amazônia Doc e cerca de 300 filmes inéditos foram exibidos. Já estiveram em Belém, cerca de 80 nomes relevantes do audiovisual, entre cineastas, críticos e teóricos nacionais e internacionais (Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, Colômbia) para ministrar masterclass, workshops, mesas de debates e bate-papo. O festival contabiliza ainda 25 oficinas realizadas na área direção, roteiro, animação e fotografia para documentários, capacitando aproximadamente 500 participantes.

“Em 2019 completamos 10 anos de existência e realizamos nossa 5a Edição. Foi uma edição de consolidação do projeto, os resultados foram super positivos! Nosso objetivo principal na 6a Edição é manter o Festival vivo, pois ele articula, pensa nossa produção audiovisual,  e ainda,  contribui efetivamente com a articulação da nossa rede de intercâmbio com o cinema produzido nas diversas "AMAZÔNIAS", diz Zienhe Castro, produtora do evento.

O Amazônia Doc iniciou impulsionado por editais e Leis de Incentivo. Passou por períodos mais difíceis e ano passado retomou seu fôlego com uma programação consistente trazendo diversas atividades e mesas de debates. Este ano, embora o projeto já esteja em execução, ainda não há recursos suficiente para que o festival seja realizado na integra.

Com realização do Instituto Culta da Amazônia e produção da ZFilmes, o festival ainda em processo de captação, mas já conta com co-realizacão da SECULT- Governo do Estado do Pará e Instituto Márcio Tuma, parcerias com o Sesc; Sebrae e Belém Soft Hotel, além do apoio cultural da Fundação Cultural do Pará - Cine Líbero Luxardo,  Funtelpa, Holofote Virtual – Comunicação, Arte e Mídia, Pará 2000 e Distribuidora Estrela do Norte.

"Esses apoios são imprescindíveis para assegurar a infraestrutura mínima para a realização do evento. A equipe de organização/produção/comunicação  e comissão de curadoria, até o presente momento, já trabalha para viabilizar o evento cultural, mas estamos mobilizados para tentar sensibilizar empresas locais e nacionais para abraçarem o projeto”, conclui Zienhe.

O Amazônia Doc busca patrocínios por meio da Lei de Incentivos do Estado do Pará- Lei Semear e da Lei de Incentivos fiscais do Governo Federal- Lei Rouanet, para garantir alimentação,  transporte e remuneração da equipe de organização, comunicação, oficinas de formação, comissão de curadoria, jurados e cineastas palestrantes. 

Serviço
6ª edição Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico do Cinema. Inscrições até 24 de março. Acesse o edital no site http://amazoniadoc.com.br/inscricoes. As inscrições são feitas pela plataforma Filmfreeway (https://filmfreeway.com/AmazoniaDoc). Mais informações, pelo cel. +55 91 3349-2018.

Circuito Mangueirosa capacita equipe pro carnaval

Nesta sexta-feira, 31, prestadores de serviço ao Circuito Mangueirosa passaram por uma capacitação para melhorar o atendimento ao público nas atividades de pré-carnaval da Casa Mangueirosa, e no Complexo Turístico Ver-o-Rio que recebe os cortejos de blocos e shows, de 21 a 25 de fevereiro.

Equipe de seguranças, recepcionistas, operadores de bar, caixas e serviços gerais, além de produtores, diretores dos blocos e convidados do Circuito Mangueirosa, participaram da ação, realizada no Núcleo de Conexões Na Figueredo.

“É importante a gente começar a pensar no que a gente faz nesta cidade enquanto produção cultural. Quando falamos nisso, a gente está se referindo a lazer, momentos agradáveis a que todo mundo tem direito. A equipe administrativa, os terceirizados, todos que vão trabalhar no evento e estarão recebendo o público, devem estar conscientes que devem receber todos de forma respeitosa. É neste momento que você torna as relações mais sinceras, humanas, afetivas, coisas que a nossa sociedade adoecida está precisando muito”, diz Flores, mulher trans, artista e militante LGBTQI+.

Durante as atividades de carnaval, a Casa Mangueirosa conta 40 pessoas atuantes entre a portaria e demais serviços de atendimento ao público, mas nos cinco dias de evento que inicia sempre no Ver-o-Rio, serão mais de 150. A expectativa de público para este ano é de mais de 80 mil pessoas. A capacitação, portanto, já era uma demanda percebida pelo circuito e em especial pela Casa Mangueirosa, a partir do momento em que se decidiu levantar algumas bandeiras sociais. 

“A gente não precisa ser negro pra lutar contra o racismo, não precisa ser homossexual pra combater a LGBTfobia, não precisa ser mulher pra lutar contra o machismo ou a misoginia. Essas são pautas sociais, e isso faz parte de uma construção social. São questões estruturais. Então a ideia de fazer essa capacitação foi para que a gente pudesse passar de forma mais objetiva para os nossos prestadores de serviço e para quem trabalha conosco  a ideia do que é o Circuito Mangueirosa. E reforçar pra eles qual é o nosso posicionamento e de como queremos que nosso público seja recebido”, diz Tyago Thompson, da produção do Circuito Mangueirosa.

O racismo, na opinião de Wellingta Macêdo, militante do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe PA está na base de tudo, desencadeando preconceito, assédio e até mesmo violência contra pessoas negras. Ela esteve presente na capacitação, como convidada, para falar à equipe sobre um assunto que no país ainda costuma ser tratado de forma tímida.

“Infelizmente a sociedade ainda não assume o racismo, que é invisibilizado, mas que está no cotidiano, no comportamento das pessoas, nas piadas, nos comentários e em tudo aquilo que a gente naturalizou como normal.  Então é muito difícil combater o racismo cotidiano, mas ele é real, existe e ele continua matando a juventude mais pobre e das periferias, nas principais cidades”, diz Wellingta . 

Para ela, é importante pensar em como lidar com isso, antes que situações se consolidem com um evento em andamento. 

“Ações como essa de capacitação são muito necessárias. Treinar e conscientizar a equipe de segurança que é a porta de entrada de um evento é fundamental. Ninguém nasce racista, os seguranças são humanos que aprenderam coisas erradas que agora precisamos desconstruir. Todos precisam entender que não podem ficar reproduzindo modelos preconceituosos e discriminatórios. Muitas vezes as pessoas nem percebem que estão agindo assim, mas já está na de esquecer essa educação equivocada e se reeducar. Eu acredito nisso”, conclui.

Para Suellen Letícia, que faz parte da equipe de segurança da Casa Mangueirosa, a capacitação foi proveitosa. “Isso tem ajudado muito a gente, está abrindo nossas cabeças. Hoje foram colocados pontos bem específicos sobre abordagem, a forma da gente ter espeito um pelo outro, foi muito bom”, diz.

A organização do Circuito Mangueirosa acredita que a partir dessa capacitação que terá uma outra etapa dias antes do inicio do carnaval o atendimento ao público se torne mais humanizado, consciente, não só durante o carnaval.

“Esperamos que quem participou desse primeiro encontro possa multiplicar não só para as pessoas que, como elas, trabalham com segurança, mas pra todo mundo do circulo social delas, em casa, no bar, no trabalho. Estamos satisfeitos com o retorno que tivemos  e esperamos construir uma ideia mais solidaria, mais humana do que é essa relação publico x casa, publico x circuito”, conclui Tyago. 

Ensaio aberto, bailes e cortejos

O Circuito Mangueirosa segue com programação nas próximas semanas, antes do carnaval oficial chegar. Neste domingo, tem ensaio aberto do Grupo Lambadeiros do Trovão, a partir das 14h, no Ver-o-Rio. A Casa Mangueirosa recebe os bailes Manada do Bando Mastodontes, no dia 7 e Mega Baile da Glande, no dia 8. O Baile Fera Folia, da Meachuta, que será no dia 15 de fevereiro. 

O Núcleo de Conexões Na Figueredo vai receber no dia 16 de fevereiro, o Mangueirosinha, baile de carnaval infantil. É lá também que estão sendo realizadas oficinas e mesas de debate sobre carnaval, sempre às terças-feiras, às 18h. Na semana que vem, dia 4, o tema será “Mídia x Artistas: produção de conteúdo para a imprensa” com os jornalistas Sonia Ferro e Gustavo Aguiar. 

No dia 11 de fevereiro, as seis produtoras  que realizam o Circuito participarão das mesa “Circuito Mangueirosa: Como realizar esse rolê!”, e no dia, 18, encerrando essa programação, haverá a mesa de debate: Carnaval de Belém - Passado, presente e futuro. Depois disso, é aguardar o Circuito que abre dia 21 e segue com programação, a partir do meio dia de 22 a 25 de fevereiro, gratuito no Ver-o-Rio e com festas a preços acessíveis na Casa Mangueirosa.

O Circuito Mangueirosa tem patrocínio: Natura Musical, Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Cerveja Oficial: Draft Sub Zero. Produção: Bando Mastodontes, Filhos de Glande, Lambada Produções, Mea Chuta, Melé Produções e Se Rasgum Produções. Realização: Circuito Mangueirosa.  Mais em: Instagram: @circuitomangueirosa / Facebook: @cmangueirosa.

30.1.20

Pra Lá do Limiar tem estreia no Casarão do Boneco

Odin Gabriel 
Foto: Victoria Rapsódia
Premiado pelo edital de Produção e Difusão Artística 2019 da Fundação Cultural do Pará, “Pra lá do Limiar” estreia hoje, 30, às 19h, no Casarão do Boneco, e segue em fevereiro com apresentações nos bairros da Terra Firme, Guamá e em Ananindeua. A entrada é pague quanto puder!

A negação  da realidade é  uma forma de ver  a vida  e viver  o mundo, o limite entre a razão  e a loucura  é tênue e para duas vidas, para dois  personagens  que imersos em suas lembranças lutam para sair  do isolamento, essa luta desperta sentimentos ocultos.

Utilizando  jogo teatral, improviso e textos baseados  no livro Elogio  à  Loucura, de Erasmo de Roterdã e Streap  Tease, de Marta Medeiros, o espetáculo mostra  que  a loucura é  provocada por  mecanismos  políticos, econômicos  e sociais e que  caminhar, entre a ordem estabelecida  e a negação  desta ordem é  fio  frágil. Atingir  e ultrapassar esse limite  é exercer a liberdade  de viver suas escolhas.   E então, o que temos Pra Lá  do Limiar?

Maurício Franco
Foto: Victoria Rapsódia
O espetáculo é resultado de uma dramaturgia coletiva, com direção de Maurício Franco, artista de longa trajetória nas artes cênicas. Iniciou as atividades artísticas em 1997, cursando oficinas de artes plásticas e cênicas na Fundação Curro Velho onde, mais tarde viria a ser instrutor dessas mesmas atividades. 

Em 1998 ingressou no curso de iniciação teatral da Universidade Popular (UNIPOP) onde fez parte do grupo de teatro até 2001, em 2004 entrou no curso técnico de formação de ator na Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (EDTUFPA) e é colaborador das atividades do Casarão do Boneco. 

Foi integrante dos grupos UNIPOP-1998,  Dramática Cia-2000 e PAPEL ANIMADO- teatro de bonecos- 2003, além das mais recentes Desabusados Cia. e bando de Atores independentes (BAI) onde explora, entre outras funções, a de Direção e Dramaturgia. Junto as atividades de ator agregou as funções de cenógrafo e figurinista. 

Fafá Sobrinho
Foto: Victoria Rapsódia
No Pra Lá do Limiar, é ele quem assina figurino e adereços, e também está no elenco, junto com Fafá  Sobrinho, do grupo Produtores Criativos, que também produção da montagem. Completando a equipe de cena, está Odin  Gabriel, que além de atuar, se responsabiliza pelas mídias do espetáculo. A visualidade e a fotografia são de Victoria Rapisódia e o vídeo, de Cincinato Marques.

Depois da estreia no Casarão do Boneco, o espetáculo será apresentado, neste sábado, 1º de fevereiro, no bairro do Terra Firme, na sede do Boi Marronzinho. Haverá vivências com jogos teatrais, antes da apresentação da peça. Do mesmo modo, no dia 7 de fevereiro, a programação será no Guamá, ocupando o Espaço Cultural Nossa Biblioteca. No final de semana seguinte, dia 14, será a vez de Ananinduea receber o espetáculo, no Centro Cultural  Rosa Luxemburgo.

PROGRAMAÇAO COMPLETA
Pra Lá do Limiar

Quinta-feira, 30 de janeiro
Casarão do Boneco  
Av. 16 de Novembro, 815
19h00

Sexta-feira, 31 de fevereiro
Boi Marronzinho -
Pass. Brasília/Terra Firme
14h00: Vivência  com Jogos teatrais
18h00: Apresentação  espetáculo

Sexta-feira, 07 de fevereiro
Espaço Cultural Nossa Biblioteca
Rua 25 de Junho, 214/Guamá
14h00:Vivência  c/jogos teatrais
18h00: Apresentação  espetáculo

Sexta-feira, 14 de fevereiro
Centro Cultural  Rosa Luxemburgo/Ananindeua
14h00: Vivência c/jogos teatrais
18h00: Apresentação  do Espetáculo.

Mais informações:
91 99174-2191

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

25.1.20

Circuito Mangueirosa antes e durante o carnaval

Além da programação de 21 a 25 de fevereiro, no Ver-o-Rio, a segunda edição do Circuito mangueiras traz a cidade ações de pré-carnaval que já vão aquecendo para os quase cinco dias de folia que terão cortejos de blocos, shows e muita diversão na beira do rio. Neste domingo, 26, iniciou o período de ensaio aberto do Lambadeiros do Trovão, e nesta semana iniciam os encontros de formação, além dos bailes nos dias 7 e 8 de fevereiro, na Casa Mangueirosa.

A partir desse domingo, 26, e também nos demais, em fevereiro, dias 4, 11 e 18, o Circuito Mangueirosa já estará realizando, das 14h às 18h, no Ver-o-Rio, os ensaios dos Lambadeiros do Trovão, grupo formado a partir de uma oficina básica de percussão ministrada pelo músico Félix Robatto. Duas turmas foram formadas, totalizando cerca de 40 percussionistas que formarão a bateria que irá tocar durante o cortejo do Bloco Lambateria que desfila no sábado de Carnaval, 22, durante o Circuito Mangueirosa.

“Nossa percussão é baseada em células rítmicas de gêneros regionais. A ideia é fazer um grande cortejo mostrando que nossa música é pro Carnaval sim! Quem quiser ir conhecendo um pouco do trabalho, pode acompanhar nossos ensaios que vão animar as tardes de domingo no Ver-o-Rio, já aquecendo pro Circuito Mangueirosa”, avisa Félix. Foi uma parceria entre Circuito e Belemtur/Prefeitura de Belém que garantiu os ensaios abertos do grupo nas tardes de domingo no Complexo Ver-o-Rio e já prepara os frequentadores para o  Carnaval.

Também está rolando programação na Casa Mangueirosa e Núcleo de Conexões Na Figueiredo. Inaugura em dezembro do ano passado, a casa tem capacidade para 1500 pessoas. É lá que será realizado, no dia 7 de fevereiro, o Baile Manada, do Bando Mastodontes. No dia 08, o baile à fantasia do Filhos de Glande e, no dia 15 de fevereiro, o Baile Meachuta. Já o Mangueirosinha, baile infantil onde toda a família pode ter um momento de lazer pensado exclusivamente para a diversão das crianças, com brincadeiras e contação de histórias, que será realizado no dia 16 de fevereiro no Núcleo de Conexões Ná Figueredo.

Além da programação aberta ao público, o Circuito Mangueirosa irá realizar um treinamento para a equipe que trabalha na Casa Mangueirosa buscando esclarecer e respeitar a questão de gênero. Entendendo o respeito à diversidade, a apresentadora Flores Astrais irá ministrar um curso esclarecendo dúvidas e repassando orientações sobre a questão de gênero dentro dos eventos do Circuito, que tem como uma de suas regras o respeito à diversidade.

Encontros - Anote que tem mais. A partir do dia 28 de janeiro, o Núcleo de Conexões Na Figueredo também recebe uma programação que vem contribuir com a qualificação profissional da cena musical paraense por meio de oficinas, palestras e mesas de debate. A primeira oficina será a de discotecagem com o DJ Zek Picoteiro, que vai fazer uma introdução à discotecagem digital desde montagem de playlists à mixagem básica de músicas paraenses.

“Mais do que ensinar qualquer coisa, a ideia dessa oficina é compartilhar. Todos os inscritos poderão levar seus HDs e pendrives para copiar quantas pastas quiser”, avisa Zek. Produtor cultural que já trabalhou com Dona Onete, Strobo, Felipe Cordeiro, Molho Negro e Gang do Eletro, Zek Nascimento é um apaixonado pela música paraense e vem esquentando as pistas de Belém botando no play todas as vertentes e influências do Brega, passando pelo Tecno, Melody, Cumbia, Lambada, Merengue e Carimbó. Atualmente, é o DJ oficial da Lambateria, festa que ganhou bloco e desfila no dia 22 de fevereiro no Circuito Mangueirosa.

No dia 04 de fevereiro, será a vez da oficina “Mídia e Artistas: produção de conteúdo para a imprensa”, ministrada pela jornalista Sonia Ferro. Repórter da TV Cultura há 14 anos, Sonia, que é produtora da Lambada Produções, trabalhou na reportagem do programa “Cultura Pai D´Égua” e “Invasão” e em transmissões ao vivo de eventos como Festival de Ópera, Festival Cultura de Verão e Terruá Pará.

A oficina vai falar sobre o relacionamento do artista com a imprensa e sobre produção de conteúdo como releases e sugestões de pauta, e contará com a participação do jornalista cultural Gustavo Aguiar, jornalista cultural Gustavo Aguiar, ex-repórter do Diário do Pará e da Rádio Cultura e assessor de imprensa do Festival Se Rasgum e Sonido, é um dos diretores da Urtiga Music Business, agência de marketing e comunicação para o universo musical.

“Cada vez mais, os artistas têm assumido suas carreiras, participando de todas as etapas do trabalho, não só a música, mas também a produção e divulgação. Com esta oficina, pretendo esclarecer um pouco sobre o fluxo na imprensa e também ajudar a construir um release que atenda as demandas da imprensa local”, explica a jornalista.

No dia 11 de fevereiro, o assunto será produção de eventos. Representantes das seis produtoras que realizam o Circuito Mangueirosa (Bando Mastodontes, Bloco Filhos de Glande, Lambada Produções, Meachuta, Melé Produções e Se Rasgum Produções) irão participar da mesa “Circuito Mangueirosa: Como realizar esse rolê!”, onde serão apresentadas a estrutura que envolve o Circuito e  os cuidados para o sucesso de um evento. Para a produtora Joanna Saraiva, da Melé Produções, a mesa vai esclarecer muito sobre a produção de um grande evento como o Circuito Mangueirosa.

“O Mangueirosa foi pensado para oferecer um carnaval de qualidade para a cidade e por isso, pra gente, tão importante quanto realizar é que as pessoas que participam entendam todo o esforço necessário para colocar esse evento na rua. Ao mostrarmos o que envolve o Circuito, o público também vai participar mais, ajudando a cuidar da cidade não jogando lixo no espaço público, não fazendo xixi na rua e respeitando as regras de segurança e todos que participam do rolê, por exemplo”, avalia.

Encerrando a programação, no dia 18 de fevereiro, o Circuito Mangueirosa vai realizar a mesa “Carnaval de Belém: Passado, Presente e Futuro”, em que será debatido o Carnaval da capital, que já viveu um tempo áureo e que vem se reinventando e buscando alternativas sustentáveis de valorização da cultura paraense. Entre os participantes, o antropólogo, historiador e pesquisador de Carnaval, Rui Martins, e Rosenildo Franco, ex vice-presidente e diretor de carnaval do Quem São Eles, fundador do bloco Peles Vermelhas e criador do símbolo Cobra Grande do Bloco Filhos de Glande.

Toda essa programação será realizada no Núcleo de Conexões Ná Figueredo, sempre a partir das 18 horas. Os interessados devem fazer sua inscrição gratuita no site ingresse.com.

Quando o carnaval chegar

O Circuito vai montar, no complexo Ver-o-Rio, de 21 a 25 de fevereiro, uma estrutura de arena e palco com sistema de sonorização e iluminação completo, no final da Av. Marechal Hermes, isolando a área e permitindo a entrada do público gratuitamente, com revista para garantir segurança ao evento, um programa para toda a família.

A abertura do Circuito, dia 21 de fevereiro, às 18h. contará com discotecagem da DJ Jack Sainha, show de Ita Lemi Sinavuru e a diva do Carimbó Chamegado: Dona Onete. Esta programação de abertura é uma novidade do Circuito, que espera ser uma opção de Carnaval para toda a família.

A programação de 22 a 25 começará às 12h, na concentração que ganhou o nome de Pitiú. Em seguida sai em Revoada. É o cortejo que segue encerrando às 19h30, nos banzeiros, a festas que rolam na Casa Mangueirosa (antigo Porto Music). Dona Onete, Warilou e Metaleiras da Amazônia são alguns dos shows dessa agenda. Ingressos já disponiveis (a partir de R$ 15,00).

Nos dias 22, 23, 24 e 25, a folia começará às 12h no Complexo Turístico, com atrações até as 19h30. Cada data do Circuito é composta por um bloco de carnaval. No dia 22 de fevereiro, quem desfila é o Bloco Lambateria, com Félix Robatto e convidados. Já no dia 23, é a vez do Bloco Manada, comandado pelo Bando Mastodontes. No dia 24, o Bloco Lucha Libre assume o comando tendo a frente a Orquestra Aerofônica e Raidol e no dia 25, o Bloco Filhos de Glande fecha a folia com a tradicional Orquestra Carnafônica do bloco.

O Circuito vai contar com a participação do Festival Exu, trazendo expositores de economia criativa, com produtos regionais e de apelo carnavalesco. Os quiosques do Complexo Turístico serão cadastrados e atuarão na praça de alimentação, oferecendo comodidade ao folião, além de uma experiência de sentidos, misturando música e gastronomia.

O projeto vai entregar o espaço limpo, em parceria com associações de catadores de lixo que farão a coleta seletiva no espaço, gerando renda para esses trabalhadores. Além disso, serão dispostos banheiros químicos e lixeiras, tanto no Ver-o-Rio quanto no caminho do cortejo. O Circuito também oferecerá equipe de segurança para garantir que a folia seja tranquila para todos, bem como para salvaguardar os espaços públicos. Também serão realizadas durante o evento campanhas contra o assédio, de conscientização ambiental e uso de preservativo.

Serviço
As atividades extras do Circuito Mangueirosa serão realizadas nos dias 28 de janeiro, 04, 11 e 18 de fevereiro, a partir das 18 horas, no Núcleo de Conexões Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449 - Nazaré). Inscrições gratuitas pelo www.ingresse.com. Informações: (91) 99300-9509 / 98026-1595. Mais: Instagram: @circuitomangueirosa / Facebook: @cmangueirosa.

Patrocínio: Natura Musical, Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Cerveja Oficial: Draft Sub Zero. Produção: Bando Mastodontes, Filhos de Glande, Lambada Produções, Mea Chuta, Melé Produções e Se Rasgum Produções. Realização: Circuito Mangueirosa.

23.1.20

Cláudio Barros retoma suas leituras dramatizadas

Fotos: Raul Farias
O ator Claudio Barros volta em cartaz com a leitura dramatizada do conto Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos (que perderam os fundamentos), de Plinio Marcos. A apresentação estreou ano passado, no Teatro Waldemar Henrique, e agora poderá ser vista a partir do dia 31 de janeiro, no Núcleo de Conexões Na Figueredo, onde cumprirá temporada às quintas e sextas, sempre às 19h, até final de fevereiro. O ingresso é Pague quanto Puder.

O conto de Plinio Marcos faz parte de um livro de bolso, editado em 1977, com três contos em sua composição. Claudio interpreta o segundo conto, que trata da perda dos fundamentos do indígena brasileiro, expondo, numa narrativa poética, verdadeira e cruel, o histórico extermínio do povo da floresta.

Um velho índio começa a perceber o afastamento de sua aldeia da essência primordial dos fundamentos do seu povo. É obrigado a testemunhar a degeneração total de sua gente e de sua sua raça. Escrito durante a ditadura militar, há mais de 40 anos, a narrativa se apresenta, assustadoramente, atual.

A estrutura narrativa de Plínio transforma a palavra num mantra contundente, objetivo, ácido. A palavra, quase nota musical, é repetida, incansáveis vezes, construindo uma espécie de palavra-música, rítmica, ritualística. 

Em 2018, Claudio leu, pela primeira vez, a versão original do conto de Plínio e nunca mais tirou da cabeça. “Depois que li esse conto, me senti no dever de compartilhar com outras pessoas”, fala Claudio.

Em agosto de 2019, enquanto viajava na Caravana Teatral Mambembarca, iniciou o processo de ensaios. Pela primeira vez experimentando a auto direção. Uma experiência totalmente nova para Claudio. Ensaiou sozinho, sempre em voz alta, até construir uma disciplina diária de treinos vocais com as palavras do conto. Em novembro e dezembro do mesmo ano, apresentou sua leitura dramatizada, duas noites no Teatro Waldemar Henrique.

A leitura dramática já é uma prática na trajetória de Claudio Barros. Certa vez, dentro do aquário do Museu Emilio Goeldi, ao lado da atriz Zê Charone, leu fragmentos de textos de Benedito Monteiro.  
Por duas vezes na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, e no auditório do IPHAN, em Belém, fez a leitura do capítulo 55 (PONTO 55) do livro PETRÓLEO, de Pier Paolo Pasolini.  Na livraria Saraiva, também em Belém, realizou a leitura do conto COPROMANCIA, do livro SECREÇÕES, EXCREÇÕES E DESATINOS, de Rubem Fonseca. 
PLÍNIO MARCOS – autor

Sobre Plínio Marcos

O dramaturgo nasceu nasceu em São Paulo, na cidade de Santos em 1935. Adolescente de família modesta e sem gostar de estudar, trabalhou como funileiro, tentou a carreira de jogador de futebol, serviu a aeronáutica, mas foi o Circo que despertou sua vocação. Mais tarde atuou no rádio e fez um meteórico sucesso na televisão. Na década de 1950, por influência da escritora e jornalista Pagu, começou a se envolver com o teatro. Nessa mesma época, escreveu sua primeira peça teatral Barrela, que permaneceria proibida durante 21 anos após a primeira apresentação. 

Nos anos 60 produziu textos para televisão, onde também trabalhou como técnico, foi roteirista e encenou espetáculos que foram censurados logo após a primeira apresentação. Como ator apareceu em seriados da TV Tupi, de São Paulo e da telenovela Beto Rockfeller, vivendo o cômico motorista Vitório. O personagem foi parar no cinema e também na telenovela de 1973, A Volta de Beto Rockfeller. 

Durante o movimento do Cinema Nacional, o diretor Braz Chediak adaptou duas de suas peças A Navalha na carne (1969) e Dois Perdidos numa Noite Suja (1970). Na década de 1980, apesar da censura, Plínio Marcos permaneceu extremamente produtivo como jornalista e dramaturgo. 

Depois do fim da censura, Plínio continuou a escrever romances e peças de teatro, tanto adulto como infantil. Tornou-se palestrante, chegando a fazer 150 palestras-shows por ano. Plínio Marcos foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolinguística, semiologia, psicologia, religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura, como ator, diretor, escritor e dramaturgo.

INÚTIL CANTO e INÚTIL PRANTO PELOS ANJOS CAÍDOS 
(que perderam os fundamentos)

Texto: Plínio Marcos
Direção e atuação: Claudio Barros
Sonoplastia: Claudio Melo
Produção: Sandra Conduru
Arte: Marcela Conduru
Fotos: Raul Farias

Data: 31 de janeiro e 01/05/06/13/14/20/21 de fevereiro/2020
Hora: 19h00
Local: Núcleo de Conexões Na Figueredo
(Av. Gentil Bittencourt,449 – Nazaré/Belém - (91) 9.8113-7600)
Ingresso: PAGUE QUANTO QUISER

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Um bate papo com Cláudio Barros

Na estreia da Leitura Dramática, o ator falou do novo trabalho e de seus desses 44 anos de carreira dedicados ao teatro e também ao cinema.
https://holofotevirtual.blogspot.com/2019/11/claudio-barros-em-cena-com-leituras.html

Zélia Amador de Deus recebe Troféu Ujamaa 2020

Foto: Isabel Cabral
Criado pelo Bloco Olodum, em 1986, para homenagear personalidades negras ou não, por destacada contribuição à defesa, preservação e promoção da cultura e das tradições afro brasileiras, o troféu foi entregue nesta quarta-feira, 22, à professora Zélia Amador de Deus, em noite de abertura do Festival de Música e Artes Olodum – FEMADUM, em Salvador, Bahia

Ativista do movimento negro e feminista no estado do Pará, Zélia Amador de Deus tem uma história de luta contra o racismo, defesa dos direitos de negros, mulheres, indígenas e quilombolas. Em sua trajetória fundou o Núcleo de Artes, hoje, Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará, responsável por desenvolver projetos como o Auto do Círio. Dirigiu o Centro de Letras e Artes (CLA), atual Instituto de Letras e Comunicação (ILC) e foi vice-reitora da UFPA, onde hoje é Docente do Instituto de Ciências da Arte e coordena a Assessoria da Diversidade e Inclusão Social,  atendendo demandas de grupos que historicamente estavam de fora da universidade.

Em 2019, Zélia Amador de Deus também recebeu homenagens. No primeiro semestre, na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, promovida pela Secretaria de Cultura do Estado do Pará,  em que ela lançou uma obra. E em novembro, quando recebeu o título de Professora Emérita outorgado pela Universidade Federal do Pará.

A homenagem do Olodum reconhece personalidades que, ao longo de suas trajetórias profissionais, tem contribuído com o desenvolvimento científico e tecnológico da humanidade, imprimindo aos seus conhecimentos, descobertas, inventos/ criações, um corte étnico-racial, de modo a realçar a contribuição dos (as) africanos (as) e afros descendentes neste campo da atuação humana.

Em 2020, o tema de desfile do Bloco Olodum no carnaval será “Mãe, mulher, Maria – Uma história das mulheres”. Por isso, o Troféu Ujamaa do Femadum 2020, foi entregue em parceria com a Revista Raça Brasil exclusivamente para mulheres, em um total de 20 (vinte), do Brasil e do exterior, sendo esta, uma forma de contribuição para o fortalecimento da luta contra a violência em geral, contra o feminicídio em especial e, para a valorização e empoderamento feminino.

Já foram homenageados em anos passados, Mãe Stela de Oxossi, a Major Denise Santiago (criadora da Ronda Maria da Paz), Dadá (mulher de Corisco e do bando de Lampião), Harlem Désir (criador do SOS Racismo/França), Mestre Didi Alapini, o Mestre Neguinho do Samba (criador do ritmo do samba reggae), a ex-governadora do Rio, Benedita da Silva, o cacique Juvenal Payayá, o grande ativista negro Abdias do Nascimento e a Makota Valdina Pinto, além de mais de duas centenas de personalidades e instituições.

O que é Ujamaa

É uma palavra da língua suahili, uma das muitas faladas na antiga Tanganica, hoje Tanzânia.  Era um conceito utilizado por Juius Nyerere, líder da independência e primeiro presidente do país, para unificar o povo e promover o desenvolvimento econômico e social da nação e lhe imprimir uma identidade nacional. 

O festival em Savador

O FEMADUM é realizado no Pelourinho, onde segue com programação até dia 26 de janeiro.  O tema deste ano é Návigum Izidis (o Navio de Ísis), festa religiosa nascida no Egito em homenagem à Deusa Ísis, apropriada pela Roma Antiga, e considerada a origem do carnaval, como o conhecemos, hoje.  

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 22, às 20h
Teatro Castro Alves
Entrega do Troféu Ujamoa

Quinta-feira, 23, às 19h
Casa do Olodum
Posse do Conselho Consultivo do Olodum
Sexta-feira, 19h
Casa do Olodum
Lançamento de livros, exibição de videoclipes e performance teatral

Sábado, 24, às 13h
Largo do Pelourinho
Banda percussiva do Olodum e Ala de canto + convidados

Domingo, 25, às 13h
Largo do Pelourinho
Banda percussiva do Olodum e Ala de canto + convidados; Premiação dos Compositores Femadum 2020.

22.1.20

Fotógrafa revela em livro história de superação

Formada em Direito, a fotógrafa Dri Trindade descobriu, aos 34 anos, que tinha câncer. Isso mudou sua vida, mas o que poderia ser tragédia se transformou em uma história de superação. Especialista em retratos femininos, ela experimentou o auto retrato e passou utilizar a fotografia como ferramenta terapêutica para mulheres que buscam, como ela, autoconhecimento, autoestima e amor próprio. Os ensaios que revelam belezas escondidas das mulheres fotografadas também ajudam a própria artista a passar pelas dores físicas e emocionais causadas pela doença. Um processo de transformação cujas experiências ela vai contar no livro que pretende lançar no segundo semestre de 2020, com apoio de uma campanha de financiamento coletivo que estará nas plataformas digitais, logo depois que o carnaval passar.

A campanha está sendo planejada este mês, enquanto Dri Trindade dá os primeiros toques no livro. Morando no município de Bragança, cidade paraense situada há 230 quilômetros de Belém, para onde se desloca com frequência por razões profissionais, mas também para tratamentos de saúde, ela vem realizando de forma silenciosa, mas potente, um trabalho que ganha a cada dia mais admiradoras e atrai seguidores a suas redes sociais. Via diálogos, rodas de conversa e ensaios fotográficos, a artista vem ajudando a mudar a vida de várias outras mulheres que entram em contato com o poder da autoestima e a aceitação de seus corpos.

"Faço ensaios reveladores onde busco a beleza escondida e que está dentro de cada pessoa. É um processo onde juntos vamos além de nós mesmo", diz Dri que deseja compartilhar com as pessoas os caminhos que ela encontrou para superar e continuar superando as batalhas do dia a dia além de situações de assédio e de violência vividas pelas mulheres que atende com a fotografia terapêutica.

E Dri Trindade também conhece na pele essas histórias de violência. Foi assediada na infância, sofreu tentativas de estupros na juventude, precisou trabalhar quando adolescente e viveu uma relação abusiva por doze anos até que se separou. Casou novamente, mas decidiu se separar do segundo marido quando foi concluído o tratamento de câncer. Por várias vezes, foi e voltou do inferno na emergência do Hospital Ophir Loyola, em Belém. Vivia a peso de morfina e diz que após tudo isso, ressuscitou.

“Em 2014 observei algumas mudanças em meu corpo e senti dores, procurei um médico, passei bastante tempo em exames laboratoriais e consultas, quando, meses depois, descobri que lamentavelmente ele não era especialista no meu caso. Com uma vida agitada entre casa e trabalho, deixei a vida seguir seu curso, mas no final daquele ano, eu fiz a Curetagem Endocervical, sob anestesia geral, para remover material da cavidade uterina que foram submetidos a biópsias. Meu mundo caiu no dia 12 de janeiro de 2015, quando recebi o diagnóstico final, eu estava com câncer do colo uterino, seguindo-se a partir deste momento uma série de situações que mexeram com meu espírito, e a minha tranquilidade psicológica e física, e que alteraram radicalmente a minha vida material, emocional, e profissional", conta ela em um dos trechos do livro que o Holofote Virtual teve acesso com exclusividade.

"Com o tempo, aprendi que me entregar à doença era deixa-la vencer, sem que fosse para um campo de batalha, sem nenhum exército e sem armas, para enfrentar um inimigo ao qual eu temia e que eu tinha medo de combater. Teve dias que o sorriso desaparecia, claro, mas não desisti de lutar, minuto a minuto.  Quando se vencia uma batalha, a guerra continuava, na sua nova fase. Meu corpo se transformou, tornei-me um cadáver", diz em um trecho inicial de seu livro.

A fotografia passou a ser um pretexto para que ela e as pessoas também falem de si. "Eu colho depoimentos de mulheres que participam dessas sessões fotográficas. E contam sua experiência, e como foi revelador para cada uma. Faço Rodas de Conversas Femininas, com mulheres que sofrem violência doméstica, um espaço onde essas mulheres podem ter seu momento de fala e escuta. Buscamos este acolhimento, onde juntas buscamos esta união", continua.

Dri também desenha e cria personagens para sobreviver aos tropeços, medos, amores, desamores e conquistas de quem atravessou o deserto da doença que mais mata pessoas no mundo, o câncer. "Hoje eu consigo me amar e me aceitar, por isso levo um pouco do que vivi e ajudo pessoas que querem aprender a se amar. Eu quero compartilhar o que aprendi no meu processo de dor”.

Uma história de superação e amor a fotografia

O milagre é que a Dri acreditou na vida, em quem ela era e o que ela poderia ainda fazer por si e pela humanidade.  A necessidade da aceitação de seu próprio corpo, transformado, e suas limitações a levou a um processo de aprendizado. Era como nascer de novo. 

"Então, comecei a construir um processo de aceitação de minha transformação. Como fiquei com sequelas dos danosos tratamentos aos quais fui submetida durante um ano, acabei sendo obrigada a fazer uma cirurgia (ileostomia), para desviar o fluxo do intestino delgado, passando a armazenar minhas fezes numa bolsa coletora, acoplada à parte externa do abdômen. Como limpar as bolsas era coisa que fazia várias vezes ao dia, trocar bolsas passou a ser a minha rotina. Criei um diário de emoção onde eu desenhava o que eu sentia. E senti que me fotografar me fez amar muito ao meu eu feminino", continua.

Foi quando parou de se odiar. "Sentia-me mais forte e linda a cada passo que eu dava. Um passo de cada vez. Eu me amo, dizia-me, todos os dias. Vivi momentos de transformação e fui me amando cada vez mais. Mas, ocorreram momentos de recaídas e de dores em que eu somente pensava em sumir. Então, fazia dos meus autorretratos um trabalho para a aceitação de meu corpo. Porque meu corpo é a minha nova morada E isso me faz sentir plena. Vivo o meu amor pela fotografia, a minha válvula de escape para o meu amor próprio”.

No livro ela também fala sobre o amor que tem pelos animais. Dri vive com seis cães e dois gatos, além de recolher animais nas ruas, fazendo campanhas de adoção, tratamento de doenças, e recolhimento para castração, do mesmo modo que também não se furta em apoiar aos amigos, com um sorriso que conquista as pessoas. Além disso, Dri prepara um novo projeto de exposição, com ensaios intimistas com mulheres homossexuais e heterossexuais.

Já é possível colaborar

Enquanto a campanha não entra nas plataformas digitais, quem quiser desde já apoiar o projeto, pode entrar em contato diretamente com ela, pelo número de telefone: +55 91 9148-7483.  Ou depositar qualquer quantia na conta  0006351 – 7, Banco BRADESCO - Agência 6671 – 0 | Via 02 - Tipo 00, em nome de de Adriana Cristina da Trindade Gomes.

Acompanhe também a artista pelas redes sociais:
https://www.facebook.com/dritrindaderetratista
@_dritrindade_

16.1.20

Iniciação à fotografia sob as perspectivas do olhar

O fotógrafo Miguel Chikaoka trabalha  conhecimentos sobre a técnica e a história da fotografia na oficina “De Olhos Vendados”, que inscreve até o dia 25 de fevereiro, na galeria Kamara Ko Galeria,  para atividades que ocorrerão entre 09 de março e 13 de maio. 

A oficina se produz em doze encontros, por meio de vivências pautadas em práticas de construção e uso de dispositivos de visualização, captura e análise de imagens, jogos e exercícios sensoriais,  saídas a campo e rodas de conversa. O grupo é convidado ao “exercício do pensamento crítico-criativo sobre a essência do que permeia o fazer fotográfico”, diz Chikaoka.

A perspectiva da luz - suas características, propriedades e significado,  é abordada em um passeio pela fotografia artesanal - como a pinhole, fotografia digital, conhecimento sobre a câmera fotográfica, fluxos de trabalhos, entre outros temas.

Mais do que resultados, o processo prioriza a poética e o experimental, neste trabalho orientado por Miguel Chikaoka, fotógrafo que reside em Belém desde a década de 80, onde idealizou os projetos de criação da Associação Fotoativa e  da Agência Kamara Kó Fotografias. Natural de Registro-SP, seu trabalho dedicado ao estudo e práticas educativas é pautado em abordagens que buscam expandir os sentidos do olhar para além da fotografia.

Como artista, dedica-se à criação de obras que transitam entre imagens, instalações e objetos que tratam de questões filosóficas e políticas que norteiam seu engajamento no campo da educação e, ao longo de mais de 3 décadas, além de uma dezena de individuais, soma participações significativas em exposições no Brasil e no exterior. Como ministrante de cursos, workshops e palestras soma uma extensa lista de convites para atuar em eventos nacionais e internacionais. 

Em 2012, recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural – MinC por sua contribuição à cultura brasileira. Em 2014, convidado pelo CdF para desenvolver um projeto no âmbito da Jornada: 10, sobre Fotografia e Educação, desenvolve o projeto “Aguas Enlazadas”, uma produção coletiva articulada com agentes multiplicadores no Brasil e no Uruguai, que resulta numa instalação no espaço Bazar na pré ocupação da nova sede do CdF. Em 2015 foi agraciado com o Prêmio Marcantonio Vilaça/Minc/Funarte.

Serviço
Oficina “De Olhos Vendados”, de Iniciação à Fotografia, com MIguel Chikaoka, com inscrições abertas até 25 de fevereiro, com atividades entre 09 e março a 13 de maio, às terças e quintas, de 19 as 21h30 + práticas de laboratório saídas,  viagens, consultas e orientações presenciais ou on line. Na Kamara Ko Galeria, Travessa Frutuoso Guimarães, 611 (entre General Gurjão e Riachuelo). Bairro Campina. Investimento:  R$ 750,00 (incluso: materiais de consumo, laboratório e scanner).
Formulário de inscrição: https://forms.gle/4AeApQ1jMAAdXcA89

Rogério de M. Barros lança Borameditar em Belém

O ator, escritor, artista visual e Yogi carioca Rogério de Mendonça Barros está em Belém para lançar o projeto “Borameditar”, que reúne um conjunto de ações cujo objetivo é ensinar as pessoas a meditar. Haverá lançamento de livro na Fox (18), palestra e oficina infantil no Espaço Vida Zen (20 a 24), outra oficina para crianças, no Casarão do Boneco (25 e 26), além de um bate papo no Atelier Jupati (27) e um workshop teatral, no Espaço Cultural Valmir Bispo Santos (28 e 29). No final do bate papo com ele, você confere todas as informações na agenda.

O projeto “Borameditar” nasceu no Rio de Janeiro, onde Rogério de M. Barros começou a ensinar meditação para um grupo de crianças de uma comunidade. A experiência o inspirou a escrever o livro “O Menino que queria ser Bombeiro, que será lançado na Livraria da Fox.

Além de ações abertas ao público, Rogério também realizará, no dia 27, pela manhã, às 10h, em ação voluntária, uma mini palestra lúdica sobre o livro e uma prática de respiração com o público interno do CIIR - Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação, que fica na Rod. Arthur Bernardes.

Na Fox, o autor fará uma pequena apresentação da sua trajetória profissional e falará como nasceu o projeto inédito no Brasil "Borameditar", realizando ainda prática lúdica de respiração, com adultos e crianças, finalizando com autógrafos na obra que estimula, de forma lúdica, crianças a conhecerem a si mesmas através da meditação. Além de “O Menino que Queria ser Bombeiro”, Rogério tem mais um livro impresso, de fotografia, intitulado "Solitude"; e dois e-books "O Poder da Respiração" e "Manual de Meditação para Iniciantes". 

A Yoga entrou na vida de Rogério de M. Barros, em 1997. “O meu corpo era super tenso, eu vinha de uma carreira de esportes, era sufista profissional, então os cinco primeiros anos de Yoga foram muito difíceis, eu suava desproporcionalmente, de escorrer pelo tapete e sala”.

Foi necessário também fazer um tratamento com medicina ayurvédica, um sistema alternativo milenar nascido na Índia, que une bem-estar e saúde. “O médico conseguiu diminuir minha temperatura, mas me disse que a partir dai o lance era meditar”, conta ele que foi a partir de então iniciado em Meditação Transcendental. 

Meditar e compartilhar experiências

A ideia de sair pelo mundo praticando e compartilhando seus aprendizados com meditação ganhou força e foi preciso praticar o desapego. “A gente compra, consome, cria patrimônio e depois tem que cuidar disso tudo. Viajar mesmo, só como turista, mas eu queria sair pelo mundo. A idade foi chegando, meus pais partiram, tive uma separação e eu pensei que seria o momento". 

Ele nem pensou muito e em três dias, ligou para um leilão. “Os caras foram na minha casa e levaram tudo, lençol, fogão, móveis, geladeira, tudo mesmo. O carro eu vendo pela Olx, em uma tarde. O apartamento coloquei pra alugar e comecei a viajar. O dinheiro não deu nem para seis meses e comecei então a encarar isso tudo como missão. E o trabalho que iniciei no Rio está se espalhando pelas cidades que chego”.

O ensino de meditação para crianças surgiu em 2012, junto com a vontade de sair pelo mundo, depois de uma espécie de visão. “Um dia, numa meditação mais longa eu me visualizei dando aulas para crianças. E eu nunca tinha ouvido falar de meditação infantil, mas a partir dessa imagem eu procurei possiblidades de desenvolver isso; e encontrei uma comunidade carente próxima de minha casa, com uma sala disponível para praticar com as crianças”. 

A turma inicial tinha 30 crianças e os resultados foram positivos, não apenas individualmente.  “A própria comunidade começou a se transformar. Veio até um traficante me dizer que o que eu precisasse era só pedir e eu ensinei meditação pra ele também. É um sonho passar em todas as capitais do país e promover meditação com crianças e adultos. 

Pela primeira vez na Amazônia

Estou na Região Norte, pela primeira vez, e minha expectativa é que o público venha e participe das ações”, diz Rogério, que antes estava em Campo Grande, no Matogrosso do Sul ministrando uma oficina. 

“De lá cheguei na Bolívia e no Peru, antes de descer para o Acre, Rondônia, Manaus e finalmente chegar no Pará. “Fiz todos estes percursos de ônibus, pois não tem graça alguma chegar de avião nestes lugares. Assim é mais ancestral, fico mais próximo da cultura e das pessoas desses lugares por onde passo”.

Praticando as técnicas, desde 2002, Rogério afirma que começou a enxergar de forma mais clara, padrões mentais, pensamentos negativos, prestar mais atenção no que as pessoas falavam, e fazer também a sua auto observação. “Fico muito tempo em silêncio, sentado, observando. As posturas de Yoga abriram meu corpo, e a meditação foi a salvação”.

Antes de começar a viajar com o projeto Borameditar, Rogério tinha uma vida atribulada como ator. Fez mais de cem personagens no teatro e na televisão, dois programas de TV que concorreram ao Emmy. Fez teatro em Portugal e na África e, por dois anos ensinou cinema a jovens moradores de comunidades da zona portuária do Rio de Janeiro, com patrocínio do Governo Federal. 

Na televisão, encarnou Edson, motorista e amante da personagem da Suzana Vieira, na minissérie "Lara com Z". No teatro fez Vado, ficando em cartaz por dez anos na peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos. O curta mais conhecido da carreira é "Antes do Galo", exibido em mostras e festivais.

BORA MEDITAR | AGENDA

AUTÓGRAFOS E BATE PAPO 
Lançamento do livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro"
Local: livraria FOX 
Endereço: Tv. Dr. Moraes 584
Data: 18.01.20 (sábado)
Hora: 18h30 
Dinâmica: O autor fará uma pequena apresentação da sua trajetória profissional e como nasceu o projeto inédito no Brasil "Borameditar", realizará uma prática  lúdica de respiração, com adultos e crianças dará os autógrafos do livro.
Valor do livro: R$ 30,00. 

PALESTRA
"Melhorar a Vida com Respiração e os Elementos da Natureza" 
Local: Espaço Vida Zen 
Endereço: Av. Alcindo Cacela 1872. 
Data: 20.01.20 (segunda-feira)
Hora: 19h
Ingresso: Contribuição voluntária
Lotação: 30 pessoas 
Obs: O livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro” estará à venda no local.

OFICINA DE MEDITAÇÃO INFANTIL
e os 4 elementos da natureza.
Local: Espaço Vida Zen
Endereço: Av. Alcindo Cacela, 1872, entre as avenidas Gentil Bittencourt e Nazaré. 
Data: 21 a 24.01 20 ( terça a sexta) 
Hora: 9h às 11h
Faixa etária: 6 a 12 anos 
Turma: máximo 12 crianças 
Dinâmica: Dividia em quatro módulos, são ensinadas técnicas de respiração e meditação às crianças, conforme cada elemento (ar, água, fogo e terra). Num jardim, elas podem se soltar e se conectar à natureza.
Investimento: R$ 50,00 cada módulo ou R$ 200,00 no total
Inscrição: (48) 99907 5377

OFICINA INFANTIL
"Respiração e a Consciência Corporal para crianças e a manipulação de bonecos" 
Local: Casarão do Boneco 
Endereço: Av. 16 de novembro, 815, entre Veiga Cabral e Pça. Amazonas
Turma 1 - dia 25.01.20 (sábado) -  9h às 12h
Faixa etária: 6 a 12 anos
Vagas: 12 
Turma 2 - dia 26.01.20 (domingo) -  9h às 12h
Faixa etária: 6 a 12 anos
Vagas: 12 
Dinâmica: A ideia é estimular nas crianças a consciência do corpo e da respiração, praticando ações físicas pela observação da manipulação dos bonecos.
Investimento: R$ 50,00/Dia
Inscrição: Whatsapp (48) 99907 5377

MINI PALESTRA NO CIIR 
Ação voluntária no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação 
Endereço: Rod. Arthur Bernardes 1000 - Val de Cães
Data: 27.01.20
Hora: 10h
Dinâmica: Mini-palestra lúdica sobre o livro "O Menino que Queria Ser Bombeiro" e prática de respiração com o público interno.

BATE PAPO
"Respirar e Meditar: práticas simples e acessíveis a todos" 
Local: Ateliê Jupati
Endereço: Tv. Gurupá, 250 entre Rias Dr. Rodrigues dos Santos e Gurupá. 
Data: 27.01.20
Hora: 19h
Entrada: Contribuição voluntária e espontânea
Lotação: 30 pessoas 
Obs: O livro " O Menino que Queria Ser Bombeiro” estará à venda no local

WORKSHOP TEATRAL
"A Respiração e os Estados Emocionais" 
Público-alvo: atores e estudantes de teatro e não-atores interessados em Artes Cênicas.
Local: Espaço  Valmir Bispo Santos 
Endereço: Tv. Padre Prudêncio, entre Ruas Gama Abreu e Carlos Gomes.
Data: 28 e 29.01.20 (terça e quarta) 
Hora: 19h às 22h
Dinâmica: o instrutor inova ao criar um formato inédito, com técnicas de interpretação aliadas aos ensinamentos do Yôga.  Os atores e estudantes de Teatro, por meio da respiração e movimentos específicos,  desenvolvem uma maior consciência do corpo e das emoções, para criarem personagens com partituras precisas.  Os alunos não-atores podem conhecer novas perspectivas de autoconhecimento corporal e respiratório e aplicar na vida.
Investimento: R$ 100,00
Turma: Mínimo de 5 participantes
Inscrição: (48) 99907 5377

Obra paraense em busca de votos para premiação

A peça “O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração”, escrita e dirigida por Saulo Sisnando, está concorrendo ao 8º Prêmio Botequim Cultural de Teatro, em quatro categorias. A votação é on line, até dia 10 de fevereiro. O resultado será anunciado dez dias depois no Teatro Firjan SESI, Rio de Janeiro (Centro).

“O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração” estreou no Rio de Janeiro em 2019, mas ainda está inédita em Belém. O texto foi escrito e premiado em 2015, como Melhor Dramaturgia, no Prêmio de Literatura da Casa das Artes do Governo do Estado do Pará. “Na mesma época, um produtor teatral carioca se interessou pela temática e inscreveu o projeto de montagem no programa de incentivos da Oi. Fomos selecionados e ano passado apresentamos no Centro Cultural Oi Futuro”.

O prêmio Botequim Cultural foi criado em 2012 como espaço exclusivamente destinado a discussão e análise de cena teatral carioca. Com o tempo se ampliou e hoje recebe produções de todo o Brasil. É um lugar que fala de teatro, através de críticas, análises, ensaios e entrevistas. O júri é formado por críticos teatrais e estudiosos do teatro.

“É um prêmio respeitado e também aguardado, sobretudo atualmente que, por falta de incentivo, muitos prêmios foram extintos. O Zilca Sallaberry, um dos mais tradicionais dedicados ao teatro infanto-juvenil, por exemplo, não existe mais. Então o Botequim, por ser um prêmio independente, tem grande importância dentro da resistência”. 

O espetáculo concorre na Categoria de Teatro Infanto Juvenil; e Saulo Sisnando, como melhor autor e melhor diretor, enquanto que Fabrício Polido, disputa o prêmio de melhor ator. A obra conta com idealização de Marcelo Nogueira; e traz ainda no elenco Amanda Melo, Daniel Dias e Nedira Campos. Todos na equipe são cariocas com exceção do autor. 

A peça trata da importância de sermos diferentes e de valores como tolerância, amizade, perdas e, principalmente, ensina sobre a necessidade de amar. O protagonista é Caniço, um garoto de 12 anos que descobre o amor nos olhos de uma menina, que exige uma flor vermelha em troca de seu coração. Caniço, porém, conhece no meio do bosque um menino-príncipe que está noivo de uma andorinha. Ele se depara, então, com desafios muito maiores do que conquistar o coração da pessoa amada.

Além das 4 indicações ao prêmio Botequim Cultural, “O Príncipe Poeira e a flor da cor do coração” recebeu ainda mais 12 indicações ao Prêmio CBTIJ, especializado em teatro infanto-juvenil, mas não é votação popular.  “Esperamos que as indicações impulsionem novos patrocínios e consigamos trazer o espetáculo não apenas para Belém como também para outros estados”.

O teatro de apartamento na cena de Belém

Saulo Sisnando não se considero de uma nova geração. “Pelo menos, não novíssima! Estreei meu primeiro espetáculo há mais de 10 anos no antigo teatro Cuíra e já estou na cena há exatos 20 anos. No Rio, além do Príncipe Poeira, esse ano ainda apresentamos a peça SUSTO que também foi muito bem recepcionada lá”. 

O autor, que transita pelo universo de dramaturgos mais experientes, como Edyr Augusto Proença, do Grupo Cuíra, também observa novos autores que já estão atuantes na cena de Belém. “Existe na cidade um grande número de dramaturgos que surgiram depois de mim, dentre eles a Barbara Gibson, Haroldo França, Alana Lima, entre tantos outros. E também tenho uma grande e profícua parceria com o Edyr Augusto, com que já produzi uma penca de espetáculos”.

Saulo costuma apresentar seus trabalhos em teatros de bolso, salas de apartamento, formatos mais contemporâneos diante das dificuldades em se conseguir pautas em teatros tradicionais.

“Foi o jeito, mas sempre achei que a grande graça do teatro era a proximidade. O quase tocar. Trazer para o público essa sensação de que o teatro pode estar em qualquer lugar. Isso traz verdade, aproxima da vida das pessoas, tira os espectadores da passividade, se incluírem na peça, e quando chegarem em casa e a família começar a brigar na cozinha, eles pensem... bom, isso podia ser uma peça”.

Para quem já acompanha e gosta do trabalho de Saulo Sisnando, uma outra boa notícia é que ele vai estrear, em fevereiro, "Por um Segundo apenas", seu novo espetáculo, que fala sobre amor, paixão e saudade. “Estreio minha peça nova, no teatro de apartamento, na Trav. Curuçá 315. E desta vez, toda a equipe é formada por paraenses”, conclui.

VOTAÇÃO

8º Prêmio Botequim Cultural 
(Votação online até o dia 10 de fevereiro, por meio do link, o resultado será anunciado no dia 20 de fevereiro, no Teatro Firjan SESI Centro, no Rio de Janeiro)

- Melhor Espetáculo,
- Melhor Direção (Saulo Sisnando),
- Melhor Autor (Saulo Sisnando) e
- Melhor Ator (Fabricio Polido)

Para participar da votação acesse o link:

6º Prêmio CBTIJ de Teatro para Crianças 
(Os premiados serão conhecidos no próximo dia 25 de março)

- Melhor Espetáculo,
- Melhor Texto Original,
- Melhor Direção (Saulo Sisnando),
- Melhor Ator em Papel Protagonista (Fabrício Polido),
- Melhor Ator em Papel Coadjuvante (Daniel Dias da Silva),
- Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (Amanda Melo),
- Melhor Atriz em Papel Coadjuvante (Nedira Campos),
- Melhor Figurino (Karlla de Luca),
- Melhor Iluminação (Mantovani Luz – Fernada e Tiago Mantovani),
- Melhor Fotografia de Cena (Luciana Mesquita),
- Melhor Direção de Produção (Cacau Gondomar e Marcelo Nogueira),
- Melhor Programação Visual (Bruno Dante),

14.1.20

Espetáculo candango chega com tempero paraense

O espetáculo “Maniva” chega a Belém para apresentações nos dias 16 e 17 de janeiro, no Sesc Castanhal e Sesc Ver-o-Peso, respectivamente. O espetáculo já realizou 2 temporadas independentes em Brasília e sua 1ª temporada em Belém só será possível, por conta de uma benfeitoria realizada na internet, onde o público colabora com o coletivo para vinda à cidade. A montagem é do Coletivo Maniva formado por brasilienses e uma paraense. 

“Os três Mal-Amados”, poema-peça inacabada de João Cabral de Melo Neto, foi o ponto de partida para provocações que levaram os atores a uma dramaturgia autoral, essencialmente embasada em elementos do imaginário cultural e realidade paraenses. 

Larissa Souza, atriz paraense radicada em Brasília, foi o elemento chave para essa mistura de referências, que tanto se parece com a pluralidade cultural da capital do país. A vontade de trazer o espetáculo vem desde que os contornos de dramaturgia foram criados. Isso porque eles acreditam que o trabalho só tem a crescer com os olhares do público paraense, munidos de vivências e afetividade com a maniçoba

“Maniva” apresenta um recorte da vida de uma mulher, onde num ato apaixonado ela se põe a preparar uma maniçoba, prato típico da culinária paraense, e, durante esse preparo, vive um encontro consigo mesma. Numa trajetória permeada pelo real e onírico vão se revelando os abismos e sutilezas que habitam as entrelinhas do amar. 

Ao longo da apresentação, a peça discute temas como relações de dependência e violência doméstica, por meio de metáforas muito inspiradas na riqueza poética da escrita de João Cabral. A montagem tem atuação de Larissa Souza, iluminação e trilha sonora executada ao vivo, de Luisa L’Abbate e Thiago Gama e, direção de Rafael Toscano e Yuri Fidelis.

“Há quase 8 anos, moro em Brasília e vir pra cá só fortaleceu essas raízes. Foi preciso me distanciar pra perceber que eu era toda emaranhado de umidade, calor, onça pintada, açaí e andiroba. Nas minhas unhas tem terra negra da Amazônia e terra vermelha do Cerrado. Brasília também não é esse deserto de desalmados. Ser uma artista, mulher, afroindígena paraense vivendo na capital me amplia a visão sobre os dois lugares, me faz ver organicidade no planejamento alvo de Brasília, me mostra que o Centro Oeste ainda sabe pouco do Norte. É nesse trânsito que quero estar”, declara a atriz.
   
Serviço
Sesc Castanhal, dia 16 de janeiro, às 19h30 - Avenida Barão do Rio Branco, 10 - Bairro Nova Olinda), entrada gratuita. Sesc Ver-o-Peso, Belém, dia 17 de janeiro (sexta-feira), às 19h - Av. Boulevard Castilhos França, 522/523). Ingressos: R$ 5,00. Classificação 14 anos.

(com informações da assessoria de imprensa do espetáculo)